Crazy Bastards mostra em clipe de “Nostalgia” que o pop punk continua vivo e pulando

Crazy Bastards mostra em clipe de “Nostalgia” que o pop punk continua vivo e pulando

16 de maio de 2018 0 Por João Pedro Ramos
Imagine-se no final dos anos 90/começo dos 2000, quando bandas de punk rock divertidas como Blink-182, Sum 41 e Forfun estavam tomando conta da cabeça da juventude roqueira com o chamado “pop punk”. É exatamente nesta época e clima que você se sente ao ouvir “Selfie Entitled”, primeiro trabalho do trio de Curitiba Crazy Bastards, formada por TT (Tiago Oliveira – Vocal/Guitarra), Ge (Geanine Inglat – Vocal/Baixo) e Kiko (Leandro Sousa – Bateria).
O clipe de “Nostalgia”, single do álbum, atesta que a diversão é o principal fator que os três levam em consideração para sua música. Quer coisa mais divertida e cheia de molecagem que gravar em um daqueles parques de diversões de shopping, com direito à pulo na piscina de bolinhas? “A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir”, conta TT.
  • Como a banda começou?

Ti: Minhas outras bandas estavam paradas por vários motivos externos à mim, aí como não consigo ficar sem fazer som acabei montando esse projeto com a ideia de fazer um som que é o meu natural, pop punk divertido. Aí fui atrás de pessoas que tinham a mesma pira aí chamei esses dois arrombados e deu tudo certo.

Quais as maiores influências da banda?

Ti: Cada um tem uma, mas acho que em comum temos Blink 182, Green Day, Sum 41, Neck Deep principalmente. Bandas pop punk zoeira em suma.

Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!

Ge: É o album mais fofinho ever, a capa é um desenho de uma foto nossa e cada música tem uma tirinha com uma interpretação gráfica da música, bem diver. São só 18 minutos de pop punk maloqueiro, super rápido de ouvir. Apostamos nas músicas curtinhas, fica tudo mais fácil (risos). Mais fácil de ouvir, de gravar, de fazer clipe…

Kiko: Tanto as musicas quanto os vídeos foram feitas sem pensar em consequências ou “o que as pessoas vão pensar”. Simples ou trabalhado, cada detalhe veio do coração. O que achamos que ficou legal ou que nos agradou, a gente gravou/fez e fim. Um CD de 18 minutos. As pessoas ironicamente se perguntam “porque?”. Simples: A gente optou pelo diferente… pelo simples.. o suficiente para transmitir uma mensagem da forma direta.

Ti: Inicialmente era pra ser um EP com 6 músicas, mas aí como ia ficar muito curto achamos melhor fazer um CD full de uma vez. Esse álbum a gente focou no “mal uso de celular” pelas pessoas, como estamos cada vez mais dependentes disso e os efeitos psicológicos, culturais e comportamentais que isso vem trazendo. Com uma linguagem por vezes irônica mas a mensagem/reflexão espero que seja positiva no fim.

Como é o processo de composição da banda?

Ge: Normalmente eu ou o Ti (na maioria das vezes o Ti) aparecemos com uma ideia meio pronta, gravamos umas demos na casa do Ti e depois tocamos juntos no ensaio para ver o feeling, se ficar boa levamos pra frente, se não, partimos pra próxima.

Kiko: O Tiago e a Ge são as máquinas de composição da banda. Sendo assim, me resta então entrar com as idéias mais idiotas ou sem sentido. Quanto a parte mais “séria” da composição das músicas, apenas complemento e ajudo na composição das melodias, o que é faácil com esses 2 arrombados visto que o gosto e a sintonia entre a gente é perfeita.

Ti: A músicas são sempre uma expressão de alguma coisa, um sentimento, uma ideia, enfim. Tento ser positivo nas letras, “reclamar” um pouco dos problemas da vida mas com uma atitude positiva e resiliente de “a vida é foda mesmo, mas bola pra frente”.

Como anda o público pop punk hoje em dia?

Kiko: Não só no pop-punk mas em todo estilo rock generalizado, infelizmente as pessoas estão mais preocupadas em ouvir covers ou bandas megamente conhecidas ao invés de abrir a cabeça e dar atenção pra quem compõe o autoral. O novo, o autoral, a novidade é sempre vista como “lixo de garagem, portanto não merece atenção”. De forma natural, o Crazy Bastards procura não se apegar a isso. Afinal, fazemos por amor, por nos divertirmos em trio! Nossos ensaios são recreativos e nos complementa em termos de alegria… as pessoas gostarem é um lucro!

Ti: Eu vejo que tem um publico sim, não a toa começou a rolar vários shows gringos de pop punk aqui ultimamente. Mas concordo que no geral o público dá mais atenção ao cover e tem pouca paciência pra coisa nova, espero estar errado!

Ge: Pop punk’s not dead! Apesar de ter sumido um pouco, a galera true que curte pop punk ta por aí, é só olhar nos lugares certos (risos).

O rock ainda é relevante como antes? Ele tem chances de voltar ao mainstream?

Ge: Relevante como antes não, mas eu acho que é só uma fase, logo volta… Tem bastante banda da hora vindo pro Brasil, bastante banda daqui voltando, fazendo show, album novo, se tudo der certo é só questão de tempo pro rock voltar.

Ti: Acho que rock dificilmente vai ser mainstream como é em outros países, questão de cultura mesmo. O pop punk em Curitiba nunca chegou a explodir, ele começou mas logo na sequencia já veio o emo exagerado que acabou dominando, aí a galera ficou meio órfã de pop punk, pouquíssimas bandas seguiram nessa linha. A gente vai seguir o trabalho, sem muita expectativa, pela diversão mesmo, se voltar a ser mainstream estaremos aqui já.

Como foi a produção do clipe de “Nostalgia”?

Ti: A coisa mais divertida do sul do universo (risos), brincar na piscina de bolinha gigante e fliperama não tem como não ser. A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir. Já fiz muitas coisas com banda e as vezes era chato e maçante, com a Crazy a gente tenta fazer bem feito mas não levando tão a sério também.

Kiko: Simples e pouco planejado. Nada de câmeras sofisticadas, roteiros ou “idéias para conquistar as pessoas”. Uma simples GoPro, rolé no shopping com amigos, cerveja e idéias espontâneas que nossos corações mandaram resumem as filmagens.

Ge: DIVER. Foi bem simples e true na real, pegamos a GoPro do Kiko e partimos pra um shopping aqui em Curitiba. Ficamos brincando junto com as crianças na piscina de bolinhas, jogando nos fliperamas, sendo julgados pelos “adultos” (risos). A banda toda é bem 5a série, então esse clipe saiu bem natural.

O pop punk deve amadurecer ou isso vai contra o que esse estilo representa?

Ti: Acho que as pessoas confundem o conceito de “não levar tão a sério” com ser irresponsável e infantil. O pop punk tem um “lado” que é mais maduro sim, mas a ideia geral é ser divertido mesmo, mas não necessariamente imaturo, apesar de as vezes ser um pouco hehe. É só um momento pra vc não se levar tão a sério, esquecer um pouco dos problemas da vida e “have some fun”.

Kiko: Acho o tema meio confuso.. Cada banda deve falar ou fazer o que quer.. cabe às pessoas gostarem ou não. O Crazy Bastards fala besteira, fala coisa séria e etc.. Mas fala pq quer e não pra se adaptar a um estilo.. Gostamos do estilo do som, as letras são nossa forma de expressar o que realmente pensamos e foda-se.

Ge: Não vejo problemas em amadurecer desde que seja uma coisa natural da banda, as pessoas mudam e tudo bem. Sem graça é quando a galera se leva muito a sério e fica uma parada claramente forçada. Eu sempre achei pop punk divertido pra caralho. Já tem merda o suficiente rolando no mundo, então ensaiar com a banda, tocar músicas divertidas e falar besteira por umas três horinhas é uma das minhas coisas favoritas. Mas essa é minha visão do pop punk, tem galera aí querendo ser madura e séria, deixa eles (risos). Se a música for boa vou ouvir de qualquer forma.

Quais os próximos passos da banda?

Kiko: A vida e a estrada me ensinaram a não criar expectativas… Mas também ensinaram a não cometer erros. É a primeira banda onde me sinto em casa. Onde decidimos fazer ou não um clipe, gravar ou não.. etc. Se todos estão afim, a gente vai la e faz. Pronto! Por hora, a idéia é seguir como sempre fazemos: Criar musicas, ensaiar bêbado, falar muita merda e etc.

Ti e Ge: Em resumo é isso, fazer show, divulgar o CD, comer pizza, fazer clipe, tomar bera, músicas novas pro próximo album.

Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Ge: Crowning Animals, post hardcore de Curitiba, da pesada essa. Phone Trio voltou ano passado, pop punk diver também. Never Too Late abriu pro Four Year aqui em Curitiba e foi tesão. Várias bandas legais aparecendo mais ultimamente.

Kiko: Tenho ouvido bastante Between You and Me e We were Sharks.

Ti: De mais recente tem os amigos do Out in Style, HC melódico de primeiríssima.