Caburé Canela faz som que junta baião, samba, bossa, rock, blues, afro-beat, semba “e até Black Sabbath”

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Macumba-Erudita. Samba-Cigano. Reggae-Jazz. Punk-Baião. Essas são algumas das muitas formas de tentar descrever um pouco do som da banda Caburé Canela, de Londrina, apesar de nenhuma delas ser muito certeira em definir a mistureba brasileira que o sexteto faz.
Formada em 2013 por Carolina Sanches (voz), Lucas Oliveira (voz, guitarra e violino), Maria Carolina Thomé (percussão), Mariana Franco (contrabaixo), Paulo Moraes (bateria) e Pedro José (voz e guitarra), a banda une influências de ritmos populares como baião, samba, bossa nova, rock, blues, afro-beat, semba de Angola e rumba “e talvez até um pouco de Black Sabbath“, segundo Lucas.
Em fevereiro de 2018 lançaram o primeiro trabalho, “Cabra Cega”, no Espaço Cultural SESI de Londrina. Da campanha de financiamento coletivo à produção do show de lançamento, da escolha das músicas à arte da capa do disco, tudo foi realizado de forma independente e unindo as forças dos seis membros e toda sua criatividade. Conversei um pouco com a banda sobre sua carreira e o disco:

– Como a banda começou?

Lucas: A banda começou em 2013, comigo, o Paulo que é o batera e a Maria, que é percussionista. Eu morava em Angola, estava dando aula por lá, e quando voltei, queria montar uma banda autoral. Daí chamei os dois, que já haviam tocado comigo antes em outros projetos. Fomos construindo a ideia, e chamando outras pessoas. A Maria chamou a Carolina, que é cantora e compositora, e a Mariana, que é baixista. O último membro a entrar foi o Pedro, que era um amigo nosso, e que acompanhava a banda também. Ele é guitarrista, cantor e compositor.

– E quando foi isso?

Lucas: Foi mais ou menos no meio de 2013. Daí até o Pedro entrar foi quase um ano.

Carolina: Em 2013 o grupo foi se formando, mas o lançamento oficial foi em setembro de 2014, com um ensaio aberto no Grafatório e outro oficial em outubro numa festa grande chamada “Quizomba: O Samba e outros Batuques”, aqui de Londrina.

– E como surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Carolina: Bom, Caburé Canela é uma coruja, de pequeno porte, do Sul da América do Sul (risos).
Lucas um dia veio com essa ideia, e achamos interessante pensar que é uma ave arisca – que não se deixa decifrar. Tem o símbolos que expressa certos traços poéticos do grupo: o olhar agudo sobre as cenas do mundo, o caráter notívago, o gosto pelo mistério. A coisa noturna que a coruja tem.

Lucas: Estavamos na loucura de achar um nome, que é algo bem difícil… Aí fui atrás de vários nomes de plantas, de bichos, de aves, etc, e achei esse, que é uma espécie de coruja que habita a América Latina. Fui pesquisando mais a fundo, e vi que as palavras “Caburé” e “Canela”, também tinham significados muito especiais. Caburé, além de ser coruja de modo genérico, também quer dizer mestiço de Nativo Americano e Africano. Remetendo a questão da ancestralidade brasileira. Canela tem a ver com especiaria do oriente, uma coisa longínqua, mística, exótica.

Carolina: E caburé também significa mestiço de negro com índio… o que seria o cafuzo. e mestiço de branco com índio caboclo.

– O som de vocês tem bastante de música africana e brasileira, além de jazz, rock, e até punk. Dá pra definir o som de vocês? Eu acho que é bem difícil, né…

Carolina: (risos) Os dois!

Lucas: Acho que é Música Brasileira. A gente brinca com essa coisa de gênero faz tempo, tentando saber o que é de verdade. Punk-Baião, Macumba-Erudita, Igapó-Beat, etc. Igapó é um lago aqui da nossa cidade!

– Quais bandas e artistas vocês citariam como influências no som de vocês?

Lucas: Como somos em seis pessoas, cada um traz múltiplas influências, aí vai longe (risos), mas posso citar algumas mais diretas, como Itamar Assumpção e a Anelis, sua filha; Jards Macalé; os tropicalistas todos; bandas como Chico Science e Nação Zumbi, Otto, Chico César, Hermeto. Isso do Brasil, daí tem influências de rumba, semba, blues, rock, afrobeat, reggae, e alista segue (risos). Vai achar até um Black Sabbath.

Carolina: Tem coisas que remete aos procedimentos que o Arrigo Barnabé usava e a vanguarda paulista no geral também né.. Um grupo atual acho que talvez seja o Metá Metá.

Lucas: Olha, esqueci deles (risos).

Carolina: É, acho que é isso!

– Me falem um pouco mais do disco que vocês lançaram!

Lucas: Foi nosso primeiro disco. Depois de quase cinco anos. Já havíamos gravados as faixas, mas queríamos o CD físico também. Daí fizemos uma promoção pré-venda, que viabilizou a prensagem. São sete musicas no disco, que refletem um pouco nossa trajetória, a busca para se firmar, o auto conhecimento, e a tentativa de se enquadrar nos padrões pré-estabelecidos. O disco gira em torno do personagem “andarilho”, que busca algo que ele não sabe o que é. Nessa trajetória, se depara com lugares, medos, frustrações, amores, perdas. No final percebe que a vida é apenas um fluxo, e que só se pode fluir por onde há espaço. No caso, é o encontro com o nada.

Carolina: A música que abre o álbum é a “Andarilho” e tem uma frase dela que dá nome ao disco “Como cabra cega, algo que nega e não vê, e procura sem saber o quê”.

– Então no fundo o disco tem um conceito e um personagem… quase uma ópera-rock!

Lucas: Sim. Não chega a ser uma ópera-(MPB?), Mas tá quase lá!

Maria Carolina: É interessante que composições de diferentes autores se amarrarem tao bem. Mostra bem o quanto o grupo dialoga bem entre inquietações e formas de perceber a vida. Quando nos reunimos (eu por Skype) pra fechar a sequência das musicas parecia q era tudo bem planejado. Mas na verdade não foi, não conscientemente. Fiquei bem impressionada com a amarração que as composições fizeram.

Carolina: É legal pensar no conceito do ópera-rock né, acho que inconscientemente vai meio por aí mesmo. Se formos pensar a sequência, esse enredo que inventamos para o andarilho caminhar.. e que mesmo depois de gravado e mixado, mantemos a ideia inicial e ainda começamos a utilizar de outras coisas, né… Desde o figurino, iluminação, também as projeções do lançamento até as próprias falas que eliminamos entre uma música e outra…. Perpassa sim por esse lugar que a ópera-rock caminhou (risos).

– Como é o processo de composição da banda?

Lucas: Algumas vezes a música vem quase pronta. Outras vezes construimos tudo juntos. Nas minhas músicas, geralmente tenho bastante clareza do que imagino que vai ficar bom, mas sempre vem uma ideia de alguém e vamos incorporando. Cada um trás sua própria linguagem, e é bem interessante tentar fazer essa junção das ideias. Algumas musicas são construídas quase que inteiramente de maneira coletiva. Cada um construído uma parte e dando ideias para o todo da música.

– Os shows da banda são um espetáculo à parte. Vocês podem descrever uma apresentação pra quem nunca viu?

Carolina: Temos músicas do Lucas, do Pedro José, minhas e por enquanto, uma do Paulo. Eu funciono meio esquisitamente… Escrevo e depois invento a melodia, gravo e levo pro grupo. Daí a gente começa a pirar com os instrumentos. A música do Paulo (Faixa 5, “Sem”) surgiu meio assim também, ele me enviou a letra, fiz um riff no violão, o que hoje é a base do baixo, e inventei a melodia. Depois foi a construção coletiva, desenvolvendo o todo.

Maria Carolina: É uma experimentação corpórea. Nos preocupamos muito com as dinâmicas, e as vezes jogamos uns blocos de informação pro publico absorver. Pedro definiu bem no ultimo show, musica pra quem não “sabe” dançar. É de se ouvir com o corpo todo, vejo que quando conseguimos essa entrega total no palco o publico também corresponde. Considerando a cozinha, que é o meu lugar,rs somos bem livres… A regra é focar as notas verdadeiras. E é isso que espero que nossa apresentação seja, livre verdadeira e intensa.

– Então é muito mais que apenas uma experiência musical!

Maria Carolina: É pra ser! Muita pretensão?

– Lógico que não!

Carolina: É o desejo né, pode parecer pretensioso mas parte da verdade mesmo. Não consigo descrever… No show de sexta a Suy Correa veio me dizer que ela achou sinestésico e curador..
Acho interessante o olhar do outro, porque do palco vemos uma coisa mas no fundo não sabemos o que acontece no outro, como estão recebendo aquilo tudo né…

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Carolina: Antes mesmo de lançar o álbum já fazíamos shows com mais músicas. Músicas fechadas, arranjadas e que podemos fazer sempre, temos 22. E tem outras que estão em processo, amadurecidas aos poucos. Na maioria das vezes pedem pra gente encurtar um pouco o show (risos)
mas dá pra tocar umas duas horas!

– Essas músicas farão parte de um disco, EP, sairão como singles? Aliás, o que vocês acham do conceito de “‘álbum” hoje em dia, com as pessoas ouvindo música em serviços de streaming e muitas vezes ouvindo mais as músicas “soltas” do que o disco completo e na ordem?

Maria Carolina: Essa pergunta é nosso grande ponto de interrogação do momento. Estamos aprendendo, descobrindo os caminhos. Essa tal de independência faz com que percorramos um caminho mais cheio pedras.. Pra mim é tudo muito novo, ainda gosto do lado a e do lado B.

Carolina: Ainda temos dúvidas. Estamos loucos pra gravar outro disco (tem um sonho aí de vinil também), mas como o “Cabra Cega” acabou de sair, ainda estamos no processo de apresentar esse primeiro CD pro mundo. Estamos tentando fechar shows fora de Londrina, enfim… Provavelmente entraremos nesse processo no segundo semestre. É esquisito pensar a música hoje né, é tudo muito imediato. Ou viraliza ou está a margem. A imagem é bastante influenciadora e é tudo tão híbrido que não dá pra saber com que peso pisar ou como tatear esse território. Gravamos duas músicas recentemente, uma vai entrar numa coletânea e a outra estamos pensando em soltar um single daqui uns meses, ou um vídeo com ela. Vamos amadurecer a ideia. Acho que assim, por exemplo, soltamos o álbum completo no youtube, e ali tem muito menos visualizações do que no Spotify ou outras plataformas… Por essa perspectiva, não ouvir o álbum inteiro, sequencial e tal, “destrói” um pouco todo o trabalho que foi realizado na produção dele, no sentido da construção do personagem, os caminhos por onde ele passa e tudo mais. Mas por outro lado, não dá pra reclamar. Vivemos nesse imediato, gostamos de poder escolher o que queremos ouvir, mesmo que isso exclua outras faixas. É uma evolução poder escolher a música certa, né?! Mas o conceito de álbum acho que ainda funciona e tem sido cada vez mais explorado pelos artistas. Sendo recriado.

Lucas: Pensamos nesse primeiro álbum como uma obra “fechada”. Acho que, como artistas, precisamos pensar no conceito de obra, seja ela um álbum, um single, um vídeo, etc. Hoje em dia tem muita música apenas para o entretenimento. Isso não é ruim, mas parece que música é apenas isso. Gosto da ideia de criar, e acho que isso as vezes fica de lado, principalmente no mundo extremamente consumista que vivemos.

– Aliás, falando nisso… Hoje em dia o clipe voltou a ter uma grande importância. Como vocês veem esse tipo de formato?

Carolina: Eu adoro! Sou formada em artes visuais, então a visualidade, o audiovisual me pega bastante. Era muito massa nos anos 90 quando ficava a tarde toda assistindo Mtv. O meio mudou né, nesse caso a TV foi deixada de lado e o Youtube dominou nessa parte, por que podemos assistir em qualquer lugar e hora. Mas poxa, tenho visto tanta produção bacana da galera. Tenho curtido os que tem menos produção, os que dá pra ver que foram feitos na raça e que carregam uma essência meio roots, que é feito com verdade e de forma simples… Estamos produzindo dois clipes do álbum, e entendo que o formato visual é uma ferramenta muita expansiva, tanto de divulgação quanto de possibilidade de desdobramento musical.

– E o que podemos esperar nesses clipes? Dá pra adiantar algo?

Lucas: Muitos nudes (risos)! Brincadeira.

Carolina: (Risos) Olha só! (Risos). Estamos fugindo da literalidade. Acho que é uma das únicas coisas que temos definido. Na manga tem o clipe do “Andarilho”, que nós mesmos estamos filmando. Acho que vai sair uma coisa bem densa, obscura. Nosso olhar pros detalhes e movimentos da rua, pro ritmo dela. Captando os rastros que passam desapercebidos no cotidiano. Um processo novo pra nós, e é massa pensar que vai ser coletivo. E o outro é da música “Vaso”, que chamamos um coletivo aqui de Londrina que chama Cãosemplumas. Eles estão fazendo uma animação, nada literal, com muita variação de traços, alguns desenhos que remete as garatujas das crianças, e outros, bem detalhados. Nesse processo deles estamos tentando não interferir não, lançamos a ideia e estamos nos segurando pra não pressionar, na tentativa de deixar-los dizer mais um pouco sobre o que já construimos com a música! Mas agora vamos incluir um só com nudes mesmo, pra ver se ficamos famosos! (risos)

– Quais os próximos passos da banda?

Carolina: Temos tentando trabalhar um pouco as expectativas, pra não ficar frustado demais né. Não tá muito fácil ser artista independente e ainda produzir tudo. Estamos em busca de produtores que nos ajudem a criar um ritmo pra nossa agenda de shows. Porque é necessário sair da casinha e adentrar o universo dos festivais, estrada e tudo mais. E continuar produzindo/criando sem perder a essência inicial, que é a de pirar a cabeça mesmo, continuar saindo do quadrado, das convenções… inventando e ao mesmo tempo se divertir fazendo o que a gente acredita.

Lucas: Próximos passos são de expandir os territórios.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Lucas: Cara, tem muita gente boa. Aqui de Londrina tem a galera do Aminoácidos, tipo música brasileira progressiva (MBP?). Tem também o pessoal do Maracajá, que faz um som bem diferente, incorporando bastante do funk proibidão. É bom interessante. Gosto bastante da Anelis Assumpção. Tem um trabalho bem conciso. Tem também a galera de Sampa, do selo Risco, bem legal todos eles. A música brasileira é bem rica, e parece que nestes tempos de crise aparece muita gente boa. Em Londrina tem uma onda boa de música autoral. Já vou adiantando que logo logo vai sair uma coletânea só com artistas londrinenses.

Carolina: BaianaSystem, Carne Doce, Francisco El Hombre, Mulamba, Bixiga 70, Far From Alaska, Cidadão Instigado, Curumin, Metá Metá, Kiko Dinucci – “Cortes Curtos” (fodão), os da Juçara Marçal.

Lucas: Tem também o Abacate Contemporâneo, uma banda bem legal daqui. Amigos nossos também, já fizemos alguns shows juntos.

Carolina: Fernanda Branco Polse com o Bicho Branco Polse… e por aí vai!

Lucas: Queria acrescentar que o disco pode ser comprado físico com a gente ou então da pra pedir pela página no Facebook. Estamos no Spotify, SoundCloud, Deezer e todo o resto. Quem quiser segue a gente lá no Instagram, curte a página no Facebook, se inscreve no nosso canal, me liga no whats!

Conheça LAY e o seu novo single, “Solitária”

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Com um grito ousado, explícito, positivo e com propositivo, a cantora LAY iniciou no final de 2015 uma revolução na música brasileira. O single Ghetto Woman e o EP 129129, lançados em 2016, foram de uma profunda influência na música preta pra dançar no Brasil.

O disco “129129” – que abre com o memorável verso “saudações a todas as bucetas”, de “Ressalva” – além de ser um dos pontos de partida para a revolução feminina que tomou de assalto o rap nacional na segunda metade desta década, também remexeu as pistas, com uma mistura malandríssima de hip hop, ragga, trap e até funk, com uma carga eletrônica pesada costurada pelo produtor Léo Grijó.

Nascida e criada em Osasco, a cantora que fez sua voz valer na música já vinha com uma caminhada criativa em consolidação – começando no punk e na musica jamaicana, transformou seus poemas feministas em munição de alto calibre para acompanhar uma estética retrô-futurista mutante, que havia se apresentado pela primeira vez na sua marca de roupas, a Lay Moretti Clothing. Com a fama nacional, a singjay que inspirou-se na carreira de Foxy Brown, Lil Kim e Lady Saw começou a preparar o terreno para tomar o resto do mundo, e em 2016 foi uma das personagens principais da série de vídeos da revista britânica i-D Beyond Beauty, apresentada por Grace Neutral, enquanto também participou de campanhas para marcas como Avon Brasil.

A música também não parou: em 2016 lançou o clipe do seu remix de “Panda”, do rapper norte-americano Desiigner, no music vídeo festival, no MIS, em São Paulo. “Chapei”, parceria com Don L lançada no mesmo ano, ficou no top 10 de melhores músicas de 2016 no portal brasileiro da Red Bull, e Lay ajudou a inaugurar a plataforma online do festival Music Women Event com uma apresentação exclusiva no mesmo ano.

Em 2017 a parceria com Don L voltou a render frutos, com “Mexe Pra Cam”, faixa do disco “RPA Vol. 3”, presente na lista de melhores do ano de veículos como Rolling Stone, VICE, Genius e também da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em dezembro, ao lado de Renan Samam e do MC Guimê, lançou “Tá Patrão 2.0”, primeiro single do novo disco do DJ do Racionais MCs KL Jay, Na Batida Vol. 2. Além disso, a cantora prestou homenagem a Prodigy, do Mobb Deep, com um remix de “Young Veterans”, do grupo nova-iorquino, e fechou o ano com os primeiros sinais da sua “coletânea de sentimentos” que traz Lay explorando os limites do trap em singles poderosos como “Magia Negra”, “Bitch Star” e “Daraxa Clan”.

E agora ouça o seu mais novo single “Solitária”.

The Bombers abraça o Sol e outros estilos em seu novo disco

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The Bombers
The Bombers

O Sol totaliza 99,86% a massa de todo o Sistema Solar e é composto majoritariamente por Hidrogênio. A fusão nuclear deste elemento com ele mesmo produz outro tipo de átomo, o Hélio, e é isso que gera toda a imensa energia do Sol. Mais do que sua imponência de tamanho, o Sol é primordial para nossa sobrevivência. Abraçar o Sol, portanto, não só é um ato alegoricamente corajoso, como também é uma ode à vida.

E a arte dos santistas The Bombers é solar. Emana não só energia como te incita a viver. E se vida é deixar rastros, Bombers fazem bonito carimbando uma marca única. Há ecos claros do punk de dias verdes e levada de ska sublime, mas não é só isso. Talvez, assim como o Sol, o convite do álbum é claro: confraternize.

E, também como nossa estrela-mor, a fusão dos elementos produz algo novo. No caso de “Embracing The Sun”, o sincretismo cultural é tão harmônico e divertido como surpreendente e curioso.

The Bombers

De longe, o melhor exemplo é “Exodus”. A narrativa sonora é rica e invejável. O riff inicial parece indicar uma levada mais pra um rockão do que para qualquer outra coisa. A música toda gira em torno desse espectro até que o segredo é desvendado: seu núcleo é formado não pelo riff de guitarra, mas por sanfona, triângulo e zabumba. The Bombers mostram que não é preciso cantar em português para ser brasileiro.

E eles não param por aí. Em “¿Qué Pasa?”, o grupo deixa de olhar para o horizonte atlântico para virar rumo ao Pacífico. Como se fosse uma releitura latina de Run DMC & Aerosmith, The Bombers acrescentou ao rap+rock o diálogo mais que necessário entre o Brasil e nossos vizinhos – sem contar o toque norteamericano com uma gaita blues!

Ao lado de “Exodus”, um dos grandes destaques do disco é a versão para “Mestre Jonas”, do trio Sá, Rodrix e Guarabyra. A adaptação é tão perfeita que soa original.

“Embracing the Sun” é divertido, intrigante e até reflexivo. Existem outros estilos abraçados pela banda neste disco – e que talvez alguns torçam o nariz. E aí também está parte da diversão… a reflexão do limite do estilo e os possíveis diálogos com outras formas musicais. Goste ou não, tudo que ouvimos hoje surgiu a partir de amálgamas anteriores.

Construindo The Bombers: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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The Bombers

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto de punk rock santista The Bombers, que indica suas 20 canções indispensáveis. A banda, que surgiu em 1995, se apresenta neste domingo (26) no SESC Santos. Não perca!

Social Distortion“Winners And Losers”
Mick Six: Social Distortion é uma das minhas bandas prediletas a muito tempo, a escolha dessa musica, devido a letra dessa canção, para mim ser sempre algo atual.

Johnny Cash“I Walk The Line”
Mick Six: A canção que faz com que lembre-se a se segurar, em diversas situações… Na família, trabalho, na rua… ao menos tentar, andar na linha, ali no limite, para não arrumar confusão.

The Slackers“Make Me Smile”
Mick Six: Pra mim é uma musica que muda o meu humor, aquela que eu fecho os olhos e me teletransporto para uma manhã ensolarada numa bela praia.

Flogging Molly“Drunken Lullabies”
Mick Six: Aquela trilha sonora para beber a noite inteira com os amigos.

Hank Williams“I Saw The Light”
Mick Six: Escolhi essa canção também, porque numa daquelas fases tensas da vida me deu forças para dar a volta por cima, aceitar novos desafios, recomeçar tudo do zero, aprender uma nova profissão… E eu sabia que aquela seria uma fase nebulosa. E coincidência ou não, quando essa fase nebulosa passou, eu iniciei uma nova fase em minha nova profissão, trabalhando em um local chamado Barbearia Luz. (Risos) É, de certa forma eu vi a Luz (risos).

Legião Urbana“Faroeste Caboclo”
Trivela: A música tem nove minutos, não tem refrão e é o hit de qualquer luau na praia, com todas as pessoas cantando a letra inteira do começo ao fim.

Ramones“Blitzkrieg Bop”
Trivela: Por mais que os Ramones tenham criado diversos clássicos, nada supera o impacto dessa música.

Robert Johnson“Cross Road Blues”
Trivela: Um dos pioneiros do Blues. O blues da encruzilhada. Com essa música veio a lenda de que o Robert Johnson havia feito um pacto com o diabo em troca de habilidades musicais.

Led Zeppelin“Stairway to Heaven”
Trivela: Mais uma música com supostas mensagens subliminares endereçadas ao obscuro. Uma grande besteira, essa é na verdade apenas uma das canções mais bonita da música contemporânea.

Bob Marley“Redemption Song”
Trivela: O canto do cisne do Bob Marley. A beleza dela esta na simplicidade. Violão, voz e alma.

Iggy and the Stooges“Search and Destroy”
Matheus Krempel: I’m a streetwalking cheetah with a heart full of napalm! Quando eu escuto essa música, sinto uma coisa tão forte, que seria capaz de botar um prédio abaixo.

Guns n’ Roses“Coma”
Matheus Krempel: Uma viagem extremamente pesada, com dez minutos de duração, relatando uma experiência de overdose. Guitarras pra caralho, vocal esgoelado ao extremo e um belo jeito de encerrar um álbum.

Rolling Stones“Rocks Off”
Matheus Krempel: Apenas a música que abre o melhor disco dos Rolling Stones. Urbana para caralho, suja e com uma letra que faz referência, o tempo todo, ao uso de heroína. A parte em que ela desacelera, é uma brisa incrível.

Capital Inicial“Conexão Amazônica”
Matheus Krempel: Coube ao Capital Inicial a missão de resgatar as músicas (as perdidas e as não) da banda mais influente do cerrado, o Aborto Elétrico. Renato Russo era um jovem punk quando escreveu “Estou cansado de ouvir falar em Freud, Jung, Engels, Marx / Intrigas intelectuais rodando em mesa de bar”. Me parece bem atual.

Hey! Hello!“How I Survived The Punk Wars”
Matheus Krempel: Muito simples de explicar a escolha dessa. Se toda porra de banda underground, decorasse essa letra e seguisse a cartilha do que ela prega, não teríamos tanta gente babaca nesse meio.

The Clash“Clampdown”
Daniel Bock: Umas das minhas bandas favoritas de todos  os tempos. Acho que risquei o “London Calling” de tanto ouvir. Posso falar do Clash por horas. Mas o que me marca nessa música foi a vez que eu vi um vídeo VHS deles tocando. Eu era moleque e ver aquilo, foi quase indescritível. Literalmente mudou minha vida.

Marky Ramone and The Intruders“One Way Ride”
Daniel Bock: Eu amo o Ramones e Rancid, mas são bandas que eu nunca vi ao vivo (ainda) e sempre me pareceram distantes. O “Don’t Blame Me” do Intruders me atingiu na hora certa. O álbum todo é incrível, essa música em especial, a mensagem, o instrumental e a produção do Lars.

Shooter Jennings“4th of July”
Daniel Bock: Descobri o Shooter Jennings assistindo o filme “Johnny e June” onde ele aparece em uma cena,  interpretando o pai Waylon Jennings, cantando uma música que compôs para o filme. Essa música é a minha favorita dele. A letra é linda, perfeita para ouvir pegando a estrada.

The Supersuckers“Roadworn & Weary (6/6/6 version)”
Daniel Bock: Lembro de colecionar reportagens sobre o Supersuckers nas revistas de rock. Essa música é uma regravação de uma música deles mesmos, que pra mim, representa a melhor fase dessa que com certeza é uma das minhas bandas favoritas.

Os Excluídos“Plano Perfeito”
Daniel Bock: Para mim, Os Excluídos estão entre as melhores bandas brasileiras. Essa música não foi a primeira que ouvi deles mas foi uma das que mais me marcou pela letra e arranjo.

Como Chico Science e Nação Zumbi modernizaram o passado em 1994 com “Da Lama Ao Caos”

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Da Lama Ao Caos
Da Lama Ao Caos

No Walkman, por Luis Bortotti

“Modernizar o passado é uma evolução cultural.”

Por mais que seja óbvio iniciar uma análise sobre “Da Lama Ao Caos”, álbum de estreia da banda Chico Science e Nação Zumbi, o primeiro verso de “Monólogo ao Pé do Ouvido” consegue expressar com muita perfeição toda a obra.

Com o seu lançamento em 1994, e juntamente com Samba Esquema Noise” do Mundo Livre S.A. estava iniciado o movimento manguebeat.

Nele, Chico Science caminha pelas ruas do Recife nos apresentando situações, personagens e problemas cotidianos da cidade. No final do trajeto, ele finca uma parabólica na lama e espalha a sua poesia pelo mundo.

As letras, que apresentam a marginalidade das classes financeiramente inferiores sofrida pela evolução e exploração industrial, os passos diários de uma alienada classe média desde os anos 70 e o miserável e violento estado em que a cidade se encontrava, podem ser tratadas como estudos sociais e antropológicos do Recife nos anos 90.

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Nelas, também é possível encontrar uma grande influência do livro Homens e Caranguejos, do escritor pernambucano, Josué de Castro. No disco, Chico Science e Nação Zumbi tentam recuperar o orgulho do homem-caranguejo, destruído através dos anos pelo esquecimento cultural e social do Recife por parte do Brasil.

Tudo isso é contado através de uma melodia única, que mesclava (e ressuscitou) os ritmos locais com a cultura pop mundial, injetada graças à globalização e virtualização dos anos 80/90.

Em “Da Lama Aos Caos”, temos o maracatu nos overdrives do rock, a ciranda no dub e soul, o samba nas rimas do hip hop.

Essa tropicália mistura foi arquitetada pelo próprio Chico, quando ele resolveu unir as bandas que fazia parte. Antes da Nação Zumbi, a banda chegou a se chamar Chico Science e Lamento Negro, mas logo adotou o nome utilizado até hoje. Na obra produzida por Liminha, temos Dengue (baixo), o fantástico Lúcio Maia (guitarra), Toca Ogam (percussão), Canhoto (caixa), e Gilmar Bolla 8, Gira e Jorge Du Peixe (alfaias).

No geral, “Da Lama Aos Caos” é um álbum obrigatório para todos os tipos de ouvidos. Um mangue de ritmos e estilos que fez o mundo inteiro se antenar no Recife e voltar a curtir a fértil cena cultural da cidade.

Chico Science e Nação Zumbi – Da Lama Ao Caos | #temqueouvir!

01. “Monólogo ao Pé do Ouvido”
02. “Banditismo Por Uma Questão de Classe”
03. “Rios, Pontes & Overdrives”
05. “A Praieira”
06. “Samba Makossa”
07. “Da Lama Ao Caos”
09. “Salustiano Song”
11. “Risoflora”

Chico Science e Nação Zumbi – Da Lama Ao Caos | #ouçaagora!

Ecléticas e envolventes: conheça as pérolas escondidas nas trilhas dos jogos da FIFA

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FIFA Soccer

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje não vamos falar de cinema, muito menos de série. Mas nem por isso trilha sonora vai ficar de fora, é claro. Ainda em meio a clima olímpico e ouro inédito no futebol masculino vamos falar de outra paixão nacional: vídeo games.

ALLEJO
Allejo, o eterno “Pelé” do jogo International Superstar Soccer (SNES)

Recentemente vimos um vencedor de prêmio Puskas, o até então semi-desconhecido Wendell Lira, virar gamer profissional. O jogador que pouco tempo após o gol – marcado pelo Goianésia durante o modesto campeonato goiano –  foi dispensado do time que disputa a quarta divisão do campeonato nacional.

Após a fama “meteórica”, ele teve propostas de times do Brasil todo, acabou até fechando um contrato com o Vila Nova (Goiás) que após 3 jogos foi rescindido. Ele até teve propostas de outros clubes como o Audax (do Vampeta – ex-Corinthians e pentacampeão), mas aos 27 ele “aposentou as chuteiras” e migrou para o futebol de apartamento.

Sobre sua decisão, Wendell até falou um pouco para o Uol no fim de julho:

“Decidi que é hora de parar”, disse o jogador em vídeo promocional. “Várias situações me motivaram a essa decisão. O gol marcou minha carreira, foi inesquecível, mas eu tive muitas desilusões no futebol. Infelizmente há pessoas boas, mas há pessoas muito ruins no futebol, que não pensam na família ou no jogador.

Tive muitos problemas e como eu já era um apaixonado por games, recebi uma proposta muito boa para iniciar este projeto, que me levaria a ter um futuro melhor, já que no futebol teria mais três ou quatro anos de carreira em um nível intermediário. Todos sabem a dificuldade dos clubes menores. Foi a melhor decisão”

Caso se interesse por saber mais sobre o novo rumo de Wendell dentro das quatro linhas – virtuais – do FIFA fique por dentro através de seu canal de youtube WLPSKS.

FIFAR
“Os bugs” de FIFA costumam fazer sucesso na internet

No dia 27 de setembro (29 no resto do mundo) chegará ao mercado norte-americano a vigéssima quarta edição da franquia de games FIFA. Um game muito esperado, pois será a primeira que teremos o adendo do futebol feminino, algo que é pedido já a muitos anos e que FINALMENTE ganha espaço. Outra novidade será que veremos os treinadores “trabalhando” de dentro do campo e será possível interagir com eles.

Muita coisa mudou desde o início do jogo que foi ao mercado pela primeira vez no fim de 1993 e já passou por um número vasto de consoles, tendo até desdobramentos como Fifa Street e Fifa World Cup. Muitas ligas foram adicionadas, direitos de imagem foram negociados e os gráficos a cada ano que passam ficam mais realistas. Sem esquecer, claro, da jogabilidade, do modo “manager” de carreira e das trilhas sonoras. E é neste ponto que queria chegar: vocês já pararam para prestar atenção nas pérolas que as soundtracks de FIFA possuem?

Hoje irei fazer algo diferente: ao invés de dissecar faixa a faixa a trilha de uma edição, vou escolher algumas para destacar. Acredite se quiser, vocês irão se surpreender. E funcionará perfeitamente como aquecimento para revelação da trilha de FIFA ’17 – algo guardado a sete chaves pela equipe da EA SPORTS.

Em 2016 tivemos a aparição da banda brasileira sensação: Baiana System. Misturando o axé baiano, o som dos som sistemas, reggae, cumbia, afroxé e beats eletrônicos que têm conquistado não só o coração dos brasileiros, mas o mundo. No game, “Playsom” traz toda essa conexão Brasil-Kingston-Berlim para nossos ouvidos. Quem já pôde vê-los ao vivo nos conta que a energia da combinação destes ritmos é envolvente como a energia de uma escola de samba.

Ainda na trilha de 2016, quem traz a energia para as pistas de dança é o grupo colombiano Bomba Estéreo. Com a explosão do reggaeton e o sucesso de M.I.A., este tipo de som têm ganhado adeptos ao longo dos anos. Eles se denominam como eletro-tropical ou cumbia psicodélica. O que importa é que é ficar parado não é opção após o play:

Mas fiquem calmos que a última edição não tirou o espaço do rock alternativo – que sempre tem espaço nas trilhas do jogo – da área. E porque não uma banda portuguesa que tenho contato a alguns anos e transmite uma energia muito boa, o X-Wife?

A música que participa da soundtrack é “Movin Up”, que tem uma levada lo-fi descompromissada misturada com beats eletrônicos e metais. Segue aquela linha do Cansei de Ser Sexy e Bombay Bicycle Club. Certamente irá conquistar fãs de Arctic Monkeys, Kasabian e The Knife:

Direto da terra do Tame Impala e com influências de Of Montreal e Devendra Banhart e do polêmico Kanye West vem o The Griswolds. Aliás, ela é altamente recomendável para fãs de Passion Pit, tendo inclusive excursionado juntas. Na tracklist de FIFA ’15 eles aparecem com a festiva e inocente “16 years”.

Dez anos após o lançamento do icônico álbum de estreia, o duo canadense Death From Above 1979 lançou seu segundo disco. Muitas faixas estavam “engavetadas” do primeiro trabalho e soam como continuação do disquinho. Para coroar toda essa espera, a trilha de FIFA ’15 conta com “Crystal Ball”, uma canção para fritar na pista de dança.

Em 2014 quem chegou “tombando” tudo foi Karol Conka. Mas a canção que embala o tom da prosa não foi “Tombei”, e sim “Boa Noite”. A rapper curitibana mostrou seu poder e som contagiante desde então em uma subida que parece não ter limites:

Mas é nas diferenças que as trilhas de FIFA ganham seu brilho. Representando a música inglesa e seu rico cenário eletrônico temos o Crystal Fighters que em 2013 chegou junto com seu eletro-folk tribal. A festa ficou ainda mais contagiante ao som da eletrizante, “Follow”:

Misturando rumba, flamenco, música eletrônica e música latina direto da Espanha temos a Macaco. Assim como o Gogol Bordello, o conjunto catalão contém membros de países do mundo todo (Brasil, Suécia, Camarões, Venezuela e Espanha), e tem na mistura sua força motriz. No FIFA ’12, “Una Sola Voz” está presente na trilha. O grupo já esteve presente no FIFA ’09 e FIFA ’10 com respectivamente “Moving” e “Hacen Falta Dos”.

A  Ana Tijoux é francesa de nascimento mas escolheu o Chile como terra de coração e solta suas rimas com primor em “1977”, faixa que faz parte de seu quinto álbum solo, que teve sucesso tanto na América Latina como nos EUA. A soundtrack de FIFA ’11 não foi a única que a utilizou: a série Breaking Bad também adicionou a cantora a seus discos de cabeceira.

Uma das mais emblemáticas e importantes bandas do ska argentino não ia ficar de fora dessa festa: com todo gingado boleiro, Los Fabulosos Cadillacs faz um gol de placa – na trilha de FIFA ’10 – com “La Luz del Ritmo”.

O consagrado duo norueguês de música eletrônica Röyksopp dominou no peito e após driblar o adversário bateu para o gol com a viajante “It’s What You Want”. O som deles mistura o ambient, o house, o drum & bass com ritmos latinos. Um destaque que quem joga não verá – se não procurar no Google – é o visual excêntrico dos estranhões que em sua carreira tem uma indicação para o Grammy.

As descobertas não param e direto da Bélgica – um país que tem uma diversidade musical incrível – temos Zap Mama. Se eu não tivesse lido que a artista é de lá eu jamais chutaria que é belga, porém o som me deixou intrigado desde a primeira nota. É uma loucura sonora de um mistura interessantíssima: hip-hop, nu soul com elementos de jazz e pop. Com raízes musicais africanas, ela canta em inglês e em francês. Na trilha de FIFA ’10 ela aparece com “Vibrations”.

Voltemos ao bom e velho rock’n’roll: em 09′ quem deu as caras foram os escoceses do The Fratellis com “Tell Me a Lie”, canção presente no segundo disco do grupo – Here We Stand” (2008). O grupo liderado por John Fratelli ficou sem lançar nada até 2013, após neste período anunciar um longo hiato e John se arriscar em carreira solo.

Uma das canções mais conhecidas das gêmeas idênticas do The Veronicas, “Untouched”, está presente –  no jogo de ’09 – com seu eletropop/alternativo. Uma curiosidade é que , ex-Holly Tree, lá em 2008 tocou como guitarrista no conjunto.

Em 2008 uma das bandas que eu mais gosto da Australia, The Cat Empire, entrou na trilha do game com o hit “Sly”. O mais curioso é que o som da banda tem uma veia latina fortíssima com seu jazz que mistura ritmos latinos com o ska, o funk, o rock e até um pouco da salsa. Já pude presenciar o show deles em três oportunidades e digo e repito: Não perca de jeito nenhum em uma futura visita ao país.

No mesmo ano temos uma banda da Alemanha, mas calma: não vou anunciar mais um gol do Khedira, por mais que o grupo represente muito bem a música pop germânica. Lembro quando ouvi pela primeira vez a canção “Nur Ein Wort” na MTV Europa e ter escrito num post-it para baixar depois – em meados de julho de 2005 (9 anos antes do fatídico 7×1).

Enfim, na trilha temos Endlich Ein Grund Zur Panik”, canção que conta com um divertido clipe que “tira onda” com a imagem dos super heróis e vale a pena apertar o play. 

Em 07′ a Coréia do Sul foi representada pelos “bizarros” e aleatórios Epik High. A canção não é muito minha cara com seu hip hop made in Seoul. Porém a título de curiosidade segue o o clipe de “Fly”:

Mas se estamos falando de música diferente feita ao redor do mundo, porque não um Nu Metal italiano? E assim chegamos a soundtrack de FIFA 06′ com Inno All’Odio” do LINEA77. Eu não sei vocês, mas eu nunca tinha parado para imaginar Nu Metal feito em italiano e achei de certa forma cômico. 

Para fechar a lista de alguns dos muitos destaques e pérolas dos últimos 10 anos da trilha sonora da série de games FIFA, um clássico. Sim, já podemos afirmar tranquilamente que “Daft Punk Is Playing at My House” do LCD Soundsystem, um dos grandes clássicos dos 00’s.

E desta forma encerramos os trabalhos por hoje com novos sons para agitar sua playlist e também fazer a trilha daquela pelada no fim de semana. Arranje uma caixa de som e bom jogo!

Anjaya mistura reggae, soul, hip hop e rock com muita personalidade no álbum “Illusion Time”

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Anjaya La Luz começou sua carreira bem cedo, estudando música e dança em um conservatório com apenas seis anos tocando flauta e órgão. Com 16, se mudou para paris e entrou em uma escola de canto, teatro e dança. Decidiu então, aos 19, ir para Londres para aperfeiçoar o que havia aprendido. A partir daí, a cantora e compositora começou a gravar seus trabalhos, chegando a passar pela banda Wiki-Wiki em Los Angeles, registrando um álbum. Desde então, Anjaya já foi modelo publicitária, backing vocal de Ricky Martin e vários outros artistas, membra da banda Generation Disco e participou dos musicais “Belles, Belles, Belles” e Cinderella, entre muitas outras empreitadas, sejam elas musicais ou não.

Com um EP (“DARE”) e um disco (“Illusion Time”) na bagagem, Anjaya mistura reggae, rock, electro, soul e R&B à sua própria maneira, imprimindo sua personalidade e algo de todos os projetos de que já participou em sua multifacetada carreira. Produzido or Tom Fire e lançado em 2016, “Illusion Time” conta com os singles “Rainy Day” e “Tu Joues Avec Moi”, que ganharam clipes dirigidos por Guillaume Pin, e “Paris”, que teve um vídeo dirigido por Emmanuelle Bouaziz.

– Como você começou a fazer música?

Comecei quando estava estudando órgão. Tocar um instrumento me incentivou a começar a criar melodias e canções. Gravei o meu primeiro álbum ao vivo com músicos, mas eu senti que ele não estava completo, então eu não lancei. Eu tive que voltar a trabalhar para melhorar as minhas músicas.

– Como você definiria seu som?

Eu acho que é uma música elegante, sensual e suave.

– Quais são suas principais influências musicais?

Reggae, Soul e Pop Music.

– O que você acha sobre a música de hoje em dia?

Acho que temos duas grandes tendências – a música que entretém e, em seguida, a música que fala. Eu gosto de músicas que têm um significado, que têm uma mensagem. Eu gosto de ambos, exceto quando a melodia e a letra são fracas ou se elas têm certos sons que são muito “da moda” que eu não gosto.

Anjaya

– Diga-me mais sobre o material que você já lançou.

Levei quase dois anos para gravar este álbum, porque eu também estava atuando em um musical ao mesmo tempo. Eu também estava trabalhando na produção do meu primeiro clipe para “Rainy Day” e eu estava tentando encaixar a minha agenda com Tom Fire, que produziu o álbum. Além disso, foi um momento difícil para mim pessoalmente, porque durante esses dois anos eu não tinha lugar para ficar depois de um término de relacionamento. Eu estava indo de apartamento em apartamento, ficando com os amigos. Eu estava realmente com sorte!

– A cultura do álbum está morta? Os artistas tendem a lançar mais singles online do que álbuns completos por causa disso?

Eu não sei se está definitivamente morta – temos que escrever boas canções para fazer as pessoas quererem comprar um álbum inteiro. Mas é também uma questão de tempo. Artistas de hoje têm para liberar canções muito rapidamente para manter o público envolvido – às vezes à custa da qualidade.

 – Você conhece alguma música brasileira?

É claro e eu adoro isso! João Gilberto, Gilberto Gil, Chico Buarque, Seu Jorge e DJ Marky!

– Como é o seu processo criativo?

Uma melodia pode vir a qualquer momento, enquanto eu estou cozinhando, ouvindo uma música, assistindo a um filme, andando pela rua, pouco antes de eu cair no sono, enquanto eu estou tocando piano … a qualquer momento! Quando vem, eu tenho que parar o que estou fazendo para me concentrar sobre isso, porque na maioria das vezes eu tenho toda a música vindo através de mim.

Anjaya

– Quais são os seus próximos passos em 2016?

Estar no palco! Encontrar o público! Essa é a melhor parte de fazer música! Talvez também no Brasil, quem sabe 🙂

– Recomende algumas bandas e artistas que chamou sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)

Eu amo Technimati, o á​lbum “Desire Path” (Drum & Bass). Acabei de descobrir o Alabama Shakes, estou ouvindo “Future People” de novo e de novo. Também Marques Toliver com “Control/Mahogany Session” e “White Sails”.

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Anarchicks
Anarchicks

Angel Olsen“Shut Up Kiss Me”

O clipe novo de Angel Olsen é da faixa “Shut Up Kiss Me” (não, não é uma versão do funk “Cala a Boca e Beija Logo”). A faixa faz parte do disco “My Woman”, que será lançado dia 2 de setembro pela Jagjaguwar. Dirigido pela própria cantora com colaboração de Ashley Connor e Jethro Waters, o clipe tem um visual que lembra os anos 70 e 80.

Blood Orange“Augustine”

“Augustine” faz parte de “Freetown Sound”, o novo disco do Blood Orange. O clipe cheio de danças conta com direção de Devonté Hynes e os dançarinos Jerome Bwire, Bryndon Cook, Julian Devine, Sigrid Lauren, Monica Mirabile, Nana Tsuda Misko, Juri Onuki e Leslie Andrea Williams.

Motor City Madness“Gravediggers”

A música que dá título ao disco mais recente do Motor City Madness, “Gravediggers”, ganhou um clipe com toda aquela pegada The Walking Dead. Dirigido por Sergio Caldas, Rodrigo Fernandes, Rene Mendes e Fabian Steinert e com a participação dos zumbis Pomba Cláudia e Pedro Nogueira, o clipe tem aquele quê de filme B e uma bela maquiagem de Christy Figueiredo. Uma produção Subverse Film Crew.

Ian Sweet“If You’re Crying”

O clipe com cara de caseiro de “If You’re Crying” foi filmado pela própria artista, e a música faz parte de seu primeiro EP, lançado em cassette.

Aesop Rock“Kirby”

“Kirby” é a história de um pequeno felino, que no clipe é interpretado por Dina, que foi resgatado na rua em Los Angeles e foi adotado. Hoje vive feliz com sua família. O clipe dirigido por Toben Seymour, com um simpático marionete de Aesop Rock, faz parte  do disco  “The Impossible Kid”, lançado pela Rhymesayers Entertainment.

Red Fang“Blood Like Cream”

Em “Blood Like Cream” temos um pouco mais de zumbis. Só que estes são MAIS perigosos. Em vez de comer cérebros e humanos, eles TOMAM TODA A CERVEJA DO MUNDO! O clipe para a faixa do disco “Whales and Leeches” foi dirigido por Whitey McConnaughy e conta com a participação de Fred Armisen, da série Portlandia.

Paula Cavalciuk“Morte e Vida Uterina”

O novo clipe do single contra o machismo foi concebido graças à boa vontade de 54 mulheres que enviaram para Paula Cavalciuk suas mensagens de protesto e empoderamento. O vídeo foi produzido por Seven Cats Filmes e dirigido por Felipe Botti.

Anarchicks“Witch One”

A banda portuguesa Anarchicks lançou nesta semana um clipe exclusivo para o canal do Youtube da rádio Antena 3 dirigido por Fernando Matias, do The Pentagon Audio.

Huaska“Kuyashii (悔しい)”

Um lindo clipe com animação de Mauricio Bartok. A faixa faz parte de “Fim”, novo disco do Huaska.

Roots Circus“Know Me By Now”

Pra fechar, um clipe de reggae  do Roots Circus com imagens da própria banda no Centro Histórico de São Luís do Maranhão!

Dread Zeppelin: mais de 25 anos misturando Led Zeppelin com reggae e imitações de Elvis Presley

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Dread Zeppelin

Quem pensaria em misturar Elvis em sua fase mais rechonchuda com Led Zeppelin e reggae? Pois essa salada mista é a fórmula do Dread Zeppelin, uma das maiores bizarrices musicais já registradas no planeta.

Sempre capitaneada por Tortelvis, ou Greg Tortell, uma canhestra e divertida versão de Mr. Presley, a banda toca covers de Led Zeppelin e classic rock em uma versão jamaicana e chegou a fazer certo sucesso nos anos 90. Seu primeiro disco, “Un-Led-Ed”, de 1990, saiu pela IRS Records e vendeu muito mais que o esperado, gerando rapidamente seu sucessor, “5.000.000 Tortelvis Fans Can’t Be Wrong”, e a banda saiu em turnê com seu circo Elvis-Zeppeliano.

As versões para clássicos do Zep como “Black Dog”, “Immigrant Song” e “Black Dog” ficam hilárias (e muito bem feitas) com o grupo esquizofrênico, que também faz covers de Elvis Presley (lógico), Bob Marley, The Who, The Doors, The Righteous Brothers e muitos outros artistas do rock clássico. Até um disco com canções de Natal eles já lançaram!

Desde então, depois de diversas mudanças de formação, o grupo hoje conta com Tortelvis (que chegou a sair e voltar), Butt-Boy (baixo), Spice (teclado e percussão), Bob Knarley (guitarra), Ziggy Knarley (guitarra) e Charlie Haj (bateria), e continua na ativa. Seu 16° disco, “Soso”, saiu em 2011.