Maria Alcina levou Caetano e Carnaval para o palco do Teatro Porto Seguro

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Maria Alcina aproveitou a terça-feira de Carnaval e o excelente palco do Teatro Porto Seguro para lançar a versão em vinil de seu mais recente trabalho intitulado “Espirito de Tudo”, onde nos presenteia com versões inusitadas das canções de Caetano Veloso.

A cantora, sempre muito irreverente e com looks caprichados, impressionou com suas versões repaginadas e o excelente alcance vocal. Alcina está cantando maravilhosamente bem e a potência de sua voz fez com que canções como “Tropicália”, “Fora da Ordem” e “Os Mais Doces dos Barbaros” ganhassem um peso extra, principalmente por serem letras extremamente politizadas.

Destacaram-se as interpretações de “Rocks” e “Eu Sou Alcina”, essa canção que foi composta por Zeca Baleiro em homenagem a cantora e é a primeira faixa do seu trabalho anterior, o elogiado “De Normal Bastam os Outros”.

Ao interpretar a canção “Língua”, a cantora dirigiu-se à plateia e interagiu muito com o público presente, que por sinal ocupava todos os assentos do teatro. Nesse momento o público já estava ganho, mas Maria Alcina ainda nos surpreendeu com “Prenda o Tadeu”, “Calor na Bacurinha” e “Fio Maravilha”, hits obrigatórios em suas apresentações.

Importante citar a genialidade da banda que acompanha a cantora, liderada pelo guitarrista e diretor musical Rovilson Pascoal, o som apresentado nos remete ao apresentado pelo próprio Caetano durante a Trilogia Cê, porém temos um tempero especial que só Maria Alcina poderia incluir. Caetano deve estar orgulhoso!

Maria Alcina deveria ser presença obrigatória em todos os carnavais. O que presenciamos no palco (e na plateia) do Teatro Porto Seguro foi uma cantora segura, com um excelente domínio de espaço e extremamente agradecida por viver esse momento especial. Importante ressaltar o trabalho do produtor Thiago Marques Luiz, responsável pelos últimos lançamentos da cantora e que colocou Maria Alcina novamente no lugar de destaque que ela merece.

Fotos: Edson Lopes Jr. 

Festival Guaiamum Treloso ataca de CarnaIndie Feminista e agrada o público

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Cidadão Instigado

Prévia carnavalesca do Recife, a capital do frevo, apostou em artistas da cena independente para o line up e contou com discurso feminista

Fantasias, looks ousados, glitter e muita música boa. Foi assim o Festival Guaiamum Treloso, que aconteceu na Fazendo Bem-ti-vi, em aldeia. A festa, que é uma prévia carnavalesca tradicional em Pernambuco, nesta 18ª edição resolveu apostar em um line up diferenciado, trazendo para a terrinha do frevo sons da cena independente brasileira. Deu certo!

O Festival aconteceu em uma grande fazenda no meio de uma área de mata e armou uma grande estrutura com três palcos, uma tenda, praça de alimentação, bares, lojinhas e muitos banheiros para recepcionar e impressionar bem os seres da mata que habitaram o local. Esse espaço, embora seja distante da cidade e cheio de vibes boas, deu trabalho para a produção conseguir a liberação de alvarás, mas, como dito, além de Treloso, o Guaiamum é teimoso e manteve o endereço, o que acabou afetando um pouco a estrutura do evento. Os palcos acabaram ficando muito distantes e mal ornamentados. O público sentiu.

Festa pronta, os seres da mata chegaram cedo no evento, que estava previsto para começar às 13h. Mas, os shows atrasaram! E muito! Dessincronizou os horários e alguns shows aconteceram simultaneamente. Também aconteceu de não tocar nada por mais de meia hora em nenhum dos palcos principais. Mas, a magia do lugar e o astral da festa não deixou o público abatido.

A banda Marsa, que tocou com mais de 1h de atraso, reuniu um grande número de fãs. Tocaram as músicas do seu disco “Circular Movimento” e levou os Seres da Mata ao estado de êxtase. A voz única, doce, suave e especial de Tiago Martins causou grandes emoções. O show da Marsa foi um dos melhores do festival.

No outro palco, subia Jorge Cabeleira, banda da carrada do manguebeat, que passou muitos anos em stand by. Mas, que está de volta à cena. Esse ano estão com previsão de lançar disco novo. O show estava quente e quem viu gostou. No repertório, Dirceu Melo apresentou as músicas clássicas do Jorge e apresentou uma inédita.

O dia já era noite quando Cidadão Instigado subiu no palco e fez um show impecável. Mas, o público do Recife tem uma certa particularidade de ser difícil de ser conquistado. As bandas sentem isso e as produtoras mais ainda, quando nem sempre podem arriscar trazer nomes diferentes porque o público não comparece. Não tem interesse pelo novo. Um ponto negativo do Recife, que se diz uma capital multicultural. Homem velho, besouros e borboletas e outros sucessos da banda de Fernando Catatau embalou os fãs e os curiosos que lotaram o espaço ao redor do palco Bem-ti-vi.

Metá Metá subiu no Palco Skol e não surpreendeu. A incrível Juçara Maçal fez um show muito tímido, que não empolgou e nem atraiu muita gente. Fizeram uma apresentação curta e deixaram de lado o hit “São Jorge”, que o público tanto esperou. Aqui, não decolou.

Era a vez dela, a mulher do fim do mundo, mostrar porque está em dias com os palcos apesar da avançada idade. Deslumbrante, Elza Soares apareceu no palco como uma verdadeira rainha para apresentar seu show “Elza e a Máquina”. Ela, como sempre, chegou recheada de discursos feministas, e levou público a loucura. O show em particular não empolgou tanto o público no início. Essa versão de Elza remix pegou o público de surpresa e dessa vez não agradou a gregos e troianos. Mas, levou sua mensagem da melhor forma. “Maria de Vila Matilde” foi o ápice da apresentação. Seu show foi um verdadeiro ato de discurso feminista, enquanto embalava os Seres da Mata com as músicas, vídeos eram exibidos falando os dados do feminicídio. O conjunto da obra foi incrível!

Em tempo, a produção foi muito feliz na escolha do line up. Artistas com discursos engajados, fortes e grandes influenciadores. Todo o festival teve uma pegada feminista e é disso que precisamos mais.

Di Melo subiu ao palco Skol e mostrou que ainda vive. Não trouxe a sua banda oficial, mas representou bem. Levou o público a cantar em coro seus grandes clássicos como “Pernalonga” e “Kilariô”, entre outras. Nada de inovador, mas como dito, o público do Recife gosta do que já conhece. E Di Melo acaba sempre agradando.

Chegou a hora do Baco Exú do Blues mostar porque stá estourado. Um show esperadíssimo e que superou às expectativas. ‘Te Amo Desgraça’ levou o público ao delírio. O show foi empolgante e dançante o tempo inteiro. O Baco é realmente incrível e colocou o povo para pular, abrir roda, se tocar, sentir a energia. Por falar em roda e voltando ao discurso feminista, esse Exú abriu uma roda de mulheres. Só mulheres e glitteres. Um momento de reflexão. Uma ideia certa e muitos aplausos! Baco causou e ganhou, apesar de novidade, o carinho do recifense. Ponto altíssimo do festival.

Nação Zumbi chegou e chegou destruindo tudo. Fez um show instigante e afinadíssimo, o que ficou devendo desde a sua apresentação no Réveillon. O clima do carnaval colocou os mangueboys a dar o melhor e lacrar no palco. O batuque das alfaias em sincronia com as batidas do coração. Tocaram poucas músicas do seu último disco “Radiola”, que não empolgou muito. Mas, a versão “Refazenda” de Gilberto Gil ficou sensacional. “Da Lama ao Caos”, “Banditismo Por Uma Questão de Classe”, “Um Sonho”, “A Melhor Hora da Praia” e mais uma sequência de pedradas tirou o público do chão. Um dos melhores shows do dia.

Letrux e Francisco El Hombre, colocados como headliners do festival, acabaram tocando simultaneamente. Letrux, a feminista, rainha do soud out, a musa do climão, subiu incrível no palco e, se não fossem por atrapalhos técnicos no som, teria feito uma apresentação impecável. Ela estava lá, linda e perfomática representando a ala feminista e mandando a real com seus discursos. “Que Estrago”, “Vai Render”, “Ninguém Perguntou por Você” e quase todas do seu disco solo embalaram seu público fiel que estava ali afim de um climão. Que mulier é essa?!

Francisco El Hobre lacrou com chave de ouro. Que apresentação empolgante, feliz, extraordinária e agradável. Eles fizeram um dos melhores shows da noite, quiçá o melhor. “Calor da Rua”, “Bolso Nada”, “Soltas Bruxas”, “Triste, Louca ou Má”. Pera, uma pausa para esse momento. Ju foi incrível cantando esse hino: “Triste, Louca ou Má”. Deu uma aula de feminismo e pediu: “Homens falem menos e escutem mais as mulheres”. Ela foi ovacionada. Sem contar que ela arrasou com o seu gogó! Ápice da festa. Melhores momentos ever. Francisco El Hombre. Um lacre, é um lacre. Aqui, as portas vão estar sempre abertas!

A 18ª edição do Guaiamum Treloso Rural representou como prévia. Apresentaram uma grade de apresentações dignas de um verdadeiro carnaindie. A produção está de parabéns por ter conseguido realizar, apenas das brigas judiciais, o festival, como ter lotado e agraciado o público com uma vibe de paz e alegria. Pequenos ajustes na produção e a certeza de que a 19ª edição vai entrar para a história. Que venha!

Gal Costa e o poder da sua voz no show “Espelho d’Água”

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A cantora Gal Costa realizou no último final de semana mais uma temporada de shows no teatro do SESC Vila Mariana. Dessa vez o espaço abrigou o show intitulado “Espelho d’Água”, onde a cantora é acompanhada somente por Guilherme Monteiro no violão/guitarra.

Sempre muito sorridente, a cantora esbanjou simpatia ao interagir com o público contando um pouco sobre como foi seu encontro com o músico e a ideia de concepção desse show. Guilherme substituiu o guitarrista Pedro Baby em uma apresentação da cantora, que naquela ocasião divulgava a turnê “Recanto”. Gal disse que o primeiro contato deles foi direto na passagem de som, e quando Guilherme começou a tocar e criou aquela “cama harmônica” ela deitou, gozou e pensou “quero fazer algo com esse cara”.

Desde então a dupla percorre o país com o “Espelho D’Água”, cujo repertório emblemático foi concebido em parceria com o diretor musical Marcus Preto. No repertório não faltaram canções fundamentais na carreira de Gal, com destaque para “Baby”, “Vaca Profana”, “Tigresa” e “Você não entende nada”.

Gal apresentou sua excelente versão para “It’s All Over Now, Baby Blue”, canção de Bob Dylan cujos versos em português foram escritos por Caetano Veloso em parceria com Péricles Cavalcanti e foi lançada em 1977 no disco “Caras e Bocas”. Uma ausência sentida foi da canção “Espelho d’Água”, que dá nome ao show e foi composta especialmente para Gal Costa por Marcelo Camelo em parceria com seu irmão Thiago Camelo.

“Sua Estupidez”, canção da dupla Roberto Carlos & Erasmo Carlos, emocionou a plateia presente. É impressionante ver a forma como Gal se relaciona com o público. Devemos ser gratos pelo privilégio de assistir uma cantora tão segura, com mais de 50 anos de carreira, e que continua renovando seu público, atraindo jovens para seus shows e esgotando ingressos por onde passa.
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Fotos: Riziane Otoni 

“Acaso casa” celebra o encontro de Mariene de Castro e Almério

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Realizado no último sábado na Casa Natura Musical, o show intitulado “Acaso casa” reuniu dois talentosos nomes da Música Popular Brasileira: Mariene de Castro e Almério. Mariene lançou seu primeiro disco, o excelente “Abre Caminho”, em 2005, mas foi somente em 2013 que a cantora surgiu para o grande público, quando interpretou a saudosa Clara Nunes no show que deu origem ao CD e DVD Ser de Luz”. Almério lançou neste ano seu segundo disco “Desempena” e garantiu ótimas avaliações da crítica especializada e já aparece nas listas de melhores lançamentos de 2017.
O primeiro encontro dos artistas aconteceu num sarau realizado na casa de José Maurício Machline, o nome por trás do Prêmio da Música Brasileira. A sintonia foi imediata e ali mesmo surgiu a ideia do show, que tem a direção do próprio José Maurício. ‘Numa reunião em casa onde vários amigos deram canja, os dois se conheceram e se afinaram de forma inusitada, inclusive no que diz respeito ao tom, que muitas vezes entre homem e mulher é muito difícil. Ter escutado e visto a emoção que eles tiveram na união do canto foi uma coisa que contagiou a quem os assistia, mas principalmente aos dois cantores que se emocionaram de alguma forma que as lágrimas caíam em forma de música’, conta Machline. Em tom intimista, os cantores são acompanhados por dois violões e um acordeom, e nos levam a um show repleto de emoções e lembranças, mergulhando num repertório que canta principalmente a história do interior nordestino brasileiro, aliado ao belo cantar carregado de sotaque dos nossos protagonistas.

O roteiro do show é bem dividido, mesclando números em dupla e solos. Almério destacou-se na primeira parte do show, principalmente ao interpretar “Fala” do grupo Secos & Molhados. A plateia foi ao delírio e manifestava-se mesmo antes do término da canção. Do seu elogiado “Desempena”, Almério só cantou “Segredo”, mas ao dividir a canção em coro com o público, temos a certeza do potencial do cantor, que impressiona com sua performance nos palcos.

Mariene de Castro parecia um tanto quanto contida nessa apresentação, mesmo quando cantou alguns de seus sucessos como “Amuleto de Sorte” e “Ser de Luz”. Ao interpretar “Antes do mundo acabar”, parceria de Zélia Duncan com Zeca Baleiro, a cantora dedicou a música à Zélia, sua “irmã de alma”. Foi só ao cantar “Tirilê” que Mariene despertou e entregou aquilo que estamos acostumados a presenciar em seu shows, pediu ajuda da plateia nas palmas e girou muito no palco. Por mais que tenha sido um lindo momento, ele serviu para provar talvez a maior ausência do show: percussão, já que o batuque é presença constante no repertório de ambos.
O encerramento com “Canto de Ossanha” resume todo o potencial desse encontro, que merece ser alinhado e viajar pelo país.

Fotos: Felipe Giubilei

Lenine encerra a turnê do disco “Carbono” no SESC Parque Dom Pedro II

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O cantor e compositor pernambucano Lenine apresentou o show de encerramento da turnê de seu disco mais recente: “Carbono”, lançado em 2015. A apresentação ocorreu no SESC Parque Dom Pedro II, localizado na região central da cidade de São Paulo, próximo a um dos cartões-postais da cidade, o Mercado Municipal.
Com entrada gratuita e ao ar livre, nem a chuva que marcou presença pouco antes do show, foi capaz de espantar o público, que conferiu de perto as canções que integram o repertório do disco “Carbono” e as versões revisitadas das canções consagradas do cantor.

Entre os destaques, estão as canções “Na Pressão” e “Hoje Eu Quero Sair Só”. A canção “Rua de Passagem” chamou atenção por seu teor político presente em versos como “A cidade é tanto do mendigo quanto do policial. Todo mundo tem direito à vida. Todo mundo tem direito igual.”. Interessante ouvir e cantar versos assim em pleno Centro de São Paulo, região que sofre com o enorme descaso da atual gestão da Prefeitura, que parece não entender o mínimo sobre ocupação de lugares públicos.

“Paciência”, maior sucesso do cantor e que já ganhou versões gravadas por Simone e Zeca Baleiro, foi insistentemente pedida pelo público presente e foi a escolhida para encerrar a apresentação. Sempre muito simpático, Lenine disse que a banda tocaria a base e a cantoria ficaria por parte do púbico, que não decepcionou e cantou fortemente uma das melhores composições da música brasileira.

Fotos: Viviane Pereira ( Música Compartilhada )

Nação Zumbi apresenta sua recém lançada “Radiola NZ” no SESC Pompeia

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Percussores do Mangue Beat, movimento musical que ganhou projeção nacional na década de 90, a Nação Zumbi se apresentou no último final de semana na Comedoria do SESC Pompeia. Depois de realizar uma turnê em comemoração aos 20 anos do clássico álbum “Afrociberdelia”, a banda se prepara para mais um lançamento, dessa vez surge o álbum “Radiola NZ”, apresentando versões ousadas de canções que influenciaram a banda.

Com ingressos esgotados para todos os dias, a temporada mais uma vez provou o potencial da banda, cuja presença é marcante nos principais festivais musicais do país. O repertório revisitou canções como Refazenda” de Gilberto Gil e “Não Há Dinheiro Que Pague” do Rei Roberto Carlos.

“Amor” do Secos & Molhados ganhou uma versão mais pesada, com a forte presença do trio de alfaias, instrumento fundamental na formação musical da banda, que conta com excelentes músicos, com destaque para o guitarrista Lúcio Maia e o baterista Pupillo. Sem a ilustre presença de Ney Matogrosso, como ocorreu no encontro realizado no Rock In Rio, a execução da canção pareceu bem mais alinhada.

Algumas versões pareceram menos inspiradas, porém não chegaram a comprometer o show, cujo ponto alto ainda foram as canções autorais da banda, como “Manguetown”, “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” e “Quando a Maré Encher”, essa última eternizada pela versão da cantora Cássia Eller, que registrou a versão em seu Acústico MTV com participação especial da própria Nação Zumbi.

Tendo a frente o vocalista Jorge du Peixe, as apresentações da banda sempre carregam um tom político, não faltaram falas de descontentamento com o atual cenário político brasileiro e demais assuntos.

Fotos: Carol Vidal

A lista atualizada de lugares de São Paulo onde sempre tem uma banda independente tocando

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Letty and the Goos no Bar da Avareza

“Ah, mas não tem lugar pra banda independente se apresentar em São Paulo”. Você já deve ter ouvido isso e também ouvido que “a cena tá morrendo” por esse motivo.

As duas afirmações estão incorretas: São Paulo está cheia de locais onde sempre tem uma banda autoral se apresentando, mesmo que às vezes precise dividir a noite com alguma banda cover (afinal, a casa precisa de grana, e infelizmente muita gente prefere dar seu suado dinheirinho pra cover, fazer o quê). Fiz uma pequena lista de casas, estúdios e lugares que atualmente abrigam a borbulhante cena autoral independente do país. Fique de olho na agenda desses locais e compareça aos shows!

(Aliás, a tal cena só morre se você ficar só reclamando dela ao invés de se levantar e aparecer para fortalecer essas apresentações. Estamos combinados?)

Associação Cultural Cecília
Rua Vitorino Carmilo, 449 – Santa Cecília

Paula Cavalciuk

Paula Cavalciuk no Cecília

A Cecília é uma casa que exala cultura pelas paredes. O espaço oferece quase diariamente shows dos mais variados estilos, sempre com muita proximidade entre público e artista. A Associação Cultural Cecília também realiza seus tradicionais festivais de rua e outros projetos com música e artes.

Morfeus Club
Rua Ana Cintra, 110 – Santa CecíliaAletrix

Aletrix no palco do Morfeus

Rap, hip hop, metal, punk, reggae e dub são alguns dos estilos que você encontra ao adentrar o Morfeus Club, do lado do metrô Santa Cecília. Sempre tem algum show rolando e vale a pena dar uma olhada na decoração da casa, toda feita com materiais encontrados em caçambas e jogados pela rua.

Secretinho
Rua Inácio Pereira da Rocha, 25 – Pinheiros

O Secretinho tem aquele ar de casa, mas recebe frequentemente belos shows de bandas independentes, além de muito rap e hip hop. É pequenininho, mas tem um quintal atrás para você dar uma espairecida.

Baderna
Rua Oscar Freire, 2529 – Jardins

Localizado em frente ao metrô Sumaré, o bar de atmosfera simples e caseira recebe com muita simpatia bandas e projetos musicais diversos além de oferecer culinária vegetariana e um jardim espaçoso nos fundos.

Centro Cultural Zapata
R. Riachuelo, 328 – Sé

Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos no Centro Cultural Zapata

O Centro Cultural Zapata é dedicado à diversidade artística e à cultura underground e além de artes plásticas abriga shows de bandas de todos estilos – do punk ao indie, do grindcore ao eletrônico. Fica próximo ao terminal Bandeira e à estação Anhangabaú do metrô.

Trackers
R. Dom José de Barros, 337 – República

Jorginho Amorim e a Tribo no Trackers

Jazz, rock, punk, soul, discotecagem, sound system, reggae… Tudo isso cabe na Trackers, casa que fica em um prédio bem próximo à Galeria do Rock e sempre tem uma festa em seus diversos ambientes. Tão plural quanto a casa é sua programação. Fique de olho, que sempre tem algum evento que pode te interessar.

 

Sensorial Discos
R. Augusta, 2389 – Jardins

A Sensorial Discos reúne loja de discos, bar e espaço para shows, além de reunir uma galera que curte música pra bater um papo sobre o assunto. Também rolam lançamentos de livros, discotecagens e muito mais por lá. Escolha sua cerveja artesanal e curta o show.

Hotel Bar
R. Matias Aíres, 78 – Consolação

TEST no Hotel Bar

Pequenininho, mas cheio de personalidade. Na badalada região baixa da Rua Augusta, o Hotel Bar sempre tá com um show bacana pra você conferir, mesmo que seja ouvindo do lado de fora tomando umas.

Casa do Mancha
R. Felipe de Alcaçova, 89 – Pinheiros

Acruz Sesper Trio na Casa do Mancha

Uma das casas mais requisitadas da cena independente, a Casa do Mancha começou  em 2007 com um pequeno estúdio na sala da casa onde de fato morava o músico e produtor Mancha Leonel. De lá pra cá se tornou o lar de shows de todos os tipos de som, sempre com um público fiel.

FFFront!
R. Purpurina, 199 – Sumarezinho

Clemente e a Fantástica Banda Sem Nome no Fffront

Acho que a própria página do FFFront explica bem: “É um espaço criado entre amigos para ser dividido com diversão, conversas e momentos de ode ao ócio, sem culpa”. Frequentar, divulgar, trazer amigos e se sentir bem é o que a casa prega. Ah, e tem shows fodaços, vira e mexe.

Espaço Zé Presidente
Rua Cardeal Arcoverde, 1545

Rael no Zé Presidente

O Zé Presidente fica na Vila Madalena e além de diversos shows, costuma receber festas dos mais variados gêneros. É uma casa, com estrutura de casa, mas um belo local com palco para as apresentações.

Centro Cultural Rio Verde
R. Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena

Gigantesco, o Centro Cultural Rio Verde abriga shows de bandas grandes? Sim. Bandas pequenas? Sim. Bandas de rap? Sim. Eventos? Sim. Festivais? Também. Ou seja: fique de olho, alguma coisa bacana provavelmente terá por lá quando você visitar.

Augusta 339
R. Augusta, 339 – Consolação

Um dos poucos sobreviventes que continua investindo em shows na outrora selva de apresentações noturnas Rua Augusta, o Augusta 339 tem feito cada vez mais eventos com bandas independentes e autorais dos mais diversos estilos. Quer um exemplo? Tem show de hardcore lá… E também de lançamento do Pe Lanza, ex-Restart. Quer mais democrático que isso?

Estúdio Aurora
Rua João Moura, 503 – Pinheiros

In Venus no Estúdio Aurora

Você já deve ter visto os eventos do Estúdio Aurora Ao Vivo. O estúdio sempre recebe bandas para shows intimistas mas cheios de fúria e vigor com um som incrível. Vale a pena ficar de olho.

Breve
R. Clélia, 470 – Barra Funda

gorduratrans no Breve

O ex-Neu virou Breve, mudou de lugar… Mas a abertura para bandas autorais em shows incríveis continua, até com mais força que antes. O Breve virou um dos lugares mais procurados quando se fala em música autoral hoje em dia.

Estúdio Lâmina
 Av. São João, 108 – 41 – Centro

Mescalines no Estúdio Lâmina

O Estúdio Lâmina fica no quarto andar de um prédio construído na década de 40, no centro histórico de São Paulo. É um Espaço de Cultura Independente que busca divulgar novos artistas da cena, então além de shows você pode encontrar artes visuais, dança, circo contemporâneo, cinema, poesia e mais.

Cervejazul Music Club
Praça Ciro Pontes, 26 – Mooca

Localizado na Mooca, o Cervejazul é tradicional na apresentação de bandas ao vivo em sua agenda. Fundado em 2001, sempre recebeu em seu palco bandas independentes, sendo que muitas estouraram depois de tocar por lá.

Casa Matahari Mariposa
R. Silva Bueno, 729 – Ipiranga


“Aberta para reunir pessoas que apreciam boa musica, arte e cultura num raro ambiente realmente alternativo”, segundo a página. Shows de jazz, samba, soul e muito mais.

Underground Club
Av Santos Dumont, 626 – Luz

Perto do metrô Armênia, o Underground Club foi criado com inspiração nos bares e clubes europeus que apresentam bandas independentes.

Feeling Music Bar
R. Domingos de Morais, 1739 – Vila Mariana

O Feeling aposta no rock e vira e mexe tem uma banda independente por lá, além de festivais, concursos e festas. Ah, e como toda casa de música que se preze, um belo bar. Porque música sem uma cervejinha é algo que não rola!

Jai Club
Rua Vergueiro, 2676 – Vila Mariana

Show de banda independente, show de banda grande, balada, festa temática, lançamento de livro… Tudo isso você encontra no Jai Club, perto do metrô Ana Rosa e uma casa muito bonita, com uma decoração bem bacana (e um fliperama com Street Fighter!)

Bar da Avareza
R. Augusta, 591 – Consolação

Papisa no Bar da Avareza

O Crush em Hi-Fi em parceria com os blogs Hits Perdidos, Cansei do Mainstream e RockALT faz mensalmente o projeto Contramão Gig no Bar da Avareza, na Rua Augusta, sempre com bandas autorais em shows ao vivo. Ah, e a casa agora começou a investir em mais shows autorais também!

Sentiu falta de alguma casa que abriga shows autorais? Tem alguma sugestão? Manda aqui nos comentários que eu atualizo o post!

“One To One”: Paul McCartney encerra turnê no Brasil com show histórico em Salvador

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Paul McCartney
foto: AFP

Demorou, mas enfim aconteceu. Após três apresentações em Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo e com um atraso de quinze minutos (tudo bem, ele pode) um Beatle finalmente tocou na Bahia. A honra coube a Sir Paul McCartney, abrindo com “A Hard Day’s Night” um show histórico na capital.

A execução das músicas e do próprio show foram as mesmas dos anteriores e da última passagem dele no Brasil em 2014. “Blackbird” dedicada aos Direitos Humanos, “Love Me Do” ao produtor George Martin e o já icônico momento quando presta homenagem a George Harrison com uma versão de “Something” introduzida com o ukelele foram os momentos mais tocantes. Generoso com as músicas dos Beatles, o set list seguiu à risca como de praxe: a explosão do palco em “Live and Let Die”, o coro de “Hey Jude”, a psicodelia de “Helter Skelter”.

Não houve espaço para surpresas. A grande novidade era ver de perto, ou não tão perto, um ícone que para muitos só existia no imaginário popular. Como diziam alguns presentes, não importava saber de cor todas as letras (“Give Peace a Chance” ficou sem o coro) e não importava o lugar que você estivesse. Ver um Beatle fazer cola das palavras em português e mesmo conseguir dizer em alto e bom som: “Vocês são massa” é de aquecer o coração numa noite chuvosa como foi a dessa sexta-feira.

Paul McCarteney após várias passagens no Brasil tocou pela primeira vez na Bahia. Para baianos, sergipanos, alagoenses, cearenses e quem mais tivesse a oportunidade de conferir esse dia histórico. Talvez essa tenha sido a grande diferença entre os shows da turnê “One to One” no Brasil. Após quase 60 anos, desde que os rapazes de Liverpool começaram sua trajetória de sucesso pelo mundo, finalmente nós tivemos nosso pedacinho da Beatlemania.

Refavela 40 celebra o início do que talvez seja uma “Nova Era” na carreira de Gilberto Gil

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por Pedro César

Gilberto Gil está muito bem. Ano passado tivemos grandes sustos e quase “perdemos” um dos grandes mestres da música brasileira. Sabemos que Gil “não tem medo da morte”, mas quando ele partir vai ser duro pra todo e qualquer fã da música popular brasileira. Por sorte ainda o temos. Com vitalidade, imponência, sabedoria e altivez.

Se Gil cantasse todo o repertório do “Refavela”, entretanto, não seria mais o mesmo. Todas as músicas demandam uma energia que talvez ele não tenha mais, considerando um show tão extenso e que vai percorrer todo o Brasil (no repertório e na turnê). Gil talvez tenha consciência disso. Dá espaço então para uma banda envolvente “regida” pela guitarra igualmente envolvente de Bem Gil, idealizador do show. Com carisma inegável, toda a “trupe” se comporta como uma família, onde inclusive, diversas gerações da família Gil estão presentes, desde Nara Gil, a filha mais velha que participa com vocais ocasionais envolventes e uma participação emocionante em “É”, até os netos, tocando instrumentos percussivos o show inteiro e trazendo fofura e um ar simbólico de renovação – a principal marca desse show: a busca pela renovação permanente da obra de Gil.

Os vocais de Maíra Freitas, Moreno Veloso e Céu, trazem um ar novo para um som transcendental e atemporal. Preparam lindamente o cenário para o anfitrião da festa. Belos arranjos, belas vozes e, evidenciadas nas suas apresentações, a admiração gigantesca pelo filho de Dona Claudina. Gil observa tudo sentado nas coxias, de pernas cruzadas e postura ereta. Reage feliz em algumas músicas, mas passa a maior parte do tempo quase imóvel, admirando o repertório e a homenagem à sua obra. Também se concentra para o que está por vir.

Quando o homenageado enfim chega ao palco, faz uma entrada triunfal e retumbante, convocando a percussão para a “Patuscada de Gandhi”. Dança e traz a plateia ao show a todo tempo, enquanto brada com beleza singular, os versos de homenagem a um dos blocos afro mais tradicionais da Bahia. Emenda com a música maravilhosa que compartilha o nome com o disco em questão. A plateia continua a cantar junto a todo instante em uma Concha Acústica do TCA lotada. Gil conta longas histórias sobre a concepção do disco, destacando a viagem inspiradora à mãe África com Caetano Veloso e tantos outros artistas (é impossível não ter, nesse contexto, orgasmos imaginativos musicais com as menções a encontros frequentes com Fela Kuti e Stevie Wonder).

A atmosfera do show é interrompida com os gritos efusivos de “Fora Temer!”. Gil responde com a malícia e sabedoria de seus 75 anos – “Aconteceu a mesma coisa em São Paulo e direi aqui o mesmo que disse lá: é compreensível, aliás é compreensibilíssimo que se grite isso, mas acho esse grito ocioso. Temer já está fora, se não agora, daqui a 1 ano.” – seu apoio ficou evidenciado, mas, sem deixar de lado uma crítica elegante de quem já viveu muito da história recente desse país, em diferentes lugares da “trincheira” ideológica.

Chama atenção, por fim, o repertório com a presença de músicas extras ou excluídas do “Refavela”, como “Gaivota” (concebida para Ney Matogrosso, que interpreta maravilhosamente no “Bandido” de 76) e “É” (publicada no “Satisfação: Raras e inéditas”). “É”, por sua vez se destaca com o lindo dueto de Gil com sua filha mais velha, Nara, e que marca nos seus versos o que talvez seja o símbolo de sua carreira daqui pra frente – um ser que “não teve começo e nunca terá fim”, um ser inquieto, um ser fantástico. Fantasia que se expressa no “gran finale” do show, com as memórias e a saudação religiosa candomblecista de “Babá Alapalá”, onde a gratidão por ter conhecido o candomblé se expressa, tanto no discurso quanto na cantoria que fecha o show com chave de ouro.

Que todos os deuses e energias positivas abençoem a obra, o legado e o ser de Gilberto Gil, que não é o Bob Marley brasileiro, mas sim, o primeiro e único Gilberto, filho de Dona Claudina e Seu José. Vida longa!

Paulinho Moska e a genialidade do show “Violoz”

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Tornando-se cada vez mais uma referência para os shows na cidade de São Paulo, a Casa Natura Musical recebeu no último fim de semana o cantor Paulinho Moska para duas apresentações do espetáculo intitulado “Violoz”.

A abertura ficou por conta de Bárbara Dias, novo nome na cena musical que se mostrou extremamente à vontade e confiante no palco. Acompanhada de seu violão, mesclou composições autorais com versões de seus artistas preferidos, como Tiago Iorc, bastante elogiado pela cantora e que recebeu aplausos calorosos da plateia ao ter seu nome citado. Apesar do show curto, Bárbara instigou e provou que é um nome que deve ser acompanhado.

Logo em seguida, Paulinho Moska nos presenteou com um show repleto de canções, histórias, momentos e recordações. Conhecido por sua boa relação com o mercado latino americano, o cantor arriscou um “portunhol” e abriu o show com a canção “Hermanos”, seguida por “A idade do céu”, canção originalmente composta em espanhol por Jorge Drexler, cuja versão em português foi escrita pelo próprio Moska.

Alternando entre os violões, guitarra e bandolim, o cantor apresentou seu excelente repertório sempre conduzindo de forma precisa todos seus instrumentos. Um show solo requer muita confiança e Moska tem de sobra. Além dos seus sucessos como “A seta e o alvo”, “Tudo novo de novo” e “Pensando em você”, fizeram parte do repertório parcerias de Moska gravadas originalmente por outros artistas. “Sinto Encanto”, gravado por Zélia Duncan no disco “Pelo sabor do gesto”, “Namora comigo” composta por Moska e gravada por Mart’nália.

O show “Violoz” comprova a genialidade de Moska. Excelente instrumentista, ótimo compositor e com uma espontaneidade no palco que impressiona e cativa o publico.

Setlist
1. “Hermanos”
2. “A idade do céu”
3. “Soneto do teu corpo”
4. “Tudo o Que Acontece de Ruim É Para Melhorar”
5. “Pensando em você”
6. “Impaciente Demais”
7. “A seta e o alvo”
8. “Sinto encanto”
9. “Sonhos”
10. “While My Guitar Gently Weeps”
11. “Lágrimas de diamantes”
12. “Sem dizer adeus”
13. “O último dia”
14. “Tudo novo de novo”
15. “Quantas vidas você tem”
16. “Namora comigo”
17. “Admito que perdi”
18. “Um móbile no furacão”
19. “Relampiano”
20. “Stand By Me”
21. “Somente nela”
22. “Muito pouco”