RockALT #11 – Tamarindo, Spidrax, Dead Parrot, Walfredo em Busca da Simbiose e White Lung

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RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna dessa semana eu destaco power trios, um quarteto e um projeto solo de diferentes estilos enquanto fazemos uma viagem que vai do interior de São Paulo ao Canadá passando por sons progressivos, agressivos, psicodélicos e muito mais!

Tamarindo
Eu nem tinha escutado a segunda música do trabalho ‘Lado B’ e já havia me apaixonado pelo seu título, ‘Eu Sempre Gostei Mais do Lado B’. A banda de Santa Cruz do Sul/RS inadvertidamente ou não fez uma homenagem a todos aqueles amantes inquietos da música que não se contentam em ouvir apenas o que todos estão ouvindo, apenas o que é fácil de se escutar. É realmente um prazer descobrir uma banda que poucos conhecem, ir curtindo faixa após faixa e entendendo a proposta dos músicos, suas qualidades e suas escolhas. Espero que você curta a sonoridade desse power trio o tanto quanto eu e se apaixone pela reverberação de seus instrumentos e pela voz cativante da vocalista.

Spidrax
De um power trio de grunge vamos para um power trio de horror punk! Com uma pegada que remete àquele Misfits de começo de carreira, os paulistanos do Spidrax são mais um exemplo da variada gama de estilos e vertentes do rock atuantes em São Paulo. Vocais meticulosos e precisos, guitarra furiosa, bateria pesada e letras (em português!) fieis à sua temática são as marcas principais dessa banda. Não poderia ser diferente com influências como “Motorhead, Misfits, Samhain, Danzig, Black Sabbath, entre outras desgraceiras” como diz o facebook do grupo! Se você curte um som mais veloz e pesado, não deixe de escutar o EP recém lançado do Spidrax!

Dead Parrot
Se enganou quem acha que é só na capital de São Paulo que tem banda boa: natural de Barão Geraldo/SP, o quarteto Dead Parrot não se limita a gêneros específicos e traz influências de diversas bandas como Rush, Cream, Pink Floyd, Doors, QOTSA, Jeff Buckley entre outros nomes de peso! Isso se reflete em uma sonoridade progressiva e experimentadora sem se deixar levar por devaneios musicais muito longos. A mistura equilibrada de classic, stoner, hard e prog do Dead Parrot pode ser conferida no EP homônimo:

Walfredo em Busca da Simbiose
O projeto solo do compositor e produtor musical Lou Alves lançado há pouco mais de um mês é uma daquelas pérolas escondidas nas ondas internéticas. Longe da pretensão e aspirações que muitas vezes acometem alguns artistas, é no campo privativo e introspectivo desse tipo de projeto pessoal que nascem obras fáceis de escutar e se identificar. As letras das músicas que formam o EP tratam de sonhos, viagens, desejos e pedidos tão particulares e ao mesmo tempo comuns a qualquer pessoa que acaba se tornando muito fácil se deixar levar do rock ao folk psicodélico e sair em busca do quer que seja a “simbiose” de quem escuta.

White Lung
Eu espero que vocês já conheçam o White Lung. Só estou falando deles aqui pois é uma daquelas bandas que eu quero que literalmente todo o mundo conheça. Dito isto, o quarto álbum desse trio canadense de punk rock é o meu álbum gringo favorito do ano passado, ele está no pen drive do meu carro há meses e mesmo ouvindo direto eu ainda não enjoei. Não sei ao certo se é a voz poderosa e competente da vocalista, o trabalho primoroso e devastador do guitarrista ou talvez o mérito esteja no conjunto completo pois eu sou incapaz de pular uma só das dez faixas que formam o LP ‘Paradise’. Se você ainda não conhece, não precisa me agradecer, apenas escute o álbum e veja se eu tenho razão:

Se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT! O nosso programa vai ao ar toda quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br e nossos mais de 100 programas estão disponíveis no Mixcloud: www.mixcloud.com/rockalt/

Sheila Cretina destila seu veneno rocker enquanto prepara seu segundo disco

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Sheila Cretina

A banda Sheila Cretina está desde 2008 na ativa misturando todo tipo de rock que possa vir a influenciar Gustavo McNair (voz e guitarra), Rodrigo Ramos (guitarra e voz), Jairo Fajersztajn (baixo e voz) e Caio Casemiro da Rocha (bateria). “Todo mundo cresceu ouvindo rock. Gustavo tá numa onda mais setentista. Caio é frito em jazz além do rock. Rodrigo é produtor de trilhas. Eu venho do punk rock, mas gosto de tudo”, explica Jairo. “Tudo que a gente ouve e gosta vira influência, então muita coisa”.

A banda lançou em 2011 seu primeiro álbum, “Vol I”, gravado no Red Mob Studio por Gianni Dias e Piettro Torchio entre 2009 e 2010 com masterização por Michael Fossenkemper, no Turtle Tone Studios, em Nova Iorque. As 7 faixas do disco mostram um pouco da mistureba rocker que a banda representa, com letras em português e a quantidade ideal de barulho para ser ouvida no último volume. Para este ano eles estão preparando o segundo trabalho, gravado no Estúdio Aurora, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre.

Conversei com Jairo sobre a carreira da banda, o primeiro disco, a cena independente e a dicotomia da música nos tempos de internet e streaming:

– Como começou a banda?

A banda começou, se não em engano, em 2008… Estávamos na faculdade. Eu tocava com Caio (batera) desde criança e estávamos sem banda, conheci o Gustavo na facu e resolvemos montar uma, chamamos o Caio que já estava afim de tocar e começamos assim. Rodrigo entrou dois ensaios depois na segunda guitarra e assim estamos até hoje.

– De onde surgiu o nome Sheila Cretina?

O nome surgiu a partir na necessidade de uma banda ter um nome (risos). A gente precisava de um nome e Sheila Cretina veio naturalmente como se soasse como a sonoridade que fazemos.

– E o que significa?

Não tem significado. Sheila Cretina é uma banda desesperada de São Paulo, que grita em português o rock que quer ouvir.

– Quais as principais influências da banda?

Cada um tem sua linha de som, influência e inspiração A gente não se prende a rótulos ou estilos. Todo mundo gosta de rock, todo mundo cresceu ouvindo rock. Gustavo tá numa onda mais setentista. Caio é frito em jazz além do rock. Rodrigo é produtor de trilhas. Eu venho do punk rock, mas gosto de tudo. No nosso som você vai encontrar influências de Ramones, Mudhoney, Sonic Youth, Black Flag, Dead Kennedys, Nick Cave, Stooges, MC5, Led, Nirvana, Sabbath, Jards Macalé, Cólera, Humble Pie… Tudo que a gente ouve e gosta vira influência, então muita coisa.

Sheila Cretina

– Me fala um pouco mais sobre o que vocês já lançaram.

Lançar é uma novela nessa banda (risos). Temos um álbum lançado chamado “Vol. I”. Foi lançado em 2011, se não me engano. Lançamos um clipe oficial desse álbum, e um clipe ao vivo. Fizemos bastante shows por aí, divulgamos bastante esse álbum, que está quase esgotado, e agora finalmente depois de muito trabalho estamos perto de lançar o segundo álbum.

– E como é o “Vol I”? Como foi a gravação dele e o que temos no disco?

O “Vol. I” a gente gravou no extinto Estudio RedMob. Foi uma experiência bem bacana. Gianni Dias ficou a cargo da gravação, e como é nosso amigo, foi tudo muito engraçado e tranquilo de fazer. No disco tem apenas músicas autorais, todas as letras do Gustavo, cada uma de um estilo de rock sem muito rótulo. Cada música a sua maneira. Ele é bem urgente, enérgico, juvenil, excitante, explosivo, sujo… Eu acho que é rock do bom (risos). Ah! super chique, foi masterizado em NYC nos Esteites.

– E como está sendo essa preparação pro segundo disco? O que podemos esperar?

Está sendo uma grande novela, mas finalmente conseguimos entrar no eixos. Fechamos com o Estúdio Aurora e estamos sendo produzidos pelo Billy Comodoro, um cara que conseguiu nos dar um norte dentro do estúdio, clarear nossas ideias e facilitar os arranjos das músicas. Podemos esperar coisa boa, pra quem gosta, claro. Rock autêntico, sujo, com atitude e aquela pitada de barulho de sempre.

– Já tem previsão para lançamento?

Olha, previsão exata assim não tem. Mas tenho muita fé que vai sair ainda esse semestre.

– Como você vê a cena independente do rock hoje em dia?

Cara, isso é uma coisa muito complicada. A gente sempre ouve que “no meu tempo era melhor”. e eu acho que realmente era. Vejo muita gente falando que a cena é desunida, só tem vaidade. E eu até concordo. Mas eu to cheio de camarada que faz a cena acontecer, ta cheio de gente querendo se unir, dando o sangue pela cena. Seja no hardcore, no punk rock, no hard rock, no ska, no instrumental, surf music. Acho que o que fodeu com a cena foi a internet e a forma de consumir musica. Banalizaram a musica, por isso acredito não termos mais espaços que tínhamos antes. A cena independente sempre vai existir. Acho que temos uma herança dos anos 90 onde o mainstream comprou o underground. Você tinha programas na TV aberta durante a tarde em dias de semana ou domingos, com bandas autorais ao vivo. Hoje isso já diminuiu bastante… Mas como disse, o underground sempre existe, cheio de banda fazendo corre ha milianos, tipo Cólera, RDP, Dead Fish, Dance of Days, o próprio Autoramas, Hurtmold… E tem muita coisa nova boa com gente que corre atrás, tipo Não Há Mais Volta, Der Baum, Horace Green, Emicaeli, Chalk Outlines, Poltergat, Rakta, Fingerfingerrr, entre TANTAS outras… Acho que estamos num momento diferente, mas que sempre devemos nos unir e nos ajudar. Nunca separar, segregar.

Sheila Cretina

– Mas a internet ao mesmo tempo criou uma facilidade para as bandas independentes divulgarem seu trabalho… Ou não?

Facilidade pra divulgar sim… Mas com a facilidade em baixar músicas, ouvir no Youtube, a música virou algo descartável. Uma capa não é algo mais totalmente importante. Guardar o CD nao é mais importante, é só baixar. E nunca mais ouve. Quando eu era moleque, o cara mais legal do rolê era aquele que tinha fitinha demo da banda que ninguém conhecia, essa banda ia tocar 4 bandas antes do Dead Fish e neguinho sabia cantar a música. Hoje não existe mais demo quase. Hoje não existe mais muito público pra ver banda de abertura em show underground. Assim como a cena é ruim, mas é boa. A internet faz bem, mas fez mal… Faca de dois gumes.

– Quais os próximos passos da banda?

Difícil prever, mas queremos trabalhar esse disco novo, fazer algum material legal com ele e já partir para novas composições e produções.

– Pra finalizar: recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamara sua atenção nos últimos tempos!

Tem MUITA coisa boa por aí. Já citei alguns em outra resposta nessa entrevista: Emicaeli, FingerFingerrr, Futuro, BloodMary Una Chica Band, Gogo Boy From Alabama, Repeat Repeat, Otoboke Beaver, Chalk Outlines, Der Baum, Câimbra, Faca Preta, disco solo do Saico, Combover, Rakta, Comodoro, Lloyd, O Inimigo, Twist Connection, Winteryard e tem a Desiree do Harmônicos do Universo, ela também faz participações em outros shows. Mas meu preferido hoje é a carreira solo do Lee Ranaldo e Human Trash. Muita coisa mesmo!

– Aliás, deixa eu estender a pergunta: já que você tem viajado bastante, tem algumas do exterior que você recomenda?

Les Deuxluxes (Canadá), Otoboke Beaver (Japão), Ninet Tayeb (Israel), Tokyo Ska Paradise Orchestra (Japão) e tem duas que não consigo lembrar o nome (risos). Ah, e Novedades Carmiña (Espanha)!

Cantarolando: a música folk-rock-ambientalista de Alceu Valença em “Espelho Cristalino”(1977)

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Alceu Valença - "Espelho Cristalino"

Cantarolando, por Elisa Oieno

Conversando com alguns entusiastas da música ‘folk’ por esses dias, chegamos à conclusão de que, aqui no Brasil, não costumamos fazer uma associação direta entre música pop e o nosso folclore. Existe uma separação estética muito grande entre o folclore brasileiro e a música pop.

Porém, há exceções. Principalmente no contexto da efervescência criativa do Brasil nos anos 70, pela primeira vez na música brasileira houve um esforço consciente para trazer os sons, ritmos e temas tipicamente brasileiros e regionais ao contexto jovem, rebelde e desafiador que o rock representava.

Foi o que fez o pernambucano Alceu Valença, executando um som pesadíssimo, progressivo e ainda assim absolutamente nordestino. Com sua figura mezzo guerilheiro do sertão mezzo Ian Anderson do Jethro Tull, suas letras – escritas com erudição acadêmica e com a sagacidade herdada dos tradicionais repentistas – mesclavam fraseados libertários ‘subversivos’, críticos à ditadura militar, com temas e figuras típicas do folclore nordestino.

Além disso, eram frequentes em suas músicas também as críticas ao estilo de vida moderno e industrial, tecendo imagens vívidas da natureza brasileira em contraponto aos símbolos da cidade e ao estilo de vida frenético industrial. É o caso da faixa-título do disco “Espelho Cristalino”(1977).

Essa rua sem céu, sem horizontes
foi um rio de águas cristalinas
serra verde molhada de neblina
olho d’agua sangrava numa fonte
meu anel cravejado de brilhantes
são os olhos do Capitão Corisco
e é a luz que incendeia meu ofício
nessa selva de aço e de antenas
beija-flor estou chorando suas penas derretidas na insensatez do asfalto

Essa canção foi feita em homenagem ao ambientalista, naturalista, indigenista e especialista em beija-flores Augusto Ruschi. Ele foi uma figura muito importante em disputas contra empresas e órgãos públicos na defesa de questões do meio-ambiente, em uma época em que tais preocupações eram precariamente difundidas. Ruschi foi um dos pioneiros no combate ao desmatamento da Amazônia e um dos primeiros cientistas a alertarem sobre os impactos do uso indiscriminado de agrotóxicos.

A letra de “Espelho Cristalino”, como diversas de Alceu, é repleta de metáforas e imagens poéticas. Essa é uma das minhas letras favoritas. Viajando um pouco aqui, ela me lembra a vista da Serra do Mar aqui de São Paulo, a caminho da Baixada Santista. Da mesma forma que descreve a música, há a invasão da indústria e do “progresso” na paisagem serrana daqui, especialmente quando se chega perto de Cubatão.

Assim como no Cinema Novo de Glauber Rocha, elementos do cangaço também são frequentes nas canções de Alceu, como a alusão aos “olhos do Capitão Corisco”, que foi um dos mais famosos membros do bando de Lampião. O cangaço foi um dos principais e mais marcantes fenômenos sociais do Nordeste brasileiro, deixando marcas e memórias vívidas para toda uma cultura que, junto com outros inúmeros elementos, faz parte da nossa identidade. Tem coisa mais ‘folk-rock’ que isso?

Construindo Amphères: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Amphères

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o trio Amphères que indica suas 20 canções indispensáveis.

Joe Cocker“With a Little Help From My Friends”
Jota Amaral: A versão 1969 de Joe Cocker naquele Woodstock foi a primeira vez que vi a música sair dos poros de alguém.

Pixies“Gigantic”
Jota Amaral: O dia que conheci a Paula ela estava se preparando para ensaiar com uma banda, timbrando o baixo e dedilhando esta música.  “Você gosta de Pixies?”, perguntei… Um mês depois estávamos com uma banda montada e mandando vários covers de Pixies. Era uma banda de fãs. Foi muito maneiro irmos todos juntos num show que teve no Lollapalooza anos depois.
Pink Floyd“Echoes”
Jota Amaral: Comecei a tocar com o Thiago numa banda que ele já tinha, substituindo nosso grande amigo Luizão. O nome da banda era Echoes. Em meados dos anos 90 eles, junto com o baixista e compositor Sansei, gravaram um EP que eu adoro. Uma pena não ter nada disso no Spotify. Posso dizer que esse som me influenciou muito, já que tive que tirar as linhasdoidas de batera do Luiz. As músicas próprias não tinham tanto a ver com essa música do Floyd, mas sempre tinha o momento de tocarmos Echoes nos ensaios.

Caetano Veloso“Jokerman”
Jota Amaral: É muita camada sonora numa única música. O arranjo é construído de forma progressiva. Um entra-e-sai de instrumentos diversos … Vários elementos percussivos somados a textura de um flatless com timbrão de avião mono motor passando longe no céu. Tem características brasileiras mas é universal. Poderia fazer uma dissertação sobre essa versão do Caetano pra canção de mister Bob Dylan.


John Zorn
“You will be Shot”
Jota Amaral: Sempre brincamos nos ensaios com essa coisa da tempestade e calmaria. Da mudança brusca de climas sonoros que John Zorn explora em níveis de insanidade bem altos.

Jorge Drexler“Tres Mil Millones de Latidos”
Jota Amaral: Como baterista, a ideia de subverter o instrumento é um desafio. Tocar pela busca do som que se deseja e não pelas convenções…Se estamos nesse mundo de passagem, porque o chimbal tem que ficar onde fica? porque a caixa tem que ter a esteira sempre ligada? E se meu coração bater apenas três bilhões de vezes? O que me impede de substituir as baquetas pelas mãos? Foda-se! Vou montar uma percuteria e morar em São Tomé.

Astor Piazzolla“Libertango”
Jota Amaral: Pode não parecer, mas isso é uma música de rock com um “vocal” triste e sexy. O bandoneón fala uma língua própria. Ele tem essa propriedade que alguns instrumentos de sopro tem, de conseguir expressar quase que literalmente os sentimentos. O casal batera & baixo vai muito bem, obrigado.

Sex Pistols“Bodies”
Thiago Santos: Se o rock bateu em mim quando pré adolescente, começou mesmo pela simplicidade e agressividade de Pistols e Ramones.
Pink Floyd“Remember a Day”
Thiago Santos: Ainda moleque, depois de ouvir muita música pesada, descobrir o Floyd foi abrir uma nova dimensão sonora e sentimental. Crescendo no fim dos 80, começo dos 90, fiz o caminho inverso do rock, e enjoei da crueza do punk/heavy pra descobrir a psicodelia dos 70.
Sonic Youth“Cinderella’s Big Score”
Thiago Santos: a primeira vez que ouvi achei que tinham me dado a fita por engano, tamanha estranheza… depois de compreender as dissonâncias, Sonic Youth (junto com Pixies) expandiram bem os horizontes.
Chico Buarque“Construção”
Thiago Santos: Ao admitir ouvir samba novamente e redescobrir esse arranjo, imaginava se John e Paul tivessem escutado essa música o que eles comentariam lá em Abbey Road.
Novos Baianos“Tinindo Trincando”
Thiago Santos: Junção perfeita do samba rock, antes dos anos 80 separarem Pepeu, Baby, Moraes e detonar eles individualmente…
Deerhunter“Helicopter”
Thiago Santos: um nova abordagem de efeitos sonoros sobre uma melancolia a la Syd Barrett.
Nação Zumbi“Um Sonho”
Thiago Santos: O Lucio Maia é um dos mais inventivos guitarristas brasileiros e nessa música, num estilo mais balada que o de costume, junto com uma puta letra e o clipe (com a filha do Chico Science e o filho do Jorge Du Peixe), ficaram melhor que nunca.
 

Siouxsie & The Banshees“Happy House”
Paula Martins: Cresci ouvindo o som de bandas inglesas dos anos 80 e essa foi uma das que mais teve influência na minha formação desde muito cedo. Nessa música, uma sonoridade muito particular vem do encontro da voz poderosa da Siouxsie com a cozinha incrível do Steve Severin e do Budgie e ainda,  na versão ao vivo, do álbum “Nocturne”, da guitarra do Robert Smith (The Cure) que é outra influência central dessa época.

Slowdive“Souvlaki Space Station”
Paula Martins: Se fosse para escolher uma só seria essa! Eu costumava ouvir com um amigo querido que morava no último andar de um prédio na Av. Paulista, contemplando a vista e as estrelas que desse para ver. O álbum todo é incrível mas aqui tem uma atmosfera espacial produzida por muito delay e reverb e conduzida por uma linha de baixo hipnótica que faz dela uma influência bem marcante.

Breeders“Cannonball”
Paula Martins: Kim Deal. Não precisa dizer mais nada. O baixo das músicas do Pixies sempre foram uma referência importante, mas essa música, que me fazia pular nas pistas da Der Temple e do Cais, tem pra mim a identidade cativante das composições dela. O baixo icônico aqui é da Josephine Wiggs.

Radiohead“How to Disappear Completely”
Paula Martins: Tem dias que eu chego a pensar que o Thom Yorke tem acesso a informações de um microchip instalado na minha cabeça. Quando ouço essa música é um desses momentos. A melancolia dela é definitivamente uma influência.

Warpaint“Biggy”
Paula Martins: Adoro tudo nessa música, o baixo é maravilhoso, gostaria muito de fazer uma linha um dia que tivesse efeito nas pessoas que essa tem mim! Tudo nela é sexy, em especial letra e vocais.

Jennifer Lo Fi“Bacon”
Paula Martins: Essa é uma descoberta bem recente, mas certamente já tem impacto na produção do nosso som. Em primeiro lugar pela decisão de passar a escrever em português. Mas principalmente por me fazer lembrar onde é possível chegar quando músicos loucos se encontram.

O duo de Brighton Skinny Milk prepara-se para dominar o mundo com seu terceiro EP, “Creature”

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O Skinny Milk, de Brighton, segue o formato consagrado por bandas como Black Keys e White Stripes, com apenas duas pessoas e muita emoção, mas com um porém: eles substituem a guitarra por um baixo cheio de distorção. Formada em 2016 e com dois EPs na bagagem (um auto-intitulado, de 2016, e “Daydream”, lançado em fevereiro deste ano), a banda agora trabalha em seu próximo EP, “Creature”, a ser lançado no verão inglês.

Com influências de garage punk, psicodelia, fuzz e até metal, o duo formado por Johnny Hart (baixo e vocais) e Tim Cox (bateria) é selvagem ao vivo. Esta é a descrição de uma apresentação da banda pelo jornal “The News”, de Portsmouth: “O baixista/cantor Johnny Hart oferece sozinho um som de rock psicodélico repleto de reverb, digno de cinco músicos em um nível feroz. Enquanto isso, o baterista Tim Cox complementa com um ataque forte e poderoso em seu kit. Músicas rápidas e furiosas como “Creatures” colocam o pequeno público a se enfiar ainda mais fundo na escuridão cavernosa. Despidos da cintura para cima e visualmente deslumbrantes sob as luzes em espiral, o Skinny Milk é certamente destinado a deixar uma multidão maior de boca aberta. Beberei a isso”.

Conversei com Johnny sobre a carreira da banda recém-formada, seus EPs, influências e o que podemos esperar de “Creature”:

– Como a banda começou?

Formamos quando nossa banda anterior, The Vril, implodiu. O Skinny Milk começou em janeiro de 2016 comigo, Johnny Hart, no baixo e vocais, e Tim Cox na bateria.

– Como vocês chegaram no nome Skinny Milk?

Criamos o nome puramente por acidente. Estávamos brincando com palavras diferentes e gostamos da maneira como elas soavam juntas. Foi assim, na verdade…

– Quais são suas principais influências musicais?

Bem, temos uma gama muito ampla de influências. Eu definitivamente sou mais influenciado pelas bandas de psych/garage/punk, como os Stooges, os Ramones, o Black Sabbath, bem como bandas de garagem dos anos 60 como The Litter e The Shag, bem como as mais modernas como a Coachwhips e Thee Oh Sees. Tim definitivamente é mais inspirado pelo lado hardcore e metal de coisas como Pantera, Slayer e hardcore como Sick of it All e Kid Dynamite.

– Conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Até agora lançamos um Single (“YGD”), gravado por Andy Robinson, um EP auto-intitulado e o nosso segundo EP, “Daydream”, ambos gravados por Rob Quickenden no Ford Lane Studios. Estamos prestes a lançar o nosso terceiro, chamado “Creature”, gravado por Eric Tormey da Gang. Deve sair neste verão!

Skinny Milk

– Como você se sente sobre a cena independente hoje em dia?

Há tantas boas bandas na cena underground agora, é muito saudável em Brighton. Há tanta concorrência!

– A queda das gravadoras foi boa ou má para artistas independentes?

Bem, obviamente, a forma como a música funciona mudou muito de como era quando era mais fácil ganhar a vida com a música. A queda de grandes gravadoras pode trazer mais selos decentes, que são mais direcionados para as bandas e música, em vez de puramente para o lucro.

– Como é seu processo de composição?

Nós escrevemos de forma muito diferente do que seria numa situação de banda normal. Às vezes Tim tem um loop de bateria legal ou eu tenho um riff sólido, então normalmente nós apenas ficamos presos até que algo sai. Eu uso o meu vocal como outro instrumento, adicionando camadas ao nosso som.

– Vocês está trabalhando atualmente em novo material?

Sim, estamos atualmente trabalhando no lançamento de nosso terceiro EP, “Creature”, que deve estar pronto no verão, e temos outro single que estamos gravando em julho.

Skinny Milk

– Quais são os próximos passos da banda?

Os próximos passos são lançar o próximo EP e continuar a fazer bons shows para multidões crescentes. Queremos tocar em mais festivais e fazer uma turnê novamente no verão. Temos uma mini-tour no início de maio com a dupla francesa The Mirrors e as gatas de Londres Dolls. Vai ser muito legal.

– Recomende bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente!

Uau! São muitas para mencionar! Vamos ver… Nossos bons amigos Fuoco, Gang, Atlas Wynd, The Get Rids, Buddha Blood, Inevitable Daydream, Bigman Solution, Scab Hand, Clever Thing, Dirty. Tem muitas, isso é apenas o que saiu de bate pronto de nossas cabeças!

O som de hoje 40 anos atrás: David Bowie – “Low” (1977)

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David Bowie - Low

Bolachas Finas, por Victor José

Mesmo que a icônica capa de Aladdin Sane” (1973) tenha sobrevivido intacta e soberana no imaginário da cultura pop e levado a personagem de David Bowie quase que à banalidade em termos visuais, o legado do britânico ecoa ainda mais forte por conta de seu extraordinário conteúdo musical. Se por algum motivo a incessante busca por sintéticas texturas sonoras entra e sai de moda entre bandas de rock e de outros gêneros, muito disso é fruto das sugestões apontadas por Bowie e sua essencial “Trilogia de Berlim”, sobretudo o álbum Low”, de 1977.

Parece redundante hoje em dia destacar a importância do britânico para a música popular, mas fato é que neste ano Low fez 40 anos e permanece ileso e incontestavelmente rico em proposta estética. Aliás, por mais que Bowie seja um gigante da música do século XX, este disco jamais deixará de ser assunto de uma infindável discussão sobre até onde pode chegar um cantor pop.

Produzido pelo próprio Bowie e seu parceiro de longa data, Tony Visconti, “Low” abriu um novo caminho na carreira do músico. Se antes já havia causado espanto geral por flertar facilmente com pop barroco, soul e glam rock, a partir de 1977 passaram a vê-lo como um artista desafiador, que expandia os limites sugerindo à música o uso expansivo da artificialidade sonora.

Com o objetivo maior de largar seu vício em cocaína, Bowie viveu modestamente na Alemanha Ocidental, em Berlim, recluso e longe dos holofotes. Como forma de ocupação, em meados de 1976 chegou a produzir o álbum solo de seu amigo Iggy Pop, o fundamental The Idiot”. Logo ali já podia ser notada uma pitada do que David estava preparando.

Fortemente influenciado pelo som de grupos como Neu! e Kraftwerk, Bowie reuniu uma série de músicos como Carlos Alomar (guitarras), George Murray (baixo), Ricky Gardener (guitarras) e Brian Eno (sintetizadores) para recriar a seu modo a atmosfera dessas bandas. O resultado foi “Low”, um disco metade instrumental, metade pop experimental e distinto por completo.

O curioso é que alguns atribuem a Eno importância igual ou maior que o próprio Bowie na concepção de “Low”. Polêmicas à parte, certamente o modo de criação do ex-Roxy Music foi uma grande influência, tanto que o próprio alega que participou da produção do LP e não foi creditado.

Não é que bandas do rock progressivo, expoentes do krautrock ou o próprio Eno com sua ambient music não houvessem sugerido aquilo até então, mas o fato surpreendente (além do resultado final do LP) foi a abrupta ruptura de David Bowie, que há um ano antes vinha fazendo soul e mesmo assim assumiu o eletrônico sem quaisquer restrições.

Outro fator que contribui para a notoriedade de “Low” é a incessante capacidade de algumas de suas canções se ajustarem naturalmente ao presente momento, como no caso de “A New Career in a New Town” ou “Breaking  Glass”, que com seus quase dois minutos representa o que inúmeras bandas contemporâneas tentam recriar direta ou indiretamente. “Sound and Vision” e “Be My Wife”, mesmo sem seguirem a fórmula linear de canção pop, traçaram no panorama musical da época o que viria a ressoar com muita força em conjuntos de pós-punk e new wave do início dos anos 1980.

Todas as onze composições são capazes de levar o ouvinte a uma interessante experiência sensorial, mas de fato as últimas quatro faixas de “Low”, “Warszawa”, “Art Decade”, “Weeping Wall” e “Subterraneans”, verdadeiros exemplos de ambient music, carregam peso maior do status de obra-prima atribuído ao LP. Qualquer um acostumado apenas com as irresistíveis facilidades do camaleão do rock (coisas como “The Jean Genie”, “Rebel Rebel” ou “Changes”) passará pela primeira vez pelo desfecho de “Low” e a partir de então encarará Bowie de maneira absolutamente diferente.

Com todo o reconhecimento obtido anos depois, a desconfiança da RCA (então gravadora do músico) para com o disco virou mero detalhe. Das onze faixas, seis eram basicamente instrumentais e a empresa teve sérias dificuldades em encontrar na obra alguma “música de trabalho”. No final das contas, “Sound and Vision” foi a escolhida como single.

O disco saiu em janeiro de 1977. Inicialmente seria lançado em dezembro de 1976, porém a RCA cancelou com a justificativa de que não via “Low” com um potencial presente de Natal.

Seria “Low” o ápice criativo de Bowie? O próprio afirma que sim, e até chegou a tocá-lo na íntegra em 2002, num único show em Londres. Mas fato é que, gostando ou não gostando, ao escutar o álbum todo não há como relevá-lo e não perceber nele uma infinidade de outros artistas.

David Bowie - Low

RockALT #10 – Porcas Borboletas, Ween, O Terno e Pissed Jeans

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RockALT, por Jaison Sampedro

Eu admiro bandas que conseguem injetar humor em suas composições. É reconfortante ver bandas que não se levam a sério o tempo todo, ainda mais nesta época de redes sociais que a imagem é tudo. No rock o que mais se vê são bandas cheias de pose ou então de vocalistas que ficam bancando os sedutores e etc… Meu querido Alex Turner, quem o senhor pensa que é? Wando? Olha, falta muito raio, estrela e luar para o senhor chegar ao nível do nosso saudoso Wanderley Alves dos Reis. O humor é uma ferramenta poderosíssima para a crítica e a reflexão. Entretanto o humor pode ser descompromissado, isso não significa que ele precisa ser bobo, e sim espontâneo e original. Nesta coluna vou citar algumas bandas que fazem isso com maestria.

Porcas Borboletas
A primeira vez que escutei o sexteto de Uberlândia foi com a música “Tudo Que Tentei Falhou”. Com um título como este, é praticamente impossível não gostar da banda. O humor desta faixa é certeiro e confesso que vários itens citados na letra da música fazem parte da minha lista pessoal de fracassos. Mas o álbum “Porcas Borboletas” lançado em 2013 não se trata apenas de músicas engraçadas, a sexta faixa, “Only Life”, é um poema de Paulo Leminski musicado. E é neste momento que percebemos a complexidade do álbum que começa leve e aos poucos vai ficando mais denso e interessante, tanto nas letras como em sua musicalidade.

Ween
A criação dessa banda já começa com uma brincadeira: os falsos irmãos Gene and Dean Ween (alter ego de Aaron Freeman e Mickey Melchiondo) fundaram o Ween em 1984, mas só foram lançar o seu primeiro álbum em 1990 com “GodWeenSatan: The Oneness”. O meu primeiro contato com o banda foi com seu trabalho mais “acessível”, o sexto álbum chamado “The Mollusk”. Este disco é um pastiche musical dos anos 90, e a banda não perdoa nem a si mesma: em “Polka Dot Tail” fica claro que a música é uma referência satírica ao segundo álbum da dupla, o “The Pod”. Pra finalizar, o exemplo mais claro do escracho dos Ween é o título da décima primeira faixa do “The Mollusk”, a maravilhosa “Waving My Dick in the Wind”. Vale a pena conferir este belo trabalho! Lisérgico, cômico, pirado, despretensioso e inteligente. Ween, senhoras e senhores.

O Terno
Lá na introdução da coluna eu disse que tem um monte de banda que é cheia de pose. Esse não é o caso dos paulistanos d’O Terno. A não ser que você considere bom humor como um dos passos de bancar pose. O álbum “66”, primeiro do grupo de SP, tem ao mesmo tempo uma certa musicalidade sessentista e contemporânea, e o mesmo pode-se dizer da faixa título. A minha faixa favorita é “Zé, Assassino Compulsivo”. Esta música conta a história de um psicopata desde sua infância até o momento que se apaixona por outra psicopata. Juntos eles cometem vários assassinatos ao som do descontraído refrão “laralarala tchop tchop tchop tchop / como gostamos de matar / nada nos deixa mais contentes / e felizes a saltitar”. Brilhante!

Pissed Jeans
Tenho alguns amigos que iriam se sentir contemplados com a tradução direta do nome dessa banda, principalmente aqueles que bebem até cair. Nem sempre o humor é engraçadinho e divertido. Dito isto, não se deixe enganar pela brutalidade sonora do Pissed Jeans. Em seu mais recente álbum, “Why Love Now” lançado em fevereiro deste ano, o grupo americano de Allentown na Pennsylvania, faz uma crítica pesada à personificação do macho alpha e ridiculariza seus comportamentos machistas. A cereja do bolo está na sexta faixa do disco, em “I’m a Man” o grupo resolveu colocar a escritora Lindsay Hunter para fazer um monólogo musicado ridicularizando pérolas machistas comumente faladas no ambiente de trabalho. Embora o grupo tenha uma sonoridade punk dos anos 80, sua formação aconteceu no ano de 2005 e todos os seus cinco álbuns foram lançados pelo lendário selo da Sub Pop. Pissed Jeans é a representação perfeita de um humor ácido e bruto. E bota bruto nisso.

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Construindo La Burca: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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La Burca

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo La Burca, que indica suas 20 canções indispensáveis.

L7“Andreas”
Amanda: Um marco na minha pequena vida musical, nunca mais fui a mesma depois que comecei a escutar essas mulheres e as vi pela tela da TV esfregando um modess na cara da sociedade no Hollywood Rock. Tinha uns 12 anos quando comprei o CD “Hungry for Stink”, deixava no repeat sempre. L7 foi uma referência forte na minha construção sonora. Uma tatuagem sonora. Acho que a música “Similar” é um exemplo.

Come“Hurricane”
Amanda: As linhas de guitarra preguiçosas/nervosas e vocal largado-chapado de Thalia Zedek me arrebataram nos anos 2000, época que descobri a banda. Inebriante essa canção. Tem um som inédito “El Topo”, que foi bem influenciado por essa fase, lembro que estava viciada no disco “Near Life Experience” quando compus.

Ramones“53rd e 3rd”
Amanda: Os Ramones construíram toda a minha base para fazer música. Eu pensava, também posso criar, caramba! Esse som é um deles, um épico punk e tem todo o contexto junkie psicótico do Dee Dee. Eu sempre racho o bico na última estrofe porque é absurda e lembro que não podemos nos levar a sério o tempo todo com nossas letras. Bom, tomara que ele não tenha puxado a navalha de fato, né. “Gonzo Truth”, que é uma canção relativamente calma nossa, tem uma batida da bateria em “slow motion” inspirada nesse som, por exemplo.

Wipers“Soul’s Tongue”
Amanda: Esse som me leva para passear por dunas sonoras da alma e me inspira em vários momentos, Greg Sage é uma escola foda. Tem umas linhas de som instrumental livres que faço pra me soltar e que formam sons depois que vem dessa linguagem, bom, pelo menos eu tento e vou continuar tentando! (risos)

Patti Smith“Wings”
Amanda: O que falar dessa mulher e da sua importância na nossa (r)existência musical/ artística como como ser humana? She is a benediction. Obrigada pelas asas & baladas, Patti ❤

Mercenárias“Imagem”
Amanda: Esse som é fantástico e ímpar, gosto muito do tom da voz da Rosália. Aos poucos começo a cantar uns trechos dos sons em português, e Mercenárias me “ajudam” nessa transição. Sempre escuto pra dar um gás no pt/br e lembrar das origens também (risos)!

Durutti Column“Sketch for a Dawn I”
Amanda: Esses dias coloquei pra Duda (nova batera) escutar, e ela falou: “É daí que vem os graves que vc sempre pede”! Os tum-dum-dum dos tons, sempre marcantes na hora de construir as minhas baterias mentais…(risos). Na real, o álbum “LC” do Durutti Column é o meu preferido de todos os tempos. Me pega de um jeito atemporal, adoro a “fragilidade” tão intensa dos sons desse magrinho querido.

The Index“Israeli Blue”
Amanda: Quando decidi assumir o violão folk e esboçava formar a La Burca, vinha escutando incessantemente essa banda psych-garageira. Puta som visceralzão, só lançaram 2 discos no final dos 60´s. Me apaixonei por eles e sempre retorno pra me revigorar no violão, embora o som deles seja com guitarra. Mas faço essa conexão sempre entre Index e violão.

Hazel“Day Glo”
Amanda: Som que me abraça e faz eu voltar no tempo de descobertas sonoras: melódico, pungente e grunge. Puta-que-o-pariu, que trio, ou melhor, que quarteto com o louco dançarino! As linhas de vocal intercaladas entre a baita batera Jody e do guitarrista Pete são fodas demais pro meu coração, muita criação grungística veio daí. Banda muito querida na minha vida.

Dead Moon“Clouds of Dawn”
Amanda: Essas bandas de Portland, vou falar, viu (Wipers e Hazel too)! Passava horas nas tardes distraídas e descompromissadas de minha adolescência ouvindo esse trio maravilhoso! Vi eles no doc “Hype” e chapei no som meio garageiro tosco bem tocado. Gosto muito dos vocais do casal, é muito emocionante. Esse som me acompanha há muito tempo e não abro mão.

The Slits“Dub Beat”
Jiulian Regine: O que me agrada na pesquisa rítmica de Palmolive é a experimentação dentro do gênero post-punk, a cada disco percebe-se fisicamente a liberdade de investigação, rompendo todas as limitações e queimando todas as bandeiras com gosto e bruxaria.

Autolux – “Listen To The Order”
Jiulian Regine: Os grooves de Carla Azar são verdadeiras fontes de inspiração e pegada, muita dinâmica, notas fantasmas e muita precisão. Escuto sempre com a alma toda, com segurança e alegria nas composições dela.

Babes In Toyland – “Hello”
Jiulian Regine: Lori Barbero trás uma pegada que é muito natural pra mim, tanto nos timbres quanto no estilo, que é um flerte ao metal.

Blood Mary Una Chica Band“Take Me”
Jiulian Regine: A Mari me trás uma mistura de influências que vem do blues ao garage fuzz, se decupar o trabalho dela você encontra muita influência que se atravessa e resulta sempre em trabalhos fantásticos. Absorvo sempre a riqueza da simplicidade do que é possível fazer para acompanhar um beat predominante que é o da guitarra, ou violão, no caso da La Burca. E não confunda simplicidade com facilidade!

Deap Vally“Baby Can I Hell”
Jiulian Regine: Julie Edwards me faz investigar a postura corporal, acima de tudo. Uma potência performática!

The Coathangers“Hurricane”
Jiulian Regine: Essa música me faz pensar no timbre, com cadência rápida e suja sem perder a nitidez, chimbal aberto no groove todo com dinâmica sucinta. Tenho a impressão de que Rusty adoraria conhecer La Burca (risos).

Carangi“Seven”
Jiulian Regine: A Carol Doro é um orgulho, além de ser aquariana do mesmo dia que eu (risos) temos muito em comum, incluindo nosso amor pelos batuques. Gosto de como ela soa na bateria, com essa pegada de grunge delicioso que ela trouxe para o Carangi, com essa banda eu fecho os olhos e mergulho nas cores dos timbres dos pratos que ela tanto escolhe com atenção. Em todos os níveis a La Burca me proporciona investigar esses timbres mais abertos de pratos e chimbal, com a caixa mais seca e precisa. A relação é direta.

Sleater-Kinney“Steep Air”
Jiulian Regine: Bom, a Janet me faz querer rudimentos e mais rudimentos, amo a forma como ela traz as viradas pra dentro dos grooves, não só como delimitação das partes mas como composição das frases.

Lava Divers“Done”
Jiulian Regine: A Zump me encanta, quando você a vê tocando você sente todo o amor e toda a forma de expressão através da bateria, eu costumo fechar os olhos e viajar.

Hangovers“V de Vinagre”
Jiulian Regine: Ai ai, Liege. Determinação (se for pra definir e olha que definições não me convém). Pegada forte, dança de bumbos, sempre atenta aos timbres. Poderosa!

The Darts, o supergrupo do underground que aposta no Do It Yourself em seu estado mais puro

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The Darts

The Darts é uma banda de garage-psych-rock formada por Nicole Laurenne (The Love Me Nots, Motobunny, Zero Zero), Rikki Styxx (The Two Tens, The Dollyrots, Thee Outta Sites), Christina Nunez (The Love Me Nots, Casual Encounters, The Madcaps) e Michelle Balderrama (Brainspoon) que desde o ano passado está detonando com seu som único e barulhento. Depois de assistirem às bandas umas das outras por anos, Nicole e Michelle perceberam que seria ótimo começarem a compor juntas. Com seis músicas na bagagem, chamaram Rikki e Christina e os resultados podem ser conferidos no primeiro EP da banda, cheios de garage rock com o fuzz ligado no máximo e o órgão farfisa dando o tom, sempre com a bateria animalesca acompanhando.

Os singles que saíram deste trabalho, “Running Through Your Lies”, “Revolution” e “Take What I Need”, começaram a tocar bastante nas rádios americanas, com a última sendo nomeada “Coolest Song In The World” pela rádio Sirius e um veredito de “very cool” em um tweet do grande autor Stephen King. Agora parte do cast da Dirty Water Records de Londres, o quarteto prepara seu primeiro álbum, que deve sair ainda este ano, com turnê já agendada pelos Estados Unidos e Europa.

Conversei com Michelle sobre a carreira da banda, a influência dos outros trabalhos no som do quarteto, suas influências e a cena independente atual:

– Como a banda começou?

Somos grandes fãs das habilidades musicais umas das outras faz anos. Um dia nós apenas decidimos: ‘hey, vamos escrever algumas músicas juntos, gravá-las e cair na estrada!’ Imediatamente houve uma grande química musical entre nós quatro e isso só tem crescido desde então.

– Como vocês decidiram pelo nome The Darts?

Estávamos à procura de algo que só as meninas estão acostumadas a ouvir sobre, ou lidar com, que não fosse muito repugnante ou inapropriado, é claro… Aí percebemos que apenas as meninas têm as costuras do busto em suas camisas, que são chamadas de “darts” nos Estados Unidos. Parecia um bom jogo de palavras.

– Quais são suas principais influências musicais?

Tem tantas influências nesta banda! Mas apenas para citar algumas: Thee Tsunamis, Ty Segall, Wavves, The Trashwomen, Bleached, The Cramps, Billy Childish, The Headcoatees, Nick Cave, The Stooges, The Chesterfield Kings, The Ventures, Q65

– A banda é como um supergrupo do underground, com membros de bandas incríveis como The Two Tens, The Love Me Nots e Brainspoon. Como suas bandas refletem sobre o som do The Darts?

Essa é uma excelente pergunta! Nossas outras bandas estabeleceram uma base sólida para o som do The Darts. Na verdade, várias das músicas de nossos dois primeiros EPs foram faixas que escrevemos para nossas outras bandas ao mesmo tempo, mas nunca foram usadas. Então você definitivamente tem um gosto dos sons de nossas outras bandas combinadas em um único disco – o que nós achamos muito legal.

The Darts

– Conta mais sobre o primeiro álbum da banda.

Bem, o nosso primeiro EP de seis canções quase aconteceu por acidente, quase como uma gravidez inesperada (risos)… Mas muito melhor do que isso! Começou com Nicole e eu escrevendo algumas músicas juntas, “Revolution” e “Running Through Your Lies”, e então nós duas criamos mais músicas nos próximos meses porque estava tudo indo muito bem. Enviamos as demos para a banda para que todas gravassem suas partes (em duas cidades diferentes, nunca todas na mesma sala). O que conseguimos foi um EP de seis músicas, chamado de ‘The Darts”. Recebemos uma tonelada de atenção inesperada de lugares realmente legais, como o rádio Sirius XM e a Dirty Water Records.

– Como você descreveria a cena independente do rock hoje em dia?

Bem, nos últimos 20 anos, a tecnologia mudou imensamente o negócio da música, eu descreveria a cena rock independente com um tipo de abordagem “vai lá e faça sozinho”. E você agora realmente tem a liberdade de gravar um registro completamente em seu próprio país, se gerenciar e pegar a estrada, sem qualquer outra pessoa precisando se intrometer ou aprovar. É muito punk rock! Nós amamos isso. Descobrimos tantas bandas e pessoas e ideias em nossas carreiras musicais por causa de todos os DIY-ers por aí. Não queremos isso de nenhuma outra maneira.

The Darts

– Vocês são uma banda de garotas. O sexismo ainda está forte no mundo musical? Isso atrapalha para que mais mulheres formem bandas?

Eu diria que ser um bom músico tocando rock’n’roll é uma abordagem de marketing mais forte hoje em dia do que ser um homem, embora eu nunca tenha categorizado músicos por gênero. Mas para aqueles que o fazem, The Darts não são portadoras dos típicos estereótipos da música pop feminina. Nosso som não é o que o público espera ouvir quando vê as quatro entrarem no palco de vestidos e batom. Nós amamos apenas ser quem somos, e trazendo um pouco de mistério – para que as pessoas não sejam capazes de prever o que vem de nós.

– Vocês estão trabalhando em material novo?

Sim, estamos sempre trabalhando em material novo! Na verdade nós acabamos de gravar seis novas músicas para o nosso novo álbum e vamos gravar mais seis no início de maio! Definitivamente muito material quente chegando! Nicole e eu estamos constantemente escrevendo, é uma doença. Estamos sempre olhando para o próximo projeto.

– Quais são os próximos passos da banda?

Somos abelhas ocupadas! Além de gravar outro disco completo que estamos criando nesta primavera, temos um novo lançamento oficial de clipe e uma turnê européia começando no final de maio, seguido por mais viagens pelos EUA no verão e outono com algumas grandes bandas. Estamos esperando ter o novo álbum lançado pela Dirty Water Records em setembro. Gostaríamos de chegar ao Japão de alguma forma, mas ainda não sei como, ainda. Está vindo, entretanto!

– Recomendem bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente!

Playboy Manbaby, Mean Motor Scooter, White Hills, Death Valley Girls, Shovel, Escobar, Wand, Holy Wave, Temples, Weird Omen, Electric Children, The Two Tens, The Dollyrots, Fu Manchu, Fat White Family e The Sold And Bones.

20 dos melhores projetos paralelos de membros de bandas que você conhece muito bem

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Tinted Windows

É normal ver músicos de grandes bandas fazerem diversos projetos paralelos. Seja para fazer um som diferente, dar um tempo na banda principal ou mesmo um jeito menos brusco de sair da banda, estes projetos são muito comuns e muitos são ótimos. Existem inclusive os que ganham grande exposição e estouram, como é o exemplo do Gorillaz, que começou como projeto paralelo de Damon Albarn, do Blur, e até hoje está lançando discos e aparecendo no topo das paradas. Conheça 20 projetos paralelos que são muito bons e, para muitos, até superam o trabalho “oficial” dos artistas envolvidos neles:

Kleiderman

Kleiderman

Com Sérgio Britto no vocal e guitarra e Branco Mello no baixo e vocal, o projeto paralelo dos membros dos Titãs contava com Roberta Parisi na bateria e tinha um som mais cru e puxado para o grunge, algo que o octeto de São Paulo havia feito nos discos “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” e “Titanomaquia”. Lançado em 1994, o disco “Con El Mundo A Mis Pies” foi bem recebido e chegou a ter o clipe de “Não Quero Mudar” exibido na Mtv Brasil e o trio se apresentou em um dos festivais independentes mais importantes historicamente na época, o Juntatribo. Infelizmente, até hoje não tivemos uma reunião do Kleiderman. Que tal, hein, Sérgio e Branco?

Nailbomb

Nailbomb

Nailbomb foi um projeto paralelo breve de Max Cavalera, na época no Sepultura, e Alex Newport, do Fudge Tunnel. O som da banda misturava a porradaria de sempre que Max fazia com elementos eletrônicos e samples. Igor Cavalera e Andreas Kisser foram os responsáveis pela bateria e guitarra da banda em seu primeiro (e único) álbum de estúdio, Point Blank”, lançado pela Roadrunner Records em 1994. O disco contou com participações especiais dos guitarristas Dino Cazares, do Fear Factory e Ritchie Bujnowski, do Wicked Death.

Tinted Windows

Tinted Windows

Uma superbanda com integrantes que ninguém imaginaria juntos: no baixo, Adam Schlesinger, do Fountains of Wayne, na guitarra James Iha, ex-Smashing Pumpkins, Bun E. Carlos do Cheap Trick na bateria e Taylor Hanson, o vocalista do trio Hanson! Em 2009, eles lançaram seu disco auto-intitulado, com canções power pop com pitadas de rock alternativo. Desde seu último show, em 2010, não se ouviu mais do quarteto estrelado.

Mondo Cane

Mondo Cane

Olha, se eu fosse falar de todos os projetos do Mike Patton esse post seria só dele, falando de coisas como o Tomahawk, Lovage, Fantomas e tantos outros. Mas escolhi um dos que eu mais curti e é inusitado demais: no Mondo Cane, Patton canta clássicos do pop italiano dos anos 50 e 60 acompanhado por uma orquestra. Claro, com aquela voz incrível que só ele tem. O disco de 2010 é impecável e esse projeto tocou por aqui no Rock In Rio em 2011, acompanhado pela Orquestra Jovem de Heliópolis.

Thunderbitch

Thunderbitch

Brittany Howard, vocalista e guitarrista do Alabama Shakes, faz no Thunderbitch um rock cru e rascante que foge um pouco do que cria em sua banda original. O disfarce, com peruca lisa e maquiagem exagerada, ajuda a deixá-la mais “incógnita”. O primeiro disco da banda saiu em 2015 e conta com a participação de amigos dela de Nashville, como membros das bandas Fly Golden Eagle e Clear Plastic Masks.

Them Crooked Vultures

Them Crooked Vultures

Mais uma superbanda de um cara que adora fazer projetos paralelos: Dave Grohl. O Them Crooked Vultures é o power trio dos powers trios, unindo ele em seu instrumento preferido, a bateria, com John Paul Jones, do Led Zeppelin, no baixo, e Josh Homme, líder do Queens Of The Stone Age, na guitarra e vocais. O som é uma mistura das bandas dos integrantes, puxando um pouco mais para o stoner rock em 90% do tempo em seu primeiro e único disco, de 2009.

Taylor Hawkins and The Coattail Riders

Taylor Hawkins and The Coattail Riders

O Foo Fighters é formado por pessoas muito talentosas e cheias de projetos paralelos, não tem jeito. O baterista Taylor Hawkins recentemente lançou seu segundo projeto paralelo, The Birds of Satan, mas eu tenho um carinho especial pelo Taylor Hawkins and the Coattail Riders, onde ele faz um som mais puxado para o Rush. Confira no disco de 2004, vale a pena!

Lieutenant

Lieutenant

Tá, juro que esse é o último projeto de integrante dos Foo Fighters dessa lista. Desta vez é obra do baixista Nate Mendel, que lançou em 2015 o disco If I Kill This Thing We’re All Going To Eat For a Week”. O álbum tem muita influência de college rock e do rock anternativo do final dos anos 80 e vale muito a pena ouvir.

Fat Les

Fat Les

O projeto do baixista do Blur Alex James conta com o ator Keith Allen e o artista Damien Hirst, além dos vocais convidados de Lily Allen, Andy Kane, Lisa Moorish e Michael Barrymore. O primeiro som deles, “Vindaloo”, foi criado como hino não oficial da Copa de 1998 e ganhou um clipe parodiando “Bittersweet Symphony”, do The Verve. Em 2000 veio “Jerusalem”, música para o time da Inglaterra na Euro 2000. Em 2012 mudaram o nome para Fit Les e gravaram “The Official Fit Les Olympic Anthem”, para as Olimpíadas. A banda não chegou a gravar um disco, somente singles.

The Creatures

The Creatures

O projeto paralelo de Siouxie e Budgie lançou diversos discos: “Feast” (1983), “Boomerang” (1990), “Anima Animus” (1999) e “Hái!” (2004). O som foi variando de disco em disco, com algo mais exótico no primeiro, uma curva mais espanhola, com toques de flamenco, no segundo, um tom mais urbano no terceiro… Sempre fugindo um pouco do que era feito na banda oficial, Siouxie and the Bansheees.

Banks & Steelz

Banks and Steelz

A improvável colaboração de Paul Banks (do Interpol) com RZA (do Wu Tang Clan) fez um dos melhores discos de 2016, “Anything But Words”. O som é uma mistura do som indie obscuro do Interpol com o hip hop de RZA, e é meio inexplicável o quanto essa união dá certo. Só ouvindo, mesmo.

The Fireman

The Fireman

Paul McCartney não é um cara que consegue ficar parado. Em 1990 ele se juntou com o músico e produtor Youth e e eles criaram The Fireman, que une rock com música eletrônica e lançou três discos: “Strawberries Oceans Ships Forest” (1993), “Rushes” (1998) e “Electric Arguments” (2008).

+44

Na primeira vez que Tom Delonge resolveu brigar com os membros do Blink-182 e sair para criar suas músicas cheias de efeitos a la U2, Mark Hoppus e Travis Barker se uniram com os guitarristas Shane Gallagher (The Nervous Return) e Craig Fairbaugh (Mercy Killers) e formaram o +44. Seu disco, apesar de ter suas similaridades com o Blink, tem mais camadas e elementos eletrônicos, além de temas mais soturnos.

The Network

The Network

Ao mesmo tempo em que preparava o sucesso “American Idiot”, o Green Day colocou máscaras, se uniu com um pessoal do Devo e lançaram incógnitos o projeto The Network. O disco “Money Money 2020” é, para muitos, um dos melhores trabalhos do trio de Billie Joe Armstrong. Ah, até hoje eles nunca se revelaram como o Green Day disfarçado, mas a voz e a movimentação dos membros não deixa dúvidas.

Little Joy

Little Joy

A combinação de Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Binky Shapiro e Fabrizio Moretti (Strokes) não lembra em nada as bandas de origem de seus integrantes, com um som “praiano” que pode ser conferido no único álbum do trio, de 2008. “Brand New Start” chegou a virar um hit e até em comercial entrou.

Ataxia

Ataxia

Uma das muitas colaborações dos super amigos e guitarristas do Red Hot Chili Peppers John Frusciante e Josh Klinghoffer é o Ataxia, que também conta em sua formação com Joe Lally, do Fugazi. A banda escreveu e gravou diversas músicas no período de duas semanas, e elas foram lançadas divididas em dois álbuns: “Automatic Writing” (2004) and “AW II” (2007). O som passeia entre o art rock, o experimental, a psicodelia e o pós-punk.

ZWAN

ZWAN

Billy Corgan é conhecido pela genialidade e pelos chiliques com todas bandas que tem. Durante o período de “fim” do Smashing Pumpkins, ele formou o Zwan, que nada mais era que uma versão da Terra 2 da banda, inclusive com uma baixista mulher e um guitarrista asiático. A banda foi formada por membros de bandas como  Slint, Tortoise, Chavez, e A Perfect Circle e lançou um disco: “Mary Star of The Sea”.

Blakroc

Blakroc

Mais uma mistura inusitada que dá bastante certo: o duo The Black Keys com vários rappers. Vamos ao elenco: Mos Def, Nicole Wray, Pharoahe Monch, Ludacris, Billy Danze do M.O.P., Q-Tip do A Tribe Called Quest, Jim Jones e NOE do ByrdGang, Raekwon, RZA e Ol’ Dirty Bastard, do Wu-Tang Clan. Preciso falar mais? Ouça.

3 na Massa

3 na Massa

O 3 na Massa é um projeto que reúne Dengue e Pupillo, da Nação Zumbi, e Rica Amabis, do Instituto. O disco “Na Confraria das Sedutoras” foi criado com diversas participações femininas nos vocais, como Leandra Leal, Thalma de Freitas, Céu, Pitty, Nina Becker, Cyz, Alice Braga e muitas outras.

The Frustrators

The Frustrators

Se você tem saudades do Green Day em seus dias mais punk, ouça o projeto Pinhead Gunpowder, de Billie Joe Armstrong, e The Frustrators, de Mike Dirnt. O Frustrators puxa mais para o lado Descendents da força, com um punk rock divertido e rápido.