5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Jéssica Mar, do A Menina Que Colecionava Discos

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Jéssica Mar, do A Menina Que Colecionava Discos
Jéssica Mar, do A Menina Que Colecionava Discos

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Jéssica Mar, do A Menina Que Colecionava Discos.  “Muito difícil listar apenas 5 pérolas, mas estão ai, escolhidas com muito carinho e cuidado. Bandas do cenário alternativo, que fogem do convencional e que mereceriam toda a admiração”.

  • Switchblade Symphony – “Clown”
    “Banda de new wave formada em Los Angeles. A música combina sons orquestrados com graves sintetizadores e vocais etéreos para criar uma união de música clássica e rock gótico. A banda acabou em 1999. Essa música – que é a que eu mais gosto delas – ficou um pouco mais conhecido por estar na trilha sonora do filme ‘Wicked’“.

  • Bella Morte“Cristina”
    Bella Morte é uma banda criada em 1996 em Charlottesville, Virgínia que tem um som mais gótico com influências de metalpunkdarkwavedeath rock e industrial.  o nome foi escolhido para “sugerir que a beleza pode ser encontrada na tragédia”, que é um tema que ocorre em todos os álbuns da banda. Essa foi a primeira música da banda que eu ouvi. Estava começando a curtir um som mais underground e comecei a ler em portais de cultura gótica sobre as bandas do estilo e conheci Bella Morte. É uma das bandas que eu mais amo”.

Emilie Autumn“Misery Loves Company”
“O estilo musical de Autumn foi descrito por ela como “Fairy Pop”, “Fantasy Rock” ou “Victoriandustrial”. É influenciada pelo glam rock – de peças de teatroromances e história, particularmente a era vitoriana. Performando com suas dançarinas femininas The Bloody Crumpets, Autumn incorpora elementos da música clássicacabarémúsica eletrônica e o burlesco. Ficou mais conhecida por ter a música “Dead Is The New Alive” e “Misery Loves Company” na trilha sonora do filme ‘Jogos Mortais IV’

Green Carnation“Sweet Leaf”
“É uma banda norueguesa de metal progressivo art rock formada em 1990. Com performances pra lá de inspiradas na voz de Kjetil Nordhus (às vezes chega a lembrar entonações do Bono Vox, quando ouvi pela primeira vez essa música, eu jurava que era com participação do Bono Vox), arranjos ricos e criativos, sem ficar numa exibição inútil de técnica – muito pelo contrário, o que sobra aqui é feeling. Uma curiosidade: Eles tem uma música que dura um pouco mais que 60 minutos, chama-se Light Of Day, Day Of Darkness”. Vale apena ouvir, um metal bem suave e gosto de ouvir”.

Horrorpops“Julia”
“Por último mas não menos importante, um dos estilos que eu sou apaixonada: psychobilly. uma mistura de rockabilly dos anos 50 e punk ( essa banda coloca com um pouco de new wave). Horrorpops nasceu Dinamarca, Sua música mais famosa, se chama “Girl in a Cage” do álbum “Hell Yeah!” de 2004, e tem uma pegada bem forte de ska. Não deixem de conferir também um cover que eles fizeram da famosa “Rebel Yell” do Billy Idol“.

“20th Century Boys” (1999) – Um mangá pra lá de rock’n roll!

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Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

20th Century Boys
Autor: Naoki Urasawa
Desenho: Naoki Urasawa
Lançamento: 1999
Editora: Shogakukan

 

Tava eu assistindo “Meteoro” (um filme brasileiro, muito bom por sinal) na sala quando meu irmão me chama no quarto pra me mostrar um mangá que ele tinha achado. “20th Century Boys” (sim, o nome é uma referência à música do T-Rex!) de Naoki Urasawa, autor de títulos importantes como “Monster”, é por excelência um quadrinho pop. Com uma série de referências musicais que vão muito além do título, o mangá se passa simultaneamente em tempos diferentes, contando a história dum grupo de amigos e explorando a dualidade entre a infância e a vida adulta, dum jeito lindo que lembra a nostalgia das músicas do Jair Naves.

Os personagens principais passaram a infância no verão de 69 numa “base secreta” (um esconderijo feito pelos moleques com galhos e folhas num terreno baldio), ouvindo música na rádio, vendo revistas pornográficas roubadas dos pais e lendo toscos quadrinhos de heróis. Além disso, escrevem um louco livro das profecias de como o mundo seria ameaçado por um grande vilão no futuro e como eles salvariam a todos, tornando-se os heróis. Já em 97 eles são caras normais que seguem suas vidas sem as grandes ambições “infantis”. Kenji, o protagonista, vive a década de 90 tendo abandonado já uma carreira dos sonhos como guitarrista e cuidando da filha da sua irmã que sumiu enquanto trabalha numa loja de conveniências. Mas pera, vamos voltar: lembram da parte do “livro das profecias”? Então: nesse mesmo ano de 1997, um cara começa uma seita que vai ganhando cada vez mais seguidores e usa como símbolo um desenho feito pelas crianças na base secreta. A partir daí, revelando aos poucos os personagens e as lembranças de cada um, eles vão se reunindo e criando um grupo de resistência contra o cara da seita, que incorpora o “vilão” do livro que haviam escrito. Eles, mais por necessidade que por vontade, incorporam o papel dos heróis com o qual tanto sonharam.

Tá dito então!

Contudo, apesar de parecer ser o mais clichê da jornada do herói, seguindo o mesmo modelo que “Senhor dos Anéis”, “Harry Potter” e outros, a história contrapõe as noções de heroísmo na infância e na vida adulta de modo particularmente interessante e que emociona por tratar a realidade caótica que o cara da seita criou com a simplicidade da inocência infantil que foi afinal, quem bolou tudo.

O que alguns anos não fazem pra pele, né, Kenji?
Pra introduzir a importância da trilha!

Quanto à trilha (por mais que talvez seja meio estranho pensarmos nesse conceito, uma vez que não é um vídeo), boa parte da história se passa no final dos anos 60 e começo dos 70 e é cheia de referências musicais. Na base secreta, o rádio fica sempre ligado e foi quando os personagens ouviam “Jumping Jack Flash” na FEN (Far East Network, uma rádio americana) que o Kenji começou a se interessar pelo rock e pela guitarra (o instrumento da sua adolescência).

Outras referências importantes são o Woodstock, dito como o evento onde pessoas movidas pelo sonho hippie invadiram o festival, Robert Jonhson, o bluseiro que encontrou o diabo numa encruzilhada da estrada, e um pontual Creedence Clearwater Revival que é mais um detalhe que qualquer outra coisa.

Todavia, o auge musical do mangá é a composição do Kenji. “Bob Lennon”, música que recebe o nome em homenagem a dois grandes nomes da hipongagem (Bob Dylan e Jonh Lennon), é um hino do heroi marginal japonês à vida em sua cósmica simplicidade, com uma letra que parece ser um poema do Drummond. O mangaká Naoki Urasawa chegou inclusive a gravar a música e tocou na expo de Tóquio de 2012.

Bob Lennon

O sol se põe, e em algum lugar,sinto o cheiro do Curry cozinhar
O quanto nós teremos de andar até chegarmos em casa?
Irão os croquettes da minha loja favorita
Ter o mesmo gosto?E esperando por mim?

A noite se opõe sobre a terra
E agora, estou correndo para casa.

Eles dizem que os ogros estarão rindo no próximo ano
E eu digo, deixe eles rirem como quiserem
Eu continuarei falando sobre os 5 ou 10 anos no futuro
E 50 anos depois, eu ainda estarei com você

A noite se opõe sobre a terra
E agora, estou correndo para casa.

Pode chover
Podem ocorrer tempestades
Lanças poderão cair
Então vamos todos voltar para casa
E agora, estou correndo para casa

A noite chega para todos
E todo o mundo
Está correndo para casa
Rezo para que
Esses dias
Continuem para sempre…

Bom galera, segue aqui em link o primeiro capítulo pra quem quiser ler online (juro que vale muito a pena!):

https://mangahost.org/manga/20th-century-boys-mh31897/1#1

Valeu! Espero que curtam!

Maneiras de xingar: Titãs – “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” (1991)

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Bolachas Finas, por Victor José

Após uma trinca de álbuns lendários e obrigatórios (Cabeça Dinossauro”, Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” e Õ Blesq Blom”), os Titãs estavam naquela posição que toda banda almeja: não precisavam mais mostrar o seu valor. Afinal, quem é que contestaria naquela altura do campeonato a importância daqueles oito rapazes para a música popular brasileira?

“Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” veio em uma época em que a política do país – pra variar – estava em frangalhos. A “Era Collor”, mais precisamente. Falta de perspectiva, desemprego e aquela sensação de que todo mundo foi roubado e feito de idiota. Tudo isso deve ter feito a cabeça da banda, que não economizou na grosseria e lançou um disco bem no espírito do “foda-se”.

Bem, nem todo mundo curte esse álbum. A própria banda diz ser um dos trabalhos mais confusos, mas eu vejo de outra maneira. A época pedia isso, precisava disso. Obviamente, todos esperavam mais um trabalho coeso como “Õ Blesq Blom”, mas Titãs (naqueles tempos) não era uma banda muito adepta ao lugar comum, então nada de repetir fórmulas por conta do sucesso comercial.

Há uma coisa muito importante no disco logo de cara: Liminha não foi o produtor. Essa parceria brilhante, que rendeu a fase de ouro da banda se desfez nesse período, voltando somente no lendário Acústico MTV”. Sendo assim o grupo arriscou na produção e gravou numa casa alugada.

Na obra há uma unidade forte. Pela primeira vez o grupo inteiro assina todas as 15 faixas. Além disso arranjaram em conjunto, frisando a força das guitarras de Toni Bellotto e Marcelo Fromer.

Eles ousaram em lançar “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”, ainda mais porque ali há letras escrachadas como ”Clitóris”, “Saia de Mim” e “Isso Para Mim É Perfume”, essa última com um irreconhecível Nando Reis cantando versos como “amor, eu quero ver você cagar”… Também há aquela brincadeira com palavras, como no caso de “Obrigado”, “Uma Coisa de Cada Vez” e “Não É Por Não Falar”. Também destaco as performances de Branco Mello, que achou neste disco um tom certeiro, como pode ser conferido em “Filantrópico” e “Flat-Cemitério-Apartamento”.

A respeito do som, dá para dizer que você pode esperar uma música pesada, carregada de guitarras sujas, um rock sem muita lapidação e que combina muito bem com um dia de revolta. Sim, esse disco é pra ser escutado alto, bem alto. É uma espécie de Titanomaquia” (seu sucessor) tosco. O teor das letras chega a ser meio juvenil e jocoso.

É óbvio que a mídia caiu em cima e criticou bastante o disco, que por fim apresentou vendas modestas. Mas acho que até eles mesmos sabiam que seria assim. O que faz desse trabalho ainda mais especial.

Ainda vale a experiência de ouví-lo, justamente porque este é o último álbum com a formação clássica. Isso porque Arnaldo Antunes pularia fora em 1992, para a tristeza de muita gente que, como eu, ama os Titãs desse período.

Talvez você deteste, talvez ame, não sei. O que eu sei é que esse disco é uma obscuridade que merece uma chance. Quem teria coragem de lançar isso hoje?

O som do Fita reinventa as trilhas sonoras dos anos 80 com um pé no futuro

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Fita

Quando o filme “Drive”, com Ryan Gosling, foi lançado, todo mundo ficou impressionado com a trilha sonora oitentista de Cliff Martinez, ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers. Uma das pessoas que ficou de boca aberta com o som do filme foi André Luiz Souza Silva, que a usou como influência para o projeto Fita. No EP “Stick The Crazy” mostra um pouco das músicas eletronicamente roqueiras e trilhas sonoras instrumentais do projeto, que tem influências de Justice, Daft Punk, New Order e m83. Isso não significa que o Fita vá ficar apenas nos anos 80: “O Fita nasceu da vontade e necessidade de compor, criar e tocar da maneira mais independente possível. O único método de composição e estilo é a liberdade de não ter rótulo e nem opiniões divergentes”, conta. “Posso fazer musicas instrumentais, canções, trilhas, barulho… eu decido”.

– Como surgiu o projeto Fita?

Ano passado a banda que eu tocava acabou, aí peguei bode de banda. Não tava afim de cantar, mais criar letras e tal. Mas queria compor, fazer umas músicas diferentes… Aí pensei em fazer umas músicas sozinho mesmo e comecei a pensar em como tocar ao vivo sozinho. Peguei umas músicas que eu já tinha e não dava pra usar na banda e comecei a fazer a parada. Tava de saco cheio da dinâmica de banda: ensaio, tretas, dificuldade pra marcar show e casar as agendas…

– Então esse projeto foi meio que uma válvula de escape de tudo o que a banda trazia e você não queria mais.

Sim. Foi uma terapia. Agora eu sei q eu tenho q fazer tudo do meu jeito e assim eu fico mais satisfeito. Faço tudo no meu tempo e dentro das minhas prioridades.

– E porque o nome “Fita”?

Putz! Dar um nome é um lance muito difícil. Achei que Fita seria legal, pode ser uma gíria que muita gente usa e pode ser fita cassete, fita VHS, fita de videogame, cartucho. Coisas velhas. Eu gosto de coisas velhas. E ainda dava pra fazer as fitas K7 do meu trampo, Aí fica esse trocadilho infame de fita do Fita (risos).

Fita

– Sim, a capa do EP ficou sensacional, me levou direto de volta pra frente do aparelho de VHS do meu vô lá em 1992!

(Risos) Da hora! Eu que fiz. Fiquei horas procurando uma imagem legal de alguma capa de VHS. Aí procurei uma fonte q lembrasse um pouco o logo da SEGA… (Risos) E Fita tá sendo legal por isso. Eu controlo tudo o que dá.
Tento fazer o máximo de coisas por conta própria. Tem coisas que ficam toscas, mas faz parte (risos). As fitas eu gravo em casa. Comprei um duplo deck quebrado por 70 reais, arrumei ele e gravo em casa as fitinhas. Tipo gravar Mtv das antigas em VHS, ou disco em cassete. Sempre rolou esse lance de fita K7 em casa. Meu pai tinha uma coleção da hora. Várias coleções com as capas feitas à mão… Hoje é só fazer uma playlist no Spotify e já era.

– E você gosta desse novo formato de hoje em dia, em que a mídia física ficou obsoleta?

Eu gosto, é muito prático, a qualidade é boa. Eu não tenho paciência, por exemplo, com iTunes. Nem sei onde tá meu iPod! Nunca mais vou ficar sincronizando milhares de músicas. Por outro lado, nem tudo tá no Spotify, nem tudo tá na Netflix, nem tudo tá online… Mídia física é pra quem gosta mesmo, quer garimpar, quer ter uma experiência diferente.

– Voltando ao disco: me fala um pouco mais das músicas que estão nele. Elas têm uma pegada mais oitentista…

Sim. Culpa da trilha sonora do “Drive”. Quando eu vi o filme senti que aquelas músicas eram muito mais a minha vibe do que o que eu tava fazendo. As músicas da trilha não são 80, mas são influenciadas pelos anos 80. New romamtic, synth pop… Você pega os caras da trilha, Kavinsky com a Lovefoxxx… New retro wave e electro
(Risos). College… É muito trilha de filme anos 80. E aí junta a vontade de criar uns sons, tipo Justice e Daft Punk, New Order antes de Ibiza.

– Eu ia perguntas quem influenciou você pra esse disco, mas acho que você já respondeu… Ou será que não?

Isso tudo mais m83 e acho que só. Eu tenho ouvido muito electro, acho que de 10 em 10 vem umas nostalgia (risos).

– Você acha que hoje em dia muito do som que é apresentado na cena independente remete à nostalgia, seja voluntaria ou involuntariamente?

Sim! Acho que sim, de certa forma. Mas acho que faz parte do processo criativo normal. Pegar uma coisa que você gosta, criar em cima disso tentando deixar a sua assinatura. Nem digo que tudo é nostalgia, mas é repertório, gosto pessoal. Daqui 20 anos vai ter gente que vai querer fazer um funk roots estilo Furacão 2000, e vai falar que naquela época é que era da hora (risos). Doideira. Galera era autêntica e tal. (Risos) Acho normal, dificil é criar uma coisa totalmente nova, ou que pareça diferente de tudo.

Fita

– E você tá fazendo shows com o projeto Fita? Sozinho?

Sim, fiz uns 4. Aí eu toco e chamo a Cintia do In Venus e a Adriana do HungryGilli pra cantar. Aliás, preciso pensar num formato melhor e maior de show,  porque os que eu fiz até agora foram curtos, tipo pocket show. Minha ideia é começar a testar as musicas do disco full e colocar uns covers pra aumentar o set.

– Que tipo de cover cê pretende colocar?

Alguma do Chromatics, New Order, fazer alguma versão inusitada, sei não.

– E quais são os planos para esse álbum completo?

Vão entrar as 4 do EP, com mais 6 numa ordem diferente. Vão ter umas músicas instrumentais mais tranquilas, mas pauladas e uma esquisitice ou outra.

– Aliás, você falou do “Drive”… O EP lembra uma trilha sonora, mesmo. Você pensa em algum enredo quando compõe as músicas?

Em algumas delas sim, cara. Outras são só piração. Tem música que eu já faço pensando num filme, num curta, num clipe. A ideia do disco vai ser criar uma história entrelaçando todas as músicas. Não se se vai dar certo
Ate lá eu invento algo convincente (risos).

– Ou seja: se alguém se interessar em criar um curta pra acompanhar os sons, é só falar com você?

Claro! (Risos) Outra coisa que impulsionou o Fita foi o lance da minha mulher sempre dizer que as minhas músicas instrumentais eram bem melhores do que as canções. Aí falei “porra, vou fazer um disco instrumental!”. As duas canções do EP são puro.acidente. Uma letra eu tinha e queria usar, e achei q casava direitinho com o estilo da Cintia. A outra tava pronta e ai o produtor falou “Coloca uma letra nessa música”, aí chamei a mulher dele pra escrever e cantar e rolou. Música pra tocar na novela (risos). Tocar em filme. “Drive 2”.

– E finalmente: recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Cara, sem dúvida nenhuma o In Venus, Sky Down… Gosto muito de uma banda instrumental que chama Shröeder, os caras são de São Paulo, uma música pirada. Gosto de Bode Preto, de Teresina. É death metal! Gosto da Muff Burn Grace do ABC. Tem uma porrada de banda do role que são legais, mas tão meio paradonas: Blear, Moita… Essa banda de mina é foda, porrada mesmo. Punkzão foda!

Construindo Pássaro Vadio: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Pássaro Vadio

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Pássaro Vadio, que lançou seu disco de estréia, Caosmos, no inicio de junho pelo selo Take One Records.

Ryuichi Sakamoto“1919”
O minimalismo dela nos leva pra um labirinto em que não conseguimos achar a saída – escutamos vozes que somos incapazes de entender e depois surge o cello dissonante do Jaques Morelembaum que chega até o fundo do nosso estômago.

Brian Wilson“Surf´s Up”
Uma das forças criativas do universo pop. Harmonias emotivas e ao mesmo tempo particulares, que ainda nos momentos mais abertos carregam uma melancolia e um sorriso amarelo.

Zé Miguel Wisnik“Anoitecer”
Poema incrível na mesma medida que denso do Drummond musicado genialmente pelo Zé Miguel Wisnik – as imagens que evidenciam transformações do Brasil urbano e rural – a massificação, exaustão e medo pairando sobre o asfalto da metrópole vistos com uma intimidade incômoda e familiar.

Flying Lotus“Zodiac Shit”
A ancestralidade virtual dessa track me bateu forte quando ouvi pela primeira vez. Flying Lotus é ótimo em ultrapassar eventuais engessamentos da produção pop contemporânea.

Thee oh Sees“Web”
Começa com a tensão de guitarras que parecem te colocar na mesma sala dos amplificadores. Os vocais dobrados e sussurrados deixam ela nesse limiar entre lisergia sessentista e psicodelia virtual.

Captain Beefheart“Autumns Child”
O vocal rasgado, de garganta, e a entrega de Don Van Vliet – com uma ponta de deboche – nesse soul de “Safe As Milk”, tem uma letra que poderiam chamar de non sense, mas que me pega em algum lugar que eu mesmo desconheço – como se eu já tivesse visto essas cenas antes.

King Gizzard“The River”
As inúmeras voltas que levam ao mesmo núcleo central da música, a estranheza da harmonia vocal, a levada jazzista junto do respiro da música australiana contemporânea foram alguns dos motivos pra ouvir “The River” várias vezes.

Elizete Cardoso“Vida Bela”
Canção abaionada dessa incrível cantora, com arranjos de sopros, cordas que dão profundidade ao vocal e sua melancolia.

Antonio Carlos Jobim“God and the Devil in the Land of Sun”
Tom Jobim e sua capacidade de fundir elementos com total naturalidade – e ultrapassar qualquer chancela do ‘conceitual’.

Fela Kuti“Teacher Don’t Teach Me Nonsense”
Ouço Fela Kuti e lembro do Alê Siqueira, produtor do nosso disco, usando o próprio peito de tambor na técnica do estúdio captando possibilidades percussivas para canções como “Mar de Aral” e “Living Fast”. Além do super título “Teacher Don’t Teach Me Nonsense”, ela tem esse clima ao vivo, de primeiro take e improviso que também está na essência das gravações de “Caosmos”.

Nicolas Jaar“No”
“Ya dijimos No, pero el Si está en todo, todo lo que hay”. A cumbia milenial com esse refrão instigante é uma das grandes músicas do “Sirens”, último disco do Nicolar Jaar – trabalho imersivo e pessoal sem perder o pop de vista.

Can“I’m so Green”
Há uns anos um amigo me mandou “Vitamin C” pra escutar. Acabei ouvindo inúmeras outras vezes o “Ege Bamyasi” – a singularidade ao mesmo tempo simples, confessional e – não sei por que me dá um bode de falar – mas vanguardista da Can fizeram com que eu ouvisse esse disco durante muitas insônias.

Damon Albarn“Everyday Robots”
Música (e disco) que sabem usar muito bem a simplicidade como forma de subvertê-la – pra falar da mecanização da rotina e da solidão contemporânea.

José González“Killing for Love”
O folk que evoca a natureza e a natureza humana com a intimidade que só o violão de nylon provoca – simples e certeiro – me fizeram um grande ouvinte desse argentino radicado na Suécia, lá por 2009 ou 2010, período em que as primeiras músicas de “Caosmos” foram compostas. Jose Gonzalez traz eventualmente no acento do seu violão menções a um lugar de onde também se origina parte do folclore brasileiro.

Pond“Fantastic Explosion Of Time”
Conheci a Pond e essa música como trilha de um mini-doc que assisti sobre um vilarejo em Java Central – lugar que parecia desacoplado do nosso tempo/espaço – a força do refrão anunciando uma explosão fantástica do tempo ficou gravada junto das imagens daquele pedaço de Java –misterioso, quase que em outra dimensão.

Clap! Clap!“Ode to The Pleiades”
A ancestralidade das percussões mescladas com fluidez ao universo eletrônico do projeto faz dele dançante, denso e xamânico – uma imagem refletida do passado e futuro.

Gilberto Gil“Expresso 2222”
Canção e letra geniais desse disco genial do grande Gilberto Gil – que, como Caetano, está involuntariamente gravado na minha memória afetiva por ser parte da trilha da minha família.

José Prates“Oniká”
Grande canção (e disco) que além das entidades, evoca a origem da canção popular no Brasil junto das religiões de matriz africana, como o candomblé.

Erasmo Carlos“É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo”
Somos fãs de canções e refrãos. Taí um ótimo exemplo de pungência e honestidade que te pegam na primeira ouvida. Certamente músicas do nosso disco como “Amargurado” tem uma dívida com Erasmo e Tim Maia.

Beck“Morning”
E só tinha faltado uma balada – como essa baita canção do Beck que o Davi, nosso atual baterista que gravou percussões e synths no disco, citou como referência de arranjo para a canção que dá nome ao disco, “Caosmos”.

O que é “bossa nova shoegaze mp3”? A banda morena morena pode te explicar (ou não)

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morena morena
morena morena

Apesar do clipe de “Abre Alas” ter sido gravado nos bloquinhos de Carnaval do Rio de Janeiro, não espere nada com uma pegada “Los Hermanos” vindo do morena morena. Formado por Matheus Morena, João Lucchese e Thiago Fernandes, o grupo até tem algo em comum com o quarteto de barbudos: o gosto pela bossa nova. Mas além disso, também apresentam em seu som influências bem diversas, como Frank Ocean, Joy Division e American Football. “Mas, a galera em si, está ouvindo bastante trap e rap, e isso tem entrado em grande peso nas estruturas das músicas”, conta Matheus.

Ao serem questionados sobre como definiriam o som do trio, eles me surpreenderam com uma nomenclatura até então nunca ouvida: “Bossa Nova Shoegaze MP3”. “Mas que diabos é isso?”, você deve estar se perguntando. Pois é, eu também, até ouvir o som do morena morena. Confira a entrevista com eles:

– Como a banda começou?

Então, a banda começou com um projeto solo meu, produzido inteiramente em casa, de forma bem humilde. Eu lancei um EP, e depois disso comecei a marcar apresentações, em razão do bom reconhecimento do material. Foi nesse momento, que senti a necessidade de uma banda para apresentar as músicas. Chamei então João e Thiago. Já tinham uma determinada estrutura para se fazer música, além de uma opinião sobre arte em si bem semelhante. Com isso, a coisa foi se construindo quase que organicamente.

– E como surgiu o nome da banda?

Cara, foi de maneira bem paradoxal. Como eu era um projeto solo eu tinha que colocar algum nome que se interligasse ao meu nome, mas não queria o meu nome em si. Aí, teve um dia que eu estava mexendo no Facebook, e de repente meu amigo me chama de forma urgente, “morena morena”! Aí eu me toquei que seria um bom nome para um projeto mais underground. A letra minúscula é essencial para dar esse caráter mais “sei lá” ao nome, que tem a ver com o conceito do trabalho em si. Então, foi de maneira metódica e ao mesmo tempo, meio que natural.

– Quais as principais influências do som da banda?

Então, o som que estamos produzindo atualmente tem muito influência de artistas como Frank Ocean, João Gilberto, Joy Division e American Football. Mas, a galera em si, está ouvindo bastante trap e rap, e isso tem entrado em grande peso nas estruturas das músicas. Nas canções em si, existe uma influência grande da bossa nova e seus remanescentes.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Isso é algo que gera bastante conversa na banda. Mas, já temos um.norte que bolamos : Bossa Nova Shoegaze MP3 .

morena morena
morena morena

– Me fala um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

Lançamos o EP “Como Uma Bússola Orbitando Um Espaço Vazio”, que tem um caráter bem.melancólico e intimista, mas que expressava bem cirurgicamente o momento que social que se passava, a tristeza e desesperança se refletindo nas relações de afeto. Eu escrevi e gravei tudo em julho de 2016, então tem todo um âmbito relacionado a perda e compreensão. Os acordes se repetem por todas as músicas em razão justamente disto, quase um mantra, na linha tênue para a loucura. Lançamos também um single chamado “Abre Alas”, que fala sobre superar um obstáculo e permanecer vivo. Sabe? Fazendo que a multidão do Carnaval se assemelhe a um momento de desespero e angústia. O bloco que não acaba. A fantasia que te esconde. Uma coisa meio paranoica e lúdica.

– Então o próximo trabalho pode não ter nada a ver com o que foi lançado.

Em essência as canções possuem a mesma onda. Mas a estrutura das músicas será um tanto diferente sim.

morena morena
morena morena

– Já estão trabalhando nesse novo som?

Já sim! Em muito pouco tempo já estará disponível pra ser ouvido pela galera. Já estamos trabalhando nisso.

– Como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Muito rica nesse sentido. A melhor acessibilidade às pessoas em relação a equipamentos de gravação facilitou o processo criativo. Isso fez com que houvessem mais oportunidades a determinados indivíduos de demonstrarem sua percepção musical. É revigorante e muito motivante ver isso rolando.

– O alcance acaba sendo maior, apesar de ter menos entrada no circuito mainstream?

Não sei, o nível de reconhecimento depende menos de uma meritocracia aplicada por gravadoras e mídias televisivas. Mas, de fato essas bandas alcançam bem mais gente justamente pelo fato dessa abertura que a internet proporcionou a música independente, sem dúvida.

– Quais os próximos passos da banda?

Produzir o nosso primeiro disco, procurar novos meios para divulgar nosso trabalho, buscando sempre novos lugares para tocar e conhecer, que é a melhor coisa, né.

– Recomendem bandas e artistas independentes que conheceram nos últimos tempos e todos deveriam ouvir!

Cara, temos ouvido bastante bandas independentes como Mahmed, que fizeram um álbum genial, Ventre, gorduratrans, que acabou de lançar um álbum, El Toro Fuerte, que faz um trabalho belíssimo… Def também é bem interessante, tem muito som bom sendo feito por aqui, e que precisa muito ser notado, são belíssimos!

“Harold and Maude” (1971) – Um filminho feliz com musikitchas felizes

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Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Harold And Maude (Ensina-me A Viver)
Lançamento: 1971
Diretor: Hal Ashby
Roteiro: Colin Higgins
Elenco Principal: Ruth Gordon, Bud Cort e Vivian Pickles

Pra curte a brisa hippie diboísta do Cat Stevens, esse é o melhor filme, já que além das músicas do próprio, o enredo em si também é absurdamente lindjo e diboistão.

Tem um cara que vive só com a mãe (o pai morreu) numa mansão gigante, sempre em meio a jantares e ocasiões sociais supérfluas. Cansado dessa futilidade burguesa e com um estranho fetiche pela morte, ele forja suicídios pra mama (ela já nem dá bola, acostumada com a estranha mania do filho) e curte dá uns rolê indo por aí em funerais aleatórios. A mãe “preocupada”, esperando que o filho tenha mais “responsabilidade e ambição”, manda o garoto pro psicólogo, tenta meter ele no exército e fica tentando achar uma mina pra ele em estranhos sites de namoro. O cara contudo tá tacando o foda-se na melhor expressão niilista e num dos funerais que vai, encontra uma simpática senhora que assalta carros pra voltar pra casa e devolve no dia seguinte, quando depois da cerimônia o carro roubado é o seu, ele vai reclamar com a velha e ela acaba pedindo uma carona. O cara topa, leva ela em casa (um antigo vagão de trem, encostado num canto da estrada) e recusa a oferta pra entrar e tomar um chá, prometendo voltar outro dia.

<3

por dentro!

Ele volta, conhece a casa, toma um gostoso chá de vó com a maluca, dança (por insistência da senhora que mata o jeito quebradão do cara) e acaba obviamente se apaixonando, com seus vinte e poucos anos, pela hippie quase octogenária. A doida bem loka e feliz que faz por sinal, qualquer um se apaixonar, ao longo da semana quando se passa o longa e que é a última dos seus 79, tira cada vez mais o cara do seu jeito tímido e apático pra apresentá-lo ao fantástico mundo da louca e linda felicidade rebelde, simples e magnífica (tipo Mogli e Baloo: eu uso o neeeecessário!), que manda pra casa do caralho todas suas “angústias” existencialistas.

A música, nesse filme, que inclusive é parte importante da introdução do Harold (o garotinho) ao mundo dos felizes, é lado a lado com as cambalhotas que o casal inter geracional dá no mato, a responsável pelo clima good vibes. A trilha com músicas do Cat Stevens (e alguns clássicos do séc. XIX), deixa qualquer um chapadão num clima bem gostosinho e alegrinho (como sempre fazem as músicas dele).

Com letras que resumem bastante a filosofia da velha, a parte sonora do musical desafia qualquer tipo de “grande filosofia” e sorri boba um sorriso apaixonado, gostoso e aconchegante, cantando músicas como “If You Want To Sing Out” e “Don’t Be Shy” que dizem dos modos mais profundos e poéticos possíveis, exatamente o que se propõe nos títulos e inspiram o espectador a pular por aí cantando alto (como se faz no filme).

 

Segue em link o filme completo e a trilha sonora.

Filme:

Trilha (em playlist):

https://www.youtube.com/playlist?list=PL02CB3E1F7937EF4F

Ouçam, assistam e curtam!

Valeu!

RockALT #22 – Thrills & The Chase, Kasparhauser, Bullet Bane e Bully

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RockALT

RockALT, por Helder Sampedro

Após 21 semanas consecutivas alternando entre meu irmão Jaison e eu, assumo em definitivo o comando da coluna do RockALT, porém agora escreverei semana sim, semana não. Enquanto isso, meu irmão vai concentrar seus esforços no nosso canal do youtube (que tal aproveitar para dar uma conferida por lá?

Chega de desculpas e de merchans, vamos para as indicações de hoje!

Thrills & The Chase
Conheci esse quinteto paulistano uns 5 anos atrás sem querer, quando um amigo me convidou para ver a banda do amigo dele. Chegando ao show conferi uma apresentação empolgante de uma banda jovem porém que passava muita confiança em sua música e sua identidade. Anos mais tarde os vi novamente em um show no finado Inferno Club na Rua Augusta, mas confesso que não tenho quase nenhuma memória daquela noite. Eis que reencontro a banda uma vez mais, desta vez em 2017, já com seu LP lançado e muitos elogios atrelados a ele. É muito reconfortante ver a evolução da banda, de seu som e sinto um certo prazer em ver como eles cresceram e encontraram, merecidamente, seu lugar e uma sonoridade original no cenário independente paulistano. E nada mais paulistano do que o classudo LP que homenageia uma segunda-feira pós vida noturna em um fim de semana na Augusta, confira o álbum ‘Original Monday Night Soundtrack’:

Kasparhauser
O vocalista da Kasparhauser fundou seu selo, o ‘Valente Records’ em 2016. E completou 18 anos de vida em 2017. Nada como ver alguém com uma fração da sua idade conquistando algo que você nunca imaginou fazer pra se sentir obsoleto, não é mesmo? Ao contrário de muitos por aí eu fiquei muito satisfeito ao conhecer esse selo de Duque de Caxias pois é a prova de que a manutenção e atualização do cenário musical independente já está em curso. Um verdadeiro tapa na cara de tiozões que insistem em dizer que o rock morreu. Há algumas semanas eu estava no show do gorduratrans e El Toro Fuerte, duas apresentações impecáveis que lotaram a casa de shows com jovens de 18 a 20 anos cantando junto com seus ídolos que tem apenas cerca de 5 anos a mais que eles próprios. Com apenas uma música disponível para audição fica difícil dizer como será o futuro da Kasparhouser mas uma coisa é certa, enquanto nós tiozões sabidos ficamos discutindo qual é o “problema com a cena” e como “o álbum daquela tal banda é ruim”, o pessoal mais novo tá simplesmente indo lá e fazendo acontecer e isso não é apenas bem vindo e necessário, é lindo. Escute Kasparhauser e faça uma viagem no tempo ao longínquo ano de 2003:

Bullet Bane
Nossa coluna aqui no Crush em Hi-Fi sempre acaba dando a letra pra coisas boas que estão por vir, não que o excelente Bullet Bane seja novidade, mas se você já escutou a igualmente excelente coletânea “Flecha Discos Vol. 1” deve ter percebido algumas mudanças no som desses monstros. Além das letras em português há uma leve mudança na sonoridade da banda que a afasta de um hardcore mais tradicional ou “purista”. Essa tendência deve ser seguida no próximo álbum com lançamento prometido para daqui um ou dois meses. Enquanto aguardamos ansiosos para esse novo passo na já longa caminhada da banda, só nos resta ouvir mais uma vez “Mutação”, “Catálise” e “Talismã”. Não vou negar que passei bastante tempo desse ano com essas três músicas no repeat e espero que vocês façam o mesmo:

Bully
Fazia tempo que eu não falava de uma banda gringa aqui. Quem acompanha o programa do RockALT há mais tempo certamente já escutou Bully, banda liderada pela talentosa Alicia Bognanno. Engana-se quem pensa que ela é apenas uma atraente vocalista/guitarrista de uma banda com influencias dos anos 90, Alicia não só canta e compõe as músicas da Bully como também trabalha na produção do álbum e na mixagem de som, algo raro para o primeiro LP de uma banda de músicos iniciantes. O primeiro LP, lançado em 2015, foi grande recomendação do nosso programa naquele ano e essa semana ‘Bully’ nos presenteia com sua primeira música desde então, escute ‘Feel The Same’ enquanto esperamos pelo álbum a ser lançado em Outubro pela Sub Pop:

Curtiu a coluna? Então não deixe de escutar o programa do RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br, seguir a playlist da coluna no Spotify: https://goo.gl/lXZ69x e confira nossos mais de 100 programas disponíveis no link: www.mixcloud.com/rockalt/

Construindo Van Der Vous: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Van Der Vous, banda de rock psicodélico de Salvador, Bahia, mostrando quais sons influenciaram suas composições.

The Doors“Break on Through (To The Otherside)” (1967)
A banda The Doors é uma grande influência para o disco “La Fuga”, principalmente pela vocalização. Influenciado especialmente pela poesia de Jim Morrison, as improvisações e em algumas baterias que foram criadas para o disco, como a questão da bateria latina com influências da bossa-nova, claramente exposta na música “Break On Through (To The Other Side)”.

The Doors“People Are Strange” (1964)
Entre as grandes músicas do Doors que influenciou nossas composições estão “The End”, “When the Music’s Over” e “People Are Strange”. No nosso disco enxerga-se essa influência marcante nas músicas: “What You Need”, “You Know”, “Cirque de Júlia”, “Back to Reality”.

Cream “Sunshine of Your Love” (1968)
O Cream, com as longas improvisações blueseiras e os louváveis solos de Eric Clapton, é maior influência com relação às improvisações de guitarra.

Cream“Strange Brew” (1968)
O Cream misturava a psicodelia com o blues e ao vivo transcendia os ouvintes com longas e magníficas improvisações.

The Beatles“I Want you (She’s So Heavy)” (1968)
Em algumas músicas percebe-se a nuance psicodélica do Beatles, principalmente na música “Cirque de Júlia” do nosso disco, na caída que lembra a música “I Want you (She’s So Heavy)”.

The Beatles“Being For The Benefit of Mr. Kite!” (1968)
Incríveis efeitos sonoros.

Pink Floyd“Bike” (1967)
O primeiro disco do Pink Floyd, “The Piper At The Gates of Dawn”, teve profunda influência na decisão de entrar na psicodelia de cabeça.

Pink Floyd“Astronomy Domine” (1997)
O disco mostra a criatividade de Syd Barrett em suas composições cósmicas e ácidas, como em “Astronomy Domine”. Ouvir a música “I Get High” do nosso disco.

Os Mutantes“Mágica” (1969)
A música mais viajante dos Mutantes.

Os Mutantes“A Hora e a Vez do Cabelo Nascer” (1972)
Incrível riff e solos.

Black Sabbath“Wicked World” (1973)
O peso do Black Sabbath é uma das nossas inspirações, não apenas nos improvisos (uma das influências do Black Sabbath é o Cream!), mas nas músicas também.

Black Sabbath“N.I.B” (1973)
O disco “Live At Last” teve profunda influência na minha forma de solar e de compor algumas músicas, como em “Behind The Wall Of Your Pain”, que apesar de ter o nome parecido com uma música do Sabbath, é totalmente original. Algo como se o The Doors e o Sabbath tivessem tido um filho.

Nirvana“Territorial Pissings” (1991)
Eu mesmo fiz a mixagem do disco “La Fuga” e fui influenciado pela compressão utilizada no “Nevermind”.

Nirvana “Breed” (1991)
Podemos perceber algumas influências como em “Come Alone and Play”, que traz uma pegada mais grunge ao nosso disco.

Tame Impala“Its Not Meant To Be” (2011)
Quando ouvi essa banda pela primeira vez eu pirei. Um rock psicodélico atual e ao mesmo tempo sessentista, com improvisações fodas, principalmente no disco “Innerspeaker” (o primeiro deles).

Tame Impala“Sundown Syndrome” (2010)
Ouvir a música “Mind Changes’ do nosso disco “La Fuga”.

Mac Demarco“Chamber Of Reflection” (2012)
Influencia para o novo disco da banda, dá para escutar no novo single “Poesia Lunática” lançado em 2016.

Caribou“Melody Day” (2007)
Buena sonoridade psicodélica com influenciou a música “Somehow” do disco “La Fuga”.

Dungen“Fredag” (2008)
Influencia direta do Tame Impala que acabei usando como influencia para música “Somehow” do disco “La Fuga”.

Lô Borges“Homem da Rua” (1972)
“Sonho no chão
E a festa não apaga
O estranho silêncio na rua.”

Ouça a playlist com as escolhas da banda:

Trio do Brooklyn Vaureen prepara seu primeiro e barulhento disco, “Extraterra”, e pode trazer seu “grungegaze” para o Bananada em 2018

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Vaureen
Vaureen

Foi da amizade de duas colegas de trabalho que nasceu a fagulha que viria a se tornar o trio Vaureen, do Brooklyn. Em 2011, as conversas sobre música de Andrea Horne (guitarra e vocal) e Marianne Do (baixo) se transformaram em música. Em 2015 elas lançaram seu primeiro EP, “Dirty Room”, e no mesmo ano o baterista Cale Hand entrou definitivamente na banda. Em novembro de 2016 saiu o segundo EP, “Violence”, refinando seu som e deixando ainda mais aparentes suas influências de rock alternativo noventista, psych, stoner rock e shoegaze.

Ainda este ano acontecerá o lançamento do primeiro disco completo da banda, “Extraterra”. “As composições são uma investigação sobre a natureza da consciência além do mundo da matéria e da percepção”, conta Andrea. “Em ‘Extraterra’, estamos indo mais longe e preenchendo as lacunas. É material que escrevemos ao longo dos últimos 5 anos, incluindo uma versão de uma jam que se tornou a música “Albatross”. Nós amamos essa música, mas sempre sentimos que a versão original era especial por conta própria. Toda vez que tocamos, nos olhamos tipo “você sentiu isso?”… Esse sentimento especial”, explica.

Conversei com o trio sobre sua carreira, os dois EPs, o rock no mainstream, o disco “Extraterra” e mais:

– Como a banda começou?

Marianne: Andrea é uma designer incrível, e eu crio sites. Nós costumávamos trabalhar juntas na mesma empresa em Nova York. De alguma forma começamos a falar sobre música. Lembro de um dos primeiros e-mails da Andrea para mim sobre música: era um link do Hanson fazendo cover de Radiohead.

Andrea: (Risos) Sim, eu curti tanto o jeito que aqueles caras estavam tocando “Optimistic”, com tanta reverência … Você podia ouvir que eles cresceram ouvindo Radiohead, assim como nós. Durante anos, eu compartilhei canções ridículas com Marianne, às vezes a mesma música várias vezes porque eu continuava me apaixonando pela mesma faixa repetidamente e esquecia que já tinha mandado! Em torno de 2010, a música era minha principal fonte de sanidade e satisfação. Eu queria fazer música desesperadamente, em vez de trabalhar na minha vocação. Eu tinha um violão desde que eu era adolescente, mas não percebi o que isso significava para mim até aquele momento. Eu senti que formar uma banda era algo que eu precisava fazer na minha vida. Tornei-me dedicada a me ensinar a tocar e a cantar, geralmente acordando horas antes do trabalho e gravando um monte de loops pra tocar em cima. Parecia que algo estava tentando sair de mim, o que parecia assustador compartilhar com outra pessoa. Eu tinha tanto medo do julgamento de outras pessoas. Marianne foi a primeira pessoa com a qual me senti confortável tentar fazer uma jam. Nós simplesmente mantivemos isso, eventualmente convidando amigos a tocar bateria com a gente até encontrarmos um que ficou.

Marianne: E essa pessoa foi Cale!

Cale: Eu entrei no início de 2015. Conheci o parceiro da Marianne que me procurou perguntando se eu estava tocando. Eu não estava e estava curioso sobre sua música. Gostei, entrei, aprendi algumas partes e criei algumas minhas.

– O que significa Vaureen?

Andrea: Existe este termo francês, le vaurien, que significa algo como “desviante”. Marianne me contou isso porque estávamos falando sobre vilões do filme. Quão interessante é ver uma luz em um personagem sombrio em um filme e pensar “ele não é ruim – ninguém é … ou será que são”? Eu criei a nova ortografia da palavra.

Marianne: Não importa o quão boa seja uma pessoa, acho que todos são capazes de sucumbir aos piores instintos, então eu estava explorando palavras que tinham a ver com isso, e le vaurien ficou na cabeça. Nós também gostamos que “Vaureen”, soa um pouco como o nome de uma menina, e que tem uma pegada anos 90.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Andrea: Nirvana, Sonic Youth, o som de Seattle dos anos 90, PJ Harvey, The Breeders, Siouxsie & The Banshees, My Bloody Valentine, além de bandas pesadas como Melvins, Torche, Witch. Às vezes, chamamos nosso som “grungegaze”. Cada um de nós tem diferentes influências individuais para o nosso som. Mas as bandas listadas acima têm elementos que a banda considera como um todo.

– Conte-me mais sobre o EP “Violence”.

Marianne: Depois que o EP “Dirty Floor” saiu, inscrevi a Vaureen para um dia de estúdio gratuito na Converse Rubber Tracks no Brooklyn, e eles nos aceitaram em janeiro de 2016. Gravamos “Tough Guys” lá, e isso funcionou tão bem que tivemos que decidir o que viria a seguir! Tínhamos algumas outras músicas prontas para gravar, então fizemos aquelas (“Evil” e “Before The Rectangles Take Over”) no Spaceman Sound em Greenpoint, Brooklyn, um mês ou dois depois. Eu adoro o nosso EP “Violence” porque as três músicas são tão diferentes. “Tough Guys” tem um gancho de refrão grudento, “Evil” é direto e pesado com um doce solo de guitarra no final, e “Before the Rectangles Take Over” é uma cheia em camadas lentas com harmonias vocais em tudo.

Vaureen

– Como o EP atual é diferente de “Dirty Floor”?

Marianne: “Dirty Floor” foi a nossa primeira gravação, e acho que parece assim. Também tínhamos um baterista diferente na época. Nós entramos naquela sessão de gravação com a intenção de gravar 9 músicas. Duas delas não foram terminadas, e mais duas nós sentimos que não eram suficientemente boas para o EP, então as 5 músicas restantes são o que está em “Dirty Floor”. Nós nos tornamos melhores músicos desde que o EP foi lançado, mas as pessoas ainda nos dizem que adoram a música “Slip”, e Cale adora “Anastasis” e fica super feliz quando tocamos essa ao vivo.

Cale: Embora eu não estivesse presente no “Dirty Floor”, sinto-me à vontade dizendo que tudo agora parece muito mais completo e tem muito mais profundidade. E “Dirty Floor” é muito legal. Mas acho que é seguro dizer que o som evoluiu.

– Vocês estão atualmente trabalhando no seu primeiro álbum completo. Podem me contar mais?

Andrea: Uma coisa que me deixa realmente entusiasmada com esse trabalho é o quão pesado vai ser. Você vai ver. O título é “Extraterra”, ou “além da Terra”. As composições são uma investigação sobre a natureza da consciência além do mundo da matéria e da percepção. Se o disco fosse uma pessoa, seria olhar para o céu com tantas perguntas, sentir-se preso entre reinos e não capaz de viver completamente em qualquer domínio. Aqueles que gostam do “Violence” não ficarão desapontados. Em “Extraterra”, estamos indo mais longe e preenchendo as lacunas. É material que escrevemos ao longo dos últimos 5 anos, incluindo uma versão de uma jam que se tornou a música “Albatross”. Nós amamos essa música, mas sempre sentimos que a versão original era especial por conta própria. Toda vez que tocamos, nos olhamos tipo “você sentiu isso?”… Esse sentimento especial. O Aaron Bastinelli está produzindo esse registro. Nós tocamos com ele quando ele gravou “Tough Guys” para nós no Converse Rubber Tracks no Brooklyn (agora fechado). Não havia dúvidas sobre trabalhar novamente com ele, ele entendeu o nosso som sem que precisássemos explicar. É um relacionamento muito harmonioso, somos tão sortudos!

Cale: Fiquei surpreso com o quanto estou tocando – o que significa que eu acho que haverá um pouco de bateria mais rápida, o que normalmente não é exatamente minha pegada. Eu estava ansioso por gravar o álbum mais pesado na bateria da minha carreira. Também acho que este álbum terá um pouco de novos sons que a Vaureen não explorou no passado.

Vaureen

– Como é a cena musical independente em Brooklyn hoje em dia?

Andrea: Está viva e bem! A cena da música pesada em particular é próspera, centrada em torno de um local chamado Saint Vitus em Greenpoint, Brooklyn. Este local tornou-se realmente central para a cena em geral, já que muitos locais fecharam nos últimos 5 anos. Há tanto talento e criatividade acontecendo na engenharia de música e som. O Shea Stadium e o The Silent Barn também foram grandes centros para a cena musical independente. Esses lugares continuam expandindo de novas maneiras. Por exemplo, acho que Shea grava seus shows ao vivo e The Silent Barn estabeleceu um esquema sem fins lucrativos e lançou uma tonelada de incríveis programas de rádio independentes.

– Qual a sua opinião sobre o mundo da música hoje em dia? O rock morreu para o mainstream?

Andrea: Assim como o antigo pessoal estabelecido nos EUA (velhos caras brancos) está ultrapassado, a música deles também está. É fácil parodiar artistas como Neil Young, Bob Dylan, Jim Morrison. A paródia geralmente é um sinal de que algo está se tornando culturalmente irrelevante. Dito isso, eu só posso dar minha opinião sobre o mainstream de uma perspectiva externa. Nós (a banda) estamos começando a conhecer “o mundo da música”, pois ele está se transformando em algo novo. Não consigo entender totalmente o que é, e ninguém consegue! Pessoalmente, acho que essa área intermediária, essa área cinza, é realmente emocionante. Na minha opinião, o rock não pode morrer. O verdadeiro “rock” não é apenas um gênero, é um estado de ser. Usando guitarras e outros instrumentos para ser cru e emocional de uma forma que é conflituosa e… ALTA! É atemporal. Vejo que a música se torna algo tão nicho. Como todos têm um dispositivo em suas mãos, cada pessoa está conectada ao seu pequeno mundo. Eles podem escolher o que está lá e, simultaneamente, entrar em contato diretamente com os artistas que conhecem e amam nas mídias sociais, o que é realmente ótimo para artistas independentes como nós.

– Quais são os próximos passos do Vaureen?

Andrea: Terminar o “Extraterra”. Fazer alguns vídeos. Eventualmente, cair na estrada. Há alguém no Brasil que nos disse que poderíamos (talvez) entrar na programação do festival Bananada em 2018. Não é oficial, mas … vamos sonhar!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Andrea: Meatbodies (o disco chama “Alice”).

Marianne: Eu tenho curtido Part Chimp ultimamente. Eles lançaram um álbum chamado “IV” no início deste ano, que é demais.

Cale: Hand Habits é legal. Beverly também é uma boa banda.