O Século XX animado e musicado na animação “American Pop” (1981)

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American Pop

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

American Pop (American Pop)
Lançamento: 1981
Diretor: Ralph Bakshi
Roteiro: Roni Kern
Elenco Principal: Mews Small, Ron Thompson, Jerry Holand

O bisneto no fundo; o bisavô na frente.

Fugindo do Pogron russo de 1903, uma mãe e seu filho chegam nos EUA sem nada e começam a trabalhar: a mãe com costura e o filho distribuindo panfletos num bar. Ela morre e a criança passa a viver com o homem que o contratara. A partir disso, o órfão começa a frequentar os palcos do bar, sempre na cochia, até que por convívio com o universo dos shows começa a se apresentar. Vai pra primeira guerra, volta vivo, continua a cantar, se envolve com a máfia (seu “tutor” era parte dessa), se casa e tem filhos.

Seus filhos tem filhos e esses também tem. É por esse fio genealógico que corre o filme, contando a história americana do século XX (até a década de 80, quando o filme foi feito), através de hits da música pop de cada época, sempre se encaixando na vida do protagonista da vez (o filme conta com um protagonista para cada uma das quatro gerações), misturando o som com as situações vivenciadas por cada um, que de modo geral representam as vivenciadas pelos jovens da geração representada.

Desde um jazz que antecede (e muito) o be-bob do Thelonious Monk até uma proto new-wave, o filme passa por músicas famosas (afinal, foram hits), de conhecimento mais que popular, como “Sing, Sing Sing”, de Benny Goodman, “Somebody to Love” de Jefferson Airplane, “This Train” de Peter, Paul and Mary, “Take Five” de David Brubeck Quartet, “Turn Me Loose” de Fabian e “Don’t Think Twice” de Bob Dylan, dentre várias outras, sempre compondo junto a ilustração fantástica dos filmes de Ralph Bakshi (que faz uma ponta no filme, como o pianista que diz à mulher do órfão que seu som será um hit), cenas psicodélicas e absurdamente lindas. Contudo, é interessante dizer que nos créditos, a autoria das músicas é dada a personagens ficcionais!

Os filhos e netos, porém, apesar de sua sempre muito forte relação com as notas (de qualquer instrumento que fosse), nunca conseguem alcançar a fama e passam a vida nos bastidores, por motivos diversos, relacionados à guerras, abuso de drogas, máfia e etc. (Vale dizer, os mesmos que os levam ao universo musical). Cabe ao bisneto tentar virar o jogo…

Segue o link para o filme completo (numa versão meio bosta, mas tá aí…):

Velvet Goldmine enche a tela de glitter em um panorama não-oficial do glam de Ziggy Stardust

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Velvet Goldmine

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Velvet Goldmine (Velvet Goldmine)
Lançamento: 1998
Diretor: Todd Haynes
Roteiro: Todd Haynes e James Lyons
Elenco Principal: Ewan McGregor, Jonathan Rhys Mayers, Toni Collette e Christian Bale

Recomendações…

O glam rock da década de 70: marcado por guitarras distorcidas dum jeito que até o Hendrix se tivesse visto ia olhar feio, glitter no ar misturado com o O2, sapatos plataformas que levavam pra ainda mais longe as cabeças dos popstars e uma androginia que enojava os velhos caretas esforçados em esconder as ereções que o pau bombava quando passavam os proto-Bowies pela rua. Foi o movimento performático que ,dando o próximo passo na rebeldia roqueira, inventou o comportamento desregrado, romântico e desesperado que gritava nas noites como um beatnik bêbado mandando o refrão “paz & amor (inc.)” pra tonga da mironga do kabuletê, do qual participaram Brian Eno, T-Rex, David Bowie, Iggy Pop, Sweet, Lou Reed, Suzi Quatro, New York Dolls e mais uma galera aê.

O glam é também o protagonista do filme “Velvet Goldmine”, de 1998. A história, que segue um modelo de investigação jornalística com referência à “Cidadão Kane”, é sobre um jornalista que, dez anos após o falso assassinato do popstar Brian Slade (Jonathan Rhys Meyersdurante um show, é convocado pelo editor-chefe pra fazer uma matéria sobre o cantor: o que aconteceu com ele? Por que forjou a própria morte? Onde tava?.

O jornalista Arthur Stuart, interpretado pelo Christian Bale (sim, é o Batman), através de entrevistas com pessoas que fizeram parte do passado do “morto”, vai montando a história do cara e lembrando de sua própria ligação com o universo do glam: a rebeldia contra os pais caretas, a fuga de casa quando os mesmos o descobrem gay, sua fissura pela figura do popstar sobre o qual está escrevendo, seu convívio com personagens importantes da cena da época, a homofobia regente versus a androginia do movimento, etc.

(Um parênteses: homofobia esta que até hoje ainda é a mesma, que ainda mata e contra a qual é necessário manter uma luta constante, do modo que cada um puder, em função dum dia onde ninguém acorde com medo de beijar um namorado (a) em público, devido à possibilidade de apanhar dos tacos de neo-nazis escrotos)

Voltando aos primeiros parágrafos sobre a história, vale dizer que vários dos personagens que aparecem, são referências explícitas à músicos e pessoas que fizeram parte do movimento cultural.

Brian Slade: David Bowie (na fase Ziggy; o falso assassinato no palco é uma referência ao momento em que durante um show, Bowie declarou que aquele seria o último do Ziggy Stardust, o que todos entenderam como “é o meu último show”).

Curt Wild: Iggy Pop

Mandy Slade: Angela Bowie

Jerry Devine (o empresário): Tony Defries (empresário da companhia que representava o Bowie e o Iggy)

Jack Fairy: Brian Eno

(fonte pra lista e lista mais detalhada: http://www.5years.com/velvetfilm2.htm)

Bom, agora já tendo dito um pouco e talvez até mais que se devesse a respeito do enredo, sigo para entrar no assunto que deveria, quem sabe, ter sido o foco desde o início: a trilha sonora. Embora Brian Slade seja fortemente baseado em David Bowie, o próprio Bowie não gostou do roteiro e vetou a proposta de que suas músicas aparecessem no filme. A trilha sonora é absurdamente boa e é um elemento essencial ao filme (sério?), que junto com o figurino (indicado ao Oscar em 1999) e os cenários compõe a energia roqueira andrógina que o filme passa não só no nível do roteiro. Ela inclui músicas de glam rock e faixas influenciadas pelo glam.

Os músicos ingleses que tocaram sob o nome de The Venus in Furs na trilha sonora foram Thom Yorke e Jonny Greenwood, do Radiohead, Clune, da David Gray Band, Bernard Butler, do Suede, e Andy Mackay, da Roxy Music. Os músicos americanos que tocaram como o Wylde Ratttz (a referência aos Stooges) de Curt Wild na trilha sonora foram Ron Asheton dos próprios Stooges, Thurston Moore e Steve Shelley, do Sonic Youth, Mike Watt, do Minutemen, Don Fleming, do Gumball, e Mark Arm, do Mudhoney. Além dos clássicos do glam, a trilha sonora apresenta novas músicas escritas para o filme do Pulp, Shudder to Think e Grant Lee Buffalo.

Os três membros do Placebo também apareceram no filme, com Brian Molko e Steve Hewitt como membros da Flaming Creatures (Malcolm e Billy, respectivamente) e Stefan Olsdal como o baixista da Polly Small.

Seguem os links pro filme e pra trilha sonora em playlist no YouTube:

Filme:

Trilha: 

Assistam, dancem, ouçam e curtam pacas!

“O Fantasma do Paraíso” (1974), o caldo Knorr sabor pop-rock de Brian de Palma

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Phantom Of The Paradise

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Phantom Of The Paradise

Phantom of The Paradise (ou Fantasma do Paraíso)
Lançamento: 1974
Diretor: Brian de Palma
Roteiro: Brian de Palma
Elenco Principal: Paul Williams, Willian Finley, Jessica Harper

This movie is the story of that search, of that sound. Of the man who made it, the girl who sang it and the monster who stole it.” (Trecho da abertura)

O filme de Brian de Palma, que por alguma razão (Deus sabe qual…), ganhou bem menos repercussão que os outros do diretor, é uma mistura digna de caldeirão de bruxa da história alemã sobre o jovem Fausto, que desiludido com a razão científica faz um pacto com o sete-pele em troca da realização de todos seus desejos; do romance do inglês Oscar Wilde, “O Retrato de Dorian Gray”, que conta a história dum fine young man cheio de medo da velhice e que de tanto medo, faz um pacto com o tinhoso: sua alma pela eterna juventude; e do famoso musical “O Fantasma da Ópera”, a história dum homem que escondido num teatro auxilia uma jovem em sua carreira no coral.

A releitura mistura tudo num caldo Knorr sabor pop-rock, receita especial do queridíssimo Paul Williams (que no filme, faz o papel do antagonista, um influente produtor musical, em busca de um som pra abrir sua nova casa de shows), indo de uma coisa que é meio glam, meio proto-punk, como “Life at Last”, até baladas românticas, como “Old Souls”, sempre encaixando nas letras referências ao já cá invocado Lucifernandis.

Sobre as referências, ainda, assim como em vários dos filmes do diretor mas agora de modo mais leve, esse conta com uma cena hitchcockiana. Quem for ver vai sacar.

Pronto: tendo dito quase tudo, talvez caiba ainda dar uma palhinha no que diz respeito à história. Winslow Leach é um músico underground (tipo mais underground até que os caras que dão entrevista pro blog) que em meio à nostalgia dos anos 70, que tentava recriar os anos 50, compõe num modelo clássico de ópera, dividindo sua cantata em várias músicas ligadas pelo fio duma releitura que o personagem faz do Fausto. Depois duma apresentação dum grupo pop produzido por Swan, o antagonista, um zelador limpa o palco e Swan do camarote ainda observa o lugar do show. É aí que o mega-hyper-super-underground Leach senta no piano e, balançando os cabelos em gestos desvairados e românticos, toca a primeira música de sua grande ópera.

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Death Records, a gravadora do Swan.

O produtor musical, em busca do som para inaugurar a sua nova casa de shows e decidido de que a nostalgia dos anos 50 era coisa do passado, comenta com seu fiel escudeiro Philbin que a música tem que ser a que o louco tocava no piano. Contudo, como um bom produtor babaca, Swan elabora um plano digno do demo pra tirar Winslow da jogada e botar sua música na voz de alguém que fosse mais rostinho bonito. A história continua (seria meio bosta se acabasse por aqui…) sempre com a música em foco, que vai em alguma medida explicando o filme.

Além de tudo, o longa é coberto com a linguagem pop do neon e do rock performático, com situações, cenários e figurinos meio psicodélicos e teatrais que dão pro filme um jeito de show (e em algum sentido, de fato é um show), transformando a chatice de assistir tudo sentado numa experiência de fato eletrizante.

Segue a trilha sonora em playlist do Youtube:

A animação musical sci-fi roqueira de “Rock’n’Rule” ou “A Viagem Musical” (1983)

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Rock'n'Rule

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Rock'n'Rule

Rock’n’Rule (A Viagem Musical)
Lançamento: 1983
Diretor: Clive A. Smith
Roteiro: Patrick Loubert, Peter Sauder
Elenco Principal: Don Francks, Gregory Salata, Susan Roman 

O filme “Rock’n’Rule”, de Clive A. Smith, é ambientado num futuro pós-apocalíptico simulando o universo da contra-cultura pop americana: aquela coisa meio Nova York decadente das décadas de 70 e 80, com metrôs pichados e tudo o mais que fazia o Warhol gozar por aí. Lá, depois duma terceira guerra mundial, só sobraram animais de rua, que devido aos efeitos da guerra sofreram mutações e ganharam feições humanoides. O longa é, como o nome explica, um filme de rock, e como todo bom filme de rock, não podia faltar… Bem, rock!

O filme, que no Brasil ganhou o título de “A Viagem Musical”, tem uma trilha composta por Lou Reed, Iggy Pop, Debbie Harry, Cheap Trick, Chris Stein e Earth, Wind & Fire, 100% original e que se constrói com base nas imagens, criando uma relação orgânica entre o áudio e o visual. No curta-doc “The Making of Rock & Rule”, o nosso queridinho do Velvet Underground diz que para a música “My Name Is Mok”, que apresenta o antagonista, buscou um tipo de identificação com o personagem, para poder criar algo que realmente representasse o vilão da história. Sobre “Pain and Suffering”, Iggy Pop comenta sua busca por versos ‘naturais’, que assustasse quem ouve, assim como pede a cena que acompanha, com o surgimento de um demônio, a respeito da qual os animadores comentam o mesmo objetivo. No documentário é dita a mesma relação para as outras cenas, evidenciando que além de ser um filme musical, a obra é também um disco visual.

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Sobre o enredo, a história é bem simples: Mok, um homem (meio rato, meio cachorro, sei lá) que domina o mercado fonográfico, porém cujo estrelato está em decadência, busca uma voz que seria a chave pra abrir a porta pruma outra dimensão e de lá invocar um demônio capaz de imortalizar sua fama (e de destruir todo o universo no qual o filme se passa). Pois bem, não é que é num bar bosta, cantando numa banda que ninguém assiste e que recebe as vaias do dono do bar/único espectador, o cara acha a tal voz? Aí começa seu plano pra sequestrar a cantora. A partir daí o filme de desenrola em um romance tosco entre ela (também tecladista, além de segurar o microfone) e o guitarrista (também vocalista, além de só segurar a guitarra), embalado numa trilha obviamente fantástica, tendo em vista quem a compôs e numa arte que seguindo a linha das animações adultas (puta termo bosta, né não?) da época, vai pela ideia do pop, quase que referenciando o mundo das páginas dos quadrinhos.

Uma curiosidade sobre a animação é que David Bowie, Tim Curry, Michael Jackson, Mick JaggerSting foram considerados para a voz de Mok, mas o estúdio não tinha grana pra bancar. Ah, e a música “Angel’s Song” é uma versão primária de “Maybe For Sure”, que saiu no disco de 1989 da Debbie Harry “Def, Dumb & Blonde”!

Segue para vocês o filme completo (sem legendas) e a trilha sonora.

Trilha sonora –

Assistam, ouçam e curtam pacas!

Canções inspiradas pelo mundo incrível das histórias em quadrinhos

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Sinestesia, por Rafael Chiocarello

Quadrinhos colecionáveis possuem versões raras e uma legião de fãs. A Comic Con de San Diego (Califórnia) é uma das feiras mais famosas do mundo. Por aqui temos a versão brasileira e eventos que também dão espaço para a cultura geek (Fest Comix, Bienal de Quadrinhos, Festival Guia de Quadrinhos, Bienal do Livro…), além das livrarias, sebos e eventos especializados de menor escala.

Uma paixão sem limites e os épicos personagem e super heróis estão na linha de frente dos preferidos da galera. Não é por acaso que tamanha obsessão chegasse ao mundo da música. Afinal de contas, as artes sempre se complementam. Hoje conheceremos algumas canções que mergulharam nas páginas das HQ’s mais populares do mundo. Marvel ou DC? Bom, essa treta deixamos para vocês decidirem o lado da força que mais lhe agrada…

butcher-batman
O designer brasileiro Butcher Billy costuma fazer crossovers entre músicas e o universo dos quadrinhos

Batman Nã Nã Nã Nã Nã!

O Rancid pode não ser uma das primeiras bandas que pensaríamos no universo geek, mas em 1994, no lançamento do Let’s Go” – álbum que tem “Radio”, composição feita pelo vocalista Tim com Billie Joe (Green Day) – temos “Sidekick”.

Na letra, Tim Armstrong se auto-intitula Tim Drake e tem o papel de mostrar personagens secundários dos HQ’s. No caso o exemplo de Robin, fiel escudeiro de Batman sempre à margem de colher os louros. Outro citado na letra é Wolverine.

Um dos álbuns mais clássicos do The Jam, In The City” (1977), traz “Batman Theme”. Sim, literalmente o tema da saga em uma versão mod rock revival com pézinho na simplicidade do punk rock 77. Paul Weller dá todo um tom vintage ao clássico tema da saga do morcego.

O The Who, em 1966, também deixou seu registro, porém com uma linha mais  lisérgica e cheia de enfoque na bateria energética. Uma versão com um ar de surf rock e garagem um tanto quanto interessante.

Mas a minha versão favorita do clássico sempre será essa pérola gravada por um baita guitarrista, diga-se de passagem. Em 1989, a lenda Link Wray também quis deixar sua versão instrumental e dançante para o hit mais famoso de Gotham City.

Mas quem levou Batman para as pistas de dança foi Prince, com classe, funk e ousadia como sempre fez. A canção “Batdance” foi feita especialmente para o filme da saga de 1989. As guitarradas são um show a parte, com grooves e solos vibrantes.

Em 2002, Snoop Dogg se aventurou a homenagear o homem morcego. Só que dessa vez ele não deixou o Robin de lado e ao lado de Lady Of Rage Rbx fez uma versão mega original com rimas de tirarem o fôlego.

“No one, can save the day like Batman
Robin, will make you sway like that and
Beat for beat, rhyme for rhyme
Deep in Gotham, fightin crime
No one, can save the day like Batman”

Ainda no mundo do rap, Bow Wow em 2011 fez uma versão hip hop e agressiva para Batman. Com uma versão cheia de escárnio e quebrando toda a áurea celestial que o herói tem, os Garotos Podres vem para tirar a máscara de Bruce Wayne com sua releitura sarcástica de “Batman”.

“Hey seus bat palhaços, quem de vocês
Ainda não se lembra daquele idiota bat programa,
Que passava naquele imbecil bat canal,
Naquele cretino bat horário?

Há! velhos tempos, hein.
Quantas belas vomitadas nós dávamos quando assistíamos toda aquela idiotice,
Por isso agora escrachamos aquele bat retardado
Defensor do sistema, Batman!

Bat era um bom menino
Defendia Gotham City
Enquanto seu amigo Robin
Lhes botava um bat-chifre…”

De tanto fãs de Batman alimentarem que “I Started a Joke” dos Bee Gees ter referências a um dos maiores vilões da história em quadrinhos, as pessoas chegaram a acreditar que se tratava de uma letra homenageando o Coringa, um dos antagonistas mais queridos da história do cinema. Claro que a equipe do Esquadrão Suicida estava ciente de tal “menção” e em um dos 5000 trailers que soltaram antes do filme – o primeiro deles – contava com uma regravação de Becky Hanson.

Spider Man, Spider Man!

dance

O Homem-Aranha é um dos mais carismáticos quadrinhos da Marvel e um dos super heróis mais conhecidos. A lenda de Peter Parker ganha terreno no mundo da música até nos dias mais atuais.

É o caso do Black Lips, que em 2011 chegou com “Spidey’s Curse” no disco Arabia Mountain”, um blues garageiro moderno cheio de referências ao personagem por trás da roupa vermelha.

“Peter Parker’s life is so much darker than the book I read
‘Cause he was defenseless, so defenseless when he was a kid
It’s your body, no one’s body, but your’s anyways
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!
Don’t fill a spider up with dread

Spidey’s got powers, he takes all of the cowards
And he kills them dead
But when he was younger, an elder among him messed him in the head
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!”

Claro que nessa lista o clássico dos clássicos dos sons inspirados em quadrinhos não ia faltar. A versão dos Ramones para o tema de Spider-Man não poderia ficar de fora de maneira alguma, esta que foi gravada quase no fim da carreira da “Happy Family”, em 1995.

Uma das bandas que marcaram o movimento noventista das riot girls, Veruca Salt tem uma canção com referências ao Homem-Aranha, “Spiderman 79”.

“You’re so nice,
you tie me in a web
and cradle me till dawn.
You’re so deadly
that I can see your breath
beneath me when you’re gone.
You’re so windy,
I’d like to pin you down
and tack you to the wall.
Spiderman”

SUPERMAN!!

super-man

Se tem um personagem que é amado e odiado por muita gente é o Superman. Gostando ou não, ele é um dos mais marcantes e perde seu poder com a terrível kryptonita. É não deve ser fácil defender o sua por trás de sua capa.

Uma canção que cita a capacidade de voar do super herói é “Hit The Ground (Superman)” do The Big Pink. A canção está presente no álbum Future This” (2011) e inclusive estrelou a trilha de uma das edições dos jogos FIFA.

“…But if I fall off this cloud
If I fall off, oh superman
Oh Superman
I don’t wanna hit the ground (X3)
Oh Superman”

Outra canção que fala do super herói e marcou a geração viciada em vídeo games de console foi “Superman” dos ska/punkers do Goldfinger. Presente na primeira edição do jogo Tony Hawk’s Pro Skater, a canção fazia qualquer um terminar a fase do jogo se sentindo o verdadeiro Super Man!

“…So here I am
Doing everything I can
Holding on to what I am
Pretending I’m a Superman
I’m trying to keep
The ground on my feet
It seems the world’s
Falling down around me”

Os estranhões mais queridos do rock alternativo, The Flaming Lips, também prestam homenagem ao personagem na melancólica “Waitin’ For Superman” presente no álbum The Soft Bulletin” (1999).

“…Tell everybody
Waitin’ for Superman
That they should try to
Hold on
Best they can
He hasn’t dropped them
Forgot them
Or anything
It’s just too heavy for Superman to lift
Is it gettin’ heavy?
Well, I thought it was already as heavy as can be”

Em 1977, quem cedeu a voz para homenagear o homem voador foi Barba Streisand na bela “Superman”. O vozeirão transformou a odisseia do super herói em uma balada desesperada. A metáfora do herói de plano de fundo para uma paixão ardente.

“Baby I can fly like a bird
When you touch me with your eyes
Flying through the sky
I’ve never felt the same
But I am not a bird and I am not a plane
I’m superman
When you love me it’s easy
I can do almost anything
Watch me turn around, one wing up and one wing down
I never thought I could fall in love for good
I’m superman…”

Os anos 90 nos apresentaram o Spin Doctors e em 1993 eles lançaram “Jimmy Olsen Blues” que tinha como plano de fundo o universo do Homem de Aço.

“Lois Lane please put me in your plan
Yeah, Lois Lane you don’t need no Superman
Come on downtown and stay with me tonight
I got a pocket full of kryptonite
He’s leaping buildings in a single bound
I’m reading Shakespeare in my place downtown
Come on downtown and make love to me”

Existem homenagens interessantes ao azulão pelo Stereophonics, Taylor Swift, Eminem, 3 Doors Down, T. Pain, Alanis Morissete, Hank Williams Jr e até do Matchbox Twenty, mas para fechar as canções que homenageam o super herói eu escolhi o The Kinks. No fim dos anos 70 eles gravaram “(Wish I Could Fly Like) Superman” para o disco Low Budget” (1979).

Quadrinhos e Desenhos

bat

Debbie Harry e o grupo pop Aqua optaram por não darem nomes aos homenageados em fizeram homenagens um pouco mais genéricas. A estrela do Blondie vem com “Comic Books” onde eterniza sua paixão pelo mundo dos quadrinhos e sua adolescência. Já grupo de europop Aqua (sim, aqueles mesmos de “Barbie Girl”) são mais claros quando o assunto são “Cartoon Heroes” (1999).

“Long before I was 12 I would read by myself.
Archie, Josie, super-heroes.
I would read them by myself.
I had the stars on my wall.

14 was a gas for me.
Batman on tv.
I would cheer the super-heroes.
They were all I wanted to be.
I had the stars on my wall.

18 I was guaranteed.
I would lose my teenage dream.
But it’s so funny how I got to look.
Like all the people in my comic books.
Now I’m a star on my wall.

Comic books.”

“…We are the Cartoon Heroes – oh-oh-oh
We are the ones who’re gonna last forever
We came out of a crazy mind – oh-oh-oh
And walked out on a piece of paper

Here comes Spiderman, arachnophobian
Welcome to the toon town party
Here comes Superman, from never-neverland
Welcome to the toon town party

We learned to run at speed of light
And to fall down from any height
It’s true, but just remember that
What we do is what you just can’t do

And all the worlds of craziness
A bunch of stars that’s chasing us
Frame by frame, to the extreme
One by one, we’re makin’ it fun”

Flaaaaaash!

flash

The Flash, o personagem que gostaríamos de ver competindo com Bolt também foi alvo de homenagens no mundo da música. “The Ballad of Barry Allen” (2003) do Jim’s Big Ego narra a trajetória da persona que dá vida ao Flash, Barry Allen.

“….And I’ll be there before you know it
I’ll be gone before you see me
And do you think you can imagine
Anything so lonely
And I know you’d really like me
But I never stick around
Because time keeps dragging on
And on…”

Capitão América

O herói mais patriota da história dos quadrinhos, Capitão América, não ia ficar fora das referências. Na canção do Moe. “Captain America” também tem homenagem ao Superman.

“Captain America said you gotta be like me
Or you’re gonna wind up dead last
At the end of your rope
Flat broke
Down and tired
You sleepy head
Won’t you go to bed
Let me run your life
Lies

Clark Kent ran for president
No one knew about the secrets locked in his head
Friends tried to take his life
Accusations flew
Flew like Kryptonite
Clark still looking good
What you gonna say
To make everything alright
Lies”

O Justiceiro

Outro personagem da Marvel a ganhar notoriedade no universo da música foi O Justiceiro. Quem presta o tributo são os caras do Megadeth em “Holy Wars…The Punisher Due” (1990). E de quebra, para uma canção totalmente politizada, pois denuncia a violência dos conflitos na Irlanda do Norte conhecido como “The Troubles”. Aliás, o próprio U2 tem uma música sobre o assunto, é claro.

Ainda no mundo do metal temos o guitarrista Joe Satriani com sua homenagem ao Surfista Prateado em “Surfing With The Alien”. Ouça e flutue nessa viagem espacial.

Motoqueiro Fantasma

O Motoqueiro Fantasma ganhou uma homenagem que também entrou na trilha de “Taxi Driver”. A canção presente no primeiro álbum dos punks do Suicide (1977) tem uma alta voltagem e vive perigosamente assim como o personagem.

O pesquisador musical Henry Rollins, ex-Black Flag e Rollins Band também regravou uma interessante versão do clássico do Suicide.

Mas vamos fechar com um verdadeiro “achado” das HQ’s. Um rap que adapta Guerras Secretas originais da Marvel. Mas mais do que isso, a faixa possui uma colaboração do mestre Stan “the man” Lee. A faixa do The Last Emperor contém parte 1 e parte 2.

Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura (parte 2)

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"O Hobbit", de Tolkien
"O Hobbit", de Tolkien

Sinestesia, por Rafael Chiocarello


livros

Na semana passada a SINESTESIA trouxe uma lista com 7 músicas que foram inspiradas em livros. Muitas canções ficaram de fora, claro. Vocês pediram e o pedido de vocês é uma ordem: teremos parte 2.

O Senhor Dos Anéis

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Em 1988, no primeiro álbum da banda de speed metal alemão Blind Guardian, já tivemos homenagem a um dos livros preferidos dos nerds: “O Senhor dos Anéis” de Tolkien. O disco Battalions of Fear” (1988)  conta com quatro faixas que fazem referências diretas a lenda épica. São elas: “Battalions of Fear“, “Run For The Night”. Já “By the Gates of Moria” e “Gandalf’s Rebirth”, que são canções instrumentais, têm a referência no próprio nome.

Dois anos depois eles lançaram o disco Tales from the Twilight” (1990) que contém  “Lost in the Twilight Hall” esta que detalha de uma maneira um tanto quanto poética: a épica batalha entre Gandalf e o Balrog.

Confira os trechos que não deixam dúvidas sobre a inspiração:

“Caçado pelos Orcs, sem Gandalf para ajudar com as espadas da noite
Oh! A última parte do jogo, decisão de morte e vida, 
sangue de Souron eles pedirão esta noite

O grito da batalha final.” – “Battalions of Fear”Blind Guardian

“Eu vejo a colina mas ela está tão longe, eu sei que não posso alcança-la
Mas eu tento várias vezes em meus sonhos sombrios
Ele está destruindo minha última vontade, até quando eu poderei ficar aqui?
Quando o mais poderoso de todos chegar”  – “Run For The Night”Blind Guardian

 Mas não foi só o Blind Guardian que trouxe o tema “O Senhor dos Anéis” a suas letras. Temos um fã de Tolkien que não cansou de citar referências a ele em sua obra, e esse senhor atende pelo nome de Robert Plant. Sim, Led Zeppelin tem uma porção de letras com referências a “O Hobbit”, algumas são teorias de fãs após ele ter admitido a inspiração. Porém vamos falar de uma que deixou isso um tanto quanto claro: “Ramble On”:

“Foi nas profundezas mais obscuras de Mordor,
Eu conheci uma garota tão atraente
Mas Gollum, e o maligno se aproximaram
sorrateiramente e fugiu com ela, ela, ela, yeah”“Ramble On”Led Zeppelin
O Hobbit

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Os temas épicos e aventuras épicas se repetem nas obra do Blind Guardian com inspirações em outros escritores como Stephen King, mas eles nos provam ser devotos de Tolkien. Dessa vez, o livro muda. Sai de cena “O Senhor dos Anéis” e entra “O Hobbit”.

Assim temos  “The Bard’s Song – The Hobbit” (Somewhere Far Beyond” – 1992) que fala sobre as aventuras de Bilbo Bolseiro do Tolkien.

“O amanhã nos levará embora, longe do ar, ninguém jamais saberá o nosso nome, mas as canções do Bardo permanecerão, o amanhã o levará embora, o medo de hoje, ele desaparecerá em nossas canções mágicas.” –“The Bard’s Song – The Hobbit”Blind Guardian

Mas de nerds o rock está repleto, afirmação que é mais verdadeira do que parece. O Rush é mais um exemplo de banda que deixou claro sua preferência pela literatura épica de Tolkien. Em “The Necromancer” do disco Caress Of Steel” (1975) temos referência a épica aventura de Frodo, Sam e Gollum em Mordor.
“…Os três viajantes, homens de Willowdale,
Surgem da sobra da floresta.
Passando pelo Rio Dawn, eles se viram para o sul, entrando
Nas escuras e proibidas terras do Necromante…””…O silêncio encobre a floresta
Enquanto os pássaros anunciam a alvorada
Três viajantes passaram pelo rio
E continuaram viajando para sul
A estrada é forrada de perigos
O ar é carregado com medo
A sombra de sua proximidade
Pesa como lágrimas de ferro”
“….O Necromante continua observando com olhos mágicos de prisma.Ele vê toda sua terra e já tem conhecimento
Dos três desamparados invasores presos em seu covil…
Meditando em sua torre
Observando toda a sua terra
Segurando cada criatura
Sem esperanças eles ficam
Olham destro dos prismas
Sabendo que estão perto
Leva-os até as masmorras
Espectros tomados pelo medo
Eles se curvam, derrotados” – “The Necromancer” – Rush

The Forbidden (“O Proibido”)

candcandyman
Talvez esse livro seja mais conhecido dos amantes da literatura de terror do que dos fãs da literatura em geral. E foi em “The Forbidden” (de Clive Barker), um livro de “terror”, que Paul Weller se inspirou para escrever “Dreams Of Children”. A faixa entrou no disco Compact SNAP!” (1983).

Em 1992, o livro ganhou uma adaptação para cinema “Candyman” (“O Mistério de Candyman”), um filme que tem todos elementos do terror slasher/thriller. O filme, que completou 14 anos no último dia 11/09, no site do IMDB está avaliado com um 6,5.

Na história do livro, um vendedor de doces mata criancinhas para ter a reputação de assombrar os sonhos delas.

“Sentei-me sozinho com os sonhos das crianças
salgueiros e alto edifício escuro
Eu peguei uma forma de os sonhos das crianças
Mas acordei suando deste pesadelo moderno e
eu estava sozinho, não havia ninguém lá

 Tive um vislumbre dos sonhos das crianças
 Eu tenho um sentimento de otimismo
 Mas acordei com uma imagem cinzenta e solitária
 As ruas abaixo me fazem sentir sujo,
 eu estava sozinho, não tinha ninguém ali” – “Dreams Of Children” – The Jam

Yertle The Turtle

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O livro “Yertle The Turtle” (1958) de Dr. Seuss (Theodor Seuss Geisel) é um livro repleto de ilustrações, mas nem por isso fez com que os Red Hot Chili Peppers deixassem passar batido. Em 1985, os californianos lançaram em “Freaky Styley” uma faixa de mesmo nome da obra de Dr. Seuss.

A história do livro é simples e a personagem é um pouco digamos “do mal”. A tartaruga macho Yertle não fica contente com a sua posição e então instrui as outras tartarugas para que virem seu trono para que assim ele possa ver melhor. Claramente com essa ideia de jerico ele acaba machucando as outras tartarugas… Só que ele não dá a mínima. Como uma boa fábula, ele tem seu revés. Uma hora a tartaruga que está na base – sobrecarregada com o peso de todas as outras – se cansa e começa a se mexer para sair lá debaixo. Nisso, Yertle é arremessado para longe do trono… Caindo literalmente na lama. Assim ele se torna Yertle, o “rei da lama”.

O Senhor das Moscas

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Acredite se quiser, mas até o Offspring tem letras com referências literárias. Em 2008 eles lançaram o disco Rise and Fall, Rage and Grace” e ele continha uma canção que pode ser considerada um hit menor dentro da discografia do conjunto californiano, “You Gonna Go Far, Kid”.

Poucos sabem, mas a canção tem referências a um livro vencedor de prêmio Nobel – da edição de 1983 – “O Senhor das Moscas” (1954) de William Golding. Uma curiosidade é que neste sábado (17) a obra completa 52 anos de sua primeira publicação. A obra de ficção juvenil inclusive teve duas adaptações para o cinema, a primeira em 1963 e a segunda em 1990.
Além da referência estar presente logo no nome com uma das principais linhas do livro temos outras frases que são transcritas diretamente da obra para a canção. “Álibis espertos / Senhor das moscas“, “Virando todos contra um” que se refere a todas crianças virando as costas para Piggy e Simon. Já “Com mil mentiras / E um bom disfarce / Acerte ela bem no meio dos olhos” se refere ao plot do livro por si só, sendo um breve resumo da obra.
Mas claro que o refrão que ia ser o trecho mais significativo: “E agora você foca o caminho / Mostre a luz do dia / Fez um bom trabalho / Você vai longe, garoto

O Jogo do Exterminador

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Se começamos a lista com o pesado do metal, vamos terminar com algo mais leve, acústico e bastante emotivo. Quem desta vez apelou para o recurso literário como influência direta em sua criação foi o Dashboard Confessional em “Ender Will Save Us All”.

No título em inglês, o livro chama “Ender’s Game” e foi publicado em 1985 por Orson Scott Card. Tendo anteriormente se originado como o conto “Ender’s Game”, publicado em 1977 na edição de agosto de revista de ficção científica Analog Science Fiction and Fact.

Na saga, Ender tem supostamente a missão de salvar o mundo acabando com uma espécie inteira. A letra da canção em sua maioria interpreta o sentimento conflitivo de Ender tem enquanto lutava para o  “salvar o mundo”.

Afinal de contas, durante esta solitária batalha, ele está sendo completamente rejeitado por ele.Tudo isso se traduz nessa linha com certa intensidade: “Um olhar de esperança envolto em desprezo”. Uma outra referência que fica divertida de saber é que Ender é o nome do meio de um dos membros do Dashboard, então fica de certa forma uma letra um pouco “ambígua” e confessional.

Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura

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Kate Bush
Kate Bush

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O mais lindo do mundo das artes talvez seja como o olhar clínico de seu receptor altera toda a perspectiva sobre algum fato, ato ou história. Isso é mágico e de certa forma quando alguém com um repertório significativo e um universo imaginativo livre de limites e preconceitos compartilha esse conhecimento: se transforma em mais arte.

Hoje vamos viajar pelo mundo fantástico das entrelinhas, não necessariamente no realismo fantástico de Neil Gaiman ou Gabriel Garcia Marquez mas em como o mundo da literatura – na mão de bons compositores – ganha uma nova página na história da música. Nada mais propício após o encerramento da vigésima quarta edição da Bienal do Livro de São Paulo.

literatura

A canção “Killing An Arab” do The Cure foi escrita em 1978 e inspirada pelo livro “O Estrangeiro” (1942) da fase filosófica “absurdista”/existencialista do escritor francês Albert Camus.

A história é simples porém intrigante e atual de certa forma, se vermos os recorrentes conflitos entre França e o mundo árabe. Para quem não sabe, a Argélia é um país onde aconteceu uma dominação/colonização francesa e seus colonizados se tornaram súditos do reino francês. No roteiro, um homem franco-argelino é o protagonista. E dias após o funeral de sua mãe, mata um árabe que estava em um conflito com um amigo.

O personagem, que atende pelo nome de Meursault, é preso e sentenciado a pena de morte. O autor utiliza de um recurso literário interessante – e intrigante – em que a história é a subdividida em duas partes. A primeira contando sua perspectiva e pensamentos em primeira pessoa dos ocorridos antes e outra depois do assassinato.

Um fato interessante é que o livro inicialmente não foi um sucesso comercial, tendo vendido apenas cerca de 4 mil cópias. Mas nada como o livro cair na mão da pessoa certa, não é mesmo?  No caso foi ninguém mais ninguém menos que Jean-Paul Sartre, que escreveu um artigo explicando o livro com suas interpretações pessoais. Depois disso, o livro teve seu sucesso por assim dizer, sendo considerado um clássico da literatura do século XX.

A canção do The Cure é polêmica e gerou certa dor de cabeça para Robert Smith. Tudo isso por pura ignorância de quem leva a canção literalmente ao pé da letra. Alguns alegaram que a faixa promove violência contra os árabes, chegando ao disco de singles, Standing On The Beach” (1986) a ser comercializado com um adesivo alertando sobre o conteúdo “racista”.

Ao saber desse fato ~queima filme~ Smith mandou descontinuar essa prensagem com medo de que as vendas do álbum se tornassem um grande fracasso. Após anos colecionando polêmicas pós-acontecimentos midiáticos como a guerra do golfo e o 11 de setembro, em 2005 eles voltaram a incluir a canção em seus sets porém com a letra modificada para “Kissing An Arab”. Por essa Albert Camus jamais sonharia.

Após o sucesso da trajetória meteórica de Ziggy Stardust por esse planeta e um dos mais incríveis álbuns da carreira de David Bowie, chegávamos ao ano de 1973. E ele continuava na crista da onda, numa fase regada de excessos, purpurina e viagens psicodélicas, a ponto de, conectado ao art rock nova iorquino, se aventurar a fazer um álbum inteiro baseado em um dos maiores clássicos da literatura mundial: 1984″ (1948) de George Orwell.

Claro que este só foi o ponto de partida para Diamond Dogs” (1973), pois ele reimaginou a versão glam pós apocalíptica dos temas totalitários da obra do escritor. Como a maioria das pessoas sabe, Bowie era um artista completo e moda, cinema, teatro e música eram extensões de sua arte. A ideia inicial era fazer uma produção teatral do livro, porém Orwell barrou. Sério gente, que ERRO! Teria com certeza ficado incrível, algo na linha “Rocky Horror Picture Show de 1984.

O álbum também marca o fim da era do personagem Ziggy Stardust. Em seu lugar entra Halloween Jack e teve como um dos primeiros singles a ser lançados “Rebel Rebel”. Preciso descrever o visual de Bowie nessa nova fase? Acho que todos já mentalizaram.

Um detalhe interessante é que a prensagem original do disco termina com o barulho: “Bruh/bruh/bruh/bruh/bruh“, que para quem já leu o livro ou viu o filme do 1984 logo identifica como primeira sílaba de “(Big) Brother” sendo repetida incessantemente. Tão o jeito Bowie de perturbar.

Com certeza você já ouviu “Sympathy for the Devil”, sendo fã dos Rolling Stones ou não. Mas poucos sabem a origem da canção: alguns mais preconceituosos cravam como Jagger vendendo a alma para diabo ou algo do tipo, pois desconhecem a real inspiração para a canção que vem diretamente do mundo da literatura.

A faixa que integra o disco Beggars Banquet” (1968) foi composta pela dupla Keith Richards e Mick Jagger. Originalmente, a canção chamava – durante o período de composição – “The Devil In Me” e Jagger cantava seus versos sendo o diabo em pessoa e se gabava do seu controle sobre os eventos da humanidade. Não sei o que seria do mundo se essa versão tivesse sido a final, mas o caos estaria instaurado, já que na versão mais “light” deu toda a polêmica satanista que temos conhecimento.

Em 2012, Mick Jagger afirmou que na verdade a inspiração para a letra veio de dois escritores: o poeta francês (e tradutor de Edgar Allan Poe) Charles Baudelaire e de “O Mestre e a Margarita” do russo Mikhail Bulgakov, além de creditar o estilo a narrativa do estilo das composições de Bob Dylan. Para deixar a atmosfera mais quebradiça e “torta”, Keith Richards deu a ideia de mudar o tempo da canção e adicionar percussão, assim transformando a antes canção folk em algo perto de um samba feito por britânicos.

O livro russo traz uma curiosidade um tanto quanto diferente. Escrito entre os anos de 1928 e 1940, ele só foi publicado em 1967. Alguns dirão claramente que foi por censura, devido ao teor político bastante forte, já que seu roteiro fala sobre a visita do demônio à URSS durante o período de crescimento do ateísmo na região. Alguns críticos consideram a obra uma das melhores do século XX, muito por conta das sátiras bem humoradas da descrição dos arquétipos soviéticos.

Se você gosta de Florence & The Machine, Cat Power, Bjork, St Vincent, PJ Harvey, Madonna, Ladyhawke, Bat For Lashes e Goldfrapp, deveria agradecer pela existência da Kate Bush. Todas artistas foram influenciadas crucialmente pela artista. A canção “Wuthering Heights” foi o single de estreia da Kate para o mundo em 1978 e foi direto pro topo das paradas do UK.

A composição foi escrita por Kate Bush aos 18 anos e é inspirada num livro de mesmo nome, que em português foi traduzido como “Morro dos Ventos Uivantes”. Mas o que poucos sabem é que até então ela nem tinha tido contato com a obra literária e sim com uma adaptação para mini-série feita pela rede de televisão britânica BBC.

A letra é inspirada nos últimos 10 minutos da adaptação que foi ao ar em 1967. Sim, a letra já tinha 10 anos quando tivemos o lançamento consumado. Depois claro que Kate foi atrás do livro e descobriu um fato: ela faz aniversário no mesmo dia da escritora Emily Brontë, 30 de Julho.

O livro trata-se de um romance do período gótico da literatura, é a única obra da escritora, e foi lançado em 1847. Ou seja: no ano em que Bush assistiu a mini-série na TV a obra estava completando seus 120 anos. Hoje em dia é considerado um dos clássicos da literatura inglesa do século XIX. Em 1993, os metaleiros do Angra regravaram a canção para seu álbum de estreia, Angels Cry”. Repare na apresentadora do programa da Rede Mulher tirando onda com André e Kiko (que fazem um playback  muito do safado, já que o programa não tem nada a ver com a banda).

Vocês com certeza já ouviram falar da Clarice Lispector, mas talvez não da canção “A Hora da Estrela” do Pato Fu. 30 anos depois do lançamento do último livro publicado em vida da escritora, a faixa está presente no álbum, “Daqui pro Futuro” (2007).

Durante entrevista com a banda em 2007 para o portal UOL em que questionaram o fato eles responderam:

“Tem a ver e dá para se fazer uma leitura. Quem conhece a obra dela vai encontrar a história do livro. Mas também tem outra leitura sobre pessoas que querem virar estrelas e fazer sucesso. Elas acham que parece fácil virar a vida em um clique, mas isto exige talento. O livro é uma referência muito preciosa. Sobre a literatura: nós lemos desde Stephen King a Clarice Lispector, de tudo um pouquinho, os temas são muito variados. Como viajamos muito, temos que ter sempre um livro a mão.”

“Epitáfio” dos Titãs teve sua inspiração em um poema de Nadine Stair. O curioso foi que a poetisa americana no momento que escreveu sua prosa tinha 85 anos de idade. Realmente, se pararmos para ler o poema, notamos a similaridade com a composição de Sérgio Britto:

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade
bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria em mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos.

Não percam o agora.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e
continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, como sabem, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.” Poema datado de 1935

Um clássico de Marisa Monte, “Amor I Love You” também bebe das fontes literárias. Se você já fez vestibular em algum momento de sua vida provavelmente lembrará do famoso trecho que Marisa homenageia na canção. Afinal de contas, “Primo Basílio” (1878) de Eça de Queiroz é recorrente nas listas de livros obrigatórios para o processo seletivo.

A canção que foi hit no ano 2000 em todo país chegou a ser indicada na categoria de melhor canção brasileira no Grammy Latino, foi tema da novela “Laços de Família” (TV Globo) e teve seu videoclipe premiado na categoria “Melhor Videoclipe de MPB” no VMB.

Na faixa o trecho é recitado pelo Arnaldo Antunes, ex-Titãs, de maneira poética:

“…tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.”

Para fechar escolhi uma música nada óbvia de um dos grandes artistas do Brasil, Zé Ramalho. “Admirável Gado Novo” (1979), consegue fazer a história da agricultura do interior do país dialogar com logo dois clássicos da literatura mundial: “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley) e “1984” (George Orwell).

O romance de Huxley narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.

Assim vemos o tom forte da canção criticando a falta de mobilidade social. A ilusão de que as coisas vão melhorar mesmo trabalhando abaixo de circustâncias sub-humanas. Em “Cidadão”, Zé também mostra o sofrimento e dificuldade da classe operária em conseguir cravar seu espaço na sociedade.

A canção ganhou um fôlego em 1996 quando entrou para a trilha da novela “O Rei do Gado”. Cássia Eller no ano seguinte regravou para o álbum Música Urbana” (1997).

Ecléticas e envolventes: conheça as pérolas escondidas nas trilhas dos jogos da FIFA

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FIFA Soccer

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje não vamos falar de cinema, muito menos de série. Mas nem por isso trilha sonora vai ficar de fora, é claro. Ainda em meio a clima olímpico e ouro inédito no futebol masculino vamos falar de outra paixão nacional: vídeo games.

ALLEJO
Allejo, o eterno “Pelé” do jogo International Superstar Soccer (SNES)

Recentemente vimos um vencedor de prêmio Puskas, o até então semi-desconhecido Wendell Lira, virar gamer profissional. O jogador que pouco tempo após o gol – marcado pelo Goianésia durante o modesto campeonato goiano –  foi dispensado do time que disputa a quarta divisão do campeonato nacional.

Após a fama “meteórica”, ele teve propostas de times do Brasil todo, acabou até fechando um contrato com o Vila Nova (Goiás) que após 3 jogos foi rescindido. Ele até teve propostas de outros clubes como o Audax (do Vampeta – ex-Corinthians e pentacampeão), mas aos 27 ele “aposentou as chuteiras” e migrou para o futebol de apartamento.

Sobre sua decisão, Wendell até falou um pouco para o Uol no fim de julho:

“Decidi que é hora de parar”, disse o jogador em vídeo promocional. “Várias situações me motivaram a essa decisão. O gol marcou minha carreira, foi inesquecível, mas eu tive muitas desilusões no futebol. Infelizmente há pessoas boas, mas há pessoas muito ruins no futebol, que não pensam na família ou no jogador.

Tive muitos problemas e como eu já era um apaixonado por games, recebi uma proposta muito boa para iniciar este projeto, que me levaria a ter um futuro melhor, já que no futebol teria mais três ou quatro anos de carreira em um nível intermediário. Todos sabem a dificuldade dos clubes menores. Foi a melhor decisão”

Caso se interesse por saber mais sobre o novo rumo de Wendell dentro das quatro linhas – virtuais – do FIFA fique por dentro através de seu canal de youtube WLPSKS.

FIFAR
“Os bugs” de FIFA costumam fazer sucesso na internet

No dia 27 de setembro (29 no resto do mundo) chegará ao mercado norte-americano a vigéssima quarta edição da franquia de games FIFA. Um game muito esperado, pois será a primeira que teremos o adendo do futebol feminino, algo que é pedido já a muitos anos e que FINALMENTE ganha espaço. Outra novidade será que veremos os treinadores “trabalhando” de dentro do campo e será possível interagir com eles.

Muita coisa mudou desde o início do jogo que foi ao mercado pela primeira vez no fim de 1993 e já passou por um número vasto de consoles, tendo até desdobramentos como Fifa Street e Fifa World Cup. Muitas ligas foram adicionadas, direitos de imagem foram negociados e os gráficos a cada ano que passam ficam mais realistas. Sem esquecer, claro, da jogabilidade, do modo “manager” de carreira e das trilhas sonoras. E é neste ponto que queria chegar: vocês já pararam para prestar atenção nas pérolas que as soundtracks de FIFA possuem?

Hoje irei fazer algo diferente: ao invés de dissecar faixa a faixa a trilha de uma edição, vou escolher algumas para destacar. Acredite se quiser, vocês irão se surpreender. E funcionará perfeitamente como aquecimento para revelação da trilha de FIFA ’17 – algo guardado a sete chaves pela equipe da EA SPORTS.

Em 2016 tivemos a aparição da banda brasileira sensação: Baiana System. Misturando o axé baiano, o som dos som sistemas, reggae, cumbia, afroxé e beats eletrônicos que têm conquistado não só o coração dos brasileiros, mas o mundo. No game, “Playsom” traz toda essa conexão Brasil-Kingston-Berlim para nossos ouvidos. Quem já pôde vê-los ao vivo nos conta que a energia da combinação destes ritmos é envolvente como a energia de uma escola de samba.

Ainda na trilha de 2016, quem traz a energia para as pistas de dança é o grupo colombiano Bomba Estéreo. Com a explosão do reggaeton e o sucesso de M.I.A., este tipo de som têm ganhado adeptos ao longo dos anos. Eles se denominam como eletro-tropical ou cumbia psicodélica. O que importa é que é ficar parado não é opção após o play:

Mas fiquem calmos que a última edição não tirou o espaço do rock alternativo – que sempre tem espaço nas trilhas do jogo – da área. E porque não uma banda portuguesa que tenho contato a alguns anos e transmite uma energia muito boa, o X-Wife?

A música que participa da soundtrack é “Movin Up”, que tem uma levada lo-fi descompromissada misturada com beats eletrônicos e metais. Segue aquela linha do Cansei de Ser Sexy e Bombay Bicycle Club. Certamente irá conquistar fãs de Arctic Monkeys, Kasabian e The Knife:

Direto da terra do Tame Impala e com influências de Of Montreal e Devendra Banhart e do polêmico Kanye West vem o The Griswolds. Aliás, ela é altamente recomendável para fãs de Passion Pit, tendo inclusive excursionado juntas. Na tracklist de FIFA ’15 eles aparecem com a festiva e inocente “16 years”.

Dez anos após o lançamento do icônico álbum de estreia, o duo canadense Death From Above 1979 lançou seu segundo disco. Muitas faixas estavam “engavetadas” do primeiro trabalho e soam como continuação do disquinho. Para coroar toda essa espera, a trilha de FIFA ’15 conta com “Crystal Ball”, uma canção para fritar na pista de dança.

Em 2014 quem chegou “tombando” tudo foi Karol Conka. Mas a canção que embala o tom da prosa não foi “Tombei”, e sim “Boa Noite”. A rapper curitibana mostrou seu poder e som contagiante desde então em uma subida que parece não ter limites:

Mas é nas diferenças que as trilhas de FIFA ganham seu brilho. Representando a música inglesa e seu rico cenário eletrônico temos o Crystal Fighters que em 2013 chegou junto com seu eletro-folk tribal. A festa ficou ainda mais contagiante ao som da eletrizante, “Follow”:

Misturando rumba, flamenco, música eletrônica e música latina direto da Espanha temos a Macaco. Assim como o Gogol Bordello, o conjunto catalão contém membros de países do mundo todo (Brasil, Suécia, Camarões, Venezuela e Espanha), e tem na mistura sua força motriz. No FIFA ’12, “Una Sola Voz” está presente na trilha. O grupo já esteve presente no FIFA ’09 e FIFA ’10 com respectivamente “Moving” e “Hacen Falta Dos”.

A  Ana Tijoux é francesa de nascimento mas escolheu o Chile como terra de coração e solta suas rimas com primor em “1977”, faixa que faz parte de seu quinto álbum solo, que teve sucesso tanto na América Latina como nos EUA. A soundtrack de FIFA ’11 não foi a única que a utilizou: a série Breaking Bad também adicionou a cantora a seus discos de cabeceira.

Uma das mais emblemáticas e importantes bandas do ska argentino não ia ficar de fora dessa festa: com todo gingado boleiro, Los Fabulosos Cadillacs faz um gol de placa – na trilha de FIFA ’10 – com “La Luz del Ritmo”.

O consagrado duo norueguês de música eletrônica Röyksopp dominou no peito e após driblar o adversário bateu para o gol com a viajante “It’s What You Want”. O som deles mistura o ambient, o house, o drum & bass com ritmos latinos. Um destaque que quem joga não verá – se não procurar no Google – é o visual excêntrico dos estranhões que em sua carreira tem uma indicação para o Grammy.

As descobertas não param e direto da Bélgica – um país que tem uma diversidade musical incrível – temos Zap Mama. Se eu não tivesse lido que a artista é de lá eu jamais chutaria que é belga, porém o som me deixou intrigado desde a primeira nota. É uma loucura sonora de um mistura interessantíssima: hip-hop, nu soul com elementos de jazz e pop. Com raízes musicais africanas, ela canta em inglês e em francês. Na trilha de FIFA ’10 ela aparece com “Vibrations”.

Voltemos ao bom e velho rock’n’roll: em 09′ quem deu as caras foram os escoceses do The Fratellis com “Tell Me a Lie”, canção presente no segundo disco do grupo – Here We Stand” (2008). O grupo liderado por John Fratelli ficou sem lançar nada até 2013, após neste período anunciar um longo hiato e John se arriscar em carreira solo.

Uma das canções mais conhecidas das gêmeas idênticas do The Veronicas, “Untouched”, está presente –  no jogo de ’09 – com seu eletropop/alternativo. Uma curiosidade é que , ex-Holly Tree, lá em 2008 tocou como guitarrista no conjunto.

Em 2008 uma das bandas que eu mais gosto da Australia, The Cat Empire, entrou na trilha do game com o hit “Sly”. O mais curioso é que o som da banda tem uma veia latina fortíssima com seu jazz que mistura ritmos latinos com o ska, o funk, o rock e até um pouco da salsa. Já pude presenciar o show deles em três oportunidades e digo e repito: Não perca de jeito nenhum em uma futura visita ao país.

No mesmo ano temos uma banda da Alemanha, mas calma: não vou anunciar mais um gol do Khedira, por mais que o grupo represente muito bem a música pop germânica. Lembro quando ouvi pela primeira vez a canção “Nur Ein Wort” na MTV Europa e ter escrito num post-it para baixar depois – em meados de julho de 2005 (9 anos antes do fatídico 7×1).

Enfim, na trilha temos Endlich Ein Grund Zur Panik”, canção que conta com um divertido clipe que “tira onda” com a imagem dos super heróis e vale a pena apertar o play. 

Em 07′ a Coréia do Sul foi representada pelos “bizarros” e aleatórios Epik High. A canção não é muito minha cara com seu hip hop made in Seoul. Porém a título de curiosidade segue o o clipe de “Fly”:

Mas se estamos falando de música diferente feita ao redor do mundo, porque não um Nu Metal italiano? E assim chegamos a soundtrack de FIFA 06′ com Inno All’Odio” do LINEA77. Eu não sei vocês, mas eu nunca tinha parado para imaginar Nu Metal feito em italiano e achei de certa forma cômico. 

Para fechar a lista de alguns dos muitos destaques e pérolas dos últimos 10 anos da trilha sonora da série de games FIFA, um clássico. Sim, já podemos afirmar tranquilamente que “Daft Punk Is Playing at My House” do LCD Soundsystem, um dos grandes clássicos dos 00’s.

E desta forma encerramos os trabalhos por hoje com novos sons para agitar sua playlist e também fazer a trilha daquela pelada no fim de semana. Arranje uma caixa de som e bom jogo!

“Death Proof”: a trilha de Tarantino à prova de críticas

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Death Proof

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje vamos falar de uma trilha sonora de tirar o fôlego. Sangrenta, voraz, perversa, dura, arriscada e à prova de morte. Pois é, hoje subimos a bordo do carro mais indestrutível de Hollywood em mais uma odisseia de Quentin Tarantino.

Quen

Antes de qualquer coisa temos que saber que Death Proof” (“À Prova de Morte” – 2007)  faz parte da saga “Grindhouse” (2007), que foi co-escrita, produzida e dirigida por Robert Rodriguez e Quentin Tarantino e que conta também com o filme Planet Terror” (“Planeta Terror” – 2007, de Robert Rodriguez).

Uma curiosidade à parte está na parte de divulgação do projeto, que inclui trailers fictícios para atrações, comerciais e anúncios de teatro, assim explorando ainda mais a transmídia do “produto final” e inovando esse segmento.

Grind House (Death Proof)

“Ao cair da noite, Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), a DJ mais sexy de Austin, pode enfim se divertir com as suas duas melhores amigas. As três garotas saem noite adentro, atraindo a atenção de todos os freqüentadores masculinos dos bares e boates do Texas. Mas nem toda a atenção é inocente. Cobrindo de perto seus movimentos está Stuntman Mike (Kurt Russell), um rebelde inquieto e temperamental que se esconde atrás do volante do seu carro indestrutível.” (Sinopse por AdoroCinema)

O filme conta com uma fotografia incrível em tons mais escuros. Claro, em parte temos isso por ser um filme de terror. Alguns inclusive encaixam a saga “Grindhouse” como um filme B, porém refinado.

Briga

A narrativa e a velocidade dos acontecimentos e personagens com personalidades fortes também são uma marca do plot. Tarantino neste filme empodera os personagens femininos que, diferentemente dos roteiros convencionais, comandam o rumo da história.

Mas sem SPOILERS, pois é um filme que merece ser assistido mais de uma vez para não se perder um segundo desta trama que deixa tudo de cabeça para baixo – e seu queixo caído. Vamos então a uma das soundtracks mais elogiadas de toda carreira de Tarantino, por mais que a que tenha levado o Oscar tenha sida a de seu mais recente filme, The Hateful Eight” (“Os Oito Odiados” – 2015).

Logo de cara já temos a belíssima – e instrumental – “The Last Race”, uma antiga canção de Jack Nitzsche datada de 1965. As ondas surfadélicas dão todo o ritmo da prosa. A canção também é o tema do filme Village Of The Giants” (1965), que explora a ficção científica mesclada com o gênero da comédia.

Seguimos com “Baby It’s You” (1969) do A Group Called Smith, que foi uma banda californiana do fim dos anos 60 que bebia da fonte do blues e do melhor do groovie de artistas como Etta James, Tina Turner e beirava a psicodelia. A canção que estrela o filme é uma versão de Burt Bacharach, um pianista nascido no começo do século XX que ao longo da carreira ganhou 6 Grammys por suas composições.

O maestro preferido de Tarantino não poderia ficar de fora, não é mesmo? Em Death Proof” Ennio Morricone entra na trilha sonora com a canção “Paranoia Prima”. Vale lembrar que não é a primeira vez que ela aparece na sétima arte. Ennio compôs ela para o filme “O Gato de Nove Caudas” (1971), do lendário diretor de cinema italiano Dario Argento. Outra canção que também toca no filme – mas que não entrou para o disco da trilha – é “Violenza Inattesa”.

Para dar uma incrementada na narrativa da soundtrack, Tarantino coloca um diálogo do filme na quarta faixa do disco. Nele, o vilão do filme conta de seu plano macabro para “dopar” suas vítimas indefesas.

Quem chega chegando com um clássico literalmente sacado da cartola é Marc Bolan com “Jeepster”, um clássico do T.Rex. A canção está presente no disco Electric Warrior” (1971), o sexto lançamento do grupo, sendo considerado um dos discos fundamentais do rock inglês. Outro hit do disco é “Get It On”, ou seja, veredito: discaço!

Para deixar a atmosfera ainda mais feroz, Tarantino coloca um diálogo entre o personagem Stuntman – nosso motorista impiedoso – e uma de suas vítimas.

Com uma veia mais sagaz, espírito do funk/blues e soul music temos “Staggolee” (1970) do grupo Pacific Gas & Eletric. Os vocais mais melódicos e bem cantados têm origem na música gospel americana. Inclusive o maior hit da banda está presente nesse mesmo disco, mais precisamente na faixa “Are You Ready” que tem essa levada mais espiritualizada.

Na sequência temos Joe Tex com a balada romântica cheia de groove e melodia “The Love You Save”, canção datada de 1966 e um dos destaques do southern soul americano das décadas de 60/70. Funk, blues e gospel é a essência do som do texano.

Do Alabama, mas criado no estado do Michigan, temos outra lenda viva na trilha que atende pelo nome Eddie Floyd. Com as mesmas raízes musicais do Pacific Gas & Eletric e Joe Tex temos uma tríade que bebe do southern soul e do R&B. Tarantino escolheu para o filme “Good Love, Bad Love”.

Uma das cenas imortalizadas na memória dos fãs de Tarantino com certeza é a cena de lap dance de Death Proof”, tanto pela sensualidade explícita como pela incrível trilha de “Down In Mexico” do The Coasters.

Não é à toa que a canção escrita por Jerry Leiber e Mike Stoller chegou ao oitavo lugar da parada R&B em 1956. Uma curiosidade: a versão que entrou no filme é uma regravação feita em 1970.

Para chegar chutando tudo para o alto e aumentar o volume quem chega é Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich com o clássico garageiro “Hold Tight”. O single foi lançado em 1966 e chegou ao quarto lugar das paradas britânicas e foi escrita por Ken HowardAlan Blaikley.

Mais uma vez de olho na Itália, Tarantino nos traz o pianista Pino Donaggio com a dramática “Sally & Jack”. A canção também está presente no filme Blow Out” (1981) de Brian De Palma, estrelando John Travolta e Nancy Allen, um slasher movie. Bons entendedores de filmes de terror lembrarão.

Para deixar tudo mais rock’n’roll e caótico temos “It’s So Easy” do Willy Deville, um músico que viveu de sua guitarra com seu blues que mesclava ritmos latinos, country e uma infinidade de estilos folclóricos. A canção também está presente na soundtrack do filme Cruising” (1980).

Chegando à beira do abismo, Tarantino apimenta a trilha com um diálogo mais ríspido entre as garotas do filme. Para deixar o clima lá no alto com uma percussão marcante de tambores, cítara e muita tensão em seguida temos Eddie Beram com “Riot In The Thunder Alley”, canção instrumental que também figura na soundtrack do filme Thunder Alley” (1967).

A cartunista April March, nascida como Elinor Blake é uma cantora que canta tanto em inglês como em francês. Inclusive, Elinor inclusive atua no filme e vou deixar a tarefa de descobrir quem é a personagem dela para vocês. Acharam que iam ter tudo de mão beijada? No filme a canção escolhida é “Chick Habit” (1995). A versão francesa da canção também está na trilha mas não entrou no disco.

Também figuram a trilha e não foram incluídos no disco: Guido & Maurízio com a fugaz e funkeada “Gangster Story”,  a trilha a la 007 de Franco Micalizzi com “Italia A Mano Armata”, Stelvio Cipriani com a orquestrada “La Polizia sta a guardare”, o funk good vibes “Funky Farfare” de Keith Mansfield e “Twisted Nerve”, que também aparece em “Kill Bill” e reforça ainda mais a teoria apocalíptica de que todo filme do Tarantino é interligado.

American Pie: a primeira trilha sonora adolescente é inesquecível

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American Pie

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Em 1999, o mundo conhecia “American Pie – A primeira vez é inesquecível”. Na mesma linha de filmes como Não é Mais um Besteirol Americano” (2001) e “Cara, Cadê Meu Carro?” (2000), o filme foi uma espécie de blockbuster. Para vocês terem uma ideia do sucesso estrondoso, o orçamento do filme era de 11 milhões de dólares e a bilheteria arrecadou US$ 235.483.004,00. Ou seja, sucesso absoluto entre o público jovem!

Com a direção dos irmãos Paul e Chris Heitz, o filme conta as aventuras de um grupo de cinco jovens: Jim Leveinstein (Jason Biggs), Kevin Myiers (Thomas Ian Nicholas), Chris “Oz” Ostreicher (Chris Klein), Paul Finch (Eddie Kaye Thomas) e Steve Stifler (Sean William Scott).

American pie

“Às vésperas do baile de formatura, quatro amigos virgens – Jim (Jason Biggs), Kevin (Thomas Ian Nicholas), Oz (Chris Klein) e Finch (Eddie Kaye Thomas) – fazem um pacto para perder a virgindade, custe o que custar, nas 24 horas seguintes.” Por: Adoro Cinema

Sim, o tema central do filme – como a maioria já sabe e provavelmente já viu – é o sexo. Neste primeiro filme do que mais tarde se tornaria uma saga, ele fica mais em evidência ainda, visto que o tema central é o da virgindade e sua luta incessante para perdê-la.

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Mais do que apenas mostrar o lado dos adolescentes o filme também mostra através do pai de Jim, Nohan Levenstein (Eugene Levy) os conflitos de gerações e a dificuldade de estabelecer um diálogo equilibrado sobre “sexo” dentro de casa.

A epopeia da turma acaba falando muito mais de como chegar lá. Os conflitos causados por essa ansiedade experiências traumáticas dão o rumo da jornada. Um fato engraçado é também notar que vemos o poder de um viral já em 1999 no início da popularização da internet, quando Jim é vitima de seu vídeo tendo uma “ejaculação precoce” viralize e vire motivo de chacota perante toda sua turma.

calcinha

Mas nem tudo é trauma na trama, cada um de certa forma de maneira mais convencional ou não, consegue. Claro, com aquela dose milimetricamente calculada de bom humor e entretenimento.

Depois desse filme ainda viriam American Pie 2″ (2001), American Wedding” (2003) e American Reunion” (2012) que fecha o ciclo e conseguiu deixar muito marmanjo chorando com a despedida de uma geração que pode acompanhar de perto.

Entre uma torta de maçã – uma piada do Stifler – e outra, também temos o destaque pela trilha sonora, é claro! E essa vem recheada com muitas curiosidades, hits radiofônicos e marca muito bem a época.

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A soundtrack do filme alcançou a posição número 50 na parada Billboard 200, um feito. Aliás, filmes nessa linha surpreendem por geralmente conseguirem estabelecer boas trilhas e como resultado boas vendas. Ou seja, lucro em dobro!

Da maneira mais descontraída e representando bem aquele espírito moleque skatista sossegado bicho grilo anos 90, temos logo de cara o Third Eyed Blind com “New Girl”. Música presente no terceiro disco da banda, Blue” (1999). A curiosidade é que nesse disco quem assume as baquetas é o baterista de outra banda que representa bastante esse fim de anos 90, Smash Mouth.

Misturando o pop de grupos como Backstreet Boys e NSync a uma levada próxima do new metal temos a desconhecida Tonic, com “You Wanted More”. Se vocês já ouviram falar de uma banda chamada Semisonic, provavelmente vão entender a levada “inofensiva” e descartável da canção.

O clipe inclusive é de certa forma bastante tosco e mostra a rotina de um colégio, com a banda tocando na quadra poliesportiva. Mais anos 90 do que isso só o Máskara sambando na nossa cara.

O Blink 182 foi a banda que realmente pôde ter seus 15 minutos de fama através de uma “pontinha” dentro do filme. E isso rolou quase por acaso. O agente de Tom Delonge comentou que o filme “precisava de uma banda”. E foi assim que surgiu o convite para eles estrelarem uma cena dentro do enredo.

Uma curiosidade: Nos créditos, Travis Barker é creditado como o ex-baterista do Blink 182, Scott Raynor. Mas a participação do Blink não ficou apenas por esta dramatização, a canção “Mutt” também entrou na soundtrack. E disso vem outra curiosidade que parece até perseguição com o Travis: seu nome nos créditos da canção está como Travis Barkor. A pergunta que fica é: o que o baterista tatuado aprontou para tanto?

Outra banda colecionadora de hits pop/rock dos anos 90 também se faz presente na trilha sonora. O que espanta é não ter sido uma canção que realmente “fez sucesso” dos tão californianos Sugar Ray.

Apesar disso, as raízes latinas que caracterizam o grupo ainda estão presentes na faixa “Glory” que explora o lado mais pop punk mesclado com pedais wah wah e brincam com o new metal mesmo sem ter “tato” para isso.

Em seguida temos Super TransAtlantic com “Super Down”. A desconhecida banda de Miami conseguiu estrelar na trilha do filme fazendo um som melódico e praieiro, mas totalmente descartável. Se tiver coragem, clique aqui e ouça.

Uma outra banda que marcou época e é citada diversas vezes em How I Met Your Mother” e que conseguiu emplacar canções em diversos filmes e séries como “The Avengers” (1999), Smalville”, The O.C.”, e NCIS” é a Dishwalla!

A melancólica e acústica “Find Your Way Home”, que tem um clima bem californiano, figura na trilha. Alguns rotulam o som da banda como pós-grunge… seja lá o que isso for.

“Good Morning Baby” é a sétima canção que contempla o disco, uma parceria entre Dan Wilson, vocalista do Semisonic, e Bic Runga, uma artista pop da Nova Zelândia que é conhecida por ser multi-instrumentista. Pelo que li, ela é tão conhecida quanto a Sandy por lá.

Com um pézinho no punk/alternativo, temos Shades Apart, que sinceramente para mim me soou como um Creed um pouco mais “pesado”. O trio de New Jersey é mais conhecido pelo seu hit “Valentine” e uma versão de “Tainted Love” do Soft Cell. “Strangers By Day” foi a escolhida para o filme.

Com o visual cafona, sem medo de passar vergonha e com o ritmo e a brisa do mar temos Barchelor N0 One com “Summertime”. Sério, reparem nessas roupas coloridas e tão anos 90, de tênis na areia com óculos de lente colorida. Pode isso Arnaldo?

Com toda essa atmosfera, não dava para deixar o Goldfinger de fora. Califórnia, praia, skate, ska: Goldfinger. A canção dos ska punkers que estrela o filme é “Vintage Queen”.

John Feldman, que também é produtor nas horas vagas – produziu o novo disco do Blink 182, California” (2016) há pouco – tem muitos mais hits do que “Superman” e “Mable”. Vale a pena ir a um show, aproveitem que eles tem vindo direto para o Brasil!

Bic Runga também conseguiu emplacar uma canção solo na trilha. “Sway” é um single e ganhou um clipe. A canção saiu alguns anos antes do filme no disco Drive” (1997) e tem uma atmosfera parecida com o som da Norah Jones e da Alanis Morissette.

Colocando mais ritmo no caldeirão, temos um skacore na mesma linha do Reel Big Fish na trilha com os ska punkers do The Loose Nuts. A energia é contagiante e os metais dão a letra do ritmo da canção. Sinceramente eu não lembro de ter ouvido a canção no filme, mas fato é que ela entrou no disco.

Para deixar tudo em ritmo de dancehall, temos The Atomic Fireballs com toda a atitude de bandas como Voodoo Glow Skulls. O grupo foi formado por Bunkley, frontman de uma outra banda de ska chamada Gangster Fun.

Não é difícil não tirar os pés do chão ao ouvir a canção que sabe bem usar o piano, o vocal rouco e os metais para entreter feito uma parada. Talvez tenham sido influenciados pelo som do The Mighty Mighty Bosstones que vem pela primeira vez ao país agora no começo de agosto. Imperdível!

A banda, apesar de desconhecida para o público em geral, além da trilha de “American Pie” chegou a estrelar as trilhas de Scooby Doo”, Mansão Mal Assombrada” e Dawson’s Creek”.

Porém, a soundtrack também conta com injustiças que valem ser frisadas. Boas canções que tocam efetivamente no filme porém não compõe o disco da trilha sonora oficial. Por isso vou destacar algumas, outras vocês precisaram ir atrás para saber mais, mas é só clicar aqui.

“Walk Don’t Run” de uma das mais lendárias – e essenciais – bandas de surf rock de todos os tempos, The Ventures está presente na chamada. A fundamental banda garageira The Brian Jonestown Massacre incrivelmente tem trecho no filme – e não ganhou destaque. A canção é “Going To Hell”.

Outra das músicas que SIMPLESMENTE não conseguimos entender como um hit me fica de fora da coletânea que eterniza o filme é “Semi-Chamed Life” do Third Eyed Blind. Pois é, eles têm ao menos outra canção na trilha, mas essa é anos luz melhor. Um puxão de orelha no diretor artístico da soundtrack oficial para ontem.

Mas um erro compensa um acerto não é mesmo? Por isso ficou de fora do disco a presente no filme “I Walk Alone” da pouco conhecida Oleander, outra que também é rotulada como pós-grunge. Ah, os anos 90.

Outro dia mesmo falamos sobre trilhas pornôs por aqui, e claro que a cena de sexo de Jim ia ter um funk pornogroovesco de fundo. Para honrar os pornôs dos anos 70, The SEX O-RAMA band com a canção “Love Muscle” chega chegando de mansinho para dar aquele clima.

O maior hit do grupo da polêmica Courtney Love não poderia ficar de fora do filme. O Hole passa pela telona dos adolescentes cheios de hormônios com “Celebrity Skin” que dispensa apresentações, mas também ficou fora do álbum. Também deixados de lado, temos uma dobradinha de grupos noventistas que somente poderiam ser frutos da época como Everclear com “Everything To Everyone” e Harvey Danger com o indiscutível hit “Flagpole Sitta”.

Duke Daniels também tem rápida participação no filme com “Following A Star” com sua atmosfera rock caipira. A trilha é tão boa que conta até com um clássico da música mundial, “Mrs. Robinson” do Simon & Garfunkel em sua versão original e não a do Lemonheads, o que eu não entendo, porque Lemonheads encaixaria ainda melhor na trilha. A classe de Etta James também figura com a sensual e apaixonada “At Last” trazendo à tona todo o clima de romance dos casais do filme.

No campo da e-music temos o trance “Calling Your Name” do Anomally. Agora, injustiça mesmo de não estar nesta trilha oficial mas felizmente estrelar o longa é “Rockafeller Skank” do Fatboy Slim. Um dos maiores hits da década, com uma good vibe ímpar dentro do mundo da música.

Talvez a música que mais me lembre a saga ficou também de fora do disco. “Laid” do James é a canção que toca no desfecho e no fim tanto do primeiro filme, como no Reencontro (2012). E é quase uma música-tema para a primeira MILF a ser chamada por essa sigla, a popular mãe do Stifler.

Anos 90 sem Norah Jones dentro da música pop simplesmente não existem. A cantora cansou de emplacar hit atrás de hit e ser queridinha em diversas trilhas sonoras de Hollywood. No filme ela encaixa a dramática “The Long Day Is Over”.

Não existe filme sem muita dose de amor e xaveco na dose certa sem alguma canção do rei das baladas mais quentes ao pé do ouvido. E olha que Marvin Gaye não precisou nem colocar apelação para “Sexual Healing” alcançar este status. Neste filme, “How Sweet It Is (to be Loved By You)” dá o tom do puxar da valsa.

Outra campeã de trilhas e diretamente dos anos 80 vem “Don’t You Forget About Me” do Simple Minds. Inclusive já falamos sobre o hit por aqui, pois ele também está presente em “Donnie Darko”. E “Clube dos Cinco”, é claro. Talvez por isso tenha ficado de fora do disco…

Menções honrosas: As baladas românticas “I Never Thought That You Would Come” de Loni Rose, “Midnight At Oasis” de Maria Muldaur.