Refavela 40 celebra o início do que talvez seja uma “Nova Era” na carreira de Gilberto Gil

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por Pedro César

Gilberto Gil está muito bem. Ano passado tivemos grandes sustos e quase “perdemos” um dos grandes mestres da música brasileira. Sabemos que Gil “não tem medo da morte”, mas quando ele partir vai ser duro pra todo e qualquer fã da música popular brasileira. Por sorte ainda o temos. Com vitalidade, imponência, sabedoria e altivez.

Se Gil cantasse todo o repertório do “Refavela”, entretanto, não seria mais o mesmo. Todas as músicas demandam uma energia que talvez ele não tenha mais, considerando um show tão extenso e que vai percorrer todo o Brasil (no repertório e na turnê). Gil talvez tenha consciência disso. Dá espaço então para uma banda envolvente “regida” pela guitarra igualmente envolvente de Bem Gil, idealizador do show. Com carisma inegável, toda a “trupe” se comporta como uma família, onde inclusive, diversas gerações da família Gil estão presentes, desde Nara Gil, a filha mais velha que participa com vocais ocasionais envolventes e uma participação emocionante em “É”, até os netos, tocando instrumentos percussivos o show inteiro e trazendo fofura e um ar simbólico de renovação – a principal marca desse show: a busca pela renovação permanente da obra de Gil.

Os vocais de Maíra Freitas, Moreno Veloso e Céu, trazem um ar novo para um som transcendental e atemporal. Preparam lindamente o cenário para o anfitrião da festa. Belos arranjos, belas vozes e, evidenciadas nas suas apresentações, a admiração gigantesca pelo filho de Dona Claudina. Gil observa tudo sentado nas coxias, de pernas cruzadas e postura ereta. Reage feliz em algumas músicas, mas passa a maior parte do tempo quase imóvel, admirando o repertório e a homenagem à sua obra. Também se concentra para o que está por vir.

Quando o homenageado enfim chega ao palco, faz uma entrada triunfal e retumbante, convocando a percussão para a “Patuscada de Gandhi”. Dança e traz a plateia ao show a todo tempo, enquanto brada com beleza singular, os versos de homenagem a um dos blocos afro mais tradicionais da Bahia. Emenda com a música maravilhosa que compartilha o nome com o disco em questão. A plateia continua a cantar junto a todo instante em uma Concha Acústica do TCA lotada. Gil conta longas histórias sobre a concepção do disco, destacando a viagem inspiradora à mãe África com Caetano Veloso e tantos outros artistas (é impossível não ter, nesse contexto, orgasmos imaginativos musicais com as menções a encontros frequentes com Fela Kuti e Stevie Wonder).

A atmosfera do show é interrompida com os gritos efusivos de “Fora Temer!”. Gil responde com a malícia e sabedoria de seus 75 anos – “Aconteceu a mesma coisa em São Paulo e direi aqui o mesmo que disse lá: é compreensível, aliás é compreensibilíssimo que se grite isso, mas acho esse grito ocioso. Temer já está fora, se não agora, daqui a 1 ano.” – seu apoio ficou evidenciado, mas, sem deixar de lado uma crítica elegante de quem já viveu muito da história recente desse país, em diferentes lugares da “trincheira” ideológica.

Chama atenção, por fim, o repertório com a presença de músicas extras ou excluídas do “Refavela”, como “Gaivota” (concebida para Ney Matogrosso, que interpreta maravilhosamente no “Bandido” de 76) e “É” (publicada no “Satisfação: Raras e inéditas”). “É”, por sua vez se destaca com o lindo dueto de Gil com sua filha mais velha, Nara, e que marca nos seus versos o que talvez seja o símbolo de sua carreira daqui pra frente – um ser que “não teve começo e nunca terá fim”, um ser inquieto, um ser fantástico. Fantasia que se expressa no “gran finale” do show, com as memórias e a saudação religiosa candomblecista de “Babá Alapalá”, onde a gratidão por ter conhecido o candomblé se expressa, tanto no discurso quanto na cantoria que fecha o show com chave de ouro.

Que todos os deuses e energias positivas abençoem a obra, o legado e o ser de Gilberto Gil, que não é o Bob Marley brasileiro, mas sim, o primeiro e único Gilberto, filho de Dona Claudina e Seu José. Vida longa!

Paulinho Moska e a genialidade do show “Violoz”

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Tornando-se cada vez mais uma referência para os shows na cidade de São Paulo, a Casa Natura Musical recebeu no último fim de semana o cantor Paulinho Moska para duas apresentações do espetáculo intitulado “Violoz”.

A abertura ficou por conta de Bárbara Dias, novo nome na cena musical que se mostrou extremamente à vontade e confiante no palco. Acompanhada de seu violão, mesclou composições autorais com versões de seus artistas preferidos, como Tiago Iorc, bastante elogiado pela cantora e que recebeu aplausos calorosos da plateia ao ter seu nome citado. Apesar do show curto, Bárbara instigou e provou que é um nome que deve ser acompanhado.

Logo em seguida, Paulinho Moska nos presenteou com um show repleto de canções, histórias, momentos e recordações. Conhecido por sua boa relação com o mercado latino americano, o cantor arriscou um “portunhol” e abriu o show com a canção “Hermanos”, seguida por “A idade do céu”, canção originalmente composta em espanhol por Jorge Drexler, cuja versão em português foi escrita pelo próprio Moska.

Alternando entre os violões, guitarra e bandolim, o cantor apresentou seu excelente repertório sempre conduzindo de forma precisa todos seus instrumentos. Um show solo requer muita confiança e Moska tem de sobra. Além dos seus sucessos como “A seta e o alvo”, “Tudo novo de novo” e “Pensando em você”, fizeram parte do repertório parcerias de Moska gravadas originalmente por outros artistas. “Sinto Encanto”, gravado por Zélia Duncan no disco “Pelo sabor do gesto”, “Namora comigo” composta por Moska e gravada por Mart’nália.

O show “Violoz” comprova a genialidade de Moska. Excelente instrumentista, ótimo compositor e com uma espontaneidade no palco que impressiona e cativa o publico.

Setlist
1. “Hermanos”
2. “A idade do céu”
3. “Soneto do teu corpo”
4. “Tudo o Que Acontece de Ruim É Para Melhorar”
5. “Pensando em você”
6. “Impaciente Demais”
7. “A seta e o alvo”
8. “Sinto encanto”
9. “Sonhos”
10. “While My Guitar Gently Weeps”
11. “Lágrimas de diamantes”
12. “Sem dizer adeus”
13. “O último dia”
14. “Tudo novo de novo”
15. “Quantas vidas você tem”
16. “Namora comigo”
17. “Admito que perdi”
18. “Um móbile no furacão”
19. “Relampiano”
20. “Stand By Me”
21. “Somente nela”
22. “Muito pouco”

“Esquina Paulistana” apresenta a pluralidade da música de São Paulo

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O que esperar de um show que reúne em seu repertório canções de nomes como Cólera, Katinguelê, Itamar Assumpção, Rita Lee e Mamonas Assassinas? O projeto Esquina Paulistana, realizado no recém-inaugurado Sesc 24 de Maio, uniu diversos estilos e referências em sua primeira edição.

Com uma big band acompanhando e sendo apresentada logo no inicio, Maurício Pereira comandou o show contando sobre a ideia do projeto e apresentando seus convidados. Vocalistas tão distintos, mas que cantaram a cidade de São Paulo com a mesma empolgação.

Tulipa Ruiz abriu os trabalhos interpretando “Prezadíssimos Ouvintes” de Itamar Assumpção e recebendo Thaíde para um dueto sensacional. Paulo Miklos surgiu e interpretou “A Praça”, sucesso de Ronnie Von, mas antes dividiu suas memórias com a plateia, contou que quando criança achava que a música se referia a Praça Marechal Deodoro, era a referência de praça que tinha, pois passou a infância brincando nos tanques de areia do local.

Suzana Salles, de longe a mais animada do show, entrou cantando “Marvada Pinga”, clássico da saudosa Inezita Barroso e contagiou a plateia, um pouco tímida de inicio. Clemente, vocalista da banda Inocentes, completou o time. Com todos no palco, o clima era de descontração, rendeu até uma piada usando como referência a Escolinha do Professor Raimundo, já que todos aguardavam sentados na lateral do palco para interpretarem suas canções.

Tulipa Ruiz e Maurício Pereira fizeram um dueto inusitado interpretando “Recado À Minha Amada”, sucesso do grupo de pagode Katinguelê. Teve até coreografia embalada por Suzana e Clemente. Nesse ponto a plateia já estava contagiada e entrou no clima. Não faltaram braços balançando, principalmente ao cantarem “Não se vá” de Jane e Herondy. O punk rock se fez presente com a ótima versão de “Polícia” das Mercenárias, interpretada com convicção por Suzana Salles.

O ótimo bis ficou por conta de “Pelados em Santos”, grande sucesso da banda Mamonas Assassinas, talvez o nome que melhor represente a pluralidade musical existente em São Paulo.

A primeira edição do Esquina Paulistana cumpriu o papel e deixou abertura para futuras edições. Porém, por se tratar de um repertório especial, seria interessante que as músicas interpretadas fossem as mesmas relacionadas no programa entregue na entrada do show. “São Paulo” do 365 e “Não Existe Amor em SP” do Criolo, estavam listadas, não foram interpretadas e alimentaram a deixa para a continuidade do projeto.

Vale destacar o novo horário de shows criado pelo Sesc 24 de Maio: meio-dia. Perfeito para quem trabalha no Centro da cidade e deseja curtir a hora do almoço de forma diferente. Que esse horário permaneça e continue trazendo boas opções.

Construindo Geo: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Construindo Geo

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Geo, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Kimbra“Rescue Him”
A Kimbra é uma cantora neozelandesa que eu acompanho desde o primeiro álbum, mas esse último “The Golden Echo” tá ridículo de bom. Nos inspiramos bastante nos sintetizadores e arpeggios.

Sevdaliza“Hero”
Conheci a Sevdaliza uns dois anos atrás. Ela é israelense e além da voz e da experimentação que ela traz pra música pop, também me inspiro nela em alguns visuais e no palco também.

Roupa Nova“A Viagem”
Tanto eu quanto todo mundo que trabalhou na produção do EP é muito fã de Roupa Nova! (Risos) Nos inspiramos bastante nas harmonias de voz deles.

Sade“Cherish The Day”
Sade maravilhosa demais, a mulher perfeita. Essa track resume bem a vibe de balada que a gente quis trazer em uma faixa do EP em especial.

Tove Lo“True Disaster”
Eu fiquei viciada nesse álbum “Lady Wood” da Tove Lo o começo do ano inteirinho, gosto muito das letras mais ousadas e dessa influência dos anos 80 que ela trouxe nas baterias e nos synths.

Bishop Briggs“Dead Man’s Arms”
A Bishop Briggs é uma menina que eu acompanho desde o primeiro single! A voz dela tem uma potência fudida e ela mistura muito R&B e soul na levada pop/hip-hop que ela faz. Me influencia desde meu primeiro single.

Stromae“Ave Cesaria”
Sou MUITO fã do Stromae. Eu sempre acompanhei desde o “Alors On Danse”, mas fiquei mais fã ainda na época que morei na França. Eu amo muito esse último disco “Racine Carrée”, foi por causa dele que eu comecei a ter mais curiosidade sobre produção de música eletrônica e comecei a aprender o básico de DAW’s.

Rita Lee“Mania de Você”
A Rita Lee é minha maior inspiração feminina brasileira. Sobre essa música em especial, a harmonia e os arranjos são uma delícia. Nós fazemos até uma versão dela ao vivo!

Qinho“Fullgás”
Eu conheci o Qinho em 2015 ouvindo o álbum “Ímpar” e amei de cara. Ele é um carioca que já misturou vários estilos, mas que lançou esse último EP só de versões da Marina, trazendo esse revival dos anos 80 brasileiro que aparece um pouco no meu EP também.

Daft Punk“Face To Face”
Clássica demais essa track de 2001. Somos fãs demais de Daft Punk, especialmente o Guilherme (Mobilesuit) que produziu o EP todo.

FKA Twigs“Pendulum”
Formada na escola de Bjorkeiras, a FKA Twigs faz um som bem intimista e cheio de FX e modulagem de vozes, coisas que usamos no nosso som também.

Imagination“Just An Illusion”
Essa aqui inspirou muito pelos synths, especialmente os de baixo!

Black Atlass“Jewels”
Outro exemplo de pop alternativo, o Black Atlass é canadense que faz um R&B que também traz sintetizadores mais ácidos.

Kate Bush“Running Up That Hill”
A gente gosta da Kate Bush porque ela é doida. Além do 80’s, é uma inspiração feminina muito forte, até mesmo pro palco.

Lana Del Rey“Yayo”
Eu sou muito fã da Lana Del Rey e acho que ouvir o trabalho dela me deixou mais a vontade de explorar e testar meu próprio jeito de cantar. Trabalhar minha voz em notas mais graves e brincar com a garganta sem ter medo.

Radiohead“Everything In Its Right Place”
Radiohead é minha banda favorita, e é lógico que a gente traz muito das pessoas que a gente respeita no nosso som autoral. Essa track em especial eu escolhi pela bagunça e pelos timbres. Conversa muito com todas as faixas do EP.

MAI LAN“Pas D’amour”
A MAI LAN é uma cantora franco-vietnamita. Conheci ela esse ano por indicação de uns amigos franceses e ela inspirou muito uma vibe mais intimista e minimalista com essa música.

Blank Banshee“Sandclock”
Blank Banshee é um produtor canadense que explora muito a vibe do vaporwave. Foi uma grande inspiração pra toda a equipe de produção pela ambientação e pelos timbres que usam.

Trentemoller“Take Me Into Your Skin”
O Trentemoller é um produtor e multi-instrumentista dinamarquês. O som dele é chill, minimal, mas também traz muitas coisas de synthwave.  

Portishead“Roads”
Classiqueiras demais, Portishead inspirou muito pelo próprio trip-hop, pela voz mais arrastada da Beth Gibbons e toda a vibe downbeat.

O som que nasce delas: vem aí a segunda edição do Festival Sonora São Paulo

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Evento foca na formação da mulher na música e tem participação de nomes como Liniker, As Bahias, Tiê, Karina Buhr e muito mais!

Com apenas mulheres à frente de todas as etapas da produção, a segunda edição do Festival Sonora São Paulo promete ser ainda maior que a primeira. O festival, que teve início pela internet em 2016, ocupa, em 2017, 69 cidades espalhadas por países como EUA, Zimbábue, Gana, Suíça, Chile, Egito, Colômbia e Turquia. Em São Paulo, o festival ocorre no Centro Cultural São Paulo, Jazz nos Fundos e na Red Bull Station, tendo como objetivos, além de ser vitrine para o trabalho das compositoras, levar informação e formar mulheres profissionais para o mercado da música através de palestras e oficinas e vivências.

Durante 29 de setembro a 2 de outubro, a capital paulista vai se tornar palco do maior festival de compositoras do mundo com pocket shows, oficinas, palestras, apresentações de mulheres já conhecidas no meio musical. Confira a programação:

Sexta-feira (29/09):
A abertura fica por conta de um bate-papo + show no Red Bull Station mediado pela jornalista Roberta Martinelli, com as participações das artistas Papisa e Ana Larousse e direito à plateia. Em seguida, o som fica por conta da DJ e produtora Bad Sista.

Sábado (30/09):
No segundo dia, a manhã continua no Red Bull Station com uma oficina de gravação em estúdio conduzida pela Alejandra Luciani, engenheira de som do Red Bull Station SP, que vai abordar, na prática, os processos de gravação da banda Meia Noite em Marte dentro do estúdio e sua experiência como mulher neste ramo.

À partir das 14h a festa é no Centro Cultural São Paulo com programação intensa: debates, oficinas, vivências, shows e showcases. A primeira atração fica por conta do debate “Mercado da Música para Mulheres Instrumentistas”, com mediação da Roberta Youssef e papo com Anna Tréa, Larissa Conforto e Patricia Ribeiro.

Às 15h10 começa uma conversa entre a cantora Tiê e As Bahias e a Cozinha Mineira falando sobre gestão de carreira.. E às 16h15 rola um assunto super interessante e em voga, o debate é sobre “Música além do gênero/ gênero além do tempo”. Mediado por Aretha Sadick e participações do cantor e compositor trans Gui Sales, a pianista e compositora trans Marcelle Barreto, a cantora Karina Buhr e a Draga da Quebrada. Entre um debate e outro, slam com Danna Lisboa tomará conta do pedaço!

As oficinas não poderiam ficar de fora e acontecem durante à tarde: às 14h tem uma sobre “Divulgação nas Mídias Sociais”, com a nossa social media Ana Beatriz Resende; e outra às 16h sobre produção “da ideia à realização”, com a Katia Abreu, criadora do Dia da Música, e Sil Ramalhete. À partir das 16h, rola uma vivência super bacana sobre técnicas de som, com a Lila Stipp. A trilha sonora fica por conta dos seis pocket shows das artistas Aline Machado, Yasmin Oli, Marujos, Rap Plus Size, As Despejadas e Sixkicks, que rolam entre 14h e 17h, logo na saída do Metrô Vergueiro. A escolha dessas musicistas ficaram por conta da curadoria que escolheu 12 entre 150 inscritas.

A programação musical começa às 17h30, com show de Alzira E e Alice Ruiz. E, logo depois, às 19h, com Karina Buhr. O dia termina com mais música no Jazz nos Fundos, com show da Bluebell, às 22h, e uma JAM das Minas à meia-noite!

Domingo (01/10):
Nada de pôr as pernas pro ar e assistir televisão que nossa programação continua fervendo no CCSP! Às 14h começa o primeiro debate do dia sobre “Onde estão as produtoras musicais?”, com mediação de Claudia Assef e participação de Bad Sista, Jesus Sanches e Gabi Lima. Às 15h o bate-papo é sobre as “Mulheres na Técnica” com mediação de Florencia Akamine e participação de Fernando Sanches, Olivia Munhoz e Elis Menezes.
Fechando os debates do dia, às 16h, teremos o assunto que trouxe todas essas mulheres até aqui: a composição! Quem guia o assunto é a Ana Larousse, que desenrola o papo com Makiko, MC Tha, Bárbara Eugênia e Cris Botarelli.

As oficinas do domingo começam às 14h com temas super atuais: “Composição: ritmo e poesia” com Lurdez da Luz e, logo depois às 16h, sobre “Construção da Imagem: da letra ao look”, com Isadora Gallas. A vivência do dia é com a Flávia Biggs, do Girls Rock Camp.

Os shows na Sala Adoniran Barbosa do terceiro dia de Festival Sonora começam com as cantoras Soledad e Marcelle, às 17h, e continuam com Badi Assad e Liniker, às 18h15. Os showcases rolam também a partir das 14h com a participação de Trouble, Bruna Prado, REsostenido, Malaguetas, As Lavadeiras, Aghata Saan.

Segunda-feira (02/10):
O encerramento do Sonora SP será com a Batalha Dominação. Esse evento acontece todas segundas-feiras na estação São Bento do metrô, reunindo um público misto e funciona como uma batalha de rima de conhecimentos na qual apenas mulheres podem participar.

E a festa termina reverberando seu slogan: o som que nasce delas!

Crédito fotos: Divulgação.

Zélia Duncan esbanja carisma em show no SESC São José dos Campos

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Atração constante no circuito de shows no SESC de São Paulo, a cantora Zélia Duncan marcou presença na região do Vale do Paraíba Paulista, precisamente em São José dos Campos, um charmoso município localizado a 94 quilômetros da Capital.

Com o respaldo sempre cuidadoso do SESC, que selecionou o espaço do ginásio para receber o show e assim abrigar a maior quantidade de público, a cantora preparou um set list repleto de sucessos e que contemplou todas as fases de sua carreira. Além disso, houve espaço para versões e homenagens durante o show.
O show teve início pontualmente no horário marcado, característica sempre presente nos eventos organizados pelo SESC, e nos apresentou uma Zélia Duncan radiante, feliz por estar vivendo esse momento e em grande sintonia com seu público.

A abertura, com “Enquanto Penso Nela” do sempre atual Itamar Assumpção, já serviu para apresentar o ritmo que o show seguiria. Sempre interagindo durante os intervalos, a cantora conquistou o público com seus maiores sucessos, como “Alma”, “Sentidos”, “Não Vá Ainda” e “Tudo Sobre Você”.

Zélia também incluiu em seu repertório canções de artistas que fizeram parte da sua vida, e como a própria disse “Quando sinto saudades, eu canto”, após a frase a cantora homenageou a saudosa Cássia Eller, interpretando “O Segundo Sol”. Também tivemos “Quase sem querer”, da Legião Urbana e “Exagerado” de Cazuza, faixa que foi registrada por Zélia em dueto com Frejat.

Seu primeiro grande sucesso, “Catedral”, apontava para o final do show e mostrou a confiança e realização de Zélia Duncan, com postura convicta na frente do palco enquanto os primeiros acordes da canção eram executados pela banda que a acompanhava. Cantada em peso pelo público presente, a canção emocionou diversas pessoas, como sempre ocorre nos shows da cantora.

A abertura do bis teve um número intimista com a cantora, acompanhada do seu violão, cantando “Imorais”. Uma das melhores letras de sua discografia e que cabe perfeitamente para os dias de hoje, com trecho que merece ser destacado: “Mas um dia eu sei a casa cai. E então a moral da história vai estar sempre na glória, de fazermos o que nos satisfaz”.

O encerramento foi no ritmo do reggae, embalado pelo seu hit “Nos Lençóis Desse Reggae”, canção que foi trilha sonora do seriado juvenil “Confissões de Adolescente” e que ainda teve espaço para citações de “Vamos Fugir” de Gilberto Gil e “One Love” de Bob Marley. Missão cumprida, Zélia Duncan presenteou a cidade com um excelente show e que confirmou porque integra o time das maiores cantoras do país.

Set List
1. “Enquanto penso nela”
2. “Boas Razões”
3. “Tua Boca”
4. “Lá vou eu”
5. “Telhados de Paris”
6. “Isso não vai ficar assim”
7. “Carne e osso”
8. “Tudo sobre você”
9. “O tom do amor”
10. “Não vá ainda”
11. “Sentidos”
12. “Vê se me esquece”
13. “No meu país”
14. “Pagu”
15. “Quase sem querer”
16. “O segundo sol”
17. “Catedral”
18. “Alma”

Bis
19. “Imorais”
20. “Enquanto durmo”
21. “Exagerado”
22. “Nos lençóis desse reggae” (citações “Vamos Fugir” e “One Love”)

Créditos fotos: Cris Almeida.

Felipe Cordeiro anuncia sua Domingueira Jambu com Siba e Fafá de Belém

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Domingueira Jambu é um baile paraense comandado pelo músico Felipe Cordeiro que conecta a sonoridade do Pará a diversidade da música brasileira. No embalo do carimbó, guitarrada, lambada e tecnobrega se misturam ciranda, maracatu, samba e MPB, celebrando o Brasil da cultura antropofágica, de todas as cores e sons.

A estreia, no dia 24 de setembro no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, conecta Pará e Pernambuco, com o anfitrião paraense Felipe Cordeiro, recebendo ao palco o pernambucano Siba e a conterrânea Fafá de Belém, uma das cantoras mais populares do Brasil.

Felipe Cordeiro é um dos principais nomes da nova geração da música do Pará, conhecido por fazer uma narrativa musical que une a tropicalidade latino americana e a música pop brasileira no qual se conectam guitarra, beats e letras de canções. Com Fafá de Belém, Felipe consolidou a parceria musical em turnês e na produção, junto com o pai Manoel Cordeiro, do disco “Do Tamanho Certo Para o Meu Sorriso”, que celebrou quarenta anos de carreira da cantora e venceu o 27 Prêmio da Música Brasileira, na categoria “melhor álbum popular”.

Siba é um dos mestres da nova geração do maracatu e dos cirandeiros, referência entre os artistas da cena contemporânea brasileira, assinando um estilo inovador e singular. O primeiro disco solo, “Avante”, foi aclamado pela crítica, e o recente “De Baile Solto”, também recebeu elogios mundo afora. Em 2015 venceu o Prêmio Multishow na categoria Música Compartilhada. Gravou participação no DVD Bréa Époque”, de Felipe Cordeiro, que será lançado em breve pelo Natura Musical.

SERVIÇO
Domingueira Jambu – Felipe Cordeiro convida Siba e Fafá de Belém
Dia: 24/09/2017
Local: Centro Cultural Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 119 (convênio com o Estacionamento do Alemão – Rua Girassol, 45)
Hora: 18h às 23h

Ingressos: Meia Entrada: R$20 / Promocional: R$30/ Inteira: R$40

André Whoong e Falso Coral se apresentam essa quarta no projeto Sônico do Teatro Sérgio Cardoso

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O Teatro Sérgio Cardoso, da Secretaria da Cultura do Estado, lançou na semana passada o projeto Sônico, voltado às bandas autorais independentes. As próximas atrações do projeto, que acontece às quartas a partir das 22h no mezanino do teatro, são André Whoong e Falso Coral. Os ingressos custam R$ 20,00.

O projeto Sônico tem como objetivo ampliar os espaços para artistas autorais do cenário independente brasileiro e incentivar sua produção. Com o fechamento de icônicos espaços com palcos tradicionalmente ocupados por esses artistas, o Teatro Sérgio Cardoso abre suas portas para abrigá-los.

Às quartas o mezanino do teatro recebe apresentações de bandas de rock, indie, projetos experimentais e outras vertentes do cenário. Os shows acontecem às 22h. No dia 27, encerrando a programação do mês de setembro, o projeto recebe a banda psicodélica Bike.

O Sônico continua em outubro, com apresentação das bandas Medulla (dia 04), a dobradinha de Phillip Nutt com a cantora Geo (dia 11), Explain Away e Comodoro (dia 18) e encerrando com Magüerbes e Running Like Lions (dia 25).

TEATRO SÉRGIO CARDOSO
Sônico com André Whoong e Falso Coral
20 de setembro, quarta-feira, às 22h
Mezanino Capacidade: 150 pessoas
Rua Rui Barbosa, 153, Bixiga – São Paulo
(11) 3882-8080 R$ 20,00

Projeto “Frequências” uniu Jaloo com Aeromoças e Tenistas Russas na Casa Natura Musical

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Jaloo e Aeromoças e Tenistas Russas
Jaloo e Aeromoças e Tenistas Russas

No feriado do dia 07 de Setembro, a Casa Natura Musical abrigou mais uma edição do projeto “Frequências”, recebendo como convidados a banda instrumental Aeromoças e Tenistas Russas (ATR) e o cantor Jaloo.

Marcado inicialmente para as 21h30, o show começou com uma hora de atraso, apresentando a banda Aeromoças e Tenistas Russas. Vindos de São Carlos, a banda pautou a animada apresentação em seu mais recente trabalho, “Midi” e incluiu no repertório uma inusitada versão de “Canto de Ossanha”, clássico composto por Vinicius de Moraes. Um show curto, mas que impressionou e conquistou o público presente, que ainda pode conferir uma participação do cantor Jaloo, que cantou sua música “Tanto Faz” acompanhado pela banda.

Após uma troca de palco, foi a vez de o Jaloo apresentar o seu show, com o repertório completo do seu álbum de estréia, intitulado “#1”. Figura carimbada nos principais circuitos de shows da cidade de São Paulo, Jaloo já conta com um público fiel e que interage bastante em seus shows, principalmente nas faixas que renderam ótimos vídeos clipes, como “Last Dance”, “Chuva”, “Ah! Dor!” e “Insight”. Vale destacar a ótima qualidade de som da Casa Natura Musical, que realmente foi um diferencial para a qualidade das apresentações.

Lara Aufranc se desprende das amarras do passado em seu primeiro disco solo, “Passagem”

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Lara Aufranc
Lara Aufranc

Antes líder da banda Lara e os Ultraleves, Lara Aufranc decidiu que era hora de se desprender das amarras do passado e se lançar ao mar para navegar mares mais ousados, com a liberdade que só seu nome permite. O álbum “Passagem” é a primeira amostra dessa nova forma de velejar da cantora, que agora “encara o próprio sobrenome”, segundo o Trabalho Sujo, deixando a introversão natural um pouco de lado e encarando o público de peito aberto.

O primeiro single, “Passagem”, fala sobre o cotidiano do paulistano e o deslocamento de pessoas e vontades. A faixa é a ligação ideal entre o álbum anterior com a banda Os Ultraleves (“Em Boa Hora”) e o novo trabalho, indo organicamente do piano e voz da MPB para os sintetizadores e guitarras do rock. O clipe foi inspirado por filmes soviéticos da década de 20 como ”Aelita, a Rainha de Marte” e “Um Homem com uma Câmera” e retrata a cidade como uma engrenagem formada por pessoas. “Existe uma solidão no movimento circular e repetitivo das cidades, ao mesmo tempo em que estamos cercados de gente”, comenta ela. O clipe foi realizado pela EdMadeira Filmes, dirigido e fotografado por Freddy Leal. A cantora assina o roteiro, a edição e a produção do projeto.

Conversei com ela sobre a nova fase da carreira e o passado com os Ultraleves, o disco “Passagem”, sua introversão e como ela influencia o trabalho e o clipe para a faixa-título:

– Como você resolveu se lançar em carreira solo?

Olha, na verdade eu já estava em carreira solo. Até na matéria do Matias ele usou essa frase, eu achei boa:
“Assume o seu sobrenome, ao invés do nome que fazia seu trabalho solo parecer uma banda”. Desde 2015 já estava claro pra mim e pros meninos que era o meu projeto de vida, a minhas músicas, o meu investimento
mas pro público continuava parecendo uma banda… Por isso resolvi mudar. Isso e o fato de que estava na hora de me aventurar pelo mundo. Eu sou mais pra introvertida. acho que no começo me sentia protegida com esse nome, dava a impressão de não estar sozinha.

– Realmente, pra mim parecia uma banda, mesmo… E como você superou essa introversão para ganhar o mundo nessa nova fase?

Foram 2 anos né? desde o primeiro disco autoral. 2 anos de shows, tive que encontrar o meu lugar no palco. Fui ficando mais forte. Foi ficando mais claro quem eu sou e o que eu quero dizer como artista. Pensando bem, eu não acho que superei uma introversão. Ser introvertido é uma característica, não é um defeito. O Ney é introvertido e tem uma puta performance de palco. Eu acho que eu fui me encontrando como artista. E que esse suporte do nome Lara e os Ultraleves deixou de ser necessário.

– Sim, acredito que o Criolo também. No palco vira outra pessoa.

Exato.  Inclusive a banda continua a mesma. Já faz um tempo que são os mesmos caras.

– Agora, me conta mais sobre esse clipe que saiu agora! A estética P&B, com esse toque de azul… O que ele significa pra você?

Nossa, eu to muito feliz com esse clipe! Eu já conhecia o Freddy (diretor) de um outro programa que a gente gravou juntos, o Mulheres Fora da Caixa. Me lembro de ter visto um vídeo dele com a Sara não tem nome – que tinha só uma guitarra azul. As maiores referências estéticas do clipe são os filmes: “Aelita, a Rainha de Marte” e “Um Homem com uma Câmera” – ambos soviéticos e dos anos 20. Ou seja, os dois são PB e mudos (no youtube você assiste com música). Então de certa forma a estética PB já estava incorporada nesse clipe, depois foi a sacada da maquiagem azul.

Lara Aufranc

– Porque o azul? O que ele simboliza pra vocês?

Eu já tinha usado essa maquiagem numa sessão de fotos como José de Holanda, e gostei demais do resultado. Foi justamente quando resolvi renovar a imagem e o nome. E precisava de novas fotos. Poderia ter sido de outra cor, mas o azul caiu como uma luva. Foi uma escolha estética que eu fiz antes do clipe, antes do single, foi o começo de tudo. Gostei tanto que quis incorporar essa brisa no clipe e na capa do CD. Tô a fim de usar no show de lançamento também. Mais do que o azul, pra mim foi sair de maquiagens “mulherzinha” pra um lance criativo. O meu trabalho não deveria ser sobre beleza, e no entanto tem muita pressão em cima das cantoras.

– Como você vê essa pressão por beleza que ainda rola em cima das cantoras? O machismo continua em alta no mundo da música?

O machismo tá em alta no mundo, e na música não é diferente. Por exemplo, recentemente eu gravei um programa de TV. Você chega lá e tem uma equipe que fica 2 horas brincando de boneca com a sua aparência. Eu me sinto deformada, como se não pudesse aparecer na TV com a minha própria cara. Eu acho engraçado como as pessoas acham que os artistas são sempre pessoas mais legais, esclarecidas. Quando obviamente tem artista de todo jeito, inclusive escroto e machista. Não existe um lugar onde só tem gente legal. O mundo é lugar complexo.

– Algo que não acontece com artistas do sexo masculino.

Sim! Os caras da banda passam um pózinho na cara pra não brilhar e pronto, vai pra câmera. Eu tava cansada de ter que ser diva. Eu fazia os shows de salto e hoje faço descalça. Eu acho que maquiagem pode ser um troço maravilhoso, mas não quando vira obrigação de estar num padrão. Quero poder ser eu mesma, e me sinto muito mais eu nessa flecha azul.

– Me fala um pouco mais sobre esse seu primeiro trabalho como Lara Aufranc.

O disco tá quase pronto. É bem diferente do outro, mais esquisito, ousado. Cheio de synths, guitarras… é um disco mais rock (mas também sem se prender nesse nome – afinal o que é rock hoje em dia?). Eu mesma to experimentando umas distorções na voz, coisa que eu nunca tinha feito antes. Eu gosto muito de soul e fazia sentido lançar um disco mais próximo disso em 2015. Mas hoje estou em outra fase, e as músicas refletem isso.

– O disco já tem nome? Como ele está sendo produzido?

Sim, vai se chamar Passagem. O clipe é a faixa-título. Foi gravado na YB, pela Matarca Records (selo e gravadora). Eu to curtindo muito fazer parte de um selo, ainda mais por ser um grupo relativamente pequeno, próximo. Não tem um produtor contratado. Eu fiz os arranjos e a produção do disco ao lado dos músicos, foi bem coletivo esse processo. Maravilhoso.

Lara Aufranc

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Tem muita coisa. De todos os gêneros musicais. É uma profusão tão grande que o público as vezes fica perdido. Mas é legal que tanta gente tenha a oportunidade de gravar, coisa que teria sido impossível na época das gravadoras. De 2015 pra cá – quando eu oficialmente passei a trabalhar e viver de música – conheci muitas bandas, artistas, tem muita cosa legal rolando. É questão de procurar, ir num show sem saber qualé, tem boas surpresas por aí.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Negro Leo, Letrux, Tika, Giovani Cidreira, Porcas Borboletas… Esses eu vi / ouvi recentemente!