RockALT #11 – Tamarindo, Spidrax, Dead Parrot, Walfredo em Busca da Simbiose e White Lung

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RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna dessa semana eu destaco power trios, um quarteto e um projeto solo de diferentes estilos enquanto fazemos uma viagem que vai do interior de São Paulo ao Canadá passando por sons progressivos, agressivos, psicodélicos e muito mais!

Tamarindo
Eu nem tinha escutado a segunda música do trabalho ‘Lado B’ e já havia me apaixonado pelo seu título, ‘Eu Sempre Gostei Mais do Lado B’. A banda de Santa Cruz do Sul/RS inadvertidamente ou não fez uma homenagem a todos aqueles amantes inquietos da música que não se contentam em ouvir apenas o que todos estão ouvindo, apenas o que é fácil de se escutar. É realmente um prazer descobrir uma banda que poucos conhecem, ir curtindo faixa após faixa e entendendo a proposta dos músicos, suas qualidades e suas escolhas. Espero que você curta a sonoridade desse power trio o tanto quanto eu e se apaixone pela reverberação de seus instrumentos e pela voz cativante da vocalista.

Spidrax
De um power trio de grunge vamos para um power trio de horror punk! Com uma pegada que remete àquele Misfits de começo de carreira, os paulistanos do Spidrax são mais um exemplo da variada gama de estilos e vertentes do rock atuantes em São Paulo. Vocais meticulosos e precisos, guitarra furiosa, bateria pesada e letras (em português!) fieis à sua temática são as marcas principais dessa banda. Não poderia ser diferente com influências como “Motorhead, Misfits, Samhain, Danzig, Black Sabbath, entre outras desgraceiras” como diz o facebook do grupo! Se você curte um som mais veloz e pesado, não deixe de escutar o EP recém lançado do Spidrax!

Dead Parrot
Se enganou quem acha que é só na capital de São Paulo que tem banda boa: natural de Barão Geraldo/SP, o quarteto Dead Parrot não se limita a gêneros específicos e traz influências de diversas bandas como Rush, Cream, Pink Floyd, Doors, QOTSA, Jeff Buckley entre outros nomes de peso! Isso se reflete em uma sonoridade progressiva e experimentadora sem se deixar levar por devaneios musicais muito longos. A mistura equilibrada de classic, stoner, hard e prog do Dead Parrot pode ser conferida no EP homônimo:

Walfredo em Busca da Simbiose
O projeto solo do compositor e produtor musical Lou Alves lançado há pouco mais de um mês é uma daquelas pérolas escondidas nas ondas internéticas. Longe da pretensão e aspirações que muitas vezes acometem alguns artistas, é no campo privativo e introspectivo desse tipo de projeto pessoal que nascem obras fáceis de escutar e se identificar. As letras das músicas que formam o EP tratam de sonhos, viagens, desejos e pedidos tão particulares e ao mesmo tempo comuns a qualquer pessoa que acaba se tornando muito fácil se deixar levar do rock ao folk psicodélico e sair em busca do quer que seja a “simbiose” de quem escuta.

White Lung
Eu espero que vocês já conheçam o White Lung. Só estou falando deles aqui pois é uma daquelas bandas que eu quero que literalmente todo o mundo conheça. Dito isto, o quarto álbum desse trio canadense de punk rock é o meu álbum gringo favorito do ano passado, ele está no pen drive do meu carro há meses e mesmo ouvindo direto eu ainda não enjoei. Não sei ao certo se é a voz poderosa e competente da vocalista, o trabalho primoroso e devastador do guitarrista ou talvez o mérito esteja no conjunto completo pois eu sou incapaz de pular uma só das dez faixas que formam o LP ‘Paradise’. Se você ainda não conhece, não precisa me agradecer, apenas escute o álbum e veja se eu tenho razão:

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RockALT #10 – Porcas Borboletas, Ween, O Terno e Pissed Jeans

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RockALT, por Jaison Sampedro

Eu admiro bandas que conseguem injetar humor em suas composições. É reconfortante ver bandas que não se levam a sério o tempo todo, ainda mais nesta época de redes sociais que a imagem é tudo. No rock o que mais se vê são bandas cheias de pose ou então de vocalistas que ficam bancando os sedutores e etc… Meu querido Alex Turner, quem o senhor pensa que é? Wando? Olha, falta muito raio, estrela e luar para o senhor chegar ao nível do nosso saudoso Wanderley Alves dos Reis. O humor é uma ferramenta poderosíssima para a crítica e a reflexão. Entretanto o humor pode ser descompromissado, isso não significa que ele precisa ser bobo, e sim espontâneo e original. Nesta coluna vou citar algumas bandas que fazem isso com maestria.

Porcas Borboletas
A primeira vez que escutei o sexteto de Uberlândia foi com a música “Tudo Que Tentei Falhou”. Com um título como este, é praticamente impossível não gostar da banda. O humor desta faixa é certeiro e confesso que vários itens citados na letra da música fazem parte da minha lista pessoal de fracassos. Mas o álbum “Porcas Borboletas” lançado em 2013 não se trata apenas de músicas engraçadas, a sexta faixa, “Only Life”, é um poema de Paulo Leminski musicado. E é neste momento que percebemos a complexidade do álbum que começa leve e aos poucos vai ficando mais denso e interessante, tanto nas letras como em sua musicalidade.

Ween
A criação dessa banda já começa com uma brincadeira: os falsos irmãos Gene and Dean Ween (alter ego de Aaron Freeman e Mickey Melchiondo) fundaram o Ween em 1984, mas só foram lançar o seu primeiro álbum em 1990 com “GodWeenSatan: The Oneness”. O meu primeiro contato com o banda foi com seu trabalho mais “acessível”, o sexto álbum chamado “The Mollusk”. Este disco é um pastiche musical dos anos 90, e a banda não perdoa nem a si mesma: em “Polka Dot Tail” fica claro que a música é uma referência satírica ao segundo álbum da dupla, o “The Pod”. Pra finalizar, o exemplo mais claro do escracho dos Ween é o título da décima primeira faixa do “The Mollusk”, a maravilhosa “Waving My Dick in the Wind”. Vale a pena conferir este belo trabalho! Lisérgico, cômico, pirado, despretensioso e inteligente. Ween, senhoras e senhores.

O Terno
Lá na introdução da coluna eu disse que tem um monte de banda que é cheia de pose. Esse não é o caso dos paulistanos d’O Terno. A não ser que você considere bom humor como um dos passos de bancar pose. O álbum “66”, primeiro do grupo de SP, tem ao mesmo tempo uma certa musicalidade sessentista e contemporânea, e o mesmo pode-se dizer da faixa título. A minha faixa favorita é “Zé, Assassino Compulsivo”. Esta música conta a história de um psicopata desde sua infância até o momento que se apaixona por outra psicopata. Juntos eles cometem vários assassinatos ao som do descontraído refrão “laralarala tchop tchop tchop tchop / como gostamos de matar / nada nos deixa mais contentes / e felizes a saltitar”. Brilhante!

Pissed Jeans
Tenho alguns amigos que iriam se sentir contemplados com a tradução direta do nome dessa banda, principalmente aqueles que bebem até cair. Nem sempre o humor é engraçadinho e divertido. Dito isto, não se deixe enganar pela brutalidade sonora do Pissed Jeans. Em seu mais recente álbum, “Why Love Now” lançado em fevereiro deste ano, o grupo americano de Allentown na Pennsylvania, faz uma crítica pesada à personificação do macho alpha e ridiculariza seus comportamentos machistas. A cereja do bolo está na sexta faixa do disco, em “I’m a Man” o grupo resolveu colocar a escritora Lindsay Hunter para fazer um monólogo musicado ridicularizando pérolas machistas comumente faladas no ambiente de trabalho. Embora o grupo tenha uma sonoridade punk dos anos 80, sua formação aconteceu no ano de 2005 e todos os seus cinco álbuns foram lançados pelo lendário selo da Sub Pop. Pissed Jeans é a representação perfeita de um humor ácido e bruto. E bota bruto nisso.

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RockALT #9 – Devilish, Color For Shane, O Grande Ogro e Clearance

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RockALT, por Helder Sampedro

Devilish
Eu adoro a expressão “abrir com o pé na porta” e quase nunca perco a chance de usá-la, na coluna de hoje não será diferente. O Devilish foi a atração surpresa que abriu o RockALT Fest que rolou no último domingo e os caras realmente causaram em sua apresentação. Formado por uma dupla de talento indubitável, Paulo Ratkiewicz (guitarra e voz) e Éder Chapolla (bateria) a dupla conta atualmente com um reforço de peso no baixo, ninguém menos que Caique Fermentão, vocal e guitarra do Corona Kings. Tudo na banda, desde o nome, imagem, postura e obviamente o som evoca algo primordial, maligno e impiedoso. Algo que a banda apropriadamente chama de Rock ‘n’ Hell. Realmente uma grata surpresa para mim e para todos que estavam presentes no show. Se você perdeu, não se preocupe, primeiro EP deles sai daqui dois dias. Fique com o excelente clipe de ‘The Wolf Has Willed It’.

Color For Shane
Gosto muito do vocal distorcido e carismático do Color For Shane, me lembra um pouco de The Vines e um pouco de Sex Pistols, algo que por si só já valeria a pena ouvir. O duo formado no ABC paulista em 2007 por Rafael Pires (guitarra e voz) e Henrique Gonzalez (bateria) lançou no início deste ano seu terceiro LP ‘Not An Embryo’ que solidifica a carreira da banda e apresenta um garage rock lo-fi de respeito que mistura barulheira com melodia de forma maestral. É sempre um prazer ver bandas formadas na década passada continuarem na ativa, sem desanimar e lançando trabalhos de qualidade, só quem vive essa cena sabe como é difícil seguir em frente mesmo quando tudo está contra você. Ouça o excelente terceiro LP da dupla paulistana aqui:

O Grande Ogro
É muito raro encontrar uma banda como O Grande Ogro hoje em dia. A banda consiste apenas em guitarra, baixo e bateria. Particularmente sempre gostei de bandas assim, sem vocal, elas nos dão a chance de colocar nossos próprios sentimentos nas músicas, nos apropriando delas conforme nosso âmago deseja. O som deles é uma como uma metamorfose metálica, uma sinfonia caótica que poderia ser a trilha sonora constante de uma cidade como São Paulo, por exemplo. Mas não se assuste com essa definição, há algo particularmente interessante em ouvir músicas assim, há um certo prazer no estranhamento, na confusão e na surpresa que nossos ouvidos têm quando escutamos algo tão original, imprevisível e sem amarras. Dê uma chance ao som dos caras e descubra o que você sente enquanto ouve.

Clearance
Mais uma vez indico aqui na coluna uma banda que o meu colega Allan Aguiar, criador do Wake The Dead Festival, me apresentou. Eu adoro quando amigos me indicam bandas, principalmente aqueles que manjam tanto de música quanto o Allan. Ao ouvir o som deste grupo de Chicago é impossível não pensar no Pavement, o cantar “falado” do vocalista e as músicas relaxadas que combinam com uma tarde preguiçosa, o álbum de 2015 é um deleite que vai agradar a qualquer pessoa que quiser ouvir. Se você gostou do som deles, está com sorte pois banda deve lançar o segundo LP em 2017 com direito a shows em São Paulo e Goiânia agora em maio!

Falando em show, se você é do Rio de Janeiro não perca o Wake The Dead Festival que rola em Magé neste sábado (15/04). Mais informações aqui no evento. https://www.facebook.com/events/642105552627939/

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RockALT #8 – Radkey, Sheer Mag, Dag Nasty e Senseless Things

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RockALT, por Jaison Sampedro

Esta quinta-feira o RockALT vai lançar o seu centésimo programa! Mas antes de falar das bandas que conheci durante as pesquisas para os 100 episódios produzidos, preciso confessar que sou um indivíduo que teve uma introdução tardia ao rock alternativo. Quando tinha lá os meus 15 pra 16 anos eu escutava pouca música, e quando escutava era heavy metal. Isso mudou depois que eu comecei a frequentar a Rua Augusta, por volta dos 25 anos, mais outro quesito que iniciei de maneira tardia. Acho que foi por isso que eu resolvi fazer esse programa, essa foi a maneira que eu encontrei pra tentar compensar o tempo perdido. Confesso que escutei muita coisa nesses dois anos de programa, e por isso quero aproveitar essa coluna para falar de bandas que me marcaram e não saem do meu celular e playlists por aí.

Radkey
Vamos começar com Radkey, que é uma banda de punk formada por três irmãos, Isaiah Radke (baixo), Solomon Radke (bateria) e Dee Radke (vocalista e guitarrista), que formaram o seu trio com o título da família em 2010 e tocaram o seu primeiro show em 2011 quando abriram para o grupo californiano de ska Fishbone. Depois de lançar um par de EPs bem recebidos pelo público e pela crítica em 2013, o grupo travou uma batalha vigorosa para permanecer em turnê, já que os irmãos ainda estão em idade escolar e estudam no ônibus ou em quartos de hotel entre um show e outro. Turnê concluída e o trio de St. Joseph, Missouri, dirigiu-se ao estúdio e começou a trabalhar em seu novo álbum com o produtor Ross Orton (Arctic Monkeys, The Fall, Jarvis Cocker). O resultado foi o “Delicious Rock Noise”, que foi originalmente lançado em 2015 como “Dark Black Makeup”, é uma explosão da velha escola de Punk com uma dose tripla de juventude, que é entregue com agressividade e estilo.

Sheer Mag
Sheer Mag é uma banda de rock da Filadélfia formada em 2014, com Tina Halladay nos vocais, Kyle Seely e Matt Palmer nas guitarras, Hart Seely no baixo e Ian Dykstra na bateria. O grupo apresenta uma combinação de punk com rock dos anos 70. Confesso que a primeira vez que eu escutei me apaixonei imediatamente. Ao longo dos últimos três anos, o Sheer Mag lançou 3 EPs, e no começo de 2017 a banda anunciou o lançamento de uma compilação com todos os seus trabalhos. Também é interessante falar do método usado para a gravação dos EPs, todos foram gravados usando a mesma máquina de fita vintage, a banda leva muito a sério a parada do faça você mesmo! O Sheer Mag vai entrar em turnê pela Europa e Reino Unido este ano com a promessa de um disco de músicas inéditas para os meados de 2017, e eu espero que isso aconteça. Faça um favor a você mesmo e escute essa banda.

Dag Nasty
Vou repetir o mantra dessa coluna, “meu conhecimento musical é tardio”. Demorei pra cacete pra escutar Dag Nasty. A banda do cenário hardcore de Washington, D.C. fez parte do panteão da Dischord Records e foi formada por Brian Baker, ex-guitarrista do Minor Threat, o baterista Colin Sears e o baixista Roger Marbury, com Shawn Brown nos vocais. Conheci a banda em uma pesquisa para um especial punk do RockALT, graças a uma coletânea de 20 anos da Dischord. A primeira música que escutei foi “Circles” do álbum clássico “Can I Say” de 1986, e quando cheguei na faixa “Under You Influence” eu me odiei amargamente por não ter escutado esses caras quando tinha uns 15 anos de idade. O único consolo que eu tenho é que graças ao “meu conhecimento musical tardio” é que pude criar o RockALT, com certeza eu me odiaria ainda mais se nunca tivesse escutado Dag Nasty.

Senseless Things
Às vezes na vida uma coisa leva a outra. Você escuta uma banda, curte uma música, descobre que essa música é cover e por fim você corre atrás da versão original. Foi exatamente assim com os londrinos do Senseless Things. A primeira vez que escutei uma obra desses caras foi através de um álbum, o “Here, I Made This For You Vol.1” do Beach Slang (aliás, banda também recomendadíssima) em outra produção para o RockALT. Travei uma batalha monstruosa para baixar o álbum (me desculpe, Spotify, mas eu ainda gosto de baixar as músicas para escutá-las no conforto da minha casa ou na minha sofrida locomoção pelo transporte público de São Paulo). Depois do trabalho hercúleo, consegui baixar o “Postcard C.V” de 1989 e o “Empire Of The Senseless” de 1993. Infelizmente no perfil do Spotify da banda consta apenas um álbum de compilações e isso é uma pena, o Senseless Things é uma banda de indie que merecia um pouco de atenção. Mancada, Spotify, mancada!

Espero que tenham gostado da coluna de hoje, só lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais:
https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT o nosso centésimo programa vai ao ar quinta-feira dia 06/04 às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 99 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

Coluna RockALT #7 – Chuva Negra, Ataque Fatal, Toma!, Beach Slang e Corona Kings

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RockALT, por Helder Sampedro

Mais uma semana, mais uma Coluna RockALT! Separei bandas um pouco mais pesadas dessa vez além de uma das minhas bandas favoritas dos últimos anos.

Chuva Negra

Escolhi o Chuva Negra pra abrir a coluna dessa semana com o pé na porta. E é assim que o quinteto de punk rock paulistano tem se apresentado, sem frescura e sem firula, as letras batem forte e tratam de problemas bem comuns a todo jovem que cresce em uma sociedade na qual não se sente completamente incluído. Musicalmente eu aprecio bastante o vocal rasgado, puxando pro hardcore, sem perder a conexão com o ouvinte. A influência punk também marca o instrumental, musicas rápidas, energéticas e curtas, com apenas dois minutos em média. A banda tem se apresentado bastante recentemente mas não tem lançado muita coisa, o último LP é de 2014. Fica aqui nossa torcida para que lancem um novo trabalho em breve.

Ataque Fatal

Falando em punk, eu não podia deixar de falar da banda Ataque Fatal. Atualmente formada apenas por Jhonny Magi nos vocais e guitarra e pelo baterista Victor Hugo, sem baixista porque segundo o próprio Jhonny os baixistas sempre o deixam na mão. A banda toca punk de verdade, sujo, direto com letras ácidas, ofensivas e contra o status quo. Em tempos que até a música sofre com falta de atitude ou falta de autenticidade, ver um cara como o Jhonny com seu festival totalmente independente – A Voz do Underground – é um verdadeiro alívio aos amantes da música independente e do espírito do faça-você-mesmo. Deixo um belo exemplo da banda aqui embaixo enquanto não chega o álbum prometido pra esse ano.

Toma!

Depois de anos longe dos holofotes, os gêneros melódicos (ou Emo, se preferir) parecem estar ganhando atenção novamente. A banda Toma! de Santa Cruz do Sul/RS é um exemplo interessante deste movimento. Formada em 2005, o auge da cena emo, o quinteto de hardcore melódico lançou seu primeiro álbum com músicas escritas ao longo dos seus mais de 10 anos de carreira e voltou em 2017 com o EP ‘Melhor Assim’ que mostra que o gênero ainda tem espaço na cena independente. Se você ficou com saudades desse estilo ou era muito novo na época, o EP é uma excelente pedida.

Beach Slang

O Beach Slang é uma daquelas bandas que eu gostaria que o mundo todo conhecesse. Tenho certeza que a sociedade seria muito melhor se esse quarteto da Filadélfia fosse tão famoso quanto os Beatles ou Stones. Dotado de uma energia juvenil somada à vivencia e visão de mundo do quarentão vocalista/guitarrista/liricista James Alex certamente é um dos destaques da banda. O som energético com pegada punk sem medo de ter momentos mais melódicos é contagiante e faz você querer virar a noite cercado de amigos e amores como se tivesse vinte e poucos anos novamente. E cuidado pra não querer tatuar trechos poéticos das letras, já aviso que faltaria espaço no seu corpo!

Corona Kings

Os garotos de Maringá tem tudo pra se tornarem estrelas da cena alternativa e já conquistaram um número considerável de fãs dedicados mesmo com pouco tempo de estrada. A banda formada em 2012 já foi selecionada para participar de projetos musicais patrocinados por marcas como Levi’s e Jägermeister. Atualmente gravam seu terceiro LP e tendo ouvido uma música desse novo álbum, garanto a vocês que vem coisa muito boa por aí. Com uma mistura de garage rock, punk e até metal a banda mostra sua versatilidade, qualidade e evolução musical. Se você acha que a cena independente só tem banda tranquilinha, meu amigo, você ainda tem que ouvir Corona Kings! A oportunidade perfeita para vê-los ao vivo é a nossa RockALT Fest, dia 09/04!

Lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais: https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

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RockALT #6 – Mudhill, Moonlandingz, Diet Cig, The Real McKenzies e Cloud Nothings

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RockALT

RockALT, por Jaison Sampedro

Em julho deste ano eu faço 33 anos. Nasci no dia 10 de julho de 1984, isso significa que passei parte da minha adolescência nos anos 90. Assim como todo jovem daquela época eu passava parte do meu dia na frente da TV, e havia um canal que provocou uma forte influência na minha vida: a MTV. Quem não se lembra de Fabio Massari, Gastão Moreira, Luiz Thunderbird, entre tantos outros? Esses VJs faziam qualquer moleque morrer de inveja de tanta gente legal que esse povo da MTV conhecia e entrevistava. Fora isso tinha os clipes, algo que se você que está lendo essa coluna nasceu depois dos anos 2000 não vai entender a importância que um videoclipe de uma banda tinha. Nos anos 90 até o programa dominical da Globo, o Fantástico, dedicava um espaço de seu conteúdo para a divulgação de clipes de artistas como Madonna e Michael Jackson. Mas tudo isso mudou depois que uma ferramenta chamada Youtube apareceu na internet. No dia 30 de setembro de 2013 a MTV Brasil saiu do ar e o resto é história. Mas isso não significa que os videoclipes de banda perderam a força: hoje eles ainda são uma forma vital das bandas divulgarem o seu conteúdo e se comunicarem com o seu público. Por isso, a coluna do RockALT de hoje resolveu selecionar 5 videoclipes lançados recentemente de bandas nacionais e internacionais. Confira a nosso lista:

Mudhill – “Expectations”

A banda que tem uma extensa experiência no cenário underground, o vocalista e guitarrista Zeek Underwood fundou e liderou o Shed, participou do Ludovic, Single Parents e Fire Driven. O baixista Ali Zaher Jr já passou pelo Eletrofan e Reffer. E por último, o baterista Rodrigo Montorso foi membro do Smalls. O Mudhill tem gravado dois EPs, um Split e um álbum lançado em 2016, o “Expectations”, que aliás é o nome da musica do clipe lançado essa semana no Youtube, confira abaixo:

Moonlandingz“The Strange Of Anna”

É uma banda, é uma brincadeira, é um conceito? Há algo muito meta sobre o Moonlandingz, um grupo que começou a vida como uma construção ficcional. O grupo foi idealizado pelo Eccentronic Research Council, é liderado por dois integrantes da Fat White Family, e obcecado por um vídeo da atriz Maxine Peake – agora os Moonlandingz estão tocando como uma banda real e lançaram um clipe excelente com a participação de Rebecca Lucy Taylor do Slow Club. Se continuar nessa pegada a brincadeira pode ter vida longa.

Diet Cig“Tummy Ache”

Dupla pop-punk foi formada em Nova York no ano de 2015 pela guitarrista e vocalista Alex Luciano e o baterista Noah Bowman. Seu primeiro EP, “Over Easy”, foi lançado em fevereiro de 2015. O clipe “Tummy Ache” é o single escolhido para a divulgação do seu álbum de estréia “Swear I’m Good At This” que será lançado no dia 7 de abril.

The Real McKenzies“Seafarers”

Nem só de Dropkick Murphys vive a cena que mistura punk rock com música tradicional escocesa, aliás o grupo canadense The Real McKenzies está na estrada desde 1992 e o seu trabalho mais recente “Two Devils Will Talk” foi lançado no dia 3 de março marcando os 25 anos de existência da banda que se manteve ativa graças a Fat Wreck Chords selo de Fat Mike líder da banda NOFX. Confira abaixo o clipe da música “Seafarers”.

Cloud Nothings“Internal World”

Essa daqui é uma das bandas que eu mais gosto no cenário alternativo internacional. O grupo de Cleveland, Ohio começou sua carreira com um estilo mais lo-fi/noise rock com o seu primeiro álbum, o homônimo “Cloud Nothings” de 2011. Já o seu mais recente trabalho “Life Without Sound” lançado em janeiro de 2017, mostra que o grupo está no caminho de um indie rock mais contemplativo. Mesmo com essa mudança de estilo que a banda vem mostrando gradativamente a cada disco lançado eu digo sem dúvidas, o ano de 2017 começou muito bem!

Lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais: https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

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RockALT #5 – Terno Rei, Monza, Minus The Bear, BRVNKS e The Hexx

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RockALT, por Helder Sampedro

A coluna de hoje está bem mais tranquila do que as das últimas semanas. O bacana do rock alternativo é que você tem uma gama enorme de vertentes e subgêneros para apreciar sem precisar sair de debaixo do grande guarda-chuva do rock. Seguem as minhas singelas sugestões de bandas que não curtem tocar no volume máximo.

Terno Rei
Pegue um dia que você está com preguiça de sair de casa, coloque Terno Rei pra tocar e deite no chão do seu quarto ou coisa parecida, tenho certeza que você vai entrar numa viagem de pensamentos e sentimentos que vai te levar pra bem longe dessa vida repetitiva e monótona que a maioria de nós leva. Os paulistanos do Terno Rei tem essa capacidade implacável de nos colocar em contato com o que está no nosso inconsciente. É impossível não se deixar levar pela melodia contagiante da banda.

Monza
Como ficar de mau humor depois de assistir ao clipe de ‘baixo astral’ da banda Monza? Mais uma prova de que clipes geniais não precisam de altos orçamentos. O quarteto de São Paulo nem parece ter nascido em uma cidade grande e cinza, a sonoridade da banda evoca muito mais um clima de praia ensolarada ou de uma longa e tranquila estrada. Quem me deu a dica dessa banda foi a Joyce do Cansei do Mainstream, se você curtiu Monza, fique ligado no blog dela pra conhecer muitas mais!

Minus The Bear
Saindo um pouco da mesmice das minhas indicações aqui na coluna, o Minus The Bear tem mais de 15 anos de estrada. A banda formada em Seattle, EUA tem um repertório muito variado que começou com experimentações avant-garde e progressivamente foi ficando mais rico e sofisticado. Seus 6 álbuns de estúdio são um deleite pra quem curte descobrir bandas novas e apreciar o processo de amadurecimento de um artista. Seu trabalho mais recente ‘Voids’ foi lançado no início do mês.

BRVNKS
Você já deve ter ouvido o som da BRVNKS (ou Bruna, para os íntimos), mas mesmo assim eu quis indicar aqui. O som da banda goiana recém chegada a São Paulo une a doçura da voz da vocalista e suas letras confessionais com um som que seria a trilha sonora perfeita pra um fim de semana ensolarado ao ar livre. São apenas quatro músicas, mas você não vai conseguir tirar o EP do repeat.

The Hexx
O EP lançado há um ano pela banda paulistana de Indie rock, The Hexx, mostra porque a banda merece destaque mesmo em uma cena tão efervescente quanto a atual. As quatro músicas apresentam uma banda coesa e harmoniosa mas ainda assim podemos sentir um baixo de presença forte e os vocais de melodias cativantes. A banda promete mais um EP ainda para o primeiro semestre, quem sabe eles não toquem algumas novidades no show que farão no RockALT dia 09/04? Esperamos que sim!

Se você curtiu essa coluna, fica aqui o convite para nossa festa. E não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br ou no perfil do Mixcloud: https://www.mixcloud.com/rockalt/

RockALT #4 – BBGG, Moxine, Letty and The Goos, Winteryard e X-Ray Spex

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RockALT, por Jaison Sampedro

Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e a coluna do RockALT gostaria de homenagear e demonstrar todo o nosso respeito por esta data tão importante. Poderíamos citar inúmeras mulheres que pavimentaram o cenário musical e conquistaram um espaço merecido no panteão do rock como Patti Smith, Debbie Harry, Kim Gordon, Kathleen Hanna, Joan Jett, entre outras. Vou fazer um pouco diferente: na coluna de hoje eu vou falar de uma grande mulher que merece ser lembrada e também gostaria de apresentar algumas bandas recentes compostas ou lideradas por mulheres que estão carregando a tocha que foi acesa por essas grandes lendas citadas acima. Então vamos lá!

BBGG
Eu gostaria de começar as minhas recomendações com uma banda já mencionada aqui no blog Crush em Hi-Fi, BBGG é uma mistura de riot grrrl com grunge e um estilo vocal que me lembrou um pouco as britânicas do Girlschool. O grupo formado por Ale Labelle (voz e guitarra), Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (baixo) e Mairena (bateria) já tem 4 singles lançados e um cover de “Comida” dos Titãs lançado para a coletânea “O Pulso Ainda Pulsa”. BBGG me conquistou logo de cara e espero que a banda lance um álbum logo porque esse singles me deixaram com um gosto de quero mais.

Moxine
Mesmo tendo feito carreira e tocado um bom tempo em uma banda de reggae, Mônica Agena, ex-guitarrista do Natiruts, se juntou com Fabiana Lugli e formou o Moxine. Mônica aprendeu a tocar guitarra com Iron Maiden e Black Sabbath, e em seus trabalhos mais recentes pode-se perceber a incorporação de estilos variados como MPB, dub e até Motown. No ano passado a banda lançou o single “Marlon” com a participação de Marietta e tem um som bem dançante, diferente do álbum “Hot December” de 2013, que é puxado um pouco mais pro rock e indie. Moxine é uma grande banda e o talento de Mônica Agena é indiscutível, se você não conhece a banda, fica aí a nossa dica ;).

Letty and The Goos
Banda que já teve passagens recentes pelo RockALT e também no Crush em Hi-Fi, Letty começou sua carreira musical sozinha lançando vários covers de Beatles, Lou Reed e até Fugazi em sua página do Soundcloud. Agora Letty conta com Lívia Tellini (bateria) e Arian Nogueira (guitarra) formando o trio Letty and The Goos. Essa semana eles lançaram o single “No One Else” no Spotify, o trabalho foi gravado pela Dinamite Records. Gostei do single, gostei da forma que a música trabalha o vocal delicado com uma guitarra e bateria cheia de atitude, é mais uma banda pra ficar na expectativa e aguardar mais singles e espero em breve um EP ou álbum.

Winteryard
Até agora falamos de bandas inspiradas na atitude punk e movimento Riot Grrrl, mas também queremos falar de bandas que expressam o lado mais delicado, sensível e sincero das mulheres. E uma dessas bandas é o trio Winteryard, formado por Priscila Castro (Guitarras/Vocal), Rafael Fumagali (Bateria) e Brunella Martina (Baixo). A primeira vez que escutei o EP “Endless Winter”, especialmente a música “Gray Skies”, foi um completo e total deleite, a voz suave e os acordes minimalistas me cativaram instantaneamente e me fez lembrar um pouco dos trabalhos de PJ Harvey e Sharon Van Etten. Assim que eu terminei de escutar o EP a primeira coisa que fiz foi mandar uma mensagem para o meu irmão dizendo “Mano, escuta esse som aqui. Que coisa mais linda”. Sugiro a você, querido leitor, fazer a mesma coisa: escute o EP e mande uma mensagem para um amigo dizendo como o som de Winteryard é lindo.

X-Ray Spex
Como eu disse no começo da coluna, hoje quero homenagear e lembrar de uma grande mulher que sem sombra de dúvidas foi um grande ícone feminino na música. Me refiro a Marianne Elliot-Said, mais conhecida como Poly Styrene. A líder do X-Ray Spex foi um dos primeiros ícones femininos do punk, cujo estilo pouco ortodoxo ainda infeccioso foi altamente influente. Poly Styrene formou sua banda depois de assistir a um show do Sex Pistols em Hastings Pier no seu aniversário de 18 anos. A banda se tornou conhecida por seus vocais crus e gritos de mobilização energética contra o consumismo e a destruição ambiental. Ao escutar “Oh Bondage Up Yours!” é possível até afirmar que ela foi Riot Grrrl muito antes da criação do movimento. O X-Ray Spex teve curta duração e Poly seguiu carreira solo com “Translucence” em 1980. Seu último trabalho foi “Generation Indigo” em março de 2011, com Poly falecendo um mês depois do lançamento devido a um câncer na coluna. Poly Styrene e o X-Ray Spex marcaram uma geração e sem dúvida o grito de liberdade contra o sexismo. A atitude e coragem de Poly marcaram presença em um estilo musical formado, em sua maioria, por homens e influenciou muitas mulheres a seguirem o mesmo caminho.

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RockALT #3 – Facas Voadoras, Old Books Room, gorduratrans, Zebra Zebra e Walverdes

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RockALT 3

RockALT, por Helder Sampedro

Facas Voadoras
Com o visual inspirado em filmes de terror dos anos 50 e filmes B dos 70, o trio de Campo Grande, Mato Grosso do Sul criou um som energético que mistura a classe de Johnny Cash e a velocidade do Motörhead. Letra e música que abordam temas comuns em uma noitada com os amigos e combinam perfeitamente com a animação que esse cenário proporciona. Mais uma prova da qualidade e variedade que a cena nacional proporciona para aqueles que estão interessados em descobrir. Destaque para o recém lançado clipe de ‘Creatures in the Night’.

Old Books Room
Coloque amigos para escutar algumas músicas do Old Books Room, agora pergunte a eles de onde eles acham que a banda veio. Aposte o que você quiser pois ninguém vai imaginar que eles são de Fortaleza, Ceará! A banda tem um som altamente cativante e que se equipara a grandes nomes do rock alternativo mundial. Podiam ser de Chicago, Berlim, Nova Iorque, Canadá ou de onde mais você possa imaginar, mas são aqui de casa e você está perdendo tempo se ainda não ouviu o álbum ‘Songs About Days’.

gorduratrans
Mais uma banda que desafia sua posição geográfica. Se não fossem as letras em português seria fácil imaginar que a banda vem de algum canto frio e cinza mundo a fora. A dupla carioca lançou o excelente EP ‘repertório infindável de dolorosas piadas’ e mostra um noise/shoegaze que te prende desde o primeiro acorde, seja pela sonoridade viciante ou pelas inspiradas letras fáceis de se identificar se você é fã do gênero. Aguardo ansioso o retorno dos garotos fluminenses enquanto ouço o EP pela enésima vez.

Zebra Zebra
Como é bom ouvir rock de qualidade em português! O Zebra Zebra manda muito bem nas letras de suas músicas sempre com partes iguais de sarcasmo, bom humor e agressividade. O som da banda é difícil de rotular, rock alternativo com uma mistura de punk, pitadas de pop rock e talvez até MPB! Destaquei o single ‘Regra, Sermão e Temaki’ que além de um ótimo nome é uma boa prévia do que é a banda, recomendo também o EP ‘Agora é Que São Elas’.

Walverdes
Muito mais do que apenas uma banda de “rock gaúcho”, os experientes Walverdes não se preocuparam com barreira geográficas ou de estilo em seus quase 25 anos de estrada. A banda já lançou muitos LPs, fitas cassette (sim, o bom e velho K7), e ano passado o excelente EP ‘Repuxo’ que tem ocupado as caixas de som do meu velho notebook nas últimas semanas. As influências da banda são muitas e vão desde Nirvana a Bob Marley passando por The Who e Stooges, separei o clipe mais recente da banda, ‘É Muita Gente’ para vocês curtirem.

RockALT #2 – Lo-Fi, Miami Tiger, Stvz, The Replacements e Wipers

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RockALT #2

RockALT, por Jaison Sampedro

Esta semana o RockALT faz dois anos. Por causa deste fato e a necessidade de escrever uma coluna para o blog do Crush em Hi Fi, passei horas conferindo a seleção de musicas que toquei nos programa anteriores pensando quais musicas eu poderia recomendar. Assim como na coluna da semana passada, selecionei algumas bandas do cenário alternativo nacional pra apresentar, mas também resolvi separar duas bandas antigas que talvez você conheça e saiba que elas influenciaram muito um certo individuo chamado Kurt Cobain.

Lo-Fi
Sem dúvida essa é uma das bandas mais pesadas que já tocamos no RockALT, punk-rock hardcore de primeira, feroz, sujo e rápido. O trio de São José dos Campos foi formado em 2008 por Rogério (baixo), Thiago (guitarra e voz) e Marcelo (bateria) já tem um trabalho extenso e recentemente lançaram o EP “With Doubts on the Ways of God” e tem uma duração menor do que quatro minutos. Feroz, sujo e rápido levado ao pé da letra.

Miami Tiger
Ano passado a banda de São Paulo, Miami Tiger lançou seu primeiro EP “Amblose”, nós já tocamos musica “Meu Lugar” no programa 92. Gostei bastante das cinco músicas, a voz suave da vocalista Carox demostra ao mesmo tempo atitude e firmeza nas letras cheias de empoderamento. O grupo ainda conta com Pha Bemol (guitarra), Henrique Almeida (guitarra), André Oliveira (baixo), Franco Milane (bateria) e ainda teve a participação de Rodrigo Lima do Dead Fish na ultima faixa “Ali”.

Stvz
Enquanto fazia uma pesquisa pelo bandcamp procurando por musicas novas, trombei com Stvz, um som instrumental com uma pegada meio grunge meio indie. Não dá pra dizer muito sobre o “pequenas tragédias” porque até o presente momento só há uma musica disponível para escutar, a faixa “mad lex sed lex” me impressionou bastante. Vamos ver se o resto do álbum será nesse mesmo caminho, até porque os álbuns anteriores tinham uma pegada mais eletrônica. “Pequenas Tragédias” foi lançado dia 21 de fevereiro.

The Replacements
Uma das bandas antigas que selecionei é The Replacements, com certeza você os conhece pelos hits “Bastards of Young” e “Unsatisfied”, mas eu lhes asseguro, a banda é muito mais do que isso. Além de todo o mito do grupo de Minnesota, a história de sucesso que poderia ter e não teve, as inúmeras bandas que influenciou, essa é uma daquelas bandas dos anos 80 e que não parece ser dessa época. Dos quatro álbuns produzidos pela banda, sem dúvida, o melhor é “Let It Be” de 1984, por isso a música que vou selecionar é a segunda faixa, “Favorite Thing”. E sim, essa é minha musica favorita do disco (perdão pelo trocadilho)!

Wipers
Se você curte o cenário musical de Seattle, então fique sabendo que esse movimento musical dos anos 90 deve muito ao Wipers, e sem dúvida eles são o link perdido entre The Sonics e Nirvana. O líder do grupo Greg Sage era mais velho do que a maioria dos punks quando formou a banda: em 1977 ele tinha 25 anos. Sage era fã de Jimi Hendrix e obviamente ele não possuía o virtuosismo do ídolo, mas carregava praticamente a mesma intensidade em seus shows e rejeitava a aura amadora do punk. Pode-se dizer que Wipers é punk e ao mesmo tempo não é, por ter sido formado em Portland e não em grandes centros musicais como Nova Iorque e Los Angeles. Greg Sage criou um som único e forjaram o seu próprio caminho. Recomendo muito os três primeiros álbuns, o primeiro “Is This Real” de 1980 é daqueles discos que você escuta de cabo a rabo e a minha faixa favorita é “Mistery”. Se você não conhece a banda pare agora mesmo pra escutar e se você já conhece, faça o mesmo.

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