5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Desirée Marantes, do selo Hérnia de Discos

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foto: Thiago Roma

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a pesquisadora, produtora e multi-instrumentista Desirée Marantes, do selo Hérnia de Discos. “Eu sei que muita gente faz cara de zóio pra cima quando alguém fala que gosta de muitas coisas diferentes mas eu realmente gosto de escutar coisas bastante diferentes, pois acredito que é partir da mistura que temos a possibilidade de chegar em nosso melhor. Então resolvi separar artistas que eu sempre escuto de maneira regular”.

Karen Carpenter
“As pessoa tudo acha que eu só escuto umas música erudita mas eu amo Carpenters. “Close To You”, embora seja uma composição do Burt Bacharach com letra do Hal David, ainda não ganhou uma versão melhor do que a do Carpenters. E, vocês ja viram a Karen tocando bateria?”

Jacqueline Du Pré
“Foi uma instrumentista e interprete que fugiu do esteriótipo “papel feminino” onde mulheres devem tocar instrumentos considerados mais “apropriados” como canto lirico, piano ou harpa. Musicista espetacular, sem duvida uma das maiores cellistas de todos os tempos e, na minha opinião, a melhor intérprete do concerto para cello do Elgar”.

Betty Davis
“Aquele ditado de por trás de todo grande homem existe uma grande mulher tem um quê de verdade, pena que essas grandes mulheres sempre foram ignoradas/invisibilizadas. Um dos grandes exemplos é Betty Davis, que foi casada por um ano com o Miles Davis e responsável por apresenta-lo a música de Jimi Hendrix e Sly Stone.Muita gente não sabe nem que ela existiu, que ela era compositora, produtora e interprete (também trabalhou como modelo, mas quem se importa com aparências né? (Risos)) muito menos conhece os discos espetaculares que ela fez. Escutem “Nasty Gal”‘:

Mercenárias
“O que dizer de uma das melhores bandas que apareceu no Brasil? E que ainda foi uma das poucas formadas apenas por mulheres no meio dos punks dos anos 80? Aí está uma banda que deveria ter um reconhecimento maior por parte do mundo inteiro, uma voz singular em sua época”.

Bjork
“Eu acho engraçado que todo mundo lembra da islandesa com o “vestido do cisne” no Oscar mas que a maioria não se dá conta de que a originalidade da carreira dela é, basicamente, sem precedentes. Talvez de para comparar com Mozart, mas ela ainda está viva e produzindo. Acredito que, mesmo ela recebendo reconhecimento em vida, ainda vamos demorar um par de décadas até termos noção da exuberância criativa dessa maravilhosa”.

Com uma pequena ajuda dos amigos: David Crosby – “If I Could Only Remember My Name” (1971)

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Todo mundo que curte música pra valer tem uma lista mental daqueles discos considerados “xodó”. Normalmente nem são aqueles mais badalados de sempre, os mais citados em publicações, mas ainda assim aquilo tem um valor quase que inestimável. Não é assim? Poderia dizer que If I Could Only Remember My Name” (1971), de David Crosby, é um dos meus queridos.

Motivos não faltam para que esse LP não seja no mínimo curioso. Primeiro porque ele é o primeiro trabalho solo do músico (e que só lançaria seu sucessor em 1989); segundo porque não é bem um trabalho solo, levando em consideração o time avassalador que toca no disco; terceiro porque Crosby sempre obteve destaque sendo um cantor de harmonia, e nesse caso podemos ver como seria se ele tivesse seguido um caminho de frontman.

Resultado de imagem para david crosby 1971Outra coisa que deve ser ressaltada é que David Crosby, mesmo sendo um coadjuvante inato, é uma das pessoas mais importantes da história do rock. Um caso raríssimo de alguém que sempre esteve por perto de projetos fantásticos (vide The Byrds e Crosby, Stills, Nash & Young) e que manteve sua visibilidade com o carisma de sua figura, seu discurso e, claro, com o dom que é sua voz.

Embora ele soe incrível como sempre, dá para dizer que neste trabalho o instrumental feito pelos convidados divide a cena. Poucas vezes alguém conseguiu juntar tantos nomes relevantes de uma mesma cena em um disco. Os participantes são: Graham Nash e Neil Young (Crosby, Stills, Nash & Young); Jerry Garcia, Phil Lesh, Bill Kreutzmann e Mickey Hart (Grateful Dead); Joni Mitchell; Grace Slick, Paul Kantner, Jack Casady e Jorma Kaukonen (Jefferson Airplane); Gregg Hollie e Michael Shrieve (Santana); David Freiberg (Quicksilver Mesenger Service) e Laura Allan.

Mesmo que o título remeta à psicodelia e músicas chapadas de ácido, “If I Could Only Remember My Name” é um disco sério. Crosby tem esse ar de seriedade em seu som. Sua música sempre tem conteúdo e é repleta de sentimento verdadeiro, o que faz dele um dos mais notáveis e respeitados vocalistas e compositores de seu tempo. Aqui o clima é de maturidade hippie, como se essa galera tivesse passado (e passou mesmo) por muitas experiências transformadoras, mesmo que o folk ingênuo que abra a tracklist, “Music Is Love”, esteja aí para quase me desmentir.

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Mas sim, Crosby prefere seguir uma linha introspectiva e emocional, mais lúcida. Um exemplo disso é a belíssima “Traction in The Rain”. Ali percebe-se ecos de The Byrds, mas com uma roupagem adulta. Arrisco dizer que o disco está nesse grupo de trabalhos da mesma época que moldaram o que a gente chama hoje de adult compemporary, ou “música de pai”, se preferir. Mas neste caso não há maneirismos e nem cafonice do que essa vertente se tornou, é só coisa fina e de primeira.

A delicadeza é o tom de quase todo o disco, mas em “Cowboy Movie” Crosby destila a raiva de tempos turbulentos e canta uma letra cheia de críticas, embalada por uma levada improvisada por alguns dos membros do Grateful Dead. Jerry Garcia faz belos contrapontos com sua guitarra, aliás, sua presença é bastante forte no trabalho todo, em várias faixas percebe-se sua presença.

Em “Tamalpais High (At About 3)” David Crosby prova ser um monstro nas harmonias. Uma canção sem letra, apenas vocalização, que ele faz questão de dividir com seu parceiro Graham Nash. Essa combinação de alto nível de composição com o ar sério e misterioso me remete ao Milton Nascimento de Milagre dos Peixes”. Embora não se pareçam em quase nada, esse respeito pelos vocais é semelhante.

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“Laughing” cumpre seu papel de melhor canção do álbum. É absurdamente linda. Folk rock sem falhas, feito por quem ajudou a construir o que de fato é esse som. Uma aula de como soar bem. “What Are Their Names” é por si só um marco obscuro da história do rock. Isso porque está praticamente todas aquelas pessoas que citei antes fazendo um coro, o que é algo curioso de ouvir. Além disso, a faixa conta com uma trama interessante de guitarras feita por Garcia e Neil Young.

Resultado de imagem para david crosby nash 1971Ponto alto do disco, “Song with No Words (Tree with No Leaves)”, como o próprio nome já diz, traz uma melodia sem palavras. É outra obra-prima. O clima que ela transmite talvez seja único; equilíbrio perfeito entre delicadeza, emoção, melodia, harmonia e improviso. Ouça esse disco pelo menos por esta música.

A versão para a tradicional “Orleans” remete aos melhores momentos do Crosby, Stills, Nash & Young, porém construído por uma única pessoa. Já obscura “I’d Swear There Was Somebody Here” é um experimento vocal dedicado à sua namorada, que havia falecido. Talvez esse seja o mote que transforma esse disco tão introspectivo.

Na época do lançamento o disco foi bem recebido pela crítica e público, conseguindo a 12ª posição na Billboard e vendendo mais de 500 mil cópias. Apesar disso, o disco foi se tornando uma lenda cult, talvez pelo pouco apelo comercial. Porém com o passar dos anos a obra foi revisitada e mencionada por artistas, até mesmo o jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, talvez o mais famoso periódico católico, colocou este álbum na segunda colocação em uma lista dos “Melhores Álbuns Pop de Todos os Tempos”. Aí você percebe como esse disco realmente agrada públicos distintos.

David Crosby merece ser escutado com mais atenção, e “If I Could Only Remember My Name” é um retrato fiel do que ele significa para a música pop em geral. Obra fundamental.

[Exclusivo] Pata lança clipe noventista para “Monster”, faixa do EP “Wild and Cabeluda”

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Acaba de ser lançado o videoclipe da música “Monster” do trio Pata, com imagens gravadas durante o show de lançamento do primeiro EP da banda, “Wild and Cabeluda”, na Casa do Jornalista em Belo Horizonte. Misturadas à imagens do filme “Yongary” de 1967, dirigido por Kim Ki-duk, a obra oferece, segundo a vocalista e guitarrista Lúcia Vulcano, “uma analogia para os sentimentos evocados na música, que em em alguns momentos parecem conjurar a forma primitiva monstruosa que nos habita, única capaz de exteriorizar toda nossa opressão. Mas até o monstro destruidor, pode demonstrar ternura. Mas só depois do caos. E não por muito tempo”.
Assista:

– Vamos logicamente começar falando do clipe de “Monster”! Como foi que rolou esse clipe tão noventista?

Acho que foi uma estética um pouco natural quando pensamos em fazer o clipe, já que o som da banda é bastante influenciado por essa década. Quando o Fábio Belotte (diretor do clipe) veio com as ideias, fomos caminhando meio que naturalmente para isso.

– E, é claro, o clipe tem um monstro.

(Risos) Sim! É a Yongari, uma monstra (!!) do filme do sul coreano Kim Ki-duk, “Monster From the Deep”. Na época (1967), era um filme concorrente do Godzilla.

– Me conta mais sobre a letra de “Monster”. Tem uma pegada bem L7, né.

Tem bastante influência, mas acaba que a abordagem da letra é um pouco diferente. A nossa “Monster” fala mais de um conflito interno, de uma coisa que foi se construindo ao longos dos anos e subjugando a pessoa aos poucos – um tipo de hospedeiro, um verme que suga o hospedeiro e, de certa forma, rouba a forma da pessoa se transformando nela.

– Esse som faz parte do primeiro EP da banda. Como rolou esse trabalho?

Eu tinha algumas músicas compostas e queria dar um corpo para esse projeto com essas composições. Acabei criando a pata para dar vazão a essas músicas. Decidi grava-las para ter um registro e colocar o trabalho para frente. Gravei tudo em casa, eu mesma – com a ajuda de alguns amigos. Acho que o “wild and cabeluda” foi uma das coisas mais desfiantes que fiz na vida.

– Então na real o Pata é mais um projeto solo do que uma banda, certo?

Não, é uma banda mesmo. Somos um trio – Eu, o Lulu e a Beatriz. Eu só dei o primeiro passo para a tirar a pata do papel – hoje temos muito mais um pensamento coletivo na criação dos arranjos. As músicas novas estão vindo a partir dos nossos ensaios e de longas conversas.

– Aliás, me explica o nome do EP, “Wild and Cabeluda”.

Bom hehe o nome da banda, pata, veio a partir da expressão pata de camelo, ressignificando-a como um símbolo de resistência das mulheres – uma subversão da noção que o corpo da mulher deve ser escondido. Apesar de que não é preciso ter uma pata de camelo para ser mulher, existem outras formas de ser. Daí o nome do EP, selvagem e cabeluda, que confirma essa ideia de subversão.

– Como você vê o crescimento dessa onda conservadora no mundo e como isso está servindo de combustível para o contra-ataque de quem vai contra esse pensamento?

É assustador. Eu não diria que é um combustível, pois a gente funciona bem sem essa onda conservadora, mas é definitivamente um alerta.

– Seria ótimo não precisar contra-atacar, né…

Com certeza!

– Vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Sim! Estamos idealizando o nosso primeiro álbum e tem sido bem divertido.

– Dá pra adiantar alguma coisa sobre ele?

Estamos no processo de escolher as músicas e ver o que funciona em cada uma. Já temos o nome! Mas é segredo, por enquanto (risos).

– E vocês já estão fazendo shows de divulgação do EP? Como estão rolando?

Estamos sim, inclusive nossa próxima data é no dia 30 de março aqui em BH no Saramandaia.

– Recomendem bandas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tem a Whatever Happened to Baby Jane que é muito massa, a Bertha Lutz daqui de BH, Charlotte Matou um Cara, Demonia, Lava Divers!

Construindo Gabriela Garrido: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Gabriela Garrido, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Tegan and Sara“Call It Off”
A partir dessa música eu fui apresentada a uma das minhas bandas favoritas, Tegan and Sara. Se não fosse o “The Con” – o álbum dessa canção – acredito que eu não teria começado a compor.

Courtney Barnett“Avant Gardener”
Essa música é muito especial pra mim! Conheci Courtney Barnett no fim de 2016 e me apaixonei pelas letras dela. Ela escreve bastante sobre situações mundanas e cômicas, e essa música é um excelente exemplo disso. Me inspirou para escrever “De Bicicleta”.

Paramore“Born For This”
Ah, minha adolescência! Se eu não quisesse imitar a Hayley Williams eu nunca teria começado a cantar. O “Riot!” marcou a minha vida e meu despertar artístico!

Green Day“Are We The Waiting”
Green Day foi minha primeira “banda favorita”. O “American Idiot” foi a porta de entrada para minha obsessão com música e principalmente com o pop punk e o pop rock.

Yeah Yeah Yeahs“Phenomena”
Yeah Yeah Yeahs também foi uma grande descoberta da adolescência, e a Karen O se tornou mais uma grande referência de vocalista para mim. Principalmente quanto às performances no palco.

Johnny Hooker“Amor Marginal”
O som do Johnny Hooker foi crucial para o início da carreira solo. Depois de muito tempo sem me apaixonar por sons brasileiros, o disco dele me arrebatou completamente e serviu como um empurrãozinho para que eu começasse a acreditar no meu trabalho e compartilhasse minhas canções com o mundo. Ele foi uma grande referência principalmente para a minha música “Pela Metade”, que está no novo EP.

Frank Ocean“Self Control”
Ouvi muito Frank Ocean gravando o meu último EP, que vai sair em março. Essa música, principalmente, tem um efeito surreal sobre mim! Sinto muita emoção na interpretação dele e tentei “roubar” um pouquinho disso gravando a voz.

Rubel“Quando Bate Aquela Saudade”
Assim como com o Johnny Hooker, o Rubel chegou na melhor hora possível. Foi como uma reaproximação da música brasileira através desses novos sons, bem quando eu começava a querer entrar nesse mundo. Amo esse disco inteiro, mas acho que todo mundo que escuta concorda que essa música tem algo de muito especial, e não é à toa que ficou bem conhecida. Gostei tanto que acabei até participando do clipe dela (risos). Dá pra me ver na cena do metrô, de cabelo grande, quase irreconhecível!

Amy Winehouse“I Heard Love Is Blind”
Essa música, para mim, é simplesmente perfeita. A letra, o arranjo, a interpretação. Eu gosto da simplicidade e da autenticidade dela. Tento levar isso comigo. Foi um presente incrível que a Amy deixou.

Lady Gaga“Speechless”
Junto com Paramore, Green Day e afins, a Gaga fez parte do meu despertar musical na adolescência. “Speechless” é uma das canções que me mostrou o enorme talento que ela tem. Lia sem parar sobre ela quando comecei a cantar, e a devoção e a trajetória são realmente inspiradoras.

Cazuza“Eu Queria Ter Uma Bomba”
Apesar das minhas referências serem – em maior parte – atuais e gringas, em matéria de composição, Cazuza é uma inspiração gigante. Queria muito ter escrito essa!

Cássia Eller “Mapa do Meu Nada”
Acredito que a Cássia sempre será minha cantora brasileira favorita. “Mapa do Meu Nada” é especial. Fiz um cover dessa música no meu primeiro show como cantora solo. Sonho em chegar perto da potência e da emoção que a voz dela transmitia.

Bleachers“I Wanna Get Better”
Eu amo tudo que o Jack Antonoff faz. Mesmo. Essa música foi a porta de entrada para a minha obsessão com Bleachers, o projeto mais recente dele. Acabei mergulhando nas canções e no processo criativo da banda, que hoje é uma das minhas principais referências.

Tigers Jaw“I Saw Water”
Antes de gravar o meu primeiro EP eu ouvia Tigers Jaw sem parar, e essa música me inspirou a escrever a canção “Mergulho”.

The Front Bottoms“Flashlight”
Assim como com a Courtney Barnett, as letras do The Front Bottoms influenciaram meu jeito de compor. Cada composição conta uma história e envolve completamente quem está ouvindo. São frases que a gente não costuma ouvir em qualquer música. Só escutando pra entender!

Now, Now“Neighbors”
“Neighbors” foi a primeira música que conheci da banda, e tem um lugarzinho no meu coração. Me apaixonei de cara com a delicadeza da letra e a sonoridade do arranjo. É mais um exemplo de banda que tem músicas ao mesmo tempo simples e carregadas de emoção, algo que eu tento trazer muito para o meu som.

Paramore“Pool”
Vale colocar uma música nova do Paramore porque eles tiveram a coragem de se reinventar completamente, o que foi maravilhoso, no meu ponto de vista. Ainda mais vindo de uma das minhas bandas favoritas. Me deu a certeza de não se deve ter medo de buscar novas sonoridades.

Leo Fressato“Vendaval”
Eu costumava ser muito insegura com tocar sozinha, no formato voz e violão, por achar que não tocava bem – apesar das minhas músicas serem fáceis. Puro medo. Lembro de assistir um show do Leo em 2015 e me convencer do valor de um show acústico, mesmo com melodias simples. “Vendaval” se destaca nos shows dele!

Graveola“Talismã”
O Graveola foi uma das principais razões para que eu acrescentasse percussão nos arranjos do meu novo EP. Amo essa e as outras canções da banda, que soam modernas sem perder a brasilidade.

Elis Regina“Redescobrir”
Não podia faltar. As músicas da Elis me acompanham desde cedo. A paixão da minha família por ela – principalmente a minha avó, super fã – é uma das minhas lembranças musicais mais antigas. Com certeza uma voz que já me ensinou muito e ainda tem a ensinar.

Trio de Los Angeles Fragile Gang quer trazer seu shoegaze com toques de pop para o Brasil

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Formada por Aisling Cormack (guitarra e voz), Arlo Klahr (baixo e voz) e Jessica Perelman (bateria), a Fragile Gang é uma banda de Los Angeles que está na ativa desde 2003 e em cada trabalho mostra influências diferentes: dos momentos acústicos ao puro punk rock, o atual trio faz o que der na telha, desde que faça sentido para todos os membros. “Bandas são como gangues”, conta Arlo, “eles precisam uns dos outros para serem fortes”.

O mais recente trabalho do trio, “For Esme”, é um tributo a Esme Barrera, um ícone da cena musical underground de LA que trabalhava incansavelmente nos bastidores, seja em projetos como o Girls Rock Austin ou simplesmente sendo uma figura que levantava o moral dos músicos locais com seu bom humor e otimismo. O disco traz canções emocionais e doces e é um bom cartão de visitar. Agora, eles trabalham no novo disco, que será lançando em 2018. Conversei com um pouco com Arlo sobre a carreira da banda:

– Contem um pouco mais sobre seu novo álbum!

O novo disco! Estamos tocando com a Jessica (na bateria) por cerca de um ano e meio agora. Muito do novo álbum sai de uma formação sólida e ensaios todas semanas e fazer vários shows. Também tem a influência de eu tocar mais baixo (eu costumo tocar guitarra) e Aisling tocando mais a guitarra principal. Gravamos ele principalmente em novembro, no estúdio de um amigo, e estamos terminando pequenas partes agora. Tem também algumas surpresas, esperamos, com os novos instrumentos que estamos experimentando. Nós colocamos muita emoção nisso e estamos ansiosos para ver o que sai disso.

– Como surgiu o nome Fragile Gang?

“Fragile Gang” é o nome de uma música da banda escocesa The Pastels. Escute a música e eles. Nós os amamos, mas além da música em si, que é ótima e  gentil – e parte de um ótimo álbum – o nome significou algo para nós e ainda o faz.

– Quais são suas principais influências musicais?

Se eu tivesse que escolher apenas por quantidade de horas ouvidas, provavelmente os Beatles, Bob Dylan, Neil Young, Bob Marley, talvez Fela Kuti, graças aos meus pais, e coisas como Carter Family, música tradicional irlandesa, Leadbelly, Miles Davis. Ah, e Lungfish. Ouvimos eles por horas e horas por muitos anos e vimos muitos dos seus shows e eles são definitivamente uma grande influência para mim e Aisling. Falando em outras bandas, David Bowie, Velvet Underground, The Clash, The Smiths, Wire, Galaxie 500, Fugazi, Unwound, Blonde Redhead, Pastels, Replacements, Big Star, Bikini Kill/Le Tigre, Nation of Ulysses/Makeup, Otis Redding, My Bloody Valentine, Public Enemy, Metallica do começo, the Clean, soul music… Basicamente qualquer coisa e tudo, e está sempre crescendo, então sinto que essa longa lista está diluindo a força de qualquer coisa que eu tenha a dizer, então vou ficar quieto agora…

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?

Este é difícil: agora as pessoas dizem algo como “pop-gaze” de nossas performances ao vivo, ou algo no espírito de Yo La Tengo… E isso poderia ser bom o suficiente, mas eu realmente nunca sei o que somos. E isso também pode ser uma coisa boa: somos uma banda que sempre está olhando, espero que continuemos sempre crescendo, mudando e sendo inspirados! Tentando ouvir nossos sentimentos, bem como olhar para o exterior para nos surpreender e inspirar.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós lançamos o que eles podem chamar nos EUA de “uma bagunça total” de álbuns. Muitos, e talvez não sejam suficientemente bagunçados. Os favoritos de algumas pessoas são o nosso primeiro, “Valley of Static”, que é muito lo-fi, gravado em uma antiga fábrica de alimentos para cães e em um gravador de cassetes de 4 pistas em nosso banheiro, etc. Eles também gostam de um chamado, apropriadamente o suficiente, “Aisling & Arlo”. É tudo violão acústico e violão basicamente, e a gente cantando, tão simples e puro quanto pudemos. E então, nossos dois últimos, “For Esme” e “Twister in the Ocean”, que são mais uma banda de rock.

– O que você pensa da cena independente musical hoje em dia?

Nós amamos a cena musical independente. Pode ser tão emocionante, íntima, crua e próxima, e basicamente é o único tipo de cena que já conhecemos. Quero dizer, vamos a shows de todos os tamanhos e escutamos todos os tipos de bandas, mas os shows que fazemos e as pessoas de que estamos perto são quase todos parte das comunidades independentes e DIY.

– Você acha que o rock alcançará o mainstream novamente como antes?

É difícil saber onde o rock irá como um gênero. A música popular sempre está mudando e “hibridando”, então pode acontecer de alguma forma. Aposto que o Nirvana e essa época foram uma grande surpresa e você nunca sabe quais surpresas estão sendo preparadas nas comunidades subterrâneas neste momento.

– A era do streaming é boa ou ruim para o artista independente?

O streaming parece ser uma benção mista: nos permitiu encontrar muitas bandas e cenas e selos e até nos ajudou a fazer nossa turnê no Japão (e conhecer grandes bandas e amigos lá) e encontrar shows no Canadá para tocar. Todos podem encontrar todos. As pessoas podem ouvir nossa música no Brasil, por exemplo! Ou ao lado de nós. Isso é incrível. É uma merda que geralmente é na plataforma de outra pessoa (grandes conglomerados de tecnologia). Isso não parece tão independente. Também é verdade que os pequenos artistas ainda estão e sempre acham dificuldade se sustentar. Mas talvez haja um equilíbrio que o mundo da música vai encontrar em algum momento. Enquanto isso, ainda podemos vender nossas fitas, CDs, camisas e shows e fazê-lo dessa forma.

– Los Angeles sempre foi conhecida por ser um bom lugar musicalmente. Como está hoje em dia?

LA é um lugar emocionante para a música. Muitas bandas surgem aqui, então é bom. E pessoas de diferentes culturas e origens se inspiram. As culturas da indústria cinematográfica e da mídia às vezes permeiam as cenas menores e vice-versa. Pode ser surpreendente saber quem conhece quem e quem vai aos shows. Mas tudo isso sendo dito, alguns de nossos shows favoritos foram muito semelhantes aos que teríamos feito em El Paso, um bom grupo de bandas e pessoas em um espaço de tamanho médio a pequeno, apenas tocando música e curtindo. É mais sobre como se juntar.

– Quais são os seus próximos passos?

Queremos ir ao Brasil! Sério, mande uma mensagem para nós se você pode nos ajudar a fazer um show ou recomendar alguém para conversar ou qualquer lugar por aí para tocar! Foi assim que tocamos no Japão e foi ótimo. Além disso, queremos levar o nosso novo álbum para o maior número possível de pessoas e depois fazer outro álbum e nos surpreender. Fazer mais shows. Talvez construir um pequeno estúdio em casa?

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Alguns de nossos amigos daqui: Young Jesus, Joe Gutierrez do Steady Lean, Young Lovers, Pastel Felt, Nick Flessa, Pig Pen, Ryan Reidy, Total Heat… Alguns de nossos amigos com quem  tocamos no Japão: Boyfriend’s Dead, Yukino Chaos, Vanellope. Alguns amigos de longa data com bandas: Kid Congo and the Pink Monkey Birds, Knife in the Water, the Crack Pipes, Hairy Sands. Também curtimos novas bandas como Jo Passed, RL Kelly, Ian Sweet. E bandas com quem fizemos turnê: Clarke and the Himselfs, Little Star, Didi e muitas, muitas outras!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Gabriela Jardim, do Infected By Culture

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Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Gabriela Jardim, do site Infected By Culture.

Oxy“Mad”

Oxy é uma banda brasileira de shoegaze com vibes dream pop, que surgiu em 2016 pelas mãos da Sara e do Blandu. A faixa “Mad” vem do seu EP auto-intitulado, e é sem dúvida a minha faixa preferida do lançamento. Além disso, foi lançado o seu clipe, que é uma obra-prima por si só, com uma direção incrível.

The Ninth Wave“Reformation”

The Ninth Wave é uma banda inglesa que conheci recentemente. Com fortes influências em The Cure e até Tears For Fears, a faixa “Reformation” nos leva para os anos 80 através dos seus synths e riffs marcantes. O grupo tocará esse ano no Mad Cool Festival em Madrid, ao lado de bandas como Arctic Monkeys e Tame Impala, e lançará material inédito dentro das próximas semanas.

BLOXX“Coke”

BLOXX é uma banda inglesa de indie rock conhecidos por unir influências da música grunge, pop melódico e riffs marcantes – essa junção resulta na sonoridade ímpar e original da banda. “Coke” é um dos singles mais novos lançados pela grupo, e sem dúvida é uma faixa que vai captar a sua atenção e fazer você cantar junto.

Honey Bones“Anxxxiety”

Escrita por Ivan Silva e David James, a faixa faz parte do disco “Black” da banda Honey Bones, lançado em 2 de novembro de 2017. O som do duo apresenta uma mistura de beats estilo hip-hop e riffs abstratos de guitarra com uma pegada lo-fi. A banda se define como “dreamy garage pop”.

Stop Light Observations“Aquarius Apocalyptic”

Stop Light Observations é uma banda americana que vem levando destaque nos últimos meses. Com uma variedade de influências, a banda mistura gêneros como indie, rock clássico, hip-hop, folk, psicodélico, entre outros. A faixa “Aquarius Apocalyptic” apresenta bem essa mistura de referências, e traz riffs marcantes e vocais que te prendem até o final.

“More” (1969) – Pink Floyd entre o prog e o heavy metal

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More (More)
Lançamento: 1969
Direção: Barbet Schroeder
Roteiro: Paul Gégauff e Barbet Schroeder
Elenco Principal: Mismy Farmer, Klaus Grünberg e Heinz Engelmann

Esse é um que pra mim é antes a música que filme. Tendo conhecido já há anos o som metal pesado do Pink FloydThe Nile Song”, fui só bem mais tarde descobrir que fazia parte da trilha sonora dum filme e ainda mais tarde assistir o tal filme. Devo dizer contudo, que o longa tá no nível da soundtrack.

Essencialmente sobre drogas, sobre seus efeitos e sobre como alteram o comportamento social dos indivíduos, o filme “More” de 1969, conta a história do jovem Stefan, recém formado em matemática, em “busca do sol” e do seu relacionamento com uma menina parisiense na praia de Ibiza. Em algum tipo de relação com um velho alemão (Wolf), a moça (Estelle) não se permite ficar junto do matemático e esconde mil coisas que não ficam muito claras, mas que parecem ter ligações com o tráfico de drogas pesadas. O Stefan por outro lado, apresenta um comportamento possessivo ridículo, exigindo dela uma submissão absurda e sem entender nada do que se passa na relação que ela tem com o velhinho.

Com um passado embrulhado em heroína, Estelle acaba fugindo do Wolf com o jovem Stefan, pra levar uma vida mais calma. Contudo, leva junto de si alguns pacotes de “cavalo” roubados do velho e aí dão várias merdas.

Cena do filme que ilustra a capa do disco

Acompanhando toda essa exposição da realidade da contracultura hippie da época com seus prós e contras, aparece a trilha sonora. Feitas especialmente para o filme, as músicas do Pink Floyd embalam o ritmo psicodélico das viagens com sons que variam entre o prog, o jazz e o metal.

Já tendo feito a trilha deTonite Let’s All Make Love in London em 67, a do filme de 69 foi a segunda da banda, já marcada por um estilo que seria o dos discos dos próximos anos, como o Obscured By Clouds e o Meddle, com um prog bastante experimental.

Mas apesar do forte progressivo, há uma música que foge um pouco desse estilo e pra qual cabe uma atenção mais que especial. “The Nile Song” é um heavy metal heavy mesmo, com uma puta letra genial e que foi lançada junto com o filme, um ano depois da formação do Black Sabbath (que teriam sido os primeiros do gênero) e um ano antes do lançamento do primeiro disco do Black Sabbath. Ainda fugindo um pouco do prog clássico pinkfloydiano, mas cheia de sintetizadores, tem “Up The Khyber”, um jazz com uma bateria bastante à la Thelonious Monk.

Tendo já dado o destaque pra genialidade “prafrentex” da banda, voltemos ao prog. “Cymbaline”, que foi tocada depois em muitos shows e que parece ser a mais famosa do filme, mistura o estilo que viria a se tornar a marca do Pink Floyd com a influência “barretiana” do “Saucerful of Secrets” criando uma viagem muito única! “Cirrus Minor“, num estilo parecido, mas mais instrumental, é outra que traz uma carga excelente pra deitar no chão e entrar numa trip muito loka!

De resto, assistam/ouçam pra descobrir!

Segue em link o trailer e a trilha sonora:

Trailer:

Trilha Sonora:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Helena Papini, da Bula

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Helena Papini

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Helena Papini, baixista da banda Bula, Triácida e da Urbana Legion.

Trouble“What Are We”
Essa é uma banda que conheci recentemente quando fui convidada pela Fernanda Leite (vocal) pra tocar as músicas de seu álbum (“Trouble and the New Brazilians”) em um show em SP. Essa música me fez chorar subindo a serra a caminho do ensaio (risos). E além das músicas lindas num estilo meio country/folk cantadas quase todas em inglês, a versão física desse álbum é um dos Cs mais bonitos que eu já vi.

Dani Vellocet“Babe”
Eu e Dani tocamos juntas por quase 10 anos na banda Mecanika, pelos bares da baixada Santista e SP.
“Babe” faz parte do seu trabalho solo que está sendo lançado desde o ano passado, e tem uma pegada bem 80′, dançante, com videoclipe gracinha. Além de uma grande referência é uma amiga de anos. A Dani me mostrava quase tudo durante o processo de composição e gravação do seu disco (“Amores”), acompanhei tudo de perto e posso dizer que vem um lindo álbum por aí.

Silversun Pickups“Three Seed”
Talvez a minha banda preferida da atualidade, o SSPU também tem uma mulher no baixo (Nikki Monninger).
Em 2013, durante a tour “Chorão Eterno” da A Banca, escutávamos esse álbum praticamente antes de todos os shows e nas viagens. O curioso foi que ano passado eles vieram pela primeira vez pro Brasil, e lendo uma entrevista dela, descobri que ela já conhecia e gostava da Bula e sabia que temos uma baixista mulher também (que por acaso sou eu (risos)). Quase caí pra trás. Fui com o Marcão no show deles mo Circo Voador na mesma semana e pudemos conhecer a banda toda a convite dela, e curtir uma noite inesquecível ao lado de uma banda que é uma grande referência pro som da Bula.

Dub FX“Love Someone”
Descobri esse som assistindo vídeos de skate no YT, gostei tanto que fui atrás. Aí ví o que na época era um artista bem underground, que se apresentava em praças públicas, com uma caixa de som, e um microfone passando por seus pedais de efeitos, sobrepondo loopings de batidas e sons feitos com a boca (beatbox e afins). Essa foi a primeira música dele que escutei, e desde então é um dos artistas que não saem da minha playlist.

Urbana Legion – “Mariane 2”
Com o perdão da autopromoção, gostaria de falar dessa música que fiz em parceria com ninguém menos que Renato Russo, ao lado da Urbana Legion, um tributo a esse ícone da música brasileira, que faço parte.
Recentemente recebemos do seu filho, Giuliano Manfredini, alguns manuscritos guardados por 20 anos em um apartamento no RJ, junto com a missão de musicar esses textos, e “Mariane 2” foi um dos resultados desse grande desafio.

Construindo Os Estilhaços: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Os Estilhaços, de São Paulo, que indicou sua 20 canções indispensáveis. “A gente quis fazer um exercício “democrático” de deixar cada um escolher suas músicas em vez de sentarmos e escolhermos todas “em consenso”, sem um ficar dando palpite nas músicas do outro… (risos)”, contou Cristina Alves (órgão). “Isso foi muito interessante, até para nós mesmos percebermos, de forma mais evidente, como as influências de cada um contribuem para o som que fazemos n’Os Estilhaços”. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Caio Sergio (guitarra)

The Music Machine“Eagle Never Hunts The Fly”
Esta é uma música que me surpreendeu desde a primeira vez que escutei. Uma das gravações mais pesadas que já ouvi. Não é à toa que são considerados uma das bandas pioneiras com intensidade e pegada de proto-punk.

Randy Alvey and the Green Fuz“Green Fuz”
Se tem uma música que traduz muito do que é o espírito “garage”, esta é Green Fuz. Gravação tosca, tocada ao vivo, com os instrumentos todos desafinados, bem do jeito que a gente curte.

Teddy and His Paches“Haight Ashbury”
Quando a gente ouve e gosta de verdade de música, sempre tem uma ou outra que a gente fica se imaginando um dia tocando (e isso independentemente de fazer parte de uma banda). Este é o caso de “Haight Ashbury”. Um som que eu sempre quis tocar e consegui fazer isso n’Os Estilhaços.

The Chocolate Watchband “Are You Gonna Be There (At the Love In)”
Daquelas que a gente carrega com a gente para a vida. Uma das primeiras músicas de garage rock que escutei e posso dizer que continua me influenciando até hoje. Acho que a pegada (ainda levemente) psicodélica deste som prenuncia a viagem mais intensa que a banda veio a mostrar posteriormente.

The Electras“Dirty Old Man”
Estar atrás de um microfone e na frente do público é sempre uma baita responsabilidade. Este som está na lista por ter sido a primeira música que cantei ao vivo, algo que me marcou bastante enquanto músico.

Cristina Alves (órgão)

The Seeds“March of the Flower Children”
Eu poderia escolher qualquer uma deles, mas esta marcou por ser a primeira música do The Seeds que conheci e confesso que a percepção inicial foi de total estranhamento. O coro de vozes infantis e os barulhos de chicote me pareciam muito assustadores. Future não é um disco “fácil”, mas aos poucos eu fui mergulhando na proposta não só deste álbum, mas na pegada da banda como um todo, e posso dizer que a partir daí abri minha cabeça para a psicodelia. Virou banda da vida.

The Beautiful Daze“City Jungle, Pt. 1 & 2”
Esta é literalmente uma música “duas em uma”. Ela saiu em compacto 7”, sendo o lado A com vocal e o lado B apenas instrumental. Cada vez que a escuto descubro algo diferente. Daquelas boas de ouvir no fone, com volume bem alto, para prestar atenção em cada instrumento. Destaque para o baterista que faz das viradas mais simples as mais perfeitas para a pegada “primitiva” e garageira da música.

Mavi Isiklar“Ask Çiçegi”
Quando comecei a me interessar pelas bandas de rock mais desconhecidas dos anos 60, tive uma fase (que nunca passou na verdade) de ir atrás deste tipo de som nos mais diversos lugares do mundo. Nessas pesquisas, descobri muita coisa boa, além de ter ficado mais que evidente o quanto o rock havia influenciado a música tradicional de cada país. É justamente nesta fusão das culturas que encontrei uma paixão. Escolhi “Ask Çiçegi” (Turquia) pois acho curioso o fato de eu ter conhecido primeiro esta versão do que a original “Send Me a Postcard” do Shocking Blue.

The New Hopes & Dimitris Santorinaios“Exo vrei mia agapi (Έχω βρεί μιά αγάπη)”
Quando eu crescer quero tocar como os gregos!! Hahaha… O rock 60’s deles é para mim uma influência direta como instrumentista. O timbre usado no órgão, bem marcado e agudo, muito mais em solos e notas soltas ao longo de toda a música dá um destaque para o instrumento e uma identidade bem característica na qual me inspiro bastante.

Ronnie Von“Anarquia”
O Ronnie é um cara que foi “redescoberto” há pouco tempo, tendo enfim sido reconhecido pelos maravilhosos três discos psicodélicos lançados respectivamente em 1968, 69 e 70. As primeiras vezes que ouvi, achava inusitado que aquele cara – muitas vezes só lembrado por atualmente apresentar um programa de televisão – tivesse feito algo tão avançado para a época. Acho que foi meu primeiro contato com a psicodelia feita aqui no Brasil.

Paulo Nobre (baixo)

The Sonics“The Witch”
Impossível de esquecer o show que eles fizeram aqui em São Paulo em 2015. Baita energia para uns senhores de mais de 70 anos. Esta música foi um dos primeiros sons garage que tocávamos para nos divertir nos ensaios entre amigos.

The Music Machine“Masculine Intuition”
Até tentamos não repetir bandas, mas The Music Machine é unanimidade! Uma das minhas preferidas deles. É agitada, enérgica, “para frente”. Faz parte do primeiro disco dos caras, que mescla sons próprios (só pedradas!) e covers de músicas muito famosas como “Taxman” e “Hey Joe”.

The Fuzztones“Ward 81”
Saindo um pouco dos 60’s, nos anos 80, o garage voltou a ter um destaque maior no cenário musical do rock, e com certeza uma das bandas mais importantes desta época é o The Fuzztones, que está na ativa até hoje. Este som é um clássico, sempre presente nas festas de garage, tem uma atmosfera bem insana.

The Count Five“Contrast”
Em tempos pré internet, obviamente era muito mais difícil ter acesso a músicas e bandas menos conhecidas. O que acabava rolando muitas vezes era de um amigo descolar um vinil ou cd bacana, e fazer cópias em versão fita K-7, para compartilhar mesmo. Foi o que aconteceu com este som, que para mim marcou época, trazendo mesmo uma nostalgia deste tempo.

The Baroques“Mary Jane”
Aquele tipo de música de arranjos simples que gruda na cabeça e não quer mais sair (mas no bom sentido!). Diferente da maioria das músicas, que possuem um solo de guitarra, nesta, quem manda é o baixo. Na época em que foi lançado, o single chegou a ser banido das rádios pelo fato da letra supostamente fazer apologia às drogas.

Alexandre Xéu (bateria)

The Blues Magoos“Gotta Get Away”
Nem sempre tocar e cantar ao mesmo tempo é algo simples. Esta foi a primeira música que fiz isso, lá por volta dos anos 2000. O refrão com diversas vozes alternadas é diferente e marcante.

The Music Machine“Talk Talk”
Esta batida meio “torta” da música é uma das coisas mais loucas que já ouvi. Sem dúvida o vocal do Sean Bonniwell é único, traz muita intensidade para o som.

Strawberry Alarm Clock“Incense and Peppermints”
A melhor maneira de descrever esta música é “como uma boa viagem de ácido”. Sem mais!

The Fuzztones“Strychnine”
Como o Paulo já havia comentado, era comum que a gente ouvisse música nas fitas K-7 gravadas por amigos, muitas vezes sem saber o nome da banda ou do som. Esta mesmo só fui descobrir que era uma versão do Fuzztones (para a música do The Sonics) pois havia uma versão ao vivo, em que anunciavam o nome da banda.

13th Floor Elevators“You’re Gonna Miss Me”
Um clássico da psicodelia. O que sempre chama atenção neste som é o “instrumento” usado junto com o microfone para fazer o barulho das “bolhas” e até hoje não sei se tem um nome específico para ele em português. Em inglês é “eletric jug”.

Tupimasala encontra sua personalidade cheia de synths e mensagem forte no disco “Vênus”

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Tupimasala

Na ativa desde 2014, o Tupimasala se encontrou definitivamente com seu som em “Vênus”, disco de 2017 recheado de synths e sonoridade oitentista, mas sem perder a brasilidade latente da masala tupiniquim do quarteto. Formada por Samantha Machado (voz), Sabrina Homrich (bateria e voz), Adam Esteves (guitarra, voz e sintetizadores) e Hector de Paula (baixo e sintetizador), a banda teve seu álbum considerado um dos melhores de 2017 pela Billboard Brasil.

Criado como uma ópera-rock, o trabalho se divide em três atos: “Eclipse”, que compreende o entender-se mulher e suas implicações sociais, sendo introspectivo e contemplativo, e tendo como enfoque o eclipsamento feminino, “Trânsito de Vênus”, que propõe o levante e a libertação feminina através da imperatividade, com canções fortes e agressivas, e “Estrela D’Alva”, mais festivo, com exaltação ao autoconhecimento do corpo. Todas as faixas do disco possuem nomes de mulheres e falam de questões que infelizmente ainda são consideradas tabu na sociedade, como depressão (“Branca”), masturbação (“Gabriela”), violência policial (“Graça da Sé”) e a liberação da maconha (“Joana Paraná”), por exemplo.

No dia 07/02 (quarta-feira) a banda se apresenta na Contramão Gig, no Bar da Avareza, juntamente do quarteto Der Baum, que lança o single “Pra Inglês Ver”. Conversei com Samantha e Adam sobre a carreira da Tupimasala e o encontro com a nova sonoridade em “Vênus”:

– Me contem primeiro um pouco mais sobre o disco “Vênus”!

Samantha: O “Vênus” foi o resultado de bastante tempo olhando pra dentro da gente… Estética e criativamente
O ano de 2016 inteiro a gente se dedicou a entender a nossa linguagem e o que a gente queria com esse trampo novo. A gente tem um trabalho anterior muito diferente, que a gente fez quando ainda tava se entendendo enquanto músico. O “Vênus” é um trabalho mais consciente da nossa estética e da nossa mensagem.

– E como foi a composição e gravação desse álbum?

Adam: A gente viajou pra Salvador com a ideia de passar um tempo lá pra compor. Ficamos um mês por lá, bem internalizados mesmo, e voltamos com umas 12 músicas.

Samantha: A gente tava bem nesse momento de encontrar nosso espaço enquanto músicos, e isso me fez esbarrar em uma porrada de questões de gênero, como toda mina que faz música esbarra em algum momento.

Adam: Chegando em São Paulo, fizemos um tempo de pré-produção com a banda e depois entramos no estúdio para fazer a pré-produção com o produtor também.

Samantha: Por ser a principal compositora, isso acabou refletindo no conceito do trampo de um modo geral.

Adam: Sobre o processo da gravação especificamente, nos reunimos pra fazer a pré-produção com o Pipo Pegoraro (da Aláfia) e as gravações foram no Navegantes, estúdio onde foi gravado o Francisco El Hombre, Luisa Maita, etc

– Como vocês definiriam o som da banda?

Samantha: Comé que cê define o som da banda, bucha?

Adam: Ah, eu definiria como eletropop! Mas é uma definição que limita um pouco

Samantha: É, então.

Adam: Pois também temos influência de rock, de música brasileira (na “Graça da Sé”, “Janaína” e na “Joana Paraná” isso fica bem evidente).

Samantha: Mesmo porque eu acho o som mais rock que pop. Synth-rock-pop-dream-samba-electro-funk!

Adam: Isso! Seria o rótulo ideal (risos)

– Como a banda começou?

Adam: Começamos eu e a Samy como um duo, ironicamente, de voz e violão, em 2014. E cada vez mais fomos sentindo necessidade de dar mais corpo ao nosso som. Foi aí que entrou o Hector, no contra-baixo e bass synth. Nesse meio tempo algumas pessoas passaram pela banda e depois de fazer muita experimentação a gente encontrou nosso lugar no som mais sintético. Acreditamos que aí é um lugar onde conseguimos fazer a diferença. Quando encontramos essa personalidade no nosso som, lançamos o “Vênus”, em 2017.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Samantha: Acho que da banda, de modo geral, Tame Impala, Metronomy, MGMT, Novos Baianos, Lady Gaga, The Dø, Jungle, General Elektrik.

Adam: Daft Punk, super importante (risos)!

Samantha: SIIIIM! FKA Twigs

– Vocês se consideram uma banda política?

Adam: Considero que qualquer ato é politico. O ato de se colocar como apolítico é político.

Samantha: Fazer música é político, falando de política ou não.

Adam: Então, sim, somos uma banda política, assim como a Disney e a Coca-Cola também fazem política, enfim.

– Como vocês veem a atual cena musical independente hoje em dia?

Adam: Acho que é uma das cenas mais incríveis que já tivemos. A cena independente conseguiu subir muito a qualidade da música. Tem bandas como Aláfia, As Bahias e a Cozinha Mineira, Mdnght Mdnght, Geo, que tem uma qualidade incrível de som e show. Isso é muito importante, pois antes um bom show com som e estrutura de qualidade era relegado somente a bandas do mainstream e acho que o cenário independente tem provocado até mesmo mudanças no mainstream.

Samantha: Tenho uma imensa admiração pelo cenário independente atual, porque o nível de qualidade sempre sobe, tem uma galera altamente criativa, além de mobilizações de grupos femininos, LGBTs, gordos, pretos, periféricos pra marcar presença no mercado musical, que é tão branco e masculino.

– Mas o objetivo ainda é chegar ao mainstream e “estourar” ou com a queda da indústria musical isso mudou?

Adam: O objetivo e ter o trabalho reconhecido e com um nível de visibilidade que permita a banda conseguir viver de maneira sustentável. Às vezes o mainstream facilita esse caminho, mas nem sempre. Como por exemplo em casos em que as grandes gravadoras assinam com um artista “pequeno”, mas não colocam o disco dele no mercado, não impulsionam a carreira e inviabilizam parcerias desse artista. Ou seja, acabam deixando estagnada a carreira desse artista.

– Me contem mais sobre como é um show da Tupimasala.

Samantha: A gente tem um rolê com artistas performáticos, como a Lady Gaga, o Kiss, o Ney Matogrosso. A gente acredita que um show tem que preencher a audiência não só auditivamente, mas visualmente também.

Adam: Temos vários formatos. Mas sem dúvida, meus favoritos são o trio eletrônico, em que tocamos eu a Samy e o Hector. A energia é bem forte com uma performance bem gostosa e que é um formato mais intimista. E o “Espetáculo Vênus” que é a leitura do disco “Vênus” para o teatro. Ou seja, levamos a experiência sonora do disco, que é uma opereta, para o palco.

– O que podemos esperar da apresentação de vocês na Contramão Gig?

Samantha: Vários timbrão loko, muita energia na performance e a gente bem brilhosa.

– Aliás, uma curiosidade minha: de onde surgiu o nome Tupimasala?

Samantha: Surgiu quando a gente morava na Índia. Masala é um tempero de lá, e eles colocam esse tempero nas coisas pra dar um Spice it up. Então surgiu daí: música brasileira com um temperinho!

Adam: É uma música feita por brasileiros porém, com um tempero apimentado em cima.

Samantha: Com uma apimentadeenha!

Adam: É mais uma dessas misturas clássicas, tipo Brasil com Egito, sushi com feijoada.

– Chiclete com Banana!

Adam: (risos) Isso!

– Vocês acham que realmente existe um levante conservador no nosso país ou é apenas algo que rola na internet?

Adam: Rola sim! As minorias começaram a ganhar espaço e a ter seus direitos reconhecidos (ainda que de maneira bem sutil) e isso vem incomodando muita gente, infelizmente. É uma fase meio Reagan né? muito conservadorismo e muito sintetizador ao mesmo tempo

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Adam: Sim! lançaremos um novo single entre abril e maio. Vai ter muita novidade sobre a banda nesses meses. Ainda estamos fechando alguns detalhes mas em breve divulgamos tudo tudinho.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Adam: A Geo com o EP que ela lançou recentemente, o “Salva-Vidas”. A Marcelle com o disco “Equivocada”. A Olympyc, banda que tem um som bem oitentão gostoso. Mdnght Mdght, que é uma galera lá de Brasília que faz um som bem bacana também. A banda irmã dela que é a Cabra Guaraná.

Samantha: Marina Melo que tá lançando o “Nuvem”. A Trouble and the New Brazilians, que tá com um trampo folk bem interessante e bem diferente do que se vem fazendo no gênero aqui no Brasa. A Labaq, que tem uma sonoridade dream bem linda, que ela tira sozinha em alguns shows.

Adam: A própria Der Baum que vai fazer o som com a gente no dia 7, é ótima! Tem uma pegada muito gostosa também.

Samantha: Obirin Trio, que tem um trampo de arranjo de vozes que é a coisa mais linda desse mundo.

Adam: Se deixar a gente fica até amanhã aqui! (risos) É muita coisa boa!

– Podem continuar!

Samantha: Tem a Black Cold Bottles, que é uma banda de rock bem maravilhosa. Tem quem mais? O projeto Sauna, que é uma banda de internet…

Adam: Rodrigo Alarcon e Abacaxepa, o primeiro numa pegada mais MPB, já a banda numa pegada que me lembra uma mistura de Novos Baianos, Barão Vermelho com Itamar Assumpção.

Samantha: Bem 80’s com uma vibe bem engraçada. Tem a MANA, que é um duo de meninas que cantam sua vida doméstica…