El Efecto e o poder de socialização da música

El Efecto e o poder de socialização da música

22 de agosto de 2019 0 Por Pedro Mendes

Conversamos sobre política, música e sobre como a arte pode ter um papel fundamental em tempos sombrios.

A banda carioca El Efecto fez um show em Goiânia na semana do Festival Bananada, em um showcase organizado pela produtora Pedivela Cultural, junto com a banda Gawgav (GO)Foi um dos melhores shows do festival. Intenso, virtuoso e com uma capacidade incrível de conversar e interagir com o público. E aqui é o alvo da banda: o público, o povo.

Em suas letras, é bastante recorrente temas políticos, como a mais-valia e a luta de classes. Em nossa conversa, falamos sobre como a música pode compor juntamente com os movimentos sociais e estudantis a luta pela igualdade de classes, principalmente em um contexto obscuro no qual estamos inseridos, e também sobre suas influências musicais e artísticas que inspiraram seu último trabalho, Memórias do Fogo” (2018).

 

Recentemente vocês lançaram um clipe de Carlos e Tereza, que é uma homenagem a Carlos Marighella e Tereza de Benguela, considerando o contexto politico atual do Brasil, qual a importância de lembrar e celebrar esses grandes nomes que representam a resistência brasileira?

Sobre o Marighella, tem um lance na atual conjuntura em relação a memória da ditadura militar, né? Enquanto nós da esquerda tentamos puxar a memória do fogo, eles tentam puxar a memória do chumbo mesmo, então é um enfrentamento direto nesse sentido. E a Tereza de Benguela tem a ver com a luta antiracista, mas tem também a ver com os primórdios dessa situação, a origem do dinheiro, a exploração máxima do trabalho que é a escravidão, são dois símbolos que aglutinam muitas coisas das nossas ideias de luta.

Quais são as influências musicais e estéticas do último álbum de vocês, “Memórias do Fogo”?

Música latino-americana, heavy metal, e várias outras influências que se traduzem em cada música. E também a literatura de Eduardo Galeano, que fala da nossa história enquanto América Latina, então nós estamos passando a música do terceiro mundo, do Brasil, que é o lugar de onde a gente fala.

Geralmente, as pessoas ligadas aos movimentos sociais ouvem muito suas músicas, inclusive o jornal A verdade, ligado a um movimento social já os entrevistou, como vocês vêem a relação entre a música e as lutas populares?

Nós conhecemos uma galera da UP (Unidade Popular) lá em Minas Gerais, e esse é um dos nossos maiores objetivos, estar aliado as lutas populares. E também tem o papel da arte, que tem uma importância grande dentro dos movimentos revolucionários. E nós tivemos um contato com o pessoal da Trupe Lona Preta em São Paulo, e lá nós tivemos ligados ao teatro político, que é um novo diálogo pra gente, para refletirmos sobre a própria prática, firmar os laços com as lutas e também com um lado muito complexo, de pensar a arte para além da mercadoria.

Como funciona o processo de composição das músicas?

É bem fragmentado. Parte de uma ideia inicial da música, seja uma frase, uma melodia, e depois a gente parte pra pesquisa, sobre qual linguagem usar, se o tema vai remeter a algum lugar, e vamos desenvolvendo até chegar no produto final.

Vocês poderiam contar um pouco de como foi o início da banda? Como vocês se conheceram e decidiram a começar a fazer música.

A El Efecto já nasceu desse projeto de diversidade musical, a pretensão da banda já era ter de tudo, o lado político e ter as referências musicais abertas.

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