RockALT #11 – Tamarindo, Spidrax, Dead Parrot, Walfredo em Busca da Simbiose e White Lung

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RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna dessa semana eu destaco power trios, um quarteto e um projeto solo de diferentes estilos enquanto fazemos uma viagem que vai do interior de São Paulo ao Canadá passando por sons progressivos, agressivos, psicodélicos e muito mais!

Tamarindo
Eu nem tinha escutado a segunda música do trabalho ‘Lado B’ e já havia me apaixonado pelo seu título, ‘Eu Sempre Gostei Mais do Lado B’. A banda de Santa Cruz do Sul/RS inadvertidamente ou não fez uma homenagem a todos aqueles amantes inquietos da música que não se contentam em ouvir apenas o que todos estão ouvindo, apenas o que é fácil de se escutar. É realmente um prazer descobrir uma banda que poucos conhecem, ir curtindo faixa após faixa e entendendo a proposta dos músicos, suas qualidades e suas escolhas. Espero que você curta a sonoridade desse power trio o tanto quanto eu e se apaixone pela reverberação de seus instrumentos e pela voz cativante da vocalista.

Spidrax
De um power trio de grunge vamos para um power trio de horror punk! Com uma pegada que remete àquele Misfits de começo de carreira, os paulistanos do Spidrax são mais um exemplo da variada gama de estilos e vertentes do rock atuantes em São Paulo. Vocais meticulosos e precisos, guitarra furiosa, bateria pesada e letras (em português!) fieis à sua temática são as marcas principais dessa banda. Não poderia ser diferente com influências como “Motorhead, Misfits, Samhain, Danzig, Black Sabbath, entre outras desgraceiras” como diz o facebook do grupo! Se você curte um som mais veloz e pesado, não deixe de escutar o EP recém lançado do Spidrax!

Dead Parrot
Se enganou quem acha que é só na capital de São Paulo que tem banda boa: natural de Barão Geraldo/SP, o quarteto Dead Parrot não se limita a gêneros específicos e traz influências de diversas bandas como Rush, Cream, Pink Floyd, Doors, QOTSA, Jeff Buckley entre outros nomes de peso! Isso se reflete em uma sonoridade progressiva e experimentadora sem se deixar levar por devaneios musicais muito longos. A mistura equilibrada de classic, stoner, hard e prog do Dead Parrot pode ser conferida no EP homônimo:

Walfredo em Busca da Simbiose
O projeto solo do compositor e produtor musical Lou Alves lançado há pouco mais de um mês é uma daquelas pérolas escondidas nas ondas internéticas. Longe da pretensão e aspirações que muitas vezes acometem alguns artistas, é no campo privativo e introspectivo desse tipo de projeto pessoal que nascem obras fáceis de escutar e se identificar. As letras das músicas que formam o EP tratam de sonhos, viagens, desejos e pedidos tão particulares e ao mesmo tempo comuns a qualquer pessoa que acaba se tornando muito fácil se deixar levar do rock ao folk psicodélico e sair em busca do quer que seja a “simbiose” de quem escuta.

White Lung
Eu espero que vocês já conheçam o White Lung. Só estou falando deles aqui pois é uma daquelas bandas que eu quero que literalmente todo o mundo conheça. Dito isto, o quarto álbum desse trio canadense de punk rock é o meu álbum gringo favorito do ano passado, ele está no pen drive do meu carro há meses e mesmo ouvindo direto eu ainda não enjoei. Não sei ao certo se é a voz poderosa e competente da vocalista, o trabalho primoroso e devastador do guitarrista ou talvez o mérito esteja no conjunto completo pois eu sou incapaz de pular uma só das dez faixas que formam o LP ‘Paradise’. Se você ainda não conhece, não precisa me agradecer, apenas escute o álbum e veja se eu tenho razão:

Se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT! O nosso programa vai ao ar toda quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br e nossos mais de 100 programas estão disponíveis no Mixcloud: www.mixcloud.com/rockalt/

Construindo Amphères: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Amphères

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o trio Amphères que indica suas 20 canções indispensáveis.

Joe Cocker“With a Little Help From My Friends”
Jota Amaral: A versão 1969 de Joe Cocker naquele Woodstock foi a primeira vez que vi a música sair dos poros de alguém.

Pixies“Gigantic”
Jota Amaral: O dia que conheci a Paula ela estava se preparando para ensaiar com uma banda, timbrando o baixo e dedilhando esta música.  “Você gosta de Pixies?”, perguntei… Um mês depois estávamos com uma banda montada e mandando vários covers de Pixies. Era uma banda de fãs. Foi muito maneiro irmos todos juntos num show que teve no Lollapalooza anos depois.
Pink Floyd“Echoes”
Jota Amaral: Comecei a tocar com o Thiago numa banda que ele já tinha, substituindo nosso grande amigo Luizão. O nome da banda era Echoes. Em meados dos anos 90 eles, junto com o baixista e compositor Sansei, gravaram um EP que eu adoro. Uma pena não ter nada disso no Spotify. Posso dizer que esse som me influenciou muito, já que tive que tirar as linhasdoidas de batera do Luiz. As músicas próprias não tinham tanto a ver com essa música do Floyd, mas sempre tinha o momento de tocarmos Echoes nos ensaios.

Caetano Veloso“Jokerman”
Jota Amaral: É muita camada sonora numa única música. O arranjo é construído de forma progressiva. Um entra-e-sai de instrumentos diversos … Vários elementos percussivos somados a textura de um flatless com timbrão de avião mono motor passando longe no céu. Tem características brasileiras mas é universal. Poderia fazer uma dissertação sobre essa versão do Caetano pra canção de mister Bob Dylan.


John Zorn
“You will be Shot”
Jota Amaral: Sempre brincamos nos ensaios com essa coisa da tempestade e calmaria. Da mudança brusca de climas sonoros que John Zorn explora em níveis de insanidade bem altos.

Jorge Drexler“Tres Mil Millones de Latidos”
Jota Amaral: Como baterista, a ideia de subverter o instrumento é um desafio. Tocar pela busca do som que se deseja e não pelas convenções…Se estamos nesse mundo de passagem, porque o chimbal tem que ficar onde fica? porque a caixa tem que ter a esteira sempre ligada? E se meu coração bater apenas três bilhões de vezes? O que me impede de substituir as baquetas pelas mãos? Foda-se! Vou montar uma percuteria e morar em São Tomé.

Astor Piazzolla“Libertango”
Jota Amaral: Pode não parecer, mas isso é uma música de rock com um “vocal” triste e sexy. O bandoneón fala uma língua própria. Ele tem essa propriedade que alguns instrumentos de sopro tem, de conseguir expressar quase que literalmente os sentimentos. O casal batera & baixo vai muito bem, obrigado.

Sex Pistols“Bodies”
Thiago Santos: Se o rock bateu em mim quando pré adolescente, começou mesmo pela simplicidade e agressividade de Pistols e Ramones.
Pink Floyd“Remember a Day”
Thiago Santos: Ainda moleque, depois de ouvir muita música pesada, descobrir o Floyd foi abrir uma nova dimensão sonora e sentimental. Crescendo no fim dos 80, começo dos 90, fiz o caminho inverso do rock, e enjoei da crueza do punk/heavy pra descobrir a psicodelia dos 70.
Sonic Youth“Cinderella’s Big Score”
Thiago Santos: a primeira vez que ouvi achei que tinham me dado a fita por engano, tamanha estranheza… depois de compreender as dissonâncias, Sonic Youth (junto com Pixies) expandiram bem os horizontes.
Chico Buarque“Construção”
Thiago Santos: Ao admitir ouvir samba novamente e redescobrir esse arranjo, imaginava se John e Paul tivessem escutado essa música o que eles comentariam lá em Abbey Road.
Novos Baianos“Tinindo Trincando”
Thiago Santos: Junção perfeita do samba rock, antes dos anos 80 separarem Pepeu, Baby, Moraes e detonar eles individualmente…
Deerhunter“Helicopter”
Thiago Santos: um nova abordagem de efeitos sonoros sobre uma melancolia a la Syd Barrett.
Nação Zumbi“Um Sonho”
Thiago Santos: O Lucio Maia é um dos mais inventivos guitarristas brasileiros e nessa música, num estilo mais balada que o de costume, junto com uma puta letra e o clipe (com a filha do Chico Science e o filho do Jorge Du Peixe), ficaram melhor que nunca.
 

Siouxsie & The Banshees“Happy House”
Paula Martins: Cresci ouvindo o som de bandas inglesas dos anos 80 e essa foi uma das que mais teve influência na minha formação desde muito cedo. Nessa música, uma sonoridade muito particular vem do encontro da voz poderosa da Siouxsie com a cozinha incrível do Steve Severin e do Budgie e ainda,  na versão ao vivo, do álbum “Nocturne”, da guitarra do Robert Smith (The Cure) que é outra influência central dessa época.

Slowdive“Souvlaki Space Station”
Paula Martins: Se fosse para escolher uma só seria essa! Eu costumava ouvir com um amigo querido que morava no último andar de um prédio na Av. Paulista, contemplando a vista e as estrelas que desse para ver. O álbum todo é incrível mas aqui tem uma atmosfera espacial produzida por muito delay e reverb e conduzida por uma linha de baixo hipnótica que faz dela uma influência bem marcante.

Breeders“Cannonball”
Paula Martins: Kim Deal. Não precisa dizer mais nada. O baixo das músicas do Pixies sempre foram uma referência importante, mas essa música, que me fazia pular nas pistas da Der Temple e do Cais, tem pra mim a identidade cativante das composições dela. O baixo icônico aqui é da Josephine Wiggs.

Radiohead“How to Disappear Completely”
Paula Martins: Tem dias que eu chego a pensar que o Thom Yorke tem acesso a informações de um microchip instalado na minha cabeça. Quando ouço essa música é um desses momentos. A melancolia dela é definitivamente uma influência.

Warpaint“Biggy”
Paula Martins: Adoro tudo nessa música, o baixo é maravilhoso, gostaria muito de fazer uma linha um dia que tivesse efeito nas pessoas que essa tem mim! Tudo nela é sexy, em especial letra e vocais.

Jennifer Lo Fi“Bacon”
Paula Martins: Essa é uma descoberta bem recente, mas certamente já tem impacto na produção do nosso som. Em primeiro lugar pela decisão de passar a escrever em português. Mas principalmente por me fazer lembrar onde é possível chegar quando músicos loucos se encontram.

O duo de Brighton Skinny Milk prepara-se para dominar o mundo com seu terceiro EP, “Creature”

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O Skinny Milk, de Brighton, segue o formato consagrado por bandas como Black Keys e White Stripes, com apenas duas pessoas e muita emoção, mas com um porém: eles substituem a guitarra por um baixo cheio de distorção. Formada em 2016 e com dois EPs na bagagem (um auto-intitulado, de 2016, e “Daydream”, lançado em fevereiro deste ano), a banda agora trabalha em seu próximo EP, “Creature”, a ser lançado no verão inglês.

Com influências de garage punk, psicodelia, fuzz e até metal, o duo formado por Johnny Hart (baixo e vocais) e Tim Cox (bateria) é selvagem ao vivo. Esta é a descrição de uma apresentação da banda pelo jornal “The News”, de Portsmouth: “O baixista/cantor Johnny Hart oferece sozinho um som de rock psicodélico repleto de reverb, digno de cinco músicos em um nível feroz. Enquanto isso, o baterista Tim Cox complementa com um ataque forte e poderoso em seu kit. Músicas rápidas e furiosas como “Creatures” colocam o pequeno público a se enfiar ainda mais fundo na escuridão cavernosa. Despidos da cintura para cima e visualmente deslumbrantes sob as luzes em espiral, o Skinny Milk é certamente destinado a deixar uma multidão maior de boca aberta. Beberei a isso”.

Conversei com Johnny sobre a carreira da banda recém-formada, seus EPs, influências e o que podemos esperar de “Creature”:

– Como a banda começou?

Formamos quando nossa banda anterior, The Vril, implodiu. O Skinny Milk começou em janeiro de 2016 comigo, Johnny Hart, no baixo e vocais, e Tim Cox na bateria.

– Como vocês chegaram no nome Skinny Milk?

Criamos o nome puramente por acidente. Estávamos brincando com palavras diferentes e gostamos da maneira como elas soavam juntas. Foi assim, na verdade…

– Quais são suas principais influências musicais?

Bem, temos uma gama muito ampla de influências. Eu definitivamente sou mais influenciado pelas bandas de psych/garage/punk, como os Stooges, os Ramones, o Black Sabbath, bem como bandas de garagem dos anos 60 como The Litter e The Shag, bem como as mais modernas como a Coachwhips e Thee Oh Sees. Tim definitivamente é mais inspirado pelo lado hardcore e metal de coisas como Pantera, Slayer e hardcore como Sick of it All e Kid Dynamite.

– Conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Até agora lançamos um Single (“YGD”), gravado por Andy Robinson, um EP auto-intitulado e o nosso segundo EP, “Daydream”, ambos gravados por Rob Quickenden no Ford Lane Studios. Estamos prestes a lançar o nosso terceiro, chamado “Creature”, gravado por Eric Tormey da Gang. Deve sair neste verão!

Skinny Milk

– Como você se sente sobre a cena independente hoje em dia?

Há tantas boas bandas na cena underground agora, é muito saudável em Brighton. Há tanta concorrência!

– A queda das gravadoras foi boa ou má para artistas independentes?

Bem, obviamente, a forma como a música funciona mudou muito de como era quando era mais fácil ganhar a vida com a música. A queda de grandes gravadoras pode trazer mais selos decentes, que são mais direcionados para as bandas e música, em vez de puramente para o lucro.

– Como é seu processo de composição?

Nós escrevemos de forma muito diferente do que seria numa situação de banda normal. Às vezes Tim tem um loop de bateria legal ou eu tenho um riff sólido, então normalmente nós apenas ficamos presos até que algo sai. Eu uso o meu vocal como outro instrumento, adicionando camadas ao nosso som.

– Vocês está trabalhando atualmente em novo material?

Sim, estamos atualmente trabalhando no lançamento de nosso terceiro EP, “Creature”, que deve estar pronto no verão, e temos outro single que estamos gravando em julho.

Skinny Milk

– Quais são os próximos passos da banda?

Os próximos passos são lançar o próximo EP e continuar a fazer bons shows para multidões crescentes. Queremos tocar em mais festivais e fazer uma turnê novamente no verão. Temos uma mini-tour no início de maio com a dupla francesa The Mirrors e as gatas de Londres Dolls. Vai ser muito legal.

– Recomende bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente!

Uau! São muitas para mencionar! Vamos ver… Nossos bons amigos Fuoco, Gang, Atlas Wynd, The Get Rids, Buddha Blood, Inevitable Daydream, Bigman Solution, Scab Hand, Clever Thing, Dirty. Tem muitas, isso é apenas o que saiu de bate pronto de nossas cabeças!

Construindo La Burca: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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La Burca

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo La Burca, que indica suas 20 canções indispensáveis.

L7“Andreas”
Amanda: Um marco na minha pequena vida musical, nunca mais fui a mesma depois que comecei a escutar essas mulheres e as vi pela tela da TV esfregando um modess na cara da sociedade no Hollywood Rock. Tinha uns 12 anos quando comprei o CD “Hungry for Stink”, deixava no repeat sempre. L7 foi uma referência forte na minha construção sonora. Uma tatuagem sonora. Acho que a música “Similar” é um exemplo.

Come“Hurricane”
Amanda: As linhas de guitarra preguiçosas/nervosas e vocal largado-chapado de Thalia Zedek me arrebataram nos anos 2000, época que descobri a banda. Inebriante essa canção. Tem um som inédito “El Topo”, que foi bem influenciado por essa fase, lembro que estava viciada no disco “Near Life Experience” quando compus.

Ramones“53rd e 3rd”
Amanda: Os Ramones construíram toda a minha base para fazer música. Eu pensava, também posso criar, caramba! Esse som é um deles, um épico punk e tem todo o contexto junkie psicótico do Dee Dee. Eu sempre racho o bico na última estrofe porque é absurda e lembro que não podemos nos levar a sério o tempo todo com nossas letras. Bom, tomara que ele não tenha puxado a navalha de fato, né. “Gonzo Truth”, que é uma canção relativamente calma nossa, tem uma batida da bateria em “slow motion” inspirada nesse som, por exemplo.

Wipers“Soul’s Tongue”
Amanda: Esse som me leva para passear por dunas sonoras da alma e me inspira em vários momentos, Greg Sage é uma escola foda. Tem umas linhas de som instrumental livres que faço pra me soltar e que formam sons depois que vem dessa linguagem, bom, pelo menos eu tento e vou continuar tentando! (risos)

Patti Smith“Wings”
Amanda: O que falar dessa mulher e da sua importância na nossa (r)existência musical/ artística como como ser humana? She is a benediction. Obrigada pelas asas & baladas, Patti ❤

Mercenárias“Imagem”
Amanda: Esse som é fantástico e ímpar, gosto muito do tom da voz da Rosália. Aos poucos começo a cantar uns trechos dos sons em português, e Mercenárias me “ajudam” nessa transição. Sempre escuto pra dar um gás no pt/br e lembrar das origens também (risos)!

Durutti Column“Sketch for a Dawn I”
Amanda: Esses dias coloquei pra Duda (nova batera) escutar, e ela falou: “É daí que vem os graves que vc sempre pede”! Os tum-dum-dum dos tons, sempre marcantes na hora de construir as minhas baterias mentais…(risos). Na real, o álbum “LC” do Durutti Column é o meu preferido de todos os tempos. Me pega de um jeito atemporal, adoro a “fragilidade” tão intensa dos sons desse magrinho querido.

The Index“Israeli Blue”
Amanda: Quando decidi assumir o violão folk e esboçava formar a La Burca, vinha escutando incessantemente essa banda psych-garageira. Puta som visceralzão, só lançaram 2 discos no final dos 60´s. Me apaixonei por eles e sempre retorno pra me revigorar no violão, embora o som deles seja com guitarra. Mas faço essa conexão sempre entre Index e violão.

Hazel“Day Glo”
Amanda: Som que me abraça e faz eu voltar no tempo de descobertas sonoras: melódico, pungente e grunge. Puta-que-o-pariu, que trio, ou melhor, que quarteto com o louco dançarino! As linhas de vocal intercaladas entre a baita batera Jody e do guitarrista Pete são fodas demais pro meu coração, muita criação grungística veio daí. Banda muito querida na minha vida.

Dead Moon“Clouds of Dawn”
Amanda: Essas bandas de Portland, vou falar, viu (Wipers e Hazel too)! Passava horas nas tardes distraídas e descompromissadas de minha adolescência ouvindo esse trio maravilhoso! Vi eles no doc “Hype” e chapei no som meio garageiro tosco bem tocado. Gosto muito dos vocais do casal, é muito emocionante. Esse som me acompanha há muito tempo e não abro mão.

The Slits“Dub Beat”
Jiulian Regine: O que me agrada na pesquisa rítmica de Palmolive é a experimentação dentro do gênero post-punk, a cada disco percebe-se fisicamente a liberdade de investigação, rompendo todas as limitações e queimando todas as bandeiras com gosto e bruxaria.

Autolux – “Listen To The Order”
Jiulian Regine: Os grooves de Carla Azar são verdadeiras fontes de inspiração e pegada, muita dinâmica, notas fantasmas e muita precisão. Escuto sempre com a alma toda, com segurança e alegria nas composições dela.

Babes In Toyland – “Hello”
Jiulian Regine: Lori Barbero trás uma pegada que é muito natural pra mim, tanto nos timbres quanto no estilo, que é um flerte ao metal.

Blood Mary Una Chica Band“Take Me”
Jiulian Regine: A Mari me trás uma mistura de influências que vem do blues ao garage fuzz, se decupar o trabalho dela você encontra muita influência que se atravessa e resulta sempre em trabalhos fantásticos. Absorvo sempre a riqueza da simplicidade do que é possível fazer para acompanhar um beat predominante que é o da guitarra, ou violão, no caso da La Burca. E não confunda simplicidade com facilidade!

Deap Vally“Baby Can I Hell”
Jiulian Regine: Julie Edwards me faz investigar a postura corporal, acima de tudo. Uma potência performática!

The Coathangers“Hurricane”
Jiulian Regine: Essa música me faz pensar no timbre, com cadência rápida e suja sem perder a nitidez, chimbal aberto no groove todo com dinâmica sucinta. Tenho a impressão de que Rusty adoraria conhecer La Burca (risos).

Carangi“Seven”
Jiulian Regine: A Carol Doro é um orgulho, além de ser aquariana do mesmo dia que eu (risos) temos muito em comum, incluindo nosso amor pelos batuques. Gosto de como ela soa na bateria, com essa pegada de grunge delicioso que ela trouxe para o Carangi, com essa banda eu fecho os olhos e mergulho nas cores dos timbres dos pratos que ela tanto escolhe com atenção. Em todos os níveis a La Burca me proporciona investigar esses timbres mais abertos de pratos e chimbal, com a caixa mais seca e precisa. A relação é direta.

Sleater-Kinney“Steep Air”
Jiulian Regine: Bom, a Janet me faz querer rudimentos e mais rudimentos, amo a forma como ela traz as viradas pra dentro dos grooves, não só como delimitação das partes mas como composição das frases.

Lava Divers“Done”
Jiulian Regine: A Zump me encanta, quando você a vê tocando você sente todo o amor e toda a forma de expressão através da bateria, eu costumo fechar os olhos e viajar.

Hangovers“V de Vinagre”
Jiulian Regine: Ai ai, Liege. Determinação (se for pra definir e olha que definições não me convém). Pegada forte, dança de bumbos, sempre atenta aos timbres. Poderosa!

20 dos melhores projetos paralelos de membros de bandas que você conhece muito bem

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Tinted Windows

É normal ver músicos de grandes bandas fazerem diversos projetos paralelos. Seja para fazer um som diferente, dar um tempo na banda principal ou mesmo um jeito menos brusco de sair da banda, estes projetos são muito comuns e muitos são ótimos. Existem inclusive os que ganham grande exposição e estouram, como é o exemplo do Gorillaz, que começou como projeto paralelo de Damon Albarn, do Blur, e até hoje está lançando discos e aparecendo no topo das paradas. Conheça 20 projetos paralelos que são muito bons e, para muitos, até superam o trabalho “oficial” dos artistas envolvidos neles:

Kleiderman

Kleiderman

Com Sérgio Britto no vocal e guitarra e Branco Mello no baixo e vocal, o projeto paralelo dos membros dos Titãs contava com Roberta Parisi na bateria e tinha um som mais cru e puxado para o grunge, algo que o octeto de São Paulo havia feito nos discos “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” e “Titanomaquia”. Lançado em 1994, o disco “Con El Mundo A Mis Pies” foi bem recebido e chegou a ter o clipe de “Não Quero Mudar” exibido na Mtv Brasil e o trio se apresentou em um dos festivais independentes mais importantes historicamente na época, o Juntatribo. Infelizmente, até hoje não tivemos uma reunião do Kleiderman. Que tal, hein, Sérgio e Branco?

Nailbomb

Nailbomb

Nailbomb foi um projeto paralelo breve de Max Cavalera, na época no Sepultura, e Alex Newport, do Fudge Tunnel. O som da banda misturava a porradaria de sempre que Max fazia com elementos eletrônicos e samples. Igor Cavalera e Andreas Kisser foram os responsáveis pela bateria e guitarra da banda em seu primeiro (e único) álbum de estúdio, Point Blank”, lançado pela Roadrunner Records em 1994. O disco contou com participações especiais dos guitarristas Dino Cazares, do Fear Factory e Ritchie Bujnowski, do Wicked Death.

Tinted Windows

Tinted Windows

Uma superbanda com integrantes que ninguém imaginaria juntos: no baixo, Adam Schlesinger, do Fountains of Wayne, na guitarra James Iha, ex-Smashing Pumpkins, Bun E. Carlos do Cheap Trick na bateria e Taylor Hanson, o vocalista do trio Hanson! Em 2009, eles lançaram seu disco auto-intitulado, com canções power pop com pitadas de rock alternativo. Desde seu último show, em 2010, não se ouviu mais do quarteto estrelado.

Mondo Cane

Mondo Cane

Olha, se eu fosse falar de todos os projetos do Mike Patton esse post seria só dele, falando de coisas como o Tomahawk, Lovage, Fantomas e tantos outros. Mas escolhi um dos que eu mais curti e é inusitado demais: no Mondo Cane, Patton canta clássicos do pop italiano dos anos 50 e 60 acompanhado por uma orquestra. Claro, com aquela voz incrível que só ele tem. O disco de 2010 é impecável e esse projeto tocou por aqui no Rock In Rio em 2011, acompanhado pela Orquestra Jovem de Heliópolis.

Thunderbitch

Thunderbitch

Brittany Howard, vocalista e guitarrista do Alabama Shakes, faz no Thunderbitch um rock cru e rascante que foge um pouco do que cria em sua banda original. O disfarce, com peruca lisa e maquiagem exagerada, ajuda a deixá-la mais “incógnita”. O primeiro disco da banda saiu em 2015 e conta com a participação de amigos dela de Nashville, como membros das bandas Fly Golden Eagle e Clear Plastic Masks.

Them Crooked Vultures

Them Crooked Vultures

Mais uma superbanda de um cara que adora fazer projetos paralelos: Dave Grohl. O Them Crooked Vultures é o power trio dos powers trios, unindo ele em seu instrumento preferido, a bateria, com John Paul Jones, do Led Zeppelin, no baixo, e Josh Homme, líder do Queens Of The Stone Age, na guitarra e vocais. O som é uma mistura das bandas dos integrantes, puxando um pouco mais para o stoner rock em 90% do tempo em seu primeiro e único disco, de 2009.

Taylor Hawkins and The Coattail Riders

Taylor Hawkins and The Coattail Riders

O Foo Fighters é formado por pessoas muito talentosas e cheias de projetos paralelos, não tem jeito. O baterista Taylor Hawkins recentemente lançou seu segundo projeto paralelo, The Birds of Satan, mas eu tenho um carinho especial pelo Taylor Hawkins and the Coattail Riders, onde ele faz um som mais puxado para o Rush. Confira no disco de 2004, vale a pena!

Lieutenant

Lieutenant

Tá, juro que esse é o último projeto de integrante dos Foo Fighters dessa lista. Desta vez é obra do baixista Nate Mendel, que lançou em 2015 o disco If I Kill This Thing We’re All Going To Eat For a Week”. O álbum tem muita influência de college rock e do rock anternativo do final dos anos 80 e vale muito a pena ouvir.

Fat Les

Fat Les

O projeto do baixista do Blur Alex James conta com o ator Keith Allen e o artista Damien Hirst, além dos vocais convidados de Lily Allen, Andy Kane, Lisa Moorish e Michael Barrymore. O primeiro som deles, “Vindaloo”, foi criado como hino não oficial da Copa de 1998 e ganhou um clipe parodiando “Bittersweet Symphony”, do The Verve. Em 2000 veio “Jerusalem”, música para o time da Inglaterra na Euro 2000. Em 2012 mudaram o nome para Fit Les e gravaram “The Official Fit Les Olympic Anthem”, para as Olimpíadas. A banda não chegou a gravar um disco, somente singles.

The Creatures

The Creatures

O projeto paralelo de Siouxie e Budgie lançou diversos discos: “Feast” (1983), “Boomerang” (1990), “Anima Animus” (1999) e “Hái!” (2004). O som foi variando de disco em disco, com algo mais exótico no primeiro, uma curva mais espanhola, com toques de flamenco, no segundo, um tom mais urbano no terceiro… Sempre fugindo um pouco do que era feito na banda oficial, Siouxie and the Bansheees.

Banks & Steelz

Banks and Steelz

A improvável colaboração de Paul Banks (do Interpol) com RZA (do Wu Tang Clan) fez um dos melhores discos de 2016, “Anything But Words”. O som é uma mistura do som indie obscuro do Interpol com o hip hop de RZA, e é meio inexplicável o quanto essa união dá certo. Só ouvindo, mesmo.

The Fireman

The Fireman

Paul McCartney não é um cara que consegue ficar parado. Em 1990 ele se juntou com o músico e produtor Youth e e eles criaram The Fireman, que une rock com música eletrônica e lançou três discos: “Strawberries Oceans Ships Forest” (1993), “Rushes” (1998) e “Electric Arguments” (2008).

+44

Na primeira vez que Tom Delonge resolveu brigar com os membros do Blink-182 e sair para criar suas músicas cheias de efeitos a la U2, Mark Hoppus e Travis Barker se uniram com os guitarristas Shane Gallagher (The Nervous Return) e Craig Fairbaugh (Mercy Killers) e formaram o +44. Seu disco, apesar de ter suas similaridades com o Blink, tem mais camadas e elementos eletrônicos, além de temas mais soturnos.

The Network

The Network

Ao mesmo tempo em que preparava o sucesso “American Idiot”, o Green Day colocou máscaras, se uniu com um pessoal do Devo e lançaram incógnitos o projeto The Network. O disco “Money Money 2020” é, para muitos, um dos melhores trabalhos do trio de Billie Joe Armstrong. Ah, até hoje eles nunca se revelaram como o Green Day disfarçado, mas a voz e a movimentação dos membros não deixa dúvidas.

Little Joy

Little Joy

A combinação de Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Binky Shapiro e Fabrizio Moretti (Strokes) não lembra em nada as bandas de origem de seus integrantes, com um som “praiano” que pode ser conferido no único álbum do trio, de 2008. “Brand New Start” chegou a virar um hit e até em comercial entrou.

Ataxia

Ataxia

Uma das muitas colaborações dos super amigos e guitarristas do Red Hot Chili Peppers John Frusciante e Josh Klinghoffer é o Ataxia, que também conta em sua formação com Joe Lally, do Fugazi. A banda escreveu e gravou diversas músicas no período de duas semanas, e elas foram lançadas divididas em dois álbuns: “Automatic Writing” (2004) and “AW II” (2007). O som passeia entre o art rock, o experimental, a psicodelia e o pós-punk.

ZWAN

ZWAN

Billy Corgan é conhecido pela genialidade e pelos chiliques com todas bandas que tem. Durante o período de “fim” do Smashing Pumpkins, ele formou o Zwan, que nada mais era que uma versão da Terra 2 da banda, inclusive com uma baixista mulher e um guitarrista asiático. A banda foi formada por membros de bandas como  Slint, Tortoise, Chavez, e A Perfect Circle e lançou um disco: “Mary Star of The Sea”.

Blakroc

Blakroc

Mais uma mistura inusitada que dá bastante certo: o duo The Black Keys com vários rappers. Vamos ao elenco: Mos Def, Nicole Wray, Pharoahe Monch, Ludacris, Billy Danze do M.O.P., Q-Tip do A Tribe Called Quest, Jim Jones e NOE do ByrdGang, Raekwon, RZA e Ol’ Dirty Bastard, do Wu-Tang Clan. Preciso falar mais? Ouça.

3 na Massa

3 na Massa

O 3 na Massa é um projeto que reúne Dengue e Pupillo, da Nação Zumbi, e Rica Amabis, do Instituto. O disco “Na Confraria das Sedutoras” foi criado com diversas participações femininas nos vocais, como Leandra Leal, Thalma de Freitas, Céu, Pitty, Nina Becker, Cyz, Alice Braga e muitas outras.

The Frustrators

The Frustrators

Se você tem saudades do Green Day em seus dias mais punk, ouça o projeto Pinhead Gunpowder, de Billie Joe Armstrong, e The Frustrators, de Mike Dirnt. O Frustrators puxa mais para o lado Descendents da força, com um punk rock divertido e rápido.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Claudio Cox, dos Giallos

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Claudio Cox, do Giallos
Claudio Cox, do Giallos

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Claudio Cox, dos Giallos.

Gonjasufi“SuzieQ”
“‘A Sufi and a Killer’ foi lançado em 2010 e pra mim é um dos discos mais instigantes dos últimos 10/15 anos, se pá…”

Demon Fuzz“Past, Present and Future”
“Anos 70, mano”.

Protomartyr“Free Supper”
“Foi o Mateus, vocal do Krias de Kafka, que me apresentou o Protomartyr… é aquelas: diga com quem andas e blá blá blá…”

Sleaford Mods“Jobseeker”
“Esses caras são muito estranhos, tenho medo…”

Test“As Vozes dos Tolos”
“Treta máxima! essa letra é do Catatau (Cidadão Instigado)… pra ouvir comendo bolo de manhã”.

RockALT #8 – Radkey, Sheer Mag, Dag Nasty e Senseless Things

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RockALT, por Jaison Sampedro

Esta quinta-feira o RockALT vai lançar o seu centésimo programa! Mas antes de falar das bandas que conheci durante as pesquisas para os 100 episódios produzidos, preciso confessar que sou um indivíduo que teve uma introdução tardia ao rock alternativo. Quando tinha lá os meus 15 pra 16 anos eu escutava pouca música, e quando escutava era heavy metal. Isso mudou depois que eu comecei a frequentar a Rua Augusta, por volta dos 25 anos, mais outro quesito que iniciei de maneira tardia. Acho que foi por isso que eu resolvi fazer esse programa, essa foi a maneira que eu encontrei pra tentar compensar o tempo perdido. Confesso que escutei muita coisa nesses dois anos de programa, e por isso quero aproveitar essa coluna para falar de bandas que me marcaram e não saem do meu celular e playlists por aí.

Radkey
Vamos começar com Radkey, que é uma banda de punk formada por três irmãos, Isaiah Radke (baixo), Solomon Radke (bateria) e Dee Radke (vocalista e guitarrista), que formaram o seu trio com o título da família em 2010 e tocaram o seu primeiro show em 2011 quando abriram para o grupo californiano de ska Fishbone. Depois de lançar um par de EPs bem recebidos pelo público e pela crítica em 2013, o grupo travou uma batalha vigorosa para permanecer em turnê, já que os irmãos ainda estão em idade escolar e estudam no ônibus ou em quartos de hotel entre um show e outro. Turnê concluída e o trio de St. Joseph, Missouri, dirigiu-se ao estúdio e começou a trabalhar em seu novo álbum com o produtor Ross Orton (Arctic Monkeys, The Fall, Jarvis Cocker). O resultado foi o “Delicious Rock Noise”, que foi originalmente lançado em 2015 como “Dark Black Makeup”, é uma explosão da velha escola de Punk com uma dose tripla de juventude, que é entregue com agressividade e estilo.

Sheer Mag
Sheer Mag é uma banda de rock da Filadélfia formada em 2014, com Tina Halladay nos vocais, Kyle Seely e Matt Palmer nas guitarras, Hart Seely no baixo e Ian Dykstra na bateria. O grupo apresenta uma combinação de punk com rock dos anos 70. Confesso que a primeira vez que eu escutei me apaixonei imediatamente. Ao longo dos últimos três anos, o Sheer Mag lançou 3 EPs, e no começo de 2017 a banda anunciou o lançamento de uma compilação com todos os seus trabalhos. Também é interessante falar do método usado para a gravação dos EPs, todos foram gravados usando a mesma máquina de fita vintage, a banda leva muito a sério a parada do faça você mesmo! O Sheer Mag vai entrar em turnê pela Europa e Reino Unido este ano com a promessa de um disco de músicas inéditas para os meados de 2017, e eu espero que isso aconteça. Faça um favor a você mesmo e escute essa banda.

Dag Nasty
Vou repetir o mantra dessa coluna, “meu conhecimento musical é tardio”. Demorei pra cacete pra escutar Dag Nasty. A banda do cenário hardcore de Washington, D.C. fez parte do panteão da Dischord Records e foi formada por Brian Baker, ex-guitarrista do Minor Threat, o baterista Colin Sears e o baixista Roger Marbury, com Shawn Brown nos vocais. Conheci a banda em uma pesquisa para um especial punk do RockALT, graças a uma coletânea de 20 anos da Dischord. A primeira música que escutei foi “Circles” do álbum clássico “Can I Say” de 1986, e quando cheguei na faixa “Under You Influence” eu me odiei amargamente por não ter escutado esses caras quando tinha uns 15 anos de idade. O único consolo que eu tenho é que graças ao “meu conhecimento musical tardio” é que pude criar o RockALT, com certeza eu me odiaria ainda mais se nunca tivesse escutado Dag Nasty.

Senseless Things
Às vezes na vida uma coisa leva a outra. Você escuta uma banda, curte uma música, descobre que essa música é cover e por fim você corre atrás da versão original. Foi exatamente assim com os londrinos do Senseless Things. A primeira vez que escutei uma obra desses caras foi através de um álbum, o “Here, I Made This For You Vol.1” do Beach Slang (aliás, banda também recomendadíssima) em outra produção para o RockALT. Travei uma batalha monstruosa para baixar o álbum (me desculpe, Spotify, mas eu ainda gosto de baixar as músicas para escutá-las no conforto da minha casa ou na minha sofrida locomoção pelo transporte público de São Paulo). Depois do trabalho hercúleo, consegui baixar o “Postcard C.V” de 1989 e o “Empire Of The Senseless” de 1993. Infelizmente no perfil do Spotify da banda consta apenas um álbum de compilações e isso é uma pena, o Senseless Things é uma banda de indie que merecia um pouco de atenção. Mancada, Spotify, mancada!

Espero que tenham gostado da coluna de hoje, só lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais:
https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT o nosso centésimo programa vai ao ar quinta-feira dia 06/04 às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 99 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

Construindo Color For Shane: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Color For Shane

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo Color For Shane, que indica suas 20 canções indispensáveis.

The Strokes“Is This It”
Eu já conhecia Strokes antes, mas só quando eu tinha uns 14, 15 anos e estava na casa de um primo que eu peguei o CD na mão. E acho que o combo encarte e som me hipnotizou de um jeito que até hoje, qualquer coisa que não seja relacionada à música é sem graça pra mim.

Interpol – “Stella Was a Diver and She Was Always Down”
O disco “Turn On The Bright Lights” é tipo um molde de CD para mim. Ele tem o número certo de músicas, a sequência perfeita de sons, a capa é muito legal e o encarte é só uma foto, mas é A FOTO. Eu gosto de todas as músicas do disco, mas a “Stella Was a Diver and She Was Always Down” é responsável, pelo menos para mim, pelo clima do disco. Além de ser o nome que mais se destaca na contracapa.

Radiohead“Myxomatosis (Judge, Jury & Executioner)”
Radiohead é minha banda predileta. Tipo, aquela banda que você gosta quando adolescente que é especial. Eu lembro que qualquer minuto livre era desculpa para ouvir. Esse som fez eu me tocar que grave é muito legal. Até hoje eu tento fazer o timbre da minha guitarra ser uma mistura do riff do Ed O’Brien e o baixo do Colin Greenwood.

Placebo“Haemogoblin”
Foi o primeiro som que vi alguém usando um megafone para cantar. Essas coisas te marcam sabe? Depois disso, sempre pedi pra quem fosse o responsável pela mix de alguma gravação do Color for Shane para colocar pelo menos um pouco de distorção na voz. Além disso, a estrutura desse som também é bem interessante, ele é bem barulhento, mas ao mesmo tempo tem um refrão bem pop que aparece na minha cabeça nas horas mais improváveis.

Sonic Youth“Fire Engine Dream”
Eu costumava ouvir esse som todo dia de manhã no caminho para a faculdade. Era bem legal saber que o som no seu fone era bem mais confuso do que qualquer outra coisa acontecendo ao seu redor.

The (International) Noise Conspiracy“Bigger Cages, Longer Chains”
Na verdade podia ser qualquer música do INC, mas essa foi a primeira que eu ouvi. Ela faz parte da construção do Color, porque até hoje essa banda me da coragem de escrever sobre o que eu quiser e também me ajudou a conhecer vários livros que me inspiram muito.

Primal Scream“Lord is My Shotgun”
Uma das músicas mais legais que já fizeram na história do planeta Terra!

The Clash“Straight to Hell”
Essa música é uma daquelas atemporais. A letra sempre vai ser atual, infelizmente. Mas sabe aquela história de mudar o mundo com uma música? Acho que essa é a que chega mais perto. Por isso, ela sempre vai ser uma inspiração para mim.

The Kills“U.R.A. Fever”
Eu lembro que estava numa Saraiva ou Fnac em 2008, 2009 e adorava pegar CDs que não conhecia e ouvir naqueles fones que você passava o código de barras. Bom, foi assim que conheci The Kills. Eu adorei a capa do “Midnight Boom” e quando coloquei para ouvir começou a tocar “U.R.A. Fever” e… não parei de ouvir até hoje.

The Cure“Lost”
Esse som repete o mesmo riff a música inteira. É tão simples e tem uma letra tão sensacional que é impossível, para mim, não ouvir umas três vezes seguidas. Essa simplicidade me inspira bastante no Color for Shane.

Smashing Pumpkins“Bodies”
“Bodies” é a trilha sonora do meu caminho para casa. Quando eu estava na escola, quase não conseguia ouvir outra coisa.

The White Stripes“The Hardest Button to Button”
White Stripes é uma ótima inspiração para qualquer duo. Não pelo motivo piegas de ser um dos mais famosos, mas porque eles exploravam o que realmente duas pessoas podiam fazer. O que eu gosto nesse som, é que ao vivo, o Jack White parece ser uma cinco pessoas.

KVB“Always Then”
Essa banda tem uma atmosfera própria. Os caras falam que eles são um projeto audiovisual. O primeiro show que vi deles foi no Boiler Room, tem no Youtube, vale muito a pena ver. E essa música faz parte de tudo que eu monto para ouvir.

INVSN“#61”
Eu bati o carro em 2013. Não foi nada muito horrível, mas o bastante para me deixar com um dor de cabeça por um bom tempo. Nessa época minha namorada me indicou a banda por essa música. Eu gostei muito e me ajudou a lidar com todos os problemas que tive que resolver e, lógico, é influência do Color até hoje.

Underground Youth“I Need You”
Não lembro muito bem como conheci Underground Youth. Só sei que não consigo parar de ouvir há uns 2, 3 anos e sempre começo por essa música.

The Raveonettes“She Owns the Streets”
Raveonettes é uma banda que me fez repensar todo o som do Color for Shane. Desde meu set de pedais, linhas de bateria até o jeito que me visto. O Radiohead fez eu me apaixonar por graves e o Raveonettes pelos agudos. “She Owns the Streets” é meu som deles que mais gosto.

At the Drive-in“Mannequin Republic”
Quando eu era mais novo, eu resisti bastante ao At the Drive-in. Foram ‘n’ motivos babacas, mas meu amigo Juan Carlos, que já foi baterista do Color e agora é vocalista do Chá de Vênus, sempre falou que eu ia gostar. Bom, quando eu ouvi, não deu outra. Não consegui parar até agora. E esse som, além de ter participação do Iggy Pop, é muito legal!

The Julie Ruin“Ha Ha Ha”
Eu adoro lo-fi e me inspiro muito no jeito que a Kathleen Hannah canta, Julie Ruin para mim é um prato cheio. Gosto muito dessa coisa de frases grandes e cuspidas. Além disso, as letras dela são muito boas. Esse som tem uma frase muito boa, “just like Jim Jones you’re charismatic”… Muito bom!!

Fugazi“Exit Only”
Eu toco numa banda de rock de garagem lo-fi underground, barulhenta, desafinada e que canta em inglês no Brasil. Fugazi é tipo uma defesa para continuar fazendo o que eu faço.

Velvet Underground“Heroin”
Velvet Underground é uma das maiores influências do Color. No começo era mais óbvio, as mixagens das músicas eram bem trabalhadas para soarem como um Velvet Underground dos anos 2000. A linguagem musical está completamente diferente, a qualidade das gravações tinha que ser melhor. Mas ainda dá para encontrar muitas influências deles no nosso som.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Guilherme Luiz, da loja de camisetas As Baratas

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Guilherme Luiz, d'As Baratas
Guilherme Luiz, d'As Baratas

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Guilherme Luiz, diretor de arte da loja de camisetas As Baratas. “ATENÇÃO, tudo nessa lista é para ser ouvido BEM ALTO!”

Electric Six“I Buy the Drugs”

“Uma das minhas bandas favoritas, o som é um rockfunknewwavepunk que tem uma pegada cafona-dançante com letras engraçadas e grudentas interpretadas por Dick Valentine, que tem uma presença de palco única. Sempre ouço para dar uma levantada no astral. Ah, e os clipes são sensacionais e necessários para 100% de aproveitamento!”

Lee Hazlewood“Morning Dew”

“Acredito que essa música tenha sua versão mais popular pelo Grateful Dead, mas já foi gravada por Einsturzende Neubauten, Robert Plant, Devo, Nazareth entre outras bandas improváveis. Composta por Bonnie Dobson, a música é bem cultuada e recebe até um rótulo de folk pós-apocalíptico, pois é baseada no filme On The Beach, de 1959, onde um casal sobrevive ao holocausto nuclear (desculpa o SPOILER). Minha versão favorita é pelo bigodudo aí, conhecido por seus trabalhos de produtor e parcerias com Nancy Sinatra, é um cara com um timbre único, músicas envolventes e uma carreira digna de uma dissecação”.

Turbonegro“TNA (The Nihilistic Army)”

“Embora não seja da formação clássica da banda, acho que esse disco é um dos meus favoritos, e essa faixa me representa!”

Brant Bjork“Too Many Chiefs… Not Enough Indians”

“Esse som me apareceu nas descobertas do Spotify e eu não conseguia parar de ouvir. Era um stoner calminho, mas tenso, com uma melodia bem gostosa pra ouvir de boa, então logo fui buscar versões e fui atrás de quem diabos era esse tal de Brant Bjork. Nessa pesquisa reveladora, descobri que esse cara era um dos pilares do Kyuss e participou/produziu discos do Fu Manchu, Desert Sessions e Mondo Generator. Foi obsessão à primeira ouvida, comprei vinil, vi todos vídeos possíveis no youtube e com isso posso afirmar que esse cara é um dos pais do stoner, e seu trabalho solo é uma evolução contínua e ramificada do gênero”.

Ty Segall Band“Wave Goodbye”

“Essa leva de bandas de garagem podreira são minhas maiores motivações musicais nos últimos tempos, dentre elas destaco essa faixa do Ty Segall Band, que deixo por último, pois depois de ouvi-la, não consigo ouvir mais nada, só ficar alguns minutos em silêncio para recuperar o fôlego”.

BONUS TRACK

Jonnata Doll e os Garotos Solventes“Senhor Walber”

“Em 2016 vi um show deles em um Sesc sem saber nada da banda, e PUTAQUEPARIU! Com uma mistura de tudo que se tem no rock e letras de temas diversos, Jonnata Doll e os Garotos Solventes é minha última banda favorita, sempre que tem show (para total apreciação recomendo muito ver a banda ao vivo!) faço questão de ir e prestigiar a banda, que é uma das minhas maiores esperanças para o rock nacional”.

Molotov Conspiracy, de Minas Gerais, injeta a cultura skate em seu punk rock rápido e sem freios

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Molotov Conspiracy

Formada por Gustavo Ottoboni (guitarra), Gabriel Ottoboni (bateria) e Caike Motta (baixo), a Molotov Conspiracy é de Piranguinho, uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Lá, o trio começou em 2012 sua mistura de hardcore, punk, surf music e thrash crossover e chegaram até a ser expulsos de um show ao ar livre por uma igreja das proximidades. Interior, sabe como é.

É claro que o lifestyle interiorano não é poupado nas letras do primeiro disco do trio, “Country Pit”, que mostra um pouco das influências de Suicidal Tendencies, Agent Orange, as trilhas da série de jogos “Tony Hawk’s Pro Skater”, surf music e molecagem. Agora, eles preparam seu segundo trabalho, a ser lançado em breve.

Conversei com eles sobre sua carreira, a vida de banda independente no interior, a influência do skate e sua cultura e mais:

– Como a banda começou?

Caike: A banda começou em 2012. A ideia inicialmente era se ter uma banda pra tocar por diversão nos rolês. Trabalhar numas músicas autorais. Acabou que foram surgindo músicas, ideias, e a gente foi levando. Cada hora trazendo um tipo de influencia diferente, desde que soasse rápido. O projeto foi inicialmente idealizado pelo Gu,
acho que ele pode comentar mais sobre as origens, pré 2012.

Gustavo: Entre 2006 a 2008 mais ou menos eu tinha uma outra banda de HC melódico com o Gabriel e o Yuri, um amigo nosso de Piranguinho, a Fastfood. Não chegamos a gravar nenhum material oficial, além uma demo caseira de um som que se chama “Esse É Um Lugar Feliz”. Foram tempos divertidos, mas a banda não vingou. Se hoje em dia o espaço pro underground é limitado aqui no sul de Minas, imagina há 10 anos atras. Fora outros projetos da adolescência como o The Mente e o Punk Rock 900º que tomaram o mesmo rumo, sem registros. Bom, a partir de 2009 eu comecei a entrar mais na onda do HC oitentista depois de ver o Suicidal Tendencies com o clip de “You Can’t Bring Me Down” na MTV e ter achado a proposta do som fodástica. Na sequencia fui descobrindo os clássicos do HC/skate punk, tipo Black Flag, Dead Kennedys, JFA, Agent Orange, Bad Brains, a Grinders e assim por diante. Nessa pegada fui redescobrindo o punk rock como lifestyle e o skate também. E então, em 2010, rolou em Itajubá, uma cidade vizinha, a segunda edição do Sobrevivência Punk, onde tocaram entre outras bandas o Lo-Fi Punk Rock e o Orgasmo de Porco. E foi nesse caldeirão que tive o insight de voltar a fazer som, com uma pegada mais agressiva e barulhenta, e em meados de 2011 começar a compor “Freedom is my Religion”. Mas o maior problema estava sendo achar um baixista para fechar o power trio, sempre tive preferência por tocar em trio, gosto do desafio de fazer um som legal com menos. Todos que ouviam a proposta achavam o som barulhento demais. Então, em 2012, o Caike me mandou por acaso uma demo tocando baixo, gostei da pegada e então convidei ele pra fazer parte do trio e então começamos a trampar nos sons.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Gustavo: A base de tudo que fazemos é a música veloz em geral, que seja HC punk, crossover e “crássicos” da surf music como “Wipe Out”, “Misrlou”, “Malagueña”. Fora isso, buscamos colocar um pouco das preferências musicais de cada um da banda. A regra é, não temos muitas restrições pra compor desde que saia algo, rápido, visceral e original. Cada som que compomos tem uma cara própria.

Caike: Eu como baixista traria muito a influencia de Suicidal Tendencies, Red Hot Chili Peppers, Municipal Waste, até um pouco de Funkadelic, John Frusciante… mas aí mais pra criação dos riffs e não no estilo que eles são tocados. Pra tocar, é ser rapido e casar com a melodia.

Gabriel: Bom,  como baterista, comecei a tocar aos 11 anos de idade por conta própria, sempre tive vontade de tocar e na primeira oportunidade que me apareceu eu agarrei e não deixei o prazer da música de lado em nenhum momento até agora. Posso acrescentar que minhas influências são as mais distintas em relação aos outros integrantes da Molotov. Sempre tive a influência mais puxada para o lado metal e thrash, e no começo como baterista, uma das maiores influências mais “puxada” para o nosso estilo foi o Travis Barker (da blink-182), mas com a evolução no instrumento, sua cabeça vai abrindo e novas influências acabam que por conta própria cruzando teu caminho. Não poderia com certeza deixar de lado uma das maiores influências da Molotov, o Suicidal Tendencies. O Eric Moore como baterista pra mim foi uma coisa inovadora, pois o cara sabe usar de recursos como viradas totalmente imprevisíveis e muita velocidade, o que me deixou ainda mais surpreso porque eu pude notar que a velocidade com certeza é questão de prática,  se é que vocês me entendem (risos). Enfim, acho que toda essa miscigenação de influências e toda a bagagem que a gente vem carregando nesses anos todos favoreceu demais pra composição geral de um estilo que considero totalmente original.

Gustavo: O Gabriel é o cara das técnica. (risos) Bão demais!

– E de onde surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Gustavo: Sendo bem sincero? Foi coisa de molecagem. Como estava na vibe de fazer um som mais barulhento e agressivo, da mesma forma queria um nome que soasse agressivo, e a primeira coisa que veio a cabeça foi algo que tivesse a ver com bomba e explosões. Foi uma escolha meio pretensiosa? Foi! Mas conforme fomos colando nos rolês e a galera foi acompanhando o som, o nome vingou e se espalhou. Daí ficamos com esse mesmo. (risos)

– Me falem um pouco mais do trabalho que vocês lançaram até agora.

Caike: O nosso primeiro EP é mais um compilado das músicas autorais que a gente vinha coletando entre 2012-2014. Sempre que o Gu surgia com um riff novo, uma letra nova, a gente fazia uma música dali. A ideia foi sempre trazer musicas novas, pra que a gente não ficasse limitado ou tivesse que tocar só cover. Porque a banda começou com uma música autoral, no máximo duas! Como foram músicas que foram surgindo num período de 2 anos, cada uma representa um momento específico. Eu vejo o álbum mais como uma carta de apresentação. Ele foi gravado em Cambuí, no Totem Studio, com a exceção de uma música, “We Are The New Working Class”. Foi um processo longo, caro (custeado pelo Gu) e totalmente no DIY. Mas a intenção era ter um material pra dar um passo à frente, sair das garagens e tentar alcançar novos lugares.

Gustavo: Esse EP é bem nessa vibe mesmo, foram sons feitos entre o início da banda até 2015, mais ou menos. O nosso processo de composição é lento. Esse ano pretendemos lançar material novo e que vai seguir mais ou menos o mesmo processo, mas pode esperar que vem mais pancadaria por aí!

Caike: O que fez a diferença e a gente não quer agora, por exemplo, é gravar cada música em uma época… A gente quer um EP que soe único. Gravar as músicas numa data especifica, pra não soar cada música como se fosse gravada em uma época.

– E como a cultura skate faz parte do som da banda?

Caike: Gustavo vai poder falar melhor sobre isso, mas, de forma resumida… toda a influência de sons pra banda vem do skate. “Tony Hawk’s Pro Skater”, querendo ou não, foi um meio de propagar tanto o skate pra galera, quanto as bandas que rolavam na cena. Tiramos dali boa parte das influencias. Mas o Gu vai poder ir além, porque ele era o skateiro daqui (risos).

Gustavo: Como o Caike disse, o THPS popularizou a contracultura do skate, e foi a partir dos games clássicos que entrei no skate e comprei meu primeiro board vagabundo. Eu tinha uns 14 ou 15 anos, acho, e com o tempo fui tomando conhecimento do que o skate representou na decada de 80 e 90, a transgressão de ambientes, a marginalização, e, claro, a sonoridade que cercavam essa cena, como Grinders, JFA, The Faction, Agent Orange, entre outras coisas que rolam nesse meio. Na banda, especificamente, trazemos a parada da diversão e agressividade e a insatisfação com a questão de o skate ter perdido esse sentimento outsider pra se tornar algo cool nas grandes mídias, ser encarado como esporte e chegar ao ponto de ser inserido nas Olimpíadas, e tudo isso após as grandes corporações se adentrarem nesse meio. Pra nós o skate é diversão, transgressão, integração de tribos, um trabalho de criatividade e roque veloz, somente.

– É, aqui no Brasil normalmente skate aparece meio sempre ligado ao Charlie Brown Jr.

Gustavo: Sim, não que isso seja completamente ruim, o Chorão sempre esteve ligado com o skate e isso é bacana, porém a coisa ferrou quando atingiu as Rede Globo da vida. (risos)

Molotov Conspiracy

– Bom, como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Gustavo: Hoje em dia pra quem gosta de rock, principalmente, a cena independente está em ebulição. Acho que nunca antes fazer uma gravação de boa qualidade foi tão acessível quanto hoje em dia. Somos muito fãs dos 80’s em termos de hardcore, mas hoje em termos de qualidade de gravação a coisa tomou um aspecto mais bem produzido, mas sem ficar fresco e cheio de firulas. Aqui em Minas muita gente diz que não há mais rock, porém eu digo que é falta de buscar se informar. É muito facil conhecer bandas legais hoje em dia, independentemente do seu gosto musical. O lance é que a forma das bandas se articularem hoje em dia é completamente diferente das décadas passadas. E muita gente não se adapta por falta de interesse e caretice mesmo, mas em contrapartida a galera produz mesmo e tem um certo público. Costumamos dizer que o rock voltou pra onde nunca devia ter saído.

– Já que você falou de Minas, como anda a cena por aí?

Gustavo: Ela é espalhada aqui no sul de Minas, em cada canto tem algumas bandas. Tem nós em Piranguinho, Santa Rita tem o Pino de Granada, Pouso Alegre tem o xBicuda do Rastax e o Casca Podre, Cambuí tem o Tumbero e o Monstreze e assim vai, mas é sempre difícil adentrar os festivais grandes da região que focam em bandas cover de classic rock e metal. O nosso movimento se concentra em praças, pistas de skate e no CPB, o rock bar de Cambuí do Manoel (Tumbero).

Caike: Tem mais banda na real, tá surgindo uma levada diferente também, tipo a galera da Galope Discos, que é um selo de Pouso Alegre que até pouco tempo eu desconhecia. https://galopediscos.bandcamp.com/  É uma vibe diferente da nossa, claro, é uma coisa mais experimental. Mas é autoral, e não dá pra negar que é um movimento.
Também tem uma cena de hip hop, mas acho que a galera ainda tá muito presa na ideia de ser o que foi o Bonde da Stronda, por exemplo. Mas só de começar algo autoral na região, onde tudo é consumir mais do mesmo, já é algo bem relevante.

– Quais são os próximos passos da banda?

Caike: Sem dúvidas alcançar públicos e espaços que a gente ainda não chegou. Uma das metas da banda pra esse ano é começar a tocar aqui em SP, quem sabe em outros lugares também. Sair um pouco do ciclo do sul de Minas, começar a levar banda pra lá e a exportar banda de lá. Também estamos querendo gravar um EP novo aí, 4 musicas que já tocamos, mas que estamos dedicando todo o carinho e atenção pra fazer uma coisa grande, bem feita. Quem sabe algum EP de instrumental surf, é uma possibilidade também, mas esse é só plano!

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Caike: Vamos lá: Tumbero, Casca Podre, xBicuda do rastax, The Barber, Water Rats, Lo-Fi, Deb & The Mentals, A Creche, Lomba Raivosa, Aloha Haole, Middlemist Red, Ventre, Dum Brothers… The Barber é muito o que a gente tá esperando pro próximo EP. É uma banda russa, que tem uma pegada bem do jeito que a gente gosta. Mais uma banda: Molho Negro!

Gustavo: Do que ando acompanhando, tenho muito em comum com o Caike!