Como se os Ramones tocassem sons dos Beatles: Muck and the Mires invade o Brasil

Como se os Ramones tocassem sons dos Beatles: Muck and the Mires invade o Brasil

25 de abril de 2018 0 Por João Pedro Ramos

O Muck and the Mires começou como uma banda fictícia de Evan Shore, que gravou “All Mucked Up” de brincadeira, registrando todos os instrumentos. Após o sucesso do trabalho, ele recrutou o resto da banda e transformou a brincadeira em coisa séria. Garage rock de qualidade, com um pouco de punk rock e o título (dado pelo manager das Runaways Kim Fowley) de “uma mistura de Beatles e Ramones“.

Formada por Muck (Evan) no vocal e guitarra, John Quincy Mire no baixo, Pedro Mire na guitarra e
Jessie Best na bateria, a banda já lançou All Mucked Up (
2001)Beginer’s Muck (2004), 1-2-3-4 (2006), Garage Mayhem (2007), I’m Down With That (2007), Hypnotic (2009), 2day You Love Me (2010), Doreen (2011), Cellarful of Muck (2011), Double White Line (2014), Dial M For Muck (2014) e Creature Double Feature (2016) e prepara um novo disco para 2018.

A banda está no Brasil nos próximos meses e se apresentará em 04 de maio no Villa Blues, em Botucatú, 05 de maio no Garagera, em São Paulo, e dia 06 de maio no Campus 6 Rock Bar, em Mogi das Cruzes, e promete apresentações bem divertidas e barulhentas. Conversei com Evan (ou Muck) sobre a carreira da banda e sua vinda ao Brasil:

– A banda começou com um álbum do Greatest Hits, com um pé na porta com uma série de hits em potencial. Como rolou esse começo?

O Muck and the Mires começou como um divertido projeto paralelo de estúdio. Em 2000, gravei algumas demos caseiras (tocando todos os instrumentos) tentando criar um álbum de sucessos perdidos de uma banda desconhecida dos anos 60 que eu chamei de “Muck and the Mires”. Quando terminei, dei a fita para alguns amigos e eles adoraram, disseram que eu deveria mandar para gravadoras. Eventualmente a AMP Records no Canadá e a Soundflat Records na Alemanha lançaram as demos como “All Mucked Up – The Best of Muck and the Mires”. De repente eu estava recebendo ofertas de turnê, mas não havia banda! Então recrutei Pedro e Jessie Best e um baixista, formando a real Muck and the Mires, e continuamos fortes desde então. John Quincy Mire entrou como baixista permanente em 2006. Pedro deixou o grupo, mas voltou há três anos. Sentimos falta um do outro!

– E como surgiu o nome Muck and the Mires?

Eu estava procurando por um nome que soasse como algo da década de 1960. Como deveria ser uma banda falsa, decidi fazer algo engraçado. “Muck and Mire” significa “sujeira e lama”. Agora que a banda existe realmente, estamos presos ao nome, mas todo mundo gosta dele. Todos pegaram os nomes dos membros da banda que estavam impressos na capa do disco “falso”. Demorou um pouco para me acostumar com as pessoas me chamando de “Muck”, mas eu gosto agora (risos).

– Ei, é um apelido bem legal. Então, vocês foram descritos como uma “mistura de Beatles e Ramones”. Como você se sente sobre isso e como isso acontece?

Bem, são meus dois grupos favoritos, então eu acho que isso aparecen em nossa música. (O manager das Runaways) Kim Fowley que veio com essa descrição. Ele produziu alguns dos nossos discos. Nós escrevemos músicas como os Beatles de 1964 e cantamos a harmonia em três partes, mas tocamos alto e rápido como os Ramones. Punk Rock Beatles!

– Bem, se você pensar, nos dias de Hamburgo, os Beatles eram de fato meio punk rock … De certa forma.

Sim. Acho que somos mais parecidos com os Beatles de 1962 do que com os Beatles de 1964!
Mas nós não usamos as calças de couro. Muito quente!

Muck and the Mires

– Sim, e no Brasil … você derreteria! Então, vocês estão no nosso país para fazer alguns shows. O que está achando do Brasil?

Estamos muito animados em vir ao Brasil. Já fizemos turnê por todo o mundo, Canadá, EUA, Europa, Japão, mas nunca fomos à América do Sul antes. Nós vimos os filmes dos Ramones na América do Sul e dissemos: “Isso é para nós!”

– O que podemos esperar dos shows que vocês farão aqui?

Bem, eles vão ser divertidos! Uma explosão de 18 músicas em 40 minutos. Garage Rock and Roll, Power Pop, um pouco de punk. Tem algo para todos! Adoramos tocar para novas pessoas e a América do Sul sempre foi um lugar que queríamos tocar.

– Além de Ramones e Beatles, quais são suas principais influências musicais?

Realmente qualquer grande compositor, desde Harold Arlen e Cole Porter. Mas para o nosso som, são definitivamente os grupos da Invasão Britânica, como The Dave Clark 5, The Early Three (Beatles), bandas como The Big Three e Gerry and The Pacemakers, bandas de garagem dos anos 60 como The Sonics e The Remains (de Boston) e punk Pop como os Buzzcocks e os Heartbreakers. Nós amamos os anos 60 batendo música, mas gostamos de misturá-lo com a energia e emoção do punk rock.

– Vocês ouvem músicas que tenha sido lançada ultimamente? Tipo de 2000 em diante?

Principalmente rock’n’roll, mas com certeza. O início dos anos 2000 assistiu a um grande renascimento em nosso estilo de rock garage, com bandas como The Hives e The Strokes e ótimas composições de artistas como Amy Winehouse. A internet facilitou a busca de músicas incríveis, mas muitas vezes você precisa mergulhar fundo para encontrar a melhor música. Vá à periferia de qualquer cidade em qualquer final de semana e, se tiver sorte, você encontrará uma grande banda tocando em um palco em um porão escuro em algum lugar. Bandas como Los Chicos, da Espanha, ou Ugly Beats, de Austin, The Real Kids, em Boston, The Ogres, em São Francisco. Você pode não encontrá-los no rádio (pelo menos nos EUA), mas eles estão todos lá esperando para serem descobertos.

– O que você acha do rock and roll hoje? É melhor continuar longe do mainstream?

Eu sinto falta dos dias em que o rock and roll governava as ondas do rádio e fazia parte da cultura mainstream, mas ao mesmo tempo, quando acontecia, havia muito rock ruim rolando, então você ainda tinha que cavar fundo para encontrar as coisas boas. Ainda assim, não importa em que época estamos falando, grandes canções sempre aparecem no mainstream de vez em quando e nos lembram que ainda há esperança!

Muck and the Mires

– Conte-me um pouco mais sobre o material que o Muck and the Mires lançou até agora

Sem contar “All Mucked Up”, a banda gravou 5 álbuns e vários singles de 45RPM. Vários estão fora de catálogo agora, mas graças ao iTunes, eles ainda estão por aí. Acabamos de fazer um novo álbum com o produtor Jim Diamond, que esperamos lançar ainda este ano ou no início do próximo ano. Nós tentamos tocar músicas de cada um dos nossos discos durante os nossos shows, mas há tantas músicas e tão pouco tempo!

– Me conte mais sobre esse novo álbum!

Top secret por enquanto! Mas estamos muito animados para lançar o novo álbum. O produtor Jim Diamond mora na França agora, então, em vez de voar para a França, trouxemos Jim para Boston, já que somos quatro e ele é apenas um. Nós estaremos tocando algumas das músicas na América do Sul. “#Loneliness” ou “Hashtag Loneliness” é uma faixa que apresenta Josh Kantor, o cara que toca órgão do Fenway Park (onde o Red Sox joga) no órgão Farfisa! Há alguns power-pop, alguns garage rock, algumas músicas cantadas e escritas pelo guitarrista Pedro. E claro, nenhum álbum estaria completo sem um bom e velho merseybeat. Eu acho que uma ou duas de nossas músicas realmente quebram a marca de três minutos, mas na maior parte das vezes nós tentamos ficar por volta de 2:07 por música. Tivemos uma daquelas nevascas de Boston no fim de semana em que gravamos, e o avião de Jim foi o último antes de fecharem o aeroporto! Então outra tempestade chegou e seu avião foi o último a sair quando chegou a hora de partir! Nós acabamos gravando 14 músicas em um dia e depois passamos o resto do fim de semana fazendo overdub. Era selvagem, divertido e exaustivo.

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Hmmm … Bem, eu já mencionei The Ugly Beats. Os Tiger Bomb de Portland Maine (Ex Fabulous Disaster e The Brood) são bastante surpreendentes. Miriam and Nobodies Babies de NY, The Fleshtones, The Woggles, e praticamente todas as bandas da Dirty Water Records de Londres são ótimas. Ouçam!