Refavela 40 celebra o início do que talvez seja uma “Nova Era” na carreira de Gilberto Gil

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por Pedro César

Gilberto Gil está muito bem. Ano passado tivemos grandes sustos e quase “perdemos” um dos grandes mestres da música brasileira. Sabemos que Gil “não tem medo da morte”, mas quando ele partir vai ser duro pra todo e qualquer fã da música popular brasileira. Por sorte ainda o temos. Com vitalidade, imponência, sabedoria e altivez.

Se Gil cantasse todo o repertório do “Refavela”, entretanto, não seria mais o mesmo. Todas as músicas demandam uma energia que talvez ele não tenha mais, considerando um show tão extenso e que vai percorrer todo o Brasil (no repertório e na turnê). Gil talvez tenha consciência disso. Dá espaço então para uma banda envolvente “regida” pela guitarra igualmente envolvente de Bem Gil, idealizador do show. Com carisma inegável, toda a “trupe” se comporta como uma família, onde inclusive, diversas gerações da família Gil estão presentes, desde Nara Gil, a filha mais velha que participa com vocais ocasionais envolventes e uma participação emocionante em “É”, até os netos, tocando instrumentos percussivos o show inteiro e trazendo fofura e um ar simbólico de renovação – a principal marca desse show: a busca pela renovação permanente da obra de Gil.

Os vocais de Maíra Freitas, Moreno Veloso e Céu, trazem um ar novo para um som transcendental e atemporal. Preparam lindamente o cenário para o anfitrião da festa. Belos arranjos, belas vozes e, evidenciadas nas suas apresentações, a admiração gigantesca pelo filho de Dona Claudina. Gil observa tudo sentado nas coxias, de pernas cruzadas e postura ereta. Reage feliz em algumas músicas, mas passa a maior parte do tempo quase imóvel, admirando o repertório e a homenagem à sua obra. Também se concentra para o que está por vir.

Quando o homenageado enfim chega ao palco, faz uma entrada triunfal e retumbante, convocando a percussão para a “Patuscada de Gandhi”. Dança e traz a plateia ao show a todo tempo, enquanto brada com beleza singular, os versos de homenagem a um dos blocos afro mais tradicionais da Bahia. Emenda com a música maravilhosa que compartilha o nome com o disco em questão. A plateia continua a cantar junto a todo instante em uma Concha Acústica do TCA lotada. Gil conta longas histórias sobre a concepção do disco, destacando a viagem inspiradora à mãe África com Caetano Veloso e tantos outros artistas (é impossível não ter, nesse contexto, orgasmos imaginativos musicais com as menções a encontros frequentes com Fela Kuti e Stevie Wonder).

A atmosfera do show é interrompida com os gritos efusivos de “Fora Temer!”. Gil responde com a malícia e sabedoria de seus 75 anos – “Aconteceu a mesma coisa em São Paulo e direi aqui o mesmo que disse lá: é compreensível, aliás é compreensibilíssimo que se grite isso, mas acho esse grito ocioso. Temer já está fora, se não agora, daqui a 1 ano.” – seu apoio ficou evidenciado, mas, sem deixar de lado uma crítica elegante de quem já viveu muito da história recente desse país, em diferentes lugares da “trincheira” ideológica.

Chama atenção, por fim, o repertório com a presença de músicas extras ou excluídas do “Refavela”, como “Gaivota” (concebida para Ney Matogrosso, que interpreta maravilhosamente no “Bandido” de 76) e “É” (publicada no “Satisfação: Raras e inéditas”). “É”, por sua vez se destaca com o lindo dueto de Gil com sua filha mais velha, Nara, e que marca nos seus versos o que talvez seja o símbolo de sua carreira daqui pra frente – um ser que “não teve começo e nunca terá fim”, um ser inquieto, um ser fantástico. Fantasia que se expressa no “gran finale” do show, com as memórias e a saudação religiosa candomblecista de “Babá Alapalá”, onde a gratidão por ter conhecido o candomblé se expressa, tanto no discurso quanto na cantoria que fecha o show com chave de ouro.

Que todos os deuses e energias positivas abençoem a obra, o legado e o ser de Gilberto Gil, que não é o Bob Marley brasileiro, mas sim, o primeiro e único Gilberto, filho de Dona Claudina e Seu José. Vida longa!

Paulinho Moska e a genialidade do show “Violoz”

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Tornando-se cada vez mais uma referência para os shows na cidade de São Paulo, a Casa Natura Musical recebeu no último fim de semana o cantor Paulinho Moska para duas apresentações do espetáculo intitulado “Violoz”.

A abertura ficou por conta de Bárbara Dias, novo nome na cena musical que se mostrou extremamente à vontade e confiante no palco. Acompanhada de seu violão, mesclou composições autorais com versões de seus artistas preferidos, como Tiago Iorc, bastante elogiado pela cantora e que recebeu aplausos calorosos da plateia ao ter seu nome citado. Apesar do show curto, Bárbara instigou e provou que é um nome que deve ser acompanhado.

Logo em seguida, Paulinho Moska nos presenteou com um show repleto de canções, histórias, momentos e recordações. Conhecido por sua boa relação com o mercado latino americano, o cantor arriscou um “portunhol” e abriu o show com a canção “Hermanos”, seguida por “A idade do céu”, canção originalmente composta em espanhol por Jorge Drexler, cuja versão em português foi escrita pelo próprio Moska.

Alternando entre os violões, guitarra e bandolim, o cantor apresentou seu excelente repertório sempre conduzindo de forma precisa todos seus instrumentos. Um show solo requer muita confiança e Moska tem de sobra. Além dos seus sucessos como “A seta e o alvo”, “Tudo novo de novo” e “Pensando em você”, fizeram parte do repertório parcerias de Moska gravadas originalmente por outros artistas. “Sinto Encanto”, gravado por Zélia Duncan no disco “Pelo sabor do gesto”, “Namora comigo” composta por Moska e gravada por Mart’nália.

O show “Violoz” comprova a genialidade de Moska. Excelente instrumentista, ótimo compositor e com uma espontaneidade no palco que impressiona e cativa o publico.

Setlist
1. “Hermanos”
2. “A idade do céu”
3. “Soneto do teu corpo”
4. “Tudo o Que Acontece de Ruim É Para Melhorar”
5. “Pensando em você”
6. “Impaciente Demais”
7. “A seta e o alvo”
8. “Sinto encanto”
9. “Sonhos”
10. “While My Guitar Gently Weeps”
11. “Lágrimas de diamantes”
12. “Sem dizer adeus”
13. “O último dia”
14. “Tudo novo de novo”
15. “Quantas vidas você tem”
16. “Namora comigo”
17. “Admito que perdi”
18. “Um móbile no furacão”
19. “Relampiano”
20. “Stand By Me”
21. “Somente nela”
22. “Muito pouco”

Bike conduz o público para um ambiente místico em show no Teatro Sérgio Cardoso

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Já no ônibus, não tinha percebido, mas meu ponto tinha passado. Desci no próximo e, segundo o Google Maps, agora estava a 17 minutos do local. Decidi seguir a pé. Não tinha vindo até o bairro Bela Vista ainda. No caminho para o Teatro Sérgio Cardoso — local onde o show do Bike estava marcado para começar às 22h –, um gari passa correndo atrás do caminhão de lixo. Para ele, é só mais um dia corriqueiro de trabalho. A rua é uma incessante sinfonia ensurdecedora de buzinas de carros, trânsito e pessoas no seu fluxo alvoroçado. Essa cidade é um caos, pensei. SP ainda vai nos matar de prazer ou de frustração.

Passava das 22h15  de uma quarta-feira (27/10), quando no mezanino do teatro, os integrantes estavam a postos com seus instrumentos. Julito Cavalcante (guitarra e voz) dá boa noite aos presentes e anuncia “Enigma do Dente Falso” pertencente ao primeiro disco da banda “1943” (2015). O show começa com uma música mais lenta e carregada de psicodelia. Ecoam os backing vocais com reverb da voz de Diego Xavier (guitarra). A caixa de Daniel Fumegaladrao (bateria) soa forte como uma marreta e dita o ritmo dos demais instrumentos.

Após o primeiro som e sem tempo para respiro, a banda toca a introdução de “Do Caos ao Cosmos” numa linha dançante bem parecida com Tame Impala. Um público pequeno de mais ou menos 20 pessoas observa atento a dinâmica de ritmo oscilante do grupo. No momento clímax do som, a banda explode numa notável presença de palco, a música passa por uma metamorfose do compasso lento para o acelerado. Sem pausa, o Bike emenda para “7 Flechas e o Rei Lagarto”. A voz de Julito está baixa, o que atrapalha na percepção das letras em determinados instantes. Mas de resto, o som está bem regulado. A bridge agitada da canção mistura-se às luzes coloridas do palco. Psicodelia pura.

Em “Alucinações e Viagens Astrais” a linha do baixo pesado de João Felipe (baixo) se sobressai — aliás, o Bike tem uma bela cozinha entrosada, por assim dizer. Vozes reverberam e revelam uma nítida influência de Thom Yorke (Radiohead). Destaque para um riff de guitarra nostálgico no final da música. Bike não deixou de fora do repertório “A Divina Máquina Voadora”, música na qual eles lançaram recentemente um videoclipe com imagens da tour realizada este ano na Europa. O guitarrista Diego Xavier editou e finalizou o clipe. Falando em tour na gringa, depois de Boogarins, o Bike também está ganhando cada vez mais espaço no panorama de bandas nacionais psicodélicas, ao lado de uma ótima safra que inclui: Gluetrip, Supercordas, O Terno, My Magical Glowing Lens Cidadão Instigado.

Bike no Teatro Sérgio Cardoso. Foto: Fernanda Carrilho Gamarano

Somos transportados para um ambiente místico (quase espiritual) quando o quarteto toca “A Montanha Sagrada“. Essa música assemelha-se com as brisas indianas de George Harrison (guitarrista dos Beatles), é como se estivéssemos em uma aula de yôga psicodélico. Duas vozes cantam, simultaneamente, um refrão que fica cravado na mente: “Subi a montanha para ficar mais perto do céu”. Luzes piscam enquanto um solo de guitarra repetitivo acelera de forma crescente. O caos de São Paulo — citado no início –, é representado no desfecho barulhento da música. As bandas de jazz que adoram improvisar que o diga.

Julito agradece a presença do público, informa que o show está chegando ao fim e comenta a respeito do último disco “Em Busca da Viagem Eterna”, divulgado esse ano pela banda por meio da turnê que leva o mesmo nome. “Terra Em Chamas” encerra a noite de quarta-feira em meio a knobs e feedback dos pedais de efeito de guitarra. Uma brisa com um clima Pink Floyd ressoa nos amplificadores. O público, apesar de pequeno, grita e aplaude com fervor a banda.

A música tem o poder de trazer reflexão e pensamento crítico. Vai além do entretenimento. Quando consumimos arte, estamos à procura de algo. E, nessa noite singular, o Bike nos guiou livremente em busca da viagem eterna.

Confira mais fotos do show pelas lentes da fotógrafa Fernanda Carrilho Gamarano:

Bike
foto por Fernanda Carrilho Gamarano

Do emo ao shoegaze, segundo EP do Eliminadorzinho, “Aniquiladorzinho”, é um resgate de influências perdidas

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Muitas vezes sinto falta de músicas que falem comigo de maneira genuína, que não falem sobre uma realidade colorida distópica ou sobre positividades inalcançáveis. Sinto falta do que eu sentia quando descobri Violins e Ludovic na adolescência, que em bom português, traduziam tudo o que eu sentia mais do que muitas bandas gringas de post-hardcore, shoegaze e punk da época. O Eliminadorzinho foi uma das bandas mais sinceras que descobri de uns tempos pra cá, junto com outras do tal “rock triste”, um alívio para quem se sente perdido em meio a tanta obrigação de ser feliz o tempo todo. Ontem a banda lançou o segundo EP, Aniquiladorzinho”, corri para escutar e foi incrível ver um material tão intenso.

A faixa de abertura “Você Acha” não deixa dúvidas da forte influência de Ludovic, que vai desde o instrumental até a lírica. Chega a ser quase uma homenagem à banda que, pelo menos para mim, é uma das mais significativas do cenário nacional. Ludovic provavelmente deve sentir orgulho ao ver os frutos que deixou crescer em bandas como Eliminadorzinho. A mesma influência continua em “Borrão”, que também bebe do pós-punk, lembrando as canções dessa fase de Inocentes e Cólera em alguns momentos.

“Desculpa, parte 2” traz memória ao emo cru e verdadeiro, sem vergonha de se assumir como tal. Essa faixa é um marco no EP que mostra influências do Eliminadorzinho que vão além do shoegaze já mostrado no EP anterior, referências que lembram Mineral, Cap´n Jazz, Sunny Real Estate, tudo direto da fonte dos anos 90. Depois do termo “emo” ter se tornado um palavrão, é bom ver bandas que resgatam essa essência com coragem para mostrar que isso faz parte do que chamamos de “rock triste” sim. Sem meios-termos. Esse resgate de referências perdidas por muitos foi o ponto alto de Aniquiladorzinho.

“Fora de Ar” é dessas músicas que dá vontade de escutar dentro de casa, no quarto, com alguns comprimidos e álcool do lado. Também dá vontade de mandar pra alguém, confesso que eu mesma quase mandei. As palavras intensas seguidas de um instrumental contínuo e denso fazem dessa música uma experiência incrível para quem se propõe a ouvir com o coração aberto.

A conexão entre instrumental e lírica em Aniquiladorzinho é muito coerente e complementar, as composições feitas de maneira simples, sem palavras muito rebuscadas mas com muita intensidade trazem sinceridade para cada música, dá pra sentir cada palavra, dá para processar e digerir.
Como já mencionado, o shoegaze ainda é muito presente, impossível não pensar em Pinback e Slowdive em vários momentos e como a própria banda diz, a influência de Dinosaur Jr também é perceptível.

Terminei de escutar o EP com vontade de ouvir mais. Espero que o mar de boas referências que Aniquiladorzinho trouxe de forma corajosa e contra a maré de quase tudo que vemos por aí, inspire muitas bandas e artistas a seguir falando de sentimentos, conflitos, tristeza e tudo que ainda pode soar incômodo.

O EP foi mixado e masterizado por Rubens Adati, no Inhamestúdio.

Voz, violão e guitarra: Gabriel Eliott Garcia
Baixo e vocal de apoio: João Pedro Haddad
Bateria e vocal de apoio: Tiago Schützer

Anoquiladorzinho está totalmente disponível nas plataformas virtuais da banda e no Spotify:

 

 

Exposição “Renato Russo” presenteia e emociona com a história do ídolo da música nacional

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“Renato Russo” presta homenagem a um dos maiores ícones da música brasileira e é a quarta exposição idealizada e concebida totalmente pelo MIS – Museu da Imagem e do Som. A mostra conta com curadoria de André Sturm – ex-diretor do MIS – e direção de arte do Ateliê Marko Brajovic. Giuliano Manfredini, único filho do artista, concedeu ao MIS total acesso ao apartamento de Renato Russo confiando à equipe do museu sua catalogação, conservação e adaptação para a exposição.


A exposição totaliza mais de 1000 itens e ocupa dois andares do MIS. Ao entrar, subimos uma escada decorada com imagens de diversos artistas que serviram de inspiração para o Renato. Seguindo uma ordem cronológica, primeiro descobrimos um pouco sobre o menino Renato Manfredini Júnior, seus trabalhos e boletins escolares, esse sempre com ótimas notas registradas pelos professores. Interessante observar que desde pequeno ele teve o hábito de registrar suas tarefas e atividades, com certeza isso auxiliou para a realização dessa

Em seguida acompanhamos os primeiros passos musicais do já adolescente Renato Russo. Estão presentes os originais das primeiras letras escritas para o repertório da banda Aborto Elétrico e cartazes criados manualmente pelos próprios integrantes.


Chegamos nos espaços reservados à carreira musical com a Legião Urbana. É impossível não se emocionar e visitar a exposição cantarolando os sucessos da banda que servem de trilha sonora nos espaços. Estão presentes anotações sobre as concepções dos discos, letras originais, releases, críticas, instrumentos musicais, quadros de discos de ouro, platina e até diamante, recebidos em homenagem as vendas impressionantes alcançadas pela banda.

Televisores com imagens de arquivo mostram apresentações ao vivo da banda, basta o visitante colocar o fone de ouvido e assistir registros históricos. Um desses momentos é a participação da banda no extinto Programa Livre, atração comandando por Serginho Groisman no SBT na década de 90. Em determinado momento, a plateia do programa pede que a banda interprete a canção “Pais e Filhos”, eles atendem o pedido, mas antes Renato faz um discurso falando sobre como a música é pesada e o deixa num estado muito complicado, porque trata de suicídio e o desgasta emocionalmente. Ele diz que é preciso respeitar o artista, porque no caso da Legião Urbana, muitas canções são difíceis de serem executadas, pois o abalam demais. Mesmo dizendo que “não lembra a letra dessa música”, Renato interpreta a canção e vemos uma plateia completamente emocionada e cantando com muita intensidade.

Outro momento marcante é conferir um vídeo onde a banda interpreta “Vento no Litoral”. A imagem é projetada em diversos tecidos brancos, com um movimento que remetem literalmente ao vento no litoral. Impossível não se emocionar ao presenciar as imagens e observar a letra composta por Renato Russo em parceria com Dado Villa-Lobos. A carreira solo do cantor e os discos póstumos também ganharam destaque nessa exposição.


Foram recriados dois espaços do apartamento habitado por Renato Russo no Rio de Janeiro, parte de sua sala e seu quarto. Também podemos conferir parte das roupas usadas pelo cantor e do seu imenso acervo de livros e discos. Temos ali a certeza que Renato Russo era um colecionador nato.

Ao subirmos para o segundo andar da exposição, vemos um espaço repleto de cartas recebidas por fãs. Interessante ver a forma como Renato tratava seus fã-clubes. Ele por muitas vezes os recebia em seu próprio apartamento.

A exposição comprova a genialidade, por vezes incompreendida, do cantor Renato Russo. E mostra como suas letras, mesmo após duas décadas do seu falecimento, continuam atuais. Único ponto a reclamar seriam os fones de ouvido dos televisores, alguns não funcionam e assim não temos acesso aos áudios. Duas dicas importantes: às terças a entrada é gratuita, ao visitar a exposição, reserve um bom tempo, eu levei cerca de 3 horas para conferir tudo com atenção aos detalhes. A exposição fica em cartaz até o dia 28 de janeiro de 2018.

Instrumental agressivo e protagonismo feminino formam o primeiro EP do duo cuiabano SixKicks

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A dupla cuiabana SixKicks, formada por Marjorie Jorie e Theo Charbel, lançou ontem seu EP de estreia, “You Should Sing In Portuguese Buy More Pedals And Play Lower”.

O EP traz um instrumental que passeia de forma agressiva pelos anos 90, indo do garage rock ao industrial, como se misturasse Nine Inch Nails, Le Tigre, Sonic Youth e My Bloody Valentine na mesma receita. Inclusive, a faixa Take Time tem acordes que lembram bastante Sonic Youth.

O EP de nome provocativo valoriza a parte instrumental, como fica claro em “Doom”, onde os vocais são deixados de lado para destacar ainda mais os instrumentos executados apenas pelas duas integrantes.

A faixa de abertura, “You Wanna Fuck Me”, é sensual dos os acordes até a letra que fala sobre sexo de maneira nada pudica. Toda a parte lírica do EP, apesar de simples e curta, soa como um reflexo do imaginário das autoras.
Entre guitarras, uma bateria muito bem executada e sintetizadores, “Forrock” homenageia a música tradicional cuiabana até na forma de composição lírica, que segue a mesma fórmula das músicas regionais de Cuiabá.

SixKicks representa muito bem o protagonismo feminino na música, apresentando um material onde mulheres executam desde as composições até a mixagem.

O EP “You Shoud Sing In Portuguese Buy More Pedals And Play Lower” foi lançado pelos selos PWR Records e Fofura Records, gravado no Estúdio Aurora Sounds por Alejandra Luciani e masterizado no Estúdio Us.

Zélia Duncan esbanja carisma em show no SESC São José dos Campos

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Atração constante no circuito de shows no SESC de São Paulo, a cantora Zélia Duncan marcou presença na região do Vale do Paraíba Paulista, precisamente em São José dos Campos, um charmoso município localizado a 94 quilômetros da Capital.

Com o respaldo sempre cuidadoso do SESC, que selecionou o espaço do ginásio para receber o show e assim abrigar a maior quantidade de público, a cantora preparou um set list repleto de sucessos e que contemplou todas as fases de sua carreira. Além disso, houve espaço para versões e homenagens durante o show.
O show teve início pontualmente no horário marcado, característica sempre presente nos eventos organizados pelo SESC, e nos apresentou uma Zélia Duncan radiante, feliz por estar vivendo esse momento e em grande sintonia com seu público.

A abertura, com “Enquanto Penso Nela” do sempre atual Itamar Assumpção, já serviu para apresentar o ritmo que o show seguiria. Sempre interagindo durante os intervalos, a cantora conquistou o público com seus maiores sucessos, como “Alma”, “Sentidos”, “Não Vá Ainda” e “Tudo Sobre Você”.

Zélia também incluiu em seu repertório canções de artistas que fizeram parte da sua vida, e como a própria disse “Quando sinto saudades, eu canto”, após a frase a cantora homenageou a saudosa Cássia Eller, interpretando “O Segundo Sol”. Também tivemos “Quase sem querer”, da Legião Urbana e “Exagerado” de Cazuza, faixa que foi registrada por Zélia em dueto com Frejat.

Seu primeiro grande sucesso, “Catedral”, apontava para o final do show e mostrou a confiança e realização de Zélia Duncan, com postura convicta na frente do palco enquanto os primeiros acordes da canção eram executados pela banda que a acompanhava. Cantada em peso pelo público presente, a canção emocionou diversas pessoas, como sempre ocorre nos shows da cantora.

A abertura do bis teve um número intimista com a cantora, acompanhada do seu violão, cantando “Imorais”. Uma das melhores letras de sua discografia e que cabe perfeitamente para os dias de hoje, com trecho que merece ser destacado: “Mas um dia eu sei a casa cai. E então a moral da história vai estar sempre na glória, de fazermos o que nos satisfaz”.

O encerramento foi no ritmo do reggae, embalado pelo seu hit “Nos Lençóis Desse Reggae”, canção que foi trilha sonora do seriado juvenil “Confissões de Adolescente” e que ainda teve espaço para citações de “Vamos Fugir” de Gilberto Gil e “One Love” de Bob Marley. Missão cumprida, Zélia Duncan presenteou a cidade com um excelente show e que confirmou porque integra o time das maiores cantoras do país.

Set List
1. “Enquanto penso nela”
2. “Boas Razões”
3. “Tua Boca”
4. “Lá vou eu”
5. “Telhados de Paris”
6. “Isso não vai ficar assim”
7. “Carne e osso”
8. “Tudo sobre você”
9. “O tom do amor”
10. “Não vá ainda”
11. “Sentidos”
12. “Vê se me esquece”
13. “No meu país”
14. “Pagu”
15. “Quase sem querer”
16. “O segundo sol”
17. “Catedral”
18. “Alma”

Bis
19. “Imorais”
20. “Enquanto durmo”
21. “Exagerado”
22. “Nos lençóis desse reggae” (citações “Vamos Fugir” e “One Love”)

Créditos fotos: Cris Almeida.

Velha Cortesã anuncia em EP: bem vindos ao “Show do Mundo”

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Velha Cortesã
Velha Cortesã

Lançado no ano de 2016, o EP “O Show do Mundo” da banda gaúcha Velha Cortesã possui cinco faixas de puro rock alternativo e sem medo de expor suas influências musicais e belas composições do dia-a-dia.

Logo de início o disco se apresenta interessante, com a composição “Adelaide”, que usa até um saxofone de participação especial do musico Luís Silva na sua composição instrumental. A sonoridade deste casa muito bem com o som dos outros instrumentos, dando à musica uma harmonia competente. A letra trata de uma moça, creio que apenas um nome referente ao dia a dia de muito brasileiro. Sendo assim se inicia o “show do mundo”.

Logo na faixa seguinte, “Velho Soldado”, a situação muda um pouco e essa segunda música já possui uma personalidade com maior energia e potência, sendo assim, o som se destaca mesmo é nos solos de guitarra, mostrando aí os bons atributos que a banda possui no quesito instrumental. As outras duas faixas do EP, “A Fuga do Gato” e “Nostalgia” possuem a mesma linha das canções anteriores, sendo “Nostalgia” a melhor do álbum inteiro. Dona de uma poesia lindíssima, essa quarta faixa é a composição que realmente se destaca, não só no EP, mas também no cenário como um todo. A faixa “Show do Mundo” encerra o EP com uma harmonia acústica tendo a presença de um violão 12 cordas e mantendo a textura leve do trabalho.

Em “O Show do Mundo” pode-se notar um grande esforço ao buscar relatar essa temática do cotidiano da banda e algumas sonoridades. Creio que este seja um bom EP de estréia, tendo letras marcantes e que relatam o dia-a-dia de universitários e pessoas da sociedade que posso citar claramente serem santa-marienses, a final, a banda é de tal cidade. Um belo registro que conta com assinatura de Leo Mayer na produção, mixagem e masterização do trabalho, um ótimo nome da cena com grandes referencias.

“Vamp, o musical” confirma a boa fase dos musicais no Brasil

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A novela “Vamp”, comédia de terror que marcou toda uma geração nos anos 90 e até hoje é considerada “cult” pela legião de fãs que deixou, foi adaptada para o teatro pela Aventura Entretenimento. Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, o espetáculo musical estreou no dia 15 de setembro, em São Paulo, no Teatro Sergio Cardoso.  Com concepção e direção geral de Jorge Fernando e direção de Diego Morais, que dirigiu ao lado de Jorge a novela “Êta mundo bom”, o espetáculo “Vamp, o musical” tem no elenco os protagonistas do folhetim, Claudia Ohana e Ney Latorraca.

Claudia Ohana renasce como a cantora de rock Natasha, papel mais emblemático de sua carreira, e Ney Latorraca, volta como o Conde Vlad, um dos mais marcantes personagens de sua vitoriosa trajetória, para trazer ao palco a inesquecível dupla de vampiros hilários, cativantes e apavorantes (de mentirinha).

A música-tema é a arrepiante “Noite Preta”, imortalizada pela cantora Vange Leonel e que no musical ganha novos arranjos e a voz de Claudia Ohana. Claudia também assume o vocal do clássico “Sympathy to the Devil”, dos Rolling Stones, como fez na novela, e “Puro Êxtase”. Entre as outras canções, estão “Thriller”, de Michael Jackson, coreografada em uma releitura em que tudo termina em samba. “Gita”, de Raul Seixas, “Felicidade Urgente”, de Elba Ramalho, e “Doce Vampiro”, de Rita Lee, são outros destaques.

 

O grande destaque fica por conta de Ney Latorraca, o ator parece realmente se divertir reencarnando o personagem Conde Vlad e faz isso de uma forma tão leve e divertida que nos deixa ansiosos para suas aparições durante o musical. Em determinado momento solo, o ator se dirige a platéia e faz um show de improviso, sendo sempre ovacionado pelo público.

Os cenários são incríveis. E são muitos. As trocas são perfeitas e tornam o espetáculo muito dinâmico, fazendo com que os dois atos passem rapidamente. Iluminação, banda, figurinos, tudo impecável e que não deixam a desejar para as produções internacionais.

O sucesso da temporada no Rio de Janeiro e o esgotamento dos ingressos para as primeiras sessões da nova temporada em São Paulo, provam que o público brasileiro tomou gosto por musicais. Numa época em que grandes produtoras se concentram em adaptar musicais internacionais, é muito importante ver que alguns ainda acreditam num produto 100% nacional, de fácil entendimento e que merece seguir em turnê pelo país.

Crédito fotos: Divulgação.

Banda Vexame fez jus ao nome em show constrangedor no SESC Pompeia

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Cultuada no início da década de 90, a banda Vexame, liderada por Marisa Orth, lotou o Teatro do SESC Pompeia nos dias 16 e 17 de setembro com o show intitulado “Visita Intima”. Conhecida por misturar repertório considerado brega com números de humor, a banda transformou o palco numa cela prisional, usando uma ótima caracterização através do cenário.

A apresentação e entrada da banda ao palco foram feitas anunciando “os crimes” cometidos por cada integrante/prisioneiro. O humor apresentado no show já demonstrou tom duvidoso logo na apresentação do baixista, acusado de ser um “ejaculador de transporte público”. Difícil ter que aplaudir a entrada de um músico com esse tipo de piada e com tantos casos de abusos no transporte público que são noticiados diariamente.

Musicalmente falando, a banda é sensacional, mesmo com o limite vocal de Marisa Orth. Resgatou sucessos já clássicos do seu repertório, como “Pare de Tomar a Pílula” de Odair José, “Ainda Queima a Esperança” da cantora Diana, e incluiu novos hits, como “50 Reais” hit sertanejo interpretado por Naiara Azevedo e em grande circulação por todo o país. O ponto alto do show foi a versão de “Siga Seu Rumo”, com forte apelo teatral e dramático.

O show teria sido ótimo se fosse focado apenas no lado musical, porém o tom de humor apresentado deixou muito a desejar. É inaceitável que em pleno 2017 fazer piadas com minorias seja a plataforma para arrancar algumas risadas constrangidas pela plateia. O baterista Carneiro Sândalo assumiu uma personagem transexual, dita como “confusa” e que deu margem para diversas piadas transfóbicas durante os intervalos das músicas.

O ponto mais vergonhoso foi quando, incentivado por Maralu Menezes, personagem de Marisa Orth, o cantor Carlos Pazetto dirigiu-se a plateia com o intuito de realizar um exorcismo e assim livrar um homem do “homem sexualismo” (termo dito por Marisa). O cantor escolheu um rapaz da plateia, esfregou a cara dele em seu pênis falso e volumoso  e de forma ridícula conduziu a cena. O ilustre “voluntário” se via fortemente constrangido, assim como boa parte da plateia se encontrava perplexa com tal cena.

Depois disso, não tinha mais como defender o humor mantido pela banda desde os anos 90 e que perdeu a oportunidade de se renovar. Durante os números teatrais, a impressão que deu é que fomos transportados para a década de 90, estávamos numa gravação do Sai de Baixo e que a qualquer minuto alguém gritaria “Cala a boca, Magda!” diante das atrocidades ditas pela cantora e seus companheiros de cela/banda.

Crédito fotos: Camila Cetrone.