Duo irlandês Vulpynes trabalha em seu segundo EP e quer conhecer bandas punk brasileiras

Duo irlandês Vulpynes trabalha em seu segundo EP e quer conhecer bandas punk brasileiras

3 de setembro de 2018 0 Por João Pedro Ramos

O duo Vulpynes, de Dublin, mistura em seu som influências de punk dos anos 70, pós-punk, grunge e até industrial, mas não dá pra definir o som que sai da guitarra de Maeve Molly e da bateria de Kaz sem cair em clichês. Alguns deles são “guitarra selvagem e bateria intensa, vocais estridentes e auto-confiança: 2018 é delas”, escrito pela Louder Than War, e “Um dos melhores (e mais altos) shows ao vivo do país”, pela Hot Press Magazine.

Em março elas lançaram seu primeiro EP pela Headcheck Records com quatro faixas destruidoras que mostram um pouco do trabalho da banda até agora e todas suas nuances: O disco começa com “Sublingual”, que ganhou clipe e tem um riff que já mostra bem a sujeira da guitarra de Maeve. Em “Terry Said”, o riff segura o ouvinte pelas orelhas e a bateria agride os tímpanos da melhor maneira possível. Já “Silica” é mais crua e solta. O EP termina com “OCD”, um grande destaque, com muito fuzz e feedback comendo solto. Conversei com a banda sobre sua carreira e o que estão preparando para o futuro:

– Como a banda começou?

Maeve: Nós nos conhecemos on-line há pouco mais de 2 anos, quando estávamos procurando bandas com influências musicais semelhantes. Nós não nos conhecíamos antes de começarmos a Vulpynes, o que funcionou a nosso favor, fomos direto ao assunto e começamos a escrever e tocar.

– Como surgiu o nome da banda?

Maeve: Vem da palavra “Vulpine”, que é uma raposa. Nós escolheríamos “Vulpines” exceto que quando vimos já tinha banda com esse nome. Estamos contentes por termos corrigido a ortografia agora, é algo um pouco diferente e é engraçado ouvir as pessoas pronunciarem errado, como ‘Vul-penis’.

– Quais são suas principais influências musicais?

Maeve: Eu ouço muita música diferente, mas eu cresci ouvindo punk e metal. Minhas maiores influências musicais seriam desde o punk dos anos 70/80, como Siouxsie e The Banshees, UK Subs, Black Flag, Joy Division, até os anos 90, como Babes in Toyland, Alice in Chains e Distillers. Eu gosto de música crua que tem sentimento e significado.
Kaz: Eu cresci ouvindo bastante grunge dos anos 90 principalmente, Alice In Chains, Soundgarden, coisas do tipo Nirvana. Mas eu também adoro Manic Street Preachers, Marilyn Manson, Nine Inch Nails etc.

– Como você definiria o som da banda?

Maeve: Nós tentamos não ficar muito envolvidos com o nosso som. Nós gostamos de deixar fluir por si só, por mais brega que isso soe (risos). Nós experimentamos diferentes estilos e dinâmicas, mas sempre soa como nós. A maioria das nossas músicas são animadas, impetuosas e na sua cara. Queremos soar como uma banda que gostaríamos de ir e ver, imprevisível, mas significativa.

– O formato de duo é muito popular em bandas de rock hoje em dia. Por que você acha que esse formato se tornou um sucesso?

Maeve: Há certamente muitos duos, mas nós não planejamos ser um duo no início. Aconteceu naturalmente porque é muito difícil manter uma banda unida, trabalhar com diferentes ambições, expectativas e horários. Então, talvez a razão de existirem tantos duos é porque é extremamente conveniente (se vocês realmente gostam um do outro), não porque é moda (risos).

– Como está a cena independente do rock na Irlanda hoje em dia?

Maeve: A cena irlandesa está prosperando, há novos festivais acontecendo a cada ano e um fluxo constante de novos talentos emergentes. O que gostaríamos de ver é que as bandas mais novas e menos conhecidas ganhem espaços melhores em festivais. Os mesmos artistas tocam nos mesmos festivais ano após ano e fica entediante. Especialmente porque a Irlanda é um país tão pequeno. Festivais independentes parecem atingir esse equilíbrio melhor do que alguns dos maiores. O talento está por aí, contratem!

– Você pode me dizer um pouco mais sobre o material que você lançou até agora?

Maeve: Lançamos nosso primeiro EP pela Headcheck Records em março, que você pode comprar em http://www.headcheckrecords.co.uk e também na Amazon. É uma coleção de todas as músicas que gravamos durante um período de 2 anos.

– Quais são os próximos passos? Vocês estão trabalhando em novas músicas?

Maeve: Para o aborrecimento de todos, estamos realmente indo devagar e tomando nosso tempo com nossas novas músicas (risos). Nós não queremos lançar algo sem acertar, mas estamos muito animados sobre como elas estão soando até agora!

– Vocês planejam vir ao Brasil?

Maeve: Nós não temos planos de ir ao Brasil ainda, mas se algum promotor brasileiro quiser entrar em contato, vamos fazer acontecer! 😉 Queremos conhecer alguns punks brasileiros, entrem em contato com a gente!

– Recomendem algumas bandas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Maeve: The Lee Harvey’s, Cadaver Club, The Blame (NYC) – vá ouvi-los agora, você não ficará desapontado!