Supla e uma ode às músicas traduzidas para o português em “Menina Mulher” (2004)

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"Menina Mulher", disco do Supla de 2004

Não dá pra negar que Supla é um cara que realmente não se importa com o que os outros dizem, o que é muito benéfico. Afinal, depois que ele mostrou que sabe não se levar tão a sério e abraçou a zoeira de Marcos Mion no finado programa “Piores Clipes do Mundo” da finada Mtv Brasil, Supla reergueu sua carreira no Brasil e vendeu como água seu disco “Charada Brasileiro”, além de conseguir uma bela vaga no reality “Casa dos Artistas, ficando em segundo lugar. A partir daí, lançou discos tão amplos quanto sua personalidade, indo do punk rock ao pós punk, do rap à “bossa furiosa” (no ótimo projeto Brothers of Brazil, com seu irmão João Suplicy). Supla, como seu pai Eduardo Suplicy, é um cara que é difícil de não gostar, mesmo que você não seja lá muito fã de seu trabalho. Suplicy é o petista que até fãs do PSDB (como minha mãe, por exemplo) adoram, e Supla é o punk que até os mais ávidos odiadores do rock simpatizam. Talvez seja algo inerente à família Suplicy, quem sabe.

Em 2004, Supla lançou o disco de versões “Menina Mulher”, com produção de Liminha, o cara que fez o rock brasileiro dos anos 80 ser o que foi. No disco, o Papito mostra sem vergonha nenhuma a sua falta de medo de ser feliz. Afinal, pegar 13 músicas, muitas delas clássicos, e fazer versões em português é algo que provavelmente apenas Sandy e Junior e Aviões do Forró conseguiriam fazer com louvor e ousadia assim. Mas Supla não tem receio e passa incólume à esta tarefa: traduziu ou recriou sons de gente como Blondie, Elvis Presley, Gary Glitter e Flock of Seagulls com seu tempero platinado e sem muito respeito à letra original.

Isso já pode ser visto na divertida faixa-título, que abre o álbum. Versão de “Leader Of The Gang”, hit do encarcerado Gary Glitter, “Menina Mulher” fala do clichê roqueiro tiozão de admirar moças que acabam de chegar na puberdade. Aliás, Supla sem querer acabou falando um pouco do que levou Glitter a ser preso, né. Enfim.

“Cenas de Ciúmes” foi o primeiro single e ganhou um clipe estrelando Luciana Gimenez (sim, do Superpop!) e transforma a letra original em um som sobre (dã) ciúmes. A voz de Supla é perfeita para a música, e apesar de abusar das rimas de verbo com verbo, a música fica divertida em sua versão brasileira. “Eu Já Não Quero Mais” é uma versão do hit do PhD “I Won’t Let You Down” e ganha uma letra de separação que vai totalmente na direção contrária que a música original. Supla dá uma engrossada na voz pra dar um ar mais pós-punk à canção. Na sequência, a única música autoral do disco, “Aquela Sexta-Feira”, punk, curtinha e que passa meio batida em meio às outras.

Voltamos às versões com “Baby Doll”, com Supla fazendo versão de “Baby Talk” daquele que é sua versão importada, Billy Idol. Aliás, acho que ainda nessa existência é necessário que algum dia exista uma parceria (ou como os millenials falam, um “featuring”) entre Supla e Idol. O quase sacrilégio do disco vem em “Coração em Chamas”, em que ele simplesmente destrói o maior hit de Chris Izaak, “Wicked Game”. Apesar de ser uma das músicas que mais tenta manter o teor original, não funciona. Dá uma olhada:

Que tipo de jogo é esse?
Eu queria saber
Mistura a tristeza e alegria
E ainda nos dá prazer
Que tipo de jogo é esse?
Onde amar é sofrer
Que tipo de jogo é esse?
De te pertencer

“Verão de Dezembro” é uma versão divertida para um semi-hit de Elvis Presley, “Return To Sender”, e o jogo de palavras da tradução pra lembrar um pouco o original é simplesmente digna de “Weird Al” Yankovic. Uma das melhores do disco, sem dúvidas. Como “Heartbreaker” da Pat Benatar não estourou muito por aqui, essa versão (“Virgínia”) passa facilmente como uma música própria do Supla, sem medo de ser feliz. Mas aí vem um combo de sons clássicos:

“Tina” é uma versão para o clássico dos clássicos do Cheap Trick, “I Want You To Want Me”, e não deixa de ser engraçado ouvir o malabarismo lírico de transformar “Didn’t I, didn’t I, didn’t I see you crying” em “Tina, Tina, Tina, não chore”. Se você achou essa meio cômica, aguarde a transformação de “Mr. Postman”  em “Carolina”, pegando a letra original e jogando na lixeira sem dó nem piedade. “Oh yeah, lembro bem da Carolina / Yeah yeah yeah Carolina”.

“Tititi”, por incrível que pareça, funciona bem como versão tupiniquim de “Shake It Up” do The Cars. Sim, tem muita rima de verbo com verbo, mas se você ignora isso, até anda. Parece mesmo um som do Tokyo. Já “Paixão Pra Esquecer” é quase um sacrilégio com “Flowers By The Door” do TSOL. O instrumental segura, mas a versão não consegue se manter. Fechando o disco, uma versão quase literal acústica para “Hanging On The Telephone” do The Nerves e famosa na versão do Blondie. O nome? “Telefone”, claro.

Somando tudo, se você não levar muito a sério (e o próprio Supla acerta muito em não se levar muito a sério e se divertir sempre), “Menina Mulher” é um disco divertido e mesmo as versões mais esdrúxulas podem render boas risadas.

André Frateschi resgata a essência do rock brasileiro em show no SESC Mariana

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Depois de ser a voz da Legião Urbana na turnê Legião XXX anos, André Frateschi participou do programa Popstar, da TV Globo, saindo vencedor. Na sequência, participou do Rock in Rio em uma maratona de 14 shows no palco Rock District e agora segue em turnê pelo Brasil com seu show BRock is Back – Tributo ao Rock Nacional, e foi esse o show que o artista apresentou no Teatro do SESC Vila Mariana.

A abertura do show, com “Perfeição” da Legião Urbana, com somente a banda no palco, fez com que o público presente pudesse prestar mais atenção nessa poderosa letra, como várias de Renato Russo que circularam pelo repertório. Depois vieram “Ideologia”, “Núcleo Base”, “Primeiros Erros” e “Sonífera Ilha”. Todas hits da década de 80, de longe a melhor fase do rock brasileiro. Cazuza, Ira!, Titãs e outros nomes potentes marcaram presença.

Miranda Kassin foi a convidada da noite e dividiu os vocais com o marido na canção “Fame”, clássico de David Bowie, que não poderia deixar de estar presente, mesmo sendo um repertório de rock nacional. O camaleão do rock é homenageado por André Frateschi já tem uns bons anos, através do seu projeto Heroes.

“Pra Começar”, canção da cantora Marina Lima, foi interpretado com muita garra por Miranda Kassin. Ela fez jus à sua participação especial e ainda dividiu os vocais em “Meninos e Meninas”. A canção abriu um trecho do show dedicado à Legião Urbana. Ainda tivemos “Tempo Perdido” e “Ainda é Cedo”.

O bis começou com “Hey Jude” dos Beatles, com o coro formado por uma platéia calorosa, que nesse momento já havia deixado suas respectivas poltronas. Pra fechar com chave de ouro: “Que País é Este?”, outro clássico da Legião. A canção lançada em 1987 provou o quanto sua letra é atual e poderosa.

O show apresentou a força do Rock Brasileiro, por mais que, atualmente, não esteja em sua melhor fase, tem um passado glorioso que pode, e deve, ser resgatado e apresentado à nova geração. Boa sacada do André ao realizar isso e em conjunto apresentar algumas de suas canções de seu disco solo, intitulado “Maximalista”, entre elas a ótima “Todo Homem é uma Ilha”.

Fotos: Silmara Sousa.

Isabella Taviani comemora 15 anos de carreira na Casa Natura Musical

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Na sexta, a Casa Natura Musical recebeu a cantora e compositora Isabella Taviani, na estreia da turnê nacional do show IT – 15 Anos, Eu e Você. Acompanhada por Cacá Lazzaris (bateria), Marco Brito (teclados), Felipe Melanio (guitarra e Violão) e André Vasconcellos (baixo e produção musical), neste novo show Isabella Taviani viaja no tempo em um set list recheado de seus maiores sucessos com novos arranjos.

A abertura do show ficou a cargo da canção “O Farol”, com sua letra e interpretação viscerais. Nesse momento, o palco estava com uma tela na sua borda, mostrando apenas a sombra da cantora e de seus músicos. Após o encerramento da abertura, a tela caiu e a platéia foi ao delírio.

De cara, já fomos surpreendidos pelas novas roupagens que as canções clássicas de Isabella ganharam. Destaque para a belissima “Foto Polaroid”, uma das melhores composições da cantora e que foi cantada pelo público com a mesma carga emocional que Isabella apresenta em suas apresentações ao vivo.

Com um set list repleto de hits, não faltaram momentos de total sintonia com a platéia. “A canção que faltava” causou comoção, embalada pelo navegar das mãos dos fãs. Outros sucessos como “Digitais”, “Último grão” e “Diga sim pra mim” marcaram presença.

“Letra sem melodia”, canção registrada no álbum “Diga sim”, ganhou um peso extra em sua versão ao vivo. Surpreendeu e agradou. Outro destaque foi a versão para a canção “Only Yesterday”, clássico da dupla The Carpenters, e que foi interpretada num formato voz e teclado. Emocionante!

“Luxúria”, talvez o maior hit da cantora, graças a sua inclusão na trilha sonora da novela global “Sete Pecados”, encerrou o show com a sensação de dever cumprido. Isabella fez um resgate primoroso de suas canções, satisfazendo fãs de todas as épocas de sua carreira e demonstrando a potência de uma cantora que ainda tem muito mais para apresentar.

Créditos Fotos: Felipe Giubilei

Black Pantera: declarada a “Agressão” aos opressores

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Inicialmente chamado de Project Black Pantera, hoje o power-trio mineiro Black Pantera muda o seu nome, porém mantém sua força e pegada do seu poderoso crossover/hardcore. O trio, que vêm desde 2014 batalhando no underground, só tende a crescer na cena mundial, tendo o dia 30 de março para começar um novo marco para o grupo.

“Agressão” é o mais novo álbum lançado pela banda, destacando sua força instrumental e colocando lenha na fogueira dentro de um país sedento por verdades e cultura pura para limpar a alienação que vêm dominando o país. Este álbum é revolucionário e trará novos alcances aos mineiros.

O aclamado álbum inicia com a faixa “Prefácio”, que mostra o peso e pegada do trio, unindo vozes para deixar mais forte e impactante esta faixa que já havia sido lançada com vídeo-clipe no YouTube. Ela já apresenta também a ótima presença instrumental da banda com diversas viradas de ritmo. “Alvo na Mira” traz a banda mais mantendo firme sua pegada e tratando sobre o tema da impunidade e caos que bate todo o dia em nosso país.

Trazendo um ritmo de agonia, a música “Extra!” não deixa de tratar de notícias tristes e desesperadoras que aconteceram e ainda acontecem no país. A letra traz uma característica fundamental das composições da banda: a presença de gírias utilizadas diretamente na internet. A quarta faixa, “Taca o Foda-se” trabalha o ritmo do crossover. Com um groove mais presente, visceral e direta, a música deixa claramente a presença do perfil da banda, que manda um “foda-se” aos opressores. “Poder para o Povo” complementa sua letra com uma linha instrumental de maior presença, aonde o vocalista traz sua voz mais visceral destacando refrões mais repetitivos, deixando clara a mensagem.

“O Sexto Dia” vem conduzindo a linhagem de maior presença do contrabaixo presente, tornando a música com uma ritmo mais frenético, para relatar uma infeliz rotina que acontece no dia-a-dia de muitas pessoas. Sendo assim, “Onde os Fracos Não Tem Vez” traz o lado mais rapcore da banda, com ótimas pontuações do contrabaixo e com uma mudança de vocalista no posto principal. “Seasons” dá uma breve sequência do vocal com menos presença do gutural, afinal, a letra é extensa com uma mensagem de variação maior. Esta música tem um encontro maior dos instrumentos, tendo seus momentos de “jams”. “Baculejo” retoma com tudo a presença do gutural e potência hardcore do trio, tratando da péssima cultura e alienação muito bem tratados no álbum. Muito peso e entrega do trio nesta sonoridade.

Na décima música do disco, “O Último Homem em Pé”,  existe um pedido para não desistirmos de lutar por nós, sendo esta a faixa mais longa presente, incorporando a resistência que os músicos querem transmitir. Então chegamos no último single presente nesta bela obra, “Granada”, que tem uma ótima distribuição das presenças instrumentais da banda, com uma grande variação no ritmo e peso, algo marcante e único deste trio mineiro.

Com este ótimo instrumental a banda encerra um petardo de excelentes composições que marcam a boa fase do grupo, que com certeza deve circular novamente pela Europa representando nosso país. Este power trio com certeza consegue muito bem representar os oprimidos desta sociedade desigual.

 

Depeche Mode faz show histórico no Brasil após 24 anos de espera

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Show Depeche Mode no Allianz Park, foto por Fernanda Gamarano

Tudo começou em uma terça-feira chuvosa com trânsito em SP, uma semana atrás. Mas os fãs de Depeche Mode não estavam ligando para o caos paulistano, afinal, foram 24 anos de espera desde a ultima passagem da banda pelo Brasil! Depois de uma fase conturbada, o Depeche Mode voltou com seu 14° álbum e sua nova turnê mundial, a “Spirit Tour”, com Martin Gore, Andrew Fletcher e Dave Gahan na formação atual, acompanhados dos seus músicos de apoio que já estão na banda a 20 anos, fez os paulistanos chorarem, dançarem, sonharem e flutuarem em uma noite cheias de saudades nostálgicas.

Pontualmente às 21:45, foi só apagar as luzes do Allianz Park e aparecer um telão com uma arte linda toda colorida para a silhueta de Dave Gahan aparecer e a galera pirar aos berros. Abrindo a noite ao som de “Going Backwards”, nova musica do novo álbum “Spirit”. Mas não demorou muito para tocarem um de seus hits, “It’s No Good”, do álbum “Ultra”, veio logo em seguida pra deixar o publico louco e dar aquele gostinho de que vinha mais e prometia deixar todo mundo emocionado ao longo da apresentação.

A chuva deu um descanso logo ao inicio do show, mas os fãs não estavam nem um pouco preocupados, afinal quem se importa com chuva se tem Dave Gahan dançando muito, arriscando umas reboladas (típicas de Gahan em suas apresentações desde dos anos 80), rodopiando, fazendo caras e bocas e agitando o publico praticamente o show INTEIRO? E que frontman: as únicas pausas foram apenas para dar espaço para seu companheiro de banda Martin Gore assumir os vocais em “Insight” e “Home” (que teve direito a um lindo coro do publico regido por ele, um dos ápices da noite)! Estava na cara da banda e do público que todos estavam se divertindo muito e curtindo aquele momento que demorou tanto pra chegar. Foi uma entrega do público e banda, com músicas cantadas do começo ao fim seguidas de palmas e muitos celulares (risos)!

Antes de chegar o momento mais esperado pelos fãs, o show do Depeche Mode teve lindos vídeos, sendo quase um videoclipe ao vivo para cada música, feitos pelo Anton Corbin! O show foi esquentando cada vez mais, com o novo single “Where’s the Revolution?”, o clássico “Everything Counts” (que teve um hino com publico cantando ao fim) e “Stripped”. Pausa aqui porque tá vindo o esperado….

Enfim chegou o momento: foi apenas tocar a primeira nota de “Enjoy the Silence” que os fãs foram à loucura! Um hino cantado com toda a força do começo ao fim, tanto que os vocais de Dave foram cobertos pelo coro! Que energia! Que noite!

E quem disse que acabou por ai? Logo em seguida mandaram “Never Let Me Down Again!” Pausa pro bis, mas não teve pausa pro publico, que ainda estava todo eufórico após “Enjoy the Silence”!

Foto Fernanda Gamarano

E voltaram com nada mais que “Strangelove”, porém com uma versão mais leve, apenas com piano e voz, e quem mandou nos vocais foi Martin. Que voz! Confesso que achei por um momento ia vir aquela pancada que a original tem, mas foi um lindo momento onde todos em uníssono cantaram com Gore!

Foto Fernanda Gamarano

Seguindo o bis, veio aquela para mim uma das musicas que eu mais admiro do Depeche Mode, “Walking in my Shoes”, um momento marcado por um vídeo que mostra um artista binário se maquiando e se arrumando para fazer um show em um bar, colocando um salto lindo e bem alto, pra casar com aquela frase “Try walking in my shoes”, que ao pé da letra quer dizer “tente se colocar no meu lugar”, afinal, vivemos em um mundo onde somos julgados pelos nossos atos o tempo todo.

Para a tristeza de todos. o show estava chegando ao fim. Veio a clássica “A Question of Time”, seguida da segunda mais esperada da noite, “Personal Jesus”, que dispensa comentários. Foi desfecho perfeito pra um show tão energético!

Era o fim do show, mas parecia não ter fim para o publico. Depois do Depeche se despedir do palco, com um caloroso tchau, a galera ficou gritando, cantando e aplaudindo mesmo depois do fim. Será que com esse show histórico eles voltam mais vezes sem uma pausa de 24 anos? É o que todos queremos!

Setlist:
Intro: Revolution (música dos Beatles) / Cover Me (Alt Out)
Going Backwards
It’s No Good
Barrel of a Gun
A Pain That I’m Used To
Useless
Precious
World in My Eyes
Cover Me
Insight (acústica)
Home
In Your Room
Where’s the Revolution
Everything Counts
Stripped
Enjoy the Silence
Never Let Me Down Again
Bis:
Strangelove (acústica)
Walking in My Shoes
A Question of Time
Personal Jesus

Blues da Casa Torta: “O Tempo” para os ouvintes de toda a era musical

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“O Tempo” é o primeiro álbum e segundo trabalho de estúdio da banda portoalegrense Blues da Casa Torta, formada por Bernardo Scarton (guitarra e vocais principais), Filipe Siak (baixo e backing vocals) e Hamilton Felix (bateria e backing vocals). Gravado, mixado e masterizado no estúdio audioFARM entre março e agosto de 2017, teve participações de Luciano Leães (teclados), Filipe Lins (harmônica), Marcio Petracco (violão dobro e bandolim), Ronaldo Pereira (sax tenor), Bruno Nascimento (trompete) e Felipe Mantovani (trombone). O disco foi produzido por Sergio Selbach e Mateus Borges. Um encontro de mestres fizeram deste trabalho, um álbum consistente e de bela harmonia musical que percorre grandes gêneros musicais, tendo para mim, uma veia maior no blues/rock.

O álbum “O Tempo” possui dez músicas autorais, explorando retratos do tempo, da vida cotidiana mesclado a grandes ritmos da música raíz nacional e internacional. Esta obra musical está repleta de participações especiais, tendo a primeira faixa do disco a música homônima ao nome do álbum. “O Tempo” vêm sendo o single mais trabalhado pela banda na divulgação para o público, e não é atoa, pois a música é excelente. Ritmo contagiante, letra de pura nostalgia aonde contempla o ouvinte em uma ótima mesclagem entre o rock/jazz. Faixa que demonstra seguramente o ótimo entrosamento da banda ao decorrer das sonoridades, esta que teve mudança de integrante nas baquetas.

A seguir temos “Três por Dez”, esta que poderia ser a primeira música do disco pelo contexto de sua letra, mas não deixa de estar em seu lugar certo, mantendo a cadência de ritmo mais rápido e empolgante, calcando muito bem o blues/jazz da banda, tendo um solo de guitarra remetendo ao rockabilly. No final uma ótima virada de ritmo na bateria, aonde marca também a virada de ritmo do disco, já que na sequência temos a música “Blues do Gato”. Um som mais lento, bluseria pura com um feeling mais lento e pesado, tendo a letra em seu sentido combinativa. “Se Foi Assim” retoma a pegada da banda do blues/rock mais aberto, tendo até então, um ótimo complemento de sax tenor e trompete, incorporando muito bem esta faixa.

“Rei do Camarote” traz novos elementos musicais, tendo um ótimo desenvolvimento nos instrumentos de corda, havendo um ótimo solo de instrumento de sopro, deixando o ritmo único e especial sobre uma letra que envolve o amor. “Ando Meio Noiado” é a faixa de número 6, relatando uma letra de amor e cotidiano, que todo o brasileiro entende. A musicalidade trás o refrão mais repetido contando com o ritmo instrumental em um ciclo repetitivo como o relógio, combinando com a letra e mensagem da banda. “Amar e Temer” segue um fluxo calcado ao jazz, com o vocalista carregando mais o ritmo da música que conta com ótima presença do instrumento de sopro, uma marca excelente das participações especiais no disco. “Bus Lotado” chega com uma grande variação até aqui apresentada no disco. Ela conta com o ritmo do “baião”, algo inédito no disco, que chega de surpresa e combina muito bem com a crítica social apresentada na letra. Até aqui venho falando super bem da parte instrumental da banda, e realmente não tem como deixar de citar. Ritmos, ótima variação de instrumentos, grandes músicos convidados para esta bela obra musical. Sendo assim, a faixa “Catuaba Boogie” brinda esta marca registrada e ótima do entrosamento e experimentalismo do que é o Blues da Casa Torta.

Em um tom mais caipira, creio que marca de excelência do grande músico Marcio Petracco, a música “Me Assaltaram na Esquina” chega pesada, com ótima crítica ao país, marcando o encerramento deste belo disco. Em seu primeiro EP a banda já havia trabalhado com a ÁudioFARM, que teve um ótimo resultado, e sendo assim, time que tá ganhando não se meche. Álbum realmente surpreendente, tendo ótimas variações sem deixar de ser combinativo e contextualizador.

 

Foto: Edinara Patzlaff

Gal Costa encerra a turnê “Estratosférica” com shows na Casa Natura Musical

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A cantora Gal Costa, apresentou o show de lançamento do DVD “Estratosférica Ao Vivo” no último final de semana em São Paulo. Este é o segundo de uma série de shows do projeto Biscoito da Casa, uma iniciativa da Biscoito Fino com a Casa Natura Musical que promove shows com o consagrado elenco de alta qualidade da gravadora. O projeto estreou com Angela Maria e as “Canções de Roberto e Erasmo” (em 17 de janeiro) e tem, entre suas próximas atrações, nomes como Angela RoRo (sexta, 2 de março), Francis e Olivia Hime e Fabiana Cozza.

Estratosférica ao Vivo não é apenas o registro de um show de Gal Costa. É, mais ainda do que isso, o retrato da artista ao alcançar os 70 anos de vida, 50 deles dedicados à música. Com direção geral de Marcus Preto e produção musical de Pupillo (Nação Zumbi), o espetáculo estreou no Teatro Castro Alves, em Salvador, em 27 de setembro de 2015, o dia seguinte ao aniversário da cantora.

O show comemora a ótima fase vivida pela cantora, que abriu a apresentação interpretando a canção “Sem Medo Nem Esperança”, que abre também a versão em estúdio do trabalho e nos presenteia com versos como “Nada do que fiz / Por mais feliz / Está à altura / Do que há por fazer”. Uma introdução ao universo estratosférico que a cantora nos conduziria noite a dentro.

No primeiro bloco do show, já tivemos a presença marcante de sucessos de sua carreira como “Mal Secreto”, “Não identificado” e “Namorinho de Portão”, essa última cuja versão feita pela banda Penélope tornou-se um hit entre os jovens expectadores da MTV Brasil no final dos anos 90.

“Cabelo” impressionou com sua versão heavy metal, enquanto Gal balançava os cabelos, levando a platéia ao delírio. “Sim Foi Você” encerrou o trecho calmo da apresentação e nos brindou com a cantora voltando as origens e tocando violão para acompanhar a canção de Caetano Veloso.

As canções do disco “Estratosférica” tiveram uma ótima aceitação e foram cantadas em peso. Destaque para o single “Quando Você Olha Pra Ela” e “Jabitacá”. “Como 2 e 2”, “Pérola Negra” e “Arara” foram a prova de que o canto de Gal estava no ponto e causou comoção entre os presentes no público. O bis ficou por conta de “Meu nome é Gal” e não foi o suficiente: os gritos de “mais um! mais um!” tomaram conta do espaço, porém, dessa vez, o público ficou na vontade.

O que vimos nessa apresentação, foi uma cantora moderna, antenada e com um repertório formado por diversos novos nomes da música brasileira ao lado de compositores já renomados e com extensa carreira. Gal, ao contrário de outras da sua geração, não parou no tempo e muito menos vive de passado. Com certeza a cantora ainda tem muito o que fazer pela música brasileira e não é a toa que inspira diversas gerações.

Set List

1. Sem Medo Nem Esperança

2. Mal Secreto

3. Jabitacá

4. Não Identificado

5. Namorinho De Portão

6. Ecstasy

7. Casca

8. Dez Anjos

9. Acauã

10. Cabelo

11. Quando Você Olha Pra Ela

12. Cartão Postal

13. Por Um Fio

14. Três Da Madrugada

15. Sim Foi Você

16. Como 2 E 2

17. Pérola Negra

18. Por Baixo

19. Arara

20. Estratosférica

21. Os Alquimistas Estão Chegando

Bis

22. Meu Nome É Gal

Fotos: Silmara Sousa

Maria Alcina levou Caetano e Carnaval para o palco do Teatro Porto Seguro

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Maria Alcina aproveitou a terça-feira de Carnaval e o excelente palco do Teatro Porto Seguro para lançar a versão em vinil de seu mais recente trabalho intitulado “Espirito de Tudo”, onde nos presenteia com versões inusitadas das canções de Caetano Veloso.

A cantora, sempre muito irreverente e com looks caprichados, impressionou com suas versões repaginadas e o excelente alcance vocal. Alcina está cantando maravilhosamente bem e a potência de sua voz fez com que canções como “Tropicália”, “Fora da Ordem” e “Os Mais Doces dos Barbaros” ganhassem um peso extra, principalmente por serem letras extremamente politizadas.

Destacaram-se as interpretações de “Rocks” e “Eu Sou Alcina”, essa canção que foi composta por Zeca Baleiro em homenagem a cantora e é a primeira faixa do seu trabalho anterior, o elogiado “De Normal Bastam os Outros”.

Ao interpretar a canção “Língua”, a cantora dirigiu-se à plateia e interagiu muito com o público presente, que por sinal ocupava todos os assentos do teatro. Nesse momento o público já estava ganho, mas Maria Alcina ainda nos surpreendeu com “Prenda o Tadeu”, “Calor na Bacurinha” e “Fio Maravilha”, hits obrigatórios em suas apresentações.

Importante citar a genialidade da banda que acompanha a cantora, liderada pelo guitarrista e diretor musical Rovilson Pascoal, o som apresentado nos remete ao apresentado pelo próprio Caetano durante a Trilogia Cê, porém temos um tempero especial que só Maria Alcina poderia incluir. Caetano deve estar orgulhoso!

Maria Alcina deveria ser presença obrigatória em todos os carnavais. O que presenciamos no palco (e na plateia) do Teatro Porto Seguro foi uma cantora segura, com um excelente domínio de espaço e extremamente agradecida por viver esse momento especial. Importante ressaltar o trabalho do produtor Thiago Marques Luiz, responsável pelos últimos lançamentos da cantora e que colocou Maria Alcina novamente no lugar de destaque que ela merece.

Fotos: Edson Lopes Jr. 

“É só amor” para a máquina de louco no pré-carnaval baiano com Baiana System. Já a segurança…

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Baiana System
Foto: Elias Dantas/Ag. Haack

Baiana System mostrou mais uma vez o porquê de ser uma das bandas de maior crescimento e sucesso no Brasil. O “navio pirata” liderado por Russo Passapusso fez a sua tradicional participação no pré-carnaval baiano e arrastou consigo uma multidão. O trio fez o circuito inverso Ondina – Barra (dois bairros de Salvador), como já é tradicional no Bloco “Furdunço” que traz consigo a proposta de colocar na rua trios de menor porte e atrações gratuitas na preparação para o carnaval.

No setlist, faixas de diferentes épocas da banda. Desde “Terapia” e “Amendoim Pão de Mel”, de 2013, passando por boa parte do álbum “Duas Cidades” de 2016, até as mais recentes “Capim Guiné” (parceria com Titica e Margareth Menezes) e “Alfazema” (parceria com a Nação Zumbi). Ao lado da banda, participações de grandes nomes como BNegão, Vandal e o rapper baiano em ascensão Hiran. Os dois primeiros já figurinhas carimbadas nos shows da máquina de louco. Acrescentaram bem à performance.

Infelizmente nem tudo é de se comemorar. Mesmo que a qualidade musical da banda tenha se feito presente, como é de costume, a multidão que foi arrastada cobrou seu preço. Quem já foi a shows em carnavais anteriores sabe bem que essa com certeza não foi das melhores experiências com o “navio pirata”. Em alguns momentos o clima no circuito foi um tanto quanto sufocante e deu agonia. Até aí não seria um grande problema, porque a alta qualidade musical se mantinha, era possível seguir pulando junto com o movimento da massa e dava pra curtir, volta e meia nas clássicas rodas feitas pelo público.

Russo conduzia com todo o cuidado o trio e fazia de tudo para acalmar, na medida do possível, a massa sedenta por música e pela loucura do grave baiano, aos gritos constantes de “é só amor”, fazendo discursos contra brigas, roubos, etc. A cada momento que alguma coisa parecia errada, o trio e a música paravam, fato que infelizmente se fez mais presente do que seria ideal, mas que asseguravam o importante clima de paz.  Russo pedia palmas e atenção para deixar a “segurança” passar. Em algum momento no meio do circuito, entretanto, o “pacto” feito com a Polícia Militar da Bahia se rompeu e suas ações mostraram o que tem de pior na corporação. Tudo filmado por várias câmeras da equipe da banda. Em algum momento o show de horrores pode ser revelado com detalhes ao grande público. Vamos esperar.

A segunda metade do circuito foi tensa com base no despreparo da polícia, com o medo que volta e meia se fazia presente de levar porradas de cassetete, principalmente para os que são alvos preferenciais da corporação (se é que você me entende… cidade mais negra do Brasil e coisa e tal). Mesmo assim, Russo conduziu da maneira que pôde a tensão e ainda foi possível curtir o som e pular bastante, principalmente quando ao final do circuito a banda tocou o sucesso “Playsom” e a plateia enlouqueceu, tendo o Farol da Barra como cenário de fundo.

Se a “segurança” promoveu um show de horrores, a máquina de louco compensou e promoveu um show de sucessos. O saldo da apresentação se mantém como positivo e Baiana System continua a empolgar, sem perder a sua essência de outros carnavais. Tudo o que os fãs esperam é que as próximas apresentações de Baiana no carnaval de Salvador sejam mais tranquilas.

Longa vida à Máquina de Louco e ao Furdunço!

Vídeos da passagem do trio “Navio Pirata” – todos os créditos aos donos das postagens

Gente não postei nada de Fuzuê e Furdunço porque trabalhei no fim de semana, mas to recebendo os videos de ontem e BEU DEUS ?#Furdunço #Carnaval #Salvador #Bahia [Enviado por Jayme Brandão]

Posted by Guia de Sobrevivência do Soteropobretano on Monday, February 5, 2018

O Navio Pirata do BaianaSystem não afunda!

Posted by Jorge Bizzi on Sunday, February 4, 2018

Stevan Zanirati leva o ouvinte em uma viagem em seu disco “Álbum Aleatório “

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O cenário independente está cada vez mais forte. São muitos os meios do artista levar ao forno seu trabalho. Hoje, como um exemplo claro deste avanço musical, trago o músico Stevan Zanirati com seu primeiro disco, “Álbum Aleatório”. Artista e compositor, teve inicio na musica autoral em 2010 formando as bandas Atrás de Verbas, Atomic Yellow e Os Liverpoa. Desde 2014, como artista solo, tocando com bandas de apoio ou voz e violão, reúne suas composições para formar seu álbum de inéditas com a devida parceria do produtor e músico Maestro Sujo.

Gravado na Casa de Insetos (Viamão, RS ) e com produção do Maestro Sujo, o “Álbum Aleatório” é um trabalho que foi formado aos poucos, com precisão em sua elaboração, o que o torna único. A obra traz grandes refrões, riffs psicodélicos com pegada popular e até surf music.

Essa parceria entre Stevan e Maestro Sujo realmente foi algo inédito e que deu super certo. Conseguiram transformar as composições em um encontro de doses de psicodelia, balada e overdrive, o que tornou o disco leve e gostoso de ser ouvido. A faixa “Ao Som da Maçã” traz uma introdução do que é a base do disco, solos de guitarra e overdrive encorpando a letra que viaja aos ouvidos. A segunda faixa, “Repertório da Noite”, na minha opinião é a grande surpresa do disco, pois apresenta um swing diferenciado no som com aquele surf psicodélico, seguindo esta viagem musical muito bem feita pela dupla. A faixa “Valer a Pena” traz uma elaboração maior no vocal e maior presença do backing vocal. Noto que a utilização de novos elementos no álbum começa a surgir com maior presença, mantendo o psicodelismo.

Então chegamos na faixa “Quando Parar de Chover”, um som mais rock’n’roll com maior presença de influência dos Beatles. Já na faixa “Mary”, o artista dedica um som mais romântico, me lembrando o saudoso Júpiter Apple, com elemento da ”corneta artesanal” feita pelo Maestro Sujo para completar a sonoridade. Depois do groove mais romântico, o disco volta a ser mais enérgico na faixa “Não é uma Canção de Amor”. “Não Durma no Ponto” é uma faixa mais crítica e pesada que traz uma letra forte sobre a sociedade e marca muito bem o encerramento desta bela obra musical. Um disco que realmente me surpreendeu e me levou às veias psicodélicas novamente. A dupla Stevan Zanirati com Maestro Sujo fluiu muito bem, o que deixam bem claro aqui.