Um panorama in loco da SIM São Paulo – Semana Internacional da Música 2016

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SIM São Paulo 2016
A entrada da SIM São Paulo 2016
por Lucas Lerina

Rolou na ultima semana em São Paulo a SIM – Semana internacional da Música e eu, Lerina, baixista da Der Baum (e às vezes bacana), fui dar uma conferida no que rolou por lá para o Crush em Hi-Fi e trazer um pouco da minha experiência no olho do furacão!

No primeiro dia de palestras caí direto em uma fila animada com muitos rostos conhecidos e logo depois do credenciamento, parti para o meu primeiro painel, que tratava da “Música na Televisão Brasileira”. A mesa contava com produtores de programas de televisão (Rodrigo LariúPlay Tv; Caio CorsaletteMTV, VH1; Cris Lobo e Mariana AmarisAltas Horas).

SIM - A Música na TV Brasileira
e o povo não parava de entrar e sair.

Nessa mesa notei, logo de cara, uma das coisas que mais me incomodou nos três dias em que eu participei dos paineis: A quantidade de pessoas entrando e saindo o tempo todo. Sei que às vezes é difícil por ser tanta coisa ao mesmo tempo, e muitos jornalistas estavam tentando cobrir o máximo possível, mas era horrível a cara dos palestrantes quando alguém no meio da platéia levantava (daquelas cadeiras pouco barulhentas, diga-se de passagem) pra sair.

Maaaas, tirando isso, Rodrigo Lariú, produtor de conteúdo da Play TV, deu a letra sobre a Lei de Conteúdo Brasileiro (que determina que um determinado numero de conteúdo transmitido na rede fechada seja de produção nacional) dizendo que ela também vale para videoclipes, ou seja, se você tem uma banda e a empresa ou a pessoa que fez o videoclipe pra você regularizar este vídeo pelo certificado da ANCINE, o seu vídeo vira um produto muito mais fácil de ter um espaço a mídia. (Lembrando que para passar em outros programas, este mesmo requisito é necessário para poder receber em cima) #FICAADICA

O próprio Rodrigo elaborou um manual de como regularizar tudo, e deixou claro que quem quiser ter mais informações pode mandar um email pra ele: [email protected]

Em meio a isso, rolaram muitas outras mesas ao mesmo tempo e foi uma das coisas que no sabádo rolou bem melhor, com menos palestras, deixando espaço pra acompanhar melhor até os showcases. Acho que a quantidade de mesas ao mesmo tempo na quinta e na sexta se fez necessária pela agenda dos palestrantes, o que é uma pena.

Mas lá fui eu correndo pra mais um assunto que me interessava,”Minha Música na Novela”. Muitas pessoas perguntaram qual o segredo para se ter uma música na novela, e Marcel Klemm falou muito sobre a canção combinar com a narrativa, maaaas, fica pra você amigo leitor, decidir o que você acha. Eu tenho minhas dúvidas, mas se vocês quiserem tentar a sorte, o cara falou que ouve tudo com uma equipe de pessoas qualificadas e liberou esse email pra quem quiser entrar em contato com material: [email protected] (lembrando que a fila dos CDs entregues na SIM foram pra pilha de janeiro do cara, então pode esperar tranquilo.)

Ufa. Momento para respirar e desanuviar. Circulando pelos estandes conheci um pouco mais sobre os trabalhos da Tratore, Kiwi, CdBaby, Altafonte, Playax, UBC, Hearts Bleed Blue, Ponto4, entre outros. Vou só deixar o registrar para quem tiver interesse em conhecer um pouco mais dessas empresas. E segue o baile: Fingerfingerrr!

Apesar da Sala Adoniran Barbosa estar começando a esquentar ainda com pessoas meio que sem entender o que estava acontecendo, os caras da Fingerfingerrr mandaram ver no set de 20 minutos (infelizmente curto, mas que possibilitou a quantidade grande de bandas no showcase). Os caras estavam elegantérrimos, e não pararam um segundo. A Fernanda e o Ian (Der Baum) e o Jairo (Autoramas) estavam lá e não me deixam mentir. Em seguida, metendo o pé na porta, Deb and the Mentals. Caralho, recuperei as forças e me fui de novo para as mesas.

Show SIM São Paulo
Showcases curtos, mas imperdíveis.

“Prepare-se para conectar-se com a Argentina em 2017”, era o que dizia o titulo da mesa, mas o que eu senti é que os nossos hermanos querem muito mais vir pra cá do que realmente levar alguém. Inclusive o que se mostrou foi a criação do fundo argentino, que ajuda o músico (argentino) a comprar um instrumento, alugar um ônibus e partir para uma “gira”, o que deixou o recado: – “Galera, me convida que eu quero tocar.”. Soube de fontes seguras que o Uruguai é mais rock’n’roll, mas que a Argentina circula bem pelo centro também. Mais uma dica recomendada, é de que quem tiver interesse ou conhecer bandas para fazer esse intercâmbio, o consulado da Argentina no Brasil da todo o apoio, e o Marcus do Departamento de Cultura está a disposição.

Pra encerrar meu dia, parti para o meu território. “A Nova Força do Mercado Musical no RS”. O produtor Marcelo Fruet apresentou um pouco sua empresa, a Fruet Music, junto com som o pessoal da Marquise 51, mostrando que o RS está olhando pra frente nas questões musicas e saindo do mercado fechado que vinha mantendo a longa data. Também apresentaram uma parceria que estão desenvolvendo com o SEBRAE de um modelo de negócios baseado em economia criativa. A representante do SEBRAE disse que este modelo que busca o capital intelectual ainda está em fase de testes, mas que logo se expandirá para as demais regiões.

Fuet Music

Segundo dia de SIM, muitas palestras, muitas coisas para ver, mas logo de cara sou recebido pela galera do Pedro Pastoriz montando tudo pra tocar. “Óbvio que eu vou ver isso!”. Confesso que nunca tinha visto a banda, e tinha escutado só duas músicas, mas juro que tô até agora cantando “Restaurante Lotus”! Pra mim, um clássico instantâneo!

Sai meio desnorteado dessa apresentação, mas, Vamos à luta. Aproveitei o tempo, já que as palestras estavam rolando e fui fazer um “connect” na área de Networking e Business. Fiz o meu merch também, é claro!
Teve um determinado momento em que eu acabei ficando meio confuso, não sabia ao certo que palestra estava acontecendo em qual lugar, deixo a dica de mais telas para visualização do cronograma, já que estamos lá por estas palestras, e então acabei caindo na palestra sobre “Incubadoras e Aceleradoras de Música”.

Daniel Domingues começou explicando sobre o aplicativo lançado no RJ que funciona como um LinkedIn, mas que reúne músicos, garçons e prestadores de serviços de casas noturnas, operador de mesa de som, e com um mapa mostrando produtoras e casas noturnas. Achei genial; Anderson Foca contou um pouco de como foi a experiência de criar uma cena em Natal e hoje ser responsável por um dos maiores festivais da música no Brasil, explicando a força do lúdico que ajuda muito a continuar o festival; Luciano Balem ensinou que trabalha com música das 8h ás 19h, concentrado em editais, criação de projetos, e desenvolvendo linhas de contato com bandas e empresas para desenvolver seus festivais em Caxias do Sul; Fábio Predroza, ex-baixista do Móveis Coloniais de Acaju, trabalha na Circula e contou que esse projeto foi baseado nas reuniões de “Ajuda de Bandas” promovidas em DF quando estavam todos perdidos do que fazer, e notaram que as bandas não tinham o minimo pra poder seguir tralhando como fotos descentes e release; e por ultimo mas não menos importante, Thiago Lobão da empresa Acelerarte, que eu recomendo muito que vocês que têm interesse como banda de conseguir gerar uma renda, a procurar saber mais sobre, senão vou me estender muito.

SIM São Paulo

Depois de muito business, precisei de um pouco de carinho, e fui num encontro de amantes, os amantes do vinil! Queria deixar registrado que eu queria ter visto Yangos, e infelizmente não vi, mas quem tiver interesse manda um Google neles!

Por último nesse dia fui dar uma conferida na comitiva canadense pra saber o que eles tinha a nos dizer. Basicamente disseram: “Se você não tem dinheiro para fazer duas viagens, não vá a primeira vez”; “Se você fizer sucesso em Quebec, não fará no resto do Canadá, se você for tentar o resto do Canadá, não vá para Quebec” e por ultimo e não menos importante “No México eles são muito mais receptivos”.

“EU SOU MARIA BETHÂNIA, VALEU!” – Rodrigo Damati (Maglore) – E assim se foi mais um dia de SIM…

Depois de pirar na noite, sábado voltei já batendo cabelo na mesa de “Liberdade de Gênero na Música”. E cara, foi uma aula. Essas mina sabem o que fazem. Liniker, em certo momento, quando questionada da dificuldade de espaço na música no Brasil, falou “(…) Tem que segurar a onda pra não morrer no começo, música é um negócio muito estratégico”. Raquel Virginia completou: – “Rola muito o medo de me boicotarem, não deixo passar muita coisa, mas isso faz com que eu passe de arrogante e é uma dinâmica difícil…Quanto mais você quer que as coias funcionem do seu jeito, mais difícil fica”. E Jaloo encerrou o assunto dizendo: “Se um dia eu perder a mídia, vou continuar ligando meu computador, gravando minhas musiquinhas e pondo no soundcloud, quem quer que escute, BEIJOS!”.

SIM São Paulo

Sábado consegui lidar bem melhor com as palestras e os showcases, como já tinha comentado, e pude assistir shows do Tagore e do Ventre, que estavam lindos demais! Vou deixar aqui registrado que adoro Tagore!
Acabei encerrando minhas atividades na SIM aprendendo um pouco sobre composição com Frank Jorge e Tatá Aeroplano! Muito tranquilos e calorosos, os dois falavam tranquilamente com uma platéia de poucos sortudos, e ao final desta mesa agradeci muito ao Frank, pois sem ele eu não teria aprendido a tocar contrabaixo (e não estaria aqui e tals). #CHORAMOSABRAÇADOS

Tatá Aeroplano e Frank Jorge <3
Tatá Aeroplano e Frank Jorge <3

Pois bem, o que eu pude acompanhar nesses dias foi uma quantidade muito pequena das diversas classes de músicos representadas. Muito se falou da aproximação do músico independente com as plataformas mais acessíveis, mas pra quem é essa acessibilidade? A abertura desse evento devia ser muito maior, já que em todas as mesas foi debatido a dificuldade do músico de ter uma renda, provavelmente essas mesas seriam de excelente ajuda a muitos músicos que não tem condições de participar de eventos desse valor. Outra coisa que me pegou foi a coisa de achar que um fundo público é necessário para incentivar o artista (debatido na mesa “Minha Carreira no Exterior”) , mas eu, do fundo do meu coração, acredito que a cultura da população tem que mudar, e principalmente a visão em relação ao músico, começar a ser visto como trabalho. “O Brasil sofre da cultura de uma face” como Marcel Klemm citou, e isso ajuda a desestabilizar todo o resto. Outra coisa bastante comentada foi o CD físico em relação ao streaming e eu vou usar as palavras do Fábio Pedroza, que eu acho que foram bem assertivas sobre o assunto: – “(…) A nossa venda digital nunca foi maior do que a venda de discos, e em todos esses anos a gente fez mais dinheiro no fim do show, com discos físicos e camisetas, então streaming é realidade pra quem?”

No mais, espero que essa SIM  tenha sido a primeira de muitas pra mim, pois aprendi muita cosa realmente valiosa lá, e encontrei várias pessoas que eu adoro pelos corredores do CCSP!

“Alien Lanes”: a viagem psicodélica lo-fi de belas melodias do Guided By Voices

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No Walkman, por Luis Bortotti

“Alien Lanes” é o nono disco da incrível discografia do Guided By Voices. Por ser o primeiro a ser lançado pela Matador Records, muito se era esperado dele. Seguindo a tradicional característica da banda em gravar apenas com 4 canais, o Guided By Voices trouxe ao público um disco que praticamente dá continuidade à maturidade sonora conquistada em seu trabalho anterior, Bee Thousand”.

Através de 28 faixas curtas e simples, Alien Lanes nos leva para uma uma viagem psicodélica lo-fi de belas melodias, soando calmo e agressivo, e até perturbador, quando bem precisa ser. Sequências de músicas, como “Watch Me Jumpstar”, “They’re Not Witches” e “As We Go Up, We Go Down”, e “Game Of Pricks” e “The Ugly Vision”, são exemplos da perfeição utilizada na hora de selecionar excelentes canções durante todo o trabalho de criação deste álbum conceito.

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Mas além de usar o indie rock e folk como base de sua sonoridade, em Alien Lanes” o Guided By Voices dá passos maiores com a inovação. Bizarros ruídos, elementos e sons são mesclados em canções pop, elevando-as à classificação de pequenas obras-primas futuristas, como “Ex-Supermodel”, “Chicken Blows” e “Always Crush Me”.

“Alien Lanes pode ser classificado como uma excelente fita demo, importantíssima para o rock alternativo noventista e para o próprio Guided By Voices. Dê play e entre em um deliciosa viagem do tempo sonora.

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Guided By Voices – Alien Lanes | Curiosidades

– O The Strokes gravou uma versão cover de “A Salty Salute”.

Alien Lanes” foi listado como o 27º Top Albuns dos Anos 90 pela Pitchfork Media.

– Este é o primeiro disco do Guided By Voices lançado pela Matador Records.

Guided By Voices – Alien Lanes | #TEMQUEOUVIR

3. Watch Me Jumpstart
5. As We Go Up, We Go Down
7. Game Of Pricks
17. My Valuable Hunting Knife
21. Ex-Supermodel
22. Blimps Go 90
27. Always Crush Me

Guided By Voices – Alien Lanes | OUÇA AGORA!

A dupla Skating Polly continua amadurecendo em “The Big Fit”, seu novo disco

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Skating Polly

No sucessor de “Fuzz Steilacoom”, as irmãs Kelli Mayo e Peyton Bighorse resolveram aumentar ainda mais a linda esquizofrenia musical que faz do Skating Polly uma das melhores bandas surgidas nos últimos tempos. Em “The Big Fit”, as garotas de Oklahoma soam como verdadeiras bombas relógio prontas para detonar, mas sem deixar de lado momentos bonitos, melódicos e até doces. Mas não se iluda: logo em seguida elas podem novamente inundar seu ouvido com berros que fariam o L7 aplaudir em pé.

Com produção de Kliph Scurlock (Gruff Rhys, Flaming Lips), o disco já teve algumas músicas e clipes lançados: “Oddie Moore”, “Nothing More Than a Body”, “Perfume For Now”, “Pretective Boy” e “Hey Sweet”. A intenção, segundo Peyton, é criar um clipe para cada canção do novo álbum.

Conversei com ela sobre “The Big Fit”:

– Como o som do Skating Polly evoluiu desde o início até chegar em “The Big Fit”?

Quando começamos nós tínhamos só 9 e 14 anos, de modo que a nossa música amadureceu assim como nós amadurecemos. Agora gastamos mais tempo trabalhando em novas maneiras de fazer as nossas canções melhores e mais interessantes.

– Nós podemos perceber um lado “mais existencial” do Skating Polly com canções de Peyton e um lado mais “riot” com as músicas da Kelli. É isso mesmo? Algo como uma dupla meio Ying Yang?

Pode ser, às vezes, mas Kelli também tem um monte de canções realmente belas e mais calmas e eu tenho algumas músicas mais pesadas. Isso é dividido muito uniformemente, acho.

– Algumas das músicas já tinham sido lançadas antes do lançamento do álbum, com videoclipes, inclusive. Vocês pretendem lançar vídeos para todas as canções?

Estamos torcendo para que sim! Recentemente passamos dois dias e meio gravando cinco clipes. Eu realmente acho que seria legal se tivéssemos um vídeo para cada música.

– Quais são suas músicas favoritas em “The Big Fit”?

Agora a minha favorita é “Arms & Opinions’. Eu acho que Kelli fez um excelente trabalho com cada parte desta canção. Ela tem uma das minhas letras favoritas já escritas por ela e a melodia é muito bonita.

– Ouvi dizer que você está gravando um split que vai ser lançado em breve, é isso?

Vamos lançar um split 7″ com uma banda muito legal, a Qui, muito em breve! Estamos muito empolgadas com isso.

– Quais bandas você diriam que acabaram influenciado “The Big Fit”?

Como sempre, ouvimos um monte de Babes in Toyland, Elliott Smith e Neutral Milk Hotel durante a composição das canções. Mas também ouvimos um pouco de Genius Perfume e um monte de CDs mixados que um de nossos amigos nos fez.

– Diga-me um pouco mais sobre a arte do álbum. Quem fez?

A incrível Kat Kon colaborou na arte com a gente. Kelli fez um esboço da capa e, em seguida, enviou para Kat Kon desenhá-la. Ela trouxe totalmente a arte à vida e foi melhor do que jamais poderíamos ter sonhado. Ela se encaixa com a idéia do álbum perfeitamente.

– Por que o nome do álbum “The Big Fit”?

Quando lançamos “Fuzz Steilacoom” havia algumas pessoas que o criticaram por ser muito esquizofrênico, mas que a esquizofrenia é algo que nós amamos sobre música. As canções de “The Big Fit” realmente não se encaixam como as pessoas podem pensar que deveriam, por isso é tipo como um camiseta extra grande se encaixa em alguém que usa modelo P. Tecnicamente não se encaixam, mas funciona a pessoa disser que sim.

Ouça o disco “The Big Fit” no Spotify:

Coletânea Motim Records Vol. 2 traz faixas de Muzzarelas, BBGG, Francisco El Hombre e mais

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Motim Records Vol 2

Para fechar o ano com chave de ouro, a Motim Records preparou um ótimo disco para presentear os amigos do peito neste Natal: a coletânea “Motim Records Volume 2”. Depois do sucesso da coletânea virtual “Motim Records Volume 1”, a segunda edição ganhou versão em disco físico, com todo o dinheiro do projeto foi custeado entre o selo e as bandas. Na capa, mais uma doentia e incrível ilustração do artista Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula).

O Lomba Raivosa abre o disco com “Jovem indomável”, rock sujo e que desce queimando. Na sequência, os cariocas do Zander oferecem um pouco de conforto com “Hortelã”. O punk rock do Labataria ganha seu espaço, com o clássico dos shows “Papa”, com influências de Misfits e alfinetadas certeiras na igreja. O Box47, do selo Motim Records, vem na seguência com a faixa “O Último Aniversário”, pop punk para os fãs de CPM 22 e Blink 182 pré-franjinhas. A seguir, temos o La Makina com o hardcore “Palha no Arraial” e o post-hardcore do CHCL em “Espelho” e uma canção inédita cedida com exclusividade para a coletânea: “1,2-Now”, dos ícones do punk rock campineiro Muzzarelas. O Hurry-Up comparece com “Bad Parents”. O BBGG afirma que “Isso vai doer mais em você do que em mim” na música “It’s Not Me, It’s You”. O Golfo de Vizcaya traz seu som indefinível na sequência, e Francisco, El Hombre se apresenta botando todos para dançar. Para fechar bem a coletânea, a trinca “Geração Zumbi”, do Fast Falling, “Pai”, do No Time, e “All Power To The People”, do Diploma, pra finalizar com a energia lá em cima.

Motim Records Vol 2
Motim Records Vol 2

A coletânea tem o apoio do blog Nada Pop, Sailor Skateboard e Tape Studio. Para adquirir sua cópia, entre em contato com a Motim Records.

Você pode ouvir a coletânea completa aqui:

Sim, o trio Hanson está muito vivo (e vai muitíssimo bem, obrigado)

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Hanson

Em 1996, era meio impossível ligar o rádio ou a TV e não ser tomado de assalto pelo fenômeno musical Hanson. O trio de irmãos de Tulsa estourou com “Mmmbop” antes de Zac (bateria), Isaac (guitarra) e Taylor (teclados) completarem 18 anos. Aliás, longe disso: quando a banda começou, em 1992, o baterista tinha apenas 7 anos! A partir daí, veio o primeiro álbum, produzido pelos Dust Brothers, “Middle Of Nowhere”, que estourou e levou o trio a algo próximo de uma neo-Beatlemania. Como todas as boy bands e girl bands dos anos 90, o grupo aos poucos foi sumindo dos holofotes aos poucos depois do segundo disco, “This Time Around”, e foi deixado de lado pela mídia. Mas você acha que o grupo parou? É claro que não!

Apesar de serem colocados na mesma prateleira que os grupos pop dos anos 90, o Hanson tinha um diferencial: além de serem todos músicas, majoritariamente escreviam suas próprias músicas. E isso foi essencial para que eles não parassem, mesmo quando saíram da gravadora Island Def Jam. Afinal, eles saíram de lá procurando maior liberdade criativa, já que a gravadora havia recusado cerca de 80 músicas do trio por considerarem “não vendáveis”. Agora independentes, os Hanson começaram a trabalhar por seu próprio selo independente, o 3CG Records. Então vieram o inevitável disco acústico, em 2003, e “Underneath”, de 2004, que ficou em primeiro lugar na parada de discos independentes da Billboard assim que saiu.

O disco ganhou o single “Penny & Me” que ficou em segundo lugar no Hot 100 Singles Sales e chegou a 10º no UK Top 40. Apesar disso, é até hoje o disco que menos vendeu do grupo. A própria banda diz que durante a turnê via o álbum nas banquinhas de desconto… Já com um som diferente do que eles faziam anteriormente, é um disco de transição, mostrando o amadurecimento musical da banda em letras e arranjos. O disco conta com uma letra de Gregg Alexander, do New Radicals, abrindo em “Strong Enough to Break”.

Em 2007, depois da turnê do disco ao vivo “Live and Electric”, o grupo lançou “The Walk”. Um pouco mais pesado que “Underneath”, o álbum mostra que os garotos que criaram “Mmmbop” haviam ficado pra trás. Suas raízes de R&B, soul, blues e rock & roll aparecem mais no som. “Does it move you/Does it soothe you/Does it fill your heart and soul/With the roots of rock & roll?”, diz a letra de “Been There Before” Sim, as letras sobre amor e etc continuam lá, mas o disco mostra a evolução dos garotos de Tulsa muito mais do que o disco anterior já havia feito.

Em 2009 Taylor Hanson deu uma passeada cantando em um supergrupo de rock alternativo: o Tinted Windows, com James Iha (ex-Smashing Pumpkins) na guitarra, Adam Schlesinger (Fountains Of Wayne) e Bun E. Carlos (Cheap Trick) na bateria. O disco auto-intitulado saiu no mesmo ano e o som é no mínimo divertido:

Em 2010 o grupo se reuniu para o lançamento de “Shout It Out”. O disco foi muito bem recebido e foi inclusive meio como um “comeback” do trio, já que o single “Thinkin’ Bout Something” fez sucesso, mostrando que o Hanson ainda tinha muita lenha pra queimar. O trio se mostrava muito mais funky e cheio de balanço, com naipes de metais e algo meio Jackson 5 (influência dos três desde o começo, em 1992) sendo adicionado em faixas como “Give a Little”. Com todo o cowbell que as músicas pedem!

O último disco do Hanson até o momento é “Anthem”, de 2013. O funkeado do disco anterior se mantém, e “Get The Girl Back” só não entrou nas paradas de sucesso porque… Bom, eu não faço ideia do motivo. Deveria ter sido um dos hits de 2013, sem dúvidas. O Hanson se mostra maduro e mandando bem em pérolas como “I’ve Got Soul” e no power pop “Cut Right Trough Me”.

Atualmente em turnê, o trio está inclusive fazendo algumas covers bem inusitadas… como de The Darkness!

Além disso, em 2015, o Hanson apareceu no disco de ninguém menos que Blues Traveler“Blow Up the Moon”, sendo co-autores da música “Top of the World”. Ah, e eles agora também têm sua própria marca de cerveja, a Mmmhops. Tá bom ou quer mais?

Jack Daniel’s Saloon, ou Lynchburg a duas quadras do metrô Pinheiros

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Jack Daniel's Salloon
foto da página oficial do Jack Daniel's Salloon

Lemmy Kilmister, Keith Richards, Frank Sinatra. Os três apreciavam um bom gole de Jack Daniel’s, cada um a sua maneira. Além do gosto pelo legítimo whiskey de tennessee, o trio possuía em comum a sede pela essência, mesmo que em diferentes gerações e abordagens.

Pelo segundo ano em São Paulo, o Jack Daniel’s criou um bar temático, dessa vez instalado em frente ao Largo da Batata, em Pinheiros. Ao sair da estação Pinheiros de metrô e caminhar até o Jack Daniel’s Saloon, o trecho é um passeio turístico, talvez inusitado. Um bar com música voz e violão, outro com jukebox do melhor da música brega, enquanto uma lanchonete durante o dia vira uma boate ao anoitecer, com grupo formado por violão, bateria eletrônica e um vocalista que se apresenta como se estivesse em um estádio. Respeitável.

foto por Pedro Couto
foto por Pedro Couto

Ao adentrar no Jack Daniel’s Saloon, entra-se no universo de Jack Daniel’s, jarros de milho, centeio e cevada ganham foco de luz; frases de efeitos, típicas do Velho Jack, ficam expostas por todo o bar; pedaços de carvão – ingrediente para a filtragem que garante o selo de “tennessee whiskey” ao invés de bourbon – ganham a forma de cortina para que a imersão à marca seja tão precisa quanto sua receita.

O cardápio, obviamente, é centrado no Jack, com drinks clássicos como Jack & Cola até outros exclusivos. Além da linha padrão deles – Old Nº7, Honey, Gentleman… até o modelo em homenagem a Sinatra está à venda -, cervejas importadas e outras opções também estavam a disposição.

Até o momento, tudo parece fazer sentido: uma viagem direto para Lynchburg… a duas quadras do metrô. Mas…

A grande maioria do público não parecia querer estar lá pelo significado do local. A geração pós-‘Eu Fui!’ honrava a frase. Estava lá pelo registro de estar e não pela memória de viver. A banda, Leite Paterno, que infelizmente focou o show no “Nevermind” do Nirvana, fingia um rock que soava tão irônico quanto pasteurizado. O público gostava das radiofônicas, ignorando o significado da obra. O vocalista mencionou Krist Novoselic como “o baixista lá…”. Resumindo: o que o bar oferecia de imersão e significados se transformava em pasteurização de estilo harmonizado com um molho ralo de gente escrota.

O show do Leite Paterno talvez tenha ficado íntegro e honesto quando eles começaram a tocar as músicas próprias. Porém, neste momento, metade da pista já não via utilidade para estar lá. Relembrar, então, muito menos. Já estava tudo no Instagram.

Segundo single do disco novo do Weezer tira o “susto” do primeiro ao voltar às raízes de “Pinkerton”

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Quem não se lembra da primeira vez que ouviu “Pinkerton”, o álbum mais pessoal (e para muitos o melhor) do Weezer? A sujeira aliada às canções do power pop renovado que já faziam no “Blue Album” decorando letras até constrangedoras de tão pessoais. O segundo disco que é tão temido pelos artistas por ser a confirmação do seu lugar no panteão dos grandes ou a simples continuidade da vida de rock star que vira e mexe é invejada nas primeiras canções.

Em 1996 quando Rivers Cuomo se alternava entre o estúdio (em aparições raras, mas produtivas) e sua vida solitária e atormentada de um estudante de Harvard que acabara de fazer uma cirurgia para corrigir um defeito de nascença no tamanho das suas pernas e andava por aí de muletas como um velho, rabugento, os outros membros do Weezer se alternavam entre projetos paralelos e depressões pós-fama bem encaminhadas. Depois de “Pinkerton” sobreviveram os que seguiram Cuomo na sua jornada ao pop, enquanto Matt Sharp, o icônico baixista dos backing vocals agudos, se mandava pra cuidar do The Rentals, que mantinha as raízes de geek mal amado dos primórdios do Weezer.

O Weezer seguiu em frente lançando disco após disco, alguns com muitas boas canções, mas nenhum com a mesma verve atormentada e dramática dos dois primeiros álbuns. Rivers se tornou o típico pai americano de bigode e tudo e a banda se enveredou por cada seguimento da música pop americana, cada vez mais se distanciando das suas raízes numa espécie de odisseia pra fugir do tédio (ou talvez dos traumas relatados em “Pinkerton”). O resultado foram discos tão frequentes quanto eram chatos.

Mas então Rivers ficou velho e se viu entediado com a fuga do próprio tédio e assim como muitas bandas já fizeram resolveu voltar às raízes com o bom disco “Everything Will Be Allright in the End”. Canções de bom power pop, com a volta das guitarras sujas e a coreia de raio tão icônica do nerd rock star que sempre foi a melhor persona de Cuomo. Particularmente eu achei o disco regular. A tentativa é válida e produziu grandes hinos, mas há muito mais de Mea Culpa ali do que volta às raízes. No entanto, era um disco bom Weezer depois de tantos anos…

Até agora. No último mês o Weezer lançou dois singles que segundo seu frontman não fazem parte de um álbum novo. O primeiro, “Thank God For Girls”, pareceu uma continuação da eterna busca de Cuomo pela fuga do tédio, mas como single achei bom como algumas das canções do “Red Album”. Longe dos primórdios, mas rock’n’roll de muita boa qualidade. Mas então veio o segundo single…

No primeiro acorde de Do You Wanna Get High? algo do Weezer Boy que fui quando ouvi “Pinkerton” pela primeira vez despertou em mim automaticamente. A canção permeada pelas guitarras sujas dando base pro vocal melancólico de Cuomo me fez pensar que estava em 1997, pela primeira vez desde 1999 senti que o velho Weezer estava de volta. Toda a verve que fez o Weezer ter sua legião de fãs leais está ali, baixo alto dobrando os acordes pesados, vocais agudos e melancólicos alinhados com backings sensacionais, um solo de guitarra que me lembra o de “The Good Life” e uma letra genial que você vai cantar pelos próximos 15 anos.

Conhecendo Rivers como conheço já espero esse evento de nostalgia como único e logo virão mais singles cobrindo as mais variadas fases da banda, mas o garoto de 15 anos em mim sussurra baixinho: “Holly Molly, I think I’ve got one here…”

Mais madura, Adele diz “Hello” à música pop

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Adele

Toda canção pop carrega uma carga de dramaticidade inerente. Faz parte do gênero o exagero comum à música popular desde que esta se conhece por gente. Na verdade, desde que a música de concerto foi “inventada” nas cortes europeias em algum momento do milênio passado, o que diferenciava a música popular da que hoje chamamos um tanto pejorativamente de “erudita” era a presença de letras predominantemente e os temas caros à população em geral. Qualquer semelhança com as canções do século XX e XXI não é mera coincidência.

Nessa toada (no pun intended) Adele é uma das mestras contemporâneas. O exagero e a dramaticidade de suas canções tem produzido standards da música popular que não apenas funcionam perfeitamente como hits comerciais, mas estabelecem a continuidade com a tradição popular. A música pop é referencial e, como não podia deixar de ser, a canção nova apresentada pela cantora inglesa hoje vem carregada dela.

A primeira coisa que deve ter vindo à cabeça de todos ao ouvir “Hello” foi Lionel Richie. A famigerada canção lançada em 1984 foi topo das listas da Billboard em três categorias, sem contar que foi primeiro lugar na lista de singles britânica, terra natal de Adele. Carregada na dramaticidade clássica do R&B, Hello foi acusada de plágio pela cantora Marjorie Hoffman White alegando a cópia de sua canção “I’m Not Ready To Go”, o que prova o quanto a referencialidade da música pop é inerente, assim como sua carga dramática.

Mas não só de primeiras associações se faz uma Adele. É claro que pensamos logo de cara na canção do ex-Commodores – eu pessoalmente fiquei imaginando como Adele conseguiu construir o resto da música sem cantar o “Is it me you’re looking for?” logo depois do primeiro verso – mas “Hello” está cheia de autoreferências da própria Adele e essas vem da sua influência do R&B que Richie também bebeu.

É uma canção clássica de Adele. Refrão marcante, letra catártica (com um aceno à “California Dreaming”) e o piano tão característico da cantora. No mais, podemos esperar de “25” um disco que segue a própria trajetória de Adele sem muitas firulas ou inovações, no entanto, sinto uma simplicidade no arranjo desprovido de muitas orquestrações ou ritmos. Uma simples batida como o simples pedido de desculpas que a letra da canção faz. Adele parece querer demonstrar uma sonoridade mais despida de sofisticações como se quisesse dizer que aos “25” não precisa provar mais nada.

Nesse sentido, temos uma canção pop simples e direta que dialoga com a carreira da cantora ao mesmo tempo em que tenta chegar ao âmago do seu projeto musical sendo simples e direta. Temos uma Adele mais madura que domina a arte de fazer canções para as grandes massas com personalidade.

Stephen Witt desvenda a história secreta da pirataria de músicas na internet em “Como A Música Ficou Grátis”

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Stephen Witt

por Pedro Couto, músico (http://www.youtube.com/Pedroluts) e autor do blog Dylanesco (Dylanesco.com).

Para qualquer devoto da música, os últimos 15 anos tiveram uma influência única. Se antes era preciso garimpar sebos e lojas em geral atrás daquele disco, seja em vinil ou CD, a última década e meia instituiu uma liberdade incrível. Com apenas alguns cliques, em casa mesmo, não se tinha mais um ou dois álbuns, mas a discografia completa de quem você quisesse. E tudo isso sem consumir preciosos espaço em armários e estantes.

Mais do que uma revolução de mídia – que passou a ser irrelevante com o surgimento do MP3 -, a “geração do download” viveu uma mudança de paradigma no consumo de cultura.

Como A Música Ficou Grátis

Em “Como a Música Ficou Grátis”, Stephen Witt traz três personagens cujas histórias acontecem paralelas, mas que se encontram contextualmente ao longo da leitura. A primeira é de Karlheinz Brandeburg, criador do MP3; A segunda é de Bennie Glover, funcionário da fábrica de CDs da PolyGram em Kings Mountain, Carolina do Norte, e que participaria do maior grupo de vazamentos de CDs da história; A terceira é de Doug Morris, executivo que fez sucesso a frente da Universal, assinando com artistas como Dr. Dre, Eminem, Taylor Swift, Tupac e Lil Wayne.

Ao contar cada biografia de maneira independente, Witt nos instiga ao mesmo tempo que nos obriga a refletir sobre a influência de cada personagem para a trama geral do livro. Sem o MP3, não seria possível o vazamento de CDs pela internet. E sem o ápice da indústria fonográfica no fim do século XX, não seria possível que o compartilhamento dos CDs ripados se espalhasse tão rapidamente.

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Em tempos de “Uber x Táxi” e “Netflix x TVs”, ler “Como a Música Ficou Grátis” cai como uma luva no meio desse imbróglio. É inegável as ilegalidades cometidas pelos “vazadores” de CDs antes do lançamento, contudo, o maior crime talvez tenha sido da própria indústria, que tratou como inimigo uma tendência que ia além das leis vigentes: era uma mudança de comportamente de uma geração inteira e ao tratar com tamanha agressividade, tornou legítima a própria resistência.

A inocência dos atos talvez deve receber seus créditos. Brandenburg nunca achou que o MP3 mataria o CD, mas apenas seria uma maneira mais rápida de enviar arquivos de áudio (transmissões de jogos, por exemplo); Glover só queria usar de seus conhecimentos tecnológicos para ter acesso a um poder e status que nunca conseguiria na vida real (mas também conseguiu lucrar muito com a venda de DVDs); Doug Morris é um executivo que pensa em resultados de vendas, sem refletir sobre a substituição da música como arte por música como produto (ou: para quê comprar um CD inteiro se posso ter apenas o hit?).

O livro alimenta a curiosidade para saber as consequências das tramas. Com uma narração que lembra um romance policial, Witt consegue desenhar perfis psicológicos de cada um dos personagens, envolvendo-nos em um enredo intrigante.

Para quem quer entender de onde surgiu o Spotify que ouvimos hoje, “Como a Música Ficou Grátis” é imprescindível.

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