Condessa Safira celebra a vida de Breno Bolan e a história da banda no disco “11”

Condessa Safira em 2007 (à direita, o baixista Breno Bolan)

“Quando o Breno se foi, a Condessa Safira travou”, explica um post na página oficial da banda, sobre o falecimento do baixista Breno Bolan, peça chave na formação do grupo. “Cada um de nós lidou com o luto de maneiras diferentes, e as músicas que planejávamos gravar com o Breno ficaram ‘on hold’. Aos poucos a gente voltou a trabalhar nelas, mas foi mais difícil do que a gente podia imaginar. Tão difícil que durou anos”. Pois é, 2017 foi o ano em que a banda conseguiu concluir este trabalho, chamado “11”, que já está disponível em todos os serviços de streaming. “Modéstia à parte, fechamos um albão da porra, com participações e colaborações maravilhosas e 14 músicas phodauras”, concluem.

A banda, formada por Júlia Jups (vocal), Bruna Mariani (guitarra) e Zé Menezes (bateria) agora se prepara para uma apresentação especial com as composições do debut da banda. A apresentação acontecerá no dia 03 de dezembro, no Bar da Avareza, e promete fechar o ciclo do grupo. “O show é para celebrar o ciclo de vida da Condessa e o nascimento do álbum “11”. Foi uma história linda, triste e cheia de orgulho, mas que chegou ao fim”, contam.

– Como vocês decidiram voltar e fazer esse show de reunião?
O álbum “11” começou a ser concebido antes de o Breno falecer. Quando ele se foi a gente ficou perdido, não sabíamos se iríamos concluir o álbum, seguir com a banda, nada. O tempo foi passando e chegamos à conclusão que deveríamos ao menos fechar esse trabalho, em memória da banda e do grande amigo e compositor que o Breno foi. O show acabou sendo uma consequência da conclusão desse trabalho. Queremos compartilhar com vocês e fechar esse ciclo de um jeito bacana.

– Como vai ser o disco?
O álbum tem 14 músicas, 12 próprias e 2 versões (“Péssima”, dos Sex Beatles e “Can’t Put Your Arms Around a Memory”, do Johnny Thunders). Algumas composições a gente chegou a tocar nos shows da Condessa lá nos idos de dois-mil-e-pouco, como “Assassina por Natureza”, “Crise 7.7”, “Diga O Que Quiser” e “A Última Canção”. As outras são composições mais “recentes”, que foram tomando corpo e forma nesses 8 anos.

– Esse projeto todo pode ser visto como uma grande homenagem ao Breno Bolan, baixista da banda que infelizmente nos deixou. Vocês podem me falar um pouco dele e como ele ainda permanece no som da banda?
Na verdade o álbum é o filho da Condessa, sem querer soar como uma homenagem. O Breno foi um dos maiores compositores de rock nacional que tivemos o prazer de dividir nossas vidas, e seria puro egoísmo não colocarmos no mundo as letras dele por causa do nosso luto. Por mais difícil que tenha sido, conseguimos fechar esse trabalho com muito orgulho. Temos certeza que ele também estaria orgulhoso do resultado. Grande parte das letras são dele, com exceção de “Sweet Bloody Mary” que ele compôs em parceira com a Cris Braun do Sex Beatles, “Diga O Que Quiser” do nosso ex-guitarrista Rene Dechiare, “Péssima” composta pelo Alvin L. do Sex Beatles e a versão de “You Can’t Put Your Arms Around A Memory”. A sonoridade tem muito da nossa história da Condessa juntos, todas as influências que cada um de nós trazíamos para a banda, e muito do que amadurecemos nesse tempo depois que o Breno se foi.

– Me contem um pouco mais sobre o começo da banda. Como rolou?
O Breno formou a Condessa em 2001, com a ideia de ser uma banda de rock com letras em português e vocal feminino. A Júlia entrou em 2002, A Bruna em 2003 e o Zé em 2005. A gente costumava dizer que demorou um pouco, mas conseguimos a formação perfeita pra banda. Entre idas e vindas de outras pessoas, nós quatro conseguimos a sonoridade que queríamos e trazíamos as mais diversas influências pro som da banda.

– De onde surgiu o nome Condessa Safira?
O Breno costumava dizer que teve um sonho que o nome da banda tinha que ser Princesa “alguma coisa”, mas ele achava princesas tolas na sua grande maioria e mudou para “Condessa”. O “Safira” apareceu porque ele gostava de bandas com 2 nomes, também por influência de bandas dos anos 80.

– Quais as principais influências do som da banda?
A principal banda que influenciou desde o começo é a banda carioca Sex Beatles. Além deles: Marina Lima, Capital Inicial, Guns N’ Roses, The Donnas, Sahara Hotnights, The Ramones, The Rolling Stones, Iggy & The Stooges, The Runaways.

– Quais as principais diferenças do mundo independente da primeira encarnação e dessa reunião? Como vocês veem a cena hoje em dia?
Temos a sensação de que na época tínhamos mais opções de lugar para tocar, e que a galera tinha mais pique para ir a shows. Hoje as (poucas) casas de show são muito boas, mas também são caras, o que dificulta bastante. Hoje temos muitas bandas nacionais excelentes, e da mesma maneira que tínhamos “bandas irmãs” naquela época, temos algumas cenas parecidas atualmente. Mas a impressão que temos é que o famoso “conhecer alguém pra te colocar no circuito” tá cada vez mais difícil.

– Falem um pouco mais de como vai ser o show que está chegando!
Estamos bastante ansiosos e empolgados, ensaiando que nem uns condenados para tirar o atraso de tantos anos! Felizmente estamos contando com a parceria de vários amigos para esse show, o Rodrigo Palmieri (Cyber Jack, Liberta, Drosophila, Pousatigres, Shepherd’s Pie) e o Tavinho (KiLLi) vão comandar o baixo, e teremos participação do Paulo Senoni (KiLLi, Mundo Alto) e do Bob (ex-guitarrista da Condessa e atual Shepherd’s Pie) na guitarra. Podemos dizer que o show vai ser recheado de músicas mais recentes e mais antigas.

– Vocês pretendem continuar com a banda depois dessa reunião? Quais são os planos?
O show é para celebrar o ciclo de vida da Condessa e o nascimento do álbum “11”. Foi uma história linda, triste e cheia de orgulho, mas que chegou ao fim.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Júlia: Acho a banda do Zé, Thrills & the Chase, do caralho. Também piro na Mundo Alto, Miami Tiger e Monocelha. Cada uma com uma vibe diferente, mas que representam muito bem diferentes vertentes do rock nacional.
Zé: Toquei em Santos esse ano com o Thrills e conosco tocou uma banda de lá chamada OZU. Um trip hop pegada Portishead, demais.

Ouça o disco “11” do Condessa Safira:


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