Sim, é uma lista com MAIS 10 casas de São Paulo que também apostam em bandas autorais!

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Travelling Wave ao vivo no 74Club
foto: Fernanda Carrilho Gamarano

A cada dia, novas músicas são compostas, novas bandas são formadas e novas letras são escritas. E mesmo que as bandas covers sejam uma aposta fácil para as casas noturnas que querem atrair público que quer apenas curtir os sons que já fazem sua cabeça, muitos locais ainda apostam em bandas e artistas autorais, fortalecendo a cena da nova música que sempre está efervescendo em todos os cantos do Brasil.

O post com 10 locais de São Paulo que apostam em bandas autorais foi um dos maiores sucessos do Crush em Hi-Fi até hoje. Aí fizemos o segundo pra quem achou pouco, e novamente foi um sucesso. E como muita gente sugeriu ainda mais lugares que tentam bravamente resistir à epidemia de covers, uma Parte 3 do post se fez necessária!

Seja você uma banda, artista ou um amante de música, confira mais 10 lugares que investem em bandas autorais:

Casamarela – R. Alberto da Silva, 386, Santa Teresinha, São Bernardo do Campo

Quem já tocou por lá: Giallos, La Carne, Statues On Fire, Garage Fuzz, Dobro, Tio Che

A Casamarela é uma casa abandonada em São Bernardo do Campo. Lá, além de shows de bandas autorais, rolam também exposições, bazar e etc. “Graças a falta de espaço em nossa cidade decidi fazer eu mesmo”, explica a descrição na página do local no Facebook. Os estilos que tocam por lá são os mais variados, indo do reggae ao hardcore. Tudo depende do evento do dia!

74 Club – Rua Itobí 325 – Santo André

Quem já tocou por lá: Sky Down, Status On Fire, Penhasco, Bufalo, Attöm Dë, Color For Shane, Olho Seco, Der Baum

A casa de Santo André investe no rock alternativo e no punk. Um dos motes do lugar é a igualdade, fugindo de preconceitos e brigas que às vezes rolam em locais mais underground. “If you are, racist, sexist, homophobic or an asshole… Don’t come in!”, dizem logo na entrada. Por lá, os shows rolam no volume máximo no porão do clube.

Centro Cultural Zapata – Rua Riachuelo, 328

Quem já tocou por lá: Malvina (RJ), CHCL, Penhasco, Gomalakka, Chabad, Vapor, Poltergat, Bufalo, Blues Drive Monster

O Centro Cultural Zapata busca ajudar na renovação do centro de são paulo com dedicação total à diversidade artística e à cultura underground. Independente e punk, o local abre espaço para artistas que encontram resistência para mostrar seus trabalhos em outros lugares. Bandas de qualquer estilo – do punk ao indie, do grindcore ao eletrônico, segundo eles. Além disso, também aceitam companhias de teatro interessadas em montar peças, fotógrafos e artistas plásticos em busca de espaço para expor sua arte.

Centro Cultural Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 119

Quem já tocou por lá: Twinpine(s), The Soundscapes, Carne Doce, Boogarins, Síntese, Projeto Nave, Rapadura Xique Chico, O Surto

Em uma ruazinha escondida nos arredores da Vila Madalena fica o grande Centro Cultural Rio Verde, que recebe shows de bandas dos mais diversos estilos, além de palestras, peças de teatro e festas. O palco é amplo e a acústica ótima, perfeito para grandes shows e eventos. Vale a pena conhecer o lugar!

CECAC (Centro de Cultura Caipira) – Rua Barão de Rio Branco, Serrana

Quem já tocou por lá: Leso, Pitoresco, Dead Fish, Dias Mortos

O CECAC (Centro de Cultura e Ativismo Caipira) é um espaço autônomo inaugurado em 2005 que busca criar um centro artístico, além de receber shows de bandas autorais de todos os estilos. Por lá tem atividades de formação gratuitas durante todo o ano, como iniciação de teoria musical, aulas de baterias, guitarra, cooperativa de bandas, oficina de reciclagem, viola caipira e artesanato, entre outras.

Casa de Francisca – Rua José Maria Lisboa, 190

Quem já tocou por lá: Blubell, Lurdez da Luz, Criolo, Maurício Pereira, Metá Metá, Siba, O Terno

“A Casa de Francisca é considerada pela classe artística e pelo público especializado um dos espaços mais significativos de música em São Paulo. Trata-se da menor casa de shows da cidade voltada exclusivamente para projetos musicais de relevante comprometimento artístico”, dizem eles no site oficial. Preciso descrever mais?

Bolovo – Rua Fradique Coutinho, 2217

Quem já tocou por lá: Lupe de Lupe, Hala

Como descrever a Bolovo? Difícil. Bom, na real é uma marca. Melhor deixar para eles: “Bolovo é uma marca de espírito livre comprometida em fugir do tédio para experimentar idéias originais. Nosso background vem da estrada, das risadas, das amizades e de viver o presente. “Go Out Make Some Memories” é a bandeira que nos mantém em movimento, que nos tira da zona de conforto e que naturalmente nos aproxima das pessoas que se conectam com esse mesmo ideal, seja a audiência, clientes, equipe ou amigos”. Por lá, às vezes rolam shows de diversos estilos, desde que tenham a ver com a ideologia da marca!

Locomotiva Festival – Engenho Central de Piracicaba

Quem já tocou por lá: Far From Alaska, Odradek, Francisco El Hombre, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, The Baggios, Hellbenders

O primeiro Locomotiva Festival rolou em 2015 em setembro no Engenho Central de Piracicaba, reunindo muita música e arte, além de esporte e gastronomia, em um ponto um pouco fora do comum. O Enganho é um local muito interessante e remete à festivais internacionais. Será que rola uma edição em 2016? Esperamos que sim!

Penha Rock @ Centro Cultural da Penha: Largo do Rosário, 20 – Penha

Quem já tocou por lá: Sky Down, Chabad e Color For Shane

Quem disse que a Zona Leste paulistana não teria rock? Pois tem, e dos bons. O Penha Rock está em atividade desde 2012. Projeto do produtor artístico e cultural Adriano Pacianotto, o negócio é realizado de forma independente e sem fins lucrativos, produzindo eventos de rock gratuitamente em espaços públicos da Penha. O projeto tem parceria com a Subprefeitura Penha e com o Centro Cultural da Penha e os eventos acontecem periodicamente, aos domingos, no Parque Tiquatira e no Centro Cultural. O contato com as bandas e com o público é mantido por meio de um blog (penharock.blogspot.com.br) e pelo Facebook!

Festa Crush em Hi-Fi @ Morfeus Club – Rua Ana Cintra, 110 – Santa Cecília

Quem já tocou por lá: Horror Deluxe, Aletrix

Pra finalizar, é claro que vou fazer um jabazinho da festa que se originou deste blog. A festa Crush em Hi-Fi acontece no Morfeus Club, ali do lado do metrô Santa Cecília. Na estreia, tivemos um puta show do duo Horror Deluxe e amanhã (sim, AMANHÃ, 11/03!) rola a segunda edição, com show do Aletrix, discotecagens fora do padrão hit manjado que a noite paulistana está acostumada, venda e troca de discos… Ah, e o editor do blog (eu) estarei recebendo material de bandas autorais para possíveis apresentações nas próximas edições da festa. Apareça lá! É a partir das 20h, no Morfeus Club. Confirme presença no evento, convide os amigos: https://www.facebook.com/events/533111233536596/

Raggabund, a banda alemã que mistura reggae, hip hop, raggamuffin e um tiquinho assim de salsa e cumbia

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Fundada em 2000 em Munique, a banda Raggabund é formada pelos irmãos Paco Mendoza (El Penal) e Don Caramelo, ambos descendentes de latino-americanos. Depois de passarem por diversos outros projetos, a dupla resolveu se unir e criar o projeto que une reggae, dancehall, rock e ritmos latinos como a cumbia e a salsa, por exemplo.

Com três álbuns de estúdio (“Erste Welt”, de 2006; “Mehr Sound”, de 2012 e “Buena Medicina”, de 2015) e diversas participações em músicas de outros artistas (além de mais de 20 singles), o Raggabund passou pelo Brasil em 2015, onde angariou diversos fãs com sua mistura inusitada, levando inclusive influências daqui para seus próximos trabalhos. A dupla se declara fã de bossa nova e MPB, sem esquecer do popular funk carioca. Conversei com a dupla sobre o liquidificador de influências de seu som, a passagem pelo Brasil e a internet atuando como propagadora de músicas e artistas:

– Como foi a turnê no Brasil?

A viagem foi incrível. As pessoas no Brasil nos receberam com muito amor – e isso fez a gente se sentir bem. Também tivemos a oportunidade de estar no palco e em lugares bem legais. Em Salvador, por exemplo, nós tocamos no “jamnomam” – uma jam de jazz à beira do mar. As pessoas começaram a dançar e cantar com a gente. Em Porto Alegre, tivemos milhares de pessoas gritando e cantando com a gente. Rio, Brasília e São Paulo… Foram momentos muito inspiradores e emocionantes.

– A banda mistura várias influências musicais e nacionalidades. Criando esta mistura?

Sempre achei a música muito ampla para se concentrar em um único gênero – que crescemos com ritmos latinos como salsa, valsa ou cumbia. Então, começamos a gostar do reggae jamaicano e sua mensagem rebelde ou o hip hop. Finalmente começamos a misturar todos os ritmos e também na turnê pela América Latina tivemos muitas inspirações, que também acabaram entrando em novas canções, como a música andina ou o funk brasileiro.

– Quais são suas principais influências musicais?

Nosso conceito musical é mais do que offbeats ou cumbia e vem de nossos próprios projetos e de outros projetos: Caramelo Criminal, Paco Mendoza ou Les Babacools. A gente junta cumbia, chicha ou valsa com batidas eletrônicas, rock com raggamuffin, huayno peruano com ska, mas o reggae sempre nos serviu como elemento de ligação entre os gêneros. Com a Raggabund trabalhamos mais com batidas urbanas e reggae. Lá nós digeririmos nossas influências como Public Enemy, Peter Tosh, Marley, SuperCat, KRS ONE, Die Ärzte, Hans Söllner e vários outros.

– Você ouviram alguma coisa da música brasileira quando passaram por aqui?

Não só quando passamos por aí. O seu país tem uma das maiores e mais interessante variedade musicais do planeta – nós amamos a velha música  avant-garde como Bossa ou MPB. Mas também o samba ou variações urbanas brasileiras do hip hop e do reggae. A esperança, ritmo e paixão que levam a música brasileira são uma grande fonte de inspiração.

Raggabund

– Como surgiu a banda?

Bom, fundamos a Raggabund com a intenção de tocar a nossa ideia de reggae com letras em alemão, castelhano e inglês. No início, só fazíamos música em castelhano e isso rolou muito bem por aqui. Mas, para chegar a um público europeu com letras políticas, também é necessário para as pessoas entenderem o que você diz – então começamos a colocar outras línguas em nossas músicas. Isso nos permitiu criar um grande público na Suíça, Áustria e Alemanha. A Raggabund tem várias formações vivo. Para as festas com a banda, acordeão, trombone… em clubes com DJ & Soundsystem, temos nós mesmos com guitarra e beatbox, mas sempre os dois em frente ao microfone interagindo com o público. Em suma, somos vagabundos musicais. E de “Vagabund” (vagabundo em alemão) é o nosso nome.

– Como vocês descreveriam o som da banda?

Essa é uma pergunta muito difícil – o som é global, e a mensagem positiva e consciente. Para que escrever músicas ruins, em um mundo com tanta negatividade? Nós gostamos de criar soluções mais positivas com mensagens de esperança – este mundo, com todos os seus problemas, ainda é maravilhoso e muitos detalhes mostram grande beleza – o problema é que muitas pessoas se cegam para não ver essa grandeza de perto.

– Fale um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

Durante os últimos anos fizemos muitas colaborações com vários artistas. Nós lançamos cerca de 10 álbuns com diferentes projetos. Paco tem o seu programa de rádio FM Mestizo na grande WDR na Alemanha. Nós fazemos tours, shows e festivais em muitos países da Europa, América Latina e Ásia. Em 2013 lançamos a canção “La Frekuencia” no filme “The Counselor”, de Ridley Scott, com Penélope Cruz, Brad Pitt e Javier Bardem. E a Raggabund segue em frente 🙂

– A Internet ajuda ou atrapalha na propagação e proliferação de música ao redor do mundo?

Percebemos que as estruturas musicais de hoje são diferentes do que eram há 15 anos, quando começamos a fazer música profissionalmente. Cada um tem que cuidar de mais coisas por conta própria, mas também pode se beneficiar de ter uma comunidade que o suporta. Isso funcionou muito bem em nossa campanha de crowdfunding e foi muito agradável para obter uma resposta direta dos fãs. Isso nos ajudou muito concretizar o álbum “Good Medicine”. É um álbum de reggae de raiz em espanhol e alemão, algo que ainda não foi feiro. As letras são sempre em espanhol e alemão. Parece muito tradicional, porque nós evitamos o uso de batidas digitais e gravamos todas as músicas com os músicos da banda The Dubby Coquerors. Estamos agora ansiosos para saber como a música será recebida.

Raggabund

– Quais são os planos da banda para 2016?

Estamos atualmente preparando um novo álbum com toda a inspiração dos nossos passeios ao redor do mundo nos últimos dois anos – estivemos em lugares exóticos como Vietnã, Guatemala e Bolívia – e estamos agora finalizando as composições para lhes proporcionar em breve mais som Raggabund.

– Recomendem e artistas que chamaram sua atenção ultimamente e todos deveriam conhecer! (Especialmente se forem independentes!).

Nós amamos as batidas do DJ de neo-cumbia DJ Nirso – ele é de São Paulo e é dedicado aos ritmos latinos. No Chile, estávamos em um show do Matanza (nota do editor: não confundir com a banda carioca de mesmo nome) – eles se misturam música eletrônica com instrumentos andinos e harmonias, soa muito espiritual. Nós também amamos a cumbia urbana, com seus protagonistas Erick Jaimez Dallas, Captain Planet e Sumo Hair de Los Angeles – eles mostram que os ritmos latinos tradicionais também funcionam num contexto de balada, com um grave ardente e baterias digitais.