Desbravar a trilha sonora de How I Met Your Mother? Challenge Accepted!

How I Met Your Mother

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje vamos falar sobre uma série que vocês não apenas amam: vocês cultuam. De 2005 para cá passaram a torcer para que aquela turma de amigos… wait for it! …conseguisse conquistar todas suas metas tanto profissionais como amorosas. Afinal de contas, não é nada fácil ser um jovem naquele miolo entre fim de universidade e primeiros empregos. Automaticamente fica difícil não se identificar com os dramas, com as roubadas, com as repúblicas… Com os romances mais rápidos que um piscar de olhos, com as promessas, com os porres, com as inconsequências e com as apostas. Com as vitórias e frustrações de jovens tão normais para mim e para você que está lendo.

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Talvez a série tenha se estendido demais depois do sucesso. Tendo sido programada inicialmente para serem de 3 a 5 temporadas, o sucesso fez a aventura de Ted Mosby e sua turma se arrastar um pouco mais do que deveria. “How I Met Your Mother” foi a ar pela CBS de 19/09/2005 e teve sua última temporada finalizada no dia 31/03/2014, tendo polêmicas e uma porção de teorias vinculadas na internet nas vésperas de seu final. Entre meus amigos, alguns amaram o final e outros ficaram decepcionados. Tanto que foi feito um take com um final alternativo que foi lançado uma semana depois. Sinceramente, eu gostei mais do final original. Afinal de contas, cara, a vida é isso. Às vezes idealizamos tanto algo que o relógio não pára. Ele cobra, os imprevistos acontecem e é o curso natural da vida lidar com derrotas, dor, alegrias e vitórias.

Bang

Não é difícil olhar para sua turma de amigos – da vida real – estando próximos da casa dos 30 e não enxergar um Ted Mosby (Josh Radnor), um casal como Marshall Eriksen (Jason Segel) e Lily Aldrin (Alyson Hannigan) e dois solteirões convictos e que da maneira deles sabem curtir a vida – Barney Stinson (Neil Patrick Harris) e a canadense Robin Scherbatsky (Cobie Smulders).

Aliás, como rimos com as canastrices e enrascadas que Barney Stinson arranja. Como vemos a falta de equilíbrio de um casal que se ama – e que as vezes cai na rotina – refletido em Lily e Marshall. Enxergamos aquele amigo que acha que seu sonho vai dar certo para ontem, mas ninguém ter interesse pelo seu trabalho. Que no fim do dia você dá aquele tapinha nas costas e fala: “calma, uma hora vai rolar”. O que importa no fim das contas é respeitar o BRO CODE e Suit Up enquanto prepara uns martinis ou uma dose de gin. Não é mesmo, Mr. Stinson?

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A trilha de How I Met Your Mother por si só é um tremendo golpe baixo na vida de qualquer apaixonado por música. Além de torcermos para que Ted Mosby encontre logo sua amada, de aceitarmos de pés juntos todos os desafios que Barney Stinson propõe para si mesmo (Challenge Accepted!), somos agraciados por incríveis bandas na trilha. Na idealização da mulher perfeita, Ted descreve sua amada como uma baixista talentosa com uma voz angelical – estaria ele sonhando com Kim Deal (Pixies, The Breeders)? Pela trilha da série, deixa essa questão em aberto. Porém ao longo das arrastadas 9 temporadas, nos deparamos com um vasto conhecimento musical recheados de lados B e hits indies.

É hit atrás de hit, destacando:

“I’m Gonna Be 500 Miles” do The Proclaimers, que toca na viagem inesquecível de Ted e Marshall atravessando os EUA e morrendo aos poucos. Aliás, como esquecer da versão que o Toy Dolls fez desse hit?

“Thirteen” do Big Star. Sinceramente, quando eu ouvi essa canção pela primeira vez na minha vida foi como ver passar um filme feito um flashback na minha cabeça. Ela é triste, reflexiva, densa e única. Alex Chilton tinha mesmo uma das melhores vozes daquela Memphis que não deu tanto reconhecimento. A história da banda é marcada por tragédias, desentendimentos e uma promessa do que poderia ter sido.

No documentário sobre eles, que conta também um pouco dos problemas da Ardent Records, podemos entender mais dessa banda que deveria ter sido colocada no patamar de grupos como Beatles e Rolling Stones e nunca viu seu lugar ao sol.

“Alright” do Supergrass, ao menos para o mainstream, é um one hit wonder. O grupo australiano fez a alegria dos anos 90 com um tom debochado, que para mim sempre remeteu ao som do The Jam + Beach Boys sendo revitalizado para as massas. É difícil você nunca ter ouvido ela ser tocada nas pistas de dança ao longo da Rua Augusta ou ter se deparado com o carismático clipe na programação da antiga MTV Brasil.

“Spit On a Stranger” do Pavement, talvez é uma das que melhor encaixe com a trajetória de Ted Mosby indo ao encontro de sua amada e seu gosto pela música alternativa e linhas de baixo mais trabalhadas. Afinal de contas ele, assim como Billy Corgan (The Smashing Pumpkins), é apaixonado por mulheres conduzindo a canção suavemente através de suas linhas de baixo.

“Better” da Regina Spektor também está na trilha. A cantora que também empresta a voz para o tema de Orange Is The New Black tem seu momento no drama nova iorquino.

“Glad Girls” do Guided By Voices: a canção do músico Robert Pollard e sua crew mostra que a juventude dos anos 90 tem papel fundamental na trilha. Não me surpreenderia ter entrado alguma canção do Superchunk e do Lemonheads na trilha. Afinal, a trinca é sempre bem vinda.

“How To Flight Loneliness” do Wilco – que FINALMENTE no Brasil depois de 10 anos de campanha Is Wilco Coming To Brazil? – não é novata em uma trilha sonora. A canção já fez parte da soundtrack de Garota Interrompida” (1999) e toca a alma com a sua delicadeza, arranjos e contemplação.

A ousadia também faz parte da trilha de HIMYM, e eles apostaram em uma banda até então desconhecida do público, o Real Estate. “Beach Comber” está presente no disco de estreia dos lo-fi/shoegazers – de Ridgewood, Nova Jersey – “Real Estate” (2009). Dois anos depois eles viriam a assinar com a poderosa Domino Records o que até agora rendeu dois grandes discos: Days” (2011) e Atlas” (2014).

E waiiit for it…tem clássico da música nova iorquina na trilha, please sir! “Guiding Light” do Television, faixa presente na obra prima:Marquee Moon” (1977).

“Inside Of Love”, canção do Nada Surf, banda que inclusive é apaixonada pelo Brasil e sempre quando pode aparece por aqui, também marca presença na chamada. Uma canção acústica sobre amor. Nem tem como encaixar melhor na trilha de HIMYM usando essa combinação, não é mesmo? Não é à toa que eles também também estão na trilha de The O.C. – Um Estranho no Paraíso.

Uma linda canção, triste mas que eu não poderia deixar de comentar, é “Funeral” do Band Of Horses. Este ano a faixa completa 10 anos de seu lançamento feito em parceria com o selo Sub Pop e tem uma dose de nostalgia que te transporta para outros tempos. Te força a reavaliar cada decisão de sua vida. Como se você estivesse deitado em seu caixão olhando para seus amigos e parentes enquanto faz o balanço sobre seus acertos e erros. No fim das contas a vida é isso: erros e acertos. Alegrias e tristezas. Derrotas e conquistas.

Temos também a inglesa Florence Welsh e seu The Machine dando cores e uma veia pop a série com a dramática “Shake It Out”.

Quem teve a responsabilidade de compor a canção que encerra a série foi a banda The Walkmen. Eu sei que vocês assistiram o último episódio com um lenço ao lado e quando tocou “Heaven”, o chororô começou.

Na trilha ainda contamos com nomes de peso como Pixies, Bob Dylan, Grizzly Bear, The Decemberists, Violent Femmes, The Replacements, The Shins, Otis Redding, Roxy Music, Radiohead, Pretenders, Death Cab For Cutie, Foo Fighters

Ao longo das 9 temporadas foram executadas 432 músicas e você pode ter o conhecimento de cada faixa clicando aqui.


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