Porque será que não se fala em uma grande cena do rock autoral hoje em dia?

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Porque será que hoje em dia parece que não há uma grande cena de rock autoral acontecendo, já que tantas bandas boas brotam no underground a cada segundo? Ou será que existe uma cena, e só a grande mídia que não está enxergando? Será culpa das casas de show, que preferem investir em bandas cover e discotecagens xerocadas do Top 10 das rádios comerciais? Ou talvez seja culpa das próprias bandas, que não se unem e comparecem aos shows umas das outras, algo que ajudou a criar movimentos como o punk, o grunge e o manguebit? Ou será que o rock morreu mesmo e só estamos prestando homenagens a um cadáver enterrado há anos?

São muitas questões que bandas de rock e o público que clama por uma retomada do rock no Brasil se fazem praticamente todo dia. Afinal, em um país com tantas bandas de qualidade pipocando no underground, porque não existe uma grande cena acontecendo? Por onde andam os Juntatribos dos dias de hoje? Fiz estas perguntas a diversos músicos e jornalistas musicais para tentar entender o que falta para que isso ocorra:

“Cena. Nunca fiz parte de cena e não vejo necessidade de existir. É ocasião. Pode surgir ou não. As bandas fortes continuarão” Rogério Ucraman (Horror Deluxe)

“Eu creio que o problema seja a forma com a qual as bandas se apresentam. Shows com 4 ou 5 bandas todas do mesmo estilo, por exemplo, afastam qualquer apreciador de boa música. Falta união e apoio entre bandas. Se você perceber, grande parte do publico underground também tem banda. O certo seria se apoiar, tentar encontrar uma maneira de atingir mais pessoas, mas não… Tem muita banda com mania de grandeza. Tipo: ‘foda-se eu vou tocar e quero que você vá’ e aí quando o cara vai tocar o superstar nem sai de casa. Eu acredito que o problema é muito mais complexo e envolve muitos motivos. Tem gente que diz: ‘no Brasil não tem roqueiro’, como forma de se livrar da culpa. Então porque temos tantas bandas de ‘rock cover’ por ai lotando casas de show? Precisamos retomar o rumo do gênero no Brasil, mas para isso, é necessário repensar a abordagem.” Matheus Krempel (The Bombers)

“Mas tá acontecendo. Já vem um tempo que ando comentando com as amigos músicos e no geral. Estamos vivendo uma fase muito interessante no rock nacional. Novas portas estão se abrindo, novos lugares pra tocar e galera tá tocando mais. Ficamos um tempo em um limbo, ou a banda era muito famosa e tocava em grandes festivais ou tocava cover. Hoje o crescimento da cena independente é bem notável. Até bandas maiores como Francisco El Hombre, Vivendo do Ócio, Scalene, Supercombo, Far From Alaska, tão com tudo conquistando não só aqui como Brasil afora. Tem muita coisa boa que ainda não é tão conhecida mas tá caminhando como: Water Rats, Mary Chase, Der Baum, Deb & The Mentals, Overfuzz e nós do BBGG cada vez com mais shows e com o apoio um do outro e do público. Vivemos uma fase linda que tende a crescer cada vez mais. Estou confiante e dedicada (risos)” Dani Buarque (BBGG)

“Sinergia, falta sinergia. Eu toco bastante por toda a Grande São Paulo e vejo muita coisa legal e o que eu reparo é que as bandas não se conhecem e não costumam tanto se juntar para fazer atividades que beneficiem todos. No entanto, preciso deixar muito claro que isto está mudando. Este ano já veremos algumas coisas legais. Novos discos vão ser lançados, algumas tours estão sendo organizadas e pequenos selos novos estão planejando algumas coisas.” Dija Dijones (Chabad, Penhasco)
“Eu acredito que em boa parte se deve à falta de união entre a cena. Esses dias eu tava vendo um doc sobre o Kurt Cobain, “Retrato de uma Ausência”. Em determinado momento, ele, já no auge do Nirvana, dizia algo do gênero: ‘Se o próprio underground não consegue se unir, como espera atingir a massa?’. Outro ponto que acho importante é: eu sinceramente acho que não existe identificação do público com o rock, porque o rock deixou de ser algo intimidador, no bom e no mau sentido da palavra. Talvez estejamos muito fechados em nós mesmos, eu não sei. Um terceiro ponto seria a grande mídia, que não tem interesse em disseminar informação que não gere grandes retornos. Mas eu acho que estamos passando por um momento muito bom. Acho que o surgimento e a força que vários selos independentes estão ganhando no Brasil podem ajudar a trazer uma nova cena rock nacionalmente consolidada”. Natasha Durski (The Shorts)

“Existe uma ‘cena’ de rock atual no Brasil, mas ela não está no mainstream. Os tempos são outros, as gravadoras foram pro buraco e não acontece mais aquela exposição toda de grande mídia, exposição essa que acabava alavancando todos em volta. Mesmo assim, basta um pouco de interesse que você vai descobrir uma produção incrível, acontecendo agora em algum porão e até em lugares mais estruturados como SESCs e Centros Culturais, gente lançando material em vinil, K7 e fazendo shows legais. Claro que existem problemas, falta de lugares pra tocar e aquela coisa toda que estamos cansados de saber, mas o momento é bem produtivo e com uma qualidade e diversidade muito interessante. Eu particularmente não tenho do que reclamar, estou vivendo intensamente esse momento, como músico e público, vendo shows, comprando discos, conhecendo pessoas legais, enfim”. Claudio Cox (Giallos)

“Porque a relação de ser bem sucedido no Brasil tá diretamente ligado a ganhar dinheiro. E colocando na balança o Rock dá pouco dinheiro em relação a outros estilos, e como a máxima é capitalizar acima de tudo, ninguém investe no som mesmo que ele seja bem feito.” Amanda Hawk (Ostra Brains)

“O pessoal tá tentando, viu. Tá tendo o movimento, é que ainda muita gente não consegue ver e enxergar. (risos) Mas aqui no ABC principalmente tem uma cena forte! Aqui no ABC tem muitas bandas! Sério! E poucos lugares pra tocar, o que acaba limitando e de alguma forma positiva juntar mais a galera, já SP também tem muitas bandas, mas os lugares são mais diapersos e fica difícil juntar a galera tendo muitas opções (é bom e ruim ao mesmo tempo)”. Fernanda Carrilho Gamarano (Der Baum)

“Ano passado produzi muitas coisas legais que tiveram uma visibilidade legal e que me fizeram entrar em contato com muitas bandas, ideologias, donos de casas de shows, técnicos de som e muito gente fina disposta a fazer simplesmente um bom rolê acontecer. Em contrapartida houve sim uma galera que de certa forma atrasa o lado ou simplesmente se põem a reclamar as vezes do próprio rolê que produz (por essas pessoas só podemos lamentar), esse lance de rock, de cena e de produção cultural foi se formatando na minha cabeça com alguns papos muito bons q tive por ai nessa jornada. Me lembro de um show do Magüerbes que fiz parte da produção e tive uma conversa de bar com o Haroldo (vocalista) que me fez ver algo que começou a fazer muito sentido no decorrer, o Magüerbes é uma banda que vem atrelada com um movimento de arte de rua e torna tudo muito interessante da maneira que isso se difunde, as coisas conversam mas não necessariamente se promovem, então ele me disse que encara a vida artística dele como uma troca e a cada lugar q ele vai ele troca um pouco de conhecimento e arte com as pessoas que ele encontra, trabalhando todos numa intenção positiva e simples de fazer acontecer e ser legal pra todos envolvidos o restante é consequência. Minha cabeça deu uma chacoalhada no momento, e por mais que pareça simples, aquilo me fez ver que realmente a palavra de ordem é JORNADA, o que acontece muito é que rola uma parada de objetivos monstruosos na cabeça da galera que tem banda, claro que com os anos todo mundo aprendeu a ser um pouco de empresario e aprendeu a gerenciar sua carreira e não dar moral pra produtores de meia tigela, mas colocar esse lance de objetivos na frente da sua arte tem afundado quase tudo e ofuscado o que as vezes o próprio artista não deixa acontecer que é o fluxo daquilo, onde o trabalho dele pode chegar naturalmente. O rock a meu ver absorve isso e expele com muita naturalidade o publico em potencial, me lembro de uma conversa com o pessoal do Ventre e a galera do Supercolisor, novamente em uma mesa de bar (risos), e a Larissa explanou algo que relacionava o rock acabar virando uma causa, que pela causa acaba sufocando ele mesmo e daqui a pouco estamos todos trabalhando na causa e deixando o próprio fruto disso meio que de lado. Pelo menos eu absorvi assim. Ai o que acontece, o rolê de rock muitas vezes é meio travado meio serião, ao meu ver, enquanto o rock for sisudo, cabeçudo e meio que fechado a ser muito seleto, no pais da alegria ela não vai muito longe mesmo. As pessoas querem sair de casa para se divertir para se alegrar e o rock e as vezes quem o produz (de uma maneira geral) repele isso até com um pouquinho de soberba. O rock não tem sido inclusivo e ai que transforma tudo numa coisa meio vazia e sem sentido. As bandas tem que amar mais o que fazem e fazer mais livres, os produtores de shows tem que pensar mais no entretenimento do rolê até mesmo pra captar a renda pra que isso aconteça, não só fazer um show lá e largar a banda no palco e ponto, tem que acabar os produtores que vislumbram enriquecer passando em cima da galera da banda. Acho que a saída é acreditar mais intrinsecamente e permanecer fazendo com amor e bem feito a sua música indiferente até se ela é rock. O resto é consequência do impacto que a sua verdade vai causar. Precisamos de caras saindo da caixa d’agua no rock, caras rolando no chão e se divertindo, sinto que temos muito mais punks fora do rock do que no rock atualmente (risos)” Thiago Silva (Dobro)

“Putz. correndo o risco de soar pessimista/drama queen/reclamona… eu acho que é uma vibe de preguiça generalizada que afeta a nossa geração e a geração dos “20 e poucos”. Uma preguiça que não afeta só a cena rock em relação a bandas como a baladas também… Preguiça de sair de casa, preguiça de falar com gente que você não conhece, ouvir som novo, preguiça de ser curioso. preguiça de gastar dinheiro com banda nacional. Coisa que eu percebo que a cena HC/Punk não perdeu e nunca vai perder, porque eles são muito unidos… E a música deles é também sobre essa união. A gente acaba ficando desunido até na hora de assistir ao show da banda que toca antes/depois da nossa, porra. bons tempos que a gente entrava na Outs sem fazer ideia de quais eram aquelas bandas. a impressão que eu tenho é que hj em dia vc tem que saber exatamente que banda vai tocar, se é do seu agrado, se é de graça, se é perto do metrô, se tem estacionamento de graça, se vc vai ganhar uma breja, se tem fumódromo, sei lá. e mesmo quando tem tudo isso, não vão. não sei mais o que a galera quer. e aí reclama de funk. porra!” Júlia Abrão (Bloodbuzz)

“Acredito que hoje o que mais impede a formação de uma nova cena seja a desorganização coletiva de quem tá no underground e o medo de quem detém as melhores formas de divulgação. nas rádios, a gente ouve musicas de bandas que nem sequer estão pra lançar discos novos porque é muito mais confortável tocarem os sucessos de ontem do que descobrir novos sucessos. Ainda existem as bandas que se deixam seduzir por programas como o The Voice, o Superstar… É complicado. e a desorganização fica exposta quando uma banda pensa unica e exclusivamente no seu proprio sucesso, mas graças a deus isso tem mudado – existe um interesse maior das bandas entre si, e é isso que vai trazer diferença pra cena”. Bruno Carnovale (Black Cold Bottles)

“O que falta acho que é principalmente trabalho de verdade. É muito fácil montar uma página no Facebook da sua banda, ficar amiguinho do rapaz do blog… Conseguir matéria falando sobre como sua banda é legal e como você é engajado no movimento tal, como a cena não sei o que lá. Aí o pessoal fica preso nessas armadilhas do ego, querendo apontar dedo e ser da galera legal que esquece que precisa gravar e fazer som também. Aí você vê nego que nem tem música gravada querendo botar camiseta da banda no Guitar Days… Acaba meio que virando um desfile de moda só. Se em vez de querer foder com os outros e se sentir reizinho a rapaziada fizesse o deles, pelo menos união a galera ia conseguir. A questão do publico que complica… Ninguém mais quer ir ver banda, todo mundo quer ir pra balada pegar mulher, música virou coisa supérflua hoje em dia. Não é que nem antigamente que o que tinha pra fazer era ouvir música, ai acho que o desinteresse fica maior… Quando uma coisa é de tao fácil acesso acho que perde o valor. Quando você tinha que procurar na puta que pariu pra conseguir um disco pra ouvir, acho que era bem mais importante pra você. Agora que tá a um clique de distância, 5 minutos cê baixa todos os discos da banda X vira uma coisa normal, que não merece tanta atenção quanto o disco que você teve que juntar sua grana pra comprar. Lembro de ouvir cada disco que comprava umas 30 vezes porque só tinha ele de novo.” Guilherme Maia (Troublemaker)

“É simples: ninguém ta nem aí. Tem muita banda legal, mas a maioria esmagadora é uma bosta sem tamanho e o público prefere ouvir qualquer bosta sem tamanho gringa do que uma banda realmente legal dos seus amigos. São muitos fatores que passam tanto pela vadiagem nacional quanto pela pagação de pau gringa, sem esquecer dos produtores noiabas e dos produtores canalhas. No meio de tudo isso estar num lugar legal vendo um show realmente bom virou um momento ainda mais mágico, dada a raridade do fenômeno. Mas na vida como um todo coisas realmente incríveis são difíceis de se encontrar então engole o choro e sai por aí em busca de algo massa”. Mairena (BBGG)

“Se você pegar a história do rock alternativo brasileiro as “cenas” sempre foram nascendo da necessidade. Pouco importava se a banda realmente tinha uma qualidade diferenciada ou não. Tanto que a formação delas era meio por acidente, muitas após se desentenderem com os membros, procuraram alguém para substituir na própria cena. E se engana quem pensa que necessariamente a pessoa em questão tocava num banda que fazia um som parecido ou tinha o mesmo background. Era um lance de QUERO ESTAR NUMA BANDA e amo o que faço. E daí rolava. Vai ter gente que dirá que nunca existiu uma “cena”, que o que existiu mesmo é gente tentando compilar bandas para justificar uma época. No punk inglês por exemplo as desavenças eram bastante claras e o lance de união parecia mais anárquico que o próprio discurso do punk. Mas voltando a pergunta principal. Eu acho que falta a camaradagem, a união das bandas independente do estilo que tocam. As vezes parece que tá cada um por si, no esquema: salve salve-se quem puder. Nós mesmo vemos outros fatores em 2016 que dificultam, antigamente uma banda conseguia se virar sem ter uma estrutura, como empresa mesmo, adequada. Hoje se a empresa não junta uma grana para divulgação, não produz redondinho, não trabalha a imagem, não constrói um público: é questão de tempo até ela morrer na praia. Mas as vezes acho que é isso no ROCK em si: virou uma competição de “Empresa”, sendo cada banda uma empresa, e vence a que fizer melhor balanço no fim do mês. E acho que nunca funcionou assim quando a coisa rolou de verdade. Os selos maiores e programas de TV “caça talentos” procuram bandas muito moldadinhas, superficiais e falemos assim: inofensivas. Logo para o grande público o rock virou um produto de boutique. Quem pesquisa um pouco e sai do mainstream consegue enxergar isso. Mas quantos de nós olhamos para ele de verdade? Eu acabo conhecendo bandas maravilhosas todo dia. Falta isso, falta um Lado B Mtv para a massa também ‘”pirar”. Ninguém quer caçar mais as coisas, se jogar em boteco sujo, arregaçar as mangas e conhecer algo novo. Preferem reclamar, e espero de verdade que isso mude. É algo URGENTE”. Rafael C (Hits Perdidos/Anchor Mixtapes)

“Bem, entendo que o rock sempre foi e sempre vai ser vilipendiado pela grande mídia, tanto pelo seu caráter contestador quanto pela fama de ser “barulhento, agressivo, do demo”. Querendo ou não a maioria da população ainda é influenciada por essa mídia e não busca na internet música nova. Aliado a isso o público do rock não tem se renovado, hj quem frequenta shows e escuta bandas novas já não é mais adolescente, dificilmente vejo esse público mais jovem nos eventos de rock e sem essa juventude dificilmente teremos uma cena grande e pujante. Além dessas questões as bandas ainda tem muita vaidade, não confiam umas nas outras, ainda existe muito mimimi, e sem união a chance de uma cena aparecer é muito pequena. Apesar disso tudo eu sou um otimista, enxergo que a cena está começando a ser formada, as bandas novas têm se unido e se profissionalizado, novos portais de mídia independente estão aparecendo e crescendo, como o seu blog”. Blacknail (Porno Massacre)

“O Brasil nunca estará configurado para ter uma cena rock de peso, mas isso não significa que não acontece ou esteja acontecendo uma cena rock de peso em algumas cidades. Lá em Goiânia, por exemplo, tá acontecendo bem algo grande. Os caras têm festivais como Goiânia Noise, Bananada e Vaca Amarela, todos com mais de dez anos de vida e transbordam bandas fodidas, público numeroso e assíduo e que apresentam bandas como Boogarins (que lançou disco exclusivo no site do “The New York Times”), Carne Doce, Hellbenders, entre tantas outras. Falando sobre São Paulo, recentemente rolou um show comemorativo de 15 anos do Ludovic num festival chamado “Banana Progressyva” no Superloft. Havia muita gente nesse show. Só que a maioria ali eram pessoas que já estão familiarizados com um rolê independente há 20 anos, ou seja, ainda não há uma renovação no público. Antigamente, tínhamos mais festivais, éramos mais abertos para conhecer bandas independentes e sempre haviam pessoas novas. A TV nos brindava com o programa Riff na MTV, programa do Gordo na 89FM, Musikaos, ou seja, uma série de alternativas de descobrir música independente nas mídias mais acessíveis. Se você sintonizar agora mesmo na 89FM, e tocar alguma banda de rock nacional, provavelmente serão bandas que lançaram algo relevante há 20 anos atrás. Daí a renovação no rock são pessoas de 12 anos com camisa do Legião Urbana que com alguma sorte chegarão no Ludovic. E alguns caras dizem que o rock morreu porque só duas bandas de “rock” atingiram a lista da Billboard, manja? Isso é bem imbecil! Todavia, eu vejo com bons olhos o que acontece hoje e o que pode vir a acontecer tanto em São Paulo como em algumas outras cidades do Brasil (olhos voltando também ao Rio de Janeiro). Algumas bandas entenderam que se você amar música é preciso entender música e mesmo que não exista um público hoje para grande parte das bandas independentes, elas não deixarão de se agilizar, gravar, tocar, organizar shows e viajar por aí. E também não vão dar boi pra casa que desrespeita e/ou diz que está tudo uma merda mesmo porque é rock e rock é isso! Desse modo, um público começa a surgir. E a gente pode sair desse estágio de público-banda-de-amigo. Olha o rap dos porões, por exemplo, o publico vai no show pelo RAP NACIONAL, né? Pelo que significa a parada toda, que é o mesmo reflexo do público das pequenas casas e festivais como os de Goiânia. Enfim, existe uma cena de peso sim – em algumas cidades, mas ela não enxerga através das vendas.” Eduardo Boqa (Penhasco)

“Meu posicionamento em relação a isso envolve uma questão de mercado. Enquanto bandas precisam investir de forma independente no seu próprio trabalho, outros seguimentos recebem incentivos e até recursos de origem escusas. Assim, o problema não é qualidade, mas divulgação e sobre quem tem mais dinheiro e tempo para divulgar seu trabalho. Não basta só ter página no Facebook, Instagram, Twitter, Youtube. Tem que usar essas e outras plataformas, levar seu som para diferentes lugares e mídias para criar um público. A banda gasta tudo o que tem ou não tem para gravar e não sobra nada para correr atrás da divulgação depois, fica complicado competir. Poderíamos falar de estrutura das casas, participação do público, profissionalismo das bandas, entre outras, mas é o dinheiro que manda. Não deveria, certo?” Maurício Martins (editor do Nada Pop)

“Antes de qualquer coisa, o rock não é pop. No meu último show que fizemos na festa Trackers sentimos a adrenalina e a liberdade de tocar mais pesado, quase punk. No fim do show um amigo me disse ‘Que fritação! Não consegui nem dançar de tão pesado’. Acho que a atual cena pede movimento, pede sensualidade. Todo mundo quer dançar enquanto assiste um show, ficar olhando sem participar se tornou chato. Acredito que o rock não esteja em evidência no momento, ser roqueiro já foi mais legal, simbolizava uma atitude forte, agressiva. A moda agora é falar de amor e de coisas leves. Um pouco de pop, um pouco de eletrônico e você já pode ser um cara cool. Aí depende do que a banda quer. Se quiser atingir um público maior sim. Se quiser tocar o que tem vontade não. Toda cena existe cada uma em sua proporção. Vai depender do tamanho e da natureza do seu objetivo”. Camila Garófalo

“No livro RCKNRLL do Yuri, tem uma passagem que um dos músicos fala isso, se não me engano é o Chuck que fala: não tem possibilidade nenhuma de uma banda fazer um bom show sem bons equipamentos, e eu concordo com ele. Ele usa como exemplo o DJ, o que usa uma música que foi gravada em um ótimo estúdio, foi mixada e masterizada, etc e etc… A música que ele usa na pick up tem toda qualidade necessária para uma boa audição e interpretação do ouvinte. Com os equipamentos oferecidos pelas casas de shows o que mais se tem é ruído, amplificadores velhos que apitam, microfones ruins que não dá pra entender o que o cara canta, isso tudo e mais um pouco afastou o publico que saia de casa para ver as bandas. A cena já existe há anos, ela evoluiu muito e o público também, todos nós nos tornamos mais exigentes. A cena de bandas está linda, falta esse profissionalismo. Mas isso não depende só das casas, as bandas têm a obrigação de terem seu set… Aliás, foi depois que começamos a levar nossos equipamentos que a qualidade dos shows melhoraram e tivemos um retorno de público. Você não precisa comprar equipamentos caros e importados, compre um que adeque a necessidade da sua banda”. Dom Orione (Videocassettes)

“A produção musical, assim como a cultural, nunca foi um problema para o brasileiro. Isso está em nossas veias! Acredito que houve uma mudança drástica de perfil de público. Não existem grandes nomes internacionais para popularizar a cena como um todo. Também não há mais a necessidade do encontro físico para trocar ideias, se relacionar e curtir um som. Muita gente nem tem saído de casa, resolvendo tudo pelas redes sociais. Outro fator que me incomoda muito é nas pessoas de 20 e 30 anos estarem muito caretas. O rock precisa de mais maldade, mas o próprio pessoal do rock de antes acha coisas como funk ofensivas. Por outro lado, deveríamos juntar com o funk e fazer algo ofensivo e com um puta som da hora”. Raphael Fernandes (Revista Mad)

“Ah, eu acho que falta aquela vontade mesmo. por parte das bandas / casas / festas etc. e público também. E não acho que seja por preguiça. É porque a gente acostumou a ter tudo fácil. Internet tá aí cheia de música de graça, filmes de graça, tudo na mão e na hora. Isso vai de encontro com a vontade de pensar em ir naquela festa e dar 15 conto pra ver a banda do amigo, saca? Há uns 10, 15 anos atrás, a gente ainda saía pela Augusta e Pinheiros e entrava nos bares pra descobrir coisas novas, ouvir bandas novas. Hoje a galera não sai sem propósito muito bem definido. Também tem o negócio das casas fecharem pra bandas e ter só DJ e festas. mas claro, todo mundo se adequando à demanda, né? Daí fica esse lance meio individualista de “se eu não ganhar nada não tem porque eu ir”. Isso em SP. Não falo sobre os outros estados porque eu não conheço. Aliás, outras cidades, porque sei que no interior rola umas ceninhas e em outros estados também. SP ta difícil, MAS vejo uma luz no fim do tunel com essa revitalização do centro, as casas abrindo pra bandas e novo e casas novas abrindo que dao espaço pra bandas… Acho que talvez tenha sido só uma fase de adequação da internet/celular na vida das pessoas e consumo de música. Quem sabe agora é a hora da cena se formar novamente, né?” Aecio de Souza (Bloodbuzz)

Garimpo Sonoro #9 – A Vida é Obra de David Bowie (1947-2016)

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David Bowie

Ainda está fresca a notícia da morte de David Bowie… e Bowie andava fresco em minha mente. Coincidentemente, estava justamente numa fase bowiesca… No final do ano ouvi por completo com amigos o disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars; na semana passada estava ansioso para ouvir na íntegra sua última obra, mas enquanto não era liberada, me continha com um show de ‘72; na sexta ouvi algumas vezes Blackstar, seu agora disco-testamento, e gostei muito.

Mesmo sem pensar, recentemente apreciei Bowie como se deve: por completo. Ouvir faixas isoladas é a maneira mais viável – ainda mais neste mundo ansioso que vivemos -, mas algumas artes só são perfeitamente absorvidas em sua totalidade.

E Bowie é um artista completo. Tão completo que transformou sua própria morte em um capítulo de seu último trabalho. Pensando friamente, o enredo não poderia ser mais perfeito: lanço um aperitivo com um mês de antecedência, com um clipe sombrio que se tornaria profético. Presenteio a todos, no dia do meu aniversário, com um álbum denso, pesado e diferente. Dou três dias para um primeiro contato, para que todos possam se familiarizar com as músicas. Então, como um epílogo surpreendente de um livro clássico, adiciono a morte do protagonista.

E não é a primeira vez que Bowie se mata. Lembremos de Ziggy Stardust, cuja última aparição foi em julho de 1973.

Como um artista real, seu principal objetivo não era o agrado da audiência, mas o respeito à suas crenças. É creditada a ele a frase: “Eu não sei para onde eu estou indo daqui, mas eu prometo que não será entediante”. Dylan, tão referência para Bowie que foi sua musa em “Song for Bob Dylan”, uma vez disse que um artista não pode se confortar com um momento, tendo sempre que estar num estado de constante mudança. Algo tão coerente sobre Dylan, quanto sobre Bowie.

Perder um Bowie é perder um artista em constante ressignificação. Contudo, é também um momento para refletirmos sobre o que somos e o que queremos ser. A pergunta que ele fez décadas atrás pode ser adaptada para hoje: existe vida na Terra?

E o quê podemos tirar de bom em tudo isso? O senso de missão artística que sempre pairou sobre Bowie. O artista imortal venceu o homem moribundo. Ao saber de seu fim, escolheu curtir a vida através de um último suspiro como David Bowie. Um David Bowie que quis amenizar as dores de David Jones e sua família.

Assim, podemos afirmar: esta foi a última transformação do eterno Camaleão.

Ou a primeira, esteja onde estiver.

Precisamos falar sobre a Augusta: especulação imobiliária e vida noturna batem de frente em SP

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Imagem: Folha de S. Paulo

Quando se fala em Rua Augusta, provavelmente você lembrará de coisas como prostíbulos, bares, casas de shows e baladas. Pois bem: nos últimos tempos, o velho Baixo Augusta começou a contar com mais prédios em construção e o fechamento da muitos “inferninhos” que ali estavam. A especulação imobiliária e os novos moradores trouxeram também uma nova presença: o Psiu. Vira e mexe a PM e fiscais vão às baladas e bares para medir o barulho que está sendo feito e até interditar o local, se for o caso, graças à reclamações do pessoal que se mudou pra lá.

Neste final de semana, não só o Psiu passou pela Augusta como saiu multando e fechando diversas casas na Augusta e arredores, tendo inclusive fechado o Espaço Parlapatões, um dos grandes centros culturais de São Paulo, localizado na Praça Roosevelt. Foi também o caso da Blitz Haus, por exemplo, que ficou duas semanas fechada após uma visita dos fiscais.

“Parte das reclamações não é dos moradores, e sim das construtoras que estão com o prédio quase pronto e ainda não tem 80% dos apês vendidos, pois a galera sabe que o prédio está ao lado de uma balada”, diz Raphinha Lucchesi, produtor e DJ. “A reclamação do Blitz é um exemplo, ele tá cercado por um bar e uma obra, meio difícil o som atrapalhar alguém. O Lab que tem de fato um prédio como vizinho tenta de todas as formas se entender com os moradores, tarefa relativamente mais fácil pois são moradores antigos da rua, prédio antigo. Existem reclamações mas raramente o psiu é envolvido. A verdade é que no final de semana o barulho das casas é o de menos, a rua tem um movimento tão grande que boa parte do barulho está na rua mesmo”, diz Pedro Henrique Fernandes, do Lab Club. “Sempre achei que isso causaria desconforto. Obviamente os imóveis são vendidos como sendo o local de descanso ideal, vendem a região como um bairro familiar e é algo que ela não é. Infelizmente quem compra um imóvel na Augusta esperando sossego tem muito do que se arrepender. As casas vão sobreviver a esta idade das trevas, mas não será fácil”, diz Hernani Silva, repórter e redator.

Imagem: André Pomba
Imagem: André Pomba

A chegada de diversos prédios à região (muitos com kitnets onde mal cabe uma cama sendo vendidos como algo “cool”) trouxe também as visitas mais frequentes do Psiu. A Augusta, aos poucos, está sendo transformada de centro cultural e ícone da noite paulistana em um bairro residencial e “pacato” (ou pelo menos é o que os corretores vendem). “Tentam acabar com a boemia para priorizar o residencial.  Uma balada no meu bairro teria reclamações mesmo se a acústica dela fosse totalmente foda. A galera ia se incomodar por causa dos bêbados na rua, das filas, entre outros motivos. Isso tá acontecendo na Augusta. Não faz muito sentido isso acontecer lá. Gourmetizaram a Augusta. O estilo dos prédios novos que tem lá, leva pessoas que não frequentavam a Augusta, a galera que vai morar lá não vai frequentar as baladas. Os antigos prédios, redutos dos artistas/pessoas da Augusta, estão com alugueis caros, uma parada que dificulta a vida de pessoas “fora do padrão” e faz com que eles saiam da região. Eu acho que a Augusta não deveria ser local para residências e acho bizarro os caras que se mudaram para lá reclamarem, não foi uma balada que foi construída do lado do seu prédio, foi seu prédio construído do lado da balada! Não é como se abríssemos um centro de diversões na Bela Cintra, perto de todos aqueles prédios”, diz Marcos Paiola, produtor e DJ.

Segundo Debbie Hell, DJ e jornalista, “a Augusta já não era a mesma desde a época em que começaram a fechar os lugares para demolição (até mesmo em termos de público, proposta). Testemunhar os prédios serem erguidos era ver o ‘accident waiting to happen’. Tem que ser muito burro se mudar pra lá e depois chiar da ferveção da noite. E mesmo assim, a gente já previa isso”, explica. “Apesar de acreditar em ciclos, acho difícil (triste, pra ser sincera) decretar o fim da Augusta, ainda mais por um motivo escroto. Mas se as casas começarem a serem fechadas massivamente, provavelmente acredito que surja um novo núcleo de casas com o mesmo burburinho organicamente. Outra tendência talvez é que os rolês sejam mais cedo (já que os sábados e domingos também são cheios) com casas abrigando DJs e bandas em novos formatos. Mas uma nova Augusta, aquela que a gente está acostumado a descer a pé tarde da noite com os amigos, fazer tantos outros em situações absurdas, e virar a noite com a rua tomada de gente, infelizmente, acredito ser irreconstruível”

Assim como Debbie, alguns não acreditam na sobrevida da Augusta como um dia já foi e pensam que a solução é debandar da velha rua boêmia e tentar instaurar um epicentro de festas e música em outro local. “Há uns anos, algumas casas da Barra Funda acreditavam e trabalhavam na construção de uma “nova Augusta”, acreditando que isso aconteceria em quatro, cinco anos. Não vingou. Talvez uma das soluções seja voltar pro centro velho, investir em um lugar abandonado, ou até algumas bocadas mesmo (essas Ruas Timbiras da vida) e reconstruir. A Augusta que conhecemos está próxima do fim”, lamenta Raul Ramone, DJ, produtor de eventos e blogueiro.

Imagem> Catraca Livre
Imagem> Catraca Livre

André Pomba, produtor, DJ e coordenador de núcleo no Partido Verde, está pensando em como resolver o impasse que se instaurou. “Eu tenho participado de reuniões da lei de zoneamento, plano diretor, associação de moradores, tenho feito denúncias de fiscais na corregedoria e emparedando a sub-prefeitura de Sé em relação ao que tem sido feito na Rua Augusta e no parque Augusta. A administração atual do Haddad começou bem, mas agora entrou no jogo da máfia dos fiscais e construtoras. Todo mês tem blitz, todo mês tem fechamentos arbitrários. A salvação da Rua Augusta passa por mudarmos a lei de zoneamento, impedindo a construção de novos prédios residenciais, como já é no Alto Augusta (Jardins). A lei já chega na Câmara e vamos atuar com os vereadores para alterá-la. Só que sem pressão não vai. Daí conto com o apoio de todos nessa campanha. PS. O Psiu é uma lei necessária, mas cheia de erros, subjetiva, arbitrária e precisa adaptá-la a realidade sem depender da participação de fiscais que medem o som, sem participação das partes (ou seja colocam o que quiserem)”.

Já os moradores da região se dividem. Paula Boracini, jornalista, diz não se incomodar. “Decidi morar na região justamente por causa do movimento. Me sinto segura para andar na rua de madrugada e por causa de todas as facilidades da região, não sinto falta de carro. E nem preciso de táxi após beber no bar ou balada… Só descer a pé mesmo. Logo que mudei, o barulho incomodava um pouquinho sim, não posso negar. Mas depois de uns três meses, passei a não perceber mais. Acho que quem escolhe morar na região já deveria estar ciente do barulho, né? Não se compra ou alugar um apto esperando que a região mude…” Já Júlia Abrão, vocalista da banda Bloodbuzz e ex-moradora, diz que não são bares e baladas que incomodam. “Como ex-moradora da Augusta digo que: o que mais me fodia a vida e me fazia chorar ao tentar dormir era o barulho da obra do conjunto de prédios que estava subindo ao lado do meu. Reclamei no Psiu diversas vezes e um dia me falaram que eles preferiam pagar multa do que atrasar obra. Eu adoraria continuar morando por lá, o que me fez ir embora foi o preço que subiu muito, e o barulho das obras. O barulho da rua pra mim era o de menos, é como muita gente disse aqui: quem vai morar lá tem que ir esperando isso. É como morar de frente para um viaduto e não querer barulho de carro. As baladas e barzinhos eram a minha certeza de poder chegar em casa a hora que fosse e andar a pé tranquila. Uma pena que isso está morrendo”.

Há quem concorde com o Psiu. É o caso do publicitário André Pontual, morador da Praça Roosevelt. “Falamos do Psiu como se isso fosse ruim, como se as pessoas não tivessem o direito pelo que está determinado em lei, e depois zombamos de nossos políticos que, tal qual os donos dos supracitados barzinhos, “flexibilizam” a lei em prol da comodidade. Acho que antes de entrar no ‘hype’ de falar mal da nova ‘ocupação’ da Augusta, precisamos entender o que é direito e o que é dever. Sou morador da Roosevelt há pelo menos 5 anos e acompanhei desde a velha praça, à reforma (situação na qual fui assaltado mais de uma vez devido à baixíssima iluminação, cuidado e/ou presença de policiamento) até a nova Roosevelt. Vi o publico mudar de travestis, homossexuais e prostitutas (com alguns alternativos, músicos, atores famosos e etc) e ambiente praticamente seguro apesar de ser um bairro “sombrio” para um bairro “claro”, com bares e café aos redor, publico hypado, barulhento, que não respeita moradores, transeuntes ou qualquer lei além de assaltos e outros problema gerais com a lei. Convivo diariamente com a Roosevelt e sei bem pelo que ela passou, mais do que isso, sei bem o que os moradores tem passado, com cantorias até alta madrugada nas terças e quartas até os domingos e uma total falta de respeito com o patrimônio privado, com gente se aglomerando nas portas dos prédios, aproveitando as entradas (aonde ficam as portas dos prédios) para se esconder de policiais e seguranças , seja cheirando pó, baforando lança ou fumando maconha trazendo o cheiro para dentro das portarias, escadas e a alguns andares mais baixos (nos quais, normalmente, pela idade dos imóveis, moram senhores e senhoras de idade), quebrando luz, vaso de planta, incomodando porteiros, impedindo a passagem de moradores e eliminando completamente a nossa sensação de segurança aos finais de semana”, reclama.

“Quando se fala em Psiu acredita-se, de forma errada, que ele é chamado pelo barulho. Mas te digo que não é só por isso. A lei determina que a partir das 22h os barulho deve ser reduzido, é lei. Cabe aos bares, restaurantes, baladas e etc a se adaptarem e isso custa dinheiro. Quando defendemos o bar X ou Y porque o psiu foi la multá-lo, estamos protegendo o fato do dono do bar ter flexibilizado a lei, de ele estar contando com a impunidade ao invés de se adaptar ao que a Lei determinada há anos. Mas, ao defendê-los, esquecemos que o bar deles estar “fazendo barulho” não é o único problema. Enquanto ele está lá, fazendo “barulho” e desrespeitando a lei, existe uma aglomeração de pessoas na região que faz tudo que comentei acima e esta aglomeração (que não cabe nem tem interesse em estar dentro dos bares da região) atrapalha a vida de todos os moradores, inclusive a minha. E uma coisa é minha por direito e não aceito que me tirem: o respeito. Concordo que esta aglomeração passa a sensação de segurança, mas afirmo, com conhecimento de causa, que o bairro não está mais seguro, pelo contrário, os furtos e roubos estão tão comuns que já não desço mais com celular e quando vou ao mercado levo o dinheiro contado ou apenas um cartão. Já fizemos diversas reuniões com os donos dos bares (existe uma associação). O que acontece hoje é que o Psiu comparece e fiscaliza, o que há 3 ou 4 anos seria uma ilusão imaginar que aconteceria. Eles sempre foram chamados (os porteiros são instruídos a tal), mas agora eles estão mais rígidos”, completa.

 

Chega de covers: confira 10 locais e festas de São Paulo que apostam em artistas autorais

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Às vezes parece que a cena musical está dominada por bandas covers capengas que dominam as poucas casas noturnas que ainda apostam na música ao vivo. De vez em quando parece que estamos escravos dos covers mal feitos de Van Halen e Pink Floyd que passam por aí se vendendo como “os melhores do Brasil”. Será que as bandas desistiram de criar e resolveram só fazer aquela versãozinha pra ganhar alguma grana na noite? Emmerson Nogueira venceu?

Calma, nem tudo está perdido: ainda existem muitas casas que apostam em música nova de qualidade, convidando artistas autorais e buscando novos sons e talvez até uma nova cena musical, quem sabe? Criei uma pequena lista de casas em São Paulo que convocam artistas e bandas com músicas próprias pra você descobrir que não, o rock não morreu, e não, você não precisa ouvir só o que as rádios e a TV te oferecem. Ah: se você conhece alguma casa que não está aqui e merece a citação (não precisa ser só de São Paulo, lógico)… Por favor, conte pra nós nos comentários!

Neu Club – Rua Dona Germaine Burchard, 421, Barra Funda

Quem já tocou por lá: FingerFingerrr, Deb and The Mentals, Marina Gasolina

Absolutamente todas as festas que rolam no Neu Club contam com um show autoral que abre os trabalhos. O “Esquenta” é sempre gratuito e não convoca bandas covers de jeito nenhum. “A Neu Club conta com o ‘Esquenta’ antes de cada festa, sempre com bandas autorais em shows gratuitos para o público”, conta Dago Donato. “Desde as primeiras festas que eu e o Gui, um dos meus sócios no Neu, promovemos, sempre tivemos a presença de bandas. Odeio o termo ‘banda autoral’ porque nunca nem passou pela nossa cabeça promover algo que não viesse da cena que ajudamos a construir. O ‘Esquenta’ veio como meio de retomar a presença de bandas na casa, porque a gente não tava conseguindo isso de outra maneira. Então, decidimos fazer com shows grátis antes das festas. Acreditamos que as pessoas devem gostar de música boa independente do estilo. Quando começamos as festas da Peligro, há mais de dez anos, nossa intenção era explodir a cabeça da cena da época. A festa acabou sendo um sucesso semanal justamente por misturar tudo. Uma semana podíamos ter o Catatau discotecando clássicos do Fernando Mendes e depois um show de uma banda de noise; na outra o Fábio Massari tocando clássicos do indie rock e um show da Deize Tigrona. Depois dos shows sempre tinha meu set misturando tudo o que eu achava bom. Ou seja, no fim é tudo música.”

Morfeus Club – Rua Ana Cintra, 110, Campos Elíseos

Quem já tocou por lá: Versus Mare, Cranula, ZRM

O Morfeus Club conta com um bom espaço para shows e sempre recebe bandas e artistas autorais em seu espaço. Infelizmente, o movimento ainda é maior quando as festas são… digamos, mais “pop”. “Bem, trabalhamos com bandas autorais desde os idos da Livraria da Esquina (somos os antigos donos de lá). Parece que é nossa sina sermos, vamos dizer assim, patronos nessa área, já que poucos abrem espaço para os independentes”, diz Heitor Costamilan. “Pelo menos é o que ouvimos de monte por aqui. Gostamos de músicas originais, inventivas, diferentes e aonde se encontra isso? Nos independentes, não acha? Eles nunca ficam presos ao conceito comercial da música e acho que isso é o que mais nos atrai. Pena que a semana tenha só 7 dias e desses apenas 2 fazem parte do final de semana, que é o dia que todo mundo quer agendar show. Óbvio que a casa precisa sobreviver e daí agendamos festas que acabam trazendo um público muito maior para o nosso espaço, mas enquanto der e pudermos continuaremos a prestigiar e agendar shows em nosso espaço.”

Astronete – R. Augusta, 335 – Consolação

Quem já tocou por lá: Drákula, Veronica Kills, Belfast

Sim, ainda existem casas com shows de bandas autorais no Baixo Augusta (ainda bem!) Quando você visitar o Astronete, de Cláudio Medusa, é quase certeza que terá uma banda em seu pequeno palco mandando ver, todos juntinhos. O palco pode ser pequeno, mas as bandas que passam por lá costumam fazer barulho do bom. A curadoria das bandas é feita pelo próprio Medusa, que escolhe a dedo quem vai tocar por lá. Duas festas costumam trazer bandas incríveis do underground rocker: Shakesville (às sextas-feiras) e Master Blaster (às quintas). Vale a pena conferir a agenda da casa. As discotecagens também costumam fugir do lugar-comum, tocando 50s, 60s e 70s e não apostando em hits indies como Arctic Monkeys, apesar de o Alex Turner ter passado por lá quando a banda passou pelo Brasil…

Puxadinho da Praça – R. Belmiro Braga, 216 – Pinheiros

Quem já tocou por lá: Vespas Mandarinas, Maglore, Carbônica

Em meio aos badalados e lotados bares da Vila Madalena fica o Espaço Cultural Puxadinho da Praça, um dos grandes centros culturais de São Paulo, tendo recebido mais de 500 shows que vão do rock à MPB. Artistas como O Terno, Tiê e Tarântulas e Tarantinos já passaram por lá. O projeto Circuito Autoral Puxadinho é uma força aos artistas que produzem sons próprios. “O CAP é um espaço para renovação e respiro da cena independente com apresentação de bandas iniciantes que entram em contato com nossa produção. O projeto acontece em algumas sextas e sábados do mês, sempre às 19h, e é uma forma de apoiar e dar boas vindas aos novos artistas. Já passaram pelo projeto bandas como Gestos Sonoros, Projeto Da Mata, Héloa, Amanticidas,  Manalu, Dessinée (PE), Desa, dentre outros”, diz o site do espaço. Além disso, Puxadinho possui os projetos Onda Instrumental e o Ensaio no Puxadinho e Encontro dos Músicos, promovendo jams gratuitas.

Banca Tatuí – Rua Barão de Tatuí, 275, Vila Buarque

Quem já tocou por lá: Serapicos, Isabela Lages, Bela & Mica

A Banca Tatuí, na verdade, é o que o nome diz: uma banca. Com um porém: eles apostam em publicações independentes e fogem de grandes editoras como os fantasmas fogem de Peter Venkman. E lógico que uma banca com uma mentalidade dessas não ia passar longe da música, né? De tempos em tempos, a banca promove shows em seu teto (e às vezes a PM aparece por lá pra acabar com a festa, mesmo que as apresentações sempre rolem antes das 22h) “Nós trabalhamos apenas com publicações independentes – grandes editoras já fizeram propostas para estar na Banca Tatuí, porém declinamos todas. Nada mais justo, portanto, do que ter também música marginal nos nossos lançamentos. Isso reforça nossa identidade, aposta e crença nos novos nomes da arte seja o meio de expressão que for”, disseram.

Serralheria – R. Guaicurus, 857 – Lapa

Quem já tocou por lá: Terno Rei, Bárbara Eugênia, YoYo Borobia

A Serralheria é uma casa que foi criada no espaço que abrigava uma velha serralheria na Lapa, em São Paulo. Juliana Cernea, Miguel Salvatore, Amadeu Zoe e Thiago Rodrigues se uniram e com a ajuda do marceneiro e designer Pawel (JPS) e integrantes do Barulho.org, reformaram e deixaram o lugar como ele é hoje. “Em pouco tempo se estabeleceu uma programação musical cujo principal e árduo objetivo é trabalhar com música ao vivo. A casa recebe semanalmente diferentes propostas musicais que são avaliadas para compor a programação”, diz o site do espaço.

Mundo Pensante – Rua 13 de Maio, 825 – Bixiga

Quem já tocou por lá: Tabatha Fher, Di Melo, Zebrabeat

Sim, a Mundo Pensante fica na 13 de Maio, onde rolam várias casas que apostam em bandas cover e classic rock do mais manjado. O espaço cultural integra eventos de música, artes visuais, artes do corpo e filosofia. As atividades do espaço resgatam um pouco da essência do Bixiga, bairro que foi berço de diversos artistas e espaços que mudaram e ajudaram a criar a cultura da cidade de São Paulo.

Surdina @ Funhouse – Rua Bela Cintra, 567, Consolação

Quem já tocou por lá: Francisco El Hombre!, Nevilton, BBGG

Segundo Dani Buarque, da banda BBGG e uma das criadoras da Surdina, “a festa surgiu em janeiro de 2015. Eu queria uma festa nova na Funhouse e chamei meus amigos Wonder Bettin (guitarrista do Esperanza) e Monteiro (DJ). A Funhouse foi o palco do underground paulista durante muitos anos, todas as bandas tocavam lá, tinha show com bastante frequência. Após a reforma (+ ou – 3 anos atrás), tiraram o palco e nunca mais teve show. Tivemos a ideia de tentar uma coisa com banda lá e a Funhouse apoiou 100% a idéia. Começamos do zero, sem equipamentos nenhum, fazendo corre de pegar tudo emprestado. Depois do sucesso da primeira edição, a Funhouse vem nos ajudando mês a mês e comprando aos poucos tudo que precisamos pra fazer os shows lá. Nas 3 primeiras edições optamos por formatos mais pocket e acústico. Na 4ª edição, arriscamos e colocamos a BBGG pra plugar tudo e levar a batera completa. Foi lotado, lindo e o som ficou animal. Como nos velhos tempos. As bandas que passaram por lá foram Naked Girl and The Aeroplanes, Francisco El Hombre!, Nevilton, BBGG, Blacklist e agora na próxima edição em Julho teremos a banda Esperanza (ex- Sabonetes) que já tocaram bastante na Funhouse quando tinha shows.”

Sensorial Discos – Rua Augusta, 2389, Cerqueira César

Quem já tocou por lá: André Frateschi, Jair Naves, Fábio Cardelli

A Sensorial Discos é uma casa que, claro, vende discos, mas também conta com cervejas artesanais e shows ao vivo dos mais diversos estilos. Porque a casa aposta em bandas autorais e independentes? Lucio Fonseca explica. “A Sensorial é uma loja que sempre apostou e abriu espaço para os autores e músicos independentes, e por isso nada mais coerente e lógico do que abrir a casa apenas para shows autorais, soma-se a isso a imensa qualidade dos trabalhos independentes e do gosto pessoal da nossa equipe, incluído eu, por músicas e bandas novas”.

Casa do Mancha – R. Felipe de Alcaçova, 89 – Pinheiros

Quem já tocou por lá: Camarones Orquestra Guitarrística, Gui Amabis, Carne Doce

Segundo a página do Facebook da Casa do Mancha, o local busca “propagar a paz e a harmonia entre as pessoas”. O melhor jeito de fazer isso é com música, certo? A casa busca juntar o melhor do alternativo em São Paulo, com apresentações que vão do rap ao samba e do rock ao pop/eletrônico. Um local pequeno feito pra juntar quem realmente gosta de música e quer curtir um som sem preocupações.

Cervejazul – Praça Ciro Pontes, 72 – Mooca

Quem já tocou por lá: Mary Chase, Hooker’s Mighty Kick e  inúmeras bandas iniciantes

Se você tem uma banda, deve conhecer o Cervejazul. Talvez você tenha ido ao Cervejazul assistir ao show de algum amigo. Talvez você até já tenha tocado no Cervejazul. Fundado em 2001, o local atua na cena do rock apostando na apresentação de bandas independentes (algumas recém-formadas) em seu palco. É ótimo ter um lugar que aceite as bandas iniciantes e ajude-as a perder a virgindade de palco. Quem sabe uma nova cena rock não esteja nascendo ali?

Algumas das frases mais imbecis já proferidas por músicos

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Não é porque você gosta da música de um cara que deve ignorar que ele é, antes de tudo, humano. Ou seja: provavelmente ele também fala muita besteira às vezes, assim como aquele seu tio que manda uma piadinha machista no churrasco de família ou quando sua mãe defende a pena de morte com unhas e dentes.

É lógico que não é porque um artista falou uma bobagem tremenda que você precisa parar de ouvir sua música (a menos que as músicas comecem a conter bobagens tremendas, é claro). Afinal, eu ainda gosto de Ultraje a Rigor mesmo com seu vocalista desferindo pesadas bobagens nas redes sociais.

Confira algumas das maiores baboseiras já ditas por músicos e use todo seu poder de facepalm. Ah, controle-se pra não chorar ou quebrar a tela do computador.

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“Madonna está mais próxima da prostituição organizada do que de qualquer coisa” – Morrissey

 

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“Vote em Enoch Powell … Eu acho que Enoch está certo, acho que devemos mandá-los todos de volta. Impeça que a Grã-Bretanha se torne uma colônia negra. Expulse os estrangeiros. Mande os australianos embora. Mande os negros embora. Mantenha a Grã-Bretanha branca.” – Eric Clapton

 

Noel Gallagher “Eu odeio Alex James e Damon Albarn (do Blur). Eu espero que eles peguem AIDS e morram” – Noel Gallagher

 

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“Se você é um homem de mais de 25 anos e não come várias bucetas, apenas se mate. O mundo será um lugar melhor” – 50 Cent

 

Vida de músico Lobão será filmada

“Torturadores arrancaram umas unhazinhas” – Lobão, sobre a ditadura

 

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 “Vou te contar, os caras que fazem sexo com os orifícios anais – como podemos ofender caras que realmente fazem sexo anal? Você não acha que eles que podem ofender alguns de nós que acham que é desprezível?” – Ted Nugent 

 

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“Meu pau é como uma supremacia branca” – John Mayer, falando que só namorava com brancas

 

cee-lo-green-ringtones-e1311401175250 “Se alguém está desmaiado, não está com você conscientemente! Assim, isso mostra consentimento. Pessoas que realmente foram estupradas se lembram!” – Cee Lo Green

 

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“Eu não dou a mínima para seus urubus amarelos” – Johnny Cash, após quase extinguir uma espécie de pássaro quando deixou seu carro pegando fogo

 

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 “Eu vi o mal da homossexualidade sair de vocês… A AIDS é o resultado de seus pecados. Mas não me interpretem mal, Deus ama você, mas não do jeito que você é agora” – Donna Summer

 

Gene-Simmons-Piracy “Eu amo todas as mulheres, eu nunca vou parar, quero cada menina que já viveu. Eu fodo tudo que se move e se não se mover… a gente dá um jeito” – Gene Simmons

 

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“E tem mais, seu bosta: minha família não foi perseguida pela ditadura. Porque não estava fazendo merda” – Roger Rocha Moreira, em resposta à Marcelo Rubens Paiva

 

geri halliwell8e “Para mim, o feminismo é um lesbianismo com queima de sutiã. É muito pouco gloriosa. Eu gostaria de vê-lo renomeado. Precisamos ver uma celebração da nossa feminilidade e suavidade” – Geri Halliwell, das Spice Girls, a banda do “Girl Power”

 

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“Estive estudando a lavagem cerebral comunista e sei que os Beatles são uma força poderosa contra o espírito americano” – Elvis Presley, para Richard Nixon

Onde o rock se esconde (ou: Como o One Direction ganhou minha simpatia)

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Aí as bandas de rock estão cada vez mais sumidas das paradas de sucesso e das rádios comerciais. Então você fica reclamando que a música pop matou o rock, e que não existem mais bandas que valham a pena nas paradas de sucesso. Você tem vontade de dar um tiro de bazuca no rádio assim que o liga. Tem saudades de saber cada nota do solo de Eddie Van Halen em “Beat It”, de Michael Jackson, quando esta estava em primeiro lugar nas paradas de sucesso. Diz que “essa criançada não sabe nada de música”.

Tá, muitas das coisas acima podem se aplicar inclusive à mim, que vivo reclamando da música pop atual e da falta que estão fazendo os instrumentos musicais em uma era em que um DJ é mais importante que um baterista ou um baixista. E, principalmente, por não existir nenhuma banda de rock em alta entre o público que não é necessariamente “do rock”.

Será mesmo? Pois eu te digo que não. Assim como Jason Vorhees, o rock pode parecer morto diversas vezes, mas sempre volta, mesmo que horrível (vocês assistiram “Jason Vai Para o Inferno”? Puta filme horrível! É o equivalente ao Simple Plan na história do rock). E uma das bandas que conseguiu fazer uma música bem bacana que é mais rock que muita banda “de rock” que está por aí é o One Direction.

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Sim, você leu direito: o One Direction. Foi do quinteto de Londres que ficou em terceiro lugar no X Factor de 2010 que eu ouvi um bom rock. “Little Black Dress”, do disco “Midnight Memories”, de 2013, é um power pop que remete diretamente ao Cheap Trick e ao Big Star. Uma bela canção pop com um riff chiclete, solo de guitarra bacana e um refrão que fica na cabeça pelas próximas horas à sua audição. E digo mais: muito mais rocker do que os hits de Foster The People e Imagine Dragons que a criançada dita “roqueira” tem ouvido por aí.

Se a ideia de gravar uma música tão “That 70’s Show” veio dos próprios garotos ou do produtor, pra mim tanto faz. E acrescento que não é o primeiro flerte com o rock da galerinha do Harry Styles. Afinal, o cover mais famoso que eles já gravaram é de Blondie e Undertones na mesma música. Isso mesmo: Blondie e Undertones!

Tem também o megahit “What Makes You Beautiful” (que você não consegue cantar sem lembrar de Nissim Ourfali), que é quase uma versão de “Summer Nights”, o clássico tema do filme “Grease”. E é um quase-rock, mesmo com a limpeza e as batidinhas eletrônicas acrescentadas pela produção.

E tem o mega-hit “Best Song Ever”, que chupa com gosto o riff de “Baba O’Ryley” do The Who em sua introdução e refrão. Tô falando sério:

O que eu estou querendo dizer com esse post é principalmente o seguinte: O One Direction tá fazendo rocks melhor do que as bandas de rock de hoje em dia, quando tá afim. Ou seja: One Direction, invista mais em músicas como “Little Black Dress” que eu prometo que ouço mais vocês.

(Ah, e eu aposto que se eu tocar “Little Black Dress” durante uma festa de rock da noite paulistana, ninguém vai se ligar que é One Direction a menos que seja fã do grupo e capaz de dançar como se fosse uma dos Strokes. Duvida?)

O momento bunda-mole que toda banda atinge

Acho que é melhor eu começar explicando o que eu quero dizer com o título, e depois dissertar sobre o que eu quero dizer com “bunda-mole”. Bom, muitas bandas de rock começam sua carreira com discos crus, pesados, rápidos e mostrando tudo que é a essência musical daquele grupo de pessoas. Todas suas influências, sua pegada e espontaneidade estão ali, impressas. Porém, conforme a carreira vai se desenrolando, o som acaba mudando. Em alguns casos, para direções interessantes, inclusive, mas algo quase sempre acontece: cedo ou tarde eles acabam colocando canções bunda-mole que nunca estariam presentes nos primeiros discos, que carregavam o DNA da banda em seu estado puro.

Explicando um pouco a expressão “bunda-mole” que utilizei: me refiro a músicas mais lentas, baladas, coisas mais “acessíveis” ao público e flertes com estilos “da moda”, deixando o peso de lado e às vezes abandonando completamente tudo que a banda significava. Pressão da gravadora? Vontade de fazer sucesso e aparecer para um público ainda maior? Uma verdadeira mudança de direção criativa? Na minha opinião, as duas primeiras opções me parecem mais críveis, embora o otimismo às vezes me leva a acreditar na terceira.

Se você nunca notou essa guinada bunda-mole que as bandas costumam ter, vamos a alguns exemplos para você comparar. Veja se concorda comigo:

Raimundos
“Nega Jurema” (1º disco – Raimundos – 1994)
“A Mais Pedida” (5º disco – Só No Forévis – 1999)

 

Slipknot
“Surfacing” – (1º disco – Slipknot – 1999)
“Vermillion” – (3º disco – Vol 3 – The Subliminal Verses – 2004)

 

 

The Offspring
“Beheaded” – (1º disco – Offspring – 1989)
“Crusing California” – (9º disco – Days Go By – 2012)

 

Titãs
“Bichos Escrotos” (3º disco – Cabeça Dinossauro – 1987)
“Antes de Você” (13º disco – Sacos Plásticos – 2009)

 

Red Hot Chili Peppers
“No Chump Love Sucker” (3º disco – The Uplift Mofo Party Plan – 1986)
“Californication” – (7º disco – Californication – 1999)

 

Green Day
“2000 Light Years Away” – (2º disco – Kerplunk – 1992)
“Oh Love”  – (9º disco – Uno! – 2012)

 

Goo Goo Dolls
“Up Yours” – (2º disco – Jed – 1989)
“Iris” – (6º disco – Dizzy Up The Girl – 1998)

 

E na sua opinião, porque isso ocorre?
Pressão da gravadora?
Vontade de fazer sucesso a qualquer custo?
Mudança de direcionamento musical?
A famigerada parceria com Rick Bonadio?

O rock sem rock que assola o mundo

Vamos ser sinceros: o rock não morreu. Aliás, nunca morrerá, enquanto tivermos nossos discos dos Stooges e continuarmos a ouvir o David Bowie e os Ramones. Enquanto existir na face da Terra um disco dos Rolling Stones, o rock permanece vivo e chutando.

Porém, ele não está mais aparecendo muito na mídia. Afinal, o “indie” que faz a cabeça do atual público “roqueiro”, em sua maioria, poderia muito bem ser um popzinho disfarçado. O que anda por aí é um ~rock~ muito do domesticado e bunda mole. Isso não necessariamente significa que as músicas em questão são ruins ou abomináveis, mas não tenho coragem de classificá-las como “rock”, sendo que até um som do Dr. Silvana soa mais selvagem.

Vamos a um exemplo e eu explicarei minha opinião:

Este é o Foster The People com o sucesso “Pumped Up Kicks”, que tocou até cansar nas “rádios rock” e nas baladas ditas “rockers” da Rua Augusta. Eu me pergunto: cadê o rock dessa música? Vocalzinho cheio de efeitos, batidinha “pra dançar”… mas cadê as guitarras? Cadê a virada de bateria? Cadê a rebeldia? Não existe. É o rock Sucrilhos, pra ouvir com seus pais no café da manhã.

Outro exemplo? Tá, vou jogar, só pra não dizerem que é essa música específica:

Nem preciso mudar meu texto, então só vou mudar os nomes e ctrl+c ctrl+v na cabeça:

Este é o Foster The People Fun com o sucesso “Pumped Up Kicks” “We Are Young”, que tocou até cansar nas “rádios rock” e nas baladas ditas “rockers” da Rua Augusta. Cadê o rock dessa música? Vocalzinho cheio de efeitos, batidinha “pra dançar”… mas cadê as guitarras? Cadê a virada de bateria? Cadê a rebeldia? Não existe. É o rock Sucrilhos, pra ouvir com seus pais no café da manhã.

Um dia desses eu estava discotecando em uma festa pop e veio uma menina me pedir uma música. Pediu a (já saturada) “Do I Wanna Know”, do Arctic Monkeys. Expliquei que havia uma pista dedicada ao rock na festa, e que esta poderia ser tocada lá. Ela me retrucou com “Mas essa não é rock, é indie“. Será que ela estava tão errada assim?