13 músicas para refutar quem diz que Ramones faz tudo sempre igual

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Ramones

Se você tem amigos que não gostam de Ramones, já deve ter ouvido aquele argumento de que “as músicas deles são todas iguais”. Lógico que a pessoa tem todo o direito de não gostar do quarteto novaiorquino, mas se ele resolver usar essa desculpinha furada para te ofender de alguma forma, sem problemas: Use esta lista de 13 músicas para provar que sim, os Ramones depois de seus três primeiros discos foram muito mais criativos e diversificados do que se pinta por aí. Vamos lá:

“Needles and Pins”, do disco “Road To Ruin”, de 1978
Tá, essa é uma cover de uma música do The Searchers de 1963, mas pra quem diz que Ramones só faz música igual, é um tapa na cara. Uma baladinha sessentista com cara de The Ronettes pra ninguém botar defeito e Joey fazendo sua melhor imitação de crooner romântico.

“Poison Heart”, do disco “Mondo Bizarro”, de 1992
É incrível que as pessoas falem que Ramones é tudo igual quando essa música escrita pelo Dee Dee foi um hit tão estrondoso nos anos 90. Aliás, é uma das melhores músicas da banda, na minha opinião, com letra, instrumental e execução sensacionais. Linda demais.

“Pet Sematary”, do disco “Brain Drain”, de 1989
Mesmo um dos maiores hits da banda, trilha do filme “Cemitério Maldito”, é BEM diferente de “Blitzkrieg Bop” e afins. Os tecladinhos e tudo…

“Chop Suey”, do disco “Pleasant Dreams”, de 1981
Essa aqui é um bubblegum divertidíssimo que lembra algumas coisas das Go-Go’s e tem aquela pegada de festinha sessentista na praia. Olha esses backings, gente.

“Danny Says”, do disco “End Of The Century”, de 1980
Mais uma que é bem diferente do que se espera dos quatro caras de jaqueta. Uma balada singela com Joey tentando usar sua voz de forma sutil e fofinha. A produção do Phil Spector deve ter a ver com o resultado.

“No Go”, do disco “Too Tough To Die”, de 1984
Dançante e calcado no rock dos anos 50, foge bastante do que se ouve normalmente quando se fala em Ramones.

– “I Won’t Let It Happen”, do disco “Mondo Bizarro”, de 1992
Tá, é mais uma balada, mas essa com mais cara de algo que o Bruce Springsteen faria em seus discos. Aliás, uma cover dessa feita pelo Boss seria incrível, hein…

“We Want The Airwaves”, do disco “Pleasant Dreams”, de 1981
Outro hit, dessa vez com riff de guitarra do Johnny e uma baita cara de rock oitentista.

“Do You Remember Rock’n’Roll Radio”, do disco “End Of The Century”, de 1980
A homenagem do quarteto ao rock dos anos 50 e 60 tem metais, tem muita inspiração do rock praiano sessentista e é uma delícia de ouvir. Sim, também tem muito do dedo do Phil Spector.

“Little Bit O’ Soul”, do disco “Subterranean Jungle”, de 1983
Essa aqui é uma das mais diferente de todas. Sério, se não fosse o vocal do Joey Ramone, eu nunca diria que essa é uma música dos Ramones.

“Strength To Endure”, do disco “Mondo Bizarro”, de 1992
Essa aqui tem vocal do CJ Ramone e é um punk noventista que poderia muito bem estar no disco de qualquer banda de punk noventista que sabe o que faz. Bem distante do punk que os Ramones faziam no começo e todo mundo fala que eles fizeram por toda a carreira…

“Go Lil’ Camaro Go”, do disco “Halfway To Sanity”, de 1987
Ramones com voz da Debbie Harry dando aquela força. E com “papa-oom-mow-mow”. Quem precisa de Camaro Amarelo quando existe essa?

“It’s Not My Place (In a 9 to 5 World)”, do disco “Pleasant Dreams”, de 1981
Igualzinha à “Blitzkrieg Bop”, né? Não, nem um pouco. Pronto, tá aí sua lista. Se alguém falar que Ramones é tudo igual, mostra isso. São 13 argumentos lindos que dão uma bela playlist, inclusive.

A trilha sonora perfeita para um Halloween sangrento

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Chegou o natal dos trevosos e queremos comemorar! Não importa se você mora em terras tupiniquins e queira chamar de “Dia do Saci”, o importante é colocar sua fantasia, pegar um copo de vinho barato e aproveitar as festinhas com a melhor (e mais mórbida) playlist.
Conversamos com alguns amigos do underground nacional para saber o que escutariam em uma noite de Halloween. O resultado foi assustadoramente bom.

Mesmo com algumas mudanças e intervenções comerciais no decorrer do tempo, a história do Halloween desafia as festas cristãs tradicionais por ter uma origem pagã que não perde suas raízes. Manter viva uma comemoração que fala sobre a morte e exalta figuras demonizadas pela sociedade tem lá sua importância. É no ode ao bizarro e no confronto social sobre o que é considerado “aceitável” que o rock encontra o Halloween. Muitas bandas e artistas homenageiam a data, seja nas composições ou na estética “creepy”. Impossível não mencionar alguns ícones: Alice Cooper com suas apresentações chocantes que influenciaram toda uma geração, Black Sabbath que construiu o conceito da banda inspirado em contos de terror, Misfits que deu origem ao Horror Punk, Rob Zombie que até dirigiu o remake do filme Halloween e King Diamond com seu microfone feito de ossos humanos. Claro que a lista de artistas que bebem dessa fonte é muito maior e, inclusive, merecem uma matéria futuramente.

No Brasil, terra de Zé do Caixão, Mula Sem Cabeça, Toninho do Diabo, Michel Temer e Saci Pererê, temos nossas bandas terrivelmente boas. A coletânea Isto é Horror Punk Brasil reúne bandas brasileiras que falam sem misericórdia sobre cadáveres, sangue e satanás. As bandas de punk rock brazuca tem um sarcasmo único nas composições, coisa que só sabe fazer quem cresceu com medo do homem do saco, no meio da tensão da favela, com presidente vampiro sugando o povo e correndo de bandido portador de peixeira. Rir da desgraça é coisa que brasileiro faz melhor do que ninguém.


E falando em rir da morte e se divertir com a decadência, vamos às indicações de músicas para embalar o Halloween com muito sangue de groselha:

Zumbis do Espaço – “O Mal Imortal” // Amanda Magnino
Começando pela minha indicação, claro! Zumbis do Espaço é punk rock do Brasil e o clipe dessa música tem participação do grande mestre José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Zumbis do Espaço não tem medo de chocar ninguém, fala do capeta, violência e cemitério. Por algum motivo muito bizarro, sempre que eu escuto a banda eu fico de bom humor, então, pra mim, é a trilha sonora ideal pra uma noite de celebração degenerada.

Misfits – “London Dungeon” // Alexandre Cacciatore – O Inimigo

Nekrotério – “Jason” // Joe Porto – Lava Divers
O Joe considera Nekrotério o Misfits do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. E cá pra nós, se alguém sobrevive às loucuras do cerrado, sobrevive a qualquer noite de terror.

Bauhaus “Bela Lugosi’s Dead” // Victor José – Antiprisma
“Classicão. Não vejo nenhuma outra música com apelo tão soturno a ponto de me fazer lembrar sangue, vampiro, lápide, cadáver, caixão, cemitério e noite apenas com poucos compassos de bateria. E o mais estranho é que, se você reparar bem, aquilo é uma bossa nova! Ela é tétrica por inteiro. Aquele riff repetitivo do baixo, a guitarra levemente noise e o vocal afetado dão um ar de hipnose nos quase dez minutos de duração. E mesmo esquecendo dessa coisa dark, dá pra perceber que ali tem uma noção estética absurda. Parabéns aos envolvidos. Além disso “Bela Lugosi’s Dead” é meio que pioneira nessa pegada, tanto que muita gente a considera como “a inauguração do rock gótico”, o que fez com que o Bauhaus se incomodasse um pouco (e com razão). Poxa, Bauhaus é uma banda incrível, vai muito além disso. Enfim, não dá pra pensar em fazer uma festa de Halloween sem essa.”

Carbona – “Eu Acredito em Monstros” // Andrei Martinez – Francisco, El Hombre

Alice In Chains – “Grind” // André Luis Santos “Murça” – Desventura
De acordo com meu querido amigo Murça, o clipe dessa música é o mais mórbido possível.

Itamar Assumpção – “Noite de Terror, Oh Maldição” // Moita Mattos – Porcas Borboletas
Nessa versão o Itamar mistura “Noite de Terror” do Roberto Carlos“Oh Maldição” de Arrigo e Paulo Barnabé. Obviamente a mistura ficou bem bizarra, ou seja, perfeita para uma noite sinistra.

Ministry – “Everyday Is Halloween” / Rafael Lamin – Enema Noise
Não precisa nem falar nada, né?

O Lendário Chucrobillyman – “Macumba For You” // Mauro Fontoura – Muñoz

Sopor Aeternus – “A Strange Thing To Say” // Vitor Marsula – Molodoys
“A escolha já começa com a própria artista, que é, basicamente, uma pessoa que ninguém tem certeza de onde vem, o que é e como é e, pela banda de apoio, que é alegadamente uma hoste de espíritos que ajudam Anna Varney Catandea, a única integrante viva da banda a compor, e do fato da banda só performar para a alma dos mortos. Juntando à temática da música, que é a relação do personagem com o seu único amigo, um assassino da mais alta qualidade e a ponderação e até felicidade em pensar que o mesmo poderia ser quem tiraria sua vida num futuro, tornam ela, para mim, uma ótima música para essa época. Isso sem contar a música em si, que tem uma pegada que vai desde a música barroca até uma sonoridade bem agressiva de forma linda e que te cativa muito. E o clipe da música merece uma atenção também por ser bem creepy e reconfortante, como é essa época do ano.”

The Cramps – “Bikini Girls With Machine Guns” // Marco Paulo Henriques – Uganga
Não podia faltar The Cramps nessa lista, obrigada Marco Paulo!

John Carpenter

– “Escape From New York” // Gabriel Muchon – Poltergat
“Não tem como não falar de John Carpenter quando o assunto é Halloween e música. O cara não só escreveu e dirigiu o primeiro filme da lendária franquia de Michael Myers, mas também criou e produziu a icônica trilha sonora. Recentemente ele lançou um disco “Anthology: Movie Themes 1974-1998″ e conta com vários clássicos, como o “Escape from New York’.”

Drákula – “Cidade Assassina” // Gordon Rise – Light Strucks
Mais uma do horror punk nacional pra nossa lista.

Soundgarden – “Beyond The Wheel” // Lúcia Vulcano – Pata
‘Beyond the Wheel’ é a quarta música do ‘Ultramega Ok’
do Soundgarden e fica entre as músicas 665 e 667. Ou seja… A sonoridade remete a um clima tenso, com um andamento lento e riff bem pesado. A letra fala de uma dinâmica familiar patriarcal, baseada em guerra e lucro. Bem, não há coisa entre o céu e a terra mais assustadora do que isso, certo?”

Marilyn Manson – “The KKK Took My Baby Away” / Amanda Ramalho – Chá das 4 e 20 Músicas / Jovem Pan FM
“Eu ganhei um tributo aos Ramones de uma amiga gótica na minha adolescência, cheia de bandas famosas fazendo versões dos caras, mas essa sempre me impressionou mais. O clima é totalmente macabro. Quando eu penso nessa musica eu canto na versão do Manson, não na dos Ramones. Pra mim ela faz muito mais sentido com ele.”

The Gothic Archies – “Smile! No One Cares How You Feel” // Pedro Serapicos – Serapicos
Stephen Merritt é um dos meus cantores preferidos e um compositor absurdamente prolífico, lúdico e diverso. Mais conhecido por seu trabalho com o The Magnetic Fields (especialmente pelo épico album triplo de 1999 ’69 Love Songs’), Merritt também dá as caras em diversos outros projetos, como o Gothic Archies, definido pelo compositor como um projeto de ‘goth-bubblegum’. As músicas desse projeto tem todas um ‘quê’ fantasmagórico e abordam, com humor ácido, mórbido e inteligente, um lado mais melancólico, dark, visceral e pessimista da existência. Destaque pra canção ‘Smile! No one cares how you feel’; com poesia arrebatadora que aborda a vaidade, egoísmo e dissimulação.”

Black Sabbath – “Black Sabbath” // Mariana Ceriani – Dead Parrot
“Você não precisa entender a letra e nem o próprio título da música pra saber que está falando de algo macabro. Dá pra imaginar toda uma história de terror pelo arranjo inteiro, mas principalmente pelo riff de guitarra principal por si só (habemus Tony Yommi). Não é à toa que é a faixa que tem o mesmo nome do álbum e com a capa mais assustadora das capas.”

Eminem – “3 A.M.” // João Pedro Ramos – Crush em Hi-Fi
“Nessa música do discoRelapse” o rapper fala da perspectiva de um serial killer que questiona sua sanidade. O som tem até referências à “Silêncio dos Inocentes’

White Zombie – “I’m Your Boogieman” // Chris Lopo
“A música é original do KC & The Sunshine Band, mas foi em 1996 que o White Zombie levou o título ao pé da letra e fez um dos clipes mais legais da curta vida da banda. Gravado para a trilha sonora do filmeO Corvo: Cidade dos Anjos”, a música ganhou um vídeo que parece ter saído diretamente de um capítulo da série Os Monstros”. Nele, temos uma banda de monstros tocando pra uma plateia de monstrinhos hiper-empolgados. Os takes com Rob Zombie cantando já se passam na atualidade, com zumbis estilo The Walking Dead” vagando, ao seu redor, dentro de uma jaula, decorada igualzinho àquela melhor festa de Halloween que vai aparecer só pra quem sonhar com o clipe.”

Spidrax – Lenda Urbana // Helder Sampedro – RockALT e Crush em Hi-Fi
A letra macabra da música junto aos riffs


Depois de tantas sugestões discrepantes e sensacionais, montamos uma playlist no Spotify da Crush em Hi-Fi com todas essas indicações e mais algumas outras que colocamos para vocês saírem na rua pedindo doces, com maquiagem duvidosa e fantasia improvisada.

Dê o play e lembre-se sempre de não morder o coleguinha sem autorização, ok?

 

Já escolheu o look do dia?

 

Construindo Miêta: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto Miêta, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Sonic Youth“Diamond Sea”
Bruna: Talvez essa seja a música da minha vida. Ela traz simbolismos muito fortes para mim tanto na letra, quanto nas harmonias, linhas de guitarra e modo de cantar. Acho que Sonic Youth é uma banda unânime para a Miêta inteira e os noises e microfonias que carregamos vieram basicamente deles. Essa música específica representa muito do que eu coloco como ideal de expressão artística. Tem uma subjetividade muito bem trabalhada criativamente, disfarçada de ironia cheia de metáforas. E simplesmente não tem como não gostar da harmonia tortuosa e acessível, recheada com uma sessão rítmica bem simples.

The Durutti Column“Never Know”
Bruna: Todo mundo sabe que eu sou meio louca dos anos 80. Durutti Column é um projeto do Vini Reilly, um dos guitarristas que mais me inspiram. Quando eu ouvi a primeira vez, sendo apresentada por um amigo (também bem fã de post-punk e outras variáveis) que botou uns vinis do Vini pra tocar, eu só tive aquela reação de “meu deus, que guitarra é essa”. É pós-punk, é experimental, é chill out, é um monte de coisa pelas quais você consegue alcançar lugares bem interessantes com o sempre supremo delay. É um dos timbres do sonho. E essa é uma das primeiras músicas que ouvi.

DIIV“Bent (Roi’s Song)”
Bruna: DIIV é outra banda unânime. E um exemplo de guitarras simples e de bom gosto. Os riffs e linhas são geniais de tão minimalistas e complementares uns aos outros. Além da voz soprosa que configura um shoegaze novo e muito bem feito e explorado. Essa música específica talvez seja uma das minhas top 3 da banda e ela consegue criar tensões muito bem colocadas para depois seguir com fluidez e vigor em algumas explosões que são marcadas, principalmente, pelas cordas que o Zach é rei em posicionar nas estruturas da música. A letra é uma poesia à parte também.

Jimi Hendrix“The Wind Cries Mary”
Bruna: Esse homem é um cliché necessário à maioria dos guitarristas. Não tem muito o que falar. Mas desde que conheci, levei pra sempre o aprendizado de riffs em cima de acordes abertos, da brincadeira do acorde maior com o riff blueseiro que segue pro acorde relativo menor e de jogar uma sétimazinha aqui e ali pra deixar a harmonia dinâmica e gostosinha. Não tem como evitar que Jimi saiu dos anos 60 e alcançou até o shoegaze independente hoje.

Courtney Barnett“History Eraser”
Bruna: A Courtney representa muito do que eu considero música honesta, criativa, nova mas com um pézinho, criando lastro histórico, nas referências do passado. A forma dela de tocar guitarra é algo que sempre tive como referência na Miêta também. Os acordes rasgados e bem timbrados, o ritmo e uma ponte entre o noise e o folk/blues fazem ela ser uma guitarrista e compositora monstruosa, mas que mantém a simplicidade da sua expressão e faz música de forma espontânea.

Sonic Youth“100%”
Luiz: Steve Shelley pra mim é o baterista que melhor desconstroi a bateria dentro do rock alternativo, principalmente na fase da banda até o “Washing Machine”. A bateria em “Dive” (nossa música), é totalmente Steve Shelley.

Smashing Pumpkins“1979”
Luiz: “1979” é lição de saber até onde a bateria deve ir numa música simples. Não precisa de mais nada, aqui, sério. Uma virada em qualquer lugar ia estragar tudo. Tanto que as versões ao vivo dela são péssimas (desculpa, Jimmy, ma faltou bom senso (risos)).

Pin Ups“It’s Your Turn”
Luiz: No primeiro show da Miêta a gente fez um cover dessa música, e tirar a bateria dela abriu minha mente pro que o som da banda precisava. Apesar de eu ter entrado com quase todas as baterias já criadas, foi bem esclarecedor pro que a banda ia precisar a partir daquele momento.

Dinosaur Jr.“I Don’t Wanna Go There”
Luiz: As baterias do Murph, pra mim, foram referência nessa fase de entrar pra Miêta e voltar a tocar esse tipo de som onde menos é mais, mas sem ser simplista, mas, principalmente em relação a timbre. Sempre gostei de um som bem orgânico e pra sonoridade da Miêta faz todo o sentido.

Warpaint“Undertow”
Luiz: Stella Mozgawa é, pra mim uma das maiores referências no “menos é mais”. Um set reduzidíssimo como o dela desafia a criatividade e eu tento absorver e me reciclar ritmicamente, área em que ela é impecável. “Undertow” é minha favorita da banda e, se tem alguma música no “Dive” em que eu apliquei muita coisa que aprendi com a Stella, é “Am I Back”.

Ventre“A Parte”
Marcela: A Ventre é uma banda que eu amo e o Hugo é um monstrão do baixo, eu piro muito nas linhas dele! Eu como baixista só existo muito recentemente (risos), e ele foi uma das figuras que me inspiraram e fortaleceram desde o início da banda, quando eu deixei de ser só vocal e peguei o baixo, comecei a estudar e criar. Esse ao vivo no Méier deve ser o trem que eu mais escutei esse ano hehe.

Sabine Holler“The Hanged Woman”
Marcela: Eu adoro a honestidade nas canções da Sabine, sou fã desde a Jeniffer Lo-fi, as linhas de voz e suas letras são grande inspiração pra mim. Tive a oportunidade de assistir a uma apresentação dela no início do ano que me tocou muito – a forma como executa as canções ao vivo sozinha, a entrega…

Marrakesh“Sheer Night”
Marcela: Eu descobri Marrakesh esse ano pela Raça, outra banda que adoro, e fiquei bem apaixonada. Eu adoro o flerte entre indie e elementos elementos eletrônicos e até do R&B no som deles, tem muito a ver com o mix das paradas que gosto de ouvir e que tenho como referência. Essa música pra mim é das melhores lançadas no ano passado.

PJ Harvey“Down By The Water”
Marcela: PJ foi escolinha pra mim em diferentes aspectos, eu lembro que ficava repetindo os bordões no violão quando era mais nova haha, meio que abc do baixo pra mim antes de começar a estudar e tal. O magnetismo dela me inspirou demais também lá atrás quando tive minha primeira banda, a entrega desnuda nas letras e performance.

DIIV“Under the Sun”
Marcela: DIIV foi uma das primeiras coisas que a gente ouviu junta como banda, uma das primeiras bandas que a Célia me apresentou. Por motivos óbvios então uma banda, disco e música muito representativos. Dos discos que mais ouvi quando comecei a pegar os baixos da Miêta e que me ajudaram a meio que abraçar uma simplicidade coesa com os demais elementos, com o todo da música.

Broken Social Scene“7/4 (Shoreline)”
Célia: Essa banda tem alguns maravilhosos hits que me influenciaram e são inesquecíveis pra mim. Vira e mexe, sempre ando ouvindo, e é aquele tipo de coisa que quase sempre acontece comigo, sai algo de influência naturalmente. Nessa música em especial, o tempinho dela me cativa, que inclusive foi uma influência pra criação da guitarrinha de “Dive”. Considero “Shoraline”, “Cause = Time” e “Almost Crime” dos melhores e mais lindos hinos noventistas!

Stereolab“The Noise Of The Carpet”
Célia: Amo Stereolab de paixão, principalmente por ser uma das minhas referências de minas fazendo músicas “esquisitinhas” desde a adolescência. Fugia do padrão punk/hardcore que era mais conhecido no meu meio na época. O que mais me chama atenção e inclusive amo fazer, são os backings. Cada uma tem sua linha diferente, como se fossem 3 músicas diferentes praticamente. Acho isso lindo, e pensei muito nisso na criação dos backings de “Messenger Bling”, por exemplo.

Sonic Youth“Karen Revisited”
Célia: Essa é uma das músicas que mais me rendeu altos arrepios e choradas em ônibus haha. As dissonâncias me comovem muito e ninguém melhor que Sonic Youth pra representar isso. Naturalmente eu sempre vou fazer algo que soe como, pelo tanto que já ouvi/ouço. Tá aqui no subconsciente e nem sai por querer. Amo as guitarras de “Karen Revisited” e vou defendê-las!

My Bloody Valentine“Cupid Come”
Célia: Essas palhetadas tudo pra baixo, rítmicas, quase percussivas me fazem aguar os olhinhos! Fora essa barulheira cheia de efeito saturado e essa impressão de disco empenado. É uma delícia que não me canso de ouvir! Acho que é uma influência geralzão pras músicas da Miêta, essa mistura de peso com suavidade, bruto com delicado. Melodias tranquilas e noise sem fim, amo!

Superchunk“First Part”
Célia: Foi minha porta de entrada pra bandas dissonantes mais pesadas haha. Primeiro que a mina foi uma ENORME referência pra mim, eu achava ela muito foda e queria ser igual a ela quando crescesse! Vi o clipe de “First Part” na MTVLado B, e fiquei fissurada! Arrumei toda a discografia em muito pouco tempo e ouvi toda essa coisa linda loucamente! Os solos infinitos no final da “First Part” e várias outras é o que mais gosto neles e pensando aqui agorinha, pode ter sido influência em “Ages”, novamente aquela questão de absorver e reproduzir algo do tipo, por ter ouvido e continuar ouvindo bastante.

O punk nu e cru de Sloppy Jane atinge níveis de selvageria que deixariam Iggy Pop orgulhoso

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Sloppy Jane

Sloppy Jane é a persona selvagem e sem nenhuma amarra de Haley Dahl, guitarrista, vocalista e compositora. Na banda, Haley mostra que aprendeu direitinho todas as lições de liberdade musical e estripulias que o punk rock ensinou desde seu início. Em tempos cada vez mais conservadores, Sloppy Jane tira a roupa e demonstra que a arte não tem medo de se mostrar nua e crua. O merchandising da banda conta com camisetas como “Haley Dahl is a mean mean whore”, o que a cantora considera um grande elogio. 

A banda de apoio é constituída por Sara Cath, Kathleen Adams e Vyvyan, multiinstrumentistas que tocam punk cru e sem firulas. A banda acaba de completar seu novo disco com Joel Jerome e lançou recentemente clipes para “Mindy” e “La Cluster”. Na bagagem, Sloppy Jane conta com o EP “Totally Limbless” (2014) os discos “Burger Radio” (2014) e “Sure Tuff” (2015).

Sloppy Jane by Josh Allen

Sloppy Jane por Josh Allen

– Como você começou sua carreira?
Foi em algum momento entre ficar trancada no porão com um piano quando criança e cumprimentar Kim Fowley (com um high five) no Sunset Strip quando adolescente.

– Quais são suas principais influências musicais?
Em uma análise mais recente, sigo o roteiro que Deus desenha para mim. Tento manter meus olhos bem abertos e meus ouvidos bem abertos. Recentemente me falaram que nem todas as minhas ideias são boas e que eu preciso ser contida, e que há muita insegurança ao não conseguir ficar quieta enquanto toco ao vivo. Eu acho que há muito mérito para essa crítica, mas que tudo o que tenho é mais tempo para me tornar mais velha e mais parada. Eu acho que é importante se mover enquanto seus membros te deixam, e enquanto isso é honesto. Estou ansiosa por um dia querer ficar sentada. Da mídia, tenho influência de “The Missing Piece” de Shel Silverstein, tudo do Dr. Seuss, O Pequeno Príncipe e The Point. Também fui muito influenciada pelo Ike para a minha Tina Turner, que também sou eu. Tina Inturnal..

– Conte mais sobre o material que você lançou até agora.
Recentemente lancei o uma música e clipe novos chamados “Mindy”, e estou muito orgulhosa do disco que vou lançar. Não tenho ideia de quando vai sair, e toda vez que alguém me pergunta coloco fogo em todos meus móveis de casa. Tenho outro clipe sendo lançado, “La Cluster”, também.

– Seus shows são selvagens e impressionantes. Como o público reage?
As reações variam, e eu adoraria que elas variassem mais ainda. Acho que o que fazemos é afetado fortemente pela forma do lugar que estamos tocando. Tocando em um porão suado ou em um palco iluminado, o que fazemos é basicamente o mesmo, mas fica bem diferente com a mudança de som e iluminação.

– Em seus shows, às vezes você arranca a roupa e vai pro meio da galera, uma atitude mais “selvagem” que costumava ser mais comum em shows de rock, mas hoje em dia é mais incomum. O rock and roll está ficando “domado”?
Não sei e não me importo com o rock and roll. Eu apenas estou tentando me expressar. Eu adoraria ser domada. Eu quero que alguém me segure e me force a colocar a roupa..

– Como você descreveria seu som para quem nunca ouviu?
Música que está implorando para ser ouvida.

– O que você acha da indústria musical hoje em dia
No que se refere à negócios, eu cuido dos meus! (“As far as business is concerned, I mind my own!”)

Sloppy Jane
– Como você vê a cena norte-americana independente e undergound hoje em dia? O que está acontecendo por aí e o que você acha disso?
Em todo lugar é diferente. Eu realmente passei muito tempo aqui em Nova York e em Los Angeles, mas eles são como noite e dia. Los Angeles tem uma cena insana de todas as idades (Penniback, The Smell, etc). Os shows são totalmente desengonçados, às vezes é impossível tocar porque todos estão pirando. Nova York é mais adulto, os shows são menos loucos, mas há muito trabalho magistral sendo feito, tenho muita admiração por meus colegas aqui. Quando toco aqui, sinto que as pessoas estão prestando atenção. Ambos são especiais a seus próprios modos. Uma coisa que vou dizer é que eu acho que o formato em que a música ao vivo é apresentada precisa ser alterado em geral. O fato de que ainda estamos fazendo shows da mesma maneira que eles fizeram desde o início dos tempos, quando o mundo mudou tanto, é completamente odioso para mim. É chato. Ninguém gosta, se gostam é porque têm síndrome de estocolmo. Eu não tenho uma solução, mas talvez eu pense em uma. Os shows de rock são chatos, os festivais são chatos.Cerveja não é bom e eu odeio o jeito que me faz sentir quando todos os que bebem agem como se tivessem inventado isso.

Sloppy Jane
– Quando você vem para o Brasil fazer shows e “rock our socks off”?
Eu estive esperando por essas palavras toda minha vida. Assim que alguém me financiar, estarei aí. Mas por favor, fiquem de meias. Eu sou tímida. Eu me mostro, mas fico de olhos fechados. Não estou pronta para ver outras pessoas.

– Quais os seus próximos passos?
Eu quero um ônibus escolar, ser melhor no piano e ser paga. Temos esse disco para lançar, mas ele precisa estar perfeito, e eu estou escrevendo um novo!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Dog, MOURN, Shimmer, Animal Show, Tredicci Bacci, The Cradle, Eyes of Love, Palberta, Matter Room, Insecure Men, Clit Kat, Girl Pusher, Loko Ono, Machine Girl, Trona.

Construindo LuvBugs: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo LuvBugs, do Rio de Janeiro, formado por Paloma Vasconcellos (bateria) e Rodrigo Pastore (guitarra e voz) Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Bikini Kill“Girl Soldier”
Paloma: Definitivamente, a Tobi Vail é uma grande baterista/musicista e a minha maior influência Riot Grrrl na LuvBugs e na vida. “Guess you didn’t notice. Why we were dying. I guess you didn’t give a fuck. After all, only women were dying”.

Breeders“No Aloha” (“Last Splash”, 1993).
Rodrigo: Melodia vocal açucarada mergulhada em guitarras distorcidas em amps valvulados, isso é praticamente a base de 80% dos sons da LuvBugs.

Babes In Toyland“Hello” (“Nemesisters”, 1995).
Paloma: Riot Grrrl até a alma, “Hello” introduz esse belo disco de punk rock, dessa banda linda que tenho como grande influência de que as mulheres podem sim fazer rock. Lori Barbero é uma grande referência de baterista.

Nirvana“School” (“Bleach”, 1989).
Rodrigo: Um dos riffs mais contagiantes da história do rock and roll, tem uns 3 riffs da LuvBugs que nasceram daí, Coração Vermelho, Verde Zen e algum outro que não estou lembrando.

Sonic Youth“Becuz” (“Washing Machine”, 1995).
Paloma: O timbre dessa guitarra e seu riff repetitivo somado ao essencial vocal da excêntrica Kim Gordon tornam essa introdução do “Washing Machine” algo que sempre está presente na minha mente.

Wavves“No Hope Kids” (“Wavves”, 2009).
Rodrigo: Um amigo voltou daquele cruzeiro do Weezer uma vez com um vinil do Wavves e disse que queria me mostrar um som de uma banda que ele tinha conhecido os caras na piscina do cruzeiro. Logo que ouvi me liguei que era o som que eu queria fazer e “No Hope Kids” é um punk rock de garagem perfeito, ouvi até entrar no sangue.
Influência nas composições e nas mixagens dos discos, esse som tem uma mix lo-fi referência pra mim.

Nirvana“Dumb” (“In Utero”, 1993).
Paloma: A simplicidade dessa letra consegue demonstrar toda a complexidade da vida em um perfeito paradoxo existencial. “I’m not like them but I can pretend”. As composições da LuvBugs são assim, mais simples possíveis.

Freud And The Suicidal Vampires “It’s Hard To Write A Good Song In 5 Minutes (When You’re So Difficult To Describe)”
Rodrigo: Outro som referência de mix lo-fi. Riff alucinante com uma guitarrinha fazendo um solo de tema. Daí eu percebi que o álbum “Dias em Lo-Fi” poderia ter isso também, som de duas guitarras e não apenas uma como nos outros, até que a gente tem se virado bem ao vivo.

Velvet Underground“Venus in Furs” (“The Velvet Underground and Nico”, 1967).
Paloma: Impactante até a alma, impossível não se afetar com a experiência que essa música passa. “I could sleep for a thousand years. A thousand dreams that would awake me. Different colors made of tears”.

Ronnie Von“Imagem” (“A Máquina Voadora”, 1970).
Rodrigo: Esse som escutei tanto em determinada época da minha vida, que sempre quando escuto novamente reencontro meu jeito de escrever as músicas da LuvBugs e até meu jeito de pensar sobre a vida. Outro dia um amigo me falou em alguma semelhança em alguma melodia de voz minha ou jeito de cantar e eu acabei dando
razão a ele.

John Frusciante“Look On” (“Inside Of Emptiness”, 2004).
Paloma: O John é surreal. Essa música, (e esse disco) é cativante do início ao fim. Melodia, letra e guitarra lindas e totalmente inspiradoras. “When I thought life was terrible, things were going fine… A paper and a pencil are the
best friends I’ve got. Look on”.

Dinosaur Jr“Drawerings” (“Where You Been”, 1993).
Rodrigo: Outro dia eu li “J.esus Mascis é meu pastor e nada me faltará”. Amém.

L7“One More Thing” (“Bricks Are Heavy”, 1992).
Paloma: Esse grunge anos 90 de melodia e guitarra arrastada é perfeito e uma das minhas maiores influências também.

Elliott Smith“Coast To Coast” (“From a Basement on the Hill”, 2004).
Rodrigo: Considero de alguma forma Elliott Smith uma grande influência pro “Dias em Lo-Fi”, sempre o escutei mas até então não considerava muito essa influência à LuvBugs. Nesse álbum a gente acabou deixando umas camadas um pouco mais tristes que nos anteriores e “Coast To Coast” foi grande referência pra canções como por
exemplo “Ela Sabe o que é Certo”, claro que não é uma cópia, assim como todas as influências, a gente acaba fazendo do nosso jeito.

My Bloody Valentine“Only Shallow“ (“Loveless”, 1991).
Paloma: Vocal calmo e delicado mas ao mesmo tempo forte e intenso. É uma das principais influências shoegaze da LuvBugs.

Elastica“Stutter” (“Elastica”, 1995).
Rodrigo: Composição contagiante, batida dançante, “ritmo de acadimia”, fuzz rasgando o refrão, vocal cantarolado, cabelo no rosto, ufa, tudo que eu preciso nessa vida. E tento levar pra LuvBugs.

Oasis“Live Forever” (“Definitely Maybe”, 1994).
Paloma: Oasis é uma banda que apesar de controversa é inspiradora e me influencia na hora de compôr, mesmo que inconscientemente. “Maybe I just want to fly. I want to live. I don’t want to die”.

Lou Reed“Hangin’ Round” (“Transformer”, 1972).
Rodrigo: Lou Reed fez as melhores canções que ouvi na minha vida, ele é a maior referência musical, pode crer. Inventou tudo que eu ouço hoje e se alguma banda do mundo não tem nenhuma influência do Lou ou Velvet Underground eu nem preciso escutar. Essa canção em especial, o jeito dele cantarolar a melodia ao mesmo tempo
que descreve a cena é mágico.

Courtney Barnett“Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party” (“Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit”, 2015).
Paloma: Essa música fala de situações que são reais na vida das pessoas e traduz perfeitamente boa parte do meu cotidiano. É assim com a maioria das composições dessa australiana que veio pra ficar e conquistou o coração da LuvBugs. “I wanna go out but I wanna stay home”.

Titãs“Taxidermia” (“Titanomaquia”, 1993)
Rodrigo: “Se eu tivesse seus olhos não seria famoso, eu não quero ser útil, quero ser utilizado, inutilizado, inutilizado”. Acho que foi meu primeiro contato com poesia dentro do rock’n roll. Esse som é referência pra qualquer coisa que eu faça.

Construindo Bikini Hunters: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto Bikini Hunters. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Ramones“Now I Wanna Sniff Some Glue”
A Bikini só existe por causa dos Ramones! Em 2006 eu e o Vini (ex-baterista) éramos dois adolescentes doidos para montar uma banda com o som bem bubblegum, semelhante aos primeiros álbuns dos Ramones. Durante muito tempo da banda essa música esteve presente nos shows, por ser a música mais curta que o Ramones já compôs ela refletia um pouco da nossa ansiedade de tocar rápido e sermos diretos.

Carbona“Garopaba Go”
No início da banda o Carbona era nossa maior referência nacional, até mesmo por ser uma das poucas bandas de bubblegum nacional e fazer um som bem semelhante ao que almejávamos fazer. “Garopaba Go” foi a primeira música que tocamos juntos, então ela é fundamental nessa lista.

The Queers“It’s Cold Outside”
The Queers são os mestres do bubblegum e acabaram vindo fazer um show em Veranópolis (inacreditável, mas real). O Vini (ex-baterista), era super fã dos caras, mas estava morando nos EUA na época que ocorreu o show, então, ele voltou pro Brasil de horror e quase que nos obrigou a fazer uma versão português dessa música (eu sempre achei meio “brega” esse lance de traduzir músicas). No fim, ficou super melosa, mas bem divertida de tocar.

Nirvana“You Know You’re Right”
A Bikini teve algumas fases bem grunge, onde nós sempre buscávamos colocar nas músicas próprias algumas situações onde o baixo e a bateria segurassem a música e a guitarra ficasse apenas fazendo algumas frasezinhas bem colocadas. Acho que dá pra perceber um climão parecido com “You Know You’re Right” no meio da nossa canção “Tudo o Que Eu Queria”.

Velvet Revolver“Let It Roll”
Com a entrada do Gui (Guitarrista) na banda o som ia mudar com absoluta certeza. As referências dele são muito mais rock and roll do que a dos antigos integrantes, que tinham como base o punk rock e o grunge. Depois de alguns ensaios o Gui falou “o que vocês acham de tirarmos ‘Let It Roll’ do Velvet Revolver?”; eu me assustei (parecia algo muito longe do que vínhamos tocando), mas respondi que por conhecer muito pouco de Velvet queria dar uma ouvida no som. Quando ouvi, pirei na hora. A música tem a pegada punk do Duff com os riffs e solos geniais do Slash. Let It Roll certamente define um pouco do estilo de som que a Bikini pretende seguir daqui pra frente.

Ultramen“Tubararãozinho”
Esse foi o primeiro som que a Bikini tocou com a nova formação e, hoje em dia, é o cover que eu mais gosto de tocar nos shows. A ideia foi do Lipe (baixista) e, mesmo que inusitada, entrou na cabeça da banda toda logo na primeira vez que tocamos ela. O riff de guitarra – presente em praticamente toda música – é muito rock and roll, mas lá pro meio da canção rola muito groove e mesmo com tanta mistura a música consegue ser um pop acessível para todo tipo de público. 

Titãs “Vossa Excelência”
Outro cover que temos tocado em quase todos os shows e, infelizmente, tem uma letra que condiz muito com o momento atual do nosso país. O Kelvin (baterista) sempre comenta, com toda razão, que essa música é uma aula de como a simplicidade pode ser genial.

Tequila Baby“Sexo HC”
Essa música tem toda a sacanagem que tanto gostamos de colocar nas nossas músicas. Além disso, a influência da Tequila Baby na Bikini Hunters é inegável, pois mesmo que cada integrante da banda tenha suas influências próprias, a Tequila é unanimidade por ter sido uma das primeiras bandas que todos nós ouvimos. 

Rolling Stones“Honky Tonk Women”
Estávamos bebendo ceva há uns dias atrás enquanto esse som rolava e começamos a discutir qual a melhor música dos Stones. Não conseguimos entrar em um consenso, mas, ok, foi uma discussão besta, afinal, os Stones são demais em todos os acordes e nós amamos eles! 

Forgotten Boys “Blá Blá Blá”
Mesmo com algumas mudanças de formações, o Forgotten sempre foi uma das principais, ou talvez, A PRINCIPAL, influência da banda. Acho que pela primeira vez estamos perto de fazer um som semelhante, do nosso jeito, claro, mas com esse lance de riffs pesados e bem marcantes.

AC/DC“The Jack”
É blues, é rock, é sensualidade, é AC/DC! Esse som faz a nossa cabeça em todos os sentidos e a gente jamais vai negar que curte um striptease (risos).

Acústicos e Valvulados “Sarjeta”
“…Eu quero a sarjeta, eu quero a sacanagem…o porre e a ressaca….o foda-se ligado”. Essa letra é muito Bikini Hunters! Abrimos alguns shows com essa música e teve uma galera que veio perguntar se era uma música nova nossa; até gostaríamos que fosse, mas é cover da Acústicos, banda que, para nós, está no seu melhor momento (mesmo com 26 anos de estrada). 

Green Day“Basket Case”
Um tanto quanto clichê, mas necessário. Boa parte da minha postura no palco é influência do Billie Joe. Acho ele um dos maiores frontmans da história da música! 

Beatles“Helter Skelter”
Os Beatles ajudaram a construir qualquer banda de rock! Difícil foi escolher só uma música deles, mas como amamos distorções e sujeira, “Helter Skelter” é a escolha perfeita, uma música que foge um pouco de tudo que o Beatles criou.

Foo Fighters“Walk”
A última música que estávamos criando para o próximo disco começa com um dedilhado e no meio das composições alguém comentou “Pow, tá lembrando um pouco a vibe de “Walk” do Foo Fighters, daria até para fazer uns acordes parecidos com o que eles utilizaram na base”;​ em outro caso também lembro que já rolou o pitaco “Pow essa batera tá muito reta, faz algo meio na vibe do Taylor do Foo Fighters”. Enfim, mesmo que não sejamos os maiores fãs, o Foo Fighters nos inspira de alguma forma.

Guns’N’Roses“Attitude”
Eu não sou muito ligado no Guns, mas o resto da banda são todos fãzaços, então, como já fui bastante fã de Misfits, eis a combinação perfeita, Guns fazendo um cover fodástico de Misfits. 

TNT“Me Dá o Cigarro”
TNT é tão clássico que passa dos limites de influência musical para uma forma de comunicação informal, afinal, durante todas as pausas dos ensaios da Bikini alguém cantarola “…me dá o cigarro, me dá o fogo…” (obviamente, pedindo um cigarro ou isqueiro emprestado).

Slash“Doctor Alibi”
Uma noite saímos (levemente desnorteados) de uma festa e viemos aqui pra minha casa assistir incessantemente (sério, assistimos umas 10 vezes seguidas e mais algumas vezes aleatórias entre uma música e outra) uma apresentação ao vivo dessa música. Acho que todos sentimos que essa é a linha de som que estamos buscando. Não tem muita frescura e é genial mesmo assim! Também não tinha como não ser uma canção pra lá de fodástica estando envolvidos o maior guitarrista da história do rock e a maior lenda do rock de todos os tempos.

Sublime With Rome“Take It Or Leave It”
Esse som tá sempre no pen drive do meu carro, então, volta e meia carregando amplis, baterias, guitarras ou coisas do tipo ele toca e a gente comenta “Putz, Sublime é foda né!? Olha que vibe gostosinha, baixo groovezadozudozaço, alta energia boa”. Então, de uma forma ou de outra ele faz parte de banda. Quem sabe a gente não lance um reggaezinho ou ska no próximo disco!? (Humm… pensando bem, é difícil (risos)).

Erasmo Carlos “Fama de Mau”
No fim das contas somos bons jovens! Até estamos tocando esse Erasmão para mostrar que no fundo é tudo marra, essa coisa de rock descarado e tudo mais, é só pra manter a nossa fama de mau (ou talvez não)…

Os retalhos de samplers de Liam Howlett chamado “The Dirtchamber Sessions” (1999)

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O Prodigy, filho querido de Liam Howlett, já foi assunto aqui no Crush em HiFi em 2016, quando mostramos como foi feita a música “Smack My Bitch Up”. Em 1999, Liam resolveu dar um tempo na banda e trilhou um caminho um pouco diferente em “The Dirtchamber Sessions Volume One”. Ainda trabalhando com muitos samples, dessa vez não houve uma deformação das músicas para produzir novas composições. A ideia era fazer uma colcha de retalhos, naquele estilão DJ, de colar uma música na outra. Cada colcha foi chamada de Session, e o álbum possui 8 Sessions.

A primeira Session termina com um sample do Chic, sobre o qual a gente também já escreveu aqui e aqui, mas vamos começar do começo.

O encarte do disco é bem direto e mostra o que você vai ter pelos próximos 42 minutos: uma mesinha de som de 8 canais, um sintetizador e muitos, muitos LPs, de todas as décadas. Sem se preocupar em limpar os plic-plocs do vinil, Liam passeia pela história do sample, através de uma pesquisa na qual ele acaba “cortando a própria carne para expor os ossos”, mostrando além daquele recorte de 5 segundos, que todo mundo conhece, mas que poucos sabem a origem. Um grande exemplo dessa exposição é, já na primeira faixa, ter “Give the Drummer Some”, do Ultramagnetic MC’s, origem do refrão “change my pitch up / smack my bitch up”, da música “Smack My Bitch Up”, um dos maiores hits do Prodigy. Antes disso, ele também brinca com “Different Strokes”, de gravada por Sly Johnson em 1967; “Apache”,  gravada em 1973 pela Incredible Bongo Band, e “Chemical Beats”, gravada em 1994 pelo Chemical Brothers, entre outras músicas das mais diferentes idades.

A segunda faixa, ou Session 2, já vem na cola mostrando o quanto Howlett sabe que sua criação é influente, até pra ele mesmo. Ao lado de “Bomb The Bass” e “Trouble Funk”, ele puxa do próprio Prodigy com “Poison”, do disco “Music for the Jilted Generation”, de 1994, para, logo em seguida, botar “Been Caught Stealing”, do Jane’s Addiction, uma das bandas que ganhou os holofotes na década de 90. Pra quem não sabe, Perry Farrell, vocalista do Jane’s, é o fundador e curador do festival Lollapalooza.

O restante do disco é tão diverso que daria uma bela dissertação de mestrado, ou até mesmo um livro, devido ao tratamento que tantas músicas históricas receberam. É “Babe Ruth” misturada com o já comentado Chemical Brothers, três faixas do Frankie Bones coladas com Meat Beat Manifesto e Public Enemy. A Session 5 fica entre Sex Pistols, Fatboy Slim e Medicine, banda da filha do Bruce Lee, Shannon, aquela que aparece tocando no “O Corvo”, estrelado por Brandon Lee.

Se você tem interesse na história da música, precisa fazer uma pesquisa de samples pra uma composição própria, ou simplesmente quer um monte de hinos compilados, esse disco é perfeito!

“The Dirtchamber Sessions Volume One” foi lançado em 1999. Não seria hora de um Volume Two, Liam?

Não é doença! O punk transexual, visceral e transgressor com Cláudia Wonder em “Meu Amigo Cláudia” (2009)

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Meu Amigo Cláudia

Ano de lançamento: 2009
Direção: Dácio Pinheiro
Duração: 1h27min
Gênero: Documentário

Marco Antônio Abrão, três nomes masculinos como nome de batismo. Mas na verdade um homem, uma mulher, um transexual performista. Filha de pais adolescentes e criada por seus tios-avôs, Cláudia Maravilha, rebatizada logo após de Cláudia Wonder, é parte da maravilhosa história oitentista paulistana e ganha aqui um relato honesto não só de sua trajetória, mas de toda uma geração.

Das primeiras aparições em revista surge o contato com cinema pornô, sendo o transexual como objeto de curiosidade. Surgem porém estereótipos de travestis todos em representações eróticas ou com finalidade de alivio cômico. Com o fim da ditadura e vindouro movimento pelas Diretas, vem as primeiras vitórias políticas, a principal sendo a mudança no Ministério da Saúde, quando o homossexual deixa de ser considerado uma pessoa doente (qualquer semelhança com atual momento não é mera coincidência)

Começa então uma guerra no Estado de São Paulo, quando a policia promoveu um massacre disfarçado de “limpeza”, uma verdadeira temporada de caça contra a comunidade LGBT. Milhares de travestis são assassinados. Em outro e talvez o pior momento na classe, o documentário não faz concessões quanto aos relatos de promiscuidade e desinformação sobre a AIDS. A propagação da doença no meio, vulgarmente conhecida como a peste- gay, lança artistas como Cláudia no isolamento: “Fiquei seis anos sozinha” ela relata em certo ponto. Vem então a contestação contra os ditos bons costumes. E a resposta mais uma vez está na música, no rock and roll.

Cláudia Wonder
Cláudia Wonder

A salvação vem no punk, na subversão. A redemocratização encontra o auge do rock brasileiro. Nas apresentações em casas noturnas cultuadas como Madame Satã, Cláudia Wonder reúne toda uma geração de punks, góticos, atores, jornalistas e intelectuais para beber da efervescência cultural promovida por shows memoráveis com o “Vômito do Mito” e o “Jardim das Delícias”, culminando na antológica apresentação do espetáculo teatral “O Homem e o Cavalo” censurado desde a década de 30.

Nostálgico e revelador assim como o artigo de mesmo nome de Caio Fernando Abreu, “Meu Amigo Cláudia” é também ao mesmo tempo triste e reflexivo ao constatarmos que o mesmo momento politico que higienizou essa classe artística, pondo fim a transgressão e lançando esses artistas no ostracismo dos anos 90 parece querer fazer o mesmo retrocesso agora com leis descabidas e fomentando músicas de apelo popular e de pouco questionamento (como o sertanejo parecer crescer desses momentos!). Repleto de entrevistas de figuras carimbadas como Kid Vinil e o dramaturgo José Celso e da própria Cláudia Wonder, esse documentário está cada vez mais atual e necessário.

Instrumental agressivo e protagonismo feminino formam o primeiro EP do duo cuiabano SixKicks

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A dupla cuiabana SixKicks, formada por Marjorie Jorie e Theo Charbel, lançou ontem seu EP de estreia, “You Should Sing In Portuguese Buy More Pedals And Play Lower”.

O EP traz um instrumental que passeia de forma agressiva pelos anos 90, indo do garage rock ao industrial, como se misturasse Nine Inch Nails, Le Tigre, Sonic Youth e My Bloody Valentine na mesma receita. Inclusive, a faixa Take Time tem acordes que lembram bastante Sonic Youth.

O EP de nome provocativo valoriza a parte instrumental, como fica claro em “Doom”, onde os vocais são deixados de lado para destacar ainda mais os instrumentos executados apenas pelas duas integrantes.

A faixa de abertura, “You Wanna Fuck Me”, é sensual dos os acordes até a letra que fala sobre sexo de maneira nada pudica. Toda a parte lírica do EP, apesar de simples e curta, soa como um reflexo do imaginário das autoras.
Entre guitarras, uma bateria muito bem executada e sintetizadores, “Forrock” homenageia a música tradicional cuiabana até na forma de composição lírica, que segue a mesma fórmula das músicas regionais de Cuiabá.

SixKicks representa muito bem o protagonismo feminino na música, apresentando um material onde mulheres executam desde as composições até a mixagem.

O EP “You Shoud Sing In Portuguese Buy More Pedals And Play Lower” foi lançado pelos selos PWR Records e Fofura Records, gravado no Estúdio Aurora Sounds por Alejandra Luciani e masterizado no Estúdio Us.

Distorção Criativa: Hüsker Dü – “New Day Rising” (1985)

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Husker Du - New Day Rising

 

Antes de mais nada gostaria de comentar como as coisas são estranhas e interligadas por uma energia inexplicável. Foi uma baita coincidência quando decidi aleatoriamente escrever esse texto, sendo que NO MESMO DIA eu fico sabendo que o baterista Grant Hart morreu. Que triste. Enfim, vamos ao que se pode.

Hüsker Dü é uma banda estranha, ao menos para mim. Aquela guitarra ardida, um som azedo e pulsante… Alguma coisa no tempero do trio faz a gente querer se aprofundar naquela atmosfera. Essa mistura de agressividade com ordem e uma dose cavalar de talento melódico fez a cabeça de muita gente na época e ainda hoje. Poucas vezes o hardcore atingiu essa maturidade estética.

Formado em Minneapolis, Estados Unidos, em 1979, o Hüsker Dü é Bob Mould (guitarrista e vocalista), Grant Hart (baterista e vocalista) e Greg Norton (baixista). Dois ótimos compositores apresentam propostas diferentes de estética, sendo Hart mais voltado para uma pegada pop e Mould com os pés na estética bruta do hardcore. Essa rivalidade por si só já é um aspecto fundamentalmente rico desse trio, embora isso e as drogas tenham posto um ponto final nessa história.

Mesmo quem não seja apegado ao punk, hardcore e suas vertentes reconhece facilmente no grupo uma unidade poderosa. Não à toa saiu daí inúmeros filhotes e influências indiretas: Dinosaur Jr., Mudhoney, Nirvana, Weezer, Pixies, Jesus and Mary Chain e a lista não acaba.

A banda foi construindo tijolo por tijolo uma reputação invejável no circuito das rádios universitárias e no cenário alternativo como um todo, sendo que no início os trabalhos eram mais sujos, com uma sonoridade mais voltada para bandas contemporâneas como Minor Treat e Black Flag, o que foi sendo refinado para um viés mais acessível – às vezes quase pop – ao longo da carreira. Muito disso se deve à influência das bandas psicodélicas de folk rock dos anos 1960, sobretudo Beatles e Byrds. Isso apareceu com muita força no Zen Arcade” (1984), LP duplo com uma impressionante personalidade, misturando punk com folk, pop e até mantra hindu. Há quem diga que este seja o trabalho mais contundente do Hüsker Dü, mas estou aqui para falar do seu sucessor, New Day Rising” (1985).

A tracklist é redonda, uma faixa melhor que a outra, um som de molecagem super maduro, se que isso faz algum sentido…. mas é esse o espírito da coisa. 15 músicas para ouvir no repeat. O trio sabia o que estava fazendo e sabiam do potencial daquelas composições. Harmonias bem estruturadas, dramaticidade e, na medida do possível, mais requinte nos pequenos detalhes. Isso faz toda a diferença. Por exemplo, em “Celebrated Summer” a banda intercala a sujeira com uma vibe mais romântica ao longo da música, e para isso se dá ao luxo de criar uma atmosfera mais intimista com um violão de 12 cordas. Parece pouca coisa, algo banal e batido, mas pense como isso deveria soar na época, naquele contexto. E como dá certo!

“I Apologize” é um como uma meta para toda banda que segue essa pegada. Uma combinação perfeita de refrão grudento, guitarra pulsante e harmonia vocal fácil de assimilar. Desacelera isso e você tem um power pop dos bons. “If I Told You” segue o mesmo espírito.

“The Girl Who Lives On Heaven Hill” está entre as melhores gravações da banda. E embora seja tão simples e direta, não saberia definir o que é exatamente aquele som. Ouça, apenas.

Em “Books About UFOs” eles até arriscam um piano. Aquela levada irrestível, que escutamos inúmeras vezes em músicas de sunshine pop, mas completamente recontextualizada ali. É aí que dá para perceber a importância de cada membro enquanto instrumentistas: o baixo de Norton, sempre intuitivo e melódico, conversa fácil com a bateria honesta de Grant Hart, e aí vem a guitarra de Mould, que tinge tudo de uma cor cítrica, como um spray. E ainda tem a ótima voz de Hart para embalar tudo. Hüsker Dü é a prova cabal de que não precisa inventar a roda para ser foda.

Em “Perfect Example” percebemos um quê de R.E.M., contemporâneos e colegas de estrada. Guitarras dobradas com violão também eram uma tendência no período. A faixa-título, “Watcha Drinkin” e “Plans I Make” carregam aquela persona da primeira fase do Hüsker Dü, estimuladas mais pela ferocidade, o que dá certo fôlego para o LP, tornando esse pacote todo capaz de agradar praticamente qualquer que curta um som com guitarras. Pelo menos uma das 15 faixas você vai gostar, é quase certo.

Hüsker Dü era uma banda prolífera e muito criativa, ainda faria mais alguns álbuns excelentes, cada vez mais extensos, como “Warehouse: Songs And Stories”, o último, de 1987.

Embora extremamente influentes, ainda falta muita gente saber do que isso se trata. Se você é uma dessas pessoas, comece por “New Day Rising”.

É uma pena que muitas bandas e artistas consigam aquele status de referência inabalável somente após a morte. Mas sim, livre de hype, desejo muito que as pessoas saibam o que foi essa banda e quem foi Bob Mould, Greg Norton e – que descanse em paz – Grant Hart. O tempo matura tudo. Temos aí uma das bandas mais importantes dos últimos 40 anos.