Bike conduz o público para um ambiente místico em show no Teatro Sérgio Cardoso

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Já no ônibus, não tinha percebido, mas meu ponto tinha passado. Desci no próximo e, segundo o Google Maps, agora estava a 17 minutos do local. Decidi seguir a pé. Não tinha vindo até o bairro Bela Vista ainda. No caminho para o Teatro Sérgio Cardoso — local onde o show do Bike estava marcado para começar às 22h –, um gari passa correndo atrás do caminhão de lixo. Para ele, é só mais um dia corriqueiro de trabalho. A rua é uma incessante sinfonia ensurdecedora de buzinas de carros, trânsito e pessoas no seu fluxo alvoroçado. Essa cidade é um caos, pensei. SP ainda vai nos matar de prazer ou de frustração.

Passava das 22h15  de uma quarta-feira (27/10), quando no mezanino do teatro, os integrantes estavam a postos com seus instrumentos. Julito Cavalcante (guitarra e voz) dá boa noite aos presentes e anuncia “Enigma do Dente Falso” pertencente ao primeiro disco da banda “1943” (2015). O show começa com uma música mais lenta e carregada de psicodelia. Ecoam os backing vocais com reverb da voz de Diego Xavier (guitarra). A caixa de Daniel Fumegaladrao (bateria) soa forte como uma marreta e dita o ritmo dos demais instrumentos.

Após o primeiro som e sem tempo para respiro, a banda toca a introdução de “Do Caos ao Cosmos” numa linha dançante bem parecida com Tame Impala. Um público pequeno de mais ou menos 20 pessoas observa atento a dinâmica de ritmo oscilante do grupo. No momento clímax do som, a banda explode numa notável presença de palco, a música passa por uma metamorfose do compasso lento para o acelerado. Sem pausa, o Bike emenda para “7 Flechas e o Rei Lagarto”. A voz de Julito está baixa, o que atrapalha na percepção das letras em determinados instantes. Mas de resto, o som está bem regulado. A bridge agitada da canção mistura-se às luzes coloridas do palco. Psicodelia pura.

Em “Alucinações e Viagens Astrais” a linha do baixo pesado de João Felipe (baixo) se sobressai — aliás, o Bike tem uma bela cozinha entrosada, por assim dizer. Vozes reverberam e revelam uma nítida influência de Thom Yorke (Radiohead). Destaque para um riff de guitarra nostálgico no final da música. Bike não deixou de fora do repertório “A Divina Máquina Voadora”, música na qual eles lançaram recentemente um videoclipe com imagens da tour realizada este ano na Europa. O guitarrista Diego Xavier editou e finalizou o clipe. Falando em tour na gringa, depois de Boogarins, o Bike também está ganhando cada vez mais espaço no panorama de bandas nacionais psicodélicas, ao lado de uma ótima safra que inclui: Gluetrip, Supercordas, O Terno, My Magical Glowing Lens Cidadão Instigado.

Bike no Teatro Sérgio Cardoso. Foto: Fernanda Carrilho Gamarano

Somos transportados para um ambiente místico (quase espiritual) quando o quarteto toca “A Montanha Sagrada“. Essa música assemelha-se com as brisas indianas de George Harrison (guitarrista dos Beatles), é como se estivéssemos em uma aula de yôga psicodélico. Duas vozes cantam, simultaneamente, um refrão que fica cravado na mente: “Subi a montanha para ficar mais perto do céu”. Luzes piscam enquanto um solo de guitarra repetitivo acelera de forma crescente. O caos de São Paulo — citado no início –, é representado no desfecho barulhento da música. As bandas de jazz que adoram improvisar que o diga.

Julito agradece a presença do público, informa que o show está chegando ao fim e comenta a respeito do último disco “Em Busca da Viagem Eterna”, divulgado esse ano pela banda por meio da turnê que leva o mesmo nome. “Terra Em Chamas” encerra a noite de quarta-feira em meio a knobs e feedback dos pedais de efeito de guitarra. Uma brisa com um clima Pink Floyd ressoa nos amplificadores. O público, apesar de pequeno, grita e aplaude com fervor a banda.

A música tem o poder de trazer reflexão e pensamento crítico. Vai além do entretenimento. Quando consumimos arte, estamos à procura de algo. E, nessa noite singular, o Bike nos guiou livremente em busca da viagem eterna.

Confira mais fotos do show pelas lentes da fotógrafa Fernanda Carrilho Gamarano:

Bike
foto por Fernanda Carrilho Gamarano

Conheça a brisa alternativa stoner psicodélica de “Sometimes It’s Fun To Lose”, do The Brisantinos

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Formada por Bruno Clementin (baixo), Cármino Caramello (vocal), João Bolzan (bateria), Sam Cesaretti (guitarra e vocal) e Walter Tadini (guitarra e vocal), a The Brisantinos está com uma campanha de financiamento coletivo para lançar seu primeiro álbum, com sete faixas, gravado no Stone Studio, em Frutal (MG).

A banda começou em 2011, quando seus integrantes se conheceram na faculdade UFSCar, em São Carlos. Ao saírem de suas graduações, os membros foram morar em uma chácara em São José do Rio Preto, onde trabalharam em suas composições por três anos. O som da The Brisantinos mistura rock psicodélico, alternative rock noventista, stoner rock e blues. Isso tudo pode ser ouvido nas músicas que o quinteto já disponibilizou.

Conversei com Walter sobre sua carreira, o crowdfunding, o novo disco e mais:

– Como a banda começou?

A banda começou após alguns anos estudando junto em São Carlos, onde tirávamos um som na casa que morávamos. Mas somente tomou forma quando nós já havíamos mudado de cidade para São José do Rio Preto, onde continuamos tocando e dividindo contas. Foi lá que conhecemos o baterista João Bolzan, que finalizou o que restava para conseguirmos fechar as ideias do nosso primeiro álbum e compor inclusive algumas músicas a mais. Moramos juntos há pelo menos 3 anos, e a banda nasceu do interesse despertado por músicas independentes.

– Então foi uma banda de estudantes formada em república, é isso? Todo mundo faz o mesmo curso?

Não, isso foi um pouco mais complicado. Podemos dizer que esse período de república foi o embrião da banda, onde surgiu o nome e as ideias. Depois, quando saímos, não voltamos para terminar o curso, e continuamos em Rio Preto. Mas eram estudantes de Física, Ciências Sociais e Letras. A formação da banda era outra e não podemos considerar que é uma banda de estudantes, pois nem mesmo terminamos a graduação.

– De onde surgiu o nome da banda?

Surgiu de um papo brisa, na praça… Acabou “Brisantinos” depois que um de nós soltou essa palavra na roda. É brisa de beck, manja?

– Quais são as principais influências musicais da banda?

Cada um dos músicos veio com um estilo e influência diferentes, mas vamos citar Black Sabbath, Sepultura, Tomahawk, Vulfpeck, Queens Of The Stone Age, Djavan, Tom Waits, Pinback, Dead Fish, Planet Hemp, Steel Pulse, Red Hot Chilli Peppers, The Beatles, The Doors, Buffalo Springfield, Esperanza Spalding, Living Colour e outras talvez muitas. É complicado, basicamente procuramos muitas alternativas.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Ah, deve ser um Alternative Stoner Psychedelic Blues Rock. A gente tenta sempre tocar e compor com uma originalidade e frescor que não sabemos denominar. Certa vez gravamos um samba, que vai ir para um programa que se chama “Tudo Termina Em Samba”, aproveitamos a oportunidade para salvar um samba que havíamos feito há alguns anos. Então, de nós você pode esperar qualquer coisa. Mas uma coisa é fato, esse primeiro álbum ficou muito Stoner Rock e Heavy Blues.

– Já que falamos nele, me conta mais sobre este primeiro álbum.

Nós gravamos com o Lucas Heitor, produtor do Stone Studio, primeiro uma pré-produção ao vivo, e depois os instrumentos separados. Escolhemos as composições que já eram mais familiares para todos, e reparamos depois que elas tinham um eu lírico de forte personalidade. Ele apresenta os trabalhos mais coesos da banda até aqui e uma intenção original. Enfim, o álbum contém 7 faixas que totalizam 45 minutos aproximadamente. Foi um prazer enorme realizá-lo, gravar com o Lucas lá em Frutal foi incrível. Depois de gravado fizemos uma campanha de financiamento coletivo para providenciar a prensagem de alguns CDs, a elaboração de conteúdo e souvenirs. Para a arte do encarte encomendamos um desenho para cada música com o excelente artista Vinícius Vicente. Ele fez e nos mostrou, e ficou de chorar (no bom sentido), ficou foda! Agora estamos nos corres de lançar isso e viabilizar para todos. O álbum é pesado, com muita influência de Heavy Metal, Stoner e Psychedelic Rock.

– Vocês usaram o crowdfunding para realizar o disco. Acreditam que essa é uma boa forma das bandas viabilizarem seus projetos, depois da queda da indústria musical?

Sim! O crowdfunding é revolucionário. É um recurso que a internet possibilitou para a realização de uma ideia paralela aos interesses do mercado. A grande vantagem é o contato direto com o público em geral através do engajamento na campanha. Hoje em dia uma banda não precisa mais de um contrato, ou uma gravadora, para realizar o próprio projeto. E o crowdfunding oferece uma grande ideia patrocinadora. Aqui nós mesmos fizemos, tudo junto com muitos amigos que nos ajudaram.

– Então a queda das gravadoras, de certa forma, foi boa para a cena independente.

Os movimentos e iniciativas independentes, junto com a internet, deram a força necessária para que nós, artistas, que não temos apoio de grandes gravadoras, pudéssemos ter um espaço maior e um alcance digno do artista independente. Basicamente as gravadoras saíram do foco, por conta da grande quantidade e qualidade de lançamentos independentes.

The Brisantinos

– Mas você acha que falta algum veículo de mídia forte que auxilie a cena independente a atingir mais público “mainstream”, por assim dizer?

Não achamos que falte um veiculo mais forte de midia, os meios estão todos ai. achamos que o que falta é o incentivo das casas de shows a abrirem as portas para músicos autorais de pouco nome. E também a falta de interesse do publico “mainstream” por algo novo, recente e inédito. Mas percebemos que o independente tem ganhado muita força nos dias de hoje.

– Então na verdade se a divulgação já está ocorrendo corretamente, como fisgar esse público para que as casa invistam em shows autorais?

É necessário organização para produzir e divulgar uma boa música. Se pensarmos apenas na música ou apenas na estética desse produto ainda sobrará algo faltando. Hoje o Youtube e o Spotify são ferramentas interessantes para os músicos se promoverem. Mas essa auto-promoção deve ser honesta, afinal a música é para a alma. Assim como a música, os dias, e a vida, as repetições se fazem prevalecer. Então a perseverança deve caminhar junto com a criatividade.

– Quais são os próximos passos da banda?

Nós pretendemos lançar a partir dessa semana, uma arte do encarte do álbum por dia; até que dia 17 de junho o álbum esteja disponível digitalmente. Assim que os álbuns físicos chegarem, faremos a entrega das recompensas para finalizar nossa campanha de financiamento coletivo. Também vamos tocar um show de lançamento aqui no nosso estúdio chamado Soulbrado Espiral, dia 17 de junho, que será transmitido online. Depois tocamos no Stone Festival em Frutal dia 07 de julho e dia 28 de julho no SESC Rio Preto. Vamos continuar abrindo nossa casa, nosso estúdio e nosso som para novas ideias, shows e o que de bom e gostoso pintar. Inclusive temos ensaiado as composições de um outro álbum que virá na sequência, esperamos começar gravá-lo no segundo semestre desse ano. A nossa ideia é levar o primeiro álbum o mais longe ele possa ir, e tocar muitos shows.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria ouvir!

Bom temos vários. Vamos citar Centro da Terra, Aeromoças e Tenistas Russas, Far From Alaska, Lobo Y Brujo, Bamba Bróder, Quarto Astral, Hurricanes, Cassino Queen, Boogarins, Hellbenders, Black Drawing Chalks, HammerHead Blues, que são algumas das que lembramos agora.

10 bandas e artistas com nomes que ficam bem esquisitos no Brasil

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Sabe aqueles falsos cognatos que fazem qualquer um passar vergonha quando viaja, como naquela velha história de que paletó em espanhol se fala “saco”? Pois bem: tem bandas e artistas que lá fora têm nomes bem inofensivos, mas que aqui ficam hilários. Reuni 10 exemplos de nomes que ficam bizarros no Brasil:

Poliça

Formada por Ryan Olson e Channy Leaneagh, a banda de indie rock de Minneapolis tem um som com influências de eletrônico e R&B e começou sua carreira em 2011. Não, eles não tem relações com as forças armadas e não prendem ladrões, pode ficar tranquilo.

Pinto

Sim, a banda chama Pinto. O quarteto de Chicago se inspirou em um carro de mesmo nome que fez muito sucesso nos Estados Unidos, o Ford Pinto, que por motivos óbvios não chegou a ser importado para o Brasil.

Chris Bunda

Sinceramente, eu não sei muito sobre o rapaz que se chama Chris Bunda. Só sabemos que mesmo com este nome, ele não canta axé ou funk carioca e não bate com a bunda no chão. O som dele é um pop rock muito do inofensivo que parece aqueles cantores de barzinho sem experiência.

Pirocan

Não é nada disso que você está pensando: o Pirocan, da gravadora Aşanlar Müzik, faz música típica árabe (eu acho, me perdoem se eu estiver errado), com suas danças e tudo. E sem envolver membros sexuais girando.

Bussetti

Não, o Bussetti não é italiano. Formado em 2001 em Londres, o grupo fazia um som que misturava hip hop, funk, jazz, indie e pop e lançou dois discos até 2007, quando terminou.

DJ Foder

Esse DJ é foda.

Meleka

A cantora Meleka, de Londres, já colaborou com gente como Basement Jaxx, Kelis e muita gente boa. No momento, está trabalhando com diversos produtores e compositores para lançar seu primeiro álbum.

Teta

Sério, existe um músico chamado Teta. De Madagascar, Teta cresceu em Taspiky, um dos locais tradicionais pela música na região. Sua habilidade no violão é notável, com harmonias inesperadas e ritmos diferenciados. Mas não dá pra não rir ao falar seu nome.

Charles Boquet

O francês Charles Boquet tem uma Big Band e o tanto de trocadilhos que dá pra fazer com essa frase não tá no gibi.

Cagarro

Cagarro é uma música eletrônica daquelas genéricas que às vezes você ouve na C&A enquanto procura uma bermuda a um preço razoável, não acha e acaba levando somente um kit com 5 meias. Ah, e o nome é hilário.

Construindo Warmest Winter: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Warmest Winter

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Warmest Winter, que indica suas 20 canções indispensáveis.

Bloodhail“Have a Nice Life”
Denny Visser: Uma ambiência pesada com praticamente todos os instrumentos distorcidos e vocal profundo.

Galaxie 500“Temperature’s Rising”
Denny Visser: Simples com poucas variações de acorde mas envolvente e com uma melodia que prende na música.

Wild Nothing – “Shadow”
Denny Visser: Instrumentos mais cleans com vocal suave e batida baladinha. Mistura dos synths com efeitos de guitarra clean.

empire! empire! (I was a lonely state) – “The Loneliness Inside Me is a Place”
Denny Visser: O título e a letra da música são os maiores atrativos mais as particularidades da banda com bateria e guitarras com tempo quebrado.

Quiet“This Will Destroy You”
Denny Visser: A mistura de uma calmaria com um peso e agitação, uso do delay e bateria quebrando o tempo.

Siouxsie and the Banshees“Israel”
Luiz Badia: Música hipnótica onde baixo e guitarra banhados em flanger me influenciaram bastante. A bateria segue em expressivas variações e a voz da Siouxsie, sem ter uma grande potência, é minha cantora predileta. A letra sobre frio e desolação criam um universo mágico e sombrio.

Bauhaus“She’s in Parties”
Luiz Badia: Uma banda maravilhosa, cheia de energia agressiva e bela. Seu riff realizado pelo baixo e guitarra me encanta por revelar que bandas podem criar ótimos arranjos quando equilibram as forças de dois instrumentos em vez de enaltecer apenas a guitarra com instrumento principal.

The Cure“Charlotte Sometimes”
Luiz Badia: Robert Smith perambula pela sua melancólica atmosfera com ajuda de teclados chorosos e etéreos

Joy Division“Atmosphere”
Luiz Badia: Triste epílogo de Ian Curtis em seu derradeiro adeus… A bateria e o vocal são marcantes para a Warmest Winter

Interpol“Obstacle 1”
Luiz Badia: A banda resgata o som da primeira geração da cold wave, e esse hit inicial me chamou a atenção quando saiu, Carlos Dengler é uma baixista fantástico, simples e marcante.

Bob Dylan“Idiot Wind”
Tiago D. Dias: O “Blood on the Tracks” talvez seja o disco mais confessional do Dylan, e “Idiot Wind” talvez seja sua canção mais dolorida. A narrativa com quase 8 minutos de duração, na qual diferentes cenas são descritas, demonstra uma miríade de sentimentos do autor em relação a um relacionamento desfeito.

Cartola“O Mundo é um Moinho”
Tiago D. Dias: Nossos sonhos são sempre mesquinhos. E poucos são os que sobrevivem. Cartola sabia dessa triste verdade e escreveu sobre ela de maneira incrivelmente bela. Que a música tenha sido escrita para sua filha, torna tudo ainda mais poético.

Leonard Cohen“Chelsea Hotel #2”
Tiago D. Dias: A história do encontro fugaz entre o escritor/cantor canadense e Janis Joplin nos rendeu uma de suas músicas mais belas. Ambos partiram. Joplin nos anos 70 e Cohen ano passado. E mesmo assim, feios ou não, nós temos a música.

Tom Waits“Martha”
Tiago D. Dias: Martha é uma canção que é ao mesmo tempo datada em suas referências (ligações interurbanas), ela também é extremamente atual. Todos temos aquele relacionamento que não deu certo e sobre o qual nós sempre nos perguntaremos o que teria sido…

The National“Pink Rabbits”
Tiago D. Dias: The National talvez seja a banda que melhor resuma, em suas letras, o dilema entre se acomodar na mediocridade e falhar espetacularmente ao tentar algo acima disso. E “Pink Rabbits” não foge disso. Somos todos uma versão de TV de alguém de coração perdido.

Cream“We’re Going Wrong”
Daniel Vellutini: A primeira vez que eu parei pra ouvir Cream, o som já me virou a cabeça do avesso. A liberdade jazzística com que o Ginger Baker toca me pegou pelo calcanhar. Mudou minha ideia de bateria de rock. Em “We’re Going Wrong” dá pra perceber a importância da dinâmica numa música. Aprendi muito ouvindo esse disco e não canso de ouvir.

Jimi Hendrix“She’s So Fine”
Daniel Vellutini: Eu demorei a entender porque todo mundo falava tanto de Jimi Hendrix. Mas foi com esse álbum (“Axis: Bold as Love”) que aprendi a gostar muito. Aqui tem canções lindas e experimentações de sons que também não canso de ouvir. Mas uma coisa que as pessoas costumam esquecer é da importância da cozinha da Jimi Hendrix Experience. Em “She’s So Fine”, composta pelo baixista Noel Redding, ele e o baterista Mitch Mitchell mostram toda sua potência e carregam a música. Bom pra cacete.

Lô Borges“Trem de Doido”
Daniel Vellutini: Clube da Esquina é uma das coisas mais lindas que já aconteceu. Tem uma certa inocência, ao mesmo tempo que há temas tão complexos trabalhados nas composições de Milton, Lô e cia limitada que dava pra ficar dias falando sobre. Escolhi “Trem de Doido” pra essa lista porque é uma música que demorou um pouco a me pegar, sabe-se lá por quê, mas quando “bateu” pegou em cheio. Acho que é talvez o grande rock do disco. Esse fuzz e essas viradas de bateria sempre me pegam.

Blondie“Heart of Glass”
Daniel Vellutini: Cresci ouvindo rock oitentista, muito baseado na New Wave. E acho que Blondie é uma das bandas da segunda metade dos anos 70 que pavimentou o caminho pra todo o pop-rock dos anos seguintes. A levada dançante e umas quebrinhas de tempo aqui e ali de “Heart of Glass” dão uma aula de consistência sem ser quadradona. E a música toda soa absurdamente atual, mesmo quase 40 anos depois.

Supergrass“Sun Hits The Sky”
Daniel Vellutini: Supergrass é dessas bandas que eu quero saber o que eu tava fazendo que não ouvi antes. Os caras sabiam fazer bons riffs, letras interessantes e alternar entre momentos de segurar o groove e de sentar a mão em tudo. Tenho ouvido muito recentemente e acabo levando muito disso pros ensaios da banda.

Breaking News – 7 clipes e singles independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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Deb and The Mentals
Deb and The Mentals

Sky Down“Human Being”

O clipe novo da banda Sky Down foi dirigido por Cintia Ferreira e é tão punk quanto um clip pode ser. Curiosidade: contém imagens da apresentação da banda na festa Gimme Danger, da Debbie Hell, que rola mensalmente no Squat e traz sempre uma banda autoral pra quebrar tudo por lá. Grande festa!

Decorations“Promise”

O clipe em stop motion dirigido por Zach Singer para a música do disco “Have Fun”, que será laçnado dia 10/06 pela Frenchkiss Records mostra a rotina de um casal, interpretado por Devon Geyer e Jessica Singer, e seus momentos de carinho, diversão, desentendimentos e mais, tudo focando na sala da casa.

Deb and The Mentals“Take It Away”

O primeiro clipe do quarteto Deb and The Mentals reafirma a veia 90s da banda, com pegada grunge e cenas de shows e bastidores da banda. Dirigido por Giovanna Zambianchi, o clipe vai te fazer crer que a Mtv Brasil ainda existe e Gastão Moreira aparecerá a qualquer momento apresentando-o no Gás Total.

Lucius“Gone Insane”

Mais um clipe em stop motion? Sim! Os diretores Nathan e Katie Jonhson usaram mais de 3.000 fotografias para criar o vídeo da faixa do disco “Good Grief”, de Lucius. Uma doideira que tem um quê de “Sledgehammer” do Peter Gabriel e foi baseado em um sonho de Jess Wolfe.

Steve Gunn“Ancient Jules”

Tirado do debut de Steve Gunn “Eyes On The Lines”, que será lançado pela Matador Records dia 03/06, “Ancient Jules” ganhou um clipe com cara de road movie dirigido por Claes Nordwall.

Stone House On Fire“Electric Sheep”

“Electric Sheep” é o primeiro clipe dos cariocas Stone House On Fire, filmado pela própria banda, no estúdio em que ensaiam. “O conceito principal e as principais referências foram algumas performances de bandas que a gente curte, do final dos anos 60 e início dos 70 e a partir daí compomos a iluminação”, explicam. O álbum novo da banda vai contar com 8 músicas e se chamará “Neverending Cycle”.

Purple“Backbone”

A incrível banda do Texas acaba de lançar seu mais novo clipe. Filmado ao vivo em Austin, “Backbone” foi dirigido por Reid Hildebrand e mostra um pouco de como é um show do trio punk.

Garimpo Sonoro #4 – 6 percussionistas que tocam violão (ou vice-versa)

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Paolo Angeli

Uma informação nerd-musical: você sabia que o piano é considerado um instrumento de percussão? Ele foi rotulado dessa maneira porque não há um contato direto do pianista com as cordas – o músico “apenas” aperta uma tecla que bate numa porção de cordas. E o Garimpo Sonoro dessa semana é mais ou menos sobre isso: músicos que usam o violão como instrumento de percussão (parcial ou integralmente).

1) Raul Midon: podemos chamar Midon de um multinstrumentista de um instrumento só, por tudo o quê ele faz com apenas um violão (isso sem contar a emulação de trompete da voz, mas isso é outra história).

2) Kaki King: nos mesmos moldes de Midon, mas com um grau de dificuldade (e introspecção) um pouco maior.

3) Sam Westphalen: tentando ser um 3-em-1, Sam adaptou algumas músicas do metal, como essa do Slayer, para um único violão. O resultado é criativo, apesar de soar meio vergonha-alheia.

4) Andy McKee: este talvez tenha sido um dos primeiros com quem me deparei. Andy explora as diversas sonoridades percussivas com um arranjo muito bem harmonioso. Como se somássemos Kaki com Sam.

5) The Wood Brothers: neste trio, o único não-Wood, Jano Rix, usa um violão como seu único instrumento de percussão, sem muito hibridismo, criando uma espécie exótica de washboard.

6) Paolo Angeli: este é o mais bizonho de todos listados aqui. Paolo montou um complexo instrumento que além de ser vários em um, também possui uma vida própria, mesmo que robótica.

Conhece mais algum ~violopercussionista~? Manda pra cá!