“Os Famosos E Os Duendes da Morte” (2009) – Um sad boy no Sul e o Bob Dylan

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Os Famosos E Os Duendes da Morte
Lançamento: 2009
Direção: Esmir FIlho
Roteiro: Ismael Canepelle
Elenco Principal: Ismael Canepelle, Henrique Larré, Tuane Eggers, Aurea Baptista e Samuel Reginatto

 

Meio que seguindo a linha de filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, Os Famosos E Os Duendes da Morte conta da vida e das suas descobertas cobertas pelas suas angústias durante a adolescência. O Mr. Tambourine Man (o nome sob o qual assina o protagonista), se equilibra entre um riso emaconhado com o amigo nas madrugadas frias e uma forte sensação angustiante. Tudo isso, numa pequena cidade do interior gaúcho, cheia de antigas moralidades, histórias mais que mal resolvidas e um desespero que parece rondar a cabeça de todos os personagens.

De um jeito lindo, Esmir Filho, o diretor, constrói a trama como uma espécie de solução pra todas angústias do menino. Impulsionado pelo desejo de ir ao show do Dylan, o fã mirim de alguma forma consegue um estado interessante que lhe permite uma sobreposição do riso acima da angústia, uma visão duma vida fora daquele universo que o filme apresenta como tóxico e doente.

E é lógico que, se o garoto curte Dylan, o filme precisa duma boa trilha. Mesmo sem nenhum som do cara da gaita, as músicas arrasam e se encaixam “feito luva” no longa, elaborando emoções no espectador que causam um estranho e confortável desconforto. O gaúcho Nelo Johann, nascido no interior do Rio Grande do Sul e compositor da trilha, é essencialmente um desses indies sad boys, mas ainda assim é um absurdo dizer que as notas do cara não trazem originalidade nenhuma. Com uma série de efeitos, atonalidades e letras carregadas de metáforas oníricas, ele consegue atingir um desespero nos ouvidos de quem ouve que poucos conseguem… Por sinal, a influência do som do Pink Floyd em sua fase Barret é bem clara!

“O convite veio através do Ismael Canepelle, que roteirizou o filme e me conhecia de infância… Então o Esmir me conheceu, entrou em contato comigo e começamos a trabalhar na idéia, bem antes do filme ser rodado… Fiquei felicíssimo, claro. A idéia do filme me agradou muito logo de cara, depois só se confirmou o prazer de trabalhar com pessoas tão talentosas e queridas.” (http://meio-bossanovaerockandroll.blogspot.com.br/2010/05/entrevista-nelo-johann.html). Depoimento do músico Nelo Johann em entrevista ao blog Meio Bossa Nova.

Trailer:

Trilha sonora: (João, salva aê, please!)

“Guardiões da Galáxia” – filme toscão da Marvel tocando num walkman

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Guardians Of The Galaxy
Lançamento: 2014
Diretor: James Gunn
Elenco Principal: Chris Pratt, Zoe Saldana, Vin Diesel, Bradley Cooper

Bem toscão mesmo! Com umas piadas bem bostonas, o filme é o maior barato pra ver desligadão e aproveitar pra curtir os sons good vibes bem 70’s que tocam em cima de cenas onde talvez fizesse bem mais sentido que o barulho fosse dos lasers disparados das estranhas armas futurísticas.

Peter Quill (Chris Pratt) é um terráqueo que quando criança em 1988, no dia da morte da mãe foi raptado por um grupo de saqueadores alienígenas, e por eles criado. Em 2038, fugindo deles após tê-los abandonado em prol de manter para si só o pagamento duma orb que ele roubou num planeta estranho, Peter acaba numa prisão com dois caçadores de recompensa e uma mina que tava atrás da mesma orb. O quarteto monta um plano de fuga e ainda convoca mais um integrante (um cara bizarro que já tava lá na prisão) e saem de lá pra tentar vender o tão querido objeto. Acontece que o grupo de “malfeitores” descobre o poder da coisa e entende que não pode ser vendido a ninguém e que deve ser destruído para que o universo continue (fala aê, é bem zuado, né não?).

 

A música entra na história do protagonista. O que Quill guarda da mãe, é um walkman e fitas com as músicas que os dois ouviam juntos. O aparelho, de alto valor para Peter, o acompanha durante o filme todo, sempre tocando as músicas da fita (às vezes junto dele dançando, às vezes junto de cenas de efeito). Com o créme de la créme da música disco (incluindo as baladinhas slow dancing) e uns rockão tipo “Moonage Daydream” (David Bowie) e “Cherry Bomb” (The Runaways), a trilha é o auge do longa e é o que cria a áurea do personagem que acredita de verdade, inclusive citando o Kevin Bacon, no que “Footloose” nos ensina: todo mundo dança e essa é a energia mais massa que tem! Além dos já citados, vale dizer que a soundtrack conta também com Marvin Gaye, Blue Suede, Rupert Holmes, Red Bone, Five Stairsteps, Raspberries, Norman Greenbaum, Elvin Bishop, 10CC e Jackson Five.

Trailer:

 

Uma lista de trilhas sonoras pro Dia das Crianças (que já foi, mas tudo bem…)

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Faz um tempo que tô numa brisa bem legal de reassistir umas animações infantis da virada do século. Aproveitando a semana do dia das crianças (a seguinte, na real, né…), resolvi usar este espaço sobre soundtracks pra falar dessas animações (meus xodós), uma vez que nelas a música é um elemento central e que intensifica bastante aqueles feelings bem toscos, mas bem reais que marcam filmes como “Spirit, O Corcel Indomável” e “Shrek”. Óbvio que não vai dar pra falar de todos, mas selecionei alguns que acho mais legais e é isso. Bora lá!

1- A Goofy Movie (Pateta, O Filme) – 1995

Direção: Kevin Lima

Roteiro: Jymn Magon

O filme que mostra a relação entro o famoso Pateta e seu filho adolescente Max, é basicamente um musical. O filho sendo fã do cantor Power Line, um astro do “rock”, tenta imitar o artista numa apresentação que faz interrompendo a fala do diretor no último dia de aula antes das férias de inverno e meio que se fode por isso. O pai, entendendo tudo errado, achando que o Max viraria um “delinquente” bota o aborrecente no carro e os dois vão viajar prum lago, onde o Pateta pescava quando criança. Os conflitos geracionais vão se dando de modo meio tosco, mas bastante bonito, emocionante e cômico, recheado de sons que fazem do filme o filme foda que o filme é.

2- Spirit: Stallion of The Cimarron (Spirit: O Corcel Indomável) – 2002

Direção: Kelly Asbury e Lorna Kook

Roteiro: Jonh Fusco e Michael Lucker

Com a música já não tão importante quanto no outro, o “filme do cavlinho” é absurdamente emcionante e aí sim, isso é MUITO por causa das músicas. Trabalhando sempre em cima da contradição entre o “selvagem e o civilizado”, a animação explora a rebeldia dum cavalo nas pradarias do oeste americano que não se rende às rédeas do exército. A trilha composta por Hans Zimmer e Bryan Adams, traz bastante dessa rebeldia num som bem pop rock, com músicas como “Get Off of My Back” e “You Can’t Take Me”, que trazem bastante duma raiva roqueira meio wild e bem massa.

3- Shrek (Shrek) – 2001

Direção: Andrew Adamson e Vicky Jenson

Roteiro: Ted Elliot, Terry Rossio, Joe Stillman e Roger S.H. Shulman

  

Todos são fantásticos, mas pelo menos pra falar da trilha, o primeiro é com certeza o mais foda. Com Leonard Cohen, The Monkeys, Smash Mouth (por sinal, no filme, todas as músicas são interpretações deles), Shrek arrasa com a subversão do clichê do conto de fadas. O protagonista,  um ogro meio puto com tudo e todos, vai atrás duma princesa trancada numa torre com dragão e tudo, em troca do rei deixar seu pântano em paz. Óbvio que dá ruim e o ogro se apaixona (todo mundo já viu esse né? tipo, não preciso me preocupar com spoillers, certo?). Muito fofo, com músicas incríveis e simplesmente genial, esse acho que entra pro meu top 10 de filmes…

E só pra terminar, deixo vocês com um hino:

Valeu!

“The Wall” (1982) – O mal estar da civilização numa perspectiva Floydiana

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The Wall

Pink Floyd – The Wall
Lançamento: 1982
Diretor: Allan Parker
Roteiro: Roger Waters
Elenco Principal: Bob Geldof, Christine Hargreaves e James Laurenson

Antes de tudo, queria dizer que foi extremamente trabalhoso fazer esse texto. Além da minha conexão com o filme em questão ser muito forte, toda vez que punha Pink Floyd pra me inspirar, só entrava numa brisa intensa e absurdamente profunda (porque é isso que Pink Floyd faz). Foi ainda bastante desafiador fazer isso sem ficar muito intelectualóide, mas nisso já acho que não tive tanto sucesso… Enfim, fica aí o texto sobre o que é pra mim, a maior obra de todos os tempos. Valeu! Curtam aê!

Imagético, sensitivo e alucinado, o filme faz a partir do disco “The Wall” do Pink Floyd de 1979, uma grande reflexão sobre os muros que nos cercam (individual e socialmente) e suas construções numa perspectiva claustrofóbica que só soma mais tijolos no muro. Contando com o Bob Geldof (vocalista do Boomtown Rats) no papel do protagonista, o musical que é um amontoado de clipes, se constrói como sendo as alucinações dum músico famoso (Pink) em uma viagem lisérgica no seu quarto de hotel antes dum show, misturando lembranças de sua infância com as do seu casamento e paranoias de todo o tipo, criando imagens oníricas dignas das mais intensas interpretações freudianas. As animações do Gerald Scarfe que transfiguram os desenhos do artista, reforçam a potência sonhadora da obra além de darem uma baita ajuda na decodificação das alucinações do cara.

O álbum que inspira o filme é por si só já uma ópera (obviamente sem a parte visual). Bastante auto-biográfico e marcando, junto com o “Final Cut” de 83, o momento da banda de discos DO ROGER WATERS (o que, com razão, deixou os outros membros meio putos), o disco conta a história dum músico famoso que cresceu sem o pai morto na guerra, com uma super proteção da mãe, uma repressão bizarra na escola e por fim já em sua fase adulta, uma uma decadência em drogas que “faz parte do trabalho”.

Sobre o disco, ainda, vale ressaltar o trabalho do produtor e engenheiro de som Bob Ezrin, responsável pelas falas que acompanham as músicas, introduzindo-as e conectando-as, reforçando o caráter operesco do álbum.

Voltando à questão temática, o muro são milhares de muros. São os que construímos ao redor de nós mesmos, mas é também o muro de Berlim (o filme é de 82, a tensão pra queda já tava bem forte) são os muros impostos socialmente que dizem “estes aqui, aqueles ali”, são os muros feitos de carros de luxo que erguemos pra nos defender de nós mesmos (o filme trabalha durante toda sua extensão com a tensão que existe entre o eu e o cara do espelho) e ainda mais uma série de outros que eu ainda na décima vez em que assisto não percebi. O que vai ficando cada vez mais claro pra mim, são as maneiras como o Pink (o cantor personagem no filme) se desespera constantemente com os tijolos que o cercam e tenta quebrá-los em atos de loucura exacerbados e destrutivos (é necessário destruir a si mesmo pra destruir o muro?).

Is there anybody out there?

Esse tal desespero que é meio que a marca duma boa gama de músicas do grupo, e que é marcado sempre com os solos psicodélicos e as letras apocalípticas que indicam “dissociação de identidade”, aparece na “ópera” com os surtos do Bob Geldof pulando e quebrando tudo, xingando o mundo da janela do quarto.

O filme é ainda cheio de referências à banda, como o momento em que o professor lê a poesia escrita pelo Pink criança e a tal poesia é um trecho de money (“New car, caviar, four star daydream/ Think I’ll buy me a football team“). Também quando o cantor entra no banheiro do quarto, raspa a sobrancelha, corta curto o cabelo, raspa os pelos do peito e deixa sangrar umas gotas pelo corpo, é uma referência ao Syd Barrett (fundador do Pink Floyd) que uma vez abandonou um jantar, foi pra casa, raspou a cabeça e voltou ao jantar como se nada tivesse acontecido.

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

Trilha pop e girl power marca o pesadelo patriarcal de “Handmaid’s Tale”

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“Imagine um futuro distópico onde os comentaristas de portais venceram”. A definição simplista, mas ilustrativa, resume bem o que você vai encontrar em “Handmaid’s Tale”. A premissa pode desencorajar, eu sei, mas a série, baseada no livro de Margaret Atwood, de 1985 – publicado no Brasil como “O Conto da Aia” – não decepciona. Menos ainda a trilha. Por isso, se for preciso, treine o estômago e a paciência aquiaqui e aqui e encare a maratona de 10 episódios da temporada de estreia.

Deixando o simplismo tragicômico de lado, a série apresenta uma sociedade construída da noite para o dia, em uma América dos dias atuais tomada por um regime totalitário e teocrático. Na República de Gilead, como passa a ser chamada, as mulheres se tornam propriedade do Estado e não têm direitos. As handmaids (aias), uma das castas de mulheres, têm como única função procriar para famílias de homens poderosos e suas esposas estéreis.

Rejeitada pela Netflix e transmitida pelo serviço de streaming Hulu, “Handmaids’s Tale” garante lugar entre as mais importantes distopias de todos os tempos – pessoalmente, perde só para “1984”, o livro, e 2016, o ano. A maneira inteligente como usa flashbacks e memórias das personagens para costurar as duas realidades, antes e depois do novo regime, é, talvez, a grande sacada do produtor Bruce Miller. A introdução gradativa dos fatos que levaram à nova ordem – com cenas que ora revolvem o estômago, ora causam uma estranha e incômoda familiaridade – naturaliza o absurdo tornando-o assustadoramente real e próximo. A ‘distopia futurística’ dá lugar à distopia nossa de cada dia.

O mérito, em parte, fica com a escolha da trilha. Não se trata apenas de uma lista de boas músicas – isso, séries recentes como Mr. Robot”, Big Little Lies” e Stranger Things” também fizeram muito bem. Tampouco se deve a uma seleção ousada e obscura. Pelo contrário, a trilha é repleta de clássicos do pop anos 60, 80 e 90. Essas escolhas ‘seguras’, familiares, assim como toda a série, que não para em nenhum momento para mastigar a história pra quem assiste, são autoexplicativas. São um lembrete constante de que aquele mundo bárbaro e estranho  é também o nosso.

Enquanto as personagens se veem forçadas a aceitar a dominação do patriarcado extremista –  sob ameaças de punições, como (ALERTA DE SPOILER) ter um olho ou o clitóris removido – a música é a resistência. O grito entalado. É essa a sensação quando, depois do choque inicial (que só piora), ouvimos a letra provocativa de “You Don’t Own Me”, da Lesley Gore, no fim do primeiro episódio.

É também esse sentimento que temos quando, no terceiro episódio, as personagens de Elisabeth Moss (Offred) e Samira Wiley (Moira), em um dos flashbacks, escutam “Fuck The Pain Away”, da Peaches, enquanto correm – talvez o melhor uso da música. E da palavra ‘fuck’. A cena antecede um dos primeiros confrontos das personagens com a nova realidade. De novo, o medinho de ser surpreendido com algo semelhante enquanto ouvimos de boas nossa playlist diária é inevitável.

Em outro flashback no mesmo episódio, as personagens têm mais um forte indício de que a treta estava ficando SÉRIA. A cena mostra a polícia distribuindo tiros para reprimir um protesto. O caos, que mais uma vez soa bastante familiar, tem como trilha uma versão de “Heart of Glass”, da Blondie e Philip Glass, com arranjos dramáticos de violino que parecem tirados de alguma adaptação dos romances de Jane Austen para o cinema.

Mas nem só de TENSÃO se constrói a trilha de “Handmaid’s Tale”. Ela também é usada para lembrar um tempo em que as coisas eram menos complicadas e as personagens viviam suas vidas normalmente, sem sequer imaginar o que as esperava. Um desses flashbacks (que poderia ser embalado por passarinhos cantando) usa “Daydream Believer”, dos Monkees (que dá quase na mesma), para passar a sensação de nostalgia e inocência ao mesmo tempo.

Em um dos pontos altos da temporada, a música é usada pra acender aquela chaminha de esperança em meio ao absurdo e ao caos. “Nothing’s Gonna Hurt You Baby”, do Cigarretes After Sex, é uma das poucas escolhas ‘contemporâneas’ para a trilha. A música do EP “I.”, lançado em 2012, tem a dose perfeita de melancolia para um momento de conexão não-física entre dois personagens separados pelos recentes acontecimentos.

Voltando aos clássicos, a entrada apoteótica de Offred no bordel, onde os comandantes secretamente exploram mulheres que de alguma forma se opuseram ao sistema, tem como trilha “White Rabbit”, do Jefferson Airplane. A referência à chegada de “Alice ao País das Maravilhas” é óbvia e mesmo assim reveste a cena de mistério, já que, assim como Offred, nós também somos apresentados pela primeira vez a este outro lado de Gillead. A última vez que ouvi Jefferson Airplane coroando uma cena tão simbólica foi no final de Friends”, quando toca “Embryonic Journey” – nesse caso, ainda rola aquele apertinho no peito toda vez que ouço.

A trilha ainda tem Nina Simone (que toca em um dos momentos mais bonitos da série, e, por esse motivo, preferi não dar detalhes para evitar spoilers), Simple Minds, Jay Reatard, Penguin Cafe Orchestra, Tom Petty, Kylie Minogue, SBTRKT. E tem playlist prontinha no Spotify. Praise be!

Canções inspiradas pelo mundo incrível das histórias em quadrinhos

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Sinestesia, por Rafael Chiocarello

Quadrinhos colecionáveis possuem versões raras e uma legião de fãs. A Comic Con de San Diego (Califórnia) é uma das feiras mais famosas do mundo. Por aqui temos a versão brasileira e eventos que também dão espaço para a cultura geek (Fest Comix, Bienal de Quadrinhos, Festival Guia de Quadrinhos, Bienal do Livro…), além das livrarias, sebos e eventos especializados de menor escala.

Uma paixão sem limites e os épicos personagem e super heróis estão na linha de frente dos preferidos da galera. Não é por acaso que tamanha obsessão chegasse ao mundo da música. Afinal de contas, as artes sempre se complementam. Hoje conheceremos algumas canções que mergulharam nas páginas das HQ’s mais populares do mundo. Marvel ou DC? Bom, essa treta deixamos para vocês decidirem o lado da força que mais lhe agrada…

butcher-batman
O designer brasileiro Butcher Billy costuma fazer crossovers entre músicas e o universo dos quadrinhos

Batman Nã Nã Nã Nã Nã!

O Rancid pode não ser uma das primeiras bandas que pensaríamos no universo geek, mas em 1994, no lançamento do Let’s Go” – álbum que tem “Radio”, composição feita pelo vocalista Tim com Billie Joe (Green Day) – temos “Sidekick”.

Na letra, Tim Armstrong se auto-intitula Tim Drake e tem o papel de mostrar personagens secundários dos HQ’s. No caso o exemplo de Robin, fiel escudeiro de Batman sempre à margem de colher os louros. Outro citado na letra é Wolverine.

Um dos álbuns mais clássicos do The Jam, In The City” (1977), traz “Batman Theme”. Sim, literalmente o tema da saga em uma versão mod rock revival com pézinho na simplicidade do punk rock 77. Paul Weller dá todo um tom vintage ao clássico tema da saga do morcego.

O The Who, em 1966, também deixou seu registro, porém com uma linha mais  lisérgica e cheia de enfoque na bateria energética. Uma versão com um ar de surf rock e garagem um tanto quanto interessante.

Mas a minha versão favorita do clássico sempre será essa pérola gravada por um baita guitarrista, diga-se de passagem. Em 1989, a lenda Link Wray também quis deixar sua versão instrumental e dançante para o hit mais famoso de Gotham City.

Mas quem levou Batman para as pistas de dança foi Prince, com classe, funk e ousadia como sempre fez. A canção “Batdance” foi feita especialmente para o filme da saga de 1989. As guitarradas são um show a parte, com grooves e solos vibrantes.

Em 2002, Snoop Dogg se aventurou a homenagear o homem morcego. Só que dessa vez ele não deixou o Robin de lado e ao lado de Lady Of Rage Rbx fez uma versão mega original com rimas de tirarem o fôlego.

“No one, can save the day like Batman
Robin, will make you sway like that and
Beat for beat, rhyme for rhyme
Deep in Gotham, fightin crime
No one, can save the day like Batman”

Ainda no mundo do rap, Bow Wow em 2011 fez uma versão hip hop e agressiva para Batman. Com uma versão cheia de escárnio e quebrando toda a áurea celestial que o herói tem, os Garotos Podres vem para tirar a máscara de Bruce Wayne com sua releitura sarcástica de “Batman”.

“Hey seus bat palhaços, quem de vocês
Ainda não se lembra daquele idiota bat programa,
Que passava naquele imbecil bat canal,
Naquele cretino bat horário?

Há! velhos tempos, hein.
Quantas belas vomitadas nós dávamos quando assistíamos toda aquela idiotice,
Por isso agora escrachamos aquele bat retardado
Defensor do sistema, Batman!

Bat era um bom menino
Defendia Gotham City
Enquanto seu amigo Robin
Lhes botava um bat-chifre…”

De tanto fãs de Batman alimentarem que “I Started a Joke” dos Bee Gees ter referências a um dos maiores vilões da história em quadrinhos, as pessoas chegaram a acreditar que se tratava de uma letra homenageando o Coringa, um dos antagonistas mais queridos da história do cinema. Claro que a equipe do Esquadrão Suicida estava ciente de tal “menção” e em um dos 5000 trailers que soltaram antes do filme – o primeiro deles – contava com uma regravação de Becky Hanson.

Spider Man, Spider Man!

dance

O Homem-Aranha é um dos mais carismáticos quadrinhos da Marvel e um dos super heróis mais conhecidos. A lenda de Peter Parker ganha terreno no mundo da música até nos dias mais atuais.

É o caso do Black Lips, que em 2011 chegou com “Spidey’s Curse” no disco Arabia Mountain”, um blues garageiro moderno cheio de referências ao personagem por trás da roupa vermelha.

“Peter Parker’s life is so much darker than the book I read
‘Cause he was defenseless, so defenseless when he was a kid
It’s your body, no one’s body, but your’s anyways
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!
Don’t fill a spider up with dread

Spidey’s got powers, he takes all of the cowards
And he kills them dead
But when he was younger, an elder among him messed him in the head
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!”

Claro que nessa lista o clássico dos clássicos dos sons inspirados em quadrinhos não ia faltar. A versão dos Ramones para o tema de Spider-Man não poderia ficar de fora de maneira alguma, esta que foi gravada quase no fim da carreira da “Happy Family”, em 1995.

Uma das bandas que marcaram o movimento noventista das riot girls, Veruca Salt tem uma canção com referências ao Homem-Aranha, “Spiderman 79”.

“You’re so nice,
you tie me in a web
and cradle me till dawn.
You’re so deadly
that I can see your breath
beneath me when you’re gone.
You’re so windy,
I’d like to pin you down
and tack you to the wall.
Spiderman”

SUPERMAN!!

super-man

Se tem um personagem que é amado e odiado por muita gente é o Superman. Gostando ou não, ele é um dos mais marcantes e perde seu poder com a terrível kryptonita. É não deve ser fácil defender o sua por trás de sua capa.

Uma canção que cita a capacidade de voar do super herói é “Hit The Ground (Superman)” do The Big Pink. A canção está presente no álbum Future This” (2011) e inclusive estrelou a trilha de uma das edições dos jogos FIFA.

“…But if I fall off this cloud
If I fall off, oh superman
Oh Superman
I don’t wanna hit the ground (X3)
Oh Superman”

Outra canção que fala do super herói e marcou a geração viciada em vídeo games de console foi “Superman” dos ska/punkers do Goldfinger. Presente na primeira edição do jogo Tony Hawk’s Pro Skater, a canção fazia qualquer um terminar a fase do jogo se sentindo o verdadeiro Super Man!

“…So here I am
Doing everything I can
Holding on to what I am
Pretending I’m a Superman
I’m trying to keep
The ground on my feet
It seems the world’s
Falling down around me”

Os estranhões mais queridos do rock alternativo, The Flaming Lips, também prestam homenagem ao personagem na melancólica “Waitin’ For Superman” presente no álbum The Soft Bulletin” (1999).

“…Tell everybody
Waitin’ for Superman
That they should try to
Hold on
Best they can
He hasn’t dropped them
Forgot them
Or anything
It’s just too heavy for Superman to lift
Is it gettin’ heavy?
Well, I thought it was already as heavy as can be”

Em 1977, quem cedeu a voz para homenagear o homem voador foi Barba Streisand na bela “Superman”. O vozeirão transformou a odisseia do super herói em uma balada desesperada. A metáfora do herói de plano de fundo para uma paixão ardente.

“Baby I can fly like a bird
When you touch me with your eyes
Flying through the sky
I’ve never felt the same
But I am not a bird and I am not a plane
I’m superman
When you love me it’s easy
I can do almost anything
Watch me turn around, one wing up and one wing down
I never thought I could fall in love for good
I’m superman…”

Os anos 90 nos apresentaram o Spin Doctors e em 1993 eles lançaram “Jimmy Olsen Blues” que tinha como plano de fundo o universo do Homem de Aço.

“Lois Lane please put me in your plan
Yeah, Lois Lane you don’t need no Superman
Come on downtown and stay with me tonight
I got a pocket full of kryptonite
He’s leaping buildings in a single bound
I’m reading Shakespeare in my place downtown
Come on downtown and make love to me”

Existem homenagens interessantes ao azulão pelo Stereophonics, Taylor Swift, Eminem, 3 Doors Down, T. Pain, Alanis Morissete, Hank Williams Jr e até do Matchbox Twenty, mas para fechar as canções que homenageam o super herói eu escolhi o The Kinks. No fim dos anos 70 eles gravaram “(Wish I Could Fly Like) Superman” para o disco Low Budget” (1979).

Quadrinhos e Desenhos

bat

Debbie Harry e o grupo pop Aqua optaram por não darem nomes aos homenageados em fizeram homenagens um pouco mais genéricas. A estrela do Blondie vem com “Comic Books” onde eterniza sua paixão pelo mundo dos quadrinhos e sua adolescência. Já grupo de europop Aqua (sim, aqueles mesmos de “Barbie Girl”) são mais claros quando o assunto são “Cartoon Heroes” (1999).

“Long before I was 12 I would read by myself.
Archie, Josie, super-heroes.
I would read them by myself.
I had the stars on my wall.

14 was a gas for me.
Batman on tv.
I would cheer the super-heroes.
They were all I wanted to be.
I had the stars on my wall.

18 I was guaranteed.
I would lose my teenage dream.
But it’s so funny how I got to look.
Like all the people in my comic books.
Now I’m a star on my wall.

Comic books.”

“…We are the Cartoon Heroes – oh-oh-oh
We are the ones who’re gonna last forever
We came out of a crazy mind – oh-oh-oh
And walked out on a piece of paper

Here comes Spiderman, arachnophobian
Welcome to the toon town party
Here comes Superman, from never-neverland
Welcome to the toon town party

We learned to run at speed of light
And to fall down from any height
It’s true, but just remember that
What we do is what you just can’t do

And all the worlds of craziness
A bunch of stars that’s chasing us
Frame by frame, to the extreme
One by one, we’re makin’ it fun”

Flaaaaaash!

flash

The Flash, o personagem que gostaríamos de ver competindo com Bolt também foi alvo de homenagens no mundo da música. “The Ballad of Barry Allen” (2003) do Jim’s Big Ego narra a trajetória da persona que dá vida ao Flash, Barry Allen.

“….And I’ll be there before you know it
I’ll be gone before you see me
And do you think you can imagine
Anything so lonely
And I know you’d really like me
But I never stick around
Because time keeps dragging on
And on…”

Capitão América

O herói mais patriota da história dos quadrinhos, Capitão América, não ia ficar fora das referências. Na canção do Moe. “Captain America” também tem homenagem ao Superman.

“Captain America said you gotta be like me
Or you’re gonna wind up dead last
At the end of your rope
Flat broke
Down and tired
You sleepy head
Won’t you go to bed
Let me run your life
Lies

Clark Kent ran for president
No one knew about the secrets locked in his head
Friends tried to take his life
Accusations flew
Flew like Kryptonite
Clark still looking good
What you gonna say
To make everything alright
Lies”

O Justiceiro

Outro personagem da Marvel a ganhar notoriedade no universo da música foi O Justiceiro. Quem presta o tributo são os caras do Megadeth em “Holy Wars…The Punisher Due” (1990). E de quebra, para uma canção totalmente politizada, pois denuncia a violência dos conflitos na Irlanda do Norte conhecido como “The Troubles”. Aliás, o próprio U2 tem uma música sobre o assunto, é claro.

Ainda no mundo do metal temos o guitarrista Joe Satriani com sua homenagem ao Surfista Prateado em “Surfing With The Alien”. Ouça e flutue nessa viagem espacial.

Motoqueiro Fantasma

O Motoqueiro Fantasma ganhou uma homenagem que também entrou na trilha de “Taxi Driver”. A canção presente no primeiro álbum dos punks do Suicide (1977) tem uma alta voltagem e vive perigosamente assim como o personagem.

O pesquisador musical Henry Rollins, ex-Black Flag e Rollins Band também regravou uma interessante versão do clássico do Suicide.

Mas vamos fechar com um verdadeiro “achado” das HQ’s. Um rap que adapta Guerras Secretas originais da Marvel. Mas mais do que isso, a faixa possui uma colaboração do mestre Stan “the man” Lee. A faixa do The Last Emperor contém parte 1 e parte 2.

Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura (parte 2)

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"O Hobbit", de Tolkien
"O Hobbit", de Tolkien

Sinestesia, por Rafael Chiocarello


livros

Na semana passada a SINESTESIA trouxe uma lista com 7 músicas que foram inspiradas em livros. Muitas canções ficaram de fora, claro. Vocês pediram e o pedido de vocês é uma ordem: teremos parte 2.

O Senhor Dos Anéis

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Em 1988, no primeiro álbum da banda de speed metal alemão Blind Guardian, já tivemos homenagem a um dos livros preferidos dos nerds: “O Senhor dos Anéis” de Tolkien. O disco Battalions of Fear” (1988)  conta com quatro faixas que fazem referências diretas a lenda épica. São elas: “Battalions of Fear“, “Run For The Night”. Já “By the Gates of Moria” e “Gandalf’s Rebirth”, que são canções instrumentais, têm a referência no próprio nome.

Dois anos depois eles lançaram o disco Tales from the Twilight” (1990) que contém  “Lost in the Twilight Hall” esta que detalha de uma maneira um tanto quanto poética: a épica batalha entre Gandalf e o Balrog.

Confira os trechos que não deixam dúvidas sobre a inspiração:

“Caçado pelos Orcs, sem Gandalf para ajudar com as espadas da noite
Oh! A última parte do jogo, decisão de morte e vida, 
sangue de Souron eles pedirão esta noite

O grito da batalha final.” – “Battalions of Fear”Blind Guardian

“Eu vejo a colina mas ela está tão longe, eu sei que não posso alcança-la
Mas eu tento várias vezes em meus sonhos sombrios
Ele está destruindo minha última vontade, até quando eu poderei ficar aqui?
Quando o mais poderoso de todos chegar”  – “Run For The Night”Blind Guardian

 Mas não foi só o Blind Guardian que trouxe o tema “O Senhor dos Anéis” a suas letras. Temos um fã de Tolkien que não cansou de citar referências a ele em sua obra, e esse senhor atende pelo nome de Robert Plant. Sim, Led Zeppelin tem uma porção de letras com referências a “O Hobbit”, algumas são teorias de fãs após ele ter admitido a inspiração. Porém vamos falar de uma que deixou isso um tanto quanto claro: “Ramble On”:

“Foi nas profundezas mais obscuras de Mordor,
Eu conheci uma garota tão atraente
Mas Gollum, e o maligno se aproximaram
sorrateiramente e fugiu com ela, ela, ela, yeah”“Ramble On”Led Zeppelin
O Hobbit

hooo

Os temas épicos e aventuras épicas se repetem nas obra do Blind Guardian com inspirações em outros escritores como Stephen King, mas eles nos provam ser devotos de Tolkien. Dessa vez, o livro muda. Sai de cena “O Senhor dos Anéis” e entra “O Hobbit”.

Assim temos  “The Bard’s Song – The Hobbit” (Somewhere Far Beyond” – 1992) que fala sobre as aventuras de Bilbo Bolseiro do Tolkien.

“O amanhã nos levará embora, longe do ar, ninguém jamais saberá o nosso nome, mas as canções do Bardo permanecerão, o amanhã o levará embora, o medo de hoje, ele desaparecerá em nossas canções mágicas.” –“The Bard’s Song – The Hobbit”Blind Guardian

Mas de nerds o rock está repleto, afirmação que é mais verdadeira do que parece. O Rush é mais um exemplo de banda que deixou claro sua preferência pela literatura épica de Tolkien. Em “The Necromancer” do disco Caress Of Steel” (1975) temos referência a épica aventura de Frodo, Sam e Gollum em Mordor.
“…Os três viajantes, homens de Willowdale,
Surgem da sobra da floresta.
Passando pelo Rio Dawn, eles se viram para o sul, entrando
Nas escuras e proibidas terras do Necromante…””…O silêncio encobre a floresta
Enquanto os pássaros anunciam a alvorada
Três viajantes passaram pelo rio
E continuaram viajando para sul
A estrada é forrada de perigos
O ar é carregado com medo
A sombra de sua proximidade
Pesa como lágrimas de ferro”
“….O Necromante continua observando com olhos mágicos de prisma.Ele vê toda sua terra e já tem conhecimento
Dos três desamparados invasores presos em seu covil…
Meditando em sua torre
Observando toda a sua terra
Segurando cada criatura
Sem esperanças eles ficam
Olham destro dos prismas
Sabendo que estão perto
Leva-os até as masmorras
Espectros tomados pelo medo
Eles se curvam, derrotados” – “The Necromancer” – Rush

The Forbidden (“O Proibido”)

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Talvez esse livro seja mais conhecido dos amantes da literatura de terror do que dos fãs da literatura em geral. E foi em “The Forbidden” (de Clive Barker), um livro de “terror”, que Paul Weller se inspirou para escrever “Dreams Of Children”. A faixa entrou no disco Compact SNAP!” (1983).

Em 1992, o livro ganhou uma adaptação para cinema “Candyman” (“O Mistério de Candyman”), um filme que tem todos elementos do terror slasher/thriller. O filme, que completou 14 anos no último dia 11/09, no site do IMDB está avaliado com um 6,5.

Na história do livro, um vendedor de doces mata criancinhas para ter a reputação de assombrar os sonhos delas.

“Sentei-me sozinho com os sonhos das crianças
salgueiros e alto edifício escuro
Eu peguei uma forma de os sonhos das crianças
Mas acordei suando deste pesadelo moderno e
eu estava sozinho, não havia ninguém lá

 Tive um vislumbre dos sonhos das crianças
 Eu tenho um sentimento de otimismo
 Mas acordei com uma imagem cinzenta e solitária
 As ruas abaixo me fazem sentir sujo,
 eu estava sozinho, não tinha ninguém ali” – “Dreams Of Children” – The Jam

Yertle The Turtle

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O livro “Yertle The Turtle” (1958) de Dr. Seuss (Theodor Seuss Geisel) é um livro repleto de ilustrações, mas nem por isso fez com que os Red Hot Chili Peppers deixassem passar batido. Em 1985, os californianos lançaram em “Freaky Styley” uma faixa de mesmo nome da obra de Dr. Seuss.

A história do livro é simples e a personagem é um pouco digamos “do mal”. A tartaruga macho Yertle não fica contente com a sua posição e então instrui as outras tartarugas para que virem seu trono para que assim ele possa ver melhor. Claramente com essa ideia de jerico ele acaba machucando as outras tartarugas… Só que ele não dá a mínima. Como uma boa fábula, ele tem seu revés. Uma hora a tartaruga que está na base – sobrecarregada com o peso de todas as outras – se cansa e começa a se mexer para sair lá debaixo. Nisso, Yertle é arremessado para longe do trono… Caindo literalmente na lama. Assim ele se torna Yertle, o “rei da lama”.

O Senhor das Moscas

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Acredite se quiser, mas até o Offspring tem letras com referências literárias. Em 2008 eles lançaram o disco Rise and Fall, Rage and Grace” e ele continha uma canção que pode ser considerada um hit menor dentro da discografia do conjunto californiano, “You Gonna Go Far, Kid”.

Poucos sabem, mas a canção tem referências a um livro vencedor de prêmio Nobel – da edição de 1983 – “O Senhor das Moscas” (1954) de William Golding. Uma curiosidade é que neste sábado (17) a obra completa 52 anos de sua primeira publicação. A obra de ficção juvenil inclusive teve duas adaptações para o cinema, a primeira em 1963 e a segunda em 1990.
Além da referência estar presente logo no nome com uma das principais linhas do livro temos outras frases que são transcritas diretamente da obra para a canção. “Álibis espertos / Senhor das moscas“, “Virando todos contra um” que se refere a todas crianças virando as costas para Piggy e Simon. Já “Com mil mentiras / E um bom disfarce / Acerte ela bem no meio dos olhos” se refere ao plot do livro por si só, sendo um breve resumo da obra.
Mas claro que o refrão que ia ser o trecho mais significativo: “E agora você foca o caminho / Mostre a luz do dia / Fez um bom trabalho / Você vai longe, garoto

O Jogo do Exterminador

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Se começamos a lista com o pesado do metal, vamos terminar com algo mais leve, acústico e bastante emotivo. Quem desta vez apelou para o recurso literário como influência direta em sua criação foi o Dashboard Confessional em “Ender Will Save Us All”.

No título em inglês, o livro chama “Ender’s Game” e foi publicado em 1985 por Orson Scott Card. Tendo anteriormente se originado como o conto “Ender’s Game”, publicado em 1977 na edição de agosto de revista de ficção científica Analog Science Fiction and Fact.

Na saga, Ender tem supostamente a missão de salvar o mundo acabando com uma espécie inteira. A letra da canção em sua maioria interpreta o sentimento conflitivo de Ender tem enquanto lutava para o  “salvar o mundo”.

Afinal de contas, durante esta solitária batalha, ele está sendo completamente rejeitado por ele.Tudo isso se traduz nessa linha com certa intensidade: “Um olhar de esperança envolto em desprezo”. Uma outra referência que fica divertida de saber é que Ender é o nome do meio de um dos membros do Dashboard, então fica de certa forma uma letra um pouco “ambígua” e confessional.

Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura

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Kate Bush
Kate Bush

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O mais lindo do mundo das artes talvez seja como o olhar clínico de seu receptor altera toda a perspectiva sobre algum fato, ato ou história. Isso é mágico e de certa forma quando alguém com um repertório significativo e um universo imaginativo livre de limites e preconceitos compartilha esse conhecimento: se transforma em mais arte.

Hoje vamos viajar pelo mundo fantástico das entrelinhas, não necessariamente no realismo fantástico de Neil Gaiman ou Gabriel Garcia Marquez mas em como o mundo da literatura – na mão de bons compositores – ganha uma nova página na história da música. Nada mais propício após o encerramento da vigésima quarta edição da Bienal do Livro de São Paulo.

literatura

A canção “Killing An Arab” do The Cure foi escrita em 1978 e inspirada pelo livro “O Estrangeiro” (1942) da fase filosófica “absurdista”/existencialista do escritor francês Albert Camus.

A história é simples porém intrigante e atual de certa forma, se vermos os recorrentes conflitos entre França e o mundo árabe. Para quem não sabe, a Argélia é um país onde aconteceu uma dominação/colonização francesa e seus colonizados se tornaram súditos do reino francês. No roteiro, um homem franco-argelino é o protagonista. E dias após o funeral de sua mãe, mata um árabe que estava em um conflito com um amigo.

O personagem, que atende pelo nome de Meursault, é preso e sentenciado a pena de morte. O autor utiliza de um recurso literário interessante – e intrigante – em que a história é a subdividida em duas partes. A primeira contando sua perspectiva e pensamentos em primeira pessoa dos ocorridos antes e outra depois do assassinato.

Um fato interessante é que o livro inicialmente não foi um sucesso comercial, tendo vendido apenas cerca de 4 mil cópias. Mas nada como o livro cair na mão da pessoa certa, não é mesmo?  No caso foi ninguém mais ninguém menos que Jean-Paul Sartre, que escreveu um artigo explicando o livro com suas interpretações pessoais. Depois disso, o livro teve seu sucesso por assim dizer, sendo considerado um clássico da literatura do século XX.

A canção do The Cure é polêmica e gerou certa dor de cabeça para Robert Smith. Tudo isso por pura ignorância de quem leva a canção literalmente ao pé da letra. Alguns alegaram que a faixa promove violência contra os árabes, chegando ao disco de singles, Standing On The Beach” (1986) a ser comercializado com um adesivo alertando sobre o conteúdo “racista”.

Ao saber desse fato ~queima filme~ Smith mandou descontinuar essa prensagem com medo de que as vendas do álbum se tornassem um grande fracasso. Após anos colecionando polêmicas pós-acontecimentos midiáticos como a guerra do golfo e o 11 de setembro, em 2005 eles voltaram a incluir a canção em seus sets porém com a letra modificada para “Kissing An Arab”. Por essa Albert Camus jamais sonharia.

Após o sucesso da trajetória meteórica de Ziggy Stardust por esse planeta e um dos mais incríveis álbuns da carreira de David Bowie, chegávamos ao ano de 1973. E ele continuava na crista da onda, numa fase regada de excessos, purpurina e viagens psicodélicas, a ponto de, conectado ao art rock nova iorquino, se aventurar a fazer um álbum inteiro baseado em um dos maiores clássicos da literatura mundial: 1984″ (1948) de George Orwell.

Claro que este só foi o ponto de partida para Diamond Dogs” (1973), pois ele reimaginou a versão glam pós apocalíptica dos temas totalitários da obra do escritor. Como a maioria das pessoas sabe, Bowie era um artista completo e moda, cinema, teatro e música eram extensões de sua arte. A ideia inicial era fazer uma produção teatral do livro, porém Orwell barrou. Sério gente, que ERRO! Teria com certeza ficado incrível, algo na linha “Rocky Horror Picture Show de 1984.

O álbum também marca o fim da era do personagem Ziggy Stardust. Em seu lugar entra Halloween Jack e teve como um dos primeiros singles a ser lançados “Rebel Rebel”. Preciso descrever o visual de Bowie nessa nova fase? Acho que todos já mentalizaram.

Um detalhe interessante é que a prensagem original do disco termina com o barulho: “Bruh/bruh/bruh/bruh/bruh“, que para quem já leu o livro ou viu o filme do 1984 logo identifica como primeira sílaba de “(Big) Brother” sendo repetida incessantemente. Tão o jeito Bowie de perturbar.

Com certeza você já ouviu “Sympathy for the Devil”, sendo fã dos Rolling Stones ou não. Mas poucos sabem a origem da canção: alguns mais preconceituosos cravam como Jagger vendendo a alma para diabo ou algo do tipo, pois desconhecem a real inspiração para a canção que vem diretamente do mundo da literatura.

A faixa que integra o disco Beggars Banquet” (1968) foi composta pela dupla Keith Richards e Mick Jagger. Originalmente, a canção chamava – durante o período de composição – “The Devil In Me” e Jagger cantava seus versos sendo o diabo em pessoa e se gabava do seu controle sobre os eventos da humanidade. Não sei o que seria do mundo se essa versão tivesse sido a final, mas o caos estaria instaurado, já que na versão mais “light” deu toda a polêmica satanista que temos conhecimento.

Em 2012, Mick Jagger afirmou que na verdade a inspiração para a letra veio de dois escritores: o poeta francês (e tradutor de Edgar Allan Poe) Charles Baudelaire e de “O Mestre e a Margarita” do russo Mikhail Bulgakov, além de creditar o estilo a narrativa do estilo das composições de Bob Dylan. Para deixar a atmosfera mais quebradiça e “torta”, Keith Richards deu a ideia de mudar o tempo da canção e adicionar percussão, assim transformando a antes canção folk em algo perto de um samba feito por britânicos.

O livro russo traz uma curiosidade um tanto quanto diferente. Escrito entre os anos de 1928 e 1940, ele só foi publicado em 1967. Alguns dirão claramente que foi por censura, devido ao teor político bastante forte, já que seu roteiro fala sobre a visita do demônio à URSS durante o período de crescimento do ateísmo na região. Alguns críticos consideram a obra uma das melhores do século XX, muito por conta das sátiras bem humoradas da descrição dos arquétipos soviéticos.

Se você gosta de Florence & The Machine, Cat Power, Bjork, St Vincent, PJ Harvey, Madonna, Ladyhawke, Bat For Lashes e Goldfrapp, deveria agradecer pela existência da Kate Bush. Todas artistas foram influenciadas crucialmente pela artista. A canção “Wuthering Heights” foi o single de estreia da Kate para o mundo em 1978 e foi direto pro topo das paradas do UK.

A composição foi escrita por Kate Bush aos 18 anos e é inspirada num livro de mesmo nome, que em português foi traduzido como “Morro dos Ventos Uivantes”. Mas o que poucos sabem é que até então ela nem tinha tido contato com a obra literária e sim com uma adaptação para mini-série feita pela rede de televisão britânica BBC.

A letra é inspirada nos últimos 10 minutos da adaptação que foi ao ar em 1967. Sim, a letra já tinha 10 anos quando tivemos o lançamento consumado. Depois claro que Kate foi atrás do livro e descobriu um fato: ela faz aniversário no mesmo dia da escritora Emily Brontë, 30 de Julho.

O livro trata-se de um romance do período gótico da literatura, é a única obra da escritora, e foi lançado em 1847. Ou seja: no ano em que Bush assistiu a mini-série na TV a obra estava completando seus 120 anos. Hoje em dia é considerado um dos clássicos da literatura inglesa do século XIX. Em 1993, os metaleiros do Angra regravaram a canção para seu álbum de estreia, Angels Cry”. Repare na apresentadora do programa da Rede Mulher tirando onda com André e Kiko (que fazem um playback  muito do safado, já que o programa não tem nada a ver com a banda).

Vocês com certeza já ouviram falar da Clarice Lispector, mas talvez não da canção “A Hora da Estrela” do Pato Fu. 30 anos depois do lançamento do último livro publicado em vida da escritora, a faixa está presente no álbum, “Daqui pro Futuro” (2007).

Durante entrevista com a banda em 2007 para o portal UOL em que questionaram o fato eles responderam:

“Tem a ver e dá para se fazer uma leitura. Quem conhece a obra dela vai encontrar a história do livro. Mas também tem outra leitura sobre pessoas que querem virar estrelas e fazer sucesso. Elas acham que parece fácil virar a vida em um clique, mas isto exige talento. O livro é uma referência muito preciosa. Sobre a literatura: nós lemos desde Stephen King a Clarice Lispector, de tudo um pouquinho, os temas são muito variados. Como viajamos muito, temos que ter sempre um livro a mão.”

“Epitáfio” dos Titãs teve sua inspiração em um poema de Nadine Stair. O curioso foi que a poetisa americana no momento que escreveu sua prosa tinha 85 anos de idade. Realmente, se pararmos para ler o poema, notamos a similaridade com a composição de Sérgio Britto:

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade
bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria em mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos.

Não percam o agora.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e
continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, como sabem, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.” Poema datado de 1935

Um clássico de Marisa Monte, “Amor I Love You” também bebe das fontes literárias. Se você já fez vestibular em algum momento de sua vida provavelmente lembrará do famoso trecho que Marisa homenageia na canção. Afinal de contas, “Primo Basílio” (1878) de Eça de Queiroz é recorrente nas listas de livros obrigatórios para o processo seletivo.

A canção que foi hit no ano 2000 em todo país chegou a ser indicada na categoria de melhor canção brasileira no Grammy Latino, foi tema da novela “Laços de Família” (TV Globo) e teve seu videoclipe premiado na categoria “Melhor Videoclipe de MPB” no VMB.

Na faixa o trecho é recitado pelo Arnaldo Antunes, ex-Titãs, de maneira poética:

“…tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.”

Para fechar escolhi uma música nada óbvia de um dos grandes artistas do Brasil, Zé Ramalho. “Admirável Gado Novo” (1979), consegue fazer a história da agricultura do interior do país dialogar com logo dois clássicos da literatura mundial: “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley) e “1984” (George Orwell).

O romance de Huxley narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.

Assim vemos o tom forte da canção criticando a falta de mobilidade social. A ilusão de que as coisas vão melhorar mesmo trabalhando abaixo de circustâncias sub-humanas. Em “Cidadão”, Zé também mostra o sofrimento e dificuldade da classe operária em conseguir cravar seu espaço na sociedade.

A canção ganhou um fôlego em 1996 quando entrou para a trilha da novela “O Rei do Gado”. Cássia Eller no ano seguinte regravou para o álbum Música Urbana” (1997).

Ecléticas e envolventes: conheça as pérolas escondidas nas trilhas dos jogos da FIFA

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FIFA Soccer

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje não vamos falar de cinema, muito menos de série. Mas nem por isso trilha sonora vai ficar de fora, é claro. Ainda em meio a clima olímpico e ouro inédito no futebol masculino vamos falar de outra paixão nacional: vídeo games.

ALLEJO
Allejo, o eterno “Pelé” do jogo International Superstar Soccer (SNES)

Recentemente vimos um vencedor de prêmio Puskas, o até então semi-desconhecido Wendell Lira, virar gamer profissional. O jogador que pouco tempo após o gol – marcado pelo Goianésia durante o modesto campeonato goiano –  foi dispensado do time que disputa a quarta divisão do campeonato nacional.

Após a fama “meteórica”, ele teve propostas de times do Brasil todo, acabou até fechando um contrato com o Vila Nova (Goiás) que após 3 jogos foi rescindido. Ele até teve propostas de outros clubes como o Audax (do Vampeta – ex-Corinthians e pentacampeão), mas aos 27 ele “aposentou as chuteiras” e migrou para o futebol de apartamento.

Sobre sua decisão, Wendell até falou um pouco para o Uol no fim de julho:

“Decidi que é hora de parar”, disse o jogador em vídeo promocional. “Várias situações me motivaram a essa decisão. O gol marcou minha carreira, foi inesquecível, mas eu tive muitas desilusões no futebol. Infelizmente há pessoas boas, mas há pessoas muito ruins no futebol, que não pensam na família ou no jogador.

Tive muitos problemas e como eu já era um apaixonado por games, recebi uma proposta muito boa para iniciar este projeto, que me levaria a ter um futuro melhor, já que no futebol teria mais três ou quatro anos de carreira em um nível intermediário. Todos sabem a dificuldade dos clubes menores. Foi a melhor decisão”

Caso se interesse por saber mais sobre o novo rumo de Wendell dentro das quatro linhas – virtuais – do FIFA fique por dentro através de seu canal de youtube WLPSKS.

FIFAR
“Os bugs” de FIFA costumam fazer sucesso na internet

No dia 27 de setembro (29 no resto do mundo) chegará ao mercado norte-americano a vigéssima quarta edição da franquia de games FIFA. Um game muito esperado, pois será a primeira que teremos o adendo do futebol feminino, algo que é pedido já a muitos anos e que FINALMENTE ganha espaço. Outra novidade será que veremos os treinadores “trabalhando” de dentro do campo e será possível interagir com eles.

Muita coisa mudou desde o início do jogo que foi ao mercado pela primeira vez no fim de 1993 e já passou por um número vasto de consoles, tendo até desdobramentos como Fifa Street e Fifa World Cup. Muitas ligas foram adicionadas, direitos de imagem foram negociados e os gráficos a cada ano que passam ficam mais realistas. Sem esquecer, claro, da jogabilidade, do modo “manager” de carreira e das trilhas sonoras. E é neste ponto que queria chegar: vocês já pararam para prestar atenção nas pérolas que as soundtracks de FIFA possuem?

Hoje irei fazer algo diferente: ao invés de dissecar faixa a faixa a trilha de uma edição, vou escolher algumas para destacar. Acredite se quiser, vocês irão se surpreender. E funcionará perfeitamente como aquecimento para revelação da trilha de FIFA ’17 – algo guardado a sete chaves pela equipe da EA SPORTS.

Em 2016 tivemos a aparição da banda brasileira sensação: Baiana System. Misturando o axé baiano, o som dos som sistemas, reggae, cumbia, afroxé e beats eletrônicos que têm conquistado não só o coração dos brasileiros, mas o mundo. No game, “Playsom” traz toda essa conexão Brasil-Kingston-Berlim para nossos ouvidos. Quem já pôde vê-los ao vivo nos conta que a energia da combinação destes ritmos é envolvente como a energia de uma escola de samba.

Ainda na trilha de 2016, quem traz a energia para as pistas de dança é o grupo colombiano Bomba Estéreo. Com a explosão do reggaeton e o sucesso de M.I.A., este tipo de som têm ganhado adeptos ao longo dos anos. Eles se denominam como eletro-tropical ou cumbia psicodélica. O que importa é que é ficar parado não é opção após o play:

Mas fiquem calmos que a última edição não tirou o espaço do rock alternativo – que sempre tem espaço nas trilhas do jogo – da área. E porque não uma banda portuguesa que tenho contato a alguns anos e transmite uma energia muito boa, o X-Wife?

A música que participa da soundtrack é “Movin Up”, que tem uma levada lo-fi descompromissada misturada com beats eletrônicos e metais. Segue aquela linha do Cansei de Ser Sexy e Bombay Bicycle Club. Certamente irá conquistar fãs de Arctic Monkeys, Kasabian e The Knife:

Direto da terra do Tame Impala e com influências de Of Montreal e Devendra Banhart e do polêmico Kanye West vem o The Griswolds. Aliás, ela é altamente recomendável para fãs de Passion Pit, tendo inclusive excursionado juntas. Na tracklist de FIFA ’15 eles aparecem com a festiva e inocente “16 years”.

Dez anos após o lançamento do icônico álbum de estreia, o duo canadense Death From Above 1979 lançou seu segundo disco. Muitas faixas estavam “engavetadas” do primeiro trabalho e soam como continuação do disquinho. Para coroar toda essa espera, a trilha de FIFA ’15 conta com “Crystal Ball”, uma canção para fritar na pista de dança.

Em 2014 quem chegou “tombando” tudo foi Karol Conka. Mas a canção que embala o tom da prosa não foi “Tombei”, e sim “Boa Noite”. A rapper curitibana mostrou seu poder e som contagiante desde então em uma subida que parece não ter limites:

Mas é nas diferenças que as trilhas de FIFA ganham seu brilho. Representando a música inglesa e seu rico cenário eletrônico temos o Crystal Fighters que em 2013 chegou junto com seu eletro-folk tribal. A festa ficou ainda mais contagiante ao som da eletrizante, “Follow”:

Misturando rumba, flamenco, música eletrônica e música latina direto da Espanha temos a Macaco. Assim como o Gogol Bordello, o conjunto catalão contém membros de países do mundo todo (Brasil, Suécia, Camarões, Venezuela e Espanha), e tem na mistura sua força motriz. No FIFA ’12, “Una Sola Voz” está presente na trilha. O grupo já esteve presente no FIFA ’09 e FIFA ’10 com respectivamente “Moving” e “Hacen Falta Dos”.

A  Ana Tijoux é francesa de nascimento mas escolheu o Chile como terra de coração e solta suas rimas com primor em “1977”, faixa que faz parte de seu quinto álbum solo, que teve sucesso tanto na América Latina como nos EUA. A soundtrack de FIFA ’11 não foi a única que a utilizou: a série Breaking Bad também adicionou a cantora a seus discos de cabeceira.

Uma das mais emblemáticas e importantes bandas do ska argentino não ia ficar de fora dessa festa: com todo gingado boleiro, Los Fabulosos Cadillacs faz um gol de placa – na trilha de FIFA ’10 – com “La Luz del Ritmo”.

O consagrado duo norueguês de música eletrônica Röyksopp dominou no peito e após driblar o adversário bateu para o gol com a viajante “It’s What You Want”. O som deles mistura o ambient, o house, o drum & bass com ritmos latinos. Um destaque que quem joga não verá – se não procurar no Google – é o visual excêntrico dos estranhões que em sua carreira tem uma indicação para o Grammy.

As descobertas não param e direto da Bélgica – um país que tem uma diversidade musical incrível – temos Zap Mama. Se eu não tivesse lido que a artista é de lá eu jamais chutaria que é belga, porém o som me deixou intrigado desde a primeira nota. É uma loucura sonora de um mistura interessantíssima: hip-hop, nu soul com elementos de jazz e pop. Com raízes musicais africanas, ela canta em inglês e em francês. Na trilha de FIFA ’10 ela aparece com “Vibrations”.

Voltemos ao bom e velho rock’n’roll: em 09′ quem deu as caras foram os escoceses do The Fratellis com “Tell Me a Lie”, canção presente no segundo disco do grupo – Here We Stand” (2008). O grupo liderado por John Fratelli ficou sem lançar nada até 2013, após neste período anunciar um longo hiato e John se arriscar em carreira solo.

Uma das canções mais conhecidas das gêmeas idênticas do The Veronicas, “Untouched”, está presente –  no jogo de ’09 – com seu eletropop/alternativo. Uma curiosidade é que , ex-Holly Tree, lá em 2008 tocou como guitarrista no conjunto.

Em 2008 uma das bandas que eu mais gosto da Australia, The Cat Empire, entrou na trilha do game com o hit “Sly”. O mais curioso é que o som da banda tem uma veia latina fortíssima com seu jazz que mistura ritmos latinos com o ska, o funk, o rock e até um pouco da salsa. Já pude presenciar o show deles em três oportunidades e digo e repito: Não perca de jeito nenhum em uma futura visita ao país.

No mesmo ano temos uma banda da Alemanha, mas calma: não vou anunciar mais um gol do Khedira, por mais que o grupo represente muito bem a música pop germânica. Lembro quando ouvi pela primeira vez a canção “Nur Ein Wort” na MTV Europa e ter escrito num post-it para baixar depois – em meados de julho de 2005 (9 anos antes do fatídico 7×1).

Enfim, na trilha temos Endlich Ein Grund Zur Panik”, canção que conta com um divertido clipe que “tira onda” com a imagem dos super heróis e vale a pena apertar o play. 

Em 07′ a Coréia do Sul foi representada pelos “bizarros” e aleatórios Epik High. A canção não é muito minha cara com seu hip hop made in Seoul. Porém a título de curiosidade segue o o clipe de “Fly”:

Mas se estamos falando de música diferente feita ao redor do mundo, porque não um Nu Metal italiano? E assim chegamos a soundtrack de FIFA 06′ com Inno All’Odio” do LINEA77. Eu não sei vocês, mas eu nunca tinha parado para imaginar Nu Metal feito em italiano e achei de certa forma cômico. 

Para fechar a lista de alguns dos muitos destaques e pérolas dos últimos 10 anos da trilha sonora da série de games FIFA, um clássico. Sim, já podemos afirmar tranquilamente que “Daft Punk Is Playing at My House” do LCD Soundsystem, um dos grandes clássicos dos 00’s.

E desta forma encerramos os trabalhos por hoje com novos sons para agitar sua playlist e também fazer a trilha daquela pelada no fim de semana. Arranje uma caixa de som e bom jogo!

“Almost Famous”: o espírito sexo, drogas e rock’n’roll à flor da pele

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Almost Famous, Quase Famosos

Depois de duas longas semanas sem posts por aqui, quem volta com tudo é a Sinestesia. Tem sido tudo muito louco desde que O Pulso Ainda Pulsa, um projeto elaborado pelo Hits Perdidos e o Crush em Hi-Fi, ganhou vida. Mas voltemos ao que interessa nesta coluna!

Nada como um filme que tenta – e consegue – nos levar direto para os anos 70, mais precisamente no “boom” da indústria fonográfica. Cheio de rock stars, jornalistas e chairmans de gravadoras nadando literalmente em dinheiro.

O funk ostentação é troco de pinga perto do que estes junkies, rockers e groupies viveram 24/7 durante aqueles anos de ouro. “Almost Famous” (“Quase Famosos”, de 2000tem o papel de retratar toda essa loucura rock’n’roll e todo seu entorno de maneira criativa e envolvente.

ALMOST BUS

“Um fã ávido por rock’n’roll consegue um trabalho na revista americana Rolling Stone para acompanhar a banda Stillwater em sua primeira excursão pelos Estados Unidos. Porém, quanto mais ele vai se envolvendo com a banda, mais vai perdendo a objetividade de seu trabalho e logo estará fazendo parte do cenário rock dos anos 70″ – Sinopse por Adoro Cinema

O que as pessoas muitas vezes deixam de saber são curiosidades sobre este filme que chegou a ganhar até Oscar. Primeiramente, o filme é praticamente autobiográfico – com uma dose de fantasia, claro – sobre as histórias e experiências pessoais como jornalista juvenil na revista Rolling Stone do diretor, Cameron Crowe, que contou para o site The Uncool sobre nomes terríveis que ele pensou antes de chegar ao “Almost Famous”“My Back Pages” foi o primeiro e convenhamos seria um título um quanto óbvio. “The Uncool” foi outro um pouco melhorzinho, mas ainda fraco, baseado numa fala de Lester Bangs – lendário crítico da revista. Alguns outros já caíram no contexto musical, como “Tangerine”, uma canção do Led Zeppelin – que inclusive toca nos letreiros finais do filme – e “A Thousand Words”: título do primeiro artigo escrito pelo protagonista, William Miller, em resenha feita sobre um show do Black Sabbath.

Guita

Mas vamos à trilha sonora – e que baita trilha, diga-se de passagem.

O pontapé inicial da soundtrack lançada no dia 12 de setembro de 2000 via Dream Works é com “America” do Simon & Garfunkel. A canção foi composta para o álbum Brokends” (1968) e produzida pelo duo e Rory Halee. Assim como o livro “On The Road”, a canção fala sobre dois jovens apaixonados cruzando os Estados Unidos à procura da “América” nos sentidos literal e figurativo.  A inspiração é genuína, visto que em 1964, Simon fez esta viagem com sua namorada, Kathy Chitty. O amor é lindo, não é mesmo?

TOMMY

Logo na segunda faixa já vem um petardo com selo Tommy” (1969) de qualidade. Sim, The Who para ninguém botar defeito com um dos maiores discos de ópera rock de todos os tempos. A densidade de “Sparks” te faz viajar por outras dimensões e poderia ter entrado até na trilha de “Stranger Things”.

A próxima canção é uma das queridinhas do pessoal da Rolling Stone: Todd Rundgren com It Wouldn’t Have Made Any Difference”, faixa título do álbum duplo lançado em 1972. As ondas do rock progressivo a la Yes dão o tom da batida. Este som foi gravado no ano anterior em Los Angeles, Nova Iorque e em Woodstock. Todd toca as guitarras e os teclados no álbum. Sucesso na crítica e aclamado pela Billboard, além de conseguir posição 173 entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos na lista da Rolling Stone.

E já que falamos em Yes, adivinhem quem aparece na próxima faixa? Eles mesmo com “I’ve See All Good People: Your Move”. Sua primeira aparição foi no The Yes Album” (1971) e originalmente foi lançada apenas a segunda parte da canção como “single”, o que fez alcançar um número significativo no top 40 da Billboard. A canção usa a metáfora de comparar os relacionamentos com jogos de xadrez, tendo seu destaque nas harmonias de um rock progressivo viajante e sem freios. Em 1991, quando todos integrantes originais se reuniram para o DVD da turnê “The Union”, a canção não ficou de fora do set!

Saindo do progressivo e encontrando as ondas da praia temos uma das maiores bandas injustiçadas do rock sessentista – sim, pelo episódio The Pet Sounds” (1966) x Beatles – os Beach Boys com uma canção lançada para o disco Surf’s Up” (1971), “Feel Flows”. A música flerta com a surf music, psicodelia e flautinhas folclóricas.

A próxima canção é simplesmente genial por um fator ímpar: é de uma banda ficcional feita especialmente para o filme. A Stillwater, banda com quem o protagonista viaja e realiza suas desaventuras rock’n’roll – e serve como mote – consegue imprimir em sua faixa “Fever Dog” uma energia similar a do Led Zeppelin. E sinceramente eu acredito que se o Led estivesse na ativa, o diretor teria convidado eles para se auto-interpretar.

Inclusive em sua história original, o jornalista acompanhou o Led, The Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd, Poco The Eagles em turnês. Eu imagino que por impasse de “ficar em cima do muro” e facilitar as gravações ele optou por montar uma banda especialmente para o longa – como registro de um tempo rock’n’roll que não volta mais.

O single “Every Picture Tells A Story” do inglês Rod Steward não fica de fora da trilha. Gravada em 1971 para um álbum de mesmo nome em parceria com Ron Wood, a canção foi lançada como single na Espanha tendo como lado B “Reason To Believe”.

Em sua letra, “Every Picture Tells A Story” conta suas aventuras com mulheres ao redor do mundo – tão rock’n’roll este lado mulherengo – e fala sobre o retorno para casa após aprender diversas lições de moral.

A próxima banda deveria ter mais atenção porque é APAIXONANTE. The Seeds é mais uma daquelas que vieram para chacoalhar tudo, destruir os quartos de hotel e sair após atear fogo. O espírito rock’n’roll mais destruidor vive em sua essência de uma maneira que a música que entrou na soundtrack  tem até polêmica envolvida em sua história.

DRUGS

Enquanto o mundo tava naquele clima paz e amor dos Beatles, eles estavam sendo BANIDOS da rádio com o single “Mr. Farmer”. Muito mais garageiro e sujo que os meninos de Liverpool. Lançada em 1967, a razão pela repressão foram as menções à drogas nas letras. Alguns interpretam o nome como “apologia aos fazendeiros plantadores de maconha”.

A canção foi escrita por Sonny Boy Williamson II e outra lenda do R&B, Elmore James, e foi lançada originalmente abaixo do nome G.L. Crockett. Porém quem fez esta pérola da música mundial ganhar a atenção que merecia foi o The Allman Brothers Band.

Uma banda que não poderia ficar de fora da trilha do filme é o Lynyrd Skynyrd. Tanto por Crowe ter se atirado na estrada com eles na década de 70, como por sua importância no cenário pós-Woodstock no contexto da história do rock americano.

A canção escolhida para a trilha foi “Simple Man”, uma das preferidas dos fãs. Tanto que não é de se surpreender que ela foi escolhida para entrar no jogo “Rock Band”, na série “Supernatural” e ter ganhado versões do Deftones e do Shinedown.

A próxima é uma pedrada na cara, afinal se trata de um hit do Led Zeppelin. Escrita por duas lendas do rock, Jimmy Page e Robert Plant, ela entrou no clássico “Led Zeppelin III” (1970). Com uma levada mais folk/rock, violão e voz é uma das mais melosas da carreira da banda.

Segundo Page a canção foi escrita no País de Gales naqueles dias após uma longa caminhada de volta para casa vindo do campo. “Tínhamos uma guitarra conosco, estávamos cansados da caminhada, e paramos para nos sentar. Eu toquei um acorde e Robert cantou o primeiro verso ‘na lata’. Nós tínhamos um gravador de fita conosco, e gravamos aquele esboço ali mesmo.”

O mestre do piano vermelho, Elton John, também não fica de fora de “Almost Famous”. A canção escolhida desta vez inicialmente não era um single inicialmente, porém depois de ganhar certa popularidade se tornou um.

tiny

“Tiny Dancer”, que viria a se tornar um dos maiores clássicos do Elton John, foi escrita por Bernie Taupin. Nela, Bernie captou o espírito dos anos 70 na Califórnia no qual ele conheceu muitas mulheres bonitas. Nos créditos do álbum Madman Across The Water” (1971), Bernie dedicou a música a sua primeira mulher, Maxine Feibelman.

Dave Grohl e Red Hot Chilli Peppers já fizeram versões deste clássico. No vídeo abaixo, Dave Grohl inclusive conta que conheceu a canção através da trilha sonora de “Almost Famous” e agradece ao diretor Cameron Crowe por isto. Além de comentar algumas cenas no vídeo, vale a pena ver o vídeo inteiro.

Nancy Wilson, que também foi a compositora das canções da Stillwater – banda de mentirinha do filme – também tem uma canção própria na trilha sonora: “Lucky Trumble”, composição instrumental de violão flertando com teclados.

Para quem viu o filme sabe que David Bowie aparece “fugindo dos jornalistas”, e claro que ia ter Bowie na trilha sonora do filme de uma forma ou de outra. A “sacada” genial foi a escolha de uma canção escrita por Lou Reed (Velvet Underground), “Waiting For The Man” para a trilha.

A versão que toca no filme é ao vivo em Santa Mônica (Califórnia) em 1972.  “Por coincidência”, naquele ano Lou Reed lançava um dos seus discos solos mais aclamados: Transformer”.

A próxima canção é de Cat Stevens, mais precisamente do álbum Teaser And The Firecat” (1971). Mas erra quem pensa que a canção está entre os três considerados hits do disco. Porém o crítico da Rolling Stone Timothy Crouse gostou do aspecto distinto e introspectivo de “The Wind”. Uma outra curiosidade é que o álbum foi lançado juntamente com um livro infantil escrito e ilustrado pelo próprio Cat Stevens.

Quem vem em seguida é Clarence Carter com “Slip Away” (1968), um dos grandes sucessos da carreira do artista que se destaca dentro do blues/soul. O músico de 80 anos – que lançou seu primeiro disco em 1968 – ainda está na ativa tendo lançado o álbum Dance To The Blues” no ano passado.

Para fechar com chave de ouro essa incrível trilha sonora nada como um pouco mais de Pete Townshend. Mas não estamos falando de uma canção do The Who, e sim de seu outro projeto “One Hit Wonder”, Thunderclap Newman.

O projeto ainda conta em sua formação o “manager” do The Who, Kit Lambert, e Jimmy McCulloch, músico do projeto The Wings do Paul McCartneyJohn David Percy “Speedy” Keen, que ficou mais conhecido por este projeto paralelo do líder do Who.

O sucesso da faixa “Something in the Air” (1969) foi tão enorme que a faixa além de alcançar o primeiro lugar das paradas no UK, recheou diversas coletâneas, comerciais e trilhas sonoras. Quem canta a faixa não é Pete Townshend e sim Speedy Keen. O grupo lançou apenas um álbum em sua curta carreira: Holllywood Dream” (1969).

Jimmy veio a falecer em 1979 através de uma overdose de heroína aos 26 anos de idade. Nada mais sexo, drogas e rock’n’roll do que esse desfecho, não é mesmo?