Construindo Aramà: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora ítalo-brasileira Aramà, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Carmen Miranda“Chica Chica Boom Chic”
Em 2005 foi a primeira vez que eu viajei pro Brasil. Fiquei tão feliz de ter visitado o museu da Carmen Miranda no Rio que eu quis pesquisar mais sobre essa artista maravilhosa. Até tirei fotos que agora viraram quadros na minha casa . A música “Chica Chica Boom Chic” me acompanhou por muito tempo. A música tão incrível, desta artista tão carismática, entrou na minha playlist e nunca saiu!

Margareth Menezes“Maimbe Danda”
O contato com a Bahia, quando morei em Salvador, em 2005, foi muito importante para influenciar meu som. Uma das artistas que mais me influenciou foi a Margareth. Quando voltei pra Itália, em seguida coloquei essa música nos meus shows. E cantei até enjoar (risos)!

Roberta Sá“Cicatrizes”
Uma amiga brasileira sempre cantava essa música pra mim, dizendo que eu deveria aprendê-la! O amor que nunca cicatriza todo mundo provou, né?

Major Lazer“Lean On”
Fiquei impressionada quando essa música saiu. Obcecada, eu me lembro que não parava de ouvi- la. E pensei “eu preciso fazer um som desse”, até hoje as rádios na Itália não param de tocá-la, hit de muito sucesso mesmo!

Giorgia“Marzo”
Música suave, foi uma das primeiras que eu aprendi a cantar quando comecei a cantar de verdade, fazer aulas e etc. É uma música bem triste que está ligada com a morte do namorado da cantora Giorgia, Alex Baroni. O videoclipe está lindíssimo, de uma elegância refinada. Impactante e poderosa, essa música me faz lembrar como é importante viver a vida plenamente sem medo .

Janet Jackson“Velvet Rope”
Fez parte da minha infância, eu dançava e cantava a música na cozinha da minha vó. Entrou como uma onda no meu estômago. A voz da Janet é única, parece que ela vem de um mundo paralelo com um beat totalmente envolvente.

Erykah Badu“Orange Moon”
Descobri essa música quando fui ao show da Erykah Badu, em Milão, na Arena Cívica . No final do show fomos pro camarim comprimentá-la. Ela saiu com a criança dela no braço e uma fã gritou “você não cantou pra nós Orange Moon!”, ela com a criança no braço, começou cantar assim no meio da gente e até nos convidou para ir ao hotel dela pra fazer uma jam e beber algo! Que mulher incrível!!

Sara Tavares“Balance”
Um amigo meu DJ cabo-verdiano me mostrou um dia essa música. Fiquei totalmente apaixonada pela vibe. Quando, em março, fui pra Cabo Verde pra fazer a tour, pude ouvir essa corrente da música cabo-verdiana que é cheia de artistas bacanas que infelizmente não tocam nas nossas rádios italianas.

Buraka Som Sistema feat Blaya & Roses Gabor“We Stay Up All Night”
Essa música da banda portuguesa Buraka Som Sistema, cuja sonoridade se integra no gênero musical Kuduro, é um mix de eletrônica com várias influências. Adoro ouvir mix de estilos e sonoridades .

Fernanda Porto“Samba Assim”
Essa música ouvi pela primeira vez quando eu estava na Bahia, em 2005, numa pousada na Ilha de Morro São Paulo, perto de Salvador. Amei as sonoridades tanto que perguntei pro dono da pousada qual era o álbum e fui rápido pro Pelorinho comprar! Meu samba começou assim.

Fernanda Abreu“Veneno da Lata”
Eu estava no Rio, em 2005, ouvindo no táxi essa música. Ainda não falava bem português e um amigo meu me explicou o que significava lata. Essas latas ainda estão tocando no meu coração!

Gilberto Gil“Toda Menina Baiana”
Foi meu hino! Que música incrível, não tem como ficar parado!

Ivete Sangalo“Céu da Boca”
Salvador, show de Ivete Sangalo com participação de Gilberto Gil. A Ivete com a perna quebrada pulando igual sapo e eu no público pulando com ela! Essa música e esse momento ficaram gravados na memória! Simplesmente foda!

MC Leozinho“Ela Só Pensa Em Beijar”
No castelo das pedras, dancei essa música ouvindo ao vivo pela primeira vez o “funk do Rio” e os MCs que se apresentavam aquela noite! O Funk foi uma das maiores inspirações que tive até agora, não com as letras, mas com as batidas.

Walmir Borges“Princesa”
Conheci o Walmir Borges tocando essa música maravilhosa no canal no YouTube do querido amigo Rafael Kent, no projeto do Studio62. Quando conheci o Walmir, ele me propôs cantar essa música com ele ao vivo no club Grazie a Dio. Eu chorei de tanta emoção mas não falei isso ainda pra ele!!

Luciana Mello“Na Veia da Nega”
Música que me acompanhou por vários anos até eu cantá-la com minha banda e inclui-la no repertório. Adoro!

Kaleidoscópio“Tem que Valer”
Foi no Festival Bar, na Itália, que conheci essa música. Quando o Ramilson Maia produziu 2 faixas pra mim, realizei um dos sonhos da minha vida! Acredite sempre porque tudo pode acontecer!

Maria Gadú“Shimbalaiê”
Meu verão 2012 foi acompanhado pela voz da Maria Gadú. Gostosa de ouvir, virou um dos hits do verão italiano. As rádios tocavam, os supermercados tocavam, as praias tocavam, os carros, todo mundo. Tenho certeza que entrou tanto no meu corpo essa música que de qualquer jeito me influenciou.

Demônios da Garoa“Trem das Onze”
No Rio de Janeiro cantando até ficar sem voz no bar Carioca da Gema. Que boa lembrança !

Carlinhos Brown “Carlito Marron”
Comprei esse disco no Pelourinho junto com o disco da Fernanda Porto. Adorei o mix de influências que esse disco tem! Dancei até arrastar as sandálias…

YMA mostra admiração pelo realismo fantástico no clipe de “Vampiro”, faixa de seu novo EP

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foto por Gabriela Schmidt
A cantora e compositora paulistana YMA acaba de lançar “Vampiro”, clipe da faixa produzida por Fernando Rischbieter e lançada pela Matraca Records, gravada nos estúdios da YBmusic. A música fará parte de seu novo EP, que será lançado em breve. O instrumental da faixa mostra uma sonoridade mais orgânica que a ouvida em seu último single, “SABIÁ”, lançado em julho. A banda que acompanha as gravações e shows conta com os integrantes Uiu Lopes (baixo), Marco Trintinalha (bateria), León Perez (teclado) e Dreg Araújo (guitarra). 
“Vampiro está na fantasia de uma subjetividade que foge um pouco da liquidez dos afetos, e é exatamente onde eu gostaria de me perder! (risos)”, conta ela. As gravações do clipe aconteceram em Blumenau – SC no brechó Paradise, organizado por Mayara Cruz (Morgy), que protagoniza o clipe junto com Gustavo Starke (N3fxt). A direção é assinada por YMA e pelo videomaker Daniel RootRider.

– Me conta mais sobre “Vampiro”, que acabou de sair!

“Vampiro” é uma música bem recente, dessas que a gente escreve de uma vez só. Estará presente no meu próximo EP que sairá em breve! Mas surge dessa minha admiração pelo universo do realismo fantástico. Componho de forma muito imagética, geralmente na composição já me vem na cabeça parte do arranjo e também ideias de um possível clipe. Nesse caso de vampiro, o clipe e a música para mim resultam num trabalho só. Como uma mesma obra.

– E do que fala a música? Como ela surgiu?

Pelo que me lembro, começou por uma sensação de querer ser levada para outro lugar, viver algo novo e diferente. Logo surgiram imagens desse lugar, e na música coloco um pouco das sensações que esse lugar me causava. Depois esse universo me apresenta a figura do vampiro que pertencia a esse lugar. Mas a música é basicamente sobre as idiossincrasias de um relacionamento. E de certa forma, os relacionamentos podem criar uma espécie de mundo paralelo criativo. Como uma sinergia pulsante que mora em mim. Mas a fantasia sempre se desvela de maneira intensa comigo.

– Me conta mais da história do clipe!

No fim de semana seguinte da gravação da música, tinha combinado uma viagem pra Blumenau. Durante a semana que passou pensei na possibilidade de fazer o clipe por lá, já que já era fã do trabalho do Daniel RootRider – que assina a direção do clipe comigo. Então fui escrevendo o roteiro na estrada para lá. Montei uma equipe de maneira muito rápida, com os amigos que tinha na cidade. Foram dois dias de gravação, no primeiro fizemos as cenas da festa, que foram no brechó da Mayara Cruz, o Paradise. Mayara protagoniza o clipe junto com o Gustavo Starke, que é um amigo designer. Nenhum dos dois tinham experiência com atuação, mas era perfeito para a intenção despretensiosa do clipe. No segundo dia não sabíamos exatamente onde gravar, e ainda por cima chovia muito. Então acabei gravando na casa da sogra. hehe Mas de modo geral tudo aconteceu muito rápido, as gravações do EP, o clipe, foram muitas trocas intensas em pouco tempo.

– Conta como é a história desse clipe.

Acho que ela já é bastante explícita (risos). Mas tudo começa numa festa embalada nas luzes de neon, onde Morgy encontra N3fxt – um ser cuja respiração está fora de nosso tempo/espaço. Eles saem da festa para um after, e N3fxt se revela um vampiro. E eu vou acompanhando a estória como uma observadora, ou talvez como a pessoa que está sonhando aquilo.

– Pode me contar um pouco mais sobre o EP que está chegando? O que podemos esperar nele?

Estou sempre no processo de transmutação, e vejo nas gravações um laboratório cheio de possibilidades. Os trabalhos são bem diferentes uns dos outros, desde o primeiro EP que lancei em 2012. Serão 4 faixas com essa sonoridade mais orgânica, de banda. Bem diferente do single “SABIÁ” que lancei em julho desse ano. Quem gravou comigo foi a banda que me acompanha nos shows, o Uiu no baixo, Dreg na guitarra, Marco na bateria e Leon nos teclados. O EP está sendo produzido pelo Fernando Rischbieter, que tem trabalhado comigo nos últimos tempos e que também abriu o selo Matraca Records, por onde o EP será lançado. Gravamos nos estúdios da YB, o que é muito especial, poder gravar num espaço onde muitos artistas que eu admiro já passaram.

foto por Gabriela Schmidt

 

– Fala pra gente sobre os trabalhos que lançou antes disso.

2012 foi quando gravei minhas primeiras canções. Fiz amizade com um grupo de músicos incríveis que produziam num espaço chamado Cambuci Roots, que é o pessoal do Saulo Duarte e a unidade, Daniel Groove, Los Porongas e muitos outros artistas que frequentavam o lugar. O EP se chama “Yasm(in) the Sky” e foi produzido por mim e pelo João Leão. Minha música preferida do EP é “Homem Frio”.  Logo após o lançamento engravidei, e fui me dedicar a maternidade. Então não consegui levar esse trabalho adiante. Durante o processo da maternidade, percebi que amadureci em muitos aspectos, principalmente no processo criativo, apesar de não colocar a maternidade como tema em minhas canções. Em 2016 voltei a compor, com mais afinco, o que resultou numa nova leva de inspirações, que abasteceram algumas canções que resultaram nos trabalhos mais recentes. “Sabiá” já tinha composto há um tempo, mas por falar sobre questões ainda muito atuais na minha vida, decidi gravar com uma roupagem mais eletrônica. Também produzimos um clipe pra ela, dirigido pela Nina Kopko, tem uma pegada mais conceitual, e envolvimento de vários artistas que admiro.

– Como começou sua carreira?

Não durou muito tempo o estúdio de música que meu pai havia montado em casa, acho que eu tinha uns 5 anos. Mas foi ali o começo de um contato musical que ao longo dos anos anos se tornou vitalício.
Aos 15 anos me formei em uma escola de iniciação artística, onde tive passagens e experimentos com as mais diversas linguagens durante os 9 anos que vivi na escola. Era muito difícil escolher apenas uma frente, na minha cabeça todas elas dialogavam, e eu simplesmente queria fazer parte de tudo aquilo, então para além da música, sinto pulsos de imagens, movimentos, cores, todo universo artístico colabora muito com o meu processo criativo.

– Como você vê a música independente hoje em dia? O mainstream ainda é necessário?

Acho que se ainda existe um mainstream (investimento pesado de grana e de exposição em alguns artistas), deve estar servindo pra alguém. Mas essa separação tá cada vez mais difusa. Hoje em dia há muitos caminhos pra conhecer música nova e artistas diferentes, e também ferramentas mais acessíveis para esses artistas produzirem seus trabalhos. Agora, a questão da grana realmente é um abismo.
Tem que batalhar pra que os artistas independentes não morram na praia e tenham uma vida mais bacana com o trabalho deles. Quero muito ver as minas maravilhosas que acompanho ganhando uma grana massa com o trabalho delas!

foto por Gabriela Schmidt

 

– Agora, com a queda das gravadoras, o trabalho de mulheres autorais está cada vez mais forte e presente. Como você vê isso e como você vê o machismo que continua presente no mundo da música?

Recentemente gravei com a Elga Bottini, que é produtora musical. isso nunca tinha acontecido antes. Ver uma mulher pilotando um estúdio. A energia da mulher muda completamente o ambiente e a forma de trabalho. Me senti acolhida, e muito a vontade pra gravar e me soltar. Tenho certeza que outras pessoas e sentiriam o mesmo. Quero muito ver as minas ocupando todos os lugares que são ocupados em sua maioria por homens. É uma luta muito importante, fico feliz de acompanhar as mulheres que colocam cara a tapa, e de estar vivendo esse momento da ruptura feminista. Sou muito otimista, sinto que aos poucos as mudanças vão acontecer, e pra isso nós mulheres, devemos nos informar, trocar, exteriorizar e gritar se for preciso.

– Quais os seus próximos passos?

Lançar o EP, fazer mais shows e ir aprimorando as performances, para levar mais mágica pro palco. ❤️

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

De todas as perguntas essa é a mais difícil, tem muita coisa! (Risos). Mas vamos lá! Há pouco tempo conheci a CLAIRO, que tô pirando! Lomboy, Weyes Blood, uiu, PAPISA, Men I trust, cinnamon tapes, mia beraldo, césar lacerda, dolphinkids, Sunflower Bean. Difícil, tentei listar as mais recentes mesmo (risos).

Caio Moura prepara seu primeiro EP calcado na música negra brasileira, “Coração Balança”

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Caio Moura

O cantor, compositor e dançarino Caio Moura prepara um trabalho que transpira música negra. Com seu timbre característico e voz potente, ele lançará em breve seu primeiro disco, “Coração Balança”, com influências de funk, soul, MPB, samba e rock, tudo com muito balanço e suíngue.

Sua carreira começou como parte do coral da escola onde fazia o ensino fundamental. Após isso, fez o teste para ingressar no Coro Juvenil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, onde trabalhou o canto erudito e se aprofundou mais na técnica vocal. Entrando na faculdade, montou a banda ZumBlack, misturando música brasileira com diversos outros ritmos.

O disco “Coração Balança” é produzido por João Guilherme, músico, compositor e filho da grande sambista Yara Rocha. O álbum conta com músicas que trazem em seu DNA muitas características do samba rock, samba e black music. Além disso, Caio já está começando a trabalhar em novas músicas, em um novo projeto rebuscando músicas regionais e locais, principalmente da periferia.

– Me fala um pouco mais do seu trabalho que está prestes a sair!

Meu trabalho chama “Coração Balança”, onde nas músicas falo de amor em várias formas, com muito swing que a música negra traz.

– Seu foco é principalmente a música negra? Como você definiria seu som?

Sim, pois a música negra permeia todos outros estilos musicais. Defino meu som como “Música Negra Brasileira” (risos).

– Quais as suas maiores influências musicais?

Minhas maiores influências são o samba, samba rock, soul music, black music internacional e a MPB.
Tenho como referência o Tim Maia, Seu Jorge, Djavan, Pedro Mariano, Michael Jackson, Stevie Wonder, Wilson Simonal, Simoninha, Gregory Porter, Walmir Borges, entre outros.

– E como foi a gravação desse disco?

O processo de gravação de meu disco foi bem moroso. Decidi gravar meu disco em 2014, quando fui passar o Reveillon no Rio. Foi tipo pular as 7 ondas e desejar que acontecesse no ano que estava entrando (risos). Logo quando voltei pra São Paulo, liguei para o João Guilherme, músico cantor, produtor musical e filho da grande sambista paulista Yara Rocha, acertamos todos os detalhes e começamos a produzir. Tive a sorte de ganhar a gravação através de um projeto que a Converse Rubber Tracks tinha aqui em São Paulo no Estúdio Family Mob, do baterista Jean Dolabella, ex baterista do Sepultura. Na Family Mob, pude fazer a captação das bases do meu disco. A captação das vozes foi feita no estúdio AMG do Marcelo Rodrigues, a mixagem e masterização também.

– E como foi o processo de composição dele?

O processo de composição dele foi através de parcerias com amigos que tive no passado, com o próprio produtor do meu disco e algumas canções que tinha com bandas que pertenci ao longo da minha carreira.

Caio Moura

– E como você começou sua carreira?

Comecei com 11 anos de idade, no Coral da Escola Marcílio Dias com a professora Léa Gomes Moratelli, escola onde fiz meu ensino fundamental. Devo minha vida artística a esta professora. Logo quando saí do ensino fundamental, pensei em parar de cantar pois via apenas como um hobby, mas meses depois minha tia me avisou sobre um teste que haveria no Coro Juvenil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Me inscrevi, fiz o teste, passei e aí sim tive a certeza que queria ser cantor. Passei dois anos no coro e sair por conta que tinha que trabalhar , já tinha alcançado a maior idade. Nesse meio tempo entrei para um coral gospel chamado Projeto Afirma, foi quando me apresentaram a black music norte americana, a partir dali que pude firmar a minha característica de canto que utilizo. Fiquei dois anos no gospel e saí por questões ideológicas e de crenças. Anos depois, ingressei na Universidade Zumbi dos Palmares e já no primeiro ano, formei a Banda ZumBlack, com Fábricio Máximo e Moacyr Garrido, tocamos muita música preta naquela época e me ajudou bastante a definir meu estilo. Nesse tempo também fiz parte do coral da universidade. Junto com esse período universitário, comecei a trabalhar na Escola Técnica de Artes e aí foi um divisor de águas na minha vida pois conheci muita gente que contribuiu e contribui no meu trabalho até hoje. Me formei em Técnico em Canto na escola e partir daí comecei a dar andamento ao meu trabalho solo.

– Como você vê a cena independente?

Eu vejo a cena independente muito rica e com uma grande diversidade, tem muita coisa boa na rua mas acho que a galera devia ter um cuidado maior com os trabalhos apresentado.

– Quais os seus próximos passos musicalmente?

Em breve lançarei um single do disco e um clipe, o lançamento oficial do disco seria em dezembro mas vou lançar em março de 2018.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Camila Brasil, Jota Pê, Indy Naíse, Luedji Luna, Nina Oliveira, James Bantu, Ursso e Bruna Black.

“Guardiões da Galáxia” – filme toscão da Marvel tocando num walkman

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Guardians Of The Galaxy
Lançamento: 2014
Diretor: James Gunn
Elenco Principal: Chris Pratt, Zoe Saldana, Vin Diesel, Bradley Cooper

Bem toscão mesmo! Com umas piadas bem bostonas, o filme é o maior barato pra ver desligadão e aproveitar pra curtir os sons good vibes bem 70’s que tocam em cima de cenas onde talvez fizesse bem mais sentido que o barulho fosse dos lasers disparados das estranhas armas futurísticas.

Peter Quill (Chris Pratt) é um terráqueo que quando criança em 1988, no dia da morte da mãe foi raptado por um grupo de saqueadores alienígenas, e por eles criado. Em 2038, fugindo deles após tê-los abandonado em prol de manter para si só o pagamento duma orb que ele roubou num planeta estranho, Peter acaba numa prisão com dois caçadores de recompensa e uma mina que tava atrás da mesma orb. O quarteto monta um plano de fuga e ainda convoca mais um integrante (um cara bizarro que já tava lá na prisão) e saem de lá pra tentar vender o tão querido objeto. Acontece que o grupo de “malfeitores” descobre o poder da coisa e entende que não pode ser vendido a ninguém e que deve ser destruído para que o universo continue (fala aê, é bem zuado, né não?).

 

A música entra na história do protagonista. O que Quill guarda da mãe, é um walkman e fitas com as músicas que os dois ouviam juntos. O aparelho, de alto valor para Peter, o acompanha durante o filme todo, sempre tocando as músicas da fita (às vezes junto dele dançando, às vezes junto de cenas de efeito). Com o créme de la créme da música disco (incluindo as baladinhas slow dancing) e uns rockão tipo “Moonage Daydream” (David Bowie) e “Cherry Bomb” (The Runaways), a trilha é o auge do longa e é o que cria a áurea do personagem que acredita de verdade, inclusive citando o Kevin Bacon, no que “Footloose” nos ensina: todo mundo dança e essa é a energia mais massa que tem! Além dos já citados, vale dizer que a soundtrack conta também com Marvin Gaye, Blue Suede, Rupert Holmes, Red Bone, Five Stairsteps, Raspberries, Norman Greenbaum, Elvin Bishop, 10CC e Jackson Five.

Trailer:

 

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela atriz Laura Rodrigo, do Canal da Ashley

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Laura Rodrigo
Laura Rodrigo

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje a convidada é Laura Rodrigo, atriz, humorista e criadora do Canal da Ashley no Youtube.

“Sou argentina. Bom, na verdade a minha mãe é, portanto metade de mim é argentina. Minha infância e boa parte da minha adolescência foi um Buenos Aires. Tenho FASCÍNIO por músicas em espanhol e principalmente as argentinas, da América do Sul em geral…. Isso dito, simbora pra alguns cantores que em seus países são conhecidos mas aposto que você não conhece!”

Fito Paez“El Amor Después Del Amor”
Esse é meu cantor preferido da vida! Conheci ele com 12 anos, passando férias em Pinamar, com a música “Mariposa Tecnicolor” e me apaixonei. Vou em todos os shows dele no Brasil. Não concordo com as posições políticas dele, mas dane-se. O cara é um poeta. Essa musica é bem rock pop anos 90:

Jorge Drexler“Todo Se Transforma”
Esse cantor uruguaio maravilhoooosoooo ficou famoso ao ganhar o Oscar por “Al Otro Lado Del Rio”, mas essa música incrível poucos brasileiros conhecem:

Juan Manuel Serrat y Joaquin Sabina – A la orilla de la chimenea
Esses 2 ícones espanhóis (e eu sei que a Espanha não fica na América do Sul, mas fazem muito sucesso na Argentina) se juntaram numa turnê e cantaram as músicas mais lindas do mundo. entre elas essa que se eu escutar 10 vezes seguidas vou chorar as 10 vezes:

Diego Torres“Sueños”
Sim! Ele é super comercial mas eu adooooroooo! Suas musicas me contagiam muito! Essa musica o cantor argentino canta com a mexicana Julieta Venegas. Olha que delícia:

Rosana“Sin Miedo”
Também espanhola e deve ter gente que conhece a música “A Fuego Lento” dessa mesma cantora. Mas essa musica “Sin Miedo” é um reggaezinho que me motiva! Dá vontade de dançar!

Cantarolando “Novo Tempo” (1980), o bilhete premiado perdido de Ivan Lins

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Ivan Lins Novo Tempo

Já começo o Cantarolando de hoje esclarecendo que, pessoalmente, eu não consigo gostar de Ivan Lins, talvez por influência do meu pai, que sempre demonstrou antipatia e certa irritação por ele.

Mesmo sabendo que ele é um dos grandes compositores brasileiros, autor de diversos hits da MPB, trilhas de novelas e de reconhecimento internacional. Além dos artistas brasileiros, teve suas músicas interpretadas por grandes nomes gringos como Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald – aliás, não tem nada que a Ella Fitzgerald cante que não fique bom, até em português esquisito.

A canção “Novo Tempo” bombou nas rádios brasileiras no ano de seu lançamento, em 1980. Com uma letra daquelas da leva de possíveis trilhas sonoras para o movimento pró-democracia, no contexto da cada vez mais decadente – mas ainda presente – ditadura militar, “Novo Tempo” dá um tom esperançoso para os jovens ouvintes.

Porém, independentemente da letra, a canção tem um tremendo apelo pop. Tanto que chamou a atenção dos ouvidos de Quincy Jones, o então produtor do Michael Jackson. Jones, ao se deparar com as linhas melódicas, sentimentais e grudentas de “Novo Tempo”, entrou em contato com Ivan Lins para que sua composição pudesse fazer parte do repertório do novo disco solo do Michael Jackson. No caso, para fazer parte do álbum que viria a ser, até hoje, o disco mais vendido de toda a história da humanidade, “Thriller (1982)”.

A partir daí, travou-se meses de negociações jurídicas. Como acontece muito comumente em contratos de cessão de direitos autorais, a proposta era leonina – abusiva, exageradamente desproporcional. Coisa de 90% para eles e 10% para o autor. Hoje sabemos, até que não seria nada mal, financeiramente, embolsar 10% dos royalties de uma faixa do “Thriller”, sem contar a visibilidade que daria para Ivan como compositor. Mas, em 1980, Michael Jackson apesar de já ser grande, ainda não era MICHAEL JACKSON, o ícone, o rei do pop, o artista em escala estratosférica em termos de sucesso e popularidade.

Como sabemos, a canção acabou não entrando para o “Thriller”, que acabou sendo lançado antes mesmo de as longas negociações terem sido encerradas.

A parceria entre Quincy Jones e Michael Jackson rendeu três discos brilhantes – e talvez os mais importantes – da carreira solo de Michael Jackson, “Off The Wall (1979)”, “Thriller” e “Bad (1987)”. Porém, Jones sempre foi um grande admirador da música brasileira, e acabou ajudando Ivan Lins a ingressar no mercado internacional de qualquer forma, quando gravou as canções “Dinorah Dinorah” e “Love Dance” no disco do cantor e guitarrista de soul George Benson, o qual estava produzindo, chamado “Give Me The Night (1980)”. Esse disco alcançou bastante sucesso nos EUA.

Enfim, gostando ou não, tenho que reconhecer a qualidade das composições do Ivan Lins, inclusive do seu vocal. Mas agora só resta a curiosidade eterna de como teria sido a versão de Novo Tempo no Thriller – acredito eu, muito mais interessante do que a original. O próprio Ivan Lins admite que, caso tivesse aceitado o contrato, possivelmente ele estaria morando em algum paraíso como as Ilhas Fiji, desfrutando de sua fortuna. Termino com uma citação de meu pai sobre o assunto: “Se ele tivesse aceitado, todos ficariam felizes: ele, o Michael Jackson e eu, que não teria que aguentar tanto Ivan Lins no rádio”.

O Grande Grupo Viajante mostra versatilidade dançante com mensagens fortes no disco “Todas As Cores”

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O Grande Grupo Viajante
O Grande Grupo Viajante

Os nove membros d’O Grande Grupo Viajante estão em festa: em setembro lançaram o disco “Todas As Cores”, gravado no estúdio C4, no Bixiga, com produção de Zé Victor Torelli. O álbum anda recebendo muitos elogios por sua diversidade de estilos, criatividade e letras engajadas em diversos assuntos importantes como problemas sociais, habitação, machismo, homofobia e tantos outros.

Formada por Bruno Sanches (guitarra e voz), Stela Nesrine (sax e voz), Érico Alencastro (baixo), Leonardo Schons (teclado), Bruno Trindade (percussão e voz), Celso Rey (bateria), Larissa Oliveira (trompete) e Gustavo Godoy (percussão), a banda costuma se apresentar pelas ruas de SP, frente a frente com o público, algo que contribuiu bastante para que o som da banda continuasse evoluindo com o tempo. Em 2015, lançaram seu primeiro EP, “O Caminho É o Mar”, com 5 músicas, que vendeu cerca de 3.000 cópias durante as apresentações pelas ruas. “Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua”, explica Bruno Sanches.

– Primeiramente, me fala mais do disco que cês acabaram de lançar!

Então, esse é nosso primeiro disco, e é um disco construído ao longo de 2 anos tocando na rua. Então ele reflete muito as situações que vimos e vivemos na rua, principalmente a troca maravilhosa que tivemos com as pessoas.
É um disco mais coletivo do que os outros dois EPs que tínhamos lançado: tem composições minhas, da Stela Nesrine e do Bruno Trindade. Os arranjos foram feitos a maioria em grupo.

– E como essa interação com o público fez parte do disco?

Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua. As pessoas emocionadas com nosso trabalho… São várias historias, isso fez com que nossas composições refletissem muito do que vivemos na rua. E baseada nas pessoas que cruzaram nosso caminho também. A gente sentiu a necessidade de falar de alguns temas da cidade que tivemos contato tocando na rua, problemas sociais, de habitação, machismo, homofobia etc.

– Por falar nisso, me fala um pouco sobre as letras desse trabalho. Vocês resolveram fazer algo mais puxado pro lado político e social da música, né?

É, então… Cada música conta uma historinha e fala sobre um tema, a gente tentou colocar temas que fizessem as pessoas refletirem e saírem da zona de conforto. Achamos importante o artista ser porta voz da mudança que quer no mundo, por isso a escolha de colocar esses temas em algumas letras.

– Me fala algumas músicas que você considera como destaques do disco.

Essa é difícil, hein. Se eu fosse aconselhar alguém, eu diria pra ouvir o disco todo e na ordem, porque só assim ele faz o sentido que a gente pensou. O disco é como um livro. Mas acho que “Malagueta”, “Sistema de Canudos”, “Africa Mãe” e “Persona” são boas pra ouvir e entender a versatilidade da banda.

– Falando nisso, a banda tem 9 integrantes, então acho que versatilidade é algo natural, né. Como vocês fazem para compor com tanta gente participando? Como é o processo?

As letras são feitas por mim, Stela e Brunão. Às vezes um desses três chega com a música meio pronta, mas tem vezes que chega apenas com a ideia, então a gente senta e vai tentando colocar a ideia da pessoa em pratica, o arranjo é sempre respeitando a ideia do compositor. Também fizemos algumas coisas em duplas, eu e Brunão, Eu e a Stela, por exemplo… Tem uma música que foi feita com um cantor amigo nosso do Congo, Leonardo Matumona. Como era uma musica que falava do continente africano, convidamos ele pra compor e gravar conosco.

O Grande Grupo Viajante

– Como a banda começou? Já começou com essa formação enorme?

Então, na verdade da formação atual eu sou o único da original (risos). O projeto era uma ideia minha, teve uma primeira formação que lançou um EP em 2013, mas depois acabou se desfazendo. No final de 2014 eu consegui juntar uma parte dessa turma que está agora, eram Érico (baixo), Léo (teclado) e a Stela (sax e voz) e o Marco na bateria, que depois acabou saindo também. Com essa formação pequena, gravamos outro EP, lançado em 2015, chamado “O Caminho é o Mar”. Aí ao longo de 2015 e 2016 entraram o Brunão (percussâo e voz), o Celso (bateria), Larissa (trompete) e o Gustavo (percussão). O Mike (guitarra) entrou em 2015, ficou com a gente até gravar o disco, mas depois de gravar decidiu seguir outro caminho.

– E como vocês veem a cena independente hoje em dia? Como tá pra vocês?

Olha, a cena tá quentíssima. Linda demais. Temos tantos amigos que admiramos e vendo o crescimento de tantas bandas merecidamente, isso empolga e nos deixa muito felizes. Nós estamos caminhando naturalmente, o primeiro disco é um marco para o crescimento. A gente espera viajar mais e espalhar muito nossa musica

– Como vocês definiriam o som d’O Grande Grupo Viajante?

Cara, é um som brasileiro com pitadas latinas e africanas, mas principalmente é um som multicultural e plural, pensado em fazer o publico dançar, amar e refletir sobre o mundo.

– Aliás, no começo do ano saiu um clipe com a presença de um monte de gente da cena, né. Como foi isso? Quem aparece no clipe?

Sim, então fizemos o clipe de “Obra de Miró”, que está no disco. A gente convidou um monte gente pra embarcar no espírito da musica, que é dançar do jeito que se sentir bem. De migos e migas famosos tivemos o Samuca (Samuca e a Selva), Paula Cavalciuk, o Gomes (Francisco El Hombre), João Perreka, a Camilla e Leo da Molodoys, o Jonata (DJ Obá), e tivemos a participação de mais vários amigos e amigas queridos demais que soltaram o rebolado.

– E como é essa integração entre as bandas da cena independente? Rola bem ou você acha que podia rolar mais?

Rola legal, pelo menos com a galera que temos contato é sempre ótimo. Já fomos pro RJ e nos hospedamos com os amigos da Astrovenga, já recebemos várias bandas em casa também… Rola muito essa troca de hospedagem e show. Participações também e shows conjuntos sempre rolam. Acho que a cena independente, pelo menos a que a gente faz parte, principalmente das bandas de rua, tantos amigos que sempre nos indicam pra trampos e nos ajudam sempre que podem. A Picanha de Chernobill por exemplo é uma banda muito amiga nossa que já nos indicou pra trampos e já fizemos alguns shows juntos, é sempre um prazer, pois admiramos muito eles. Tivemos a oportunidade também de ter participação do Jairo Pereira (Alafia) e da Ekena em nossos shows e foi lindo demais, são 2 artistas que admiramos demais.

– Quais são os próximos passos da banda?

Estamos fazendo shows de lançamento. Os próximas são em Paranapiacaba, dia 13/10 e BH, 14/11. Mês que vem lançaremos um live de coisa fina.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nossa temos sorte de ter amigos talentosos e inspiradores ao nosso redor e são tantos que fica difícil citar todos, mas acho que vocês não podem deixar de conhecer: Picanha de Chernobill, Molodoys, Paula Cavalciuk, Samuca e a Selva, Ekena, Molodoys, Rocartê, Alafia, João Perreka e os Alambiques, Newen (Chile), Astrovenga, Uiu Lopes, Bruno Lima… Ah, tem muitos outros, teria que ficar falando até amanhã!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo cantor e compositor Berg Menezes

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Berg Menezes
Berg Menezes

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é o cantor e compositor Berg Menezes.

Mutemath“Typical”
“Kra, o som dos kras é pop, contemporâneo mas sem perder o lado indie e eu sou completamente apaixonado pela forma como a bateria tem destaque nessa banda… sensa!”

Fusile“Bad Blood”
“A Fusile garimpei faz tempo: Banda brasileira, soando gringa-latina, pesada, vibrante, levanta-bundas!”

Violins“OK OK”
“A banda brasileira que mais acho foda! Já estiveram em lista da Rolling Stone e essa canção é um hino pós 2000 pra mim”.

André Abujamra“Elevador”

“Esse cara é um gênio das trilhas nacionais de cinema, puta compositor e essa é uma daquelas canções que eu queria ter escrito. Muita gente conhece mas quem não conhece precisa… Urgente!”

Capotes Pretos na Terra Marfim“O Que Você Espera?”

“O que dizer quando você vê o trabalho dos seus brothers e simplesmente chora? Made in Ceará”.

Audiometria: Achei fácil dar uma chance ao Jota Quest em “De Volta Ao Planeta” (1998)

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Jota Quest De Volta Ao Planeta

Xingar o Jota Quest é fácil, extremamente fácil. Mesmo antes da internet dividir tudo em um Fla x Flu em todo e qualquer assunto, já era “cool” falar mal da banda mineira, que apesar de fazer um enorme sucesso no mundo pop, sempre foi vista com desdém pelos “roqueiros” e os “apreciadores da boa música”. Porque será? A resposta é simples: o Jota Quest é pop até o caroço, e isso incomoda até quem gosta do estilo de som funk/soul que eles têm como base para suas músicas. Além disso, temos o fator Rogério Flausino, que sempre recebe duras críticas à sua performance vocal. Mas será que é tão ruim assim?

Na Audiometria de hoje, vou ouvir um disco do Jota Quest para desvendar se toda essa enxurrada de críticas e piadinhas se justifica. Afinal, já ouvi de mais de um amigo meu que trabalha com música frases como “O Jota Quest é legal, se você ouvir sem preconceito” e muitos elogios à cozinha da banda, com PJ no baixo e Paulinho Fonseca na bateria. Escolhi ouvir e analisar “De Volta Ao Planeta”, de 1998, segundo disco do grupo, simplesmente porque gostei da capa com alusão ao filme “O Planeta dos Macacos” antes mesmo de qualquer remake chegar aos cinemas. Bom, vamos lá… Play.

A primeira faixa dá nome ao disco e começa com um clima meio Red Hot Chili Peppers de ser, o que faz sentido, já que as duas bandas usam a mistura de funk e rock em sua fórmula. Porém, os mineiros jogam uns “na na na na” e deixam tudo mais pop que uma lata de Coca Cola sendo aberta. A letra politizada mistura algo meio “Todos Estão Surdos” com a revolta brazuca de sempre. É, a cozinha realmente é melhor que de muito restaurante gourmet por aí, e apesar do pouco alcance vocal do Flausino, não dá pra dizer que o rapaz não se esforça em empolgação.

A segunda faixa é “Sempre Assim”, que continua a festança funky pop. Não vou negar que gosto dessa música desde os anos 90 e dei uma reboladinha na cadeira. A letra é meio bobinha e dentro que se espera de uma banda de pop rock e tem o sempre irritante “everybody say yeah/everybody say wow”, que só funciona em show, mesmo, mas ainda assim que acho bem bacaninha. Você mesmo que xinga o Jota Quest: duvido ouvir essa sem ao menos bater o pezinho no ritmo. Du-vi-do. Não sei de onde as pessoas tiram que o que é pop necessariamente é algo ruim. Se atinge tanta gente com tanto sucesso, algo de bom deve ter ali, não? Sei lá. Enfim, vamos para a próxima.

Sabe uma coisa que me irrita, agora que começou “Tudo É Você”? O Jota Quest tem um bom baterista e mesmo assim investia (pelo menos nesse disco) na mesma batidinha repetida em loop em muitas de suas músicas. É meio um reflexo dos anos 90, que aquela levadinha de bateria de “You Learn” da Alanis Morrissette era usada em umas 50 músicas. Cansa, né.

Acho que não preciso comentar muito sobre “Fácil”, né? A música é o que qualquer um espera de um som pop e a própria letra brinca com a simplicidade que uma canção dessas precisa ter. Só agora fui prestar atenção na linha de baixo do PJ, bem trabalhada e construindo uma cama para toda a estrutura do negócio. Extremamente fácil, mas também extremamente eficaz.

Esse tecladinho no começo de “35” chega a ser engraçado de tão datado que é. Ela dá um quê de “He-Man” do Trem da Alegria para a música, que seria bem mais bacana sem esse noventismo. As guitarrinhas funky do Marco Túlio funcionam bem, mesmo com a letra bobinha de Heleno Loyola. Se tirasse o tal do teclado, essa poderia ser a minha preferida do disco (Desculpa, Márcio Buzelin, nada pessoal). Por enquanto continuo na dúvida entre as duas primeiras. Vamos em frente.

“Qualquer Dia Desses” é uma versão para “One Of Those Days”, do Marvin Gaye. Como não dá pra melhorar Marvin Gaye, vamos dizer que é uma versão respeitosa e bem noventista. O baixão comendo solto com pedal é bem bacana, e o coral na hora do refrão ficou bem bacana. Nada que chegue perto da original, mas acho que a própria banda sabe que não dá pra fazer algo que chegue próximo de Marvin Gaye, né?

“Tão Bem” (versão do hit de Lulu Santos) chega com a intro mais noventista de todas, mas cara… Se eu disser que esse comecinho me lembra algo que o Gorillaz poderia ter feito, vocês vão me crucificar? Bom, aí entra o Flausino fazendo um semi-rap e dá uma estragada, porque o instrumental tá bem bacana, acho que é o melhor do disco até agora. Gostei muito. Só achei estranho jogar duas covers assim, na sequência… Normalmente povo dá uma espalhada, né, mineirada?

“Nega da Hora” é bem funkão pesado oitentista com uma guitarrinha safada à la Chili Peppers e o baixão comendo solto. Mark Ronson ficaria orgulhoso dessa, inclusive, viu. Desculpem os odiadores do Jota Quest, mas essa aqui funcionaria muito bem no meio de uma discotecagem com Daft Punk e Nile Rodgers. Uma das melhores, na minha opinião, até agora. Ah, e adorei o teclado dessa na mesma medida que detestei em “35”. A quebra instrumental antes do final da música mostra bem a competência da banda no funk.

Mais um hit: “O Vento” é bem mais soul que todo o resto do disco junto, numa pegada meio Hyldon ou Cassiano. Lógico que a voz do Flausino não chega nem perto da dos dois, mas até que funciona aqui (tem até um agudinho tímido lá no meio). O arranjo de cordas ficou bem bonito junto com o piano do Buzelin. Aliás, uma música só com voz, piano e cordas chegar ao topo das paradas de sucesso é algo muito legal. Tá, os haters vão dizer que é “brega”, “cafona” e tal, mas… Fazer o quê, né? Haters gonna hate, como diria Taylor Swift.

Fechando o disco com um bom instrumental, “Loucas Tardes de Domingo” traz metais e backing vocals e um pouco de slap de baixo pra trazer um outro lado do funk para o álbum. Não gruda tanto na cabeça quanto várias outras que passaram, mas é interessante.

Ouvindo o disco com atenção, fiquei ainda mais encucado quanto ao extremo ódio das pessoas pelo Jota Quest e sua obra. Será pelo trabalho ser o mais pop possível? Talvez seja a voz de Flausino? As letras simples, básicas e extremamente fáceis? O comercial da Fanta? A amizade com Aécio Neves? Não sei. Só sei que me diverti mais do que esperava ouvindo “De Volta Ao Planeta”, lembrei que adoro “Sempre Assim” e ainda ganhei uma nova música preferida da banda mineira, “Nega da Hora”. Ou seja: saldo positivo pra mim. Que os odiadores continuem odiando, já que gostam tanto de fazer isso…

“Esquina Paulistana” apresenta a pluralidade da música de São Paulo

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O que esperar de um show que reúne em seu repertório canções de nomes como Cólera, Katinguelê, Itamar Assumpção, Rita Lee e Mamonas Assassinas? O projeto Esquina Paulistana, realizado no recém-inaugurado Sesc 24 de Maio, uniu diversos estilos e referências em sua primeira edição.

Com uma big band acompanhando e sendo apresentada logo no inicio, Maurício Pereira comandou o show contando sobre a ideia do projeto e apresentando seus convidados. Vocalistas tão distintos, mas que cantaram a cidade de São Paulo com a mesma empolgação.

Tulipa Ruiz abriu os trabalhos interpretando “Prezadíssimos Ouvintes” de Itamar Assumpção e recebendo Thaíde para um dueto sensacional. Paulo Miklos surgiu e interpretou “A Praça”, sucesso de Ronnie Von, mas antes dividiu suas memórias com a plateia, contou que quando criança achava que a música se referia a Praça Marechal Deodoro, era a referência de praça que tinha, pois passou a infância brincando nos tanques de areia do local.

Suzana Salles, de longe a mais animada do show, entrou cantando “Marvada Pinga”, clássico da saudosa Inezita Barroso e contagiou a plateia, um pouco tímida de inicio. Clemente, vocalista da banda Inocentes, completou o time. Com todos no palco, o clima era de descontração, rendeu até uma piada usando como referência a Escolinha do Professor Raimundo, já que todos aguardavam sentados na lateral do palco para interpretarem suas canções.

Tulipa Ruiz e Maurício Pereira fizeram um dueto inusitado interpretando “Recado À Minha Amada”, sucesso do grupo de pagode Katinguelê. Teve até coreografia embalada por Suzana e Clemente. Nesse ponto a plateia já estava contagiada e entrou no clima. Não faltaram braços balançando, principalmente ao cantarem “Não se vá” de Jane e Herondy. O punk rock se fez presente com a ótima versão de “Polícia” das Mercenárias, interpretada com convicção por Suzana Salles.

O ótimo bis ficou por conta de “Pelados em Santos”, grande sucesso da banda Mamonas Assassinas, talvez o nome que melhor represente a pluralidade musical existente em São Paulo.

A primeira edição do Esquina Paulistana cumpriu o papel e deixou abertura para futuras edições. Porém, por se tratar de um repertório especial, seria interessante que as músicas interpretadas fossem as mesmas relacionadas no programa entregue na entrada do show. “São Paulo” do 365 e “Não Existe Amor em SP” do Criolo, estavam listadas, não foram interpretadas e alimentaram a deixa para a continuidade do projeto.

Vale destacar o novo horário de shows criado pelo Sesc 24 de Maio: meio-dia. Perfeito para quem trabalha no Centro da cidade e deseja curtir a hora do almoço de forma diferente. Que esse horário permaneça e continue trazendo boas opções.