Construindo Yannick Aka Afro Samurai: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do rapper

Construindo Yannick Aka Afro Samurai: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do rapper

21 de novembro de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o rapper paulistano Yannick Aka Afro Samurai, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Beatles“I Want You” (She So Heavy)
Essa música eu ouvi por anos na minha infância. Minha mãe é fã de Beatles e quando meus irmãos e eu estávamos fazendo a lição de casa, ouvíamos “Abbey Road” sempre. Esse disco eu conheço de cor.

Jethro Tull“Aqualung”
Na minha adolescência aos domingos pela manhã, meu pai gostava de nos acordar com uma música, ele aumentava no último volume se dirigia ao meu quarto, levantava a persiana e chegava gritando “borá acordar!”. “Aqualung” era uma de suas preferidas, no início peguei “bode” desse som, mas depois passei a ouvir e gostar de Jethro Tull.

Wu-Tang Clan“Wu-Tang Clan Ain’t Nuthing Ta Fuck Wit”
Uma das primeiras paixões musicais, quando eu ouvi Wu-Tang Clan pela primeira vez senti que era isso que eu queria fazer da vida, cantar rap. Pelo fato de ser filho de pai negro e mãe japonesa, ver homens negros cantando rap sob a influência da cultural oriental, me senti representado.

Racionais MC’s“Mano na Porta do Bar
A primeira referência de rap nacional foi Racionais MC’s, o disco “Holocausto Urbano” foi um choque pra mim, e o seguinte, “Raio X do Brasil”, foi algo surreal. Decorei todas as músicas e a partir dai incorporei o rap na minha vida. Lembro que um amigo tinha esse vinil e eu ficava ouvindo em casa, meus pais devem ter pensado “o Yannick vai ser maloqueiro” (risos). Pois é, sou (risos).

Body Count“Body Count In The House”
Musicalmente falando eu comecei a ouvir rock, meu irmão é roqueiro nato, conhece muita banda e claro por influência dele eu conheci essa banda fenomenal, que unia o melhor do rap com o melhor do rock.

Rage Againt the Machine“Killing In The Name”
Outra grande influência do meu irmão, eu queria ser o Zack de la Rocha, pois já gostava de rap e de rock e ele unia toda a levada do rap e a fúria do rock, monstro! Quando fui no SWU e vi esses caras ao vivo eu pensei “Agora posso morrer, pois já vi e senti de tudo”.

Bobby McFerrin“The Voice”
Esse álbum “The Voice” do Bobby McFerrin fez muita diferença na minha infância. Teve um dia em que estava no meu quarto e meu pai, minha mãe e meus irmãos estavam na sala assistindo TV. Eu peguei essa fita K7 coloquei no walkman do meu irmão, coloquei o fone e fiquei pirando e cantando as músicas desse disco que são todas performadas através apenas da voz do cantor. Eu pirei tanto e cantei tão alto que meu pai e meu irmão vieram ao meu quarto e ficaram me olhando por um bom tempo, dando muita risada pois eu estava de olhos fechados cantando “I Feel Good”, tomei um baita susto quando eu abri os olhos e lá estavam eles rindo de mim, foi muito engraçado (risos).

Seal“Kiss From The Rose”
Essa canção é linda, outra grande influência do meu pai. O meu pai é muito fã de Seal e desde a canção “Crazy” eu virei fã também. Mas quando saiu o disco “Seal 1991” e meu pai o comprou eu devo ter ouvindo umas mil vezes. Ouvir Seal me fez enxergar o quão eu era e ainda sou sensível em relação a vozes até hoje eu choro quando o ouço, ele é um grande artista.

Stone Temple Pilots“Plush”
Outra canção da adolescência roqueira que tive, lembro que quando passava esse clipe na MTV eu tentava imitar o timbre do Scott Weiland.

Alice In Chains“Would”
Mano, esse som é de arrepiar! Lembro que quando eu ouvia o baixo eu corria pra frente da TV ou do radio porque a minha vontade era ser o Layne Staley. Às vezes tinha medo dessa música, parecia um invocação do mal (risos)!

M.R.N“Noite de Insônia”
Grande época da radio comunitária Bela Vista FM, ouvi muito esse som, comprei o CD e tudo. Um salve ao Movimento Ritmo Negro! “Charley Baby Brown” era um outro som pesado do grupo.

U2“Kiss Me Thrill Me Hold Me Kill Me”
Antes de entrar na trilha do filme “Batman Forever”, o meu irmão já tinha esse disco, quando eu ouvi falei “U2 é muito foda!”. Essa música é daquelas pra transar com a namorada e ela nunca mais te esquecer (risos).

Boot Camp Clik“And So”
Um dos grupos de rap underground mais fodas do mundo, antes desse som eles já faziam clássicos enquanto muitos no rap queriam fazer hits. Pra mim é uma grande inspiração, gosto e bebo dessa fonte.

Def Squad“Full Cooperation”
Um dos grupos mais fodas do rap, Keith Murray, Redman e Erick Sermon e claro, eu tenho ate hoje esse cd, “obrigaaah” (risos)

Canibus“I Honor U”
Cara, esse é um tipo de som que sempre quis fazer, colocar uma linda voz feminina no refrão e vim arregaçando nas rimas. A “Luto Por Você” do EP “Também Conhecido Como Afro Samurai” é também inspirada nela.

Sean Paul“Gimme The Light”
Teve uma época que mergulhei no ragga através de um amigo, o Guilherme “Presa”, skatista e vídeomaker conceituado. Ele me apresentou esse mundo do reggae roots e do raggamuffin, lembro que quando o Sean Paul veio ao Brasil fomos no show dele e ficamos na primeira fila.

Kamau“Só”
Sempre que preciso entender a seguinte frase “A solidão é a dádiva dos seres excepcionais” eu ouço essa música. Kamau é um desses seres excepcionais. Valeu mestre.

U2 e Pavarotti “Miss Saravejo”
Mano choro sempre que ouço essa música. Lembro que quando a ouvi na adolescência aflorou uma paixão pela ópera e música clássica, porque quando o Pavarotti começa a cantar não tem como não se emocionar.

Tricky“She Makes Me Wanna Die”
Quando a Martina Topley Bird veio a São Paulo e eu perdi esse show, eu literalmente chorei. Lembro perfeitamente ter passado na frente do antigo Studio SP na Rua Augusta, trombei um conhecido e o perguntei o que ia rolar e ele me disse “ah, vai rolar um trip hop”. Não entrei de vacilão que fui, e no dia seguinte li no jornal que esse “trip hop” era a Martina e ela cantou essa canção. Fiquei puto. Anos depois o Tricky veio e eu não podia perder esse show por nada desse mundo. Fiquei 2 horas antes da bilheteria do SESC abrir e comprei o ingresso dos 2 dias. No dia do show eu levei o CD que contém essa música e tive a puta sorte de encontrá-lo, trocamos ideia, ele autografou o meu CD, tiramos uma foto e mano, o cara é muito sangue bom a ponto de me levar ao camarim dele, nunca esquecerei esse dia. Fora os dois shows que foram surreais, botaram o SESC Pompeia abaixo.

Joe Cocker“With A Little Help From My Friends”
Cara eu tenho 33 anos, assisti ao seriado “Anos Incríveis” na TV Cultura, então quem é dessa época, vai entender o porque. Esse som maravilhoso.