Bike conduz o público para um ambiente místico em show no Teatro Sérgio Cardoso

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Já no ônibus, não tinha percebido, mas meu ponto tinha passado. Desci no próximo e, segundo o Google Maps, agora estava a 17 minutos do local. Decidi seguir a pé. Não tinha vindo até o bairro Bela Vista ainda. No caminho para o Teatro Sérgio Cardoso — local onde o show do Bike estava marcado para começar às 22h –, um gari passa correndo atrás do caminhão de lixo. Para ele, é só mais um dia corriqueiro de trabalho. A rua é uma incessante sinfonia ensurdecedora de buzinas de carros, trânsito e pessoas no seu fluxo alvoroçado. Essa cidade é um caos, pensei. SP ainda vai nos matar de prazer ou de frustração.

Passava das 22h15  de uma quarta-feira (27/10), quando no mezanino do teatro, os integrantes estavam a postos com seus instrumentos. Julito Cavalcante (guitarra e voz) dá boa noite aos presentes e anuncia “Enigma do Dente Falso” pertencente ao primeiro disco da banda “1943” (2015). O show começa com uma música mais lenta e carregada de psicodelia. Ecoam os backing vocais com reverb da voz de Diego Xavier (guitarra). A caixa de Daniel Fumegaladrao (bateria) soa forte como uma marreta e dita o ritmo dos demais instrumentos.

Após o primeiro som e sem tempo para respiro, a banda toca a introdução de “Do Caos ao Cosmos” numa linha dançante bem parecida com Tame Impala. Um público pequeno de mais ou menos 20 pessoas observa atento a dinâmica de ritmo oscilante do grupo. No momento clímax do som, a banda explode numa notável presença de palco, a música passa por uma metamorfose do compasso lento para o acelerado. Sem pausa, o Bike emenda para “7 Flechas e o Rei Lagarto”. A voz de Julito está baixa, o que atrapalha na percepção das letras em determinados instantes. Mas de resto, o som está bem regulado. A bridge agitada da canção mistura-se às luzes coloridas do palco. Psicodelia pura.

Em “Alucinações e Viagens Astrais” a linha do baixo pesado de João Felipe (baixo) se sobressai — aliás, o Bike tem uma bela cozinha entrosada, por assim dizer. Vozes reverberam e revelam uma nítida influência de Thom Yorke (Radiohead). Destaque para um riff de guitarra nostálgico no final da música. Bike não deixou de fora do repertório “A Divina Máquina Voadora”, música na qual eles lançaram recentemente um videoclipe com imagens da tour realizada este ano na Europa. O guitarrista Diego Xavier editou e finalizou o clipe. Falando em tour na gringa, depois de Boogarins, o Bike também está ganhando cada vez mais espaço no panorama de bandas nacionais psicodélicas, ao lado de uma ótima safra que inclui: Gluetrip, Supercordas, O Terno, My Magical Glowing Lens Cidadão Instigado.

Bike no Teatro Sérgio Cardoso. Foto: Fernanda Carrilho Gamarano

Somos transportados para um ambiente místico (quase espiritual) quando o quarteto toca “A Montanha Sagrada“. Essa música assemelha-se com as brisas indianas de George Harrison (guitarrista dos Beatles), é como se estivéssemos em uma aula de yôga psicodélico. Duas vozes cantam, simultaneamente, um refrão que fica cravado na mente: “Subi a montanha para ficar mais perto do céu”. Luzes piscam enquanto um solo de guitarra repetitivo acelera de forma crescente. O caos de São Paulo — citado no início –, é representado no desfecho barulhento da música. As bandas de jazz que adoram improvisar que o diga.

Julito agradece a presença do público, informa que o show está chegando ao fim e comenta a respeito do último disco “Em Busca da Viagem Eterna”, divulgado esse ano pela banda por meio da turnê que leva o mesmo nome. “Terra Em Chamas” encerra a noite de quarta-feira em meio a knobs e feedback dos pedais de efeito de guitarra. Uma brisa com um clima Pink Floyd ressoa nos amplificadores. O público, apesar de pequeno, grita e aplaude com fervor a banda.

A música tem o poder de trazer reflexão e pensamento crítico. Vai além do entretenimento. Quando consumimos arte, estamos à procura de algo. E, nessa noite singular, o Bike nos guiou livremente em busca da viagem eterna.

Confira mais fotos do show pelas lentes da fotógrafa Fernanda Carrilho Gamarano:

Bike
foto por Fernanda Carrilho Gamarano

Do emo ao shoegaze, segundo EP do Eliminadorzinho, “Aniquiladorzinho”, é um resgate de influências perdidas

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Muitas vezes sinto falta de músicas que falem comigo de maneira genuína, que não falem sobre uma realidade colorida distópica ou sobre positividades inalcançáveis. Sinto falta do que eu sentia quando descobri Violins e Ludovic na adolescência, que em bom português, traduziam tudo o que eu sentia mais do que muitas bandas gringas de post-hardcore, shoegaze e punk da época. O Eliminadorzinho foi uma das bandas mais sinceras que descobri de uns tempos pra cá, junto com outras do tal “rock triste”, um alívio para quem se sente perdido em meio a tanta obrigação de ser feliz o tempo todo. Ontem a banda lançou o segundo EP, Aniquiladorzinho”, corri para escutar e foi incrível ver um material tão intenso.

A faixa de abertura “Você Acha” não deixa dúvidas da forte influência de Ludovic, que vai desde o instrumental até a lírica. Chega a ser quase uma homenagem à banda que, pelo menos para mim, é uma das mais significativas do cenário nacional. Ludovic provavelmente deve sentir orgulho ao ver os frutos que deixou crescer em bandas como Eliminadorzinho. A mesma influência continua em “Borrão”, que também bebe do pós-punk, lembrando as canções dessa fase de Inocentes e Cólera em alguns momentos.

“Desculpa, parte 2” traz memória ao emo cru e verdadeiro, sem vergonha de se assumir como tal. Essa faixa é um marco no EP que mostra influências do Eliminadorzinho que vão além do shoegaze já mostrado no EP anterior, referências que lembram Mineral, Cap´n Jazz, Sunny Real Estate, tudo direto da fonte dos anos 90. Depois do termo “emo” ter se tornado um palavrão, é bom ver bandas que resgatam essa essência com coragem para mostrar que isso faz parte do que chamamos de “rock triste” sim. Sem meios-termos. Esse resgate de referências perdidas por muitos foi o ponto alto de Aniquiladorzinho.

“Fora de Ar” é dessas músicas que dá vontade de escutar dentro de casa, no quarto, com alguns comprimidos e álcool do lado. Também dá vontade de mandar pra alguém, confesso que eu mesma quase mandei. As palavras intensas seguidas de um instrumental contínuo e denso fazem dessa música uma experiência incrível para quem se propõe a ouvir com o coração aberto.

A conexão entre instrumental e lírica em Aniquiladorzinho é muito coerente e complementar, as composições feitas de maneira simples, sem palavras muito rebuscadas mas com muita intensidade trazem sinceridade para cada música, dá pra sentir cada palavra, dá para processar e digerir.
Como já mencionado, o shoegaze ainda é muito presente, impossível não pensar em Pinback e Slowdive em vários momentos e como a própria banda diz, a influência de Dinosaur Jr também é perceptível.

Terminei de escutar o EP com vontade de ouvir mais. Espero que o mar de boas referências que Aniquiladorzinho trouxe de forma corajosa e contra a maré de quase tudo que vemos por aí, inspire muitas bandas e artistas a seguir falando de sentimentos, conflitos, tristeza e tudo que ainda pode soar incômodo.

O EP foi mixado e masterizado por Rubens Adati, no Inhamestúdio.

Voz, violão e guitarra: Gabriel Eliott Garcia
Baixo e vocal de apoio: João Pedro Haddad
Bateria e vocal de apoio: Tiago Schützer

Anoquiladorzinho está totalmente disponível nas plataformas virtuais da banda e no Spotify:

 

 

Exposição “Renato Russo” presenteia e emociona com a história do ídolo da música nacional

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“Renato Russo” presta homenagem a um dos maiores ícones da música brasileira e é a quarta exposição idealizada e concebida totalmente pelo MIS – Museu da Imagem e do Som. A mostra conta com curadoria de André Sturm – ex-diretor do MIS – e direção de arte do Ateliê Marko Brajovic. Giuliano Manfredini, único filho do artista, concedeu ao MIS total acesso ao apartamento de Renato Russo confiando à equipe do museu sua catalogação, conservação e adaptação para a exposição.


A exposição totaliza mais de 1000 itens e ocupa dois andares do MIS. Ao entrar, subimos uma escada decorada com imagens de diversos artistas que serviram de inspiração para o Renato. Seguindo uma ordem cronológica, primeiro descobrimos um pouco sobre o menino Renato Manfredini Júnior, seus trabalhos e boletins escolares, esse sempre com ótimas notas registradas pelos professores. Interessante observar que desde pequeno ele teve o hábito de registrar suas tarefas e atividades, com certeza isso auxiliou para a realização dessa

Em seguida acompanhamos os primeiros passos musicais do já adolescente Renato Russo. Estão presentes os originais das primeiras letras escritas para o repertório da banda Aborto Elétrico e cartazes criados manualmente pelos próprios integrantes.


Chegamos nos espaços reservados à carreira musical com a Legião Urbana. É impossível não se emocionar e visitar a exposição cantarolando os sucessos da banda que servem de trilha sonora nos espaços. Estão presentes anotações sobre as concepções dos discos, letras originais, releases, críticas, instrumentos musicais, quadros de discos de ouro, platina e até diamante, recebidos em homenagem as vendas impressionantes alcançadas pela banda.

Televisores com imagens de arquivo mostram apresentações ao vivo da banda, basta o visitante colocar o fone de ouvido e assistir registros históricos. Um desses momentos é a participação da banda no extinto Programa Livre, atração comandando por Serginho Groisman no SBT na década de 90. Em determinado momento, a plateia do programa pede que a banda interprete a canção “Pais e Filhos”, eles atendem o pedido, mas antes Renato faz um discurso falando sobre como a música é pesada e o deixa num estado muito complicado, porque trata de suicídio e o desgasta emocionalmente. Ele diz que é preciso respeitar o artista, porque no caso da Legião Urbana, muitas canções são difíceis de serem executadas, pois o abalam demais. Mesmo dizendo que “não lembra a letra dessa música”, Renato interpreta a canção e vemos uma plateia completamente emocionada e cantando com muita intensidade.

Outro momento marcante é conferir um vídeo onde a banda interpreta “Vento no Litoral”. A imagem é projetada em diversos tecidos brancos, com um movimento que remetem literalmente ao vento no litoral. Impossível não se emocionar ao presenciar as imagens e observar a letra composta por Renato Russo em parceria com Dado Villa-Lobos. A carreira solo do cantor e os discos póstumos também ganharam destaque nessa exposição.


Foram recriados dois espaços do apartamento habitado por Renato Russo no Rio de Janeiro, parte de sua sala e seu quarto. Também podemos conferir parte das roupas usadas pelo cantor e do seu imenso acervo de livros e discos. Temos ali a certeza que Renato Russo era um colecionador nato.

Ao subirmos para o segundo andar da exposição, vemos um espaço repleto de cartas recebidas por fãs. Interessante ver a forma como Renato tratava seus fã-clubes. Ele por muitas vezes os recebia em seu próprio apartamento.

A exposição comprova a genialidade, por vezes incompreendida, do cantor Renato Russo. E mostra como suas letras, mesmo após duas décadas do seu falecimento, continuam atuais. Único ponto a reclamar seriam os fones de ouvido dos televisores, alguns não funcionam e assim não temos acesso aos áudios. Duas dicas importantes: às terças a entrada é gratuita, ao visitar a exposição, reserve um bom tempo, eu levei cerca de 3 horas para conferir tudo com atenção aos detalhes. A exposição fica em cartaz até o dia 28 de janeiro de 2018.

Instrumental agressivo e protagonismo feminino formam o primeiro EP do duo cuiabano SixKicks

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A dupla cuiabana SixKicks, formada por Marjorie Jorie e Theo Charbel, lançou ontem seu EP de estreia, “You Should Sing In Portuguese Buy More Pedals And Play Lower”.

O EP traz um instrumental que passeia de forma agressiva pelos anos 90, indo do garage rock ao industrial, como se misturasse Nine Inch Nails, Le Tigre, Sonic Youth e My Bloody Valentine na mesma receita. Inclusive, a faixa Take Time tem acordes que lembram bastante Sonic Youth.

O EP de nome provocativo valoriza a parte instrumental, como fica claro em “Doom”, onde os vocais são deixados de lado para destacar ainda mais os instrumentos executados apenas pelas duas integrantes.

A faixa de abertura, “You Wanna Fuck Me”, é sensual dos os acordes até a letra que fala sobre sexo de maneira nada pudica. Toda a parte lírica do EP, apesar de simples e curta, soa como um reflexo do imaginário das autoras.
Entre guitarras, uma bateria muito bem executada e sintetizadores, “Forrock” homenageia a música tradicional cuiabana até na forma de composição lírica, que segue a mesma fórmula das músicas regionais de Cuiabá.

SixKicks representa muito bem o protagonismo feminino na música, apresentando um material onde mulheres executam desde as composições até a mixagem.

O EP “You Shoud Sing In Portuguese Buy More Pedals And Play Lower” foi lançado pelos selos PWR Records e Fofura Records, gravado no Estúdio Aurora Sounds por Alejandra Luciani e masterizado no Estúdio Us.

Zélia Duncan esbanja carisma em show no SESC São José dos Campos

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Atração constante no circuito de shows no SESC de São Paulo, a cantora Zélia Duncan marcou presença na região do Vale do Paraíba Paulista, precisamente em São José dos Campos, um charmoso município localizado a 94 quilômetros da Capital.

Com o respaldo sempre cuidadoso do SESC, que selecionou o espaço do ginásio para receber o show e assim abrigar a maior quantidade de público, a cantora preparou um set list repleto de sucessos e que contemplou todas as fases de sua carreira. Além disso, houve espaço para versões e homenagens durante o show.
O show teve início pontualmente no horário marcado, característica sempre presente nos eventos organizados pelo SESC, e nos apresentou uma Zélia Duncan radiante, feliz por estar vivendo esse momento e em grande sintonia com seu público.

A abertura, com “Enquanto Penso Nela” do sempre atual Itamar Assumpção, já serviu para apresentar o ritmo que o show seguiria. Sempre interagindo durante os intervalos, a cantora conquistou o público com seus maiores sucessos, como “Alma”, “Sentidos”, “Não Vá Ainda” e “Tudo Sobre Você”.

Zélia também incluiu em seu repertório canções de artistas que fizeram parte da sua vida, e como a própria disse “Quando sinto saudades, eu canto”, após a frase a cantora homenageou a saudosa Cássia Eller, interpretando “O Segundo Sol”. Também tivemos “Quase sem querer”, da Legião Urbana e “Exagerado” de Cazuza, faixa que foi registrada por Zélia em dueto com Frejat.

Seu primeiro grande sucesso, “Catedral”, apontava para o final do show e mostrou a confiança e realização de Zélia Duncan, com postura convicta na frente do palco enquanto os primeiros acordes da canção eram executados pela banda que a acompanhava. Cantada em peso pelo público presente, a canção emocionou diversas pessoas, como sempre ocorre nos shows da cantora.

A abertura do bis teve um número intimista com a cantora, acompanhada do seu violão, cantando “Imorais”. Uma das melhores letras de sua discografia e que cabe perfeitamente para os dias de hoje, com trecho que merece ser destacado: “Mas um dia eu sei a casa cai. E então a moral da história vai estar sempre na glória, de fazermos o que nos satisfaz”.

O encerramento foi no ritmo do reggae, embalado pelo seu hit “Nos Lençóis Desse Reggae”, canção que foi trilha sonora do seriado juvenil “Confissões de Adolescente” e que ainda teve espaço para citações de “Vamos Fugir” de Gilberto Gil e “One Love” de Bob Marley. Missão cumprida, Zélia Duncan presenteou a cidade com um excelente show e que confirmou porque integra o time das maiores cantoras do país.

Set List
1. “Enquanto penso nela”
2. “Boas Razões”
3. “Tua Boca”
4. “Lá vou eu”
5. “Telhados de Paris”
6. “Isso não vai ficar assim”
7. “Carne e osso”
8. “Tudo sobre você”
9. “O tom do amor”
10. “Não vá ainda”
11. “Sentidos”
12. “Vê se me esquece”
13. “No meu país”
14. “Pagu”
15. “Quase sem querer”
16. “O segundo sol”
17. “Catedral”
18. “Alma”

Bis
19. “Imorais”
20. “Enquanto durmo”
21. “Exagerado”
22. “Nos lençóis desse reggae” (citações “Vamos Fugir” e “One Love”)

Créditos fotos: Cris Almeida.

Velha Cortesã anuncia em EP: bem vindos ao “Show do Mundo”

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Velha Cortesã
Velha Cortesã

Lançado no ano de 2016, o EP “O Show do Mundo” da banda gaúcha Velha Cortesã possui cinco faixas de puro rock alternativo e sem medo de expor suas influências musicais e belas composições do dia-a-dia.

Logo de início o disco se apresenta interessante, com a composição “Adelaide”, que usa até um saxofone de participação especial do musico Luís Silva na sua composição instrumental. A sonoridade deste casa muito bem com o som dos outros instrumentos, dando à musica uma harmonia competente. A letra trata de uma moça, creio que apenas um nome referente ao dia a dia de muito brasileiro. Sendo assim se inicia o “show do mundo”.

Logo na faixa seguinte, “Velho Soldado”, a situação muda um pouco e essa segunda música já possui uma personalidade com maior energia e potência, sendo assim, o som se destaca mesmo é nos solos de guitarra, mostrando aí os bons atributos que a banda possui no quesito instrumental. As outras duas faixas do EP, “A Fuga do Gato” e “Nostalgia” possuem a mesma linha das canções anteriores, sendo “Nostalgia” a melhor do álbum inteiro. Dona de uma poesia lindíssima, essa quarta faixa é a composição que realmente se destaca, não só no EP, mas também no cenário como um todo. A faixa “Show do Mundo” encerra o EP com uma harmonia acústica tendo a presença de um violão 12 cordas e mantendo a textura leve do trabalho.

Em “O Show do Mundo” pode-se notar um grande esforço ao buscar relatar essa temática do cotidiano da banda e algumas sonoridades. Creio que este seja um bom EP de estréia, tendo letras marcantes e que relatam o dia-a-dia de universitários e pessoas da sociedade que posso citar claramente serem santa-marienses, a final, a banda é de tal cidade. Um belo registro que conta com assinatura de Leo Mayer na produção, mixagem e masterização do trabalho, um ótimo nome da cena com grandes referencias.

“Vamp, o musical” confirma a boa fase dos musicais no Brasil

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A novela “Vamp”, comédia de terror que marcou toda uma geração nos anos 90 e até hoje é considerada “cult” pela legião de fãs que deixou, foi adaptada para o teatro pela Aventura Entretenimento. Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, o espetáculo musical estreou no dia 15 de setembro, em São Paulo, no Teatro Sergio Cardoso.  Com concepção e direção geral de Jorge Fernando e direção de Diego Morais, que dirigiu ao lado de Jorge a novela “Êta mundo bom”, o espetáculo “Vamp, o musical” tem no elenco os protagonistas do folhetim, Claudia Ohana e Ney Latorraca.

Claudia Ohana renasce como a cantora de rock Natasha, papel mais emblemático de sua carreira, e Ney Latorraca, volta como o Conde Vlad, um dos mais marcantes personagens de sua vitoriosa trajetória, para trazer ao palco a inesquecível dupla de vampiros hilários, cativantes e apavorantes (de mentirinha).

A música-tema é a arrepiante “Noite Preta”, imortalizada pela cantora Vange Leonel e que no musical ganha novos arranjos e a voz de Claudia Ohana. Claudia também assume o vocal do clássico “Sympathy to the Devil”, dos Rolling Stones, como fez na novela, e “Puro Êxtase”. Entre as outras canções, estão “Thriller”, de Michael Jackson, coreografada em uma releitura em que tudo termina em samba. “Gita”, de Raul Seixas, “Felicidade Urgente”, de Elba Ramalho, e “Doce Vampiro”, de Rita Lee, são outros destaques.

 

O grande destaque fica por conta de Ney Latorraca, o ator parece realmente se divertir reencarnando o personagem Conde Vlad e faz isso de uma forma tão leve e divertida que nos deixa ansiosos para suas aparições durante o musical. Em determinado momento solo, o ator se dirige a platéia e faz um show de improviso, sendo sempre ovacionado pelo público.

Os cenários são incríveis. E são muitos. As trocas são perfeitas e tornam o espetáculo muito dinâmico, fazendo com que os dois atos passem rapidamente. Iluminação, banda, figurinos, tudo impecável e que não deixam a desejar para as produções internacionais.

O sucesso da temporada no Rio de Janeiro e o esgotamento dos ingressos para as primeiras sessões da nova temporada em São Paulo, provam que o público brasileiro tomou gosto por musicais. Numa época em que grandes produtoras se concentram em adaptar musicais internacionais, é muito importante ver que alguns ainda acreditam num produto 100% nacional, de fácil entendimento e que merece seguir em turnê pelo país.

Crédito fotos: Divulgação.

Banda Vexame fez jus ao nome em show constrangedor no SESC Pompeia

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Cultuada no início da década de 90, a banda Vexame, liderada por Marisa Orth, lotou o Teatro do SESC Pompeia nos dias 16 e 17 de setembro com o show intitulado “Visita Intima”. Conhecida por misturar repertório considerado brega com números de humor, a banda transformou o palco numa cela prisional, usando uma ótima caracterização através do cenário.

A apresentação e entrada da banda ao palco foram feitas anunciando “os crimes” cometidos por cada integrante/prisioneiro. O humor apresentado no show já demonstrou tom duvidoso logo na apresentação do baixista, acusado de ser um “ejaculador de transporte público”. Difícil ter que aplaudir a entrada de um músico com esse tipo de piada e com tantos casos de abusos no transporte público que são noticiados diariamente.

Musicalmente falando, a banda é sensacional, mesmo com o limite vocal de Marisa Orth. Resgatou sucessos já clássicos do seu repertório, como “Pare de Tomar a Pílula” de Odair José, “Ainda Queima a Esperança” da cantora Diana, e incluiu novos hits, como “50 Reais” hit sertanejo interpretado por Naiara Azevedo e em grande circulação por todo o país. O ponto alto do show foi a versão de “Siga Seu Rumo”, com forte apelo teatral e dramático.

O show teria sido ótimo se fosse focado apenas no lado musical, porém o tom de humor apresentado deixou muito a desejar. É inaceitável que em pleno 2017 fazer piadas com minorias seja a plataforma para arrancar algumas risadas constrangidas pela plateia. O baterista Carneiro Sândalo assumiu uma personagem transexual, dita como “confusa” e que deu margem para diversas piadas transfóbicas durante os intervalos das músicas.

O ponto mais vergonhoso foi quando, incentivado por Maralu Menezes, personagem de Marisa Orth, o cantor Carlos Pazetto dirigiu-se a plateia com o intuito de realizar um exorcismo e assim livrar um homem do “homem sexualismo” (termo dito por Marisa). O cantor escolheu um rapaz da plateia, esfregou a cara dele em seu pênis falso e volumoso  e de forma ridícula conduziu a cena. O ilustre “voluntário” se via fortemente constrangido, assim como boa parte da plateia se encontrava perplexa com tal cena.

Depois disso, não tinha mais como defender o humor mantido pela banda desde os anos 90 e que perdeu a oportunidade de se renovar. Durante os números teatrais, a impressão que deu é que fomos transportados para a década de 90, estávamos numa gravação do Sai de Baixo e que a qualquer minuto alguém gritaria “Cala a boca, Magda!” diante das atrocidades ditas pela cantora e seus companheiros de cela/banda.

Crédito fotos: Camila Cetrone.

Entre o Machado de Assis e de Xangô, Baco Exu do Blues marca o rap nacional com “Esú”

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Primeiro álbum de Baco Exu do Blues, Esú

Na última semana viralizou nas timelines de quem nem é habituado a ouvir rap a música “Te amo Disgraça”. Pessoas de vários nichos sociais diferentes estão compartilhando e escutando rap e, dessa vez, não é não é um cantor classe média, não é um rapper diplomático que só conversa com universitários e, principalmente, não é um grupo de brancos falando de futilidades e nem alguém do sudeste. É um negro, nordestino, que fala de forma suja ainda que cante sobre literatura. É o rap sujismundo, como ele mesmo diz em uma das músicas que canta e traduz bem a realidade que o leva a compor.

Baco Exú do Blues é um compositor impecável, está acima de muitos compositores da música de elite e a importância sociocultural de um artista do rap, música de favela, ter esse nível, tem que ser reconhecida. Em tempos onde as composições ficam cada vez mais rasas, com conteúdos que falam de uma realidade que soa distópica, a profundidade vir dos ditos “marginais” é um fenômeno social, é uma revolução.
“Esú”, o primeiro álbum de Baco, é mergulhado em referências da literatura brasileira, com grande ênfase na obra de Jorge Amado. Ele é filho de professora de literatura, o que deixa claro que essa influência não é proveniente de prepotência intelectual alguma, mas da vivência pessoal do autor, além do quê, a própria obra de Jorge Amado, que influenciou muito a construção de “Esú”, é um ode à Bahia e ao Nordeste em sua forma mais nua e crua, com louvores à tudo que é visto de maneira marginalizada pelo sudeste, essa mesma intenção foi refletida em cada detalhe do álbum.

Baco consegue levar o privilégio do conhecimento que tem à todos os públicos. Sem ser pedante e elitizado, ele consegue falar, entre tantas outras coisas, de Almodóvar, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Baden Powell, mitologia grega, negritude, desigualdade social, distúrbios psicológicos e suicídio. Muitas vezes a música e a arte em geral não conversam com todos, principalmente com a periferia, mas a linguagem, a simplicidade e a genuinidade que ele carrega na atitude, leva essas mensagens à lugares onde não existe o debate sobre esses temas. Essa linguagem aparentemente “chula” que Baco adota propositalmente é no mínimo genial e faz parte desse ato. Ela incomoda, ela traz desconforto, principalmente para os ouvidos do sudeste ou de quem não pertence à realidades marginalizadas, parar para refletir sobre os porquês desse incômodo é fundamental para quebrar barreiras de comunicação, é um desaforo aos preconceitos linguísticos. Ela conversa com um público além dos universitários e bem-letrados, ela transmite informação para fora dos nichos sociais de praxe, coisa que muitos artistas, inclusive do rap, pararam de fazer. Esse compartilhamento de informações que quase sempre são restritas à classe média, vai na contramão do comportamento de muitos artistas e pseudo-intelectuais. Hoje vemos pessoas com ciúmes dos seus autores, artistas e bandas favoritos, rindo da cara de quem não tem o mesmo conhecimento musical, com toques de preconceito linguístico, usando de “privilégios intelectuais” para se sobressair socialmente, como se quem não conhecesse milhares de livros ou músicos requintados fossem menores, ignorando o fato de que nem todos têm o mesmo acesso cultural e a mesma realidade social.

Baco sempre criticou todo tipo de segregação sociocultural, estourou ano passado com a música “Sulicídio”, feita em parceria com Diomedes Chinaski, com produção de Mazili e Sly. A diss virou o rap nacional de cabeça pra baixo ao questionar de forma agressiva como o rap nordestino era desvalorizado enquanto o do sudeste era supervalorizado, atacando diretamente os grandes rappers que estavam em evidência. A intenção era mostrar como existem barreiras sociais que impedem a música nordestina de ter o devido reconhecimento e, só um grito escandaloso poderia acordar o país para essa questão. Com “Sulicídio”, o rap do nordeste voltou a ter visibilidade e o questionamento sobre a segregação no hip hop veio à tona, paralelamente, Baco recebeu uma grande notoriedade acompanhada de ameaças, um paradoxo de amor e ódio que o levou à uma depressão, descrita em vários momentos nas faixas de “Esú”. Essa crise ficou clara em En Tu Mira, que foi divulgada em prelúdio para o álbum, ali ele falava das cobranças e conflitos durante o processo criativo e sobre o tão falado “ano lírico” que foi prometido em Poetas no Topo 2, uma provocação às composições rasas que estavam no mainstream do rap nacional. De fato, 2017 trouxe composições mais profundas, protagonizadas por diversos artistas do rap, Baco veio com Esú para coroar de vez esse ano como lírico.

A intro, de cara, traz scratches de KL Jay (Racionais MC´s), participação da Orquestra Afro Brasileira e beat feito por Scooby Mauricio. A criação dos beats das outras músicas do álbum ficou por conta de Nansy Silvvs que ousou em trazer cânticos em Iorubá, maracatu, guitarra baiana e batuques de candomblé. As fotografias do livro “Laróyè”, de Mario Cravo Neto compõem a parte artística, cada imagem traz um significado único às faixas com maestria. Em tempos conservadores e de intolerância religiosa, uma obra que ataca os pilares racistas, religiosos e morais da sociedade desde a arte da capa até os beats, é um ato revolucionário.

Sobre as faixas, vale destacar três:

“Esú”:
Música destaque do álbum. Novos Baianos sendo homenageados no sample, letra impecável repleta de referências e versos de peso:

“Garçom, traz outra dose, por favor, que eu tô entre o Machado de Assis e de Xangô”

“Dance com as musas entre os bosques e vinhedas. Nesse sertão veredas e sentir é um mar profundo, nele me afundo até o fundo, insatisfeito com o tamanho do mundo”

“Capitães de Areia”:
Título que homenageia a maravilhosa obra de Jorge Amado que contesta as diferenças sociais em Salvador. Clara referência musical à Nação Zumbi e ao mangue beat. Essa música mostra que o álbum utiliza em vários pontos a mesma fórmula de “Da Lama Ao Caos” . A letra ataca sem piedade:

“Eu tô brindando e assistindo um homofóbico xenófobo apanhando de um gay nordestino. Eu tô rindo vendo uma mãe solteira espancando o PM que matou seu filho. Me olho no espelho, vejo caos sorrindo”



“Te Amo Disgraça”:
A música mais popular do álbum, acredito que por falar de amor e sexo de uma forma escrachada, sem ser pudico. Fez muito sucesso entre mulheres que, com certeza, estão cansadas de canções que falam de romances perfeitos e triviais. Ninguém quer mais ser a “Minha Namorada” de Vinícius de Moraes, os tabus foram quebrados e os relacionamentos não têm mais a obrigatoriedade do moralismo. A priori, o termo “disgraça” (com essa grafia mesmo) chocou alguns, mas Baco já explicou que esse é um termo comum em sua região. Inserir um termo tão chocante, ao meu ver, é parte da construção lírica e da intenção dessa música.

Louvamos Kendrick Lamar, mas no Brasil temos material à altura. “Esú” é, sem dúvidas, um dos álbuns do ano. Um marco não só no rap nacional mas também na música. Baco Exu do Blues de fato é o karma da cena, criado pela cena pra matar a cena, que precisa morrer para renascer lapidada e sem cabresto social.

O álbum completo está disponível gratuitamente em diversas plataformas virtuais: https://onerpm.lnk.to/BacoExuDoBlues

Sugiro conhecer o álbum através do Youtube, acompanhando as fotografias de Mario Cravo Neto e as letras simultaneamente:

Festival PIB – Produto Instrumental Bruto comemora 10 anos de resistência

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O PIB – Produto Instrumental Bruto é um festival de bandas instrumentais que acontece desde 2007 e visa promover a cultura da música instrumental contemporânea e inovadora em toda a sua diversidade de estilos musicais. Nesses 10 anos, o festival já apresentou 65 shows de 52 novas bandas instrumentais de 14 estados brasileiros e em 2017 completa 10 anos, sempre em busca de um panorama atual da nova música instrumental brasileira. O Festival PIB  desde sua primeira edição trouxe um novo olhar para a música instrumental, fazendo um contraste entre o primitivo e o moderno, o bruto e o lapidado, a natureza e a cultura.

O Festival realizará uma edição comemorativa de 10 anos, que acontecerá no dia 08 de outubro, das 16h as 22h, na Casa das Caldeiras e apresentará os shows das bandas: Amoradia do Som (SP/ SP), E a Terra Nunca me Pareceu tão Distante (SP/SP), Ema Stoned (SP/SP), Mais Valia (Jau / SP) e Rocktrash (Guarulhos / SP). Além dos shows, o festival terá outras atividades ao longo do dia. A exposição deste ano apresentará trabalhos de artistas visuais que também são músicos de bandas da cena: Andre Astro da banda O Grande Ogro apresentará suas fotografias e Yuri Sopa, da banda Kaoll apresenta seu trabalho de ilustrações de lendas brasileiras. Completam o festival: a oficina de percussão em sucata com Loop B e uma feira cultural. Todas as atividades do festival são gratuitas e a censura é livre. Atualmente o festival está em campanha pelo Catarse para arrecadar fundos para realizar esta edição. Apoie: https://www.catarse.me/festival_pib_10_anos_a84d

Desde 2014, a curadoria do projeto é assinada por Inti Queiroz, produtora executiva e criadora do festival e que também participou das curadorias anteriores. Conversamos com ela sobre o festival e o atual momento da produção cultural no Brasil. Confira:

– A música instrumental brasileira sempre teve uma imagem muito tradicional. Como foi criar o Festival Pib e ajudar a desconstruir isso?

Uma das missões quando criamos o Festival era justamente mostrar que existia uma nova música instrumental sendo feita que ia muito além do choro e do jazz brasileiro, ou mesmo do jazz contemporâneo. Em 2006 já existiam algumas bandas deste tipo, então o PIB veio para tentar unir essas bandas que surgiam com essa nova sonoridade. Na primeira edição em 2007, tivemos 45 inscrições de bandas, sendo que metade tinha esse viés novo. Em 2015, tivemos 208 inscrições e 67 bandas com esse novo viés. Nesta edição de 2017, fizemos um mapeamento com sugestões do público. Tivemos mais de 500 sugestões e destas conseguimos extrair 252 bandas com essa nova sonoridade. Isso é um crescimento e tanto. Acho que cooperamos para isso. Não somos contra a música instrumental tradicional longe disso. Mas achamos importante ter esse espaço para essa nova sonoridade. Hoje em dia até os festivais de música instrumental mais tradicional já estão aceitando bandas com essa nova sonoridade. Isso deixa a gente bem feliz. Estamos rompendo a hegemonia.

– Depois de 10 anos recebendo inscrições para a programação, você acha que as bandas evoluíram na forma como apresentam seus trabalhos para esse tipo de curadoria e seleção? Qual o papel da internet nisso?

Sem dúvida a internet ajudou bastante nessa evolução. Em 2007, primeiro ano de festival, ainda estávamos no início do Facebook e de aplicativos de música para bandas independentes. Até 2011 fizemos as inscrições com materiais enviados pelo correio. A partir de 2012 as inscrições eram via internet, ou com formulário ou pelo email. Ficou muito mais fácil e melhor fazer a curadoria e conhecer mais a fundo as bandas. Nem todas as bandas apresentam um material realmente satisfatório. Mas a grande maioria é bastante profissional quanto a isso. Se compararmos a 10 anos atrás fica ainda mais nítida a melhora. Até porque me parece que as bandas puderam conhecer o modelo de divulgação de outras bandas e assim tornar ainda melhor a forma de apresentar seus trabalhos e se divulgar. Com isso ganhamos muito nos materiais recebidos cada vez melhores. Mas a concorrência entre as bandas também aumenta. Pena que a grana é pouca e não dá pra chamar todo mundo pra tocar.

– O Festival Pib está com um projeto de apoio através do Catarse. Quais as dificuldades em se fazer cultura no país? Acha que o financiamento coletivo surge como opção definitiva para suprir uma lacuna criada pelo Estado no setor cultural?

De uns 5 anos para cá ficou bem mais difícil conseguir fazer um festival com apoio público. A primeira edição do PIB em 2007 foi feito via edital do Proac e já tivemos bons patrocínios. Mas isso foi antigamente. Além da concorrência ter aumentado bastante, a verba pública para cultura só tem diminuído. Para quem trabalha com música independente, sem viés comercial é ainda mais difícil. Quando optamos pelo Catarse, pensamos que pelo menos nos ajudaria um pouco. Mas mesmo assim ainda é bem difícil. Raramente as pessoas apoiam. Acaba ficando muito na bolha dos amigos mais próximos. Hoje eu vejo muitas bandas gravando seus CDs via campanhas colaborativas e tem dado certo. Provavelmente esse tipo de campanha seja uma modalidade quase que obrigatória daqui pra frente. Com os cortes no setor da cultura chegando ao patamar quase zero, talvez seja a única alternativa, já que bilheteria não consegue pagar um festival.

– O que podemos esperar para a próxima edição? Alguma mudança com relação as edições anteriores?

Esta é uma edição comemorativa de 10 anos. Será apenas um dia de shows como foi em 2011 e 2014 e tivemos um público bem grande. A grande novidade desta edição é que pela primeira vez teremos uma banda 100% feminina, a Ema Stoned. Era nosso sonho ter uma banda só de mulheres no Festival, afinal o PIB é um festival produzido principalmente por mulheres. Até então nunca tinha aparecido uma com a sonoridade buscada entre as bandas inscritas. Isso pra gente é um presente de 10 anos de batalha! E que surjam outras bandas de mulheres para as próximas edições.