Construindo Antiprisma: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do duo

Construindo Antiprisma: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do duo

10 de janeiro de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Para começar, temos o duo Antiprisma, de Victor José e Elisa Oieno, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

The Rolling Stones“Street Fighting Man”
Victor: É a minha banda de coração desde criança, e desse tipo de coisa você não se livra nunca, e nem quero me livrar! Acho que para o Antiprisma o disco “Beggar’s Banquet” tem sido uma referência desde o início. A sonoridade acústica que produziram em boa parte desse álbum soa áspera, gasta, meio envelhecida… Ali não tem frescura e nem fofura, e de certa forma é um pouco desse caminho que a gente procura seguir.

The Byrds“Going Back”
Victor: Várias vezes a gente conversa sobre como fazer soar uma música e quase sempre resvalamos em Byrds. Talvez seja nossa influência mais gritante. Não me conformo como é que tem gente que não liga pra essa banda… The Notorious Byrd Brothers” é uma referência muito forte para o Antiprisma.

Stone Roses“Waterfall”
Elisa: Aqui está o representante britpop da nossa lista. Gostamos muito de Stone Roses, especialmente o primeiro álbum, que nos lembra muito o Byrds. Para nós, é um bom exemplo de como fazer coisas novas a partir de suas influências. Nós gravamos e lançamos uma versão desta música “Waterfall”, junto com nosso EP.

Big Star“The Ballad Of El Goodo”
Victor: As melodias te conquistam na primeira escutada. O som é redondinho, com harmonias bonitas, violões e guitarras legais. Parece uma fórmula simples, mas não é. Essa faixa do primeiro álbum explica bem o que é essa banda. Big Star tem um som bonito, e mesmo no terceiro disco, que é meio esquisitão, você reconhece essa qualidade.

Love“Andmoreagain”
Victor: O Love chama atenção porque mescla essa vibe de folk rock com pop barroco com uma capacidade absurda, e Forever Changes é uma obra-prima perfeita de cabo a rabo, não tem como melhorar aquilo. Se conseguisse fazer uma música dessa categoria algum dia me dava por satisfeito. Além disso, a banda sabia impor o peso do rock quando precisava soar agressiva. Arthur Lee foi um baita compositor de música pop.

Bert Jansch “Poison”
Elisa: Esse é daqueles caras que dá até um orgulhinho de ouvir. As músicas dele são essencialmente folk, várias delas muito calcadas na música tradicional escocesa, e com melodias lindas. Isso junto com o violão típico de Bert Jansch e sua pegada blues e jazz, solto e ‘cool’. Me lembro de ter lido em algum lugar que o Bert Jansch está para o violão assim como o Jimi Hendrix está para a guitarra elétrica. Ouvir Bert Jansch com certeza é uma escola para o Antiprisma.

Velvet Underground “All Tomorrow´s Parties”
Elisa: Velvet é uma banda muito importante para o Antiprisma. Acho que o nosso lado mais experimental, o estilo que procuramos em algumas músicas, a liberdade artística que nunca podemos nos esquecer… isso vem muito do Velvet Underground.

Grateful Dead“St Stephen”
Victor: A liberdade que a gente percebe na música do Grateful Dead é inspiradora. Sem contar a capacidade para improvisos e a versatilidade que eles têm para saltar de um gênero para outro. Poucas bandas têm essa personalidade tão forte quanto eles. A cena de São Francisco dos anos 1960 no geral é muito cativante, é algo que sempre escutamos hora ou outra.

Milton Nascimento“San Vicente”
Victor: Essa a gente até já se aventurou a tocar em alguns shows. Milton Nascimento é uma coisa que não dá pra definir. Principalmente na fase dos anos 1970, ele fez discos misturando rock com jazz, música latinoamericana, caipira, progressivo e mais um monte de coisas, mas sempre soando autêntico, sem se perder. É legal quando não dá pra classificar algo coeso, e ele é único.

Kurt Vile“Baby´s Arms”
Elisa: Quando conhecemos Kurt Vile, acabamos nos identificando muito com o som que ele faz. O disco “Smoke Ring For My Halo”, parece ter referências muito parecidas com as nossas, seja nas canções em si ou na escolha de timbres, que passa pelo folk dos anos 60 e pelo pós-punk e anos 90. Aliás, foi por causa de uma entrevista que vi do Kurt Vile, em que ele estava em uma loja escolhendo alguns discos e falando sobre eles, que conheci Bert Jansch e Fairport Convention. A partir disso, eu e o Victor entramos em um período em que descobrimos e ouvimos muita, mas muita coisa mesmo de folk britânico, o que acabou sendo um dos embriões para a formação do nosso som.

John Fahey“On The Sunny Side Of The Ocean”
Victor: Quando a gente começou a tocar junto entramos nessa fase de moldar nosso estilo próprio escutando tudo quanto é referência. E foi daí que veio John Fahey. Desde então me inspiro muito no seu modo de tocar, e por incrível que pareça ele foi um dos motivos para acrescentarmos a viola caipira em algumas canções. Parece estranho, mas muito do que ele faz no violão soa extremamente brasileiro, tipo aqueles violeiros das antigas. Aí existe uma conexão bem estranha.

Bert Jansch – “Winter is Blue”
Elisa: Quando eu conheci o som da Vashti Bunyan, me identifiquei imediatamente. O vocal tranquilo, meio envergonhado e quase sussurrado me inspira bastante, e as canções dela têm melodias fortes e bonitas. O disco “Just Another Diamond Day” é lindo, intimista e sincero, um belo exemplo de álbum folk, se quiser chamar assim. Ela lançou também uma compilação de singles (“Some Things Just Stick in Your Mind”) onde está a “Winter is Blue”, em que as canções têm uma roupagem até mais pop do que folk, muito bom.

Beatles“Norwegian Wood”
Victor: Se você faz música com algum viés pop e valoriza muito as melodias é praticamente impossível não pensar em Beatles em alguma parte do processo de compor. Beatles é uma escola, né. Todas as fases da banda são importantes pra nós, e estudar as gravações também nos ajudou muito desde o comecinho.

Siouxsie and The Banshees“Israel”
Victor: A referência pode não aparecer muito no nosso álbum ou no EP, mas pós-punk é uma coisa bastante forte nas nossas influências. Essa fase que chamam toscamente de “gótica” é muito criativa. Vários discos são realmente muito artísticos, e Siouxsie é uma baita banda foda. É legal ver como uma composição essencialmente punk, de estrutura simples, ganha outro aspecto quando se pensa em arranjos estranhos e sons inusitados. Acho que aprendemos muito com isso.

Cat Power“Nude as The News”
Elisa: O que mais gostamos nas músicas da Cat Power é o fato de elas parecerem super básicas, mesmo não sendo, e isso acaba refletindo talvez na maneira de estruturarmos criações do Antiprisma. Essa canção “Nude As The News” é foda. Tem uma base simples de guitarra que permeia a música inteira, mas mesmo assim a Chan Marshall consegue trazer várias partes diferentes e muita dinâmica.

Simon and Garfunkel“Scarborough Fair”
Elisa: Simon & Garfunkel é uma referência muito importante para o Antiprisma, principalmente o jogo de harmonias vocais que eles fazem. Acabamos sempre tendo eles meio que como um paradigma de qualidade, um ideal a ser alcançado e para nós é muito divertido “estudar” o que eles fazem nas músicas.

Sonic Youth“I Love You Golden Blue”
Elisa: Talvez não apareça tanto no Antiprisma, apesar de muita gente já ter perguntado se gostamos de Sonic Youth. Para mim, é uma inspiração constante. Desde a maneira de tocar, os arranjos e até o estilo dos vocais. Eu adoro esse jeito meio blasé, meio displicente de cantar da Kim Gordon.

Secos e Molhados“Fala”
Victor: Aquele primeiro disco é uma coisa que não tem como evitar. As letras são ótimas, a proposta visual eu acho que nunca vai morrer por completo e as músicas por si só sobreviverão pra sempre. O fato de ser do Brasil algo assim faz a gente lembrar como nosso país é foda na música.

Fairport Convention“Percy´s Song”
Elisa: Essa é uma banda que gostamos muito. O som do Fairport Convention é bastante único, sendo uma banda de rock com identidade forte na música tradicional britânica. As melodias inspiradas no estilo folk tradicional britânico e o uso de guitarras e violões com o efeito “drone” (em que fica soando uma nota constante na música), muito presentes no Fairport, são coisas que gostamos de usar no Antiprisma. Essa música “Percy´s Song”, na verdade é do Bob Dylan, mas gostamos muito dessa versão deles e do jeito de cantar da Sandy Denny (vocalista da banda).

Pink Floyd “Echoes”
Elisa: Escolher só 20 músicas é difícil. Era para ter entrado nesta lista também o Syd Barrett. Afinal, tanto as canções dele solo quanto as do começo do Pink Floyd são influências fortes para nós. Mas tudo bem, escolhemos a “Echoes”, cuja melodia lembra muito o Pink Floyd com o Syd, mas já tem a estrutura “espaçada” e melancólica, típica dos anos seguintes da banda. Com certeza, mesmo sem perceber, acabamos sempre colocando algo de Pink Floyd no nosso som.

Ouça aqui a playlist do Antiprisma e siga o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify: