Conheça o Dest_lado, que une dois baixos, duas baterias e quantidades dantescas de álcool

dest_lado

Desde 2006, a banda Dest_lado está na estrada mostrando que dá pra fazer uma banda de rock sem guitarras e com dois baixos e duas baterias. A trupe alcoólica aposta em letras sobre bebidas, exageros alcoólicos e tudo que tenha a ver com líquidos que possam causar a tão popular musicalmente embriaguez. Ana Cana (vocal), Caio Pirinha e Cassio Batida (baterias), CarloffAle Beer (baixos) abusam da distorção e dizem que essa formação possui um motivo especial: “tocar bêbado é bem mais fácil no baixo (risos)… Mas também é uma limitação, que você acaba usando criativamente ao seu favor na hora de compor”, diz Cassio.

Conversei com o quinteto ébrio sobre sua carreira, suas influências, o disco “99% Álcool 1% Inspiração”, lançado este ano, e como a marvada pinga influencia o som da banda:

– Como a banda começou?
O Dest_lado começou como uma brincadeira entre amigos. Na época, a ideia era fazer músicas sobre a bebida, todas meio punk rock mas com a batida do Drum’n’Bass. Como se o Ramones tivesse tocando nessa levada, meio como o Transplants fez. Hoje em dia a gente diversificou mais as músicas,

– Quais são suas maiores influências musicais?
Somos 5 músicos que ouvem músicas completamente diferentes entre si. Pra ter uma ideia, vai de Bezerra da Silva até Skrillex, passando por Stooges, Distillers, Roni Size, Pixies, Deftones, NIN, Green Day, Made in Brazil, e por aí vai. Mas o mais importante é que a gente criou um tipo de música que nós 5 gostamos muito.

– Porque usar dois baixos na composição?
Os dois baixistas sempre tocaram guitarra em outras bandas, estavam cansados de 6 cordas. E tem uma coisa, tocar bêbado é bem mais fácil no baixo (risos)… Mas também é uma limitação, que você acaba usando criativamente ao seu favor na hora de compor!

– Como é o processo criativo de vocês?
Muitas músicas surgem do nosso dia a dia de cachaceiro. Mas outras músicas, em compensação, vem da conversa de bar hahaha. Na real, tem todo jeito de composição. A maioria das vezes alguém vem com uma ideia de letra e um briefing musical, um refão legal ou um riff. Noutras vezes uma música já chega meio pronta, alguém já pirou em casa e fez a música inteira. Mas a gente costuma conversar bastante em cima de uma composição e meter o dedo no trabalho dos outros até todo mundo estar satisfeito.

A vocalista do dest_lado, Ana Cana

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram.
Isso é importante! A gente tem uns 10 anos de estrada. A formação da banda era diferente antes: além dos dois baixos e dois bateristas, a gente tinha dois vocalistas homens. Hoje, trocamos os dois pela Ana Cana! Então nosso material anterior (o EP “Xerox Colorido é Mais Caro” e o CD “Lei Seca”) são bem diferentes desse novo lançamento “99% Álcool 1% Inspiração”. Mas uma coisa continua igual: a manguaça e os shows com muita energia.

– O que vocês acham da cena independente da música brasileira atualmente?
É uma guerrilha constante. Hoje parece que o espaço é maior, mas só parece. Ao mesmo tempo em que tem muita facilidade de divulgação, facilidade para gravar, bandas se unindo, por outro lado o número de artistas é muito maior, o que é bom. Diversidade é sempre bom! Mas o que fica faltando no meio é a curadoria. Escolher os artistas que são inventivos, interessantes, legais, isso deveria ser mais importante do que selecionar os que tem mais “curtir”, mais votos ou que “levam gente”. Alguém tem que peneirar! Isso principalmente sobre rádios, festivais e casas de show. Pô, o cara tem um bar e não faz uma direção artística de quem chamar? Ele quer saber se a banda leva gente, não importa se é ruim. E nisso, o principal, que é o público da música independente, fica em segundo plano. Aí fica difícil cobrar do público para apoiar as bandas independentes!

– As casas de show ainda dão espaço para bandas autorais?
Pois é, tem isso! As bandas cover levam gente muita gente pro bar, e aí as casas noturnas criam essa zona de conforto. A gente já tocou em algumas cidades do interior paulista em que o dono diz: “olha, eu não costumo chamar banda autoral, mas vocês tem lugar garantido, mesmo tocando só músicas próprias!” Temos certeza que como a gente, tem milhares de bandas autorais legais, o cara só precisa garimpar!

– Se vocês pudessem trabalhar com QUALQUER artista, quem seria?
(Risos) O céu é o limite? Podia ser o Jim Morrison, o bêbado-mor. Dos vivos, podia ser o Novoselic, o Flea, a Shakira, o Calle13… melhor parar por aqui, porque a gente não tem limites alcoólicos e criativos. Do Brasil, eu falaria do Paulão das Velhas Virgens, mas a gente já gravou uma música com ele no CD anterior. O De Leve foi um caso real de tentativa. Tentamos falar com ele mas nunca tivemos uma resposta (risos).

– Recomendem bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos (especialmente se forem independentes!)
Difícil falar isso pelos outros da banda. Eu posso citar algumas, não novas, mas que acho legais, como Metá Metá, Capim Maluco, ALDO, os Autoramas que são a maior banda independente do Brasil, e a MC Mayara, claro!


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