“Elephant In The Room” escancara o rock nu, cru e combativo do duo The Soap Girls

“Elephant In The Room” escancara o rock nu, cru e combativo do duo The Soap Girls

18 de fevereiro de 2020 0 Por João Pedro Ramos

O duo de irmãs The Soap Girls começou literalmente vendendo sabonetes para ajudar instituições de caridade e se apresentando nas ruas da África do Sul desde que tinham 8 e 9 anos. Aos 12 e 13 anos, Noemie Debray (baixo) e Camille Debray (guitarra) começaram sua carreira, gravando em 2015 seu primeiro disco, “Call For Rebellion”, um trabalho cru e cheio de refrões grudentos, algo que acompanha a carreira delas até hoje.

Em 2017 lançaram seu segundo trabalho, mais lapidado e cheio de raiva, “Societys Rejects”, quando chegaram ainda mais longe, se apresentando em palcos dos Estados Unidos e Europa com seus shows vigorosos enfrentando o público com atitude punk de corpo e alma e participações em festivais como Rebellion Festivall e Camden Rocks. A luta contra o preconceito e o ódio é a base do trabalho de Mie e Mille, que citam a luta por liberdade e contra o machismo, racismo, homofobia e violência como inspirações para suas músicas. Em 2019 saiu o mais recente trabalho da dupla, “Elephant In The Room”. “Colocamos nossos corações e almas nesse álbum e adoramos porque é um álbum duplo, já que não podíamos deixar nenhuma música de fora”, conta Mie. “A música é diversa e atravessa a maioria dos gêneros, principalmente rock, pop, metal, punk, mas cada faixa tem um caráter próprio”.

– Como a banda começou?

Mie: Enquanto vendíamos nossos sabonetes! Nós vendíamos sabonetes para a caridade, aí um produtor que conhecemos nos convidou a gravar em seu estúdio. A partir daí ficamos viciadas e desde então estamos constantemente escrevendo músicas.

– Como surgiu o nome da banda e o que ele significa para vocês?

Mie: Desde que tínhamos 8 e 9 anos, nos apresentávamos e vendíamos sabonetes para arrecadar fundos para instituições de caridade na África do Sul, e o público nos apelidou de The Soap Girls. Somos conhecidas assim desde o início de nossa jornada. Para nós é um lembrete e fundamento constante de quem somos, de onde viemos e o que defendemos, e isso significa muito para os fãs que nos conheceram desde os primeiros dias de apresentações de rua.

– Quais são suas principais influências musicais?

Mie: Temos um gosto muito diversificado. Minhas maiores influências são Fleetwood Mac, Marcy’s Playground, The Butthole Surfers, Crowded House, Joy Division e Nirvana.

Mille: Minhas influências são Alice in Chains, The Offspring, Blondie, The Deftones, Marilyn Manson, Tina Turner, Type O Negative e Napalm Death.

– Contem mais sobre “Elephant In The Room”, seu mais recente álbum.

Mie: Este disco é nosso terceiro lançado de forma independente e estamos super orgulhosas dele, abordamos muitas questões que achamos que as pessoas preferem ignorar. Foi muito terapêutico gravar todas as músicas, mesmo durante um período muito difícil, já que tivemos que gravar durante os blecautes na África do Sul, o que dificultou as coisas. Colocamos nossos corações e almas nesse álbum e adoramos porque é um álbum duplo, já que não podíamos deixar nenhuma música de fora porque achamos que elas precisavam estar nesse álbum. A música é diversa e atravessa a maioria dos gêneros, principalmente rock, pop, metal, punk, mas cada faixa tem um caráter próprio.

– Como a banda evoluiu desde os primeiros álbuns? Podem contar um pouco sobre cada um deles?

Mille: Começamos jovens: nosso primeiro disco saiu aos 12 anos, quando assinamos com a Universal no início da adolescência, e a cada ano fomos trazendo uma nova direção ou nível, então é impossível não ter evoluído! Não apenas como músicas, mas também como pessoas, e isso nos ajudou a nos expressar ainda mais em nossa música. Nosso primeiro álbum, “Call for Rebellion”, foi gravado em 48 horas, então é completamente cru, mesmo que nossos álbuns recentes sejam mais polidos, continuamos fiéis a nosso som e mensagem brutos que nunca mudam. Quando lançamos “Society’s Rejects”, tínhamos acabado de sair de uma turnê pesada e gravamos entre turnos de trabalho de garçonetes para pagar pela gravação. Definitivamente deram ao nosso som uma sujeira e tivemos a sorte de termos Arya Goggin, do Skindred, na bateria do álbum, o que foi muito legal. Nós produzimos e escrevemos tudo sozinhas e isso é parte integrante do nosso som. Tivemos mais tempo com o “Elephant In The Room” e foi difícil escolher músicas para o álbum, então apenas colocamos todas porque tínhamos muitas. Emocionalmente, este álbum foi o mais difícil de gravar, pois muitas coisas aconteceram, desde sermos chantageadas a perder entes queridos e ter que lidar com pessoas tentando parar e nos censurar mais do que nunca. Na verdade, a dor emocional era tão intensa que minha irmã acabou não colocando tantos vocais quanto ela normalmente faria, porque entre a gravação dos vocais estávamos chorando tanto que nunca pensávamos que conseguiríamos superar o que estava acontecendo. Foi o momento mais sombrio de nossas vidas.

– Como vocês descreveriam um show do Soap Girls?

Mille: Um show das Soap Girls é sempre uma celebração da liberdade e todo show é diferente, é um lembrete para as pessoas se levantarem por algo e serem ouvidas. Nossos shows são loucos, altos, na sua cara e se você não gosta de ver as pessoas livres, não venha!

– Vocês costumam se apresentar ao vivo sem roupa. Como as pessoas reagem a isso?

Mille: Nossa mensagem é sobre abraçar a liberdade e achamos que a roupa nunca deve definir uma pessoa ou um músico. Existem questões muito maiores com as quais a sociedade deve se preocupar e abordar, como crueldade animal, estupro, guerra, falta de moradia, intolerância e governos corruptos. É contra isso que deveríamos estar lutando, não a liberdade dos indivíduos! As pessoas também deveriam parar de tentar tirar os direitos de uma mulher para seu próprio corpo! A maioria das pessoas é ensinada a pensar coisas sobre mulheres que são confortáveis ​​em sua pele, e por isso estamos aqui: para lembrar às pessoas que não há nada inerentemente sexual na pele e nos padrões desatualizados que persistem na indústria da música. Eles precisam ser enterrados! As pessoas que nos julgam antes de conhecer nosso show saem com uma mentalidade e uma apreciação completamente novas por sua liberdade e a liberdade dos outros. Temos muito ódio simplesmente porque as pessoas foram condicionadas a ver a pele como um tabu, mas não mudaremos quem somos como pessoas para sermos aceitas.

– Vocês planejam vir ao Brasil?

Mie: Gostaríamos muito de ir ao Brasil, parece um país tão bonito e as pessoas são quentes como o clima e zangadas como um enxame de abelhas contra o sistema.

The Soap Girls

– Quais são os próximos passos?

Mie: Irritar mais pessoas, tocar em todo o mundo e lançar o maior número de álbuns que pudermos, inspirando outros a enfrentarem a injustiça.

– Recomende bandas independentes e underground que chamaram sua atenção ultimamente!

Mille: Fizemos um show com uma banda chamada Fear Me December, música incrível e pessoas incríveis. Também The Virgin Marys!