Samuca e A Selva apresenta “Flores Raras” em audiovisual

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Gravação Clip Vai Madurar

Falar em Samuca e A Selva é falar de um coletivo de bons músicos que sabem colocar o público para dançar. Apresentam bem a sua malemolência das harmonias e levam o suíngue acompanhada de boas letras com humor e sagacidade. Agora, eles apresentam todo seu gingado potencial em formato de audiovisual.

‘Flores Raras’ foi a música escolhida para apresentar bem aos olhos, além dos ouvidos, o disco “Madurar”, que foi lançado em 2016, pela YB Music e foi indicado ao 28º Prêmio da Música Brasileira. Nesse álbum, Samuca e A Selva contou com grandes parecerias como o Thiago França do Metá Metá e o Maurício Fleury do Bixiga 70.

O Clipe, que conta com a presença de bailarinos profissionais encenando, acontece em um cenário simples, mas que remete fielmente a essência da música, que tem a composição de Rodolfo Lacerda, Bruno Parola e Dani Agrelli. “Eles escreveram a letra em uma viagem à Juréia e acharam a minha cara”, conta o vocalista e compositor, Samuel Samuca.

A música tem um ritmo latino e quente, que é representada no clipe através de flores, folhas e um principal cenário, que é uma cama com flores derramadas. O casal no clipe, em meio à trama, dialoga bem com a sensualidade e explora ações e repulsa, que estão presentes na música.

O audiovisual de “Flores Raras” tem a direção assinada por Rodolfo Dox, cenografia de Carol Mota, e conta com a atuação dos bailarinos Maria Glória Poltronieri Borges, Ana Clara Poltronieri Borges, João Paulo Andrade Gomes. O resultado está florido e dançante, dá o play e baila!

Caburé Canela faz som que junta baião, samba, bossa, rock, blues, afro-beat, semba “e até Black Sabbath”

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Macumba-Erudita. Samba-Cigano. Reggae-Jazz. Punk-Baião. Essas são algumas das muitas formas de tentar descrever um pouco do som da banda Caburé Canela, de Londrina, apesar de nenhuma delas ser muito certeira em definir a mistureba brasileira que o sexteto faz.
Formada em 2013 por Carolina Sanches (voz), Lucas Oliveira (voz, guitarra e violino), Maria Carolina Thomé (percussão), Mariana Franco (contrabaixo), Paulo Moraes (bateria) e Pedro José (voz e guitarra), a banda une influências de ritmos populares como baião, samba, bossa nova, rock, blues, afro-beat, semba de Angola e rumba “e talvez até um pouco de Black Sabbath“, segundo Lucas.
Em fevereiro de 2018 lançaram o primeiro trabalho, “Cabra Cega”, no Espaço Cultural SESI de Londrina. Da campanha de financiamento coletivo à produção do show de lançamento, da escolha das músicas à arte da capa do disco, tudo foi realizado de forma independente e unindo as forças dos seis membros e toda sua criatividade. Conversei um pouco com a banda sobre sua carreira e o disco:

– Como a banda começou?

Lucas: A banda começou em 2013, comigo, o Paulo que é o batera e a Maria, que é percussionista. Eu morava em Angola, estava dando aula por lá, e quando voltei, queria montar uma banda autoral. Daí chamei os dois, que já haviam tocado comigo antes em outros projetos. Fomos construindo a ideia, e chamando outras pessoas. A Maria chamou a Carolina, que é cantora e compositora, e a Mariana, que é baixista. O último membro a entrar foi o Pedro, que era um amigo nosso, e que acompanhava a banda também. Ele é guitarrista, cantor e compositor.

– E quando foi isso?

Lucas: Foi mais ou menos no meio de 2013. Daí até o Pedro entrar foi quase um ano.

Carolina: Em 2013 o grupo foi se formando, mas o lançamento oficial foi em setembro de 2014, com um ensaio aberto no Grafatório e outro oficial em outubro numa festa grande chamada “Quizomba: O Samba e outros Batuques”, aqui de Londrina.

– E como surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Carolina: Bom, Caburé Canela é uma coruja, de pequeno porte, do Sul da América do Sul (risos).
Lucas um dia veio com essa ideia, e achamos interessante pensar que é uma ave arisca – que não se deixa decifrar. Tem o símbolos que expressa certos traços poéticos do grupo: o olhar agudo sobre as cenas do mundo, o caráter notívago, o gosto pelo mistério. A coisa noturna que a coruja tem.

Lucas: Estavamos na loucura de achar um nome, que é algo bem difícil… Aí fui atrás de vários nomes de plantas, de bichos, de aves, etc, e achei esse, que é uma espécie de coruja que habita a América Latina. Fui pesquisando mais a fundo, e vi que as palavras “Caburé” e “Canela”, também tinham significados muito especiais. Caburé, além de ser coruja de modo genérico, também quer dizer mestiço de Nativo Americano e Africano. Remetendo a questão da ancestralidade brasileira. Canela tem a ver com especiaria do oriente, uma coisa longínqua, mística, exótica.

Carolina: E caburé também significa mestiço de negro com índio… o que seria o cafuzo. e mestiço de branco com índio caboclo.

– O som de vocês tem bastante de música africana e brasileira, além de jazz, rock, e até punk. Dá pra definir o som de vocês? Eu acho que é bem difícil, né…

Carolina: (risos) Os dois!

Lucas: Acho que é Música Brasileira. A gente brinca com essa coisa de gênero faz tempo, tentando saber o que é de verdade. Punk-Baião, Macumba-Erudita, Igapó-Beat, etc. Igapó é um lago aqui da nossa cidade!

– Quais bandas e artistas vocês citariam como influências no som de vocês?

Lucas: Como somos em seis pessoas, cada um traz múltiplas influências, aí vai longe (risos), mas posso citar algumas mais diretas, como Itamar Assumpção e a Anelis, sua filha; Jards Macalé; os tropicalistas todos; bandas como Chico Science e Nação Zumbi, Otto, Chico César, Hermeto. Isso do Brasil, daí tem influências de rumba, semba, blues, rock, afrobeat, reggae, e alista segue (risos). Vai achar até um Black Sabbath.

Carolina: Tem coisas que remete aos procedimentos que o Arrigo Barnabé usava e a vanguarda paulista no geral também né.. Um grupo atual acho que talvez seja o Metá Metá.

Lucas: Olha, esqueci deles (risos).

Carolina: É, acho que é isso!

– Me falem um pouco mais do disco que vocês lançaram!

Lucas: Foi nosso primeiro disco. Depois de quase cinco anos. Já havíamos gravados as faixas, mas queríamos o CD físico também. Daí fizemos uma promoção pré-venda, que viabilizou a prensagem. São sete musicas no disco, que refletem um pouco nossa trajetória, a busca para se firmar, o auto conhecimento, e a tentativa de se enquadrar nos padrões pré-estabelecidos. O disco gira em torno do personagem “andarilho”, que busca algo que ele não sabe o que é. Nessa trajetória, se depara com lugares, medos, frustrações, amores, perdas. No final percebe que a vida é apenas um fluxo, e que só se pode fluir por onde há espaço. No caso, é o encontro com o nada.

Carolina: A música que abre o álbum é a “Andarilho” e tem uma frase dela que dá nome ao disco “Como cabra cega, algo que nega e não vê, e procura sem saber o quê”.

– Então no fundo o disco tem um conceito e um personagem… quase uma ópera-rock!

Lucas: Sim. Não chega a ser uma ópera-(MPB?), Mas tá quase lá!

Maria Carolina: É interessante que composições de diferentes autores se amarrarem tao bem. Mostra bem o quanto o grupo dialoga bem entre inquietações e formas de perceber a vida. Quando nos reunimos (eu por Skype) pra fechar a sequência das musicas parecia q era tudo bem planejado. Mas na verdade não foi, não conscientemente. Fiquei bem impressionada com a amarração que as composições fizeram.

Carolina: É legal pensar no conceito do ópera-rock né, acho que inconscientemente vai meio por aí mesmo. Se formos pensar a sequência, esse enredo que inventamos para o andarilho caminhar.. e que mesmo depois de gravado e mixado, mantemos a ideia inicial e ainda começamos a utilizar de outras coisas, né… Desde o figurino, iluminação, também as projeções do lançamento até as próprias falas que eliminamos entre uma música e outra…. Perpassa sim por esse lugar que a ópera-rock caminhou (risos).

– Como é o processo de composição da banda?

Lucas: Algumas vezes a música vem quase pronta. Outras vezes construimos tudo juntos. Nas minhas músicas, geralmente tenho bastante clareza do que imagino que vai ficar bom, mas sempre vem uma ideia de alguém e vamos incorporando. Cada um trás sua própria linguagem, e é bem interessante tentar fazer essa junção das ideias. Algumas musicas são construídas quase que inteiramente de maneira coletiva. Cada um construído uma parte e dando ideias para o todo da música.

– Os shows da banda são um espetáculo à parte. Vocês podem descrever uma apresentação pra quem nunca viu?

Carolina: Temos músicas do Lucas, do Pedro José, minhas e por enquanto, uma do Paulo. Eu funciono meio esquisitamente… Escrevo e depois invento a melodia, gravo e levo pro grupo. Daí a gente começa a pirar com os instrumentos. A música do Paulo (Faixa 5, “Sem”) surgiu meio assim também, ele me enviou a letra, fiz um riff no violão, o que hoje é a base do baixo, e inventei a melodia. Depois foi a construção coletiva, desenvolvendo o todo.

Maria Carolina: É uma experimentação corpórea. Nos preocupamos muito com as dinâmicas, e as vezes jogamos uns blocos de informação pro publico absorver. Pedro definiu bem no ultimo show, musica pra quem não “sabe” dançar. É de se ouvir com o corpo todo, vejo que quando conseguimos essa entrega total no palco o publico também corresponde. Considerando a cozinha, que é o meu lugar,rs somos bem livres… A regra é focar as notas verdadeiras. E é isso que espero que nossa apresentação seja, livre verdadeira e intensa.

– Então é muito mais que apenas uma experiência musical!

Maria Carolina: É pra ser! Muita pretensão?

– Lógico que não!

Carolina: É o desejo né, pode parecer pretensioso mas parte da verdade mesmo. Não consigo descrever… No show de sexta a Suy Correa veio me dizer que ela achou sinestésico e curador..
Acho interessante o olhar do outro, porque do palco vemos uma coisa mas no fundo não sabemos o que acontece no outro, como estão recebendo aquilo tudo né…

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Carolina: Antes mesmo de lançar o álbum já fazíamos shows com mais músicas. Músicas fechadas, arranjadas e que podemos fazer sempre, temos 22. E tem outras que estão em processo, amadurecidas aos poucos. Na maioria das vezes pedem pra gente encurtar um pouco o show (risos)
mas dá pra tocar umas duas horas!

– Essas músicas farão parte de um disco, EP, sairão como singles? Aliás, o que vocês acham do conceito de “‘álbum” hoje em dia, com as pessoas ouvindo música em serviços de streaming e muitas vezes ouvindo mais as músicas “soltas” do que o disco completo e na ordem?

Maria Carolina: Essa pergunta é nosso grande ponto de interrogação do momento. Estamos aprendendo, descobrindo os caminhos. Essa tal de independência faz com que percorramos um caminho mais cheio pedras.. Pra mim é tudo muito novo, ainda gosto do lado a e do lado B.

Carolina: Ainda temos dúvidas. Estamos loucos pra gravar outro disco (tem um sonho aí de vinil também), mas como o “Cabra Cega” acabou de sair, ainda estamos no processo de apresentar esse primeiro CD pro mundo. Estamos tentando fechar shows fora de Londrina, enfim… Provavelmente entraremos nesse processo no segundo semestre. É esquisito pensar a música hoje né, é tudo muito imediato. Ou viraliza ou está a margem. A imagem é bastante influenciadora e é tudo tão híbrido que não dá pra saber com que peso pisar ou como tatear esse território. Gravamos duas músicas recentemente, uma vai entrar numa coletânea e a outra estamos pensando em soltar um single daqui uns meses, ou um vídeo com ela. Vamos amadurecer a ideia. Acho que assim, por exemplo, soltamos o álbum completo no youtube, e ali tem muito menos visualizações do que no Spotify ou outras plataformas… Por essa perspectiva, não ouvir o álbum inteiro, sequencial e tal, “destrói” um pouco todo o trabalho que foi realizado na produção dele, no sentido da construção do personagem, os caminhos por onde ele passa e tudo mais. Mas por outro lado, não dá pra reclamar. Vivemos nesse imediato, gostamos de poder escolher o que queremos ouvir, mesmo que isso exclua outras faixas. É uma evolução poder escolher a música certa, né?! Mas o conceito de álbum acho que ainda funciona e tem sido cada vez mais explorado pelos artistas. Sendo recriado.

Lucas: Pensamos nesse primeiro álbum como uma obra “fechada”. Acho que, como artistas, precisamos pensar no conceito de obra, seja ela um álbum, um single, um vídeo, etc. Hoje em dia tem muita música apenas para o entretenimento. Isso não é ruim, mas parece que música é apenas isso. Gosto da ideia de criar, e acho que isso as vezes fica de lado, principalmente no mundo extremamente consumista que vivemos.

– Aliás, falando nisso… Hoje em dia o clipe voltou a ter uma grande importância. Como vocês veem esse tipo de formato?

Carolina: Eu adoro! Sou formada em artes visuais, então a visualidade, o audiovisual me pega bastante. Era muito massa nos anos 90 quando ficava a tarde toda assistindo Mtv. O meio mudou né, nesse caso a TV foi deixada de lado e o Youtube dominou nessa parte, por que podemos assistir em qualquer lugar e hora. Mas poxa, tenho visto tanta produção bacana da galera. Tenho curtido os que tem menos produção, os que dá pra ver que foram feitos na raça e que carregam uma essência meio roots, que é feito com verdade e de forma simples… Estamos produzindo dois clipes do álbum, e entendo que o formato visual é uma ferramenta muita expansiva, tanto de divulgação quanto de possibilidade de desdobramento musical.

– E o que podemos esperar nesses clipes? Dá pra adiantar algo?

Lucas: Muitos nudes (risos)! Brincadeira.

Carolina: (Risos) Olha só! (Risos). Estamos fugindo da literalidade. Acho que é uma das únicas coisas que temos definido. Na manga tem o clipe do “Andarilho”, que nós mesmos estamos filmando. Acho que vai sair uma coisa bem densa, obscura. Nosso olhar pros detalhes e movimentos da rua, pro ritmo dela. Captando os rastros que passam desapercebidos no cotidiano. Um processo novo pra nós, e é massa pensar que vai ser coletivo. E o outro é da música “Vaso”, que chamamos um coletivo aqui de Londrina que chama Cãosemplumas. Eles estão fazendo uma animação, nada literal, com muita variação de traços, alguns desenhos que remete as garatujas das crianças, e outros, bem detalhados. Nesse processo deles estamos tentando não interferir não, lançamos a ideia e estamos nos segurando pra não pressionar, na tentativa de deixar-los dizer mais um pouco sobre o que já construimos com a música! Mas agora vamos incluir um só com nudes mesmo, pra ver se ficamos famosos! (risos)

– Quais os próximos passos da banda?

Carolina: Temos tentando trabalhar um pouco as expectativas, pra não ficar frustado demais né. Não tá muito fácil ser artista independente e ainda produzir tudo. Estamos em busca de produtores que nos ajudem a criar um ritmo pra nossa agenda de shows. Porque é necessário sair da casinha e adentrar o universo dos festivais, estrada e tudo mais. E continuar produzindo/criando sem perder a essência inicial, que é a de pirar a cabeça mesmo, continuar saindo do quadrado, das convenções… inventando e ao mesmo tempo se divertir fazendo o que a gente acredita.

Lucas: Próximos passos são de expandir os territórios.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Lucas: Cara, tem muita gente boa. Aqui de Londrina tem a galera do Aminoácidos, tipo música brasileira progressiva (MBP?). Tem também o pessoal do Maracajá, que faz um som bem diferente, incorporando bastante do funk proibidão. É bom interessante. Gosto bastante da Anelis Assumpção. Tem um trabalho bem conciso. Tem também a galera de Sampa, do selo Risco, bem legal todos eles. A música brasileira é bem rica, e parece que nestes tempos de crise aparece muita gente boa. Em Londrina tem uma onda boa de música autoral. Já vou adiantando que logo logo vai sair uma coletânea só com artistas londrinenses.

Carolina: BaianaSystem, Carne Doce, Francisco El Hombre, Mulamba, Bixiga 70, Far From Alaska, Cidadão Instigado, Curumin, Metá Metá, Kiko Dinucci – “Cortes Curtos” (fodão), os da Juçara Marçal.

Lucas: Tem também o Abacate Contemporâneo, uma banda bem legal daqui. Amigos nossos também, já fizemos alguns shows juntos.

Carolina: Fernanda Branco Polse com o Bicho Branco Polse… e por aí vai!

Lucas: Queria acrescentar que o disco pode ser comprado físico com a gente ou então da pra pedir pela página no Facebook. Estamos no Spotify, SoundCloud, Deezer e todo o resto. Quem quiser segue a gente lá no Instagram, curte a página no Facebook, se inscreve no nosso canal, me liga no whats!

Construindo Falso Coral: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o disco “Delta”

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Falso CoralBela Moschkovich (vocal), Bemti (vocal e viola caipira), Pedro Lauletta (bateria), Guilherme Giacomini (sintetizadores) e Henrique Vital (baixo) escolheram 20 faixas que inspiraram as 10 faixas inéditas que estarão no disco “Delta”, que sai no segundo semestre.

Em 2016 a banda Falso Coral lançou o EP “Folia” onde apresentava pela primeira vez a mistura característica da banda: rock alternativo, viola caipira, sintetizadores e vocais duetados. Depois de dois anos rodando com o EP, a banda está pronta pra colocar no mundo o primeiro álbum, que se chama “Delta” e está sendo produzido por André Whoong (que também produziu o álbum “Gaya” de Tiê). Pra viabilizar o disco a banda abriu uma campanha no Benfeitoria, com várias recompensas,  precisando atingir a meta até o final de junho. Para contribuir com a produção e lançamento do disco, acesse agora: http://benfeitoria.com/falsocoral.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Castello Branco“Necessidade”
Bemti: Melodia incrível e produção impecável. Tudo com um senso de grandeza e simplicidade misturados que fazem o Castello Branco ser um dos grandes artistas da “nova geração”. O Falso Coral começou fazendo músicas em inglês e eu só comecei a compor mais em português do que inglês porque eu me reafundei em clássicos como Clube da Esquina e discos como o “Serviço” do Castello Branco e de outras pessoas dessa mesma geração lá pelos idos de 2014/2015.

Joan Baez“It’s All Over Now, Baby Blue”
Bela: Essa canção (que é do Bob Dylan) interpretada pela Joan Baez é linda demais! Os dois são uma inspiração enorme para mim, mas a Joan é especialmente nos vocais.

Florence + The Machine“Delilah” 
Bela: A Florence é outra referência de voz que eu uso muito. Ela alterna com frequência entre uma voz potente e agudos muito bem colocados, coisa que com a música do Falso Coral eu gosto de fazer também. As linhas de backing vocals também são um material de estudo interessantíssimo!

Guillemots“Made-up Love Song #43”
Bemti: Guillemots era uma banda mestre em mesclar nostalgia com melodias épicas. “Made-up Love Song #43” não fez eles estourarem à toa, é toda a fórmula deles resumida em 3 minutos e meio de euforia e cores. Quem prestar atenção no nosso disco vai ouvir uma influência direta dessa música e de toda a vibe Guillemots em pelo menos 2 faixas.

Chico Buarque“Até o Fim”
Bemti: “Faísca” é uma música que estará no disco “Delta” e é a que mais se aproxima do meu trabalho solo. É a que tem a linha de viola mais complexa e um ritmo extraído da catira, que é uma dança bem típica que eu via quando eu era criança em Minas Gerais. Ela tem uma vibe “música brasileira atemporal”. O André Whoong, produtor do disco, disse que pra ele lembrou muito Maurício Pereira. Pra mim ela é uma nuvem de tudo de brasileiro que eu ouço desde criança. Pensando na lista eu lembrei de “Até o Fim” que é um meio samba, com piano, triângulo etc e uma cadência melódica super divertida e elegante ao mesmo tempo com a qual eu consigo traçar paralelos com “Faísca”. Também vale mencionar como influência todo o trabalho do violeiro Ivan Vilela, principalmente as parcerias dele com o extraordinário pianista Benjamim Taubkin (sério, escutem).

Vandaveer“A Mighty Leviathan of Old”
Bela: Vandaveer é uma das minhas bandas favoritas e uma enorme referência de um folk contemporâneo que ainda tem um pé no caipira – ainda que nesse caso seja o caipira norte-americano. Essa música, de um disco de 2009, é uma das mais memoráveis deles,  me assombrou desde o dia que eu escutei pela primeira vez e com certeza influencia muito do meu estilo de composição. O refrão sem letra e as harmonias vocais são duas coisas que aparecem no Delta.

A Fine Frenzy“Come On, Come Out”
Bemti: De toda a geração de bandas indie com vocais femininos, A Fine Frenzy (projeto da Alison Sudol, que hoje em dia está milionária como uma das protagonistas de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”) é uma das melhores pra mim. Com um refinamento extraordinário pra composições e sem medo de soar “soft” demais. O primeiro disco dela, “One Cell in the Sea”, é uma obra-prima de pop alternativo e abre com essa maravilha de música que é “Come On, Come Out”.

Editors“Push Your Head Towards the Air”
Bemti: Quando eu comecei a compor “A Heart for Rent” (uma das duas músicas em inglês que vão estar no disco e a mais antiga de todas), ela tinha uma linha vocal saída diretamente dessa música. Depois entreguei a melodia pra Bela e ela compôs uma letra com uma linha completamente diferente por cima, foi a primeira música que a gente compôs junto. Mas a música ainda continua com essa atmosfera grave que eu amo no Editors e que sempre aparece nas coisas que eu componho aqui e ali.

Fiona Apple“Every Single Night”
Bela: Quando essa música saiu, depois de tanto tempo sem nenhum álbum da Fiona, meu coração explodiu um pouco! O estilo de escrita confessional dela me influencia muito e isso passa, sem dúvidas, pras composições minhas que foram para o “Delta”. Além disso, tentei trazer um pouco da referência dela com a voz meio falada misturada ao canto, que eu adoro.

Björk“Wanderlust”
Bemti: Eu sou louco por melodias grandiosas. Ainda quero fazer mil coisas orquestradas que nem muita coisa que a Björk faz. Enquanto essa hora não chega, dá pra ouvir bastante dessas linhas vocais e melodias “larger than life” ao longo do “Delta”. Nessa hora ajuda ter uma banda com 5 pessoas onde as 5 pessoas não se seguram pra pesar a mão na intensidade.

Violeta Parra“Gracias a La Vida”
Bela: Cresci ouvindo música latinoamericana em casa e volta e meia isso aparece em alguma música. Com certeza, faz parte do DNA de “Delta” e dá para ouvir a referência em uma das faixas inéditas que vamos lançar! Essa canção linda, na versão da Violeta Parra, me comove demais.

Mew – “Am I Wry? No”
Bemti: Mew é a minha banda favorita do universo. Tudo que eu faço vai ter algum traço de Mew invariavelmente. É difícil escolher uma música mas acho que quando eu fiz “Waltz of the Great” (a outra música em inglês do disco) eu provavelmente estava tentando fazer uma versão caipira de “Am I Wry? No” que é indie do começo dos anos 2000 mas com uma nostalgia deliciosa pelo shoegaze e rockzinhos alternativos dos anos 90 em geral.

Keane“Bedshaped”
Bemti: Keane é a minha segunda banda favorita do universo e também é difícil escolher só uma música. Mas pra mim “Bedshaped” é uma explosão de melodia e melancolia que me “contaminou” pra sempre desde a primeira vez que eu a ouvi. Keane é muito inspirado por Beatles e eu sempre reconheço algumas “Beatlezices” que eu componho onde na verdade eu estava me espelhando no Keane. É o caso especialmente de uma das músicas do disco que se chama “A Hora Chega”.

Kings of Leon“Knocked Up”
Henrique: Escolhi essa faixa porque o baixo da música é basicamente tônica e oitava a música toda, e é algo que eu acho bem característico das minhas linhas. As linhas que o Jared Followill usa nas músicas da banda são sempre muito simples, mas igualmente eficientes e poderosas. Acho que, modestamente, minhas linhas são parecidas neste sentido!

Disasterpeace“Home” (Trilha sonora de Fez)
Guilherme: O Disasterpeace é um dos mais conhecidos e admirados compositores de trilha de games atualmente e me influencia bastante nas minhas composições de synth.

Fleetwood Mac “Dreams”
Pedro: O “Rumours” do Fleetwood Mac um dos meus discos preferidos, e eu acho que um dos pontos altos dele é a sonoridade e a timbragem que os instrumentos tem. Nessa música tudo soa bonito e nada está fora do lugar, é uma aula de arranjo. Eu queria um som de bateria parecido com o do Mick Fleetwood pro nosso disco, e acho que conseguimos!

Midlake“The Old and the Young”
Pedro: Eu descobri essa banda por acaso e é uma das que eu mais ouvi nos últimos dois anos, e acho o som deles muito próximo do nosso. Consigo ouvir a voz do Bemti e da Bela nessa música.

O Terço “Queimada” 
Pedro: Resposta pra pergunta “Como colocar viola num disco de rock?”.

Beatles“Strawberry Fields Forever”
Pedro: Enquanto a gente ensaiava a minha canção preferida do “Delta”, a sonoridade dessa música sempre me vinha à mente. E bom, Beatles é sempre uma influência né?

Pearl Jam“Given to Fly”
Pedro: No “Delta” eu uso bastante os tons da bateria pra fazer grooves, e em uma música em particular eu quis ir na onda dessa, que é a minha preferida do Pearl Jam (e olha que não é fácil pra um pisciano fazer esse tipo de escolha). Além disso, uma das músicas no disco é minha e eu fiz ela numa época que eu estava ouvindo o Into the Wild todo dia, e foi uma influência muito marcante.

Em clima de Copa, Orquestra Passa a Bola homenageia o jogador Gabriel Jesus

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A união de músicos e peladeiros do Recife resultou em uma orquestra para compor sobre futebol. O primeiro single, que homenageia Gabriel Jesus, foi lançado nesta terça, 15.

A um mês de começar a tão esperada Copa do Mundo, os pernambucanos da Orquestra Passa a Bola já entraram em campo para lançar o primeiro single do projeto, que homenageia o jogador Gabriel Jesus. Esse é primeiro trabalho do grupo, idealizado por Tiné, que tem como pretensão compor e tocar apenas sobre futebol.

Com o título ‘Gabriel Jusus, Antes e Depois’, o primeiro single chegou para entusiasmar o público para entrar no clima da copa. A música conta a trajetória do atacante revelado pelo Palmeiras, menino craque do Jardim Perí que a quatro anos atrás na copa de 2014, estava pintando a rua do seu bairro de verde amarelo, e na copa seguinte em 2018, é o camisa 9 da seleção com mais títulos mundiais.

Essa ideia veio de um grupo de peladeiros, que também são músicos e, claro, se juntaram para fazer uma banda. O projeto, que é idealizado pelo Tiné Equilibrista e tem a produção musical de Luccas Maia, hoje assina como uma Orquestra, pela quantidade de músicos participando.

Segundo Tiné, o coletivo teve a ideia de se reunir para gravar a primeira música durante o amistoso Brasil x Alemanha, que o resultado do jogo resultou no primeiro trabalho, quando Gabriel Jesus, marcou o primeiro gol contra a algoz Alemanha.

A ideia é que até o início da Copa ainda saiam mais dois singles, um sobre o craque Neymar e outro sobre a Seleção Completa. Mas, também estão sendo compostas músicas sobre a Chapecoense, time que sofreu um acidente trágico de avião em 2016, e Muricy Ramalho.

A Orquestra Passa a Bola, que começou como um Bloco de Carnaval em 2018, conta com o escrete de ouro Tiné, Igor de Carvalho, Victor Camarote, Muta, Zé Gleisson, Maneco Bacarelli, Pecinho Amorim, Guga Fonseca, Rogério Samico, Rodrigo Jangaman, Luccas Maia, João Zarai, Filipe Novais e Alexandre Barros.

O vídeo, que tem a produção de Iba, da Believe Filmes, está disponível no Youtube. O single também pode ser escutado pelo Spotify e Deezer. Dá o play e sente o cheiro de Copa no ar.

Por Rebeca Gouveia

“Ode ao Óbvio” porque é necessário

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Arquétipo Rafa

Arquétipo Rafa levanta questões desafiadoras no seu primeiro trabalho solo, que será lançado em maio nas plataformas de streaming.

Até o que é obvio precisa ser dito, incomodado, provocado. É com essa ideia que Rafa, ou Arquétipo Rafa, se expressa no seu primeiro trabalho solo, intitulado “Ode ao Óbvio”, que será lançado durante todo o mês de maio nas principais plataformas de streaming. O disco conta com quatro faixas que passeia por questões como machismo, política de drogas, ocupação de espaços públicos e outros temas que merecem um dedo na ferida.

O trabalho reflete a mudança e o amadurecimento do artista, uma vez que o disco demorou uma gestação de três anos para nascer. “O conteúdo do disco pode ser facilmente adaptável para os dias em que estamos. Espero que um dia, esses assuntos estejam datados. Que sejamos tão evoluídos socialmente que nem precisaremos colocar em pauta estas questões do disco. Mas por enquanto, a gente ainda precisa conversar muito sobre tudo isso, até que o sentimento de empatia entre na cabeça de todos”, explicou Rafa. “Ode ao Óbvio” começou a ser produzido em 2015, ainda em Recife, foi amadurecido no Rio de Janeiro, com a produção de Diogo Guedes, e colocado ao mundo em São Paulo, onde foram finalizadas as gravações.

Em Recife, Rafa observava a cidade e sua sociedade e refletia sobre questões que pareciam ser óbvias, mas só pareceriam. A verdade, é que ainda se precisava muito discutir sobre direitos iguais, liberdade de expressão, uso do espaço urbano, machismo, entre outros assuntos, porque se notou que o que se falta é empatia. “Dentre todos esses assuntos abordados no disco, pouco se mudou. Eu acredito que a pauta em que mais evoluímos é sobre o machismo, mas que ainda está muito longe de se chegar a um modelo ideal de igualdade de gênero”, completou.

Em “Ode ao Óbvio”, Rafa também se lança como produtor musical e se aventura nesses motes com um suíngue bem estruturado, passando pelo samba e a psicodelia. O resultado é uma retórica concisa e coesa, recheada de synths, que vem cavando e se posicionando bem no universo independente.

A primeira faixa a ser colocado no mundo foi “Formigueiro”, que fala sobre a transição da cidade natal, Recife, para a grande metrópole, São Paulo, abordando a mesma percepção dos problemas de cidadania em maior escala.

Um destaque para a originalidade da capa desse trabalho, que é assinado pela fotógrafa Laís Domingues. Nessa arte, Laís foi feliz ao escolher um retrato de uma garota dentro de uma caixa, uma bolha, onde pouco se debate, a fórmula já vem pronta. Somada à fotografia, um bordado colorido, dado vida às novas ideias. O bordado foi feito à mão por ela própria.

O resultado desse trabalho todo está aí. Deleite-se e reflita!

Conheça um guia semi-definitivo para a obra do Clube da Esquina

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Clube da Esquina

O canal do Youtube Três Álbuns – Música Pra Tudo é capitaneado pelo Lucas Cardoso, de São Thomé das Letras, e costuma fazer vídeos mostrando, como o próprio nome diz, Três Discos sobre algum tema específico. Mas dessa vez, Lucas foi mais longe e fez um especial incrível elencando os discos que fizeram parte do chamado Clube da Esquina. Sim, ele vai muito além do clássico álbum de 1972, contando com trabalhos incríveis de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Som Imaginário e mais. Confira:

Construindo Banda-Fôrra: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Cidadão Instigado“O Tempo” 
Cidadão Instigado inaugurou um jeito de fazer canção no Brasil. Letra e melodia emocionantes, e mais mil detalhes pra prestar atenção a cada nova audição.

Homeshake“Every Single Thing”
Melhor timbre pop que tem rolado por aí afora. Pra ouvir pensando na vida.

Cátia de França“20 Palavras Girando ao Redor do Sol”
Lembrete eterno de que não estamos inventando a roda e que a música paraibana sempre foi com os dois pés na porta.

Bob Marley“Slave Driver”
Aula de música, história e caráter. Recomendado em doses diárias.

Igor Stravinsky“A Sagração da Primavera”
Uma das muitas drogas pesadas que consumimos nos tempos de pré-produção do nosso EP de 2015, e que reverberou como referência em forma de vocalização na faixa ‘diz nos meus olhos’.

Milton Dornellas“Encanto”
O compositor que tento ser se divide entre antes e depois do disco que abre com essa canção. Sigo buscando a clareza e limpidez na articulação entre melodia e letra que Milton foi capaz de cometer nessa faixa.

Lô Borges“O Trem Azul”
Nessa lista valia pôr o Clube da Esquina inteiro, mas essa faixa fica sendo uma representante de peso da maneira como os mineiros influenciam nossa forma de harmonizar, e também por aquele solinho de guitarra incrível, que aprendi a cantar inteiro.

Guilherme Arantes – “O Melhor Vai Começar”
Nos releases que produzimos ao longo desse tempo de existência da banda, sempre falamos em ‘música brasileira sem estereótipos’. Acredito que a maneira como Guilherme Arantes faz conversar suas referências no rock progressivo, na nossa nova e na tradição da canção brasileira sintetizam bem essa nossa busca. As melodias são belíssimas, e as letras têm esse apelo por ser profundamente simples e irremediavelmente inteligíveis.

Cidadão Instigado“Besouros e Borboletas”
Persigo, observo e admiro as canções do Fernando Catatau. Escolhi essa por ela conseguir arrancar com doçura uma lágrima minha num show deles que assisti.

Gilberto Gil“No Norte da Saudade”
Nas últimas viagens que fiz escolhi essa canção pra ser o primeiro play.
Música pra cima e pra celebrar a instiga de se jogar na estrada.

BaianaSystem“Lucro: Descomprimindo”
Gosto de observar cada detalhe dos shows das bandas do mainstream. No da Bayana não consegui, pois fui sugado pro meio da multidão e me entreguei pras famosas rodinhas dos shows deles. Depois, com uma audição mais cuidadosa, passei a admirar essa música por ter uma crítica social muito forte, muito atual e por transmitir a mensagem através de refrão chiclete e estrofes certeiras.

Beto Guedes“Lumiar”
Essa eu gostaria de ter feito. É uma aula do beto ensinando ao mundo como deve ser o ser.

Gilberto Gil“Ilê Ayê”
Essa música, como boa parte da obra de gil, possui um aspecto interessantíssimo que é a força e o poder que a música (e cultura) afro-brasileira tem. Não só essa música, mas todo o disco ‘Refavela’, possui uma força muito incrível, tanto nas letras como em cada instrumento tocado.

Maglore“Calma”
Música que compõe o disco mais recente da Maglore. Sem dúvida nenhuma essa é a melhor música do disco, a palavra é algo muito presente nesse disco e nessa música não poderia ser diferente. Sem contar também com som da banda como um todo, os timbres maravilhosos que esse disco traz.

Caetano Veloso“Nine Out of Ten”
Essa é uma das minhas músicas preferidas de Caetano e lembro que só conheci esse disco por conta de Banda-Fôrra, que na época nem tinha esse nome, chamava-se Banda Uns. Lembro muito bem de assistir a um show dos meninos tocando o disco ‘Transa’ e depois do show ir correndo para casa ouvir incansavelmente essa maravilha.

Milton Nascimento“Escravos de Jó”
Música que abre o disco ‘Milagre dos Peixes’. Algo que acho muito incrível dessa música são as percussões de Naná Vasconcelos, grande percussionista que infelizmente não está mais entre nós. O que me fascina é a maneira que Nana orquestra toda a percussão da música, criando uma massa sonora incrível que sem dúvida nenhum faz com que a percussão não seja um mero instrumento de acompanhamento e sim que ela se torne um comunicador tal como a voz. Em resumo, a percussão pode não falar, mas ela diz muita coisa.

A Cor do Som“Beleza Pura”
As guitarras de Armandinho nas músicas d’A Cor do Som me impressionam muito. Bahia e Brasil numa fritação canção belíssimas. sempre tento trazer pra meu jeito de tocar a sensação que eu tenho quando escuto as guitarras dele. Não dá pra escutar essa versão de “Beleza Pura” e não querer sair dançando pela casa.

Gal Costa“Vatapá”
Uma das coisas que eu mais gosto na vida é a sensação do fim da tarde em João Pessoa. Principalmente por causa das cores e do brilho das coisas. De maneira geral, gosto de escutar (e fazer) músicas que me remetem a isso. Gal, Caymmi e a cereja do bolo: João Donato (produção musical e arranjos) me transportam diretamente pra um fim de tarde em João Pessoa. Vale escutar esse disco inteiro!

Red Hot Chili Peppers“Sick Love”
Um dos discos que eu mais escutei em 2017-18. Até eu escutar esse disco, Red Hot cumpria uma função mais nostálgica do que qualquer outra. Ouvia mais nos rocks quando alguém lembrava de “Scar Tissue”, “Under The Bridge” ou “Can’t Stop” ou quando o assunto eram os tempos áureos da MTV. Quando ouvi esse disco (“The Getaway”) pela primeira vez que percebi o quanto essa banda é muito foda. “Sick Love” foi a que mais gostei. A Partir desse disco que fui percebendo que as outras músicas e os outros discos são carregadíssimas em sentimentos. Muito verdadeiros. Frusciante (mesmo não estando presente nesse disco) me ensina muito sobre rock, groove e guitarras limpas.

Mac DeMarco“Let Her Go”
Esse disco é sempre à quem eu recorro quando passo mais de 5 segundos e não consigo pensar em alguma coisa pra ouvir. sempre. timbres lindos, sensibilidade altíssima. “Let Her Go” sintetiza bem a capacidade que esse disco tem de colocar meu dia pra cima. Altíssimo astral. Fica ainda mais alto astral se for ouvida naqueles finais de tarde super vermelhos de João Pessoa.

Isabella Taviani comemora 15 anos de carreira na Casa Natura Musical

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Na sexta, a Casa Natura Musical recebeu a cantora e compositora Isabella Taviani, na estreia da turnê nacional do show IT – 15 Anos, Eu e Você. Acompanhada por Cacá Lazzaris (bateria), Marco Brito (teclados), Felipe Melanio (guitarra e Violão) e André Vasconcellos (baixo e produção musical), neste novo show Isabella Taviani viaja no tempo em um set list recheado de seus maiores sucessos com novos arranjos.

A abertura do show ficou a cargo da canção “O Farol”, com sua letra e interpretação viscerais. Nesse momento, o palco estava com uma tela na sua borda, mostrando apenas a sombra da cantora e de seus músicos. Após o encerramento da abertura, a tela caiu e a platéia foi ao delírio.

De cara, já fomos surpreendidos pelas novas roupagens que as canções clássicas de Isabella ganharam. Destaque para a belissima “Foto Polaroid”, uma das melhores composições da cantora e que foi cantada pelo público com a mesma carga emocional que Isabella apresenta em suas apresentações ao vivo.

Com um set list repleto de hits, não faltaram momentos de total sintonia com a platéia. “A canção que faltava” causou comoção, embalada pelo navegar das mãos dos fãs. Outros sucessos como “Digitais”, “Último grão” e “Diga sim pra mim” marcaram presença.

“Letra sem melodia”, canção registrada no álbum “Diga sim”, ganhou um peso extra em sua versão ao vivo. Surpreendeu e agradou. Outro destaque foi a versão para a canção “Only Yesterday”, clássico da dupla The Carpenters, e que foi interpretada num formato voz e teclado. Emocionante!

“Luxúria”, talvez o maior hit da cantora, graças a sua inclusão na trilha sonora da novela global “Sete Pecados”, encerrou o show com a sensação de dever cumprido. Isabella fez um resgate primoroso de suas canções, satisfazendo fãs de todas as épocas de sua carreira e demonstrando a potência de uma cantora que ainda tem muito mais para apresentar.

Créditos Fotos: Felipe Giubilei

É verdade sem mentira certo muito verdadeiro: Jorge Ben – “A Tábua de Esmeralda” (1974)

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Quem escutava Jorge Ben (ainda sem o Jor) de Samba Esquema Novo”, com suas letras singelas, ou mesmo o via como “membro honorário” do tropicalismo, não imaginaria que ele se dedicava a estudos profundos e esotéricos.

Quando garoto, Jorge se dividia entre a paixão por futebol e a devoção à espiritualidade. Chegou a ser seminarista por dois anos em busca de conhecimento sobre São Tomás de Aquino, o qual admirava e era devoto. Até mesmo aprendeu latim para se aprofundar nas obras do santo, como por exemplo a “Suma Teológica”, que trata da natureza de Deus e Jesus Cristo, e das questões morais.

Resultado de imagem para jorge ben 1974Assim como o cristianismo, a alquimia também fazia sua cabeça. Jorge vivia entre especialistas e estudiosos da prática antes de ingressar na música. Disse ele certa vez: “Tinha um grupo de adeptos maravilhosos, eram da América do Sul. E tinha um brasileiro, professor ou reitor de faculdade, de São Paulo. Junto com um grupo de adeptos da alquimia, ele viu uma transmutação, em 1958. A todo lugar que tinha ourives, eu ia com outro amigo estudante ver como se fazia ouro. E a gente ficava indignado, pô, aquele ouro todo.”

Assim como os alquimistas, os músicos da década de 1960 começaram a experimentar, juntar tendências e elementos de culturas diferentes. Quando em 1966 John Lennon criou a inesperada “Tomorrow Never Knows” com a intenção de fazê-la soar como um mantra tibetano, o beatle não apenas quis se impor como também desafiou o ouvido de seu público, que vinha sendo agraciado com melodias pegajosas e temas fáceis por um bom tempo.

A música era um laboratório, e as fórmulas mudavam naturalmente de trabalho a trabalho. Experimentar era uma tendência bem-vinda aos que tinham cacife, e Jorge Ben era um desses raros, capazes de fazer com que o inusitado caísse nas graças do ouvinte. Para ele, o início dos anos 1970 foi uma reviravolta tão brusca quanto a de seus contemporâneos estrangeiros.

“Até onde a música pop poderia chegar?” Pensando assim, Jorge abriu as portas para o esoterismo e temas não convencionais no gênero que fazia, desbravando uma nova trilha àqueles que se aventurassem a expandir os conceitos da MPB. O resultado foi A Tábua de Esmeralda”, no qual se via o carioca em seu momento mais criativo e venerado.

Resultado de imagem para jorge ben 1973Longe de abordar apenas o trivial, Jorge queria para este trabalho uma diversidade de signos em conexão. Uma combinação de agricultura celeste com astrologia, Zumbi e vida extraterrestre; Nicolas Flamel com Gato Barbieri. Embora complexo na teoria, a intenção de Jorge era singela como sempre: arquitetar uma experiência sonora para que quem escutasse se sentisse bem, apenas isso. Esse desejo de escancarar seus interesses pessoais em sua música era antigo, mas é claro que não foi fácil de conseguir. Tendo em vista que aqueles temas seriam pouco rentáveis no mundo da indústria fonográfica, naturalmente a ideia não convencera de cara alguns executivos da gravadora, que bateram o pé para que o projeto não saísse.

O compositor sempre afirmou que muitos na gravadora Philips relutavam ao aceitar seus trabalhos, com a justificativa de que não venderia bem. Mas os astros estavam a seu favor. Justamente por saber do pouco apoio vindo de alguns da empresa, Jorge decidiu vender seu peixe diretamente com André Midani, presidente da gravadora na época, explicando detalhadamente do que se trataria o LP.

Baseando-se nas palavras de Hermes Trimegisto e sua “celeste tábua de esmeralda”, a qual consta o texto que deu origem à alquimia islâmica e ocidental, Jorge examinou: se o místico afirma que tudo é adaptação, por que afinal não adaptar sua arte em uma alquimia musical? A ideia era essa. Midani, grande admirador de tudo o que Jorge produzia, deu carta branca ao aconselhá-lo a gravar as músicas exatamente como ele bem entendesse. Ao receber a benção, o carioca entrou no estúdio no primeiro semestre de 1974.

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Cercado de uma áurea festiva e permeado pelo suingue, Jorge e sua banda criaram para esse álbum um clima híbrido e único, no sentido mais literal da palavra. Misturar a essência do ritmo brasileiro e o esoterismo universal: é aí que mora a graça de A Tábua de Esmeralda. Ao longo de todo o LP, o grupo segura a onda enquanto seu mestre esbanja o poder de seu violão e viaja em assuntos de seu interesse.

Nesse sentido, “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas” abre o repertório dando o tom de todo o trabalho. E mesmo mencionando “potes de louça”, “destilação”, “cadinhos” e ”regras herméticas”, a música caiu rapidamente nas graças do público, sendo uma daquelas que não podem faltar em seu show até hoje. Assim como a faixa de abertura, “Hermes Tri” é a quintessência de sua alquimia sonora. Jorge disseca o tema declamando o texto original presente na tábua de esmeralda enquanto sua banda o apoia com um samba-rock moderado.

Os arranjos de cordas de Osmar Milito, Darcy de Paulo e Hugo Bellard que surgem ao longo do disco introduzem na musicalidade do poeta da simpatia uma profundidade que vai muito além de sua natureza rítmica. Isso acontece em “Errare Humanum Est”, uma transcendental viagem ao espaço. No cume do experimentalismo ainda sem soar prolixo (nem exagero), a canção que fala sobre sondar o além e reaviva a questão do livro Eram os Deuses Astronautas”? destoa de qualquer música já feita no Brasil.

Mas não é só pelo experimentalismo que o álbum é excepcional. Jorge retoma suas letras diretas e ao sambão tradicional ao recordar de seus ídolos seculares, como em “O Namorado da Viúva”, o qual o músico afirma ser o alquimista do século XV Nicolas Flamel. A tal viúva da canção seria uma bela e rica mulher que botava medo nos homens, pois já havia perdido três maridos misteriosamente. Flamel foi esse quarto sujeito que topou se ajuntar. Já o muso da nonsense “O Homem da Gravata Florida” é Paracelso, outro alquimista.

Ainda que focado nesse turbilhão de referências, Jorge não abriu mão dos temas amorosos e nem das mulheres com nomes de flores: “Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar”, “Menina Mulher da Pele Preta” e “Magnólia” compõem uma trinca exemplar do pop tupiniquim. Saindo um pouco do foco alquímico, o compositor brincou com a língua inglesa na gospel “Brother”, divagou sobre o valor do tempo em “Cinco Minutos” e retomou culturas ancestrais na épica “Zumbi”, na qual o músico fez uma homenagem ao símbolo máximo da rebeldia dos escravos.

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“A Tábua de Esmeralda” não foi um sucesso de vendas como alguns de seus álbuns anteriores, embora muito elogiado pela imprensa da época. Como muitos de seus contemporâneos, o LP ganhou seu devido reconhecimento com o passar do tempo. Assim como grande parte de seu público, o próprio Jorge considera “A Tábua de Esmeralda” como o seu trabalho essencial: “Esse disco é tudo pra mim”, como diria anos depois.

Como em outros momentos cruciais, mais uma vez, o visionário Midani apostara no “cavalo certo” e saía de uma briga com a razão. Depois de obras como Araçá Azul”, de Caetano Veloso, e “A Tábua de Esmeralda” ficou claro que na Philips o artista podia falar que seria escutado – ao menos pelo seu patrão. Um raro caso de apoio irrestrito na cultura de consumo.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Renan Inquérito

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foto por Márcio Salata

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Renan Inquérito, do Inquérito, banda de rap de Nova Odessa.

The Isley Brothers“Between the Sheets”

Esse som é de 1983 e a primeira vez que eu ouvi foi através da música “Big Poppa”, do Notorious BIG, em 1994, depois no som “Livro da Vida”, gravado pelo Sistema Negro no álbum “A Jogada Final”, de 1997, ambos samplearam essa música, e de tanto ouvir esses dois raps, fui atrás do original, mas na época não tinha internet, foi no garimpo mesmo, falando com os colecionadores de disco, os nego véio, aí cheguei no disco do The Isley Brothers. Esse som me faz lembrar todo o processo de pesquisa pra se fazer um rap na década de 1990, isso tem um valor muito grande, ainda mais hoje em dia que os moleques só dão um Google. Pra que vocês tenham uma ideia, essa música foi sampleada por mais de 30 rappers diferentes só nos EUA.

J Cole“Sideline Story”

Eu conheci esse som e fiquei tão viciado nele que escutei no repeat por dias seguidos, nem sequer sabia do que ele estava falando, nem fui buscar a tradução até hoje, eu apenas sentia o que ele me trazia na época, estava há muito tempo sem escrever nada e passando por um período complicado da minha vida, então de tanto ouvir comecei a escrever uma letra em cima dele, fiz a letra todinha em cima desse som e curti tanto o resultado que decidi começar a fazer um disco novo imediatamente. A música que eu escrevi em cima chamava-se “Rivotril”, e depois mudei o nome para “Tristeza”, o disco que ela me inspirou a começar foi o “Corpo e Alma”, 2014.

Gonzaguinha“João do Amor Divino”

Esse som é de 1979, mas me soa tão atual, tão rap, impressionante! A letra conta a história de um pai de família que é “profissional em suicídio” e literalmente se mata pra garantir o sustento da casa. A narrativa vai mostrando todo o percurso traçado por ele até o dia em que decidiu pular de um prédio no centro da cidade pra arrancar uns trocos dos curiosos. Uma narrativa direta, sem refrão, tipo um rap storytelling. Eu penso que Gonzaguinha foi um MC antes do rap existir no Brasil, morreu jovem e deixou várias outras músicas de protesto, como por exemplo “Comportamento Geral”. É um artista que me influencia muito com a sua poesia.

F.UR.T.O.“Sangueaudiência”

Esse disco é foda, não dá pra indicar uma música só, é o único disco do F.UR.T.O., banda fundada pelo baterista e compositor Marcelo Yuka depois de ter saído do O Rappa. Todas as composições são do Yuka, letras extremamente politizadas, como “Amém Calibre 12”, “Ego City” e “Verbos a Flor da Pele”, críticas ácidas ao capitalismo e à hipocrisia da sociedade. Ouvi muito esse disco na época, 2005, porque pra mim ele era uma espécie de rap eletrônico tupiniquim, e também porque depois da saída do Yuka do O Rappa, eu me sentia órfão de letras politizadas. Tem uma frase numa letra que eu nunca esqueci, ele vem contando a história de uma menina da favela e de repente diz que ela era “mãe demais pra ser jovem”.

Zeca Baleiro“Eu Despedi o Meu Patrão”

Adoro as letras do Zeca, inteligentes e sarcásticas, sempre cheias de figuras e imagens. Esse som faz parte do álbum “Pet Shop Mundo Cão” (2002), que tem grandes clássicos da sua carreira, como a canção “Telegrama” que toca muito até hoje. Essa faixa em especial tem a participação do pessoal do Záfrica Brasil, Fernandinho Beat Box e Gaspar, que também estão em outras faixas do disco, que aliás é cheio scratches. Chapo quando ele diz: “não acredite no primeiro mundo, só acredite no seu próprio mundo!”