Supla e uma ode às músicas traduzidas para o português em “Menina Mulher” (2004)

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"Menina Mulher", disco do Supla de 2004

Não dá pra negar que Supla é um cara que realmente não se importa com o que os outros dizem, o que é muito benéfico. Afinal, depois que ele mostrou que sabe não se levar tão a sério e abraçou a zoeira de Marcos Mion no finado programa “Piores Clipes do Mundo” da finada Mtv Brasil, Supla reergueu sua carreira no Brasil e vendeu como água seu disco “Charada Brasileiro”, além de conseguir uma bela vaga no reality “Casa dos Artistas, ficando em segundo lugar. A partir daí, lançou discos tão amplos quanto sua personalidade, indo do punk rock ao pós punk, do rap à “bossa furiosa” (no ótimo projeto Brothers of Brazil, com seu irmão João Suplicy). Supla, como seu pai Eduardo Suplicy, é um cara que é difícil de não gostar, mesmo que você não seja lá muito fã de seu trabalho. Suplicy é o petista que até fãs do PSDB (como minha mãe, por exemplo) adoram, e Supla é o punk que até os mais ávidos odiadores do rock simpatizam. Talvez seja algo inerente à família Suplicy, quem sabe.

Em 2004, Supla lançou o disco de versões “Menina Mulher”, com produção de Liminha, o cara que fez o rock brasileiro dos anos 80 ser o que foi. No disco, o Papito mostra sem vergonha nenhuma a sua falta de medo de ser feliz. Afinal, pegar 13 músicas, muitas delas clássicos, e fazer versões em português é algo que provavelmente apenas Sandy e Junior e Aviões do Forró conseguiriam fazer com louvor e ousadia assim. Mas Supla não tem receio e passa incólume à esta tarefa: traduziu ou recriou sons de gente como Blondie, Elvis Presley, Gary Glitter e Flock of Seagulls com seu tempero platinado e sem muito respeito à letra original.

Isso já pode ser visto na divertida faixa-título, que abre o álbum. Versão de “Leader Of The Gang”, hit do encarcerado Gary Glitter, “Menina Mulher” fala do clichê roqueiro tiozão de admirar moças que acabam de chegar na puberdade. Aliás, Supla sem querer acabou falando um pouco do que levou Glitter a ser preso, né. Enfim.

“Cenas de Ciúmes” foi o primeiro single e ganhou um clipe estrelando Luciana Gimenez (sim, do Superpop!) e transforma a letra original em um som sobre (dã) ciúmes. A voz de Supla é perfeita para a música, e apesar de abusar das rimas de verbo com verbo, a música fica divertida em sua versão brasileira. “Eu Já Não Quero Mais” é uma versão do hit do PhD “I Won’t Let You Down” e ganha uma letra de separação que vai totalmente na direção contrária que a música original. Supla dá uma engrossada na voz pra dar um ar mais pós-punk à canção. Na sequência, a única música autoral do disco, “Aquela Sexta-Feira”, punk, curtinha e que passa meio batida em meio às outras.

Voltamos às versões com “Baby Doll”, com Supla fazendo versão de “Baby Talk” daquele que é sua versão importada, Billy Idol. Aliás, acho que ainda nessa existência é necessário que algum dia exista uma parceria (ou como os millenials falam, um “featuring”) entre Supla e Idol. O quase sacrilégio do disco vem em “Coração em Chamas”, em que ele simplesmente destrói o maior hit de Chris Izaak, “Wicked Game”. Apesar de ser uma das músicas que mais tenta manter o teor original, não funciona. Dá uma olhada:

Que tipo de jogo é esse?
Eu queria saber
Mistura a tristeza e alegria
E ainda nos dá prazer
Que tipo de jogo é esse?
Onde amar é sofrer
Que tipo de jogo é esse?
De te pertencer

“Verão de Dezembro” é uma versão divertida para um semi-hit de Elvis Presley, “Return To Sender”, e o jogo de palavras da tradução pra lembrar um pouco o original é simplesmente digna de “Weird Al” Yankovic. Uma das melhores do disco, sem dúvidas. Como “Heartbreaker” da Pat Benatar não estourou muito por aqui, essa versão (“Virgínia”) passa facilmente como uma música própria do Supla, sem medo de ser feliz. Mas aí vem um combo de sons clássicos:

“Tina” é uma versão para o clássico dos clássicos do Cheap Trick, “I Want You To Want Me”, e não deixa de ser engraçado ouvir o malabarismo lírico de transformar “Didn’t I, didn’t I, didn’t I see you crying” em “Tina, Tina, Tina, não chore”. Se você achou essa meio cômica, aguarde a transformação de “Mr. Postman”  em “Carolina”, pegando a letra original e jogando na lixeira sem dó nem piedade. “Oh yeah, lembro bem da Carolina / Yeah yeah yeah Carolina”.

“Tititi”, por incrível que pareça, funciona bem como versão tupiniquim de “Shake It Up” do The Cars. Sim, tem muita rima de verbo com verbo, mas se você ignora isso, até anda. Parece mesmo um som do Tokyo. Já “Paixão Pra Esquecer” é quase um sacrilégio com “Flowers By The Door” do TSOL. O instrumental segura, mas a versão não consegue se manter. Fechando o disco, uma versão quase literal acústica para “Hanging On The Telephone” do The Nerves e famosa na versão do Blondie. O nome? “Telefone”, claro.

Somando tudo, se você não levar muito a sério (e o próprio Supla acerta muito em não se levar muito a sério e se divertir sempre), “Menina Mulher” é um disco divertido e mesmo as versões mais esdrúxulas podem render boas risadas.

Almério apresenta o vigor do seu disco no show “Desempena”

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Almério é considerado uma das novas revelações da MPB, o pernambucano lançou seu primeiro disco “Almério”, em 2013, e já dividiu o palco com Johnny Hooker e Liniker no Rock In Rio 2017 e, recentemente, estreou o show “Acaso Casa”, com a cantora baiana Mariene de Castro.
O cantor trouxe ao palco da Comedoria do SESC Belenzinho o show inspirado no repertório de seu mais recente trabalho, intitulado “Desempena”, que contou com apoio do projeto Natura Musical. A abertura do show ficou a cargo da canção que também dá nome ao disco e já iniciou os trabalhos mostrando o vigor extra que o cantor adquire em suas apresentações ao vivo.

Entre os destaques tivemos “Tattoo de Melancia”, “Queria ter pra te dar” e “Do Avesso”. Algumas versões de canções de outros artistas circularam pelo repertório e foram surpreendentes, entre elas “Perto demais de Deus”, composta por Chico César e registrada em seu disco Beleza Mano”, lançado em 1997. Sua letra forte somada a interpretação arrebatadora do cantor Almério, garantiu que versos como “Essa gente é o diabo e faz da vida de deus um inferno” fossem ouvidos, ecoados e compreendidos.

“Divino Maravilhoso”, sucesso da cantora Gal Costa, também marcou presença. Sua letra politizada marcou uma geração em plena ditadura iniciada em 1964 e se mostrou bastante atual. Almério não cansou de mostrar sua insatisfação e em diversos momentos pontuou a importância de “ir para a rua” e protestar contra as atrocidades dos dias atuais.


O cantor se dividiu entre as interpretações vocais e ao mostrar seu talento com alguns instrumentos de percussão, entre eles a alfaia, presença marcante em ritmos como o maracatu e na cena musical pernambucana.
Visivelmente emocionado por estar em São Paulo, o cantor agradeceu diversas vezes pela oportunidade e pelo público presente, que ao final do show estava totalmente extasiado com o espetáculo apresentado. Vale a pena acompanhar esse nome.

Fotos e vídeo: Kláudia Alvarez e Orleans Mariano.

BaianaSystem abre programação musical de 2018 do SESC Pompeia

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Em circulação com a turnê do disco “Duas Cidades” (2016), o grupo BaianaSystem ocupou o palco da Comedoria do Sesc Pompeia entre os dias 4 e 6 de janeiro, em uma série de três shows que abriu a programação musical da unidade em 2018.

Além de tocar o mais recente disco, a banda soteropolitana criada em 2009 propõe novas inserções sonoras, trechos instrumentais inusitados e as mais recentes faixas “Capim Guiné” (com Titica e Margareth Menezes), ”Invisível” e “Forasteiro”. Para esses shows, BaianaSystem convidou o rapper carioca BNegão, parceiro de longa data e artista homenageado em “Duas Cidades”. Além dele, também subiram ao palco Flora Matos e Rico Dalasam.

Mais do que um simples show, a apresentação da BaianaSystem é uma verdadeira experiência audiovisual, com seus telões e projeções que dialogam diretamente com os temas abordados pelo grupo em suas composições. A distribuição de máscaras para o público presente garantiu a sincronia com o projeto gráfico da banda.

Russo Passapusso demonstra um domínio absurdo de palco, além de ocupar todos os espaços existentes, o vocalista interage com a plateia e levanta questões importantes, na apresentação do dia 05 de janeiro o cantor questionou a nossa relação com a América Latina e o distanciamento do Brasil com os demais países latinos.

Musicalmente falando, a performance do grupo impressiona com a sua mistura de riffs da guitarra baiana, os beats do combo e o peso da bass culture com o tempero baiano: a palavra das ruas para as ruas. As participações especiais, totalmente integradas com a proposta da banda, elevaram os shows realizados no SESC Pompeia.

Essa temporada provou porque a BaianaSystem tem sido um dos nomes mais comentados no cenário musical brasileiro. “Duas Cidades” já se tornou um disco clássico, agora é momento de curtir o restante dessa turnê e aguardar os próximos passos na carreira do grupo.

25 discos brasileiros sensacionais que infelizmente ainda não estão no Spotify

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O Crush em Hi-Fi é um dos Embaixadores Spotify e a gente adora encher nosso perfil por lá de playlists de tudo que é jeito. Mas, infelizmente, muitas bandas, artistas e selos ainda não se renderam ao mundo do streaming e não subiram suas obras nos mais diversos serviços que existem por aí. Uma pena, ainda mais pra nós, que adoramos criar playlists. Pois bem: resolvemos criar uma lista de 25 (e olha que poderiam ser muitos mais!) discos muito bons que deveriam (e precisam) estar nos serviços de streaming mas por enquanto ainda não podem ser encontrados por lá. Bandas e artistas citados nesse post, se puderem, resolvam isso, seus fãs clamam!

1 – Cordel do Fogo Encantado – “Cordel do Fogo Encantado” (2001)
Houve uma época em 2001 em que os shows do Cordel do Fogo Encantado era uma verdadeira febre entre a juventude que pirava no manguebit e nas misturas de estilos. A doideira de Lirinha e o show frenético eram lotados e todo mundo queria ir. Pois é, quem tem saudade dessa época ainda não tem nas plataformas de streaming os discos de 2001, auto-intitulado, nem “O Palhaço do Circo Sem Futuro”, de 2002, ou “Morte e Vida Stanley”, seu último trabalho. Quem se habilita a subir lá?

2 – Thee Butchers’ Orchestra“Golden Hits By Thee Butchers’ Orchestra” (2003)
Lançado pela Thirteen Records, o disco alavancou o trio Thee Butchers’ Orchestra às posições mais altas da música independente de São Paulo na época. Os shows não deixavam ninguém ileso: uma porrada sonora inigualável com o mais puro barulho.

3 – Retrofoguetes“Ativer Retrofoguetes!” (2003)
O Retrofoguetes surgiu após o fim dos geniais Dead Billies, e o disco de estreia do grupo foi esse, cheio de surf music de qualidade lançado pela Monstro Discos.

4 – Soutien Xiita“Cantando pra Subir” (1999)
Em 1999 a Tamborete lançava o disco do Soutien Xiita, uma porrada violenta e gritada com aquela cara de anos 90 que só as bandas dos anos 90 possuem mesmo. Letras em inglês e aquela tosquice proposital deliciosa.

5 – Graforreia Xilarmônica“Coisa de Louco II” (1995)
Não dá pra entender como os discos de uma banda tão icônica quanto a Graforreia Xilarmônica ainda não estão disponíveis nos serviços de streaming. Não faz sentido os usuários não terem acesso a músicas como “Bagaceiro Chinelão”, “Minha Picardia” e o clássico dos clássicos do Sul “Amigo Punk”.

6 – Os Cascavelletes“Os Cascavelletes” (1989)
Outra ausência gaúcha sentida quando a gente vai usar o Spotify são os seminais Cascavelletes e suas letras cheias de malandragem fuderenga e o velho duplo sentido. O primeiro disco da banda tem sons inesquecíveis como “Morte Por Tesão”, “Menstruada” e “Ugagogobabagô”.

7 – Killing Chainsaw“Killing Chainsaw” (1992)
O rock alternativo brasileiros dos anos 90 tem entre seus grandes clássicos indiscutíveis o disco de estreia do Killing Chainsaw, de Piracicaba, com uma linda capa do filme “Akira”. Essa banda merece ser ouvida, compartilhada, conhecida, reconhecida, espalhada, adorada.

8 – Ack“Play” (1998)
O Ack lançou “Play” no final dos anos 90, um disco recheado de punk rock com ótimas melodias. O álbum conta com o quase hit “Michael J. Fox” e participações de BNegão e Henrike, do Blind Pigs.

9 – Walverdes“90°” (2000)
Num momento em que o rock em português se reerguia, o Walverdes mandou um discaço em “90°” com muita fúria e ajudou a levantar mais a cena gaúcha da época.

10 – Arthur Franquini“When Loneliness Fucks You Up” (2004)
Arthur Franquini era muito mais do que o primeiro baterista dos Forgotten Boys: era um baita compositor, como o disco “When Loneliness Fucks You Up” pode contestar. Saudades, Arthur.

11 – The Maybees“The Maybees” (1998)
O Maybees é a banda que depois veio a se tornar o Ludov. Na época de Maybees o som era mais calcado no guitar noventista com letras em inglês em músicas que não fariam feio em selos incensados americanos.

12 – Stratopumas“Singles” (2006)
Eu lembro bastante de ver o Stratopumas em um dos comerciais que mostrava bandas independentes lá na Mtv. No comercial, eles eram os que melhor emulavam coisas como The Strokes. No disco “Singles” dá pra ver que eram muito mais que isso, mas que sabiam, sim, usar o garage rock revival a seu favor.

13 – Faichecleres“Indecente, Imoral e Sem Vergonha” (2004)
O trio gaúcho, junto com Cachorro Grande, era habituée das casas de show da Rua Augusta no meio dos anos 2000, além de estarem em alta rotação nos circuitos do rock independente. Hoje andam meio sumidos, mas músicas como “Aninha Sem Tesão” e “Ela Só Quer Me Ter” lembram bastante os bons tempos do rock do Sul nos anos 80.

14 – Arrigo Barnabé“Clara Crocodilo” (1980)
COMO ASSIM um dos maiores discos da Vanguarda Paulistana não está disponível nos serviços de streaming? Isso é praticamente um sacrilégio musical. Além desse, álbuns como “Gigante Negão” e tantos outros merecem ser colocados por lá.

15 – Premeditando o Breque“Premeditando o Breque” (1981)
Falando em Vanguarda Paulistana, e esta pérola do bom humor musical? É difícil saber que não temos lindas pérolas musicais como “Brigando Na Lua”, a deliciosa e indigesta “Feijoada Total” e “Fim de Semana” pra ouvir em nossos streaming e colocar em nossas playlists…

16 – Walter Franco“Revolver” (1975)
Esse disco de 1975 é um absoluto clássico da música brasileira e conta com uma de minhas músicas preferidas de todos os tempos do rock nacional, “Feito Gente”, som que foi emulado meio sem querer muitos anos depois pelos Arctic Monkeys em “Do I Wanna Know”. Pois é, visionário o Walter Franco.

17 – Os Lobos“Miragem” (1971)
Descobri esse discaço por acaso! Formado por Dalto e Cristina (voz), Ronaldo (guitarra), Cássio (guitarra), Fábio (teclados), Francisco (baixo) e Cláudio (bateria) no início da década de 1970, Os Lobos faziam um delicioso rock psicodélico nos moldes dos Mutantes!

18 – Sonic Disruptor“Poppers” (1996)
O filho único de uma das grandes bandas de guitar brasileiras saiu em 1996 e é um dos melhores exemplares de shoegaze brasileiro feito com perfeição, com sons como “Plastic Sunny Car”, “Angel Wheels” e “Sweet Cool (Acid Test)”. O disco foi produzido pelo querido Kid Vinil.

19 – Muzzarelas“Maledetos” (2005)
Em 2005, a maior banda de punk rock queijeiro e cervejista da região metropolitana de Campinas resolveu que era a hora de lançar um disco de covers. Mas não qualquer covers: são versões alucinadas de grandes bandas do underground como Línguachula, Acmme, Happy Cow, Tube Screamers e diversas outras (que também mereciam estar nos serviços de streaming, aliás).

20 – Linguachula“Linguachula” (1995)
Já que falamos na banda no disco dos Muzzarelas, eu repito: cadê o Linguachula no Spotify e seus concorrentes, hein? Esse disco de 1995 é incrível!

21 – RAPadura  – “Fita Embolada do Engenho” (2010)
Chico Science ficaria orgulhoso em ver esse rap autenticamente nordestino misturando ritmos e trazendo um rap com embolada, coco e muito mais. Infelizmente, nada do cearense RAPadura (ou RAPadura Xique Chico) está no Spotify. Merece seu espaço, porque é sensacional.

22 – Peter Perfeito“Funk Rock Nervoso” (1995)
O terceiro disco da banda que contava com ninguém menos que Tom Capone como guitarrista tem hardcore, tem ska, tem aquela cara incrível de anos 90 e tem que ser disponibilizado nas redes de streaming o mais rápido possível.

23 – Squaws“O Jogo Vai Virar” (1998)
O Squaws era a “próxima banda a estourar” que nunca estourou. Na época, era indicada por várias revistas e críticos musicais como uma banda que misturava rock e rap e que entraria na lista de sucessos como Planet Hemp e Raimundos. Pois é, não rolou, mas ficou o disco “O Jogo Vai Virar”, que ainda não está no Spotify. Cadê?

24 – Mestre Ambrósio“Mestre Ambrósio” (1996)
Em 1996 o manguebit começava a ganhar o Brasil e o disco do Mestre Ambrósio é uma das melhores obras que misturava tudo que tinha de ritmos brasileiros como forró, embolada e maracatu com rock e saía com um trabalho inesquecível. Passava bastante na Mtv Brasil (que saudades, meu Deus) e “Se Zé Limeira Sambasse Maracatu” chegou a ser um hit menor da época.

25 – Virna Lisi“O Que Diriam Os Vizinhos?” (1996)
Falando em Mtv Brasil dos anos 90, lembra de como passava o clipe de “Eu Quero Essa Mulher”, que chegou a ser indicado ao VMB? Se você era da época, com certeza lembra do Virna Lisi. Baita banda. Cadê esse disco lá nos streaming, pessoal? Cadê?

Bike conduz o público para um ambiente místico em show no Teatro Sérgio Cardoso

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Já no ônibus, não tinha percebido, mas meu ponto tinha passado. Desci no próximo e, segundo o Google Maps, agora estava a 17 minutos do local. Decidi seguir a pé. Não tinha vindo até o bairro Bela Vista ainda. No caminho para o Teatro Sérgio Cardoso — local onde o show do Bike estava marcado para começar às 22h –, um gari passa correndo atrás do caminhão de lixo. Para ele, é só mais um dia corriqueiro de trabalho. A rua é uma incessante sinfonia ensurdecedora de buzinas de carros, trânsito e pessoas no seu fluxo alvoroçado. Essa cidade é um caos, pensei. SP ainda vai nos matar de prazer ou de frustração.

Passava das 22h15  de uma quarta-feira (27/10), quando no mezanino do teatro, os integrantes estavam a postos com seus instrumentos. Julito Cavalcante (guitarra e voz) dá boa noite aos presentes e anuncia “Enigma do Dente Falso” pertencente ao primeiro disco da banda “1943” (2015). O show começa com uma música mais lenta e carregada de psicodelia. Ecoam os backing vocais com reverb da voz de Diego Xavier (guitarra). A caixa de Daniel Fumegaladrao (bateria) soa forte como uma marreta e dita o ritmo dos demais instrumentos.

Após o primeiro som e sem tempo para respiro, a banda toca a introdução de “Do Caos ao Cosmos” numa linha dançante bem parecida com Tame Impala. Um público pequeno de mais ou menos 20 pessoas observa atento a dinâmica de ritmo oscilante do grupo. No momento clímax do som, a banda explode numa notável presença de palco, a música passa por uma metamorfose do compasso lento para o acelerado. Sem pausa, o Bike emenda para “7 Flechas e o Rei Lagarto”. A voz de Julito está baixa, o que atrapalha na percepção das letras em determinados instantes. Mas de resto, o som está bem regulado. A bridge agitada da canção mistura-se às luzes coloridas do palco. Psicodelia pura.

Em “Alucinações e Viagens Astrais” a linha do baixo pesado de João Felipe (baixo) se sobressai — aliás, o Bike tem uma bela cozinha entrosada, por assim dizer. Vozes reverberam e revelam uma nítida influência de Thom Yorke (Radiohead). Destaque para um riff de guitarra nostálgico no final da música. Bike não deixou de fora do repertório “A Divina Máquina Voadora”, música na qual eles lançaram recentemente um videoclipe com imagens da tour realizada este ano na Europa. O guitarrista Diego Xavier editou e finalizou o clipe. Falando em tour na gringa, depois de Boogarins, o Bike também está ganhando cada vez mais espaço no panorama de bandas nacionais psicodélicas, ao lado de uma ótima safra que inclui: Gluetrip, Supercordas, O Terno, My Magical Glowing Lens Cidadão Instigado.

Bike no Teatro Sérgio Cardoso. Foto: Fernanda Carrilho Gamarano

Somos transportados para um ambiente místico (quase espiritual) quando o quarteto toca “A Montanha Sagrada“. Essa música assemelha-se com as brisas indianas de George Harrison (guitarrista dos Beatles), é como se estivéssemos em uma aula de yôga psicodélico. Duas vozes cantam, simultaneamente, um refrão que fica cravado na mente: “Subi a montanha para ficar mais perto do céu”. Luzes piscam enquanto um solo de guitarra repetitivo acelera de forma crescente. O caos de São Paulo — citado no início –, é representado no desfecho barulhento da música. As bandas de jazz que adoram improvisar que o diga.

Julito agradece a presença do público, informa que o show está chegando ao fim e comenta a respeito do último disco “Em Busca da Viagem Eterna”, divulgado esse ano pela banda por meio da turnê que leva o mesmo nome. “Terra Em Chamas” encerra a noite de quarta-feira em meio a knobs e feedback dos pedais de efeito de guitarra. Uma brisa com um clima Pink Floyd ressoa nos amplificadores. O público, apesar de pequeno, grita e aplaude com fervor a banda.

A música tem o poder de trazer reflexão e pensamento crítico. Vai além do entretenimento. Quando consumimos arte, estamos à procura de algo. E, nessa noite singular, o Bike nos guiou livremente em busca da viagem eterna.

Confira mais fotos do show pelas lentes da fotógrafa Fernanda Carrilho Gamarano:

Bike
foto por Fernanda Carrilho Gamarano

Conheça a brisa alternativa stoner psicodélica de “Sometimes It’s Fun To Lose”, do The Brisantinos

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Formada por Bruno Clementin (baixo), Cármino Caramello (vocal), João Bolzan (bateria), Sam Cesaretti (guitarra e vocal) e Walter Tadini (guitarra e vocal), a The Brisantinos está com uma campanha de financiamento coletivo para lançar seu primeiro álbum, com sete faixas, gravado no Stone Studio, em Frutal (MG).

A banda começou em 2011, quando seus integrantes se conheceram na faculdade UFSCar, em São Carlos. Ao saírem de suas graduações, os membros foram morar em uma chácara em São José do Rio Preto, onde trabalharam em suas composições por três anos. O som da The Brisantinos mistura rock psicodélico, alternative rock noventista, stoner rock e blues. Isso tudo pode ser ouvido nas músicas que o quinteto já disponibilizou.

Conversei com Walter sobre sua carreira, o crowdfunding, o novo disco e mais:

– Como a banda começou?

A banda começou após alguns anos estudando junto em São Carlos, onde tirávamos um som na casa que morávamos. Mas somente tomou forma quando nós já havíamos mudado de cidade para São José do Rio Preto, onde continuamos tocando e dividindo contas. Foi lá que conhecemos o baterista João Bolzan, que finalizou o que restava para conseguirmos fechar as ideias do nosso primeiro álbum e compor inclusive algumas músicas a mais. Moramos juntos há pelo menos 3 anos, e a banda nasceu do interesse despertado por músicas independentes.

– Então foi uma banda de estudantes formada em república, é isso? Todo mundo faz o mesmo curso?

Não, isso foi um pouco mais complicado. Podemos dizer que esse período de república foi o embrião da banda, onde surgiu o nome e as ideias. Depois, quando saímos, não voltamos para terminar o curso, e continuamos em Rio Preto. Mas eram estudantes de Física, Ciências Sociais e Letras. A formação da banda era outra e não podemos considerar que é uma banda de estudantes, pois nem mesmo terminamos a graduação.

– De onde surgiu o nome da banda?

Surgiu de um papo brisa, na praça… Acabou “Brisantinos” depois que um de nós soltou essa palavra na roda. É brisa de beck, manja?

– Quais são as principais influências musicais da banda?

Cada um dos músicos veio com um estilo e influência diferentes, mas vamos citar Black Sabbath, Sepultura, Tomahawk, Vulfpeck, Queens Of The Stone Age, Djavan, Tom Waits, Pinback, Dead Fish, Planet Hemp, Steel Pulse, Red Hot Chilli Peppers, The Beatles, The Doors, Buffalo Springfield, Esperanza Spalding, Living Colour e outras talvez muitas. É complicado, basicamente procuramos muitas alternativas.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Ah, deve ser um Alternative Stoner Psychedelic Blues Rock. A gente tenta sempre tocar e compor com uma originalidade e frescor que não sabemos denominar. Certa vez gravamos um samba, que vai ir para um programa que se chama “Tudo Termina Em Samba”, aproveitamos a oportunidade para salvar um samba que havíamos feito há alguns anos. Então, de nós você pode esperar qualquer coisa. Mas uma coisa é fato, esse primeiro álbum ficou muito Stoner Rock e Heavy Blues.

– Já que falamos nele, me conta mais sobre este primeiro álbum.

Nós gravamos com o Lucas Heitor, produtor do Stone Studio, primeiro uma pré-produção ao vivo, e depois os instrumentos separados. Escolhemos as composições que já eram mais familiares para todos, e reparamos depois que elas tinham um eu lírico de forte personalidade. Ele apresenta os trabalhos mais coesos da banda até aqui e uma intenção original. Enfim, o álbum contém 7 faixas que totalizam 45 minutos aproximadamente. Foi um prazer enorme realizá-lo, gravar com o Lucas lá em Frutal foi incrível. Depois de gravado fizemos uma campanha de financiamento coletivo para providenciar a prensagem de alguns CDs, a elaboração de conteúdo e souvenirs. Para a arte do encarte encomendamos um desenho para cada música com o excelente artista Vinícius Vicente. Ele fez e nos mostrou, e ficou de chorar (no bom sentido), ficou foda! Agora estamos nos corres de lançar isso e viabilizar para todos. O álbum é pesado, com muita influência de Heavy Metal, Stoner e Psychedelic Rock.

– Vocês usaram o crowdfunding para realizar o disco. Acreditam que essa é uma boa forma das bandas viabilizarem seus projetos, depois da queda da indústria musical?

Sim! O crowdfunding é revolucionário. É um recurso que a internet possibilitou para a realização de uma ideia paralela aos interesses do mercado. A grande vantagem é o contato direto com o público em geral através do engajamento na campanha. Hoje em dia uma banda não precisa mais de um contrato, ou uma gravadora, para realizar o próprio projeto. E o crowdfunding oferece uma grande ideia patrocinadora. Aqui nós mesmos fizemos, tudo junto com muitos amigos que nos ajudaram.

– Então a queda das gravadoras, de certa forma, foi boa para a cena independente.

Os movimentos e iniciativas independentes, junto com a internet, deram a força necessária para que nós, artistas, que não temos apoio de grandes gravadoras, pudéssemos ter um espaço maior e um alcance digno do artista independente. Basicamente as gravadoras saíram do foco, por conta da grande quantidade e qualidade de lançamentos independentes.

The Brisantinos

– Mas você acha que falta algum veículo de mídia forte que auxilie a cena independente a atingir mais público “mainstream”, por assim dizer?

Não achamos que falte um veiculo mais forte de midia, os meios estão todos ai. achamos que o que falta é o incentivo das casas de shows a abrirem as portas para músicos autorais de pouco nome. E também a falta de interesse do publico “mainstream” por algo novo, recente e inédito. Mas percebemos que o independente tem ganhado muita força nos dias de hoje.

– Então na verdade se a divulgação já está ocorrendo corretamente, como fisgar esse público para que as casa invistam em shows autorais?

É necessário organização para produzir e divulgar uma boa música. Se pensarmos apenas na música ou apenas na estética desse produto ainda sobrará algo faltando. Hoje o Youtube e o Spotify são ferramentas interessantes para os músicos se promoverem. Mas essa auto-promoção deve ser honesta, afinal a música é para a alma. Assim como a música, os dias, e a vida, as repetições se fazem prevalecer. Então a perseverança deve caminhar junto com a criatividade.

– Quais são os próximos passos da banda?

Nós pretendemos lançar a partir dessa semana, uma arte do encarte do álbum por dia; até que dia 17 de junho o álbum esteja disponível digitalmente. Assim que os álbuns físicos chegarem, faremos a entrega das recompensas para finalizar nossa campanha de financiamento coletivo. Também vamos tocar um show de lançamento aqui no nosso estúdio chamado Soulbrado Espiral, dia 17 de junho, que será transmitido online. Depois tocamos no Stone Festival em Frutal dia 07 de julho e dia 28 de julho no SESC Rio Preto. Vamos continuar abrindo nossa casa, nosso estúdio e nosso som para novas ideias, shows e o que de bom e gostoso pintar. Inclusive temos ensaiado as composições de um outro álbum que virá na sequência, esperamos começar gravá-lo no segundo semestre desse ano. A nossa ideia é levar o primeiro álbum o mais longe ele possa ir, e tocar muitos shows.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria ouvir!

Bom temos vários. Vamos citar Centro da Terra, Aeromoças e Tenistas Russas, Far From Alaska, Lobo Y Brujo, Bamba Bróder, Quarto Astral, Hurricanes, Cassino Queen, Boogarins, Hellbenders, Black Drawing Chalks, HammerHead Blues, que são algumas das que lembramos agora.

10 bandas e artistas com nomes que ficam bem esquisitos no Brasil

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Sabe aqueles falsos cognatos que fazem qualquer um passar vergonha quando viaja, como naquela velha história de que paletó em espanhol se fala “saco”? Pois bem: tem bandas e artistas que lá fora têm nomes bem inofensivos, mas que aqui ficam hilários. Reuni 10 exemplos de nomes que ficam bizarros no Brasil:

Poliça

Formada por Ryan Olson e Channy Leaneagh, a banda de indie rock de Minneapolis tem um som com influências de eletrônico e R&B e começou sua carreira em 2011. Não, eles não tem relações com as forças armadas e não prendem ladrões, pode ficar tranquilo.

Pinto

Sim, a banda chama Pinto. O quarteto de Chicago se inspirou em um carro de mesmo nome que fez muito sucesso nos Estados Unidos, o Ford Pinto, que por motivos óbvios não chegou a ser importado para o Brasil.

Chris Bunda

Sinceramente, eu não sei muito sobre o rapaz que se chama Chris Bunda. Só sabemos que mesmo com este nome, ele não canta axé ou funk carioca e não bate com a bunda no chão. O som dele é um pop rock muito do inofensivo que parece aqueles cantores de barzinho sem experiência.

Pirocan

Não é nada disso que você está pensando: o Pirocan, da gravadora Aşanlar Müzik, faz música típica árabe (eu acho, me perdoem se eu estiver errado), com suas danças e tudo. E sem envolver membros sexuais girando.

Bussetti

Não, o Bussetti não é italiano. Formado em 2001 em Londres, o grupo fazia um som que misturava hip hop, funk, jazz, indie e pop e lançou dois discos até 2007, quando terminou.

DJ Foder

Esse DJ é foda.

Meleka

A cantora Meleka, de Londres, já colaborou com gente como Basement Jaxx, Kelis e muita gente boa. No momento, está trabalhando com diversos produtores e compositores para lançar seu primeiro álbum.

Teta

Sério, existe um músico chamado Teta. De Madagascar, Teta cresceu em Taspiky, um dos locais tradicionais pela música na região. Sua habilidade no violão é notável, com harmonias inesperadas e ritmos diferenciados. Mas não dá pra não rir ao falar seu nome.

Charles Boquet

O francês Charles Boquet tem uma Big Band e o tanto de trocadilhos que dá pra fazer com essa frase não tá no gibi.

Cagarro

Cagarro é uma música eletrônica daquelas genéricas que às vezes você ouve na C&A enquanto procura uma bermuda a um preço razoável, não acha e acaba levando somente um kit com 5 meias. Ah, e o nome é hilário.

Construindo Warmest Winter: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Warmest Winter

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Warmest Winter, que indica suas 20 canções indispensáveis.

Bloodhail“Have a Nice Life”
Denny Visser: Uma ambiência pesada com praticamente todos os instrumentos distorcidos e vocal profundo.

Galaxie 500“Temperature’s Rising”
Denny Visser: Simples com poucas variações de acorde mas envolvente e com uma melodia que prende na música.

Wild Nothing – “Shadow”
Denny Visser: Instrumentos mais cleans com vocal suave e batida baladinha. Mistura dos synths com efeitos de guitarra clean.

empire! empire! (I was a lonely state) – “The Loneliness Inside Me is a Place”
Denny Visser: O título e a letra da música são os maiores atrativos mais as particularidades da banda com bateria e guitarras com tempo quebrado.

Quiet“This Will Destroy You”
Denny Visser: A mistura de uma calmaria com um peso e agitação, uso do delay e bateria quebrando o tempo.

Siouxsie and the Banshees“Israel”
Luiz Badia: Música hipnótica onde baixo e guitarra banhados em flanger me influenciaram bastante. A bateria segue em expressivas variações e a voz da Siouxsie, sem ter uma grande potência, é minha cantora predileta. A letra sobre frio e desolação criam um universo mágico e sombrio.

Bauhaus“She’s in Parties”
Luiz Badia: Uma banda maravilhosa, cheia de energia agressiva e bela. Seu riff realizado pelo baixo e guitarra me encanta por revelar que bandas podem criar ótimos arranjos quando equilibram as forças de dois instrumentos em vez de enaltecer apenas a guitarra com instrumento principal.

The Cure“Charlotte Sometimes”
Luiz Badia: Robert Smith perambula pela sua melancólica atmosfera com ajuda de teclados chorosos e etéreos

Joy Division“Atmosphere”
Luiz Badia: Triste epílogo de Ian Curtis em seu derradeiro adeus… A bateria e o vocal são marcantes para a Warmest Winter

Interpol“Obstacle 1”
Luiz Badia: A banda resgata o som da primeira geração da cold wave, e esse hit inicial me chamou a atenção quando saiu, Carlos Dengler é uma baixista fantástico, simples e marcante.

Bob Dylan“Idiot Wind”
Tiago D. Dias: O “Blood on the Tracks” talvez seja o disco mais confessional do Dylan, e “Idiot Wind” talvez seja sua canção mais dolorida. A narrativa com quase 8 minutos de duração, na qual diferentes cenas são descritas, demonstra uma miríade de sentimentos do autor em relação a um relacionamento desfeito.

Cartola“O Mundo é um Moinho”
Tiago D. Dias: Nossos sonhos são sempre mesquinhos. E poucos são os que sobrevivem. Cartola sabia dessa triste verdade e escreveu sobre ela de maneira incrivelmente bela. Que a música tenha sido escrita para sua filha, torna tudo ainda mais poético.

Leonard Cohen“Chelsea Hotel #2”
Tiago D. Dias: A história do encontro fugaz entre o escritor/cantor canadense e Janis Joplin nos rendeu uma de suas músicas mais belas. Ambos partiram. Joplin nos anos 70 e Cohen ano passado. E mesmo assim, feios ou não, nós temos a música.

Tom Waits“Martha”
Tiago D. Dias: Martha é uma canção que é ao mesmo tempo datada em suas referências (ligações interurbanas), ela também é extremamente atual. Todos temos aquele relacionamento que não deu certo e sobre o qual nós sempre nos perguntaremos o que teria sido…

The National“Pink Rabbits”
Tiago D. Dias: The National talvez seja a banda que melhor resuma, em suas letras, o dilema entre se acomodar na mediocridade e falhar espetacularmente ao tentar algo acima disso. E “Pink Rabbits” não foge disso. Somos todos uma versão de TV de alguém de coração perdido.

Cream“We’re Going Wrong”
Daniel Vellutini: A primeira vez que eu parei pra ouvir Cream, o som já me virou a cabeça do avesso. A liberdade jazzística com que o Ginger Baker toca me pegou pelo calcanhar. Mudou minha ideia de bateria de rock. Em “We’re Going Wrong” dá pra perceber a importância da dinâmica numa música. Aprendi muito ouvindo esse disco e não canso de ouvir.

Jimi Hendrix“She’s So Fine”
Daniel Vellutini: Eu demorei a entender porque todo mundo falava tanto de Jimi Hendrix. Mas foi com esse álbum (“Axis: Bold as Love”) que aprendi a gostar muito. Aqui tem canções lindas e experimentações de sons que também não canso de ouvir. Mas uma coisa que as pessoas costumam esquecer é da importância da cozinha da Jimi Hendrix Experience. Em “She’s So Fine”, composta pelo baixista Noel Redding, ele e o baterista Mitch Mitchell mostram toda sua potência e carregam a música. Bom pra cacete.

Lô Borges“Trem de Doido”
Daniel Vellutini: Clube da Esquina é uma das coisas mais lindas que já aconteceu. Tem uma certa inocência, ao mesmo tempo que há temas tão complexos trabalhados nas composições de Milton, Lô e cia limitada que dava pra ficar dias falando sobre. Escolhi “Trem de Doido” pra essa lista porque é uma música que demorou um pouco a me pegar, sabe-se lá por quê, mas quando “bateu” pegou em cheio. Acho que é talvez o grande rock do disco. Esse fuzz e essas viradas de bateria sempre me pegam.

Blondie“Heart of Glass”
Daniel Vellutini: Cresci ouvindo rock oitentista, muito baseado na New Wave. E acho que Blondie é uma das bandas da segunda metade dos anos 70 que pavimentou o caminho pra todo o pop-rock dos anos seguintes. A levada dançante e umas quebrinhas de tempo aqui e ali de “Heart of Glass” dão uma aula de consistência sem ser quadradona. E a música toda soa absurdamente atual, mesmo quase 40 anos depois.

Supergrass“Sun Hits The Sky”
Daniel Vellutini: Supergrass é dessas bandas que eu quero saber o que eu tava fazendo que não ouvi antes. Os caras sabiam fazer bons riffs, letras interessantes e alternar entre momentos de segurar o groove e de sentar a mão em tudo. Tenho ouvido muito recentemente e acabo levando muito disso pros ensaios da banda.

Breaking News – 7 clipes e singles independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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Deb and The Mentals
Deb and The Mentals

Sky Down“Human Being”

O clipe novo da banda Sky Down foi dirigido por Cintia Ferreira e é tão punk quanto um clip pode ser. Curiosidade: contém imagens da apresentação da banda na festa Gimme Danger, da Debbie Hell, que rola mensalmente no Squat e traz sempre uma banda autoral pra quebrar tudo por lá. Grande festa!

Decorations“Promise”

O clipe em stop motion dirigido por Zach Singer para a música do disco “Have Fun”, que será laçnado dia 10/06 pela Frenchkiss Records mostra a rotina de um casal, interpretado por Devon Geyer e Jessica Singer, e seus momentos de carinho, diversão, desentendimentos e mais, tudo focando na sala da casa.

Deb and The Mentals“Take It Away”

O primeiro clipe do quarteto Deb and The Mentals reafirma a veia 90s da banda, com pegada grunge e cenas de shows e bastidores da banda. Dirigido por Giovanna Zambianchi, o clipe vai te fazer crer que a Mtv Brasil ainda existe e Gastão Moreira aparecerá a qualquer momento apresentando-o no Gás Total.

Lucius“Gone Insane”

Mais um clipe em stop motion? Sim! Os diretores Nathan e Katie Jonhson usaram mais de 3.000 fotografias para criar o vídeo da faixa do disco “Good Grief”, de Lucius. Uma doideira que tem um quê de “Sledgehammer” do Peter Gabriel e foi baseado em um sonho de Jess Wolfe.

Steve Gunn“Ancient Jules”

Tirado do debut de Steve Gunn “Eyes On The Lines”, que será lançado pela Matador Records dia 03/06, “Ancient Jules” ganhou um clipe com cara de road movie dirigido por Claes Nordwall.

Stone House On Fire“Electric Sheep”

“Electric Sheep” é o primeiro clipe dos cariocas Stone House On Fire, filmado pela própria banda, no estúdio em que ensaiam. “O conceito principal e as principais referências foram algumas performances de bandas que a gente curte, do final dos anos 60 e início dos 70 e a partir daí compomos a iluminação”, explicam. O álbum novo da banda vai contar com 8 músicas e se chamará “Neverending Cycle”.

Purple“Backbone”

A incrível banda do Texas acaba de lançar seu mais novo clipe. Filmado ao vivo em Austin, “Backbone” foi dirigido por Reid Hildebrand e mostra um pouco de como é um show do trio punk.

Garimpo Sonoro #4 – 6 percussionistas que tocam violão (ou vice-versa)

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Paolo Angeli

Uma informação nerd-musical: você sabia que o piano é considerado um instrumento de percussão? Ele foi rotulado dessa maneira porque não há um contato direto do pianista com as cordas – o músico “apenas” aperta uma tecla que bate numa porção de cordas. E o Garimpo Sonoro dessa semana é mais ou menos sobre isso: músicos que usam o violão como instrumento de percussão (parcial ou integralmente).

1) Raul Midon: podemos chamar Midon de um multinstrumentista de um instrumento só, por tudo o quê ele faz com apenas um violão (isso sem contar a emulação de trompete da voz, mas isso é outra história).

2) Kaki King: nos mesmos moldes de Midon, mas com um grau de dificuldade (e introspecção) um pouco maior.

3) Sam Westphalen: tentando ser um 3-em-1, Sam adaptou algumas músicas do metal, como essa do Slayer, para um único violão. O resultado é criativo, apesar de soar meio vergonha-alheia.

4) Andy McKee: este talvez tenha sido um dos primeiros com quem me deparei. Andy explora as diversas sonoridades percussivas com um arranjo muito bem harmonioso. Como se somássemos Kaki com Sam.

5) The Wood Brothers: neste trio, o único não-Wood, Jano Rix, usa um violão como seu único instrumento de percussão, sem muito hibridismo, criando uma espécie exótica de washboard.

6) Paolo Angeli: este é o mais bizonho de todos listados aqui. Paolo montou um complexo instrumento que além de ser vários em um, também possui uma vida própria, mesmo que robótica.

Conhece mais algum ~violopercussionista~? Manda pra cá!