André Frateschi resgata a essência do rock brasileiro em show no SESC Mariana

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Depois de ser a voz da Legião Urbana na turnê Legião XXX anos, André Frateschi participou do programa Popstar, da TV Globo, saindo vencedor. Na sequência, participou do Rock in Rio em uma maratona de 14 shows no palco Rock District e agora segue em turnê pelo Brasil com seu show BRock is Back – Tributo ao Rock Nacional, e foi esse o show que o artista apresentou no Teatro do SESC Vila Mariana.

A abertura do show, com “Perfeição” da Legião Urbana, com somente a banda no palco, fez com que o público presente pudesse prestar mais atenção nessa poderosa letra, como várias de Renato Russo que circularam pelo repertório. Depois vieram “Ideologia”, “Núcleo Base”, “Primeiros Erros” e “Sonífera Ilha”. Todas hits da década de 80, de longe a melhor fase do rock brasileiro. Cazuza, Ira!, Titãs e outros nomes potentes marcaram presença.

Miranda Kassin foi a convidada da noite e dividiu os vocais com o marido na canção “Fame”, clássico de David Bowie, que não poderia deixar de estar presente, mesmo sendo um repertório de rock nacional. O camaleão do rock é homenageado por André Frateschi já tem uns bons anos, através do seu projeto Heroes.

“Pra Começar”, canção da cantora Marina Lima, foi interpretado com muita garra por Miranda Kassin. Ela fez jus à sua participação especial e ainda dividiu os vocais em “Meninos e Meninas”. A canção abriu um trecho do show dedicado à Legião Urbana. Ainda tivemos “Tempo Perdido” e “Ainda é Cedo”.

O bis começou com “Hey Jude” dos Beatles, com o coro formado por uma platéia calorosa, que nesse momento já havia deixado suas respectivas poltronas. Pra fechar com chave de ouro: “Que País é Este?”, outro clássico da Legião. A canção lançada em 1987 provou o quanto sua letra é atual e poderosa.

O show apresentou a força do Rock Brasileiro, por mais que, atualmente, não esteja em sua melhor fase, tem um passado glorioso que pode, e deve, ser resgatado e apresentado à nova geração. Boa sacada do André ao realizar isso e em conjunto apresentar algumas de suas canções de seu disco solo, intitulado “Maximalista”, entre elas a ótima “Todo Homem é uma Ilha”.

Fotos: Silmara Sousa.

Isabella Taviani comemora 15 anos de carreira na Casa Natura Musical

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Na sexta, a Casa Natura Musical recebeu a cantora e compositora Isabella Taviani, na estreia da turnê nacional do show IT – 15 Anos, Eu e Você. Acompanhada por Cacá Lazzaris (bateria), Marco Brito (teclados), Felipe Melanio (guitarra e Violão) e André Vasconcellos (baixo e produção musical), neste novo show Isabella Taviani viaja no tempo em um set list recheado de seus maiores sucessos com novos arranjos.

A abertura do show ficou a cargo da canção “O Farol”, com sua letra e interpretação viscerais. Nesse momento, o palco estava com uma tela na sua borda, mostrando apenas a sombra da cantora e de seus músicos. Após o encerramento da abertura, a tela caiu e a platéia foi ao delírio.

De cara, já fomos surpreendidos pelas novas roupagens que as canções clássicas de Isabella ganharam. Destaque para a belissima “Foto Polaroid”, uma das melhores composições da cantora e que foi cantada pelo público com a mesma carga emocional que Isabella apresenta em suas apresentações ao vivo.

Com um set list repleto de hits, não faltaram momentos de total sintonia com a platéia. “A canção que faltava” causou comoção, embalada pelo navegar das mãos dos fãs. Outros sucessos como “Digitais”, “Último grão” e “Diga sim pra mim” marcaram presença.

“Letra sem melodia”, canção registrada no álbum “Diga sim”, ganhou um peso extra em sua versão ao vivo. Surpreendeu e agradou. Outro destaque foi a versão para a canção “Only Yesterday”, clássico da dupla The Carpenters, e que foi interpretada num formato voz e teclado. Emocionante!

“Luxúria”, talvez o maior hit da cantora, graças a sua inclusão na trilha sonora da novela global “Sete Pecados”, encerrou o show com a sensação de dever cumprido. Isabella fez um resgate primoroso de suas canções, satisfazendo fãs de todas as épocas de sua carreira e demonstrando a potência de uma cantora que ainda tem muito mais para apresentar.

Créditos Fotos: Felipe Giubilei

Depeche Mode faz show histórico no Brasil após 24 anos de espera

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Show Depeche Mode no Allianz Park, foto por Fernanda Gamarano

Tudo começou em uma terça-feira chuvosa com trânsito em SP, uma semana atrás. Mas os fãs de Depeche Mode não estavam ligando para o caos paulistano, afinal, foram 24 anos de espera desde a ultima passagem da banda pelo Brasil! Depois de uma fase conturbada, o Depeche Mode voltou com seu 14° álbum e sua nova turnê mundial, a “Spirit Tour”, com Martin Gore, Andrew Fletcher e Dave Gahan na formação atual, acompanhados dos seus músicos de apoio que já estão na banda a 20 anos, fez os paulistanos chorarem, dançarem, sonharem e flutuarem em uma noite cheias de saudades nostálgicas.

Pontualmente às 21:45, foi só apagar as luzes do Allianz Park e aparecer um telão com uma arte linda toda colorida para a silhueta de Dave Gahan aparecer e a galera pirar aos berros. Abrindo a noite ao som de “Going Backwards”, nova musica do novo álbum “Spirit”. Mas não demorou muito para tocarem um de seus hits, “It’s No Good”, do álbum “Ultra”, veio logo em seguida pra deixar o publico louco e dar aquele gostinho de que vinha mais e prometia deixar todo mundo emocionado ao longo da apresentação.

A chuva deu um descanso logo ao inicio do show, mas os fãs não estavam nem um pouco preocupados, afinal quem se importa com chuva se tem Dave Gahan dançando muito, arriscando umas reboladas (típicas de Gahan em suas apresentações desde dos anos 80), rodopiando, fazendo caras e bocas e agitando o publico praticamente o show INTEIRO? E que frontman: as únicas pausas foram apenas para dar espaço para seu companheiro de banda Martin Gore assumir os vocais em “Insight” e “Home” (que teve direito a um lindo coro do publico regido por ele, um dos ápices da noite)! Estava na cara da banda e do público que todos estavam se divertindo muito e curtindo aquele momento que demorou tanto pra chegar. Foi uma entrega do público e banda, com músicas cantadas do começo ao fim seguidas de palmas e muitos celulares (risos)!

Antes de chegar o momento mais esperado pelos fãs, o show do Depeche Mode teve lindos vídeos, sendo quase um videoclipe ao vivo para cada música, feitos pelo Anton Corbin! O show foi esquentando cada vez mais, com o novo single “Where’s the Revolution?”, o clássico “Everything Counts” (que teve um hino com publico cantando ao fim) e “Stripped”. Pausa aqui porque tá vindo o esperado….

Enfim chegou o momento: foi apenas tocar a primeira nota de “Enjoy the Silence” que os fãs foram à loucura! Um hino cantado com toda a força do começo ao fim, tanto que os vocais de Dave foram cobertos pelo coro! Que energia! Que noite!

E quem disse que acabou por ai? Logo em seguida mandaram “Never Let Me Down Again!” Pausa pro bis, mas não teve pausa pro publico, que ainda estava todo eufórico após “Enjoy the Silence”!

Foto Fernanda Gamarano

E voltaram com nada mais que “Strangelove”, porém com uma versão mais leve, apenas com piano e voz, e quem mandou nos vocais foi Martin. Que voz! Confesso que achei por um momento ia vir aquela pancada que a original tem, mas foi um lindo momento onde todos em uníssono cantaram com Gore!

Foto Fernanda Gamarano

Seguindo o bis, veio aquela para mim uma das musicas que eu mais admiro do Depeche Mode, “Walking in my Shoes”, um momento marcado por um vídeo que mostra um artista binário se maquiando e se arrumando para fazer um show em um bar, colocando um salto lindo e bem alto, pra casar com aquela frase “Try walking in my shoes”, que ao pé da letra quer dizer “tente se colocar no meu lugar”, afinal, vivemos em um mundo onde somos julgados pelos nossos atos o tempo todo.

Para a tristeza de todos. o show estava chegando ao fim. Veio a clássica “A Question of Time”, seguida da segunda mais esperada da noite, “Personal Jesus”, que dispensa comentários. Foi desfecho perfeito pra um show tão energético!

Era o fim do show, mas parecia não ter fim para o publico. Depois do Depeche se despedir do palco, com um caloroso tchau, a galera ficou gritando, cantando e aplaudindo mesmo depois do fim. Será que com esse show histórico eles voltam mais vezes sem uma pausa de 24 anos? É o que todos queremos!

Setlist:
Intro: Revolution (música dos Beatles) / Cover Me (Alt Out)
Going Backwards
It’s No Good
Barrel of a Gun
A Pain That I’m Used To
Useless
Precious
World in My Eyes
Cover Me
Insight (acústica)
Home
In Your Room
Where’s the Revolution
Everything Counts
Stripped
Enjoy the Silence
Never Let Me Down Again
Bis:
Strangelove (acústica)
Walking in My Shoes
A Question of Time
Personal Jesus

Gal Costa encerra a turnê “Estratosférica” com shows na Casa Natura Musical

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A cantora Gal Costa, apresentou o show de lançamento do DVD “Estratosférica Ao Vivo” no último final de semana em São Paulo. Este é o segundo de uma série de shows do projeto Biscoito da Casa, uma iniciativa da Biscoito Fino com a Casa Natura Musical que promove shows com o consagrado elenco de alta qualidade da gravadora. O projeto estreou com Angela Maria e as “Canções de Roberto e Erasmo” (em 17 de janeiro) e tem, entre suas próximas atrações, nomes como Angela RoRo (sexta, 2 de março), Francis e Olivia Hime e Fabiana Cozza.

Estratosférica ao Vivo não é apenas o registro de um show de Gal Costa. É, mais ainda do que isso, o retrato da artista ao alcançar os 70 anos de vida, 50 deles dedicados à música. Com direção geral de Marcus Preto e produção musical de Pupillo (Nação Zumbi), o espetáculo estreou no Teatro Castro Alves, em Salvador, em 27 de setembro de 2015, o dia seguinte ao aniversário da cantora.

O show comemora a ótima fase vivida pela cantora, que abriu a apresentação interpretando a canção “Sem Medo Nem Esperança”, que abre também a versão em estúdio do trabalho e nos presenteia com versos como “Nada do que fiz / Por mais feliz / Está à altura / Do que há por fazer”. Uma introdução ao universo estratosférico que a cantora nos conduziria noite a dentro.

No primeiro bloco do show, já tivemos a presença marcante de sucessos de sua carreira como “Mal Secreto”, “Não identificado” e “Namorinho de Portão”, essa última cuja versão feita pela banda Penélope tornou-se um hit entre os jovens expectadores da MTV Brasil no final dos anos 90.

“Cabelo” impressionou com sua versão heavy metal, enquanto Gal balançava os cabelos, levando a platéia ao delírio. “Sim Foi Você” encerrou o trecho calmo da apresentação e nos brindou com a cantora voltando as origens e tocando violão para acompanhar a canção de Caetano Veloso.

As canções do disco “Estratosférica” tiveram uma ótima aceitação e foram cantadas em peso. Destaque para o single “Quando Você Olha Pra Ela” e “Jabitacá”. “Como 2 e 2”, “Pérola Negra” e “Arara” foram a prova de que o canto de Gal estava no ponto e causou comoção entre os presentes no público. O bis ficou por conta de “Meu nome é Gal” e não foi o suficiente: os gritos de “mais um! mais um!” tomaram conta do espaço, porém, dessa vez, o público ficou na vontade.

O que vimos nessa apresentação, foi uma cantora moderna, antenada e com um repertório formado por diversos novos nomes da música brasileira ao lado de compositores já renomados e com extensa carreira. Gal, ao contrário de outras da sua geração, não parou no tempo e muito menos vive de passado. Com certeza a cantora ainda tem muito o que fazer pela música brasileira e não é a toa que inspira diversas gerações.

Set List

1. Sem Medo Nem Esperança

2. Mal Secreto

3. Jabitacá

4. Não Identificado

5. Namorinho De Portão

6. Ecstasy

7. Casca

8. Dez Anjos

9. Acauã

10. Cabelo

11. Quando Você Olha Pra Ela

12. Cartão Postal

13. Por Um Fio

14. Três Da Madrugada

15. Sim Foi Você

16. Como 2 E 2

17. Pérola Negra

18. Por Baixo

19. Arara

20. Estratosférica

21. Os Alquimistas Estão Chegando

Bis

22. Meu Nome É Gal

Fotos: Silmara Sousa

Maria Alcina levou Caetano e Carnaval para o palco do Teatro Porto Seguro

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Maria Alcina aproveitou a terça-feira de Carnaval e o excelente palco do Teatro Porto Seguro para lançar a versão em vinil de seu mais recente trabalho intitulado “Espirito de Tudo”, onde nos presenteia com versões inusitadas das canções de Caetano Veloso.

A cantora, sempre muito irreverente e com looks caprichados, impressionou com suas versões repaginadas e o excelente alcance vocal. Alcina está cantando maravilhosamente bem e a potência de sua voz fez com que canções como “Tropicália”, “Fora da Ordem” e “Os Mais Doces dos Barbaros” ganhassem um peso extra, principalmente por serem letras extremamente politizadas.

Destacaram-se as interpretações de “Rocks” e “Eu Sou Alcina”, essa canção que foi composta por Zeca Baleiro em homenagem a cantora e é a primeira faixa do seu trabalho anterior, o elogiado “De Normal Bastam os Outros”.

Ao interpretar a canção “Língua”, a cantora dirigiu-se à plateia e interagiu muito com o público presente, que por sinal ocupava todos os assentos do teatro. Nesse momento o público já estava ganho, mas Maria Alcina ainda nos surpreendeu com “Prenda o Tadeu”, “Calor na Bacurinha” e “Fio Maravilha”, hits obrigatórios em suas apresentações.

Importante citar a genialidade da banda que acompanha a cantora, liderada pelo guitarrista e diretor musical Rovilson Pascoal, o som apresentado nos remete ao apresentado pelo próprio Caetano durante a Trilogia Cê, porém temos um tempero especial que só Maria Alcina poderia incluir. Caetano deve estar orgulhoso!

Maria Alcina deveria ser presença obrigatória em todos os carnavais. O que presenciamos no palco (e na plateia) do Teatro Porto Seguro foi uma cantora segura, com um excelente domínio de espaço e extremamente agradecida por viver esse momento especial. Importante ressaltar o trabalho do produtor Thiago Marques Luiz, responsável pelos últimos lançamentos da cantora e que colocou Maria Alcina novamente no lugar de destaque que ela merece.

Fotos: Edson Lopes Jr. 

Festival Guaiamum Treloso ataca de CarnaIndie Feminista e agrada o público

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Cidadão Instigado

Prévia carnavalesca do Recife, a capital do frevo, apostou em artistas da cena independente para o line up e contou com discurso feminista

Fantasias, looks ousados, glitter e muita música boa. Foi assim o Festival Guaiamum Treloso, que aconteceu na Fazendo Bem-ti-vi, em aldeia. A festa, que é uma prévia carnavalesca tradicional em Pernambuco, nesta 18ª edição resolveu apostar em um line up diferenciado, trazendo para a terrinha do frevo sons da cena independente brasileira. Deu certo!

O Festival aconteceu em uma grande fazenda no meio de uma área de mata e armou uma grande estrutura com três palcos, uma tenda, praça de alimentação, bares, lojinhas e muitos banheiros para recepcionar e impressionar bem os seres da mata que habitaram o local. Esse espaço, embora seja distante da cidade e cheio de vibes boas, deu trabalho para a produção conseguir a liberação de alvarás, mas, como dito, além de Treloso, o Guaiamum é teimoso e manteve o endereço, o que acabou afetando um pouco a estrutura do evento. Os palcos acabaram ficando muito distantes e mal ornamentados. O público sentiu.

Festa pronta, os seres da mata chegaram cedo no evento, que estava previsto para começar às 13h. Mas, os shows atrasaram! E muito! Dessincronizou os horários e alguns shows aconteceram simultaneamente. Também aconteceu de não tocar nada por mais de meia hora em nenhum dos palcos principais. Mas, a magia do lugar e o astral da festa não deixou o público abatido.

A banda Marsa, que tocou com mais de 1h de atraso, reuniu um grande número de fãs. Tocaram as músicas do seu disco “Circular Movimento” e levou os Seres da Mata ao estado de êxtase. A voz única, doce, suave e especial de Tiago Martins causou grandes emoções. O show da Marsa foi um dos melhores do festival.

No outro palco, subia Jorge Cabeleira, banda da carrada do manguebeat, que passou muitos anos em stand by. Mas, que está de volta à cena. Esse ano estão com previsão de lançar disco novo. O show estava quente e quem viu gostou. No repertório, Dirceu Melo apresentou as músicas clássicas do Jorge e apresentou uma inédita.

O dia já era noite quando Cidadão Instigado subiu no palco e fez um show impecável. Mas, o público do Recife tem uma certa particularidade de ser difícil de ser conquistado. As bandas sentem isso e as produtoras mais ainda, quando nem sempre podem arriscar trazer nomes diferentes porque o público não comparece. Não tem interesse pelo novo. Um ponto negativo do Recife, que se diz uma capital multicultural. Homem velho, besouros e borboletas e outros sucessos da banda de Fernando Catatau embalou os fãs e os curiosos que lotaram o espaço ao redor do palco Bem-ti-vi.

Metá Metá subiu no Palco Skol e não surpreendeu. A incrível Juçara Maçal fez um show muito tímido, que não empolgou e nem atraiu muita gente. Fizeram uma apresentação curta e deixaram de lado o hit “São Jorge”, que o público tanto esperou. Aqui, não decolou.

Era a vez dela, a mulher do fim do mundo, mostrar porque está em dias com os palcos apesar da avançada idade. Deslumbrante, Elza Soares apareceu no palco como uma verdadeira rainha para apresentar seu show “Elza e a Máquina”. Ela, como sempre, chegou recheada de discursos feministas, e levou público a loucura. O show em particular não empolgou tanto o público no início. Essa versão de Elza remix pegou o público de surpresa e dessa vez não agradou a gregos e troianos. Mas, levou sua mensagem da melhor forma. “Maria de Vila Matilde” foi o ápice da apresentação. Seu show foi um verdadeiro ato de discurso feminista, enquanto embalava os Seres da Mata com as músicas, vídeos eram exibidos falando os dados do feminicídio. O conjunto da obra foi incrível!

Em tempo, a produção foi muito feliz na escolha do line up. Artistas com discursos engajados, fortes e grandes influenciadores. Todo o festival teve uma pegada feminista e é disso que precisamos mais.

Di Melo subiu ao palco Skol e mostrou que ainda vive. Não trouxe a sua banda oficial, mas representou bem. Levou o público a cantar em coro seus grandes clássicos como “Pernalonga” e “Kilariô”, entre outras. Nada de inovador, mas como dito, o público do Recife gosta do que já conhece. E Di Melo acaba sempre agradando.

Chegou a hora do Baco Exú do Blues mostar porque stá estourado. Um show esperadíssimo e que superou às expectativas. ‘Te Amo Desgraça’ levou o público ao delírio. O show foi empolgante e dançante o tempo inteiro. O Baco é realmente incrível e colocou o povo para pular, abrir roda, se tocar, sentir a energia. Por falar em roda e voltando ao discurso feminista, esse Exú abriu uma roda de mulheres. Só mulheres e glitteres. Um momento de reflexão. Uma ideia certa e muitos aplausos! Baco causou e ganhou, apesar de novidade, o carinho do recifense. Ponto altíssimo do festival.

Nação Zumbi chegou e chegou destruindo tudo. Fez um show instigante e afinadíssimo, o que ficou devendo desde a sua apresentação no Réveillon. O clima do carnaval colocou os mangueboys a dar o melhor e lacrar no palco. O batuque das alfaias em sincronia com as batidas do coração. Tocaram poucas músicas do seu último disco “Radiola”, que não empolgou muito. Mas, a versão “Refazenda” de Gilberto Gil ficou sensacional. “Da Lama ao Caos”, “Banditismo Por Uma Questão de Classe”, “Um Sonho”, “A Melhor Hora da Praia” e mais uma sequência de pedradas tirou o público do chão. Um dos melhores shows do dia.

Letrux e Francisco El Hombre, colocados como headliners do festival, acabaram tocando simultaneamente. Letrux, a feminista, rainha do soud out, a musa do climão, subiu incrível no palco e, se não fossem por atrapalhos técnicos no som, teria feito uma apresentação impecável. Ela estava lá, linda e perfomática representando a ala feminista e mandando a real com seus discursos. “Que Estrago”, “Vai Render”, “Ninguém Perguntou por Você” e quase todas do seu disco solo embalaram seu público fiel que estava ali afim de um climão. Que mulier é essa?!

Francisco El Hobre lacrou com chave de ouro. Que apresentação empolgante, feliz, extraordinária e agradável. Eles fizeram um dos melhores shows da noite, quiçá o melhor. “Calor da Rua”, “Bolso Nada”, “Soltas Bruxas”, “Triste, Louca ou Má”. Pera, uma pausa para esse momento. Ju foi incrível cantando esse hino: “Triste, Louca ou Má”. Deu uma aula de feminismo e pediu: “Homens falem menos e escutem mais as mulheres”. Ela foi ovacionada. Sem contar que ela arrasou com o seu gogó! Ápice da festa. Melhores momentos ever. Francisco El Hombre. Um lacre, é um lacre. Aqui, as portas vão estar sempre abertas!

A 18ª edição do Guaiamum Treloso Rural representou como prévia. Apresentaram uma grade de apresentações dignas de um verdadeiro carnaindie. A produção está de parabéns por ter conseguido realizar, apenas das brigas judiciais, o festival, como ter lotado e agraciado o público com uma vibe de paz e alegria. Pequenos ajustes na produção e a certeza de que a 19ª edição vai entrar para a história. Que venha!

Gal Costa e o poder da sua voz no show “Espelho d’Água”

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A cantora Gal Costa realizou no último final de semana mais uma temporada de shows no teatro do SESC Vila Mariana. Dessa vez o espaço abrigou o show intitulado “Espelho d’Água”, onde a cantora é acompanhada somente por Guilherme Monteiro no violão/guitarra.

Sempre muito sorridente, a cantora esbanjou simpatia ao interagir com o público contando um pouco sobre como foi seu encontro com o músico e a ideia de concepção desse show. Guilherme substituiu o guitarrista Pedro Baby em uma apresentação da cantora, que naquela ocasião divulgava a turnê “Recanto”. Gal disse que o primeiro contato deles foi direto na passagem de som, e quando Guilherme começou a tocar e criou aquela “cama harmônica” ela deitou, gozou e pensou “quero fazer algo com esse cara”.

Desde então a dupla percorre o país com o “Espelho D’Água”, cujo repertório emblemático foi concebido em parceria com o diretor musical Marcus Preto. No repertório não faltaram canções fundamentais na carreira de Gal, com destaque para “Baby”, “Vaca Profana”, “Tigresa” e “Você não entende nada”.

Gal apresentou sua excelente versão para “It’s All Over Now, Baby Blue”, canção de Bob Dylan cujos versos em português foram escritos por Caetano Veloso em parceria com Péricles Cavalcanti e foi lançada em 1977 no disco “Caras e Bocas”. Uma ausência sentida foi da canção “Espelho d’Água”, que dá nome ao show e foi composta especialmente para Gal Costa por Marcelo Camelo em parceria com seu irmão Thiago Camelo.

“Sua Estupidez”, canção da dupla Roberto Carlos & Erasmo Carlos, emocionou a plateia presente. É impressionante ver a forma como Gal se relaciona com o público. Devemos ser gratos pelo privilégio de assistir uma cantora tão segura, com mais de 50 anos de carreira, e que continua renovando seu público, atraindo jovens para seus shows e esgotando ingressos por onde passa.
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Fotos: Riziane Otoni 

“Acaso casa” celebra o encontro de Mariene de Castro e Almério

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Realizado no último sábado na Casa Natura Musical, o show intitulado “Acaso casa” reuniu dois talentosos nomes da Música Popular Brasileira: Mariene de Castro e Almério. Mariene lançou seu primeiro disco, o excelente “Abre Caminho”, em 2005, mas foi somente em 2013 que a cantora surgiu para o grande público, quando interpretou a saudosa Clara Nunes no show que deu origem ao CD e DVD Ser de Luz”. Almério lançou neste ano seu segundo disco “Desempena” e garantiu ótimas avaliações da crítica especializada e já aparece nas listas de melhores lançamentos de 2017.
O primeiro encontro dos artistas aconteceu num sarau realizado na casa de José Maurício Machline, o nome por trás do Prêmio da Música Brasileira. A sintonia foi imediata e ali mesmo surgiu a ideia do show, que tem a direção do próprio José Maurício. ‘Numa reunião em casa onde vários amigos deram canja, os dois se conheceram e se afinaram de forma inusitada, inclusive no que diz respeito ao tom, que muitas vezes entre homem e mulher é muito difícil. Ter escutado e visto a emoção que eles tiveram na união do canto foi uma coisa que contagiou a quem os assistia, mas principalmente aos dois cantores que se emocionaram de alguma forma que as lágrimas caíam em forma de música’, conta Machline. Em tom intimista, os cantores são acompanhados por dois violões e um acordeom, e nos levam a um show repleto de emoções e lembranças, mergulhando num repertório que canta principalmente a história do interior nordestino brasileiro, aliado ao belo cantar carregado de sotaque dos nossos protagonistas.

O roteiro do show é bem dividido, mesclando números em dupla e solos. Almério destacou-se na primeira parte do show, principalmente ao interpretar “Fala” do grupo Secos & Molhados. A plateia foi ao delírio e manifestava-se mesmo antes do término da canção. Do seu elogiado “Desempena”, Almério só cantou “Segredo”, mas ao dividir a canção em coro com o público, temos a certeza do potencial do cantor, que impressiona com sua performance nos palcos.

Mariene de Castro parecia um tanto quanto contida nessa apresentação, mesmo quando cantou alguns de seus sucessos como “Amuleto de Sorte” e “Ser de Luz”. Ao interpretar “Antes do mundo acabar”, parceria de Zélia Duncan com Zeca Baleiro, a cantora dedicou a música à Zélia, sua “irmã de alma”. Foi só ao cantar “Tirilê” que Mariene despertou e entregou aquilo que estamos acostumados a presenciar em seu shows, pediu ajuda da plateia nas palmas e girou muito no palco. Por mais que tenha sido um lindo momento, ele serviu para provar talvez a maior ausência do show: percussão, já que o batuque é presença constante no repertório de ambos.
O encerramento com “Canto de Ossanha” resume todo o potencial desse encontro, que merece ser alinhado e viajar pelo país.

Fotos: Felipe Giubilei

Lenine encerra a turnê do disco “Carbono” no SESC Parque Dom Pedro II

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O cantor e compositor pernambucano Lenine apresentou o show de encerramento da turnê de seu disco mais recente: “Carbono”, lançado em 2015. A apresentação ocorreu no SESC Parque Dom Pedro II, localizado na região central da cidade de São Paulo, próximo a um dos cartões-postais da cidade, o Mercado Municipal.
Com entrada gratuita e ao ar livre, nem a chuva que marcou presença pouco antes do show, foi capaz de espantar o público, que conferiu de perto as canções que integram o repertório do disco “Carbono” e as versões revisitadas das canções consagradas do cantor.

Entre os destaques, estão as canções “Na Pressão” e “Hoje Eu Quero Sair Só”. A canção “Rua de Passagem” chamou atenção por seu teor político presente em versos como “A cidade é tanto do mendigo quanto do policial. Todo mundo tem direito à vida. Todo mundo tem direito igual.”. Interessante ouvir e cantar versos assim em pleno Centro de São Paulo, região que sofre com o enorme descaso da atual gestão da Prefeitura, que parece não entender o mínimo sobre ocupação de lugares públicos.

“Paciência”, maior sucesso do cantor e que já ganhou versões gravadas por Simone e Zeca Baleiro, foi insistentemente pedida pelo público presente e foi a escolhida para encerrar a apresentação. Sempre muito simpático, Lenine disse que a banda tocaria a base e a cantoria ficaria por parte do púbico, que não decepcionou e cantou fortemente uma das melhores composições da música brasileira.

Fotos: Viviane Pereira ( Música Compartilhada )

Nação Zumbi apresenta sua recém lançada “Radiola NZ” no SESC Pompeia

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Percussores do Mangue Beat, movimento musical que ganhou projeção nacional na década de 90, a Nação Zumbi se apresentou no último final de semana na Comedoria do SESC Pompeia. Depois de realizar uma turnê em comemoração aos 20 anos do clássico álbum “Afrociberdelia”, a banda se prepara para mais um lançamento, dessa vez surge o álbum “Radiola NZ”, apresentando versões ousadas de canções que influenciaram a banda.

Com ingressos esgotados para todos os dias, a temporada mais uma vez provou o potencial da banda, cuja presença é marcante nos principais festivais musicais do país. O repertório revisitou canções como Refazenda” de Gilberto Gil e “Não Há Dinheiro Que Pague” do Rei Roberto Carlos.

“Amor” do Secos & Molhados ganhou uma versão mais pesada, com a forte presença do trio de alfaias, instrumento fundamental na formação musical da banda, que conta com excelentes músicos, com destaque para o guitarrista Lúcio Maia e o baterista Pupillo. Sem a ilustre presença de Ney Matogrosso, como ocorreu no encontro realizado no Rock In Rio, a execução da canção pareceu bem mais alinhada.

Algumas versões pareceram menos inspiradas, porém não chegaram a comprometer o show, cujo ponto alto ainda foram as canções autorais da banda, como “Manguetown”, “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” e “Quando a Maré Encher”, essa última eternizada pela versão da cantora Cássia Eller, que registrou a versão em seu Acústico MTV com participação especial da própria Nação Zumbi.

Tendo a frente o vocalista Jorge du Peixe, as apresentações da banda sempre carregam um tom político, não faltaram falas de descontentamento com o atual cenário político brasileiro e demais assuntos.

Fotos: Carol Vidal