Dead Parrot aponta para novos caminhos e experiências musicais em “Anxious”

Dead Parrot aponta para novos caminhos e experiências musicais em “Anxious”

19 de fevereiro de 2019 1 Por João Pedro Ramos

Após desenvolverem seu hard rock com influências de stoner nos EPs “Dead Parrot” (2016) e “Inner Battles” (2017), o Dead Parrot retorna em 2019 com um novo single, “Anxious”, que aponta novas direções para o quarteto de Barão Geraldo. “Como queríamos lançar um single antes de lançar outro EP, escolhemos ela pra lançar por ser uma música diferente, com algumas partes bem distintas das outras, explorando mudanças de compassos em alguns partes, e também explorar os vocais mais graves comigo e o Stoshy fazendo backing vocals pra complementar a melodia que a Mari faz”, conta o guitarrista Victor.

Ouça:

– Me falem mais do novo single da banda!

Victor: Essa música ja faz um tempo que tá feita, já tocamos em alguns shows também, com uma recepção boa, e como queríamos lançar um single antes de lançar outro EP, escolhemos ela pra lançar por ser uma música diferente, com algumas partes bem distintas das outras, explorando mudanças de compassos em alguns partes, e também explorar os vocais mais graves comigo e o Stoshy fazendo backing vocals pra complementar a melodia que a Mari faz

– Essas mudanças são um indicativo do que vem por aí no próximo EP?

Matheus: Então, não necessariamente. Em alguns aspectos sim, como assinatura de tempo não convencional, por exemplo. Na real preferimos seguir com sons diversos que têm identidade própria, cada um com a sua pegada e influências. Às vezes sai um mais stoner, às vezes mais progressivo, às vezes mais hard rock e seguimos a nossa intuição. Essa música, “Anxious”, é uma música que curtimos muito tocar, uma das preferidas mesmo e por isso acreditamos que ela mereça um lugar especial num single e apostamos que ela tenha o potencial de
chamar a galera pra ouvir o nosso novo EP que está no forno e sairá antes do meio do ano.

– E o que podem adiantar sobre esse EP?

Matheus: A gente acha que ele tá equilibrado. Tem música rápida e música lenta. Tem som brisa, e som com viés político ou filosófico. Tem som animado e melancólico. Parando pra pensar a gente brisou democraticamnete nesse ai. Algo mais específico que possa ser colocado é a pegada anos 90. Crescemos nos anos 90 e rola uma certa nostalgia. O final dos 90 e começo dos 2000 nos influência muito. Perdemos o Chris Cornell recentemente e ele é um exemplo de influência. O stoner também está sempre presente.

Bruno: Podemos adiantar que vai ser do caralho! apesar de já termos uma boa bagagem o processo de amadurecimento não para nunca. Eu acho muito louco como o processo de gravação do EP consolida a proposta inicial pra cada música e a deixa com contornos mais limpos, que realmente saltam pros ouvidos.

Mariana: É, a gente tá numa pegada bem experimental, de forma geral. O que reflete bem o que a gente ouve, conversa, discute…isso tá sendo cada vez mais perceptível nas letras e no som.

– Como o som da banda evoluiu desde o começo até agora?

Victor: A gente vem tocando como Dead Parrot desde o final de 2016 mais ou menos, e acho que o que mais evoluiu foi o entrosamento, que aumentou bem com o tempo, sabemos nos comunicar como banda mais naturalmente, e isso reflete bem nos palcos, na confiança que cada um tem no outro e em si mesmo, e também reflete nas músicas que vão saindo, com um groove mais pegado, riffs mais complexos, estilos de som diferente. A banda evoluiu muito no sentido de fazer musicas bem solidas e preenchidas sem ter que ficar repetindo algum artifício que deu certo em um lugar ou outro, e o resultado esta ficando muito interessante, ja começamos a gravar o próximo EP e esperamos lançar logo pra sentir a resposta do público sobre o som novo, e ver se estamos evoluindo no caminho certo

Matheus: Acho que rolou um amadurecimento no sentido de perceber as músicas e pensar em coisas que possam melhorá-las, isso é produção também. Como exemplo, evitar sons conflitantes entre guitarra, baixo e vocal. Parece fácil, mas é comum a gente ter que conversar pra chegar num consenso e os microfones não enganam, se tem coisa estranha fica lá pra todo mundo ouvir e analisar. Também acho que estamos mais perceptivos das potencialidades e limitações de cada um. Hoje nós sabemos melhor como cada um gosta de trabalhar e colocar o seu som. Saber, por exemplo, a amplitude e estilos de vocal que a Mari gosta de explorar ajuda muito a compor

Mariana: É verdade. O Stoshy não judia mais de mim com umas ideias de vocais muito graves, já que minha voz é mais médio-aguda (risos).

– E vocês pretendem usar mais esta dinâmica vocal?

Mariana: Sim, a gente brisa bastante em fazer harmonias diferentes e testar outras texturas vocais. A voz do Stoshy é bem grave, já a minha, mais aguda, e a do Victor, média. Então a gente tem um baita potencial para explorar. A gente tem conversado muito sobre como criar uma harmonias bem elaboradas que a gente vê em bandas que gostamos muito, como Yes, Beatles, até mesmo Queens of The Stone Age, mas é bem desafiador. Mas é isso que a gente sempre busca, soar diferente, acrescentar camadas e sair da mesmice. Vamos ver, agora que estamos pensando mais em como fazer essa dinâmica no próximo EP.

– Quais bandas vocês acrescentariam às influências da banda para este EP?

Matheus: Como influências recentes a gente manda At The Drive In, Soundgarden, Gone is Gone, Perfect Circle, Failure, Kyuss.

Mariana: Eu acrescentaria também a banda Wolf Alice, que tem vocal feminino e tem uma pegada bem anos 90 também.