“Cidade Oculta” (1986) – Arrigo Barnabé, o doido-cafônico

“Cidade Oculta” (1986) – Arrigo Barnabé, o doido-cafônico

27 de abril de 2018 0 Por Guilherme Gagliardi

Cidade Oculta
Lançamento: 1986
Direção: Chico Botelho
Roteiro: Arrigo Barnabé e Luiz Gê
Elenco Principal: Arrigo Barnabé, Carla Camurati e Celso Saiki

“Senhoras e senhores, boa noite! Enquanto você e eu dormimos o sono dos justos, entre luzes e sombras de ruas perdidas, começam algumas de muitas histórias…”

Se o Luiz Gê e o Arrigo Barnabé sentassem juntos numa mesa de bar e decidissem escrever um filme policial que se passasse na São Paulo dos anos 80, com o protagonista como um ex-presidiário e criminoso que vive numa barca no Rio Pinheiros caçando tesouros jogados no esgoto, seria bem massa…

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Achando tesourinhos no rio Pinheiros…

Dodecafônico não só nas músicas, o filme do Chico Botelho é um espetáculo. Com uma interpretação dramática bastante exagerada que reflete o jeitão daquela galera do Lira Paulistana, um elenco incrível, uma fotografia impecável (pra quem curte SP pelo menos…) e a belíssima trilha sonora, o longa apresenta uma trama envolvente do início ao fim, com uma série de clichês ridículos de amor e traição, mas definitivamente dum jeito bastante original…

Enfim, já tendo dito acho que o suficiente sobre a trama, partamos ao que interessa!

A trilha sonora composta quase que inteiramente pelo Arrigo Barnabé (que nas músicas “Cidade Oculta” e “Ronda 2”, faz parceria com Roberto Riberti, Eduardo Gudin e Carlos Rennó), deixando pros outros somente “Pregador Maldito” do seu irmão Paulo Barnabé, “Mente, mente” do Robinson Borba e “Pô, Amar É Importante” do Hermelino Neder, é um retrato perfeito da lógica urbana de SP (ainda mais na época).

Com uma dodecafonia sinistra típica do compositor e uma letra que insiste em se meter no universo mais junkie da madrugada paulista, cabe muito bem no universo romântico/criminoso que o filme cria meio que fazendo uma paródia do estilo noir. “Ronda 2” por exemplo, a música que abre o filme, em versos como “Bares e clubes luzem sinais/Gangues de punks lúmpem demais/E prostitutas passam ao léu/E viaturas surgem no breu”, deixam isso bem claro.

É difícil dizer de alguma música que se destaque, contudo na minha cabeça, algumas marcaram mais forte… “Poema em Linha Reta” pra começar, a versão que o Arrigo fez pro incrível poema do Fernando Pessoa com uma insistência na repetição de algumas palavras, definitivamente deu uma baita força extra pros versos do português. “Pregador Maldito” do Paulo Barnabé e mais ainda “Pô, Amar É Importante” do Hermelino Neder, se destacam por apresentarem uma coisa mais pop, a do Hermelino, quase que uma new wave. Por fim, “Mente Mente” do Robinson Borba, também com uma pegada bem pop se torna muito especial pela voz do Ney Matogrosso que canta uma parte da música.

Assista o filme completo aqui:

Ouça a trilha sonora aqui:

E é, por hoje é só…