Cautiontape evita breguice abraçando influências do começo dos anos 80 em seu electro-pop

Cautiontape evita breguice abraçando influências do começo dos anos 80 em seu electro-pop

6 de julho de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Cautiontape é o mais novo quarteto fornecedor de indie pop, rock, electro e new wave de Austin, no Texas. As músicas da banda evidenciam influências dos anos 80 e de bandas como The Go-Go’s, Metric e The Cardigans, com letras que tratam do lado mais obscuro dos relacionamentos. “Conforme você envelhece, as coisas ficam mais complexas. As canções são frequentemente contos de advertência”, explica Jason Garcia, tecladista e vocalista da banda, que também conta com Asher Alexander (bateria), Justin Winslow (baixo) e Britani Woods (vocal e percussão) em sua formação. O EP “How We Shine” é uma ótima amostra do que é o som do Cautiontape. Produzido por Robert Harrison, o álbum mostra de uma forma crua tudo o que o quarteto pode fazer sonoramente, com suas pitadas de pop, rock, new wave e o lado “não-brega” dos anos 80. O próximo trabalho da banda já tem nome: o EP “Devil You Know” deve ser lançado no começo de 2017 e contará com mais “sinos e assobios”, deixando o lado cru no passado.

Conversei com Jason e Brit sobre a carreira da banda, a breguice dos anos 80, preconceito no mundo da música e o novo trabalho:

– Como a banda começou?

Jason: Obrigado pela oportunidade da entrevista! Começamos em 2013, quando eu conheci Brit através de amigos em comum. Eu tinha algumas músicas sobrando de um projeto anterior, e ela saiu para me ver tocar com outro cantor e disse: “Eu posso fazer isso muito melhor”. Eu fui rendido 🙂 Então descobrimos Asher, nosso baterista, através do Craigslist. Passamos por alguns baixistas, mas agora temos Justin Winslow, também um achado do Craigslist. Já que funcionou tão bem com Asher!

Brit: Uau, eu pareço uma idiota, mas isso é totalmente verdade. Eu disse desse jeito mesmo. Acho que foi num happy hour, então eu estava me sentindo um pouco ousada, claramente!

– Qual é a idéia por trás do nome Cautiontape?

Jason: Muitas de nossas músicas são sobre como os relacionamentos são complicados, e não sobre apenas as coisas comuns entre namorado e namorada. Maridos e esposas, e os amigos externos e grupos. Conforme você envelhece, as coisas ficam mais complexas. As canções são frequentemente contos de advertência, e também o nome “Cautiontape” inclui o elemento “fita”, que gostamos porque tentamos manter um som analógico mais vintage.

– Vocês estão atualmente trabalhando em um novo material. Podem me contar mais sobre ele?

Jason: Temos três novas canções que acabamos de gravar que soam surpreendentes. Cada um conta uma história diferente. Nós trabalhamos nas músicas com Matt Parmenter em Austin, ex-baixista de uma das bandas favoritas locais, Quiet Company, e ele realmente nos ajudou a obter um som mais forte. O primeiro single provavelmente vai ser “Uneasy”, que é uma história com a qual acho que todos nós estamos familiarizados – quando alguém fica muito interessado em você, mas você sente que você não pode confiar neles.

Brit: Sim, este EP representa definitivamente um Cautiontape 2.0. Percorremos um longo caminho desde nosso último lançamento, e eu acho que o nosso produtor Matt foi capaz de captar isso. Eu estou realmente animada para compartilhar essas músicas com o mundo, todas elas têm obtido uma boa resposta ultimamente em nossos shows ao vivo.

– Falem um pouco sobre o material a banda lançou até agora.

Jason: Temos um EP chamado “How We Shine”, que foi produzido por Robert Harrison, o cérebro por trás de uma das bandas favoritas de Austin nos anos 90 Cotton Mather. Nós realmente gostamos de trabalhar com ele, pois ele é meio que desconstrói a música até seus elementos mais básicos, acho que funcionou muito bem para esse registro. Soa apenas como quatro pessoas tocando. Para este novo disco, queríamos um som mais cheio com mais alguns sinos e assobios. Para uma das faixas, “Half of My Heart”, acrescentamos “suco de fadas”, você vai saber o que é quando ouvi-la.

Cautiontape

– Quais são maiores influências musicais da banda?

Jason: Eu venho de uma mentalidade muito clássica, influenciada por Beatles. Se eu estou travado em uma música, eu penso “o que Paul McCartney faria nesta situação?” Entre minhas bandas de formação também estão bandas como Fleetwood Mac, coisas que eu ouvia no rádio quando pequeno. Essas canções realmente causaram uma impressão em mim. Ouço um monte de bandas mais recentes como Metric e Tegan and Sara para ideias, mas as minhas influências sempre vão estar enraizadas nesse tipo de som de rádio clássico.

Brit: Esta é uma das minhas perguntas favoritas. Eu acho que é importante notar que cada membro traz uma influência diferente para a banda, o que faz as composições de Cautiontape super-excitantes e dinâmicas. Eu cresci ouvindo principalmente músicas lideradas por mulheres: Blondie, The Go-Gos, The Bangles, e já adulta, ainda meio que segui essa tendência. Durante minha adolescência, eu adorava No Doubt, The Cranberries, Paramore, The Distillers, Hole, Veruca Salt, etc. Acho que incorporei tudo que eu aprendi com todos os gêneros com que me apaixonei com o passar dos anos em meu estilo próprio de cantar. Eu ainda sempre procuro que é novo e bacana na cena feminina; Acho que com o Metric não dá pra errar, Tegan and Sara são gênias, eu adoro ouvir Banks, Grimes, Meg Myers, Dia Zella, Halsey, The Kills… Eu poderia continuar um tempão…

– Como você definiria seu som?

Jason: Cautiontape é uma banda, acima de tudo. Assim, mesmo se nos inclinarmos para o electro, estamos sempre vai soar como uma banda tocando. Eu acho que é a coisa fundamental. Nós somos uma banda de electro-pop.

Brit: Temos de mencionar que Asher é um robô, por isso pode não soar muito humano. 🙂 Eu nunca ouvi nada além de uma máquina mantendo o tempo assim como ele faz.

– Vocês tem um monte de influências dos anos 80, uma década que já foi considerada brega, mas agora está sendo redescoberta como o vintage e cool. Como vocês se sentem sobre isso?

Jason: Bem, eu acho que é ótimo. Claro, eu acho que a maior influência 80s da nossa banda é do começo dos anos 80 do que no final, quando as coisas começaram a ficar muito eletrônicas. Existem muitas coisas com som meio brega dos 80s, e quando eu ouço algumas das coisas dessas na música de hoje eu penso “ora, vamos lá!” (risos). Tentamos deixar o brega para trás.

Cautiontape

– Vocês acham que o sexismo ainda é forte na indústria musical?

Jason: Absolutamente. Eu acho que se você olhar em qualquer lugar você vai encontrar isso. Temos também um membro transgênero como baterista, Asher, por isso, tentamos ficar como um exemplo de inclusão. Este não é um clube de meninos, não é um clube de meninas… Somos seres humanos fazendo música juntos. Eu acho que é uma das nossas ideias-chave.

– Quais são os próximos passos da banda, em 2016?

Jason: Nós vamos lançar o single “Uneasy” junto com o vídeo que vamos começar a filmar neste verão, em algum momento no outono. Depois disso pretendemos gravar mais algumas músicas e lançar um EP chamado “Devil You Know”, isso deve ser em torno do primeiro dia do ano. Fique ligado!

– Recomende bandas e artistas que chamaram sua atenção ultimamente e todos deveriam conhecer.

Brit: Definitivamente Lowin, em um nível local; a nível nacional, eu diria que Christine and The Queens recentemente chamou minha atenção. Ela só me faz feliz, e eu nunca vou reclamar quando um cantor canta em francês de vez em quando!