Velha Cortesã anuncia em EP: bem vindos ao “Show do Mundo”

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Velha Cortesã
Velha Cortesã

Lançado no ano de 2016, o EP “O Show do Mundo” da banda gaúcha Velha Cortesã possui cinco faixas de puro rock alternativo e sem medo de expor suas influências musicais e belas composições do dia-a-dia.

Logo de início o disco se apresenta interessante, com a composição “Adelaide”, que usa até um saxofone de participação especial do musico Luís Silva na sua composição instrumental. A sonoridade deste casa muito bem com o som dos outros instrumentos, dando à musica uma harmonia competente. A letra trata de uma moça, creio que apenas um nome referente ao dia a dia de muito brasileiro. Sendo assim se inicia o “show do mundo”.

Logo na faixa seguinte, “Velho Soldado”, a situação muda um pouco e essa segunda música já possui uma personalidade com maior energia e potência, sendo assim, o som se destaca mesmo é nos solos de guitarra, mostrando aí os bons atributos que a banda possui no quesito instrumental. As outras duas faixas do EP, “A Fuga do Gato” e “Nostalgia” possuem a mesma linha das canções anteriores, sendo “Nostalgia” a melhor do álbum inteiro. Dona de uma poesia lindíssima, essa quarta faixa é a composição que realmente se destaca, não só no EP, mas também no cenário como um todo. A faixa “Show do Mundo” encerra o EP com uma harmonia acústica tendo a presença de um violão 12 cordas e mantendo a textura leve do trabalho.

Em “O Show do Mundo” pode-se notar um grande esforço ao buscar relatar essa temática do cotidiano da banda e algumas sonoridades. Creio que este seja um bom EP de estréia, tendo letras marcantes e que relatam o dia-a-dia de universitários e pessoas da sociedade que posso citar claramente serem santa-marienses, a final, a banda é de tal cidade. Um belo registro que conta com assinatura de Leo Mayer na produção, mixagem e masterização do trabalho, um ótimo nome da cena com grandes referencias.

“Vamp, o musical” confirma a boa fase dos musicais no Brasil

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A novela “Vamp”, comédia de terror que marcou toda uma geração nos anos 90 e até hoje é considerada “cult” pela legião de fãs que deixou, foi adaptada para o teatro pela Aventura Entretenimento. Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, o espetáculo musical estreou no dia 15 de setembro, em São Paulo, no Teatro Sergio Cardoso.  Com concepção e direção geral de Jorge Fernando e direção de Diego Morais, que dirigiu ao lado de Jorge a novela “Êta mundo bom”, o espetáculo “Vamp, o musical” tem no elenco os protagonistas do folhetim, Claudia Ohana e Ney Latorraca.

Claudia Ohana renasce como a cantora de rock Natasha, papel mais emblemático de sua carreira, e Ney Latorraca, volta como o Conde Vlad, um dos mais marcantes personagens de sua vitoriosa trajetória, para trazer ao palco a inesquecível dupla de vampiros hilários, cativantes e apavorantes (de mentirinha).

A música-tema é a arrepiante “Noite Preta”, imortalizada pela cantora Vange Leonel e que no musical ganha novos arranjos e a voz de Claudia Ohana. Claudia também assume o vocal do clássico “Sympathy to the Devil”, dos Rolling Stones, como fez na novela, e “Puro Êxtase”. Entre as outras canções, estão “Thriller”, de Michael Jackson, coreografada em uma releitura em que tudo termina em samba. “Gita”, de Raul Seixas, “Felicidade Urgente”, de Elba Ramalho, e “Doce Vampiro”, de Rita Lee, são outros destaques.

 

O grande destaque fica por conta de Ney Latorraca, o ator parece realmente se divertir reencarnando o personagem Conde Vlad e faz isso de uma forma tão leve e divertida que nos deixa ansiosos para suas aparições durante o musical. Em determinado momento solo, o ator se dirige a platéia e faz um show de improviso, sendo sempre ovacionado pelo público.

Os cenários são incríveis. E são muitos. As trocas são perfeitas e tornam o espetáculo muito dinâmico, fazendo com que os dois atos passem rapidamente. Iluminação, banda, figurinos, tudo impecável e que não deixam a desejar para as produções internacionais.

O sucesso da temporada no Rio de Janeiro e o esgotamento dos ingressos para as primeiras sessões da nova temporada em São Paulo, provam que o público brasileiro tomou gosto por musicais. Numa época em que grandes produtoras se concentram em adaptar musicais internacionais, é muito importante ver que alguns ainda acreditam num produto 100% nacional, de fácil entendimento e que merece seguir em turnê pelo país.

Crédito fotos: Divulgação.

Banda Vexame fez jus ao nome em show constrangedor no SESC Pompeia

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Cultuada no início da década de 90, a banda Vexame, liderada por Marisa Orth, lotou o Teatro do SESC Pompeia nos dias 16 e 17 de setembro com o show intitulado “Visita Intima”. Conhecida por misturar repertório considerado brega com números de humor, a banda transformou o palco numa cela prisional, usando uma ótima caracterização através do cenário.

A apresentação e entrada da banda ao palco foram feitas anunciando “os crimes” cometidos por cada integrante/prisioneiro. O humor apresentado no show já demonstrou tom duvidoso logo na apresentação do baixista, acusado de ser um “ejaculador de transporte público”. Difícil ter que aplaudir a entrada de um músico com esse tipo de piada e com tantos casos de abusos no transporte público que são noticiados diariamente.

Musicalmente falando, a banda é sensacional, mesmo com o limite vocal de Marisa Orth. Resgatou sucessos já clássicos do seu repertório, como “Pare de Tomar a Pílula” de Odair José, “Ainda Queima a Esperança” da cantora Diana, e incluiu novos hits, como “50 Reais” hit sertanejo interpretado por Naiara Azevedo e em grande circulação por todo o país. O ponto alto do show foi a versão de “Siga Seu Rumo”, com forte apelo teatral e dramático.

O show teria sido ótimo se fosse focado apenas no lado musical, porém o tom de humor apresentado deixou muito a desejar. É inaceitável que em pleno 2017 fazer piadas com minorias seja a plataforma para arrancar algumas risadas constrangidas pela plateia. O baterista Carneiro Sândalo assumiu uma personagem transexual, dita como “confusa” e que deu margem para diversas piadas transfóbicas durante os intervalos das músicas.

O ponto mais vergonhoso foi quando, incentivado por Maralu Menezes, personagem de Marisa Orth, o cantor Carlos Pazetto dirigiu-se a plateia com o intuito de realizar um exorcismo e assim livrar um homem do “homem sexualismo” (termo dito por Marisa). O cantor escolheu um rapaz da plateia, esfregou a cara dele em seu pênis falso e volumoso  e de forma ridícula conduziu a cena. O ilustre “voluntário” se via fortemente constrangido, assim como boa parte da plateia se encontrava perplexa com tal cena.

Depois disso, não tinha mais como defender o humor mantido pela banda desde os anos 90 e que perdeu a oportunidade de se renovar. Durante os números teatrais, a impressão que deu é que fomos transportados para a década de 90, estávamos numa gravação do Sai de Baixo e que a qualquer minuto alguém gritaria “Cala a boca, Magda!” diante das atrocidades ditas pela cantora e seus companheiros de cela/banda.

Crédito fotos: Camila Cetrone.

Entre o Machado de Assis e de Xangô, Baco Exu do Blues marca o rap nacional com “Esú”

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Primeiro álbum de Baco Exu do Blues, Esú

Na última semana viralizou nas timelines de quem nem é habituado a ouvir rap a música “Te amo Disgraça”. Pessoas de vários nichos sociais diferentes estão compartilhando e escutando rap e, dessa vez, não é não é um cantor classe média, não é um rapper diplomático que só conversa com universitários e, principalmente, não é um grupo de brancos falando de futilidades e nem alguém do sudeste. É um negro, nordestino, que fala de forma suja ainda que cante sobre literatura. É o rap sujismundo, como ele mesmo diz em uma das músicas que canta e traduz bem a realidade que o leva a compor.

Baco Exú do Blues é um compositor impecável, está acima de muitos compositores da música de elite e a importância sociocultural de um artista do rap, música de favela, ter esse nível, tem que ser reconhecida. Em tempos onde as composições ficam cada vez mais rasas, com conteúdos que falam de uma realidade que soa distópica, a profundidade vir dos ditos “marginais” é um fenômeno social, é uma revolução.
“Esú”, o primeiro álbum de Baco, é mergulhado em referências da literatura brasileira, com grande ênfase na obra de Jorge Amado. Ele é filho de professora de literatura, o que deixa claro que essa influência não é proveniente de prepotência intelectual alguma, mas da vivência pessoal do autor, além do quê, a própria obra de Jorge Amado, que influenciou muito a construção de “Esú”, é um ode à Bahia e ao Nordeste em sua forma mais nua e crua, com louvores à tudo que é visto de maneira marginalizada pelo sudeste, essa mesma intenção foi refletida em cada detalhe do álbum.

Baco consegue levar o privilégio do conhecimento que tem à todos os públicos. Sem ser pedante e elitizado, ele consegue falar, entre tantas outras coisas, de Almodóvar, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Baden Powell, mitologia grega, negritude, desigualdade social, distúrbios psicológicos e suicídio. Muitas vezes a música e a arte em geral não conversam com todos, principalmente com a periferia, mas a linguagem, a simplicidade e a genuinidade que ele carrega na atitude, leva essas mensagens à lugares onde não existe o debate sobre esses temas. Essa linguagem aparentemente “chula” que Baco adota propositalmente é no mínimo genial e faz parte desse ato. Ela incomoda, ela traz desconforto, principalmente para os ouvidos do sudeste ou de quem não pertence à realidades marginalizadas, parar para refletir sobre os porquês desse incômodo é fundamental para quebrar barreiras de comunicação, é um desaforo aos preconceitos linguísticos. Ela conversa com um público além dos universitários e bem-letrados, ela transmite informação para fora dos nichos sociais de praxe, coisa que muitos artistas, inclusive do rap, pararam de fazer. Esse compartilhamento de informações que quase sempre são restritas à classe média, vai na contramão do comportamento de muitos artistas e pseudo-intelectuais. Hoje vemos pessoas com ciúmes dos seus autores, artistas e bandas favoritos, rindo da cara de quem não tem o mesmo conhecimento musical, com toques de preconceito linguístico, usando de “privilégios intelectuais” para se sobressair socialmente, como se quem não conhecesse milhares de livros ou músicos requintados fossem menores, ignorando o fato de que nem todos têm o mesmo acesso cultural e a mesma realidade social.

Baco sempre criticou todo tipo de segregação sociocultural, estourou ano passado com a música “Sulicídio”, feita em parceria com Diomedes Chinaski, com produção de Mazili e Sly. A diss virou o rap nacional de cabeça pra baixo ao questionar de forma agressiva como o rap nordestino era desvalorizado enquanto o do sudeste era supervalorizado, atacando diretamente os grandes rappers que estavam em evidência. A intenção era mostrar como existem barreiras sociais que impedem a música nordestina de ter o devido reconhecimento e, só um grito escandaloso poderia acordar o país para essa questão. Com “Sulicídio”, o rap do nordeste voltou a ter visibilidade e o questionamento sobre a segregação no hip hop veio à tona, paralelamente, Baco recebeu uma grande notoriedade acompanhada de ameaças, um paradoxo de amor e ódio que o levou à uma depressão, descrita em vários momentos nas faixas de “Esú”. Essa crise ficou clara em En Tu Mira, que foi divulgada em prelúdio para o álbum, ali ele falava das cobranças e conflitos durante o processo criativo e sobre o tão falado “ano lírico” que foi prometido em Poetas no Topo 2, uma provocação às composições rasas que estavam no mainstream do rap nacional. De fato, 2017 trouxe composições mais profundas, protagonizadas por diversos artistas do rap, Baco veio com Esú para coroar de vez esse ano como lírico.

A intro, de cara, traz scratches de KL Jay (Racionais MC´s), participação da Orquestra Afro Brasileira e beat feito por Scooby Mauricio. A criação dos beats das outras músicas do álbum ficou por conta de Nansy Silvvs que ousou em trazer cânticos em Iorubá, maracatu, guitarra baiana e batuques de candomblé. As fotografias do livro “Laróyè”, de Mario Cravo Neto compõem a parte artística, cada imagem traz um significado único às faixas com maestria. Em tempos conservadores e de intolerância religiosa, uma obra que ataca os pilares racistas, religiosos e morais da sociedade desde a arte da capa até os beats, é um ato revolucionário.

Sobre as faixas, vale destacar três:

“Esú”:
Música destaque do álbum. Novos Baianos sendo homenageados no sample, letra impecável repleta de referências e versos de peso:

“Garçom, traz outra dose, por favor, que eu tô entre o Machado de Assis e de Xangô”

“Dance com as musas entre os bosques e vinhedas. Nesse sertão veredas e sentir é um mar profundo, nele me afundo até o fundo, insatisfeito com o tamanho do mundo”

“Capitães de Areia”:
Título que homenageia a maravilhosa obra de Jorge Amado que contesta as diferenças sociais em Salvador. Clara referência musical à Nação Zumbi e ao mangue beat. Essa música mostra que o álbum utiliza em vários pontos a mesma fórmula de “Da Lama Ao Caos” . A letra ataca sem piedade:

“Eu tô brindando e assistindo um homofóbico xenófobo apanhando de um gay nordestino. Eu tô rindo vendo uma mãe solteira espancando o PM que matou seu filho. Me olho no espelho, vejo caos sorrindo”



“Te Amo Disgraça”:
A música mais popular do álbum, acredito que por falar de amor e sexo de uma forma escrachada, sem ser pudico. Fez muito sucesso entre mulheres que, com certeza, estão cansadas de canções que falam de romances perfeitos e triviais. Ninguém quer mais ser a “Minha Namorada” de Vinícius de Moraes, os tabus foram quebrados e os relacionamentos não têm mais a obrigatoriedade do moralismo. A priori, o termo “disgraça” (com essa grafia mesmo) chocou alguns, mas Baco já explicou que esse é um termo comum em sua região. Inserir um termo tão chocante, ao meu ver, é parte da construção lírica e da intenção dessa música.

Louvamos Kendrick Lamar, mas no Brasil temos material à altura. “Esú” é, sem dúvidas, um dos álbuns do ano. Um marco não só no rap nacional mas também na música. Baco Exu do Blues de fato é o karma da cena, criado pela cena pra matar a cena, que precisa morrer para renascer lapidada e sem cabresto social.

O álbum completo está disponível gratuitamente em diversas plataformas virtuais: https://onerpm.lnk.to/BacoExuDoBlues

Sugiro conhecer o álbum através do Youtube, acompanhando as fotografias de Mario Cravo Neto e as letras simultaneamente:

Festival PIB – Produto Instrumental Bruto comemora 10 anos de resistência

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O PIB – Produto Instrumental Bruto é um festival de bandas instrumentais que acontece desde 2007 e visa promover a cultura da música instrumental contemporânea e inovadora em toda a sua diversidade de estilos musicais. Nesses 10 anos, o festival já apresentou 65 shows de 52 novas bandas instrumentais de 14 estados brasileiros e em 2017 completa 10 anos, sempre em busca de um panorama atual da nova música instrumental brasileira. O Festival PIB  desde sua primeira edição trouxe um novo olhar para a música instrumental, fazendo um contraste entre o primitivo e o moderno, o bruto e o lapidado, a natureza e a cultura.

O Festival realizará uma edição comemorativa de 10 anos, que acontecerá no dia 08 de outubro, das 16h as 22h, na Casa das Caldeiras e apresentará os shows das bandas: Amoradia do Som (SP/ SP), E a Terra Nunca me Pareceu tão Distante (SP/SP), Ema Stoned (SP/SP), Mais Valia (Jau / SP) e Rocktrash (Guarulhos / SP). Além dos shows, o festival terá outras atividades ao longo do dia. A exposição deste ano apresentará trabalhos de artistas visuais que também são músicos de bandas da cena: Andre Astro da banda O Grande Ogro apresentará suas fotografias e Yuri Sopa, da banda Kaoll apresenta seu trabalho de ilustrações de lendas brasileiras. Completam o festival: a oficina de percussão em sucata com Loop B e uma feira cultural. Todas as atividades do festival são gratuitas e a censura é livre. Atualmente o festival está em campanha pelo Catarse para arrecadar fundos para realizar esta edição. Apoie: https://www.catarse.me/festival_pib_10_anos_a84d

Desde 2014, a curadoria do projeto é assinada por Inti Queiroz, produtora executiva e criadora do festival e que também participou das curadorias anteriores. Conversamos com ela sobre o festival e o atual momento da produção cultural no Brasil. Confira:

– A música instrumental brasileira sempre teve uma imagem muito tradicional. Como foi criar o Festival Pib e ajudar a desconstruir isso?

Uma das missões quando criamos o Festival era justamente mostrar que existia uma nova música instrumental sendo feita que ia muito além do choro e do jazz brasileiro, ou mesmo do jazz contemporâneo. Em 2006 já existiam algumas bandas deste tipo, então o PIB veio para tentar unir essas bandas que surgiam com essa nova sonoridade. Na primeira edição em 2007, tivemos 45 inscrições de bandas, sendo que metade tinha esse viés novo. Em 2015, tivemos 208 inscrições e 67 bandas com esse novo viés. Nesta edição de 2017, fizemos um mapeamento com sugestões do público. Tivemos mais de 500 sugestões e destas conseguimos extrair 252 bandas com essa nova sonoridade. Isso é um crescimento e tanto. Acho que cooperamos para isso. Não somos contra a música instrumental tradicional longe disso. Mas achamos importante ter esse espaço para essa nova sonoridade. Hoje em dia até os festivais de música instrumental mais tradicional já estão aceitando bandas com essa nova sonoridade. Isso deixa a gente bem feliz. Estamos rompendo a hegemonia.

– Depois de 10 anos recebendo inscrições para a programação, você acha que as bandas evoluíram na forma como apresentam seus trabalhos para esse tipo de curadoria e seleção? Qual o papel da internet nisso?

Sem dúvida a internet ajudou bastante nessa evolução. Em 2007, primeiro ano de festival, ainda estávamos no início do Facebook e de aplicativos de música para bandas independentes. Até 2011 fizemos as inscrições com materiais enviados pelo correio. A partir de 2012 as inscrições eram via internet, ou com formulário ou pelo email. Ficou muito mais fácil e melhor fazer a curadoria e conhecer mais a fundo as bandas. Nem todas as bandas apresentam um material realmente satisfatório. Mas a grande maioria é bastante profissional quanto a isso. Se compararmos a 10 anos atrás fica ainda mais nítida a melhora. Até porque me parece que as bandas puderam conhecer o modelo de divulgação de outras bandas e assim tornar ainda melhor a forma de apresentar seus trabalhos e se divulgar. Com isso ganhamos muito nos materiais recebidos cada vez melhores. Mas a concorrência entre as bandas também aumenta. Pena que a grana é pouca e não dá pra chamar todo mundo pra tocar.

– O Festival Pib está com um projeto de apoio através do Catarse. Quais as dificuldades em se fazer cultura no país? Acha que o financiamento coletivo surge como opção definitiva para suprir uma lacuna criada pelo Estado no setor cultural?

De uns 5 anos para cá ficou bem mais difícil conseguir fazer um festival com apoio público. A primeira edição do PIB em 2007 foi feito via edital do Proac e já tivemos bons patrocínios. Mas isso foi antigamente. Além da concorrência ter aumentado bastante, a verba pública para cultura só tem diminuído. Para quem trabalha com música independente, sem viés comercial é ainda mais difícil. Quando optamos pelo Catarse, pensamos que pelo menos nos ajudaria um pouco. Mas mesmo assim ainda é bem difícil. Raramente as pessoas apoiam. Acaba ficando muito na bolha dos amigos mais próximos. Hoje eu vejo muitas bandas gravando seus CDs via campanhas colaborativas e tem dado certo. Provavelmente esse tipo de campanha seja uma modalidade quase que obrigatória daqui pra frente. Com os cortes no setor da cultura chegando ao patamar quase zero, talvez seja a única alternativa, já que bilheteria não consegue pagar um festival.

– O que podemos esperar para a próxima edição? Alguma mudança com relação as edições anteriores?

Esta é uma edição comemorativa de 10 anos. Será apenas um dia de shows como foi em 2011 e 2014 e tivemos um público bem grande. A grande novidade desta edição é que pela primeira vez teremos uma banda 100% feminina, a Ema Stoned. Era nosso sonho ter uma banda só de mulheres no Festival, afinal o PIB é um festival produzido principalmente por mulheres. Até então nunca tinha aparecido uma com a sonoridade buscada entre as bandas inscritas. Isso pra gente é um presente de 10 anos de batalha! E que surjam outras bandas de mulheres para as próximas edições.

Cinnamon Tapes inicia caminhada com excelência confessional e crueza sutil

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Cinnamon Tapes

É fato que me alegra muito perceber que os lançamentos que mais gostei em 2017 são de artistas da cena independente, basicamente do mesmo rolê que costumo frequentar, ou seja, pessoas potencialmente próximas, fazendo música pela música, livres. Outra coisa que me chama atenção é que todos esses projetos são liderados por mulheres. Já era tempo de ver isso acontecer.

Não que isso seja algo extremamente inusitado, longe disso, mas não é preciso se esforçar muito para perceber que a predominância do viés masculino nas artes é brutal, a ponto de parecer boicote. Acha exagero? Então tenta contar quantas diretoras de cinema de renome você conhece, ou quantas guitarristas, pintoras, grafiteiras, romancistas… Bem, como tudo nessa vida carece de um meio termo (Aristóteles e Sidarta não podem estar errados), estamos sendo presenteados com um período de gratas mudanças de comportamento, ao menos nesse aspecto de gêneros. E o tema deste texto é um belo exemplo disso.

Fruto de Susan Souza, cantora, guitarrista, violonista e compositora, o Cinnamon Tapes chega até nós como um projeto contundente, bem-acabado e belo. Esta muito claro que em Nabia” (Balaclava Records) cada canção foi pensada, repensada e aprimorada com muito cuidado, até chegar a este resultado incrível.

O lançamento funciona bem considerando cada faixa separadamente, mas também traz requintes de um álbum conceitual. Isso porque Nabia seria uma personagem, uma espécie de alter ego de Susan, que já afirmou que “Ela [Nabia] é um tipo de sereia mística que se permite viver em terra firme e suas vivências são contadas nas músicas”. Sendo assim, tudo que está ali parece ser verdadeiro, vivido por Susan e transmutado em arte.

Brisa, umidade, azul, zodíaco, sal, ciclos, areia, lágrimas, caminhadas, petricor, escuridão, isolamento, esperança, esoterismo e mulher. Pessoalmente falando, essa enigmática figura evoca todos esses elementos. Está tudo lá, no som e nas palavras.

Apesar de ser fácil notar que em toda a tracklist há uma profunda marca da individualidade da compositora, não posso deixar de ressaltar a importância do produtor e baterista do play, Steve Shelley, o impecável membro do Sonic Youth, que ornamentou o álbum com aquela perspicaz expressividade tão marcante que ele carrega (quem manja de SY sabe do que estou dizendo). Há uma sinergia muito bonita entre os dois em todo o disco, tudo executado e pensado de forma vaporosa, discreta. O peso está na mensagem que fica. Afinal, um bom disco guarda essa habilidade. O discurso musical de Nabia é bastante pessoal, sem aquela maquiagem pesada, quase nu, o que por si só o torna um projeto notável.

A primeira coisa que senti quando ouvi “Sol” foi uma mistura de acolhimento e conforto com uma instantânea identificação. A letra é humana, despida de artifícios, um som extremamente certeiro, honesto e puro, como pouco se ouve de uns tempos pra cá. Que música incrível. Ela fica na sua cabeça e persiste como um sabor agradável.

“Road” é outra faixa impecável e que resume o trabalho de forma certeira: sons limpos de guitarra, bateria minimalista, baixo profundo e uma dobra de vozes bem destacadas. Aliás, o grave e belo vocal de Susan é o que tem de mais denso em todo esse conjunto. Embora o timbre não seja similar, é inevitável deixar de pensar em algum momento em Cat Power, talvez pelo fato de que Steve também a produziu, no início da carreira.

Em “Estrela” temos uma densa melancolia com um quê de astrologia e um cenário de depressão, falando de quadratura de Plutão e diabo. Talvez seja o momento mais vulnerável de “Nabia”, na verdade, talvez seja o momento mais vulnerável que escutei há um bom tempo, o que é artisticamente muito bom. Não há como não deixar de se comover minimamente com esse som. Susan faz letras corajosas. “Faz quantos anos que este minuto existe?”, um belo verso.

A levada arrastada de “Skull” embala uma letra cheia de duras confissões e uma atmosfera de tons escuros. O sentimento transborda. Acho que muita gente que curte aquele clima do pós-punk vai curtir essa faixa. O mesmo acontece com “Lua”, e aí notamos como Steve Shelley é um baita produtor: poucos elementos, uma grande quantidade de espaço, sutileza e dinâmica. Você pode até achar que isso é fácil de se conseguir, mas se assim fosse seria mais comum encontrar álbuns tão redondinhos como este.

As agradáveis “Sacred Waves” e “Salty Eyes” incorporam uma persona ligeiramente inclinada ao folk rock, chegando a resvalar em Neil Young e até no sadcore dos anos 1990. A sensação é de estar caminhando na beira de uma praia, com aquele sol tímido pouco colorido. A envolvente trama de guitarras forma uma paisagem quase etérea em “Cinnamon Sea”, e não há como deixar de reparar na alta carga de PJ Harvey e Sonic Youth que a compositora carrega na bagagem, independe de Shelley estar na jogada. As referências estão acentuadas em todo o disco, porém “Nabia” tem uma cara, um corpo e uma voz autênticos.

“Ventre” fecha a tracklist exaltando a feminidade com uma intenção redentora, guiada por um belo piano. É um ótimo desfecho. Aí então você para e pensa nessas nove faixas e percebe que Nabia, essa personagem quase arquetípica, parece ter travado uma conversa franca, aberta, como poucas pessoas são capazes de fazê-lo. Isso é um dom. Um dom ainda maior quando você fala por meio da língua da arte.

Pegando o taoísmo emprestado, acima de tudo, “Nabia” é um álbum “yin”, com uma estética legítima, decorado de introspecções notáveis e uma linguagem arrebatadora. Faz falta ouvir coisas novas que priorizam o espaço, o silêncio, a natureza dos timbres de cada elemento que ali está, e isso este álbum supre com maestria. Com certeza um dos melhores discos do ano. Mulheres, continuem assim. Susan, continue assim.

O groove do Black Mantra tomou conta da Choperia do Sesc Pompeia

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Não era uma terça-feira (12) qualquer. O motivo? O octeto de funk, jazz e afrobeat chamado Black Mantra se apresentaria logo mais na Choperia do Sesc Pompeia. Show marcado para começar às 21h. A fila para pegar o ingresso, uma hora antes do show, estava imensa. Ainda na fila, não havia como não reparar no público diversificado que ali encontrava-se.

Casa lotada, vinil da banda comprado e chopp na mão. Tudo certo. Agora era só esperar.

A banda subiu no palco uns quinze minutos atrasada. O público aplaudiu a entrada do grupo. Depois de uma introdução em formato de vinheta, o BM começou com “Le Mantra Noir“, um som mais neutro. Sabe como é, cedo demais para agitações. Eles queriam esquentar o clima aos poucos. Quando passaram para a segunda música: “Kaiú-Ubi“, a sintonia da banda invadiu a noite com efeitos de wah-wah e delay das guitarras de Ricardo Mastria (também integrante da banda de hardcore Dead Fish). Inevitavelmente, cabeças explodiram com o som dos metais e o ritmo dançante da bateria. James Brown habitava o palco em espirito. Ou não, talvez estivesse em sua tumba mesmo recitando mantras de funk e enviando energias para o BM.

Não havia como negar, a presença de palco dos integrantes era louvável, e deixou a plateia desconcertada. As pessoas embarcaram numa viagem espiritual, e em peso, começaram a bater palmas no ritmo da música em determinados trechos. Foi assim até o final da apresentação.

Black Mantra no Sesc Pompéia 12/09. Crédito da foto: Marcos Bacon.

Eles conseguiam variar, em uma mesma música, de um hit romântico para um dançante, como quem troca de roupa no provador de uma loja de departamento. “Fossa Jazz” exemplifica acertadamente essa variação. A música lembra as Big Bands de swing.

Um solo de bateria no meio do show arrancou gritos empolgados da multidão, os olhos do público não desgrudavam do palco. Não à toa, o groove com influências de funk setentista do baterista Leonardo Marques sacudiu a massa que, a essa hora, estava encharcada de suor. Pouco depois, o tecladista Kiko Bonato teve uma complicação com seu instrumento, que estranhamente, parou de funcionar. A equipe técnica se prontificou a ajudar e rapidamente o problema foi solucionado.

O palco contava com uma iluminação de led belíssima. Para solar, os integrantes do time de metais se dirigiam até o centro do palco, levando os presentes à loucura.

Próximo ao final do show, Ric Mastria solou inacreditavelmente – aliás, a versatilidade deste músico é assustadora e merece ser comentada. Não é fácil sair do hardcore e transitar pelo funk livremente com tamanha facilidade.

Caio Leite, o baixista da banda, anunciou que o show estava chegando ao fim e apresentou todos os integrantes do octeto. O gosto de quero mais era irrevogável. E olha que o espetáculo durou mais de 1h30. Após encerrarem majestosamente com “Tocaia”, voltaram com o bis “Umbabarauma”, uma música intensa e cheia de energia – antenderam os pedidos do público.

A banda saiu do palco ovacionada pela plateia, que entoava em coro “BLACK MANTRA”. É bonito de ver uma banda com apenas 3 anos de formação se portar como uma de 20 anos. Experiência não faltou na forma como conduziram o show.

Já assistiram o seriado “The Get Down? Foi mais ou menos assim…

Black Mantra é formado por Caio Leite (baixo), Leonardo Marques (bateria), Ricardo Mastria (guitarra), Kiko Bonato (teclado), Igor Thomaz (saxofone barítono), Pedro Vithor (saxofone tenor), William Tocalino (trombone) e Felippe Pipeta (trompete). Quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o trabalho do grupo, confira Black Mantra (2017) no link, disco homônimo lançado em junho.

Choperia do Sesc Pompeia lotada. Crédito da foto: Marcos Bacon.

Set list:

Vinheta Intro

1 – Le Mantra Noir

2 – Kaiú-Ubi

3 – Puga Race

4 – Fossa Jazz

5 – Mamabeat

6 – O Ronco do Cacuí

7 – Jazzmatazz

8 – Tranca Rua

9 – Ybytu

10 – Bad White

11 – 5511

12 – Bombardino Invisível

13 – Baby Root

14 – Houdini

15 – Tocaia

BIS

16 – Umbabarauma

Pata traz em seu EP a essência do riot grrrl de forma “Wild And Cabeluda”

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EP Wild And Cabeluda

Tive uma boa surpresa nesta semana quando escutei o EP da Pata, banda mineira de Belo Horizonte que eu ainda não conhecia. Me lembrou os tempos áureos do riot grrrl. Chega a dar nostalgia. Me dá um sentimento muito bom ao ver bandas nacionais com mulheres reacendendo essa chama.

A vocalista e guitarrista Lúcia Volcano é musicista e isso fica claro na qualidade do disco, na excelente técnica vocal, no instrumental, nas referências que a banda mostra e em cada detalhe do EP “Wild And Cabeluda”, que foi produzido por Renan Fontes, pela própria Lúcia e mixado por Robson Garcia.

Destaque tanto para o nome da banda quanto do álbum que são agressivos e escrachados como deve ser, já mostrando a proposta da banda logo de cara. O nome Pata vem do termo “pata de camelo”, que de acordo com a banda tem a intenção de representar resistência e promover a liberdade das mulheres em suas diversas formas.

A ilustração genial da capa foi feita pela artista Marcela Yoko e o design por Rodrigo SantanaA sonoridade é uma mistura de grunge e punk rock, com bastante influência do rock dos anos 90, tem um toque de Veruca Salt, 7 Year Bitch, L7, Bikini Kill e Hole. A voz de Lúcia alcança tons incríveis e diferentes em cada música, sempre com muito sentimento, em alguns momentos é rouco e agressivo, chegando a se assemelhar ao timbre das maravilhosas Brody Dalle e Courtney LoveMuitas bandas do grunge e do punk rock esquecem que é importante colocar qualidade técnica e musical no que fazem, o Do It Yourself pode ser bem feito e o Pata está aí pra provar.

As letras são outro ponto muito interessante, falam de conflitos, tristeza e decadência, totalmente coerente com a proposta e refletem uma realidade conflituosa de uma geração nascida entre os anos 80 e 90. A faixa Adulthood é mais suave, inclui novos instrumentos e um vocal mais sutil, fala sobre a vida adulta com um realismo seco e merece ser escutada com uma boa bebida alcoólica ao lado. O baixo de Luis Friche também se destaca principalmente nas faixas “Boy” e “Monster”.

Ainda quero ver a banda ao vivo para sentir se a mesma energia e entrega que estão EP acontecem no palco. Nessa semana, dia 15 de setembro, o Pata faz um show de lançamento do “Wild And Cabeluda” em Belo Horizonte na Casa do Jornalista. Link do evento: https://www.facebook.com/events/345082805938780

O EP está completamente disponibilizado no Spotify e no Bandcamp:

Para quem quiser conhecer mais a Pata, também tem a página do Facebook e o canal no Youtube:
www.facebook.com/patamusic
www.youtube.com/channel/UC89bZltaFgpwc8oVHHdoOqQ

Lúcia Volcano, vocalista, guitarrista e compositora da Pata

Verónica Decide Morrer impressiona em apresentação catártica no SESC Bom Retiro

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Verónica Decide Morrer
Verónica Decide Morrer

Formada em 2010 na cidade de Fortaleza, a banda Verónica Decide Morrer, agora radicada em São Paulo, apresentou-se no último dia 08 de setembro no charmoso teatro do SESC Bom Retiro, região central de São Paulo. Frutos de uma geração que também conta com nomes como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes e o Cidadão Instigado, a banda impressiona pela alta qualidade de som e seu visual glam rock e com diversas referências dos anos 80.

A apresentação teve seu repertório criado em cima do primeiro disco da banda, que leva seu nome e foi disponibilizado virtualmente no ano passado. Respaldada pelas ótimas projeções inseridas ao fundo do palco, a banda soube ocupar todo o palco do SESC Bom Retiro e dar o seu recado de forma digna.

“Roxy Music”, primeiro single do disco, impressionou pelo peso extra que ganhou na interpretação ao vivo e com as lindas imagens do seu respectivo vídeo clipe nas projeções. Em seguida destacaram-se “Bicha Invejosa”, “Lady Cromada” e “Feito Hai Kai”.

 

A vocalista Verónica chamou a atenção por seus discursos voltados à causa transexual e destacou o “medo” como uma das piores sujeiras da nossa sociedade, e, num acordo com o público, orientou os presentes  para que no dia seguinte cumprimentassem as travestis, e assim vencerem o medo que a sociedade  insiste em ter dessa população. Considerando o fato de o Brasil ser o país que mais mata pessoas transexuais, esse tipo de conscientização é bastante pontual.

O encerramento do show ao som de “Testemunho de Trava” incluiu uma entrega especial de Verónica, que encerrou o show literalmente no chão e com a sensação de recado dado. A plateia completamente alucinada pediu bis e foi presenteada com mais dois números.

Verónica decidiu e morreu no SESC Bom Retiro, mas renasceu com a certeza de que o rock brasileiro vai muito bem, obrigado, e com a satisfação de ver pessoas transexuais ocupando espaços na sociedade e desconstruindo estereótipos alimentados durante anos.

Projeto “Frequências” uniu Jaloo com Aeromoças e Tenistas Russas na Casa Natura Musical

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Jaloo e Aeromoças e Tenistas Russas
Jaloo e Aeromoças e Tenistas Russas

No feriado do dia 07 de Setembro, a Casa Natura Musical abrigou mais uma edição do projeto “Frequências”, recebendo como convidados a banda instrumental Aeromoças e Tenistas Russas (ATR) e o cantor Jaloo.

Marcado inicialmente para as 21h30, o show começou com uma hora de atraso, apresentando a banda Aeromoças e Tenistas Russas. Vindos de São Carlos, a banda pautou a animada apresentação em seu mais recente trabalho, “Midi” e incluiu no repertório uma inusitada versão de “Canto de Ossanha”, clássico composto por Vinicius de Moraes. Um show curto, mas que impressionou e conquistou o público presente, que ainda pode conferir uma participação do cantor Jaloo, que cantou sua música “Tanto Faz” acompanhado pela banda.

Após uma troca de palco, foi a vez de o Jaloo apresentar o seu show, com o repertório completo do seu álbum de estréia, intitulado “#1”. Figura carimbada nos principais circuitos de shows da cidade de São Paulo, Jaloo já conta com um público fiel e que interage bastante em seus shows, principalmente nas faixas que renderam ótimos vídeos clipes, como “Last Dance”, “Chuva”, “Ah! Dor!” e “Insight”. Vale destacar a ótima qualidade de som da Casa Natura Musical, que realmente foi um diferencial para a qualidade das apresentações.