Construindo Luan Bates: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o seu som

Construindo Luan Bates: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o seu som

13 de junho de 2017 1 Por João Pedro Ramos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje convidamos o Luan Bates, músico de Natal-RN do selo Nightbird Records.

Oasis“The Hindu Times” (2002)
Escolhi essa do Oasis por ter sido a primeira faixa que ouvi deles. Foi a primeira banda pela qual me apaixonei e que me tornou fanático por rock e por música. A partir disso, tudo na minha vida mudou e eu não tive outra obsessão a não ser me tornar um músico.

Black Crowes“Nonfiction” (1994)
Em termos de “música acústica”, é o som que sempre almejo. É provavelmente minha música favorita, de todos os tempos. A voz do Chris Robinson com a do Andy Sturmer (Jellyfish) harmonizam de uma forma tão bela… E gosto muito como a parte melódica é tão simples, mas ao mesmo tempo cheia de nuances. E o modo como a letra retrata uma paranoia romântica também é genial.

Jeff Buckley“Grace” (1994)
Ser sensível e ao mesmo tempo impor tanta intensidade em um som é algo que nunca vou esquecer. Foi mais ou menos por isso que escrevi “Listen Up, Mates”, é definitivamente influência do Jeff.

Laura Marling“Devil’s Spoke” (2010)
Outra influência para “Listen Up, Mates” e que relaciono com essa questão de identidade. É um folk que vem como avalanche aos seus ouvidos. É uma honra acompanhar uma compositora tão foda da nossa geração.

Ryan Adams“La Cienega Just Smiled” (2001)
Antes de conhecer o trabalho do Ryan Adams, eu nunca tinha usado um capotraste na vida. Eu sei que isso parece algo bem idiota, mas foi a partir da influência dele que decidi jogar um monte de coisa fora e escrever da melhor forma que podia; e isso também passou pelo fato de ter finalmente comprado um capotraste e ter começado a tocar em “afinações diferentes” (eu não sabia nada de teoria musical, por exemplo). Além disso, o Ryan me ensinou a ser, acima de tudo, honesto com o que digo ou canto, independente do quão brega uma letra pode soar.

Jamiroquai“Just Another Story” (1994)
Minha maior referência de bateria é essa música. Virtuosa, sólida e efetiva. Apenas ouçam e apreciem Derrick McKenzie.

The Verve“Sonnet” (1997)
Acho que o Verve é uma das poucas bandas que conseguem transmitir muita emoção em cada música. Escolhi “Sonnet” por talvez ser minha preferida deles, apenas para representar o peso que eles tem nas minhas composições.

Lemonheads“If I Could Talk I’d Tell You” (1996)
O Evan Dando é um maluco que admiro muito enquanto músico. Ele conseguia fazer melodias tão doces e letras ora clichês, ora estranhas se unirem perfeitamente. Eu sempre adorei como “If I Could Talk I’d Tell You” consegue ser implícita e explícita ao mesmo tempo, é outro aspecto que gosto de destacar enquanto compositor.

Transmissor“Eu e Você” (2008)
Acredito que esta música e a Transmissor me fizeram ter vontade de começar a escrever músicas em português. Era uma missão muito difícil pra mim, graças as influências internacionais que sempre tive; acho que antes não havia encontrado uma banda brasileira pela qual tivesse verdadeira identificação, e só fui encontrar isso quando me deparei com o clipe dessa música.

The Music“The People” (2002)
Tenho uma relação engraçada com essa banda: já tinha escutado uma música deles há muito tempo, em 2003, cujo clipe nunca se apagou da minha cabeça; o nome da faixa é “Getaway”. E aí, muito tempo depois, lá pra 2012, decidi procurar novamente a música e os sons da banda, e acabei pirando nos caras! Escolhi “The People” para esta lista, pois essa música me fez sentir o que era o rock and roll novamente: um chute no balde e uma confiança que te faz desfilar na calçada mesmo bêbado. OK, essa não foi boa, mas foi esse tom de “lad” que o The Music reavivou na minha vida.

Stone Temple Pilots“Trippin on a Hole in a Paper Heart” (1996)
Falando sobre sentir novamente o que era o rock, o Stone Temple Pilots me deu força pra pegar numa guitarra com tesão. O Dean DeLeo é um dos melhores guitarristas das últimas décadas: o estilo dele engloba o glam rock, rock alternativo, blues, bossa nova, jazz e hard rock, abordando tudo isso numa discografia linda que é a do STP.

Tears for Fears“Advice for the Young at Heart” (1989)
Estranhamente não é minha música favorita do Tears for Fears, mas tem o meu solo de guitarra favorito de todos os tempos, e isso é o suficiente. Eu tenho essa fixação por solos curtos e marcantes, essa é uma das “filosofias” que desejo seguir por muito tempo.

Massive Attack“Karmacoma” (1994)
Trip-hop virou minha cabeça ao avesso, especialmente com o modo como muitos “rimavam” balbuciando. “Karmacoma” é o melhor exemplo disso, gosto muito dos trabalhos do Massive Attack e do Tricky, e pretendo expor melhor essa influência nos próximos trabalhos.

Mahmed“Recreio dos Deuses” (2014)
Eu sei que os boys da Mahmed tem muita influência de John Frusciante, mas sempre os terei como referência de guitarra. É minha banda preferida do RN e me livrou de um preconceito com música instrumental, além de ter apresentado uma nova maneira de tocar, com a qual não havia me identificado antes. Sempre fui um cara que toca acordes e acordes – meu próprio EP tem essa “levada” -, sem inserir solos e riffs, e a Mahmed cativou isso em mim com sua sonoridade.

Lô Borges“Como o Machado” (1972)
Essa faixa e o disco do tênis foram minhas melhores companhias em tempos difíceis. “Como o Machado” comprime um estado doído e intenso em menos de dois segundos. Talvez não seja influência, mas um reflexo do que permeia minha mente. Mas enfim, o Lô Borges é meu compositor nacional favorito, e tenho a sensação de que ele antecipou em duas décadas o que o Elliott Smith faria (?). Fica a teoria aí pra vocês.

Blind Melon – “Change” (1992)
Tenho falado muito sobre como as músicas listadas trazem sentimentos à tona, mas nenhuma se compara a esta. É o som mais puro e sincero que já ouvi, ninguém retratou tão bem o quão difícil, o que se exige ao querer mudar quanto o Shannon Hoon.

Counting Crows“Perfect Blue Buildings” (1993)
Falando em sinceridade, ninguém supera o Adam Duritz nesse aspecto. Ele sempre aborda coisas muito íntimas nas músicas do Counting Crows, inserindo-as dentro de alguma história, oferecendo sempre essa ficção confessional. Essa banda está na minha vida desde sempre e o Adam inspirou muito o meu jeito de escrever, de colocar certos detalhes que só guardamos para si em canções.

New Radicals“Mother, We Just Can’t Enough” (1998)
Sem pensar, eu levaria o CD do New Radicals para uma ilha deserta (bem clichê, eu sei). É a minha coleção preferida de músicas pop e sempre quis captar a energia (e ironia) desta música.

OutKast“Ms. Jackson” (2000)
A maior dupla da história, tal qual Bebeto e Romário, ou Jairzinho e Pelé. Tem nem o que falar, é observar e tentar alcançar 1/5 da qualidade do trabalho deles.

Depeche Mode“Goodnight Lovers” (2001)
Martin Gore é deus, ponto.