Depeche Mode faz show histórico no Brasil após 24 anos de espera

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Show Depeche Mode no Allianz Park, foto por Fernanda Gamarano

Tudo começou em uma terça-feira chuvosa com trânsito em SP, uma semana atrás. Mas os fãs de Depeche Mode não estavam ligando para o caos paulistano, afinal, foram 24 anos de espera desde a ultima passagem da banda pelo Brasil! Depois de uma fase conturbada, o Depeche Mode voltou com seu 14° álbum e sua nova turnê mundial, a “Spirit Tour”, com Martin Gore, Andrew Fletcher e Dave Gahan na formação atual, acompanhados dos seus músicos de apoio que já estão na banda a 20 anos, fez os paulistanos chorarem, dançarem, sonharem e flutuarem em uma noite cheias de saudades nostálgicas.

Pontualmente às 21:45, foi só apagar as luzes do Allianz Park e aparecer um telão com uma arte linda toda colorida para a silhueta de Dave Gahan aparecer e a galera pirar aos berros. Abrindo a noite ao som de “Going Backwards”, nova musica do novo álbum “Spirit”. Mas não demorou muito para tocarem um de seus hits, “It’s No Good”, do álbum “Ultra”, veio logo em seguida pra deixar o publico louco e dar aquele gostinho de que vinha mais e prometia deixar todo mundo emocionado ao longo da apresentação.

A chuva deu um descanso logo ao inicio do show, mas os fãs não estavam nem um pouco preocupados, afinal quem se importa com chuva se tem Dave Gahan dançando muito, arriscando umas reboladas (típicas de Gahan em suas apresentações desde dos anos 80), rodopiando, fazendo caras e bocas e agitando o publico praticamente o show INTEIRO? E que frontman: as únicas pausas foram apenas para dar espaço para seu companheiro de banda Martin Gore assumir os vocais em “Insight” e “Home” (que teve direito a um lindo coro do publico regido por ele, um dos ápices da noite)! Estava na cara da banda e do público que todos estavam se divertindo muito e curtindo aquele momento que demorou tanto pra chegar. Foi uma entrega do público e banda, com músicas cantadas do começo ao fim seguidas de palmas e muitos celulares (risos)!

Antes de chegar o momento mais esperado pelos fãs, o show do Depeche Mode teve lindos vídeos, sendo quase um videoclipe ao vivo para cada música, feitos pelo Anton Corbin! O show foi esquentando cada vez mais, com o novo single “Where’s the Revolution?”, o clássico “Everything Counts” (que teve um hino com publico cantando ao fim) e “Stripped”. Pausa aqui porque tá vindo o esperado….

Enfim chegou o momento: foi apenas tocar a primeira nota de “Enjoy the Silence” que os fãs foram à loucura! Um hino cantado com toda a força do começo ao fim, tanto que os vocais de Dave foram cobertos pelo coro! Que energia! Que noite!

E quem disse que acabou por ai? Logo em seguida mandaram “Never Let Me Down Again!” Pausa pro bis, mas não teve pausa pro publico, que ainda estava todo eufórico após “Enjoy the Silence”!

Foto Fernanda Gamarano

E voltaram com nada mais que “Strangelove”, porém com uma versão mais leve, apenas com piano e voz, e quem mandou nos vocais foi Martin. Que voz! Confesso que achei por um momento ia vir aquela pancada que a original tem, mas foi um lindo momento onde todos em uníssono cantaram com Gore!

Foto Fernanda Gamarano

Seguindo o bis, veio aquela para mim uma das musicas que eu mais admiro do Depeche Mode, “Walking in my Shoes”, um momento marcado por um vídeo que mostra um artista binário se maquiando e se arrumando para fazer um show em um bar, colocando um salto lindo e bem alto, pra casar com aquela frase “Try walking in my shoes”, que ao pé da letra quer dizer “tente se colocar no meu lugar”, afinal, vivemos em um mundo onde somos julgados pelos nossos atos o tempo todo.

Para a tristeza de todos. o show estava chegando ao fim. Veio a clássica “A Question of Time”, seguida da segunda mais esperada da noite, “Personal Jesus”, que dispensa comentários. Foi desfecho perfeito pra um show tão energético!

Era o fim do show, mas parecia não ter fim para o publico. Depois do Depeche se despedir do palco, com um caloroso tchau, a galera ficou gritando, cantando e aplaudindo mesmo depois do fim. Será que com esse show histórico eles voltam mais vezes sem uma pausa de 24 anos? É o que todos queremos!

Setlist:
Intro: Revolution (música dos Beatles) / Cover Me (Alt Out)
Going Backwards
It’s No Good
Barrel of a Gun
A Pain That I’m Used To
Useless
Precious
World in My Eyes
Cover Me
Insight (acústica)
Home
In Your Room
Where’s the Revolution
Everything Counts
Stripped
Enjoy the Silence
Never Let Me Down Again
Bis:
Strangelove (acústica)
Walking in My Shoes
A Question of Time
Personal Jesus

Aiure deixa o Vintage Vantage para trás com sensualidade e melancolia em “Erótica & Bad Vibe”

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foto por Thais Mallon

Antigamente conhecido como Vintage Vantage, o trio do Distrito Federal Aiure entra em uma nova fase, cheia de psicodelia, post rock e brasilidade, com o single “Erótica & Bad Vibe”, uma despedida ao antigo nome de batismo e o primeiro passo em uma direção diferente. A faixa faz parte do primeiro álbum da banda, a ser lançado ainda no primeiro semestre, com produção de Gustavo Halfeld.

Com inspiração no rock progressivo e em diversas viagens musicais, Lucas Pacífico (guitarra), Gabriela Ila (piano) e Renan Magão (bateria) fundem sons e exploram caminhos novos com a adição de instrumentos como a viola caipira, reforçando a introdução da música brasileira no caldeirão sonoro do grupo.

“Assim como a maioria das nossas músicas, o Pacífico trouxe o riff e a ideia em geral e eu e o Magão criamos nossos arranjos em cima dele. Essa música foi relativamente fácil de fazer. Não é sempre que temos facilidade em fechar arranjos, mas ela fluiu fácil desde o começo e trouxe a nós uma nova possibilidade de brincar com outros instrumentos e propostas, como o sintetizador e a mini-música de viola caipira no final. Essa proposta de ‘mini-músicas’ ou ‘músicas pequenas de transição’ é algo que fizemos uma vez no nosso single/clipe de “A Divina Comédia” e pretendemos explorar mais no disco”, conta Gabriela.

“Erótica & Bad Vibe” não só é o nome do single, como também a definição do som que a banda faz, unindo sensualidade e melancolia. “Gostamos tanto desse conceito que adotamos como nosso estilo musical”, completa Gabi.

 

– Como rolou a mudança de Vintage Vantage para Aiure?
Magão: Foi difícil, a banda já tinha 2 EPs, 3 clipes e a gente sempre quis mudar de nome, mas sempre faltava coragem. Mas aí depois que começamos a gravar o disco, decidimos que se a gente não mudasse agora, íamos perder a oportunidade. Depois de alguns meses de brainstorming de possíveis nomes, a ideia do Aiure surgiu. Não acho que mudamos tarde, acho que foi na hora que tinha que ser.

– O que vocês trazem da antiga encarnação da banda?
Magão: Tudo! (risos) A banda é a mesma, com os mesmos integrantes e a mesma proposta mas coincidiu da gente estar explorando sons e texturas novas. Acho que combinou bem com o novo nome. O nosso EP “Neblina” é muito dramático, denso e pesado. Mas as nossas novas composições são mais etéreas e menos viscerais. Um pouco mais felizes, mas igualmente bad vibes hahaha muito violao, viola caipira e sintetizadores.

– Aliás, me expliquem o novo nome, “Aiure”!
Magão: Aiure vem de “alhures” que quer dizer “de outro lugar”. Um dia o Pacífico (guitarrista) ouviu Chico Xavier dizer “alhures” numa entrevista. Ele entendeu “aiure”, contou a história pra gente e curtimos a ideia.

– Me contem mais sobre “Erótica & Bad Vibe”.
Gabi: “Erótica & Bad Vibe” é o single que lançamos junto com a mudança do nome. Ele faz parte do disco novo e abre portas pra essa nova sonoridade que comentei antes. É uma musica mais viajadona, mas bem linear.
Dar nome pra músicas instrumentais é um verdadeiro dilema. Às vezes faz sentido, às vezes não.
“Erótico e bad vibe” foi como um integrante da banda descreveu um sonho que teve. A gente achou engraçado e botamos esse nome na música.

– Quais as principais influências da banda?
Gabi: Rock progressivo e música brasileira em geral. Muitas das influências vem de King Crimson, Mars Volta, Hermeto Pascoal e Pink Floyd. Mas depende bastante do que nós estamos ouvindo na época.
Da minha parte, atualmente tenho ouvido muito Vulfpeck e Kamasi Washington e isso transparece bastante nas minhas linhas de piano

– Como vocês definiriam o som do Aiure?
Gabi: Vou citar o meu “eu” de 2003 lá do falecido Orkut e dizer que “~º~º~º QuEm Se DeFine sE LiMitA ~•~•○” (risos) Difícil definir, mas a gente gosta de dizer que nosso som é erótico e bad vibe.

– Vocês estão preparando um disco. Podem adiantar algo sobre ele?
Gabi: O disco tá lindo. Tá quase pronto, inclusive. Estamos na fase de mixagem e masterização.
Ele tem, além de nós 3, várias participações especiais de músicos amigos tocando trompete, percussão, guitarra, baixo, vocal (Sim. Definitivamente não somos mais uma banda 100% instrumental) e um coral. Esse coral é da música “Pedra Souta”, que fizemos em homenagem ao amigo Pedro Souto que faleceu ano passado. O disco vai ser inteiro dedicado à ele.

foto por Thais Mallon

– Me contem mais sobre o conceito de “mini-músicas” que vocês fazem em alguns momentos.
Gabi: As mini-músicas surgiram da ideia de fazer músicas de transição entre uma e outra. Nesse disco vão ter 3 mini-músicas e todas com viola caipira. Sem guitarras com distorções ou baterias barulhentas. É como se a tempestade passasse e ficasse somente a calmaria. “Erótica & Bad Vibe” e “A Divina Comédia” tem mini-músicas. Você pode ouvir ambas no youtube.

– Como vocês veem a cena independente musical hoje em dia e como vocês trabalham dentro dela?
Gabi: A cena independente musical sofre metamorfoses constantes. Às vezes a cena tá massa, às vezes não. Atualmente vivemos uma época boa na cena de Brasília. Muitas bandas novas aparecendo, vejo muito mais adolescentes indo nos shows. Esse vai ser um ano bom no quesito ‘materiais novos’.

– Quais os próximos passos da banda?
Pacífico: Dominação mundial!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Pacífico: Em Brasília, tem atualmente bandas muito fodas que se preparam pra lançar materiais novos em breve também como Joe Silhueta, Toro, Rios Voadores, Cachimbó, Zéfiro, Tiju, Oxy, Palamar. A cena instrumental de Brasília também ta de parabéns com Muntchako, Os Gatunos, Transquarto, A Engrenagem. Aconselhamos ouvir todas!

RockALT faz a segunda edição do RockALT Fest neste domingo com Huey, Molho Negro, Lava Divers, Dum Brothers e Muff Burn Grace

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Nesta edição da nossa coluna vamos falar um pouco sobre as cinco bandas que tocam no nosso evento em comemoração aos 3 anos do RockALT que acontece neste domingo, 08/04. Mais informações sobre o evento no final da página!

Huey
A banda de rock instrumental paulistana formada em 2010 acaba de lançar seu segundo LP “Ma”, os cinco amigos do Huey carregam nos seus riffs os genes de Black Sabbath, Led Zeppelin, QOTSA, Deftones, Sonic Youth e Faith no More, entre outros monstros. Com peso e suavidade, silencio e barulho, as musicas do Huey arrancam com força e fazem curvas a cada fraseado de guitarra, oferecendo uma sonoridade passional ao ouvinte. Mais do que um simples show de rock, uma apresentação do Huey é uma experiência praticamente indescritível e exige ser conferida pessoalmente.

Molho Negro
Os paraenses do Molho Negro trouxeram em seu mais recente LP, “Não É Nada Disso Que Você Pensou” um rock sujo, empolgante, sem frescura e com letras que escracham o status quo em bom português, além de figurar em diversas listas de “Melhores do Ano” em 2017. Após marcar presença em festivais de destaque país afora, João Lemos (guitarra/voz), Raony Pinheiro (baixo) e Augusto Oliveira (bateria) continuam com a mesma personalidade forte e atitude debochada que caracterizam a banda e fazem deles o melhor trio em atividade no rock independente brasileiro.

Lava Divers
O Lava Divers surgiu em Araguari/MG em 2014 formado por Ana Zumpano (bateria/voz), Glauco Ribeiro (baixo/voz), João Paulo Porto (voz/guitarra) e Eddie Shumway (guitarra). Em pouco tempo de estrada a banda já rodou o país e caiu nas graças dos fãs com um som passa pelo grunge, lo-fi, shoegaze, e com toques de um power pop viciante. O álbum “Plush” encabeçou diversas listas de melhores do ano em 2017 e solidificou o nome do Lava Divers entre as bandas mais queridas do cenário alternativo. Se depender de sua música e sua característica simpatia mineira,esse quarteto ainda tem longos anos pela frente.

Dum Brothers
Formado por Bruno Agnoletti (bateria/voz) e Raul Zanardo (guitarra/voz), o power duo da Zona Leste de SP mostra que não é preciso mais do que guitarra e bateria pra fazer um stoner rock cheio de presença e atitude! Apresentando músicas de seu próximo EP “Pt. 2”, além das faixas do EP “Pt. 1” e o single “Fuck The Cops”, música que casa muito bem com o momento que vivemos no país. A dupla compensa o pouco tempo de estrada com muita distorção, criatividade e barulho, encabeçando um verdadeiro levante de duos no cenário independente.

Muff Burn Grace
Banda paulistana formada em 2011, que hoje conta com André Guimarães (guitarra/voz), Felipe Paravani (guitarra), Ricardo Gobar (baixo) e Roberto Salgado (bateria). Altamente influenciados pelo stoner setentista e rock alternativo dos anos 90. O som garageiro, o vocal vibrante e os riffs contagiantes dos caras não perdem em nada para bandas veteranas seja do Brasil, ou de fora. No seu álbum de estreia, o excelente “Urbano” de 2016, é possível ver uma banda com um belo futuro pela frente e mais uma prova disso é o single “Alter Ego” lançado recentemente que promete um álbum monstruoso para 2018.

A oportunidade perfeita pra conferir essas cinco bandas ao vivo em um só dia é domingo agora no RockALT Fest Vol.2!

Data: 08/04/2018
Horário: Das 15h às 22h
Local: Associação Cultural Cecília
Rua Vitorino Carmilo, 449 – Santa Cecília (Metrô Marechal Deodoro)
Mais informações: https://www.facebook.com/events/1599112783541607/

Banheiro Azul: declarado o “Estatuto dos Sonhos” nas telinhas em seu novo clipe

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A banda carioca Banheiro Azul disponibiliza o clipe da música “Estatuto dos Sonhos”, faixa homônima ao álbum. O clipe teve períodos de gravação, sendo entre novembro/2017 e fevereiro/2018 contando com belos cenários: Cinelândia/RJ, Cruzeiro de Nova Iguaçu/RJ e Praça do Skate – Nova Iguaçu/RJ.

A música busca tratar em seu blues rock um pouco sobre os ganhos da vida, querendo tratar do dia-a-dia do brasileiro. Levadas firmes na bateria com slides e sintetizadores marcam o single escolhido para a transformação do mais novo vídeo-clipe.

O próprio grupo musical fez a direção do clipe, enquanto a filmagem e edição ficou a cargo da Fator 3 Comunicação. Confira:

Thee Dirty Rats: sobre garage primitivo, guitarras caseiras e gravação analógica

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Fundado em 2014 por Luis Tissot (voz, cigar box) e Fernando Hitman (voz, bateria), o duo paulistano Thee Dirty Rats faz garage rock com influências de punk e new wave. O som da dupla é cru, rudimentar, e considerando sua formação — de um lado, três cordas ligadas em um pedal de fuzz; do outro, o jogo de bateria mais primitivo possível (bumbo, caixa, surdo e chimbal) — não poderia ser diferente.

Na discografia da Thee Dirty Rats, constam os EPs “The Fine Art of Poisoning 1 & 2” (2015) e “Traps and Mass Confusion” (2016), lançado em vinil pelo selo goiano Mandinga Records simultaneamente a uma turnê da banda pela Europa, e o LP “Perfect Tragedy” (2015), lançado em k7 pelos selos Woody Records (Estados Unidos) e Scrap Metal Dealer (Argentina). Duas das sete faixas de “The Fine Art of Poisoning 1 & 2” foram incluídas em um split com a banda argentina Sarcofagos Blues Duo, também lançado pelo Scrap Metal Dealer.

A Thee Dirty Rats ainda tem um outro split com a WI-FI Kills, projeto curitibano do músico e artista visual Klaus Koti (mais conhecido por sua one-man band O Lendário Chucrobillyman) intitulado de “WI-FI Kills on the planet of Thee Dirty Rats”. “Chop Your Fingers” e “Yeah Yeah It’s True”, as duas faixas que compõem a metade dos Dirty Rats, foram produzidas por Jim Diamond, ex-baixista da The Dirt Bombs e conhecido por seu trabalho com Sonics e White Stripes.

Abaixo, uma entrevista feita no Bar da Avareza, em São Paulo, pouco antes de a dupla se apresentar:

Ao longo da história, cigar boxes foram elaboradas por escravos africanos ou trabalhadores rurais norte-americanos em períodos de escassez de recursos e materiais. A construção da cigar box da Thee Dirty Rats vem de um contexto semelhante?

Fernando — Nós também temos e tocamos “instrumentos normais”, então a construção da nossa cigar box não foi por falta de opção. Foi proposital, nós realmente queríamos uma cigar box — mas queríamos criá-la com o que nós tínhamos, então não gastamos quase dinheiro nenhum na fabricação.

Luis — Nossa formação inicial tinha guitarra e bateria, depois começamos a tocar com baixo e bateria. Em se tratando da sonoridade, não ficamos satisfeitos com nenhuma das duas formações, então pensamos em fazer uma cigar box — é um instrumento que tem muita relação com a sonoridade que nós queríamos. Nós tínhamos recurso, então foi mais uma opção estilística.

Fernando — E a gente também queria aprender a construir uma cigar box. Mas queríamos fazer apenas com o que tínhamos, sem comprar nada, gastando o mínimo, sabe? Aí pegamos uma caixa de madeira que encontramos em um lugar aleatório e umas tábuas de janela velhas para o braço — no final das contas, gastamos uns R$8,00 construindo ela.

Luis — É, o captador era de um baixo quebrado e as tarraxas eram de uma guitarra que estava encostada no meu estúdio, o Caffeine Sound, em que gravamos quase todo o nosso material. A gente não gastou praticamente nada!

Vocês já tinham alguma noção de luteria antes de fabricarem o instrumento?

Luis — Não, nenhuma.

Fernando — A gente nunca tinha fabricado instrumento nenhum antes disso.

Luis — Sim, foi a primeira vez que tentamos fazer alguma coisa. Fizemos muito na base da tentativa e erro.

Fernando — Exato.

Vocês tiveram experiências com gravação analógica. Que diferenças vocês percebem entre gravação analógica e digital? Por que a escolha pela fita?

Luis — Nós já experimentamos o digital, mas o analógico tem muito mais a ver com a gente. Acho que tem muita relação com o nosso conceito, com a nossa sonoridade. Essa estética meio lo-fi, sabe? É o som que eu e o Fernando sempre escutamos, na real. Gostamos muito de garage rock, de artistas da década de 1990 que gravavam em gravador de k7 de quatro canais. E também tem a questão da limitação — no digital você pode ir para qualquer lado, porque é tudo muito mais fácil, e consequentemente você pode se perder muito fácil também. Sair do conceito inicial.

Fernando — Sim, você acaba pensando mais e corre o risco de fugir do que você realmente quer.

Luis — Em processos de gravação mais limitados, você tem que se virar para trabalhar no que você está gravando a partir dessa limitação. Isso acaba sendo extremamente criativo, muito mais criativo do que apelar para a perfeição dos processos digitais. No digital, a criação é tão rápida e eficiente que acaba se tornando meio banal.

Fernando — E nos processos analógicos, a gente mexe em pouca coisa depois da gravação. Então todas as decisões são tomadas bem antes.

Luis — Exatamente. As decisões são tomadas antes ou enquanto você está gravando. Isso é muito importante. Depois que o material está lá, gravado, você não vai sair editando, cortando e colando fita.

Luis Tissot

Essas limitações mudaram de alguma maneira a forma como vocês pensaram nas músicas da banda?

Luis — Não, nosso som funciona perfeitamente dentro dessas limitações.

Fernando — Na verdade, a gente já tinha essa ideia de sonoridade minimalista em mente e justamente por isso escolhemos gravar dessa forma, porque era um jeito bom para gravarmos esse tipo de música.

Luis — Exatamente. É óbvio que se você tiver uma orquestra completa, você não vai escolher gravar em quatro canais.

Fernando — Sim. Temos poucos instrumentos, por isso que escolhemos a fita, e não o contrário — nossas músicas são assim, não precisamos adaptá-las ao método de gravação.

Vocês também fizeram lançamentos em formatos analógicos. Lançar em k7 ou vinil tem trazido retorno? Em um contexto em que os consumidores de música estão cada vez mais adeptos às plataformas digitais, qual a importância do material físico para vocês?

Luis — Essa importância para nós é algo muito pessoal, tem mais relação com o nosso histórico de vida. É algo que sempre nos acompanhou no meio do punk e do garage rock. Eu já tive distribuidora de zine e k7, sou colecionador de vinil e o Fernando também, nós fazemos questão de comprar discos das bandas que gostamos. Então esse apego acaba sendo bem natural.

Fernando — É. Para nós, o material físico é muito importante e diferente. Eu gosto de colecionar discos e é muito legal ter um vinil da sua própria banda. Eu não pago por música na internet, então eu só sei consumir música assim. E ainda tem a questão da durabilidade — se você cuidar bem de um vinil, ele vai durar para sempre.

Fernando Hitman

A Thee Dirty Rats tem alguns lançamentos feitos por selos gringos. Me falem sobre a relação da banda com eles.

Luis — O legal é que depois da era do Myspace, uma época em que as pessoas realmente se comunicavam sobre música na internet, a única vez que um selo veio nos contatar do nada foi quando a Woody Records, que é um selo norte-americano de garage rock que lançou o “Perfect Tragedy”, nos mandou uma mensagem pelo Facebook dizendo que queria lançar 100 cópias em k7 do disco. E eles ainda fizeram 10 shapes de skate personalizados para a Dirty Rats, pintados à mão! Quem gerencia a gravadora é um casal, o cara cuida das fitas e a mulher pinta os shapes.

Fernando — É, foi muito louco, eu nunca vi isso na vida. Ganhamos cinco shapes de skate, acho que eles fazem de brinde.

Luis — Na real, o dono do selo tem uma loja de skate e vende as fitas por lá.

Fernando — Os shapes foram uma loucura, o maior sucesso. Vendemos muito rápido, em um segundo, lembra? E a gente nem fez nada, eles vieram do nada falar com a gente.

Que coisa. Vocês também já fizeram uma turnê pela Europa. Como o público europeu reage à Thee Dirty Rats?

Fernando — A recepção foi da hora, bem boa, bem boa. Todos os shows foram bons. O público europeu é bem doido, eles começam parados e de uma hora pra outra começam a fazer danças esquisitas. E os europeus são legais e te pagam muitas bebidas.

Luis — Teve um show que fizemos em uma squat anarcopunk bem interessante, uma das melhores recepções. Foi curioso, porque eles reagiram melhor do que o público dos bares e pubs mais relacionados à nossa sonoridade.

Fernando — Os punks piram na Dirty Rats, sempre curtem. Teve uma vez que a gente tocou numa squat rural, era uma fazenda no meio do nada da França, uma espécie de celeiro de pedra e serragem. Foi um puta show, deu uma galera, o lugar era gelado e virou um forno.

Eu vi que as faixas da Dirty Rats no split com a WI-FI Kills foram produzidas pelo Jim Diamond. Me expliquem como isso aconteceu.

Luis — Então, isso foi outra coisa bizarra. Ele que escreveu pra gente.

Fernando — Pois é, ele que propôs essa parceria.

Caramba! Que moral.

Luis — A gente é uma banda meio preguiçosa, a gente nunca escreve para ninguém. Não, isso nunca acontece. Quase sempre são os outros que vem até nós. Mas enfim, ele é de Detroit, mas estava na França quando nos convidou para fazer um single com ele.

Fernando — Foi muito legal.

Luis — A gente viajou de volta uns 1000 km só para gravar esse single. Mas valeu a pena.

Fernando — Nossa, quê isso. Valeu muito a pena.

Qual o truque de divulgação por trás de tanta gente foda oferecendo propostas para vocês?

Luis — Acho que o segredo é a não-divulgação. Se você não divulgar nada, as pessoas se interessam mais. Acho que o que mais importa é o boca-a-boca. Conversar pessoalmente, se fazer presente no bar. É isso que fica, no final das contas.

Macaco Mostarda mostra toda sua energia e falta de limites no clipe de “Carranca”

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O trio Macaco Mostarda define seu som como uma mistura de punk com soul, ou jungle rock, indicado pelos próprios por falta de um nome melhor. Talvez a energia e falta de limites dos primatas seja a força motriz da banda de São Paulo, formada nas últimas horas de 2014.

Formada por Lino Colantoni (vocais e guitarra), Carlos Sanmartin (baixo) e Renato Murakami (bateria), a banda acaba de lançar o clipe de “Carranca”, um dos diversos singles que pretendem lançar este ano. “A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe”, conta Lino. “Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas”.

Conversei com ele sobre o clipe de “Carranca”, a carreira da banda e os planos de singles para 2018:

– Me conta mais sobre este novo clipe. Foi feito em casa?

Foi sim! A gente gravou na real na casa de uns broder. A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe, a gente queria algo simples, que fosse possível a gente mesmo produzir, e que remetesse a ideia do que é a banda ao vivo! Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! De cara eles ficaram meio receosos de deixar a gente rodar o clipe lá, porque a gente é realmente muito enérgico tocando e as vezes até perde um pouco o controle… Mas é uma galera muita parceira. No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas.

– Ah, são perdas tranquilas, até (risos). Como a banda começou?

Eu tinha umas composições engavetadas e queria levantar elas com uma banda, não sozinho. Eu sempre curti ter banda, tenho banda desde os 15 anos, só que eu estava sem banda a uns anos, e ali achei que era o momento de montar outra. Eu e o Carlos (baixista) já fazíamos um som juntos, a gente tirava uns covers, mas só de brincadeira, a Macaco Mostarda ainda não existia. Eu tentei montei essa banda algumas vezes, e foram muitas tentativas frustradas, até o dia em que eu tive que tirar o terceiro baixista da banda e eu pensei “Mas que porra que eu to fazendo? por que eu ainda não chamei o Carlos pra tocar comigo?” Ali eu conversei com ele e falei “Velho, tô de saco cheio de tocar cover, quero levantas uns sons próprios” e ele topou na hora! A gente já tinha o primeiro batera, e dali pra frente começou a brincadeira.

– E o nome Macaco Mostarda?

Foi inspirado numa música da banda Joe Strummer and The Mescaleros, chamada “Johnny Appleseed”. A gente pensou em dar o nome da banda de “João Semente de Maçã”, mas a gente descobriu que já tinha uma banda gospel com esse nome, até por se tratar de uma história biblica. Daí o itinerário de maçã pra mostarda e do João pro Macaco eu já não me lembro muito bem, mas sei que o ponto de partida foi esse (risos). Quando surgiu na mesa o nome Macaco Mostarda, a gente pirou na imagem e fechou a ideia! A gente escuta com frequência que a nossa performance ao vivo remete muito ao comportamento enérgico dos macacos, e por esse motivo muita gente acaba achando que o nome vem daí. Mas embora essa não tenha sido nem de longe a nossa intenção, até que fez algum sentido e a gente acabou gostando dessa associação.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!

A gente tem uma demo, que foram as primeiras composições, aquele do disquinho de capa amarela e preta. Feito na independência total, a gente curte ele por ser o primeiro e tal, mas existem planos de regravar os sons que estão lá, até por conta da troca de baterista que a gente teve no ano passado, a banda mudou
muito de lá pra cá e a gente tem muita vontade de regravar com a mão do Renato (atual batera). Mas são músicas que a gente curte demais, toca todas nos shows ainda e foi uma demo gravada com muita raça e muita paixão. Temos o primeiro single que a gente lançou, chamado “Boca do Estômago”, totalmente independente também, mas esse com mais punch, mais qualidade e mais maturidade também. Foi uma composição minha que surgiu de repente, em uma hora e meia a música tava pronta, eu mandei mensagem pros caras e falei “vamo gravar?” e os caras abraçaram a ideia. Dois meses depois (corre independente é demorado) a gente tava lançando ela. E agora a gente lançou o single “Carranca”, que é nossa primeira faixa gravada com o Renato (atual batera), nosso primeiro clipe e nosso primeiro som lançado em parceria com nosso produtor, Guilherme Real. A composição é antiga, mas a música foi toda repensada em estúdio pra ter a cara da banda na fase em que ela tá mesmo. Esse single faz parte de uma série de singles que a gente deve lançar durante o ano.

– Pode me adiantar alguma coisa sobre estes singles que virão?

O próximo som a gente deve lançar em maio, se chama “Revoluções e Mentiras” e tem uma assinatura funk que a gente particularmente gosta muito, tem participação da Thai Borges nas percussões (que estão pesadíssimas por sinal), uma amiga nossa lá de Curitiba. E nossa primeira balada deve vir na sequência, mas não espere nada muito arrumadinho porque nosso negócio é um groove barulhento (risos). Tem mais som por vir, mas por enquanto, o que dá pra adiantar legal são esses. Os outros estão em processo e a gente tá trampando neles sem pressa.

– Como você definiria o som da banda?

Por mais clichê que isso vá soar, eu preciso dizer que essa é sem dúvida umas das perguntas mais difíceis de se responder sobre a Macaco. A gente tenta, no momento da criação, não definir uma sonoridade específica pra buscar, a gente simplesmente toca, e o que estiver soando no nosso inconsciente. Vai soar no som que a gente tá fazendo. Sei que é uma reposta vaga, mas se eu tivesse que definir o nosso som de alguma maneira, eu diria que a gente é uma banda punk que entrou disfarçada num baile soul. Punk porque a gente é barulhento e segue a risca o DIY e soul porque se tem um estilo que contempla a todos da banda é esse, e de alguma forma, ele tá sempre povoando nosso imaginário nos momentos de criação.

– Quais as maiores inspirações musicais da banda?

Cada um tem um gosto muito particular, mas a gente divide de algumas referências: Jimi Hendrix, Stevie Wonder, The Police. Nacional a gente gosta muito de Caetano Veloso, Tom Zé, Novos Baianos…
Eu principalmente, escuto muito rap desde muito novo. então acho que é uma das principais influências também.

– Como vocês veem a cena independente, tão prolífica hoje em dia?

A gente gosta muito da cena, principalmente porque o rock tá vivendo de novo um momento underground. Os grandes veículos não estão focados no rock agora, e isso é ótimo pra manutenção do gênero. As bandas podem explorar mais, ter mais autonomia de criação e muita coisa nova vai surgindo dessa experimentação. Eu diria que é um momento de reinvenção necessário pro rock que ficou durante um tempo cristalizado em fórmulas ultrapassadas.

– Ou seja: essa “baixa” do rock no mainstream é necessária pra uma possível volta à grande mídia/grande público?

Talvez sim, talvez não. Eu acredito que tudo é cíclico. Mas acho que o artista que escolheu o rock como plataforma tem que se preocupar em inovar, em buscar alguma originalidade, não se preocupar com a ascensão do gênero nem nada do tipo. O rock por ter sido mto bem tratado durante mto tempo entrou numa zona de conforto, e acho que o momento é bom pra que ele saia desse lugar. O momento tem que ser de união, as bandas precisam voltar a pensar de forma coletiva.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende começar a produzir o próximo clipe, continuar gravando novos sons e estamos produzindo uma nova edição da “Festa da Macacada”. É um festival que a gente faz com bastante artista parceiro pra arrecadar fundos pra alguma instituição ou algo do tipo.

– Fala mais dessa festa.

A gente gosta de colocar a banda a serviço de alguém ou de alguma coisa. E disso surgiu a ideia de fazer esse evento beneficente pra levantar fundos. Em 2016 trabalhamos com uma ONG que ajuda refugiados sírios, esse ano a gente queria trabalhar com eles de novo mas parece que a ONG fechou por falta de verba. Porém, algumas famílias ainda precisam de ajuda e a gente vai organizar outra festa pra levantar essa grana pra eles. Nossa vontade é fazer esse.tipo de evento com mais frequência, essa é o tipo de coisa que a gente tem muito tesão de fazer. Eu tô negociando com espaços pra ver onde e quando pode rolar. A princípio tenho uma data que é dia 21 de abril. Mas ainda pode mudar porque estou negociando com espaço e as bandas e artistas participantes. A ideia é sempre unir várias artes e fazer um evento divertido e com propósito pra todo mundo.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Sr. Apache. Eles e Anna Sátt, Malaguetas, João Perreka e os Alambiques, Picanha de Chernobill, Cankro, David Alexandre, tem dois caras de Guarulhos que eu acho que são fundamentais pra cena de hoje (junto com o João Perreka) que é o Victor Carvalho de Lima e o Guilherme Papini, Aláfia, Mutum, As Bahias e a Cozinha Mineira, Rincón Sapiência (que apesar de estar estourado ainda é independente). muita gente na independência mandando muito bem.

“The Song Remains The Same” (1976) – um show de rock e cenas absurdas

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The Song Remains The Same
Lançamento: 1976
Direção: Peter Clifton e Joe Massot
Roteiro: Peter Clifton
Elenco Principal: Jonh Bonham, Robert Plant, Jimmy Page e Jonh Paul Jones

 

O filme que recebe o nome da música do Led Zeppelin e também do show gravado no Madison Square Garden, mistura as cenas do show, com cenas ficcionais que funcionam independentemente, meio como se cada uma fosse um clipe da música que acompanha.

Totalmente sem sentido nenhum, as cenas absurdas, psicodélicas e muito chapadas, encaixam muito bem com o estilo absurdo, psicodélico e totalmente chapado do som do Led. Cheios de cores e efeitos visuais, meio que tem um “clipe” pra cada membro da banda, e o resto das músicas acompanham o próprio Madison Square Garden.

“No Quarter”, a que acompanha o John Paul Jones (baixista/tecladista), começa com um trem do metrô chegando numa estação, passa pro show, passa pra ele tocando órgão numa igreja, passa pruns caras com mascaras assustadoras perseguindo pessoas na rua, depois pra ele chegando em casa, brincando com os cachorros e os filhos e depois volta pro show. O ponto é que mesmo isso parecendo no mínimo pouco psicodélico, é definitivamente bastante psicodélico! Os cortes rápidos, as sobreposições de imagens, e mais outros efeitos, fazem da parte visual uma intensificação da viagem lisérgica que é “No Quarter”.

“The Song Remains The Same” e “Rain Song”, são as do Robert Plant (orgasmáticas como ele, por sinal…) e o acompanham no que parece uma espécie de viagem medieval: ele montado num cavalo andando pelas pradarias da Grã Bretanha, entrando num castelo onde luta com espadas, encontro com a princesa e tudo o mais. Novamente talvez isso pareça não psicodélico suficiente, mas novamente, a composição da música muito louca, com efeitos visuais bem lokos, criam o mesmo efeito lisérgico. Vale lembrar também, que “Rain Song”, é uma música que tem uma psicodelia diferente, uma coisa mais suave, que não deixa de jeito nenhum de ser intensa, mas é uma intensidade suave, gostosa, romântica.

“Moby Dick”, o famoso solo de batera de 10 minutos (ou mais, a variar da versão, porque esses cara são tudo doidjo), é obviamente a que dá conta de mostrar o John Bonham (o baterista) em seus loucos carros, pilotando uma moto numa estrada deserta, destruindo tijolos com uma britadeira, cuidando dumas vacas, dançando com sua mulher, tocando bateria com o filho, tocando bateria no show em questão e o mais dahora de tudo, correndo num dragster, um daqueles carros absurdamente rápidos, que dão a largada com uma explosão brutal e freiam com um para-quedas! Essa de fato não conta com nenhum efeito visual lisérgico ou coisa do tipo (acho que em alguma medida isso tem a ver com o fato de ele ser um cara com uma cabeça meio diferente do resto da banda, menos ligado em exoterismos e coisas do tipo), mas dizer que não é uma cena psicodélica seria de qualquer modo ridículo, a começar porque essa coisa que eu to fazendo até agora de dizer “o que é” e “o que não é” psicodélico, é mó caretice da porra, mas também porque mesmo mantendo a caretice da porra, existem outros elementos que compõe a psicodelia no caso. A velocidade muito presente em todas as coisas com motores (e principalmente no dragster), sempre juntas das caretas malucas e felizes do baterista, encaixam lindamente no ritmo frenético do solo e criam uma atmosfera absurdamente maluca.

Por fim, mas não menos importante, “Dazed and Confused” fica sendo a do Jimmy Page (o guitarrista). Essa, claramente doidona, é uma cena noturna, com lua cheia, mago segurando um lampião no topo duma montanha, com rostos que vão se transfigurando e efeitos de luz mutcho crazys. Vale dizer que o som que acompanha, não é “Dazed and Confused” inteira, mas só aquela parte do solo de guitarra tocado com arco de cello (eu acho que é um arco de cello…).

A parte de tudo isso, tenho a dizer somente que é um filme muito sensorial e que sem exageros, assisti-lo é uma experiência única e que te toma por inteiro. Não é o tipo de coisa pra você fazer enquanto lê um livro ou coisa do tipo, isso não dá muito certo…

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Renan Inquérito

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foto por Márcio Salata

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Renan Inquérito, do Inquérito, banda de rap de Nova Odessa.

The Isley Brothers“Between the Sheets”

Esse som é de 1983 e a primeira vez que eu ouvi foi através da música “Big Poppa”, do Notorious BIG, em 1994, depois no som “Livro da Vida”, gravado pelo Sistema Negro no álbum “A Jogada Final”, de 1997, ambos samplearam essa música, e de tanto ouvir esses dois raps, fui atrás do original, mas na época não tinha internet, foi no garimpo mesmo, falando com os colecionadores de disco, os nego véio, aí cheguei no disco do The Isley Brothers. Esse som me faz lembrar todo o processo de pesquisa pra se fazer um rap na década de 1990, isso tem um valor muito grande, ainda mais hoje em dia que os moleques só dão um Google. Pra que vocês tenham uma ideia, essa música foi sampleada por mais de 30 rappers diferentes só nos EUA.

J Cole“Sideline Story”

Eu conheci esse som e fiquei tão viciado nele que escutei no repeat por dias seguidos, nem sequer sabia do que ele estava falando, nem fui buscar a tradução até hoje, eu apenas sentia o que ele me trazia na época, estava há muito tempo sem escrever nada e passando por um período complicado da minha vida, então de tanto ouvir comecei a escrever uma letra em cima dele, fiz a letra todinha em cima desse som e curti tanto o resultado que decidi começar a fazer um disco novo imediatamente. A música que eu escrevi em cima chamava-se “Rivotril”, e depois mudei o nome para “Tristeza”, o disco que ela me inspirou a começar foi o “Corpo e Alma”, 2014.

Gonzaguinha“João do Amor Divino”

Esse som é de 1979, mas me soa tão atual, tão rap, impressionante! A letra conta a história de um pai de família que é “profissional em suicídio” e literalmente se mata pra garantir o sustento da casa. A narrativa vai mostrando todo o percurso traçado por ele até o dia em que decidiu pular de um prédio no centro da cidade pra arrancar uns trocos dos curiosos. Uma narrativa direta, sem refrão, tipo um rap storytelling. Eu penso que Gonzaguinha foi um MC antes do rap existir no Brasil, morreu jovem e deixou várias outras músicas de protesto, como por exemplo “Comportamento Geral”. É um artista que me influencia muito com a sua poesia.

F.UR.T.O.“Sangueaudiência”

Esse disco é foda, não dá pra indicar uma música só, é o único disco do F.UR.T.O., banda fundada pelo baterista e compositor Marcelo Yuka depois de ter saído do O Rappa. Todas as composições são do Yuka, letras extremamente politizadas, como “Amém Calibre 12”, “Ego City” e “Verbos a Flor da Pele”, críticas ácidas ao capitalismo e à hipocrisia da sociedade. Ouvi muito esse disco na época, 2005, porque pra mim ele era uma espécie de rap eletrônico tupiniquim, e também porque depois da saída do Yuka do O Rappa, eu me sentia órfão de letras politizadas. Tem uma frase numa letra que eu nunca esqueci, ele vem contando a história de uma menina da favela e de repente diz que ela era “mãe demais pra ser jovem”.

Zeca Baleiro“Eu Despedi o Meu Patrão”

Adoro as letras do Zeca, inteligentes e sarcásticas, sempre cheias de figuras e imagens. Esse som faz parte do álbum “Pet Shop Mundo Cão” (2002), que tem grandes clássicos da sua carreira, como a canção “Telegrama” que toca muito até hoje. Essa faixa em especial tem a participação do pessoal do Záfrica Brasil, Fernandinho Beat Box e Gaspar, que também estão em outras faixas do disco, que aliás é cheio scratches. Chapo quando ele diz: “não acredite no primeiro mundo, só acredite no seu próprio mundo!”

Contramão Gig volta ao Bar da Avareza hoje com shows de Thee Dirty Rats e Os Chás

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O Contramão Gig acontece mensalmente no Bar da Avareza com a organização do Crush em Hi-Fi e do RockALT, e hoje tem mais uma edição! Seguindo nossa missão de levar a música autoral de volta para o Baixo Augusta convidamos vocês a uma vez mais descobrir e redescobrir artistas da cena independente! Nesta edição teremos apresentações de duas bandas incríveis: Thee Dirty Rats e Os Chás!

Thee Dirty Rats
O duo faz um garage rock direto e reto e sem freios. Rock and roll minimalista feito com 3 cordas e 3 peças de bateria. Formada em 2014 em São Paulo, a banda conta com Luis Tissot nos vocais e cigar box com pedal fuzz e Fernando Hitman na bateria e efeitos. Na bagagem, os EPs “The Fine Art of Poisoning 1&2” e “Perfect Tragedy”.
Ouça:

Os Chás
Formada em 2016 por Gabriel Mattos (guitarra e voz), Diogo Menichelli (bateria e percussão) – ambos ex-Hierofante Púrpura, Thiago Fernandes (baixo e voz) e Wesley Franco (baixo), a banda lançou em 2017 o EP “Já Delírio”. Gravado e mixado por Taian Cavalca e masterizado por Hugo Falcão no estúdio Mono Mono, o disco traz as participações especiais de Priscila Ynoue (piano, órgão e sintetizador) e Mário Gascó (sitar indiano e didgeridoo) ajudando a engrossar o caldo alucinógeno de suas seis faixas.
Ouça:

A discotecagem fica por conta do pessoal do Crush em Hi-Fi e do RockALT e das DJs convidadas da noite, Daise Alves e Mirella Fonzar, do Universo Retrô, tocando o melhor do rock alternativo, sons independentes, lados B e hits obscuros de todas as épocas!

 

Durante o evento também teremos flash tattoos com a Lina Zarin, merch das bandas e a loja da casa com camisetas, chaveiros, posters e, claro, muita cerveja!

Organização: Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi)
Fotos: Elisa Moreira Oieno

Quarta-feira, 21 de março de 2018
Local: Bar da Avareza – Rua Augusta, 591
Horário: A partir das 19h
Preços: $10 entrada ou $30 consumíveis

Ponto de encontro para os apreciadores de boa cerveja, sedentos por boas experiências em self service e bom papo. Tudo isso sem gastar muito! O Bar da Avareza é o primeiro bar temático da Cervejaria Mea Culpa, aqui você encontra os 7 pecados em forma de cerveja nas torneiras no esquema self-service: você mesmo se serve em seu copo!

• É proibida a entrada de menores de 18 anos.
• É obrigatória a apresentação de documento original com foto recente.
• Não é permitida a entrada sem camisa, com camisetas de times ou calçando chinelos.
• Aqui sua bike é bem-vinda! (vagas limitadas)

Construindo Retrosense: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Retrosense, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rash (vocais)

Paramore“Crushcrushcrush”

Uma das primeiras músicas que ouvi do Paramore, que é grande influência não só para mim, mas para Retrosense. Fiquei totalmente viciada, acho o clipe muito foda! Também foi um dos primeiros covers que fizemos no começo da banda. Lembro de conversar com o Otávio na UEM (Universidade Estadual de Maringá) sobre a gente tocá-la nos ensaios (risos).

ABBA“Mamma Mia”

Minha mãe ouvia Abba praticamente todos os dias. Assim como também ouvia Michael Jackson, Queen, Cindy Lauper. Isso me influenciou muito musicalmente. Abba é uma grande influência porque é uma banda sueca que canta em inglês e fez sucesso mundial. Isso sempre provou para mim que MÚSICA é universal. E um baita clássico, né? A gente curte muito essa música. Fazemos uma releitura dela nos nossos shows que fica bem massa.

Haim“Forever”

Haim é uma banda que eu ACHO FODA DEMAIS. Quando eu comecei a conhecer melhor o trabalho delas eu fiquei muito inspirada. O álbum ‘Days are Gone’ foi uma grande referência de sonoridade para mim, elas fazem tipo um Fleetwood Mac moderno, acho muito massa. E essa música marcou a Retrosense porque fazíamos uma versão dela.

Joan Osborne“One of Us”

Essa música me dá muita nostalgia. Ela é tipo Retrosense roots (risos). É uma música linda que fala “e se Deus fosse um de nós?” sempre me fez refletir muito, e isso tem tudo a ver com que a gente queria/quer passar com a Retrosense: reflexões.

The Cranberries“Linger”

Cara, Cranberries é foda. É uma banda muito nostálgica para mim também… lembro do meu irmão ouvindo bastante e me dizendo que eu poderia ter uma banda parecida. E o timbre da Dolores? Incrível. Me inspirei bastante. Perdê-la esse ano foi foda.

Pitty“Equalize”

O clichêzão de toda banda com vocal feminino fazer uns covers de Pitty no começo (risos). Mas acho isso muito massa! Admiro muito a Pitty e o legado que ela tem deixado no rock feito por mulheres.

Avril Lavigne“Nobody’s Home”

RASH EMOOOOOOOO. Ai gente, dá licença. Mas caramba, ouvi muito. Era minha música favorita ever. E olha o tanto de tempo que a Avril conseguiu ficar no topo das paradas. Isso me inspira demais!

Otávio (guitarra)

Bastille“Flaws”

Bastille me inspirou muito por causa dos arranjos vocais, os sintetizadores, a percussão, enfim, tudo! Sinto-me um pouco sinestésico ouvindo Bastille.

Paramore“Still Into You”

Quando o Taylor York se tornou integrante definitivo do Paramore, ele conseguiu criar um novo conceito de guitarra pop. Essa música é estruturada em torno do riff da guitarra que é extremamente melódico com timbres surreais. A maneira como ele consegue conduzir a música me fez repensar a minha maneira de tocar.

John Mayer“Heartbreak Warfare”

Mais um exemplo genial de como conduzir a música com o riff de guitarra e criar uma atmosfera particular com os timbres. Vindo do John Mayer não é de se espantar. Na verdade, todos os CDs dele me inspiraram muito.

Mr. Big“Nothing But Love”

Mr. Big não tem nenhuma ligação direta com a Retrosense. É uma influência pessoal. Essa música em especial me chamou atenção desde o início porque o guitarrista Paul Gilbert, que costuma ser virtuoso nas músicas, faz um solo completamente simples, mas genial. Sempre que preciso criar um solo nas músicas da Retrosense, eu paro pra escutar essa música e me inspirar.

Goo Goo Dolls“Name”

Creio que a maioria das pessoas tem uma música que leva a mente para outra dimensão. Essa é a minha! Uma “depressing ballad”. Essa música influenciou completamente na minha maneira de compor, especialmente as músicas melancólicas.

P!nk“Just Give Me a Reason”

Um fato: eu vicio em uma única música e ouço ela compulsivamente durante um mês pelo menos. Acredito que eu ouvia “Just Give Me A Reason” umas 40 vezes por dia. Não sei se pela melodia, pelo ritmo ou por me lembrar alguém. (Nota da Rash: O Otávio faz isso com todas as músicas que ele ouve, sério. (risos) e P!nk também é uma grande referência. QUE MULHER!)

Rosa de Saron“O Sol da Meia Noite”

Essa banda é simplesmente incrível. Eles conseguem ser geniais em cada elemento das músicas: harmonias complexas, melodias marcantes, letras inspiradas em crescimento pessoal, timbres incríveis. É tudo complexo e simples ao mesmo tempo. Quando ouvi “O Sol da Meia Noite” pela primeira vez, eu pensei “esses caras não tem limite” (risos).

José (bateria)

Linkin Park“Breaking the Habit”

“Breaking the Habit” do álbum “Meteora” é o tipo de obra prima que mostrou que a banda poderia seguir novas direções, sem um instrumental tão pesado ou uma voz gritante. Tem muita inovação e elementos eletrônicos, mas ao mesmo tempo é simples. Essa música cairia bem em qualquer álbum da banda, sem contar na emoção que a letra e a voz de Chester imprime para a música e mostra que sempre podemos mudar ou enfrentar algo que está nos fazendo mal.

Twenty One Pilots“Holding on to You” (versão ao vivo)

Twenty One Pilots é um duo que impressiona pela performance e que não pode deixar de ser citado, pois é tão impactante que é quase imperceptível notar os samples estão que sendo tocados ao vivo para apenas dois integrantes. Em “Holding on to You”, além do duo usar elementos de vários estilos com música eletrônica, em sua versão ao vivo eles impressionam quanto o baterista dá um salto mortal durante uma parte da música. Isso mostra que a alta performance e o carisma podem ser mais importante que vários detalhes.

Fresno“Deixa o Tempo”

A Fresno inicialmente não era uma influência para a banda, mas após o Breakout Brasil, não deixamos de admirar e nos inspirar no trabalho do Lucas Silveira e cia. Em “Deixa o Tempo”, o Fresno mostrou um amadurecimento em suas composições, sem perder o dom de fazer canções pop/rock de qualidade, mas fugindo do genérico, com muitos efeitos de guitarras e sintetizadores e as vozes trabalhadas entre Lucas e Tavares.

The Killers “When You Were Young”

“When You Were Young” é um hino para os fãs do The Killers, ela possui um riff inconfundível, vocal emocionante, melancólico e uma sonoridade um pouco densa. Esse som é admirável por ser uma amostra da sonoridade que a banda iria seguir nos próximos anos. Essa é uma influência pessoal pra mim, pois curto mudanças.

The Beatles“Ticket to Ride”

É claro que não ia faltar um clichezão de influência de todas as bandas né… Sim, Beatles, essa canção me traz vários sentimentos como nostalgia, humor e alegria, sem contar que o instrumental dela é muito simples (batera, guitarra) e os vocais trabalhados. Quando penso em uma música foda com o instrumental simples (principalmente a batera) e mesmo assim contagiante, sempre lembro de “Ticket to Ride”.

My Chemical Romance“Welcome to the Black Parade”

Não pode ficar de fora um emo raiz (risos) Mas sério, sinto uma ambiência inexplicável nesse som que tenho certeza que marcou muita gente na famosa “época da MTV” eu sou fãzaçoooo do Gerard Way, pra mim ele é um dos melhores vocais que existem com seu estilo peculiar, seus gritos. Quem não curte é preconceito (polemizei (risos)).