5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Bruno Kayapy, guitarrista do Macaco Bong

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Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas ou discos que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é o compositor Bruno Kayapy, guitarrista da Macaco Bong.

Spice Girls – “Spice”

Se a ideia é citar referências que não são tão óbvias pra mim com certeza o álbum “Spice”, das Spice Girls é o primeiro da minha lista. Um clássico da world music setentista, sou um fanático por world music e bandgroups de super-produção. Particularmente, acho a história das Spice Girls uma história de união, força, harmonia, superação e fraternidade como jamais existiu em qualquer outra banda, demorou muito para as pessoas perceberem o quanto as Spice Girls foram importantes na juventude noventista. E também cito esse disco porque foi produzido por três gênios da produção musical de world music; me refiro a Absolute, Andy Bradfield, Matt Rowe e Richard Stannard.

Madonna“Like a Virgin”

Muita gente não imagina, mas sou fanático pelos trabalho da Madonna. Pra mim ela foi a grande visionária da música pop oitentista, Like a Virgin é uma obra prima, é um disco que vivo procurando em vinil e não acho com muita facilidade. Essa maravilha de disco foi produzido pelo ídolo da guitarra Nile Rodgers, que produziu “Get Lucky”, do Daft Punk.

Bjork“Vespertine”

Quando ouvi Bjork pela primeira vez foi amor à primeira vista. Sou completamente apaixonado pela concepção criativa dela. Pra mim esse é o grande álbum da primeira década de 2000. Obra-Prima! Tenho muitas influências da Bjork, especialmente na elaboração das minhas linhas melódicas na guitarra. Tudo que eu mais gostaria era que o som da minha guitarra tivesse a voz e o timbre da Bjork, os vibratos dela são sutis, ouvir a Bjork pra mim é como se as cordas vocais dela tivessem um Jimi Hendrix grudado em cada corda vocal. Amo todos os álbuns, mas o meu preferido é o “Vespertine”, achei que ela atingiu um nível de produção e concepção dos mais absurdos já feitos na história da música popular.

Daft Punk“Homework”

Esse álbum! o que falar sobre este álbum? Sinceramente não tenho palavras para falar sobre o Homework. Simplesmente fascinante! Produzir isso deve ter sido a coisa mais divertida na história de gravações de álbuns. Impactante igual esse disco, não existe nada nem próximo, nem nos dias de hoje. Amo Daft Punk! Uma referência que sempre tive muito antes de montar o Macaco Bong em 2004.

Lenine“Na Pressão”

Para muitos isso com certeza pode chocar! Posso dizer tranquilamente que ouvir o Lenine e esse disco “Na Pressão” me influenciou 99,9% na maneira como eu criei o meu vocabulário musical e acima de tudo o meu estilo de tocar guitarra e conceber o som do Macaco Bong dos pés à cabeça. O Lenine é uma das influências mais “não-óbvias” que eu poderia citar aqui. Se você ouvir os álbuns dele conhecendo bem o som do Macaco Bong, tão logo você vai perceber que chupei muita coisa dele para o estilo de música que faço. Foi muito legal pra mim, era meados de 1999, eu cheguei em uma loja de CD em um shopping da cidade e vi esse CD como destaque na loja, era o lançamento do mês, a capa me chamou a atenção com o carro pegando fogo, na hora eu achei que fosse “Leoni”, não tinha lido direito e não dei tanta bola porque admiro muito o Leoni e sou fã da genialidade de guitarra brasileira dele há muitos anos inclusive, mas não era exatamente o que eu procurava naquele dia, como era de costume em toda loja de CD você tinha tocadores cd player espalhados pela loja com headphone pra você poder ouvir um preview do álbum antes do comprar, foi quando coloquei o Na Pressão pra tocar e, como de costume particular, eu já coloquei na segunda música, eu tinha essa mania de ouvir a primeira faixa do álbum por último e começar sempre pela segunda faixa do disco e de repente começa a tocar a própria música faixa título do álbum ¨Na Pressão¨, que música maravilhosa, me arrepiou dos pés à cabeça, a percussão do Marcos Suzano, as linhas de guitarra matadoras do Lenine foi a descoberta do ano pra mim. Ouvi esse disco umas 100 vezes por dia, tirando todas as músicas do álbum de ouvido no meu velho violão de corda náilon Di Giorgio. Foi uma escola descobrir a afinação, encontrar os acordes, entender o raciocínio tonal dele, Lenine é um samurai. Amo esse cara, ouço as obras dele desde criança, eu sinto uma vibe mato-grossense, ele tem a selvageria pantaneira no som dele, por isso a identificação com o som dele foi de imediato por sentir coisas na linha do som do Lenine que me arremeteu a coisas regionais do Mato Grosso do Sul que amo ouvir como Guilherme Rondon, Tetê Espíndola e Almir Sater. Apesar de mato-grossense, a minha paixão real é pela música sul-matogrossense, é meio que o nosso Clube de Esquina, Guilherme Rondon é o nosso Milton Nascimento ao mesmo tempo que você tem figuras fortíssimas como a Tetê, única e incomparável, faz o que quer com a voz dela, com a música, a verdadeira bruxa do cerrado. Muito curioso pra mim naquela época foi descobrir que Lenine era pernambucano, confesso que depois de conhecer Lenine foi quando passei a me interessar mais por Chico Science, Nação Zumbi e conhecer melhor as coisas que tinham ali, era tudo muito novo na época, você não ouvia falar desses nomes facilmente em uma cidade como Cuiabá em meados dos anos 90, Lenine foi a porta de entrada por minha paixão pela música pernambucana.

Gabriela Garrido expõe suas forças e fragilidades em seu segundo EP, “Entre”

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A cantora e compositora carioca Gabriela Garrido traz para suas letras toda sua carga emocional, seja ela cheia de força ou mostrando suas fragilidades. Isso fica ainda mais evidente em seu segundo EP, “Entre”, lançado este ano, explorando novas linguagens sonoras e o vai e vêm das emoções humanas em busca de um equilíbrio.

Seu EP de estreia, “Mergulho”, foi lançado em 2016 e contava histórias de amor e entrega, além de experiências pessoais que mostravam a aventura que é entrar no mundo da música. “Na época do “Mergulho” eu estava muito ansiosa pra fazer aquilo, e muito impressionada com tudo, também. O “Entre” foi todo mais planejado, mesmo que o orçamento também fosse curto. Pude olhar com mais carinho pra cada canção, para o lançamento, clipes, etc”, conta.

– Me conta um pouco mais sobre o “Entre”, que acabou de ser lançado!

O “Entre” é meu segundo EP, que traz algumas canções antigas e novas, bem diferentes entre si em questões de arranjo, mas que têm um tema similar: elas falam sobre forças e fragilidades, sobre abraçar ou negar as nossas emoções. Por isso o nome, como se fosse a busca de um equilíbrio no meio disso.

– E isso também se mostra na capa, né. De quem é a arte?

Sim, super! Na capa, na verdade, a gente quis fazer uma alusão ao “Entre” de “meio” e ao “Entre” de “entrar” mesmo – já que se tratam de letras bem íntimas – por isso as portas. Quem fez foi uma grande amiga, designer e artista, Clarisse Veiga.

– E como foi a composição dessas músicas?

Acho que algo que elas têm em comum no quesito composição é o fato de que todas foram escritas bem rápido, na maior parte em madrugadas de insônia (comigo costuma ser assim, haha). Acho que “Helena” foi a única que durou mais tempo, até por ser uma música mais relaxada. As outras realmente pareceram que tinham que ser colocadas pra fora logo, sabe. Passei um tempo tocando essas composições bem como elas nasceram, de forma bem simples, com voz e violão, mas foi fazendo os arranjos com a banda que eu realmente pude dar a força que eu queria!

– Aliás, me conta mais do clipe! A ideia foi muito boa, ficou sensacional!

“De Bicicleta” foi a típica ideia doida que eu achei que não daria em nada e acabou ficando muito legal, hahah! Eu tive uma sorte enorme de ter amigos que compraram muito essa viagem e toparam fazer aquilo comigo. Fomos em lojas de festa no centro da cidade e compramos vários acessórios, decoramos uma sala da clínica do meu pai – que é fisioterapeuta – e pegamos emprestado a bicicleta ergométrica de lá. Deu nisso! Foi super divertido e custou muito pouco. Tenho orgulho do que fizemos com poucos recursos!

– E como esse EP se difere de “Mergulho”, seu primeiro trabalho?

Acho que, com o “Entre”, eu já me senti mais “por dentro” do que é gravar músicas e pude ter mais paciência e experimentar mais nos arranjos. Na época do “Mergulho” eu estava muito ansiosa pra fazer aquilo, e muito impressionada com tudo, também. O “Entre” foi todo mais planejado, mesmo que o orçamento também fosse curto. Pude olhar com mais carinho pra cada canção, para o lançamento, clipes, etc.

– Quais as suas maiores influências musicais em sua carreira?

Minhas influências vão mudando muito com o tempo, mas existem artistas que com certeza contribuíram muito para que eu começasse na música, como Tegan and Sara, Paramore, Cássia Eller e Cazuza. Esses eu sempre cito. Mas no “Entre”, por exemplo, tive referências como Courtney Barnett e Johnny Hooker. É sempre uma mistura doida mas que me ajuda muito, hahah. Falei bastante sobre isso na coluna “Construindo” aqui do site, acho legal conferir!

– Como começou sua carreira?

Na época da escola eu tive uma banda com amigos, tocava nos saraus, e foi aí que eu me apaixonei por cantar e compor. Fiquei um tempo parada depois que nos formamos e pude perceber que não podia deixar a música de lado e que não tocar me deixava bem triste. As músicas do “Mergulho” já existiam nessa época, e fui aos poucos me convencendo de que eu precisava lançá-las, até que finalmente consegui, e estamos aqui. Mesmo com todas as dificuldades, eu não me perdoaria se parasse de fazer música.

– Como você tem visto a cena independente? E mais que isso, como você se vê nesse mundo?

Eu me surpreendo mais a cada dia com os artistas independentes brasileiros! Por mais que seja muito difícil alcançar o mainstream, eu vejo que estão se formando muitos nichos de pessoas que consomem/alimentam a música independente, e isso porque temos muitos artistas de qualidade, de diversos gêneros musicais, para todos os gostos. O que eu acho incrível da cena hoje em dia é a criatividade desses músicos para driblar as dificuldades comerciais. A galera se vira sozinha e faz coisas incríveis. Além disso, sinto as pessoas mais abertas a não ouvir só o que está em alta nas mídias tradicionais também, isso é ótimo.

Quanto a mim, acho que estou aprendendo a conquistar meu espaço, aos poucos. Sinto que o segredo é não parar, sabe. E sempre tentar crescer musicalmente, conhecer pessoas novas, tomar nossas próprias iniciativas. Fico genuinamente feliz a cada nova pessoa que conhece meu som, e com certeza é a partir desse carinho que ele vai se expandir por aí. Sei que ainda tenho muito a alcançar pra fazer o barulho que os artistas independentes maiores fazem, mas já fico feliz de ser uma pequena parte desse movimento aqui no Brasil.

– Mas você acha que o mainstream ainda é o objetivo ou hoje em dia isso já não é algo tão importante?

Então, ao meu ver, estamos caminhando numa direção em que as alternativas ao mainstream estão cada vez mais fortes e viáveis. Ele continua sendo importante, principalmente por esse reconhecimento ajudar muito o artista a conseguir viver da própria música, mas sinto que, pra muita gente, ele não é mais o objetivo principal. O principal, pelo menos pra mim, é conseguir ter um público que seja “fiel” (não gosto muito dessa palavra, mas é mais ou menos isso). Independente do mainstream, é assim que a música pode se sustentar.

– Quais os seus próximos passos, musicalmente?

Quero fazer shows fora do Rio com o “Entre”, para mim isso é o fundamental agora. E ainda ir à fundo nesse EP, com mais bons clipes, versões, etc. Acho que ele tem muito a oferecer! À longo prazo, quero que meu próximo trabalho não seja outro EP, e sim um primeiro álbum.

– E já tem planos para esse álbum?

Ainda não, tô tentando ter calma e curtir o EP novo!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tenho escutado bastante Xênia França, o disco dela é sensacional! Tem também Letrux, que conquistou meu coração no ano passado e ainda não consigo largar aquelas músicas. Também tô amando o novo álbum do Rubel!

Construindo Dolores 602: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda mineira Dolores 602, formada por Débora Ventura (voz, violão, guitarra), Camila Menezes (baixo, ukulele, voz), Isabella Figueira (bateria, gaita, escaleta) e Táskia Ferraz (guitarra, vocais)​, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Débora Ventura (voz, violão, guitarra)

Elis Regina“Quero”
Pensei muito nessa música quando fomos pra casa da Taskinha um dia cozinhar e tentar finalizar a música “Seu Azul”. Acho que está nas entrelinhas de ambas que “é simples se viver”.

Banda do Mar“Mais Ninguém”
Quando estávamos criando o arranjo de “Voo” resolvemos testar uma parte com baixo, bateria e vocal, inspirados num trecho dessa música. Combinou 🙂

Silva“A Visita”
O astral dela inspirou quando construímos juntas os arranjos de “Ponto Zen”.

Lô Borges feat. Solange Borges“Vento de Maio”
Essa música, esse disco todo (“Via Lactea”) dá uma vontade de viajar, pegar estrada. Acho que essa também é um das sensações do nosso disco.

Céu“A Nave Vai”
Adoro a psicodelia suave da Céu. De alguma forma deve influenciar, escuto todo dia. Ou quase.

Camila Menezes (baixo, ukulele, voz)

Neil Young“Harvest Moon”
A música do Neil Young que foi a inspiração de sonoridade para compor “Cartografia”.

MGMT“Electric Feel”
O frescor do MGMT, seus compassos quebrados e músicas dançantes e viajadas, como esta, sempre me inspiraram e deram o tom para as novas composições minhas no disco.

Jorge Drexler“Todo Se Transforma”
As letras poéticas do Jorge Drexler sempre me cativam. Esta, por exemplo, eu gostaria de ter feito. Tudo flui e mostra o sentimento humano muito despido e ao mesmo tempo elegante.

Espírito Pedrinho“A Manjedoura”
Foi a música que toquei no ensaio, de forma despretensiosa, e acabou empolgando as meninas da banda. O dedilhado do ukulele nela foi o gancho sonoro para a composição de “Astronauta”.

Transmissor“Bonina”
A música composta por Jennifer Souza, Leonardo Marques e Ludmila Fonseca, gravada pela banda belo-horizontina Transmissor, me dá uma sensação muito boa quando a ouço. Do seu refrão foi que tirei a inspiração para a introdução de “Cura Meu Olhar”.

Táskia Ferraz (guitarra, vocais)

Black Keys“Lonely Boy”
A sonoridade da bateria do Black Keys nesse disco (“El Camino”) como um todo foi uma referência pra gente desde o começo. Essa música especificamente foi uma grande referência de som.

Daft Punk“Get Lucky”
Gostamos tanto dessa música que tem uma pequena citação dela em uma música do disco… Não vou dizer qual é, descobre ai! (Risos)

Coldplay“Adventure of a Lifetime”
Esse timbre de guitarra e também a batida vibrante são sempre inspirações pra mim.

Maglore“Café Com Pão”
Os reverbs exagerados que usamos no disco às vezes remetem demais a essa música do Maglore, e também a letra.

Los Hermanos“O Velho e o Moço”
A gente se inspirou muito nos timbres e na levada da bateria dela na construção de “Maior”, que foi a última música que fizemos pro “Cartografia”.

Isabella Figueira (bateria, gaita, escaleta)

Vance Joy“Riptide”
Quando estávamos construindo o arranjo de Ponto Zen, ouvimos essa música e sacamos que era essa a vibe que queríamos, pra cima, pulsante, solar.

Alabama Shakes“Future People”
Eu tava ouvindo muito o disco “Sound & Color” na época que gravei as baterias de “Cartografia”. A sonoridade desse disco certamente me influenciou bastante na busca pelos timbres de batera. Gosto muito de como eles soam como banda e essa é uma das músicas preferidas.

Chico César“Estado de Poesia”
A construção do arranjo, a poesia da letra, a delicadeza das imagens que o Chico César cria nessa canção, acho tudo lindo demais. Pra mim foi uma das inspirações pra construção de “Cartografia”.

Wilco“One Wing”
É uma influência muito forte pra mim. Adoro folk e acho que o Wilco é uma das grandes referências que acabo levando pra Dolores. A construção das levadas, as nuances dos arranjos, as sacadas minimalistas, tudo isso me atrai muito no som deles.

Fleet Foxes“Ragged Wood”
Os vocais dessa música e a dinâmica dela, a levada folk, essa atmosfera que ela constrói, acho que são todos elementos presentes em muitas das nossas músicas.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Desirée Marantes, do selo Hérnia de Discos

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foto: Thiago Roma

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a pesquisadora, produtora e multi-instrumentista Desirée Marantes, do selo Hérnia de Discos. “Eu sei que muita gente faz cara de zóio pra cima quando alguém fala que gosta de muitas coisas diferentes mas eu realmente gosto de escutar coisas bastante diferentes, pois acredito que é partir da mistura que temos a possibilidade de chegar em nosso melhor. Então resolvi separar artistas que eu sempre escuto de maneira regular”.

Karen Carpenter
“As pessoa tudo acha que eu só escuto umas música erudita mas eu amo Carpenters. “Close To You”, embora seja uma composição do Burt Bacharach com letra do Hal David, ainda não ganhou uma versão melhor do que a do Carpenters. E, vocês ja viram a Karen tocando bateria?”

Jacqueline Du Pré
“Foi uma instrumentista e interprete que fugiu do esteriótipo “papel feminino” onde mulheres devem tocar instrumentos considerados mais “apropriados” como canto lirico, piano ou harpa. Musicista espetacular, sem duvida uma das maiores cellistas de todos os tempos e, na minha opinião, a melhor intérprete do concerto para cello do Elgar”.

Betty Davis
“Aquele ditado de por trás de todo grande homem existe uma grande mulher tem um quê de verdade, pena que essas grandes mulheres sempre foram ignoradas/invisibilizadas. Um dos grandes exemplos é Betty Davis, que foi casada por um ano com o Miles Davis e responsável por apresenta-lo a música de Jimi Hendrix e Sly Stone.Muita gente não sabe nem que ela existiu, que ela era compositora, produtora e interprete (também trabalhou como modelo, mas quem se importa com aparências né? (Risos)) muito menos conhece os discos espetaculares que ela fez. Escutem “Nasty Gal”‘:

Mercenárias
“O que dizer de uma das melhores bandas que apareceu no Brasil? E que ainda foi uma das poucas formadas apenas por mulheres no meio dos punks dos anos 80? Aí está uma banda que deveria ter um reconhecimento maior por parte do mundo inteiro, uma voz singular em sua época”.

Bjork
“Eu acho engraçado que todo mundo lembra da islandesa com o “vestido do cisne” no Oscar mas que a maioria não se dá conta de que a originalidade da carreira dela é, basicamente, sem precedentes. Talvez de para comparar com Mozart, mas ela ainda está viva e produzindo. Acredito que, mesmo ela recebendo reconhecimento em vida, ainda vamos demorar um par de décadas até termos noção da exuberância criativa dessa maravilhosa”.

Construindo Gabriela Garrido: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Gabriela Garrido, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Tegan and Sara“Call It Off”
A partir dessa música eu fui apresentada a uma das minhas bandas favoritas, Tegan and Sara. Se não fosse o “The Con” – o álbum dessa canção – acredito que eu não teria começado a compor.

Courtney Barnett“Avant Gardener”
Essa música é muito especial pra mim! Conheci Courtney Barnett no fim de 2016 e me apaixonei pelas letras dela. Ela escreve bastante sobre situações mundanas e cômicas, e essa música é um excelente exemplo disso. Me inspirou para escrever “De Bicicleta”.

Paramore“Born For This”
Ah, minha adolescência! Se eu não quisesse imitar a Hayley Williams eu nunca teria começado a cantar. O “Riot!” marcou a minha vida e meu despertar artístico!

Green Day“Are We The Waiting”
Green Day foi minha primeira “banda favorita”. O “American Idiot” foi a porta de entrada para minha obsessão com música e principalmente com o pop punk e o pop rock.

Yeah Yeah Yeahs“Phenomena”
Yeah Yeah Yeahs também foi uma grande descoberta da adolescência, e a Karen O se tornou mais uma grande referência de vocalista para mim. Principalmente quanto às performances no palco.

Johnny Hooker“Amor Marginal”
O som do Johnny Hooker foi crucial para o início da carreira solo. Depois de muito tempo sem me apaixonar por sons brasileiros, o disco dele me arrebatou completamente e serviu como um empurrãozinho para que eu começasse a acreditar no meu trabalho e compartilhasse minhas canções com o mundo. Ele foi uma grande referência principalmente para a minha música “Pela Metade”, que está no novo EP.

Frank Ocean“Self Control”
Ouvi muito Frank Ocean gravando o meu último EP, que vai sair em março. Essa música, principalmente, tem um efeito surreal sobre mim! Sinto muita emoção na interpretação dele e tentei “roubar” um pouquinho disso gravando a voz.

Rubel“Quando Bate Aquela Saudade”
Assim como com o Johnny Hooker, o Rubel chegou na melhor hora possível. Foi como uma reaproximação da música brasileira através desses novos sons, bem quando eu começava a querer entrar nesse mundo. Amo esse disco inteiro, mas acho que todo mundo que escuta concorda que essa música tem algo de muito especial, e não é à toa que ficou bem conhecida. Gostei tanto que acabei até participando do clipe dela (risos). Dá pra me ver na cena do metrô, de cabelo grande, quase irreconhecível!

Amy Winehouse“I Heard Love Is Blind”
Essa música, para mim, é simplesmente perfeita. A letra, o arranjo, a interpretação. Eu gosto da simplicidade e da autenticidade dela. Tento levar isso comigo. Foi um presente incrível que a Amy deixou.

Lady Gaga“Speechless”
Junto com Paramore, Green Day e afins, a Gaga fez parte do meu despertar musical na adolescência. “Speechless” é uma das canções que me mostrou o enorme talento que ela tem. Lia sem parar sobre ela quando comecei a cantar, e a devoção e a trajetória são realmente inspiradoras.

Cazuza“Eu Queria Ter Uma Bomba”
Apesar das minhas referências serem – em maior parte – atuais e gringas, em matéria de composição, Cazuza é uma inspiração gigante. Queria muito ter escrito essa!

Cássia Eller “Mapa do Meu Nada”
Acredito que a Cássia sempre será minha cantora brasileira favorita. “Mapa do Meu Nada” é especial. Fiz um cover dessa música no meu primeiro show como cantora solo. Sonho em chegar perto da potência e da emoção que a voz dela transmitia.

Bleachers“I Wanna Get Better”
Eu amo tudo que o Jack Antonoff faz. Mesmo. Essa música foi a porta de entrada para a minha obsessão com Bleachers, o projeto mais recente dele. Acabei mergulhando nas canções e no processo criativo da banda, que hoje é uma das minhas principais referências.

Tigers Jaw“I Saw Water”
Antes de gravar o meu primeiro EP eu ouvia Tigers Jaw sem parar, e essa música me inspirou a escrever a canção “Mergulho”.

The Front Bottoms“Flashlight”
Assim como com a Courtney Barnett, as letras do The Front Bottoms influenciaram meu jeito de compor. Cada composição conta uma história e envolve completamente quem está ouvindo. São frases que a gente não costuma ouvir em qualquer música. Só escutando pra entender!

Now, Now“Neighbors”
“Neighbors” foi a primeira música que conheci da banda, e tem um lugarzinho no meu coração. Me apaixonei de cara com a delicadeza da letra e a sonoridade do arranjo. É mais um exemplo de banda que tem músicas ao mesmo tempo simples e carregadas de emoção, algo que eu tento trazer muito para o meu som.

Paramore“Pool”
Vale colocar uma música nova do Paramore porque eles tiveram a coragem de se reinventar completamente, o que foi maravilhoso, no meu ponto de vista. Ainda mais vindo de uma das minhas bandas favoritas. Me deu a certeza de não se deve ter medo de buscar novas sonoridades.

Leo Fressato“Vendaval”
Eu costumava ser muito insegura com tocar sozinha, no formato voz e violão, por achar que não tocava bem – apesar das minhas músicas serem fáceis. Puro medo. Lembro de assistir um show do Leo em 2015 e me convencer do valor de um show acústico, mesmo com melodias simples. “Vendaval” se destaca nos shows dele!

Graveola“Talismã”
O Graveola foi uma das principais razões para que eu acrescentasse percussão nos arranjos do meu novo EP. Amo essa e as outras canções da banda, que soam modernas sem perder a brasilidade.

Elis Regina“Redescobrir”
Não podia faltar. As músicas da Elis me acompanham desde cedo. A paixão da minha família por ela – principalmente a minha avó, super fã – é uma das minhas lembranças musicais mais antigas. Com certeza uma voz que já me ensinou muito e ainda tem a ensinar.

Tupimasala encontra sua personalidade cheia de synths e mensagem forte no disco “Vênus”

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Tupimasala

Na ativa desde 2014, o Tupimasala se encontrou definitivamente com seu som em “Vênus”, disco de 2017 recheado de synths e sonoridade oitentista, mas sem perder a brasilidade latente da masala tupiniquim do quarteto. Formada por Samantha Machado (voz), Sabrina Homrich (bateria e voz), Adam Esteves (guitarra, voz e sintetizadores) e Hector de Paula (baixo e sintetizador), a banda teve seu álbum considerado um dos melhores de 2017 pela Billboard Brasil.

Criado como uma ópera-rock, o trabalho se divide em três atos: “Eclipse”, que compreende o entender-se mulher e suas implicações sociais, sendo introspectivo e contemplativo, e tendo como enfoque o eclipsamento feminino, “Trânsito de Vênus”, que propõe o levante e a libertação feminina através da imperatividade, com canções fortes e agressivas, e “Estrela D’Alva”, mais festivo, com exaltação ao autoconhecimento do corpo. Todas as faixas do disco possuem nomes de mulheres e falam de questões que infelizmente ainda são consideradas tabu na sociedade, como depressão (“Branca”), masturbação (“Gabriela”), violência policial (“Graça da Sé”) e a liberação da maconha (“Joana Paraná”), por exemplo.

No dia 07/02 (quarta-feira) a banda se apresenta na Contramão Gig, no Bar da Avareza, juntamente do quarteto Der Baum, que lança o single “Pra Inglês Ver”. Conversei com Samantha e Adam sobre a carreira da Tupimasala e o encontro com a nova sonoridade em “Vênus”:

– Me contem primeiro um pouco mais sobre o disco “Vênus”!

Samantha: O “Vênus” foi o resultado de bastante tempo olhando pra dentro da gente… Estética e criativamente
O ano de 2016 inteiro a gente se dedicou a entender a nossa linguagem e o que a gente queria com esse trampo novo. A gente tem um trabalho anterior muito diferente, que a gente fez quando ainda tava se entendendo enquanto músico. O “Vênus” é um trabalho mais consciente da nossa estética e da nossa mensagem.

– E como foi a composição e gravação desse álbum?

Adam: A gente viajou pra Salvador com a ideia de passar um tempo lá pra compor. Ficamos um mês por lá, bem internalizados mesmo, e voltamos com umas 12 músicas.

Samantha: A gente tava bem nesse momento de encontrar nosso espaço enquanto músicos, e isso me fez esbarrar em uma porrada de questões de gênero, como toda mina que faz música esbarra em algum momento.

Adam: Chegando em São Paulo, fizemos um tempo de pré-produção com a banda e depois entramos no estúdio para fazer a pré-produção com o produtor também.

Samantha: Por ser a principal compositora, isso acabou refletindo no conceito do trampo de um modo geral.

Adam: Sobre o processo da gravação especificamente, nos reunimos pra fazer a pré-produção com o Pipo Pegoraro (da Aláfia) e as gravações foram no Navegantes, estúdio onde foi gravado o Francisco El Hombre, Luisa Maita, etc

– Como vocês definiriam o som da banda?

Samantha: Comé que cê define o som da banda, bucha?

Adam: Ah, eu definiria como eletropop! Mas é uma definição que limita um pouco

Samantha: É, então.

Adam: Pois também temos influência de rock, de música brasileira (na “Graça da Sé”, “Janaína” e na “Joana Paraná” isso fica bem evidente).

Samantha: Mesmo porque eu acho o som mais rock que pop. Synth-rock-pop-dream-samba-electro-funk!

Adam: Isso! Seria o rótulo ideal (risos)

– Como a banda começou?

Adam: Começamos eu e a Samy como um duo, ironicamente, de voz e violão, em 2014. E cada vez mais fomos sentindo necessidade de dar mais corpo ao nosso som. Foi aí que entrou o Hector, no contra-baixo e bass synth. Nesse meio tempo algumas pessoas passaram pela banda e depois de fazer muita experimentação a gente encontrou nosso lugar no som mais sintético. Acreditamos que aí é um lugar onde conseguimos fazer a diferença. Quando encontramos essa personalidade no nosso som, lançamos o “Vênus”, em 2017.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Samantha: Acho que da banda, de modo geral, Tame Impala, Metronomy, MGMT, Novos Baianos, Lady Gaga, The Dø, Jungle, General Elektrik.

Adam: Daft Punk, super importante (risos)!

Samantha: SIIIIM! FKA Twigs

– Vocês se consideram uma banda política?

Adam: Considero que qualquer ato é politico. O ato de se colocar como apolítico é político.

Samantha: Fazer música é político, falando de política ou não.

Adam: Então, sim, somos uma banda política, assim como a Disney e a Coca-Cola também fazem política, enfim.

– Como vocês veem a atual cena musical independente hoje em dia?

Adam: Acho que é uma das cenas mais incríveis que já tivemos. A cena independente conseguiu subir muito a qualidade da música. Tem bandas como Aláfia, As Bahias e a Cozinha Mineira, Mdnght Mdnght, Geo, que tem uma qualidade incrível de som e show. Isso é muito importante, pois antes um bom show com som e estrutura de qualidade era relegado somente a bandas do mainstream e acho que o cenário independente tem provocado até mesmo mudanças no mainstream.

Samantha: Tenho uma imensa admiração pelo cenário independente atual, porque o nível de qualidade sempre sobe, tem uma galera altamente criativa, além de mobilizações de grupos femininos, LGBTs, gordos, pretos, periféricos pra marcar presença no mercado musical, que é tão branco e masculino.

– Mas o objetivo ainda é chegar ao mainstream e “estourar” ou com a queda da indústria musical isso mudou?

Adam: O objetivo e ter o trabalho reconhecido e com um nível de visibilidade que permita a banda conseguir viver de maneira sustentável. Às vezes o mainstream facilita esse caminho, mas nem sempre. Como por exemplo em casos em que as grandes gravadoras assinam com um artista “pequeno”, mas não colocam o disco dele no mercado, não impulsionam a carreira e inviabilizam parcerias desse artista. Ou seja, acabam deixando estagnada a carreira desse artista.

– Me contem mais sobre como é um show da Tupimasala.

Samantha: A gente tem um rolê com artistas performáticos, como a Lady Gaga, o Kiss, o Ney Matogrosso. A gente acredita que um show tem que preencher a audiência não só auditivamente, mas visualmente também.

Adam: Temos vários formatos. Mas sem dúvida, meus favoritos são o trio eletrônico, em que tocamos eu a Samy e o Hector. A energia é bem forte com uma performance bem gostosa e que é um formato mais intimista. E o “Espetáculo Vênus” que é a leitura do disco “Vênus” para o teatro. Ou seja, levamos a experiência sonora do disco, que é uma opereta, para o palco.

– O que podemos esperar da apresentação de vocês na Contramão Gig?

Samantha: Vários timbrão loko, muita energia na performance e a gente bem brilhosa.

– Aliás, uma curiosidade minha: de onde surgiu o nome Tupimasala?

Samantha: Surgiu quando a gente morava na Índia. Masala é um tempero de lá, e eles colocam esse tempero nas coisas pra dar um Spice it up. Então surgiu daí: música brasileira com um temperinho!

Adam: É uma música feita por brasileiros porém, com um tempero apimentado em cima.

Samantha: Com uma apimentadeenha!

Adam: É mais uma dessas misturas clássicas, tipo Brasil com Egito, sushi com feijoada.

– Chiclete com Banana!

Adam: (risos) Isso!

– Vocês acham que realmente existe um levante conservador no nosso país ou é apenas algo que rola na internet?

Adam: Rola sim! As minorias começaram a ganhar espaço e a ter seus direitos reconhecidos (ainda que de maneira bem sutil) e isso vem incomodando muita gente, infelizmente. É uma fase meio Reagan né? muito conservadorismo e muito sintetizador ao mesmo tempo

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Adam: Sim! lançaremos um novo single entre abril e maio. Vai ter muita novidade sobre a banda nesses meses. Ainda estamos fechando alguns detalhes mas em breve divulgamos tudo tudinho.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Adam: A Geo com o EP que ela lançou recentemente, o “Salva-Vidas”. A Marcelle com o disco “Equivocada”. A Olympyc, banda que tem um som bem oitentão gostoso. Mdnght Mdght, que é uma galera lá de Brasília que faz um som bem bacana também. A banda irmã dela que é a Cabra Guaraná.

Samantha: Marina Melo que tá lançando o “Nuvem”. A Trouble and the New Brazilians, que tá com um trampo folk bem interessante e bem diferente do que se vem fazendo no gênero aqui no Brasa. A Labaq, que tem uma sonoridade dream bem linda, que ela tira sozinha em alguns shows.

Adam: A própria Der Baum que vai fazer o som com a gente no dia 7, é ótima! Tem uma pegada muito gostosa também.

Samantha: Obirin Trio, que tem um trampo de arranjo de vozes que é a coisa mais linda desse mundo.

Adam: Se deixar a gente fica até amanhã aqui! (risos) É muita coisa boa!

– Podem continuar!

Samantha: Tem a Black Cold Bottles, que é uma banda de rock bem maravilhosa. Tem quem mais? O projeto Sauna, que é uma banda de internet…

Adam: Rodrigo Alarcon e Abacaxepa, o primeiro numa pegada mais MPB, já a banda numa pegada que me lembra uma mistura de Novos Baianos, Barão Vermelho com Itamar Assumpção.

Samantha: Bem 80’s com uma vibe bem engraçada. Tem a MANA, que é um duo de meninas que cantam sua vida doméstica…

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela cantora Aramà

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Giulia Aramà
foto por Maurizio Fantini

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a cantora Aramà, que acaba de lançar seu mais novo single, “Maracujá”.

Jamie Woon – “Night Air”
Essa música do artista Jamie Woon, britânico de extremo talento, foi uma das pérolas na minha playlist do 2010.
A musica é magnética . Um som fino, de grande sofisticação. A voz do Jamie é intensa, te leva numa viajem sensorial profunda com o sujeito da música, que é a noite. O baixo e os coros harmoniosos contribuem para criar uma faixa de extrema sensualidade, quase feminina.

Dona Onete – “Banzeiro”
Esta música é totalmente “Carnival Vibes”: uma mulher de quase oitenta anos com uma energia e talento insuperáveis.​ Para quem não sabe, o banzeiro é a onda que os barcos provocam e como uma onda, a música traz todo o sabor da Amazônia e do Pará. Dona Onete é umas das artistas que o Brasil precisa valorizar muito. Vale à pena ouvir o disco todo. É realmente incrível. ​Bora todo mundo se jogar no banzeiro? ​

Rincon Sapiência – “Meu Bloco”
Faz parte do lindo trabalho Galanga Livre, do rapper Rincon Sapiência. Amo essa música . É uma mistura de rap, trap e samba, gravado no barracão da escola de samba Pérola Negra. Essa música representa a luta deste amigo e artista que admiro muito. “Meu Bloco” mostra o poder do samba, seu ritmo e atitude, trazendo a música como uma forma de lutar contra a repressão: “Nossa palavra é munição, nossa voz fuzis / Sem moderação, jão, informação use / Sirenes e giroflex, na cara preta luzes / Sugiro, cuidado com os vampiros, cruzes!”.

Nneka – “Do You Love Me Now?”
Essa música saiu em 2012 no álbum da artista Nneka, alemã de origem nigeriana. Essa artista foi comparada à Erikah Badu e Lauryn Hill. O trabalho dela é uma mistura de hip hop, referências soul e ritmos africanos sem que se confunda com a world music. Essa faixa é a mais pop do disco e tem uma grande lição: na solidão estamos perto do Senhor, publicamente não. A ideia da artista é que estas canções cheguem ao poder politico e que eles as escutem.
“In solitude we know God / In public we do not act God / Is it destiny, is it mean to be?”

SBTKRT – “Wildfire”
Nome artístico do produtor britânico Aaron Jerome. Essa musica saiu em 2011 com a participação da artista Yuukini Yagano (Little Dragon ). É um mix de funk e dubstep bem minimal, tipicamente londrino. A música fala de um amor insano. Um amor que é comparado a um incêndio. Adoro o beat. Acho uma pérola mesmo, uma das melhores músicas britânicas até agora.

Kutiman mixa trabalho de músicos e cantores amadores postados no Youtube com resultados mágicos

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Kutiman

Você já ouviu falar em KutimanOphir Kutiel é um músico, compositor e produtor israelense e seu projeto mais conhecido é a série viral “Thru You”.

Em 2009, Kutiman começou este projeto online, mixando trechos de músicas autorais postadas por usuários de todo o mundo em vídeos do YouTube. O projeto de vídeo recebeu mais de 10 milhões de visualizações em cerca de duas semanas, recebendo da Time Magazine o posto de uma das “50 Melhores Invenções de 2009”.

Em uma entrevista de 2009, Kutiman descreveu como rolou o projeto “Thru You”:

“No começo, peguei alguns bateristas – antes que eu tivesse a idéia de ‘Thru You’, peguei alguns bateristas do YouTube e toquei em cima do som deles – apenas por diversão, sabe. Então, um dia, antes de ligar meu violão para tocar com o baterista do YouTube, pensei comigo ‘Talvez eu possa encontrar um baixo e guitarra e outros instrumentistas no YouTube para tocar com esse baterista…”

Assim, Kutiman fez diversas músicas, em vários estilos, reunindo uma legião de bateristas, baixistas, guitarristas, percussionistas, além de metais, teclados, vocais, beat box e tudo mais o que você imaginar: Kutiman buscava, mixava e transformava vídeos solo em parte de uma superbanda.

Confira um pouco de “Thru You”:

Além disso, ele também realizou um projeto parecido em vídeos reunindo instrumentistas diversos de alguma região, como Jerusalem, Tel Aviv, Tóquio e outras, sob o nome “Thru The City”. Veja:

 

Construindo Zé Bigode: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Zé Bigode, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Criolo“subirusdoistiozin”
Primeira musica que ouvi do Criolo, logo de cara achei o nome bem diferente, quando conferi o som ouvi uma base bem orgânica com uma pegada jazz, com aquele som de Fender Rhodes curti de cara e depois fui baixar o disco nó na orelha que foi bem importante pra mudar minha visão musical

Gil Scott Heron“Lady Day and John Coltrane”
Uma das minhas musicas favoritas do disco “Pieces of a Man”, clássico do Gill Scott Heron, essa musica toda vez que me sinto meio pra baixo serve de estímulo, assim como na letra ouvir “Lady Day and John Coltrane” levam os problemas pra longe, Gill Scott também o faz muito bem.

Oasis“Live Forever”
Ouvi muito Oasis na minha vida, e essa música sem duvida é uma das que mais escutei deles, lançada em 1994 no disco de estreia, o “Definitely Maybe”, escrita por Noel Gallagher, é uma homenagem a estar vivo.

John Coltrane“Acknowledgement”
Uma das músicas mais perfeitas da história da humanidade. É só isso que consigo dizer quando a ouço, muitos sentimentos nesse som aí! Sem contar que faz parte de um dos maiores discos da história, o “A Love Supreme”.

BaianaSystem“Playsom”
Só quem já foi num show do Baiana sabe a energia que é, e essa música pra mim é a que melhor define o som deles. Pedrada pura!

Nina Simone“I Put a Spell on You”
Nina Simone, né? Dispensa comentários, rainha!

Gilberto Gil“Drão”
Já era fã da musica desde sempre, quando descobri que era uma musica falando da separação dele com a Sandra Gadelha, um pedido de desculpas, tem vários jogos de palavras geniais.

Céu“Lenda”
Essa tem um groove que pega de primeira ouvida, lembro que quando descobri esse som e o disco de estréia dela, ouvi sem parar.

Elton John“Razor Face”
Eu podia indicar qualquer faixa do disco “Madman Across The Water”, que é um dos meus discos favoritos, mas vai “Razor Face”. Acho que é a que melhor representa essa fase do Elton John, quando ele tinha o timbre de voz bem agudo e lançava um clássico atrás do outro.

Gal Costa“Tuareg”
Se não me engano essa musica é do Jorge Ben. “Tuareg” mostra quanto o Brasil estava num ótimo momento musical no fim da década de 60, experimentando sonoridades de várias regiões do mundo e mesclando com a nossa musica tradicional. Os anos 60 foram bem intensos pra musica popular, apesar de politicamente estarmos em um dos piores momentos de nossa história.

Belchior“Alucinação”
Faz parte do álbum de mesmo nome, eu citaria o disco todo, mas escolho essa, que mostra o Belchior na sua melhor forma poética, dando o papo reto numa crítica ácida e certeira. “A minha alucinação é suportar o dia a dia”.

Chico Science e Nação Zumbi“Manguetown”
Chico Science talvez seja uma das minhas maiores influências, a sensacional analogia da parabólica fincada na lama… A música é isso, é universal, é um pouco de tudo que já escutamos nessa vida independente de território. Poucos souberam mesclar o tradicional com a vanguarda como Chico Science fez, um verdadeiro alquimista.

Jorge Ben“5 Minutos”
Falando em alquimista musical, aqui temos outro. “5 Minutos” chama minha atenção pela harmonia dela, diferente de quase tudo que ele fez. É torta mas tem groove, vê se pode?

Metá Metá“Oyá”
Metá Metá é uma das melhores coisas que a musica brasileira nos proporcionou nesse novo século. É punk? É samba? Música de terreiro? Escolhi “Oyá” por ter uma dinâmica entre a porrada e a calmaria.

Planet Hemp“Stab”
Nunca tive uma formatura, mas se tivesse certamente entraria com essa música. Escutei bastante quando andava de skate, me dá uma motivação enorme pra enfrentar as dificuldades.

Fela Kuti“Army Arrangement”
Essa música é quase um disco (risos). Com quase meia hora de duração, algo muito comum pro Fela Kuti, icone negro de resistência contra as opressões do governo e do imperialismo eurocêntrico.

Herbie Hancock“Dolphin Dance”
Uma mistura entre musica modal e musica tonal, um tema bem complexo de se improvisar, mostrando a verstatilidade harmônica do Herbie, uma lenda do jazz.

Miles Davis“So What”
Faz parte do essencial “Kind Of Blue”. Recomendo escutar esse disco a todos que querem saber mais sobre jazz. Ou melhor: a todos que gostam de ouvir música, recomendo a audição. Uma guinada que mudou o jazz, quebrando o virtuosismo técnico e cheio de progressões do bebop, inserindo o modalismo.

Led Zeppelin“Going To California”
Essa musica faz parte do clássico disco “IV”, amo todas desse disco, mas essa me marcou positivamente por bons momentos que tive embalados por esse som.

Milton Nascimento“Travessia”
Escolher uma do Milton é complicado, poderia fazer essa lista só com musicas dele que ainda faltariam mais 20! Mas “Travessia” é a minha favorita, desde a letra do Fernando Brant, que é uma das coisas mais lindas já musicadas, quanto a harmonia e arranjo. O trompete nessa faixa é algo de outro mundo.

Feminismo é revolução e os artistas estão entendendo o recado

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Letrux
Letrux

“Ela desatinou, desatou nós. Vai viver só!” Esse trechinho de “Triste, Louca ou Má” de Francisco El Hombre representa bem a transição social pela qual estamos passando. O feminismo grita, exige e chega aos ouvidos de milhares de pessoas de infinitas formas, seja pelos protestos nas ruas, pelas plataformas digitais e principalmente pelo streaming. Uma voz, doce, suave, encantando e passando seu recado sutilmente. É assim que inúmeros artistas estão chegando nesses espaços e ganhando voz e autonomia.

Elza Soares, grande artista feminista, manda seu recado social desde cedo. Fala abertamente em suas músicas sobre a opressão masculina, violência doméstica, racismo, entre outros temas e convida seu fiel público a dar um basta nisso. “Cadê meu celular, eu vou ligar no 180”. O famoso Disk Denúncia. Em 2016, Elza lançou seu disco “A Mulher do Fim do Mundo”, que lhe rendeu excelentes críticas e prêmios, como Grammy, todo contextualizado no apelo ao fim da violência. Um verdadeiro grito de basta. Em 2017, ela não perde a linha e lança o single ‘Na Pele’, junto com a também feminista Pitty, denunciando a violência física e psicológica. “Se essas são marcas externas, imaginem as de dentro”, questionam.

As mulheres, através de muita luta, têm conquistado seus espaços no campo profissional e a indústria fonográfica vai muito bem representada nesse quesito. Mulamba é um sexteto de meninas paulistas, que também lançou disco 2016 e vem gritando nas playlists o fim do abuso, escancarando o machismo e pedindo a liberdade feminina. “Agora o meu papo vai ser só com a mulherada: Nós não é saco de bosta para levar tanta porrada” e denunciam “Todo dia morrem umas 10, umas 15 são estupradas, fora as que ficaram em casa e por nada são espancadas”. Não à toa, contam com quase 9 mil ouvintes mensais no Spotify, e a música “Mulamba” com mais de 54 mil plays.
A lista de artistas que estão seguindo essa revolução feminista é bem vasta e a Letrux, antes conhecida como Letuce pelo trabalho musical com seu ex marido, jogou tudo para alto e lançou um excelente disco, “Em Noite de Climão”, onde se mostra empoderada, liberta e pronta para um novo jogo. Nesse estilo, Ava Rocha também representa bem a cena indie do Brasil, com sua performance autêntica nos palcos. Uma das suas canções que chama a atenção durante sua a apresentação é Joana D’Arc. Ava foi headliner na abertura da Semana Internacional de Música, que aconteceu em São Paulo.

Mas, nem só mulheres ganham espaço nos fones de ouvidos quando o assunto é feminismo. Francisco El Hombre, grupo misto de paulistanxs e mexicanxs, também pregam o fim do machismo, o empoderamento feminino e a sororidade. Apesar de ser cantada por uma voz feminina, a banda é composta na sua maioria por homens, que carregam essa bandeira. Essa atitude já se trata de um reflexo da revolução feminista, talvez uma lição que ficou após um integrante da banda ser acusado por machismo e manter um relacionamento abusivo.

Com o mercado musical aberto a esses discursos, não só é importante discutir o feminismo, como também é de igual importância desconstruir o machismo. A sociedade já mostrou que não tolera mais. E grandes artistas como Criolo e Mano Brown já aderiram a essa nova regrinha. Não se pode mais denegrir a imagem da mulher, pega mal, mesmo que para um seleto público. Não entraremos aqui no mercado do funk e ramificações.

Mano Brown, que lançou o “Boogie Naipe” em 2017, seu novo trabalho solo, desabafou que os tempos mudaram e tirou do repertório do Racionais MCs as músicas que fazem apologia ao machismo. Essa visão também foi alcançada por Criolo, que relançou em 2016 o disco “Ainda Há Tempo”, com alterações em algumas letras machistas e homofóbicas. Ponto para eles.

O público está de olhos bem abertos quando se refere a esse tema. O grande e intocável Chico Buarque, também lançou um disco em 2017 e foi alvo fortes críticas quando cantou ‘Tua Cantiga”, onde deixaria mulher e filhos por sua amante. É uma letra que vai de encontro à sororidade, mas que passa pela liberdade poética de se cantar uma história.

O fato, é que a tolerância machista está desabando, tanto que foi lançado pelo site Apoie a Cena, uma matéria com o título “Bandas Machistas Que Você Não Deve Ouvir”. Trata-se de relatos de mulheres que foram vítimas de boys bands. O machismo não precisa estar só nas letras. Ele direcionado é mais agressivo.

Em alta, a revolução feminista não pede licença. Ela invade os palcos, as playlists e com sua força conscientiza homens e mulheres. Denuncia violência, chama para a luta. E representa o atual momento de transição.