Construindo Sereno: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Sereno

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda carioca Sereno, que recentemente lançou o EP Adivinhar o Futuro das Estrelas” pela Violeta Records.

Wavves x Cloud Nothings“No Life For Me” (“No Life For Me”, 2015)
Vinícius: A Sereno é uma banda de irmãos, então já era meio que a hora de a gente se juntar e criar algo. Começamos a falar disso por causa de umas fotos que o Nathan Williams tirou das gravações do disco do Wavves com o Cloud Nothings. Eles gravaram tudo em casa e em um esquema simples. Então, foi meio que “se eles fizeram, a gente consegue também”.

American Football“Honestly?” (“American Football”, 1999)
Victor: Os dedilhados do American Football marcaram o jeito que compomos, mas “Honestly?” é uma música bem diferente do resto desse álbum. Eles substituíram o refrão por uma parte instrumental com guitarras distorcidas e o baixo praticamente fazendo um drone. Mostra como conseguiam compor em formatos diferentes sem perder a identidade da banda.

Vivian Girls“Light In Your Eyes” (“Share The Joy”, 2011)
Vinícius: Algumas das letras de “Adivinhar o Futuro das Estrelas” têm influências diretas das Vivian Girls, especialmente a música “Se Tudo Der Errado”. Acabou que a Cassie Ramone, que era a líder das Vivian Girls, desenhou uma estampa de camiseta para a Sereno. Emocionou demais ter alguém tão importante para a gente criando algo especial para a banda.

Modest Mouse“Trailer Trash” (“The Lonesome Crowded West”, 1997)
Victor: Falando em letras, acho que a forma de escrever do Isaac Brock, misturando situações reais com ficção, é uma influência clara nas letras da Sereno. Nessa música, ele fala sobre viver uma infância difícil, morando em trailers e lidando com problemas na escola.

Jay Reatard“My Shadow” (“Blood Visions”, 2006)
Vinícius: Aquele documentário póstumo, “Better Than Something”, mostra muito a preocupação do Jay em botar as ideias em prática, registrar o que está acontecendo no momento e seguir em frente, mesmo que não seja nas condições mais ideais. Fico triste quando lembro das bandas legais que vimos ao vivo e não deixaram nada registrado…. Esse senso de urgência do Jay guia a maneira como seguimos com a Sereno e a Violeta Discos.

Julia Brown“Library” (“to be close to you”, 2013)
Victor: “Library” é uma obra prima do lo-fi. O arranjo conta com vários elementos diferentes no que poderia ser só mais uma música com bateria-baixo-guitarra. E também serve para mostrar como a gravação pode contribuir para a atmosfera da música. A regravação do EP “Library B/W I Wanna be a Witch”, mais hi-fi, não captura tão bem a essência da música como a original faz.

Melt“Rewind” (“Riffer”, 2016)
Vinícius: O Dylan White soltou as primeiras demos do Melt no mesmo período em que compomos as músicas do “Adivinhar o Futuro das Estrelas”. Ele também é adepto do lo-fi e do it yourself, então é um disco que a gente não só gosta, mas se espelha também. Altas guitarras.

My Vitriol“Always: Your Way” (“Finelines”, 2001)
Victor: O mais legal do My Vitriol é como souberam incorporar o shoegaze no som deles sem soarem totalmente genéricos, mesmo que fosse um elemento fundamental nas músicas. Nessa música dá para perceber isso, há as guitarras cheias de delay e reverb nos versos, mas um refrão que nenhuma banda de shoegaze faria.

DIIV“Bent (Roi’s Song)” (“Is The Is Are”, 2016)
Vinícius: Normalmente associam o DIIV ao shoegaze, mas a maneira como eles empilham cada elemento no arranjo das músicas tem muito de krautrock, especialmente do Neu! Os licks de guitarra são lindos e a ideia de gravar em mid-fi é algo que vai de encontro com o que queremos fazer.

Supercar“Automatic Wing” (“Three Out Change!!!”, 1998)
Victor: Se fosse feita por alguma banda ocidental, essa poderia ser só mais uma baladinha de indie rock dos anos 90. Porém, o interessante são os elementos claramente tirados do rock japonês que o Supercar incorpora na mistura, como as linhas de voz doces e letras que sempre têm um tom mais poético e folk, e lembram mais um filme do que uma música.

lostage“手紙 [Tegami]” (“P.S. I Miss You”, 2004)
Victor: O lostage faz tudo nessa música. Viradas de bateria dignas de air drum, riffs com pausas dramáticas, build-ups para o refrão, vocais quase gritados e um arranjo de guitarras bem típico do rock japonês. “Tegami” é um exemplo de como uma banda pode soar tão interessante tanto individualmente quanto em grupo num contexto emo.

SHAZNA“Kokoro” (“10th Melty Life”, 2007)
Vinícius: É engraçado quando apontam algum detalhe de uma música nossa com muita convicção de que aquilo foi influência da banda emo americana “x” ou do indie rock “y”, mas, para nós dois, tem mais a ver com um lado-b do Asian Kung Fu Generation ou uma baladinha do SHAZNA como essa.

Dinosaur Jr.“The Lung” (“You’re Living All Over Me”, 1987)
Vinícius: O Dino é uma daquelas bandas fundamentais, que a gente quer saber detalhes de como os discos foram gravados e aprender as músicas nota por nota. De certo modo, eles são como o Experience do Jimi Hendrix, as pessoas só falam do J Mascis, mas o Murph e o Lou Barlow são tão fundamentais quanto para o som. Sempre estamos discutindo uns detalhes, como o timbre de baixo do Lou ou como ele toca as linhas sempre no final do braço (risos)…

The Smashing Pumpkins“Mayonaise” (“Siamese Dream”, 1993)
Victor: “Mayonaise” é a epítome das baladinhas do Smashing Pumpkins, tanto que o Billy Corgan nunca fez melhor depois. Um muro de guitarras com fuzz, progressões de acorde simples e uma linha de voz cativante. O careca pode ser um mala hoje em dia, mas houve um tempo em que era uma máquina de boas músicas, e a influência da banda é inquestionável.

hide“FLAME” (“PSYENCE”, 1996)
Vinícius: Passei boa parte da adolescência aprendendo as guitarras do hide, então o DNA dele sempre vai se infiltrar nas nossas músicas. Mesmo quase 20 anos após a morte dele, ainda aparecem informações que nunca soubemos antes e os discos revelam algum colorido que não havíamos notado. Ele ainda é o maior de todos.

Built to Spill“Some” (“Untethered Moon”, 2015)
Victor: Nessa música dá para perceber claramente todas as grandes influências do Doug Martsch: Dinosaur Jr., Neil Young, Pavement e classic rock. Mas, ao mesmo tempo, é um som muito particular e com vários clichês sendo utilizados de uma forma que não soam nada manjados. Os solos de guitarra, as transições verso calmo–refrão barulhento e trechos instrumentais maiores que o resto da música.

Weezer“The World Has Turned And Left Me Here” (“Blue Album”, 1994)
Victor: Essa é uma das músicas que te faz eternamente associar uma progressão de acordes a uma banda, como se pertencesse a ela, de tão marcante que é. Ainda tem todo o arranjo: o riff do violão, o solo de guitarra, o final com a mesma frase sendo repetida várias vezes etc. O tipo de coisa que realmente te inspira a fazer um arranjo legal para sua música.

Jim O’ Rourke “Therefore, I Am” (“Insignificance”, 2001)
Vinícius: Também poderia escolher alguma música do “Halfway to a Threeway” ou “Bad Timing”, porque o Jim é uma inspiração constante, mas ouvimos muito o “Insignificance” durante as gravações do EP. O coração até pulsa junto naquele trecho quase aos dois minutos que a música engasga e começa a crescer hahaha.

Toby Fox“Undertale” (“Undertale Soudtrack”, 2015)
Victor: Utilizar os sons de jogos antigos de Super Nintendo e Playstation sem pretensão de soar retrô ou chiptune é algo que poucos fazem hoje, mas que sempre achamos muito legal. O Toby Fox é um dos caras que faz isso muito bem e ainda incorpora samples de jogos como Chrono Trigger e Final Fantasy VI.

Steep Leans“Nightmare City” (“Grips On Heat”, 2015)
Vinícius: É o segundo lançamento da Ghost Ramp na lista, que é uma grande referência para como nós operamos a Violeta Discos. Fora isso, as letras e os arranjos do Jeffrey Gray Somers têm esse tom de nostalgia que tentamos passar nas nossas músicas. Mil guitarras maneiras também, né? Não tem como não gostar.


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