5 marcas brasileiras para os apaixonados por camisetas de música

Read More

Eu sempre fui apaixonado por camisetas de banda. Desde a minha primeira, dos Raimundos, aos 14 anos, nunca mais parei de colecionar camisetas estampadas com ilustrações que mostravam um pouco das minhas bandas preferidas. Hoje em dia, com a internet, a dificuldade em encontrar uma camiseta com uma bela estampa é bem menor (lembre-se que agora até nas C&A e Renner a gente encontra belas peças dos Ramones, Rolling Stones, Aerosmith e etc.). Selecionei 5 marcas que eu gosto e chamaram minha atenção pela criatividade e por fugirem um pouco do esquema clássico de só colocar o logo da banda.

Marca nova que foca em estampas que demonstram um pouco do estilo de vida do rock, não aludindo a nenhuma banda em específico. Com desenhos simples e com aquela cara de Do It Yourself, a marca busca um estudo urbano e jovem. Para quem é viciado nas clássicas estampas de caveiras, é um prato cheio!

Capitaneada por Daniel Ete, membro das bandas Muzzarelas e Drákula, a loja de discos e camisetas no centro de Campinas tem em seu interior muitas das clássicas estampas feitas pelo próprio. Se você não conhece o trabalho do Ete, tem que conhecer. Suas colagens e desenhos de caveiras derretidas com um monte de queijo, meleca, robôs, aliens e tudo o que você adora ouvir nas letras de suas bandas são imperdíveis.

  • – No Meu Tempo Era Assim

Tá, a famosa marca da Bárbara Savazzoni não é somente de música, e sim de nostalgia em geral, com estampas incríveis de desenhos como Doug, Cavalo de Fogo, O Fantástico Mundo de Bobby e muito mais. Mas é claro que a nostalgia passa pela música, com camisetas de David Bowie, Backstreet Boys, Shakira e até É o Tchan. Se você foi uma criança dos anos 90, com certeza vai gostar.

Aqui talvez você encontre aquela camiseta de uma banda clássica que você ama, mas com uma estampa um pouco diferente do que todas as outras lojas mais “padrão” ofereceriam.

Estampas mais que exclusivas de suas bandas preferidas, além de muitas sobre TV, cinema, animes, quadrinhos e etc. Nas camisetas musicais, estampas totalmente diferentes do que você já viu, com artes incríveis feitas por quem realmente gosta das bandas. Algumas têm até easter eggs para os fãs mais enlouquecidos sacarem.

As Baratas

 

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo DJ Alexandre Bezzi

Read More
Alexandre Bezzi
foto: Patricia Spier

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Alexandre Bezzi (ou só Bezzi), DJ há 17 anos. “Atuo como editor de conteúdo, programador musical. Ando mais um sujeito diurno nos últimos tempos mas nunca diminuí meu amor por música e cultura pop útil/inútil. Atualmente sou redator do site Freak Market, cuido do music branding da empresa Shasta Music e sou residente das festas Benzetacil e Winona“.

Herb Alpert“This Guy’s in Love With You”

“Essa música é um espetáculo auditivo. Foi escrita por Burt Bacharach e Hal David e foi sucesso no final dos anos 60. Tem climão, bela orquestra de metais e foi trazida de volta na trilha do igualmente belo ‘Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo’“.

Tears for Fears“Head Over Heels”

“Tenho certeza que essa é uma das músicas mais importantes da minha vida. Ela sempre toca na rádio em algum dia ou época que ocorrem mudanças significativas na minha vida. Tipo bruxaria. A harmonia vocal da dupla Roland Orzabal e Curt Smith é única e espero vê-los ao vivo…mesmo sendo contra algumas reuniões de banda e turnês caça-níqueis”.

Simple Minds“Love Song”

“Por anos os escoceses do Simple Minds foram, injustamente, chamados de U2 do segundo escalão. Isso porque seus hits pós 85 tinham uns breves ecos da banda irlandesa. Mas não se enganem. Esses caras tiveram trabalhos anteriores altamente recomendáveis e até cabeçudos e sofisticados para a época. “Love Song” traz a banda em forma com um baixão pulsante”.

Anoraak“Behind Your Shades”

Anoraak vem da França e desde 2008 é um dos meus produtores favoritos. Não há nenhum trabalho dele, ainda, que eu desgoste. As composições são retrô futuristas com um leve ar melancólico que me atraiu desde o início. A música escolhida abre o álbum “Chronotopic” de 2014 e poderia ser trilha de alguma comédia dramática ou aventura adolescente. Eu amo”.

Bad Brains“I Against I”

“Se você diz gostar de punk/hardcore e nunca se interessou pelos Bad Brains, me perdoe, mas você não merece respirar. ‘I Against I’ foi o momento em que me aprofundei na banda que fazia parte da geração que tinham monstros como Black Flag, Minor Threat, SSD, Fear, Circle Jerks e outros poderosos do hardcore americano. Essa música tem um forte refrão: ‘Almighty is watching, I against I… Against I’. Acho que na vida nosso pior inimigo somos nós mesmos”.

Exclusivo: Falso Coral lança novo single “Pé no Chão”, um “lamento sertanejo fantasmagórico”

Read More
Falso Coral
Falso Coral

Formada por Bela Moschkovich (voz), Luís Gustavo Coutinho (voz e viola caipira) e Guilherme Giacomini (teclado e sintetizadores) e acompanhada pelo baterista Pedro Lauletta e o baixista Henrique Vital, a banda Falso Coral transita entre o alternativo e o pop com a viola caipira de dez cordas como base de suas composições. Essa mistura influências contemporâneas nacionais e internacionais está presente no single “Pé no Chão”, lançado hoje.

Com a viola caipira comendo solta e à frente da composição, o single é resultado de um ano do EP “Folia” sendo apresentado em vários palcos do circuito paulistano e carioca. O lado B é uma inusitada versão em dinamarquês, escrita por Sofie Thybo Pedersen e uma demonstração de quanto a viola tão valorizada no sertanejo de raiz pode ser um instrumento universal.

Acompanhando o lançamento, a banda já está iniciando uma nova leva de shows. Entre as datas confirmadas, uma é no interior (SESC Bauru, dia 12/4) e duas são na capital paulista (no Secretinho, dia 7/4 e no Breve dia 20/4 com a banda Quarup). No repertório, além do elogiado EP “Folia” e do novo single, músicas inéditas que ampliam ainda mais o universo sonoro do Falso Coral e covers de diferentes gêneros e épocas levados para caminhos surpreendentes pela viola (Florence and the Machine, Blondie e Tião Carreiro, por exemplo).

Conversei um pouco com a banda sobre o novo single:

– Me falem um pouco mais de como foi a criação de “Pé No Chão”. Do que a música trata?

Luís Coutinho: “Pé no Chão” é sobre ficar encantado com pessoas e realidades que parecem maiores do que você e achar que você não “merece” aquilo. Desde o começo eu queria que fosse um lamento caipira meio fantasmagórico, tanto é que a melodia dela tem um acorde meio “diabólico” que dá esse climão que a música tem. Eu compus ela depois de uma viagem que passou pela Escandinávia e rolou muito essa sensação de observar e admirar pessoas e contextos mas não se considerar parte daquilo, e ficar pensando que se eu tentasse fazer parte daquilo seria só uma ilusão.

– Essa música mostra um pouco do que poderemos ver no disco de estreia?

Bela Moschkovich: Sim, “Pé no Chão” mostra um pouco do que podemos esperar para os nossos próximos trabalhos. É um som mais introspectivo, com um pouco mais de influência do rock (a bateria, por exemplo, teve como referência “15 Step”, do Radiohead). Temos muitas músicas vindo por aí que exploram influências diferentes das que aparecem em “Folia”, o que sempre nos dá novos caminhos para seguir. A partir daí, vamos pensando como as músicas podem mudar, mas ao mesmo tempo manter a “cara” que inauguramos no nosso EP de estreia.

– Como “Pé No Chão” evoluiu do EP “Folia”?

Bela Moschkovich: A evolução aconteceu principalmente porque formamos uma banda de verdade. No “Folia”, todo o processo de composição foi feito por mim, Luís e pelo Gui, junto com o Filipe Consolini, que nos produziu. Montamos bem os arranjos, mas como ainda não tínhamos a banda completa, chamamos amigos músicos para tocar o que faltava. Agora temos uma banda oficialmente, com um baixista e um baterista fixos, e isso nos deu a possibilidade de compôr em conjunto. Geralmente eu e o Luís chegamos com versões preliminares das músicas, só com uma base (na viola ou no violão) e a voz, e aí, juntos, vamos testando o que funciona de baixo, bateria e teclado. “Pé no Chão” é a primeira música que oficialmente compusemos todos juntos, enquanto banda, e então ela é uma amostra do que está por vir no nosso trabalho. Estamos em transformação constante, o que é muito, muito legal!

– E de onde tiveram a ideia de gravar uma versão em dinamarquês no Lado B?

Luis Coutinho: Nessa viagem que eu fiz pra Escandinávia, encaixei alguns shows da banda que eu mais gosto no universo: Mew. Eles são dinamarqueses e lá eles tocam pra 50 mil pessoas mas já perdi as esperanças de algum dia eles virem pro Brasil. E aí em um dos shows deles por lá eu conheci a Sofie Thybo Pedersen, que também estava sozinha e virou uma grande amiga. Já no Brasil nós começamos a trocar pelo Facebook música em português e música em dinamarquês (Marie Key, Kirstine Stubbe…) e eu comecei a pirar na sonoridade da língua. Mostrei “Pé no Chão” pra ela, mandei a letra traduzida em inglês, e perguntei se ela conseguia visualizar uma versão em dinamarquês. Ela topou fazer uma letra e desafiou a gente a cantar essa versão também. A língua é muito difícil e a gente tem consciência de que está longe de soar 100% mas a Sofie disse que o Lyric Video ajuda bastante. A gente acredita que seja a primeira música em dinamarquês com viola caipira a existir no mundo! Se alguém conhecer outra, manda pra gente!

Ouça “Pé No Chão” e seu lado B, “Begge Ben På Jorden”:

Coletivo SÊLA reforça a força e a luta da mulher no mundo da música e da arte

Read More
Foto: Jamyle Hassan

Um levante feminino no mundo da música está em andamento e a tendência é ficar cada vez maior e mais forte. E isso é ótimo! A SÊLA, coletivo que busca uma aliança entre mulheres no meio musical, já deu origem a um festival em fevereiro com a participação de Tiê, As Bahias e a Cozinha Mineira, Tássia Reis, Luana Hansen e muitas outras, e em breve ganharão outros projetos, além de um palco no Dia da Música.

Composto pela cantora Camila Garófalo, as publicitárias Laíza Negrão e Fernanda Malaco, as produtoras culturais Marina Coelho e Cris Rangel, a jornalista Flora Miguel, a produtora musical Érica e a designer Fernanda Martinez, a SÊLA pretende tirar a mulher do eterno pedestal de “musa” na música e mostrar que elas também são instrumentistas, compositoras, iluminadoras, produtoras, técnicas de som, diretoras e mais. “Somos subestimadas e questionadas a todo momento”, explica Camila.

Conversei com Camila, Flora e Laíza sobre a SÊLA, o Dia Internacional da Mulher e a mulher no mundo da música:

– Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Como esta data fala com vocês do SÊLA?

Flora: O Dia da Mulher é hoje bem apropriado pelo sistema, funcionando quase como uma válvula de escape para as mulheres serem “agraciadas” (e pra vender) durante um dia enquanto nos demais sofrem opressões cotidianas. Voltando para as origens da data, ela é um marco de liderança e organização feminina que terminou em feminicídio (em 8 de março de 1857 operárias de Nova Iorque organizaram uma greve e foram silenciadas com um incêndio dentro da fábrica onde estavam, culminando na morte de cerca de 130 mulheres). Então o 8 de março deve lembrar, principalmente, que nós estamos aqui, existimos e exigimos nosso direito à vida, a condições dignas de trabalho, à liberdade de ir e vir e à voz ativa.

– Como vocês veem o ainda presente machismo no mundo da música?

Flora: O mercado da música ainda é, como todos os demais, extremamente machista. Existe nele uma característica estrutural também que é a de que homens são culturalmente mais incentivadora a tocar um instrumento, a sacar de música. Então, essa balança não está equilibrada. Soma-se a isso estigmas como o de que a mulher na música é cantora, intérprete. A mulher na música é o que ela quiser, onde ela quiser estar. Temos que parar de aceitar os papéis pré concebidos a nos. E estar atentas ao assédio, que também está bem presente nesse meio.

– E este pensamento está diretamente ligado à criação da SÊLA, correto?

Flora: Correto. O desejo de união que fomentou a SÊLA vem do cansaço desse papel pré concebido para a mulher – no nosso caso a mulher da música, que é nosso motor e modo de viver. Enxergamos também que com a união as mulheres se fortalecem e atingem mais “em cheio” seus objetivos. Isso, em um mercado extremamente masculino, é transformador.

– Vocês têm percebido um levante das mulheres na música em se afirmar? Eu tenho notado que estão rolando muitas atitudes como a de vocês, com a PWR Records, o zine Distúrbio Feminino, muitas bandas de minas surgindo por aí e se posicionando…

Flora: Temos percebido sim e esse levante é real. O fortalecimento do movimento feminista tem impulsionado maior visibilidade para as mulheres em diversas aéreas. Na música isso está bem explícito, talvez porque não raras vezes arte e militância se encontrem. Movimentos como PWR Records, Distúrbio Feminino e Girls Rock Camp reforçam a ideia de que a união das mulheres na área musical gera resultados fantásticos.

– Como mudar esta mentalidade da indústria musical que tira as mulheres de cena, como podemos ver nas escalações de grandes festivais como o Lollapalooza e o Rock In Rio, que escalam um número ridículo de artistas femininas?

Flora: Infelizmente, ainda não é tarefa fácil fazer o discurso feminino ser ouvido pelos homens (que estão no controle da indústria musical). Então é preciso falar bem alto, fazer pressão mesmo. E acima de tudo entender que nós realmente somos a mudança que queremos alcançar e que o poder da transformação está nas nossas mãos. Nós não precisamos mostrar que somos talentosas e por isso merecemos um espaço que é dos homens: temos que exigir um espaço que é nosso por direito.

Camila: É preciso ocupar os palcos e os bastidores. Mulheres no microfone, na guitarra, bateria, Baixo, mesa de som, roadie, luz, câmera e ação.

– E quais são os próximos planos da SÊLA? Tem mais festivais marcados? Eventos?

Camila: Próximos passos para a SÊLA é continuar alimentando parcerias com outras mulheres. Teremos um palco SÊLA no Dia da Música em parceria com a Katia e a Mariângela da Associação Cultural Santa Cecília. Isso é precioso pra nós, unir forças. Ou seja, antes de fazer um novo festival SÊLA queremos entrar em contato com outros projetos que tem o mesmo objetivo que o nosso: exaltar as mulheres em todos os aspectos. Além disso estamos nos estruturando pra futuramente conseguirmos agenciar cantoras e artistas.

– Recomendem bandas e artistas para as pessoas ouvirem nesse dia 8 de março. E não só hoje, lógico.

Camila: Luana Hansen e todos seus raps, “Flor de Mulher” principalmente. Iara Renno com “Mama”, MC Sofia com “Menina Pretinha”, Paula Cavalciuk com “O Poderoso Café”, Karina Buhr com “Eu Sou um Monstro”. “Vaca Profana” da Gal Costa.

Flora: “Four Women”, da Nina Simone, “Laura” da Marina Melo, “Intuição”, da Papisa, “Rebel Girl”, do Bikini Kill, “As De Cem”, da Brisa Flow, “Mother Nature”, da In Venus, “Man Down” da Rihanna, Tulipa Ruiz, “Prumo” e Malli, com “La Nave Va”.

Laíza: Elza Soares com “Mulher do Fim do Mundo”, “100% Feminista”, “Bonecas Pretas” da Larissa Luz, “AfroFuturo” da Ellen Oléria, “Todas as Mulheres do Mundo” da Rita Lee, “Desapegada” da Tássia Reis tem que ter!

Flora: vamos colocar uma da Camila também? “Camarim”. Daí acho que fechou bonito!

Criamos uma playlist com as sugestões do pessoal da SÊLA. Ouve aí:

“Cat Power psicodélica” Papisa mostra criatividade mística em seu primeiro EP

Read More
Papisa
foto por Lucci Antunes

Segundo o Popload, ela é a “Cat Power psicodélica”. Para o Noisey, uma “bruxa sábia”. Papisa, o projeto solo de Rita Oliva, da banda Cabana Café e do duo Parati, lançou no final do ano passado seu primeiro EP, totalmente produzido por ela e inspirado no arcano II do tarô.  “Sempre quis fazer algo em que eu gravasse tudo, e finalmente decidi fazer. Percebi que era algo, além de possível, verdadeiro”, revela.

Apesar de ser um trabalho solo, o EP “Papisa” teve o apoio de Daniel Fumega (Macaco Bong) e da artista Re Chavs, além da participação de Fabio Gagliotti (V.Masta), que gravou synths e programações, e Rafa Bulleto (BIKE), responsável pela guitarra solo na faixa “Delusional”. As gravações foram feitas no home studio de Rita e no Mono Mono Studio, em São Paulo. O álbum foi lançado pelo selo PWR Records, dedicado exclusivamente a bandas que tenham pelo menos uma mulher como integrante, buscando dar mais visibilidade a elas.

Conversei com a multi-instrumentista sobre seu primeiro trabalho solo, suas influências, os três aspectos da Sacerdotisa, o machismo no mundo da música e muito mais:

– Como surgiu o projeto Papisa?

Sempre tive vontade de ter meu projeto solo, e fiz o Papisa quando senti que chegou o momento.

– Como ele se diferencia de seus trabalhos anteriores? Como eles influenciaram o som que você faz atualmente?

O Papisa é um projeto bem focado nas apresentações ao vivo, na experiência. Estou aberta a formatos diferentes do que sempre fiz em shows. Toquei com banda no ano passado, mas nesse ano estou tocando sozinha, com guitarra, loops, programações. Acho que essa é a principal diferença. A influência dos trabalhos anteriores é inevitável, eles fazem parte da minha formação como cantora, compositor, instrumentista. Carrego um pouco de cada trabalho, mas sempre buscando algo novo para mim, que esteja alinhado com o que quero passar no momento.

– De onde surgiu o nome Papisa?

Surgiu da vontade de me conectar com um aspecto feminino interno na hora de criar e de fazer arte.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Música clássica, porque comecei a tocar pequena, Led Zeppelin e Pink Floyd por influências de casa, música brasileira inevitavelmente, Secos e Molhados, Gal, Caetano, Chico, Clube da Esquina, Joni Mitchell, as trilhas da Disney, Claude Bolling, Tortoise, Juana Molina, Air, Feist, Bonobo. A lista é grande.

Papisa
foto por Lucci Antunes

– Me fale mais sobre o EP. Como foi a composição dele?

Surgiu no meu home studio. Eu tinha bastante composição, mas acabei criando músicas novas especialmente pra Papisa. Enviei as músicas para um amigo, o Veio, e ele me enviou algumas ideias de produção, e fui me empolgando com a ideia do projeto. No fim acabei trabalhando bastante sozinha, criei as linhas de bateria inspiradas em beats. Como eu estava sem banda, eu ía pro estúdio, soltava as bases no computador e ficava tocando bateria em cima. Fui desenvolvendo assim, tocando comigo mesma. Até que chegou num ponto em que me senti preparada pra gravar tudo valendo. Aí fui finalizar as gravações e mixar, no Mono Mono Studio.

– Me explica melhor sobre estes três aspectos da Sacerdotisa presentes nas músicas.

As músicas falam de instinto, intuição e ilusão. Foram aspectos que surgiram na minha busca de reconexão com o feminino, comigo mesma, na verdade. Foi decorrente de uma série de mudanças na minha vida e me vi tentando prestar mais atenção nos meus próprios comportamentos, vontades, buscando uma verdade interna, buscando ouvir minha intuição…No meio dessa busca também percebi que é fácil se iludir dentro das nossas próprias impressões, convicções. Estudar a figura da Sacerdotisa me ajudou a entender melhor meu processo, e acabou refletindo inevitavelmente nas músicas que eu estava criando.

– Como rolaram as participações especiais do EP?

O Veio (V.Masta), que gravou algumas teclas e contribuiu com a produção e programações, foi uma das pessoas que acompanhou o projeto desde o início. Eu tinha uma ideia de solo de guitarra pra “Delusional”, tentei executar mas percebi que não estava ficando como eu imaginava, então chamei o Rafa pra gravar, porque queria algo no estilo que ele toca.

– O EP foi lançado pela PWR Records. Como você vê o machismo frequente no mundo da música e como isso ajudou a aumentar a união e empoderamento entre as mulheres neste meio?

Acho que o machismo na música é fruto de uma série de costumes e crenças que todos carregamos, e que se manifestam tanto na música como em qualquer outro meio. Sinto que estamos tomando consciência e questionando padrões, e existe uma tentativa de mudança de comportamento que tem sido positiva pra que as mulheres se sintam motivadas e fortalecidas pra correr atrás dos seus próprios objetivos. A união e o apoio fazem parte disso. Penso que pra que haja uma verdadeira mudança de paradigma também precisamos de um esforço geral para ter mais empatia, para compreender pontos de vista diferentes, para acolher, admitir erros, incentivar correções, diminuir o julgamento. Acho que respeitar cada indivíduo como ser humano, independentemente de gênero, é nosso objetivo final, espero que estejamos caminhando nessa direção.

Papisa
foto por Lucci Antunes

– Quais os próximos passos da Papisa?

Papisa tem shows marcados nos próximos quatro meses, e também estou trabalhando no meu disco cheio, que deve sair no segundo semestre.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

O M O O N S, do André Travassos, que era do Câmera, lançou um disco lindo e sensível no ano passado. A Sabine Holler tem vários projetos, o Jennifer Lo Fi, Ema Stoned, Mawn, e agora está tocando com seu trabalho solo. Toquei com ela semana passada e fiquei impressionada. A Laura Wrona também lançou um disco massa ano passado, o Cosmocolmeia. Tem muita coisa boa rolando, Hierofante Púrpura, Luiza Lian, Paula Cavalciuk, Mahmed.

Construindo Black Cold Bottles: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Black Cold Bottles

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Black Cold Bottles, que indica suas 20 canções indispensáveis.

Quarto Negro“3012”
Larissa: O Quarto Negro é a minha principal referência nacional, tudo é absolutamente impecável na música desses caras e eu deliberadamente me inspiro muito na ambiência desse som. Vou longe.

The White Stripes“Ball and Biscuit”
Larissa: Na verdade eu poderia escolher qualquer uma dos White Stripes, pois desde a primeira vez que os escutei nunca mais deixei de fazê-lo. Jack White é uma figura que sempre me inspira em seu universo musical e que me influenciou bastante no momento em que descobri a guitarra. Eu o considero uma espécie de gênio dos riffs e sempre será uma das minhas principais referências.

Sharon Van Etten“Give Out”
Larissa: Essa mulher tem uma voz maravilhosa, feita para o violão que ela toca, pra mim é como se fosse uma coisa só. É o tipo de música que eu estou sempre escutando, nunca sai do meu Spotify. Eu gosto muito desses arranjos sóbrios e da segunda voz, a Sharon é a minha musa!

Lianne La Havas“Midnight”
Larissa: O Caio me apresentou o som da Lianne e desde então eu sempre escuto, comecei a procurar seus vídeos no youtube e é simplesmente apaixonante o modo como essa mulher toca ao vivo. Baita voz, essa música é completa.

Alabama Shakes“Dunes”
Larissa: Dentro dessa mistura toda, acho que em vários momentos eu vejo um pouco do Alabama Shakes no nosso som, inclusive utilizamos o “Sound & Color” como referência pra mixagem do disco. Gosto muito dos timbres de guitarra deles, das composições e nuances. É uma referência que foi se incorporando ao longo do processo.

Mayra Andrade“Ténpu Ki Bai”
Caio: Cantora de Cabo Verde, consegue trazer influencias do mundo inteiro em sua arte, principalmente brasileira. Essa música em especial me traz ótimas recordações de um tempo muito bom em minha vida, sem contar a sensibilidade da voz dessa cantora e uma maneira muito pelicular de improvisar. O entrosamento de baixo e batera, junto de uma cama linda de teclados, violões, riffs de guitarra, e frases de cello, fazem muito sentido com a finalização do disco inteiro. Foi um dos shows mais perfeitos que já fui em minha vida.

Snarky Puppy“Thing Of Gold”
Caio: Na minha opinião é um dos melhores grupos de instrumental da atualidade, liderado pelo baixista Michael League (compositor e produtor), apesar da pouca idade dos integrantes, conseguem exibir um trabalho excepcional, do jazz ao black music, com temas super criativos e MUUUUITO improviso.

Pitanga em Pé de Amora“Frevo à Tempo”
Caio: Taí um grupo e São Paulo que representa demais a música brasileira de raiz, com muita maestria e qualidade! “Frevo à Tempo” é uma das músicas que mais traduz a pegada dessa galera, resumindo: instrumental complexo, envolvente, com dinâmicas incríveis… Enfim, eles são completos.

Ester Rada“Out”
Caio: Cantora Israelense que traz muitas influências no seu som, desde o Reggae até o Rap, me inspirou demais nos últimos dias de gravação do nosso disco “Percept”. A música “Out” em especial tem todos os elementos que eu gosto numa música: batera e baixo com uma pegada totalmente entrosada, Rhodes marcando a música inteira, a levada de guitarra totalmente funkeada, um Naipe de sopros com arranjo bem agressivo, todos se completam com a excelente voz desta cantora maravilhosa. (Meus ouvidos sempre agradecem quando eu boto esse som para tocar).

Mikromusic“Za Malo”
Caio: Banda polonesa, sou extremamente apaixonado por eles, um divisor de aguas na minha vida. Para mim é um dos discos mais bem finalizados em questão de mix e master e todo o conjunto de timbres utilizados, arranjos e etc….. Me influenciou fortemente para tentar me aventurar nessa área do áudio. Todos esses minuciosos detalhes me motivaram a captar todo o nosso discão da Black Cold Bottles que está prestes a sair. Vale a pena começar ouvindo a música “Za Malo” para sentir qual é a pegada dessa banda magnifica.

Radiohead“Bodysnatchers”
Bruno: Eu tenho o hábito de ouvir muito alguma banda durante um processo de composição, e na época em que estávamos criando as músicas que viriam a fazer parte do “Percept”, eu ouvi muito o “In Rainbows” do Radiohead. E essa música acabou ganhando meu ouvido com mais facilidade, e acabou por me influenciar muito mais do que as outras do disco.

Gilberto Gil“Ciência e Arte”
Bruno: Minha música favorita do disco “Quanta” do Gil. Um samba muito bem composto e executado, me faz ficar encantado com a sua execução toda vez que eu ouço. Uma verdadeira obra prima.

Black Rebel Motorcycle Club“Fire Walker”
Bruno: Ainda me recordo da sensação que essa música que me causou. Eu ainda morava em Curitiba, ouvi essa música num dia muito frio, e ouvi esse disco no dia em que ele foi lançado. Essa música me fez ter noção que eu precisava continuar fazendo música.

Autolux“Supertoys”
Bruno: Esse disco do Autolux (“Transit Transit”) é um absurdo. Eu ouvi muito esse disco durante as gravações do nosso disco, e sempre que eu ouço os primeiros acordes dissonantes dessa música, eu não consigo me conter e começo a fazer as famosas ‘air drums’ onde quer que eu esteja – Carla Azar pra mim é uma das maiores bateristas da história.

The National“Sorrow”
Bruno: Essa música, principalmente pelo alcance vocal do Matt Behringer, foi uma das músicas que mais me inspiraram na hora de cantar. Eu não sei o porquê, mas há alguns anos atrás eu me sentia inseguro pra soltar a voz, e conforme foi descobrindo The National, esse medo foi se esvaindo. O “High Violet” é o meu disco favorito deles, e “Sorrow” a minha favorita desse disco.

Diana Ross“I’m Coming Out”
Gabriel: Tudo que Nile Rodgers toca meu ouvido aceita sem nenhuma objeção. “I’m Coming Out” é um exemplo perfeito da parceria baixo fechado + guitarra aberta que ele traz em suas composições.  O trio funk, soul e disco sempre fez parte de todas as minhas playlists desde os 14 anos (a disco music com mais força, o que explica minha paixão incondicional por notas oitavadas), em toda linha que começo a compor em cima de alguma ideia de arranjo que o Caio, o Bruno ou a Lari trazem para o estúdio e sempre procuro deixar um pouco de tempero destes estilos.

Red Hot Chili Peppers“Power of Equality”
Gabriel: Nunca é surpresa quando um baixista que nasceu nos anos 90 diz que o Flea é uma de suas principais influências. É sempre um orgulho saber que o RHCP conseguiu levar tantos adolescentes a optar por um instrumento tão pouco explorado no mainstream da época. “Power of Equality” é a síntese dessa ideia, pois mostra um protagonismo absurdo das quatro cordas: slap em 60% da música, pedal de efeito e guitarra fazendo cama para um baixo groovado. Uma grande aliada no processo criativo do “Percept”.

Apanhador Só“Vitta, Ian, Cassales”
Gabriel: Apanhador Só é um vício tão forte que eu mesmo não consigo compreender o que acontece quando eu ouço a música deles. Um experimental brasileiro com letras abertas à interpretações diversas, uma combinação que parece que foi tatuada no meu subconsciente. “Vitta, Ian, Cassales” é a minha favorita da banda, uma música de quase cinco minutos, com altos, baixos e letras que te levam a uma reflexão sobre “qualquer coisa”. Essa estrutura lembra um pouco as composições da Black Cold Bottles, uma influência que faz todo sentido, já que a banda toda ouve e curte os caras.

Mahito Yokota e Koji Kondo“Wind Garden (Gusty Garden Galaxy)”
Gabriel: Música e videogame são duas paixões antigas que carrego comigo até hoje, e a intersecção entre estes dois mundos é uma fascinação que eu tenho que cada dia que passa cresce e me influencia mais. Os compositores desse nicho para mim não ficam atrás de nenhum outro: David Wise, Grant Kirkhope, o gênio do Koji Kondo e tantos outros músicos que dominam a arte de auxiliar na imersão do jogador, mostram o potencial emocional e nostálgico que essas trilhas têm. “Gusty Garden Galaxy” é um hino que resume todo esse meu sentimento com o estilo.

Céu“Minhas Bics”
Gabriel: A Céu é uma cantora que eu realmente adoro, sua musicalidade me cativa. Escutei muito o “Tropix” ao longo da gravação do disco e essa música tem um riffzinho de guitarra no final que aquece meu coração.

Ouça a playlist com os 20 sons e siga o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify:

Breaking News: 12 clipes independentes lançados nas últimas semanas que você precisa conhecer

Read More
Sky Down
Sky Down

Sky Down“Kindness”

Parte do disco “…nowhere”, o clipe fala um pouco sobre empoderamento feminino e a luta contra o machismo no mundo do rock. A direção é de Allan Carvalho.

Black Cold Bottles“Something Different”

O videoclipe da música “Something DIfferent”, do disco “Percept” foi concebido e produzido pela própria Black Cold Bottles. No clipe, participação de membros das bandas Molodoys, Forest Crows, Tramp Stamp Moose e muitas dancinhas. Muitas.

Dani Vellocet“Amores”

Gravado ao vivo no formato acústico, “Amores” foi gravado por Marlon Brambilla e conta com Fillipe Dias no violão, além de Dani no vocal.

Skating Polly“Oddie Moore”

Uma das melhores músicas do disco “The Big Fit”, ganhou um belo clipe dirigido por Dave Smith. Que banda!

Deb and the Mentals“Bleeding”

Gravado pelo celular e dirigido pelo baterista da banda, Giuliano di Martino, o clipe noventista mostra as incríveis manobras de um clássico skate de dedo durante a turnê que a banda faz de seu primeiro EP, “Feel The Mantra”. Já viu um grind em um prato?

Teen Vice“More Hipster Segregation”

A banda, formada por Josh Ackley, May Dantas, Derek Pippin, e Tammy Hart, acaba de lançar um clipe com as clássicas marionetes de meia que todo mundo ama.

Noga Erez“Pity”

O novo clipe da cantora israelense foi dirigido por Zhang & Knight e fará parte do disco “Off The Radar”, a ser lançado em junho deste ano.

Baiana System“Invisível”

O clipe conta com a participação de BNegão, Azezildo Francisco, Matheus Albergaria e Maurício Fontoura e tem roteiro de Filipe Cartaxo e Filipe Bezerra.

Surfer Blood“Matter Of Time”

Stop Motion! Pra quem gosta dessa técnica, o clipe novo do Surfer Blood, dirigido por Ates Isildak, é um prato cheio. A música faz parte do disco “Snowdonia”.

Piper Shepherd“Panic”

A cantora do Colorado acaba de lançar um clipe dirigido por George Hancock que mostra um pouco sobre como a artista se desenvolveu até o lançamento de seu primeiro disco.

The Shows“Em”

Um jantar chique que termina com alguém comendo spaghetti de dentro de um sapato?

Water and Man“Beautiful Waterfall”

Os cariocas lançaram o primeiro clipe do disco “Into the Infinite”, “Beautiful Waterfall”. O álbum teve mixagem e masterização de ​Dan Swift (Snow Patrol, Kasabian).

Cantarolando a versão que o Scott Walker fez para “Maria Bethania” (1973)

Read More
Scott Walker
Scott Walker

Cantarolando, por Elisa Oieno

Scott Walker é um cara intrigante. Muito lembrado como um ícone pop dos anos 60, o garoto bonitão de voz aveludada e jeitão charmoso de crooner americano hoje é também associado à música de vanguarda e ao experimentalismo.

Inicialmente, Scott Walker tornou-se conhecido por ser a voz principal do grupo The Walker Brothers. Apesar do nome, os três membros não eram irmãos. Os Walker Brothers, com seu pop meio bom-moço, fizeram bastante sucesso comercial em meados dos anos 60, principalmente nas paradas britânicas, apesar de o grupo ser americano. Porém, em 1967 a banda se desfez, e Scott Walker iniciou sua carreira solo.


Quando se fala em Scott Walker, vale a pena lembrar do seu período mais brilhante, que resultou nos quatro primeiros discos de sua carreira solo: “Scott” (1967), “Scott 2” (1968), “Scott 3” (1969) e meu preferido pessoal, “Scott 4” (1969). É nesses trabalhos que é possível perceber o lado não convencional do cantor começando a aflorar com suas canções exageradamente densas e cinematográficas, existencialistas e escuras, em contrapartida à tendência colorida e florida do pop da época. Seu jeito de cantar é especialmente ecoado em David Bowie, assumidamente influenciado por Walker.

Os primeiros discos da carreira solo de Walker eram até reconhecidos pela crítica, porém atingiam cada vez menos sucesso comercial. A personalidade do cantor também não ajudava – ele preferia ficar recluso sozinho lendo seus livros e mergulhar em seus pensamentos profundos a participar das festas e da vida do showbizz. Quem antes arrancava suspiros das menininhas, agora começava a ser visto como um esquisitão.

Após o disco “Scott 4”, o cantor entrou em um período de declínio criativo, fazendo seus próximos trabalhos apenas para cumprir contrato com a gravadora. Em um desses discos, chamado “Any Day Now”, de 1973, é que está a versão de “Maria Bethania”, de Caetano Veloso.

A canção foi escolhida por Walker para constar em seu disco, muito provavelmente porque ele e Caetano faziam parte da mesma gravadora, a Philips. Sem grandes alterações no arranjo, e com uma vibe ainda mais “exótica” do que a original, a versão de “Maria Bethania” é cantada por um Scott Walker com uma bela voz até um pouco sem brilho, mas com um sotaque bizarro que parece mais jamaicano que brasileiro.


É realmente uma pena que Scott Walker não estivesse em sua melhor forma quando gravou sua a versão para esta canção tão intimista e criativa de Caetano Veloso, do disco homônimo de 1971. Mesmo assim, a versão vale a pena ser conferida, e é bem boa no fim das contas. Mas imagine só se Scott Walker tivesse realmente abraçado os traços inusitados e sutilezas dramáticas de um cara brasileiro exilado em Londres…

Construindo Serapicos: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Construindo Serapicos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo se baseia: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Serapicos, que indica suas 20 canções indispensáveis.

The Magnetic Fields“The Nun’s Litany”
‘Considero o Stephin Merrit, compositor do Magnetic Fields, o melhor letrista de todos os tempos. Sua obra deveria estar ao lado de Shakespeare, Camões e Cervantes. Essa canção é só uma amostra do que esse desgraçado é capaz de fazer.’

Leonard Cohen“Bird on a Wire”
‘Muito difícil escolher apenas uma música do Cohen. Mas se tivesse que apresentar apenas uma música dele para os alienígenas seria “Bird on a Wire”. Essa música é um soco no estômago, a síntese da vida de um poeta.’

Rufus Wainwright“Going to a Town”
‘O Rufus é incrível. Letrista fudido, baita cantor e uns arranjos muito cabeçudos e lindos.’

Nina Simone“Sinner Man”
‘Essa música veio de um espiritual tradicional americano. E a Nina Simone é ridícula. Que artista catártica!

Judy Garland“Somewhere Over The Rainbow”
‘O salto de oitava entre as duas primeiras notas já dá toda vibe dessa masterpiece cinematográfica. Depois fizeram aquela versão no ukulelê tirando esse salto e estragaram a música. Escrita por Harold Arlen, que também compôs “Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive”, outra pérola.’

System of a Down“B.Y.O.B.”
‘System é uma das bandas mais criativas dos últimos 150 anos. Adoro o ritmo frenéticos de melodias diferentes, quebradas ritmicas e berros ensandecidos. Influencia muito meu pensamento de forma musical e como estruturar canções sem seguir a fórmula óbvia verso-refrão.’

Green Day“Basket Case”
‘Talvez a música que mais tenha mudado minha vida. A primeira frase da melodia acompanhada pela guitarra mutada de power-chord foi minha obsessão dos 11 aos 27 anos, quando comecei a compor.’

Tuva Semmingsen“Lascia ch’io pianga”
‘Essa é uma ária de Handel que toca na abertura do filme “Anti-Cristo” do Lars Von Trier. É uma melodia devastadora e essa música resume bem minha adoração pela música sacra.’

Bajaga“Muzika na struju”
‘Esse é um rock iogulsavo com um refrão super-catchy embora seja impossível cantar junto. Gosto bastante do sotaque musical de melodias do leste europeu. Os caras mandam bem.’

Ella Fitzgerald“Let’s Do It”
‘A Ella é uma das grandes intérpretes da obra do Cole Porter, talvez o maior compositor e letrista da primeira leva Broadway. Essa música é uma aula de como falar de putaria sem ser nada vulgar.’

Linda Scott“I’ve Told Every Little Star”
‘Essa música toca no filme “Mulholland Drive” do David Lynch. Gosto músicas que tocam em um filme e conseguem resumir toda a atmosfera da história. Escrita por Jerome Kern, outro monstro do Early Broadway.’

Adoniran Barbosa“Iracema”
‘Pra não escolher “Trem das Onze”, vou de Iracema. Melodia linda e melancólica. E o que dizer desses backings femininos que entram harmonizando em coro? Fudido.’

Rogério Skylab“Você Vai Continuar Fazendo Música”
‘Skylab é o maior poeta vivo que temos nesse país. Essa música é um super desincentivo pra quem quer ser artista.

Cérebro Eletrônico“Cama”
‘Conheci essa música ao vivo em um show do Cérebro e assim que veio o refrão pensei ‘Caralho’.

Júpiter Maçã“Um Lugar do Caralho”
‘O Júpiter foi um dos primeiros cancioneiros da música brasileira que me identifiquei. Essa música é um hino negligenciado pela grande mídia.’

“Se Essa Rua Fosse Minha”
‘Essa canção é de autoria anônima, tem cara de ser portuguesa. Que melodia assombrosa e atemporal.’

Jefferson Airplane“White Rabbit”
‘Essa música foi escrita pela Grace Slick, frontgirl do Jefferson Airplane. É a minha favorita da fase psicodélica do rock. Muito melhor que Rolling Stones.’

Johnny Cash“The Man Comes Around”
‘Nessa canção, Cash descreve o Apocalipse. Lembro de ouvir nos créditos de um filme de zumbi antes de saber quem era Johnny Cash. Esse foi o último disco dele antes de morrer e dá pra ouvir o sopro da morte saindo de voz sussurrada e salivada.’

4 Non Blondes“What’s Up?”
‘Todo mundo que nasceu em 1990 foi influenciado por essa música. Refrão grudento demais, quebrada pro falsete de eriçar os pelos da nuca. Escrita por Linda Perry.’

Enya“Orinoco Flow”
‘Essa é uma obra-prima da World Music. Melodia e arranjo hipnóticas. Parabéns para Enya.’

Frank Sinatra“My Way”
‘Essa música foi traduzida do francês pelo grande Paul Anka. Tudo é perfeito nesse arranjo cantando pelo Frank Sinatra. E é dessas canções que exemplificam perfeitamente um pensamento e uma sensação universal.’

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Elisa Oieno, do Antiprisma

Read More
Elisa Oieno, do Antiprisma
Elisa Oieno, do Antiprisma

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje a convidada é Elisa Oieno, do Antiprisma e nossa mais recente colunista, com o Cantarolando às terças-feiras.

Linda Perachs“Paper Mountain Man” (1970)

“Adoro esse disco inteiro da Linda Perachs, ela faz umas sobreposições de vozes e umas melodias lindonas, é muito inspirador. Eu gosto do jeito que ela canta, que é bem tranquilo e natural, sem exageros. Essa música tem uma vibe um pouco diferente das outras, é mais grooveada e com uma dinâmica no vocal muito foda, cantando quase sussurrando umas horas. Aliás, pra mim esse é um disco com uma energia feminina muito forte, seja lá o que isso queira dizer”.

Mission of Burma“Dead Pool” (1982)

“Essa é uma música que eu gostaria de ter feito. Melodia, timbre de guitarra. Esse disco “Vs” do Mission of Burma pra mim é perfeito, de verdade”.

Giorgio Moroder“Looky Looky” (1969)

“Essa eu sei que não é tão desconhecida, pelo menos eu sei que tocava nas rádios uns quarenta anos atrás. Mas eu acho ela tão divertida que deveria tocar mais nas festinhas da vida de hoje em dia. Ia ser legal, vai”.

Amber Arcades – “Right Now” (2016)

“Conheci Amber Arcades por uma postagem de Facebook de um amigo, e gostei logo de cara. Essa música é das que eu mais gostei, e tem tudo que me atrai numa canção, principalmente por ser simples e ter uma melodia bonita pop e direta, em uma vibe bem própria”.

Logh“The Smoke Will Lead You Home” (2005)

“Encontrei essa música por acaso, nas sugestões do Youtube. Ela me dá uma emoçãozinha, e esse timbre de guitarra é dos que eu mais gosto. Nunca tinha ouvido falar dessa banda sueca. Depois de ouvir a música, baixei o disco “Sunset Panorama”. O disco é bonito, mas não me pegou tanto quanto essa música em especial, que acho linda”.