Construindo The Bombers: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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The Bombers

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto de punk rock santista The Bombers, que indica suas 20 canções indispensáveis. A banda, que surgiu em 1995, se apresenta neste domingo (26) no SESC Santos. Não perca!

Social Distortion“Winners And Losers”
Mick Six: Social Distortion é uma das minhas bandas prediletas a muito tempo, a escolha dessa musica, devido a letra dessa canção, para mim ser sempre algo atual.

Johnny Cash“I Walk The Line”
Mick Six: A canção que faz com que lembre-se a se segurar, em diversas situações… Na família, trabalho, na rua… ao menos tentar, andar na linha, ali no limite, para não arrumar confusão.

The Slackers“Make Me Smile”
Mick Six: Pra mim é uma musica que muda o meu humor, aquela que eu fecho os olhos e me teletransporto para uma manhã ensolarada numa bela praia.

Flogging Molly“Drunken Lullabies”
Mick Six: Aquela trilha sonora para beber a noite inteira com os amigos.

Hank Williams“I Saw The Light”
Mick Six: Escolhi essa canção também, porque numa daquelas fases tensas da vida me deu forças para dar a volta por cima, aceitar novos desafios, recomeçar tudo do zero, aprender uma nova profissão… E eu sabia que aquela seria uma fase nebulosa. E coincidência ou não, quando essa fase nebulosa passou, eu iniciei uma nova fase em minha nova profissão, trabalhando em um local chamado Barbearia Luz. (Risos) É, de certa forma eu vi a Luz (risos).

Legião Urbana“Faroeste Caboclo”
Trivela: A música tem nove minutos, não tem refrão e é o hit de qualquer luau na praia, com todas as pessoas cantando a letra inteira do começo ao fim.

Ramones“Blitzkrieg Bop”
Trivela: Por mais que os Ramones tenham criado diversos clássicos, nada supera o impacto dessa música.

Robert Johnson“Cross Road Blues”
Trivela: Um dos pioneiros do Blues. O blues da encruzilhada. Com essa música veio a lenda de que o Robert Johnson havia feito um pacto com o diabo em troca de habilidades musicais.

Led Zeppelin“Stairway to Heaven”
Trivela: Mais uma música com supostas mensagens subliminares endereçadas ao obscuro. Uma grande besteira, essa é na verdade apenas uma das canções mais bonita da música contemporânea.

Bob Marley“Redemption Song”
Trivela: O canto do cisne do Bob Marley. A beleza dela esta na simplicidade. Violão, voz e alma.

Iggy and the Stooges“Search and Destroy”
Matheus Krempel: I’m a streetwalking cheetah with a heart full of napalm! Quando eu escuto essa música, sinto uma coisa tão forte, que seria capaz de botar um prédio abaixo.

Guns n’ Roses“Coma”
Matheus Krempel: Uma viagem extremamente pesada, com dez minutos de duração, relatando uma experiência de overdose. Guitarras pra caralho, vocal esgoelado ao extremo e um belo jeito de encerrar um álbum.

Rolling Stones“Rocks Off”
Matheus Krempel: Apenas a música que abre o melhor disco dos Rolling Stones. Urbana para caralho, suja e com uma letra que faz referência, o tempo todo, ao uso de heroína. A parte em que ela desacelera, é uma brisa incrível.

Capital Inicial“Conexão Amazônica”
Matheus Krempel: Coube ao Capital Inicial a missão de resgatar as músicas (as perdidas e as não) da banda mais influente do cerrado, o Aborto Elétrico. Renato Russo era um jovem punk quando escreveu “Estou cansado de ouvir falar em Freud, Jung, Engels, Marx / Intrigas intelectuais rodando em mesa de bar”. Me parece bem atual.

Hey! Hello!“How I Survived The Punk Wars”
Matheus Krempel: Muito simples de explicar a escolha dessa. Se toda porra de banda underground, decorasse essa letra e seguisse a cartilha do que ela prega, não teríamos tanta gente babaca nesse meio.

The Clash“Clampdown”
Daniel Bock: Umas das minhas bandas favoritas de todos  os tempos. Acho que risquei o “London Calling” de tanto ouvir. Posso falar do Clash por horas. Mas o que me marca nessa música foi a vez que eu vi um vídeo VHS deles tocando. Eu era moleque e ver aquilo, foi quase indescritível. Literalmente mudou minha vida.

Marky Ramone and The Intruders“One Way Ride”
Daniel Bock: Eu amo o Ramones e Rancid, mas são bandas que eu nunca vi ao vivo (ainda) e sempre me pareceram distantes. O “Don’t Blame Me” do Intruders me atingiu na hora certa. O álbum todo é incrível, essa música em especial, a mensagem, o instrumental e a produção do Lars.

Shooter Jennings“4th of July”
Daniel Bock: Descobri o Shooter Jennings assistindo o filme “Johnny e June” onde ele aparece em uma cena,  interpretando o pai Waylon Jennings, cantando uma música que compôs para o filme. Essa música é a minha favorita dele. A letra é linda, perfeita para ouvir pegando a estrada.

The Supersuckers“Roadworn & Weary (6/6/6 version)”
Daniel Bock: Lembro de colecionar reportagens sobre o Supersuckers nas revistas de rock. Essa música é uma regravação de uma música deles mesmos, que pra mim, representa a melhor fase dessa que com certeza é uma das minhas bandas favoritas.

Os Excluídos“Plano Perfeito”
Daniel Bock: Para mim, Os Excluídos estão entre as melhores bandas brasileiras. Essa música não foi a primeira que ouvi deles mas foi uma das que mais me marcou pela letra e arranjo.

Como Chico Science e Nação Zumbi modernizaram o passado em 1994 com “Da Lama Ao Caos”

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Da Lama Ao Caos
Da Lama Ao Caos

No Walkman, por Luis Bortotti

“Modernizar o passado é uma evolução cultural.”

Por mais que seja óbvio iniciar uma análise sobre “Da Lama Ao Caos”, álbum de estreia da banda Chico Science e Nação Zumbi, o primeiro verso de “Monólogo ao Pé do Ouvido” consegue expressar com muita perfeição toda a obra.

Com o seu lançamento em 1994, e juntamente com Samba Esquema Noise” do Mundo Livre S.A. estava iniciado o movimento manguebeat.

Nele, Chico Science caminha pelas ruas do Recife nos apresentando situações, personagens e problemas cotidianos da cidade. No final do trajeto, ele finca uma parabólica na lama e espalha a sua poesia pelo mundo.

As letras, que apresentam a marginalidade das classes financeiramente inferiores sofrida pela evolução e exploração industrial, os passos diários de uma alienada classe média desde os anos 70 e o miserável e violento estado em que a cidade se encontrava, podem ser tratadas como estudos sociais e antropológicos do Recife nos anos 90.

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Nelas, também é possível encontrar uma grande influência do livro Homens e Caranguejos, do escritor pernambucano, Josué de Castro. No disco, Chico Science e Nação Zumbi tentam recuperar o orgulho do homem-caranguejo, destruído através dos anos pelo esquecimento cultural e social do Recife por parte do Brasil.

Tudo isso é contado através de uma melodia única, que mesclava (e ressuscitou) os ritmos locais com a cultura pop mundial, injetada graças à globalização e virtualização dos anos 80/90.

Em “Da Lama Aos Caos”, temos o maracatu nos overdrives do rock, a ciranda no dub e soul, o samba nas rimas do hip hop.

Essa tropicália mistura foi arquitetada pelo próprio Chico, quando ele resolveu unir as bandas que fazia parte. Antes da Nação Zumbi, a banda chegou a se chamar Chico Science e Lamento Negro, mas logo adotou o nome utilizado até hoje. Na obra produzida por Liminha, temos Dengue (baixo), o fantástico Lúcio Maia (guitarra), Toca Ogam (percussão), Canhoto (caixa), e Gilmar Bolla 8, Gira e Jorge Du Peixe (alfaias).

No geral, “Da Lama Aos Caos” é um álbum obrigatório para todos os tipos de ouvidos. Um mangue de ritmos e estilos que fez o mundo inteiro se antenar no Recife e voltar a curtir a fértil cena cultural da cidade.

Chico Science e Nação Zumbi – Da Lama Ao Caos | #temqueouvir!

01. “Monólogo ao Pé do Ouvido”
02. “Banditismo Por Uma Questão de Classe”
03. “Rios, Pontes & Overdrives”
05. “A Praieira”
06. “Samba Makossa”
07. “Da Lama Ao Caos”
09. “Salustiano Song”
11. “Risoflora”

Chico Science e Nação Zumbi – Da Lama Ao Caos | #ouçaagora!

Ecléticas e envolventes: conheça as pérolas escondidas nas trilhas dos jogos da FIFA

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FIFA Soccer

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje não vamos falar de cinema, muito menos de série. Mas nem por isso trilha sonora vai ficar de fora, é claro. Ainda em meio a clima olímpico e ouro inédito no futebol masculino vamos falar de outra paixão nacional: vídeo games.

ALLEJO
Allejo, o eterno “Pelé” do jogo International Superstar Soccer (SNES)

Recentemente vimos um vencedor de prêmio Puskas, o até então semi-desconhecido Wendell Lira, virar gamer profissional. O jogador que pouco tempo após o gol – marcado pelo Goianésia durante o modesto campeonato goiano –  foi dispensado do time que disputa a quarta divisão do campeonato nacional.

Após a fama “meteórica”, ele teve propostas de times do Brasil todo, acabou até fechando um contrato com o Vila Nova (Goiás) que após 3 jogos foi rescindido. Ele até teve propostas de outros clubes como o Audax (do Vampeta – ex-Corinthians e pentacampeão), mas aos 27 ele “aposentou as chuteiras” e migrou para o futebol de apartamento.

Sobre sua decisão, Wendell até falou um pouco para o Uol no fim de julho:

“Decidi que é hora de parar”, disse o jogador em vídeo promocional. “Várias situações me motivaram a essa decisão. O gol marcou minha carreira, foi inesquecível, mas eu tive muitas desilusões no futebol. Infelizmente há pessoas boas, mas há pessoas muito ruins no futebol, que não pensam na família ou no jogador.

Tive muitos problemas e como eu já era um apaixonado por games, recebi uma proposta muito boa para iniciar este projeto, que me levaria a ter um futuro melhor, já que no futebol teria mais três ou quatro anos de carreira em um nível intermediário. Todos sabem a dificuldade dos clubes menores. Foi a melhor decisão”

Caso se interesse por saber mais sobre o novo rumo de Wendell dentro das quatro linhas – virtuais – do FIFA fique por dentro através de seu canal de youtube WLPSKS.

FIFAR
“Os bugs” de FIFA costumam fazer sucesso na internet

No dia 27 de setembro (29 no resto do mundo) chegará ao mercado norte-americano a vigéssima quarta edição da franquia de games FIFA. Um game muito esperado, pois será a primeira que teremos o adendo do futebol feminino, algo que é pedido já a muitos anos e que FINALMENTE ganha espaço. Outra novidade será que veremos os treinadores “trabalhando” de dentro do campo e será possível interagir com eles.

Muita coisa mudou desde o início do jogo que foi ao mercado pela primeira vez no fim de 1993 e já passou por um número vasto de consoles, tendo até desdobramentos como Fifa Street e Fifa World Cup. Muitas ligas foram adicionadas, direitos de imagem foram negociados e os gráficos a cada ano que passam ficam mais realistas. Sem esquecer, claro, da jogabilidade, do modo “manager” de carreira e das trilhas sonoras. E é neste ponto que queria chegar: vocês já pararam para prestar atenção nas pérolas que as soundtracks de FIFA possuem?

Hoje irei fazer algo diferente: ao invés de dissecar faixa a faixa a trilha de uma edição, vou escolher algumas para destacar. Acredite se quiser, vocês irão se surpreender. E funcionará perfeitamente como aquecimento para revelação da trilha de FIFA ’17 – algo guardado a sete chaves pela equipe da EA SPORTS.

Em 2016 tivemos a aparição da banda brasileira sensação: Baiana System. Misturando o axé baiano, o som dos som sistemas, reggae, cumbia, afroxé e beats eletrônicos que têm conquistado não só o coração dos brasileiros, mas o mundo. No game, “Playsom” traz toda essa conexão Brasil-Kingston-Berlim para nossos ouvidos. Quem já pôde vê-los ao vivo nos conta que a energia da combinação destes ritmos é envolvente como a energia de uma escola de samba.

Ainda na trilha de 2016, quem traz a energia para as pistas de dança é o grupo colombiano Bomba Estéreo. Com a explosão do reggaeton e o sucesso de M.I.A., este tipo de som têm ganhado adeptos ao longo dos anos. Eles se denominam como eletro-tropical ou cumbia psicodélica. O que importa é que é ficar parado não é opção após o play:

Mas fiquem calmos que a última edição não tirou o espaço do rock alternativo – que sempre tem espaço nas trilhas do jogo – da área. E porque não uma banda portuguesa que tenho contato a alguns anos e transmite uma energia muito boa, o X-Wife?

A música que participa da soundtrack é “Movin Up”, que tem uma levada lo-fi descompromissada misturada com beats eletrônicos e metais. Segue aquela linha do Cansei de Ser Sexy e Bombay Bicycle Club. Certamente irá conquistar fãs de Arctic Monkeys, Kasabian e The Knife:

Direto da terra do Tame Impala e com influências de Of Montreal e Devendra Banhart e do polêmico Kanye West vem o The Griswolds. Aliás, ela é altamente recomendável para fãs de Passion Pit, tendo inclusive excursionado juntas. Na tracklist de FIFA ’15 eles aparecem com a festiva e inocente “16 years”.

Dez anos após o lançamento do icônico álbum de estreia, o duo canadense Death From Above 1979 lançou seu segundo disco. Muitas faixas estavam “engavetadas” do primeiro trabalho e soam como continuação do disquinho. Para coroar toda essa espera, a trilha de FIFA ’15 conta com “Crystal Ball”, uma canção para fritar na pista de dança.

Em 2014 quem chegou “tombando” tudo foi Karol Conka. Mas a canção que embala o tom da prosa não foi “Tombei”, e sim “Boa Noite”. A rapper curitibana mostrou seu poder e som contagiante desde então em uma subida que parece não ter limites:

Mas é nas diferenças que as trilhas de FIFA ganham seu brilho. Representando a música inglesa e seu rico cenário eletrônico temos o Crystal Fighters que em 2013 chegou junto com seu eletro-folk tribal. A festa ficou ainda mais contagiante ao som da eletrizante, “Follow”:

Misturando rumba, flamenco, música eletrônica e música latina direto da Espanha temos a Macaco. Assim como o Gogol Bordello, o conjunto catalão contém membros de países do mundo todo (Brasil, Suécia, Camarões, Venezuela e Espanha), e tem na mistura sua força motriz. No FIFA ’12, “Una Sola Voz” está presente na trilha. O grupo já esteve presente no FIFA ’09 e FIFA ’10 com respectivamente “Moving” e “Hacen Falta Dos”.

A  Ana Tijoux é francesa de nascimento mas escolheu o Chile como terra de coração e solta suas rimas com primor em “1977”, faixa que faz parte de seu quinto álbum solo, que teve sucesso tanto na América Latina como nos EUA. A soundtrack de FIFA ’11 não foi a única que a utilizou: a série Breaking Bad também adicionou a cantora a seus discos de cabeceira.

Uma das mais emblemáticas e importantes bandas do ska argentino não ia ficar de fora dessa festa: com todo gingado boleiro, Los Fabulosos Cadillacs faz um gol de placa – na trilha de FIFA ’10 – com “La Luz del Ritmo”.

O consagrado duo norueguês de música eletrônica Röyksopp dominou no peito e após driblar o adversário bateu para o gol com a viajante “It’s What You Want”. O som deles mistura o ambient, o house, o drum & bass com ritmos latinos. Um destaque que quem joga não verá – se não procurar no Google – é o visual excêntrico dos estranhões que em sua carreira tem uma indicação para o Grammy.

As descobertas não param e direto da Bélgica – um país que tem uma diversidade musical incrível – temos Zap Mama. Se eu não tivesse lido que a artista é de lá eu jamais chutaria que é belga, porém o som me deixou intrigado desde a primeira nota. É uma loucura sonora de um mistura interessantíssima: hip-hop, nu soul com elementos de jazz e pop. Com raízes musicais africanas, ela canta em inglês e em francês. Na trilha de FIFA ’10 ela aparece com “Vibrations”.

Voltemos ao bom e velho rock’n’roll: em 09′ quem deu as caras foram os escoceses do The Fratellis com “Tell Me a Lie”, canção presente no segundo disco do grupo – Here We Stand” (2008). O grupo liderado por John Fratelli ficou sem lançar nada até 2013, após neste período anunciar um longo hiato e John se arriscar em carreira solo.

Uma das canções mais conhecidas das gêmeas idênticas do The Veronicas, “Untouched”, está presente –  no jogo de ’09 – com seu eletropop/alternativo. Uma curiosidade é que , ex-Holly Tree, lá em 2008 tocou como guitarrista no conjunto.

Em 2008 uma das bandas que eu mais gosto da Australia, The Cat Empire, entrou na trilha do game com o hit “Sly”. O mais curioso é que o som da banda tem uma veia latina fortíssima com seu jazz que mistura ritmos latinos com o ska, o funk, o rock e até um pouco da salsa. Já pude presenciar o show deles em três oportunidades e digo e repito: Não perca de jeito nenhum em uma futura visita ao país.

No mesmo ano temos uma banda da Alemanha, mas calma: não vou anunciar mais um gol do Khedira, por mais que o grupo represente muito bem a música pop germânica. Lembro quando ouvi pela primeira vez a canção “Nur Ein Wort” na MTV Europa e ter escrito num post-it para baixar depois – em meados de julho de 2005 (9 anos antes do fatídico 7×1).

Enfim, na trilha temos Endlich Ein Grund Zur Panik”, canção que conta com um divertido clipe que “tira onda” com a imagem dos super heróis e vale a pena apertar o play. 

Em 07′ a Coréia do Sul foi representada pelos “bizarros” e aleatórios Epik High. A canção não é muito minha cara com seu hip hop made in Seoul. Porém a título de curiosidade segue o o clipe de “Fly”:

Mas se estamos falando de música diferente feita ao redor do mundo, porque não um Nu Metal italiano? E assim chegamos a soundtrack de FIFA 06′ com Inno All’Odio” do LINEA77. Eu não sei vocês, mas eu nunca tinha parado para imaginar Nu Metal feito em italiano e achei de certa forma cômico. 

Para fechar a lista de alguns dos muitos destaques e pérolas dos últimos 10 anos da trilha sonora da série de games FIFA, um clássico. Sim, já podemos afirmar tranquilamente que “Daft Punk Is Playing at My House” do LCD Soundsystem, um dos grandes clássicos dos 00’s.

E desta forma encerramos os trabalhos por hoje com novos sons para agitar sua playlist e também fazer a trilha daquela pelada no fim de semana. Arranje uma caixa de som e bom jogo!

Anjaya mistura reggae, soul, hip hop e rock com muita personalidade no álbum “Illusion Time”

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Anjaya La Luz começou sua carreira bem cedo, estudando música e dança em um conservatório com apenas seis anos tocando flauta e órgão. Com 16, se mudou para paris e entrou em uma escola de canto, teatro e dança. Decidiu então, aos 19, ir para Londres para aperfeiçoar o que havia aprendido. A partir daí, a cantora e compositora começou a gravar seus trabalhos, chegando a passar pela banda Wiki-Wiki em Los Angeles, registrando um álbum. Desde então, Anjaya já foi modelo publicitária, backing vocal de Ricky Martin e vários outros artistas, membra da banda Generation Disco e participou dos musicais “Belles, Belles, Belles” e Cinderella, entre muitas outras empreitadas, sejam elas musicais ou não.

Com um EP (“DARE”) e um disco (“Illusion Time”) na bagagem, Anjaya mistura reggae, rock, electro, soul e R&B à sua própria maneira, imprimindo sua personalidade e algo de todos os projetos de que já participou em sua multifacetada carreira. Produzido or Tom Fire e lançado em 2016, “Illusion Time” conta com os singles “Rainy Day” e “Tu Joues Avec Moi”, que ganharam clipes dirigidos por Guillaume Pin, e “Paris”, que teve um vídeo dirigido por Emmanuelle Bouaziz.

– Como você começou a fazer música?

Comecei quando estava estudando órgão. Tocar um instrumento me incentivou a começar a criar melodias e canções. Gravei o meu primeiro álbum ao vivo com músicos, mas eu senti que ele não estava completo, então eu não lancei. Eu tive que voltar a trabalhar para melhorar as minhas músicas.

– Como você definiria seu som?

Eu acho que é uma música elegante, sensual e suave.

– Quais são suas principais influências musicais?

Reggae, Soul e Pop Music.

– O que você acha sobre a música de hoje em dia?

Acho que temos duas grandes tendências – a música que entretém e, em seguida, a música que fala. Eu gosto de músicas que têm um significado, que têm uma mensagem. Eu gosto de ambos, exceto quando a melodia e a letra são fracas ou se elas têm certos sons que são muito “da moda” que eu não gosto.

Anjaya

– Diga-me mais sobre o material que você já lançou.

Levei quase dois anos para gravar este álbum, porque eu também estava atuando em um musical ao mesmo tempo. Eu também estava trabalhando na produção do meu primeiro clipe para “Rainy Day” e eu estava tentando encaixar a minha agenda com Tom Fire, que produziu o álbum. Além disso, foi um momento difícil para mim pessoalmente, porque durante esses dois anos eu não tinha lugar para ficar depois de um término de relacionamento. Eu estava indo de apartamento em apartamento, ficando com os amigos. Eu estava realmente com sorte!

– A cultura do álbum está morta? Os artistas tendem a lançar mais singles online do que álbuns completos por causa disso?

Eu não sei se está definitivamente morta – temos que escrever boas canções para fazer as pessoas quererem comprar um álbum inteiro. Mas é também uma questão de tempo. Artistas de hoje têm para liberar canções muito rapidamente para manter o público envolvido – às vezes à custa da qualidade.

 – Você conhece alguma música brasileira?

É claro e eu adoro isso! João Gilberto, Gilberto Gil, Chico Buarque, Seu Jorge e DJ Marky!

– Como é o seu processo criativo?

Uma melodia pode vir a qualquer momento, enquanto eu estou cozinhando, ouvindo uma música, assistindo a um filme, andando pela rua, pouco antes de eu cair no sono, enquanto eu estou tocando piano … a qualquer momento! Quando vem, eu tenho que parar o que estou fazendo para me concentrar sobre isso, porque na maioria das vezes eu tenho toda a música vindo através de mim.

Anjaya

– Quais são os seus próximos passos em 2016?

Estar no palco! Encontrar o público! Essa é a melhor parte de fazer música! Talvez também no Brasil, quem sabe 🙂

– Recomende algumas bandas e artistas que chamou sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)

Eu amo Technimati, o á​lbum “Desire Path” (Drum & Bass). Acabei de descobrir o Alabama Shakes, estou ouvindo “Future People” de novo e de novo. Também Marques Toliver com “Control/Mahogany Session” e “White Sails”.

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Anarchicks
Anarchicks

Angel Olsen“Shut Up Kiss Me”

O clipe novo de Angel Olsen é da faixa “Shut Up Kiss Me” (não, não é uma versão do funk “Cala a Boca e Beija Logo”). A faixa faz parte do disco “My Woman”, que será lançado dia 2 de setembro pela Jagjaguwar. Dirigido pela própria cantora com colaboração de Ashley Connor e Jethro Waters, o clipe tem um visual que lembra os anos 70 e 80.

Blood Orange“Augustine”

“Augustine” faz parte de “Freetown Sound”, o novo disco do Blood Orange. O clipe cheio de danças conta com direção de Devonté Hynes e os dançarinos Jerome Bwire, Bryndon Cook, Julian Devine, Sigrid Lauren, Monica Mirabile, Nana Tsuda Misko, Juri Onuki e Leslie Andrea Williams.

Motor City Madness“Gravediggers”

A música que dá título ao disco mais recente do Motor City Madness, “Gravediggers”, ganhou um clipe com toda aquela pegada The Walking Dead. Dirigido por Sergio Caldas, Rodrigo Fernandes, Rene Mendes e Fabian Steinert e com a participação dos zumbis Pomba Cláudia e Pedro Nogueira, o clipe tem aquele quê de filme B e uma bela maquiagem de Christy Figueiredo. Uma produção Subverse Film Crew.

Ian Sweet“If You’re Crying”

O clipe com cara de caseiro de “If You’re Crying” foi filmado pela própria artista, e a música faz parte de seu primeiro EP, lançado em cassette.

Aesop Rock“Kirby”

“Kirby” é a história de um pequeno felino, que no clipe é interpretado por Dina, que foi resgatado na rua em Los Angeles e foi adotado. Hoje vive feliz com sua família. O clipe dirigido por Toben Seymour, com um simpático marionete de Aesop Rock, faz parte  do disco  “The Impossible Kid”, lançado pela Rhymesayers Entertainment.

Red Fang“Blood Like Cream”

Em “Blood Like Cream” temos um pouco mais de zumbis. Só que estes são MAIS perigosos. Em vez de comer cérebros e humanos, eles TOMAM TODA A CERVEJA DO MUNDO! O clipe para a faixa do disco “Whales and Leeches” foi dirigido por Whitey McConnaughy e conta com a participação de Fred Armisen, da série Portlandia.

Paula Cavalciuk“Morte e Vida Uterina”

O novo clipe do single contra o machismo foi concebido graças à boa vontade de 54 mulheres que enviaram para Paula Cavalciuk suas mensagens de protesto e empoderamento. O vídeo foi produzido por Seven Cats Filmes e dirigido por Felipe Botti.

Anarchicks“Witch One”

A banda portuguesa Anarchicks lançou nesta semana um clipe exclusivo para o canal do Youtube da rádio Antena 3 dirigido por Fernando Matias, do The Pentagon Audio.

Huaska“Kuyashii (悔しい)”

Um lindo clipe com animação de Mauricio Bartok. A faixa faz parte de “Fim”, novo disco do Huaska.

Roots Circus“Know Me By Now”

Pra fechar, um clipe de reggae  do Roots Circus com imagens da própria banda no Centro Histórico de São Luís do Maranhão!

Dread Zeppelin: mais de 25 anos misturando Led Zeppelin com reggae e imitações de Elvis Presley

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Dread Zeppelin

Quem pensaria em misturar Elvis em sua fase mais rechonchuda com Led Zeppelin e reggae? Pois essa salada mista é a fórmula do Dread Zeppelin, uma das maiores bizarrices musicais já registradas no planeta.

Sempre capitaneada por Tortelvis, ou Greg Tortell, uma canhestra e divertida versão de Mr. Presley, a banda toca covers de Led Zeppelin e classic rock em uma versão jamaicana e chegou a fazer certo sucesso nos anos 90. Seu primeiro disco, “Un-Led-Ed”, de 1990, saiu pela IRS Records e vendeu muito mais que o esperado, gerando rapidamente seu sucessor, “5.000.000 Tortelvis Fans Can’t Be Wrong”, e a banda saiu em turnê com seu circo Elvis-Zeppeliano.

As versões para clássicos do Zep como “Black Dog”, “Immigrant Song” e “Black Dog” ficam hilárias (e muito bem feitas) com o grupo esquizofrênico, que também faz covers de Elvis Presley (lógico), Bob Marley, The Who, The Doors, The Righteous Brothers e muitos outros artistas do rock clássico. Até um disco com canções de Natal eles já lançaram!

Desde então, depois de diversas mudanças de formação, o grupo hoje conta com Tortelvis (que chegou a sair e voltar), Butt-Boy (baixo), Spice (teclado e percussão), Bob Knarley (guitarra), Ziggy Knarley (guitarra) e Charlie Haj (bateria), e continua na ativa. Seu 16° disco, “Soso”, saiu em 2011.

Sim, é uma lista com MAIS 10 casas de São Paulo que também apostam em bandas autorais!

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Travelling Wave ao vivo no 74Club
foto: Fernanda Carrilho Gamarano

A cada dia, novas músicas são compostas, novas bandas são formadas e novas letras são escritas. E mesmo que as bandas covers sejam uma aposta fácil para as casas noturnas que querem atrair público que quer apenas curtir os sons que já fazem sua cabeça, muitos locais ainda apostam em bandas e artistas autorais, fortalecendo a cena da nova música que sempre está efervescendo em todos os cantos do Brasil.

O post com 10 locais de São Paulo que apostam em bandas autorais foi um dos maiores sucessos do Crush em Hi-Fi até hoje. Aí fizemos o segundo pra quem achou pouco, e novamente foi um sucesso. E como muita gente sugeriu ainda mais lugares que tentam bravamente resistir à epidemia de covers, uma Parte 3 do post se fez necessária!

Seja você uma banda, artista ou um amante de música, confira mais 10 lugares que investem em bandas autorais:

Casamarela – R. Alberto da Silva, 386, Santa Teresinha, São Bernardo do Campo

Quem já tocou por lá: Giallos, La Carne, Statues On Fire, Garage Fuzz, Dobro, Tio Che

A Casamarela é uma casa abandonada em São Bernardo do Campo. Lá, além de shows de bandas autorais, rolam também exposições, bazar e etc. “Graças a falta de espaço em nossa cidade decidi fazer eu mesmo”, explica a descrição na página do local no Facebook. Os estilos que tocam por lá são os mais variados, indo do reggae ao hardcore. Tudo depende do evento do dia!

74 Club – Rua Itobí 325 – Santo André

Quem já tocou por lá: Sky Down, Status On Fire, Penhasco, Bufalo, Attöm Dë, Color For Shane, Olho Seco, Der Baum

A casa de Santo André investe no rock alternativo e no punk. Um dos motes do lugar é a igualdade, fugindo de preconceitos e brigas que às vezes rolam em locais mais underground. “If you are, racist, sexist, homophobic or an asshole… Don’t come in!”, dizem logo na entrada. Por lá, os shows rolam no volume máximo no porão do clube.

Centro Cultural Zapata – Rua Riachuelo, 328

Quem já tocou por lá: Malvina (RJ), CHCL, Penhasco, Gomalakka, Chabad, Vapor, Poltergat, Bufalo, Blues Drive Monster

O Centro Cultural Zapata busca ajudar na renovação do centro de são paulo com dedicação total à diversidade artística e à cultura underground. Independente e punk, o local abre espaço para artistas que encontram resistência para mostrar seus trabalhos em outros lugares. Bandas de qualquer estilo – do punk ao indie, do grindcore ao eletrônico, segundo eles. Além disso, também aceitam companhias de teatro interessadas em montar peças, fotógrafos e artistas plásticos em busca de espaço para expor sua arte.

Centro Cultural Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 119

Quem já tocou por lá: Twinpine(s), The Soundscapes, Carne Doce, Boogarins, Síntese, Projeto Nave, Rapadura Xique Chico, O Surto

Em uma ruazinha escondida nos arredores da Vila Madalena fica o grande Centro Cultural Rio Verde, que recebe shows de bandas dos mais diversos estilos, além de palestras, peças de teatro e festas. O palco é amplo e a acústica ótima, perfeito para grandes shows e eventos. Vale a pena conhecer o lugar!

CECAC (Centro de Cultura Caipira) – Rua Barão de Rio Branco, Serrana

Quem já tocou por lá: Leso, Pitoresco, Dead Fish, Dias Mortos

O CECAC (Centro de Cultura e Ativismo Caipira) é um espaço autônomo inaugurado em 2005 que busca criar um centro artístico, além de receber shows de bandas autorais de todos os estilos. Por lá tem atividades de formação gratuitas durante todo o ano, como iniciação de teoria musical, aulas de baterias, guitarra, cooperativa de bandas, oficina de reciclagem, viola caipira e artesanato, entre outras.

Casa de Francisca – Rua José Maria Lisboa, 190

Quem já tocou por lá: Blubell, Lurdez da Luz, Criolo, Maurício Pereira, Metá Metá, Siba, O Terno

“A Casa de Francisca é considerada pela classe artística e pelo público especializado um dos espaços mais significativos de música em São Paulo. Trata-se da menor casa de shows da cidade voltada exclusivamente para projetos musicais de relevante comprometimento artístico”, dizem eles no site oficial. Preciso descrever mais?

Bolovo – Rua Fradique Coutinho, 2217

Quem já tocou por lá: Lupe de Lupe, Hala

Como descrever a Bolovo? Difícil. Bom, na real é uma marca. Melhor deixar para eles: “Bolovo é uma marca de espírito livre comprometida em fugir do tédio para experimentar idéias originais. Nosso background vem da estrada, das risadas, das amizades e de viver o presente. “Go Out Make Some Memories” é a bandeira que nos mantém em movimento, que nos tira da zona de conforto e que naturalmente nos aproxima das pessoas que se conectam com esse mesmo ideal, seja a audiência, clientes, equipe ou amigos”. Por lá, às vezes rolam shows de diversos estilos, desde que tenham a ver com a ideologia da marca!

Locomotiva Festival – Engenho Central de Piracicaba

Quem já tocou por lá: Far From Alaska, Odradek, Francisco El Hombre, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, The Baggios, Hellbenders

O primeiro Locomotiva Festival rolou em 2015 em setembro no Engenho Central de Piracicaba, reunindo muita música e arte, além de esporte e gastronomia, em um ponto um pouco fora do comum. O Enganho é um local muito interessante e remete à festivais internacionais. Será que rola uma edição em 2016? Esperamos que sim!

Penha Rock @ Centro Cultural da Penha: Largo do Rosário, 20 – Penha

Quem já tocou por lá: Sky Down, Chabad e Color For Shane

Quem disse que a Zona Leste paulistana não teria rock? Pois tem, e dos bons. O Penha Rock está em atividade desde 2012. Projeto do produtor artístico e cultural Adriano Pacianotto, o negócio é realizado de forma independente e sem fins lucrativos, produzindo eventos de rock gratuitamente em espaços públicos da Penha. O projeto tem parceria com a Subprefeitura Penha e com o Centro Cultural da Penha e os eventos acontecem periodicamente, aos domingos, no Parque Tiquatira e no Centro Cultural. O contato com as bandas e com o público é mantido por meio de um blog (penharock.blogspot.com.br) e pelo Facebook!

Festa Crush em Hi-Fi @ Morfeus Club – Rua Ana Cintra, 110 – Santa Cecília

Quem já tocou por lá: Horror Deluxe, Aletrix

Pra finalizar, é claro que vou fazer um jabazinho da festa que se originou deste blog. A festa Crush em Hi-Fi acontece no Morfeus Club, ali do lado do metrô Santa Cecília. Na estreia, tivemos um puta show do duo Horror Deluxe e amanhã (sim, AMANHÃ, 11/03!) rola a segunda edição, com show do Aletrix, discotecagens fora do padrão hit manjado que a noite paulistana está acostumada, venda e troca de discos… Ah, e o editor do blog (eu) estarei recebendo material de bandas autorais para possíveis apresentações nas próximas edições da festa. Apareça lá! É a partir das 20h, no Morfeus Club. Confirme presença no evento, convide os amigos: https://www.facebook.com/events/533111233536596/

Raggabund, a banda alemã que mistura reggae, hip hop, raggamuffin e um tiquinho assim de salsa e cumbia

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Fundada em 2000 em Munique, a banda Raggabund é formada pelos irmãos Paco Mendoza (El Penal) e Don Caramelo, ambos descendentes de latino-americanos. Depois de passarem por diversos outros projetos, a dupla resolveu se unir e criar o projeto que une reggae, dancehall, rock e ritmos latinos como a cumbia e a salsa, por exemplo.

Com três álbuns de estúdio (“Erste Welt”, de 2006; “Mehr Sound”, de 2012 e “Buena Medicina”, de 2015) e diversas participações em músicas de outros artistas (além de mais de 20 singles), o Raggabund passou pelo Brasil em 2015, onde angariou diversos fãs com sua mistura inusitada, levando inclusive influências daqui para seus próximos trabalhos. A dupla se declara fã de bossa nova e MPB, sem esquecer do popular funk carioca. Conversei com a dupla sobre o liquidificador de influências de seu som, a passagem pelo Brasil e a internet atuando como propagadora de músicas e artistas:

– Como foi a turnê no Brasil?

A viagem foi incrível. As pessoas no Brasil nos receberam com muito amor – e isso fez a gente se sentir bem. Também tivemos a oportunidade de estar no palco e em lugares bem legais. Em Salvador, por exemplo, nós tocamos no “jamnomam” – uma jam de jazz à beira do mar. As pessoas começaram a dançar e cantar com a gente. Em Porto Alegre, tivemos milhares de pessoas gritando e cantando com a gente. Rio, Brasília e São Paulo… Foram momentos muito inspiradores e emocionantes.

– A banda mistura várias influências musicais e nacionalidades. Criando esta mistura?

Sempre achei a música muito ampla para se concentrar em um único gênero – que crescemos com ritmos latinos como salsa, valsa ou cumbia. Então, começamos a gostar do reggae jamaicano e sua mensagem rebelde ou o hip hop. Finalmente começamos a misturar todos os ritmos e também na turnê pela América Latina tivemos muitas inspirações, que também acabaram entrando em novas canções, como a música andina ou o funk brasileiro.

– Quais são suas principais influências musicais?

Nosso conceito musical é mais do que offbeats ou cumbia e vem de nossos próprios projetos e de outros projetos: Caramelo Criminal, Paco Mendoza ou Les Babacools. A gente junta cumbia, chicha ou valsa com batidas eletrônicas, rock com raggamuffin, huayno peruano com ska, mas o reggae sempre nos serviu como elemento de ligação entre os gêneros. Com a Raggabund trabalhamos mais com batidas urbanas e reggae. Lá nós digeririmos nossas influências como Public Enemy, Peter Tosh, Marley, SuperCat, KRS ONE, Die Ärzte, Hans Söllner e vários outros.

– Você ouviram alguma coisa da música brasileira quando passaram por aqui?

Não só quando passamos por aí. O seu país tem uma das maiores e mais interessante variedade musicais do planeta – nós amamos a velha música  avant-garde como Bossa ou MPB. Mas também o samba ou variações urbanas brasileiras do hip hop e do reggae. A esperança, ritmo e paixão que levam a música brasileira são uma grande fonte de inspiração.

Raggabund

– Como surgiu a banda?

Bom, fundamos a Raggabund com a intenção de tocar a nossa ideia de reggae com letras em alemão, castelhano e inglês. No início, só fazíamos música em castelhano e isso rolou muito bem por aqui. Mas, para chegar a um público europeu com letras políticas, também é necessário para as pessoas entenderem o que você diz – então começamos a colocar outras línguas em nossas músicas. Isso nos permitiu criar um grande público na Suíça, Áustria e Alemanha. A Raggabund tem várias formações vivo. Para as festas com a banda, acordeão, trombone… em clubes com DJ & Soundsystem, temos nós mesmos com guitarra e beatbox, mas sempre os dois em frente ao microfone interagindo com o público. Em suma, somos vagabundos musicais. E de “Vagabund” (vagabundo em alemão) é o nosso nome.

– Como vocês descreveriam o som da banda?

Essa é uma pergunta muito difícil – o som é global, e a mensagem positiva e consciente. Para que escrever músicas ruins, em um mundo com tanta negatividade? Nós gostamos de criar soluções mais positivas com mensagens de esperança – este mundo, com todos os seus problemas, ainda é maravilhoso e muitos detalhes mostram grande beleza – o problema é que muitas pessoas se cegam para não ver essa grandeza de perto.

– Fale um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

Durante os últimos anos fizemos muitas colaborações com vários artistas. Nós lançamos cerca de 10 álbuns com diferentes projetos. Paco tem o seu programa de rádio FM Mestizo na grande WDR na Alemanha. Nós fazemos tours, shows e festivais em muitos países da Europa, América Latina e Ásia. Em 2013 lançamos a canção “La Frekuencia” no filme “The Counselor”, de Ridley Scott, com Penélope Cruz, Brad Pitt e Javier Bardem. E a Raggabund segue em frente 🙂

– A Internet ajuda ou atrapalha na propagação e proliferação de música ao redor do mundo?

Percebemos que as estruturas musicais de hoje são diferentes do que eram há 15 anos, quando começamos a fazer música profissionalmente. Cada um tem que cuidar de mais coisas por conta própria, mas também pode se beneficiar de ter uma comunidade que o suporta. Isso funcionou muito bem em nossa campanha de crowdfunding e foi muito agradável para obter uma resposta direta dos fãs. Isso nos ajudou muito concretizar o álbum “Good Medicine”. É um álbum de reggae de raiz em espanhol e alemão, algo que ainda não foi feiro. As letras são sempre em espanhol e alemão. Parece muito tradicional, porque nós evitamos o uso de batidas digitais e gravamos todas as músicas com os músicos da banda The Dubby Coquerors. Estamos agora ansiosos para saber como a música será recebida.

Raggabund

– Quais são os planos da banda para 2016?

Estamos atualmente preparando um novo álbum com toda a inspiração dos nossos passeios ao redor do mundo nos últimos dois anos – estivemos em lugares exóticos como Vietnã, Guatemala e Bolívia – e estamos agora finalizando as composições para lhes proporcionar em breve mais som Raggabund.

– Recomendem e artistas que chamaram sua atenção ultimamente e todos deveriam conhecer! (Especialmente se forem independentes!).

Nós amamos as batidas do DJ de neo-cumbia DJ Nirso – ele é de São Paulo e é dedicado aos ritmos latinos. No Chile, estávamos em um show do Matanza (nota do editor: não confundir com a banda carioca de mesmo nome) – eles se misturam música eletrônica com instrumentos andinos e harmonias, soa muito espiritual. Nós também amamos a cumbia urbana, com seus protagonistas Erick Jaimez Dallas, Captain Planet e Sumo Hair de Los Angeles – eles mostram que os ritmos latinos tradicionais também funcionam num contexto de balada, com um grave ardente e baterias digitais.