Caio Moura é a atração da festa de lançamento da rádio AntenABlack

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Você deve se lembrar do cantor Caio Moura, cujo no ano de 2017 deu uma excelente entrevista aqui no blog. Dono de uma voz potente, esplendida e peculiar, o cantor está as vésperas de lançar o seu primeiro trabalho intitulado “Coração Balança”.

E neste próximo sábado dia 10 de março, Caio Moura é uma das principais atrações da festa de lançamento da Rádio AntenABlack que será realizado no Estúdio Espaço Som em Pinheiros.

Mais informações no evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/291645518029528/

Enquanto isso, aprecie essa nova revelação da música negra brasileira com a canção “Meu Cais”.

Lennon Fernandes tira seus diversos sons da gaveta em primeiro trabalho solo, “Abstrato Sensível”

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Lennon Fernandes já passou por bandas que fizeram barulho no cenário independente, como Tomada, Os Skywalkers, Andeor, Baleia Mutante e diversas outras. Em 2017, chegou a hora do músico e compositor navegar pela primeira vez em caminhos solo, tirando da gaveta tudo o que produziu desde o início de sua carreira musical. Desta escavação musical saiu “Abstrato Sensível”, álbum em que gravou todos os instrumentos.

“Eu fiz os arranjos, gravei os instrumentos e mixei tudo sozinho. E pensei bastante nessa questão de “unidade”. Tinha essa preocupação, de vibrar como um álbum de uma banda”, conta. “Fui até o técnico de gravação! Engraçado que eu estava no processo de me “aceitar” como artista solo que eu nem falei nada pra ninguém”.

Conversei com ele sobre sua carreira e a investida solo:

– Quando você começou sua carreira e como começou?

Em 2017 lancei meu primeiro trabalho solo, meio sem querer, gravando umas músicas que estavam “na gaveta”. Mas desde 97… 98 toco em bandas. Nesse meio tempo toquei nas bandas Tomada, Os Skywalkers, Andeor, Baleia Mutante entre outras.

– E como foi a transição das bandas pro trabalho solo?

Teve dois momentos. Primeiro vi que eu tinha muitas músicas paradas, que não cabiam nas bandas que eu participava. Segundo tive que me “aceitar” como artista solo. Quando entendi isso foi escolher algumas composições e começar a gravar.

– E como rolou esse mais recente disco? Ele tem muitos estilos diferentes condensados em uma só obra, e mesmo assim tem uma unidade…

Costumo falar que o “Abstrato Sensível” teve um processo de criação parecido com de um pintor em seu atelier, produzindo sozinho uma tela. Eu fiz os arranjos, gravei os instrumentos e mixei tudo sozinho. E pensei bastante nessa questão de “unidade”. Tinha essa preocupação, de vibrar como um álbum de uma banda.

– Mas então ele é realmente um álbum solo literalmente, né. Você fez tudo praticamente sozinho!

Isso. Fui até o técnico de gravação! Engraçado que eu estava no processo de me “aceitar” como artista solo que eu nem falei nada pra ninguém. Minha família, meus amigos, sabiam que eu passava horas no estúdio mas nem imaginavam que eu estava gravando um álbum. Quando ficou pronto foi uma surpresa pra todos.

– Me conta mais sobre o processo de composição desse disco.

Pra mim é como uma coletânea. Cada composição é de uma fase da minha vida. Por exemplo “Viajante do tempo” e “Sempre” são de 2006 e 2008. “Fios elétricos” é de 2015. Mas todas foram compostas num formato simples violão e voz.

– E as influências também são bem variadas, pelo que notei. De Hendrix a MPB…

Sim! Gosto muito do rock entre 67 e 72. Gosto muito de Clube da Esquina também. Eu, quando estava selecionando o repertório pro disco, pensei nessas influências que queria mostrar. Mas tem outras que gosto muito como Neil Young e Arrigo Barnabé que não consegui colocar dessa vez, quem sabe no próximo.

– Ou seja: já está pensando no próximo! Pode adiantar um pouco do que está pensando para ele?

Então, estou pensando mesmo (risos)… Dessa vez estou escolhendo poucas músicas que estão na gaveta. Meu objetivo é fazer um álbum com temas que estejam mais atuais na minha vida. Retratar mais o que eu acredito no momento.

– Como você definiria sua vida como artista independente hoje em dia?

O artista independente tem que aprender a fazer tudo. E se meter em todos lugares. Eu estou nesse aprendizado. Ano passado criei o selo Parafuseta Records, convidei outros amigos para participar, hoje somos oito artistas, por enquanto, e a ideia é crescer. Fazemos constantes apresentações na Avenida Paulista e algumas praças de São Paulo e do interior de São Paulo.

– Isso está acontecendo bastante, pelo que vejo: a criação de selos, os shows nas ruas…

Então, precisamos disso. O cenário de música autoral estava num declínio. Não por falta de compositores ou bandas. Acredito que mais por falta de espaços e oportunidades. A rua é ótima porque o público que quer ouvir um som novo encontra ali, fácil, acessível, não escondido dentro de um barzinho.

– E como tem sido a recepção do disco?

A galera tem gostado bastante do álbum, da arte, do encarte do cd físico e do show. Principalmente da “Fios Elétricos” por conta do videoclipe também. E esse é um feedback importante porque motiva na continuação do trabalho.

– Quais seus próximos passos?

Atualmente estou compondo as faixas do meu segundo álbum. O objetivo é começar pensar nos arranjos e gravar ainda no primeiro semestre de 2018. E incluir algumas dessas faixas novas nos shows. Paralelamente expandir meu trabalho de produtor no selo, trazendo mais artistas pra gravar.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é a pergunta mais difícil (risos) porque existem tantos nomes bons atualmente que não caberia aqui, mas vou sugerir o que tenho escutado mais e de alguma forma me inspiram:

2 de 1 (álbum “Transe”)
Bratislava (álbum “Fogo”)
Daniel Zé (álbum “Calma Karma”)
Ekena (álbum “Nó”)
Marina e os Dias (single “Can we go?”)
Marina Melo (álbum “Soft Apocalipse”)
Strawberry Licor (EP “Pupsy”)

“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” (2009) – A sofrência em primeira pessoa

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“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”
Lançamento: 2009
Direção: Karim Aïnouz, Marcelo Gomes
Roteiro: Karim Aïnouz, Marcelo Gomes
Elenco: Irandhir Santos

Muito lindo, reflitão, cheio de clichês, mas muito real e super sofrência.

José Renato (Irandhir Santos) é um geólogo que atravessa o sertão fazendo estudos para um possível canal a ser construído no “Rio das Almas” (uma alusão ao São Francisco). Inteiro com câmera em primeira pessoa (passa na tela, o que seria a visão da personagem), as imagens acompanham sempre a narração da voz melancólica do protagonista que nos conta entre análises do solo, sobre as pessoas que esse canal desabrigaria, sobre o fora que levou pouco antes de partir nessa pesquisa de campo, sobre a relação que tinha e sobre todo o resto das coisas do mundo. A partir dessas narrações e de algumas cenas de entrevistas colhidas ainda nos anos 90, com pessoas que de fato não são atores (o filme transita sempre entre a ficção e o documentário), o brasileiríssimo “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, traz uma série de reflexões de cunho filosófico e sociológico.

Casal gravado pelo geólogo. Serão obrigado a sair de onde moraram toda a vida por conta do canal…

Com uma pegada de road movie, uma boa parte do filme é a paisagem da estrada sempre igual vista pelo para brisa do geólogo. Contudo, apesar de isso poder parecer um tanto quanto entediante, o rádio sempre ligado garante um outro ritmo, bem mais gostoso.

Cheio de clássicos da sofrência, cantados sempre com aquela voz meio trêmula que beira um choro, a música completa muito mais que bem todo o tom de “paixonite + pénabunda + solidãodaestradadosertão”. Mas o auge com certeza, é um sapateiro que aparece como um dos que serão desalojados, cantando “Meu Último Desejo” do Noel Rosa.

Além dessa, o filme ainda tem “Sonhos”, “Morango do Nordeste”, “Esta Cidade É Uma Selva Sem Você”, as estrangeiras “Échame A Mi La Culpae “Un Chant D’Amour”, e mais muitas outras pra chorar e muito.

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha Sonora:

Construindo Homens de Melo: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Homens de Melo, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

“Não tivemos, efetivamente, bandas que nos influenciaram diretamente a fazer o álbum, mas com certeza as influências individuais fazem com que aconteça essa mistura se tornar uma coisa só. Então decidimos juntar as músicas que mais fazem sentido na vida de cada integrante (bem democraticamente, cinco músicas cada um) pra mostrar quem somos”, explicou a banda.

Gabriel Sielawa (voz/guitarra)

Vulfpeck“Fugue State”
Essa foi a primeira música que eu ouvi deles, fiquei fascinado pela forma de se fazer música, os timbres, o visual e tudo que englobava aquele novo. Hoje é uma das bandas que eu mais escuto e que me inspira na vida como um todo.

Chico César“Beradêro”
Fiquei entre dois Chicos, mas como eu não conseguiria escolher uma do Buarque, resumi nessa divindade em forma de poesia. A brincadeira com as palavras e a forma de criar imagens surreais, mas cheias de sentido, me fascina.

Simon & Garfunkel“Bookends Theme”
Embora “Scarborough Fair”, na versão da dupla, seja a música da minha vida há anos, bookends tem me deixado em paz, me lembrando que as coisas se findam. Sem contar que a marca que esses dois gringos deixaram em mim, na adolescência, não foi pequena.

Fleet Foxes“Someone You’d Admire”
Me apresentaram a banda em meados de 2010, pivete, no colegial. Desde então me vi mergulhado em um mundo suave, de músicas sutis, mas fortíssimas. Não é só a música, mas a banda me influencia diariamente. Pra quem ainda não conhece, só mergulhe.

Cássia Eller – “Queremos Saber”
Essa mulher mudou a minha vida. Simplesmente. Qualquer música que eu escolhesse faria todo sentido, mas essa é uma composição genial do Gil, na voz da mulher que me virou do avesso.

Nina (Rodrigo Leal) (bateria)

“Durante o processo de criação das musicas para o álbum da Homens de Melo consegui me adaptar ao novo cenário proposto, a criar ouvindo musicas que me tiravam da zona de conforto e comecei a descobrir mais os ritmos cubanos, brasileiros, entre outros”.

Djavan“Malásia”
É um som que descobri recentemente e que acredito se relacionar às minhas composições rítmicas. Me fez pensar como o Brasil é rico musicalmente, com seus artistas e álbuns incríveis! O Djavan com certeza fez e fará parte do meu repertório.

Djavan“Bicho Solto”
Gosto demais desse disco todo, “Com Você É”, “A Carta” e “Retrato da Vida”, mas “Bicho Solto” foi a música que me inspirou diretamente a criar uma das musicas do álbum da Homens de Melo.

Buena Vista Social Club“Dos Gardênias”
Essa é uma música que me remete a coisas boas e a todo o processo de conhecimento da música cubana, seus toques e que até hoje me encanta.

Jorge Ben“Zumbi“
Esse som me arrepia só de ouvir o começo! (risos) Jorge Ben é um compositor que sempre admirei muito, mas que só comecei a conhecer mais quando minha namorada introduziu nas trilhas das nossas viagens.

Tim Maia“Primavera”
Essa música marcou demais a minha infância. Minha mãe ouvia demais musicas de rádio e sempre tocava alguns artistas brasileiros, e “Primavera” era a música que mais se repetia… Porém, ela é demais, e mais demais ainda é saber que a partir dela, foi composta o single da Homens de Melo. Não imagina uma composição tão antiga, fizesse sentido pra mim nos dias de hoje.

Rafael Pessoto (guitarra)

Baden Powell“Berimbau”
Som alegre com arranjos fortes (mesmo na versão que só tenha um violão) gosto dela pois valoriza a brasilidade, nossa cultura, mas principalmente pela forma que ela foi composta: sendo iniciada pela harmonia instrumental até seu amigo Vinicius de Moraes adaptar a letra, respeitando fielmente a melodia proposta pelo violão. Uma forma diferente de composição!

Anderson Paak“Heart Don’t Sand a Chance”
É uma musica marcada pelo minimalismo dos arranjos, o que me cativa é essa mistura de funk com influências do rap, são geniais. Me fez entender que cada instrumento tem sua função especifica, e saber “brincar” com isso é essencial.

Bob Marley“Concrete Jungle”
Pode não ter nada a ver com a Homens de Melo, porém possui uma grande influência do blues dentro do reggae. Me fez entender melhor a imersão de ritmos distintos. É uma musica que me acompanha a anos porém cada vez que eu escuto rola uma nova aprendizagem.

Nirvana“Come As You Are”
Apesar de não escutar muito essa musica, não poderia deixar de cita-la pois foi a primeira música que aprendi a tocar na vida, um primo meu me ensinou as poucas notas e eu já me identifiquei ali! Ela também me incentivou a prestar atenção nos timbres da guitarra e seus respectivos efeitos, neste caso o chorus bem robusto.

Mutantes“Pitágoras”
Essa musica quem me apresentou foi o Gabriel Sielawa e desde lá me encantei, descobri o sentido real da palavra psicodelia, é uma musica que te leva a varias sensações sem dizer sequer uma palavra. Ela é a prova que as vezes o instrumental de um som te diz muito mais que a própria letra!

Luise Martins (baixo)

Barão Vermelho“Maior Abandonado”
Essa foi a primeira música que toquei com uma banda, que nem era a Homens de Melo ainda. Foi uma fase de Barão Vermelho, comprei todos os DVDs, vi todos os vídeos, entrevistas, me apaixonei pela banda, hoje não escuto tanto, mas quando toca a primeira não consigo não continuar escutando.

Elis Regina“Vou Deitar e Rolar”
Difícil escolher só uma música da Elis, é minha cantora favorita. O jeito que ela canta, brinca com a música, parece que é dona de tudo ali, sempre me emociono quando escuto.

Los Hermanos“Último Romance”
Foi uma das primeiras músicas que tiramos com a Homens, passávamos as tardes de domingo tocando e foi em uma viagem para São Paulo para ver o show deles que decidimos o nome da banda. Não tem como essa não estar nessa lista.

Emicida “Levanta e Anda”
Essa música ficou repetindo por muito tempo no som do carro, e sempre quando preciso dar aquela animada e lembrar que nem tudo está perdido é ela que sempre vem. Emicida é um dos meus cantores favoritos, por toda sua força que passa pelas suas músicas.

Luiza Lian“Cadeira”
Esse CD inteiro é incrível, mas essa música em especial me faz imaginar um cenário inteiro enquanto ela canta. Pra mim, é sempre uma experiência diferente quando escuto.

Gal Costa encerra a turnê “Estratosférica” com shows na Casa Natura Musical

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A cantora Gal Costa, apresentou o show de lançamento do DVD “Estratosférica Ao Vivo” no último final de semana em São Paulo. Este é o segundo de uma série de shows do projeto Biscoito da Casa, uma iniciativa da Biscoito Fino com a Casa Natura Musical que promove shows com o consagrado elenco de alta qualidade da gravadora. O projeto estreou com Angela Maria e as “Canções de Roberto e Erasmo” (em 17 de janeiro) e tem, entre suas próximas atrações, nomes como Angela RoRo (sexta, 2 de março), Francis e Olivia Hime e Fabiana Cozza.

Estratosférica ao Vivo não é apenas o registro de um show de Gal Costa. É, mais ainda do que isso, o retrato da artista ao alcançar os 70 anos de vida, 50 deles dedicados à música. Com direção geral de Marcus Preto e produção musical de Pupillo (Nação Zumbi), o espetáculo estreou no Teatro Castro Alves, em Salvador, em 27 de setembro de 2015, o dia seguinte ao aniversário da cantora.

O show comemora a ótima fase vivida pela cantora, que abriu a apresentação interpretando a canção “Sem Medo Nem Esperança”, que abre também a versão em estúdio do trabalho e nos presenteia com versos como “Nada do que fiz / Por mais feliz / Está à altura / Do que há por fazer”. Uma introdução ao universo estratosférico que a cantora nos conduziria noite a dentro.

No primeiro bloco do show, já tivemos a presença marcante de sucessos de sua carreira como “Mal Secreto”, “Não identificado” e “Namorinho de Portão”, essa última cuja versão feita pela banda Penélope tornou-se um hit entre os jovens expectadores da MTV Brasil no final dos anos 90.

“Cabelo” impressionou com sua versão heavy metal, enquanto Gal balançava os cabelos, levando a platéia ao delírio. “Sim Foi Você” encerrou o trecho calmo da apresentação e nos brindou com a cantora voltando as origens e tocando violão para acompanhar a canção de Caetano Veloso.

As canções do disco “Estratosférica” tiveram uma ótima aceitação e foram cantadas em peso. Destaque para o single “Quando Você Olha Pra Ela” e “Jabitacá”. “Como 2 e 2”, “Pérola Negra” e “Arara” foram a prova de que o canto de Gal estava no ponto e causou comoção entre os presentes no público. O bis ficou por conta de “Meu nome é Gal” e não foi o suficiente: os gritos de “mais um! mais um!” tomaram conta do espaço, porém, dessa vez, o público ficou na vontade.

O que vimos nessa apresentação, foi uma cantora moderna, antenada e com um repertório formado por diversos novos nomes da música brasileira ao lado de compositores já renomados e com extensa carreira. Gal, ao contrário de outras da sua geração, não parou no tempo e muito menos vive de passado. Com certeza a cantora ainda tem muito o que fazer pela música brasileira e não é a toa que inspira diversas gerações.

Set List

1. Sem Medo Nem Esperança

2. Mal Secreto

3. Jabitacá

4. Não Identificado

5. Namorinho De Portão

6. Ecstasy

7. Casca

8. Dez Anjos

9. Acauã

10. Cabelo

11. Quando Você Olha Pra Ela

12. Cartão Postal

13. Por Um Fio

14. Três Da Madrugada

15. Sim Foi Você

16. Como 2 E 2

17. Pérola Negra

18. Por Baixo

19. Arara

20. Estratosférica

21. Os Alquimistas Estão Chegando

Bis

22. Meu Nome É Gal

Fotos: Silmara Sousa

Construindo Gabriela Garrido: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Gabriela Garrido, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Tegan and Sara“Call It Off”
A partir dessa música eu fui apresentada a uma das minhas bandas favoritas, Tegan and Sara. Se não fosse o “The Con” – o álbum dessa canção – acredito que eu não teria começado a compor.

Courtney Barnett“Avant Gardener”
Essa música é muito especial pra mim! Conheci Courtney Barnett no fim de 2016 e me apaixonei pelas letras dela. Ela escreve bastante sobre situações mundanas e cômicas, e essa música é um excelente exemplo disso. Me inspirou para escrever “De Bicicleta”.

Paramore“Born For This”
Ah, minha adolescência! Se eu não quisesse imitar a Hayley Williams eu nunca teria começado a cantar. O “Riot!” marcou a minha vida e meu despertar artístico!

Green Day“Are We The Waiting”
Green Day foi minha primeira “banda favorita”. O “American Idiot” foi a porta de entrada para minha obsessão com música e principalmente com o pop punk e o pop rock.

Yeah Yeah Yeahs“Phenomena”
Yeah Yeah Yeahs também foi uma grande descoberta da adolescência, e a Karen O se tornou mais uma grande referência de vocalista para mim. Principalmente quanto às performances no palco.

Johnny Hooker“Amor Marginal”
O som do Johnny Hooker foi crucial para o início da carreira solo. Depois de muito tempo sem me apaixonar por sons brasileiros, o disco dele me arrebatou completamente e serviu como um empurrãozinho para que eu começasse a acreditar no meu trabalho e compartilhasse minhas canções com o mundo. Ele foi uma grande referência principalmente para a minha música “Pela Metade”, que está no novo EP.

Frank Ocean“Self Control”
Ouvi muito Frank Ocean gravando o meu último EP, que vai sair em março. Essa música, principalmente, tem um efeito surreal sobre mim! Sinto muita emoção na interpretação dele e tentei “roubar” um pouquinho disso gravando a voz.

Rubel“Quando Bate Aquela Saudade”
Assim como com o Johnny Hooker, o Rubel chegou na melhor hora possível. Foi como uma reaproximação da música brasileira através desses novos sons, bem quando eu começava a querer entrar nesse mundo. Amo esse disco inteiro, mas acho que todo mundo que escuta concorda que essa música tem algo de muito especial, e não é à toa que ficou bem conhecida. Gostei tanto que acabei até participando do clipe dela (risos). Dá pra me ver na cena do metrô, de cabelo grande, quase irreconhecível!

Amy Winehouse“I Heard Love Is Blind”
Essa música, para mim, é simplesmente perfeita. A letra, o arranjo, a interpretação. Eu gosto da simplicidade e da autenticidade dela. Tento levar isso comigo. Foi um presente incrível que a Amy deixou.

Lady Gaga“Speechless”
Junto com Paramore, Green Day e afins, a Gaga fez parte do meu despertar musical na adolescência. “Speechless” é uma das canções que me mostrou o enorme talento que ela tem. Lia sem parar sobre ela quando comecei a cantar, e a devoção e a trajetória são realmente inspiradoras.

Cazuza“Eu Queria Ter Uma Bomba”
Apesar das minhas referências serem – em maior parte – atuais e gringas, em matéria de composição, Cazuza é uma inspiração gigante. Queria muito ter escrito essa!

Cássia Eller “Mapa do Meu Nada”
Acredito que a Cássia sempre será minha cantora brasileira favorita. “Mapa do Meu Nada” é especial. Fiz um cover dessa música no meu primeiro show como cantora solo. Sonho em chegar perto da potência e da emoção que a voz dela transmitia.

Bleachers“I Wanna Get Better”
Eu amo tudo que o Jack Antonoff faz. Mesmo. Essa música foi a porta de entrada para a minha obsessão com Bleachers, o projeto mais recente dele. Acabei mergulhando nas canções e no processo criativo da banda, que hoje é uma das minhas principais referências.

Tigers Jaw“I Saw Water”
Antes de gravar o meu primeiro EP eu ouvia Tigers Jaw sem parar, e essa música me inspirou a escrever a canção “Mergulho”.

The Front Bottoms“Flashlight”
Assim como com a Courtney Barnett, as letras do The Front Bottoms influenciaram meu jeito de compor. Cada composição conta uma história e envolve completamente quem está ouvindo. São frases que a gente não costuma ouvir em qualquer música. Só escutando pra entender!

Now, Now“Neighbors”
“Neighbors” foi a primeira música que conheci da banda, e tem um lugarzinho no meu coração. Me apaixonei de cara com a delicadeza da letra e a sonoridade do arranjo. É mais um exemplo de banda que tem músicas ao mesmo tempo simples e carregadas de emoção, algo que eu tento trazer muito para o meu som.

Paramore“Pool”
Vale colocar uma música nova do Paramore porque eles tiveram a coragem de se reinventar completamente, o que foi maravilhoso, no meu ponto de vista. Ainda mais vindo de uma das minhas bandas favoritas. Me deu a certeza de não se deve ter medo de buscar novas sonoridades.

Leo Fressato“Vendaval”
Eu costumava ser muito insegura com tocar sozinha, no formato voz e violão, por achar que não tocava bem – apesar das minhas músicas serem fáceis. Puro medo. Lembro de assistir um show do Leo em 2015 e me convencer do valor de um show acústico, mesmo com melodias simples. “Vendaval” se destaca nos shows dele!

Graveola“Talismã”
O Graveola foi uma das principais razões para que eu acrescentasse percussão nos arranjos do meu novo EP. Amo essa e as outras canções da banda, que soam modernas sem perder a brasilidade.

Elis Regina“Redescobrir”
Não podia faltar. As músicas da Elis me acompanham desde cedo. A paixão da minha família por ela – principalmente a minha avó, super fã – é uma das minhas lembranças musicais mais antigas. Com certeza uma voz que já me ensinou muito e ainda tem a ensinar.

5 canções nacionais pra embalar términos de relacionamento

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Se essa semana teve o tal do Valentine’s Day no mundo todo, hoje eu vou na contramão, como bom brasileiro, já que o nosso só é em Junho. Esse texto é para os que estão no processo inverso – passando pelos “chutes na bunda” dessa vida. Geralmente dói e não é pouco. Quem nunca derramou uma lágrima por uma paixão que atire a primeira pedra. Uma trilha da sonora “da desgraça” é indispensável nesses momentos.

Guarde aí! 5 músicas nacionais para a choradeira de fim de namoro/rolo:

1 – “Deixar Você” –  Gilberto Gil

Do maravilhoso disco “Um Banda Um” de 1982. Um disco de transformação musical de Gil – e amorosa também – se em 77 ele cantava pra “Sandra”, agora ele cantava pra “Flora” (será?) (“A Gente Precisa Ver o Luar” (1981)).  “Deixar você” é pra quem está “dando um tempo”. Está dizendo pra você, meu caro/minha cara amigo(a) ressabiado (a) – deixar sua companhia ir embora não vai ser bom nem pra você nem pra ela, com um Gil dizendo “Que a luz nasce na escuridão”, ou seja, no quarto escuro e vazio que você está. É Gil dizendo – tenha fé meu caro (a), que ainda há esperança!

2 – “Queixa” – Caetano Veloso

Um clássico radiofônico do maravilhoso disco “Cores, Nomes” de 1982. Se a última música citada foi de Gil, essa é a “sofrência” do “mano” Caetano. Quando se pensa em decepção (ou não) amorosa velosiana, geralmente vem à mente a clássica das rodas de violão e dos barzinhos “Sozinho”. Seria uma boa pedida também. “Queixa”, entretanto, tem mais cara de fim de relacionamento. É uma “princesa serpente” que “envenena” e que “despreza um amor delicado”. O ressabiado afirma em letras garrafais líricas – um amor desse nenhum homem daria! – uma legítima queixa ultrarromântica. Minha senhora, me diga para onde devo ir!

3 – “Tesoura do Desejo” – Alceu Valença

Composição linda do mestre Alceu Valença. Há duas versões lindíssimas, ambas em dueto – uma com Zizi Possi (“Sete Desejos” – estúdio) e outra com Elba no “Grande Encontro” (tanto no mais recente, quanto no primeiro!). O dueto faz todo sentido, já que a música retrata o diálogo de um casal que não se permite mais e que sabe que seu sonho já se tornara, irreversivelmente, um pesadelo. Essa é para fechar caixões de relacionamento. A síntese do rompimento é o “corte do cabelo”, concreto e metafórico, pela “tesoura do desejo de mudar”. Linda. Não escute essa se ainda tiver esperanças.

4 – “Espaço” – Cássia Eller

Composição de Vitor Ramil e interpretação lindíssima da saudosa Cássia Eller no show “Luz do Solo” (álbum “Do Lado do Avesso” – disponível no Spotify). Uma voz e violão penetrante, que traz consigo toda a dor da solidão. “Quarto de não dormir, sala de não estar, porta de não abrir” – os não lugares do rompimento. Essa é doída demais. Pros fins de relacionamento mais duros, para assumir as “bad vibes” de vez.

5 – “Olhos Nos Olhos” – Maria Bethânia

Composição linda de Chico (“Meus Caros Amigos” 1976), mas que se fez de fato na voz da rainha Maria Bethânia, no álbum “Pássaro Proibido” (também de 76). Uma afirmação de quem já se recuperou do fim e diz com todas as letras: quer voltar? “Olhos nos olhos, quero ver como suporta me ver tão feliz!”. Essa é pra afirmar a superação de vez dos fins, tão naturais, como tudo nessa vida. E nada melhor para isso do que a tão naturalmente romântica Betha. Vida que segue!

“É só amor” para a máquina de louco no pré-carnaval baiano com Baiana System. Já a segurança…

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Baiana System
Foto: Elias Dantas/Ag. Haack

Baiana System mostrou mais uma vez o porquê de ser uma das bandas de maior crescimento e sucesso no Brasil. O “navio pirata” liderado por Russo Passapusso fez a sua tradicional participação no pré-carnaval baiano e arrastou consigo uma multidão. O trio fez o circuito inverso Ondina – Barra (dois bairros de Salvador), como já é tradicional no Bloco “Furdunço” que traz consigo a proposta de colocar na rua trios de menor porte e atrações gratuitas na preparação para o carnaval.

No setlist, faixas de diferentes épocas da banda. Desde “Terapia” e “Amendoim Pão de Mel”, de 2013, passando por boa parte do álbum “Duas Cidades” de 2016, até as mais recentes “Capim Guiné” (parceria com Titica e Margareth Menezes) e “Alfazema” (parceria com a Nação Zumbi). Ao lado da banda, participações de grandes nomes como BNegão, Vandal e o rapper baiano em ascensão Hiran. Os dois primeiros já figurinhas carimbadas nos shows da máquina de louco. Acrescentaram bem à performance.

Infelizmente nem tudo é de se comemorar. Mesmo que a qualidade musical da banda tenha se feito presente, como é de costume, a multidão que foi arrastada cobrou seu preço. Quem já foi a shows em carnavais anteriores sabe bem que essa com certeza não foi das melhores experiências com o “navio pirata”. Em alguns momentos o clima no circuito foi um tanto quanto sufocante e deu agonia. Até aí não seria um grande problema, porque a alta qualidade musical se mantinha, era possível seguir pulando junto com o movimento da massa e dava pra curtir, volta e meia nas clássicas rodas feitas pelo público.

Russo conduzia com todo o cuidado o trio e fazia de tudo para acalmar, na medida do possível, a massa sedenta por música e pela loucura do grave baiano, aos gritos constantes de “é só amor”, fazendo discursos contra brigas, roubos, etc. A cada momento que alguma coisa parecia errada, o trio e a música paravam, fato que infelizmente se fez mais presente do que seria ideal, mas que asseguravam o importante clima de paz.  Russo pedia palmas e atenção para deixar a “segurança” passar. Em algum momento no meio do circuito, entretanto, o “pacto” feito com a Polícia Militar da Bahia se rompeu e suas ações mostraram o que tem de pior na corporação. Tudo filmado por várias câmeras da equipe da banda. Em algum momento o show de horrores pode ser revelado com detalhes ao grande público. Vamos esperar.

A segunda metade do circuito foi tensa com base no despreparo da polícia, com o medo que volta e meia se fazia presente de levar porradas de cassetete, principalmente para os que são alvos preferenciais da corporação (se é que você me entende… cidade mais negra do Brasil e coisa e tal). Mesmo assim, Russo conduziu da maneira que pôde a tensão e ainda foi possível curtir o som e pular bastante, principalmente quando ao final do circuito a banda tocou o sucesso “Playsom” e a plateia enlouqueceu, tendo o Farol da Barra como cenário de fundo.

Se a “segurança” promoveu um show de horrores, a máquina de louco compensou e promoveu um show de sucessos. O saldo da apresentação se mantém como positivo e Baiana System continua a empolgar, sem perder a sua essência de outros carnavais. Tudo o que os fãs esperam é que as próximas apresentações de Baiana no carnaval de Salvador sejam mais tranquilas.

Longa vida à Máquina de Louco e ao Furdunço!

Vídeos da passagem do trio “Navio Pirata” – todos os créditos aos donos das postagens

Gente não postei nada de Fuzuê e Furdunço porque trabalhei no fim de semana, mas to recebendo os videos de ontem e BEU DEUS ?#Furdunço #Carnaval #Salvador #Bahia [Enviado por Jayme Brandão]

Posted by Guia de Sobrevivência do Soteropobretano on Monday, February 5, 2018

O Navio Pirata do BaianaSystem não afunda!

Posted by Jorge Bizzi on Sunday, February 4, 2018

Tecnomacumba: 15 anos de festa e fé embalados por Rita Benneditto

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Rita Benneditto é uma das mais criativa e talentosa intérprete da MPB contemporânea. Considerada por Caetano Veloso como “a cantora que impressiona pela voz encorpada, de timbre cheio e naturalidade na afinação”, Rita é também a idealizadora do projeto Tecnomacumba, uma intervenção cultural que reafirma a importância da cultura africana na musica brasileira através da fusão dos cantos de terreiro com a eletrônica. Tecnomacumba em 2018 completa 15 anos, e a cantora realizará uma turnê pelas principais cidades brasileiras, para reafirmar a importância da valoração da cultura afro-brasileira.

A turnê teve inicio no último final de semana na Comedoria do SESC Pompeia e teve seus ingressos esgotados para as duas sessões. A apresentação começou com a cantora sozinha na percussão interpretando a canção “Divino”, em seguida a banda Cavaleiros de Aruanda juntou-se e o clima começou a esquentar com “Saudação – Abertura”. O público presente vibrava e saudava com a cantora as entidades homenageadas na música.

Tecnomacumba é também um resgate da música brasileira, foi responsável por apresentar ao público mais novo a canção “Cavaleiro de Aruanda”, gravado por Ronnie Von em 1972, e que foi o carro-chefe no inicio da Tecnomacumba. “Babá Alapalá” de Gilberto Gil, impressiona pelo peso da guitarra inserida na canção.

A saudosa Clara Nunes se fez presente, com as versões de Rita para os clássicos “Deusa dos Orixás” e “Coisa da Antiga”. Aliás, podemos considerar a Clara como uma inspiração para o Tecnomacumba, pois a cantora atingiu o grande público promovendo a cultura religiosa africana em suas canções e nos seus famosos video clipes produzidos pelo Fantástico nas décadas de 70 e 80.

Também destacaram-se as canções “É D’Óxum”, “Oração ao Tempo”, “Jurema” e “Iansã”. Ao interpretar “Cocada” saudando as crianças, a cantora aproveitou para realizar um discurso sobre mudança. Segundo ela, 2018 será um ano regido por Xangô e devemos aproveitar isso para realizar a mudança que desejamos ao nosso país. Não faltaram manifestações da plateia, insatisfeitos com o atual cenário político brasileiro.

“Tambor de Crioula” apontava para o final da apresentação mostrando a cultura musical maranhense. O bis ficou por conta de “Canto pra Oxalá” e após uma rápida troca de saia, Rita Benneditto encerrou cantando para a Pomba Gira versos que diziam “é só pedir que ela dá”, e dando a oportunidade de algumas pessoas presentes na platéia manifestarem seus desejos.

Se for pra pedir, peço que Tecnomacumba continue circulando pelo país com essa turnê comemorativa e que chegue em locais que ainda não tiveram o prazer de acolher o projeto. Manter um show em circulação por 15 anos não é uma atividade corriqueira e muito menos simples. Rita, junto com sua irmã Elza Ribeiro, são idealizadoras desse projeto, e foram responsáveis pelo excelente trabalho de resgate, e mais que isso, deram voz a uma grande parcela da nossa população.

Fotos: Riziane Otoni 

Vídeo: Klaudia Alvarez

Conheça as canções cheias de mistério e humor afiado do Compositor Fantasma no EP “Avenida Contramão”

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Compositor Fantasma

De onde saiu Compositor Fantasma, que lançou seu primeiro EP, “Avenida Contramão”, neste mês? Ninguém sabe, na verdade. Aliás: Gabriel Serapicos pode até saber, mas pra nós, disse que não. Ele que encontrou o material perdido, em um lugar que ele prefere não revelar, na forma de calhamaços de partituras e letras empoeiradas. Conversei com ele sobre o misterioso artista desconhecido, o EP com a voz de Laya, Zi Vasconcellos e Natália Pavan e as outras diversas canções que ainda estão na gaveta:

– De onde surgiu o Compositor Fantasma?

Encontrei calhamaços de partituras e letras empoeiradas em um lugar que prefiro não revelar ainda. Acho muito cedo. Conforme fui tocando ao piano essas músicas, vi que havia algo interessante ali, um personagem. Todas estão assinadas como Compositor Fantasma. Não é possível afirmar que todas as canções foram escritas pela mesma pessoa mas, pelo senso de humor, é bem provável.

– E foi você que gravou tudo? Ou já havia alguma fita ou outro material já registrado?

Gravei tudo com ajuda da Laya, Zi Vasconcellos e Natália Pavan que interpretaram essas primeiras canções. Não havia registro de áudio então foi meio como reinterpretar uma sonata de Beethoven, guardadas as devidas proporções.

– E como rolaram essas gravações?

Rolou tudo no meu estúdio ao longo de novembro/dezembro. Foi bem agitado em paralelo com a melancolia de final de ano. Queria terminar todas as gravações em 2017 como meta pessoal.

– Então todas as músicas já foram gravadas? Ou ainda tem material?

Ainda tem muito material. Calculo que dá para produzir 500 canções. Algumas não estão em perfeitas condições materiais então talvez precisem ser restauradas. Outras são curtas e podem ser encaixadas como uma centopéia para gerar uma música maior na linha rock psicodélico. É um trabalho, em parte, de arqueólogo.

– E como você escolheu quem iria te acompanhar nesse projeto?

Já conhecia as cantoras e gosto muito do forma que cantam e interpretam. O trabalho acaba sendo uma experimentação para trabalhar com novas pessoas. Em cada novo lançamento, vou chamar intérpretes diferentes. Mulheres e homens.

– Já tem uma previsão pra esse próximo lançamento?

Depois do EP de estréia “Avenida Contramão”, já tem um single engatado para o Carnaval. o interessante da obra do Compositor é a enorme abrangência de temas.

– E como rolou esse primeiro clipe?

eu não posso informar como conseguimos as imagens mas posso assegurar que não foi fácil. O Marcelo Perdido fez um ótimo trabalho de montagem com o material que tínhamos a disposição. São filmagens reais do Compositor Fantasma em estúdio mas é difícil precisar a data.

– Me fala mais dessa gama de assuntos que os materiais se referem. Como são essas composições que ainda não saíram?

Ainda estou escavando os papéis, muitos são fragmentos de idéias. São rascunhos de uma vida inteira, então, as músicas falam sobre assuntos pertinentes a fases boas e ruins. Para o próximo, escolhi letras que falam sobre dívidas, términos de namoro e fracassos pessoais. Não foi uma vida fácil.

– Quando veremos esses novos sons?

Um EP a cada 2 meses até o final do ano. Eventualmente, vão pipocar uns singles como o do Carnaval.

– Pode adiantar algo sobre esse single de Carnaval?

O cantor é um cara bem carismático. E é uma canção melancólica mas positiva. Poderia ter sido um hino religioso.