HL Arguments lança o single “Trust Me” e prepara terceiro álbum com influências do rock alternativo noventista

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HL Arguments

Formada por Helio Lima (vocal e guitarra), Marcos Cesar (bateria), Amanda Labruna (vocal), Fernando Silvestre (guitarra) e Wesley Lima (baixo), a banda HL Arguments começou sua carreira lançando em 2011 seu álbum auto-intitulado lançado de maneira independente e com uma proposta mais plural de som. Com o tempo o grupo começou a lapidar e dar um novo direcionamento, mais coeso, a seu trabalho, o que pode ser notado em “HL Arguments II”, de 2013, em canções como “Hook”.

Agora, após o lançamento de um disco e DVD ao vivo com reinterpretações de quase todas músicas de sua carreira, a banda trabalha em um novo disco e acaba de lançar o primeiro single do trabalho, “Trust Me”, que mostra um direcionamento para o rock alternativo dos anos 90. Confira o bate papo que tive com Helio sobre a banda e o novo álbum:

– Como a banda começou?
Entre 2007 e 2009 eu trabalhei com a banda Flat’n Sharp. Lançamos o álbum “Change a Plan” e foi ótimo. Ao término da temporada de shows, eu segui com a HL Arguments, que já tinha em época uma proposta mais plural.
A chegada do Marcos Fernando e Amanda foram naturais já que todos eles de alguma forma já tinham passado pela Flat’n Sharp, em shows pontuais. Só decidimos seguir em frente e fazermos a banda, que ficou um bom tempo sem baixista fixo, até chegar o Wesley, depois de uns 2 anos.

– E porque o nome HL Arguments?
Desde o início gostamos da fonética. Da possibilidade de dar ênfase ao que estamos dizendo, como argumentos.
O HL que outrora era algo sobre meu nome, nem é mais. Ficou algo institucional.

HL Arguments

– Mas ele significa alguma coisa ainda?
Gostaria que significasse várias variáveis, e que todas elas levassem ao que temos por mensagem, como argumentos. Posso dizer que inicialmente, eram as iniciais do meu nome. Já não gosto de pensar assim. A banda ou as músicas já possuem a personalidade de todos os envolvidos. Mas seria definitivamente estranho seguir com Our Arguments (risos).

– Agora me fala um pouco desse single que vocês acabaram de lançar!
Essa música foi um pesadelo pessoal. Mas não só pra mim, para o Fernando também. Ela existe há uns três anos. Tocamos em alguns shows. Jamais, em tempo algum, gostávamos dos resultados. O Fernando não gostava do solo e eu da letra. Ficamos anos nisso. E honestamente, a dúvida permaneceu até o último momento, quando finalmente ela chegou já masterizada e com um trabalho notável do Marcelo (produtor) nas guitarras finais, teclados e trompete. E aí, aconteceu. A recepção dela foi incrível. Ainda estamos comemorando os elogios múltiplos, plurais…
Foi uma grande surpresa. Até pra nós.

– Ela já mostra um pouco o que podemos esperar do novo disco?
Sim, absolutamente! À exemplo dos dois anteriores, ainda variamos em temas mais introspectivos e agressivos. E ela representa bem essa alternância.

– E como vai ser esse novo disco?
Denso. Intenso. Ele olha pra tudo o que nos trouxe até aqui. Foram muitas brigas, momentos muito dificeis, ao passo que foram muitos momentos incríveis e inesquecíveis. Tocamos e levamos nosso show exatamente onde queríamos. E essa bonita história está nessas canções. Seria uma bonita despedida.

– Quais as principais influências musicais da banda?
Somos uma banda grande, no número de integrantes. E definitivamente, cada um olha pra uma direção.
Mas não seria possível montar um quebra cabeça com peças iguais, certo? Então eu olho pra Queen, Simon And Garfunkel, FacesRadiohead. Entre Marcos, Wesley e Fernando há Metallica, OasisDream Theater… A Amanda é mais Motown. E assim vai.

– Me fala um pouco dos trabalhos que vocês já lançaram.
“HL Arguments” em 2011 e “HL Arguments II” em 2013. Do primeiro trabalho, “Hopes and Dreams” e “New Direction” Foram destaques absolutos…. E no segundo, “#JC1”, “Who Can Wait For This” e “Hook”, sendo “Hook” um clássico definitivo em nosso repertório. Em 2015 lançamos um DVD com shows que trouxeram 90% dessas músicas ao vivo em vários shows que fizemos por são Paulo.

– Como você vê a cena independente hoje em dia?
Bem plural, ativa, importante e rica. Acho completamente limitado o papo que “o rock morreu” ou “não há mais bandas como antigamente”. Isso é completamente preguiçoso. A própria HL Arguments é uma das provas que você pode fazer um trabalho honesto, sem querer o tempo todo ser uma banda de massa. E não quer dizer que não queremos que nossa música seja conhecida, só quer dizer que não somos afetados por isso. E eu vejo as bandas unidas também. Eu mesmo participo de festivais organizados por outras bandas, assim como já organizamos o nosso.

– Essa união entre as bandas é a chave para o fortalecimento que tem acontecido? Hoje em dia vejo muito mais shows independentes rolando aqui por SP, todo dia tem algum acontecendo…
Absolutamente. E não é uma questão passageira. É definitiva. São Paulo é uma força da música independente, assim como Rio, Curitiba e outros e outros exemplos. E também é preguiçoso pensar em aproximações por aderência de estilo. Eu já produzi um show com bandas acústicas, eletrônicas e roqueiras, na mesma edição.

– Então hoje em dia essas barreiras de “cena rock”, “cena rap” e etc estão sendo derrubadas.
Com absoluta certeza! Musica é música e acabou. Anos atrás alguém com muitíssima preguiça nos perguntou porque cantamos em inglês, sendo que temos músicas em português, citações em italiano e instrumentais.
Nós fazemos música. Não fazemos estilo ou cena. E de um modo geral, tenho visto esse tipo de movimento.

– E você acha que faz sentido essa cena se tornar algo mais mainstream?
Acho que o que é bom merece espaço. Porque não colocar a música de uma banda independente como um tema de uma novela, uma série, ou um comercial? Acho que os produtores e grandes empresas, podem usar muito mais a cena independente e todos são beneficiados. O problema pra mim é quando o motivo pelo qual a banda existe é esse resultado. Quando o motivo não é a arte e sim a massa. Aí você compromete tudo. E vira uma bosta.

HL Arguments

– Quais são os próximos passos da banda?
Depois de lançar o álbum em poucas semanas, começarmos a produção de um vídeo para o YouTube que traremos todos os temas do álbum em versões ao vivo. Queremos tocar o álbum completo. E em 2018 divulgá-lo nos shows novos, com foco nesse repertório.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Louye, que é a banda do nosso produtor. O Fernando também participa. Ossos de Marfim tem um som mais pesado, enérgico. Eu mesmo (se me permite) indico a Critical Soul Band, que é um projeto que eu tenho com um show mais ao estilo southern rock…. E algumas outras loucuras…. E uma banda que eu gosto muito, que é a UDJC. Som foda!

Banda Revolução fala de corrupção e referencia Bob Dylan em novo videoclipe

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Em seus shows eles já se autointitularam como “a banda mais pobre da cidade”. Todavia, os mineiros da Revolução estão se tornando é a banda que mais trabalha na cidade. E trabalhos de valor, diga-se de passagem. O novo vídeo do grupo faz referência ao clássico vídeo “Subterranean Homesick Blues” de Bob Dylan. Com uma de suas mais engajadas canções, “Milagre do Céu”, o grupo faz o seu protesto contra o cenário de corrupção e impunidade que vemos no Brasil.

No vídeo há imagens de cenas dos protestos que movimentaram o país em junho de 2013. De acordo com o vocalista da banda, Johnny Kiff, a mobilização popular vista naqueles dias foi importante. “Por alguns dias eu acreditei que o país estava no rumos de uma profunda transformação, mas hoje vemos todos que lutavam juntos divididos”, conta.

Outra curiosidade do vídeo é a citação ao pensador francês Jean-Jacques Rousseau em um dos versos da música: “Os frutos são de todos, a terra não é de ninguém”. O pensador defendia que se esse principio fosse levado em consideração muitas guerras e misérias teriam sido evitadas.

Construindo Miêta: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto Miêta, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Sonic Youth“Diamond Sea”
Bruna: Talvez essa seja a música da minha vida. Ela traz simbolismos muito fortes para mim tanto na letra, quanto nas harmonias, linhas de guitarra e modo de cantar. Acho que Sonic Youth é uma banda unânime para a Miêta inteira e os noises e microfonias que carregamos vieram basicamente deles. Essa música específica representa muito do que eu coloco como ideal de expressão artística. Tem uma subjetividade muito bem trabalhada criativamente, disfarçada de ironia cheia de metáforas. E simplesmente não tem como não gostar da harmonia tortuosa e acessível, recheada com uma sessão rítmica bem simples.

The Durutti Column“Never Know”
Bruna: Todo mundo sabe que eu sou meio louca dos anos 80. Durutti Column é um projeto do Vini Reilly, um dos guitarristas que mais me inspiram. Quando eu ouvi a primeira vez, sendo apresentada por um amigo (também bem fã de post-punk e outras variáveis) que botou uns vinis do Vini pra tocar, eu só tive aquela reação de “meu deus, que guitarra é essa”. É pós-punk, é experimental, é chill out, é um monte de coisa pelas quais você consegue alcançar lugares bem interessantes com o sempre supremo delay. É um dos timbres do sonho. E essa é uma das primeiras músicas que ouvi.

DIIV“Bent (Roi’s Song)”
Bruna: DIIV é outra banda unânime. E um exemplo de guitarras simples e de bom gosto. Os riffs e linhas são geniais de tão minimalistas e complementares uns aos outros. Além da voz soprosa que configura um shoegaze novo e muito bem feito e explorado. Essa música específica talvez seja uma das minhas top 3 da banda e ela consegue criar tensões muito bem colocadas para depois seguir com fluidez e vigor em algumas explosões que são marcadas, principalmente, pelas cordas que o Zach é rei em posicionar nas estruturas da música. A letra é uma poesia à parte também.

Jimi Hendrix“The Wind Cries Mary”
Bruna: Esse homem é um cliché necessário à maioria dos guitarristas. Não tem muito o que falar. Mas desde que conheci, levei pra sempre o aprendizado de riffs em cima de acordes abertos, da brincadeira do acorde maior com o riff blueseiro que segue pro acorde relativo menor e de jogar uma sétimazinha aqui e ali pra deixar a harmonia dinâmica e gostosinha. Não tem como evitar que Jimi saiu dos anos 60 e alcançou até o shoegaze independente hoje.

Courtney Barnett“History Eraser”
Bruna: A Courtney representa muito do que eu considero música honesta, criativa, nova mas com um pézinho, criando lastro histórico, nas referências do passado. A forma dela de tocar guitarra é algo que sempre tive como referência na Miêta também. Os acordes rasgados e bem timbrados, o ritmo e uma ponte entre o noise e o folk/blues fazem ela ser uma guitarrista e compositora monstruosa, mas que mantém a simplicidade da sua expressão e faz música de forma espontânea.

Sonic Youth“100%”
Luiz: Steve Shelley pra mim é o baterista que melhor desconstroi a bateria dentro do rock alternativo, principalmente na fase da banda até o “Washing Machine”. A bateria em “Dive” (nossa música), é totalmente Steve Shelley.

Smashing Pumpkins“1979”
Luiz: “1979” é lição de saber até onde a bateria deve ir numa música simples. Não precisa de mais nada, aqui, sério. Uma virada em qualquer lugar ia estragar tudo. Tanto que as versões ao vivo dela são péssimas (desculpa, Jimmy, ma faltou bom senso (risos)).

Pin Ups“It’s Your Turn”
Luiz: No primeiro show da Miêta a gente fez um cover dessa música, e tirar a bateria dela abriu minha mente pro que o som da banda precisava. Apesar de eu ter entrado com quase todas as baterias já criadas, foi bem esclarecedor pro que a banda ia precisar a partir daquele momento.

Dinosaur Jr.“I Don’t Wanna Go There”
Luiz: As baterias do Murph, pra mim, foram referência nessa fase de entrar pra Miêta e voltar a tocar esse tipo de som onde menos é mais, mas sem ser simplista, mas, principalmente em relação a timbre. Sempre gostei de um som bem orgânico e pra sonoridade da Miêta faz todo o sentido.

Warpaint“Undertow”
Luiz: Stella Mozgawa é, pra mim uma das maiores referências no “menos é mais”. Um set reduzidíssimo como o dela desafia a criatividade e eu tento absorver e me reciclar ritmicamente, área em que ela é impecável. “Undertow” é minha favorita da banda e, se tem alguma música no “Dive” em que eu apliquei muita coisa que aprendi com a Stella, é “Am I Back”.

Ventre“A Parte”
Marcela: A Ventre é uma banda que eu amo e o Hugo é um monstrão do baixo, eu piro muito nas linhas dele! Eu como baixista só existo muito recentemente (risos), e ele foi uma das figuras que me inspiraram e fortaleceram desde o início da banda, quando eu deixei de ser só vocal e peguei o baixo, comecei a estudar e criar. Esse ao vivo no Méier deve ser o trem que eu mais escutei esse ano hehe.

Sabine Holler“The Hanged Woman”
Marcela: Eu adoro a honestidade nas canções da Sabine, sou fã desde a Jeniffer Lo-fi, as linhas de voz e suas letras são grande inspiração pra mim. Tive a oportunidade de assistir a uma apresentação dela no início do ano que me tocou muito – a forma como executa as canções ao vivo sozinha, a entrega…

Marrakesh“Sheer Night”
Marcela: Eu descobri Marrakesh esse ano pela Raça, outra banda que adoro, e fiquei bem apaixonada. Eu adoro o flerte entre indie e elementos elementos eletrônicos e até do R&B no som deles, tem muito a ver com o mix das paradas que gosto de ouvir e que tenho como referência. Essa música pra mim é das melhores lançadas no ano passado.

PJ Harvey“Down By The Water”
Marcela: PJ foi escolinha pra mim em diferentes aspectos, eu lembro que ficava repetindo os bordões no violão quando era mais nova haha, meio que abc do baixo pra mim antes de começar a estudar e tal. O magnetismo dela me inspirou demais também lá atrás quando tive minha primeira banda, a entrega desnuda nas letras e performance.

DIIV“Under the Sun”
Marcela: DIIV foi uma das primeiras coisas que a gente ouviu junta como banda, uma das primeiras bandas que a Célia me apresentou. Por motivos óbvios então uma banda, disco e música muito representativos. Dos discos que mais ouvi quando comecei a pegar os baixos da Miêta e que me ajudaram a meio que abraçar uma simplicidade coesa com os demais elementos, com o todo da música.

Broken Social Scene“7/4 (Shoreline)”
Célia: Essa banda tem alguns maravilhosos hits que me influenciaram e são inesquecíveis pra mim. Vira e mexe, sempre ando ouvindo, e é aquele tipo de coisa que quase sempre acontece comigo, sai algo de influência naturalmente. Nessa música em especial, o tempinho dela me cativa, que inclusive foi uma influência pra criação da guitarrinha de “Dive”. Considero “Shoraline”, “Cause = Time” e “Almost Crime” dos melhores e mais lindos hinos noventistas!

Stereolab“The Noise Of The Carpet”
Célia: Amo Stereolab de paixão, principalmente por ser uma das minhas referências de minas fazendo músicas “esquisitinhas” desde a adolescência. Fugia do padrão punk/hardcore que era mais conhecido no meu meio na época. O que mais me chama atenção e inclusive amo fazer, são os backings. Cada uma tem sua linha diferente, como se fossem 3 músicas diferentes praticamente. Acho isso lindo, e pensei muito nisso na criação dos backings de “Messenger Bling”, por exemplo.

Sonic Youth“Karen Revisited”
Célia: Essa é uma das músicas que mais me rendeu altos arrepios e choradas em ônibus haha. As dissonâncias me comovem muito e ninguém melhor que Sonic Youth pra representar isso. Naturalmente eu sempre vou fazer algo que soe como, pelo tanto que já ouvi/ouço. Tá aqui no subconsciente e nem sai por querer. Amo as guitarras de “Karen Revisited” e vou defendê-las!

My Bloody Valentine“Cupid Come”
Célia: Essas palhetadas tudo pra baixo, rítmicas, quase percussivas me fazem aguar os olhinhos! Fora essa barulheira cheia de efeito saturado e essa impressão de disco empenado. É uma delícia que não me canso de ouvir! Acho que é uma influência geralzão pras músicas da Miêta, essa mistura de peso com suavidade, bruto com delicado. Melodias tranquilas e noise sem fim, amo!

Superchunk“First Part”
Célia: Foi minha porta de entrada pra bandas dissonantes mais pesadas haha. Primeiro que a mina foi uma ENORME referência pra mim, eu achava ela muito foda e queria ser igual a ela quando crescesse! Vi o clipe de “First Part” na MTVLado B, e fiquei fissurada! Arrumei toda a discografia em muito pouco tempo e ouvi toda essa coisa linda loucamente! Os solos infinitos no final da “First Part” e várias outras é o que mais gosto neles e pensando aqui agorinha, pode ter sido influência em “Ages”, novamente aquela questão de absorver e reproduzir algo do tipo, por ter ouvido e continuar ouvindo bastante.

O punk nu e cru de Sloppy Jane atinge níveis de selvageria que deixariam Iggy Pop orgulhoso

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Sloppy Jane

Sloppy Jane é a persona selvagem e sem nenhuma amarra de Haley Dahl, guitarrista, vocalista e compositora. Na banda, Haley mostra que aprendeu direitinho todas as lições de liberdade musical e estripulias que o punk rock ensinou desde seu início. Em tempos cada vez mais conservadores, Sloppy Jane tira a roupa e demonstra que a arte não tem medo de se mostrar nua e crua. O merchandising da banda conta com camisetas como “Haley Dahl is a mean mean whore”, o que a cantora considera um grande elogio. 

A banda de apoio é constituída por Sara Cath, Kathleen Adams e Vyvyan, multiinstrumentistas que tocam punk cru e sem firulas. A banda acaba de completar seu novo disco com Joel Jerome e lançou recentemente clipes para “Mindy” e “La Cluster”. Na bagagem, Sloppy Jane conta com o EP “Totally Limbless” (2014) os discos “Burger Radio” (2014) e “Sure Tuff” (2015).

Sloppy Jane by Josh Allen

Sloppy Jane por Josh Allen

– Como você começou sua carreira?
Foi em algum momento entre ficar trancada no porão com um piano quando criança e cumprimentar Kim Fowley (com um high five) no Sunset Strip quando adolescente.

– Quais são suas principais influências musicais?
Em uma análise mais recente, sigo o roteiro que Deus desenha para mim. Tento manter meus olhos bem abertos e meus ouvidos bem abertos. Recentemente me falaram que nem todas as minhas ideias são boas e que eu preciso ser contida, e que há muita insegurança ao não conseguir ficar quieta enquanto toco ao vivo. Eu acho que há muito mérito para essa crítica, mas que tudo o que tenho é mais tempo para me tornar mais velha e mais parada. Eu acho que é importante se mover enquanto seus membros te deixam, e enquanto isso é honesto. Estou ansiosa por um dia querer ficar sentada. Da mídia, tenho influência de “The Missing Piece” de Shel Silverstein, tudo do Dr. Seuss, O Pequeno Príncipe e The Point. Também fui muito influenciada pelo Ike para a minha Tina Turner, que também sou eu. Tina Inturnal..

– Conte mais sobre o material que você lançou até agora.
Recentemente lancei o uma música e clipe novos chamados “Mindy”, e estou muito orgulhosa do disco que vou lançar. Não tenho ideia de quando vai sair, e toda vez que alguém me pergunta coloco fogo em todos meus móveis de casa. Tenho outro clipe sendo lançado, “La Cluster”, também.

– Seus shows são selvagens e impressionantes. Como o público reage?
As reações variam, e eu adoraria que elas variassem mais ainda. Acho que o que fazemos é afetado fortemente pela forma do lugar que estamos tocando. Tocando em um porão suado ou em um palco iluminado, o que fazemos é basicamente o mesmo, mas fica bem diferente com a mudança de som e iluminação.

– Em seus shows, às vezes você arranca a roupa e vai pro meio da galera, uma atitude mais “selvagem” que costumava ser mais comum em shows de rock, mas hoje em dia é mais incomum. O rock and roll está ficando “domado”?
Não sei e não me importo com o rock and roll. Eu apenas estou tentando me expressar. Eu adoraria ser domada. Eu quero que alguém me segure e me force a colocar a roupa..

– Como você descreveria seu som para quem nunca ouviu?
Música que está implorando para ser ouvida.

– O que você acha da indústria musical hoje em dia
No que se refere à negócios, eu cuido dos meus! (“As far as business is concerned, I mind my own!”)

Sloppy Jane
– Como você vê a cena norte-americana independente e undergound hoje em dia? O que está acontecendo por aí e o que você acha disso?
Em todo lugar é diferente. Eu realmente passei muito tempo aqui em Nova York e em Los Angeles, mas eles são como noite e dia. Los Angeles tem uma cena insana de todas as idades (Penniback, The Smell, etc). Os shows são totalmente desengonçados, às vezes é impossível tocar porque todos estão pirando. Nova York é mais adulto, os shows são menos loucos, mas há muito trabalho magistral sendo feito, tenho muita admiração por meus colegas aqui. Quando toco aqui, sinto que as pessoas estão prestando atenção. Ambos são especiais a seus próprios modos. Uma coisa que vou dizer é que eu acho que o formato em que a música ao vivo é apresentada precisa ser alterado em geral. O fato de que ainda estamos fazendo shows da mesma maneira que eles fizeram desde o início dos tempos, quando o mundo mudou tanto, é completamente odioso para mim. É chato. Ninguém gosta, se gostam é porque têm síndrome de estocolmo. Eu não tenho uma solução, mas talvez eu pense em uma. Os shows de rock são chatos, os festivais são chatos.Cerveja não é bom e eu odeio o jeito que me faz sentir quando todos os que bebem agem como se tivessem inventado isso.

Sloppy Jane
– Quando você vem para o Brasil fazer shows e “rock our socks off”?
Eu estive esperando por essas palavras toda minha vida. Assim que alguém me financiar, estarei aí. Mas por favor, fiquem de meias. Eu sou tímida. Eu me mostro, mas fico de olhos fechados. Não estou pronta para ver outras pessoas.

– Quais os seus próximos passos?
Eu quero um ônibus escolar, ser melhor no piano e ser paga. Temos esse disco para lançar, mas ele precisa estar perfeito, e eu estou escrevendo um novo!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Dog, MOURN, Shimmer, Animal Show, Tredicci Bacci, The Cradle, Eyes of Love, Palberta, Matter Room, Insecure Men, Clit Kat, Girl Pusher, Loko Ono, Machine Girl, Trona.

Banda gaúcha SAGA disponibiliza novo single e clipe, “Paz y Amor”

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A banda gaúcha da cidade de Julio de Castilhos SAGA retorna a atividade com seu mais novo single “Paz y Amor”, marcando seu trabalho autoral com sua característica de Hard Rock super influenciada por bandas como Reação em Cadeia e Rosa Tattooada.

O grupo, liderado por Mario Dotto (vocal) contou com uma super produção e um grande show de lançamento da nova música coroado com videoclipe lançado no YouTube, tendo o talento da produção musical de Henrique Spiazzy e a produção áudio visual de VJ Cabrera.

Daniel Johnston e a sublime arte de domar demônios

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Conheci Daniel Johnston não exatamente ouvindo ele. “Speeding Motorcycle”, uma das faixas mais bonitas do álbum de covers do Yo La Tengo (“Fakebook”, 1990), é delicada e fofa como tudo que Ira Kaplan e companhia costumam criar. Mas aquela canção com acordes simples dedilhados tinha uma coisa a mais. Um je ne sais quoi. Era inocente. Não tinha a pretensão de fazer uma metáfora rebuscada sobre a vida ou sobre o amor. Era um cara cantando sobre sua lambreta veloz. Esse cara e esse charme ingênuo (pelo menos aparente), era Daniel.

“Speeding Motorcycle” foi o mais próximo que Daniel Johnston chegou de um hit. Em julho deste ano, o músico anunciou sua última turnê – que termina em novembro –, mas deixou bem claro que vai continuar escrevendo. Sua esperança é de que ainda saia “o grande sucesso”, confessou em entrevista recente ao New York Times. Mas quem conhece a história dele sabe que seu impulso criativo incessante tem outras razões.

No documentário The Devil and Daniel Johnston”, de 2006, conhecemos um artista divido entre extremos: de um lado uma pureza quase infantil, de outro uma confusão típica de quem não se sente adequado. Para Daniel, se encaixar no tal ‘mundo adulto’ sempre foi um desafio muito maior do que esse de fazer música. A arte, na verdade, foi a forma que encontrou para passar por tudo isso. O documentário deixa isso claro; não se trata de um relato sobre um músico dando duro para se lançar, mas sobre enfrentar seus próprios demônios. No caso de Daniel, um diagnóstico de transtorno bipolar e esquizofrenia.

Suas músicas sempre refletiram muito isso. As letras de Johnston são cartas abertas. Recortes curtos, diretos e de uma honestidade crua e certeira. Há quem o chame de gênio – pessoalmente, acho que não combina com a despretensão de sua essência artística. Há quem considere suas composições ‘rasas’ demais –  eu acho ótimo, para variar, ouvir um músico despido de ‘bandeiras’ e de peito escancarado.

No documentário, somos apresentados a algumas das inspirações de Daniel. A motocicleta foi uma delas. Sem avisar a família, Johnston partiu para um rolê pelo país e se juntou a uma companhia de circo. Em flashes de filmes originais gravados com sua super 8, conhecemos o grande amor da vida do cantor, quem o inspirou a compor. Foi para Laurie Allen um tímido, corajoso e apaixonado “Hi, How Are You?” que marcou sua história como músico.

Seu amor  não correspondido nunca foi encarado com amargura. Daniel não escolheu o caminho mais fácil, o da sofrência. Mesmo de coração partido, se preocupou em aquietar os corações melindrosos de um bando de adultos desiludidos, com uma promessa em forma de canção. “True Love Will Find You In The End” é a cantiga de ninar de uma geração teimosa que ainda acredita no amor em tempos de Tinder.

A música, como todas dele, tem acordes simples, mas inconfundíveis. Você percebe pelas batidas urgentes e às vezes dessincronizadas sua inquietação. No palco, sem o violão, suas mãos dançam dentro do bolso. Cantar ao vivo, aliás, é sempre um grande passo para Daniel. Curvado e acanhado, sua presença diante do público está longe de ser de rock star. Mas nem por isso encanta menos. A apresentação que fez em São Paulo em 2013 recebeu uma porrada de críticas positivas. Sua turnê atual, segundo o The Guardian, “decolou depois de um começo atrapalhado”.

Herói lo-fi de músicos como Jeff Tweedy, Beck e Kurt Cobain, Daniel Johnston tem inspirado como pode. Alguns com a sinceridade de seu trabalho, outros com a simplicidade com que cria, e muitos (como eu), com tudo isso mais a forma como lida com seus monstros. Quisera eu transformar os meus em música. Por enquanto, conto com a poesia dele (e de tantos outros talentosos e corajosos) para mantê-los longe. Obrigada, Daniel <3

LoveJoy destila garage rock e post punk a favor da diversidade sexual

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The LoveJoy

A união dos quatro elementos do LoveJoy aconteceu em 2015, unindo amigos que se esbarravam sempre, cada um originário de uma experiência musical: Larry Antha e Jhou Rocha (Sex Noise), Vladya Mendes (Verónica Decide Morrer) e Marcelo Renovato “Sanchito” (DooDooDoo). Um dia eles resolveram fazer um som juntos no Coletivo Machina e desta experiência saiu o garage rock misturado com post punk da banda, com muitas influências de Júpiter Maçã, Ty Segall, Placebo e The Gossip.

No final de 2016 foi lançado o primeiro EP da banda com as músicas ‘Superman’, ‘Ódio’, ‘Macaco Monkey Man’ e ‘Sad Eyes’, que ganhou um clipe em uma versão ao vivo. Eles prometem para este ano um clipe de animação para ‘Superman’, com direção de Luka Rebello. Além disso, a LoveJoy prepara um documentário e está finalizando novas músicas como ‘Deus Punk’, ‘Omelete’, ‘Ontem À Noite Lembrei de Você’ e ‘Gritar’, todas já incluídas no set de seus incansáveis e energéticos shows. 

Conversei com Larry Antha sobre a carreira da banda, suas letras, influências, cena independente e mais:

– Como a banda começou?
A LoveJoy começou no final de 2015. Vínhamos de várias experiências musicais anteriores: eu e Jhou Rocha, a baixista do Sex Noise, Vladya Mendes, a baterista do Verónica Decide Morrer (que é radicada em São Paulo) e Sanchito/Marcelo Renovato vindo do DooDooDoo. Nos falamos e nos reunimos no Coletivo Machina pra levar um som e nasceu a LoveJoy.

– E de onde surgiu o nome LoveJoy? Ele me lembra um personagem dos Simpsons…
O nome veio de um cometa que passou pela Terra em 2014 deixando um rastro de gás etílico e açúcar. A piração com o personagem dos Simpsons veio depois. Fizemos até uma camisa!

– Quais as principais influências da banda?
Ty Segall
, Placebo, Júpiter Maçã, The Gossip, Akira S e as Garotas que Erraram

– Como vocês definiriam o som da banda?
Foi meio mágico. A primeira vez que tocamos pareceu que já nos conhecíamos musicalmente. Fizemos música já no primeiro dia. Um mês depois estávamos estreando, abrindo pro Jonnata Doll e os Garotos Solventes em passagem pelo Rio. De lá pra cá, a LoveJoy nunca mais parou. Acho que o som já estava definido em nossas almas.

– Me falem um pouco mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!
Lançamos há pouco um EP com quatro sons: “Macaco Monkey Man”, “Ódio”, “Sad Eyes” e “Superman”. Disponível no Soundcloud. Dessa leva fizemos o clipe de “Sad Eyes” ao vivo no Coletivo Machina. E estamos finalizando com a vídeo maker Luka Rebello um clipe de animação para “Superman”. Nele os outros integrantes da
LoveJoy viraram desenho animado. Nesse meio tempo já gravamos outros sons como “Deus Punk”, “Ontem à Noite Lembrei de Você”, “Gritar” e “Omelete”, que entraram no set dos shows junto com “Bomba no Odeon”, uma versão de um clássico undergroud de uma cult band chamada Sofia Pop.

– E quando vamos poder ouvir o registro dessas próximas músicas?
Estamos trabalhando na mixagem. Faltam só alguns ajustes de timbre e volume. Logo vamos subir estes sons novos.

– Vocês citaram que são uma banda a favor da diversidade sexual. Como vocês veem isso hoje em dia no meio musical?
É tipo a gente faz parte de uma nova geração que acredita que a liberdade de expressão, seja ela sexual ou artística, algo muito importante de ser debatido e quanto mais se falar no assunto melhor. Viva a diferença e o respeito ao próximo. O empoderamento de toda voz seja ela punk, gay, lésbica, trans, hetero e toda sigla LGBT muito nos interessa.

The LoveJoy

– Como você descreveria uma apresentação da LoveJoy para quem ainda não teve a oportunidade de assistir?
O som da LoveJoy é um espécie de beat dançante que vai causando uma catarse no público em que
todo mundo se joga numa jam louca junto com a LoveJoy.

– Qual a opinião de vocês sobre a cena independente brasileira hoje em dia?
Incrível como existem várias bandas e artistas fazendo coisas fantásticas e o público não conhece, assim como a grande mídia ignora ou nem sabe da existência. Hoje em dia as bandas se movimentam por nichos e dentro deles, felizmente se consegue viver e tocar nos centenas de festivais e eventos que correm paralelo ao grande público.

– Mas você acha que a grande mídia deveria investir mais nisso ou esse negócio da cena ficar em outro lugar é algo positivo, já que evita uma influência da grande mídia no som das bandas?
A grande mídia na verdade é acomodada como em todo mundo. Kurt Cobain foi uma voz que tentou difundir o conceito undergroud para tentar pelo menos equilibrar os lados. Acho que o que é bom precisa ser conhecido. Se é undergroud ou não. Felizmente hoje com as redes sociais se consegue viver a parte a grande mídia, como disse; o que é bom precisa ser conhecido, mas não podemos virar produto. É preciso que a cultura undergroud seja respeitada. Acredito numa frase da banda Sofia Pop que diz que a moda nasce nas ruas e morre nas vitrines.

The LoveJoy

– Quais são os próximos passos da banda?
Compor e gravar as novas músicas que estão saindo. Tocar em São Paulo novamente. Participamos do Volume Morto Festival no começo do ano. Em novembro a LoveJoy grava um Cine Doc dirigido pelo cineasta Kadu Burgos. Em outubro tocamos no Machina Festival que acontece dia 14/10. E ainda no dia 21/10 acontece a festa de lançamento do clipe de animação de ‘Superman’, com participação das bandas Gangue Morcego e Dinamite Panda (SP). Os dois show no Coletivo Machina.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Jonnata Doll e os Garotos Solventes
, Verónica Decide Morrer, Fla Mingo, Der Baum, Dinamite Panda, Nicolas Não Tem Banda, Groupies do Papa, Beach Combers, Comandante 22, Apicultores Clandestinos, A Batida Que Seu Coração Pulou, Blasfemme, Enio Berlota e A Noia, Vulcânicos, Os Estudantes, Palomares, Cidade Chumbo, Helga, Astro Venga, Tree, Aura e Lunares, Lê Almeida, Oruã….

Construindo LuvBugs: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo LuvBugs, do Rio de Janeiro, formado por Paloma Vasconcellos (bateria) e Rodrigo Pastore (guitarra e voz) Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Bikini Kill“Girl Soldier”
Paloma: Definitivamente, a Tobi Vail é uma grande baterista/musicista e a minha maior influência Riot Grrrl na LuvBugs e na vida. “Guess you didn’t notice. Why we were dying. I guess you didn’t give a fuck. After all, only women were dying”.

Breeders“No Aloha” (“Last Splash”, 1993).
Rodrigo: Melodia vocal açucarada mergulhada em guitarras distorcidas em amps valvulados, isso é praticamente a base de 80% dos sons da LuvBugs.

Babes In Toyland“Hello” (“Nemesisters”, 1995).
Paloma: Riot Grrrl até a alma, “Hello” introduz esse belo disco de punk rock, dessa banda linda que tenho como grande influência de que as mulheres podem sim fazer rock. Lori Barbero é uma grande referência de baterista.

Nirvana“School” (“Bleach”, 1989).
Rodrigo: Um dos riffs mais contagiantes da história do rock and roll, tem uns 3 riffs da LuvBugs que nasceram daí, Coração Vermelho, Verde Zen e algum outro que não estou lembrando.

Sonic Youth“Becuz” (“Washing Machine”, 1995).
Paloma: O timbre dessa guitarra e seu riff repetitivo somado ao essencial vocal da excêntrica Kim Gordon tornam essa introdução do “Washing Machine” algo que sempre está presente na minha mente.

Wavves“No Hope Kids” (“Wavves”, 2009).
Rodrigo: Um amigo voltou daquele cruzeiro do Weezer uma vez com um vinil do Wavves e disse que queria me mostrar um som de uma banda que ele tinha conhecido os caras na piscina do cruzeiro. Logo que ouvi me liguei que era o som que eu queria fazer e “No Hope Kids” é um punk rock de garagem perfeito, ouvi até entrar no sangue.
Influência nas composições e nas mixagens dos discos, esse som tem uma mix lo-fi referência pra mim.

Nirvana“Dumb” (“In Utero”, 1993).
Paloma: A simplicidade dessa letra consegue demonstrar toda a complexidade da vida em um perfeito paradoxo existencial. “I’m not like them but I can pretend”. As composições da LuvBugs são assim, mais simples possíveis.

Freud And The Suicidal Vampires “It’s Hard To Write A Good Song In 5 Minutes (When You’re So Difficult To Describe)”
Rodrigo: Outro som referência de mix lo-fi. Riff alucinante com uma guitarrinha fazendo um solo de tema. Daí eu percebi que o álbum “Dias em Lo-Fi” poderia ter isso também, som de duas guitarras e não apenas uma como nos outros, até que a gente tem se virado bem ao vivo.

Velvet Underground“Venus in Furs” (“The Velvet Underground and Nico”, 1967).
Paloma: Impactante até a alma, impossível não se afetar com a experiência que essa música passa. “I could sleep for a thousand years. A thousand dreams that would awake me. Different colors made of tears”.

Ronnie Von“Imagem” (“A Máquina Voadora”, 1970).
Rodrigo: Esse som escutei tanto em determinada época da minha vida, que sempre quando escuto novamente reencontro meu jeito de escrever as músicas da LuvBugs e até meu jeito de pensar sobre a vida. Outro dia um amigo me falou em alguma semelhança em alguma melodia de voz minha ou jeito de cantar e eu acabei dando
razão a ele.

John Frusciante“Look On” (“Inside Of Emptiness”, 2004).
Paloma: O John é surreal. Essa música, (e esse disco) é cativante do início ao fim. Melodia, letra e guitarra lindas e totalmente inspiradoras. “When I thought life was terrible, things were going fine… A paper and a pencil are the
best friends I’ve got. Look on”.

Dinosaur Jr“Drawerings” (“Where You Been”, 1993).
Rodrigo: Outro dia eu li “J.esus Mascis é meu pastor e nada me faltará”. Amém.

L7“One More Thing” (“Bricks Are Heavy”, 1992).
Paloma: Esse grunge anos 90 de melodia e guitarra arrastada é perfeito e uma das minhas maiores influências também.

Elliott Smith“Coast To Coast” (“From a Basement on the Hill”, 2004).
Rodrigo: Considero de alguma forma Elliott Smith uma grande influência pro “Dias em Lo-Fi”, sempre o escutei mas até então não considerava muito essa influência à LuvBugs. Nesse álbum a gente acabou deixando umas camadas um pouco mais tristes que nos anteriores e “Coast To Coast” foi grande referência pra canções como por
exemplo “Ela Sabe o que é Certo”, claro que não é uma cópia, assim como todas as influências, a gente acaba fazendo do nosso jeito.

My Bloody Valentine“Only Shallow“ (“Loveless”, 1991).
Paloma: Vocal calmo e delicado mas ao mesmo tempo forte e intenso. É uma das principais influências shoegaze da LuvBugs.

Elastica“Stutter” (“Elastica”, 1995).
Rodrigo: Composição contagiante, batida dançante, “ritmo de acadimia”, fuzz rasgando o refrão, vocal cantarolado, cabelo no rosto, ufa, tudo que eu preciso nessa vida. E tento levar pra LuvBugs.

Oasis“Live Forever” (“Definitely Maybe”, 1994).
Paloma: Oasis é uma banda que apesar de controversa é inspiradora e me influencia na hora de compôr, mesmo que inconscientemente. “Maybe I just want to fly. I want to live. I don’t want to die”.

Lou Reed“Hangin’ Round” (“Transformer”, 1972).
Rodrigo: Lou Reed fez as melhores canções que ouvi na minha vida, ele é a maior referência musical, pode crer. Inventou tudo que eu ouço hoje e se alguma banda do mundo não tem nenhuma influência do Lou ou Velvet Underground eu nem preciso escutar. Essa canção em especial, o jeito dele cantarolar a melodia ao mesmo tempo
que descreve a cena é mágico.

Courtney Barnett“Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party” (“Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit”, 2015).
Paloma: Essa música fala de situações que são reais na vida das pessoas e traduz perfeitamente boa parte do meu cotidiano. É assim com a maioria das composições dessa australiana que veio pra ficar e conquistou o coração da LuvBugs. “I wanna go out but I wanna stay home”.

Titãs“Taxidermia” (“Titanomaquia”, 1993)
Rodrigo: “Se eu tivesse seus olhos não seria famoso, eu não quero ser útil, quero ser utilizado, inutilizado, inutilizado”. Acho que foi meu primeiro contato com poesia dentro do rock’n roll. Esse som é referência pra qualquer coisa que eu faça.

O Grande Grupo Viajante mostra versatilidade dançante com mensagens fortes no disco “Todas As Cores”

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O Grande Grupo Viajante
O Grande Grupo Viajante

Os nove membros d’O Grande Grupo Viajante estão em festa: em setembro lançaram o disco “Todas As Cores”, gravado no estúdio C4, no Bixiga, com produção de Zé Victor Torelli. O álbum anda recebendo muitos elogios por sua diversidade de estilos, criatividade e letras engajadas em diversos assuntos importantes como problemas sociais, habitação, machismo, homofobia e tantos outros.

Formada por Bruno Sanches (guitarra e voz), Stela Nesrine (sax e voz), Érico Alencastro (baixo), Leonardo Schons (teclado), Bruno Trindade (percussão e voz), Celso Rey (bateria), Larissa Oliveira (trompete) e Gustavo Godoy (percussão), a banda costuma se apresentar pelas ruas de SP, frente a frente com o público, algo que contribuiu bastante para que o som da banda continuasse evoluindo com o tempo. Em 2015, lançaram seu primeiro EP, “O Caminho É o Mar”, com 5 músicas, que vendeu cerca de 3.000 cópias durante as apresentações pelas ruas. “Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua”, explica Bruno Sanches.

– Primeiramente, me fala mais do disco que cês acabaram de lançar!

Então, esse é nosso primeiro disco, e é um disco construído ao longo de 2 anos tocando na rua. Então ele reflete muito as situações que vimos e vivemos na rua, principalmente a troca maravilhosa que tivemos com as pessoas.
É um disco mais coletivo do que os outros dois EPs que tínhamos lançado: tem composições minhas, da Stela Nesrine e do Bruno Trindade. Os arranjos foram feitos a maioria em grupo.

– E como essa interação com o público fez parte do disco?

Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua. As pessoas emocionadas com nosso trabalho… São várias historias, isso fez com que nossas composições refletissem muito do que vivemos na rua. E baseada nas pessoas que cruzaram nosso caminho também. A gente sentiu a necessidade de falar de alguns temas da cidade que tivemos contato tocando na rua, problemas sociais, de habitação, machismo, homofobia etc.

– Por falar nisso, me fala um pouco sobre as letras desse trabalho. Vocês resolveram fazer algo mais puxado pro lado político e social da música, né?

É, então… Cada música conta uma historinha e fala sobre um tema, a gente tentou colocar temas que fizessem as pessoas refletirem e saírem da zona de conforto. Achamos importante o artista ser porta voz da mudança que quer no mundo, por isso a escolha de colocar esses temas em algumas letras.

– Me fala algumas músicas que você considera como destaques do disco.

Essa é difícil, hein. Se eu fosse aconselhar alguém, eu diria pra ouvir o disco todo e na ordem, porque só assim ele faz o sentido que a gente pensou. O disco é como um livro. Mas acho que “Malagueta”, “Sistema de Canudos”, “Africa Mãe” e “Persona” são boas pra ouvir e entender a versatilidade da banda.

– Falando nisso, a banda tem 9 integrantes, então acho que versatilidade é algo natural, né. Como vocês fazem para compor com tanta gente participando? Como é o processo?

As letras são feitas por mim, Stela e Brunão. Às vezes um desses três chega com a música meio pronta, mas tem vezes que chega apenas com a ideia, então a gente senta e vai tentando colocar a ideia da pessoa em pratica, o arranjo é sempre respeitando a ideia do compositor. Também fizemos algumas coisas em duplas, eu e Brunão, Eu e a Stela, por exemplo… Tem uma música que foi feita com um cantor amigo nosso do Congo, Leonardo Matumona. Como era uma musica que falava do continente africano, convidamos ele pra compor e gravar conosco.

O Grande Grupo Viajante

– Como a banda começou? Já começou com essa formação enorme?

Então, na verdade da formação atual eu sou o único da original (risos). O projeto era uma ideia minha, teve uma primeira formação que lançou um EP em 2013, mas depois acabou se desfazendo. No final de 2014 eu consegui juntar uma parte dessa turma que está agora, eram Érico (baixo), Léo (teclado) e a Stela (sax e voz) e o Marco na bateria, que depois acabou saindo também. Com essa formação pequena, gravamos outro EP, lançado em 2015, chamado “O Caminho é o Mar”. Aí ao longo de 2015 e 2016 entraram o Brunão (percussâo e voz), o Celso (bateria), Larissa (trompete) e o Gustavo (percussão). O Mike (guitarra) entrou em 2015, ficou com a gente até gravar o disco, mas depois de gravar decidiu seguir outro caminho.

– E como vocês veem a cena independente hoje em dia? Como tá pra vocês?

Olha, a cena tá quentíssima. Linda demais. Temos tantos amigos que admiramos e vendo o crescimento de tantas bandas merecidamente, isso empolga e nos deixa muito felizes. Nós estamos caminhando naturalmente, o primeiro disco é um marco para o crescimento. A gente espera viajar mais e espalhar muito nossa musica

– Como vocês definiriam o som d’O Grande Grupo Viajante?

Cara, é um som brasileiro com pitadas latinas e africanas, mas principalmente é um som multicultural e plural, pensado em fazer o publico dançar, amar e refletir sobre o mundo.

– Aliás, no começo do ano saiu um clipe com a presença de um monte de gente da cena, né. Como foi isso? Quem aparece no clipe?

Sim, então fizemos o clipe de “Obra de Miró”, que está no disco. A gente convidou um monte gente pra embarcar no espírito da musica, que é dançar do jeito que se sentir bem. De migos e migas famosos tivemos o Samuca (Samuca e a Selva), Paula Cavalciuk, o Gomes (Francisco El Hombre), João Perreka, a Camilla e Leo da Molodoys, o Jonata (DJ Obá), e tivemos a participação de mais vários amigos e amigas queridos demais que soltaram o rebolado.

– E como é essa integração entre as bandas da cena independente? Rola bem ou você acha que podia rolar mais?

Rola legal, pelo menos com a galera que temos contato é sempre ótimo. Já fomos pro RJ e nos hospedamos com os amigos da Astrovenga, já recebemos várias bandas em casa também… Rola muito essa troca de hospedagem e show. Participações também e shows conjuntos sempre rolam. Acho que a cena independente, pelo menos a que a gente faz parte, principalmente das bandas de rua, tantos amigos que sempre nos indicam pra trampos e nos ajudam sempre que podem. A Picanha de Chernobill por exemplo é uma banda muito amiga nossa que já nos indicou pra trampos e já fizemos alguns shows juntos, é sempre um prazer, pois admiramos muito eles. Tivemos a oportunidade também de ter participação do Jairo Pereira (Alafia) e da Ekena em nossos shows e foi lindo demais, são 2 artistas que admiramos demais.

– Quais são os próximos passos da banda?

Estamos fazendo shows de lançamento. Os próximas são em Paranapiacaba, dia 13/10 e BH, 14/11. Mês que vem lançaremos um live de coisa fina.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nossa temos sorte de ter amigos talentosos e inspiradores ao nosso redor e são tantos que fica difícil citar todos, mas acho que vocês não podem deixar de conhecer: Picanha de Chernobill, Molodoys, Paula Cavalciuk, Samuca e a Selva, Ekena, Molodoys, Rocartê, Alafia, João Perreka e os Alambiques, Newen (Chile), Astrovenga, Uiu Lopes, Bruno Lima… Ah, tem muitos outros, teria que ficar falando até amanhã!

Pink Floyd sampleou a voz de Stephen Hawking em “Keep Talking” (1994)

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Em 1994, o Pink Floyd, grupo inglês de rock progressivo, terminava de gravar o que seria seu último registro de estúdio, o aclamado “The Division Bell”. Assim como todos os discos dos ingleses, esse possui músicas que marcam a criatividade de uma banda, mesmo após quase 30 anos de existência. “High Hopes”, a última música do disco, cuja letra deu nome a “The Endless River”, disco de sobras lançado em 2014, é um dos pontos altos não apenas do disco, mas também da extensa discografia da banda. Outras músicas que fizeram bastante sucesso foram “Take it Back”, “What Do You Want From Me” e “Keep Talking”.

Também em 1994, a British Telecom lançou uma peça publicitária que tinha a participação do físico teórico e cosmólogo Stephen Hawking, então com 54 anos. No anúncio, feito pela agência Saatchi & Saatchi, Hawking começa falando: “por milhões de anos a humanidade viveu como os animais. E alguma coisa aconteceu, que permitiu usarmos o poder da nossa imaginação: nós aprendemos a falar”. Com aproximadamente 1 minuto e meio, a mensagem foi tão forte que fez David Gilmour, vocalista, guitarrista e principal compositor do grupo, considerar como uma das melhores peças publicitárias já feitas.

Em uma entrevista de rádio, o músico contou que “ele [Hawking] sofre de uma doença degenerativa, está numa cadeira de rodas, não pode falar, e sua voz é sintetizada por uma coisa computadorizada feita especialmente pra ele. Eu acho que ele só consegue mover um dedo, bem pouquinho, e seu trabalho é feito apenas com isso”. O comercial foca no poder da fala, de como ela possibilitou fazermos o impossível, também de como a falta dela causa destruição, guerras e sofrimento, e da importância de continuarmos conversando. “Sua voz estava no anúncio, e esse anúncio quase me fez chorar. Eu nunca senti isso antes”, prossegue, “[esse] foi o comercial de televisão mais poderoso que eu já vi na minha vida. Eu achei fascinante.”

Após este choque inicial, Gilmour achou interessante usar a voz de Hawking em uma de suas novas músicas. Entrou em contato com a agência de publicidade e perguntou se ela poderia disponibilizar a voz usada no comercial. Com o material em mãos, a voz foi modificada, para encaixar no tempo da música, e a música foi adaptada, para que tudo fizesse sentido. O resultado é simplesmente uma música belíssima que fala muito sobre um problema bastante atual: a falta de comunicação entre as pessoas, entre os povos, entre países. Precisamos conversar mais, pois só o poder da conversa pode construir o impossível.