Ecléticas e envolventes: conheça as pérolas escondidas nas trilhas dos jogos da FIFA

FIFA Soccer

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje não vamos falar de cinema, muito menos de série. Mas nem por isso trilha sonora vai ficar de fora, é claro. Ainda em meio a clima olímpico e ouro inédito no futebol masculino vamos falar de outra paixão nacional: vídeo games.

ALLEJO
Allejo, o eterno “Pelé” do jogo International Superstar Soccer (SNES)

Recentemente vimos um vencedor de prêmio Puskas, o até então semi-desconhecido Wendell Lira, virar gamer profissional. O jogador que pouco tempo após o gol – marcado pelo Goianésia durante o modesto campeonato goiano –  foi dispensado do time que disputa a quarta divisão do campeonato nacional.

Após a fama “meteórica”, ele teve propostas de times do Brasil todo, acabou até fechando um contrato com o Vila Nova (Goiás) que após 3 jogos foi rescindido. Ele até teve propostas de outros clubes como o Audax (do Vampeta – ex-Corinthians e pentacampeão), mas aos 27 ele “aposentou as chuteiras” e migrou para o futebol de apartamento.

Sobre sua decisão, Wendell até falou um pouco para o Uol no fim de julho:

“Decidi que é hora de parar”, disse o jogador em vídeo promocional. “Várias situações me motivaram a essa decisão. O gol marcou minha carreira, foi inesquecível, mas eu tive muitas desilusões no futebol. Infelizmente há pessoas boas, mas há pessoas muito ruins no futebol, que não pensam na família ou no jogador.

Tive muitos problemas e como eu já era um apaixonado por games, recebi uma proposta muito boa para iniciar este projeto, que me levaria a ter um futuro melhor, já que no futebol teria mais três ou quatro anos de carreira em um nível intermediário. Todos sabem a dificuldade dos clubes menores. Foi a melhor decisão”

Caso se interesse por saber mais sobre o novo rumo de Wendell dentro das quatro linhas – virtuais – do FIFA fique por dentro através de seu canal de youtube WLPSKS.

FIFAR
“Os bugs” de FIFA costumam fazer sucesso na internet

No dia 27 de setembro (29 no resto do mundo) chegará ao mercado norte-americano a vigéssima quarta edição da franquia de games FIFA. Um game muito esperado, pois será a primeira que teremos o adendo do futebol feminino, algo que é pedido já a muitos anos e que FINALMENTE ganha espaço. Outra novidade será que veremos os treinadores “trabalhando” de dentro do campo e será possível interagir com eles.

Muita coisa mudou desde o início do jogo que foi ao mercado pela primeira vez no fim de 1993 e já passou por um número vasto de consoles, tendo até desdobramentos como Fifa Street e Fifa World Cup. Muitas ligas foram adicionadas, direitos de imagem foram negociados e os gráficos a cada ano que passam ficam mais realistas. Sem esquecer, claro, da jogabilidade, do modo “manager” de carreira e das trilhas sonoras. E é neste ponto que queria chegar: vocês já pararam para prestar atenção nas pérolas que as soundtracks de FIFA possuem?

Hoje irei fazer algo diferente: ao invés de dissecar faixa a faixa a trilha de uma edição, vou escolher algumas para destacar. Acredite se quiser, vocês irão se surpreender. E funcionará perfeitamente como aquecimento para revelação da trilha de FIFA ’17 – algo guardado a sete chaves pela equipe da EA SPORTS.

Em 2016 tivemos a aparição da banda brasileira sensação: Baiana System. Misturando o axé baiano, o som dos som sistemas, reggae, cumbia, afroxé e beats eletrônicos que têm conquistado não só o coração dos brasileiros, mas o mundo. No game, “Playsom” traz toda essa conexão Brasil-Kingston-Berlim para nossos ouvidos. Quem já pôde vê-los ao vivo nos conta que a energia da combinação destes ritmos é envolvente como a energia de uma escola de samba.

Ainda na trilha de 2016, quem traz a energia para as pistas de dança é o grupo colombiano Bomba Estéreo. Com a explosão do reggaeton e o sucesso de M.I.A., este tipo de som têm ganhado adeptos ao longo dos anos. Eles se denominam como eletro-tropical ou cumbia psicodélica. O que importa é que é ficar parado não é opção após o play:

Mas fiquem calmos que a última edição não tirou o espaço do rock alternativo – que sempre tem espaço nas trilhas do jogo – da área. E porque não uma banda portuguesa que tenho contato a alguns anos e transmite uma energia muito boa, o X-Wife?

A música que participa da soundtrack é “Movin Up”, que tem uma levada lo-fi descompromissada misturada com beats eletrônicos e metais. Segue aquela linha do Cansei de Ser Sexy e Bombay Bicycle Club. Certamente irá conquistar fãs de Arctic Monkeys, Kasabian e The Knife:

Direto da terra do Tame Impala e com influências de Of Montreal e Devendra Banhart e do polêmico Kanye West vem o The Griswolds. Aliás, ela é altamente recomendável para fãs de Passion Pit, tendo inclusive excursionado juntas. Na tracklist de FIFA ’15 eles aparecem com a festiva e inocente “16 years”.

Dez anos após o lançamento do icônico álbum de estreia, o duo canadense Death From Above 1979 lançou seu segundo disco. Muitas faixas estavam “engavetadas” do primeiro trabalho e soam como continuação do disquinho. Para coroar toda essa espera, a trilha de FIFA ’15 conta com “Crystal Ball”, uma canção para fritar na pista de dança.

Em 2014 quem chegou “tombando” tudo foi Karol Conka. Mas a canção que embala o tom da prosa não foi “Tombei”, e sim “Boa Noite”. A rapper curitibana mostrou seu poder e som contagiante desde então em uma subida que parece não ter limites:

Mas é nas diferenças que as trilhas de FIFA ganham seu brilho. Representando a música inglesa e seu rico cenário eletrônico temos o Crystal Fighters que em 2013 chegou junto com seu eletro-folk tribal. A festa ficou ainda mais contagiante ao som da eletrizante, “Follow”:

Misturando rumba, flamenco, música eletrônica e música latina direto da Espanha temos a Macaco. Assim como o Gogol Bordello, o conjunto catalão contém membros de países do mundo todo (Brasil, Suécia, Camarões, Venezuela e Espanha), e tem na mistura sua força motriz. No FIFA ’12, “Una Sola Voz” está presente na trilha. O grupo já esteve presente no FIFA ’09 e FIFA ’10 com respectivamente “Moving” e “Hacen Falta Dos”.

A  Ana Tijoux é francesa de nascimento mas escolheu o Chile como terra de coração e solta suas rimas com primor em “1977”, faixa que faz parte de seu quinto álbum solo, que teve sucesso tanto na América Latina como nos EUA. A soundtrack de FIFA ’11 não foi a única que a utilizou: a série Breaking Bad também adicionou a cantora a seus discos de cabeceira.

Uma das mais emblemáticas e importantes bandas do ska argentino não ia ficar de fora dessa festa: com todo gingado boleiro, Los Fabulosos Cadillacs faz um gol de placa – na trilha de FIFA ’10 – com “La Luz del Ritmo”.

O consagrado duo norueguês de música eletrônica Röyksopp dominou no peito e após driblar o adversário bateu para o gol com a viajante “It’s What You Want”. O som deles mistura o ambient, o house, o drum & bass com ritmos latinos. Um destaque que quem joga não verá – se não procurar no Google – é o visual excêntrico dos estranhões que em sua carreira tem uma indicação para o Grammy.

As descobertas não param e direto da Bélgica – um país que tem uma diversidade musical incrível – temos Zap Mama. Se eu não tivesse lido que a artista é de lá eu jamais chutaria que é belga, porém o som me deixou intrigado desde a primeira nota. É uma loucura sonora de um mistura interessantíssima: hip-hop, nu soul com elementos de jazz e pop. Com raízes musicais africanas, ela canta em inglês e em francês. Na trilha de FIFA ’10 ela aparece com “Vibrations”.

Voltemos ao bom e velho rock’n’roll: em 09′ quem deu as caras foram os escoceses do The Fratellis com “Tell Me a Lie”, canção presente no segundo disco do grupo – Here We Stand” (2008). O grupo liderado por John Fratelli ficou sem lançar nada até 2013, após neste período anunciar um longo hiato e John se arriscar em carreira solo.

Uma das canções mais conhecidas das gêmeas idênticas do The Veronicas, “Untouched”, está presente –  no jogo de ’09 – com seu eletropop/alternativo. Uma curiosidade é que , ex-Holly Tree, lá em 2008 tocou como guitarrista no conjunto.

Em 2008 uma das bandas que eu mais gosto da Australia, The Cat Empire, entrou na trilha do game com o hit “Sly”. O mais curioso é que o som da banda tem uma veia latina fortíssima com seu jazz que mistura ritmos latinos com o ska, o funk, o rock e até um pouco da salsa. Já pude presenciar o show deles em três oportunidades e digo e repito: Não perca de jeito nenhum em uma futura visita ao país.

No mesmo ano temos uma banda da Alemanha, mas calma: não vou anunciar mais um gol do Khedira, por mais que o grupo represente muito bem a música pop germânica. Lembro quando ouvi pela primeira vez a canção “Nur Ein Wort” na MTV Europa e ter escrito num post-it para baixar depois – em meados de julho de 2005 (9 anos antes do fatídico 7×1).

Enfim, na trilha temos Endlich Ein Grund Zur Panik”, canção que conta com um divertido clipe que “tira onda” com a imagem dos super heróis e vale a pena apertar o play. 

Em 07′ a Coréia do Sul foi representada pelos “bizarros” e aleatórios Epik High. A canção não é muito minha cara com seu hip hop made in Seoul. Porém a título de curiosidade segue o o clipe de “Fly”:

Mas se estamos falando de música diferente feita ao redor do mundo, porque não um Nu Metal italiano? E assim chegamos a soundtrack de FIFA 06′ com Inno All’Odio” do LINEA77. Eu não sei vocês, mas eu nunca tinha parado para imaginar Nu Metal feito em italiano e achei de certa forma cômico. 

Para fechar a lista de alguns dos muitos destaques e pérolas dos últimos 10 anos da trilha sonora da série de games FIFA, um clássico. Sim, já podemos afirmar tranquilamente que “Daft Punk Is Playing at My House” do LCD Soundsystem, um dos grandes clássicos dos 00’s.

E desta forma encerramos os trabalhos por hoje com novos sons para agitar sua playlist e também fazer a trilha daquela pelada no fim de semana. Arranje uma caixa de som e bom jogo!


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