RockALT #21 – Lilt, Magnólia, Rebel Jeans e Oceania

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RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna dessa semana vamos falar sobre alguns shows que vi recentemente e também de um que está para acontecer. Acredito que estamos chegando ao ponto ebulição de uma cena que há anos não se agitava tanto. Cada vez mais artistas independentes conquistam seu espaço e encontram seu público de uma forma que não víamos há décadas! As bandas abaixo são alguns dos exemplos desse movimento.

Lilt
Na última sexta-feira tive uma das mais gratas surpresas do ano. Fui conferir o show da banda Old Books Room que veio de Fortaleza para alguns shows aqui em São Paulo. Quem acompanha a coluna já deve conhecê-los. Além deles o show contava com os paulistas do Mudhill (que vocês também já deveriam conhecer) e, também de Fortaleza, a banda Lilt. Eu nunca havia ouvido nada da banda e estava curioso para vê-los ao vivo, porém o meu objetivo principal era ver pela primeira vez o show da Old Books Room, por já conhecer o som deles, e de quebra rever os camaradas do Mudhill e cantar junto em todas as músicas como bom fã que sou. Durante as apresentações, notei que haviam mais músicos de fora, também estavam presentes os integrantes da excelente Rocca Vegas, uma verdadeira excursão de Fortaleza em SP! É aí que está a grata surpresa, o show da Lilt foi arrebatador, a banda toca um rock instrumental que me fez parar e pensar “por que esses caras não são conhecidos internacionalmente?”. Sim, o som desse trio cearense é bom nesse nível! Saí de lá com um CD da Lilt na mão e como o mais novo fã de uma banda incrível. Se você curte um instrumental pesado porém repleto de surpresas, saindo dos instrumentos de músicos criativos e altamente competentes, não perca mais tempo e coloque Lilt pra tocar já!

Magnólia
Sábado, 22/07, nossos parceiros do selo Rockambole apresentam seu primeiro festival, o Rockambole on STAGE, com três bandas: Magnólia, Kilotones e Elektra. Aproveitando a ocasião, peguei pra ouvir os catarinenses do Magnólia, que lançarão seu novo single no show desse fim de semana. Não me decepcionei ao ouvir ‘Fragmento’, o primeiro álbum da banda, lançado em 2015. Pra quem (como eu) está acostumado a ouvir sempre o mesmo estilo musical é até um pouco difícil encaixar a banda em algum padrão ou gênero, o estilo da banda me soou muito original, em especial o vocal bem característico e cheio de personalidade. O instrumental da banda passeia do pop ao rock alternativo sem medo ou receio de abordar temas um tanto malquistos por roqueiros em geral, a banda não foge de temas mais emotivos em suas letras (todas em português). Recomendo que aqueles buscam conhecer uma banda que foge do lugar comum escutem Magnólia, e o convite se estende também aos shows que a banda faz nos próximos dias em São Paulo e Guarulhos!

Rebel Jeans
O bom de estar sempre em contato com diversas pessoas do cenário independente é que você sempre recebe dicas e indicações de bandas bacanas. Essa semana recebi o material da banda paulistana Rebel Jeans. Escutei o EP ‘Disconnectors’ lançado no mês passado, e me identifiquei imediatamente com o som da banda. Alguns artistas tem essa qualidade, você escuta e por mais que sabe que está escutando uma música pela primeira vez, parece já conhecer e ser fã do artista. O quarteto formado por baixo, bateria e duas guitarras concedem à banda um som repleto de camadas, mas essa profundidade não se converte necessariamente em peso, a banda tem melodias animadas e entusiasmantes, mesmo quando as letras tratam de sentimentos não tão animadores. Escute o rock animadão de Rebel Jeans em seu EP na playlist abaixo:

Oceania
Lembra da banda Diesel, que tocou no Rock In Rio 3 em 2001? Não? E da banda Udora? Talvez você se lembre da trajetória dessa banda que mudou de nome e de país em busca de um sonho que o tempo mostrou que já estava morto há um bom tempo. O líder da Diesel/Udora voltou à ativa recentemente depois de trilhar um caminho não muito agradável. Nos últimos 15 anos viu seu sonho se esvair diante de seus olhos e se viu obrigado a abandonar o desejo de viver de música. Mas o mundo dá voltas e com elas surge a banda Oceania. Com um objetivo bem mais fácil de se concretizar, a banda busca apenas botar seu som no mundo pra quem quiser ouvir, seja um estádio lotado, seja um pequeno bar em Belo Horizonte. E é de lá que vem os primeiros sons da banda que tem chamado a atenção do cenário independente e mostra que o tempo e a maturidade são grandes aliados de um músico em busca de tornar material a arte que tem dentro de si. Confira os primeiros trabalhos de Oceania, esperamos que sejam os primeiros de muitos! Todas as músicas estão reunidas no canal do vocalista Gustavo Drummond no youtube:

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RockALT #20 – Rua Augusta, Contramão Gig, In Venus e The Bombers

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RockALT, por Jaison Sampedro

Cada dia que passa a Rua Augusta está deixando de ser o que era, ou pelo menos, o que foi por 15 anos. Bares e botecos fecharam, puteiros fecharam, casas noturnas abriram, algumas mudaram de endereço e agora estão definitivamente fechando as portas.

A Rua Augusta não foi sempre uma rua de vida noturna. Nos anos sessenta e setenta foi uma rua movimentada e cheia de lojas, durante a noite era frequentada por jovens de classe média/alta que saiam a noite para exibir as suas carangas. Durante os anos oitenta e noventa o centro foi ficando cada vez mais vazio e abandonado, os shopping centers forçaram as lojas fecharem as suas portas ou mudarem de endereço. Os imóveis vazios e degradados viraram bordeis e bares. Somente no inicio dos anos 2000 que casas como Outs e Funhouse começaram a surgir na região, depois veio Inferno, Vegas, Milo e tantos outros que marcaram a noite e a cena independente. Inúmeras bandas de rock alternativo surgiram na Rua Augusta, ou pelo menos fizeram o seu nome lá, como Rock Rocket, Forgotten Boys, Faichecleres, Cachorro Grande, Vivendo do Ócio e tantas outras tocaram lá. Hoje já não é bem assim.

Graças a especulação imobiliária varias casas noturnas fecharam dando lugar para condomínios residenciais. O Outs continua na ativa, já a Funhouse fechará as suas portas no dia 29 de julho. Infelizmente a rua não proporciona mais casas noturnas que dão espaço para a cena alternativa e isso é uma pena porque eu vejo muitas bandas legais que deveriam ter mais visibilidade e não tem.

A Augusta foi um lugar especial pra mim durante os meus vinte e poucos anos. Conheci muita gente legal subindo e descendo a rua procurando o que fazer ou qual balada entrar. Pra ser sincero eu nunca fui muito fã de baladas, mas todo fim de semana eu batia ponto na “Augustinha”, adorava beber na rua, principalmente porque eu tinha um amigo que vendia cerveja por lá. E pra um muquirana como eu não existe nada melhor do que beber cerveja barato e conversar a noite inteira.

Sinceramente fico triste, não porque a rua está mudando, e sim porque na verdade quem mudou fui eu. Eu poderia passar o resto da minha vida reclamando, mas eu tenho muita sorte de fazer parte de um projeto que quer trazer a musica alternativa de volta pro Baixo Augusta. Os blogs Crush em Hi-Fi, Hits Perdidos, Cansei do Mainstream e o RockALT se juntaram para virar a pagina e criar um novo espaço para a musica alternativa.

Nesta quarta feira, a segunda edição do Contramão Gig vai trazer duas bandas sensacionais para o Bar da Avazera: In Venus e The Bombers. Os dois grupos, que estão com álbuns fresquinhos, com certeza farão um grande show e eu gostaria de convidar você meu caro leitor para comparecer hoje, dia 12 de julho, às 19h no Bar da Avareza, que fica na Rua Augusta, 591. Já pode ir se aquecendo escutando os dois álbuns na integra aqui embaixo:

In Venus“Ruína”

The Bombers“Embacing The Sun”

RockALT #19 – Dum Brothers, Molodoys, Mescalines e Jessica Worms

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RockALT, por Helder Sampedro

O objetivo da nossa coluna sempre foi o de indicar bandas e fomentar a cena independente brasileira, sendo assim, temos um convite que nós simplesmente não podíamos deixar de fazer, com muito orgulho apresentamos o Contramão Gig, uma festa que pretende levar a música alternativa de volta para um lugar do qual ela nunca deveria ter saído, a Rua Augusta. A festa vai ser nessa quarta-feira (05/07) e duas das quatro bandas que mencionaremos aqui farão shows na noite do dia 05/07 em São Paulo.

Contramão Gig Apresenta: Molodoys e Dum Brothers

Dum Brothers
Abrindo a noite de shows do primeiro Contramão Gig, a dupla Dum Brothers vai mostrar que não é preciso mais do que guitarra e bateria pra fazer um stoner rock cheio de presença e atitude! O duo não tem muito tempo de estrada mas já tem um EP e dois singles lançados que provam sua competência, além disso tocarão material que ainda será lançado em seu próximo trabalho. Separei para vocês a grudenta faixa que abre o EP, We Really Know’:

Molodoys
A segunda banda da noite, Molodoys, lançará seu primeiro clipe na noite da festa! Vamos conferir em primeira mão o clipe do single ‘Boitatá’ saído do álbum ‘Tropicaos’ lançado no ano passado. O quarteto paulistano mistura brasilidade com psicodelia e arrancou elogios até de uma lenda da música brasileira, Sérgio Dias do Os Mutantes. Entre na vibe lisérgica e aqueça para o show com a magia de ‘Boitatá’:

Mescalines
Ainda seguindo a linha da experimentação com prolongados riffs marcantes e um pouquinho de psicodelia, temos o duo instrumental Mescalines com suas viagens progressivas passando por influências que rompem barreiras desde o continente africano até a América Latina. Ouvindo seu excelente álbum homônimo, lançado ano passado, ainda é possível perceber a sutileza da dupla que rasga o globo com seus instrumentos que ora nos levam ao oriente, ora nos remetem ao som de sulistas estadunidenses. Confira essa verdadeira viagem musical começando com ‘Serpente de Bronze’:

Jessica Worms
Lembra de quando rock n roll era sinônimo de transgressão, festa, bagunça e inconformismo? A dupla de Caxias do Sul, Jessica Worms, com certeza se lembra! É possível sentir aquela pegada inconsequente e trasheira que lembra muito o auge de Raimundos e Beastie Boys (o início da carreira dos mesmos). O duo Gregory Debaco (voz e guitarra) e Lincoln Tomazzoni (bateria) nos enche de vontade de beber e arrumar confusão com seu EP ‘Rise’, então junte seus amigos, pegue umas cervejas e escute a faixa ‘Mais Festa’:

E não se esqueça, HOJE tem Dum Brothers e Molodoys no Bar da Avareza: www.facebook.com/events/1913703252209966/

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RockALT #18 – BBGG, Far From Alaska, gorduratrans e Sheer Mag

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RockALT, por Jaison Sampedro

Caros leitores do Crush em Hi-Fi, me perdoem mas essa semana me atolei de trabalho e tive pouco tempo para me dedicar a está querida coluna semanal. Porém, não é porque eu tive pouco tempo que eu deixei de pesquisar algumas coisas ali e acolá. Sábado passado foi Dia da Música e teve tanta atração legal que não deu nem pra contar nos dedos. Teve Ludovic, BRVNKS, Miêta, Macaco Bong, Sky Down e muitos outros. Nosso querido apresentador do RockALT, o queridíssimo Helder Sampedro quase perdeu a voz e mal consegui gravar o programa dessa semana. Mas vamos ao que interessa! Essa semana eu quero recomendar 4 bandas para vocês começando com:

BBGG
O grupo formado por Ale Labelle (voz e guitarra), Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (baixo) e Mairena (bateria), lançou um clipe novo na semana passada chamado “Caixa de Comentários” que foi dirigido pela própria banda. Por favor, não banque o cuzão e assista, preste atenção na letra você vai me entender.

Far From Alaska
O pessoal do Rio Grande do Norte está com a corda toda! Tocaram na edição francesa do Download Festival, gravaram o seu novo disco nos Estados Unidos e na semana passada mostraram um pouco do que está por vir com a musica “Cobra” do álbum “Unlikely” que será lançado provavelmente nos próximos meses.

gorduratrans
A cena autoral está passando por uma efervescência incrível. A prova disso é que a banda carioca de noise rock/shoegaze formada por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz) também lançou material semana passada. Ao escutar o álbum “paroxismos” eu fico pensando: como é que eu vou conseguir acompanhar tanta banda foda lançando disco quase que toda semana?

Sheer Mag
Acho que não é a primeira vez que eu falo dessa banda, mas não vá pensar que eu estou repetindo banda porque eu estou sem tempo. Não meu amigo, a razão de voltar a falar da querida banda punk da Filadélfia é que eles vão lançar o seu primeiro álbum no dia 14 de julho! E já tem duas musicas disponíveis pra ouvir no bandcamp do grupo, que são “Need to Feel Your Love” e “Just Can’t Get Enough”. Gosto demais dessa banda e mal vejo a hora de escutar esse disco na integra.

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RockALT #17 – Muff Burn Grace, Loyal Gun, Lava Divers e Ximbra

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RockALT

RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna de hoje vamos dar mais um giro pelo Brasil, conhecendo ou escutando novamente bandas do nosso cenário alternativo. Provando mais uma vez que vivemos uma renascença da música nacional, do shoegaze paulistano ao punk nordestino, separamos algumas indicações que mostram como o rock alternativo é versátil em nosso país.

Muff Burn Grace

Quem acompanha a cena musical independente no Brasil já deve saber de duas coisas: 1) Em São Paulo é possível encontrar bandas de qualquer gênero que você possa imaginar, e 2) Muff Burn Grace é uma puta banda. Claro que praticamente toda cidade brasileira tem sua cena underground e podemos encontrar os mais diversos estilos pelo Brasil, mas São Paulo acaba sendo o centro seja pelas bandas daqui, seja pelas bandas que aqui se instalam. Dito isto, não consigo pensar em um exemplo melhor de banda stoner setentista do que os paulistanos do Muff Burn Grace. Confesso que o álbum ‘Urbano’ lançado ano passado passou despercebido por mim e só o escutei este ano. O som garageiro, o vocal vibrante, os riffs contagiantes, não perdem em nada para discos mega produzidos de grandes nomes do rock alternativo gringo. Caso eu tivesse escutado esse álbum em 2016 certamente estaria na minha lista de melhores do ano.

Loyal Gun

Também de São Paulo, porém com uma sonoridade bem distinta, o Loyal Gun tem fortes influências de grandes bandas de shoegaze como Slowdive, Ride, My Bloody Valentine entre outras, bandas com pegada mais sentimental como Sunny Day Real Estate e Radiohead. No entanto, seu single mais recente, ‘Come Back’ aposta em um hit mais animado puxando para um rock alternativo um pouco mais pop, o que apresenta uma versatilidade muito bem vinda para a banda. O Loyal Gun têm se apresentado com frequência em São Paulo enquanto prepara novidades a serem lançadas em breve pela Howlin’ Records.

Lava Divers

Uma vez eu estava em uma festa e numa roda de amigos ouvi a seguinte frase: “Esses são os 4 Bs de Minas Gerais: Berlândia, Beraba, Belzonte e a bosta de Araguari”. Eu ri bastante e a frase ficou na minha cabeça até hoje, mas justiça seja feita, nunca estive em Araguari e aposto que não é uma cidade tão ruim pois é de lá que vem o excelente Lava Divers! Os mineiros iniciaram suas atividades em 2014 e de lá pra cá percorreram o país apresentando sua música encantadora que vai do shoegaze ao grunge, com toques de um power pop viciante. A banda promete lançar um LP nos próximos meses e nós ficamos aqui no aguardo. Enquanto isso recomendamos o belo EP homônimo do quarteto de Araguari.

Ximbra

Ximbra é o que acontece se você misturar hardcore com música. É com essa brincadeira eficaz que a banda se apresenta em sua descrição nas redes sociais. Hardcore, punk, letras em português e a visão de mundo de quem vive em uma cidade desigual são elementos que se destacam logo na primeira audição do recém lançado LP ‘A Maldição Desta Cidade Cairá Sobre Nós’. O grupo de Maceió, Alagoas não esconde seu posicionamento político, as letras francas e certeiras somadas ao som raivoso e agitado da banda são prova de sua competência tanto na letra quanto na música. O nordeste brasileiro não é o primeiro lugar que vêm à nossa cabeça quando pensamos em punk ou hardcore, mas Ximbra é um excelente exemplo do que acontece quando você abraça suas raízes sem deixar de lado suas influências por estilos vindos de fora. Destaque para a faixa ‘Quilombo dos Palmares’.

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RockALT #16 – Stolen Byrds, Flecha Discos e The Amazon

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RockALT, por Jaison Sampedro

Nas ultimas semanas viajei para fora do Brasil aproveitando umas férias que tirei na marra com o propósito buscar inspiração, referencias e equipamentos novos para melhorar a qualidade de gravação do RockALT. O destino escolhido foi a cidade de Nova York, cidade que foi berço para diversas bandas das quais eu gosto como Ramones, Dead Boys, Blondie, Beastie Boys, Sonic Youth, Strokes… a lista é gigantesca.

A cidade, assim como São Paulo, tem uma cena extremamente efervescente e inúmeros jovens saem de suas cidades em busca de uma carreira musical de sucesso. O sonho é lindo, mas poucos conseguem realiza-lo, e o que vi durante os 11 dias que passei na cidade é bem parecido com o que acontece no Brasil. Uma coisa que me impressionou é que quase todo bar tem um espacinho para os artistas fazerem shows, algumas casas tem até dois palcos para tocar gêneros diferentes. Em uma área do bairro de Lower East Side tem um bar do lado do outro, e aí vai de acordo com o freguês que tipo de som ele quer escutar.

Pena que o tempo passou muito rápido e mal tive tempo de ir nos bares que planejei e nos últimos dias de viagem descobri que Charles Bradley iria tocar em uma casa de shows no Brooklyn, apesar do esforço não consegui os ingressos e fiquei chupando o dedo, fui embora pra casa com os equipamentos na mala e a cabeça cheia de ideias, que espero por em prática o quanto antes.

Mas essa coluna não é só pra falar sobre essa breve experiência de férias, tenho a obrigação de falar sobre algumas coisas que escutei recentemente e quero recomendar para você, caro leitor.

Stolen Byrds
O grupo de Maringá/PR acabou de lança um álbum maravilhoso! A primeira vez que escutei estava no trabalho e assim que a primeira musica chamada “Jetplane” começou a tocar vi as cabeças dos meu companheiros de trabalho virando para a tela do meu computador e me perguntando o que eu estava escutando. Sem duvidas esse é um dos melhores álbuns que escutei esse ano!

Flecha Discos, Vol. 1
Não existe forma melhor de conhecer novos trabalhos e bandas como em coletâneas! Foi assim com “Grito Suburbano”, “SUB” e outras coletâneas que marcaram a cena musical. Foi assim que conheci a banda carioca menores atos, que faz parte da coletânea “Flecha Discos, Vol.1” junto com outras bandas como Zander, Chuva Negra e Bullet Bane. A Flecha Discos assim como diz o site é “uma gravadora independente e um coletivo de bandas que mira seu alvo em produção e distribuição de música, organização de shows e turnês, além de estimular a atividade cultural em suas diversas formas”. Espero que mais coletivos como esses floresçam e que venham mais coletâneas pra fazer história.

The Amazons
Outra banda que lançou álbum recentemente foram os britânicos do The Amazons. O disco homônimo foi lançado no dia 26 de maio e a imprensa do Reino Unido até agora tem reagido bem ao disco de estreia. O site da famosa revista NME e o jornal The Independent e até a BBC Radio 1 colocaram o grupo nas lista do que se deve escutar em 2017. E agora eu tenho a obrigação de lhe pedir o mesmo!

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RockALT #15 – Garage Fuzz, Leonardo Panço, eliminadorzinho, The Kooks e The Horrors

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RockALT

RockALT, por Helder Sampedro

A Coluna RockALT volta após um breve hiato: meu irmão Jaison e eu fizemos uma pequena viagem por terras estadunidenses e não conseguimos preparar nada para a coluna durante nossa ausência de Terras Brasilis. Ainda naquele clima de desfazer as malas minha postagem de hoje será mais curta e objetiva, separei alguns sons que embalaram a minha viagem e me ajudaram a passar o tempo nos aeroportos e estações de trem por onde passei.

Garage Fuzz“When No One is Around”
É sempre bom falar daqueles que estão na estrada há décadas e pavimentaram o caminho para tantas outros no cenário nacional. O Garage Fuzz certamente é uma das bandas mais influentes do país, tendo nascido na efervescência do início dos anos 90, época incomparável para o underground brasileiro, e estando na ativa até hoje. A extensa discografia dos santistas é sempre merecedora de uma atenção maior. Fica aqui a minha provocação pra você que é fã de rock alternativo, há quanto tempo você não escuta Garage Fuzz? A hora é agora!

Leonardo Panço“Desorgulho”
Falando em underground brasileiro e de mais um grande nome dos anos 90, Leonardo Panço é ex-integrante da banda carioca de hardcore Jason. Leonardo é uma figura muito interessante pois não só fez parte de uma banda que rodou o mundo mas também por ser um artista que não se limita apenas à música, seus trabalhos autorais mesclam sua música com os livros que escreve e com suas fotografias, como no recente “Superfícies”, de 2016. Sempre bom acompanhar a caminhada e a obra de nomes importantes e pratas da casa como o Panço.

eliminadorzinho“das vezes que conversamos na cama e acabamos dormindo”
Nós do RockALT sempre comentamos sobre a ampla variedade de gêneros que temos no cenário underground nacional e os paulistanos do eliminadorzinho são exemplos de uma cena que reflete o lado mais sensível e contemplativo do rock, ao menos em suas letras. Influenciados pelo gorduratrans, que por sua vez se inspiraram no Ludovic, o trio de “rock triste jovem”, como diz sua bio no Facebook, mostra em seu EP ‘nada mais restará’ a barulheira característica do noise caseiro e letras que nos fazem lembrar como nosso cotidiano pode ser pesado e cansativo às vezes. A música tem essa mania de refletir o mundo no qual vivemos, certamente eliminadorzinho poderia ser a trilha sonora da nossa sociedade atualmente.

The Kooks“Be Who You Are”
Talvez mais conhecidos pela música “Naive”, os britânicos do The Kooks são um exemplo de banda que atingiu um certo sucesso comercial mas não emplacaram tantos hits quanto outras bandas do mesmo movimento. A banda é muito mais eclética do que a maioria imagina e seus trabalhos passeiam pelo rock, britpop, e até reggae e ska. Em turnê comemorativa de 10 anos a banda lançou material novo, uma ótima oportunidade para ouvir mais e conhecer melhor o trabalho dos rapazes de Brighton.

The Horrors“Still Life”
Mais uma música que ficou na minha cabeça embalando a minha viagem e assim como o The Kooks, o The Horrors surgiu durante o revival pós-punk que ocorreu na Inglaterra durante os anos 2000. Mas as similaridades com seus conterrâneos acabam por aí, o som do The Horrors é mais conciso em suas influências e abrange estilos mais similares como garage rock, punk, goth rock, shoegaze além do já mencionado post-punk revival. Aclamados pela crítica, os quarto LPs da banda mereciam ser ouvidos por um público muito mais do que o inicialmente alcançado na ocasião de seus lançamentos. Vale a pena dar uma garimpada na obra deles.

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RockALT #14 – Unbelievable Things, The Ed Sons, Garotas Suecas e Starcrawler

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RockALT, por Jaison Sampedro

Na coluna de hoje eu quero fazer uma prévia para o RockALT que vai ao ar nesta quinta-feira na rádio Planet Music Brasil. Quero apresentar quatro bandas que chamaram a minha atenção essa semana.

Unbelievable Things
Quero começar com este power trio de Maringá formado por Tim Fleming (guitarra e vocais), Jun Hirota (bateria) e Fernando Parreira (baixo) que está com trabalho recente, o EP “Wasted Time”. Este lançamento da Nap Nap Records conta com apenas três músicas com direito a videoclipe da faixa “Cansadão”. Confesso que esta é a minha faixa favorita do EP e me identifico com a letra, principalmente no trecho “A cada dia mais perdido / A cada dia mais fudido”.

The Ed Sons
Os filhos de Ed estão na estrada desde 2010. E esta é mais uma banda com um EP de três músicas lançado recentemente. O quinteto formado por Victor Palmero (Vocal), Igor Paulini (Guitarra), Renato “Tumolto” (Guitarra), Fernando Anastácio (Baixo) e Diego Rinaldi (Bateria) já havia lançado um EP em 2013, o “Last Cigarette”. O que me chamou atenção do grupo de Araraquara foi a mistura inusitada do Indie Rock com Stoner Rock e isso fica claro escutando a primeira música do disco “Find Me”.

Garotas Suecas
Neste momento você deve estar se perguntando. Jaison, você não conhece “Garotas Suecas”? A resposta é: Sim, conheço. Mas a razão da atenção dada a banda paulistana é o lançamento do divertido clipe “Me Erra”. O vídeo tem um aspecto sessentista e relata um relacionamento abusivo de um namorado/marido “mala” e um produto milagroso, o removedor multi-abuso “Me Erra”. A música faz parte do EP “Mal Educado” lançado em 2015 pela gravadora Tratore. Confira o clipe aí na telinha.

Starcrawler
Até um tempo atrás eu achava que a banda californiana Starcrawler já tinha acabado antes mesmo de começar. Topei com a banda em uma pesquisa para o RockALT, me deparei com a música “Ants” e fiquei impressionado. Senti uma combinação de The Cramps com Joan Jett, graças a forte presença de palco da vocalista Autumn de Wilde. Confesso que fiquei empolgado e quis saber mais da banda, mas não achei nada. A página do Soundcloud estava vazia, o Spotify indisponível e Facebook desatualizado me levaram a crer que a banda tinha morrido. Mas tudo isso mudou no começo de maio quando o grupo lançou seu trabalho oficialmente no Spotify com o single “Ants” acompanhado de outra música “Used To Know”. Fiquei feliz com a notícia, e tenho certeza que você também vai ficar logo após ouvir esses jovens talentosos.

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RockALT #13 – Lê Almeida, Passante, menores atos, Rosa Idiota e Slowdive

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RockALT, por Helder Sampedro

Lê Almeida
Figura conhecida nos meios underground e faça-você-mesmo, o carioca Lê Almeida não é novidade para aqueles que consomem música de fontes diversas e não apenas o que o mainstream apresenta. Fundador da Transfusão Noise Records em 2004, Lê grava de forma caseira e despreocupada seus inúmeros trabalhos nesses 10 anos desde o elogiado EP ‘Loufailândia’. Um verdadeiro herói do lo-fi nacional, o som garageiro e cheio de distorção parece sair pelos poros do músico, levando em consideração a quantidade de singles, EPs, e LPs lançados, sem contar seus trabalhos com outros músicos. A mistura equilibrada de power pop, indie rock, noise e lo-fi está disponível no bandcamp do artista.

Passante
O projeto do poeta e compositor Julio de Mattos é um desafio aos nossos ouvidos, claro, digo isso no melhor dos sentidos. A mistura psicodélica de ritmos e instrumentos é surpreendente, empolgante e garante um tom enigmático ao primeiro trabalho da banda. É mais um daqueles projetos que fogem à regra, o oposto total ao “mais do mesmo” uma busca que leva a um som íntimo, quase confidencial que não é feito para ser consumido pelas massas, e sim por um público mais exigente e curioso. Se você está a fim de sair da mesmice e se deixar levar pelas surpresas e distorções das guitarras do Passante, não deixe de conferir o EP ‘Mutilados’, disponível no Soundcloud.

menores atos
Talvez minha banda brasileira favorita no momento, o trio carioca que toca algo que só pode ser definido como rock alternativo de verdade! As letras em português que tratam de angustias amorosas comuns a todos podem fazer o ouvinte incauto rotular a banda como só mais uma de hardcore melódico, mas a verdade está bem longe disso. Influências rebuscadas como Minus the Bear, Radiohead, Deftones e Tool se sobressaem no sensacional álbum ‘Animalia’ de 2014 e impedem qualquer um de tentar rotular o trabalho primoroso da banda. Tive o prazer de vê-los ao vivo há algumas semanas no Estúdio Costella e posso garantir que a banda é ainda maior e mais pesada ao vivo, chamá-los de ‘power trio’ é pouco.

Rosa Idiota
Fundada em Salvador no ano passado, o quarteto lançou em janeiro desse ano o excelente álbum de estreia ‘Circle’ trazendo um rock com influências punk e indie na medida certa entre melodia e peso. Arranjos complexos, batidas cativantes e vocal forte se destacam e agradam logo na primeira audição. As dez músicas fluem amarradas umas às outras e é possível curtir o LP do começo ao fim sem perceber a passagem do tempo, apenas parando para se notar que a faixa ‘Fastio’ é a única cantada em português, fiquei curioso para saber o porquê. Enquanto não matamos nossa curiosidade podemos ouvir mais uma vez o primeiro lançamento dessa promissora banda.

Slowdive
Desnecessário apresentar uma lenda britânica do shoegaze, né? O álbum homônimo lançado em 5 de maio de 2017 pode ser colocado na mesma categoria de outros lançamentos recentes de ícones dos anos 90 como Pulp, Suede, Swervedriver, Stone Roses, Jesus and Mary Chain e Ride. Todas as bandas que eu citei atingiram seu ápice de popularidade no década de 1990 e lançaram ao menos algum single em anos recentes, esse revival do shoegaze noventista chega agora a seu apogeu, com o que certamente será considerado um dos melhores discos do ano. O 4º LP do Slowdive parece ter sido lançado na época em que os orelhões ainda eram úteis e o Brasil ainda era Tetra. E isso é um feito e tanto, poucas vezes uma banda ficou tanto tempo inativa e retorna com uma proeza dessas. O grupo se apresenta em São Paulo domingo agora (14/05/17) e espero não queimar minha língua. Estarei lá para ver.

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RockALT #12 – Johnny Cash, The Jesus and Mary Chain, Charles Bradley e Porno Massacre

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RockALT, por Jaison Sampedro

Hoje eu gostaria de falar sobre covers. Algumas bandas, quando estão no começo de carreira tem uma certa resistência para tocar covers de bandas mais famosas. Mas o que acontece quando você já é um artista com uma carreira longa ou então já tem um nome forte? As vezes o resultado pode ser um “meh” ou então quando a musica certa cair na mão do artista certo, pode-se conseguir um novo significado para a obra eleita.

Johnny Cash“Rusty Cage”
Senhoras e senhores, Johnny Cash teve uma carreira cheia de altos e baixos. Sem sombra de duvidas o seu auge foi durante a época da Sun Records entre os anos 50 e 60, onde ele compôs obras como “Cry, Cry, Cry”, “I Walk The Line” e “Guess Things Happen That Way”. Mas depois de alguns sucessos Cash viu sua carreira despencar entre meados dos anos 70 e 80. A redenção do “Homem de Preto” veio com o “American Recordings” em 1994 produzido pelo selo Def American do guru musical Rick Rubin. Foram seis discos lançados, sendo os dois últimos álbuns póstumos. Eu poderia colocar nessa lista vários títulos de covers como “Hurt”, que aliás, na minha opinião, não existe mais a versão do Nine Inche Nails. Johnny Cash tomou essa musica pra si e a ressignificou. Escutar a “versão” de Trent Reznor hoje parece ser um cover malfeito de sua própria composição. Entretanto, mesmo amando Hurt de Johnny Cash eu escolhi outro cover sensacional: “Rusty Cage” do Soundgarden. Este cover não é tão significativo como “Hurt”, mas mostra o talento indescritível de Cash dominando vários estilos musicais.

The Jesus and Mary Chain“My Girl”
Não sei exatamente quando os irmão Reid resolveram fazer um cover do clássico “My Girl” do Temptations. Tudo indica que foi em uma gravação para a Radio BBC no programa do DJ John Peel, que depois foi compilado e lançado em fevereiro do ano 2000. Diferente da versão composta por Smokey Robinson e Ronald White, que ao escutar realmente nos faz sentir um raio de sol no céu nublado, a versão de Jim e William Reid é mais melancólica assim como a maioria de suas composições. Assim como Johnny Cash, os irmãos Reid pegaram uma musica e trouxeram quase que outro significado. “My Girl” nos passa a sensação do amor recém adquirido, ou da sensação de um primeiro beijo. Na versão do Jesus And Mary Chain o amor é o mesmo, mas talvez um tanto platônico, distante e melancólico, mas ainda assim é um amor admirável.

Charles Bradley“Changes”
De Black Velvet para The Screaming Eagle of Soul, ou simplesmente Charles Bradley. Desde muito cedo o sr. Bradley teve que enfrentar a pobreza e o abandono. Aos 14 fugiu de casa, por dois anos morou na rua, graças a um programa educacional do governo americano conseguiu trabalho como cozinheiro e por incrível que pareça foi ai que começou a sua trajetória musical. Desde de muito cedo Bradley era fã de James Brown, e por 20 anos Charles realizou shows cantando musicas do pai do Soul e ao mesmo tempo fazia bicos e realizava os mais diversos tipos de trabalho. O sucesso veio, tardio mas veio. Em 2011, aos 63 anos Charles Bradley lançava o álbum “No Time For Dreaming”. O disco trazia composições próprias e covers como “Heart of Gold” de Neil Young e “Stay Away” do Nirvana. Para a coluna de hoje eu resolvi escolher “Changes”, do álbum de 2016. Sim, “Changes” do Black Sabbath em uma belíssima e talentosíssima versão Soul.

Porno Massacre“Isso Para Mim é Perfume”
A banda paulistana recebeu o convite do nosso querido amigo, parceiro e proprietário do blog Crush em Hi-Fi João Pedro e também do nosso igualmente amigo e parceiro Rafael López Chioccarello do blog Hits Perdidos para a gravação da musica “Isso Para Mim é Perfume” para compor a coletânea em homenagem aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”. A escolha dessa musica foi certeira: se eu não conhecesse a musica, poderia dizer que sem sombra de duvidas essa musica é do Porno Massacre. A escatologia e a anarquia da música combinam perfeitamente com o estilo transgressor e performático do grupo paulistano. Está aí mais um belo exemplo de um artista que toma a musica para a si e a entrega com outro significado como se fosse sua.

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