Conheça a brisa alternativa stoner psicodélica de “Sometimes It’s Fun To Lose”, do The Brisantinos

Conheça a brisa alternativa stoner psicodélica de “Sometimes It’s Fun To Lose”, do The Brisantinos

12 de junho de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Formada por Bruno Clementin (baixo), Cármino Caramello (vocal), João Bolzan (bateria), Sam Cesaretti (guitarra e vocal) e Walter Tadini (guitarra e vocal), a The Brisantinos está com uma campanha de financiamento coletivo para lançar seu primeiro álbum, com sete faixas, gravado no Stone Studio, em Frutal (MG).

A banda começou em 2011, quando seus integrantes se conheceram na faculdade UFSCar, em São Carlos. Ao saírem de suas graduações, os membros foram morar em uma chácara em São José do Rio Preto, onde trabalharam em suas composições por três anos. O som da The Brisantinos mistura rock psicodélico, alternative rock noventista, stoner rock e blues. Isso tudo pode ser ouvido nas músicas que o quinteto já disponibilizou.

Conversei com Walter sobre sua carreira, o crowdfunding, o novo disco e mais:

– Como a banda começou?

A banda começou após alguns anos estudando junto em São Carlos, onde tirávamos um som na casa que morávamos. Mas somente tomou forma quando nós já havíamos mudado de cidade para São José do Rio Preto, onde continuamos tocando e dividindo contas. Foi lá que conhecemos o baterista João Bolzan, que finalizou o que restava para conseguirmos fechar as ideias do nosso primeiro álbum e compor inclusive algumas músicas a mais. Moramos juntos há pelo menos 3 anos, e a banda nasceu do interesse despertado por músicas independentes.

– Então foi uma banda de estudantes formada em república, é isso? Todo mundo faz o mesmo curso?

Não, isso foi um pouco mais complicado. Podemos dizer que esse período de república foi o embrião da banda, onde surgiu o nome e as ideias. Depois, quando saímos, não voltamos para terminar o curso, e continuamos em Rio Preto. Mas eram estudantes de Física, Ciências Sociais e Letras. A formação da banda era outra e não podemos considerar que é uma banda de estudantes, pois nem mesmo terminamos a graduação.

– De onde surgiu o nome da banda?

Surgiu de um papo brisa, na praça… Acabou “Brisantinos” depois que um de nós soltou essa palavra na roda. É brisa de beck, manja?

– Quais são as principais influências musicais da banda?

Cada um dos músicos veio com um estilo e influência diferentes, mas vamos citar Black Sabbath, Sepultura, Tomahawk, Vulfpeck, Queens Of The Stone Age, Djavan, Tom Waits, Pinback, Dead Fish, Planet Hemp, Steel Pulse, Red Hot Chilli Peppers, The Beatles, The Doors, Buffalo Springfield, Esperanza Spalding, Living Colour e outras talvez muitas. É complicado, basicamente procuramos muitas alternativas.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Ah, deve ser um Alternative Stoner Psychedelic Blues Rock. A gente tenta sempre tocar e compor com uma originalidade e frescor que não sabemos denominar. Certa vez gravamos um samba, que vai ir para um programa que se chama “Tudo Termina Em Samba”, aproveitamos a oportunidade para salvar um samba que havíamos feito há alguns anos. Então, de nós você pode esperar qualquer coisa. Mas uma coisa é fato, esse primeiro álbum ficou muito Stoner Rock e Heavy Blues.

– Já que falamos nele, me conta mais sobre este primeiro álbum.

Nós gravamos com o Lucas Heitor, produtor do Stone Studio, primeiro uma pré-produção ao vivo, e depois os instrumentos separados. Escolhemos as composições que já eram mais familiares para todos, e reparamos depois que elas tinham um eu lírico de forte personalidade. Ele apresenta os trabalhos mais coesos da banda até aqui e uma intenção original. Enfim, o álbum contém 7 faixas que totalizam 45 minutos aproximadamente. Foi um prazer enorme realizá-lo, gravar com o Lucas lá em Frutal foi incrível. Depois de gravado fizemos uma campanha de financiamento coletivo para providenciar a prensagem de alguns CDs, a elaboração de conteúdo e souvenirs. Para a arte do encarte encomendamos um desenho para cada música com o excelente artista Vinícius Vicente. Ele fez e nos mostrou, e ficou de chorar (no bom sentido), ficou foda! Agora estamos nos corres de lançar isso e viabilizar para todos. O álbum é pesado, com muita influência de Heavy Metal, Stoner e Psychedelic Rock.

– Vocês usaram o crowdfunding para realizar o disco. Acreditam que essa é uma boa forma das bandas viabilizarem seus projetos, depois da queda da indústria musical?

Sim! O crowdfunding é revolucionário. É um recurso que a internet possibilitou para a realização de uma ideia paralela aos interesses do mercado. A grande vantagem é o contato direto com o público em geral através do engajamento na campanha. Hoje em dia uma banda não precisa mais de um contrato, ou uma gravadora, para realizar o próprio projeto. E o crowdfunding oferece uma grande ideia patrocinadora. Aqui nós mesmos fizemos, tudo junto com muitos amigos que nos ajudaram.

– Então a queda das gravadoras, de certa forma, foi boa para a cena independente.

Os movimentos e iniciativas independentes, junto com a internet, deram a força necessária para que nós, artistas, que não temos apoio de grandes gravadoras, pudéssemos ter um espaço maior e um alcance digno do artista independente. Basicamente as gravadoras saíram do foco, por conta da grande quantidade e qualidade de lançamentos independentes.

The Brisantinos

– Mas você acha que falta algum veículo de mídia forte que auxilie a cena independente a atingir mais público “mainstream”, por assim dizer?

Não achamos que falte um veiculo mais forte de midia, os meios estão todos ai. achamos que o que falta é o incentivo das casas de shows a abrirem as portas para músicos autorais de pouco nome. E também a falta de interesse do publico “mainstream” por algo novo, recente e inédito. Mas percebemos que o independente tem ganhado muita força nos dias de hoje.

– Então na verdade se a divulgação já está ocorrendo corretamente, como fisgar esse público para que as casa invistam em shows autorais?

É necessário organização para produzir e divulgar uma boa música. Se pensarmos apenas na música ou apenas na estética desse produto ainda sobrará algo faltando. Hoje o Youtube e o Spotify são ferramentas interessantes para os músicos se promoverem. Mas essa auto-promoção deve ser honesta, afinal a música é para a alma. Assim como a música, os dias, e a vida, as repetições se fazem prevalecer. Então a perseverança deve caminhar junto com a criatividade.

– Quais são os próximos passos da banda?

Nós pretendemos lançar a partir dessa semana, uma arte do encarte do álbum por dia; até que dia 17 de junho o álbum esteja disponível digitalmente. Assim que os álbuns físicos chegarem, faremos a entrega das recompensas para finalizar nossa campanha de financiamento coletivo. Também vamos tocar um show de lançamento aqui no nosso estúdio chamado Soulbrado Espiral, dia 17 de junho, que será transmitido online. Depois tocamos no Stone Festival em Frutal dia 07 de julho e dia 28 de julho no SESC Rio Preto. Vamos continuar abrindo nossa casa, nosso estúdio e nosso som para novas ideias, shows e o que de bom e gostoso pintar. Inclusive temos ensaiado as composições de um outro álbum que virá na sequência, esperamos começar gravá-lo no segundo semestre desse ano. A nossa ideia é levar o primeiro álbum o mais longe ele possa ir, e tocar muitos shows.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria ouvir!

Bom temos vários. Vamos citar Centro da Terra, Aeromoças e Tenistas Russas, Far From Alaska, Lobo Y Brujo, Bamba Bróder, Quarto Astral, Hurricanes, Cassino Queen, Boogarins, Hellbenders, Black Drawing Chalks, HammerHead Blues, que são algumas das que lembramos agora.