Construindo Komunga: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

Construindo Komunga: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

14 de agosto de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Komunga contando quais músicas influenciam sua obra.

“A Komunga nasceu de idéias que estavam guardadas em nossas gavetas e que nunca haviam sido compartilhadas, não que tudo já estivesse pronto, grande parte do material nasceu com a dupla, mas o desejo de desenvolver a proposta em si já era latente, ou seja, bastou uma fagulha para incendiar nossa mentes e colocar pra fora tudo que estava guardado. Sendo assim optamos por listar as músicas que influenciaram o álbum mas que também contribuíram para nossa construção enquanto artista”.

Julio Rhazec / Risoflora (Voz / Beats / Efeitos)

Public Enemy“Fight The Power”

Conheci a música via Clip Trip (extinto programa de videoclipes da TV Gazeta), e logo de cara me surpreendeu pelas imagens, pois mesmo sem entender a letra era nítido perceber que se tratava de questões raciais, empoderamento, algo completamente novo pra mim e que foi o início do meu entendimento de como a arte pode tocar as pessoas.

F.UR.T.O.“Flores nas Encostas do Cimento”

As letras e a forma escrever de Marcelo Yuka sempre me tocaram. A faixa compõe o álbum “Sangue e Audiência” e pra mim é uma das maiores provas de como a arte é capaz de transformar as coisas. Pois o conteúdo da letra leva a crer que ele a escreveu logo após o incidente que o fez ficar paraplégico.

“A infiltração no teto fazia marcas
Que eu de tanto olhar via as faces mais lindas
Para clarear o meu tormento
Como flores nas encostas do cimento”

Chico Science & Nação Zumbi“Etnia”

Chico Science foi pra mim um divisor de águas. A partir do acesso a sua obra que comecei a entender minha inquietação musical, a necessidade de experimentar o diverso (em qualquer área artística), pois não há de errado em nossa diversidade, “nada de errado em nossa etnia”. Salve Chico!!!

Björk“Human Behaviour”

Foi a primeira música que escutei da artista que junto a Chico Science são minhas duas principais referências. A linha de voz “jazzística” caiu como uma luva no sample de Antonio Carlos Jobim, da música “Go Down Dying”.

Imogen Heap“Getting Scared”

Encontrei esse CD (Eras geológicas atrás) num sebo, e foi uma grata surpresa que serve de referência até hoje. Destaco essa faixa pela bateria que entra no meio da música e principalmente pela letra.

Nina Simone“Don’t Let Me Be Misunderstood”

Conheci a música, e consequentemente Nina Simone, de uma maneira meio torta, pois foi por meio de uma versão do grupo Santa Esmeralda (tive de pesquisar pois nem lembrava mais) que tive acesso a obra da artista, que com certeza será sampleada em algum trabalho da Komunga. (Olha o spoiler aí minha gente!)

Olivia Byington“Corra o Risco”

A música é do álbum de mesmo nome lançado em 1978, ano em que nasci, e é um daqueles encontros estilo Led Zeppelin, pois a banda convidada era simplesmente A Barca do Sol, banda lendária de rock progressivo dos anos 70. A maturidade e alcance vocal da cantora são impressionantes. Referência até hoje pra mim.

Jovelina Pérola Negra“Sorriso Aberto”

Essa música junto com “Porta do Mundo” de Peão Carreiro e Zé Paulo, são pra mim dois hinos, e com certeza serviram de inspiração para criação da Komunga e consequentemente do álbum.

Thaide e DJ Hum“Movimento de Rua”

Essa música escutei na casa de um grande amigo (Fabio do Up Rocker’s Force) que foi a primeira pessoa a acreditar em mim como artista, me convidando para ser MC no grupo de Hip Hop Consciência de Rua (1993). A Komunga pra mim é um retorno às origens.

Elza Soares“A Carne”

Elza Soares pra mim é uma força da Natureza é a síntese da frase de Angela Davis que diz, “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”.

Lucas Baumgratz / Urukum (Synths / Beats / Efeitos)

Milton Nascimento“Raça”

Essa música é uma das definições de força. E Milton é Milton! Só ele consegue falar sobre certos sentimentos. Com certeza uma influência, principalmente nas músicas que exalam força como esta.

Luiza Lian“Oyá”

Luiza Lian juntou muito bem ancestralidades e misticismos como o eletrônico e urbano neste álbum “Oyá Tempo”. Tudo a ver com a Komunga.

The Chemical Brothers“It Began in Afrika”

Não podia faltar um dos grupos reis do Big Beat britânico, o Chemical Brothers. Essa música flerta também como o batuque e o eletrônico, idéias que se concretizam principalmente nas nossas performances ao vivo.

The Prodigy“Wild Frontier”

O Prodigy já traz um Big Beat mais nervoso. É como soltar seus monstros. A Komunga tem muito disso, colocar pra fora certas sensações, principalmente as de injustiças.

Daft Punk“Contact”

A dupla francesa Daft Punk é muito boa em criar uma “misancene”. As máscaras, as histórias, os mistérios. No geral isso é uma forte influência, não só sonora mas como postura mesmo.

Metá Metá“Rainha das Cabeças”

É incrível como Metá Metá soube construir um som cheio de africanidades e brasilidades e ao mesmo ser mais potente do que muito rock por ai.

Tigre Dente de Sabre“Spilbergui”

Só quem foi a um show do Tigre sabe do que estamos falando. É uma experiência transformadora. Eletrônico se envolve perfeitamente com a performance, se transformando num ritual de “rave erudita”. Com certeza uma influência em som e em performance.

Elza Soares“Maria da Vila Matilde”

A linguagem direta, impactante e visceral é algo que se destaca neste trabalho da Elza. E certamente algumas músicas da Komunga, também buscam ser diretas.

Naná Vasconcelos“Africadeus”

Naná é alma pura. É essência. Isso basta para ser influência.

Marluí Miranda“Tchori Tchori”

Marlui Mirando é uma Mestra. O trabalho dela com o resgate da música indígena merece muito mais visibilidade. Abre os olhos para uma série de possibilidades.

Ouça a playlist completa aqui: