Os samples que são os ingredientes de “Smack My Bitch Up”, do Prodigy

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Como Liam Howlett criou “Smack My Bitch Up”, o polêmico single do disco do Prodigy “Fat Of The Land”(1997)? O inglês é conhecido por ser um “mago” dos samples, conseguindo criar coisas incríveis cavando nas mais obscuras músicas e discos empoeirados (além de incluir trechos irreconhecíveis de hits no meio). O DJ Jim Pavloff recriou a música usando o aplicativo Ableton e postou no Youtube o passo a passo:

Agora que você já viu a criação da obra, vamos aos ingredientes:

– 1 pitada de Kool & The Gang com “Funky Man”

– Um maço de Randy Weston com “In Memory Of”

– Uma colher de chá de Rage Against The Machine com “Bulls On Parade”

– Três quartos de xícara de Ultramagnetic MC’s com “Give The Drummer Some”

Voilá! Bon apettit:

5 playlists incríveis no Spotify para fazer a trilha sonora de sua quinta-feira

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Um dia desses aí o Spotify me convidou pra ir lá em sua residência brasileira. É lógico que eu topei na hora, já que hoje em dia ele é um companheiro de todas as horas e tá cheio de músicas, discos e artistas pra fazer a trilha sonora sempre que necessário (ou seja, sempre).

Mas uma coisa que falaram lá realmente tocou meu coração: precisamos fazer mais playlists. Lembram das mixtapes feitas em fita K7 que ajudavam todo mundo a conhecer novas músicas e artistas? Lembram das seleções gravadas com CD-R que eram copiadas a torto e a direito entre seus amigos quando rolava uma playlist incrível? Pois é, isso agora está muito mais fácil e ao alcance de todos lá no Spotify (mesmo os que não pagam assinatura Premium e usam o aplicativo de graça, viu?)!

Escolhi 5 belas playlists feitas no Spotify para acompanhar a sua quinta-feira e, porque não, seu final de semana.

P.S. – Aliás, se você tiver feito alguma playlist sensacional ou acabou trombando com uma playlist incrível por lá, manda aqui nos comentários!

1. The New Retro

Esta playlist do Spotify mostra novidades com sabor de pérola antiga. Músicas cheias de inspiração em soul, blues, folk, funk e por aí vai. Entre as bandas e artistas, The Cactus Blossoms, Benjamin Booker, Lake Street Dive e Foy Vance.

2. Beastie Boys Samples

Mike D, MCA e Adrock sempre foram conhecidos pela criatividade tremenda de onde buscavam os samples para suas músicas, especialmente em seu segundo disco, “Paul’s Boutique”. Pois é, o Danilo Cabral compilou mais de 170 músicas que foram sampleadas pelo trio em suas músicas, em ordem:

3. I FEEL GOOD

Beto Chuquer mostra o melhor das playlists que rolam na festa I FEEL GOOD. Muito funk, soul e suíngue. Prepare os quadris e rebole ao som de Aretha Franklin, De La Soul, Al Green, Stevie Wonder e Snoop Dogg.

4. Mulheres na Música

A Debbie Hell, dos blogs Ouvindo Antes de Morrer e Música de Menina e das festas Gimme Danger (Squat) e No FUN (Clube Outs), além de mentora do programa Debbie Records na Brasil 2000 e mil e um outros projetos criou essa playlist de mulheres extraordinárias no mundo da música. Do soul ao funk, do rap ao rock, de Joan Jett a Tati Quebra Barraco, a Debbie compilou tudo:

5. The Funky Crimes of the RHCP

Quem me conhece sabe que minha banda preferida é Red Hot Chili Peppers, e apesar de também curtir as baladas e as influências punk da banda, o lado preferido do grupo de Anthony Kiedis e Flea é a veia funk que nunca deixou a banda. Fiz uma playlist com as músicas mais funky do quarteto de Los Angeles, indo do primeiro disco, de 1983, até o mais atual, “I’m With You”, de 2011:

O funk dos anos 90 deve muito a Léo Canhoto e Robertinho e suas faixas de bangue bangue

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Léo Canhoto e Robertinho

Léo Canhoto e Robertinho foram muito importantes para a história da música sertaneja brasileira. A dupla, formada em 1968 em Goiânia, foi uma das primeiras a adotar o agora quase obrigatório visual extravagante com jóias, cabelos compridos, óculos escuros e etc. Foram também a primeira dupla caipira a ganhar um disco de ouro pela vendagem de seu primeiro LP, em 1969.

Um grande diferencial da dupla eram as faixas (ou vinhetas) de diálogo canhestro de filmes imaginários de bangue bangue, com bandidos como Jack, o Matador, Roque Bravo e o “Homem Mau” (a inspiração tinha ido embora, aparentemente) que chegam à cidade e saem matando todo mundo, sempre com uma tirada na ponta da língua e um efeito sonoro de tiro dos mais clássicos.

Mal sabiam eles que seriam a base para muitos sucessos do funk carioca no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Essas faixas foram encontradas nas grandes peregrinações por samples de DJs como DJ Cuca, que produziu a “Melô do Valentão”, com samples de Léo Canhoto e Robertinho e suas frases memoráveis. A partir daí, muitos DJs saíram correndo atrás dos discos da dupla, que sempre continham pérolas praticamente prontas para a produção de funks divertidíssimos.

E foi daí que surgiram hits como “Melô da Lagartixa” e “De Quem É Essa Mulher”, de Ndee Naldinho, “Montagem do Gaiteiro”, de Adriano DJ, “Jack Matador” e “Jack Não Morreu”, de Pipo’s, “Montagem Botequeiro”, de Big Roggy DJ e a popular “Montagem Roque Bravo”.

“Hotline Bling”, do Drake, e o ótimo sample de Timmy Thomas, “Why Can’t We Live Together”

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Drake

Um dos grandes hits do final de 2015 e começo de 2016 é “Hotline Bling”, do rapper canadense Drake. Fugindo um pouco do rap, a música traz uma levada mais ~sensual~ e puxa pro R&B clássico dos anos 90 com influência do trap e fará parte do quarto disco do artista, “Views From The 6”, a ser lançado ainda este ano.

O sample que permeia toda a canção em versão acelerada é do hit “Why Can’t We Live Together”, de Timmy Thomas, lançada em 1972 como carro-chefe do disco de mesmo nome. A música, criada em uma noite de improviso pelo cantor, também atingiu em cheio as paradas da Billboard e ganhou versões de gente como Santana, Lucky Peterson, Joan Osbourne, Mike Anthony e Sade.

“Funky Drummer”, de James Brown, é oficialmente a música mais sampleada de todos os tempos

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“Funky Drummer” é oficialmente a música mais sampleada de todos os tempos, com quase 2.000 samples. A música de James Brown, gravada em 1969 em Cincinnati, Ohio, foi lançada pela King Records em um single em 1970. A música é uma daquelas clássicas de James Brown onde o Godfather se comporta praticamente como um maestro, e seus vocais são basicamente uma condução aos membros da banda. O nome da música é graças aos solos do baterista Clyde Stubblefield.

São quase 2.000 samples, então não dá pra citar todos aqui, mas vamos a alguns que usaram toda a ginga de Brown e sua banda:

“Let Me Ride”, de Dr. Dre feat. Snoop Dogg, Jewell e Ruben Cruz

“Fight The Power”, do Public Enemy

“Mama Said Knock You Out”, do LL Cool J

“Save Me”, de Nicki Minaj

“Fuck The Police”, do NWA

O tema das Meninas Superpoderosas

“Scarlet Begonias”, do Sublime

“Run’s House”, do Run DMC

“Shadrach”, dos Beastie Boys

“Give The Drummer Some”, dos Ultramagnetic MCs

“The Magic Number”, do De La Soul

“The Next Movement”, do The Roots

“Kick the PA”, por Korn e Dust Brothers

“I Am Stretched On Your Grave”, de Sinéad O’Connor

“Separate/Together”, do A Tribe Called Quest

“Freedom ’90”, do George Michael

“Shirtsleeves”, do Ed Sheeran

“Pânico na Zona Sul”, dos Racionais MC’s

“Original Gangster”, do Ice T

E isso são apenas alguns dos que já samplearam a música. A lista completa você encontra aqui. (Vai demorar pra você ouvir tudo, já vou avisando!)

 

 

Os ingredientes que ajudaram a criar o megahit “The Rockafeller Skank”, de Fatboy Slim

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Fatboy Slim

Em 1998, era difícil ligar qualquer rádio FM e não ouvir “right about now/ the funk soul brother/ check it out now/ the funk soul brother”, refrão repetido à exaustão em “The Rockafeller Skank”, música do disco “You’ve Come a Long Way, Baby” que levou Fatboy Slim ao estrelato e ao topo das paradas. Esta explosão pop do DJ deve muito à seis músicas que foram sampleadas e ajudaram a montar o quebra-cabeça bem sucedido que deu fama e fortuna à Norman Cook.

A guitarrinha base repetida por toda a música vem de “Sliced Tomatoes”, dos Just Brothers, música com inspiração surf lançada em 1972:

Outro riff usado na música é o de “Beat Girl”, de John Barry, tema do filme de mesmo nome lançado em 1960. Se você é fã da série “Os Normais”, deve lembrar que essa música também foi usada como trilha em diversos episódios das aventuras de Rui e Vani:

Já o ~refrão~ saiu de “Vinyl Dogs Vibe”, dos Vinyl Dogs com participação de Lord Finesse, lançada em 1997. É só dar o play que você já vai reconhecer a voz.

A versão do Art Of Noise para o clássico “Peter Gunn Theme” rendeu mais um riff que Fatboy usa em “The Rockafeller Skank”. A esquizofrênica cover de 1986 está presente no disco “In Visible Silence”.

E, finalmente, um dos maiores hits de todos os tempos e uma das 500 melhores músicas de todos os tempos segundo a revista Rolling Stone gerou a viradinha de bateria do hit do Fatboy Slim. Sim, ele saiu diretamente de “I Fought The Law”, do The Bobby Fuller Four, música que foi coverizada por muita gente… inclusive o The Clash!

Os samples que KLJay usou para criar “Capítulo 4, Versículo 3”, dos Racionais MC’s

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racionaismcs

“Capítulo 4, Versículo 3” foi um dos maiores sucessos de “Sobrevivendo no Inferno”, o disco dos Racionais MC’s de 1997 que estourou e colocou as quilométricas letras de Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e do DJ KLJay na boca de todo o Brasil. A música chegou a ser apresentada ao vivo no VMB de 1998, um lugar onde normalmente o quarteto não apareceria nem amarrado.

Desvendaremos agora alguns dos samples que KLJay usou para montar essa música que foi um dos passaportes que levaram os Racionais MC’s a serem o grupo de rap paulista mais conhecido do país:

O sample que vem logo após a participação de Primo Preto (aos 0:23) vem diretamente da banda War e sua “Slippin’ Into Darkness”, do disco “All Day Music”, de 1971.

Já a batida característica que acompanha Mano Brown em toda a música vem de Tom Scott and the L.A. Express e sua “Sneakin’ In the Back”, de 1974. Dá o play que você vai reconhecer logo de cara:

O famoso e belo “Aleluia” que aparece na música dos Racionais vem da gargante de ninguém menos que Sade Adu, em sua música “Pearls”, do disco de 1992 “Love Deluxe”.

Já o baixo cheio de groove veio dos Ohio Players em “Pride and Vanity”, de 1972, tirada do disco “Pleasure”.

E, finalmente, o “Filha da puta / Pá, pá, pá” é sampleado de “Eles Não Sabem Nada”, do MRN. O disco que contém a música é “Só Se Não Quiser”, lançado em 1994:

Quando os Mamonas Assassinas enfiaram Rush e Dream Theater em sua “Bois Don’t Cry”

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Mamonas Assassinas

O sample desvendado de hoje não é exatamente um sample. É mais uma… “inspiração”. Uma “influência”. Ou, se você quer falar o nome certo: um pequeno plágio. Uma chupinhadinha entre colegas de profissão.

Quando o primeiro disco do quinteto de Guarulhos Mamonas Assassinas saiu, em 1995, todo mundo sabia de cor e salteado as letras do grupo. TODAS. Do começo do disco, com a Chili Pepperiana “1406”, até seu final, com o pagode-rock “Lá Vem o Alemão” (com língua presa vinda diretamente do Raça Negra), os Mamonas dominaram as paradas e podiam tocar o disco inteiro na TV sem medo, sempre dando recordes de audiência e rios de dinheiro para os envolvidos.

Em “Bois Don’t Cry”, uma canção que passeava pelo brega e brincava com o maior hit do The Cure em uma letra dolorosa sobre traição, Dinho e seus amigos colocaram metais característicos (que acabaram sendo sampleados em alguns funks como “Agora Eu Tô Solteira”, da Gaiola das Popozudas), vocal chorado com piadas adolescentes e um final mais pesado (como era comum nas composições do grupo):

O sample dos metais foi parar no hit do grupo de Valesca Popozuda. Agora ela é solteira e ninguém vai segurar:

O momento em que a música muda de andamento com a frase “Vejam só como é que é a ingratidão de uma mulher” é literalmente chupado (sem dar crédito, é lógico) do Rush e seu eterno hit e tema da série McGyver “Tom Sawyer”, que toca até cansar em algumas rádios rock brasileiras. É inclusive uma forma de usar o teclado de Júlio Rasec de forma mais ~criativa~ e menos “churrascaria” do que acontecia normalmente:

Já o trecho que vem a seguir é um riff tirado diretamente com boticão de uma música do grupo de prog metal Dream Theater, “The Mirror”. Provavelmente coisa do guitarrista Bento Hinoto, fã de metal em geral e rock progressivo.

Os maravilhosos samples obscuros que Moby usou em seu disco “Play”, de 1999

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Em 1999, Moby lançou seu elogiado disco “Play”, o quinto de sua carreira. O álbum chamou a atenção por ter todas as canções licenciadas pelo artista para utilização em comerciais e trilhas sonoras. Ou seja: Moby dominou as paradas e aparecia inclusive nos intervalos comerciais.

Vale a pena garimpar atrás dos samples que Moby usou nas músicas. Muitos deles saem diretamente de gravações antigas e obscuras de soul, blues, gospel e jazz.

“Natural Blues”, lançado como single em 2000 acompanhado por um divertido clipe em animação, foi um dos maiores hits do disco.

Vera Hall gravou “Trouble So Hard” em 1959 no disco “Sounds of The South”. Nascida em 1902 no Alabama, Vera era uma cantora de Folk que cresceu em Livingston e ganhou exposição nos anos 30 com sua voz poderosa.

“Bodyrock”, hit que virou single em 1999 e apareceu até em trilha de Fifa Soccer, veio do finalzinho de “Love Rap”, de 1980, de Spoonie Gee and The Treacherous Three. Você ouve a letra aos 5:32 da música.

“Find My Baby”, último single do disco, foi lançado em fevereiro de 2001, com um clipe cheio de bebês superstars.

A voz do hit veio de “Boy Blue”, um blues incrível de Joe Lee’s Rock, lançado em 1959 pela Atlantic Records.

O mega-hit deprê “Why Does My Heart Feels So Bad” saiu em novembro de 1999 e fez sucesso com mais um clipe de animação que conquistou os espectadores da Mtv.

De onde veio a voz calejada e cheia de dor? The Banks Brothers and The Greater Harvest Back Home Choir, em “He’ll Roll Your Burdens Away”, lançada em 1963. Mesmo a voz “de mulher” que rola na música do Moby vem dessa música, em uma versão com o pitch alterado.

A colaboração com Gwen Stefani “South Side” saiu em 2000 e difere um pouco do restante do álbum, se aproximando mais de um single pop.

A bateria da música vem do The Counts. Você pode ouví-la na música “What’s Up Front That Counts”, de 1971 (aos 6:40):

A ligação improvável entre o hip hop do Doctor MC’s e o rock setentista do Azymuth gerou o hit “Tik Tak”

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Em 1998 o grupo de rap “bate-cabeça” (era assim que eles chamavam) Doctor MC’s, formado por $mokey Dee, MC.A e Dog Jay, lançou o menosprezado disco “Agora A Casa Cai”, um grande álbum que emula o lado mais festeiro do hip hop, sem deixar de lado as sempre presentes críticas sociais que permeiam o rap paulistano.

Neste disco está o maior hit do grupo, “Tik Tak”, cujo refrão você já deve ter ouvido mesmo que não seja ouvite assíduo do Espaço Rap da 105 FM:

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O sample vem diretamente de outro grande hit de um trio, desta vez do também subestimado rock setentista brasileiro. “Linha do Horizonte” está presente no disco “Azimüth”, lançado em 1975 pela Som Livre pela banda Azymuth. Formada em 1973 na cidade do Rio de Janeiro, a banda contava com José Roberto Bertrami, Alex Malheiros e Ivan Conti, o Azymuth teve grande sucesso com a música, que foi incluída na trilha sonora da novela “Cuca Legal”, da Rede Globo, o que alavancou as vendas do disco do trio.