Construindo Macaco Mostarda: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

Construindo Macaco Mostarda: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

19 de julho de 2018 0 Por João Pedro Ramos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Macaco Mostarda indicando as músicas que influenciaram sua obra.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Jimi Hendrix“Little Wing”/“Manic Depression”
Antes de mais nada, se trata de um trio aqui, e a gente tá falando do trio mais competente da história do rock, a inspiração já parte daí. As sonoridades nos inspiram muito, timbres de bateria, guitarra, a forma como o Lino pensa as frases melódicas da guitarra, ou como o Renato elabora os riffs de bateria. Além disso, existe uma agressividade num som muito cru do ponto de vista da produção, tudo fica a cargo da emoção e da competência.

The Police“Next To You”
Mais um trio, mais uma grande inspiração. Destaque aqui pras linhas de baixo do Sting que o Carlos gosta de beber no café da manhã. Além de ser uma banda de rock muito suingada, com influências do soul, do reggae, do pop da própria época, ou seja, tudo o que a gente gosta muito.

Stevie Wonder“Sir Duke”
O motivo: Stevie Wonder. A musicalidade toda do Stevie Wonder nos toca de alguma forma, é sempre uma
referência muito frequente nos nossos momentos de criação.

Racionais MC’s“Mágico de Oz”
Um dos, se não o grupo de rap mais relevante da história do país. E o exemplo perfeito do que é unidade de conjunto. O sample dos Isley Brothers e a forma como KL Jay faz a fusão do soul com o rap, a introdução brutal, o conteúdo imagético da composição, uma mistura que faz todo o sentido. É o tipo de música que ilustra bem o que fazer quando se tem muitas referências e se quer encontrar uma identidade própria.

Tower Of Power – “What is Hip?”
É uma banda de soul com uma agressividade “punk rock”, e uma cozinha fazendo um trabalho impecável. A Macaco é um trio, a gente ama cozinha! As linhas de baixo do funk são marcadas, pensadas pra pista, pra colocar a galera pra dançar, e isso inspira muito as composições do Carlos.

Living Colour“Love Rear It’s Ugly Head”
Simplicidade e requinte, excelência de execução, vocal na mira. Essa banda é um absurdo! Os arranjos, as linhas de baixo, as melodias, a bateria, os solos de guitarra, absolutamente tudo nessa banda é uma grande referência pra Macaco.

Sly and the Family Stone“If You Want Me to Stay”
“Uma foda bem dada”, foi como o Renato traduziu o sentido da música e nós não conseguimos encontrar uma tradução melhor que essa. Tem um groove segurado, fora da caixa, uma banda sem rótulo, sem preocupação com o gênero estético. Pra gente isso é muito importante na hora da composição, essa liberdade, esse pé no acelerador de vista tapada.

Chico Science & Nação Zumbi“Da Lama ao Caos”
A música é impressionante, esse disco inteiro é foda, Nação representa o melhor do rock nacional, sempre. Timbres e mais timbres de guitarra, percussão presente nos momentos mais precisos, as letras, enfim, o movimento todo é uma grande escola pro rock BR.

Novos Baianos“América Tropical”
Porque é rock, é latino, é brasileiro até o talo. É o poder da fusão brasileira na música, essa música faz a gente pensar que o que o Brasil faz com música, ninguém mais no Mundo faz. E uma grande preocupação nossa é como fazer rock sem soar um pastiche norte-americano.

Alceu Valença“Agalopado”
Outra música que representa o Brasil de uma forma direta, e é o forró mais anarquista do mundo. Isso nos diz respeito, porque a gente gosta muito dessa energia anárquica, essa pressão “punk” que está muito além do próprio gênero punk. É um elemento que a gente tenta sempre trazer pra dentro do nosso som.

Tom Zé“Xiquexique”
Experimentação sem medo do erro, e a letra é uma poesia que cai que nem um tijolo no dedão do pé. Tom Zé não coloca uma vírgula fora do lugar, sabe exatamente o que significa cada elemento, é um alquimista da música. E tem uma loucura que nos inspira muito, mais um grande experimentador nato. Fora que ele está sempre pensando no Mundo atual, um artista do seu tempo sempre, apesar da idade. Outro grande elemento que pra gente é muito importante, a arte precisa comunicar, e não adianta comunicar numa língua ultrapassada, é sempre muito importante estar atento a tudo o que cerca o Mundo que vivemos hoje, agora. E nesse quesito, pelo nosso julgamento, Tom Zé é quem faz isso melhor.

Caetano Veloso“Tropicália”
Simples, esse é o verdadeiro hino do Brasil, ponto.

Jorge Ben“Ponta de Lança Africano”
Jorge Ben pra gente é outro gênio na arte de misturar influências. O afrobeat, o samba, o rock, tudo o que Jorge Ben faz traz a África no colo e o Brasil nas costas, tem muita identidade e muita originalidade. Os riffs de guitarra são muito próximos do funk, tem um groove muito particular e simples. A prova de que a qualidade não vem diretamente do virtuosismo.

Milton Nascimento“Para Lennon e McCartney”
É o maior grito latino da música nacional.

Secos e Molhados“Primavera nos Dentes”
A letra é incrível, e pra quem ainda não escutou secos e molhados não sabe o que tá perdendo. Uma banda de rock nacional que soa como uma banda de rock nacional, um item muito importante pra gente.

David Bowie“Space Oddity”
Ela revela o artista genial que foi o Bowie usando o rock como plataforma. A frase “as pessoas aqui te adoram e elas querem saber que camiseta você usa” exemplifica o que era o David Bowie, e a gente se identifica muito com isso. Ele era um artista muito antes de ser um “rock star” e sabia disso, o rock era sua plataforma, e todas as vezes em que quis usar de outras plataformas, ele o fez. Essa liberdade deixava sua criatividade livre, e isso é uma coisa muito difícil de se conseguir. Mais importante do que suas sonoridades e experimentações, Bowie pra gente é
importante por esse grito de liberdade que ele deixou, que a música precisa ser livre, a arte precisa ser livre, e no rock, seja em qual subgênero ele esteja, muitas vezes vemos composições engessadas, mais preocupadas com as bordas da estética do que com a comunicação.

Red Hot Chili Peppers“Breaking the Girl”
Uma das músicas que melhor expressa a versatilidade dessa banda que consegue se comunicar de forma universal. Muita influência de Jimi Hendrix, o que automaticamente já nos comunica de alguma forma. A produção é rústica e refinada ao mesmo tempo, o riff de violão foi gravado com um doze cordas e as vezes soa dobrado, as vezes soa single, tem coisas na produção (Rick Rubin) que parecem propositalmente “erradas”, a gente ama isso.
O riff da bateria é espetacular, e o solo percussivo feito com colheres e panelas soa como uma grande banda de rua. Red Hot é dessas bandas que você consegue perceber a diversão do processo no produto final. E a diversão é algo que a Macaco valoriza muito, mas muito mesmo.

Beastie Boys“Gratitude”
Um trio (olha o trio aí) de judeus de NY que misturaram hip hop com rock e tacaram fogo na porra toda! A gente faz uma versão desse som mesclado com Caetano e João do Vale. O som é simples, rústico, bem elaborado, riffs nada virtuosos mas muito criativos, a produção é direta, você percebe nitidamente que é um trio, os timbres são sujos,
característicos do rock nova-iorquino. A gente sempre tira muita coisa dessa música.

Rincón Sapiência“Crime Bárbaro”
É o cara da cena musical atual que os três mais têm escutado ultimamente. E acho que isso se deve pela atualidade do som, pela modernidade da experimentação, e da nossa necessidade urgente de estar sempre sintonizado com a música de agora. Rincón é a ponta de lança da música brasileira atual, pra gente.
E se tivéssemos que sintetizar o Rincón em uma palavra seria, Visão. E visão é o atributo mais necessário da arte.