O Século XX animado e musicado na animação “American Pop” (1981)

Read More
American Pop

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

American Pop (American Pop)
Lançamento: 1981
Diretor: Ralph Bakshi
Roteiro: Roni Kern
Elenco Principal: Mews Small, Ron Thompson, Jerry Holand

O bisneto no fundo; o bisavô na frente.

Fugindo do Pogron russo de 1903, uma mãe e seu filho chegam nos EUA sem nada e começam a trabalhar: a mãe com costura e o filho distribuindo panfletos num bar. Ela morre e a criança passa a viver com o homem que o contratara. A partir disso, o órfão começa a frequentar os palcos do bar, sempre na cochia, até que por convívio com o universo dos shows começa a se apresentar. Vai pra primeira guerra, volta vivo, continua a cantar, se envolve com a máfia (seu “tutor” era parte dessa), se casa e tem filhos.

Seus filhos tem filhos e esses também tem. É por esse fio genealógico que corre o filme, contando a história americana do século XX (até a década de 80, quando o filme foi feito), através de hits da música pop de cada época, sempre se encaixando na vida do protagonista da vez (o filme conta com um protagonista para cada uma das quatro gerações), misturando o som com as situações vivenciadas por cada um, que de modo geral representam as vivenciadas pelos jovens da geração representada.

Desde um jazz que antecede (e muito) o be-bob do Thelonious Monk até uma proto new-wave, o filme passa por músicas famosas (afinal, foram hits), de conhecimento mais que popular, como “Sing, Sing Sing”, de Benny Goodman, “Somebody to Love” de Jefferson Airplane, “This Train” de Peter, Paul and Mary, “Take Five” de David Brubeck Quartet, “Turn Me Loose” de Fabian e “Don’t Think Twice” de Bob Dylan, dentre várias outras, sempre compondo junto a ilustração fantástica dos filmes de Ralph Bakshi (que faz uma ponta no filme, como o pianista que diz à mulher do órfão que seu som será um hit), cenas psicodélicas e absurdamente lindas. Contudo, é interessante dizer que nos créditos, a autoria das músicas é dada a personagens ficcionais!

Os filhos e netos, porém, apesar de sua sempre muito forte relação com as notas (de qualquer instrumento que fosse), nunca conseguem alcançar a fama e passam a vida nos bastidores, por motivos diversos, relacionados à guerras, abuso de drogas, máfia e etc. (Vale dizer, os mesmos que os levam ao universo musical). Cabe ao bisneto tentar virar o jogo…

Segue o link para o filme completo (numa versão meio bosta, mas tá aí…):

Zav estreia seu projeto solo mostrando influências de Lana Del Rey no clipe de “Música Esquecida”

Read More
Zav

Victória Zav começou a cantar quando era ainda criança, e graças à um show de talentos na escola nunca mais parou. Além de fazer parte da banda Serapicos, agora Zav lança o primeiro single de sua carreira solo, “Música Esquecida”, com influências de Lana Del ReyHiatus Kaiyote, Chet Faker e “um pouco de rap”, segundo ela. A música, com pegada eletrônica e indie, ganhou um videoclipe cheio de colagens. “Me inspirei faz tempo com esse conceito com o clipe “Video Games” da Lana Del Rey. Inclusive quando eu tava buscando stock footage pra colagem achei a fonte de alguns excertos que ela usou (risos)”, conta.

Conversei com a cantora sobre o primeiro single, suas influências, o EP que vem por aí, a carreira solo e a cena independente atual:

– Bom, primeiro, me fala um pouco mais sobre este single que você acabou de lançar!

Esse som de início eu gravei bem acusticão, home-studio! Ele tinha linhas de tarka, uma flauta boliviana (ainda tem na introdução), gravei pau de chuva também, umas coisas bem étnicas. Depois fui formando esse conceito de timbre que eu queria e acabou numa pegada eletrônica. O clipe é uma video colagem, me inspirei faz tempo com esse conceito com o clipe “Video Games” da Lana Del Rey. Inclusive quando eu tava buscando stock footage pra colagem achei a fonte de alguns excertos que ela usou (risos).

– E vem um disco completo por aí?

De início estou preparando alguns singles, mas pretendo lançar um EP em breve.

– E o que podemos esperar nesse EP?

Serão músicas bem diferentes entre si, mas com um contexto em comum. Nele eu pretendo seguir nessa pegada eletrônica.

– Qual a diferença do seu trampo solo com o que você faz no Serapicos?

Eu poderia dizer que todas possíveis! (risos) O Serapicos tem um formato banda, enquanto meu projeto tem essa coisa de eu como frontwoman e um backing track rolando. As músicas do Serapicos são compostas pelo Gabriel e eu entro como intérprete. Pra Zav eu tô ali a compôr, arranjar e idealizar meu próprio projeto. A única coisa que vejo em comum é que são ambos projetos independentes de música autoral.

– Quais as suas principais influências musicais nesse trabalho solo?

Eu ando altamente interessada numa influência lo-fi, trip-hop, mas gostaria de manter minha matriz brasileira na linha, se é que me entende. Falando em bandas, não diria pelo gênero em si (pela mistura que pretendo), mas talvez pela timbragem eu diria: Hiatus Kaiyote, Chet Faker, Lana Del Rey, Gorillaz, um tanto de Jamiroquai e algumas batidas pontuais de rap.

– Como você começou sua carreira?

Comecei bem cedo, com 14 anos, num show de talentos da escola. Já tinha alguma noção musical mas jamais havia subido num palco até então. Fiz uma apresentação com meu pai (que também é músico) e no backstage conheci o Phillip Nutt, o qual me iniciou nos palcos e estúdios. Ele compunha, eramos um duo folk autoral.
Por meio desse projeto conheci a Serapicos, também.

Zav

– Conta mais desse projeto folk do começo!

Esse projeto era incrível! Tive oportunidade de tocar em lugares como o Café da Mata, que já recebeu vários artistas bacanas do MPB. Também fizemos um programa especial pro circuito Sesc onde interpretamos repertórios clássicos do Folk como Joan Baez e Bob Dylan, com uma formação de banda absurda. Além de todo o circuito underground onde fazíamos apresentações acústicas intimistas. Também gravamos um disco, “To Whom it May Concern”, com produção do Luiz de Boni, d’O Terço, que faleceu recentemente. Ele chegou a tocar teclado conosco em algumas apresentações, foi meu primeiro produtor. Agradeço até hoje pela honra de ter trampado com ele, ainda mais nova que eu era.

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Pô, tem uma galera incrível nela. E ainda tem gente que tem a coragem de me dizer que “não existe mais música boa, estacionou nos anos 90”. Existe sim, mas tá todo mundo no independente, tocando no underground e precisando do apoio do público. Mas esse apoio tá crescendo e eu vejo um futuro promissor pro cenário independente, até por isso que boto fé em fazer parte dele. A galera se une e faz um som, e a internet fortalece isso. Tá começando a ficar obsoleta essa ligação com gravadora que existia antigamente.

– E como você acha que essa cena independente pode crescer e atingir mais público?

É duro dizer e pode até ser mal interpretado como chatice de músico, mas costumo dizer que existem algumas verdades nas chatices que os músicos tentam te dizer: Precisamos que as pessoas consumam música com mais consciência. Consciência de que aquilo é uma obra de arte pensada e estruturada com muito sentimento e trabalho árduo pra você escutar. Não tenho nada contra música produto, contra quem toca na rádio, na TV; mas as pessoas precisam saber que existe vida musical pulsando além disso. Vá em shows de artistas independentes, aprecie e fale sobre o trabalho de quem ainda não pertence a grande mídia. Acredite em quem está tentando mostrar algo novo em termos musicais.

– Ou seja: não adianta ficar reclamando que a música boa parou nos anos 90 se você não prestigia quem faz música boa fora do radar do mainstream hoje em dia.

Exato. Amém, brother! A música precisa parar de ser vista como um produto a ser consumido e mais como uma manifestação artística.

Zav

– Quais são seus próximos passos musicais?

Me trancar no estúdio, gravar mais alguns singles e depois idealizar meu EP. Depois do EP acredito que haverá um show de lançamento. E em breve sai mais um clipe! Eu prometo aparecer nesse. 😛

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vamos lá: Marina Melo, Cynthia Luz, Lay Dirty, Camila Garófalo, Luiza Lian, Molodoys, Picanha de Chernobill, Malli, Rafael Castro, Viratempo.

Zebu ajuda a reconstruir artistas populares como Belo, Kelly Key e Sandy e Junior em seus remixes

Read More

Guilherme Pereira, de São José dos Campos, é o cara por trás do projeto Zebu. Com a ideia de criar “música feita para embalar seu coração”, o DJ faz covers remixados de sucessos que podem ser chamados de bregas ou popularescos, como “Olha O Que O Amor Me Faz”, de Sandy e Júnior, “Essa Tal Liberdade”, do Só Pra Contrariar, e “Direito de Te Amar”, do Belo. Até o popular “Rock do Ronald”, jingle do McDonald’s, ganhou uma versão trap que faria qualquer pista de dança balançar sem ao menos pensar em Big Macs.

“A não ser que as pessoas sejam muito eruditas, quem xinga esse tipo de música falando que é absurdamente pobre está provavelmente errado. Escrever uma melodia pop é uma coisa difícil, uma letra catchy também”, explica. “E nem precisa ir tão longe: um monte de produtor “fã de música eletrônica de grave forte” xingando funk pra caramba e não conseguem fazer um sub pesado que bate forte igual o DJ R7“.

Conversei com ele sobre estes covers remixados, suas inspirações e seus futuros projetos autorais:

– Como você começou sua carreira musical?

Eu tive uma banda em 2008 de pop/rock internacional, tinha uns 15 anos, e depois fui pra outra banda que tocava mais as paradas no naipe Raimundos, assim. Foi gravando as coisas com as bandas que eu vi que eu gostava muito do estúdio em si, gostava muito de editar, mixar, arranjar as coisas. Aí fui pra Inglaterra estudar som em 2015, mais focado pra banda, infelizmente meu curso lá faliu e eu tive que voltar no meio do ano, então de brincadeira comecei a fazer alguns mashups, foi meu primeiro contato com a música eletrônica em si.

– E como foram esses primeiros mashups?

Era bem mais voltado pro humor, misturando artistas pop gringas com MC Carol e uns videos brisa, Stranger Things com “Passinho do Romano”, músicas bestas sobre temas tipo temaki…

– E como você se desenvolveu disso para o projeto atual?

Eu comecei a ouvir muito Flume Gill Chang e tava um pouco com medo de fazer uma parada mais séria e não ser aceito, aí meio que um dia assistindo um DVD do Belo eu pensei em fazer uma coisa que fosse visualmente/conceitualmente zoeira mas musicalmente sério…foi como eu fiz “Direito de te Amar” que foi meu primeiro remix pra valer mesmo.

– Sim! Aí você começou a pegar artistas ditos “bregas” ou populares e remixá-los. Quais você já fez?

(Risos) Não sei se usaria a palavra brega… Talvez inusitado, eu gosto bastante desse tipo de música. Já fiz remix de Belo, Maiara e Maraísa, Só Pra Contrariar, Kelly Key, Sandy e Junior, Matheus e Kauan, e mais recentemente (hoje!) Kasino.

– E você teve alguma resposta dos artistas que remixou? Alguém se pronunciou?

Cara eu meio que sei que o Belo já escutou e gostou do dele, mas não por fontes muito oficiais…O da Maiara e Maraísa a Universal Music gostou e licenciou, não sei se passou por elas…

– Porque você escolheu fazer remixes de artistas mais populares?

Eu nunca fui muito fã de coisas underground, acho síndrome de underground uma chatice sem fim. Sempre fui muito fascinado por música popular mesmo… Quando era novo com 13, 14 anos, mesmo na minha fase mais roquista, fãzaço de Led Zeppelin, Beatles, eu ainda escutava muito Tchakabum, N*Sync, Backstreet Boys… Já tive uma banda que fazia covers dessas coisas tipo Kelly Key em versões meio Raimundos e tal, sempre foi minha pegada escutar muita música pop. Então acho que é por aí, é meio que “eu” fazer isso (risos).

– Então a ideia é também tirar um pouco desse preconceito que essa galera “cool” têm dos artistas populares.

Sim, cara, a não ser que as pessoas sejam muito eruditas, quem xinga esse tipo de música falando que é absurdamente pobre está provavelmente errado. Escrever uma melodia pop é uma coisa difícil, uma letra catchy também. Uma pessoa que quer mexer com música eletrônica e renega a qualidade de um álbum tipo “ArtPop” da Lady Gaga está provavelmente fechando os olhos pra algo que poderia ser uma referência foda, de artistas fodas. E nem precisa ir tão longe: um monte de produtor “fã de música eletrônica de grave forte” xingando funk pra caramba e não conseguem fazer um sub pesado que bate forte igual o DJ R7.

– Quais são suas maiores influências musicais?

Dos brasileiros sou muito fã de Toquinho, Tom Jobim… Na parte eletrônica gosto muito de OMULU, do TIN , João Brasil (risos). Da gringa sempre escutei muito Daft Punk, mais recentemente tenho ouvido artistas tipo San Holo, Gill Chang e Flume.

– Você pretende lançar trampo mais “autoral”?

Cara, eu enrolei, pois tive que resolver a história do Kasino. Pretendo sim! lançar 2 ou 3 faixas autorais ate o fim do ano!

– Pode adiantar algo sobre elas?

Basicamente tenho a ideia de manter o meu estilo, com letras em português e ser brega/pop no estilo “Future Sertanejo” mesmo. Talvez algo instrumental, mas basicamente quero fazer algo pop!

– Você acha que mesmo os cantores de funk e sertanejo estão pendendo para o pop, como aconteceu com a Anitta e o Luan Santana?

Se eu acho que eles estão migrando? Acredito que sim, muitos artistas de funk e de sertanejo tem colocado elementos mais mainstream pra deixar as coisas mais “digeríveis” pra um público menos de nicho, na minha opinião. Acho que não é nem questão de abandonar seus estilos, sinceramente…ainda tem uma essência do original ali. É só tentar ser menos de nicho eu acho…

– Quais seus próximos passos musicalmente?

Tentar consolidar minhas músicas originais, fazer cada vez mais remixes oficiais e lançar mais remixes 🙂

– Recomende bandas, artistas e DJs independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nos últimos tempos quem me chamou atenção foi um duo gringo de Future Bass chamado DROELOE, além do brasileiro e meu amigo Vhoor, que tem feito umas beats muito inovadoras!

Tributo ao Pato Fu “O Mundo Ainda Não Está Pronto” traz 30 versões de bandas independentes

Read More

Em 2017 a banda mineira Pato Fu completa 25 anos trazendo na bagagem 10 discos de estúdio, 2 discos ao vivo, 5 DVDS e 34 singles. Pensando nisso, João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi) e Rafael Chioccarello (Hits Perdidos) decidiram criar seu segundo tributo em parceria, “O Mundo Ainda Não Está Pronto”, homenageando a criativa e divertida banda mineira. Nada como seguir o exemplo dos Patos e criar versões desconstruídas e inovadoras, assim como fizeram em repaginações de hits como “Eu Sei” do Legião Urbana, “Qualquer Bobagem” dos Mutantes e “Eu”, da Graforréia Xilarmônica. O disco duplo pode ser ouvido no www.omundoaindanaoestapronto.com.br

Em 1992, Fernanda Takai (vocal e guitarra) frequentava uma loja de instrumentos musicais e lá fez amizade com dois funcionários, John Ulhoa (vocal e guitarras) e Ricardo Koctus (vocal e baixo). Surgia o Pato Fu, trio que abusava do experimentalismo pop com influências que iam da psicodelia ao punk rock, passando pela new wave, bossa nova e rock and roll. “Fazemos muitos sons diferentes, mas, no fim, podemos dizer que somos uma banda do universo pop, que vai de Beatles a Sepultura. Tudo isso vale”, explicou John Ulhoa. Desde então, a banda só cresceu, lançando os discos “Rotomusic de Liquidificapum” (1993), “Gol de Quem?” (1995), “Tem Mas Acabou” (1996), “Televisão de Cachorro” (1998), “Isopor” (1999), “Ruído Rosa” (2001), “Toda Cura Para Todo Mal” (2005), “Daqui Pro Futuro” (2007), “Música de Brinquedo” (2010) e “Não Pare Pra Pensar” (2014) e colecionando hits como “Sobre O Tempo”, “Perdendo Dentes”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Pinga” e muitas outras. Hoje, a banda conta também em sua formação com Glauco Mendes na bateria e Richards Neves nos teclados.

A coletânea reúne diversos artistas do cenário independente nacional dando seu toque em versões para as canções do Pato Fu, as recriando em passeios por estilos como rock, tecnobrega, forró, rap, MPB, folk, stoner rock, psicodelia, experimentalismo…

Participam do tributo Antiprisma (São Paulo/SP), Berg Menezes (Recife/PE), Capotes Pretos na Terra Marfim (Fortaleza/CE), Der Baum (Santo André/SP) , Djamblê (Limeira/SP), Eden (Salvador/BA), Dum Brothers (São Paulo/SP), Estranhos Românticos (Rio de Janeiro/RJ), FELAPPI e Marcelo Callado (Rio de Janeiro/RJ), Floreosso (São Paulo/SP), Gabriel Coelho e Renan Devoll (São Bernardo do Campo/SP), Gilber T e os Latinos Dançantes (Rio de Janeiro/RJ), Horror Deluxe (Pouso Alegre/MG), João Perreka e os Alambiques (Guarulhos/SP), Lucas Adon (São Paulo/SP), Lerina (Santo André/SP), Mel Azul (São Paulo/SP), Molodoys (São Paulo/SP), Paula Cavalciuk (Sorocaba/SP), Pedroluts (São Paulo/SP), Serapicos (São Paulo/SP), Silvia Sant’anna (São Paulo/SP), Subcelebs (Fortaleza/CE), The Cabin Fever Club (São Paulo/SP), The Outs (Rio de Janeiro/RJ), Theuzitz (Jandira/SP), TucA e Thaís Sanchez (Campina Grande/PB), Valciãn Calixto (Teresina/PI), Venus Café (Volta Redonda/RJ) e Yannick com Camila Brumatti (São Paulo/SP).

A arte da capa, inspirada nos robôs gigantes do clipe de “Made In Japan”, foi feita pelo designer Pedro Gesualdi, que também é músico e atualmente toca nas bandas DERCY, Japanese Bondage e Danger City.

Globelamp tira de seu diário um som que transita entre a psicodelia, o rock e o pop “trevoso”

Read More
Globelamp

O som expressivo e etéreo de Elizabeth Le Fey e seu Globelamp caminha entre a psicodelia de Syd Barett e o pop sombrio de Lana Del Rey. A cantora e compositora, que antes participava dos shows do Foxygen, faz músicas que remetem a um clima cinzento e outonal, com influências que vão de Grace Slick a Stevie Nicks.

Com “The Orange Glow”, seu mais recente disco, ela cunha seu estilo que transita entre o rock, o shoegaze, o pop e até o grunge. Além deste álbum, lançado em 2016 pela Wichita Records, Elizabeth já lançou “Star Dust” (2014), “Covers Album” (2014), com versões de gente como Beatles, Velvet Underground, Blondie, Lana Del Rey, David Bowie e Elliott Smith, e sua estreia, “Globelamp EP”, de 2011. No momento ela trabalha em novas músicas, sempre baseadas em suas experiências pessoais e seu inseparável diário.

Conversei um pouco com ela sobre sua carreira como Globelamp:

– Como a banda começou?
Começou como um projeto solo no meu quarto com meu violão e meu diário.

– E como surgiu o nome Globelamp?
Foi inspirado por um capítulo do livro “Witch Baby”, da Francesca Lia Block, chamado “Globe Lamp”.

– Quais são suas principais influências musicais?
Ainda é difícil identificar artistas individuais! Eu amo tanta música. Devendra Banhart, Nico, Joni Mitchell, Kimya Dawson, Cat Stevens

– Me conta mais sobre o material que você lançou até agora!
Primeiro eu lancei um EP em 2011. Regravei algumas dessas músicas como “Crocodile” e “Crystal” para o meu primeiro álbum completo, “Star Dust”. Meu álbum mais recente, “The Orange Glow”, foi lançado em todo o mundo pela Wichita Recordings em 2016. É a primeira vez que eu tenho um vinil gravado com a minha música!

– Como você se sente sobre a cena independente hoje em dia?
Sem comentários.

– Como é o seu processo de composição?
Escrevo muito no meu diário e de lá eu pego idéias para as letras!

– Você está trabalhando em novo material?
Sim, eu já escrevi o próximo álbum … Eu só preciso começar a gravá-lo!

– Quais são os próximos passos da banda?
Bem, eu toco sozinha, então acho que o próximo passo para a minha banda é encontrar membros da banda!

– Recomende bandas (especialmente se forem independentes) que chamou sua atenção ultimamente!
Acho que os mais jovens deveriam procurar artistas dos anos 90 como Tracy Chapman, Belly e Alanis Morissette!

5 marcas brasileiras para os apaixonados por camisetas de música

Read More

Eu sempre fui apaixonado por camisetas de banda. Desde a minha primeira, dos Raimundos, aos 14 anos, nunca mais parei de colecionar camisetas estampadas com ilustrações que mostravam um pouco das minhas bandas preferidas. Hoje em dia, com a internet, a dificuldade em encontrar uma camiseta com uma bela estampa é bem menor (lembre-se que agora até nas C&A e Renner a gente encontra belas peças dos Ramones, Rolling Stones, Aerosmith e etc.). Selecionei 5 marcas que eu gosto e chamaram minha atenção pela criatividade e por fugirem um pouco do esquema clássico de só colocar o logo da banda.

Marca nova que foca em estampas que demonstram um pouco do estilo de vida do rock, não aludindo a nenhuma banda em específico. Com desenhos simples e com aquela cara de Do It Yourself, a marca busca um estudo urbano e jovem. Para quem é viciado nas clássicas estampas de caveiras, é um prato cheio!

Capitaneada por Daniel Ete, membro das bandas Muzzarelas e Drákula, a loja de discos e camisetas no centro de Campinas tem em seu interior muitas das clássicas estampas feitas pelo próprio. Se você não conhece o trabalho do Ete, tem que conhecer. Suas colagens e desenhos de caveiras derretidas com um monte de queijo, meleca, robôs, aliens e tudo o que você adora ouvir nas letras de suas bandas são imperdíveis.

  • – No Meu Tempo Era Assim

Tá, a famosa marca da Bárbara Savazzoni não é somente de música, e sim de nostalgia em geral, com estampas incríveis de desenhos como Doug, Cavalo de Fogo, O Fantástico Mundo de Bobby e muito mais. Mas é claro que a nostalgia passa pela música, com camisetas de David Bowie, Backstreet Boys, Shakira e até É o Tchan. Se você foi uma criança dos anos 90, com certeza vai gostar.

Aqui talvez você encontre aquela camiseta de uma banda clássica que você ama, mas com uma estampa um pouco diferente do que todas as outras lojas mais “padrão” ofereceriam.

Estampas mais que exclusivas de suas bandas preferidas, além de muitas sobre TV, cinema, animes, quadrinhos e etc. Nas camisetas musicais, estampas totalmente diferentes do que você já viu, com artes incríveis feitas por quem realmente gosta das bandas. Algumas têm até easter eggs para os fãs mais enlouquecidos sacarem.

As Baratas

 

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo DJ Alexandre Bezzi

Read More
Alexandre Bezzi
foto: Patricia Spier

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Alexandre Bezzi (ou só Bezzi), DJ há 17 anos. “Atuo como editor de conteúdo, programador musical. Ando mais um sujeito diurno nos últimos tempos mas nunca diminuí meu amor por música e cultura pop útil/inútil. Atualmente sou redator do site Freak Market, cuido do music branding da empresa Shasta Music e sou residente das festas Benzetacil e Winona“.

Herb Alpert“This Guy’s in Love With You”

“Essa música é um espetáculo auditivo. Foi escrita por Burt Bacharach e Hal David e foi sucesso no final dos anos 60. Tem climão, bela orquestra de metais e foi trazida de volta na trilha do igualmente belo ‘Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo’“.

Tears for Fears“Head Over Heels”

“Tenho certeza que essa é uma das músicas mais importantes da minha vida. Ela sempre toca na rádio em algum dia ou época que ocorrem mudanças significativas na minha vida. Tipo bruxaria. A harmonia vocal da dupla Roland Orzabal e Curt Smith é única e espero vê-los ao vivo…mesmo sendo contra algumas reuniões de banda e turnês caça-níqueis”.

Simple Minds“Love Song”

“Por anos os escoceses do Simple Minds foram, injustamente, chamados de U2 do segundo escalão. Isso porque seus hits pós 85 tinham uns breves ecos da banda irlandesa. Mas não se enganem. Esses caras tiveram trabalhos anteriores altamente recomendáveis e até cabeçudos e sofisticados para a época. “Love Song” traz a banda em forma com um baixão pulsante”.

Anoraak“Behind Your Shades”

Anoraak vem da França e desde 2008 é um dos meus produtores favoritos. Não há nenhum trabalho dele, ainda, que eu desgoste. As composições são retrô futuristas com um leve ar melancólico que me atraiu desde o início. A música escolhida abre o álbum “Chronotopic” de 2014 e poderia ser trilha de alguma comédia dramática ou aventura adolescente. Eu amo”.

Bad Brains“I Against I”

“Se você diz gostar de punk/hardcore e nunca se interessou pelos Bad Brains, me perdoe, mas você não merece respirar. ‘I Against I’ foi o momento em que me aprofundei na banda que fazia parte da geração que tinham monstros como Black Flag, Minor Threat, SSD, Fear, Circle Jerks e outros poderosos do hardcore americano. Essa música tem um forte refrão: ‘Almighty is watching, I against I… Against I’. Acho que na vida nosso pior inimigo somos nós mesmos”.

Exclusivo: Falso Coral lança novo single “Pé no Chão”, um “lamento sertanejo fantasmagórico”

Read More
Falso Coral
Falso Coral

Formada por Bela Moschkovich (voz), Luís Gustavo Coutinho (voz e viola caipira) e Guilherme Giacomini (teclado e sintetizadores) e acompanhada pelo baterista Pedro Lauletta e o baixista Henrique Vital, a banda Falso Coral transita entre o alternativo e o pop com a viola caipira de dez cordas como base de suas composições. Essa mistura influências contemporâneas nacionais e internacionais está presente no single “Pé no Chão”, lançado hoje.

Com a viola caipira comendo solta e à frente da composição, o single é resultado de um ano do EP “Folia” sendo apresentado em vários palcos do circuito paulistano e carioca. O lado B é uma inusitada versão em dinamarquês, escrita por Sofie Thybo Pedersen e uma demonstração de quanto a viola tão valorizada no sertanejo de raiz pode ser um instrumento universal.

Acompanhando o lançamento, a banda já está iniciando uma nova leva de shows. Entre as datas confirmadas, uma é no interior (SESC Bauru, dia 12/4) e duas são na capital paulista (no Secretinho, dia 7/4 e no Breve dia 20/4 com a banda Quarup). No repertório, além do elogiado EP “Folia” e do novo single, músicas inéditas que ampliam ainda mais o universo sonoro do Falso Coral e covers de diferentes gêneros e épocas levados para caminhos surpreendentes pela viola (Florence and the Machine, Blondie e Tião Carreiro, por exemplo).

Conversei um pouco com a banda sobre o novo single:

– Me falem um pouco mais de como foi a criação de “Pé No Chão”. Do que a música trata?

Luís Coutinho: “Pé no Chão” é sobre ficar encantado com pessoas e realidades que parecem maiores do que você e achar que você não “merece” aquilo. Desde o começo eu queria que fosse um lamento caipira meio fantasmagórico, tanto é que a melodia dela tem um acorde meio “diabólico” que dá esse climão que a música tem. Eu compus ela depois de uma viagem que passou pela Escandinávia e rolou muito essa sensação de observar e admirar pessoas e contextos mas não se considerar parte daquilo, e ficar pensando que se eu tentasse fazer parte daquilo seria só uma ilusão.

– Essa música mostra um pouco do que poderemos ver no disco de estreia?

Bela Moschkovich: Sim, “Pé no Chão” mostra um pouco do que podemos esperar para os nossos próximos trabalhos. É um som mais introspectivo, com um pouco mais de influência do rock (a bateria, por exemplo, teve como referência “15 Step”, do Radiohead). Temos muitas músicas vindo por aí que exploram influências diferentes das que aparecem em “Folia”, o que sempre nos dá novos caminhos para seguir. A partir daí, vamos pensando como as músicas podem mudar, mas ao mesmo tempo manter a “cara” que inauguramos no nosso EP de estreia.

– Como “Pé No Chão” evoluiu do EP “Folia”?

Bela Moschkovich: A evolução aconteceu principalmente porque formamos uma banda de verdade. No “Folia”, todo o processo de composição foi feito por mim, Luís e pelo Gui, junto com o Filipe Consolini, que nos produziu. Montamos bem os arranjos, mas como ainda não tínhamos a banda completa, chamamos amigos músicos para tocar o que faltava. Agora temos uma banda oficialmente, com um baixista e um baterista fixos, e isso nos deu a possibilidade de compôr em conjunto. Geralmente eu e o Luís chegamos com versões preliminares das músicas, só com uma base (na viola ou no violão) e a voz, e aí, juntos, vamos testando o que funciona de baixo, bateria e teclado. “Pé no Chão” é a primeira música que oficialmente compusemos todos juntos, enquanto banda, e então ela é uma amostra do que está por vir no nosso trabalho. Estamos em transformação constante, o que é muito, muito legal!

– E de onde tiveram a ideia de gravar uma versão em dinamarquês no Lado B?

Luis Coutinho: Nessa viagem que eu fiz pra Escandinávia, encaixei alguns shows da banda que eu mais gosto no universo: Mew. Eles são dinamarqueses e lá eles tocam pra 50 mil pessoas mas já perdi as esperanças de algum dia eles virem pro Brasil. E aí em um dos shows deles por lá eu conheci a Sofie Thybo Pedersen, que também estava sozinha e virou uma grande amiga. Já no Brasil nós começamos a trocar pelo Facebook música em português e música em dinamarquês (Marie Key, Kirstine Stubbe…) e eu comecei a pirar na sonoridade da língua. Mostrei “Pé no Chão” pra ela, mandei a letra traduzida em inglês, e perguntei se ela conseguia visualizar uma versão em dinamarquês. Ela topou fazer uma letra e desafiou a gente a cantar essa versão também. A língua é muito difícil e a gente tem consciência de que está longe de soar 100% mas a Sofie disse que o Lyric Video ajuda bastante. A gente acredita que seja a primeira música em dinamarquês com viola caipira a existir no mundo! Se alguém conhecer outra, manda pra gente!

Ouça “Pé No Chão” e seu lado B, “Begge Ben På Jorden”:

Coletivo SÊLA reforça a força e a luta da mulher no mundo da música e da arte

Read More
Foto: Jamyle Hassan

Um levante feminino no mundo da música está em andamento e a tendência é ficar cada vez maior e mais forte. E isso é ótimo! A SÊLA, coletivo que busca uma aliança entre mulheres no meio musical, já deu origem a um festival em fevereiro com a participação de Tiê, As Bahias e a Cozinha Mineira, Tássia Reis, Luana Hansen e muitas outras, e em breve ganharão outros projetos, além de um palco no Dia da Música.

Composto pela cantora Camila Garófalo, as publicitárias Laíza Negrão e Fernanda Malaco, as produtoras culturais Marina Coelho e Cris Rangel, a jornalista Flora Miguel, a produtora musical Érica e a designer Fernanda Martinez, a SÊLA pretende tirar a mulher do eterno pedestal de “musa” na música e mostrar que elas também são instrumentistas, compositoras, iluminadoras, produtoras, técnicas de som, diretoras e mais. “Somos subestimadas e questionadas a todo momento”, explica Camila.

Conversei com Camila, Flora e Laíza sobre a SÊLA, o Dia Internacional da Mulher e a mulher no mundo da música:

– Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Como esta data fala com vocês do SÊLA?

Flora: O Dia da Mulher é hoje bem apropriado pelo sistema, funcionando quase como uma válvula de escape para as mulheres serem “agraciadas” (e pra vender) durante um dia enquanto nos demais sofrem opressões cotidianas. Voltando para as origens da data, ela é um marco de liderança e organização feminina que terminou em feminicídio (em 8 de março de 1857 operárias de Nova Iorque organizaram uma greve e foram silenciadas com um incêndio dentro da fábrica onde estavam, culminando na morte de cerca de 130 mulheres). Então o 8 de março deve lembrar, principalmente, que nós estamos aqui, existimos e exigimos nosso direito à vida, a condições dignas de trabalho, à liberdade de ir e vir e à voz ativa.

– Como vocês veem o ainda presente machismo no mundo da música?

Flora: O mercado da música ainda é, como todos os demais, extremamente machista. Existe nele uma característica estrutural também que é a de que homens são culturalmente mais incentivadora a tocar um instrumento, a sacar de música. Então, essa balança não está equilibrada. Soma-se a isso estigmas como o de que a mulher na música é cantora, intérprete. A mulher na música é o que ela quiser, onde ela quiser estar. Temos que parar de aceitar os papéis pré concebidos a nos. E estar atentas ao assédio, que também está bem presente nesse meio.

– E este pensamento está diretamente ligado à criação da SÊLA, correto?

Flora: Correto. O desejo de união que fomentou a SÊLA vem do cansaço desse papel pré concebido para a mulher – no nosso caso a mulher da música, que é nosso motor e modo de viver. Enxergamos também que com a união as mulheres se fortalecem e atingem mais “em cheio” seus objetivos. Isso, em um mercado extremamente masculino, é transformador.

– Vocês têm percebido um levante das mulheres na música em se afirmar? Eu tenho notado que estão rolando muitas atitudes como a de vocês, com a PWR Records, o zine Distúrbio Feminino, muitas bandas de minas surgindo por aí e se posicionando…

Flora: Temos percebido sim e esse levante é real. O fortalecimento do movimento feminista tem impulsionado maior visibilidade para as mulheres em diversas aéreas. Na música isso está bem explícito, talvez porque não raras vezes arte e militância se encontrem. Movimentos como PWR Records, Distúrbio Feminino e Girls Rock Camp reforçam a ideia de que a união das mulheres na área musical gera resultados fantásticos.

– Como mudar esta mentalidade da indústria musical que tira as mulheres de cena, como podemos ver nas escalações de grandes festivais como o Lollapalooza e o Rock In Rio, que escalam um número ridículo de artistas femininas?

Flora: Infelizmente, ainda não é tarefa fácil fazer o discurso feminino ser ouvido pelos homens (que estão no controle da indústria musical). Então é preciso falar bem alto, fazer pressão mesmo. E acima de tudo entender que nós realmente somos a mudança que queremos alcançar e que o poder da transformação está nas nossas mãos. Nós não precisamos mostrar que somos talentosas e por isso merecemos um espaço que é dos homens: temos que exigir um espaço que é nosso por direito.

Camila: É preciso ocupar os palcos e os bastidores. Mulheres no microfone, na guitarra, bateria, Baixo, mesa de som, roadie, luz, câmera e ação.

– E quais são os próximos planos da SÊLA? Tem mais festivais marcados? Eventos?

Camila: Próximos passos para a SÊLA é continuar alimentando parcerias com outras mulheres. Teremos um palco SÊLA no Dia da Música em parceria com a Katia e a Mariângela da Associação Cultural Santa Cecília. Isso é precioso pra nós, unir forças. Ou seja, antes de fazer um novo festival SÊLA queremos entrar em contato com outros projetos que tem o mesmo objetivo que o nosso: exaltar as mulheres em todos os aspectos. Além disso estamos nos estruturando pra futuramente conseguirmos agenciar cantoras e artistas.

– Recomendem bandas e artistas para as pessoas ouvirem nesse dia 8 de março. E não só hoje, lógico.

Camila: Luana Hansen e todos seus raps, “Flor de Mulher” principalmente. Iara Renno com “Mama”, MC Sofia com “Menina Pretinha”, Paula Cavalciuk com “O Poderoso Café”, Karina Buhr com “Eu Sou um Monstro”. “Vaca Profana” da Gal Costa.

Flora: “Four Women”, da Nina Simone, “Laura” da Marina Melo, “Intuição”, da Papisa, “Rebel Girl”, do Bikini Kill, “As De Cem”, da Brisa Flow, “Mother Nature”, da In Venus, “Man Down” da Rihanna, Tulipa Ruiz, “Prumo” e Malli, com “La Nave Va”.

Laíza: Elza Soares com “Mulher do Fim do Mundo”, “100% Feminista”, “Bonecas Pretas” da Larissa Luz, “AfroFuturo” da Ellen Oléria, “Todas as Mulheres do Mundo” da Rita Lee, “Desapegada” da Tássia Reis tem que ter!

Flora: vamos colocar uma da Camila também? “Camarim”. Daí acho que fechou bonito!

Criamos uma playlist com as sugestões do pessoal da SÊLA. Ouve aí:

“Cat Power psicodélica” Papisa mostra criatividade mística em seu primeiro EP

Read More
Papisa
foto por Lucci Antunes

Segundo o Popload, ela é a “Cat Power psicodélica”. Para o Noisey, uma “bruxa sábia”. Papisa, o projeto solo de Rita Oliva, da banda Cabana Café e do duo Parati, lançou no final do ano passado seu primeiro EP, totalmente produzido por ela e inspirado no arcano II do tarô.  “Sempre quis fazer algo em que eu gravasse tudo, e finalmente decidi fazer. Percebi que era algo, além de possível, verdadeiro”, revela.

Apesar de ser um trabalho solo, o EP “Papisa” teve o apoio de Daniel Fumega (Macaco Bong) e da artista Re Chavs, além da participação de Fabio Gagliotti (V.Masta), que gravou synths e programações, e Rafa Bulleto (BIKE), responsável pela guitarra solo na faixa “Delusional”. As gravações foram feitas no home studio de Rita e no Mono Mono Studio, em São Paulo. O álbum foi lançado pelo selo PWR Records, dedicado exclusivamente a bandas que tenham pelo menos uma mulher como integrante, buscando dar mais visibilidade a elas.

Conversei com a multi-instrumentista sobre seu primeiro trabalho solo, suas influências, os três aspectos da Sacerdotisa, o machismo no mundo da música e muito mais:

– Como surgiu o projeto Papisa?

Sempre tive vontade de ter meu projeto solo, e fiz o Papisa quando senti que chegou o momento.

– Como ele se diferencia de seus trabalhos anteriores? Como eles influenciaram o som que você faz atualmente?

O Papisa é um projeto bem focado nas apresentações ao vivo, na experiência. Estou aberta a formatos diferentes do que sempre fiz em shows. Toquei com banda no ano passado, mas nesse ano estou tocando sozinha, com guitarra, loops, programações. Acho que essa é a principal diferença. A influência dos trabalhos anteriores é inevitável, eles fazem parte da minha formação como cantora, compositor, instrumentista. Carrego um pouco de cada trabalho, mas sempre buscando algo novo para mim, que esteja alinhado com o que quero passar no momento.

– De onde surgiu o nome Papisa?

Surgiu da vontade de me conectar com um aspecto feminino interno na hora de criar e de fazer arte.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Música clássica, porque comecei a tocar pequena, Led Zeppelin e Pink Floyd por influências de casa, música brasileira inevitavelmente, Secos e Molhados, Gal, Caetano, Chico, Clube da Esquina, Joni Mitchell, as trilhas da Disney, Claude Bolling, Tortoise, Juana Molina, Air, Feist, Bonobo. A lista é grande.

Papisa
foto por Lucci Antunes

– Me fale mais sobre o EP. Como foi a composição dele?

Surgiu no meu home studio. Eu tinha bastante composição, mas acabei criando músicas novas especialmente pra Papisa. Enviei as músicas para um amigo, o Veio, e ele me enviou algumas ideias de produção, e fui me empolgando com a ideia do projeto. No fim acabei trabalhando bastante sozinha, criei as linhas de bateria inspiradas em beats. Como eu estava sem banda, eu ía pro estúdio, soltava as bases no computador e ficava tocando bateria em cima. Fui desenvolvendo assim, tocando comigo mesma. Até que chegou num ponto em que me senti preparada pra gravar tudo valendo. Aí fui finalizar as gravações e mixar, no Mono Mono Studio.

– Me explica melhor sobre estes três aspectos da Sacerdotisa presentes nas músicas.

As músicas falam de instinto, intuição e ilusão. Foram aspectos que surgiram na minha busca de reconexão com o feminino, comigo mesma, na verdade. Foi decorrente de uma série de mudanças na minha vida e me vi tentando prestar mais atenção nos meus próprios comportamentos, vontades, buscando uma verdade interna, buscando ouvir minha intuição…No meio dessa busca também percebi que é fácil se iludir dentro das nossas próprias impressões, convicções. Estudar a figura da Sacerdotisa me ajudou a entender melhor meu processo, e acabou refletindo inevitavelmente nas músicas que eu estava criando.

– Como rolaram as participações especiais do EP?

O Veio (V.Masta), que gravou algumas teclas e contribuiu com a produção e programações, foi uma das pessoas que acompanhou o projeto desde o início. Eu tinha uma ideia de solo de guitarra pra “Delusional”, tentei executar mas percebi que não estava ficando como eu imaginava, então chamei o Rafa pra gravar, porque queria algo no estilo que ele toca.

– O EP foi lançado pela PWR Records. Como você vê o machismo frequente no mundo da música e como isso ajudou a aumentar a união e empoderamento entre as mulheres neste meio?

Acho que o machismo na música é fruto de uma série de costumes e crenças que todos carregamos, e que se manifestam tanto na música como em qualquer outro meio. Sinto que estamos tomando consciência e questionando padrões, e existe uma tentativa de mudança de comportamento que tem sido positiva pra que as mulheres se sintam motivadas e fortalecidas pra correr atrás dos seus próprios objetivos. A união e o apoio fazem parte disso. Penso que pra que haja uma verdadeira mudança de paradigma também precisamos de um esforço geral para ter mais empatia, para compreender pontos de vista diferentes, para acolher, admitir erros, incentivar correções, diminuir o julgamento. Acho que respeitar cada indivíduo como ser humano, independentemente de gênero, é nosso objetivo final, espero que estejamos caminhando nessa direção.

Papisa
foto por Lucci Antunes

– Quais os próximos passos da Papisa?

Papisa tem shows marcados nos próximos quatro meses, e também estou trabalhando no meu disco cheio, que deve sair no segundo semestre.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

O M O O N S, do André Travassos, que era do Câmera, lançou um disco lindo e sensível no ano passado. A Sabine Holler tem vários projetos, o Jennifer Lo Fi, Ema Stoned, Mawn, e agora está tocando com seu trabalho solo. Toquei com ela semana passada e fiquei impressionada. A Laura Wrona também lançou um disco massa ano passado, o Cosmocolmeia. Tem muita coisa boa rolando, Hierofante Púrpura, Luiza Lian, Paula Cavalciuk, Mahmed.