Paramnese e Que Ainda Acredite Nisso, as bandas dum cara que me ensinou umas coisas

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Esse texto eu dedico ao meu professor da coragem. Te imagino fora dos mercados vendo as famílias fazendo compras de noite, na calçada contando os segundos do farol no centro da cidade, dando um passo curto pra frente. Eu dedico esse texto ao cara com quem me comparam quando eu declarava um amor bêbado no meu aniversário de 18 anos e em tantas outras ocasiões. Muito obrigado cara, de verdade.

Banda Paramnese tocando a música “Espinafres em Dó Maior

No meu terceiro ano do colegial tive um professor de português muito loko. Com o sotaque sorocabano, o cara além de declarar os amores pelo Fernando Pessoa me ensinou algumas das coisas mais importantes pra minha vida: me ensinou a ouvir Belchior, me ensinou a entender o Ginsberg e me ensinou a ser menos babaca. Acontece que além de tudo, o cara sempre de camisa vermelha é também um poeta do caralho e apaixonado pelo rapaz latino americano, um louco por música e por tabela, um músico com composições absurdas.

A primeira “banda séria”, a Paramnese durou de 2007 até 2014, passando por várias formações ao longo desse tempo, aconteceu em Campinas quando o meu tal professor (Cássio Correa, no baixo) e um colega de faculdade (o Gera, baterista), que já tocavam juntos há um tempo, conheceram o Rodrigo (trompetista) que então trouxe o Frans (guitarrista) e aí tinham a primeira formação. Quando o Frans saiu, quem entrou no seu lugar foi o Cabé, “professor fundador de cursinhos populares em Campinas, cara gente fina!”, segundo as palavras do Cássio. Mas ele ficou pouco tempo e então entraram o Paulo (percussão) e o Jeff (violão e guitarra). Nessa hora, eram cinco poetas na banda, mas as letras todas do Cássio e do Paulo.

Com essa formação que gravaram a maioria das músicas, num esquema de “ser tudo cambiante, todo mundo tocar tudo, meio Belle and Sebastian“, novamente segundo as palavras do meu professor. Músicas por sinal, todas com uma sonoridade e uma letra que misturam uma série de influências, desde Pink Floyd até Belchior, passando por Dylan, poesia beatnik, e o mundo visto da janela do ônibus de noite.
O Gera saiu depois de um tempo e aí a banda ficou sem batera. O Caio passou um tempo com a banda e o Jeff (o do violão/guitarra) foi se dedicar a outros projetos. No final ficaram só o Cássio, o Rodrigo e o Paulo até a morte do Rodrigo, um “cantor e trompetista, poeta, filósofo, clown, lutador, sindicalista, amigo daqueles que são melhor amigo” (segundo a referência das outras citações) em 2014, com a banda já na crise das bandas.

Alguns anos depois, surgiu um outro projeto. A banda (dupla) Que Ainda Acredite Nisso era a remanescência do paramnese, o Cássio e o Paulo, ainda com uma sonoridade tocante que fala sobre todas as coisas da vida com uma estranha sensação de um desespero agonizante que é ao mesmo tempo uma alegria dopada de quem entende o sentido da vida às três da manhã gritando uma música qualquer numa praça do centro da cidade.

Hoje o Cássio continua escrevendo e lançou um livro recentemente com suas letras sob o título “Suas Canções Parecem Poemas“, segundo ele, frase dita por muitos sobre suas músicas.

Seguem os links pras bandas no soundcloud e pro seu blog de poesias.

Paramnese:

Que Ainda Acredite Nisso:

Blog de poesias do Cássio:

https://pentespraticos.wordpress.com/

É isso aí galera. Valeu!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo rapper Kamau

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foto: Ênio César

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é o rapper Kamau, que lançou recentemente o single “Tudo Uma Questão De…”.

Dinosaur Jr. “Just Like Heaven”
Eu ando de skate há quase 30 anos e muito da minha formação musical vem dos vídeos de skate.
Quando eu vi o vídeo da (marca) Blind chamado “Video Days” (dirigido por Spike Jonze), gostei muito da parte de um skatista chamado Rudy Johnson. Ali conheci a música do Dinosaur Jr. e chapei! Depois desse vídeo eu sempre trocava ideias sobre a banda com o maior fã de Dinosaur que conheço: meu amigo Eugênio Geninho. Só bem depois fui saber que essa era uma versão de uma música do The Cure, banda que eu já conhecia. Mas a versão de J. Mascis e companhia sempre será minha preferida.

Daryl Hall & John Oates“Say It Isn’t So”
Um dia eu acordei com essa música na cabeça ali pro final de 2014, começo de 2015. E ficava cantarolando esse refrão sem saber o porquê. Eu cresci nos anos 80 e ouvi a música na época em que tocava em rádios e alguns programas de TV. Mas não sou o maior fã da sonoridade dessa época. Algumas músicas voltam pra mente apenas por memória afetiva, mesmo não tendo marcado nenhum momento específico da vida. E essa virou uma preferida aleatória dessas. Tanto que eu sampleei pra uma batida que fiz pro meu EP “Licença Poética”. Mas não vou revelar qual pra deixar esse “gostinho de mistério” no ar.

Instituto“#1”
Fui convidado por Daniel Ganjaman pra ser o MC do formato “show” do coletivo Instituto nos palcos em 2003. Aprendi muito musicalmente desde então. E uma das canções integrantes do disco “Coleção Nacional” se tornou uma das minhas preferidas da vida. Fico feliz em conhecer pessoalmente os autores de uma música tão bonita. Eu sempre pedia pra que ela fizesse parte do nosso repertório só pra ouvir ali do palco mesmo, antes do meu momento de rimar sobre ela e sair de cena pra ouvir mais um pouco. Obrigado, Maurício Takara e Daniel Ganjaman, por essa em especial, mas por todas as músicas que já fizeram ou contribuíram no nosso universo musical.

Tulipa Ruiz“Só Sei Dançar Com Você”
Conheci essa música da Tulipa num show organizado pelo Ganjaman em meados de 2011 em que o Criolo dividiu essa canção com ela no palco. Desde então, ela sempre volta de alguma forma ao meu cotidiano. Esse som me fez convidá-la pra participar do meu EP de 2012, “… entre…”, na música “Lágrimas do Palhaço”. Tinha até pedido autorização dela pra samplear essa música mas não consegui pensar num jeito que fizesse jus à essa obra. Vai ficar de trilha pra vida.

The Free Design“Never Tell the World”
Eu e o DJ Nyack colocamos como hábito em nossas vidas comprar ao menos um vinil por semana. Claro que nunca conseguimos comprar um só. Mas eu mantenho essa prática de ir até a loja e comprar pra samplear, pra pesquisar ou simplesmente ouvir alguns achados. Numa dessas idas às compras, achei o vinil “Kites Are Fun”, da banda The Free Design que era rotulada como “sunshine pop” e havia sido sampleada na canção “Zone Out”, do rapper Big Pooh (integrante do Little Brother). Virou vício imediato e de tempos em tempos eu volto a ouvir esse disco todo e ainda vou encontrar uma maneira de sampleá-lo bem. Mas essa canção em específico tem uma letra com a qual me identifico muito. Não gosto de gritar aos quatro ventos o que estou fazendo pra que não dê errado. Daí também vem a justificativa do significado de Kamau: Guerreiro Silencioso. E isso se aplica a muitos aspectos da minha vida. E pretendo continuar agindo assim pra que não cresçam o olho no pouco que tenho.

Baby Budas investe no rock gaúcho com psicodelia e “Jovem Guarda de expansão” no disco “Baby Budas No Jardim da Infância”

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Foto: Fábio Alt

Sonoro e meigo, brincalhão e lúdico. Inspirados pela música “Buda Baby” da Graforreia Xilarmônica e unindo o profano com o sagrado, os Baby Budas fazem algo chamado pop rock psicodélico de retaguarda, ou, segundo Plato Dvorak, “Jovem Guarda de expansão”. Qualquer que deja a denominação do som do quarteto, ele pode ser ouvido em “Baby Budas no Jardim da Infância”, o primeiro álbum dos gaúchos, gravado em diversos estúdios, sempre rodeado de amigos. O disco tem a produção de Pedro Petracco (Cartolas e Ian Ramil) e foi lançado em formato fanzine pelo 180 Selo Fonográfico.

Formada por Henrique Bordini (baixo e voz), Henrique Cardoni (teclado, violão e voz), Bruno Ruffier (guitarra e voz) e Humberto Mohr (bateria), a banda de Porto Alegre mostra influências do rock gaúcho, além de incursões pelo brega, rockabilly, psicodelia e até o kraut rock, segundo eles. Conversei com o tecladista sobre a carreira da banda, o primeiro álbum e a música independente:

– Como a banda começou?

Originalmente, a banda surgiu de um desejo meu e do meu primo (Bruno Cardoni). Sempre tivemos o hábito de tocar e compor. Já tínhamos umas 3 ou 4 canções bem estruturadas quando percebemos que era hora de buscar uma baterista e um baixista para fazer essa canções acontecerem de fato. Nisso surgiu o Bordini, o baixista, que não só se dispôs a tocar baixo como também entrou junto (e muito bem) nas composições. O rapaz é d’ouro. Quanto ao baterista, apareceu numa festa, quando o Bruno e o Bordini falavam sobre música com um cara desconhecido que veio a ser o Richter, o primeiro baterista dos Baby Budas. Estava formada a banda.

– Como chegaram no nome Baby Budas? O que significa para vocês?

Baby Budas surgiu em um brainstorm e pegamos o nome por várias razões. Primeiro, porque gostamos, achamos sonoro e meigo, meio brincalhão e lúdico. Segundo, porque remete à música “Buda Baby”, da Graforreia Xilarmônica, banda gaúcha que crescemos ouvindo. Por último, construímos um sentido filosófico para o nome. É uma espécie de amalgama entre o profano (Baby) e o sagrado (Buda), é esse meio do caminho entre o kitsch do Baby, um termo pop, e a elevação do Buda. Baby Budas seria cantar este desencontro, esse lugar limítrofe entre a sociedade do espetáculo e o além mundo.

– Quais as suas principais influências musicais?

Buscando entender esse mosaico doido de influências, dá para dizer que me criei ouvindo Beatles, dei uma bandinha pelo rock mais pesado através de Led e de uma adolescência de metal melódico, depois descobri Tom Jobim e isso liberou a Caixa de Pandora do som Brasil, depois fui viciado em Bob Dylan, ano passo fiquei obcecado por Gilberto Gil. Nesse momento estou escutando Mac Demarco, Erasmo Carlos, Fleet Foxes, Paul Simon, Zombies. É muita coisa mesmo. Vou ficar por aqui, ok?

– Como você definiria o som da banda?

Pop rock psicodélico de retaguarda. “Jovem Guarda de expansão”, disse Plato Dvorak sobre os Baby Budas. Indie espertalhão. Rock gaúcho tentando fugir de ser rock gaúcho (e não conseguindo). Algo nessa onda.

– Como é seu processo de criação?

Antes de qualquer coisa eu passo um café bem forte. Daí eu escuto uma música que gosto muito e penso como eu poderia fazer algo parecido. A partir daí eu faço plágio dessa música, mas, já que minha musicalidade é muito baixa, meu plágio fica tão ruim que não parece a música original. Meu processo criativo é basicamente tirar músicas mal. Esse sou eu, o resto da banda faz diferente e melhor (mas não muito).

Foto: Gustavo Borges

– Me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

A banda já tem 2 clipes, “Aloha Marciano” e “Pardais”. O primeiro, “Aloha”, é a gente tocando o som no estúdio Thomas Dreher, um lugar afudê de Porto Alegre. Júpiter Maçã e uma pá de gente boa gravou lá, então é legal pegar o espírito do lugar. Nesse dia, eu gravei minha voz num microfone especializado em captar bumbo de bateria, mas ficou bom, sabe? Aí tem “Pardais” que é o clipe mais fofinho que você respeita, porque é só uns cara meio deprê com quase 30 anos brincando no campo. Entre esses dois clipes, tem o nosso disquíneo de oito sons. Grande demais pra ser um EP e curto demais para ser um álbum propriamente dito, mas no nosso coração é um álbum, sim, é o “Baby Budas no Jardim de Infância” e foi todo feito com a ajuda de amigos muito competentes, como o Pedro Petracco e os guris do estúdio Casinha. O disco é um Frankenstein, feito pedaço num quarto, pedaço num sótão, pedaço em Canela, pedaço no Thomas, pedaço na Casinha, mas o resultado foi um troço querido, legítimo. A gente é aquele disco ali mesmo, que custou o que podíamos pagar e que ficou o melhor que deu graças às pessoas competentes que estão ao nosso redor.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia e como faz para trabalhar dentro dela?

A cena é feita de gente muito boa e muito corajosa. Fazer da música autoral o centro da sua vida é algo que requer realmente muito esforço, dedicação, capacidade de lidar com incertezas, o cara tem que conseguir lidar com não saber quanto vai tirar no fim do mês ou, na maioria dos casos, trampar de dia e tocar na noite, ou ter uma fonte de renda além da música. É uma pena que seja assim, mas é como vejo. Claro, rola gente boa e profissional que manja de viver disso, faz mais sucesso, sei lá. Os Baby Budas colocam muita elã vital no projeto musical, mas ninguém se vê vivendo disso. Eu trabalhei no IBGE nos últimos 2 anos, o Bruno escreve apostilas pra concurso, o Bordini tá se formando em Direito e também tá aí na batalha pra viver com dignidade.

– Como vocês veem o mundo em que o streaming é a principal forma de ouvir música? Isso é bom ou ruim?

Parafraseando Glória Prires: “não sou capaz de opinar”. Brincadeira, mas realmente entendo pouco da questão mercadológica da música. Basicamente, eu tenho uma banda e toco porque… preciso. Mas creio que a discussão se é bom ou ruim é meio infrutífera, porque essencialmente achar bom ou ruim não vai mudar o que está dado; a música hoje em dia é assim e ponto. Tem que ver o que, dentro do jogo, dá pra construir. A gente tem um arranjo que a arrecadação do Spotify vai para o 180 Selo Fonográfico. O esquema é que a gente não entende nada disso, mas o Garras, dono do Selo, curtiu nosso som e deu um apoio pra banda, pôs o disco no site pra vender, nos dá uma força nos contatos pra shows. Assim, o arranjo ficou com ele.

– Quais os seus próximos passos?

Fazer mestrado em Letras e esperar minha namorada passar no concurso pra diplomata, o que faria com que eu me tornasse Embaixatriz.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Dingo Bells, Ian Ramil, Bordines, Bife Simples, Supervão, Paquetá, Fantomáticos, Sterea, As Aventuras, Karma Dharma, Guto Leite, Croquetes, Grand Bazaar, Charlie e os Marretas, O Terno, Pedro Pastoriz, Renascentes, Ventre, Boogarins, Carne Doce, Akeem, TEM, Plato Dvorak, Os Torto, Ganapo, Gustavo Telles, Allseeone e provavelmente eu esqueci alguém.

Construindo Petit Mort: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda  mezzo-argentina mezzo brasileira Petit Mort, que conta suas influências. “Estamos sem computador, o HD morreu (Rest In Peace), então estamos aqui com o Juan numa Lan House comentando as 20 músicas. Foi muito massa fazer a seleção, lembramos de varias histórias. Foi bem difícil botar só 20 e ficamos nos ligando o quão velhos temos ficado! (risos)”, contou Michelle Mendez, vocalista e baixista da banda. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rage Against the Machine“Killing In The Name”
Trilha da época do colégio que ainda hoje arrepia a gente. Admiração total pelos riffs poderosos. Banda e música que tem nos influenciado muito no jeito de nos posicionar ante o mundo através da música.

Pearl Jam“Porch”
Show ao vivo mais arrepiante que vimos na vida. O vocal do Eddie Vedder é o mais foda, o cara transmite o sentimento como ninguém. É uma das bandas que mais ouvimos na época em que estava nascendo o Petit Mort. As primeiras músicas tem bastante influência no jeito de compor e letras.

PJ Harvey“Rid Of Me”
Mulherão da porra. Admiração total, aprendi muito com ela no seu jeito de ocupar o espaço num mundo tão machista como é o do rock. Composições poderosas e criativas.

Tool“The Pot”
Música e clipe irado. A viagem deles na composição e estruturas das musicas são sensacionais. A gente ouviu muito na adolescência.

Primus“My Name is Mud”
O baixista do rock mais foda, doido e com presença de palco excepcional. Ter assistido ao vivo ele lá em Buenos Aires foi uma experiência inesquecível, baita festa. Conheci a banda quando ouvi essa música.

Melvins“Lizzy”
Asissti eles lá em Buenos Aires, no Niceto Club, uma casa de shows de pequeno/médio porte. Fui lá com meus brothers: dois deles desmaiaram no meio do show. A pressão da banda e esses graves foderosos com duas baterias no palco fizeram a gente ficar muito louco.

Nirvana“School”
A gente nunca fez covers, nem fomos banda de covers, mas fizemos algumas exceções pois tem música que vale muito a pena homenagear, como essa. Altos gritos de Kurt, das principais influências da banda.

Red Fang“Prehistoric Dog”
Os clipes mais engraçados que ja vimos duma banda de rock são deles. Estamos morrendo de vontade de assistir um show deles ao vivo agora que ficamos sabendo que vão vir pro Brasil.

Truckfighters “Gargarismo”
Escutamos pela primeira vez na primeira turnê na Europa, em 2010, na casa do vocalista holandês Sander, que insistiu muito pra gente ouvir essa banda. A energia deles ao vivo é das melhores, simplesmente quebram tudo e com certeza isso nos empolga pra deixar tudo no palco com cada show.

Incubus “Blood on the Ground”
Trilha das nossas turnês pelo sul da Argentina e Chile em 2008/2009. Chegamos a fazer essa música ao vivo junto ao conhecido guitarrista da Patagônia Pey Etura. A época dessa música do Incubus é das melhores, a gente ouvia muito. Baitas letras e atmosferas.

Macaco Bong“Shift”
Um dos motivos pelo qual a gente mora no Brasil. Melhor banda, admiramos muito. O jeito de compor do Bruno Kayapy com certeza influenciou no meu jeito de pensar a guitarra. Tivemos o grande prazer de compartilhar palco com eles, gente fina demais. Muito admirável a história, guerreiros.

Foo Fighters“Low”
Furamos a fita desse disco na turnê da Europa em 2010. Essa música foi a que mais ficou na nossa cabeça. Clipe engraçado, composição sensacional. Altas baterias e guitarras.

Red Hot Chili Peppers“Suck My Kiss”
Flea, te amamos. Banda que nunca vou cansar de ouvir, a mais foda de todas. Sempre conseguem nos encher de energia, mudar o humor dos nossos dias.

Soundgarden“Outshined”
Uma das primeiras músicas que aprendi tirar em guitarra, riff inesquecível. Sentimos muita tristeza com a morte do Cornell, voz única, cara talentosíssimo com uma baita sensibilidade nas suas letras .

John Frusciante“Going Inside”
É incrível como pode existir uma pessoa no mundo que saiba traduzir tão bem toda sua dor e loucura com suas composições, desde as baterias, samplers, guitarras até as letras profundas. Me faz sentir muita coisa cada música dele, em especial essa aí.

Deftones“My Own Summer”
Da época da MTV que te fazia conhecer novas bandas do caralho. Música que fizemos tributo num show na Amsterdam, Holanda na primeira turnê de Europa no 2010.

Arctic Monkeys“The View From the Afternoon”
A conexão que tem o Alex Turner com o batera é única, muito talentosos. Admiro muito as composições deles dois. Essa banda tem umas letras sensacionais.

Sumo“Mejor No Hablar de Ciertas Cosas”
Música cheia de significado pra nós argentinos, poesias do Luca Prodan que mexeram com nossa cabeça bem na adolescência. Foi muito bom aquela banda ter existido pra história do rock argentino.

Queens of the Stone Age“Go With the Flow”
Também vi pela primeira vez na MTV, fechou certinho música e clipe.

Die Antwoord“I Find U Freeky”
Uma das bandas que mais temos ouvido nestes últimos anos. Uma banda que foi além do que podia se esperar, energia irada no palco e criatividade em todas as áreas: musicais, visuais, clipes, comunicação, dialetos. Muito foda.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Ricardo Drago, da Mutante Radio

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Ricardo Drago (?)

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Ricardo Drago, o cabeça por trás da sensacional Mutante Rádio, onde o Crush em Hi-Fi e mais uma porrada de gente fina têm programas. Ouça! www.mutanteradio.com

Rodrigo Short“Lista Negra”
A gente lê e ouve tanta gente sendo chamado de mestre que é foda! Mas o Mestre Rodrigo Short não brinca: o cara produz, canta, rima, inventa. A velocidade do raciocínio não nasceu ontem! espero que ele saia  da Dalaranjaaocaos e voe muito alto. É rap, claro, mas é muito mais música bem feita do que um gênero musical! Apenas ouça essa canção com calma.

Vigárioz Crod Alien“SePoco”
Esses caras são foda! Você nunca sabe como será a próxima música, mas te garanto: será foda. Você nunca sabe quem vai cantar a próxima música, mas você tem certeza que você cantar junto. Vai dançar no beat, pirar nas mesmas viagens intergalaticamente mutantes que eles vão mandar. Não perca um evento com essa trupe muito perto de você! Só espero que eles não esperem a estrada chegar até aqui, construam a estrada!

Beer“Porque És Una Mierda”
Da grande e incrível cena de Curitiba que nunca parou e nunca pára. Esqueçam os rótulos, você ficará dias pra encontrar e ouvir tudo que esse produtor, músico e gênio criou e já disponibilizou no mundo. Em banda ou solo, produzindo ou viajando, vai atrás, ouve o cara e entenda… Desculpe, não precisa entender!

Derrota“Em Vão”
Instrumental, barulhento, intenso, cheio de guitarras. Podia ser só mais um banda instrumental, mas você vai ouvir de novo. Gravaram pouco, troca de formações sempre complicam a vida… Mas a força das canções compensa, nada impede a Derrota! E só porque são uma banda instrumental o único video disponibilizado tem um cantante! É a vida!

Eletro Doméstico“Reine Sobre Mim”
“Não Leve a Mal”, “Mil Músicas”, “Reine Sobre Mim”, “O Perdedor”, “Deixa Pra Trás”, “Garoto Perdido”, “Eu Tenho Todos os Dias”, “O Amor Manda Sinais”, “Eterna Canção”. Agora me conta: quantos artistas você conhece que tem uma fileira de hits assim, um atrás do outro? vai lá e ouve!

25 discos brasileiros sensacionais que infelizmente ainda não estão no Spotify

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O Crush em Hi-Fi é um dos Embaixadores Spotify e a gente adora encher nosso perfil por lá de playlists de tudo que é jeito. Mas, infelizmente, muitas bandas, artistas e selos ainda não se renderam ao mundo do streaming e não subiram suas obras nos mais diversos serviços que existem por aí. Uma pena, ainda mais pra nós, que adoramos criar playlists. Pois bem: resolvemos criar uma lista de 25 (e olha que poderiam ser muitos mais!) discos muito bons que deveriam (e precisam) estar nos serviços de streaming mas por enquanto ainda não podem ser encontrados por lá. Bandas e artistas citados nesse post, se puderem, resolvam isso, seus fãs clamam!

1 – Cordel do Fogo Encantado – “Cordel do Fogo Encantado” (2001)
Houve uma época em 2001 em que os shows do Cordel do Fogo Encantado era uma verdadeira febre entre a juventude que pirava no manguebit e nas misturas de estilos. A doideira de Lirinha e o show frenético eram lotados e todo mundo queria ir. Pois é, quem tem saudade dessa época ainda não tem nas plataformas de streaming os discos de 2001, auto-intitulado, nem “O Palhaço do Circo Sem Futuro”, de 2002, ou “Morte e Vida Stanley”, seu último trabalho. Quem se habilita a subir lá?

2 – Thee Butchers’ Orchestra“Golden Hits By Thee Butchers’ Orchestra” (2003)
Lançado pela Thirteen Records, o disco alavancou o trio Thee Butchers’ Orchestra às posições mais altas da música independente de São Paulo na época. Os shows não deixavam ninguém ileso: uma porrada sonora inigualável com o mais puro barulho.

3 – Retrofoguetes“Ativer Retrofoguetes!” (2003)
O Retrofoguetes surgiu após o fim dos geniais Dead Billies, e o disco de estreia do grupo foi esse, cheio de surf music de qualidade lançado pela Monstro Discos.

4 – Soutien Xiita“Cantando pra Subir” (1999)
Em 1999 a Tamborete lançava o disco do Soutien Xiita, uma porrada violenta e gritada com aquela cara de anos 90 que só as bandas dos anos 90 possuem mesmo. Letras em inglês e aquela tosquice proposital deliciosa.

5 – Graforreia Xilarmônica“Coisa de Louco II” (1995)
Não dá pra entender como os discos de uma banda tão icônica quanto a Graforreia Xilarmônica ainda não estão disponíveis nos serviços de streaming. Não faz sentido os usuários não terem acesso a músicas como “Bagaceiro Chinelão”, “Minha Picardia” e o clássico dos clássicos do Sul “Amigo Punk”.

6 – Os Cascavelletes“Os Cascavelletes” (1989)
Outra ausência gaúcha sentida quando a gente vai usar o Spotify são os seminais Cascavelletes e suas letras cheias de malandragem fuderenga e o velho duplo sentido. O primeiro disco da banda tem sons inesquecíveis como “Morte Por Tesão”, “Menstruada” e “Ugagogobabagô”.

7 – Killing Chainsaw“Killing Chainsaw” (1992)
O rock alternativo brasileiros dos anos 90 tem entre seus grandes clássicos indiscutíveis o disco de estreia do Killing Chainsaw, de Piracicaba, com uma linda capa do filme “Akira”. Essa banda merece ser ouvida, compartilhada, conhecida, reconhecida, espalhada, adorada.

8 – Ack“Play” (1998)
O Ack lançou “Play” no final dos anos 90, um disco recheado de punk rock com ótimas melodias. O álbum conta com o quase hit “Michael J. Fox” e participações de BNegão e Henrike, do Blind Pigs.

9 – Walverdes“90°” (2000)
Num momento em que o rock em português se reerguia, o Walverdes mandou um discaço em “90°” com muita fúria e ajudou a levantar mais a cena gaúcha da época.

10 – Arthur Franquini“When Loneliness Fucks You Up” (2004)
Arthur Franquini era muito mais do que o primeiro baterista dos Forgotten Boys: era um baita compositor, como o disco “When Loneliness Fucks You Up” pode contestar. Saudades, Arthur.

11 – The Maybees“The Maybees” (1998)
O Maybees é a banda que depois veio a se tornar o Ludov. Na época de Maybees o som era mais calcado no guitar noventista com letras em inglês em músicas que não fariam feio em selos incensados americanos.

12 – Stratopumas“Singles” (2006)
Eu lembro bastante de ver o Stratopumas em um dos comerciais que mostrava bandas independentes lá na Mtv. No comercial, eles eram os que melhor emulavam coisas como The Strokes. No disco “Singles” dá pra ver que eram muito mais que isso, mas que sabiam, sim, usar o garage rock revival a seu favor.

13 – Faichecleres“Indecente, Imoral e Sem Vergonha” (2004)
O trio gaúcho, junto com Cachorro Grande, era habituée das casas de show da Rua Augusta no meio dos anos 2000, além de estarem em alta rotação nos circuitos do rock independente. Hoje andam meio sumidos, mas músicas como “Aninha Sem Tesão” e “Ela Só Quer Me Ter” lembram bastante os bons tempos do rock do Sul nos anos 80.

14 – Arrigo Barnabé“Clara Crocodilo” (1980)
COMO ASSIM um dos maiores discos da Vanguarda Paulistana não está disponível nos serviços de streaming? Isso é praticamente um sacrilégio musical. Além desse, álbuns como “Gigante Negão” e tantos outros merecem ser colocados por lá.

15 – Premeditando o Breque“Premeditando o Breque” (1981)
Falando em Vanguarda Paulistana, e esta pérola do bom humor musical? É difícil saber que não temos lindas pérolas musicais como “Brigando Na Lua”, a deliciosa e indigesta “Feijoada Total” e “Fim de Semana” pra ouvir em nossos streaming e colocar em nossas playlists…

16 – Walter Franco“Revolver” (1975)
Esse disco de 1975 é um absoluto clássico da música brasileira e conta com uma de minhas músicas preferidas de todos os tempos do rock nacional, “Feito Gente”, som que foi emulado meio sem querer muitos anos depois pelos Arctic Monkeys em “Do I Wanna Know”. Pois é, visionário o Walter Franco.

17 – Os Lobos“Miragem” (1971)
Descobri esse discaço por acaso! Formado por Dalto e Cristina (voz), Ronaldo (guitarra), Cássio (guitarra), Fábio (teclados), Francisco (baixo) e Cláudio (bateria) no início da década de 1970, Os Lobos faziam um delicioso rock psicodélico nos moldes dos Mutantes!

18 – Sonic Disruptor“Poppers” (1996)
O filho único de uma das grandes bandas de guitar brasileiras saiu em 1996 e é um dos melhores exemplares de shoegaze brasileiro feito com perfeição, com sons como “Plastic Sunny Car”, “Angel Wheels” e “Sweet Cool (Acid Test)”. O disco foi produzido pelo querido Kid Vinil.

19 – Muzzarelas“Maledetos” (2005)
Em 2005, a maior banda de punk rock queijeiro e cervejista da região metropolitana de Campinas resolveu que era a hora de lançar um disco de covers. Mas não qualquer covers: são versões alucinadas de grandes bandas do underground como Línguachula, Acmme, Happy Cow, Tube Screamers e diversas outras (que também mereciam estar nos serviços de streaming, aliás).

20 – Linguachula“Linguachula” (1995)
Já que falamos na banda no disco dos Muzzarelas, eu repito: cadê o Linguachula no Spotify e seus concorrentes, hein? Esse disco de 1995 é incrível!

21 – RAPadura  – “Fita Embolada do Engenho” (2010)
Chico Science ficaria orgulhoso em ver esse rap autenticamente nordestino misturando ritmos e trazendo um rap com embolada, coco e muito mais. Infelizmente, nada do cearense RAPadura (ou RAPadura Xique Chico) está no Spotify. Merece seu espaço, porque é sensacional.

22 – Peter Perfeito“Funk Rock Nervoso” (1995)
O terceiro disco da banda que contava com ninguém menos que Tom Capone como guitarrista tem hardcore, tem ska, tem aquela cara incrível de anos 90 e tem que ser disponibilizado nas redes de streaming o mais rápido possível.

23 – Squaws“O Jogo Vai Virar” (1998)
O Squaws era a “próxima banda a estourar” que nunca estourou. Na época, era indicada por várias revistas e críticos musicais como uma banda que misturava rock e rap e que entraria na lista de sucessos como Planet Hemp e Raimundos. Pois é, não rolou, mas ficou o disco “O Jogo Vai Virar”, que ainda não está no Spotify. Cadê?

24 – Mestre Ambrósio“Mestre Ambrósio” (1996)
Em 1996 o manguebit começava a ganhar o Brasil e o disco do Mestre Ambrósio é uma das melhores obras que misturava tudo que tinha de ritmos brasileiros como forró, embolada e maracatu com rock e saía com um trabalho inesquecível. Passava bastante na Mtv Brasil (que saudades, meu Deus) e “Se Zé Limeira Sambasse Maracatu” chegou a ser um hit menor da época.

25 – Virna Lisi“O Que Diriam Os Vizinhos?” (1996)
Falando em Mtv Brasil dos anos 90, lembra de como passava o clipe de “Eu Quero Essa Mulher”, que chegou a ser indicado ao VMB? Se você era da época, com certeza lembra do Virna Lisi. Baita banda. Cadê esse disco lá nos streaming, pessoal? Cadê?

“The Reflektor Tapes”: um documentário de aquecimento para o show do Arcade Fire.

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Direção: Kahlil Joseph
Ano: 2015
Duração: 1h15min

O sonho: Elvis está dando de tudo no palco e os fãs simplesmente querem mais e mais. O desafio: Fazer algo melhor que “Suburbs”. Mas não é com esse documentário que pouco fala da história da banda ou menos sobre o que o título sugere que fosse fazer: revelar os bastidores do processo de criação do álbum “Reflektor”, que vamos saber. Sabe aquela máxima do fã: “foi feito pros fãs”. Essa parece ser a premissa aqui, mas não somente. A ideia parece mostrar para quem não conhece ou quem já é fã, o que é na verdade um show do Arcade Fire. Não é à toa que os canadenses são conhecidos pelas performances. As fantasias, o lúdico circense, os mil e um instrumentos combinado com o vigor físico de Win Butler e Régine Chassagne, no palco se justificam. A banda se encontra ao vivo. Talvez por isso, se alguém nunca foi a uma apresentação do Arcade Fire e não conhece o trabalho deles, eis esse “The Reflektor Tapes” para aquecer olhos e ouvidos antes do vindouro e aguardado show aqui no Brasil.

A decisão de Kahlil Joseph em filmar planos em preto em preto em branco, a narração em off, os closes mostrando a multidão em transe pelas ruas ao redor das apresentações como num sonho, pode soar blasé para alguns ou evidenciar que se trata de apenas um fã do grupo filmando. Deu pra fazer um álbum melhor? Com canja David Bowie nos vocais e ritmo haitiano, “Reflektor” é um filho ousado com certeza. Mas se esse era objetivo aqui, o alvo acertado foi outro. Quem não é fã, talvez se convença a ir numa das performances. Pra quem já é, só basta aguardar mais um pouco mais.

“Fluxo” mostra a força orgânica e colaborativa do som instrumental jazzístico de Zé Bigode

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Zé Bigode
Zé Bigode

“Fluxo”, novo trabalho da banda Zé Bigode, é uma divertida e orgânica junção de jazz com música brasileira pelas mãos de diversos músicos comandados pelo compositor e instrumentista José Roberto Rocha, guitarrista e mentor do projeto. Além dele, a formação atual da big band conta com Daniel Bento (baixo), Thiago DaGotta (bateria), Victor Hugo (percussão), Rodrigo Maré (percussão), Victor Lemos  (saxofone), Thiago Garcia (trompete), Tiago Torres (trombone), Ingra da Rosa (poesia e spoken word), Pedro Guinu (teclados) e Jayan Vitor (guitarra). Ufa!

O disco foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana ao vivo, para capturar toda a essência da banda, que é o trabalho musical em grupo, utilizando a cooperação entre os membros e seus instrumentos se entrelaçando de forma fluida. “O nome do álbum veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo”, explica José. Conversei com ele sobre o trabalho, a carreira da banda, a cena musical hoje em dia e muito mais:

– Me contem um pouco mais sobre “Fluxo”, que vocês lançaram este ano!

José Roberto: “Fluxo” foi o marco inicial da banda, o primeiro trabalho já com a formação que dura até hoje. O nome dele veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo.

– Como foi a gravação desse trabalho?

José Roberto: Foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana. Pegamos duas sessões de 6 horas e gravamos as músicas. Foi tudo ao vivo, pra captar melhor a energia das musicas ao vivo, no nosso caso música instrumental mais voltada ao jazz e raízes populares. A energia está muito concentrada na troca de se tocar junto e isso influencia muito o som final, então era inviável fazer do jeito que a indústria tem feito nos últimos anos, que é um grava de cada vez depois junta tudo e está pronta a música.

– E como foi a criação das músicas que estão no disco?

Victor: O Zé chegava nos ensaios e nos apresentava a ideia inicial da composição, o esqueleto dela e então nós juntos trabalhávamos nela, no arranjo. Acho que todas elas foram feitas mais ou menos dessa maneira. E além disso tem os improvisos que saíram na hora da gravação mesmo.

– E como estão sendo os shows?

Victor: Tão sendo bem maneiros. O repertório é basicamente as músicas do “Fluxo”, quase todas, e algumas novas!

José Roberto: Os shows tem como base de repertório o disco “Fluxo”, porém tem rolado algumas musicas novas que sairão no formado de single no ano que vem. Ao vivo contamos também com a Ingra da Rosa que faz intervenções poéticas.

– Me contem como a banda começou.

José Roberto: A ideia do projeto veio comigo, no final de 2015 numa viagem a Recife, quando senti que era hora de fazer um trabalho que fosse mais na onda das coisas que eu vinha ouvindo e não tentar entrar em uma outra gig ou coisa do tipo. Assim que cheguei no Rio comecei a trabalhar em algumas músicas e gravei um EP chamado “Zé Bigode”, que foi basicamente feito todo por mim e contou com algumas participações como o Lucas Barata, o Rodrigo Maré e o Victor Caldas. Não sabia como o EP ia ser aceito, então deixei pra montar a banda depois do lançamento, e aí fui chamando os amigos dos quais tinha afinidade e vontade de trabalhar. As coisas foram acontecendo, mais gente foi chegando pra somar, até que a banda se formou.

– E como é a dinâmica em uma banda que tem tantos integrantes?

José Roberto: De uma forma geral é tranquila. Nós temos as coisas bem definidas, como dia e hora de ensaio. A grande maioria é parceira de sair pra beber e essas coisas, e todos tem interesses similares em relação ao que a música representa. De um tempo pra cá tem rolado uma formação reduzida pra alguns eventos que se constitui em um quinteto, mas é só quando o local em que vamos tocar não comporta todos da banda, ou caso role alguma viagem que seja mais na correria e dependa de um esforço financeiro maior dos músicos. O famoso “tirar do bolso” (risos).

– Hoje em dia vemos que existe um crescimento das bandas instrumentais no meio independente. Como esse formato foi redescoberto?

José Roberto: É, não sei se redescoberto é a palavra certa, porque sempre rolou som instrumental, só que agora a galera tem investido mais em outras coisas além da música, numa arte legal, num conceito, em como fazer a musica instrumental ser algo rentável… Muita gente tem na cabeça que música sem voz é apenas pra músico, o que às vezes tem um certo fundo de verdade. Muito músico se preocupa apenas em ser um bom músico tecnicamente e afins, e esquece que a música instrumental é também uma forma de expressão. Dá pra você fazer um som instrumental e estar inserido no contexto, afinal é tudo música. Quem vem com esse papo aí de separar as coisas por etiqueta é o mercado, né…

– Quais as principais influências da banda?

José Roberto: Acredito que não tem uma influência soberana, todos procuram escutar bastante música e coisas novas, então as referências estão sempre mudando. Mas rolam os pontos em comum, que é o lance de cultura popular como Maracatu, o Fela Kuti, Miles Davis, Rumpilezz, Moacir Santos, Lauryn Hill, e essa galera que tem feito o som contemporâneo, Abayomi, Nômade Orquestra, Bixiga 70

– Como vocês veem o mundo da música hoje em dia, especialmente no meio independente?

José Roberto: Tem muita coisa rolando, muita coisa boa, o que é ótimo. Hoje qualquer pessoa pode gravar suas musicas, não precisa de uma gravadora nem nada. Democratizou nesse sentido, mas o que acaba rolando é que o fluxo de novos artistas é tão intenso que muitos passam batido e acabam não sendo “visualizados”. Aí volta um pouco a antiga lógica: quem tem grana pra investir é quem aparece mais, ou quem tem os contatos. Se todo dia tem uma pá de disco novo, como é que tu vai aparecer? Claro que a musica é fundamental nesse processo, o independente é mais sincero nesse sentido, mas ainda vale um pouco daquela lógica quem tem grana sai uns passos na frente de quem não tem.

– Ou seja: mesmo sem as gravadoras, ainda continua do mesmo jeito. Quem tem o bom e velho apoio de alguém grande segue uns degraus acima.

José Roberto: Sim, sem contar os filhos de fulano e beltrano que automaticamente já elevam o status a algo que vale a pena, sendo que muitas vezes a pessoa nem tem um trabalho pronto. É complicado, mas acho que faz parte, né? É nesse sistema que nós vivemos, mas da galera que eu tenho visto aí circulando a grande maioria tem uma boa música e uma boa mensagem pra passar. Então, a balança equilibra, coisa que no mainstream é raro encontrar.

– Quais os próximos passos da banda?

José Roberto: Estamos finalizando as datas de show aqui no Rio, iremos participar de uma coletânea em homenagem ao Guilherme Arantes no inicio de 2018, e irão vir uns 2 singles com clipe um no primeiro semestre e outro no segundo semestre e tocar fora do Rio. Alô Recife, alô Nordeste: chama nóis! (risos)

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

José Roberto: Tem o pessoal do O Quadro da Bahia, IFÁ, da Bahia também, Orquestra Contemporânea de Olinda em Pernambuco… Aqui no Rio tem a Foli Griô Orquestra, Relogio de Dali, Amplexos… Em Sampa tem a Nômade Orquestra, a Xenia França, Luedji Luna, Rincon Sapiência, em BH o pessoal do Zimun… Como eu disse, muita coisa rolando.

https://open.spotify.com/album/1ksBypufTDA6n88DP9ZT3U

Construindo Cachalote Fuzz: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda mineira Cachalote Fuzz, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Sonic Youth“Within You Without You”
Arthur: Música lançada numa coletânea chamada “Sgt Pepper Knew My Father”, de 1988 que tinha o Sonic Youth e outros grandes nomes. Conheci o Guilherme (guitarrista) a uns seis anos atrás e resolvemos formar a banda. Eu como fã de Sonic Youth, ele fã de Beatles, essa música foi o encontro sonoro que fez tudo fluir.

Jupiter Apple“As Tortas e As Cucas”
Arthur: Hino dentro da Cachalote Fuzz. A gente discute mil coisas, mas quando o assunto é Jupiter na banda, ninguém discorda de nada. Amamos esse maluco e concordamos que ele é um dos maiores da psicodelia brasileira, sem mais.

Velvet Underground“I Can’t Stand It”
Arthur: A gente já fez frituras e frituras com esse som bicho, desde o começo da banda, até hoje. Velvet Underground é escola pra todos nós e uma grande influência no nosso jeito de tocar.

Caetano Veloso“Mora Na Filosofia”
Arthur: O “Transa” é um dos maiores discos da música brasileira. Caetano Veloso tava em sua melhor fase e o Jards Macalé arrebentou nos arranjos. Tocamos essa música no primeiro ensaio da banda.

Brian Jonestown Massacre“Anemone”
Iuri: O estilo de composicão, a textura dos timbres e as performances desses caras, sempre foram influências pra gente. Anemone é uma canção de apenas dois acordes que te levam longe, de vez enquanto apresentamos ela nos nossos shows e é sempre uma viagem.

Tame Impala“Elephant”
Iuri: Tanto “Elephant” quanto o disco inteiro “Lonerism” do Tame Impala, deu um boom no cenário neo psicodélico e abriu novas portas para outras bandas que vieram numa onda parecida. A pegada firme na batera e o baixo marcante de “Elephant”, forma o ápice da música, além também de todos aqueles synths e guitarras ardidas, é foda demais.

CAN“Vitamin C”
Iuri: Indo mais atrás no tempo agora, a banda Can sempre pirou a gente com aquela fritura setentista na parte instrumental e também nos vocais excêntricos do japonês Damo Suzuki. “Vitamin C” cria uma atmosfera tão estranha e peculiar, que a gente não poderia deixá-la de fora dessa lista.

Erasmo Carlos“É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo”
Guilherme: Continuando nos anos 70, que é uma época realmente influente no nosso som, a sonzeira brazuca fervia demais também. Essa canção do Erasmo de 1971, permanece atual até hoje, tanto na poesia contestadora e direta, como nos belos arranjos.

The Stooges“No Fun”
Guilherme: Entre as referências de rock’n’roll, The Stooges e Velvet Underground sempre foi as mais presentes. Essa música representa uma grande influencia na construção da sonoridade da banda, principalmente nas nossas primeiras gravações. Acredito que a banda toda curte trabalhar com riffs simples.

Black Sabbath“Planet Caravan”
Guilherme: Foi o Vini que me aplicou esse som. Black Sabbath psicodélico! A estrutura e a atmosfera da música favorece alguns trechos de jam e improviso, que nos ajudava a trabalhar nossa comunicação e entrosamento. Foi um destaque no show de lançamento da revista Paralela.

Tagore“Pineal”
Arthur: O som do Tagore chegou na gente bem na época que a gente tava começando a pirar nas psicodelias do nordeste, principalmente nas bandas do chamado movimento Udigrudi (Alceu, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, etc). O choque foi momentâneo, piramos. E depois quando eles foram lançar o “Pineal”, fizemos uma miniturnê juntos. E acabou que hoje todo mundo da banda é de casa: Tagore, Caramuru, Julião, Xandão, João Felipe. Rolou a parada sensacional de participarem do nosso disco e produzirem também. A gente é fã desses caras.

Porcas Borboletas“Menos”
Arthur: Esses são nossos professores da cena independente do Triângulo Mineiro, por vários fatores. Lembro ver o show deles no lançamento do disco (A Passeio), numa época que nem frequentava tanto shows de bandas independentes. Essa música mudou tudo, virei frequentador assíduo dos eventos locais e quis trabalhar com música independente desde então.

Radiohead “Everything In Its Right Place”
Arthur: Eu sou grande fã, mas nem todo mundo da banda gosta, mas concordamos que não tem como ignorar essa gigantesca banda. O Radiohead revolucionou a música pós anos 90, acreditamos ser uma das maiores bandas da nossa geração. E essa música em si é um hit das festinhas depois dos shows.

Cachorro Grande“Que Loucura!”
Arthur: Tivemos vários shows memoráveis que fizemos na nossa cidade, mas alguns são foda. Um deles foi com o Cachorro Grande. Que um noite sensacional. A festa no camarim, as loucuras, várias conversas malucas. Acho que são uma grande influência pra todo mundo no rock’n’roll brasileiro. Esses caras são foda.

Lou Reed“Vicious”
Arthur: Já falamos de Velvet, eu sei. Mas essa música é praticamente um hino pra todos nós. Descreve muita coisa de cada um da banda, em vários aspectos. Loucura pura, bicho.

Almirante Shiva“Ziggy”
Arthur: Acho que nem dá pra expressar em palavras a admiração que todos nós temos por estes caras. Foram uma das primeiras bandas que trouxemos pra nossa cena, demos altos rolês juntos aqui por Minas Gerais, mais de uma vez. E a gente sempre pirou no jeito dos caras tocarem, no som que cada um faz, neles no palco. Uma banda especial pra gente, sem dúvidas. E mais uma coisa: PEDRO VIVE!

Alceu Valença“Veneno”
Arthur: Se o Brasil alguma vez teve um rei na música, jamais foi Roberto Carlos, e sim Alceu Valença. Bicho, não tem nem como querer falar da obra deste maluco aqui, pelas inúmeras fases nos 50 anos de carreira, e admiramos todas. Mas dois dos maiores discos da psicodelia brasileira, são sem dúvidas “Espelho Cristalino” e “Vivo”, ambos de 1976.

Stealers Wheel“Stuck in the Middle of You”
Iuri: Essa banda escocesa com essa canção principalmente, representa a nata do rock setentista e da cena underground que rolava na época. Somos admiradores do folk e da música caipira, Stealers Wheel é uma mistura de tudo que é bom e criativo.

Holy Wave“Do You Feel It”
Iuri: Uma mescla de instrumentais neo-psicodélicos com a levada marcante do rock 4×4 formam o diferencial dessa banda Texana. “Do You Feel it” abre o álbum “RELAX” que é um dos melhores discos da banda, que é relativamente nova ainda.

The Cure“The Lovecats”
Iuri: Fãs dos anos 80 também que somos, The Cure pra representar essa turma boa. “The Lovecats” une jazz, 80’s, teatro, e gera uma atmosfera peculiar do som “geral” do Cure. Fecha com chave de ouro nossa lista!

Um biscoito da sorte foi a faísca do disco “Good Fortune”, do trio The Forty Nineteens

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Um verdadeiro liquidificador que mistura Dramarama, Elvis Costello, Smithereens e Iggy and the Stooges. Este é o The Forty Nineteens, da California, que lançou recentemente seu disco “Good Fortune”, produzido por David Newton do Mighty Lemon Drops, praticamente um membro não-oficial da banda.

Formada por John (vocais), Chuck (guitarra e vocais) e Nick (bateria e vocais), a banda começou sua carreira lançando “No Expiration Date” em 2012, seguido por “Spin It” em 2014 e finalmente “Rebooted” em 2016. A música “I’m Free”, deste último, chegou a ser nomeada a “Música Mais Legal do Mundo” pelo programa de rádio Little Steven’s Underground Garage. Agora, a banda prepare-se para uma turnê em apoio ao lançamento de “Good Fortune” e sonha em vir ao Brasil. “Nos falem mais sobre agentes de ou promotores para irmos atrás!”, falou Nick, com quem conversei um pouco.

– Como você começou sua carreira?
Eu comecei a tocar bateria com 14 anos, depois de assistir bandas tocarem na minha comunidade local em dias de piquenique. Polka, country, rock’n’roll. Fui atraído pela bateria e me sentava atrás dos bateristas observando como eles se apresentavam. Com 10 a 12 anos, juntei-me à banda do ensino médio e aprendi o controle do pescoço e leitura da vista. Nosso professor era o irmão de Henry Mancini. Ele foi paciente e fez com que a música fosse divertida. Nós só tocávamos em almofadas de prática, então, infelizmente, fiquei entediado e encerrei a banda. Dois anos depois, veio a coceira novamente e comprei uma bateria de baixo custo. Eu tocava 3 horas por dia, sete dias por semana. Mamãe e papai saíam de casa por uma hora ou duas para eu poder praticar. Minha família era muito solidária, e também músicos. Papai tocava gaita e bateria, minha mãe e meu irmão tocaram guitarra, minha irmã tocava violão. A música sempre estava em volta da casa. Meu cachorro acabou se acalmando depois de alguns meses e me observava praticar. Aparentemente, me tornei um baterista melhor, e comecei a tocar com bandas pela cidade. Uma coisa levou a outra e me mudei para Los Angeles para começar minha carreira musical.

– Como surgiu o nome The Forty Nineteens?
O vocalista John e o Chuck trabalham no campo legal, e 4019 é o código legal da Califórnia para créditos de bom comportamento. Exemplo: digamos que alguém está cumprindo uma pena de 6 meses por fazer bebidas ilegamente, você recebe um dia de folga em sua sentença por todos os dias que você fica sem problemas. É o nosso lema. “Todo mundo merece algum tempo por bom comportamento”.

– Quais são as maiores influências da banda?
O John curte Graham Parker, The Beatles, The Romantics. Já o Chuck gosta de bandas californianas de punk como Social Distortion. Eu gosto de The Who, rock’n’roll dos 1950s e garage rock.

– Me contem um pouco mais sobre “Good Fortune”.
John estava comendo em um restaurante chinês e seu biscoito da sorte dizia “seu talento musical será exibido em breve”. Com uma mensagem tão positiva, ele sugeriu que “Good Fortune” fosse o título do novo disco. Nós concordamos. A banda não é política, mas promovemos a positividade com nossas músicas e perspectivas em geral. Você não pode esperar que as pessoas mudem, mas você tem a capacidade de se mudar para melhor. Como sugere a faixa 7, “se você deixar amor, o amor ganhará”. O disco tem sido tocando por Genya Ravan e Rodney Bingenheimer na Little Steven’s Underground Garage Sirius XM e no programa de Bill Kelly na WFMU Jersey City.

– E o que vocês já tinham lançado antes desse trabalho, como foi?
Todos os nossos discos foram produzidos por David Newton, do The Mighty Lemon Drops. Ele é um ótimo produtor/engenheiro, além de um grande cara. Ele nos ajuda tremendamente. No ano passado, lançamos “Rebooted”, com 12 músicas que entraram nas paradas das college radios e nas rádios comerciais. Little Steven’s Undergound Garage escolheu “I’m Free” como “Música Mais Legal do Mundo” na semana de 3 de junho de 2016. Nós tocamos no Yankee Stadium neste ano e nos divertimos muito. Em 2014 lançamos “Spin It”, com 8 faixas que também tocaram nas rádios. “No Expiration Date”, de 2012, tem 11 faixas. Este disco é o que fez a bola rolar para nós. Foi nossa primeira gravação com Dave Newton, e também nosso tecladista Kevin McCourt. Ele fez turnês com Stevie Wonder, entre outros. Paul du Greis fez a masterização dos discos. Ele começou sua carreira trabalhando com X, Bruce Springsteen, The Blasters e muitos outros artistas de destaque. Nós sempre estivemos com ele.

– Como é seu processo de composição?
John geralmente vem com os riffs ou ideias de música. Eu costumo levar as músicas e organizá-las. Chuck também acrescenta muito. Nós descobrimos acordes ou arranjos juntos também. Depende apenas de quando a idéia flui. Todos nós tentamos fazemos o melhor que podemos. Dave traz seus muitos anos de experiência e nos oferece essa experiência de uma forma muito fácil e divertida. Nós adoramos gravar com ele, e estamos ansiosos para o próximo projeto.

– O que você acha da a cena musical independente hoje em dia?
As bandas têm ferramentas incríveis disponíveis para a sua criação de música, promoção e outros. A(s) cena(s) são brilhantes. Eu, por exemplo, curto muito os sons indie que saem de Cleveland. Muitas grandes bandas, que espero que sejam ouvidas fora de Cleveland.

– Qual é a sua opinião sobre a era de streaming em que vivemos?
Eu gosto. No passado, fazíamos mixtapes e passávamos para amigos ou vice-versa. Agora você pode chegar ao mundo e ouvir mil bandas diferentes em apenas um dia, se você tiver tempo. É muito legal isso!

– Descreva um show do Forty Nineteens para alguém que nunca viu. Talvez possamos nos ver no Brasil algum dia?
Aprendemos a fazer shows abrindo para bandas como Red Hot Chili Peppers, Bash and Pop, The Blasters, Beat Farmers e muitos outros. Nós tentamos mostrar esse espírito de curtição em nossos shows. A vida é muito curta para se preocupar com as coisas em um show de rock. Só queremos que todos se divirtam, dancem e esqueçam um pouco do mundo. Gostaríamos de apresentar no Brasil, nos falem sobre agentes de ou promotores para irmos atrás. Nós tocamos no Double Nueve no Peru também, então espero que possamos chegar ao seu lindo país! Esperamos em um futuro muito próximo, obrigado por perguntar!

– Quais são os seus próximos passos musicais?
A banda está nos estágios iniciais de escrever o próximo disco. Nós também planejamos fazer uma turnê de nosso novo álbum, e estamos nos preparando para estar em fevereiro para a costa oeste, e abril para o leste dos Estados Unidos e, possivelmente, o Brasil!

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Eu realmente gosto de uma banda de Pittsburgh chamada The Gothees. Eles são um cruzamento entre The Monkees e Joy Division. Vão atrás de ouvir.