Construindo The Ed Sons: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Construindo The Ed Sons: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

29 de agosto de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda The Ed Sons, que traz uma intersecção entre o indie, o stoner e o garage rock. A banda é composta de integrantes de várias cidades de SP e formou-se em Araraquara em 2010. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

The Strokes“Juicebox”
Fernando: Desde a primeira audição dessa música o timbre do baixo nunca mais saiu da minha cabeça, é bem característico e com uma sonoridade saturada com muito médio, é uma das músicas mais legais do “First
Impressions of Earth” e talvez a mais agressiva do Strokes com muitos berros do Julian.

Interpol“C’mere”
Fernando: O Interpol nos tempos em que Carlos Dengler ainda fazia parte da formação da banda tinha a melhor ‘cozinha’ do indie dos anos 2000, criando linhas de baixo que honravam o legado deixado por Peter Hook (Joy Division/New Order). Além disso, é sensacional o clima cinzento e sensações soturnas em cada uma das músicas dos primeiros discos da banda, que eram claramente inspirados nas bandas de pós punk dos anos 80.

Television“Marquee Moon”
Fernando: Guitarras limpas e trabalhadas com riffs simples e melódicos sempre nos chamaram a atenção nas músicas que costumávamos ouvir. É muito legal notar que as bandas que adorávamos tiveram como referência o Television, sobretudo em “Marquee Moon”, um disco de 1977. Os riffs em círculos e a sonoridade crua dessa músicas fazem parte das coisas mais legais rock do final dos anos 70.

Tame Impala“The Less I Know the Better”
Fernando: Por falar em dançar, é quase impossível passar imune a essa charmosa linha de baixo do Tame Impala. Ainda está bem fresco na minha memória o tamanho do hype que o lançamento do “Currents” causou em toda essa cena indie, neopsicodélica. Confesso até que isso foi motivo da minha resistência inicial com essa banda do ‘senhor faz tudo’ e tido como geniozinho Kevin Parker, mas essa música me ganhou e hoje consigo entender e concordar totalmente com o tal hype, tanto que foi uma das músicas que mais bebemos da fonte para criar uma de nossas músicas do EP “The Chase”.

Arctic Monkeys“Brianstorm”
Renato: Explosão, velocidade e simplicidade: essas foram as primeiras impressões ao ouvir esta música. Elementos que reúnem o que o indie rock tem de melhor, tudo isso junto à descomunal habilidade do vocalista Alex Turner em encaixar frases complexas e metafóricas nas estrofes e fazer a canção possuir um ritmo único.

The Hives“Main Offender”
Renato e Diego: O que chama atenção no The Hives é a capacidade de trazer a simplicidade dos riffs ao melhor estilo punk rock e transformá-los em músicas dançantes e cheias de energia que dão vontade de sair pulando. “Main Offender” resume tudo isso e um pouco mais. Antigamente a gente costumava usar figurino social para tocar muito por causa do The Hives. Rolava aquela certa ironia: os caras todos engomadinhos quebrando tudo no palco e enlouquecendo (vide a embasbacante presença de palco do vocalista Pelle Almqvist).

Bloc Party“Banquet”
Renato: A primeira fase do Bloc Party traz tudo que uma pista de dança precisa. “Banquet” traz uma influência do pop festivo, as guitarras no contratempo, a levada no chimbal da bateria e as linhas de baixo tornam a música uma ótima escolha para agitar a noite.

Far from Alaska“The New Heal”
Renato: Uma das melhores bandas nacionais da atualidade, eles trazem diversas influências que abrangem todo o peso do stoner rock, riffs simples e criativos do blues, elementos eletrônicos e até um interlúdio progressivo que preparam o campo para o vocal único e marcante de Emmily Barreto, que certamente é um dos destaques da banda.

White Lies“Farewell to the Fairgrounds”
Diego: Essa música tem uma mistura muito interessante de indie rock, pós punk e funk rock. Esse tipo de fusão na minha opinião enriquece muito as composições, e tentamos aplicar um pouco desse conceito nas nossas músicas. Particularmente gosto muito dessa banda e vez ou outra acaba rolando uma inspiração dela quando estou compondo ou fazendo uma jam.

Franz Ferdinand“This Fire”
Diego: Esse som tem guitarras frenéticas e bateria pulsante, tudo que a gente espera do indie rock: ambos os
elementos estão presentes também muito fortemente no nosso primeiro EP “The Last Cigarette”. Essa música transita entre uma festa dançante e uma quebradeira pesada, e é exatamente esse espaço que queremos ocupar. Hora você está dançando e hora você está batendo cabeça. Gosto dos dois.

The Killers“Jenny Was a Friend of Mine”
Diego: Provavelmente o primeiro contato mais pessoal que tive com o que viria a ser chamado de “indie rock”. Claro que com certeza já tinha ouvido “Take Me Out” do Franz Ferdinand aqui e acolá, mas me lembro perfeitamente que quando coloquei para tocar o lendário “Hot Fuss”, o baixão da intro dessa primeira faixa me acertou em cheio direto como um soco. Foi uma das experiências mais legais que tive com música. Além disso, o baterista Ronnie Vannucci é hoje uma das referências em bateria pra mim nesse estilo, com suas levadas contagiantes, grooves de chimbal e viradas.

Aeromoças e Tenistas Russas“2036”
Diego: O “The Chase” foi produzido, mixado e masterizado pelo guitarrista Gustavo Koshikumo, e na época da pré-produção ouvíamos muito o excelente disco “Positrônico”. Claro que essa interação tão forte e próxima influenciaria na forma como realizamos a composição e produção das músicas, e 2036 é a minha favorita desse disco. É muito dançante e criativa, e também tem seus trechos mais rock’n’roll.

Black Drawing Chalks“Red Love”
Victor: Com uma performance impecável ao vivo, certamente Black Drawing Chalks é minha maior
inspiração dentro do cenário nacional. Diretamente do “Live in Goiânia”, “Red Love” é, do começo ao fim, um rolo compressor. O instrumental acelerado e potente, as guitarras “sujas” e muito bem executadas do stoner rock e o vocal inconfundível de Victor Rocha, são as tônicas presentes em todos os trabalhos dos caras e que me inspiram grandemente no palco.

Death From Above“Crystal Ball”
Victor: Desde seu começo com o groove do baixo e a bateria bem marcada, passando pela entrada do vocal característico levemente rasgado do vocalista/baterista Sebastien Grainger até o refrão bem preenchido com
efeitos de synth, é impossível não se contagiar com “Crystal Ball”. A banda, de volta com o álbum “The Physical World” e já com novo single (“Freeze Me”), após hiato que durou de 2006 até 2011, é composta apenas por dois integrantes, mostrando que não é preciso muito para se fazer algo realmente fantástico. Por esses e outros motivos, DFA é sem dúvida uma das maiores referências para nós.

Placebo“The Bitter End”
Victor: A melancolia é o tema central da banda, mas isso jamais pode se sobrepor ao excelente trabalho que fazem com os instrumentos nas mãos. “The Bitter End” transcende qualquer barreira temporal, com um instrumental simples, mas que, como em todo o trabalho da banda, o vocalista Brian Molko consegue transformar em obra prima. Sua potência vocal e seus agudos nos levam a fechar os olhos e nos transportam para dentro de nossos mais profundos sentimentos.

Queens of the Stone Age“Feel Good Hit of the Summer”
Victor: Com poucas notas, poucas palavras, mas muita distorção e feeling de sobra, “Feel Good Hit of the Summer” mostra porque, ao lado de “Lullabies To Paralyze”, “Rated R” é provavelmente um dos mais fenomenais e arrebatadores discos da banda. Josh Homme, que dispensa apresentações, acerta em cheio com esse trabalho e mostra porque é um dos maiores músicos da atualidade. Sua extensão vocal e timbre moldam um som ao mesmo tempo dançante e para bater cabeça e que, com qualquer outro vocalista, seria apenas mais um som. Eu como vocalista, não podia deixar de curtir e citar o cara. Long live Queens of the Stone Age!

The Raconteurs“Steady As She Goes”
Igor: O jeito com que o Raconteurs acelera e desacelera a levada e a forma com que eles timbram as distorções das guitarras casa muito com as nossas composições. Nós sempre buscamos essa alternância como uma forma de manter o som da The Ed Sons como “som de pista”.

Muse“Hysteria”
Igor – O timbre do baixo e o riff bem presente tem tudo a ver com o tipo de música que nós mais gostamos de fazer. Baixo marcante e riff bom é um ponto de convergência nosso. Além disso, a guitarra com uma distorção com bastante brilho me agrada pessoalmente.

Royal Blood“Ten Tonne Skeleton”
Igor: O que me chama mais a atenção nesse duo é que o que eles fazem é de uma simplicidade incrível. Esse som em especial tem uma levada mascada que é demais e, ao vivo, funciona melhor ainda.

Foals“What Went Down”
Igor: Quer mais pegada que isso? A forma com que eles criam um clima de tensão nessa música é absurda e o som da The Ed Sons, que na minha opinião tem muito a ver com ansiedade e inquietude, tem muita influência disso. Além do que a performance ao vivo deles também transmite uma coisa de você não conseguir tirar o olho por querer ver o que eles vão fazer em seguida.