Conheça o olhar poético, introspectivo e experimental do trio Major Self em “Clouds Inside”

Conheça o olhar poético, introspectivo e experimental do trio Major Self em “Clouds Inside”

9 de agosto de 2019 1 Por João Pedro Ramos

Pare um pouco, respire e deixe sua mente se esvaziar por um instante. Olhe para dentro de si mesmo e descubra o trio Major Self, um projeto musical experimental e introspectivo composto Pryka Almeida, da banda LâminaLucia Ellen, idealizadora do site e festival Hard Grrrls e ex-vocalista e guitarrista da banda riot Sündae, e Fernando Sabatini, das bandas Alienage e Arara Saudita.

O primeiro exemplo do poético rock alternativo cheio de camadas do trio está no single e clipe “Clouds Inside”, dirigido pela própria Pryka e que conta com as presenças de Himerria Wortham, Luana Gomes e Gabriella Louize convidando o ouvinte a olhar para dentro de si mesmo por alguns instantes. O som e clipe são parte de uma trilogia que terá seus próximos capítulos lançados em breve. Conversei um pouco com a banda sobre este novo projeto:

– Como este novo projeto começou?

Pryka: Eu e a Lúe já tínhamos projeto de tocar juntas ha muito tempo atrás, e em paralelo eu eu Fernando também estávamos planejando começar a fazer alguns sons diferentes. Com isso acabei pensando que poderíamos reunir todos e trazer esse som mais experimental. O que deu uma combinação perfeita porque trouxe todos em um.mesmo momento de questionamentos/entendimentos internos.

Lucia Ellen: A Pryka um dia armou uma jam entre nós 3 e foi super fluido. Nós temos estilos e habilidades que se completam… A Pry tem um vocal mais rock, eu caio mais pro melódico fofo, o Fernando é multiinstrumentista…
Nesse dia foi amor aos primeiros acordes.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Lucia Ellen: Olha… essa é uma pergunta que a gente sempre faz! Nosso encontro, as músicas, o nome… Tudo veio de um momento único que cada um estava vivenciando o retorno ao self. Por isso, acho que é uma musica introspectiva, que traz o eu interior para fora e convida o outro para viajar para dentro de si. Tem muito de autoconhecimento e reconhecimento. Mas se for para colocar numa caixa, acredito que seja no rock alternativo. Gostamos de dizer que a música é “estrada para dentro de si”.

– Eu senti que vocês contam com um lado punk rock, mas conseguem mesclar isso com algo de rock progressivo, algo meio difícil de se fazer.

Pryka: Pois é, o lado punk rock fala muito alto, todxs 3 tivemos bandas grunge/punk/hardcore, então quando tentamos fazer algo mais fora dessa linha, inevitavelmente tem essa levada muito forte (risos).

– Como surgiu esta primeira música e clipe?

Pryka: Eu estava com o roteiro pré pensado pra fazer um curta, quando pensamos que ao invés de ser uma narrativa, poderia ser uma trilha sonora. Então adaptamos pra banda e pensamos nas diferentes meninas para representar essa metamorfose.

– Mas os dois vieram juntos, então?

Lucia Ellen: Sim! E a ideia é ser uma sequência de vídeos que se completam.

Pryka: Sim, quando definimos que seria a trilha sonora, fomos moldando pra linguagem da banda.

– Quem são as pessoas que aparecem nesse primeiro vídeo?

Pryka: As meninas moram em Los Angeles e quando ficaram sabendo do projeto que é sobre descobrir esse eu interior, se identificaram também com o momento e confiaram 100% em.filmarmos. A Himerria é uma dançarina alemã, a Luana e a Gabi brasileiras, mas moram em Los Angeles há um tempo.

– Os próximos sons e clipes se encaixam com esse? São uma espécie de continuação?

Fernando: Pra essas produções que virão, acredito que outros elementos serão acrescidos. Há a possibilidade de utilizarmos pads com beats lo-fi, sintetizadores. Trabalhar com loops. Acho que será uma extensão dessa ideia de voltar pra si sob outra perspectiva estética. Acredito que o trabalho com mensagens através de vídeos aliados à produção textual é um flerte que vale o intento. No mais, se encaixarão se relacionarmos ao viés geral do grupo, mas serão acrescidos de traços particulares de cada um.

Lucia Ellen: A ideia é focar a individualidade de cada um até chegar no coletivo, então seriam 4 vídeos clipes que se encaixam sempre na ideia de individual x coletivo.

– Aliás, eu queria saber mais sobre a composição e o simbolismo da letra do som que vocês lançaram.

Fernando: Posso falar sobre a composição; como a música foi criada. Nessa época a gente conseguiu alinhar nossos horários e nos víamos, pelo menos, um dia por semana. Estávamos nos acostumando com o ritmo e o feeling de cada um. Tínhamos criado algumas sequências, alguns riffs. Quando a Pryka chegou com a ideia do vídeo, captamos a ideia que ela estava passando e começamos a experimentar. Começamos com a dissolução do acorde base e abrirmos caminho para a dissonância. Como o início é todo narrado, alinhamos a sonoridade para dar espaço à fala. Essa parte é o timing exato para a segunda parte do texto, que sugere uma mudança no aspecto da narrativa: nesse ponto, os acordes cheios mais reverberados dialogam com o momento que precede o clímax do discurso. Que nesse caso, seria a parte pesada da música, a qual tem como objetivo imprimir essa emoção (de êxtase) no ouvinte/interlocutor.

Lucia Ellen: A base da letra é da Pryka, eu me identifiquei e fui trabalhando junto com ela os backings. Acredito que tanto pra ela quanto pra mim é uma música muito forte, de trás à tona todos os anos q nos sentimos caladas. a descoberta de que sim, precisamos ouvir nossa voz interior e segui-la.

Fernando: Ah, legal dizer que fizemos ela toda em loop, numa tarde.

Pryka: A letra traz o momento em que começamos a nos questionar internamente os caminhos que estamos traçando, se ele fazem parte do que somos ou se eles foram colocados na loucura do dia a dia que seguimos um fluxo na sociedade. Quando a gente começa a se despir do ego, a ver as sombras, luz, para entender quem realmente é.

Fernando: A gente ia inserindo as camadas e testando.

– Quando poderemos ver os próximos sons e vídeos?

Pryka: Pra novembro planejamos lançar nosso segundo single seguido pelo videoclipe. Enquanto isso, queremos preparar teasers com músicas minuto.

Fernando: A ideia é dar sequência nessa agenda de lançamento. Enquanto clouds estiver sendo divulgada, mais pessoas terão contato com nosso trabalho. A partir disso, a gente pretende, enquanto prepara e dá segmento ao trabalho principal, que são os quatro vídeos, aproveitar esse processo de criação para alimentar nossas redes com produções pequenas e caseiras, a fim de tornar esse pessoal mais próximo de nosso trabalho. Assim eles conseguirão associar o primeiro vídeo, com o segundo e assim por diante. Essas pequenas produções serão vídeos curtos, caseiros, com um fundo musical produzido por nós e ilustrado por imagens com mensagens textuais e/ou extralinguísticas.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Fernando: Vale a pena escutar a banda Bicho. Um som harmonioso e bastante bonito. O Monstro Amigo é outra que, não segue a mesma linha da Bicho, mas hipnotiza igual. Por fim, conheci o trabalho da Papisa, recentemente; recomendo muito.

Pryka: Papisa também gosto muito! OZU, que também conheci tem pouco tempo e achei mara. Não tão independente mas que tenho escutado muito também é a Luiza Lian, que traz uma brasilidade e originalidade incrível.

Lucia Ellen: Eu gosto muito das bandas das amigas: a florcadáver, os diversos projetos da Malka, Miêta, Papisa, Gali, In Venus. Aí de fora eu tenho ouvido Savages, Dikta (que já não lança a algum tempo, mas amo) e tem minha leva irish: Ham Sandwich, Glen Hansard, Cathy Davey, Damien Rice, Lisa Hannigan.