Retrofoguetes ressurge após hiato de 7 anos com seu terceiro disco, “Enigmascope Volume 1”

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Retrofoguetes

Os Retrofoguetes, de Salvador, voltam à ativa depois de um hiato de 7 anos com “Enigmascope Volume 1”, um disco que mostra toda a experiência em surf music misturada com tango, mambo, jazz, polca e bossa nova da banda sendo usada para criar uma trilha de um filme de espionagem imaginário em 13 faixas.

A banda surgiu em Salvador, em 2002, da dissolução dos Dead Billies. Formado atualmente por Morotó Slim (guitarra), Julio Moreno (guitarra), Fábio Rocha (baixo) e Rex (bateria) e com dois discos na bagagem (“Ativar Retrofoguetes!”, de 2003, e “Chachachá”, de 2009), o quarteto teve o segundo álbum considerado pela revista Rolling Stone como um dos 25 melhores discos nacionais do ano e os Retrofoguetes foram indicados ao Prêmio VMB da MTV como Melhor Banda Instrumental, além de figurarem na lista do portal Vírgula/UOL entre as 10 Melhores Bandas do Nordeste.

O grupo já realizou turnê pela Argentina e foi citado pelo jornal espanhol El Pais em uma lista das melhores canções para strip tease. Suas músicas ainda chegaram a trilhar um comercial que faturou o Leão de Bronze do Festival de Cannes na França e foram executadas pela rádio BBC de Londres. Já se apresentaram em importantes festivais nas principais capitais do país, entre eles o Abril Pro Rock, Virada Cultural de São Paulo, Goiânia Noise, Festival de Verão de Salvador, Festival Instrumental de Salvador, Coquetel Molotov, Campeonato Mineiro de Surf e Festival do Sol.

Conversei com a banda sobre sua carreira, o disco novo, a influência do cinema e as redes sociais dominando o mundo da música independente:

– Primeiramente, as novidades: Me falem um pouco mais de “Enigmascope Volume 1”!

“Enigmascope Volume 1” é o nosso terceiro disco. Depois de um hiato de 7 anos (o “ChaChaChá” foi lançado em 2009), sabíamos da necessidade de lançarmos um novo trabalho pra que a banda pudesse seguir em frente. Fazer um disco é um bagulho muito complicado, dá muito trabalho, leva tempo e custa muito caro. Pra gente foi um grande desafio, não tínhamos apoio de editais, patrocínios ou um selo bancando. Fizemos um sacrifício grande pra realizar esse trabalho. Além disso, pra gente só faz sentido gravar um novo disco se ele for ainda melhor que o anterior. Somos muito criteriosos, queríamos fazer um bom trabalho e empenhamos todo o tempo e a grana que a gente tinha pra isso.

– O som foi criado para ser “trilha sonora de um filme de espionagem”. Me falem um pouco de como seria o enredo desse filme e, se ele fosse produzido, quem vocês gostariam de ver no elenco e direção.

Quando iniciamos o processo de composição, tínhamos na cabeça todos os clichês dos filmes de espionagem, criamos a trilha pensando nos climas que rolam normalmente nesses filmes. Rola o tema do espião (“Agente Duplo”), o do vilão (“El Víbora”), clima de perseguição (“Ultrassecreto”), romance (“Hotel Cruzeiro” e “Il Segreto”) e mistério (“Soturno” e “Martini & Cianeto”). Rodar esse filme seria divertido, acho que seria a primeira vez que a trilha daria origem ao filme. O primeiro filme de espionagem de Tarantino, talvez?

– Já que o disco é influenciado pelo cinema, quais filmes e diretores vocês acham que inspiram a banda?

Esse disco foi inspirado nas trilhas compostas para os filmes de espionagem dos anos de 1960. Era o auge da guerra fria e muitos filmes do gênero foram produzidos na época, principalmente na Europa. Eu, particularmente, gosto muito dos primeiros filmes de James Bond, principalmente o “007 Contra o Satânico Dr. No”, “007 Contra Goldfinger” e “Thunderball”. Os filmes do espião Harry Palmer com Michael Caine são incríveis, “Topázio” de Hitchcock, “O Espião Que Saiu do Frio”, mas também séries de TV como “Missão Impossível”, “Os Agentes da U.N.C.L.E.”, “O Santo” e “O Prisioneiro”.

– Como rolou essa volta depois de 7 anos?

Depois do lançamento do “ChaChaChá” em 2009, tocamos nas principais capitais do país, principalmente nos festivais mais importantes do cenário alternativo. Iniciamos a pré-produção de um novo álbum, quando o trabalho foi interrompido com a saída de CH da banda. Descartamos esse material, e com a nova formação iniciamos, no ano passado, o processo de composição de “Enigmascope Volume 1”. Sabíamos da importância de lançarmos um novo disco, para que a banda continuasse a rodar. Estamos bem confiantes, porque acreditamos ter conseguido um resultado incrível com esse novo trabalho.

Retrofoguetes

– Me falem um pouco sobre como esse disco evolui dos trabalhos anteriores da banda.

Como disse, sempre que iniciamos o processo de composição de um novo disco, nos impomos o desafio de fazer um trabalho melhor que o anterior. Isso faz com que a gente esteja sempre amadurecendo. Acho realmente que “Enigmascope Volume 1” reflete o aprimoramento das experiências que tivemos em “Ativar Retrofoguetes” e “ChaChaChá”. O caráter imagético do nosso trabalho e a nossa relação com o cinema são mais evidentes agora. O disco é mais coerente, tem um conceito mais maduro. Somos músicos experientes, todos com mais de 40, isso facilita muito a relação entre a gente e o trabalho flui rápido, de forma bem tranquila. Acho também que o resultado desse disco se deve muito à relação criada com André T, o produtor de todos os nossos registros, desde a demo em 2002. Aprendemos juntos com as experiências anteriores e isso criou uma sintonia muito grande entre a gente.

– Como a banda começou?

A banda surgiu após a dissolução dos Dead Billies em 2001. Tinha proposto a Morotó que montássemos um projeto paralelo para tocar surf music instrumental. Eu já tinha todo o conceito na minha cabeça, inclusive o nome Retrofoguetes. Com o fim da banda, resolvemos chamar Joe e dar prioridade a esse projeto que deixou de ser paralelo. Fizemos nosso primeiro show na praia, no verão de 2002. Depois de um ano, Joe recebeu o convite para fazer parte da banda de Pitty. CH Straatmann substituiu Joe no baixo e ficou com a gente até 2013. Joe voltou pra banda, mas ficou difícil levar o trabalho adiante, porque ele continua morando em São Paulo e nós em Salvador. Hoje, deixamos de ser um trio e passamos a ser um quarteto, com Fábio Rocha no baixo e Júlio Moreno na outra guitarra. Todos já se conheciam há muitos anos, principalmente eu, Morotó, Joe e Fábio, já que começamos na música quando éramos adolescentes na cidade baixa.

– Quais as principais influências musicais da banda e desse disco especificamente?

Ouvimos muitas coisas. No início, a banda tinha uma influência grande da surf music. Desde os Dead Billies, gostamos muito de bandas como The Ventures, Trashmen, Surfaris, Man or Astroman?, e caras como Dick Dale e Link Wray. Eu e Morotó sempre fomos fãs de rockabilly, swing jazz e psychobilly. Para compor esse disco, buscamos inspiração nas trilhas dos filmes de espionagem dos anos 1960. John Barry, Lalo Schifrin, Jerry Goldsmith, Mancini, Piero Piccione e Bruno Nicolai, criaram trilhas incríveis utilizando o que era pop na época: surf music, bossa nova, música latina, jazz e rock.

– Em 7 anos tivemos muitas mudanças e um estouro das redes sociais. Como isso afetou a vida do artista independente?

Todos nós nascemos em 1972, exceto Julio que já completou 51 anos. Não é muito fácil acompanhar essa evolução, tudo muda muito rápido, quando você começa a entender como funciona o myspace, ele já não serve mais pra muita coisa, é complicado pra gente que é velhinho. Somos do tempo da fita demo (que parece até que tá voltando) e nos comunicávamos com o mundo por cartas. Na época dos Dead Billies ainda era assim, acredite. Hoje, tudo tá mais fácil, seu trabalho tá aí pra todo mundo, tudo acontece rápido. Por outro lado, é muita informação circulando ao mesmo tempo e é preciso realmente ter um bom trabalho pra ser notado no meio de tanta coisa. A gente ainda tá tentando entender como funciona.

Retrofoguetes

– Quais são os próximos passos da Retrofoguetes?

Conquistar a Europa, a Oceania e um terceiro continente a nossa escolha.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Eu costumava conhecer as bandas através dos festivais, isso era incrível. Andamos meio afastados dos palcos e estamos voltando agora a tocar nos festivais. Mês passado, tocamos pela terceira vez no Goiânia Noise e pude sentir esse gostinho de novo. Não sou muito de ficar pesquisando na internet e termino ficando um pouco por fora do que tá rolando. Aqui em Salvador, tem as instrumentais Ifá Afrobeat e Ivan Motoserra, a Orkestra Rumpilezz continua sendo pra mim a melhor coisa que ouvi nos últimos anos, a Baiana System é um exemplo de profissionalismo e cuidado estético, e a Vivendo do Ócio e a Maglore seguem fazendo um trabalho muito bonito. Gosto muito dos Baggios e tô ouvindo o último disco da Plástico Lunar, duas bandas incríveis de Aracaju. Luciano Leães, pianista e organista gaúcho, lançou “The Power of Love”, o melhor disco de blues nacional dos que eu já ouvi. Ele participa de cinco faixas do “Enigmascope Volume 1”. Da turma do surf, tem o novo disco do Gasolines e dos cariocas da Beach Combers. Tô curioso pra ouvir o disco solo de Clemente, dos Inocentes/Plebe Rude, disco que conta com Joe, Rodrigo Cerqueira e Johnny Monster, grandes amigos meus. Bom, certamente tô esquecendo uma porrada de gente.

Marcelo Mara ressuscita acervo de música independente e underground no Disco Furado

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Marcelo Mara, do Disco Furado
Marcelo Mara, do Disco Furado

Desde 2011 o blog Disco Furado faz um verdadeiro serviço aos fãs de música independente e alternativa e desenterra pérolas que não são de fácil acesso desde seu lançamento. Discos raros, bandas do underground, fitas demo e vídeos de programas como Lado B e Musikaos são apenas algumas das coisas que Marcelo Mara oferece a seus leitores e seguidores do canal do Youtube do blog. “Hoje o blog tem 6 anos e mais de 500 discos disponibilizados. Ainda tenho uma boa quantidade de material para resenhar e outras coisas que procuro para por no blog e para minha coleção”, conta.

Bandas como Ack, Pin Ups, Bloco Vomit, Thee Butchers Orchestra, Bois de Gerião e Dash, entre muitas outras, aparecem no canal do Youtube do blog com discos completos que são difíceis de se encontrar na internet. “Dou preferência aos discos independentes lançados depois de 1977, o que me dá oportunidade de pesquisar vários cenários independentes, da turma do Antonio Adolfo, passando pelo pessoal da Vanguarda Paulistana, os punks, os pós punks da segunda metade dos 80, da cena independente de 1993, das fitas e fanzines, e dos anos 2000, com um cenário diverso, espalhado e, de certa forma, sustentável”. Nada contra os novos serviços de streaming, porém. “Tenho usado o Youtube com essa intenção, mas é um processo um pouco lento quando feito por uma única pessoa. Espero que em breve surja oportunidade de estrear numa plataforma de streaming”, afirma Marcelo.

Conversei com ele sobre o Disco Furado, sua coleção de CDs, K7s e vinis, o retorno das fitas K7 e os discos raros que merecem ser garimpados:

– Como começou o projeto Disco Furado?

Desde 1995 que eu me interesso por discos independentes, catálogos de selos, coisas obscuras. Com o tempo fui adquirindo CDs, LPs, K7s de bandas independentes que eu via nas revistas Dynamite, Bizz, Rock Press, Underguide e fanzines. Pensava em fazer um blog – sobre resenhas póstumas desses discos dos anos 80, 90 e 00 – desde 2009 e para começar a escrever os textos revirei todo material impresso que acumulei, escaneei tudo que interessava e ali estava o banco de dados de pesquisa para os textos. Em 2011, fiz o blog Disco Furado e o canal no Youtube. A ideia era escrever sobre os discos, ter algo de inédito no texto e disponibilizar as músicas para download. Hoje o blog tem 6 anos e mais de 500 discos disponibilizados. Ainda tenho uma boa quantidade de material para resenhar e outras coisas que procuro para por no blog e para coleção.

– Você tem ideia do tamanho da sua coleção física de CDs, discos e fitas? Tem muito material ainda pra jogar lá?

De discos independentes, que são a grande maioria, deve ter uns 3 mil títulos entre CDs e LPs. K7 deve ter uns 500 e eu estou digitalizando as K7s agora, mas estas vão só para o Youtube. A ideia é encerrar o blog quando chegar aos 1000 discos, ainda tem muita coisa para entrar, muito disco de metal, coisas extremas e MPB underground, que só não estão disponíveis em maior quantidade porque eu não tenho domínio para escrever/descrever alguns estilos musicais, daí por medo de escrever bobagens acabo deixando sempre para uma próxima. Mas a maioria dos discos que publico são coisas que eu gosto e ouço em casa, mas tem umas bizarrices, coisas horríveis às vezes, que valem a pena receber texto e estarem disponíveis gratuitamente.

– Como você faz para disponibilizar o download, já que os serviços sempre acabam tirando os arquivos do ar de tempos em tempos?

Isso é um dos maiores problemas, pois é a parte do serviço do blog. Desisti de arrumar link por link em cada postagem, ter de entrar em cada postagem e consertar o link leva muito tempo, costumo fazer isso quando aparecem pedidos nos comentário de postagens. E volta e meia tenho de encontrar servidor novo, pois os links antigos expiram. É um saco fazer isso.

Marcelo Mara, do Disco Furado

– Você já pensou em ir atrás de disponibilizar os discos em streaming? Muitas das bandas não existem mais e seria ótimo poder achar esses trabalhos neste tipo de serviço…

Sim, é mais uma plataforma para disponibilizar. Tenho usado o Youtube com essa intenção, mas é um processo um pouco lento quando feito por uma única pessoa. Espero que em breve surja oportunidade de estrear numa plataforma de streaming.

– Alguma banda já entrou em contato com você depois de seu post sobre ela?

Sim, algumas. Quando o texto não agrada as bandas, elas tendem a entrar em contato com mais frequência. Eu acho isso bem maneiro, é esse feedback que motiva a publicação. Noutros casos, algumas bandas entram em contato para que eu disponibilize o material delas, já fiz isso algumas vezes, mas ultimamente prefiro explicar que a proposta do blog é de resenhas de discos não atuais.

– Você dá preferência a bandas da cena independente da geração anterior à atual. Até que ano vão os discos que você costuma postar? Quando esta cena independente começou a se dispersar?

Dou preferências aos discos independentes lançados depois de 1977, o que me dá oportunidade de pesquisar vários cenários independentes, da turma do Antonio Adolfo, passando pelo pessoal da Vanguarda Paulistana, os punks, os pós punks da segunda metade dos 80, da cena independente de 1993, das fitas e fanzines, e dos anos 2000, com um cenário diverso, espalhado e, de certa forma, sustentável. Não consigo analisar um cenário independentes como um todo, ele passa por transformações que são seguidas pelo meio em que se propaga o cenário, a mudança de mídias, a derrocada de algumas plataformas e ascensão de outras. Separo os cenários em marcos de início e fim, às vezes seguidas por novos cenários ou por hiatos pouco classificáveis.

– O que você acha deste retorno das fitas K7? Tem banda fazendo lançamento em K7 hoje em dia, além da grande redescoberta de fitas (demo ou não) que estavam encostadas por aí…

Acho muito bom. Apesar de as fitas agora não desempenharem a mesma função de antes: quem se atreveria a fazer uma mixtape em K7 hoje em dia? Elas são uma ótima plataforma para ter um trabalho disponível em formato físico. Uma pena não se poder fazer isso com um custo mais baixo, e nem que todos consigam ouvi-las em boa qualidade, mas funciona. Para quem gosta de discos, colecionadores velhos e jovens, a fita tem bastante importância. Gostaria de ter mais discos nesse formato.

– Você também pretende postar discos que estão disponíveis somente em vinil? (Ou já fez isso e eu não me liguei?)

Sim, tem várias discos no blog que só existem em vinil. Daí eu ripo o LP para mp3, às vezes fica bom.

– Fala uma lista de 5 discos que você subiu no canal que são indispensáveis, na sua opinião, e porque.

Tá, vamos lá.
Fellini, “Amor Louco” – o quarto disco do Fellini, o melhor produzido, tem ótimas letras e uma pesquisa de ritmos e timbres que valorizam muito a produção.
Júpiter Maçã, “A Sétima efervescência” – um dos principais discos psicodélicos brasileiros, letras divertidas, arranjos fantásticos. Esse disco beira a perfeição.
Patife Band, “EP” – é o primeiro disco da Patife Band, tem 6 músicas, incluindo as clássicas “Tô Tenso” e “Pesadelo”, além de uma versão bem legal para a jovem guarda/brega “Tijolinho”.
V.A. “Não São Paulo Vol. 1” – Coletânea linda com quatro post punks paulistanos, dos experimentos jazzisticos/kraut do Akira S & As Garotas Que Erraram, passando pelo trip hop do Chance, pelo som denso do Muzak e pelo quase pop Ness. Um disco bastante diverso, que cobre muito bem um cenário marcado no tempo.
Vellocet, “Demonstration Tape n.01” – um EP-demo do Vellocet que tem “Inside My Mind (Again)”, música que roubou os corações e ouvidos de muita gente ligada nos sons do underground brasileiro por volta de 1999/2000.

– Muitas vezes o Disco Furado é o único lugar onde podemos encontrar muitos discos e EPs que não estão disponíveis em nenhum outro lugar. Como você se sente sobre isso?

Penso “que bom que ninguém disponibilizou isso antes”, o que garante um ineditismo para o meu trabalho e um pouco mais de visitantes. E olha que é grande a lista de coisas que não estão na rede.

– Porque você acha que tantas boas ótimas acabaram “sumindo”, ou pelo menos seu material dando essa desaparecida?

Difícil de saber, mas ou é porque o disco tem poucas unidades (às vezes mil discos é pouco e a distribuição falha), ou porque quando lançado o disco acabou sendo pouco ouvido, daí quando é redescoberto vira uma caça ao tesouro perdido (gosto mais desses segundos casos).

– Além dos discos, você também coloca no Youtube apresentações de bandas e entrevistas em programas como o Lado B da Mtv, pérolas que muitos achavam que estavam perdidas com o fechamento da Mtv Brasil da Abril. Você tem um acervo disso? O que você acha desse fechamento da Mtv Brasil e a virada pra esta nova Mtv que mal fala de música?

Eu gravei muita coisa em VHS entre os anos de 1998 e 2005, peguei coisas fantásticas como o Musikaos, Turma da Cultura e programas de Mtv, mas naquela época eu não dava muita atenção a qualidade das cosias que gravava e para aproveitar bem as fitas acabava gravando muita coisa que ficava com a qualidade ruim, se eu soubesse que um dia isso iria sair das minhas VHS para o youtube, teria gravado melhor. Mas eu fiz isso para ouvir música e conhecer bandas, não imaginava algo como o Youtube. Creio que o modelo de music television se esgotou, e não é nem culpa da Mtv Brasil, a Mtv gringa já tinha outro formato, com programas mais voltados para comportamento e entretenimento jovem, com menos espaço pra música. O modelo chegou ao brasil com um pouco de resistência, mas se “consolidou”, teve aceitação. Logo a velha fórmula do music television caiu, VJs envelheceram rápido, e veio Marcos Mion, Adnet, uma turma que em nada tinha a ver com a proposta da emissora nos seus primeiros 10 anos. A nova MTV não tem preocupação com música, mas a tendência é esses espaços unicamente musicais na TV perderem espaço frente a autoprogramação, a possibilidade de assistir o que quer na hora que quer. O Youtube é a televisão de quem se interessa prioritariamente por música.

– Recomende bandas e artistas independentes que você descobriu nos últimos tempos e todo mundo deveria ficar de olho.

Puxa, como não estou por dentro das coisas recém lançadas, vou citar dez nomes que sempre me interesso por saber o que estão fazendo: ruído/mm, Loomer, Valv, Plato Divorak, Stela Campos, Kingargoolas, Test, Leptospirose, Anvil FX e Curumin. Ufa! (risos)

A recém-nascida Blue Crawfish Records aposta em artistas de blues, soul, rockabilly e country

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Blue Crawfish Records

A Blue Crawfish Records, nova editora fonográfica da Wildstone Productions, foi criada com a parceria entre os músicos e produtores Marky Wildstone, responsável pela Direção Artística e Produção Executiva do selo e Netto Rockfellerr, responsável pela Produção Musical, Técnica e Produção de Audio. A curadoria musical será compartilhada e o enfoque dos discos do selo será blues, soul, billy, country e “outras caipiragens vintage”, segundo eles. O logo do selo foi criado pelo designer Gustavo Duarte.

Os 6 primeiros lançamentos da Blue Crawfish estão disponíveis no bandcamp oficial do selo: “Lovesick Blues”, de Greg Wilson, “Shades Of Blue”, de Jes Condado, “Second Hand Gear”, de Uirá Cabral, “Nice And Easy”, Flávio Guimarães & Netto Rockfeller, “Self-Titled”, de Quique Gómez & Netto Rockfeller e “Música para Acalmar o Coração da Juventude” de Netto Rockfeller.

Conversei com Marky Wildstone sobre o selo, a cena musical e o mercado fonográfico hoje em dia:

– Quando surgiu a ideia do Blue Crawfish Records?

A Blue Crawfish Records é resultado de minha parceria com o guitarrista e produtor Netto Rockfeller. Venho trabalhando com ele há pelo menos 3 anos, fazendo gestão de carreira, capas de discos, posters, acessoria fonográfica e tentando organizar e planejar minimamente sua carreira. Já tem um tempo que vimos que o material que ele vem produzindo e gravando é dígno de uma melhor e maior promoção. Depois de sua recente parceria com o grande Flávio Guimarães, medalhão do Blues Brasileiro, inevitável profissionalizarmos a coisa toda.

– Quais bandas e artistas estão no selo?

Organizamos antigos lançamentos para termos um corpo bacana para trabalharmos novos lançamentos, temos um disco solo instrumental do Netto Rockfeller, o disco do gaitista goiano com base em Ribeirão Preto, Uirá Cabral, o disco da Jes Condado, uma argentina de Buenos Aires que atualmente mora aqui em São Carlos, um disco inédito do também Blues Etílicos Greg Wilson, este um tributo ao grande Hank Williams, o primeiro disco da história toda, que foi o disco do Netto Rockfeller com o gaitista espanhol Quique Gómez e o último disco do Netto Rockfeller com o Flávio Guimarães, que esta rodando por praticamente todos os festivais de Blues do Brasil. Esse deve ganhar uma versão em vinil muito em breve e estamos finalizando o novo lançamento deles, uma viagem instrumental por climas de trilha sonora, que deve sair ainda no primeiro semestre.

– Porque a escolha deste tipo de som?

Netto Rockfeller tem mais de 10 anos de carreira nesse tipo de som e já vem produzindo artisticamente discos há pelo menos 3 anos, acho que a escolha é natural, no meu caso sempre fui um amante do Blues, que é da onde a maioria das coisas que eu gosto e ouço remontam. O blues é a base da música pop e sempre senti que o diabo um dia viesse me cobrar esse trabalho.

Marky Wildstone e Netto Rockfeller
Marky Wildstone e Netto Rockfeller

– Se alguma banda ou artista tiver interesse de fazer parte do cast do selo, as portas estão abertas? Como proceder?

Com certeza, o selo ainda é pequeno e estamos priorizando a produção total dos albuns, para manter a qualidade que queremos. Prioritariamente queremos produzir os discos que formos lançar, Netto com a parte musical e técnica de som e eu com a direção de arte, capas e executiva. Mas estamos abertos para ouvir e conversar com todo mundo que tenha interesse.

– O que você acha da indústria musical hoje em dia? Os selos independentes ganharam força com a queda das grandes gravadoras?

Acho que cada um tem que encontrar uma maneira de trabalhar, eu venho da escola Do It Yourself, já trabalho com meu selo Wildstone Records, lançando coletâneas e artistas mais barulhentos, acho que as gravadoras grandes não caíram, só diminuíram o número de artistas que eles investem para ter um retorno mais seguro. Os pequenos selos continuam com as mesmas dificuldades mas creio que com tempo e trabalhos de qualidade vão conquistando espaço e mercado.

– Poderemos ouvir os lançamentos do selo em lugares como o Spotify, por exemplo?

Por enquanto estamos focados no bandcamp, que é a plataforma que escolhemos mas muito em breve todos os discos estarão disponíveis em todos os portais de distribuição digital.

– O quanto estes portais de distribuição digital de música são importantes para os selos e artistas independentes?

Acho que é importante na medida da divulgação dos artistas, a portabilidade traz novos horizontes para a audição de música mas não gera muita receita, gera algum dinheiro, mas bem pouco, o grande lance é a música estar sempre pronta para ser tocada, onde quer que os ouvintes e fãs estejam.

5 playlists incríveis no Spotify para fazer a trilha sonora de sua quinta-feira

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Spotify1

Um dia desses aí o Spotify me convidou pra ir lá em sua residência brasileira. É lógico que eu topei na hora, já que hoje em dia ele é um companheiro de todas as horas e tá cheio de músicas, discos e artistas pra fazer a trilha sonora sempre que necessário (ou seja, sempre).

Mas uma coisa que falaram lá realmente tocou meu coração: precisamos fazer mais playlists. Lembram das mixtapes feitas em fita K7 que ajudavam todo mundo a conhecer novas músicas e artistas? Lembram das seleções gravadas com CD-R que eram copiadas a torto e a direito entre seus amigos quando rolava uma playlist incrível? Pois é, isso agora está muito mais fácil e ao alcance de todos lá no Spotify (mesmo os que não pagam assinatura Premium e usam o aplicativo de graça, viu?)!

Escolhi 5 belas playlists feitas no Spotify para acompanhar a sua quinta-feira e, porque não, seu final de semana.

P.S. – Aliás, se você tiver feito alguma playlist sensacional ou acabou trombando com uma playlist incrível por lá, manda aqui nos comentários!

1. The New Retro

Esta playlist do Spotify mostra novidades com sabor de pérola antiga. Músicas cheias de inspiração em soul, blues, folk, funk e por aí vai. Entre as bandas e artistas, The Cactus Blossoms, Benjamin Booker, Lake Street Dive e Foy Vance.

2. Beastie Boys Samples

Mike D, MCA e Adrock sempre foram conhecidos pela criatividade tremenda de onde buscavam os samples para suas músicas, especialmente em seu segundo disco, “Paul’s Boutique”. Pois é, o Danilo Cabral compilou mais de 170 músicas que foram sampleadas pelo trio em suas músicas, em ordem:

3. I FEEL GOOD

Beto Chuquer mostra o melhor das playlists que rolam na festa I FEEL GOOD. Muito funk, soul e suíngue. Prepare os quadris e rebole ao som de Aretha Franklin, De La Soul, Al Green, Stevie Wonder e Snoop Dogg.

4. Mulheres na Música

A Debbie Hell, dos blogs Ouvindo Antes de Morrer e Música de Menina e das festas Gimme Danger (Squat) e No FUN (Clube Outs), além de mentora do programa Debbie Records na Brasil 2000 e mil e um outros projetos criou essa playlist de mulheres extraordinárias no mundo da música. Do soul ao funk, do rap ao rock, de Joan Jett a Tati Quebra Barraco, a Debbie compilou tudo:

5. The Funky Crimes of the RHCP

Quem me conhece sabe que minha banda preferida é Red Hot Chili Peppers, e apesar de também curtir as baladas e as influências punk da banda, o lado preferido do grupo de Anthony Kiedis e Flea é a veia funk que nunca deixou a banda. Fiz uma playlist com as músicas mais funky do quarteto de Los Angeles, indo do primeiro disco, de 1983, até o mais atual, “I’m With You”, de 2011:

Banda franco-germânica de garage rock Curlee Wurlee! prepara seu novo disco, “Birds and Bees”

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curlee wurlee

É fácil reconhecer o estilo único do Curlee Wurlee!: uma mistura de teclados sessentistas, som cru e garageiro e surf music com um vocal calcado nas cantoras francesas e Nancy Sinatra. Ouvindo o som do quarteto você se sente nos anos 60, em algum lugar da swingin’ London. A formação atual conta com Organella no órgão e vocais, Meatbike na bateria e backing vocals, Ralph on Fyre na guitarra e vocais e Nelson no baixo e backing vocals. “Minhas duas principais influências são o garage dos 60s e punk rock, mas também chanson francesa, devido à minha educação e família, early beat, jazz e indie pop”, explica a vocalista e cabeça da banda.

Aparecendo em mais de 10 compilações e com muitos singles na bagagem, a banda já lançou três discos (“Curlee Wurlee! Likes Milk”, de 2011, “Oui Oui”, de 2006, e “She’s a Pest”, de 2001) e prepara o quarto, “Birds and Bees”, para 2016. “Nós mal podemos esperar, uma vez que é provavelmente o melhor que já fizemos”, diz Organella. “Pelo menos é o melhor que eu já fiz com o Curlee Wurlee!”, confirma Ralph, membro mais novo da banda.

Conversei com Organella e Ralph sobre a história da banda, seu som peculiar e a vida de banda independente. Ah, e eles recomendaram diversas bandas que vale a pena ouvir:

– Como a banda começou?

Organella: A nossa primeira baixista e eu fomos a um show da banda Lulu’s Marble, formada por garotas japonesas. Eu estava sem banda no momento, e nós decidimos formar uma juntas. Éramos todas meninas com um baterista punk rock, e queríamos fazer alguma coisa neo-garage. Nós não tínhamos idéia que ia se tornar algo como o Curlee Wurlee! no fim.

– E como surgiu o nome Curlee Wurlee!?

Organella: Nós já tínhamos um show marcado cerca de duas semanas depois de nos conhecermos. Já tínhamos músicas, mas nenhum nome. Uma menina que conhecíamos apareceu porque queria tocar guitarra e cantar com a gente. Ela foi até o posto de gasolina para comprar um pouco de cerveja e viu uma barra de chocolate da Cadbury chamada “Curly Wurly”. Então nós apenas substituimos o “y” por dois “ee”, porque, obviamente, gostamos muito de Thee Headcoatees.

– Quais são suas principais influências musicais?

Organella: Do meu lado, minhas duas principais influências são garage dos 60s e punk rock, mas também chanson francesa, devido à minha educação e família, beat do começo, jazz e pop indie, também, eu acho. Eu também ouço a chamada “musique savante”, em outras palavras: música clássica. Nem sempre, mas às vezes.

Ralph: Eu curto todo o tipo de música que é bruto, selvagem, impulsionado por forças internas e que tenha uma visão antiga sobre como as coisas devem soar e viver. Claro, punk é o primeiro tipo de música que eu poderia me ligar, e ainda é. Quando você olha para trás, o punk estava sempre lá e eu gosto especialmente da sua presença na música dos anos 60. Mas no final, uma boa música é uma boa música – e uma nova idéia é uma idéia nova.

– As músicas da banda têm uma pegada “vintage”. O que vocês acham das músicas que têm sido lançadas hoje em dia?

Organella: Em primeiro lugar, acho que nunca tivemos como objetivo fazer uma música “vintage” quando criamos. Em relação à música de hoje, você está se referindo a garage, normal ou outra coisa? Há tantas músicas diferentes, o que é algo grande. Mainstream é um saco, basicamente: o mesmo que com a política – é tão fácil de manipular pessoas sem instrução. Você diz “consuma, é bom” e com o poder do marketing, vai continuar ouvindo a música em todos os lugares e, no final, vai acreditar que essa merda techno que você ouve é boa. É claro que eu não vou dizer que não existem coisas boas no meio do que está nas paradas, mas acho que isso não acontece muitas vezes. Eu preferiria ouvir mais música de países não-ocidentais, ou música que eu simplesmente não conheço ou não entendo – mas, obviamente, falta tempo. Garage ou punk rock podem ser muito chatos, aliás. Eu gosto de sons antigos e novos, desde que as composições de me toquem. Porém, tenho dificuldades com 100% de sons de computador: eu preciso da vibração de um instrumento analógico.

Ralph: Nos anos 90, achei que todas as coisas de crossover se transformaram em um “CrossOverkill”. Eu nunca esperaria que isso iria TÃO londe (mas eu sou um velho ranzinza e ainda não gosto de disco music).

curlee wurlee

– Me falem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

Organella: Bem, nós começamos muito rápido, então nós tivemos muitas formações diferentes durante todo o processo. Nós aparecemos em cerca de 20 compilações, no início, lançando… eu não sei, algo entre 5 a 10 singles, incluindo splits, e acabamos de gravar nosso quarto álbum. Ele chama “Birds and Bees”, um nome bobinho, e sairá em março de 2016. Um single sairá na sequência. Nós mal podemos esperar, uma vez que é provavelmente o melhor que já fizemos (risos).

Ralph: Sim, é o melhor pelo menos que eu já fiz com o Curlee Wurlee! (risos)

– Como é seu processo criativo?

Organella: Eu sempre fiz as músicas em casa, escrevi as harmonias e estruturas no papel, e trouxe o material quase pronto para a nossa sala de ensaios. É sempre difícil ter uma sessão a partir de nada. O nosso novo guitarrista Ralph também está trazendo canções quando nos encontramos: todos nós vivemos muito longe um do outro, de modo que não podemos nos encontrar sempre como as bandas “normais”. E eu não sei o que aconteceu, talvez a gente tenha conseguido se livrar da nossa timidez através de alguns excessos sobrenaturais, mas pela primeira vez este ano, conseguimos fazer espontaneamente músicas juntos, o que é uma coisa muito legal.

Ralph: É verdade. A criação de músicas juntos acontece muito espontaneamente nos últimos tempos e tem funcionado muito bem, então parece mais uma boa forma de abordagem criativa, fazer as coisas rápidas e sujas, mas BOAS!

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Organella: Oops, desculpe, eu não posso dizer. Eu vejo que os companheiros de banda que estão fazendo isso para viver têm que ser muito mais agressivos no que se refere ao salário dos músicos ou ofertas de gravadoras. Há muuuuuuuuuitas bandas, e todas elas querem o mesmo. É claro que, às vezes, uma banda pode ter sorte, mas nunca se deve definir o sucesso como um objetivo, uma vez que a coisa toda, então, termina em amargura e frustração. As grandes gravadoras são tão fortes, não há quase nenhuma chance de competir. No que se refere a nós, nem sequer nos vemos como uma banda independente, uma vez que nunca fizemos nenhu plano. Então, eu realmente não sei e falando francamente, eu estou contente que o sucesso nunca nos interessou. Nós estamos fazendo música, isso é tudo, e temos a sorte que as pessoas gostam de ver a gente tocar ou gravar discos de vez em quando.

– Onde você gostaria de ver a sua carreira em 10 anos?

Organella: Eu não sei. Muitas vezes eu duvido. E eu gosto de surpresas. Eu não me importo, desde que eu ainda possa escrever canções.

Ralph: O plano é: não há planos! Exceto continuar tentando dar o melhor para o bem da arte … e da comunidade!

curlee wurlee
O anúncio da entrada do guitarrista Ralph

– Se você pudesse chamar qualquer músico para participar de uma música do Curlee Wurlee! quem seria?

Organella: Hey, nós tivemos cerca de 20 membros da banda até agora e estamos contentes que nos estabelecemos. Vamos agora começar a nos sentir relaxados, de modo que não precisa de ninguém para o momento, pleaaase 🙂 Mais uma vez, eu não sei dizer. Eu só posso dizer que Kim Shattuck ainda é a minha heroína … e Jackie do The Jackets.

Ralph: Eu sou novo na banda, mas eu sei que houve muitas grandes pessoas envolvidas e já temos alguns grandes músicos convidados… como o mestre do Dukes Of Hamburg original que contribuiu com percussões no novo álbum.

– Recomendem bandas que chamaram sua atenção ultimamente.

Organella: É claro que amo as bandas do meu selo Moody Monkey, como The Teamsters… (Claro, os jovem e espertos Teamsters de Londres!) com sua incrível habilidade de escrever canções maravilhosas com a lenda das batidas Bruce Brand na bateria. Sick Hyenas de Hamburgo, algo entre The Cramps e The Black Lips mas com sua própria assinatura. Hank Robot & The Ethnics (um projeto paralelo da incrível Powersolo) que são para mim uma mistura de Jello Biafra e Destruction Unit. The Maharajas de Estocolmo com Mathias Lilja do The Strollers no vocal. O som ultra garageiro dos Skeptics da França e The Youth de Copenhagen, que está na minha lista de melhores shows ao vivo dos últimos tempos: eu amo suas composições eficientes e sua energia. Tem também uma banda psych muito boa em Paris chamada Noctambulos e uma neo-garage impressionante chamada The Scumbugs em Oslo, eles tocam um órgão ótimo, aliás. The Jackets, da Suíça, definitivamente me pegaram ao vivo. Eu gosto muito do The Routes, The Baron Four (ex-Vicars) também, e eu curto muito muito The Pacifics, de Dublin, que estão tocando early beat juvenil e cru com surf e rock and roll, uma mistura de Beatles e The Barracudas. Frowning Clouds da Austrália têm sua própria identidade, e vocês sortudos e sortudas têm muitas bandas legais na América do Sul: nós curtimos muito Los Peyotes e Los Explosivos, só para citar duas. Autoramas são grandes amigos, também. Eu estou muito curiosa para ver The Ar-Kaics dos Estados Unidos, eles irão tocar no festival superlegal Garageville em Hamburgo ano que vem. Hmmmmm… por favor me pare, eu poderia falar sobre isso por horas. Conclusão: eu não estou nem um pouco interessada em bandas covers, mas em bandas criando sua própria “salad”. Sim, eu amo isso!

Ralph: Concordo e não tenho muito a adicionar. Especialmente The Youth, que me deixou de boca aberta depois de ver um show deles na Alemanha.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Raphael Fernandes, editor da revista Mad e roteirista

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Raphael Fernandes
Raphael Fernandes, editor da revista Mad

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Raphael Fernandes, roteirista e criador de quadrinhos como “Apagão – Cidade Sem Luz/Lei” e editor da versão brasileira da mundialmente famosa revista Mad.

“Parece moleza, mas selecionar cinco músicas desconhecidas que você quer apresentar para as pessoas é uma tarefa cruel. É um tal de lembrar de músicas que você não sabe o nome direito! Coisas que você adora ficando de fora”, explicou Rapha. “Aquela sensação de que tudo o que você escolheu é batido pra quem manja do assunto. No entanto, fiz um esforço mental e selecionei aquelas 5 músicas malucas que estalam na minha cabeça toda vez que escuto! Os hits de um inferninho que sempre sonhei”.

Eduardo Araújo“Nem sim, Nem Não”

“Pra começar conheça essa pedrada da fase psicodélica do Eduardo Araújo, que com a guitarra de Lanny Gordin construiu um dos maiores sons da história do rock nacional. Recomendo também caçar os discos dessa fase dele e de sua futura esposa Silvinha!”

Gun“Race With the Devil”

“Gosto muito de deixar o Youtube tocando uma sequência de coisas que não fui eu quem selecionou. Nessas de ser um audionauta, acabei descobrindo esse disco maravilhoso do Gun. Uma daquelas bandas que você simplesmente não entende como não bombaram loucamente! Devore o disco todo! Sim, as minas do Girlschool fizeram uma cover da hora desse som”.

La Femme“Sur La Planche”

“Outra que descobri procurando discos viajados para deixar rolando enquanto escrevo quadrinhos. Esse disco incrível do La Femme não só me tira desse mundo, como me manda pra um lugar muito mais louco. Perfeito para quem curte um trip hop, space rock e shoegazer. Como se a France Gall tocasse com uma banda de kraut rock!”

Eiko Shuri“Yê-Yê”

“Provavelmente, a mais sensacional música na pegada Nancy Sinatra do mundo! Esse som ficou famoso por causa de um comercial que divulgava a moda dos mods e era estrelado pela sensacional Twiggy! Vá cortar seu cabelo curtinho, vestir seu terno descolado e ligar sua vespa que esse som é pra dançar ao estilo Austin Powers!”

Novas“The Crusher”

“Engraçado como são as coisas! Não encontrei nem a pau a versão em espanhol de The Kinks que eu tanto adoro, mas a minha próxima opção seria “The Crusher”. Daí o João pirou que o nome combina com o site! Escolha forçada perfeita, pois é a voz gutural que deu início ao rock ‘n roll alucinado e selvagem do garage rock! Espero ser convidado novamente, pois faria uma lista só com bandas malucas de heavy metal ou surf! Ou mesmo nacionais!”

Londrinos do Harry Violet and The Sharks trazem o saxofone de volta para o rock’n’roll em “Jungle Cavalcade”

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harry violet and the sharks

Os londrinos Harry Violet and The Sharks acabam de lançar seu primeiro single de 7″, “Jungle Cavalcade/Dance At Korova” e seu som calcado no rockabilly de garagem com um saxofone à frente chama a atenção logo de cara. Tocando algo que eles definem como “sax driven dark rock’n’roll” com influências de surf music e psychobilly, o grupo está trabalhando em seu primeiro disco completo e buscam uma gravadora para lançá-lo.

Tocando em toda Inglaterra e buscando trazer de volta a crueza do rock’n’roll dos anos 50 e 60, a banda, formada por Mad Max Ellenberger (saxofone), Slim Tim Barrow (baixo), Murdo Mackenzie (bateria) e Harry Violet (vocal e guitarra), surpreende por colocar o saxofone à frente dos outros instrumentos. “Isso me fez rir quando a Courtney Love fez algum comentário descartável sobre saxofones não serem bem-vindos no rock, e alguém muito justamente a colocou em seu lugar simplesmente citando The Sonics“, diz o vocalista.

Conversei com Harry sobre a carreira da banda, o poder de um solo de saxofone e o futuro do rock’n’roll:

– Como a banda começou?

Eu cresci na zona rural em uma pequena cidade da Inglaterra, onde não acontece muita coisa e decidi criar um festival de música Do It Yourself sem fins lucrativos em um campo vazio, onde bandas e pessoas vieram para ter algo para fazer. Formei uma banda tocando rock and roll dos 50s e 60s, beat e garage rock com alguns dos meus amigos com uma configuração de guitarra/saxofone já que isso era uma espécie de interesse musical obscuro que eu tinha borbulhando. Tocar esse estilo de música ao vivo em um ambiente fez mais sentido do que qualquer uma das outras bandas onde eu já tinha tocado, as pessoas reagiram imediatamente e curtiram muito a música. Eu continuei montando bandas que acabaram ficando residentes em bares, e sendo contratado para fazer shows – e acabamos indo a Hamberg! Neste ponto, nós estávamos apenas tocando tudo o que achávamos bom – de Little Richard a Curtis Lee.

Voltei para Londres e meu reuni com meus amigos para criar outra banda com essa pegada. Nós começamos a ensaiar em 2014 tocando rock and roll/surf music, tocamos em alguns shows para promotores e aprendemos o quão pouco a gente sabia sobre música ao vivo em Londres e como era fácil ser esquecido. Perdemos um baterista que foi buscar seu sonhp de carreira no verão de 2014 e passamos seis meses procurando um substituto. Através de algum tipo de pacto com o diabo, nossas orações foram respondidas por Murdo, que tem muita experiência tocando com um monte de bandas de rockabilly, rock and roll e psychobilly. As peças se encaixaram desde o primeiro ensaio. Cerca de dois ensaios depois, no início de 2015, nosso saxofonista Max teve um derrame. Nós somos a banda mais sortuda do mundo por ainda tê-lo conosco, e por ele ter se recuperado tão rapidamente.

Com o tempo em que Max ficou incapaz de tocar, e até mesmo pelas dificuldades pelas que ele passou, colocando a vida em perspectiva, percebemos que não queria perder tempo e queríamos tocar nossas próprias músicas e lançá-las. Registramos nossas duas primeiras gravações em abril e produzimos o disco de sete polegadas nós mesmos, já que não queríamos esperar. Queríamos levar a nossa música diretamente para as pessoas, no formato de vinil que faz parte de toda a subcultura do rock and roll. Tivemos a festa de lançamento do single mês passado, que nós mesmos organizamos e colocamos um diversificado line-up de bandas com influências como blues, cantores dos anos 50 e David Lynch. Tivemos uma multidão incrivelmente receptiva por toda a noite. Foi uma transformação completa do que rolava tocando para promotores desinteressados ​​quando começamos em Londres.

harry violet and the sharks

– “Sax-driven rock’n’roll”. O saxofone era um instrumento muito importante no início do rock and roll. Porque ele foi deixado de lado nesse estilo?

Acho que você tem que olhar para o desenvolvimento do rock and roll. Eu examino regularmente as diferenças e os efeitos que as diferenças sutis na forma de tocar têm sobre os estilos do rock and roll e rockabilly. Rock and roll, surf rock, garage rock, o movimento beat – e estes são os estilos de música que aconteceram ao longo de um período relativamente curto de tempo e são diretamente ligados e influenciados uns pelos outros – possuem enormes diferenças estilísticas distintas. Talvez tenha sido a maneira que a música continua a avançar para bem ou para mal – ou pelo menos o que é popular e chama a atenção das pessoas. Em meados dos anos sessenta, o rock and roll tinha sido assumido por uma nova geração, e até o final da década as coisas foram se transformando em rock psicodélico, todo o som Jefferson Airplane. O rock and roll veio de jazz e blues, que é de onde o saxofone vem, mas acho que, talvez, a fim de criar um som novo ou fresco, será que as pessoas queriam distanciar-se dos velhos sons do saxofone? A guitarra é um instrumento que lidera, e foi a responsável em grande parte pela era do rock and roll, então a guitarra tornou-se o novo ponto focal.

Também rolou a mudança potencialmente mais focada nas guitarras serem o instrumento que as pessoas mais jovens que gostavam de música queriam tocar. Elas são mais baratas do que saxofones e mais fácil de pegar e começar a tocar acordes. Um monte de músicas importantes que surgiram na segunda parte do século 20 foram feitas por pessoas com uma atitude muito DIY, e uma guitarra é como um instrumento muito mais DIY. É também um instrumento com um tom tão maleável. Começando com Link Wray ou os Kinks, distorção e, em seguida, outros efeitos de guitarra que ofereceram uma nova maneira inventiva para criar. A cultura tem seguido este caminho para uma medida tão lógica, que agora, ao contrário, ter um saxofone no rock é um instrumento que soa muito excitante e exótico. Isso me fez rir quando a Courtney Love fez algum comentário descartável sobre saxofones não serem bem-vindos no rock, e alguém muito justamente a colocou em seu lugar simplesmente citando The Sonics.

– Quais são suas maiores influências musicais?

Tentamos tirar tudo o que gostamos na linhagem e história do rock and roll. Nosso som vem de uma guitarra, um saxofone, um baixo elétrico e um kit de bateria, o que significa que, no que se refere ao rock and roll, você é colocado em um lugar específico com essa formação. Você não é uma banda de rockabilly para iniciantes. Mas queremos tentar evitar replicar completamente um som anterior. Estamos interessados ​​em utilizar as ferramentas e técnicas do rock and roll e surf, e ver o que nós podemos criar. Quanto à influências, podem ser Screamin ‘Jay Hawkins, mas ao mesmo tempo que podem ser determinadas faixas do “Blue Valentines” do Tom Waits. Nós amamos surf rock, mas nós não somos uma banda instrumental. Queremos tentar capturar a crueza de bandas como The Sonics, Link Wray, mas também o rock and roll dark – seja Vince Taylor com “Brand New Cadillac”, Charlie Pena com ‘Can’t Hardly Stand It’ ou bandas como The Cramps. Recentemente eu estive realmente curtindo o som instrumental assustador do The Viscounts. Estamos todos tentando encontrar lados e sentimentos interessantes dentro do rock and roll para inspiração. Alguns exemplos de sons com saxofone que realmente nos deixam animados, e o uso de ruído, são o Lounge Lizards, Charles Mingus e Roland Kirk. Este tipo de influências são mais difíceis de incorporar em um formato rock and roll, mas queremos tentar incorporar alguns desses momentos. A minha música preferida e do Murdo que sempre tocamos juntos é “She’s My Witch”, do Kip Tyler.

– Me fale um pouco mais sobre “Jungle Cavalcade” e “Dance At Korova”.

“Jungle Cavalcade” e “Dance At Korova” foram os dois primeiros sons originais que nós escrevemos como banda. O título de “Jungle Cavalcade” vem de um dos filmes de Frank Buck. Ele foi essa incrível versão 1930 excêntrica de Steve Irwin que fez os primeiros filmes de sucesso de aventura na selva, onde você podia ver imagens ao vivo de panteras e tigres em combate em filme preto e branco. Ou uma python pulando fora de um arbusto e mordendo a sua mão, e um de seus meninos cortando-a com um facão antes ele atire na cabeça da cobra. Você não pode aplicar a ética de hoje para algumas das coisas que acontecem nesses filmes, mas é uma relíquia fascinante. Isse foi a inspiração para fazer uma canção “selva”, na veia de tantas grandes músicas “da selva” do rock and roll – seja “Jungle Rock” de Hank Mizell ou “King Kong” do Big T Tyler. Há uma série de vocais na faixa, rosnados sujos, rudes e obscuros e também o coro agudo mais tradicional. Quando tocamos ao vivo a crueza é uma grande parte do nosso som, particularmente no final de uma ou duas horas de show suado e queríamos que o lado A agarrasse as pessoas desta forma. É uma grande história fantástica, escura e colorida com um absolutamente nocauteador solo de saxofone de Max, que é o que realmente eleva a faixa. É o suficiente para mostrar para Courtney Love exatamente o motivo pelo qual o saxofone absolutamente pertence no rock. “Dance At Korova” novamente faz referência à Laranja Mecânica – um dos meus livros e filmes favoritos. Estou constantemente fascinado pelo relativismo moral e desconstrução, e a música segue o tipo de formato lírico blues/rock and roll, mas acrescentando uma espécie de moralidade anti-capitalista e anti-moralidade. Ela flerta com as idéias de divertimento do lado escuro, e da loucura da juventude dos personagens em Laranja Mecânica. Ela termina com uma curta seção anti-solo antes de finalizar em um colapso surf rock à toda velocidade.

– O que você acha do rock que é lançado hoje em dia?

Nós todos temos diferentes gostos musicais, e ouvimos um monte de coisas rock and roll e fora do rock and roll. Eu defino rock and roll como música que é fiel aos 50s e 60s, e eu acho que como com qualquer subgênero ou subcultura, há sempre coisas ótimas sendo lançadas. Tenho a impressão de que no momento há dois grandes movimentos que são rockabilly ou garage rock (e as bandas de surf que parecem ser aceitas em todos os lugares). Há grandes gravadoras que parecem ser realmente ativas em todos esses campos – por exemplo a Wild Records, Hi Style, Rhytm Bomb ou até mesmo selos de Londres como o Dirty Water Music. Obviamente JD McPherson está trazendo um público mais amplo para música, como pessoas como Jack White têm feito por um longo tempo, e eu acho que isso é ótimo, já que qualquer subcultura às vezes corre o risco de tornar-se fechada para novas adesões. Mesmo uma banda como The Wytches (que eu adoro) tem uma ligação com os riffs de surf – e é interessante ver novas misturas. Em Londres, nos últimos meses, eu vi The Caezars e The Bombers Delta, entre outros, que comprovam a vitalidade do rock and roll em 2015. Os álbuns e artistas que realmente importam em qualquer estilo de rock estão sendo feitos por pessoas derramam sua vida e seu próprio dinheiro para fazer música, o que torna as coisas realmente difíceis para as pessoas. A “indústria” da música está em um momento ridículo agora, mas isso não significa que as pessoas que estão fazendo música, e as pessoas que estão fazendo o rock and roll, estão fazendo isso pelas razões certas. É apenas uma vergonha que seja um estilo meio “nicho” de música.

– Como você definiria o som da banda?

Nós nos descrevemos como dark sax-driven rock and roll. Nos definimos assim pelo fato de que nós não somos uma banda de rockabilly e nós não somos uma banda de garage, por isso estamos tentando encontrar uma maneira de escrever música com a formação que nos interessa. Queremos que cada música que escrevemos seja diferente, e tentamos não nos repetir muito. Eu acho que ter um saxofone realmente define o nosso som.

– O visual e perfomance em shows contam tanto quanto a música para fazer uma banda de sucesso?

Para qualquer banda hoje em dia, shows ao vivo importam – quer você queira ou não. Shows ao vivo para nós são uma desculpa para vestir blazers e gravatas, e nós amamos isso. Não há dúvida de que quando tocamos ao vivo o fato de que temos uma estética que é autêntica para a subcultura da música que estamos tocando é importante, mas também é visualmente estimulante de qualquer maneira deixar uma impressão positiva nas pessoas. Nós tendemos a ser bem loucos tocando ao vivo, e eu costumo deixar todo o piso do palco molhado de suor. Você tem que ter algo interessante ou apaixonado para que as pessoas se interessem em seu show ao vivo. Com o rock and roll, tem de ser energia. Mas você não pode analisá-lo demais, ou não vai ser genuíno. A nossa abordagem é importante para que o sentimento seja certo. Um show cru e intenso com imperfeições musicais é muito melhor do que algo estático e ensaiado. Contudo, no final do dia, a música é tudo. Nós queremos criar o nosso próprio som, e não queremos ser essencialmente uma banda de covers, então o foco central de tudo o que fazemos é avaliar constantemente a música acima de tudo.

harry violet and the sharks

– Se você pudesse trabalhar com qualquer músico / artista, quem seria?

Eu acho que os lançamentos recentes de Marcel Bontempi são uma visão perfeita do que uma interpretação moderna e ainda fiel ao rock and roll pode ser. Eu amo o som de seus discos, mesmo quando ele vai para talvez um som um pouco mais polido, mas eu acho que ele tem uma abordagem tão fascinante e cumprindo de forma consistente o serviço ao rock and roll.

– Quais são os próximos passos de Harry Violet and The Sharks?

Estivemos muito ocupados fazendo um clipe, e fazendo tudo sozinhos para lançar o nosso disco nos últimos meses, por isso nosso foco agora é continuar a escrever material original e continuar aprimorando. Gostaríamos muito de lançar nosso próximo álbum em uma gravadora, mas por agora, temos que continuar escrevendo e continuar tocando ao vivo.

– Recomendem algumas bandas que chamaram sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)

Eu estou curtindo determinados discos em particular, não necessariamente exatamente no momento que eles saem. O 45″ do The Guest Villands “Tornado”/“Forbidden Feelings” tem sido um favorito absoluto com uma destilação perfeita de som – e uma vibe assustadora meio The Viscounts no Lado B. Estou ouvindo menos Garage, mas me apaixonei pelo disco do The Wrong Society “To Be Free” – talvez por ser algo diferente do que eu tenho escutado. Neste verão eu dirigi um pouco um trator e estava ouvindo muito o primeiro disco do The Bellfuries de 2001, que é um excelente rockabilly misturado com Hank Williams, e novamente os EPs 7″ de Marcel Bontempi e sua compilação do ano passado “Witches, Spiders, Frogs and Holes”, um álbum impecável. Dito isso, o último registro que eu comprei foi o primeiro álbum “The Dead Cosmic” do Cardeal Fuzz de drone-krautrock.

25 grandes bandas e artistas fictícios que só existiram na TV e cinema (e seus maiores hits)

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Spinal Tap

Às vezes, a gente assiste um filme ou série de TV e acaba ficando com a música grudada na cabeça. Normalmente a música é de uma banda famosa e acabou entrando na trilha sonora, mas em muitas vezes a musiquinhas chicletuda que gruda no cérebro vem de uma banda totalmente nova, fictícia, que existe somente no mundo do cinema ou da TV. Ou vai me dizer que você nunca cantarolou “That Thing You Do”? Aqui, uma lista de 25 das mais incríveis bandas que já passaram pelo cinema e TV (e só existiram por lá):

Biro Biro (Castelo Rá-Tim-Bum)
Hit: “Meu Nome É Biro Biro”

Se você viveu os anos 90 com a fuça grudada na TV Cultura, talvez se lembre do jovem que era sensação no Castelo: Biro Biro. Com seu refrão chiclete “eta, eta/já larguei chupeta”, o rapazote conquistou o coração (e os ouvidos) de Nino, Pedro, Biba e Zequinha. Cuidado: a música gruda tanto na cabeça quanto comercial de TV.

School Of Rock (School Of Rock)
Hit: “School Of Rock”

Jack Black faz papel de Jack Black como Dewey Finn, um cara que se infiltra como professor substituto em uma escola, descobre que a criançada manda bem pra caralho musicalmente e resolve inscrevê-las em uma batalha de bandas com a música que o jovem guitarrista Zack compôs. Ficam em segundo lugar, mas a música é incrível:

The Beets (Doug)
Hit: “Mingau Matador” (ou “Killer Tofu”)

Mais uma pra quem era viciado na TV Cultura dos 90s: Os Beets! Uma paródia dos Beatles (só no nome), a banda preferida de Doug Funnie tocava o grande sucesso “Mingau Matador” (“Killer Tofu” no original, acho que os dubladores não acreditavam na penetração da soja no gosto nacional) e o lado B (para os hipsters da Nickelodeon“I Need More Allowance”.

Também Sou Hype (Hermes e Renato)
Hit: “Bichinho de Matar Com Pedra”

O Hermes e Renato é genial na hora de criar bandas fictícias. Temos o Massacration, o Emofrodita, o axé Axêgo e tantas outras. Eu escolhi o Também Sou Hype pois é uma das melhores paródias do overrated (eu acho, tô nem aí) sucesso do Cansei de Ser Sexy no começo dos anos 2000. Além de grudar na cabeça tanto quanto (ou até mais) do que as músicas dos parodiados.

Weird Sisters (Harry Potter)
Hit: “Do The Hypogriff”

O filme “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” trouxe a cena com a apresentação da banda Weird Sisters. Praticamente um supergrupo indie em um filme mágico: Jarvis Cocker (do Pulp) como Myron Wagtail nos vocais, Jonny Greenwood (do Radiohead) como Kirley Duke na guitarra, Jason Buckle (do All Seeing I) como Heathcote Barbary, também na guitarra, Steve Mackey (do Pulp) como Donaghan Tremlett, no baixo, Steven Claydon (do Add N to (X)) como Gideon Crumb, nos teclados e gaita de fole, e Phil Selway (do Radiohead) como Orsino Thruston na bateria!

Stillwater (Quase Famosos)
Hit: “Fever Dog”

A mais bela mistura de Led Zeppelin com Deep Purple, The Who e tudo que é banda setentista que você pode imaginar, só que com Jason Lee nos vocais. O single principal da banda, “Fever Dog” não faria feio dentro do “Led Zeppelin IV”, por exemplo.

Big Bad Boys (Mundo da Lua)
Hit: “Somos os Big Bad Boys”

Tá, é a última banda de TV Cultura que coloco aqui. Mas, provavelmente é a mais divertida até agora: uma boy band de raiz, já que é realmente formada por ~boys~ de até 13 anos no máximo, entre eles um Caio Blat minúsculo. A letra do hit “Somos Os Big Bad Boys” é algo como “Tremendo”, do grupo Tremendo: um refrão chiclete e os membros se apresentando:

Bad Blake (Coração Louco)
Hit: “The Weary Kind”

Sim, Jeff Bridges ainda está a cara de Dude Lebowski neste filme. Porém, aqui ele é Bad Blake, um cantor country lutando contra seus demônios e destilando grandes e lindas canções de amargura. Como “The Weary Kind”:

Dewey Cox (Walk Hard)
Hit: “Let’s Duet”

A paródia de “Walk The Line”, biografia de Johnny Cash, traz John C. Reilly como Dewey Cox, uma versão bizarra de Cash que canta músicas cheias de trocadilhos e em sua velhice, ganha um sample da palavra “hard” em um rap. Aqui, ele canta com sua ~June~ o trocadilho infame “Let’s Duet”:

Figrin D’an and the Modal Nodes (Star Wars)
Hit: “Cantina Band #1”

A banda mais famosa de uma galáxia muito, muito distante. Também conhecida como The Cantina Band, o grupo de Figrin D’an toca sempre em um boteco barra pesada em Mos Eisley. Um lugar onde qualquer treta pode te deixar maneta e onde Harrison Ford sempre atira primeiro… com uma trilha bem animadinha:

The Blues Brothers (The Blues Brothers)
Hit: “Shake A Tailfeather”

A dupla de R&B formada por John Belushi e Dan Aykroyd para o Saturday Night Live foi o primeiro quadro do famosos programa de humor a ganhar um filme. E cara, como fez sucesso. Aqui, você confere a duplinha de “Irmãos Cara de Pau” com o mestre Ray Charles tocando “Shake A Tail Feather”:

Vagabanda (Malhação)
Hit: “Por Mais Que Eu Tente”

Tá, esse é um ponto baixo da lista, mas eu precisava citar: a novelinha mais longa de todos os tempos (pelo menos no Brasil) teve uma temporada onde formavam uma bandinha, com Marjorie Estiano liderando. O nome (horrível) escolhido foi Vagabanda, que fez relativo sucesso, já que uma das músicas entrou na trilha da novela (e até nas rádios):

Sex Bob-Omb (Scott Pilgrim Contra o Mundo)
Hit: “Garbage Truck”

Compostas por Beck, as músicas do Sex Bob-Omb de Scott Pilgrim (Michael Cera) são cheias de energia noventista e barulho a dar com pau. Acho que é o mínimo que se espera de trilha para derrotar sete ex-namorados demoníacos.

Spinal Tap (Spinal Tap)
Hit: “Tonight I’m Gonna Rock You Tonight”

É lógico que nenhuma lista de bandas de filmes pode deixar de fora o grande Spinal Tap. Banda que parodia o N.W.O.B.H.M. e apareceu primeiro no programa The T.V. Show e depois no filme “This Is Spinal Tap”, um mockumentary de Rob Reiner que para muitos é o melhor filme de rock de todos os tempos!

Heavy Trap’s (Os Trapalhões No Reino da Fantasia)
Hit: “Hoje Não É Meu Dia de Sorte”

No filme “Os Trapalhões No Reino da Fantasia”, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias fizeram sua versão “roqueira”, com o tímido Zacarias encarnando uma versão mineira de Brian Johnson, do AC/DC, para cantar “Hoje Não É Meu Dia de Sorte”:

Wyld Stallyns (Bill and Ted’s Excellent Adventure)
Hit: “Be Excellent to Each Other”

A dupla Bill S. Preston (Alex Winter) e Ted Theodore Logan (Keanu Reeves) viajou pelo tempo para salvar o mundo. Mas o mais importante para a lista é que eles são fãs de heavy metal e formam a banda Wyld Stallyns (dublado, virou “Metaleiros da Pesada”, se não me engano). Em um dos filmes, a faixa do Kiss “God Gave Rock and Roll to You” é atribuída a eles. Mas aqui, você ouve a clássica “Be Excellent To Each Other”:

Sadgasm (The Simpsons)
Hit: “Margerine”

Tá, se eu fosse reunir todas as bandas e artistas que Os Simpsons já criaram em sua longa vida, daria uma lista só deles. Apesar de amar Os Bem Afinados (The Be Sharps), o “Beatles” de Homer, escolhi o Sadgasm, a incursão de Homer Simpson pelo grunge. Ele emula um Kurt Cobain deprê, mostrando até uma seringa descendo pela privada:

Dr. Teeth and the Electric Mayhem (The Muppet Show)
Hit: “Love Ya to Death”

Como esquecer da banda dos Muppets, que tem uma mistura de Keith Moon, John Bonham e bichinho de pelúcia, o Animal, descendo a mão na bateria? A banda setentista/hard/psicodélica/roqueirona sempre acompanhou os Muppets, e está na ativa na nova série dos bonecos, que está no ar no Canal Sony:

Jesse and The Rippers (Full House)
Hit: “Forever”

Se você assistia a série da família gigantesca com três crianças e tantos momentos “fofos”, deve lembrar do Tio Jesse Katsopolis, viciado em Elvis Presley, e sua banda The Rippers. Pois é, eles gravam uma canção chamada “Forever”, que na verdade é dos Beach Boys (saiu no disco “Sunflower”, de 1970). Mas você vai lembrar mesmo é do John Stamos:

Phoebe Buffay (Friends)
Hit: “Smelly Cat”

Uma das séries de maior sucesso tinha em seu elenco principal a ~música~ Phoebe Buffay, que tocava um violão sofrível em músicas divertidas como “Crazy Underwear”, “Jingle Bitch” e “Sticky Shoes” e seu hit mais famoso “Smelly Cat”, que ganhou até um clipe superproduzido no maior estilo anos 90 de ser:

The Chipmunks (Alvin and The Chipmunks)
Hit: “The Chipmunk Song (Christmas Don’t Be Late)”

Criados em 1958 pelo verdadeiro Dave Seville, Ross Bagdasarian, Sr., os Chipmunks nada mais eram do que vozes adulteradas. Com o sucesso da fofa canção de Natal “The Chipmunk Song”, eles viraram desenho animado, revistas e até uma série de filmes. Ah, e Alvin foi o precursor do Bart Simpson way of life, devemos dizer:

Steel Dragon (Rockstar)
Hit: “We All Die Young”

O filme que é quase uma cinebiografia disfarçada de Ripper Owens, o vocalista de banda cover que substituiu Rob Halford no Judas Priest. Sua trilha tem sons da banda fictícia Steel Dragon, formada por um supergrupo do metal: Jason Bonham na bateria, Jeff Pilson no baixo e Zakk Wylde na guitarra!

The Archies (Archie)
Hit: “Sugar Sugar”

Aqui eles não fizeram tanto sucesso, mas nos EUA, as revistinhas do Archie são quase como a nossa Turma da Mônica. E foi a versão animada do The Archies que lançou o hit “Sugar Sugar”, que chegou até a ser tema de novela aqui no Brasil:

Josie and The Pussycats (Josie and The Pussycats)
Hit: “Josie and The Pussycats”

O trio de garotas roqueiras fez muito sucesso com seu desenho da Hanna Barbera lá nos anos 60. O filme baseado no desenho também merece uma menção: fala sobre a indústria da música, mensagens subliminares e conta com Kay Hanley, da banda Letters to Cleo, como a voz de Josie nas músicas.

The Oneders (The Wonders)
Hit: “That Thing You Do!”

Esse aqui é sem dúvidas o maior hit de uma banda que só existiu nos filmes. “That Thing You Do” fez muito sucesso e toca até hoje em rádios, festas, baladas e tudo que é lugar. Pois é, o filme sobre uma banda one hit wonder quebrou a quarta parede e criou um one hit wonder de verdade!

Lógico que faltaram MILHÕES de bandas ficcionais dignas de nota. Para suprir essa falta, uma pequena homenagem às melhores e piores bandas, cantores, músicos e artistas que já passaram pela telinha e telona:

Contém:

01 The Lone Rangers (Airheads)
02 Dewey Cox (Walk Hard: The Dewey Cox Story)
03 Spinal Tap (This is Spinal Tap)
04 The Pinheads (Back to the Future)
05 Weird Sisters (Harry Potter and the Goblet of Fire)
06 Max Frost + the Troopers (Wild In the Streets)
07 The Blues Brothers (The Blues Brothers)
08 The Soggy Bottom Boys (O Brother, Where Art Thou?)
09 The Swanky Modes (Tapeheads)
10 Marvin Berry + the Starlighters (Back to the Future)
11 Figrin D’an and the Modal Nodes (Star Wars)
12 The Wonders (That Thing You Do!)
13 The Folksmen (A Mighty Wind)
14 The New Main Street Singers (A Mighty Wind)
15 Mitch & Mickey (A Mighty Wind)
16 Three Times One Minus One (Run, Ronnie, Run)
17 2GE+HER (2GE+HER: The Original Movie)
18 Diva Plavalaguna (The Fifth Element)
19 Laura Charles (The Last Dragon)
20 Cassandra and Crucial Taunt (Wayne’s World)
21 Dr. Teeth and the Electric Mayhem (The Muppet Movie)
22 Josie & The Pussycats (Josie & The Pussycats)
23 Wyld Stallyns (Bill & Ted’s Excellent Adventure/Bogus Journey)

 

“O rock é um cadáver que às vezes vomita coisas maravilhosas”, diz a banda Electric Brains

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Vile Jelly, do Electric Brains

Vinda diretamente de Hebden Bridge, na Inglaterra, a trupe de malucos do The Electric Brains investe pesado na doideira a la Cramps. A gangue de Professor Weird (teremim, omnichord, moog, cítara, flauta, stylophone e “objetos eletrônicos esquisitos”), Sarah Bellum (baixo e vocal), Laura Limbic (backing vocal e dançarina), Opaz Breen (guitarra);  Mooch (bateria e percussão) e Captain Keys (teclados) não brinca em serviço: além de assumir os personagens até o fim, o sexteto manda um punk rock psychobilly trash cheio de psicodelia e diversão.

Com um álbum recém-lançado (“Vile Jelly”), a banda se apresenta constantemente no Hipsville, um bar de Londres que sempre tem algum show com bandas de garage, rockabilly, punk, rock e soul.

Conversei com os seis seres de outro planeta sobre punk rock, streaming, rock sem guitarras e transplantes de cérebro (?):

– Como a banda começou?

A banda começou como 5 cérebros em jarras de vidro. Mad Professor Weird nos transplantou para nossos corpos atuais para formar o The Electric Brains!

– Quais são suas maiores influências musicais?

13th Floor Elevators, The Fuzztones, The Sonics, Captain Beefheart, The United States of America (a banda, não o país), Jon Wayne (a banda, não o ator!),  Brian Jonestown Massacre, Slade, The Sweet, The Revillos, The Standells, The Ramones, Sleater-Kinney, PJ Harvey, The Staggers, Wild Evel and the Trashbones, The Jackets, The Shook-Ups, The Cynics, The Mummies, The Cramps, The Saints, Iggy and the Stooges, Suzi Quattro, The Bee Gees, The Stomachmouths, Bongwater, King Missile, The Teardrop Explodes, bandas das coletêneas Nuggets / Pebbles / Rubbles e na verdade qualquer coisa trash e garage punk rock’n’roll & psicodélica!

– Como vocês descreveriam um show do The Electric Brains?

Uma viagem selvagem, começando na selva mais escura, com homens das cavernas e gorilas, indo até os confins do espaço sideral, passando por uma viagem de ácido e acabando em algum lugar do outro lado do sol.

– Vocês acabaram de lançar um disco, certo?

Acabamos de produzir nosso primeiro disco, “Vile Jelly”. Não assinamos com ninguém, estamos fazendo tudo do nosso jeito!

– Vocês sempre estão em turnê. Onde foi o melhor lugar que já tocaram?

Não são muitos lugares que nos aceitam! A coisa fica bem selvagem e bagunçada! Você constantemente pode encontrar o Captain Keys passando o aspirador de pó depois de um show às 3 da manhã (Ele tem TOC – e não consegue controlar sua limpeza compulsiva).

– O rock and roll está vivão e vivendo ou, como Gene Simmons falou, morreu?

Infelizmente, hoje em dia é basicamente um cadáver. Às vezes ele se mexe, têm algumas contrações e vomita algo brilhante.

– O que vocês acham dos serviços de streaming?

Para citar Anton Newcombe, nós somos os carteiros, esta é nossa carta. Abra e leia de graça. É por nossa conta.

The Electric Brains

– O que vocês acham do rock indie sem guitarras que domina hoje em dia?

Tosco.  Veja a resposta anterior sobre o rock ser um cadáver.

– O Youtube ajuda bandas a ficarem conhecidas mundialmente?

Apenas se elas tiverem grandes orçamentos bancados por empresas para pagar pelas propagandas caríssimas do canal.

– Quais são os próximos passos do The Electric Brains?

Acabamos de escrever 3 novas músicas de garage punk brilhantes! Nossa ambição é que talvez em 20 anos alguém procure por nossos sons e nos coloque em alguma compilação no esquema de Pebbles ou Nuggets. Até lá, continuaremos tocando ao vivo e nos divertindo muito!

– Recomendem algumas bandas que chamaram sua atenção ultimamente.

Ouvimos muitas bandas bacanas no Hipsville nos finais de semana!  Nós amamos The Shook-UpsThe Stags; The Jackets, The Anomalies, Guida, The TikiHeads, Wild Evel and the Trashbones, The Allah-Las, The See See e muitas outras!

A dupla Horror Deluxe mistura The Cramps e José Mojica Marins com B-52’s em seu psychobilly apunkalhado

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Dupla Horror Deluxe

O Horror Deluxe junta a crueza do punk, o ritmo do rockabilly e as deliciosas histórias de terror que inspiraram tantas músicas incríveis pelo mundo. A dupla faz um som poderoso repleto de fuzz e com uma bateria primal dançante cheia de energia.

Prix Overkill (bateria e voz) e Rogerio Ucra (guitarra e voz) são de Pouso Alto e começaram como uma marca de roupas e acessórios. Depois de um convite para participar de um tributo ao The Cramps, a dupla começou a tocar e nunca mais parou. Seus trabalhos ganharam muitos elogios, inclusive do Examiner. “Sabe quando às vezes você descobre uma banda e quer ouvir tudo o que eles têm a oferecer? Isso aconteceu comigo quando conheci o Horror Deluxe”, escreveram na resenha do disco “Bikini e Coturno”, de 2014.

Conversei com Prix e Ucra sobre sua carreira, a música pop atual (que eles não ouvem) e a vida de uma banda independente:

– Como a banda começou?

Prix: A Deluxe começou como marca de roupas e acessórios. Um produtor fonográfico viu nosso visual e nos chamou pra participar de um tributo ao Cramps. Aceitamos e gravamos sem nunca ter gravado nada antes. Inventamos o som na marra. O tributo foi cancelado. Melhor assim (risos)!

– De onde surgiu o nome da banda?

Prix: Fizemos uma lista de nomes que tinham a ver com o tema e estética que gostamos. E somamos essas duas palavras.

A dupla Horror Deluxe

Ucra: Um encontro de Zé Mojica Marins com The B-52’s.

– Quais são suas principais influências musicais?

Ucra: Replicantes. A demo ‘Pirata’ é meu ‘disco’ favorito.

Prix: The Cramps, Ramones, Motörhead, Toy Dolls, Mercenárias e Garotos Podres. Gosto do The Cure. Gosto de Dark e New Wave. Gosto das 5,6,7,8’s. Todos esses nos influenciam.

– Como é o processo de composição?

Prix: Varia. Algumas músicas vêm de uma base de bateria. Outras partem de letras que escrevemos juntos nos ensaios. A guitarra dita o começo de ideias ou às vezes é a última a falar.

– Se pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?

Ucra: Gravamos um disco com versões de tracks que amamos. Tocamos algumas delas ao vivo. Bons exemplos são ‘Zombi B. Good’, ‘Prix Zombie’ e ‘Hanky Panky’.

Prix: Esse disco se chama ‘Bikini e Coturno’ e tem uma versão da ‘The Girl Can’t Help it’. Fazemos versões. Covers, creio que não vamos fazer.

A dupla Horror Deluxe

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma artista independente?

Prix: Não temos dificuldades. Somos livres. Gostamos dos desafios.

Ucra: Desconheço esquemas de grandes gravadoras. A Horror Deluxe nasceu fora disso. Temos parceria com selos fantásticos. Vamos continuar investindo nesse formato.

– Existem espaços suficientes para bandas autorais hoje em dia no Brasil? O que vocês acham da proliferação de bandas covers?

Ucra: Existe muito espaço. Toda banda encontra um público à altura do que propõe. A banda faz seu caminho pois existe tecnologia pra isso. Acho o cover preguiçoso.

– Qual a sua opinião sobre a música pop que está nas paradas hoje em dia?

Ucra: Desconheço. Ouço o ‘Loco Live’ sem parar (risos)!

Prix: Só ouço punk.

Prix, baterista do Horror Deluxe

– Quais são os próximos passos da banda?

Prix: Somos parte de uma coletânea que saiu a pouco e vamos tocar mais algumas datas em São Paulo divulgando. O disco se chama ‘Weirdo Fervo’ e traz um monte de banda legal.

Ucra: Gravamos um show em K7 com uma sessão de estúdio no lado B que deve sair em setembro.

– Indiquem algumas bandas e artistas novos que vocês adoram. Se possível, independentes!

Prix: Tenho ouvindo a demo de ’83 das Mercenárias. Tem punk rock ativo no Brasil. Muita banda boa. Não quero que isso pare.

Ucra: Indico Os Pontas, Os Hitchcocks, Os Asteróides, The Mullet Monster Mafia, Surfing Bones e Mary ‘O’ and The Pink Flamingos. A lista seria imensa. Mas essas são as que mais escuto no momento.