“Good Times” virou “Rapper’s Delight” e se transformou em “2345Meia78”, “Aserejé” e “Ragatanga”

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O Chic é uma das bandas mais importantes da era disco. Criada pelo super guitarrista Nile Rogers e pelo baixista Bernard Edwards em 1975, o grupo criou vários hinos como “Le Freak” e “Good Times”. No ano de 1979, o trio Sugarhill Gang resolveu usar “Good Times” como base para “Rapper’s Delight”, com um detalhe interessante: ambas as músicas foram lançadas em 1979. A música também virou um hit, chamando a atenção de Rogers e Edwards, que entraram com um processo judicial e ganharam a co-autoria da música.

Com uma letra gigante, que poderia servir inclusive como capítulo de um livro, e 14 minutos na versão original, “Rapper’s Delight” foi um sucesso tão grande que continuou servindo como base para muitas músicas, sendo sampleada por artistas como Gabriel o Pensador, em 2345Meia78″, e virando base para uma língua inventada em 2002 pelo trio de irmãs Las Ketchup em “Aserejé”, também conhecida como “The Ketchup Song”.

A letra de “Aserejé” é muito bem humorada, e conta a história de Diego, uma pessoa nascida na Espanha, que não sabe nada de inglês, tipo a Sol do BBB, esperando sua música preferida na balada. No refrão das Ketchup, o rapaz cantarola “Aserejé, ja deje dejebe tude jebere / Sebiunouba majabi an de bugui an de buididipí” ao invés de “I said a hip hop / Hippie to the hippie / The hip, hip a hop, and you don’t stop, a rock it out / Bubba to the bang bang boogie, boobie to the boogie / To the rhythm of the boogie the beat.” Quem nunca?

No Brasil, a música ganhou uma versão “em portunhol” feita em conjunto com as meninas do Rouge, com o nome de “Ragatanga”, e também foi sucesso absoluto. Essa versão ajudou inclusive a impulsionar as vendas das Ketchup!

André Whoong e Falso Coral se apresentam essa quarta no projeto Sônico do Teatro Sérgio Cardoso

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O Teatro Sérgio Cardoso, da Secretaria da Cultura do Estado, lançou na semana passada o projeto Sônico, voltado às bandas autorais independentes. As próximas atrações do projeto, que acontece às quartas a partir das 22h no mezanino do teatro, são André Whoong e Falso Coral. Os ingressos custam R$ 20,00.

O projeto Sônico tem como objetivo ampliar os espaços para artistas autorais do cenário independente brasileiro e incentivar sua produção. Com o fechamento de icônicos espaços com palcos tradicionalmente ocupados por esses artistas, o Teatro Sérgio Cardoso abre suas portas para abrigá-los.

Às quartas o mezanino do teatro recebe apresentações de bandas de rock, indie, projetos experimentais e outras vertentes do cenário. Os shows acontecem às 22h. No dia 27, encerrando a programação do mês de setembro, o projeto recebe a banda psicodélica Bike.

O Sônico continua em outubro, com apresentação das bandas Medulla (dia 04), a dobradinha de Phillip Nutt com a cantora Geo (dia 11), Explain Away e Comodoro (dia 18) e encerrando com Magüerbes e Running Like Lions (dia 25).

TEATRO SÉRGIO CARDOSO
Sônico com André Whoong e Falso Coral
20 de setembro, quarta-feira, às 22h
Mezanino Capacidade: 150 pessoas
Rua Rui Barbosa, 153, Bixiga – São Paulo
(11) 3882-8080 R$ 20,00

Coloque seu blazer com ombreiras e volte aos anos 80 com estes remixes de sucessos atuais

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Esses dias, nas minhas andanças pelo Youtube, me deparei com um remix que se dizia “80’s” para “Numb”, do Linkin Park. Ouvi e achei incrível como conseguiram transportar a banda para os anos 80 e encaixaram tudo direitinho. Parecia que o grupo fazia parte da década de 80 e poderia tranquilamente fazer parte da trilha sonora de “Miami Vice”:

Mas, como todo mundo sabe, a internet não me permite não ir atrás de mais. Descobri que quem fez esse remix foi um DJ chamado Jerry Galeries, e é claro que eu fiz questão de entrar no canal dele no Youtube para encontrar mais pérolas do tipo. Lá, apareceram versões neon piscantes de “Bad Liar”, da Selena Gomez, e “Shape Of You”, de Ed Sheeran, que ficou simplesmente sensacional:

Eu deveria ter parado por aí? Talvez. Mas ao assistir à versão 80s do ruivo, apareceram mais vídeos dos chamados “80s remix” nos vídeos relacionados, abrindo pra mim um mundo novo de oitentismo desenfreado. O próximo DJ que me chamou a atenção nesse estilo foi o TRONICBOX, que se especializa principalmente neste tipo de mixagem de hits atuais. Lá deu pra fazer a festa: remixes de “Love Me Harder” do The Weeknd, “Cool For The Summer” da Demi Lovato, “Perfect Illusion” e “Bad Romance” de Lady Gaga, “Somebody That I Used To Know” do Gotye, “Firework” da Katy Perry, “What Do You Mean” do Justin Bieber e muito mais. O melhor são as capas dos vídeos, com montagens oitentistas dos artistas remixados. As roupas de aeróbica, mullets e ombreiras são hilários.

Fuçando, soube que o DJ canadense é um dos precursores dessa moda, que é algo meio brincadeira e meio um descontentamento com os rumos da música pop hoje em dia. Os sites E! Music e SpinOrBinMusic chamaram os remixes de “obras de arte” e o RetroSpin chama as versões de “hinos retrô”.

Outro DJ que aposta na nostalgia dos oitenta é o Dubspillaz, do Reino Unido, que faz remixes inacreditáveis de “Starboy” e “I Feel It Coming” de The Weeknd e mostra que ele pode parecer ainda mais com o ídolo Michael Jackson, além de versões para “Moves Like Jagger” do Maroon 5, “This Is What You Came For” de Calvin Harris e “Lush Life”, da Zara Larsson, além de “Just The Way You Are” de Bruno Mars que parece saída diretamente da trilha de “O Último Americano Virgem”:

Recomendo a todos que curtirem estes remixes continuem procurando, pois tem mais um monte de músicas do tipo no Youtube, com DJs como LovProd, Saint-Laurent e David Lo Pan. Além disso, um apelo aos DJs brasileiros: por favor, façam remixes oitentistas de sucessos do pop atual brasileiro? Quero muito ouvir a versão Xou da Xuxa de “Paradinha” e uma coisa meio Kid Abelha para “Hoje” da Ludmilla. Alguém se habilita?

Projeto “Frequências” uniu Jaloo com Aeromoças e Tenistas Russas na Casa Natura Musical

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Jaloo e Aeromoças e Tenistas Russas
Jaloo e Aeromoças e Tenistas Russas

No feriado do dia 07 de Setembro, a Casa Natura Musical abrigou mais uma edição do projeto “Frequências”, recebendo como convidados a banda instrumental Aeromoças e Tenistas Russas (ATR) e o cantor Jaloo.

Marcado inicialmente para as 21h30, o show começou com uma hora de atraso, apresentando a banda Aeromoças e Tenistas Russas. Vindos de São Carlos, a banda pautou a animada apresentação em seu mais recente trabalho, “Midi” e incluiu no repertório uma inusitada versão de “Canto de Ossanha”, clássico composto por Vinicius de Moraes. Um show curto, mas que impressionou e conquistou o público presente, que ainda pode conferir uma participação do cantor Jaloo, que cantou sua música “Tanto Faz” acompanhado pela banda.

Após uma troca de palco, foi a vez de o Jaloo apresentar o seu show, com o repertório completo do seu álbum de estréia, intitulado “#1”. Figura carimbada nos principais circuitos de shows da cidade de São Paulo, Jaloo já conta com um público fiel e que interage bastante em seus shows, principalmente nas faixas que renderam ótimos vídeos clipes, como “Last Dance”, “Chuva”, “Ah! Dor!” e “Insight”. Vale destacar a ótima qualidade de som da Casa Natura Musical, que realmente foi um diferencial para a qualidade das apresentações.

Lara Aufranc se desprende das amarras do passado em seu primeiro disco solo, “Passagem”

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Lara Aufranc
Lara Aufranc

Antes líder da banda Lara e os Ultraleves, Lara Aufranc decidiu que era hora de se desprender das amarras do passado e se lançar ao mar para navegar mares mais ousados, com a liberdade que só seu nome permite. O álbum “Passagem” é a primeira amostra dessa nova forma de velejar da cantora, que agora “encara o próprio sobrenome”, segundo o Trabalho Sujo, deixando a introversão natural um pouco de lado e encarando o público de peito aberto.

O primeiro single, “Passagem”, fala sobre o cotidiano do paulistano e o deslocamento de pessoas e vontades. A faixa é a ligação ideal entre o álbum anterior com a banda Os Ultraleves (“Em Boa Hora”) e o novo trabalho, indo organicamente do piano e voz da MPB para os sintetizadores e guitarras do rock. O clipe foi inspirado por filmes soviéticos da década de 20 como ”Aelita, a Rainha de Marte” e “Um Homem com uma Câmera” e retrata a cidade como uma engrenagem formada por pessoas. “Existe uma solidão no movimento circular e repetitivo das cidades, ao mesmo tempo em que estamos cercados de gente”, comenta ela. O clipe foi realizado pela EdMadeira Filmes, dirigido e fotografado por Freddy Leal. A cantora assina o roteiro, a edição e a produção do projeto.

Conversei com ela sobre a nova fase da carreira e o passado com os Ultraleves, o disco “Passagem”, sua introversão e como ela influencia o trabalho e o clipe para a faixa-título:

– Como você resolveu se lançar em carreira solo?

Olha, na verdade eu já estava em carreira solo. Até na matéria do Matias ele usou essa frase, eu achei boa:
“Assume o seu sobrenome, ao invés do nome que fazia seu trabalho solo parecer uma banda”. Desde 2015 já estava claro pra mim e pros meninos que era o meu projeto de vida, a minhas músicas, o meu investimento
mas pro público continuava parecendo uma banda… Por isso resolvi mudar. Isso e o fato de que estava na hora de me aventurar pelo mundo. Eu sou mais pra introvertida. acho que no começo me sentia protegida com esse nome, dava a impressão de não estar sozinha.

– Realmente, pra mim parecia uma banda, mesmo… E como você superou essa introversão para ganhar o mundo nessa nova fase?

Foram 2 anos né? desde o primeiro disco autoral. 2 anos de shows, tive que encontrar o meu lugar no palco. Fui ficando mais forte. Foi ficando mais claro quem eu sou e o que eu quero dizer como artista. Pensando bem, eu não acho que superei uma introversão. Ser introvertido é uma característica, não é um defeito. O Ney é introvertido e tem uma puta performance de palco. Eu acho que eu fui me encontrando como artista. E que esse suporte do nome Lara e os Ultraleves deixou de ser necessário.

– Sim, acredito que o Criolo também. No palco vira outra pessoa.

Exato.  Inclusive a banda continua a mesma. Já faz um tempo que são os mesmos caras.

– Agora, me conta mais sobre esse clipe que saiu agora! A estética P&B, com esse toque de azul… O que ele significa pra você?

Nossa, eu to muito feliz com esse clipe! Eu já conhecia o Freddy (diretor) de um outro programa que a gente gravou juntos, o Mulheres Fora da Caixa. Me lembro de ter visto um vídeo dele com a Sara não tem nome – que tinha só uma guitarra azul. As maiores referências estéticas do clipe são os filmes: “Aelita, a Rainha de Marte” e “Um Homem com uma Câmera” – ambos soviéticos e dos anos 20. Ou seja, os dois são PB e mudos (no youtube você assiste com música). Então de certa forma a estética PB já estava incorporada nesse clipe, depois foi a sacada da maquiagem azul.

Lara Aufranc

– Porque o azul? O que ele simboliza pra vocês?

Eu já tinha usado essa maquiagem numa sessão de fotos como José de Holanda, e gostei demais do resultado. Foi justamente quando resolvi renovar a imagem e o nome. E precisava de novas fotos. Poderia ter sido de outra cor, mas o azul caiu como uma luva. Foi uma escolha estética que eu fiz antes do clipe, antes do single, foi o começo de tudo. Gostei tanto que quis incorporar essa brisa no clipe e na capa do CD. Tô a fim de usar no show de lançamento também. Mais do que o azul, pra mim foi sair de maquiagens “mulherzinha” pra um lance criativo. O meu trabalho não deveria ser sobre beleza, e no entanto tem muita pressão em cima das cantoras.

– Como você vê essa pressão por beleza que ainda rola em cima das cantoras? O machismo continua em alta no mundo da música?

O machismo tá em alta no mundo, e na música não é diferente. Por exemplo, recentemente eu gravei um programa de TV. Você chega lá e tem uma equipe que fica 2 horas brincando de boneca com a sua aparência. Eu me sinto deformada, como se não pudesse aparecer na TV com a minha própria cara. Eu acho engraçado como as pessoas acham que os artistas são sempre pessoas mais legais, esclarecidas. Quando obviamente tem artista de todo jeito, inclusive escroto e machista. Não existe um lugar onde só tem gente legal. O mundo é lugar complexo.

– Algo que não acontece com artistas do sexo masculino.

Sim! Os caras da banda passam um pózinho na cara pra não brilhar e pronto, vai pra câmera. Eu tava cansada de ter que ser diva. Eu fazia os shows de salto e hoje faço descalça. Eu acho que maquiagem pode ser um troço maravilhoso, mas não quando vira obrigação de estar num padrão. Quero poder ser eu mesma, e me sinto muito mais eu nessa flecha azul.

– Me fala um pouco mais sobre esse seu primeiro trabalho como Lara Aufranc.

O disco tá quase pronto. É bem diferente do outro, mais esquisito, ousado. Cheio de synths, guitarras… é um disco mais rock (mas também sem se prender nesse nome – afinal o que é rock hoje em dia?). Eu mesma to experimentando umas distorções na voz, coisa que eu nunca tinha feito antes. Eu gosto muito de soul e fazia sentido lançar um disco mais próximo disso em 2015. Mas hoje estou em outra fase, e as músicas refletem isso.

– O disco já tem nome? Como ele está sendo produzido?

Sim, vai se chamar Passagem. O clipe é a faixa-título. Foi gravado na YB, pela Matarca Records (selo e gravadora). Eu to curtindo muito fazer parte de um selo, ainda mais por ser um grupo relativamente pequeno, próximo. Não tem um produtor contratado. Eu fiz os arranjos e a produção do disco ao lado dos músicos, foi bem coletivo esse processo. Maravilhoso.

Lara Aufranc

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Tem muita coisa. De todos os gêneros musicais. É uma profusão tão grande que o público as vezes fica perdido. Mas é legal que tanta gente tenha a oportunidade de gravar, coisa que teria sido impossível na época das gravadoras. De 2015 pra cá – quando eu oficialmente passei a trabalhar e viver de música – conheci muitas bandas, artistas, tem muita cosa legal rolando. É questão de procurar, ir num show sem saber qualé, tem boas surpresas por aí.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Negro Leo, Letrux, Tika, Giovani Cidreira, Porcas Borboletas… Esses eu vi / ouvi recentemente!

Izza mostra equilíbrio pop entre melodia e um quê de melancolia em seu EP “Cosmópolis” (2017)

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Izza
A cantora Izza

Luzes laranja no chão.

“Cosmópolis” é um disco melódico, pontuado por boas guitarras, boas letras com um quê de melancolia. Não é só MPB, é pop com fundo de ambiências. É contemplativo, há uma viola (erudita), acordeom e piano, uma roupagem ousada para arranjar. Fiquei surpresa ao ver que os arranjos são da própria Izza, na voz e piano. O disco também conta com Matheus Lucena na guitarra e voz e Gilmar Iria como diretor musical.

Natural de Fortaleza (CE), Izza é o nome adotado por Raísa Campos, que radicou-se em Belo Horizonte (MG), onde atua como vocalista do Grupo Oxente Uai. “Cosmópolis” é sua estreia solo. Suas canções integraram trilhas de espetáculos como “O Menino que Sonhava Demais” (2012), “Cor Agem” (2014) e “Amor e Outras Palavras Mutáveis” (2016). Com o grupo Oxente Uai, lançou o CD “Feito Passarim”, que contou com a direção musical de Fernanda Gonzaga.

Matheus Lucena é um guitarrista de alto nível, e consegue pôr sentimento e ambiência onde a música delicada de Izza pede. Eu recomendo a audição, apesar de saber que alguns ouvintes podem não estar na “vibe” do disco. Chamá-la de mais uma na nova MPB é preguiça de ouvi-la, não se engane: Izza é muito mais do que um rótulo, é uma cantora e compositora de conteúdo e extremo bom gosto.

Mary Luz lança clipe de “Martírio”, música de seu primeiro EP, “Velejando no Afeto”

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Mary Luz

Dirigido por Edson Fell, “Martírio” é o segundo clipe de Mary Luz tirado do EP “Velejando no Afeto”, de 2015. Por meio de cenas aleatórias e cheias de texturas e filtros, o vídeo traz um olhar contemplativo para momentos sutis que passam despercebidos por muitas pessoas enquanto precisam lidar com desalentos cotidianos.

“As gravações foram divididas em duas etapas: cenas internas e externas”, conta Mary. “Algumas cenas foram filmadas em São Paulo, mas a maioria foi em Salvador, no Rio Vermelho. “A partir de um conjunto de imagens foscas e aleatórias, em harmonia com a música, espero que o clipe proporcione as mais diferentes sensações e impressões nas pessoas, levando elas à uma possível ressignificação do que se tem como essencial na vida”, explica.

O clipe conta com o poema “Sob a Vida” da poetisa Adriane Goecking no ínicio do vídeo.

Confira “Martírio”:

Audiometria: o que andará fazendo Rebecca Black, cantora do hit torto “Friday”, de 2011?

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Rebecca Black

Audiometria, por João Pedro Ramos

Em 2011 você com certeza ouviu o inesperado e bizarro hit “Friday”, cantado pela adolescente Rebecca Black. Escrito e produzido por Clarence Jey e Patrice Wilson, foi a estreia de Black no mundo da música, com uma letra infantiloide, voz desafinada, instrumental pop generico e capenga e o acompanhamento de um clipe que ficou para a história do Youtube por seu fator trash. Em 2011 o clipe alcançou a marca de video com mais “dislikes” no Youtube, mas todo esse ódio foi o que transformou a vida da jovem. Afinal, se o negócio era tão ruim assim, estava pronto para virar meme! Deu no que deu: a música tocou pra cacete, ganhou versões cantadas por Jimmy Fallon, Richard Cheese, Todd Rundgren, Justin Bieber e o elenco de Glee, a moça apareceu no clipe de ˜T.G.I.F.” da Katy Perry… Mas por onde anda Rebecca Black pós-“Friday”?

No Audiometria de hoje decidi ir atrás da obra da californiana. Procurei por um álbum pra ouvir, mas como a moça é da nova geração, como Jonathan, ela lança apenas singles. Afinal, discos estão muito ultrapassados, e além disso acho que ninguém suportaria mais de 5 minutos de algo como “Friday”. Mas não vou me precipitar, afinal, não sei nada sobre o resto da obra de Rebecca.

Em 2011 mesmo saiu “Person Of Interest”, onde a voz da garota está BEM melhor. Sim, eu usei Caps Lock, mas é uma diferença enorme depois de “Friday”. Até a música e sua guitarrinha funkeada funcionam. Tá, não é nenhuma obra-prima, mas pensando que essa é a sucessora da música mais “descurtida” do Youtube, está ótimo!

Em 2012, Rebecca lançaria “Sing It”, que começa com uns “woo-ooo” que mostram que essa é uma música com a pegada Avril Lavigne de ser. Sim, essa música passaria por uma da canadense facilmente. Pop rock com palminhas, letra bobinha (lógico que não é o tati-bitate de “Friday”, mas é bem simples). Funciona, até.

“In Your Words”, do mesmo ano, é bem noventista e devo dizer que é a melhor até agora… Balada com violão, a voz dela novamente BEM melhor e uma composição que poderia facilmente tocar nas rádios FM se tivesse a indústria da música apoiando. Sério. Sim, também parece um pouco com Avril Lavigne com um pouca de inspiração de cantoras noventistas como Sheryl Crow, Meredith Brooks e etc, mas funciona bem. Essa aqui funciona de verdade.

Obviamente tivemos um som chamado “Saturday”. A parceria com Dave Days saiu em 2013 e parece muito mais com algo da Ke$ha na época. A voz da moça está bem melhor, não sei se por treinamento ou pelo exagero de autotune. A letra continua bobinha, mas claro que nada tão ruim quanto “Friday”. No clipe, aparecem imagens do que seria o dia seguinte à “Friday”, com o cliché de pessoas jogadas pela casa, aquela coisa meio American Pie de ser. Até que a ressaca de sexta termina e o sábado começa com uma nova balada que conta até com uma cover de Miley Cyrus. Ah, assim como ela não queria que a sexta-feira terminasse, na letra ela também não quer que o sábado chegue ao fim. Rebecca, pare de se apegar tanto aos dias!

E já que tivemos uma Miley Cyrus no clipe de “Saturday”, porque não gravar covers da loirinha filha de Billy Ray? Em 2013 Black começou a investir em covers pra mostrar que sabia cantar e tentar apagar a imagem de voz de taquara com autotune que “Friday” deixou. Ela gravou versões para “We Can’t Stop” e “Wrecking Ball”. Em 2016 finalmente tivemos uma nova música autoral de Rebecca: “The Great Divide” começa com um pianinho mezzo-Linkin Park, mezzo-Evanescence. A voz da californiana continua em evolução e nessa música está bem boa. Até aqueles agudões ela manda, não deixando nada a dever para Demi Lovato. Aliás, essa música lembra bastante o trabalho da ex-Disney. A mocinha que ama as sextas-feiras está evoluindo! Essa música ganhou um remix e o remix ganhou clipe:

Daí chegamos em “Scars To Your Beautiful”, que mostra que a cantora já está bem perto do que as cantoras pop estouradas na Billboard fazem. Sério, essa música podia ser facilmente algo da Ariana Grande, Selena Gomez e etc, desde a voz até o instrumental. A baladinha “Baby It’s Cold Outside”, dueto com Max Ehrich, também mostra que a menina do “Friday” ficou mesmo pra trás.

Este ano saiu o single “If We Were A Song” e em agosto tivemos “Foolish”, que lembra um pouco as obras de Major Lazer e o disco do Justin Bieber que todo mundo amou, “Purpose”. Como acontece com muitas cantoras pop, Black entrou na fase “sexy” e no clipe já está mais confiante, entrando na piscina de topless e etc. A música poderia muito bem ser um sucesso nas pistas de dança, tudo depende dos DJs tocarem…

Essa é a história musical de Rebecca Black. Eu sinceramente achei que ia ouvir mais coisas como “Friday”, mas aparentemente a moça tá cada vez mais crescendo musicalmente. Só falta ser reconhecida e fazer mais barulho por aí. Infelizmente, o povo só compartilha as coisas pra zoar, como foi com o primeiro clipe da moça… Enfim. Boa sorte para Rebecca Black e lembrem-se: amanhã é sexta-feira!

O som do Fita reinventa as trilhas sonoras dos anos 80 com um pé no futuro

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Fita

Quando o filme “Drive”, com Ryan Gosling, foi lançado, todo mundo ficou impressionado com a trilha sonora oitentista de Cliff Martinez, ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers. Uma das pessoas que ficou de boca aberta com o som do filme foi André Luiz Souza Silva, que a usou como influência para o projeto Fita. No EP “Stick The Crazy” mostra um pouco das músicas eletronicamente roqueiras e trilhas sonoras instrumentais do projeto, que tem influências de Justice, Daft Punk, New Order e m83. Isso não significa que o Fita vá ficar apenas nos anos 80: “O Fita nasceu da vontade e necessidade de compor, criar e tocar da maneira mais independente possível. O único método de composição e estilo é a liberdade de não ter rótulo e nem opiniões divergentes”, conta. “Posso fazer musicas instrumentais, canções, trilhas, barulho… eu decido”.

– Como surgiu o projeto Fita?

Ano passado a banda que eu tocava acabou, aí peguei bode de banda. Não tava afim de cantar, mais criar letras e tal. Mas queria compor, fazer umas músicas diferentes… Aí pensei em fazer umas músicas sozinho mesmo e comecei a pensar em como tocar ao vivo sozinho. Peguei umas músicas que eu já tinha e não dava pra usar na banda e comecei a fazer a parada. Tava de saco cheio da dinâmica de banda: ensaio, tretas, dificuldade pra marcar show e casar as agendas…

– Então esse projeto foi meio que uma válvula de escape de tudo o que a banda trazia e você não queria mais.

Sim. Foi uma terapia. Agora eu sei q eu tenho q fazer tudo do meu jeito e assim eu fico mais satisfeito. Faço tudo no meu tempo e dentro das minhas prioridades.

– E porque o nome “Fita”?

Putz! Dar um nome é um lance muito difícil. Achei que Fita seria legal, pode ser uma gíria que muita gente usa e pode ser fita cassete, fita VHS, fita de videogame, cartucho. Coisas velhas. Eu gosto de coisas velhas. E ainda dava pra fazer as fitas K7 do meu trampo, Aí fica esse trocadilho infame de fita do Fita (risos).

Fita

– Sim, a capa do EP ficou sensacional, me levou direto de volta pra frente do aparelho de VHS do meu vô lá em 1992!

(Risos) Da hora! Eu que fiz. Fiquei horas procurando uma imagem legal de alguma capa de VHS. Aí procurei uma fonte q lembrasse um pouco o logo da SEGA… (Risos) E Fita tá sendo legal por isso. Eu controlo tudo o que dá.
Tento fazer o máximo de coisas por conta própria. Tem coisas que ficam toscas, mas faz parte (risos). As fitas eu gravo em casa. Comprei um duplo deck quebrado por 70 reais, arrumei ele e gravo em casa as fitinhas. Tipo gravar Mtv das antigas em VHS, ou disco em cassete. Sempre rolou esse lance de fita K7 em casa. Meu pai tinha uma coleção da hora. Várias coleções com as capas feitas à mão… Hoje é só fazer uma playlist no Spotify e já era.

– E você gosta desse novo formato de hoje em dia, em que a mídia física ficou obsoleta?

Eu gosto, é muito prático, a qualidade é boa. Eu não tenho paciência, por exemplo, com iTunes. Nem sei onde tá meu iPod! Nunca mais vou ficar sincronizando milhares de músicas. Por outro lado, nem tudo tá no Spotify, nem tudo tá na Netflix, nem tudo tá online… Mídia física é pra quem gosta mesmo, quer garimpar, quer ter uma experiência diferente.

– Voltando ao disco: me fala um pouco mais das músicas que estão nele. Elas têm uma pegada mais oitentista…

Sim. Culpa da trilha sonora do “Drive”. Quando eu vi o filme senti que aquelas músicas eram muito mais a minha vibe do que o que eu tava fazendo. As músicas da trilha não são 80, mas são influenciadas pelos anos 80. New romamtic, synth pop… Você pega os caras da trilha, Kavinsky com a Lovefoxxx… New retro wave e electro
(Risos). College… É muito trilha de filme anos 80. E aí junta a vontade de criar uns sons, tipo Justice e Daft Punk, New Order antes de Ibiza.

– Eu ia perguntas quem influenciou você pra esse disco, mas acho que você já respondeu… Ou será que não?

Isso tudo mais m83 e acho que só. Eu tenho ouvido muito electro, acho que de 10 em 10 vem umas nostalgia (risos).

– Você acha que hoje em dia muito do som que é apresentado na cena independente remete à nostalgia, seja voluntaria ou involuntariamente?

Sim! Acho que sim, de certa forma. Mas acho que faz parte do processo criativo normal. Pegar uma coisa que você gosta, criar em cima disso tentando deixar a sua assinatura. Nem digo que tudo é nostalgia, mas é repertório, gosto pessoal. Daqui 20 anos vai ter gente que vai querer fazer um funk roots estilo Furacão 2000, e vai falar que naquela época é que era da hora (risos). Doideira. Galera era autêntica e tal. (Risos) Acho normal, dificil é criar uma coisa totalmente nova, ou que pareça diferente de tudo.

Fita

– E você tá fazendo shows com o projeto Fita? Sozinho?

Sim, fiz uns 4. Aí eu toco e chamo a Cintia do In Venus e a Adriana do HungryGilli pra cantar. Aliás, preciso pensar num formato melhor e maior de show,  porque os que eu fiz até agora foram curtos, tipo pocket show. Minha ideia é começar a testar as musicas do disco full e colocar uns covers pra aumentar o set.

– Que tipo de cover cê pretende colocar?

Alguma do Chromatics, New Order, fazer alguma versão inusitada, sei não.

– E quais são os planos para esse álbum completo?

Vão entrar as 4 do EP, com mais 6 numa ordem diferente. Vão ter umas músicas instrumentais mais tranquilas, mas pauladas e uma esquisitice ou outra.

– Aliás, você falou do “Drive”… O EP lembra uma trilha sonora, mesmo. Você pensa em algum enredo quando compõe as músicas?

Em algumas delas sim, cara. Outras são só piração. Tem música que eu já faço pensando num filme, num curta, num clipe. A ideia do disco vai ser criar uma história entrelaçando todas as músicas. Não se se vai dar certo
Ate lá eu invento algo convincente (risos).

– Ou seja: se alguém se interessar em criar um curta pra acompanhar os sons, é só falar com você?

Claro! (Risos) Outra coisa que impulsionou o Fita foi o lance da minha mulher sempre dizer que as minhas músicas instrumentais eram bem melhores do que as canções. Aí falei “porra, vou fazer um disco instrumental!”. As duas canções do EP são puro.acidente. Uma letra eu tinha e queria usar, e achei q casava direitinho com o estilo da Cintia. A outra tava pronta e ai o produtor falou “Coloca uma letra nessa música”, aí chamei a mulher dele pra escrever e cantar e rolou. Música pra tocar na novela (risos). Tocar em filme. “Drive 2”.

– E finalmente: recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Cara, sem dúvida nenhuma o In Venus, Sky Down… Gosto muito de uma banda instrumental que chama Shröeder, os caras são de São Paulo, uma música pirada. Gosto de Bode Preto, de Teresina. É death metal! Gosto da Muff Burn Grace do ABC. Tem uma porrada de banda do role que são legais, mas tão meio paradonas: Blear, Moita… Essa banda de mina é foda, porrada mesmo. Punkzão foda!

Construindo Pássaro Vadio: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Pássaro Vadio

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Pássaro Vadio, que lançou seu disco de estréia, Caosmos, no inicio de junho pelo selo Take One Records.

Ryuichi Sakamoto“1919”
O minimalismo dela nos leva pra um labirinto em que não conseguimos achar a saída – escutamos vozes que somos incapazes de entender e depois surge o cello dissonante do Jaques Morelembaum que chega até o fundo do nosso estômago.

Brian Wilson“Surf´s Up”
Uma das forças criativas do universo pop. Harmonias emotivas e ao mesmo tempo particulares, que ainda nos momentos mais abertos carregam uma melancolia e um sorriso amarelo.

Zé Miguel Wisnik“Anoitecer”
Poema incrível na mesma medida que denso do Drummond musicado genialmente pelo Zé Miguel Wisnik – as imagens que evidenciam transformações do Brasil urbano e rural – a massificação, exaustão e medo pairando sobre o asfalto da metrópole vistos com uma intimidade incômoda e familiar.

Flying Lotus“Zodiac Shit”
A ancestralidade virtual dessa track me bateu forte quando ouvi pela primeira vez. Flying Lotus é ótimo em ultrapassar eventuais engessamentos da produção pop contemporânea.

Thee oh Sees“Web”
Começa com a tensão de guitarras que parecem te colocar na mesma sala dos amplificadores. Os vocais dobrados e sussurrados deixam ela nesse limiar entre lisergia sessentista e psicodelia virtual.

Captain Beefheart“Autumns Child”
O vocal rasgado, de garganta, e a entrega de Don Van Vliet – com uma ponta de deboche – nesse soul de “Safe As Milk”, tem uma letra que poderiam chamar de non sense, mas que me pega em algum lugar que eu mesmo desconheço – como se eu já tivesse visto essas cenas antes.

King Gizzard“The River”
As inúmeras voltas que levam ao mesmo núcleo central da música, a estranheza da harmonia vocal, a levada jazzista junto do respiro da música australiana contemporânea foram alguns dos motivos pra ouvir “The River” várias vezes.

Elizete Cardoso“Vida Bela”
Canção abaionada dessa incrível cantora, com arranjos de sopros, cordas que dão profundidade ao vocal e sua melancolia.

Antonio Carlos Jobim“God and the Devil in the Land of Sun”
Tom Jobim e sua capacidade de fundir elementos com total naturalidade – e ultrapassar qualquer chancela do ‘conceitual’.

Fela Kuti“Teacher Don’t Teach Me Nonsense”
Ouço Fela Kuti e lembro do Alê Siqueira, produtor do nosso disco, usando o próprio peito de tambor na técnica do estúdio captando possibilidades percussivas para canções como “Mar de Aral” e “Living Fast”. Além do super título “Teacher Don’t Teach Me Nonsense”, ela tem esse clima ao vivo, de primeiro take e improviso que também está na essência das gravações de “Caosmos”.

Nicolas Jaar“No”
“Ya dijimos No, pero el Si está en todo, todo lo que hay”. A cumbia milenial com esse refrão instigante é uma das grandes músicas do “Sirens”, último disco do Nicolar Jaar – trabalho imersivo e pessoal sem perder o pop de vista.

Can“I’m so Green”
Há uns anos um amigo me mandou “Vitamin C” pra escutar. Acabei ouvindo inúmeras outras vezes o “Ege Bamyasi” – a singularidade ao mesmo tempo simples, confessional e – não sei por que me dá um bode de falar – mas vanguardista da Can fizeram com que eu ouvisse esse disco durante muitas insônias.

Damon Albarn“Everyday Robots”
Música (e disco) que sabem usar muito bem a simplicidade como forma de subvertê-la – pra falar da mecanização da rotina e da solidão contemporânea.

José González“Killing for Love”
O folk que evoca a natureza e a natureza humana com a intimidade que só o violão de nylon provoca – simples e certeiro – me fizeram um grande ouvinte desse argentino radicado na Suécia, lá por 2009 ou 2010, período em que as primeiras músicas de “Caosmos” foram compostas. Jose Gonzalez traz eventualmente no acento do seu violão menções a um lugar de onde também se origina parte do folclore brasileiro.

Pond“Fantastic Explosion Of Time”
Conheci a Pond e essa música como trilha de um mini-doc que assisti sobre um vilarejo em Java Central – lugar que parecia desacoplado do nosso tempo/espaço – a força do refrão anunciando uma explosão fantástica do tempo ficou gravada junto das imagens daquele pedaço de Java –misterioso, quase que em outra dimensão.

Clap! Clap!“Ode to The Pleiades”
A ancestralidade das percussões mescladas com fluidez ao universo eletrônico do projeto faz dele dançante, denso e xamânico – uma imagem refletida do passado e futuro.

Gilberto Gil“Expresso 2222”
Canção e letra geniais desse disco genial do grande Gilberto Gil – que, como Caetano, está involuntariamente gravado na minha memória afetiva por ser parte da trilha da minha família.

José Prates“Oniká”
Grande canção (e disco) que além das entidades, evoca a origem da canção popular no Brasil junto das religiões de matriz africana, como o candomblé.

Erasmo Carlos“É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo”
Somos fãs de canções e refrãos. Taí um ótimo exemplo de pungência e honestidade que te pegam na primeira ouvida. Certamente músicas do nosso disco como “Amargurado” tem uma dívida com Erasmo e Tim Maia.

Beck“Morning”
E só tinha faltado uma balada – como essa baita canção do Beck que o Davi, nosso atual baterista que gravou percussões e synths no disco, citou como referência de arranjo para a canção que dá nome ao disco, “Caosmos”.