Conheça 6 bandas da forte cena alternativa e shoegaze da Costa Rica

Conheça 6 bandas da forte cena alternativa e shoegaze da Costa Rica

27 de agosto de 2019 0 Por Vítor Henrique Guimarães

Movido pela minha paixão por música e pela Copa do Mundo, ano passado eu resolvi fazer uma excursão por alguns países e descobrir um pouco mais do cenário musical deles. E com tranquilidade eu posso dizer que o país que mais me impressionou foi a Costa Rica – e eu definitivamente não esperava por isso.

Entre rock alternativo, shoegaze e dream pop, a música costa-riquenha tem muito a falar. E resolvi trazer pra vocês, como minha primeira contribuição pro Crush em Hi-Fi, alguns dos nomes que mais me chamaram atenção. Vamo junto?

Queridos Edifícios

O dream pop se funde com força com o post-punk melancólico no som do quarteto da capital costarriquenha San José, formado por Jose Castro (bateria), Alberto de Valle (baixo), Diego Cubillo (vocalista) e Óscar Ilama (guitarrista). Na verdade, a banda surgiu depois de Óscar tentar um som com vários projetos e nenhum ter dado certo (inclusive um com forte influência do Black Sabbath). Trazendo influência de bandas como Deerhunter e Beach Fossils, riffs de guitarra e linhas de baixo estão belissimamente casadas em todas as músicas, do single “Casas Amarillas”, de 2017, ao EP Contusiones”, de 2018.

Pra ouvir agora: “Simón”, “Casas Amarillas”, “Personajes Secundarios”.

Dylan Thomas.

(Com o ponto no final do nome, pra não confundir com o poeta galês que morreu em 1953.)

O shoegaze consistente do quarteto (Jan Pfeiffer na guitarra e vocal, Diego Cordero na bateria, Sebastián Álvarez também na guitarra e Esteban Garita no baixo) tá presente no EP Suceso en la Plaza” (2017) e nos singles “Solo en San José” (2016) e “Luces Violeta” (2019, a música mais vibrante deles). Com um som mais limpo que o Sway, com arranjos mais melancólicos (inclusive nas letras) e ainda assim com surpreendentes explosões instrumentais, Dylan Thomas. é certamente uma das melhores e mais promissoras bandas dessa ótima cena musical.

Pra ouvir agora: “Suceso en la Plaza”, “Fogos Artificiales a la Distancia”, “Últimos Días”

Sway

O que começou como um projeto pessoal do vocalista Kevyn Quirós em 2016 se transformou num amálgama de artistas da música underground costa-riquenha: o baixista Allan Zumbado, do Olfrig, e o baterista Diego Cordero, do Dylan Thomas. caíram na banda e lançaram o EP Imágenes Violentas” – mais tarde, o guitarrista Alejandro López, do The Hills, encorpou a banda. As guitarras bem sujas, o baixo bem carregado e a bateria bem pegada te leva diretão pra alguma festa gótica no final dos anos 80, tornando a banda uma das paradas mais legais do cenário shoegaze costarriquenho. Junto a Dylan Thomas. e Queridos Edificios, eles se dizem como “uma cena que celebra a ela mesma”.

Pra ouvir agora: “Cuarto Rosa”, “Imágenes Violentas”, “Lucidez”

vicepresidente

Vocês sabiam que na Costa Rica é estabelecido que o presidente tem dois vice-presidentes? Eu também não sabia. E não sei, na verdade, se isso tem alguma coisa a ver com a banda vicepresidente, formada lá em 2015 – talvez tenha, visto que o governo anterior tinha um razoável viés conservador, e o novo, iniciado em 2014, era bem mais progressista. De qualquer maneira, as guitarras afiadas de Adrián León e André Rodríguez se destacam meio a um shoegaze que flerta mais com o pop. A baixista Isabel Calvo e o baterista Jusué Arguedas fazem as vezes da cozinha da banda, de uma maneira realmente mais comedida, mas ainda assim muito competente. Eles abriram a carreira com o EP Antes de Huir”, em 2015, e lançaram o álbum La Movida Canibal” em 2017.

Pra ouvir agora: “Lugares de Juventud”, “Islandia”, “mvdkn”

Las Robertas

A cena do rock alternativo é um pouco mais antiga e tem uma produção um pouco maior que a do shoegaze. Talvez a banda de maior fama no rock costarriquenho (e de maior projeção internacional também – cantar em inglês certamente contribuiu pra isso), Las Robertas começou sua carreira em 2010. O power trio formado por Mercedes Oller (voz e guitarra), Sonya Carmona (voz e baixo) e Fabrizio Durán (bateria) já levou a mistura de rock alternativo, surf rock e shoegaze pra festivais como SXSW, Primavera Sound e Coachella (nesse ano, inclusive), dividiram palco com bandas como Pearl Jam, Warpaint e Primal Scream e estão prestes a lançar um novo EP – o single “Together Outrageously” já está disponível. Já são três álbuns lançados: “Cry Out Loud” (2010), “Days Unmade” (2014) e “Waves of The New” (2017). É uma banda estratégica pra se expandir o que temos de bom pela Costa Rica.

Pra ouvir agora: “In Between Buses”, “Not Enough”, “Better Days”.

Monte

Começou como uma dupla de guitarra e bateria (Adrián Poveda e Franco Valenciano), evoluiu pro power trio em 2014 (com a chegada do baixista Pablo Rojas) e hoje segue forte na cena alternativa, já tendo lançado seis EPs: “Monte” (2011), San José” (2014), “El Otro Mundo” (2015), “Panta Rey” (2016), “Hoy, Todas las Luces” (2018) e “V” (2019). No começo da carreira, quando ainda era uma dupla, a produção ainda era mais artesanal, os ataques eram mais constantes, um som que esbanjava liberdade e rebeldia; depois de 2014, com a chegada do baixo, dá pra sentir os instrumentos conversando mais – o Rojas trazia nas costas sua experiência com o Florian Droids e com o Hijos. Baita som.

Pra ouvir agora: “La Luz”, “Más que Sangre”, “Tanger”.

Tem diversas outras bandas super interessantes nessas cenas de shoegaze e rock alternativo que poderiam ser apresentadas: Hijos, Los Waldners, Ave Negra, A Merced!, neliero… É sério, é uma galera grande! Não deixem de dar uma procurada. Você pode dar uma conferida nos sons que eu mais curti – mas que tô sempre atualizando – aqui nessa playlist:

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