“Era Uma Vez” (2008), um “Romeu e Julieta” carioca com trilha de Luiz Melodia

Read More
Era Uma Vez

Era uma Vez
Lançamento: 2008
Direção: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade e Domingos de Oliveira
Elenco Principal: Thiago Martins, Vitória Frate, Rocco Pitanga e Cyria Coentro 

“Meu nome é Thiago Martins. Nasci numa favela, na zona sul do Rio de Janeiro.Moro lá até hoje. Faço parte do grupo de teatro Nós do Morro. Eu batalhei muito pra fazer esse filme, porque essa história, podia ser a minha.Nessa guerra não tem vencedor. Rico, pobre, todo mundo sai perdendo. Eu não sei se essa cidade tem solução, não sei, mas se as pessoas olhassem com mais cuidado uns pros outros, acho que seria diferente.”

A última fala do filme antes dos créditos, um depoimento de Thiago Martins, o ator que interpreta o protagonista.

Porrada. Muito porrada. E fofo, muito fofo.

A versão moderna de Romeu e Julieta dirigida por Breno Silveira tem um revestimento de contraste social bem mais intenso e violento que em Shakespeare. Dé (Thiago Martinsé um moleque do morro do Canta Galo que perdeu um dos irmãos quando era pequeno, morto por um cara que tava entrando no tráfico e outro irmão pra cadeia, preso inocente. Sem nunca ter conhecido o pai e sempre sendo companheiro fiel pra mãe, ele trabalha numa barraca de cachorro quente na praia de Ipanema e desafiando o dizer da mãe de que “pobre é pobre e rico é rico”, se apaixona pela Nina (Vitória Frate), a menina rica que o Dé fica espionando: ela na janela do condomínio, na orla da praia e ele no quiosque.

Dé criança e o irmão mais velho

Dum jeito bem fofo, a história se desenrola até eles ficarem juntos e aí surgem as mil tretas. O pai da Nina (Paulo César Grande), superprotetor, se opõe a relação dizendo que tem medo do que pode acontecer com a filha entrando no morro, que aquele não é lugar pra ela; a mãe do Dé (Cyria Coentro) também entra no jogo: diz que não quer polícia vasculhando filha de rico na casa dela, que aquilo ia ser problema. Óbvio que, no melhor esquema shakespeariano, os dois continuam juntos. A coisa é que além dos pais existem outras coisas… As complicações que surgem com a polícia e com os traficantes ao longo do longa, denunciam dum jeito lindo, e sempre acompanhado de Luiz Melodia, uma realidade que parece proibir em constituição legal, que a história seja fofa.

Ipanema vista do Canta Galo “- Nossa, é perto, né? – Acho longe…”

Aproveitando o gancho da última frase, já entro na parte musical. A trilha tem do batidão à Luiz Melodia, passando por Mart’náliaMartinho da Vila e Marisa Monte, fazendo um panorama no mínimo interessante da música brasileira.

A inspiração para a trilha sonora de “Era Uma Vez…” nasceu da trajetória do personagem Dé, o protagonista do filme. Surgiu, então, a idéia de compor e escolher canções em primeira pessoa, tornando-as mais intimistas. “O fio condutor da trilha original era passar ao espectador o que estava na cabeça do Dé, e não deixar a música como algo apenas decorativo”, revela o produtor Berna Ceppas, autor da trilha original do longa-metragem.”

É a partir desse relato que fica clara a importância da trilha no filme e o valor a ela atribuído pelos produtores. Foi composta exclusivamente para o filme, a música “Uma Palavra” da Marisa Monte em parceria com o Carlinhos Brown e o Arnaldo Antunes.

Foi ideia também da Marisa a inserção da música que eu entendo como sendo o carro chefe da soundtrack: “Minha Rainha”, no filme com a voz do maravilhoso Luiz Melodia, arranca suspiros de qualquer um e obriga um sorriso.

Ah, e outra que também não pode ficar pra trás é a composição do Carlinhos Brown, “Vide Gal”, no filme cantada pela Mart’nália e Martinho da Vila.

Trailer:

Filme:

O Grande Grupo Viajante mostra versatilidade dançante com mensagens fortes no disco “Todas As Cores”

Read More
O Grande Grupo Viajante
O Grande Grupo Viajante

Os nove membros d’O Grande Grupo Viajante estão em festa: em setembro lançaram o disco “Todas As Cores”, gravado no estúdio C4, no Bixiga, com produção de Zé Victor Torelli. O álbum anda recebendo muitos elogios por sua diversidade de estilos, criatividade e letras engajadas em diversos assuntos importantes como problemas sociais, habitação, machismo, homofobia e tantos outros.

Formada por Bruno Sanches (guitarra e voz), Stela Nesrine (sax e voz), Érico Alencastro (baixo), Leonardo Schons (teclado), Bruno Trindade (percussão e voz), Celso Rey (bateria), Larissa Oliveira (trompete) e Gustavo Godoy (percussão), a banda costuma se apresentar pelas ruas de SP, frente a frente com o público, algo que contribuiu bastante para que o som da banda continuasse evoluindo com o tempo. Em 2015, lançaram seu primeiro EP, “O Caminho É o Mar”, com 5 músicas, que vendeu cerca de 3.000 cópias durante as apresentações pelas ruas. “Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua”, explica Bruno Sanches.

– Primeiramente, me fala mais do disco que cês acabaram de lançar!

Então, esse é nosso primeiro disco, e é um disco construído ao longo de 2 anos tocando na rua. Então ele reflete muito as situações que vimos e vivemos na rua, principalmente a troca maravilhosa que tivemos com as pessoas.
É um disco mais coletivo do que os outros dois EPs que tínhamos lançado: tem composições minhas, da Stela Nesrine e do Bruno Trindade. Os arranjos foram feitos a maioria em grupo.

– E como essa interação com o público fez parte do disco?

Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua. As pessoas emocionadas com nosso trabalho… São várias historias, isso fez com que nossas composições refletissem muito do que vivemos na rua. E baseada nas pessoas que cruzaram nosso caminho também. A gente sentiu a necessidade de falar de alguns temas da cidade que tivemos contato tocando na rua, problemas sociais, de habitação, machismo, homofobia etc.

– Por falar nisso, me fala um pouco sobre as letras desse trabalho. Vocês resolveram fazer algo mais puxado pro lado político e social da música, né?

É, então… Cada música conta uma historinha e fala sobre um tema, a gente tentou colocar temas que fizessem as pessoas refletirem e saírem da zona de conforto. Achamos importante o artista ser porta voz da mudança que quer no mundo, por isso a escolha de colocar esses temas em algumas letras.

– Me fala algumas músicas que você considera como destaques do disco.

Essa é difícil, hein. Se eu fosse aconselhar alguém, eu diria pra ouvir o disco todo e na ordem, porque só assim ele faz o sentido que a gente pensou. O disco é como um livro. Mas acho que “Malagueta”, “Sistema de Canudos”, “Africa Mãe” e “Persona” são boas pra ouvir e entender a versatilidade da banda.

– Falando nisso, a banda tem 9 integrantes, então acho que versatilidade é algo natural, né. Como vocês fazem para compor com tanta gente participando? Como é o processo?

As letras são feitas por mim, Stela e Brunão. Às vezes um desses três chega com a música meio pronta, mas tem vezes que chega apenas com a ideia, então a gente senta e vai tentando colocar a ideia da pessoa em pratica, o arranjo é sempre respeitando a ideia do compositor. Também fizemos algumas coisas em duplas, eu e Brunão, Eu e a Stela, por exemplo… Tem uma música que foi feita com um cantor amigo nosso do Congo, Leonardo Matumona. Como era uma musica que falava do continente africano, convidamos ele pra compor e gravar conosco.

O Grande Grupo Viajante

– Como a banda começou? Já começou com essa formação enorme?

Então, na verdade da formação atual eu sou o único da original (risos). O projeto era uma ideia minha, teve uma primeira formação que lançou um EP em 2013, mas depois acabou se desfazendo. No final de 2014 eu consegui juntar uma parte dessa turma que está agora, eram Érico (baixo), Léo (teclado) e a Stela (sax e voz) e o Marco na bateria, que depois acabou saindo também. Com essa formação pequena, gravamos outro EP, lançado em 2015, chamado “O Caminho é o Mar”. Aí ao longo de 2015 e 2016 entraram o Brunão (percussâo e voz), o Celso (bateria), Larissa (trompete) e o Gustavo (percussão). O Mike (guitarra) entrou em 2015, ficou com a gente até gravar o disco, mas depois de gravar decidiu seguir outro caminho.

– E como vocês veem a cena independente hoje em dia? Como tá pra vocês?

Olha, a cena tá quentíssima. Linda demais. Temos tantos amigos que admiramos e vendo o crescimento de tantas bandas merecidamente, isso empolga e nos deixa muito felizes. Nós estamos caminhando naturalmente, o primeiro disco é um marco para o crescimento. A gente espera viajar mais e espalhar muito nossa musica

– Como vocês definiriam o som d’O Grande Grupo Viajante?

Cara, é um som brasileiro com pitadas latinas e africanas, mas principalmente é um som multicultural e plural, pensado em fazer o publico dançar, amar e refletir sobre o mundo.

– Aliás, no começo do ano saiu um clipe com a presença de um monte de gente da cena, né. Como foi isso? Quem aparece no clipe?

Sim, então fizemos o clipe de “Obra de Miró”, que está no disco. A gente convidou um monte gente pra embarcar no espírito da musica, que é dançar do jeito que se sentir bem. De migos e migas famosos tivemos o Samuca (Samuca e a Selva), Paula Cavalciuk, o Gomes (Francisco El Hombre), João Perreka, a Camilla e Leo da Molodoys, o Jonata (DJ Obá), e tivemos a participação de mais vários amigos e amigas queridos demais que soltaram o rebolado.

– E como é essa integração entre as bandas da cena independente? Rola bem ou você acha que podia rolar mais?

Rola legal, pelo menos com a galera que temos contato é sempre ótimo. Já fomos pro RJ e nos hospedamos com os amigos da Astrovenga, já recebemos várias bandas em casa também… Rola muito essa troca de hospedagem e show. Participações também e shows conjuntos sempre rolam. Acho que a cena independente, pelo menos a que a gente faz parte, principalmente das bandas de rua, tantos amigos que sempre nos indicam pra trampos e nos ajudam sempre que podem. A Picanha de Chernobill por exemplo é uma banda muito amiga nossa que já nos indicou pra trampos e já fizemos alguns shows juntos, é sempre um prazer, pois admiramos muito eles. Tivemos a oportunidade também de ter participação do Jairo Pereira (Alafia) e da Ekena em nossos shows e foi lindo demais, são 2 artistas que admiramos demais.

– Quais são os próximos passos da banda?

Estamos fazendo shows de lançamento. Os próximas são em Paranapiacaba, dia 13/10 e BH, 14/11. Mês que vem lançaremos um live de coisa fina.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nossa temos sorte de ter amigos talentosos e inspiradores ao nosso redor e são tantos que fica difícil citar todos, mas acho que vocês não podem deixar de conhecer: Picanha de Chernobill, Molodoys, Paula Cavalciuk, Samuca e a Selva, Ekena, Molodoys, Rocartê, Alafia, João Perreka e os Alambiques, Newen (Chile), Astrovenga, Uiu Lopes, Bruno Lima… Ah, tem muitos outros, teria que ficar falando até amanhã!

Samba de Rainha realiza temporada todas as quintas-feiras de outubro no Pátio SP

Read More

As cinco integrantes do Samba de Rainha têm em comum uma pegada forte no jeito de tocar, resultado da empolgação com o trabalho e do encontro das influências mais diversas: samba de roda, canção popular, Rolling Stones, Benito Di Paula e Roberto Carlos, só pra citar algumas. Formado por Aidée Cristina  (surdo e coro), Erica Japa (rebolo e coro), Karina Oliveira (cavaco), Nubia Maciel (voz) e Sandra Gamon (percussão e coro), o grupo é presença constante na cena musical paulistana, tendo participado de diversos festivais, eventos e se apresentado nas melhores casas noturnas da cidade.

Ouvir o Samba de Rainha é ouvir um convite para a celebração, para a festa, para a alegria. E para expandir o convite, o grupo realizará uma temporada durante todas as quintas-feiras do mês de Outubro/2017 no Pátio SP. Instalado na esquina da Mourato Coelho com a Wisard, na Vila Madalena, o bar recentemente aberto, remete à descontração de uma praça. A casa convida à conversa jogada fora, ao bem-estar, ao culto à música de qualidade.
Retrata o perfil do paulistano na recente ocupação dos espaços públicos, na preocupação com o verde e com a sustentabilidade. Tem bancos feitos a partir de paletes, garrafas recicladas penduradas, grafites nas paredes e um grande jardim vertical.

Com tantos atributos em comum, essa temporada promete um brinde à boa música e a afirmação de que o lugar da mulher é onde ela quiser, inclusive no samba!

Créditos foto: Laura Guimarães.

“Orfeu Negro” (1959) – O mito grego inserido no Carnaval carioca

Read More

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Orfeu Negro
Lançamento: 1959
Direção: Marcel Camus
Roteiro: Marcel Camus, Jacques Viot
Elenco Principal: Breno Mello e Marpessa Dawn

Orfeu, motorista de bonde e sambista na escola Unidos da Babilônia, na véspera do baile de carnaval e prestes a casar com uma que não se chama Eurídice, conhece uma que chama-se assim. A menina que chega no morro onde vive o sambista incorpora bem a personagem grega e cai romanticamente nos braços do “herói”, que pelo menos na primeira aparição da morte, salva-a de Hades.

O helênico brasileiro, que é o perfeito Don Juan, é um apaixonado pela vida de um modo geral, sempre sorrindo e brincando com as crianças, mas apaixonado principalmente por seu violão, que faz o sol nascer todo dia cantando um “tristeza não tem fim/felicidade sim”.

Seguindo o mito grego, o Orfeu se apaixona pela Eurídice com o seu jeito bobo e romântico, mas como já diziam os vasos antigos dos museus de arqueologia, a heroína morre e aí lá se vai o sambista a tentar encontrá-la, agora diferente do que na história antiga, num ritual candomblé.

Orfeu e Eurídice, Nicolas Poussin

O filme é inspirado na peça “Orfeu da Conceição”, obra de 1954 de Vinícius de Moraes que conta com músicas em parceria com Tom Jobim, e ganhou vida nas telas em 1959 com direção do francês Marcel Camus, mantendo a absurdamente linda trilha sonora.

Passando-se no Carnaval, seria um absurdo que o pandeiro e a cuíca não fossem protagonistas. Em muitos momentos acompanhando os frenéticos pés das personagens, o samba enredo compõe o clima carnavalesco que a todo instante se contrapõe ao medo de Eurídice da morte, deixando o filme com um feliz astral sambístico.

Ah, e sabem aquela música “Afterlife” do Arcade Fire? Então, tem um clipe dessa música que é com cenas do filme, bem massa!

Segue em link a trilha sonora e o filme completo.

Trilha sonora:

Filme completo:

Como sempre, assistam, ouçam e curtam!

Tributo ao Pato Fu “O Mundo Ainda Não Está Pronto” traz 30 versões de bandas independentes

Read More

Em 2017 a banda mineira Pato Fu completa 25 anos trazendo na bagagem 10 discos de estúdio, 2 discos ao vivo, 5 DVDS e 34 singles. Pensando nisso, João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi) e Rafael Chioccarello (Hits Perdidos) decidiram criar seu segundo tributo em parceria, “O Mundo Ainda Não Está Pronto”, homenageando a criativa e divertida banda mineira. Nada como seguir o exemplo dos Patos e criar versões desconstruídas e inovadoras, assim como fizeram em repaginações de hits como “Eu Sei” do Legião Urbana, “Qualquer Bobagem” dos Mutantes e “Eu”, da Graforréia Xilarmônica. O disco duplo pode ser ouvido no www.omundoaindanaoestapronto.com.br

Em 1992, Fernanda Takai (vocal e guitarra) frequentava uma loja de instrumentos musicais e lá fez amizade com dois funcionários, John Ulhoa (vocal e guitarras) e Ricardo Koctus (vocal e baixo). Surgia o Pato Fu, trio que abusava do experimentalismo pop com influências que iam da psicodelia ao punk rock, passando pela new wave, bossa nova e rock and roll. “Fazemos muitos sons diferentes, mas, no fim, podemos dizer que somos uma banda do universo pop, que vai de Beatles a Sepultura. Tudo isso vale”, explicou John Ulhoa. Desde então, a banda só cresceu, lançando os discos “Rotomusic de Liquidificapum” (1993), “Gol de Quem?” (1995), “Tem Mas Acabou” (1996), “Televisão de Cachorro” (1998), “Isopor” (1999), “Ruído Rosa” (2001), “Toda Cura Para Todo Mal” (2005), “Daqui Pro Futuro” (2007), “Música de Brinquedo” (2010) e “Não Pare Pra Pensar” (2014) e colecionando hits como “Sobre O Tempo”, “Perdendo Dentes”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Pinga” e muitas outras. Hoje, a banda conta também em sua formação com Glauco Mendes na bateria e Richards Neves nos teclados.

A coletânea reúne diversos artistas do cenário independente nacional dando seu toque em versões para as canções do Pato Fu, as recriando em passeios por estilos como rock, tecnobrega, forró, rap, MPB, folk, stoner rock, psicodelia, experimentalismo…

Participam do tributo Antiprisma (São Paulo/SP), Berg Menezes (Recife/PE), Capotes Pretos na Terra Marfim (Fortaleza/CE), Der Baum (Santo André/SP) , Djamblê (Limeira/SP), Eden (Salvador/BA), Dum Brothers (São Paulo/SP), Estranhos Românticos (Rio de Janeiro/RJ), FELAPPI e Marcelo Callado (Rio de Janeiro/RJ), Floreosso (São Paulo/SP), Gabriel Coelho e Renan Devoll (São Bernardo do Campo/SP), Gilber T e os Latinos Dançantes (Rio de Janeiro/RJ), Horror Deluxe (Pouso Alegre/MG), João Perreka e os Alambiques (Guarulhos/SP), Lucas Adon (São Paulo/SP), Lerina (Santo André/SP), Mel Azul (São Paulo/SP), Molodoys (São Paulo/SP), Paula Cavalciuk (Sorocaba/SP), Pedroluts (São Paulo/SP), Serapicos (São Paulo/SP), Silvia Sant’anna (São Paulo/SP), Subcelebs (Fortaleza/CE), The Cabin Fever Club (São Paulo/SP), The Outs (Rio de Janeiro/RJ), Theuzitz (Jandira/SP), TucA e Thaís Sanchez (Campina Grande/PB), Valciãn Calixto (Teresina/PI), Venus Café (Volta Redonda/RJ) e Yannick com Camila Brumatti (São Paulo/SP).

A arte da capa, inspirada nos robôs gigantes do clipe de “Made In Japan”, foi feita pelo designer Pedro Gesualdi, que também é músico e atualmente toca nas bandas DERCY, Japanese Bondage e Danger City.

Construindo Molodoys: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Contruindo Molodoys
Molodoys

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Molodoys, que indica suas 20 canções indispensáveis. ” São músicas que me influenciam bastante no modo como são criadas e no que elas conseguem atingir na questão de criatividade e inovação seja em letra ou em melodia”, explicou Leo Fazio, guitarrista e vocalista. “Eu não uso músicas em especifico para me influenciar na hora de compor pra Molodoys, mas ultimamente quando to compondo to tentando pensar nessas, mais na questão de como se é feita a música do que na sonoridade em si”, esclareceu Vitor Marsula, tecladista .Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Cartola“Preciso Me Encontrar”
Leonardo: Música do Candeia gravada por Cartola em seu segundo disco. Eu a considero uma das músicas mais belas já feitas, seja em arranjo, progressão, letra ou melodia. A primeira vez que a ouvi fiquei completamente obcecado, seu lirismo e todo o sentimento que a letra passa em conjunto com a música já me serviram muito de inspiração quando ela está em falta, minha meta de vida é fazer algo comparável a essa música, (que é algo quase impossível, eu sei).

Pink Floyd“Take Up Thy Stethoscope And Walk”
Leonardo: Talvez minha preferida do Pink Floyd, já bebi muito dessa fonte e acho que dá pra perceber em algumas músicas do “Tropicaos”, nosso primeiro disco. Todo o peso e toda a visceralidade que essa música carrega me influenciam bastante dependendo do que eu estou criando, essas são características que eu gosto muito de trabalhar. E eu também sou apaixonado pela guitarrada do Syd Barrett, acho um estilo único e muito subestimado.

Bob Dylan“It’s Alright Ma (I’m Only Bleeding)”
Leonardo: Uma obra prima, seu lirismo é algo que me influencia profundamente, me inspiro muito em como o Dylan desenvolve a poesia das suas músicas, em como ele consegue usar de temas e fonemas pra te tranportar pra outro lugar enquanto a musica toca.

Chico Buarque“Construção”
Leonardo: O modo como a música vai crescendo e se desenvolvendo envolta dela mesma é genial, ando bebendo muito dessa fonte na hora de criar, atualmente tenho escrito bastante e essa é uma música que sempre me vem à cabeça quando procuro inspiração, tanto em letra quanto em arranjos.

The Velvet Underground“Heroin”
Leonardo: Acho que a Molodoys busca muito por uma boa ambientação nas músicas e a gente tenta trabalhar bastante no modo como elas transmitem as sensações ao ouvinte, e, pelo menos da minha parte, isso tem muita influência desse som do Velvet, totalmente visceral e criativo.

Arctic Monkeys“Still Take You Home”
Jairo: Acho a bateria do Matt Helders incrível, todo o peso e técnica que ela carrega me inspiram muito, e principalmente o fato de ele saber o que usar em diferentes partes da música para passar diferentes sensações, procuro muito isso em minhas baterias.

Queen“Melancholy Blues”
Jairo: Queen tem uma forte influência em mim há anos, acho que em toda bateria que eu crio tem um pouco deles. E esse som mais especificamente mostra como um drama pode ser perfeitamente passado à uma música. Essa em específico me inspira em todo o drama que ela carrega, acho sensacional como ela é trabalhada, é uma grande referência pra mim.

Beatles“A Day In The Life”
Jairo: Eu aprendi a tocar bateria acompanhando os discos dos Beatles, assim como o Queen, acho que é algo que está dentro de mim e das baterias que crio pra Molodoys, Ringo é um dos bateristas mais subestimados que existem, mas pra mim ele é inigualável. Além de que os Beatles servem de inspiração para eu criar em vários campos da música, eles são mestres em diversidade de estilo e sonoridades, foram pioneiros em muita coisa.

Miles Davis“All Blues”
Jairo: Uma das baterias mais lindas e suaves na minha opinião, e ao mesmo tempo carrega um peso tremendo, mas de outra forma, a bateria caminha e dança junto com outros os instrumentos, e isso é algo que eu procuro fazer em minhas composições pra bateria.

Muse“Uprising”
Jairo: Ouvi-la remete a algo importante pra mim, saber compor uma música forte e marcante sem perder a qualidade, acho que é uma grande preocupação pra mim na hora de compor pra Molodoys.

Chico Science e Nação Zumbi“Coco Dub”
Camilla: Eu e Léo somos muito fãs de Nação Zumbi e por isso essa referência partiu de nós, ficamos meses pirando horrores na grande maior parte da discografia, mas a “Coco Dub” tem uma essência experimental e livre. Foi a música que tínhamos como referência para a música “Tropicaos”. Lembro de ter ouvido ela a viagem toda repetidamente, quando fomos gravar em Amparo (interior de São Paulo).

Jupiter Maçã“Act Not Surprised”
Camilla: O baixo dessa musica é uma das minhas maiores referências de arranjo da vida. Eu gosto do jeito que ele é executado, é muito peculiar e até meio bruto, com um groove único. A psicodelia do Júpiter num geral também foi uma referência muito forte para nossas musicas, principalmente as do disco.

Som Imaginário“A3”
Camilla: Baita música dessa banda maravilhosa! Som imaginário é uma baita referência pra nós em questão de misturas de ritmos. Nessa musica, eles criam uma atmosfera tão brasileira mas de uma sonoridade tão futurista e cheia de groove e elementos não convencionais, é uma mistura de elementos muito bonita ❤

Tom Zé“Menina Jesus”
Camilla: Eu e Leo ficamos viciados nela pouco antes de gravarmos nosso segundo single. Acredito que ele se inspirou na letra e no fluxo dela para escrever a letra de “Ácido”. E Tom Zé continuará sendo o maior roqueiro da historia do MPB e maravilhoso.

Mutantes“Ave, Lucifer”
Camilla: Além de Pink Floyd, a mixagem dos Mutantes influenciou muuuito a mixagem do “Tropicaos”, uma pegada mais stereo. A “Ave Lucifer” é um belo exemplo de uma mix que fica perambulando sua cabeça (risos). PS: Use fones de ouvido para uma experiência mais completa!

Moving Gelatine Plates“Breakdown”
Vitor: Do álbum “Removing”, ela consegue ter tudo que uma música completa precisa, tanto na questão da estrutura, do começo, meio e fim, clímax e essas coisas, quanto pela questão do arranjo instrumental e de como eles conseguem conversar com o vocal e com os outros instrumentos.

Vangelis“Movement 1”
Vitor: Pois é uma das músicas que acho que chegou ao ápice do que é necessário para uma ambientação, que é algo que prezo muito.

Los Jaivas“La Poderosa Muerte”
Vitor: Pelo “feeling” que ela passa e por conseguir apresentar uma série de mudanças sem perder a característica principal.

Pink Floyd“Echoes”
Vitor: Por motivos de forças maiores agindo sobre mim.

Nine Feet Underground“Caravan”
Vitor: Pois ela é outra música que considero que tem tudo que uma música precisa.

Ouça a playlist aqui e siga o Crush em Hi-Fi no Spotify:

Rogério Skylab navega por novos caminhos em seu novo projeto, “Skylab + Tragtenberg Vol.1”

Read More
Rogerio Skylab
(Alexandre Rezende/Folhapress ILUSTRADA)

A sátira, o lirismo, o rock, a MPB e a música experimental são alguns dos inúmeros ingredientes que compõem a carreira de Rogério Skylab, artista multifacetado que não cansa de surpreender seus ouvintes. Alguns o acham engraçado. Outros, bizarro. Há os que digam que sua obra é um retrato sujo do ser humano. Mas uma coisa é certa: não dá pra ficar sem opinião após uma audição de “Skylab & Tragtenberg Vol. 1”, o mais novo projeto do compositor.

Obcecado por séries, após finalizar sua popular coleção de 10 discos iniciada em 1999 com o álbum “Skylab X”, começou imediatamente mais uma: a “Trilogia dos Carnavais”, (“Abismo e Carnaval”, “Melancolia e Carnaval” e “Desterro e Carnaval”) que vai virar DVD em breve. Sempre independente, agora ele dá início a uma nova trilogia com “Skylab & Tragtenberg Vol. 1”, em parceria com o compositor e saxofonista Lívio Tragtenberg.

“Faço parte dos primórdios da música independente no Brasil. E toda minha carreira primou por uma independência que me permitiu fazer do jeito que sempre quis, com absoluta liberdade. Vivi a fase de transição do mercado, quando a indústria fonográfica era pujante e depois passou por uma série crise com o advento da internet. Conheci, portanto, os dois lados da moeda e sou um sobrevivente. Todavia, me defino como um cadáver dentro da MPB”, define Skylab.

Conversei com ele sobre o novo disco, sua obsessão por séries, o humor em sua obra, a guinada conservadora que o mundo está sofrendo e muito mais:

– Como surgiu esta parceria?

Eu já manjava o Lívio Tragtenberg. Mais pelos livros escritos que pelos seus trabalhos musicais. Vim a entrevistá-lo no programa “Matador de Passarinho”, que era um programa que eu apresentava no Canal Brasil. Daí foi um pulo para convidá-lo a fazermos um disco juntos. Lívio é de uma geração anterior a minha. Conheceu os poetas concretas, participou de bienais. É de uma inteligência selvagem. Como um bom judeu, me lembra Kafka. Quando desafiado, é capaz de encontrar soluções impossíveis. Acho que esse nosso primeiro disco é um bom exemplo disso.

– O trabalho difere bastante do que foi realizado até Skylab X. Quais são as principais diferenças, na sua opinião?

Acho que a diferença fundamental está na mixagem. Hoje em dia a mixagem é tão importante quanto a composição. Não adianta você fazer um disco com composições ricas e complexas, se o tratamento que essas composições vir a sofrer, na pós-produção, tiver algum ranço conservador. O trabalho da série dos “Skylabs” é espontâneo e bem livre. É quase um trabalho coletivo. Tem sua importância. Mas continuá-lo seria ficar no mesmo.

– Quais são as principais influências para este álbum?

Não daria pra transcrever todos os nomes que, de uma forma ou de outra, estão presentes nesse trabalho: da literatura à música. Afinal, tanto eu quanto ele, não nascemos ontem. Acumulam-se informações. Beckett, Severo Sarduy, “Araçá Azul”, Syd Barret, Joyce, Arrigo Barnabé, John Cage, Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Cadu Tenório, Jonas Sá

– Este disco parece mais sério, apesar de você sempre ter dito que seu trabalho não ser “humorístico”. Já recebeu alguma resposta dos fãs que levam seu trabalho como humor?

Isso é uma bobagem até porque vejo no humor uma potência, presente em trabalhos como do grupo Monty Python. E nem precisamos ir tão longe: André Dahmer e Lourenço Mutarelli são exemplos de um humor estranho nacional. Isso me interessa. Não é o humor de Casseta e Planeta, nem Porta dos Fundos. Muito menos dos nossos humoristas fascistas que pululam na mídia. Quanto a esse disco, tem algumas passagens bem humoradas. Com um certo comedimento, mas o humor não deixa de estar presente.

Rogerio Skylab

– Como você definiria o som deste disco?

Sinceramente, não saberia defini-lo. Até porque estamos pesquisando, não temos nenhuma resposta pronta. É um work in progress. Sem esquecermos que foi projetado para uma trilogia. Gosto dessas coisas: decálogo, trilogia… O meu trabalho anterior, calcado em sambas e na música popular, também é uma trilogia. E vai sair em breve um DVD, lançado pelo Canal Brasil, que vai ser um resumo desses 3 discos lançados: “Abismo e Carnaval”, “Melancolia e Carnaval”, “Desterro e Carnaval”. Esse DVD vai se chamar “Trilogia dos Carnavais”. Enfim, o segundo volume desse “Skylab & Tragtenberg” pode ser completamente diferente do primeiro.

– Vocês estão fazendo shows de divulgação deste trabalho?

Pretendemos fazer em breve, vai ser inevitável. Mas já estamos começando a trabalhar o segundo volume.

Rogerio Skylab

– Pretende lançar mais trabalhos em parceria?

Sim, esse é o nosso desafio: o “Skylab e Tragtenberg” vão ser 3 discos.

– O que você acha da cena musical brasileira que acontece hoje em dia?

A atual cena musical brasileira é um espelho da nossa sociedade: tem segmentos, como o sertanejo e o axé, que representam o arcaico; e tem outros segmentos, menos visíveis mas não menos potentes, que me orgulham e me deixam cheio de esperança. Afinal, ouvir Chinese Cookie Poets é um luxo e um sinal inequívoco de que a nossa sociedade pode mudar e mudar pra melhor.

– Você já se declarou infeliz com a situação política do país hoje em dia. Isso e as respostas do setor conservador e de direita da população de alguma forma inspiram novas músicas?

Pra mim, existe uma relação entre música e política. Assim como há relação entre cultura e política. Só que não é uma relação de espelho. Essa relação não é tão óbvia, se dá por vias indiretas, complexas. Se esse setor conservador e de direita podem me inspirar a compor novas músicas, não há dúvida. O que não significa que as músicas façam menção direta a isso.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tatá Aeroplano, Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Chinese Cookie Poets, Cadu Tenório, Jonas Sá…

Garimpo Sonoro #12 – Estudando Tom Zé: 5 vezes em que Tom Zé foi nota 10!

Read More
Tom Zé

De maneira dolosa, Tom Zé sempre se vendeu como o Vagabundo enquanto seus atos explicitavam seu dom chaplinesco. Em meio século de carreira, o artista vindo da hipercitada Irará-BA se formou em música na renomada Faculdade de Música da UFBA e usufruiu desta base técnica com tanto primor quanto sua abordagem criativa com as palavras e sons.

Precisaria de muitos caracteres para discorrer sobre o caráter artístico do Senhor Zé – incluindo sua relevância na Tropicália – por isso, como de praxe, resumirei em apenas cinco amostras:

“Tô” – Quando se vê toda a carreira de Tom Zé, “Tô” se mostra muito mais do que um manifesto: é uma cartilha que Tom Zé segue à risca.

Plágio – Em 1990, Tom Zé expôs um pouco do tortuoso caminho criativo cheio de dialogismos que ele costuma usar em sua obra. Aqui, ironiza uma acusação de plágio ao fazer uma música em que quase nada é seu.

“Estudando o Pagode” – Há 11 anos, Tom Zé levantava parte da bandeira do feminismo sob o véu de sua releitura sobre o pagode. O álbum, em forma de operetta em três atos, conta a história da opressão à mulher, sua relação com o homem e a distorção do amor. O disco todo vale a pena, mas aqui ilustro com “Proposta de Amor”.

“Tropicalea Jact Est” – Apesar de não incluir na série “Estudando”, Tom Zé revisita a evolução da Bossa Nova em um belíssimo disco que conta com participações atuais, como Mallu Magalhães, Rodrigo Amarante, Pélico e Emicida.

João da Esquina – No seu livro “Tropicália Lenta Luta”, Tom Zé mistura sua biografia com uma releitura sobre a vida de todos. Ao final, compilou alguns artigos que ele publicou em jornais diversos. Um deles, de 2001, homenageia João Gilberto ao mesmo tempo que consegue traçar um paralelo genial entre a Bossa Nova e a fórmula de Einstein E=MC²

Este não tem vídeo, mas leia o artigo (http://navegandonavanguarda.blogspot.com.br/2009/07/artigos-extraordinarios.html) enquanto ouve a instrumental “Toc”:

Garimpo Sonoro #3 – Negritude Sênior: 4 Sambistas das antigas que valem ouvir sempre

Read More
Cartola

Tenho uma tendência à cultura estrangeira que às vezes me presenteia de culpa. E pensando bem, apesar dessa preferência, eu também gosto, e muito, de muita coisa feito por aqui.

Talvez o que me faça gostar tanto da cultura tradicional americana, por exemplo, seja a maneira como eles trabalham com a dor. O blues e o country, em sua essência, são lamentações da alma diante das agressões da vida. Aqui no Brasil, trabalhamos de uma maneira um pouco diferente, né?

Um dos melhores exemplos é Fagner e sua “Pedras que Cantam”:

Um puta clima de festança, azaração e exaltação da alegria! Mas veja bem o começo da letra: “Quem é rico mora na praia mas quem trabalha nem tem onde morar/ Quem não chora dorme com fome mas quem tem nome joga prata no ar”. Ué?!?

Enfim, vamos logo à temática da semana: sambistas das antigas que eu acho não só fodásticos como relevantes. Todos trabalham os dissabores da vida de uma maneira intensa. Alguns, conseguem acalentar o amargor da vida, adocicando um pouco nossa passagem por aqui.

1) Cartola

Figurinha carimbada, eu sei. Mas ele é assim por uma razão! “Sim”, por exemplo, é um questionamento moral, ético AND religioso! É belo, intenso e, se você ainda não passou por essas questões… aguarde!

2) Nelson Cavaquinho

“Tire o seu sorriso do meu caminho/ Que eu quero passar com a minha dor”. Puta que pariu! Para quem é fã de Bob Dylan, ouvir um brasileiro dizer isso é a coisa mais dylanescamente nacional que se pode ter. E sem contar a voz “rústica” de Nelson, é claro.

3) Paulinho da Viola

A primeira vez que ouvi essa música, na verdade tive que ouví-la umas três vezes seguidas. (Aliás, tem um documentário FODÁSTICO sobre ele, “Meu Tempo é Hoje”. Assista e aprenda o quanto antes). Minha dica é tocar “Meu Mundo é Hoje” periodicamente… e repetir mentalmente seu poema completo, como um mantra.

3) Adoniran Barbosa

Se Nelson é o Bob Dylan do samba, Adoniran é o Tom Waits com cavaquinho. Há a tristeza, mas há algo mais… uma risada no canto na boca pelos percalços e ironias de se viver. Deixemos as tristezas um pouco de lado, peguemo um copo de cerveja, e bóra se divertir: porque sofrer é a certeza de que vives.

4) Lupicínio Rodrigues

Ah, a vingança. Que sabor, que perfeição que ela é, não? Lupicínio, o rei da “dor de cotovelo”, nos presenteia com um relato que alegra e inveja ao mesmo tempo.
Tome nota:
“Eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que lhe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar,
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz,
Não lhe deixou falar.”

Existem inúmeros outros sambistas que eu acho fodástico… isso sem contar aqueles que flertam com o estilo – vide Baden Powell e Virgulóides (por que não?!) (risos)

Tem alguma dica? Manda pra cá!

Tributos e homenagens: confira 18 músicas que são inspiradas em outros artistas e bandas

Read More
Kurt Cobain e Flea

Homenagens e tributos são comuns no mundo da música, já que entre os artistas sempre surgem influências, amizades e a admiração à grandes músicos. São comuns os tributos aos que já se foram, como no clássico single de Elton John “Candle In The Wind”, que já foi lançada como homenagem à Marilyn Monroe e Princesa Diana. Mas também existem as canções que se originam da mais pura admiração. Reuni 18 canções que prestam homenagens a outras bandas e artistas:

Queen – “Life Is Real”
Homenagem a John Lennon

A música do disco “Hot Space” foi composta em homenagem a John Lennon. Ela emula diferentes estilos de música de Lennon, e as letras são principalmente sobre quando Freddie Mercury soube que John havia morrido.

Motörhead – “R.A.M.O.N.E.S.”
Homenagem aos Ramones

“R.A.M.O.N.E.S.” é uma homenagem do Motörhead aos Ramones. Presente no álbum de 1991 “1916”, a música cita nominalmente todos os membros da banda novaiorquina, inclusive Dee Dee Ramone e Tommy Ramone,  que já haviam saído do grupo na época. Os próprios Ramones regravaram a música depois, em uma “auto-homenagem”.

Zé Ramalho – “Para Raul”
Homenagem a Raul Seixas

Zé Ramalho queria ter gravado um disco junto de Raul quando este estava vivo, mas infelizmente não rolou. Quando ele foi gravar o disco-tributo “Zé Ramalho canta Raul Seixas”, fez “Para Raul”, a última faixa do disco, em homenagem ao cantor. A escolha de músicas para o disco foi bem difícil, já que Paulo Coelho não permitiu que nenhum das músicas em que ele fazia parceria com Raulzito entrassem. “Achei grotesco, sem elegância nenhuma. Mas não há como uma pessoa me interromper“, comentou Zé.

Yes – “The Messenger”
Homenagem a Bob Marley

Sim, é isso mesmo: o Yes gravou reggae. No disco “The Ladder”, de 1999, saiu a música “The Messenger”, uma homenagem do grupo de rock progressivo ao nome mais conhecido do reggae: Bob Marley.

Raimundos – “Joey”
Homenagem a Joey Ramone

Os Raimundos sempre prestaram todas as reverências possíveis aos Ramones, seus mestres e maior inspiração musical. Quando Joey Ramone morreu, em 2001, inspirou os discípulos (em seu primeiro disco sem Rodolfo Abrantes nos vocais, “Kavookavala”) a gravar “Joey”, uma canção ramônica que homenageava o vocalista da banda punk.

Puff Daddy (ou Diddy, ou qualquer que seja o nome que ele usa hoje) – “I’ll Be Missing You”
Homenagem a Notorious B.I.G.

Sean “Puffy” Combs aproveitou um sample de The Police e a perda de um de seus melhores amigos pra criar uma homenagem que o colocou no topo das paradas do Disk Mtv em 1997 . Detalhe: Sting não cobrou nada pelo sample, e Faith Evans, que canta o refrão, é exposa do falecido Notorious B.I.G.

Titãs – “As Aventuras do Guitarrista Gourmet Atrás da Refeição Ideal”
Homenagem a Marcelo Fromer

No primeiro disco sem nenhuma participação do guitarrista Marcelo Fromer, falecido em 2001, os Titãs gravaram uma música bonita e melancólica para homenageá-lo. Cantada por Paulo Miklos, ela fecha o disco “Como Estão Vocês”, de 2003.

Red Hot Chili Peppers – “Tearjerker”
Homenagem a Kurt Cobain

O Red Hot Chili Peppers fez turnê com o Nirvana em 1992, logo depois que seu guitarrista John Frusciante saiu da banda e caiu em um vício em heroína. A música homenageia Kurt Cobain, que se suicidou em parte graças ao vício e saiu no disco “One Hot Minute”.

Green Day – “Amy”
Homenagem a Amy Winehouse

“Eu não a conheci, só achei que foi uma perda muito trágica. O interessante é que como o disco tem um clima de festa, ‘Amy’ vem com um gostinho do que são as consequências dessa farra”, disse o vocalista Billie Joe Armstrong sobre a música para a revista Rolling Stone.

Ben Folds – “Late”
Homenagem a Elliott Smith

Ben Folds fez turnê com Elliott Smith em 1998, quando ainda estava com o Ben Folds Five. A letra fala de Smith e cita até suas habilidades no basquete. “Joguei com ele e o Beck uma vez”, disse, “e Elliott estava fazendo cestas como se não houvesse amanhã.”

Roger Daltrey – “Under a Raging Moon”
Homenagem a Keith Moon

“Under A Raging Moon” é um tributo de Roger Daltrey a Keith Moon, baterista do The Who que morreu em 1978. John Entwistle, baixista da banda, queria tocar esta canção em vez de “Won’t Get Fooled Again” no Live Aid de 1985. Como Pete Townshend discordou, Entwistle gravou sua própria versão da música em seu disco “Left For Live”.

Roberto Carlos – “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”
Homenagem a Caetano Veloso

A letra desta música é uma homenagem a Caetano Veloso feita por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Foi composta quando Caetano encontrava-se no exílio, em Londres, para onde foi deportado em 1969 pela Ditadura Militar.

U2 – “Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of”
Homenagem a Michael Hutchence

Bono escreveu esta sobre o suícidio de seu amigo Michael Hutchence, vocalista do INXS. A música é escrita na perspectiva do autor tendo uma discussão sobre o suícidio, em que ele tenta convencer Hutchence a não fazê-lo.

R.E.M. – “Let Me In”
Homenagem a Kurt Cobain

Esta música do disco “Monster” foi escrita após a morte de Cobain, que era fã do R.E.M. A banda ganhou muitas das guitarras do líder do Nirvana em 1994, dadas de presente por Courtney Love, e eles as usaram nesta música.

The Who – “Old Red Wine”
Homenagem a John Entwistle

Foi lançada na coletânea “Then and Now”, e usa um riff que chegou a ser tocado por Entwistle em seus últimos shows com o Who. Outra música que foi lançada na coletânea foi “Real Good Looking Boy”, uma homenagem à Elvis Presley.

The Queers – “Brian Wilson”
Homenagem a Brian Wilson

A música leva o nome de seu homenageado, o  maluquinho líder criativo dos melhores anos dos Beach Boys. “It’s a good thing, Brian Wilson / It’s a good thing we’ve got you around / It’s a good thing, Brian Wilson / ‘Cause you’ve got your feet on the ground”, diz a letra do grupo punk.

Só Pra Contrariar – “Tributo aos Mamonas”
Homenagem aos Mamonas Assassinas

Logo que os Mamonas Assassinas morreram no trágico acidente de 1996, surgiu esta homenagem de um grupo que não poderia ter menos a ver com o quinteto de Guarulhos: o Só Pra Contrariar. A música chora a perda dos Mamonas em uma balada triste.

Foo Fighters – “Friend Of a Friend”
Homenagem a Kurt Cobain

Escrita primeiramente quando Kurt Cobain ainda estava vivo, em sua demo com o codinome Pocketwatch “Late!”, Dave Grohl fala sobre Cobain e Krist Novoselic e suas impressões ao entrar no Nirvana. Mais tarde, ele gravou a música novamente no disco “In Your Honor”, dos Foo Fighters.