O lixo, a miséria e a violência: dez anos de “Botinada – A Origem do Punk no Brasil”

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Botinada

Botinada - A História do Punk no Brasil
Gênero: Documentário

Ano: 2006
Direção: Gastão Moreira

Em certo ponto do documentário “Botinada – A Origem do Punk No Brasil”, dirigido por Gastão Moreira, um dos entrevistados compara a época brutal das gangues punks à das torcidas organizadas de futebol. Se o contexto para a nova crescente de violência nos estádios é a crise econômica e o desemprego, nos final dos anos 70 era o descaso e a repressão militar. A diferença é que hoje, nada parece surgir da arte, em especial do rock, para nos retirar deste terrível torpor. Mas em 1982, o movimento punk havia mudado a cara do Brasil.

Repleto de entrevistas e imagens de época nos é apresentada a trajetória do punk no Brasil. Tendo sua origem em São Paulo, embora alguns creditem o berço ao estado de Brasília, o movimento tem inicio de forma curiosa, quase que torpe (com o punk realmente tinha de ser assim) com a influência do filme Warriors de 1979, os primeiros vinis de difícil acesso de Ramones e Sex Pistols e qualquer informação deturpada em imagens de revistas da época que ainda não entendiam direito o que era ser punk.

Lutando para se levantar sob o rock progressista e a MPB e sobreviver a febre da discoteca, o movimento ganha força no rádio através de programas de rádio capitaneados como o “Rock Special” de Marcelo Nova em Salvador e principalmente pelo saudoso Kid Vinil que aparece aqui como uns dos principais divulgadores do movimento em São Paulo. LPs se transformam em fitas K7 e logo surgem as primeiras bandas como Cólera, AI-5, Condutores de Cadáver e Inocentes.

Mostrando a origem humilde com a Banda do Lixo, sem deixar de lado momentos obscuros (a rivalidade brutal entre os punks do ABC e os de São Paulo) passando pela gravação de “Grito Suburbano”, primeiro registro oficial em vinil das bandas punks nacionais, até o auge do movimento e sua consequente derrocada com o festival “O Começo do Fim do Mundo” em 1982, “Botinada: A História do Punk no Brasil” é um excelente registro desse cenário caótico e maravilhoso da história do Rock no país.

Tracklist: FIDLAR — “FIDLAR” (2013)

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O LP de estreia da banda de garage e skate punk FIDLAR — sucessor dos EPs “DIYDUI” (2011), “Shit We Recorded In Our Bedroom” (2012) e “Don’t Try…” (2012) — integra facilmente as minhas listas de álbuns preferidos da década e de melhores álbuns de estreia da história. Em atividade desde 2009 e influenciados por nomes como Black Lips, Jay Reatard e Thee Oh Sees, o quarteto — formado por Zac Carper (voz, guitarra), Brandon Schwartzel (voz, baixo) e os irmãos Elvis (voz, guitarra) e Max Kuehn (bateria) — grava seus trabalhos em casa e faz parte de uma cena californiana mais recente, que engloba bandas como The Growlers e together PANGEA.

O interessantíssimo cenário da Califórnia — berço de clássicos do surf (Beach Boys, The Surfaris, The Lively Ones), terra de ícones do punk (Bad Religion, Minutemen, Dead Kennedys) e do hardcore old school (Descendents, Adolescents, os trabalhos de Keith Morris — que além de ter cantado no Black Flag, formou o Circle Jerks e integrou o supergrupo OFF!) e casa de antigas e novas figuras emblemáticas do garage punk (de The Mummies a Shannon And The Clams) — não poderia ser um contexto mais propício para a formação do FIDLAR, que incorpora elementos de todos esses gêneros.

Em 2003, durante a adolescência, Elvis e Max — que fazem música desde crianças e são filhos de ninguém menos do que Greg Kuehn (T.S.O.L., X) — criaram uma banda punk chamada The Diffs, que abriu para nomes como Agent Orange, The Adicts e The Germs. Elvis passou a estagiar na gravadora Kingsize Soundlabs, em Los Angeles, onde gravaram bandas como Wilco, The Vines e Jesus And Mary Chain e onde Zac Carper trabalhava como engenheiro de som. Zac, Elvis e Max formaram o FIDLAR (que antes se chamava “Fuck The Clock”) e Zac chamou Brandon para integrá-lo como baixista. Zac e Brandon eram melhores amigos e moraram juntos dentro de um carro velho em Silver Lake, bairro comercial no centro de Los Angeles, sob a miséria e o vício em cocaína.

“FIDLAR” é um álbum que tem as festas, as drogas e o skate como conceitos centrais. A princípio, eu achava que se tratava apenas de mais um bom álbum feito por um grupo de jovens irresponsáveis e zés-droguinha, mas ele ficou com uma carga consideravelmente mais pesada para mim depois que passei a pesquisar a fundo sobre a história da banda. Em 18 de março de 2013, pouco depois do lançamento do debut, Zac Carper recebeu uma ligação angustiante durante uma turnê que o FIDLAR estava fazendo com Wavves e Cheatahs pela América do Norte. Zac estava lutando contra o vício em heroína e descobriu por telefone que sua primeira namorada, grávida, sofreu um aborto espontâneo e faleceu após uma overdose — foi ele quem apresentou a heroína à garota.

O vício em drogas de Carper, que está sóbrio há mais de três anos, quase acabou com sua banda (e sua vida) múltiplas vezes. Zac fez uma tatuagem do mapa do Havaí, onde nasceu, para cobrir as marcas de agulha em seu antebraço esquerdo. Após a morte de sua namorada e de seu filho que sequer nascera, o vocalista e guitarrista tornou-se alcóolatra e passou a beber latas de cerveja e doses de vodka barata como café da manhã. A violenta imersão de Carper nas bebidas e narcóticos e suas múltiplas passagens em clínicas de reabilitação causou uma sensação de instabilidade entre ele e o resto da banda, que não tolerava mais ter que lidar com um junkie desafortunado como colega de trabalho — por mais que este fosse um grande amigo.

As coisas mudaram definitivamente quando o frontman — que, a essa altura, pensava em se matar todos os dias — recebeu uma outra ligação memorável, dessa vez do Billie Joe Armstrong (sim, o vocalista do Green Day), que é fã do FIDLAR e também passou por um histórico de dependência química. Billie, que por horas explicou a Zac sobre os benefícios da sobriedade (com base em sua própria vivência), foi a pessoa que o ajudou quando nenhuma outra estava ali para ajudá-lo, e o impediu de cometer suicídio ou de morrer de overdose no período que possivelmente foi a fase mais complexa e obscura de sua vida. Agora, Zac segue um estilo de vida consideravelmente mais saudável e aparece vestindo camisas com estampas do straight edge.

O (antes divertido) álbum homônimo do FIDLAR — expressão do skate californiano resultante do acrônimo para o mantra “Fuck It, Dog, Life’s A Risk” — ganhou para mim uma interpretação mais sombria após o conhecimento dessa sequência de infortúnios. Seja sob um viés feliz, seja sob um viés infeliz, “FIDLAR”, que saiu nos Estados Unidos pela Mom+Pop Records (Metric, Wavves, Courtney Barnnett), no Canadá pela Die Alone Records (Dune Rats, Cerebrail Ballzy, The Wytches) e no Reino Unido pela Wichita Recordings (Best Coast, Cloud Nothings, Girlpool) continua sendo um dos meus álbuns preferidos dos últimos cinco anos. São 14 músicas autorais (fora “Cheap Cocaine”, uma faixa escondida no final de “Cocaine”, e as faixas bônus “Shitty Jobz” e “I’m Going Nowhere”, que foram lançadas no Japão) sobre viver inconsequentemente, e cada uma delas é um belo soco na cara. “Too” (2015), segundo álbum da banda, além de ser sonoramente diferente do primeiro, é quase que conceitualmente oposto ao mesmo — faixas como “Stupid Decisions” e “Bad Habits” agora demonstram uma maior carga de preocupação e arrependimento (e uma menor carga de diversão) relativa ao vício em drogas.

1. “Cheap Beer”
“Cheap Beer” foi uma excelente escolha para a faixa que dá início ao álbum. Talvez eu trocasse por “White On White”, mas ainda assim, achei uma excelente escolha. “Cheap Beer” lembra muito a clássica “Police Truck” e, na minha opinião, é a melhor performance de Zac Carper do álbum. A música fala sobre se embriagar, usar drogas e se divertir com seus amigos em corridas de carro. Pra quem gosta de Dead Kennedys, Circle Jerks e Gang Green.

2. “Stoked And Broke”
“Stoked And Broke” é uma faixa sobre fazer o que você quer sem se arrepender ou se importar com a opinião dos outros. De construção simples, as estrofes da música são intercaladas por solos curtos de guitarra feitos por Elvis. Pra quem gosta de The Hives, The Vines e Ty Segall.

3. “White On White”
“White On White” é sobre estar desempregado e desabrigado e ser obrigado a servir ao exército militar. É uma música extremamente dinâmica e de construção impecável, principalmente em relação às linhas de guitarra. Para
mim, é bem difícil escolher a melhor faixa do álbum, mas essa talvez seja a minha preferida. Pra quem gosta de punk e hardcore dos anos 80 em geral.

4. “No Waves”
Uma das faixas mais populares de “FIDLAR”, “No Waves” foi lançada no EP “Don’t Try…” e regravada para o LP. Apesar de soar agitada e feliz, a música já dá indícios da depressão e dos problemas com drogas de Zac Carper. O eu-lírico não consegue mais surfar, está cansado do skate — que enxergava como uma atividade paralela ao surfe — e se sente fraco, entediado e impotente. Ele está em reabilitação e acredita que está estragando a sua vida com o excesso de bebida e de drogas. Pra quem gosta de Nobunny, Black Lips e The Orwells.

5. “Whore”
“Whore” é uma música sobre beber em casa, sozinho e em situação de vulnerabilidade após uma traição. Essa talvez seja a música mais consistente do álbum, construída por cima de linhas sólidas de guitarra base e bateria. Pra quem gosta de Thee Oh Sees e garage rock do início dos anos 2000.

6. “Max Can’t Surf”
Originalmente lançada no EP “DIYDUI”, “Max Can’t Surf” é uma música bem-humorada sobre o baterista da banda e foi regravada para “FIDLAR”. A faixa mais surf punk do álbum, para quem gosta de Wavves e Best Coast.

7. “Blackout Stout”
“Blackout Stout” é uma das minhas preferidas. Foi lançada no EP “Don’t Try…”e é outra música que já demonstra alguns sinais de angústia e desconforto em relação ao uso excessivo de drogas. A faixa fala sobre sentir-se perdido e sem rumo e acordar no carro de um traficante. Soa muito como “Southern Comfort”, dos Orwells e é indicada para quem gosta, obviamente, de The Orwells.

8. “Wake Bake Skate”
Lançada no EP “DIYDUI”, “Wake Bake Skate” é mais uma música sobre se drogar sem restrições, andar de skate e sentir que a sua vida está uma verdadeira bagunça. É uma faixa bem animada e divertida, em que a banda soa muito integrada. Para quem gosta de Wavves, Bass Drum Of Death e garage punk em geral.

9. “Gimme Something”
“Gimme Something”, que antes de ser lançada oficialmente, se chamava “Bummed”, conta a história de um desempregado viciado em drogas que vive no fundo de um caminhão. A faixa tem timbres mais acústicos e, a partir dela, o álbum passa a ter uma pegada mais leve, lenta e descontraída. Para quem gosta de country, rock ‘n roll e música tradicional americana em geral.

10. “5 To 9”
“5 to 9” é uma música sobre não ter carro ou dinheiro e beber e se drogar com os amigos — acho que, a essa altura, vocês já entenderam que “FIDLAR” é um álbum meio monotemático. É uma faixa que dura um minuto, mas que se fosse mais longa, talvez não fizesse muito sentido. Mais uma para quem gosta de Ty Segall, Black Lips e The Orwells.

11. “LDA”
“LDA” — sigla para “Legal Drinking Age”, ou “Idade Legal Para Beber” — é uma música sobre completar 21 anos (nos Estados Unidos, essa é a idade permissiva para o uso de bebida alcóolica) e não mais precisar de uma identidade falsa. É uma história real sobre um amigo de Elvis e Max que entregou a Elvis — que é o vocalista nessa música — sua identidade falsa quando completou 21 anos. Para quem gosta de rock ‘n roll e música tradicional americana em geral.

12. “Paycheck”
O eu-lírico de “Paycheck” está de ressaca, estirado no chão de uma casa vazia, e se drogou tanto que não sabe se vendeu ou doou sua TV. A faixa tem bases instrumentais mais densas e parece ter influências de grunge e stoner rock. Para quem gosta de Nirvana e Queens Of the Stone Age.

13. “Wait For The Man”
“Wait For The Man” é uma música sobre fazer a ponte entre um jovem e um traficante, originalmente lançada no EP “DIYDUI”. Soa como o trabalho de bandas mais clássicas como Ramones e Dead Kennedys por conta das bases
simples, mas também carrega marcas de bandas de garage punk mais novas. Para quem gosta de punk em geral.

14. “Cocaine”
“Cocaine” é uma música sobre vício em cocaína e faz referência às canções “Cocaine”, de Jackson Browne, e “Cocaine Blues”, originalmente escrita nos anos 40 por T. J. & Red Arnall e interpretada por nomes como Bob Dylan, Johnny Cash e Keith Richards. Semelhante à “Paycheck”, a faixa tem uma construção mais pesada e densa do que o restante do disco e é indicada para quem gosta de stoner rock e rock ‘n roll. “Cheap Cocaine”, faixa escondida no final de “Cocaine”, conta a história de quando Zac Carper morou dentro de seu carro.

Ouça o disco completo:

Pata traz em seu EP a essência do riot grrrl de forma “Wild And Cabeluda”

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EP Wild And Cabeluda

Tive uma boa surpresa nesta semana quando escutei o EP da Pata, banda mineira de Belo Horizonte que eu ainda não conhecia. Me lembrou os tempos áureos do riot grrrl. Chega a dar nostalgia. Me dá um sentimento muito bom ao ver bandas nacionais com mulheres reacendendo essa chama.

A vocalista e guitarrista Lúcia Volcano é musicista e isso fica claro na qualidade do disco, na excelente técnica vocal, no instrumental, nas referências que a banda mostra e em cada detalhe do EP “Wild And Cabeluda”, que foi produzido por Renan Fontes, pela própria Lúcia e mixado por Robson Garcia.

Destaque tanto para o nome da banda quanto do álbum que são agressivos e escrachados como deve ser, já mostrando a proposta da banda logo de cara. O nome Pata vem do termo “pata de camelo”, que de acordo com a banda tem a intenção de representar resistência e promover a liberdade das mulheres em suas diversas formas.

A ilustração genial da capa foi feita pela artista Marcela Yoko e o design por Rodrigo SantanaA sonoridade é uma mistura de grunge e punk rock, com bastante influência do rock dos anos 90, tem um toque de Veruca Salt, 7 Year Bitch, L7, Bikini Kill e Hole. A voz de Lúcia alcança tons incríveis e diferentes em cada música, sempre com muito sentimento, em alguns momentos é rouco e agressivo, chegando a se assemelhar ao timbre das maravilhosas Brody Dalle e Courtney LoveMuitas bandas do grunge e do punk rock esquecem que é importante colocar qualidade técnica e musical no que fazem, o Do It Yourself pode ser bem feito e o Pata está aí pra provar.

As letras são outro ponto muito interessante, falam de conflitos, tristeza e decadência, totalmente coerente com a proposta e refletem uma realidade conflituosa de uma geração nascida entre os anos 80 e 90. A faixa Adulthood é mais suave, inclui novos instrumentos e um vocal mais sutil, fala sobre a vida adulta com um realismo seco e merece ser escutada com uma boa bebida alcoólica ao lado. O baixo de Luis Friche também se destaca principalmente nas faixas “Boy” e “Monster”.

Ainda quero ver a banda ao vivo para sentir se a mesma energia e entrega que estão EP acontecem no palco. Nessa semana, dia 15 de setembro, o Pata faz um show de lançamento do “Wild And Cabeluda” em Belo Horizonte na Casa do Jornalista. Link do evento: https://www.facebook.com/events/345082805938780

O EP está completamente disponibilizado no Spotify e no Bandcamp:

Para quem quiser conhecer mais a Pata, também tem a página do Facebook e o canal no Youtube:
www.facebook.com/patamusic
www.youtube.com/channel/UC89bZltaFgpwc8oVHHdoOqQ

Lúcia Volcano, vocalista, guitarrista e compositora da Pata

Odiando a polícia com o Mudhoney em “Hate The Police” (1990)

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Mudhoney
Mudhoney

Cantarolando, por Elisa Oieno

Todo adolescente que se preze odeia a polícia. Numa análise imediata e superficial, o arquétipo da polícia logo de cara remete a autoridade, vigilância, opressão e o combate à delinquência, ou seja, basicamente tudo aquilo que o adolescente mais detesta. Talvez seja por isso que era tão satisfatório para mim cantar aos berros essa música no colegial.

Abrindo um parênteses aqui, é engraçado que raramente o paradigma de polícia nos faz lembrar de segurança – pelo contrário, né? É como naquela famosa dos Titãs: Dizem que ela existe prá ajudar/Dizem que ela existe prá proteger/Eu sei que ela pode te parar/ Eu sei que ela pode te prender!

Na verdade, se levarmos em consideração o que alguns caras como Michel Foucault pensam sobre isso, dá para concluir MUITO SIMPLIFICADAMENTE que a delinquência é de fato fabricada, criada pela própria estrutura que a condena – e mantida através da difusão do medo da criminalidade – , exatamente com o objetivo de ser combatida e, assim, demonstrar a necessidade social do poder da polícia, consequentemente validando toda a estrutura que legitimou este poder.

Mas nem é preciso exercitar toda essa reflexão para um indivíduo não morrer de amores pela autoridade policial – e o que ela representa. Sabemos que a truculência, a simpatia pela violência e o racismo não raramente afloram através da polícia. E é sobre esse aspecto que a canção cantarolada de hoje diz respeito.

“Hate The Police”, originalmente gravada pela banda punk The Dicks em 1980, conta a historia de um jovem adulto que acaba de entrar para a polícia, e chega em casa para contar a novidade para seus pais orgulhosos.

Ele se sente poderoso carregando uma arma, se exibindo para sua mãe, mostrando o quão intimidador ele pode ser:

Mamãe, mamãe, mamãe
olhe para o seu filho
você pode ter me amado,
mas agora que eu tenho uma arma, é melhor você sair do meu caminho
Eu acho que tive um dia ruim
Eu tive um dia ruim

E conta ao seu pai sobre as aventuras de seu novo trabalho:

Papai, papai, papai
Orgulhoso de seu filho
Conseguiu um bom emprego
Matando pretos e mexicanos
Eu vou te contar uma coisa, é verdade
Você não encontra justiça, ela é que te encontra.

 

A canção ficou mais conhecida por sua versão do Mudhoney, que está no disco – na verdade é um EP e uma compilações de singles – “Superfuzz Bigmuff” (1990), entitulado em homenagem ao icônico pedal de fuzz usado e abusado pelo guitarrista Steve Turner, marca registrada do som da banda.

Se quase 10 anos após o lançamento da música pelos The Dicks, a canção ainda fazia sentido a ponto de ter estourado através do Mudhoney, hoje, 30 anos depois, ela ainda está atual, e pode muito bem servir para as particularidades da nossa polícia por aqui.

De qualquer forma, mesmo se você não sofre de tanta antipatia pela instuição policial, todos havemos de concordar que a presença da polícia nas nossas vidas geralmente não é agradável. A idéia é que alguma coisa está errada. É esse sentimento que torna a “Hate The Police” tão atraente para os jovens ouvidos – e para aqueles ouvidos que se recusam a envelhecer.

Cantarolando: Moça, vai lá fazer seu roque! “I Wanna Be Your Joey Ramone”, de Sleater-Kinney

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Sleater-Kinney
Sleater-Kinney

Cantarolando, por Elisa Oieno

Estava conversando com uma amiga, que está à procura de uma guitarrista solo para uma banda. Ela logo em seguida me disse que está sendo bastante difícil, não só encontrar uma guitarrista que se encaixe no som e na proposta da banda, mas simplesmente encontrar uma guitarrista solo. A conclusão que se chega é que isso na verdade é um sintoma do quanto que as garotas ainda são desestimuladas a se aperfeiçoarem e a se projetarem como lead guitar, um território ainda tão masculino.

Pensando no aspecto histórico da herança desse desestímulo sobre as garotas, podemos citar do emblemático caso da irmã do Mozart, Marianne. Reconhecido como um dos maiores gênios prodígios da história da música, Wolfgang Mozart tinha uma irmã mais velha, potencialmente tão talentosa quanto ele – pelo menos é o que dizem os registros da época. Ela foi uma grande influência para Mozart, que a tinha como modelo. Desde criança, Marianne, assim como o irmão, realizava concertos de piano e harpa, e suas performances ganharam fama o suficiente para saírem em turnê pela Europa.

Porém, ao atingir a idade para se casar, ela foi pressionada a largar a música. O pensamento da época era que não é apropriado para uma moça crescida se ocupar com a música ao invés de cumprir seus deveres de esposa. O pai também desaprovava a escolha de Wolfgang de seguir a carreira musical, o que resultou numa briga entre eles, mas o jovem Mozart seguiu mesmo assim. Porém, Marianne acabou cedendo aos desejos da família – e da sociedade.

Há registros de trocas de correspondências entre Wolfgang e Marianne, em que ele elogia suas composições, o que demonstra que ela também compunha, porém estas acabaram se perdendo. Talvez teria sido uma compositora tão importante quanto o irmão, se tivesse tido o estímulo, o apoio e o reconhecimento.

Isso que aconteceu com a irmã do Mozart é muito comum, e de certa forma ainda ressoa. O resultado disso é poucas referências femininas nas artes e na música, gerando uma dissociação muito grande entre o que se admira e o que é possível se espelhar para ativamente criar e ser. Dito isso, voltemos para a breve ‘girl talk’ que tive no estúdio sobre mulheres guitarristas. E é aí que entra a música homenageada de hoje, da Sleater-Kinney. Carrie Brownstein é uma das guitarristas mais reconhecidas do indie.

A canção ‘I want to be your Johnny Ramone’ passa a ideia de uma garota olhando para um quarto cheio de pôsteres dos ídolos do rock – todos homens – e querendo ser como eles, nem que seja para ser admirada pela amiga ou namorada – ou amigo/namorado – tanto quanto eles. Esse é basicamente o resumo do sentimento de uma menina adolescente que sente um misto de atração sexual e vontade de ser esses garotos das bandas que tanto amamos.

Já falei sobre – a escassez de – referências femininas no rock outras vezes, e é uma tecla que já está ficando gasta de tanto bater. Nesse sentido, Sleater-Kinney é um daqueles grupos que fez um favor para diversas garotas se encorajarem a montar suas bandas e conseguirem se ver sendo fodonas com uma guitarra.

Cantarolando: os imigrantes durões em “Immigraniada” (2010), de Gogol Bordello

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Gogol Bordello
Gogol Bordello

Cantarolando, por Elisa Oieno

Gogol Bordello é uma banda formada para ser provocativa e divertida. Provocativa, porque traz à tona os temas mais pertinentes da era globalizada, como o combate ao racismo e xenofobia. A composição da banda em si já é uma afirmação disso: todos os membros são imigrantes e carregam sotaques pesados de vários cantos do mundo. E são muitos membros. A banda é bem grande, atualmente com nove integrantes, boa parte deles de países do leste europeu como Russia e Bielo-Russia, Ucrânia, e também da América do Sul, África e Ásia.

Essa pluralidade dos integrantes da banda também ajudam a trazer para o som da banda diversos elementos e influências, não só pelo uso de instrumentos tradicionais mas pelas diferentes referências, também. Você sente notas latinas entre um violino russo, um acordeom francês e percussão asiática. À primeira vista, isso pode causar uma idéia de algo forçado, tão eclético que se torna genérico. Mas, pelo contrário, eles conseguem fazer um som bem característico permeando diferentes estilos de maneira muito natural e orgânica, e uma vibe meio maldita, marginal. Talvez seja pelas influências centrais da banda, como The Clash, Manu Chao e Fugazi.

O vocalista super performático que beira à hiperatividade no palco é Eugene Hutz, imigrante ucraniano. Descendente de ciganos da tribo Roma, ele e sua família assentaram-se nos EUA após terem

passado por diversos países da Europa, refugiados do desastre de Chernobyl.

Hutz é um ativista da cultura cigana dos Roma e aponta pelos direitos civis desta etnia, historicamente perseguida e marginalizada na Europa, e dizimada durante o Holocausto nazista. Vale lembrar que até hoje os ciganos são alvo de discriminação e de estereótipos pejorativos. Pouco se difunde realmente sobre a cultura cigana, a começar pelo fato de que não existe apenas uma cultura, e sim diversas tribos com características culturais e étnicas diferentes.

Por isso mesmo, a idéia de trazer a cultura cigana – especificamente a Roma – e chamar atenção para isso na música pop é uma grande afirmação. Lembro de uma camiseta que eles vendiam, em que tinha um desenho de uma moça cigana com os dizeres: “You love our music, but you hate our guts” (algo como “você ama nossa música, mas nos odeia pra caralho”). Ouch! A frase é um trecho da música deles “Break The Spell”, muito direta sobre o preconceito e a ignorância a respeito da cultura dos roma. Não à toa, a banda é considerada como gypsy-punk, ou ‘punk cigano’.

Porém, apesar de todo o peso dessa questão cultural, étnica e social, a idéia da banda é tratar desses temas sem nunca deixar de ser otimista e se divertir. Isso fica evidente na canção de hoje, “Immigraniada (We’re Coming Rougher)”. Essa música é um bom resumo da ideia que a banda defende, a de uma ‘cidadania universal’. O clipe até termina com a pertinentíssima frase “No Human Being is Illegal”, e um link para uma organização de direitos civis, que dá suporte a imigrantes.

O tom de “vocês vão ter que nos engolir” de “Immigraniada”, lançada em 2010 no disco “Trans-Continental Hustle”, ainda é – senão mais ainda do que antes – bastante oportuno, inclusive aqui no Brasil atualmente, já que o fluxo de imigrantes de diversos países tem aumentado bastante. Em épocas de Trump, bizarrices neo-nazistas e num momento em que discussões sobre se o nazismo foi de direita ou de esquerda se tornam mais importantes do que salientar a inadmissibilidade de qualquer violação humanitária, um bando de imigrantes gritando “Nós estamos chegando cada vez mais fortes!” é uma bela atitude punk.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Jéssica Mar, do A Menina Que Colecionava Discos

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Jéssica Mar, do A Menina Que Colecionava Discos
Jéssica Mar, do A Menina Que Colecionava Discos

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Jéssica Mar, do A Menina Que Colecionava Discos.  “Muito difícil listar apenas 5 pérolas, mas estão ai, escolhidas com muito carinho e cuidado. Bandas do cenário alternativo, que fogem do convencional e que mereceriam toda a admiração”.

  • Switchblade Symphony – “Clown”
    “Banda de new wave formada em Los Angeles. A música combina sons orquestrados com graves sintetizadores e vocais etéreos para criar uma união de música clássica e rock gótico. A banda acabou em 1999. Essa música – que é a que eu mais gosto delas – ficou um pouco mais conhecido por estar na trilha sonora do filme ‘Wicked’“.

  • Bella Morte“Cristina”
    Bella Morte é uma banda criada em 1996 em Charlottesville, Virgínia que tem um som mais gótico com influências de metalpunkdarkwavedeath rock e industrial.  o nome foi escolhido para “sugerir que a beleza pode ser encontrada na tragédia”, que é um tema que ocorre em todos os álbuns da banda. Essa foi a primeira música da banda que eu ouvi. Estava começando a curtir um som mais underground e comecei a ler em portais de cultura gótica sobre as bandas do estilo e conheci Bella Morte. É uma das bandas que eu mais amo”.

Emilie Autumn“Misery Loves Company”
“O estilo musical de Autumn foi descrito por ela como “Fairy Pop”, “Fantasy Rock” ou “Victoriandustrial”. É influenciada pelo glam rock – de peças de teatroromances e história, particularmente a era vitoriana. Performando com suas dançarinas femininas The Bloody Crumpets, Autumn incorpora elementos da música clássicacabarémúsica eletrônica e o burlesco. Ficou mais conhecida por ter a música “Dead Is The New Alive” e “Misery Loves Company” na trilha sonora do filme ‘Jogos Mortais IV’

Green Carnation“Sweet Leaf”
“É uma banda norueguesa de metal progressivo art rock formada em 1990. Com performances pra lá de inspiradas na voz de Kjetil Nordhus (às vezes chega a lembrar entonações do Bono Vox, quando ouvi pela primeira vez essa música, eu jurava que era com participação do Bono Vox), arranjos ricos e criativos, sem ficar numa exibição inútil de técnica – muito pelo contrário, o que sobra aqui é feeling. Uma curiosidade: Eles tem uma música que dura um pouco mais que 60 minutos, chama-se Light Of Day, Day Of Darkness”. Vale apena ouvir, um metal bem suave e gosto de ouvir”.

Horrorpops“Julia”
“Por último mas não menos importante, um dos estilos que eu sou apaixonada: psychobilly. uma mistura de rockabilly dos anos 50 e punk ( essa banda coloca com um pouco de new wave). Horrorpops nasceu Dinamarca, Sua música mais famosa, se chama “Girl in a Cage” do álbum “Hell Yeah!” de 2004, e tem uma pegada bem forte de ska. Não deixem de conferir também um cover que eles fizeram da famosa “Rebel Yell” do Billy Idol“.

“Saddest Summer” mostra que Teen Vice é a irmã mais nova pirralha e barulhenta do Sonic Youth

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Teen Vice

O disco “Saddest Summer”, da banda novaiorquina Teen Vice, poderia perfeitamente ter saído no meio dos anos 90. E isso é um elogio. As influências de Sonic Youth, Hole e The Breeders são fáceis de pegar, além de toques de Angel Olsen, Big Thief, Sharkmuffin, Sunflower Bean… O quarteto define seu som como post punk, grunge e “punk de shopping” e estraçalha qualquer um que estiver pela frente em suas apresentações ao vivo.

Formada por Josh Ackley (baixo e vocais), Tammy Hart (guitarra e vocais), Derek Pippin (bateria) e a brasileira May Dantas (guitarra e vocais), a banda do Brooklyn só tem gente que sabe muito bem o que está fazendo: Tammy começou sua carreira no colegial, quando assinou com o selo Mr. Lady Records e fez turnê com o Le Tigre, lançando aos 18 anos seu primeiro disco “No Light In August”, indicado pelo NY Times como um dos melhores álbuns de 2000. Depois ela formou a banda GangWay em São Francisco, e em Nova York as bandas Winning Looks e Making Frienz. Em 2009 ela acabou entrando também na icônica banda MEN. Já Josh começou junto com Derek na banda punk The Dead Betties, que assinou com a Warner Music após o lançamento de seu disco “Summer or 93” e teve seu single “Hellevator” exibido com frequência na Mtv e VH1. Derek não ficou só nessa, tendo tocado diversos instrumentos também com as bandas Fur Cups for Teeth, Boogie Brains, Sped, The Kickstarts, The Baddicts, Tight Chocolate, The Buybacks e muitas outras. A brasileira May era a frontwoman da seminal banda paulistana The Fingerprints, onde dominava o palco como poucos na cena independente brasileira.

Toda a energia e experiência desses quatro integrantes é notável no disco lançado em julho pela Commission Music. Em faixas como “How Does It Feel?” dá pra sentir que Kim Deal tem um altar garantido na sala de ensaios da banda, enquanto “Y U WNT 2?” mostra que bandas como AC/DC e ZZ Top também fazem parte da discoteca inspiradora do Teen Vice. Vale a pena conferir a obra do começo ao fim, pois, segundo o baixista Josh, “se a cultura do disco está morta, vamos trazê-la de volta à vida”.

Conversei com ele sobre a carreira da banda, o novo disco, a falta de rock nas paradas de sucesso e muito mais:

– Como a banda começou?

Eu joguei um feitiço neles.

– Como surgiu o nome Teen Vice?

Ele tem um som legal, somente. E é “TV” se você abreviar. Somos a irmã mais nova, mais barulhenta e mais pirracenta do Sonic Youth, e estamos sempre de castigo.

– Quais são suas maiores influências musicais?

ZZ Top, Deee-Lite, Madonna, Hole, U.S. Girls.

– Como vocês definiriam o som da banda pra quem nunca ouviu?

Eu diria que uma filha acelerada de uma relação entre o The Breeders e o The Cars.

– Me contem mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Estamos muito entusiasmados com nosso álbum de estréia, “Saddest Summer”, que saiu pela Comission Music no dia 14 de julho. Fora disso, lançamos algumas músicas, “Cry for You” e uma cover de “Aneurysm”, do Nirvana.

Teen Vice

– Como anda a cena independente de Nova York hoje em dia?

Está viva e bem, and the kids are alright. De qualquer forma, somos uma das poucas bandas tocando música vibrante e acelerada. Fora o Fruits and Flowers e The Hellbirds, ambas fantásticas, o pessoal ainda está empacado naquele negócio nada a ver de drone synth.

– Porque nos últimos tempos o rock ficou tão excluído das paradas de sucesso?

Porque as bandas estão tentando se conformar em vez de se destacar. O que só torna o rock chato. Uma tonelada de pessoas culpa o hip-hop, ou o país, mas isso é besteira. A culpa é dos rockers lançando álbuns ruins que ninguém quer comprar. E também, há um pouco de um problema de diversidade no rock.

– A cultura do disco, do álbum completo, está definitivamente morta com o crescimento do streaming?

“Saddest Summer” fala de amor, inadequação, corações partidos e identidade. Se a cultura do disco está morta, vamos trazê-la de volta à vida. É trabalho do artista fazer questão de que sua arte floresça, não trabalho da sociedade.

  • – Quais são os próximos passos da banda?

Lançamos o álbum e planejamos lançar um monte de clipes. E fazer turnê pela Espanha e beber Spritz na Riviera Francesa.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

U.S. Girls, Jay Som, Fruits and Flowers.

Ouça “Saddest Summer” aqui:

Contramão Gig volta à Rua Augusta nesta quarta com shows de In Venus e The Bombers

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Contramão Gig busca levar música autoral de volta para o Baixo Augusta e volta ao Bar da Avareza nesta quarta-feira (12/07) convidando você a descobrir e redescobrir artistas da cena independente em apresentações ao vivo memoráveis!  A segunda edição conta com dois shows especiais:

In Venus

In Venus

Formada por Cint Murphy Ferreira (voz e teclados), Patricia Saltara (baixo), Camila Ribeiro (bateria) e Rodrigo Lima (guitarra), a In Venus mostra no show de seu mais recente trabalho lançado pela Howlin’ Records, “Ruína”, sua sonoridade combativa e ritualística calcada no post punk, no wave, shoegaze e slowcore.

The Bombers

The Bombers

A santista The Bombers, formada em 1995, lança no Contramão Gig seu mais novo trabalho pela Hearts Bleed Blue, “Embracing The Sun”, mostrando que suas influências vão muito além do punk rock. Formado por Matheus Krempel (vocal e guitarra), Gustavo Trivela (guitarra e vocal), Daniel Bock (baixo e vocal) e Mick Six (bateria), o quarteto apresentará músicas de toda sua carreira com a energia pela qual são conhecidos.

A discotecagem fica por conta dos organizadores Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream), Rafael López Chioccarello (Hits Perdidos), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi), Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT) tocando o melhor do rock alternativo, sons independentes, lados B e hits obscuros de todas as épocas!

Durante o evento também teremos flash tattoos com a equipe Studio Bar, venda e troca de discos com a Charada Discos, merch das bandas e a loja da casa com camisetas, chaveiros, posters e, claro, muita cerveja!

Organização: Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream), Rafael López Chioccarello (Hits Perdidos), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi), Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT)
Fotos: Elisa Oieno
Apoio: MutanteRadio e Radio Planet Music Brasil

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Local: Bar da Avareza – Rua Augusta, 591
Horário: A partir das 19h
Preços: $10 entrada ou $30 consumíveis 

Ponto de encontro para os apreciadores de boa cerveja, sedentos por boas experiências em self service e bom papo. Tudo isso sem gastar muito! O Bar da Avareza é o primeiro bar temático da Cervejaria Mea Culpa, aqui você encontra os 7 pecados em forma de cerveja nas torneiras no esquema self-service: você mesmo se serve em seu copo!

• É proibida a entrada de menores de 18 anos.
• É obrigatória a apresentação de documento original com foto recente.
• Não é permitida a entrada sem camisa ou calçando chinelos.

Pra quem perdeu a primeira edição da Contramão Gig com shows dos Molodoys e Dum Brothers, aqui vai uma playlist com um pouco do que foi discotecado e tocado pelas bandas:

The Bombers abraça o Sol e outros estilos em seu novo disco

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The Bombers
The Bombers

O Sol totaliza 99,86% a massa de todo o Sistema Solar e é composto majoritariamente por Hidrogênio. A fusão nuclear deste elemento com ele mesmo produz outro tipo de átomo, o Hélio, e é isso que gera toda a imensa energia do Sol. Mais do que sua imponência de tamanho, o Sol é primordial para nossa sobrevivência. Abraçar o Sol, portanto, não só é um ato alegoricamente corajoso, como também é uma ode à vida.

E a arte dos santistas The Bombers é solar. Emana não só energia como te incita a viver. E se vida é deixar rastros, Bombers fazem bonito carimbando uma marca única. Há ecos claros do punk de dias verdes e levada de ska sublime, mas não é só isso. Talvez, assim como o Sol, o convite do álbum é claro: confraternize.

E, também como nossa estrela-mor, a fusão dos elementos produz algo novo. No caso de “Embracing The Sun”, o sincretismo cultural é tão harmônico e divertido como surpreendente e curioso.

The Bombers

De longe, o melhor exemplo é “Exodus”. A narrativa sonora é rica e invejável. O riff inicial parece indicar uma levada mais pra um rockão do que para qualquer outra coisa. A música toda gira em torno desse espectro até que o segredo é desvendado: seu núcleo é formado não pelo riff de guitarra, mas por sanfona, triângulo e zabumba. The Bombers mostram que não é preciso cantar em português para ser brasileiro.

E eles não param por aí. Em “¿Qué Pasa?”, o grupo deixa de olhar para o horizonte atlântico para virar rumo ao Pacífico. Como se fosse uma releitura latina de Run DMC & Aerosmith, The Bombers acrescentou ao rap+rock o diálogo mais que necessário entre o Brasil e nossos vizinhos – sem contar o toque norteamericano com uma gaita blues!

Ao lado de “Exodus”, um dos grandes destaques do disco é a versão para “Mestre Jonas”, do trio Sá, Rodrix e Guarabyra. A adaptação é tão perfeita que soa original.

“Embracing the Sun” é divertido, intrigante e até reflexivo. Existem outros estilos abraçados pela banda neste disco – e que talvez alguns torçam o nariz. E aí também está parte da diversão… a reflexão do limite do estilo e os possíveis diálogos com outras formas musicais. Goste ou não, tudo que ouvimos hoje surgiu a partir de amálgamas anteriores.