Duo paulistano Dum Brothers promete segundo EP ainda mais “estranho” que sua estreia

Dum Brothers

De um ensaio frustrado de doom sludge rock que acabou gerando frutos sonoros muito mais amplos, Bruno Agnoletti (bateria e voz) e Raul Zanardo (guitarra e voz) criaram o Dum Brothers, duo paulistano que mistura stoner, hard rock, psicodelia, grunge, rock nacional, fuzz, batidas primais e tudo mais o que vier na telha da dupla. Com um EP recém-lançado (“Dum Brother Pt.1”), um single quase saindo do forno e novos trabalhos já borbulhando em suas mentes (“tem umas com umas pegadas estranhas, meio dance, sei lá”), a banda promete fazer barulho na cena independente da selva de pedra.

Conversei com Bruno e Raul sobre a banda, a vida de artista independente, as “panelinhas” e mais:

– Como a banda começou?

Raul: Inicialmente ia ser uma banda de doom sludge rock pesadão com o Bruno no baixo, mas o ensaio não deu mto certo, aí a gente trocou de posições lá no ensaio e o Bruno tocou bateria e ficou da hora (risos). Depois a gente começou a ensaiar sem baixo mesmo e sem nenhuma pretensão de rótulo ou estilo e tals. Foi ficando bacana e as músicas foram saindo.

– De onde surgiu o nome da banda?

Raul: Nossa, nome de banda é foda achar (risos). A ideia de fazer uma brincadeira com o Doom escrito errado foi do Bruno. Na volta pra casa do primeiro ensaio como duo a gente foi falando uns nomes, aí ele falou do Dum escrito com U e a gente curtiu.

– E vocês repararam que soa como Dumb Brothers, né? 😃

Raul: Né! (risos) A gente só viu esse depois. Mas a gente é meio “dumb” mesmo (risos).

– Porque o formato duo é tão popular hoje em dia?

Raul: Acho que pela simplicidade do formato, sei lá. Pelo fato de não haver outros elementos na banda, as musicas ficam mais simples e as bandas tem que se esforçar mais fazer músicas e shows bacanas. Mas não sei se isso as torna mais populares (risos).

– Eu digo mais populares porque hoje em dia o número de duos é BEM maior que antigamente.

Raul: Acho que depois do White Stripes e Black Keys a galera viu que da pra fazer coisa boa só com duas pessoas. A gente optou por ter duas porque tava dando certo e é foda ter muita gente na banda, a logistica é chata demais. Antes eu tinha uma banda com mais 5 caras, era um inferno (risos).

– E vocês estão preparando um novo single.
Bruno:  Fiz uma letra de como a PM vem agindo de forma abusiva e nada arbitrária em abordagens, nas manifestações e tudo mais. Gravamos ao vivo lá no estúdio em que a gente ensaia. Tá bem punk essa música.
– Me falem um pouco mais sobre seu primeiro EP.

Raul: O primeiro EP, “Pt. I”, é o registro das primeiras 5 musicas que a gente fez na segunda metade de 2015. Foi todo feito independente pela gente mesmo.

Bruno: Isso, o conceito do EP era mais pra ter um registro oficial pra galera saber que a gente existe.

Raul: (Risos) “Óia gente, a gente existe e tem música”. (Risos)

Bruno: Isso mesmo! (Risos)

Dum Brothers

– E como foi a criação dessas músicas?

Bruno: A criação é sempre o melhor. A gente nunca sabe o que vai fazer, simplesmente começa a tocar e elas vão saindo. Não tem planejamento.

Raul: É, brincando com riffs no ensaios, cantando qualquer bosta (por isso que tem umas letras engraçadas).

Bruno: É tudo espontâneo.

Raul: Depois da gente brincar e experimentar nas músicas, a gente gravou umas demos e foi praticando elas pra gravar, que é o método que a gente usa até hoje. Isso quando não gravamos ao vivo mesmo, mas esse lance de gravar ao vivo é novo, estamos nos aperfeiçoando ainda. No EP a gente gravou tudo separado.

Bruno: Baterias no estúdio e guitarra e voz na casa do Raul!

– Como vocês veem a cena independente de SP hoje em dia? Como é a vida de independente?

Bruno: Cara, é difícil. A galera da cena aqui de SP é muito desunida, as casas não ajudam muito…

Raul: E quando a galera é unida é panelinha!

Bruno: Sempre assim.

Raul: Aí é foda “entrar”. (Risos)

Bruno: Eu mesmo vivo só da banda, tô sempre duro. (Risos)

Raul: Mas tem muita gente que mostrando e dando espaço pras bandas. O Penha Rock tá sempre chamando a galera e fazendo evento pela Zona Leste.

Dum Brothers

– E vocês acham que tem como essa cena melhorar?

Bruno: Isso tem que começar com as bandas se ajudando.

Raul: A galera tem que se unir e correr atrás e não ficar esperando as coisas cair do céu. (Risos)

Bruno: Fazer boicote nos produtores de cota!

Raul: Nossa, é mesmo!

Bruno: Isso de cota tem que acabar. Isso é um roubo pro artista!

Raul: Esses caras ficam escravizando as bandas.

Bruno: Parar de tocar de graça pras casas…

Raul: De graça acho que tudo bem até, dependendo da casa ou do evento… Mas pagar pra tocar é zoado!

Bruno: Isso tudo enfraquece a cena num todo.

Dum Brothers

– Já estão trabalhando em um novo EP?

Bruno: Totalmente! As músicas ja estão todas prontas.

Raul: E a gente ta fazendo mais! Tem tando demo pra fazer que eu perdi a conta já! (Risos)

Bruno: A gente já ta trabalhando no primeiro álbum da banda.

– Opa, me conta mais sobre eles!

Raul: O EP “Pt. 2” a gente vai tentar lançar no começo do ano que vem. Ja o álbum vamos fazer mais musicas e tentar lançar no final de 2017. O sonho do álbum era pegar um sitio ou chacara e ficar gravando e fazendo música lá. Mas ta no sonho ainda! (Risos)

Bruno: Verdade, ainda não temos o sítio pra isso. Mas o EP vai ter a mesma pegada do primeiro. Aos poucos estamos achando nosso som perfeito!

Raul: A gente já pode dizer que as músicas estão ficando mais pesadas. Mas tem umas com umas pegadas estranhas, meio dance, sei lá.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Raul: Eta pergunta complicada! (Risos)

Bruno: (Risos) A gente toca rock, difícil se rotular. A gente deixa isso pra vocês! (Risos) A gente viaja bastante, desde o doom até o soft rock.

Raul: Hard rock dos anos 70… A gente escuta muita coisa e tudo vai parar no som. Uns grunge. Tem uns metal também. Dá pra falar que a gente é Rock Doom Hard Soft Grunge Metal Alternative (risos).

– E quais bandas e artistas são as suas maiores influências musicais?

Raul: Atualmente acho que no ponto de vista “guitarrístico” tenho muita influencia de Queens of the Stone Age, Muñoz Duo, Kyuss, Rage Against the Machine, Elder

Bruno: As minhas são Lynyrd Skynyrd, QueenEagles, Made In Brazil, Hellacopters, Phil Collins, Elton John, os Mutantes

Raul: É! Hellacopters! (Risos) Se bem que as guitarras deles são bem agudas… Porra, Grand Funk também. Às vezes percebo que tem umas harmonias que a gente faz que tenta lembrar um pouco as do Grand Funk.

Bruno: Tem uns batera que curto tipo Fraklin Paolilo, Rolando Castelo Jr , Don Henley, Phil Collins…

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram a atenção de vocês nos últimos tempos.

Bruno: Muddy Brothers!

Raul: Ego Kill Tallent, Huey

Bruno: Water Rats!

Raul: Five Minutes to Go!

Bruno: Picanha de Chernobill!

Raul: Camarones Orquestra Guitarrística (eles tão na ativa faz tempo, mas sempre foram independentes e nunca param de fazer show, são foda!), Muñoz Duo (já falei antes, mas vou falar de novo, porque eles são foda), Far From Alaska (não sei se eles são independentes mais, mas são foda também! Risos)

Bruno: Deck Disc.

Raul: Ah é. Molho Negro lá de Belém do Pará, power trio da hora. Porra, tem a banda OzDois também, eles são foda!


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