Dead Parrot resgata sonoridade do rock clássico setentista com pitadas de stoner em seu primeiro EP

Dead Parrot

Lançado no final de 2016, o primeiro EP do quarteto de Barão Geraldo Dead Parrot mostra uma deliciosa mistura de influências de bandas clássicas dos anos 70 como Led Zeppelin e Black Sabbath com pitadas de stoner rock e folk. Formada por Mariana Ceriani (vocal), Victor Vianna (guitarra), Matheus Stoshy (baixo) e Bruno ‘Bill’ Giacomini (bateria), a banda já começou a trabalhar em seu segundo disco.

“Tudo nós fizemos por conta própria, desde a composição até a gravação, masterização e mixagem. O Victor e o Stoshy ficaram responsáveis por essa parte técnica. A capa e o logo foram amigos nossos que fizeram, sendo a capa da artista visual Carol Nazatto e o Logo de Dan Lemos“, explica Mariana.

Conversei com a banda sobre o primeiro trabalho, a cena independente, suas influências e muito mais:

– Como a banda começou?

Victor: Eu e a Mari nos conhecemos tocando alguns covers em campinas, e eu fiquei com vontade de começar uma banda autoral com ela. Começamos com o ex-baixista da Circus Boy e um outro amigo na bateria, chegamos a esboçar algumas composições, mas depois eles saíram. Enquanto isso, através de amigos em comum, conheci o Stoshy e o Bruno, ficamos amigos por afinidades musicais. Logo quando saíram o baixista e o baterista, o Stoshy estava começando a tocar baixo e eu convidei eles pra formar a banda comigo e com a Mari. No primeiro ensaio já terminamos umas 3 músicas que estavam empacadas, surgiram várias ideias boas muito rápido e resolvemos lançar a banda com o material que já tínhamos. O embrião da banda surgiu no fim de 2015, e a formação que está agora começou no primeiro semestre de 2016, se não me engano.

– O nome Dead Parrot vem do Monty Python, certo? O público costuma entender a ligação? Qual a ligação do som da banda com o grupo inglês?

Victor: Sim, o nome é referência à sketch do Monty Python. Foi um processo muito longo e complicado a escolha do nome da banda, eu particularmente sou muito fã do grupo inglês e durante o processo de ideias, pensei em algumas sketchs que eu gostava que talvez tivessem um bom nome pra banda, dentre outras ideias essa foi a que prevaleceu por ser um nome não muito complexo e fácil de lembrar. O nome é mais uma homenagem ao grupo do que uma influência no tipo de som mesmo, tentamos não nos prender a nada pra fazer as músicas para que elas saiam mais naturalmente. Algumas pessoas que conhecem bem o Monty Python já percebem a ligação na hora, mas nós também não fazemos questão de expor a referência, é mais o nome de batismo da banda mesmo.

– Quais as suas principais influências musicais?

Mariana: Janis Joplin, Jeff Buckley, Led Zeppelin, Queen of the Stone Age, Black Sabbath… Curto umas coisas mais novas também como The Dead Weather e Blues Pills, bandas que me inspiram muito também e acho que tem a ver com nosso som.Victor: Da minha parte, Led Zeppelin, Black Sabbath, System of a Down, Rush e Yes.

Matheus: As minhas: Dire Straits, The Smiths, Paco De Lucia, Eric Clapton, QOTSA, Legião Urbana, Mars Volta.
Bruno: Bom, cada um dos integrantes tem a sua própria cadeia de influências, e acho que esta é a faceta mais instigante quando se decide montar uma banda de música autoral. Em linhas gerais, acredito que possa ser resumido como uma frente de classic rock com outra de stoner rock. Eu pessoalmente me sinto muito influenciado pela sonoridade dos anos 90, principalmente por Tool e Queens of the Stone Age.

– Vocês acabaram de lançar seu primeiro trabalho, que já recebeu bastante elogios. Podem me falar um pouco mais sobre ele?

Mariana: Eu vejo nosso primeiro EP como uma fusão de pessoas que são muito complementares, que acabaram formando uma identidade por conta das afinidades musicais e pessoais, e isso reflete no nosso som. No começo da banda, eu e o Victor ficávamos à frente da composição. Com a chegada do Stoshy e do Bruno, que sempre vêm com várias ideias para músicas novas, esse processo só se intensificou e a gente começou a compor várias músicas em uma tacada só, e é uma característica que a gente vem mantendo.

Matheus: O EP cristaliza um pouco de cada uma das influências. Rock clássico presente na “Way Ouy” e “Lying Demon”. Já “Man is Wolf to Man” remete muito a um stoner e “Nomad” é um Folk. A temática vai de temas obscuros como a “Lying Demon”, que tem influência de Black Sabbath até uma voz mais reflexiva do mundo atual e seus problemas relacionados ao capitalismo como a “Man is Wolf to Man”.

Mariana: Tudo nós fizemos por conta própria, desde a composição até a gravação, masterização e mixagem. O Victor e o Stoshy ficaram responsáveis por essa parte técnica. A capa e o logo foram amigos nossos que fizeram, sendo a capa da artista visual Carol Nazatto e o Logo de Dan Lemos.
Mariana Ceriani, do Dead Parrot

– E como está sendo o retorno do lançamento? Já tiveram resposta de quem ouviu?

Bruno: Por ser o primeiro lançamento da banda estamos surpresos com a boa receptividade, os canais que divulgaram nosso trabalho estão comentando sobre a qualidade das músicas e do trabalho de produção, e as pessoas que nos viram ao vivo fazem questão de comentar sobre o bom entrosamento da banda.

– Como está a cena independente de Campinas hoje em dia? Ela já foi bem forte, desde o Junta Tribo e a enxurrada de bandas campineiras de qualidade como Muzzarelas, Violentures e Coice de Mula. Como está atualmente?

Mariana: Nós podemos falar como atual a cena de uns 5 anos pra cá, que é quando a gente começou a frequentar os rolês, conhecer as bandas daqui e tudo mais. Podemos citar bandas muito boas como a Lisabi, que teve projeção internacional e nacional, e a principal hoje em dia nós vemos que é a Francisco El Hombre, que tá sendo muito bem reconhecida na cena. Nós somos muito parceiros também da Circus Boy, o Victor e eu tocamos com eles já algumas vezes, e eles estão para lançar um EP novo. Tem também a Freak Company, uma banda muito boa de stoner que gravou um EP lá nos EUA e tem tido bastante destaque na cena autoral brasileira. Atualmente, vejo que a cena tá voltando a reacender, vamos ter em abril o Grito Rock que vai ser em dois dias e vai trazer várias bandas da região pra cá.

– Mas e os lugares para tocar? Isso é uma das maiores reclamações que as bandas independentes de todo lugar tem.

Mariana:Olha, você tocou em um ponto complicado… Os bares aqui realmente não abrem muito espaço para a cena autoral, vemos muitos bares que chamam mais covers mesmo. Eu vejo como algo que acontece não só em Campinas, mas em vários lugares aqui do Brasil, os bares não investem muito porque não traz muito retorno financeiro, e as pessoas também não vão muito atrás do autoral. Por isso eu vejo que a iniciativa tem que vir das bandas mesmo, elas tem que se unir pra conseguir seu espaço (sofrido) e fazer o jogo virar. Eu acho que esse é o caminho.


– E como fazer para atrair a atenção do público e fazer esse jogo virar?
 

Mariana: Eu vejo que quando as bandas se apoiam, e eu digo bandas que não sejam apenas da ‘panela’ mais conhecida, a chance de atrair mais gente é maior, porque junta o público de uma e de outra, e acaba agregando muito mais a um evento. Isso não acontece só com bandas da sua própria cidade, mas de outras também. Essa troca é essencial para acontecer, porque é muito difícil você fazer shows em outra cidade por exemplo se você não conhece o produtor de determinada festa, ou o dono de uma casa, enfim, esse apoio entre as bandas é essencial. Principalmente em começo de carreira quando você ainda não tem um nome muito grande.

– Como vocês veem o rock hoje em dia? Um retorno às paradas do Mainstream é importante (ou necessário)?

Bruno: O retorno do rock ao mainstream seria talvez necessário para fomentar o surgimento de mais bandas de rock autorais, mas tenho minhas dúvidas se considero importante o rock ser mainstream para ser significativo. Muito do que gosto no rock nasceu fora do mainstream e tende a ficar cada vez mais estático depois de “mainstreamizado”. Acho muito mais interessante ver o que as pessoas conseguem desenvolver enquanto permanecem no underground do que ver o que elas produzem depois que os holofotes já estão nelas.

Mariana: Então, é complicado também moldar o seu som de acordo com o mainstream, com o que as pessoas estão ouvindo mais recentemente. acho que nós enquanto banda autoral de rock independente temos essa preocupação de nos mantermos fiéis a nossa essência e ao nosso som do que deixar ele mais ‘palatável’ a ouvidos alheios.

– Quais os próximos passos da Dead Parrot?

Mariana: No nosso Primeiro EP, que lançamos em dezembro, nós ficamos o ano inteiro focados em compor, produzir, gravar, masterizar e mixar todo o material por conta própria. A gente ficou realmente imerso em todas as partes da produção do EP. Agora, queremos mesmo é propagar nosso som e fazer mais shows pela região, e quem sabe pelo Brasil (risos) e também já temos material para um próximo EP.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Bruno: Odradek, Novonada, Falsos Conejos, Mahmed, Aeromoças e Tenistas Russas, SVDR, Apanhador Só.

Mariana: Inky, Odradek, Far From Alaska e Metá Metá. Lá fora eu tenho pirado no som das minas do Warpaint.

Bruno: Das gringas, BadBadNotGood.

Victor: Odradek, Inky e Hellbenders.

Matheus: Russian Circles, Toro i Moi, Pata de Elefante e Camel Driver, The Machine, Carne Doce.

Mariana: Verdade! Tinha esquecido, Carne Doce ❤ e Boogarins!


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