Um panorama in loco da SIM São Paulo – Semana Internacional da Música 2016

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SIM São Paulo 2016
A entrada da SIM São Paulo 2016
por Lucas Lerina

Rolou na ultima semana em São Paulo a SIM – Semana internacional da Música e eu, Lerina, baixista da Der Baum (e às vezes bacana), fui dar uma conferida no que rolou por lá para o Crush em Hi-Fi e trazer um pouco da minha experiência no olho do furacão!

No primeiro dia de palestras caí direto em uma fila animada com muitos rostos conhecidos e logo depois do credenciamento, parti para o meu primeiro painel, que tratava da “Música na Televisão Brasileira”. A mesa contava com produtores de programas de televisão (Rodrigo LariúPlay Tv; Caio CorsaletteMTV, VH1; Cris Lobo e Mariana AmarisAltas Horas).

SIM - A Música na TV Brasileira
e o povo não parava de entrar e sair.

Nessa mesa notei, logo de cara, uma das coisas que mais me incomodou nos três dias em que eu participei dos paineis: A quantidade de pessoas entrando e saindo o tempo todo. Sei que às vezes é difícil por ser tanta coisa ao mesmo tempo, e muitos jornalistas estavam tentando cobrir o máximo possível, mas era horrível a cara dos palestrantes quando alguém no meio da platéia levantava (daquelas cadeiras pouco barulhentas, diga-se de passagem) pra sair.

Maaaas, tirando isso, Rodrigo Lariú, produtor de conteúdo da Play TV, deu a letra sobre a Lei de Conteúdo Brasileiro (que determina que um determinado numero de conteúdo transmitido na rede fechada seja de produção nacional) dizendo que ela também vale para videoclipes, ou seja, se você tem uma banda e a empresa ou a pessoa que fez o videoclipe pra você regularizar este vídeo pelo certificado da ANCINE, o seu vídeo vira um produto muito mais fácil de ter um espaço a mídia. (Lembrando que para passar em outros programas, este mesmo requisito é necessário para poder receber em cima) #FICAADICA

O próprio Rodrigo elaborou um manual de como regularizar tudo, e deixou claro que quem quiser ter mais informações pode mandar um email pra ele: [email protected]

Em meio a isso, rolaram muitas outras mesas ao mesmo tempo e foi uma das coisas que no sabádo rolou bem melhor, com menos palestras, deixando espaço pra acompanhar melhor até os showcases. Acho que a quantidade de mesas ao mesmo tempo na quinta e na sexta se fez necessária pela agenda dos palestrantes, o que é uma pena.

Mas lá fui eu correndo pra mais um assunto que me interessava,”Minha Música na Novela”. Muitas pessoas perguntaram qual o segredo para se ter uma música na novela, e Marcel Klemm falou muito sobre a canção combinar com a narrativa, maaaas, fica pra você amigo leitor, decidir o que você acha. Eu tenho minhas dúvidas, mas se vocês quiserem tentar a sorte, o cara falou que ouve tudo com uma equipe de pessoas qualificadas e liberou esse email pra quem quiser entrar em contato com material: [email protected] (lembrando que a fila dos CDs entregues na SIM foram pra pilha de janeiro do cara, então pode esperar tranquilo.)

Ufa. Momento para respirar e desanuviar. Circulando pelos estandes conheci um pouco mais sobre os trabalhos da Tratore, Kiwi, CdBaby, Altafonte, Playax, UBC, Hearts Bleed Blue, Ponto4, entre outros. Vou só deixar o registrar para quem tiver interesse em conhecer um pouco mais dessas empresas. E segue o baile: Fingerfingerrr!

Apesar da Sala Adoniran Barbosa estar começando a esquentar ainda com pessoas meio que sem entender o que estava acontecendo, os caras da Fingerfingerrr mandaram ver no set de 20 minutos (infelizmente curto, mas que possibilitou a quantidade grande de bandas no showcase). Os caras estavam elegantérrimos, e não pararam um segundo. A Fernanda e o Ian (Der Baum) e o Jairo (Autoramas) estavam lá e não me deixam mentir. Em seguida, metendo o pé na porta, Deb and the Mentals. Caralho, recuperei as forças e me fui de novo para as mesas.

Show SIM São Paulo
Showcases curtos, mas imperdíveis.

“Prepare-se para conectar-se com a Argentina em 2017”, era o que dizia o titulo da mesa, mas o que eu senti é que os nossos hermanos querem muito mais vir pra cá do que realmente levar alguém. Inclusive o que se mostrou foi a criação do fundo argentino, que ajuda o músico (argentino) a comprar um instrumento, alugar um ônibus e partir para uma “gira”, o que deixou o recado: – “Galera, me convida que eu quero tocar.”. Soube de fontes seguras que o Uruguai é mais rock’n’roll, mas que a Argentina circula bem pelo centro também. Mais uma dica recomendada, é de que quem tiver interesse ou conhecer bandas para fazer esse intercâmbio, o consulado da Argentina no Brasil da todo o apoio, e o Marcus do Departamento de Cultura está a disposição.

Pra encerrar meu dia, parti para o meu território. “A Nova Força do Mercado Musical no RS”. O produtor Marcelo Fruet apresentou um pouco sua empresa, a Fruet Music, junto com som o pessoal da Marquise 51, mostrando que o RS está olhando pra frente nas questões musicas e saindo do mercado fechado que vinha mantendo a longa data. Também apresentaram uma parceria que estão desenvolvendo com o SEBRAE de um modelo de negócios baseado em economia criativa. A representante do SEBRAE disse que este modelo que busca o capital intelectual ainda está em fase de testes, mas que logo se expandirá para as demais regiões.

Fuet Music

Segundo dia de SIM, muitas palestras, muitas coisas para ver, mas logo de cara sou recebido pela galera do Pedro Pastoriz montando tudo pra tocar. “Óbvio que eu vou ver isso!”. Confesso que nunca tinha visto a banda, e tinha escutado só duas músicas, mas juro que tô até agora cantando “Restaurante Lotus”! Pra mim, um clássico instantâneo!

Sai meio desnorteado dessa apresentação, mas, Vamos à luta. Aproveitei o tempo, já que as palestras estavam rolando e fui fazer um “connect” na área de Networking e Business. Fiz o meu merch também, é claro!
Teve um determinado momento em que eu acabei ficando meio confuso, não sabia ao certo que palestra estava acontecendo em qual lugar, deixo a dica de mais telas para visualização do cronograma, já que estamos lá por estas palestras, e então acabei caindo na palestra sobre “Incubadoras e Aceleradoras de Música”.

Daniel Domingues começou explicando sobre o aplicativo lançado no RJ que funciona como um LinkedIn, mas que reúne músicos, garçons e prestadores de serviços de casas noturnas, operador de mesa de som, e com um mapa mostrando produtoras e casas noturnas. Achei genial; Anderson Foca contou um pouco de como foi a experiência de criar uma cena em Natal e hoje ser responsável por um dos maiores festivais da música no Brasil, explicando a força do lúdico que ajuda muito a continuar o festival; Luciano Balem ensinou que trabalha com música das 8h ás 19h, concentrado em editais, criação de projetos, e desenvolvendo linhas de contato com bandas e empresas para desenvolver seus festivais em Caxias do Sul; Fábio Predroza, ex-baixista do Móveis Coloniais de Acaju, trabalha na Circula e contou que esse projeto foi baseado nas reuniões de “Ajuda de Bandas” promovidas em DF quando estavam todos perdidos do que fazer, e notaram que as bandas não tinham o minimo pra poder seguir tralhando como fotos descentes e release; e por ultimo mas não menos importante, Thiago Lobão da empresa Acelerarte, que eu recomendo muito que vocês que têm interesse como banda de conseguir gerar uma renda, a procurar saber mais sobre, senão vou me estender muito.

SIM São Paulo

Depois de muito business, precisei de um pouco de carinho, e fui num encontro de amantes, os amantes do vinil! Queria deixar registrado que eu queria ter visto Yangos, e infelizmente não vi, mas quem tiver interesse manda um Google neles!

Por último nesse dia fui dar uma conferida na comitiva canadense pra saber o que eles tinha a nos dizer. Basicamente disseram: “Se você não tem dinheiro para fazer duas viagens, não vá a primeira vez”; “Se você fizer sucesso em Quebec, não fará no resto do Canadá, se você for tentar o resto do Canadá, não vá para Quebec” e por ultimo e não menos importante “No México eles são muito mais receptivos”.

“EU SOU MARIA BETHÂNIA, VALEU!” – Rodrigo Damati (Maglore) – E assim se foi mais um dia de SIM…

Depois de pirar na noite, sábado voltei já batendo cabelo na mesa de “Liberdade de Gênero na Música”. E cara, foi uma aula. Essas mina sabem o que fazem. Liniker, em certo momento, quando questionada da dificuldade de espaço na música no Brasil, falou “(…) Tem que segurar a onda pra não morrer no começo, música é um negócio muito estratégico”. Raquel Virginia completou: – “Rola muito o medo de me boicotarem, não deixo passar muita coisa, mas isso faz com que eu passe de arrogante e é uma dinâmica difícil…Quanto mais você quer que as coias funcionem do seu jeito, mais difícil fica”. E Jaloo encerrou o assunto dizendo: “Se um dia eu perder a mídia, vou continuar ligando meu computador, gravando minhas musiquinhas e pondo no soundcloud, quem quer que escute, BEIJOS!”.

SIM São Paulo

Sábado consegui lidar bem melhor com as palestras e os showcases, como já tinha comentado, e pude assistir shows do Tagore e do Ventre, que estavam lindos demais! Vou deixar aqui registrado que adoro Tagore!
Acabei encerrando minhas atividades na SIM aprendendo um pouco sobre composição com Frank Jorge e Tatá Aeroplano! Muito tranquilos e calorosos, os dois falavam tranquilamente com uma platéia de poucos sortudos, e ao final desta mesa agradeci muito ao Frank, pois sem ele eu não teria aprendido a tocar contrabaixo (e não estaria aqui e tals). #CHORAMOSABRAÇADOS

Tatá Aeroplano e Frank Jorge <3
Tatá Aeroplano e Frank Jorge <3

Pois bem, o que eu pude acompanhar nesses dias foi uma quantidade muito pequena das diversas classes de músicos representadas. Muito se falou da aproximação do músico independente com as plataformas mais acessíveis, mas pra quem é essa acessibilidade? A abertura desse evento devia ser muito maior, já que em todas as mesas foi debatido a dificuldade do músico de ter uma renda, provavelmente essas mesas seriam de excelente ajuda a muitos músicos que não tem condições de participar de eventos desse valor. Outra coisa que me pegou foi a coisa de achar que um fundo público é necessário para incentivar o artista (debatido na mesa “Minha Carreira no Exterior”) , mas eu, do fundo do meu coração, acredito que a cultura da população tem que mudar, e principalmente a visão em relação ao músico, começar a ser visto como trabalho. “O Brasil sofre da cultura de uma face” como Marcel Klemm citou, e isso ajuda a desestabilizar todo o resto. Outra coisa bastante comentada foi o CD físico em relação ao streaming e eu vou usar as palavras do Fábio Pedroza, que eu acho que foram bem assertivas sobre o assunto: – “(…) A nossa venda digital nunca foi maior do que a venda de discos, e em todos esses anos a gente fez mais dinheiro no fim do show, com discos físicos e camisetas, então streaming é realidade pra quem?”

No mais, espero que essa SIM  tenha sido a primeira de muitas pra mim, pois aprendi muita cosa realmente valiosa lá, e encontrei várias pessoas que eu adoro pelos corredores do CCSP!

Canções inspiradas pelo mundo incrível das histórias em quadrinhos

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Sinestesia, por Rafael Chiocarello

Quadrinhos colecionáveis possuem versões raras e uma legião de fãs. A Comic Con de San Diego (Califórnia) é uma das feiras mais famosas do mundo. Por aqui temos a versão brasileira e eventos que também dão espaço para a cultura geek (Fest Comix, Bienal de Quadrinhos, Festival Guia de Quadrinhos, Bienal do Livro…), além das livrarias, sebos e eventos especializados de menor escala.

Uma paixão sem limites e os épicos personagem e super heróis estão na linha de frente dos preferidos da galera. Não é por acaso que tamanha obsessão chegasse ao mundo da música. Afinal de contas, as artes sempre se complementam. Hoje conheceremos algumas canções que mergulharam nas páginas das HQ’s mais populares do mundo. Marvel ou DC? Bom, essa treta deixamos para vocês decidirem o lado da força que mais lhe agrada…

butcher-batman
O designer brasileiro Butcher Billy costuma fazer crossovers entre músicas e o universo dos quadrinhos

Batman Nã Nã Nã Nã Nã!

O Rancid pode não ser uma das primeiras bandas que pensaríamos no universo geek, mas em 1994, no lançamento do Let’s Go” – álbum que tem “Radio”, composição feita pelo vocalista Tim com Billie Joe (Green Day) – temos “Sidekick”.

Na letra, Tim Armstrong se auto-intitula Tim Drake e tem o papel de mostrar personagens secundários dos HQ’s. No caso o exemplo de Robin, fiel escudeiro de Batman sempre à margem de colher os louros. Outro citado na letra é Wolverine.

Um dos álbuns mais clássicos do The Jam, In The City” (1977), traz “Batman Theme”. Sim, literalmente o tema da saga em uma versão mod rock revival com pézinho na simplicidade do punk rock 77. Paul Weller dá todo um tom vintage ao clássico tema da saga do morcego.

O The Who, em 1966, também deixou seu registro, porém com uma linha mais  lisérgica e cheia de enfoque na bateria energética. Uma versão com um ar de surf rock e garagem um tanto quanto interessante.

Mas a minha versão favorita do clássico sempre será essa pérola gravada por um baita guitarrista, diga-se de passagem. Em 1989, a lenda Link Wray também quis deixar sua versão instrumental e dançante para o hit mais famoso de Gotham City.

Mas quem levou Batman para as pistas de dança foi Prince, com classe, funk e ousadia como sempre fez. A canção “Batdance” foi feita especialmente para o filme da saga de 1989. As guitarradas são um show a parte, com grooves e solos vibrantes.

Em 2002, Snoop Dogg se aventurou a homenagear o homem morcego. Só que dessa vez ele não deixou o Robin de lado e ao lado de Lady Of Rage Rbx fez uma versão mega original com rimas de tirarem o fôlego.

“No one, can save the day like Batman
Robin, will make you sway like that and
Beat for beat, rhyme for rhyme
Deep in Gotham, fightin crime
No one, can save the day like Batman”

Ainda no mundo do rap, Bow Wow em 2011 fez uma versão hip hop e agressiva para Batman. Com uma versão cheia de escárnio e quebrando toda a áurea celestial que o herói tem, os Garotos Podres vem para tirar a máscara de Bruce Wayne com sua releitura sarcástica de “Batman”.

“Hey seus bat palhaços, quem de vocês
Ainda não se lembra daquele idiota bat programa,
Que passava naquele imbecil bat canal,
Naquele cretino bat horário?

Há! velhos tempos, hein.
Quantas belas vomitadas nós dávamos quando assistíamos toda aquela idiotice,
Por isso agora escrachamos aquele bat retardado
Defensor do sistema, Batman!

Bat era um bom menino
Defendia Gotham City
Enquanto seu amigo Robin
Lhes botava um bat-chifre…”

De tanto fãs de Batman alimentarem que “I Started a Joke” dos Bee Gees ter referências a um dos maiores vilões da história em quadrinhos, as pessoas chegaram a acreditar que se tratava de uma letra homenageando o Coringa, um dos antagonistas mais queridos da história do cinema. Claro que a equipe do Esquadrão Suicida estava ciente de tal “menção” e em um dos 5000 trailers que soltaram antes do filme – o primeiro deles – contava com uma regravação de Becky Hanson.

Spider Man, Spider Man!

dance

O Homem-Aranha é um dos mais carismáticos quadrinhos da Marvel e um dos super heróis mais conhecidos. A lenda de Peter Parker ganha terreno no mundo da música até nos dias mais atuais.

É o caso do Black Lips, que em 2011 chegou com “Spidey’s Curse” no disco Arabia Mountain”, um blues garageiro moderno cheio de referências ao personagem por trás da roupa vermelha.

“Peter Parker’s life is so much darker than the book I read
‘Cause he was defenseless, so defenseless when he was a kid
It’s your body, no one’s body, but your’s anyways
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!
Don’t fill a spider up with dread

Spidey’s got powers, he takes all of the cowards
And he kills them dead
But when he was younger, an elder among him messed him in the head
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!”

Claro que nessa lista o clássico dos clássicos dos sons inspirados em quadrinhos não ia faltar. A versão dos Ramones para o tema de Spider-Man não poderia ficar de fora de maneira alguma, esta que foi gravada quase no fim da carreira da “Happy Family”, em 1995.

Uma das bandas que marcaram o movimento noventista das riot girls, Veruca Salt tem uma canção com referências ao Homem-Aranha, “Spiderman 79”.

“You’re so nice,
you tie me in a web
and cradle me till dawn.
You’re so deadly
that I can see your breath
beneath me when you’re gone.
You’re so windy,
I’d like to pin you down
and tack you to the wall.
Spiderman”

SUPERMAN!!

super-man

Se tem um personagem que é amado e odiado por muita gente é o Superman. Gostando ou não, ele é um dos mais marcantes e perde seu poder com a terrível kryptonita. É não deve ser fácil defender o sua por trás de sua capa.

Uma canção que cita a capacidade de voar do super herói é “Hit The Ground (Superman)” do The Big Pink. A canção está presente no álbum Future This” (2011) e inclusive estrelou a trilha de uma das edições dos jogos FIFA.

“…But if I fall off this cloud
If I fall off, oh superman
Oh Superman
I don’t wanna hit the ground (X3)
Oh Superman”

Outra canção que fala do super herói e marcou a geração viciada em vídeo games de console foi “Superman” dos ska/punkers do Goldfinger. Presente na primeira edição do jogo Tony Hawk’s Pro Skater, a canção fazia qualquer um terminar a fase do jogo se sentindo o verdadeiro Super Man!

“…So here I am
Doing everything I can
Holding on to what I am
Pretending I’m a Superman
I’m trying to keep
The ground on my feet
It seems the world’s
Falling down around me”

Os estranhões mais queridos do rock alternativo, The Flaming Lips, também prestam homenagem ao personagem na melancólica “Waitin’ For Superman” presente no álbum The Soft Bulletin” (1999).

“…Tell everybody
Waitin’ for Superman
That they should try to
Hold on
Best they can
He hasn’t dropped them
Forgot them
Or anything
It’s just too heavy for Superman to lift
Is it gettin’ heavy?
Well, I thought it was already as heavy as can be”

Em 1977, quem cedeu a voz para homenagear o homem voador foi Barba Streisand na bela “Superman”. O vozeirão transformou a odisseia do super herói em uma balada desesperada. A metáfora do herói de plano de fundo para uma paixão ardente.

“Baby I can fly like a bird
When you touch me with your eyes
Flying through the sky
I’ve never felt the same
But I am not a bird and I am not a plane
I’m superman
When you love me it’s easy
I can do almost anything
Watch me turn around, one wing up and one wing down
I never thought I could fall in love for good
I’m superman…”

Os anos 90 nos apresentaram o Spin Doctors e em 1993 eles lançaram “Jimmy Olsen Blues” que tinha como plano de fundo o universo do Homem de Aço.

“Lois Lane please put me in your plan
Yeah, Lois Lane you don’t need no Superman
Come on downtown and stay with me tonight
I got a pocket full of kryptonite
He’s leaping buildings in a single bound
I’m reading Shakespeare in my place downtown
Come on downtown and make love to me”

Existem homenagens interessantes ao azulão pelo Stereophonics, Taylor Swift, Eminem, 3 Doors Down, T. Pain, Alanis Morissete, Hank Williams Jr e até do Matchbox Twenty, mas para fechar as canções que homenageam o super herói eu escolhi o The Kinks. No fim dos anos 70 eles gravaram “(Wish I Could Fly Like) Superman” para o disco Low Budget” (1979).

Quadrinhos e Desenhos

bat

Debbie Harry e o grupo pop Aqua optaram por não darem nomes aos homenageados em fizeram homenagens um pouco mais genéricas. A estrela do Blondie vem com “Comic Books” onde eterniza sua paixão pelo mundo dos quadrinhos e sua adolescência. Já grupo de europop Aqua (sim, aqueles mesmos de “Barbie Girl”) são mais claros quando o assunto são “Cartoon Heroes” (1999).

“Long before I was 12 I would read by myself.
Archie, Josie, super-heroes.
I would read them by myself.
I had the stars on my wall.

14 was a gas for me.
Batman on tv.
I would cheer the super-heroes.
They were all I wanted to be.
I had the stars on my wall.

18 I was guaranteed.
I would lose my teenage dream.
But it’s so funny how I got to look.
Like all the people in my comic books.
Now I’m a star on my wall.

Comic books.”

“…We are the Cartoon Heroes – oh-oh-oh
We are the ones who’re gonna last forever
We came out of a crazy mind – oh-oh-oh
And walked out on a piece of paper

Here comes Spiderman, arachnophobian
Welcome to the toon town party
Here comes Superman, from never-neverland
Welcome to the toon town party

We learned to run at speed of light
And to fall down from any height
It’s true, but just remember that
What we do is what you just can’t do

And all the worlds of craziness
A bunch of stars that’s chasing us
Frame by frame, to the extreme
One by one, we’re makin’ it fun”

Flaaaaaash!

flash

The Flash, o personagem que gostaríamos de ver competindo com Bolt também foi alvo de homenagens no mundo da música. “The Ballad of Barry Allen” (2003) do Jim’s Big Ego narra a trajetória da persona que dá vida ao Flash, Barry Allen.

“….And I’ll be there before you know it
I’ll be gone before you see me
And do you think you can imagine
Anything so lonely
And I know you’d really like me
But I never stick around
Because time keeps dragging on
And on…”

Capitão América

O herói mais patriota da história dos quadrinhos, Capitão América, não ia ficar fora das referências. Na canção do Moe. “Captain America” também tem homenagem ao Superman.

“Captain America said you gotta be like me
Or you’re gonna wind up dead last
At the end of your rope
Flat broke
Down and tired
You sleepy head
Won’t you go to bed
Let me run your life
Lies

Clark Kent ran for president
No one knew about the secrets locked in his head
Friends tried to take his life
Accusations flew
Flew like Kryptonite
Clark still looking good
What you gonna say
To make everything alright
Lies”

O Justiceiro

Outro personagem da Marvel a ganhar notoriedade no universo da música foi O Justiceiro. Quem presta o tributo são os caras do Megadeth em “Holy Wars…The Punisher Due” (1990). E de quebra, para uma canção totalmente politizada, pois denuncia a violência dos conflitos na Irlanda do Norte conhecido como “The Troubles”. Aliás, o próprio U2 tem uma música sobre o assunto, é claro.

Ainda no mundo do metal temos o guitarrista Joe Satriani com sua homenagem ao Surfista Prateado em “Surfing With The Alien”. Ouça e flutue nessa viagem espacial.

Motoqueiro Fantasma

O Motoqueiro Fantasma ganhou uma homenagem que também entrou na trilha de “Taxi Driver”. A canção presente no primeiro álbum dos punks do Suicide (1977) tem uma alta voltagem e vive perigosamente assim como o personagem.

O pesquisador musical Henry Rollins, ex-Black Flag e Rollins Band também regravou uma interessante versão do clássico do Suicide.

Mas vamos fechar com um verdadeiro “achado” das HQ’s. Um rap que adapta Guerras Secretas originais da Marvel. Mas mais do que isso, a faixa possui uma colaboração do mestre Stan “the man” Lee. A faixa do The Last Emperor contém parte 1 e parte 2.

Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura

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Kate Bush
Kate Bush

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O mais lindo do mundo das artes talvez seja como o olhar clínico de seu receptor altera toda a perspectiva sobre algum fato, ato ou história. Isso é mágico e de certa forma quando alguém com um repertório significativo e um universo imaginativo livre de limites e preconceitos compartilha esse conhecimento: se transforma em mais arte.

Hoje vamos viajar pelo mundo fantástico das entrelinhas, não necessariamente no realismo fantástico de Neil Gaiman ou Gabriel Garcia Marquez mas em como o mundo da literatura – na mão de bons compositores – ganha uma nova página na história da música. Nada mais propício após o encerramento da vigésima quarta edição da Bienal do Livro de São Paulo.

literatura

A canção “Killing An Arab” do The Cure foi escrita em 1978 e inspirada pelo livro “O Estrangeiro” (1942) da fase filosófica “absurdista”/existencialista do escritor francês Albert Camus.

A história é simples porém intrigante e atual de certa forma, se vermos os recorrentes conflitos entre França e o mundo árabe. Para quem não sabe, a Argélia é um país onde aconteceu uma dominação/colonização francesa e seus colonizados se tornaram súditos do reino francês. No roteiro, um homem franco-argelino é o protagonista. E dias após o funeral de sua mãe, mata um árabe que estava em um conflito com um amigo.

O personagem, que atende pelo nome de Meursault, é preso e sentenciado a pena de morte. O autor utiliza de um recurso literário interessante – e intrigante – em que a história é a subdividida em duas partes. A primeira contando sua perspectiva e pensamentos em primeira pessoa dos ocorridos antes e outra depois do assassinato.

Um fato interessante é que o livro inicialmente não foi um sucesso comercial, tendo vendido apenas cerca de 4 mil cópias. Mas nada como o livro cair na mão da pessoa certa, não é mesmo?  No caso foi ninguém mais ninguém menos que Jean-Paul Sartre, que escreveu um artigo explicando o livro com suas interpretações pessoais. Depois disso, o livro teve seu sucesso por assim dizer, sendo considerado um clássico da literatura do século XX.

A canção do The Cure é polêmica e gerou certa dor de cabeça para Robert Smith. Tudo isso por pura ignorância de quem leva a canção literalmente ao pé da letra. Alguns alegaram que a faixa promove violência contra os árabes, chegando ao disco de singles, Standing On The Beach” (1986) a ser comercializado com um adesivo alertando sobre o conteúdo “racista”.

Ao saber desse fato ~queima filme~ Smith mandou descontinuar essa prensagem com medo de que as vendas do álbum se tornassem um grande fracasso. Após anos colecionando polêmicas pós-acontecimentos midiáticos como a guerra do golfo e o 11 de setembro, em 2005 eles voltaram a incluir a canção em seus sets porém com a letra modificada para “Kissing An Arab”. Por essa Albert Camus jamais sonharia.

Após o sucesso da trajetória meteórica de Ziggy Stardust por esse planeta e um dos mais incríveis álbuns da carreira de David Bowie, chegávamos ao ano de 1973. E ele continuava na crista da onda, numa fase regada de excessos, purpurina e viagens psicodélicas, a ponto de, conectado ao art rock nova iorquino, se aventurar a fazer um álbum inteiro baseado em um dos maiores clássicos da literatura mundial: 1984″ (1948) de George Orwell.

Claro que este só foi o ponto de partida para Diamond Dogs” (1973), pois ele reimaginou a versão glam pós apocalíptica dos temas totalitários da obra do escritor. Como a maioria das pessoas sabe, Bowie era um artista completo e moda, cinema, teatro e música eram extensões de sua arte. A ideia inicial era fazer uma produção teatral do livro, porém Orwell barrou. Sério gente, que ERRO! Teria com certeza ficado incrível, algo na linha “Rocky Horror Picture Show de 1984.

O álbum também marca o fim da era do personagem Ziggy Stardust. Em seu lugar entra Halloween Jack e teve como um dos primeiros singles a ser lançados “Rebel Rebel”. Preciso descrever o visual de Bowie nessa nova fase? Acho que todos já mentalizaram.

Um detalhe interessante é que a prensagem original do disco termina com o barulho: “Bruh/bruh/bruh/bruh/bruh“, que para quem já leu o livro ou viu o filme do 1984 logo identifica como primeira sílaba de “(Big) Brother” sendo repetida incessantemente. Tão o jeito Bowie de perturbar.

Com certeza você já ouviu “Sympathy for the Devil”, sendo fã dos Rolling Stones ou não. Mas poucos sabem a origem da canção: alguns mais preconceituosos cravam como Jagger vendendo a alma para diabo ou algo do tipo, pois desconhecem a real inspiração para a canção que vem diretamente do mundo da literatura.

A faixa que integra o disco Beggars Banquet” (1968) foi composta pela dupla Keith Richards e Mick Jagger. Originalmente, a canção chamava – durante o período de composição – “The Devil In Me” e Jagger cantava seus versos sendo o diabo em pessoa e se gabava do seu controle sobre os eventos da humanidade. Não sei o que seria do mundo se essa versão tivesse sido a final, mas o caos estaria instaurado, já que na versão mais “light” deu toda a polêmica satanista que temos conhecimento.

Em 2012, Mick Jagger afirmou que na verdade a inspiração para a letra veio de dois escritores: o poeta francês (e tradutor de Edgar Allan Poe) Charles Baudelaire e de “O Mestre e a Margarita” do russo Mikhail Bulgakov, além de creditar o estilo a narrativa do estilo das composições de Bob Dylan. Para deixar a atmosfera mais quebradiça e “torta”, Keith Richards deu a ideia de mudar o tempo da canção e adicionar percussão, assim transformando a antes canção folk em algo perto de um samba feito por britânicos.

O livro russo traz uma curiosidade um tanto quanto diferente. Escrito entre os anos de 1928 e 1940, ele só foi publicado em 1967. Alguns dirão claramente que foi por censura, devido ao teor político bastante forte, já que seu roteiro fala sobre a visita do demônio à URSS durante o período de crescimento do ateísmo na região. Alguns críticos consideram a obra uma das melhores do século XX, muito por conta das sátiras bem humoradas da descrição dos arquétipos soviéticos.

Se você gosta de Florence & The Machine, Cat Power, Bjork, St Vincent, PJ Harvey, Madonna, Ladyhawke, Bat For Lashes e Goldfrapp, deveria agradecer pela existência da Kate Bush. Todas artistas foram influenciadas crucialmente pela artista. A canção “Wuthering Heights” foi o single de estreia da Kate para o mundo em 1978 e foi direto pro topo das paradas do UK.

A composição foi escrita por Kate Bush aos 18 anos e é inspirada num livro de mesmo nome, que em português foi traduzido como “Morro dos Ventos Uivantes”. Mas o que poucos sabem é que até então ela nem tinha tido contato com a obra literária e sim com uma adaptação para mini-série feita pela rede de televisão britânica BBC.

A letra é inspirada nos últimos 10 minutos da adaptação que foi ao ar em 1967. Sim, a letra já tinha 10 anos quando tivemos o lançamento consumado. Depois claro que Kate foi atrás do livro e descobriu um fato: ela faz aniversário no mesmo dia da escritora Emily Brontë, 30 de Julho.

O livro trata-se de um romance do período gótico da literatura, é a única obra da escritora, e foi lançado em 1847. Ou seja: no ano em que Bush assistiu a mini-série na TV a obra estava completando seus 120 anos. Hoje em dia é considerado um dos clássicos da literatura inglesa do século XIX. Em 1993, os metaleiros do Angra regravaram a canção para seu álbum de estreia, Angels Cry”. Repare na apresentadora do programa da Rede Mulher tirando onda com André e Kiko (que fazem um playback  muito do safado, já que o programa não tem nada a ver com a banda).

Vocês com certeza já ouviram falar da Clarice Lispector, mas talvez não da canção “A Hora da Estrela” do Pato Fu. 30 anos depois do lançamento do último livro publicado em vida da escritora, a faixa está presente no álbum, “Daqui pro Futuro” (2007).

Durante entrevista com a banda em 2007 para o portal UOL em que questionaram o fato eles responderam:

“Tem a ver e dá para se fazer uma leitura. Quem conhece a obra dela vai encontrar a história do livro. Mas também tem outra leitura sobre pessoas que querem virar estrelas e fazer sucesso. Elas acham que parece fácil virar a vida em um clique, mas isto exige talento. O livro é uma referência muito preciosa. Sobre a literatura: nós lemos desde Stephen King a Clarice Lispector, de tudo um pouquinho, os temas são muito variados. Como viajamos muito, temos que ter sempre um livro a mão.”

“Epitáfio” dos Titãs teve sua inspiração em um poema de Nadine Stair. O curioso foi que a poetisa americana no momento que escreveu sua prosa tinha 85 anos de idade. Realmente, se pararmos para ler o poema, notamos a similaridade com a composição de Sérgio Britto:

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade
bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria em mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos.

Não percam o agora.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e
continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, como sabem, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.” Poema datado de 1935

Um clássico de Marisa Monte, “Amor I Love You” também bebe das fontes literárias. Se você já fez vestibular em algum momento de sua vida provavelmente lembrará do famoso trecho que Marisa homenageia na canção. Afinal de contas, “Primo Basílio” (1878) de Eça de Queiroz é recorrente nas listas de livros obrigatórios para o processo seletivo.

A canção que foi hit no ano 2000 em todo país chegou a ser indicada na categoria de melhor canção brasileira no Grammy Latino, foi tema da novela “Laços de Família” (TV Globo) e teve seu videoclipe premiado na categoria “Melhor Videoclipe de MPB” no VMB.

Na faixa o trecho é recitado pelo Arnaldo Antunes, ex-Titãs, de maneira poética:

“…tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.”

Para fechar escolhi uma música nada óbvia de um dos grandes artistas do Brasil, Zé Ramalho. “Admirável Gado Novo” (1979), consegue fazer a história da agricultura do interior do país dialogar com logo dois clássicos da literatura mundial: “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley) e “1984” (George Orwell).

O romance de Huxley narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.

Assim vemos o tom forte da canção criticando a falta de mobilidade social. A ilusão de que as coisas vão melhorar mesmo trabalhando abaixo de circustâncias sub-humanas. Em “Cidadão”, Zé também mostra o sofrimento e dificuldade da classe operária em conseguir cravar seu espaço na sociedade.

A canção ganhou um fôlego em 1996 quando entrou para a trilha da novela “O Rei do Gado”. Cássia Eller no ano seguinte regravou para o álbum Música Urbana” (1997).

Ecléticas e envolventes: conheça as pérolas escondidas nas trilhas dos jogos da FIFA

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FIFA Soccer

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje não vamos falar de cinema, muito menos de série. Mas nem por isso trilha sonora vai ficar de fora, é claro. Ainda em meio a clima olímpico e ouro inédito no futebol masculino vamos falar de outra paixão nacional: vídeo games.

ALLEJO
Allejo, o eterno “Pelé” do jogo International Superstar Soccer (SNES)

Recentemente vimos um vencedor de prêmio Puskas, o até então semi-desconhecido Wendell Lira, virar gamer profissional. O jogador que pouco tempo após o gol – marcado pelo Goianésia durante o modesto campeonato goiano –  foi dispensado do time que disputa a quarta divisão do campeonato nacional.

Após a fama “meteórica”, ele teve propostas de times do Brasil todo, acabou até fechando um contrato com o Vila Nova (Goiás) que após 3 jogos foi rescindido. Ele até teve propostas de outros clubes como o Audax (do Vampeta – ex-Corinthians e pentacampeão), mas aos 27 ele “aposentou as chuteiras” e migrou para o futebol de apartamento.

Sobre sua decisão, Wendell até falou um pouco para o Uol no fim de julho:

“Decidi que é hora de parar”, disse o jogador em vídeo promocional. “Várias situações me motivaram a essa decisão. O gol marcou minha carreira, foi inesquecível, mas eu tive muitas desilusões no futebol. Infelizmente há pessoas boas, mas há pessoas muito ruins no futebol, que não pensam na família ou no jogador.

Tive muitos problemas e como eu já era um apaixonado por games, recebi uma proposta muito boa para iniciar este projeto, que me levaria a ter um futuro melhor, já que no futebol teria mais três ou quatro anos de carreira em um nível intermediário. Todos sabem a dificuldade dos clubes menores. Foi a melhor decisão”

Caso se interesse por saber mais sobre o novo rumo de Wendell dentro das quatro linhas – virtuais – do FIFA fique por dentro através de seu canal de youtube WLPSKS.

FIFAR
“Os bugs” de FIFA costumam fazer sucesso na internet

No dia 27 de setembro (29 no resto do mundo) chegará ao mercado norte-americano a vigéssima quarta edição da franquia de games FIFA. Um game muito esperado, pois será a primeira que teremos o adendo do futebol feminino, algo que é pedido já a muitos anos e que FINALMENTE ganha espaço. Outra novidade será que veremos os treinadores “trabalhando” de dentro do campo e será possível interagir com eles.

Muita coisa mudou desde o início do jogo que foi ao mercado pela primeira vez no fim de 1993 e já passou por um número vasto de consoles, tendo até desdobramentos como Fifa Street e Fifa World Cup. Muitas ligas foram adicionadas, direitos de imagem foram negociados e os gráficos a cada ano que passam ficam mais realistas. Sem esquecer, claro, da jogabilidade, do modo “manager” de carreira e das trilhas sonoras. E é neste ponto que queria chegar: vocês já pararam para prestar atenção nas pérolas que as soundtracks de FIFA possuem?

Hoje irei fazer algo diferente: ao invés de dissecar faixa a faixa a trilha de uma edição, vou escolher algumas para destacar. Acredite se quiser, vocês irão se surpreender. E funcionará perfeitamente como aquecimento para revelação da trilha de FIFA ’17 – algo guardado a sete chaves pela equipe da EA SPORTS.

Em 2016 tivemos a aparição da banda brasileira sensação: Baiana System. Misturando o axé baiano, o som dos som sistemas, reggae, cumbia, afroxé e beats eletrônicos que têm conquistado não só o coração dos brasileiros, mas o mundo. No game, “Playsom” traz toda essa conexão Brasil-Kingston-Berlim para nossos ouvidos. Quem já pôde vê-los ao vivo nos conta que a energia da combinação destes ritmos é envolvente como a energia de uma escola de samba.

Ainda na trilha de 2016, quem traz a energia para as pistas de dança é o grupo colombiano Bomba Estéreo. Com a explosão do reggaeton e o sucesso de M.I.A., este tipo de som têm ganhado adeptos ao longo dos anos. Eles se denominam como eletro-tropical ou cumbia psicodélica. O que importa é que é ficar parado não é opção após o play:

Mas fiquem calmos que a última edição não tirou o espaço do rock alternativo – que sempre tem espaço nas trilhas do jogo – da área. E porque não uma banda portuguesa que tenho contato a alguns anos e transmite uma energia muito boa, o X-Wife?

A música que participa da soundtrack é “Movin Up”, que tem uma levada lo-fi descompromissada misturada com beats eletrônicos e metais. Segue aquela linha do Cansei de Ser Sexy e Bombay Bicycle Club. Certamente irá conquistar fãs de Arctic Monkeys, Kasabian e The Knife:

Direto da terra do Tame Impala e com influências de Of Montreal e Devendra Banhart e do polêmico Kanye West vem o The Griswolds. Aliás, ela é altamente recomendável para fãs de Passion Pit, tendo inclusive excursionado juntas. Na tracklist de FIFA ’15 eles aparecem com a festiva e inocente “16 years”.

Dez anos após o lançamento do icônico álbum de estreia, o duo canadense Death From Above 1979 lançou seu segundo disco. Muitas faixas estavam “engavetadas” do primeiro trabalho e soam como continuação do disquinho. Para coroar toda essa espera, a trilha de FIFA ’15 conta com “Crystal Ball”, uma canção para fritar na pista de dança.

Em 2014 quem chegou “tombando” tudo foi Karol Conka. Mas a canção que embala o tom da prosa não foi “Tombei”, e sim “Boa Noite”. A rapper curitibana mostrou seu poder e som contagiante desde então em uma subida que parece não ter limites:

Mas é nas diferenças que as trilhas de FIFA ganham seu brilho. Representando a música inglesa e seu rico cenário eletrônico temos o Crystal Fighters que em 2013 chegou junto com seu eletro-folk tribal. A festa ficou ainda mais contagiante ao som da eletrizante, “Follow”:

Misturando rumba, flamenco, música eletrônica e música latina direto da Espanha temos a Macaco. Assim como o Gogol Bordello, o conjunto catalão contém membros de países do mundo todo (Brasil, Suécia, Camarões, Venezuela e Espanha), e tem na mistura sua força motriz. No FIFA ’12, “Una Sola Voz” está presente na trilha. O grupo já esteve presente no FIFA ’09 e FIFA ’10 com respectivamente “Moving” e “Hacen Falta Dos”.

A  Ana Tijoux é francesa de nascimento mas escolheu o Chile como terra de coração e solta suas rimas com primor em “1977”, faixa que faz parte de seu quinto álbum solo, que teve sucesso tanto na América Latina como nos EUA. A soundtrack de FIFA ’11 não foi a única que a utilizou: a série Breaking Bad também adicionou a cantora a seus discos de cabeceira.

Uma das mais emblemáticas e importantes bandas do ska argentino não ia ficar de fora dessa festa: com todo gingado boleiro, Los Fabulosos Cadillacs faz um gol de placa – na trilha de FIFA ’10 – com “La Luz del Ritmo”.

O consagrado duo norueguês de música eletrônica Röyksopp dominou no peito e após driblar o adversário bateu para o gol com a viajante “It’s What You Want”. O som deles mistura o ambient, o house, o drum & bass com ritmos latinos. Um destaque que quem joga não verá – se não procurar no Google – é o visual excêntrico dos estranhões que em sua carreira tem uma indicação para o Grammy.

As descobertas não param e direto da Bélgica – um país que tem uma diversidade musical incrível – temos Zap Mama. Se eu não tivesse lido que a artista é de lá eu jamais chutaria que é belga, porém o som me deixou intrigado desde a primeira nota. É uma loucura sonora de um mistura interessantíssima: hip-hop, nu soul com elementos de jazz e pop. Com raízes musicais africanas, ela canta em inglês e em francês. Na trilha de FIFA ’10 ela aparece com “Vibrations”.

Voltemos ao bom e velho rock’n’roll: em 09′ quem deu as caras foram os escoceses do The Fratellis com “Tell Me a Lie”, canção presente no segundo disco do grupo – Here We Stand” (2008). O grupo liderado por John Fratelli ficou sem lançar nada até 2013, após neste período anunciar um longo hiato e John se arriscar em carreira solo.

Uma das canções mais conhecidas das gêmeas idênticas do The Veronicas, “Untouched”, está presente –  no jogo de ’09 – com seu eletropop/alternativo. Uma curiosidade é que , ex-Holly Tree, lá em 2008 tocou como guitarrista no conjunto.

Em 2008 uma das bandas que eu mais gosto da Australia, The Cat Empire, entrou na trilha do game com o hit “Sly”. O mais curioso é que o som da banda tem uma veia latina fortíssima com seu jazz que mistura ritmos latinos com o ska, o funk, o rock e até um pouco da salsa. Já pude presenciar o show deles em três oportunidades e digo e repito: Não perca de jeito nenhum em uma futura visita ao país.

No mesmo ano temos uma banda da Alemanha, mas calma: não vou anunciar mais um gol do Khedira, por mais que o grupo represente muito bem a música pop germânica. Lembro quando ouvi pela primeira vez a canção “Nur Ein Wort” na MTV Europa e ter escrito num post-it para baixar depois – em meados de julho de 2005 (9 anos antes do fatídico 7×1).

Enfim, na trilha temos Endlich Ein Grund Zur Panik”, canção que conta com um divertido clipe que “tira onda” com a imagem dos super heróis e vale a pena apertar o play. 

Em 07′ a Coréia do Sul foi representada pelos “bizarros” e aleatórios Epik High. A canção não é muito minha cara com seu hip hop made in Seoul. Porém a título de curiosidade segue o o clipe de “Fly”:

Mas se estamos falando de música diferente feita ao redor do mundo, porque não um Nu Metal italiano? E assim chegamos a soundtrack de FIFA 06′ com Inno All’Odio” do LINEA77. Eu não sei vocês, mas eu nunca tinha parado para imaginar Nu Metal feito em italiano e achei de certa forma cômico. 

Para fechar a lista de alguns dos muitos destaques e pérolas dos últimos 10 anos da trilha sonora da série de games FIFA, um clássico. Sim, já podemos afirmar tranquilamente que “Daft Punk Is Playing at My House” do LCD Soundsystem, um dos grandes clássicos dos 00’s.

E desta forma encerramos os trabalhos por hoje com novos sons para agitar sua playlist e também fazer a trilha daquela pelada no fim de semana. Arranje uma caixa de som e bom jogo!

“Almost Famous”: o espírito sexo, drogas e rock’n’roll à flor da pele

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Almost Famous, Quase Famosos

Depois de duas longas semanas sem posts por aqui, quem volta com tudo é a Sinestesia. Tem sido tudo muito louco desde que O Pulso Ainda Pulsa, um projeto elaborado pelo Hits Perdidos e o Crush em Hi-Fi, ganhou vida. Mas voltemos ao que interessa nesta coluna!

Nada como um filme que tenta – e consegue – nos levar direto para os anos 70, mais precisamente no “boom” da indústria fonográfica. Cheio de rock stars, jornalistas e chairmans de gravadoras nadando literalmente em dinheiro.

O funk ostentação é troco de pinga perto do que estes junkies, rockers e groupies viveram 24/7 durante aqueles anos de ouro. “Almost Famous” (“Quase Famosos”, de 2000tem o papel de retratar toda essa loucura rock’n’roll e todo seu entorno de maneira criativa e envolvente.

ALMOST BUS

“Um fã ávido por rock’n’roll consegue um trabalho na revista americana Rolling Stone para acompanhar a banda Stillwater em sua primeira excursão pelos Estados Unidos. Porém, quanto mais ele vai se envolvendo com a banda, mais vai perdendo a objetividade de seu trabalho e logo estará fazendo parte do cenário rock dos anos 70″ – Sinopse por Adoro Cinema

O que as pessoas muitas vezes deixam de saber são curiosidades sobre este filme que chegou a ganhar até Oscar. Primeiramente, o filme é praticamente autobiográfico – com uma dose de fantasia, claro – sobre as histórias e experiências pessoais como jornalista juvenil na revista Rolling Stone do diretor, Cameron Crowe, que contou para o site The Uncool sobre nomes terríveis que ele pensou antes de chegar ao “Almost Famous”“My Back Pages” foi o primeiro e convenhamos seria um título um quanto óbvio. “The Uncool” foi outro um pouco melhorzinho, mas ainda fraco, baseado numa fala de Lester Bangs – lendário crítico da revista. Alguns outros já caíram no contexto musical, como “Tangerine”, uma canção do Led Zeppelin – que inclusive toca nos letreiros finais do filme – e “A Thousand Words”: título do primeiro artigo escrito pelo protagonista, William Miller, em resenha feita sobre um show do Black Sabbath.

Guita

Mas vamos à trilha sonora – e que baita trilha, diga-se de passagem.

O pontapé inicial da soundtrack lançada no dia 12 de setembro de 2000 via Dream Works é com “America” do Simon & Garfunkel. A canção foi composta para o álbum Brokends” (1968) e produzida pelo duo e Rory Halee. Assim como o livro “On The Road”, a canção fala sobre dois jovens apaixonados cruzando os Estados Unidos à procura da “América” nos sentidos literal e figurativo.  A inspiração é genuína, visto que em 1964, Simon fez esta viagem com sua namorada, Kathy Chitty. O amor é lindo, não é mesmo?

TOMMY

Logo na segunda faixa já vem um petardo com selo Tommy” (1969) de qualidade. Sim, The Who para ninguém botar defeito com um dos maiores discos de ópera rock de todos os tempos. A densidade de “Sparks” te faz viajar por outras dimensões e poderia ter entrado até na trilha de “Stranger Things”.

A próxima canção é uma das queridinhas do pessoal da Rolling Stone: Todd Rundgren com It Wouldn’t Have Made Any Difference”, faixa título do álbum duplo lançado em 1972. As ondas do rock progressivo a la Yes dão o tom da batida. Este som foi gravado no ano anterior em Los Angeles, Nova Iorque e em Woodstock. Todd toca as guitarras e os teclados no álbum. Sucesso na crítica e aclamado pela Billboard, além de conseguir posição 173 entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos na lista da Rolling Stone.

E já que falamos em Yes, adivinhem quem aparece na próxima faixa? Eles mesmo com “I’ve See All Good People: Your Move”. Sua primeira aparição foi no The Yes Album” (1971) e originalmente foi lançada apenas a segunda parte da canção como “single”, o que fez alcançar um número significativo no top 40 da Billboard. A canção usa a metáfora de comparar os relacionamentos com jogos de xadrez, tendo seu destaque nas harmonias de um rock progressivo viajante e sem freios. Em 1991, quando todos integrantes originais se reuniram para o DVD da turnê “The Union”, a canção não ficou de fora do set!

Saindo do progressivo e encontrando as ondas da praia temos uma das maiores bandas injustiçadas do rock sessentista – sim, pelo episódio The Pet Sounds” (1966) x Beatles – os Beach Boys com uma canção lançada para o disco Surf’s Up” (1971), “Feel Flows”. A música flerta com a surf music, psicodelia e flautinhas folclóricas.

A próxima canção é simplesmente genial por um fator ímpar: é de uma banda ficcional feita especialmente para o filme. A Stillwater, banda com quem o protagonista viaja e realiza suas desaventuras rock’n’roll – e serve como mote – consegue imprimir em sua faixa “Fever Dog” uma energia similar a do Led Zeppelin. E sinceramente eu acredito que se o Led estivesse na ativa, o diretor teria convidado eles para se auto-interpretar.

Inclusive em sua história original, o jornalista acompanhou o Led, The Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd, Poco The Eagles em turnês. Eu imagino que por impasse de “ficar em cima do muro” e facilitar as gravações ele optou por montar uma banda especialmente para o longa – como registro de um tempo rock’n’roll que não volta mais.

O single “Every Picture Tells A Story” do inglês Rod Steward não fica de fora da trilha. Gravada em 1971 para um álbum de mesmo nome em parceria com Ron Wood, a canção foi lançada como single na Espanha tendo como lado B “Reason To Believe”.

Em sua letra, “Every Picture Tells A Story” conta suas aventuras com mulheres ao redor do mundo – tão rock’n’roll este lado mulherengo – e fala sobre o retorno para casa após aprender diversas lições de moral.

A próxima banda deveria ter mais atenção porque é APAIXONANTE. The Seeds é mais uma daquelas que vieram para chacoalhar tudo, destruir os quartos de hotel e sair após atear fogo. O espírito rock’n’roll mais destruidor vive em sua essência de uma maneira que a música que entrou na soundtrack  tem até polêmica envolvida em sua história.

DRUGS

Enquanto o mundo tava naquele clima paz e amor dos Beatles, eles estavam sendo BANIDOS da rádio com o single “Mr. Farmer”. Muito mais garageiro e sujo que os meninos de Liverpool. Lançada em 1967, a razão pela repressão foram as menções à drogas nas letras. Alguns interpretam o nome como “apologia aos fazendeiros plantadores de maconha”.

A canção foi escrita por Sonny Boy Williamson II e outra lenda do R&B, Elmore James, e foi lançada originalmente abaixo do nome G.L. Crockett. Porém quem fez esta pérola da música mundial ganhar a atenção que merecia foi o The Allman Brothers Band.

Uma banda que não poderia ficar de fora da trilha do filme é o Lynyrd Skynyrd. Tanto por Crowe ter se atirado na estrada com eles na década de 70, como por sua importância no cenário pós-Woodstock no contexto da história do rock americano.

A canção escolhida para a trilha foi “Simple Man”, uma das preferidas dos fãs. Tanto que não é de se surpreender que ela foi escolhida para entrar no jogo “Rock Band”, na série “Supernatural” e ter ganhado versões do Deftones e do Shinedown.

A próxima é uma pedrada na cara, afinal se trata de um hit do Led Zeppelin. Escrita por duas lendas do rock, Jimmy Page e Robert Plant, ela entrou no clássico “Led Zeppelin III” (1970). Com uma levada mais folk/rock, violão e voz é uma das mais melosas da carreira da banda.

Segundo Page a canção foi escrita no País de Gales naqueles dias após uma longa caminhada de volta para casa vindo do campo. “Tínhamos uma guitarra conosco, estávamos cansados da caminhada, e paramos para nos sentar. Eu toquei um acorde e Robert cantou o primeiro verso ‘na lata’. Nós tínhamos um gravador de fita conosco, e gravamos aquele esboço ali mesmo.”

O mestre do piano vermelho, Elton John, também não fica de fora de “Almost Famous”. A canção escolhida desta vez inicialmente não era um single inicialmente, porém depois de ganhar certa popularidade se tornou um.

tiny

“Tiny Dancer”, que viria a se tornar um dos maiores clássicos do Elton John, foi escrita por Bernie Taupin. Nela, Bernie captou o espírito dos anos 70 na Califórnia no qual ele conheceu muitas mulheres bonitas. Nos créditos do álbum Madman Across The Water” (1971), Bernie dedicou a música a sua primeira mulher, Maxine Feibelman.

Dave Grohl e Red Hot Chilli Peppers já fizeram versões deste clássico. No vídeo abaixo, Dave Grohl inclusive conta que conheceu a canção através da trilha sonora de “Almost Famous” e agradece ao diretor Cameron Crowe por isto. Além de comentar algumas cenas no vídeo, vale a pena ver o vídeo inteiro.

Nancy Wilson, que também foi a compositora das canções da Stillwater – banda de mentirinha do filme – também tem uma canção própria na trilha sonora: “Lucky Trumble”, composição instrumental de violão flertando com teclados.

Para quem viu o filme sabe que David Bowie aparece “fugindo dos jornalistas”, e claro que ia ter Bowie na trilha sonora do filme de uma forma ou de outra. A “sacada” genial foi a escolha de uma canção escrita por Lou Reed (Velvet Underground), “Waiting For The Man” para a trilha.

A versão que toca no filme é ao vivo em Santa Mônica (Califórnia) em 1972.  “Por coincidência”, naquele ano Lou Reed lançava um dos seus discos solos mais aclamados: Transformer”.

A próxima canção é de Cat Stevens, mais precisamente do álbum Teaser And The Firecat” (1971). Mas erra quem pensa que a canção está entre os três considerados hits do disco. Porém o crítico da Rolling Stone Timothy Crouse gostou do aspecto distinto e introspectivo de “The Wind”. Uma outra curiosidade é que o álbum foi lançado juntamente com um livro infantil escrito e ilustrado pelo próprio Cat Stevens.

Quem vem em seguida é Clarence Carter com “Slip Away” (1968), um dos grandes sucessos da carreira do artista que se destaca dentro do blues/soul. O músico de 80 anos – que lançou seu primeiro disco em 1968 – ainda está na ativa tendo lançado o álbum Dance To The Blues” no ano passado.

Para fechar com chave de ouro essa incrível trilha sonora nada como um pouco mais de Pete Townshend. Mas não estamos falando de uma canção do The Who, e sim de seu outro projeto “One Hit Wonder”, Thunderclap Newman.

O projeto ainda conta em sua formação o “manager” do The Who, Kit Lambert, e Jimmy McCulloch, músico do projeto The Wings do Paul McCartneyJohn David Percy “Speedy” Keen, que ficou mais conhecido por este projeto paralelo do líder do Who.

O sucesso da faixa “Something in the Air” (1969) foi tão enorme que a faixa além de alcançar o primeiro lugar das paradas no UK, recheou diversas coletâneas, comerciais e trilhas sonoras. Quem canta a faixa não é Pete Townshend e sim Speedy Keen. O grupo lançou apenas um álbum em sua curta carreira: Holllywood Dream” (1969).

Jimmy veio a falecer em 1979 através de uma overdose de heroína aos 26 anos de idade. Nada mais sexo, drogas e rock’n’roll do que esse desfecho, não é mesmo?

Muito além do 5 contra 1: As trilhas sonoras icônicas dos filmes pornôs 🌚

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Ron Jeremy
Ron Jeremy

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O pornô é uma das indústrias mais rentáveis do planeta. Seu alcance e interesse é absurdo. Um mercado que movimenta todo ano trilhões de dólares e se reinventa a cada minuto. Altamente explorado, ele tem seus altos e baixos mostrados em documentários que você pode ver no Netflix ou na TV a cabo.

Não é incomum ver comentários “aleatórios” nos vídeos na internet. Aliás, hoje em dia é onde seu mercado mais é consumido através de filmes, cam girls e até via Oculus Rift. Pois é, agora a moda é ver tudo em 4D como se você mesmo estivesse interagindo com a cena – coisa de louco e só possível imaginar para alguém que viveu os anos 80 via filmes Sci-Fi.

4d

Mas o nosso foco aqui é a música! Quase sempre me esqueço com tantos detalhes e informações interessantes ao redor para estender a pauta… E olha que música em filmes pornôs desde as fitinhas VHS dá o que falar, meu amigo! Fique tranquilo, não vou comentar sobre aquele blues “frouxo” que estrela vários quadros do Sexytime do Multishow, mas de música boa – numa hora que em teoria a música é o que menos importa.

E porque não começar por um clássico do pornô? É – quase – impossível fazer uma lista de filmes pornôs sem falar sobre um dos maiores sucessos tanto de vendas como de ~polêmicas~: Garganta Profunda” (“Deep Throat” – 1972).

O filme sobre o caso do delator do Watergate teve o custo de 25 mil dólares e após se tornar Cult gerou algo em torno de 20 milhões. Aliás, a grande estrela Linda Lovelace tem uma história de vida bem triste e que vale pesquisar depois.

Em seu livro, ela alega que nunca recebeu um tostão por “Garganta Profunda” e o seu ex-marido teria sido pago com apenas 1250 dólares, embora o filme tivesse rendido aos seus produtores 600 milhões de dólares. Sua carreira após este filme começou a ir para filmes mais “hardcore”. Depois disso veio a decadência e teve seu fim abreviado.

Mas para os admiradores do funk/R&B temos uma tremenda pérola em sua soundtrack logo na música tema, “She’s Gotta Have It”, um single de T.J. Stone lançado no ano de 1974 como single após o sucesso do filme – quem sabe tentando ganhar mais uns trocados com o sucesso comercial da trama.

Fato que a canção tem uma estrutura que mescla aquela groove do Funk que flerta com a soul music. Logo de cara percebemos a composição como forte, já no encaixe dos instrumentos de sopro indo de encontro com o piano que chora e narra sensualmente a proposição.

Após perceber um padrão no funk/blues/R&B nos filmes pornôs dos anos 70, o ~destemido e ousado~ Don Argott decidiu prestar sua homenagem ao pornô. Uma lenda urbana diz que ele e Ron Jeremy se conheceram em 71 e gravaram uma porção de faixas que ficaram perdidas no tempo e espaço até serem achadas no fim dos anos 90. Utilizando suas próprias mãos (calma, não pense besteira) e criando em parceria com outros músicos um álbum chamado “Pornosonic – Unreleased 70’s Porno Music (1999)”.

ron

Sim, são trilhas sonoras para filmes que JAMAIS viram a luz do dia. Ao invés de tentar fazer releituras, ele traz um funk moderno com ambientações que poderiam muito bem conduzir cenas mais calientes e pegajosas. Para deixar tudo ainda mais no – esquema – ele foi logo chamar o astro do cinema pornô Ron Jeremy para fazer a locução entre as faixas, o que resultou hilário e totalmente imersivo.

E eles não pararam por aí, e em 2000 saía a trilha “perdida” de outro clássico do “sobe e desce”: “Cream Streets”, que brinca com funk, música latina, tribal, Jazz, groove e muita intensidade. Afinal de contas, tentar reeditar os hits da Motown não é um desafio muito fácil de ser alcançado. Tem que ter muito exercício, abusar das preliminares e se jogar de cabeça. As canções são jocosas, o swing e o malemolência se dão a cada beat que ecoa da percussão e do chorar dos instrumentos.

A franquia pornô “The Devil In Miss Jones” começou no ano de 1973 e foi dirigido por Gerard Damiano. A grande estrela do filme é Georgina Spelvin, talvez uma das mais renomadas atrizes pornôs da era do “Pornô Chic” – o rótulo que o pornô clássico ganhou ao longo dos anos entre uma “pornochanchada” aqui e outra acolá.

E para combinar com o clássico, porque não uma música elegante a base de voz e piano? Quem ouve pensa que se trata de um filme de sofrimento/melodramático, mas a canção quase que de igreja emendava com o swing da sétima arte do pornô. A canção mais marcante do filme é a tema “I’m Comin Home” da Linda November.

Já no outro extremo da indústria do pornô no “Softcore” temos a saga de Emmanuelle de Just Jaeckin. O primeiro filme foi gravado na França em 1974, mas a lolita atravessou as décadas sendo a musa do gênero.

Emmanuelle já foi loira, ruiva, morena, foi ao deserto, ao espaço, a diversos lugares mas todas que a interpretaram sempre honraram o nome. Aliás, se Emmanuelle tivesse estrelado alguma capa de algum disco do É o Tchan, eu não ia estranhar. Já que nos anos 90/00 podia quase tudo.

Quem lê pensa que a franquia foi um sucesso. Porém, no segundo filme de 1975, após diversas críticas, seu criador original largou o barco. Mas foi o suficiente para imortalizar seu tema “clássico” do cinco contra um.

A canção de Pierre Bachelet foi um dos seus maiores hits da carreira. Ele que era meio que um Roberto Carlos/Julio Iglesias francês e estrelou a trilha de outros filmes através de suas canções apaixonadas. 

Mas não se vive apenas de pornô gringo quando aqui tivemos as embriagadas e saudosas pornochanchadas, que nosso querido Canal Brasil sempre lembra com a frase “Como Era Gostoso”.

Vera Fisher era uma das estrelas das pornochanchadas
Vera Fisher era uma das estrelas das Pornochanchadas

Eis que em 2004 tivemos uma grande homenagem à essas musas. Che decidiu fazer um grande tributo cheio de diálogos e brasilidades para embalar essas noites que ficavam ainda mais gostosas após uma sessão de chanchada. O disco foi lançado pela YB Music e distribuído pela Tratore.

“‘Sexy 70’ é o tributo musical do terceiro milênio aos fãs da pornochanchada brasileira clássica. Bossa-funk-lounge-soul-samba-bolero tocados com o verdadeiro espírito desleixado e elegante das grandes trilhas sonoras do gênero. Ideia e competência do Che (ex-Professor Antena) com participação charmosíssima da musa Helena Ramos e do gênio Paulo Cesar Pereio. Serve para festas, jantares elegantes e para clima de sedução. Mil e uma utilidades!”

Para passar a régua e deixar o clima em órbita temos direto dos anais do ano de 1999, um pornô estrelado por ninguém mais ninguém menos que Silvia Saint. E para essa viagem intergalática foi convocado uma das maiores lendas da e-music mundial: O Prodigy.

O “The Uranus Experiment” teve a ousada – e de outro planeta – missão de fazer o primeiro pornô além dos limites da gravidade, ou seja gravidade Zero. O cérebro do Prodigy Liam Howlett foi o responsável por fazer o som para explorar os orgasmos nas “alturas”.

Chegou a hora de darmos mais uma chance aos discos “Load” e “Reload” do Metallica

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Metallica
O Metallica em sua fase "chic"

O polêmico e criticado disco “Load”, do Metallica, completou 20 anos na semana passada. Na época, a mudança de visual do quarteto e a inclusão de músicas como “Mama Said”, mais puxada para o country, e “Hero Of The Day”, mais “calma”, fizeram os fãs ficarem putos com a banda. Os que já tinham virado as costas para os thrashers com o lançamento do “Black Album” deram de ombros, e até alguns dos fãs que gostaram do disco de 1991 ficaram coçando a cabeça. Um ano depois saiu “Reload”, um disco do que seriam as sobras das gravações de “Load”, algo que só ajudou a continuar a fama de “vendidos” que a banda ganhou e continuou a ser apedrejada. Músicas experimentais como “Low Man’s Lyric” fizeram os mais cri-cris perguntarem “o que está acontecendo com o Metallica”?

Metallica
Muito do ódio dos fãs veio da pose “modelete” que a banda adotou na época

Pois bem: 20 anos depois, vamos rever esta dupla tão mal avaliada. Primeiramente, vamos juntar o melhor dos dois discos em um só. Assim, vamos unir tudo o que a duplinha mal falada do Metallica têm de melhor para termos um disco bom em vez de dois medianos ou fracos. Outro ponto: ele deve ser ouvido como um disco de rock, deixando um pouco de lado o thrash metal de discos como “Ride The Lightning” e “Kill ‘Em All”. Afinal, se você ouvir o “Load” e o “Reload” esperando os clássicos riffs de quebrar pescoço e bumbo duplo comendo solto, é óbvio que vai sair decepcionado. Pois é hora de abaixar suas espectativas, apurar os ouvidos e dar uma nova chance ao “Load” recauchutado, que na minha versão, fagocitará o melhor do “Reload”. Eis as eleitas do tracklist, na ordem em que eu colocaria:

“Ain’t My Bitch”, do “Load” – Acho que se este fosse o primeiro single de “Load” na época o pessoal não ia chiar tanto. Porrada, um pé na porta que abre bem o disco, com uma bela dupla de guitarras de James e Kirk.

“2×4”, do “Load” – Uma boa segunda música, podia muito bem estar no “Black Album”. Bateria clássica do Lars, mesmo na abertura já dá pra ver que é ele tocando a batida de 2×4 que dá nome à faixa.

“Fuel”, do “Reload” – Uma das poucas músicas que o Metallica manteve nos shows até hoje e uma preferida dos fãs. E, pra falar a verdade, é mesmo uma das melhores deles nessa fase. Ei, lembre-se que da fase “St. Anger” não sobrou nenhuma pra contar história nos sets atuais, certo?

“Until It Sleeps”, do “Load” – Este que foi o primeiro single lançado na época não é uma canção ruim. Mostra um pouco do direcionamento que o Metallica estava tomando, dando aquela experimentada com rock alternativo sem perder o peso. Algo entre o Alice In Chains e o Smashing Pumpkins (se é que isso é possível). Aquela fórmula verso calmo-refrão porrada-verso calmo-refrão porrada.

“King Nothing”, do “Load” – A música em que o Metallica se auto-chupa com vontade (afinal, é quase uma “Enter Sandman 2”) não é nada ruim. Um single bacana da época que podia ter sido mais bem recebido se o povo não fosse tão “tr00”.

“Hero Of The Day”, do “Load” – Um rock mais tranquilo, puxado pro hard rock. Poderia muito bem estar num dos discos noventista do Aerosmith… e isso não é uma crítica.

“Devil’s Dance”, do “Reload” – Todo mundo critica a bateria de Lars, mas nesse… digamos, funk-metal, a batida quatro por quatro cheia de groove é toda dele. Além do ritmo cadenciado que ficou ótimo até no “S&M”.

“Wasting My Hate“, do “Load” – A paulada pós-introdução dessa música é bem bacana. Essa música tem um quê de rock de arena dos anos 70.

“Bleeding Me”, do “Load” – Mais um experimento do Metallica no “Load”, e devo dizer que um dos melhores experimentos da banda nessa fase. Uma faixa lenta que não chega a ser uma balada por ser tão sofrida e tensa. Ignore o excesso dos “uô uô” do James e veja como essa música merece ser ouvida.

“Ronnie”, do “Load” – Já que é pra ter incursão pelo country, em vez de “Mama Said” (que eu, pessoalmente, acho boa, mas foi uma das mais massacradas pelos fãs) a gente deixa “Ronnie”, com influência country mas com uma pegada mais bangue bangue, mezzo ZZ Top.

“The Memory Remains”, do “Reload” – O Metallica conseguiu fazer uma música cheia de “lararara” cantado pela Mariane Faithfull que gruda na cabeça e ainda um clipe memorável daqueles que as pessoas ficaram um tempão pensando “como eles fizeram isso”? Merece ficar.

“The Unforgiven II”, do “Reload” – Esta aqui eu deixaria só pra manter a série “Unforgiven” andando (Ah, e eu colocaria a intro igual à essa em “Unforgiven III” do “Death Magnetic”, mas aí já estou divagando e indo pra outro disco).

“Low Man’s Lyric”, do “Reload” – Eu citei que essa é uma experimentação mais “mellow” do Metallica e levou umas pauladas dos fãs, mas isso mostra que o Metallica têm bastante a oferecer fora do mundo thrash metal. É perfeita para fechar um disco, e eu faria exatamente isso.

A viagem no túnel do tempo da trilha sonora de “As Vantagens de Ser Invisível”

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The Perks Of Being a Wallflower

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje vamos falar sobre um filme voltado para o público adolescente. Mas nem por isso a trilha deixa a desejar. Muito pelo contrário, assim como “500 Dias Com Ela”, apesar de ser um drama/romance que flerta com comédia, a trilha é uma tremenda viagem no tempo e traz excelentes hits do dream pop, new wave e do rock alternativo.

“The Perks of Being a Wallflower”, em português “As Vantagens de ser Invisível”, é um longa metragem lançado em 2012 pelo diretor Stephen Chbosky. Dessa vez ele não procurou ou foi procurado por ninguém para fazer o filme. Afinal de contas, ele é baseado num livro de sua autoria lançado em 1999. Foi sucesso comercial devido a alguns fatores além de uma boa história sobre a juventude com todos seus dramas, passagens e percalços: a boa escolha do elenco e a sua trilha sonora. Afinal de contas, para quem já viu o filme, fica difícil esquecer o momento em que Sam (Emma Watson) sai pelo teto solar do carro – dentro do túnel – e começa a cantar “Heroes” do David Bowie, não é mesmo?

Emma

Sinopse por AdoroCinema: “Charlie (Logan Lerman) é um jovem que tem dificuldades para interagir em sua nova escola. Com os nervos à flor da pele, ele se sente deslocado no ambiente. Sua professora de literatura, no entanto, acredita nele e o vê como um gênio. Mas Charlie continua a pensar pouco de si… até o dia em que dois amigos, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), passam a andar com ele.”

O filme se passa em Pittsburg, na Pensilvânia, e alguns de seus dramas passam por temas “bobinhos” como o dilema do primeiro beijo, as paixonites de adolescência, fins de relacionamento e o drama da dança de formatura (Saddie Hawkins Dance), temida e amada por muitos americanos, super tradicional e “cafona”, diga-se de passagem. Mas tradições, né? Vamos falar o quê? Apenas aceitamos. Mas também temos bons ganchos, como quando a turma no colégio ensaia para apresentar sua versão da peça The Rocky Horror Picture Show. (Inclusive aqui na SINESTESIA já falamos sobre a novela original que deu origem a peça, o musical, suas homenagens, tributo, filme e remake a caminho!)

Porém, a trama também toca em temas bastante delicados e importantes, como a homofobia e o abuso sexual sofrido durante a infância. Esses conjuntos de fatores que eu acho super importantes de serem discutidos nessa faixa etária para que a intolerância aos poucos vire um problema do passado. Tão triste ver os acontecimentos recentes e a estatística alta de mortes e agressões por motivo de opção sexual. Um dia chegamos lá!

O filme conta com uma trilha maravilhosa – que você pode conferir direto da página da IMDB. Vamos focar nas 12 faixas que compõe o disco lançado pela Atlantic Records no dia primeiro de agosto de 2012. Impressiona, pois esta coletânea chegou a sétima posição das melhores trilhas sonoras publicadas no período entre 2012/2013 da Billboard.

Cantar

A faixa que abre o disco é do The Samples com Could It Be Another Change, que sinceramente eu desconhecia. São da época do college rock pelo que parece, uma mistura de The Police com Grateful DeadAgradável, mas nada de mais. Influências de folk e reggae são perceptíveis em sua sonoridade. A banda existe até hoje, mas com apenas um membro original, o vocalista Sean Kelly.

Em seguida temos uma canção tão clássica que periga você estar na Tiger Robocop 90 (que rola no Lab Club) e ouvir tocando a versão que a banda de ska – Save Ferris – fez nos anos 90. Bem, na trilha contamos com a versão original da banda de Birmingham Dexy’s Midnight Runners, que impressiona pela versatilidade de estilos, abraçando o folk, o ska, influenciado pelo “Combat Rock” do The Clash, e a música folclórica irlandesa, popularizada pelo The Pogues naquela década. Com o artifício de violinos, batida new waver, teclados e um pouco de música caipira a canção justifica a fama das pistas de dança. É envolvente como os vocais dialogam e você se vê levado pela canção sem titubear.

Em seguida temos um verdadeiro clássico do dream Pop/shoegaze, “Tugboat”, da emblemática e meteórica Galaxie 500. Influenciados por Velvet Underground, Spacemen 3 e Jonathan Richman, em apenas 5 anos viram sua estrela cadente virar história. O grupo durou de 1986 a 1991 e deixou um legado de bandas que foram influenciadas pelo som deles como Sonic Youth, Liz Phair, Neutral Milk Hotel, British Sea Power, Joanna Gruesome, The Submarines e tantas outras. A canção tem uma atmosfera meio My Bloody Valentine encontra The Pastels enquanto toma um café com Lou Reed. Ou seja: coisa mais do que boa.

A próxima música é do New Order, a dançante e emblemática “Temptation” que inclusive também entrou na trilha de Trainspotting. (filme que comentamos a trilha outro dia por aqui). Lançada originalmente em 1982, ela ganhou em 2013 este clipe:

“Evensong”, da pouco conhecida The Innocence Mission tem uma atmosfera densa a la Cocteau Twins, Mazzy Star e PJ Harvey. Ou seja, aquela vibe rock alternativo/dream pop flutuante do começo da década de 90. Cheia de angústia, a canção controla os ânimos do espectador, já que é sofrida e introspectiva. 

The Smiths

O clássico ~das bads~ “Asleep” do The Smiths não poderia ficar de fora da confusa e triste história de Charlie. É o hino dos dilemas pessoais, das desilusões com o mundo exterior. A vontade de se isolar, se trancar no quarto, deitar na cama e nunca mais acordar. A faixa foi originalmente como um B-Side do single “The Boy with the Thorn in His Side” e mostra uma atmosfera mais dark que o piano que acompanha Morrissey nos leva direto para o fundo do poço. Talvez um dos seus trunfos seja fazer com que os ouvintes chorem e afoguem suas mágoas.

Ainda no ritmo do slowcore/dream pop – e provavelmente da adolescência do diretor do filme – temos Low com “Cracker”. Influenciados por post-rock, blues e Neil Young, vemos os contrastes que isso adiciona ao som que tem a cara da época pré explosão do grunge.

Logo em seguida vem uma canção que eu sou mais do que suspeito para comentar, “Teenage Riot”. De um disco que eu tive que comprar o box de vinil para apreciar todas versões e mixagens, Daydream Nation” (1988). A canção é o primeiro single escolhido para divulgar o disco produzido pelo emblemático produtor Nick Sansano, um cara que pouco antes tinha se envolvido com bandas de rap do calibre do Public Enemy e quando pegou essa encrenca não manjava nada do tipo de som do Sonic Youth. Segredo para o sucesso? Talvez. O grupo teve um ganho criativo que depois desse disco os conduziu para o estrelato. Depois ele foi até chamado para produzir o Goo” (1990) e o resto é história.

“Dear God” do XTC é daquelas músicas que eu conheci assistindo as madrugadas da MTV Brasil – ah, que saudade desses tempos. Um one hit wonder de uma injustiçada banda com outros potenciais hits pops. Uma letra forte e dura sobre ateísmo e uma levada folk/new waver/pop barroco lançada em 1986, sendo censurada e proibida em diversas rádios ao redor do mundo por fazer apologia ao ateísmo com sua falta de Deus. Sem usar nenhuma palavra de baixo calão. Quão punk é isso?

E de clássico em clássico do rock alternativo a lista do disco vai ficando ainda mais interessante. O próximo é Pearly Dewdrops’ Drops”, a banda de post-punk inglês Cocteau Twins é fruto da mistura de influências de The Birthday Party com Siouxsie and The Banshees e a delicadeza da estrela do pop Kate BushPara quem desconhece a origem do nome do grupo, eis a resposta: vem de uma canção do Simple Minds. O Cocteau Twins nesta canção tem sua marca no vocal que ecoa no ar – a la coral de igreja – e traz os beats e as trevas dos sintetizadores. Ah, os anos 80!

A próxima canção no filme chamada de “Charlie Last Letter” foi composta pelo guitarrista de música ambient, experimental e instrumental Michael Brook. Ela é rápida e meio “chatinha”. Originalmente ela chama “Pouter”, mas para o filme foi renomeada para encaixar com a parte mais dramática da trama. Michael é conhecido por gravar guitarras para trilhas de filme e por ter colaborado com artistas como David Sylvain e Brian Eno. Inclusive já ganhou um Grammy por co-compor “Night Song” do paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan e teve a trilha de “Into The Wild”, composta por ele, nomeada como melhor trilha.

Para fechar a trilha com chave de ouro, temos talvez uma das canções mais fantásticas escritas do rock: “Heroes”, do David Bowie. Para quem não sabe, a música fala sobre um amor dividido pelo nefasto muro de Berlim, onde o namorado e a namorada estão separados pelo muro, um morando na Berlim Oriental e outro na Berlim Ocidental.

A música é tão poderosa e emblemática para a cidade de Berlim que em janeiro deste ano, após saber da morte de David Bowie, o governo da Alemanha agradeceu ao artista com os seguintes dizeres: “Por ter ajudado a derrubar o muro de Berlim”. E dizendo: “você agora está entre os heróis”.

E é dessa maneira emotiva e cheia de sentimentalismo que terminamos o post de hoje. Afinal de contas, “Heroes” entrou na trilha não só por ser uma simples canção de amor sem limites mas como uma canção de emancipação do ser sem limites. É, o cara sabia compor como poucos.

A epopeia musical de “O Lobo de Wall Street” de Martin Scorsese

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O Lobo de Wall Street
Leonardo DiCaprio em "O Lobo de Wall Street"

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje vamos falar sobre a trilha de um filme que é um tremendo absurdo ter saído do Oscar de mãos vazias. Perseguição por parte da academia de seu diretor? Talvez. Ter um ator da magnitude de Leonardo DiCaprio no elenco e até então – Antes do O Regresso” não ser premiado? Outra possibilidade válida. Ter competido com um filme em que todos apostavam as fichas (Gravidade”)? Provavelmente um belo de um azar no quesito timing.

Já que o filme foi indicado para o Oscar nas categorias:

1- Melhor Filme
2- Melhor Diretor
3- Melhor Roteiro
4- Melhor Ator (Leonardo Di Caprio)
5- Melhor Ator Coadjuvante (Jonah Hill)

O filme não ganhou em nenhuma categoria. O prêmio de consolação de DiCaprio foi ter sido nomeado – e vencido – na disputa para melhor ator na categoria filme musical ou comédia na edição daquele ano (2014) do Globo de Ouro. Porém, entre os críticos, o filme foi bastante aceito e prestigiado. O roteiro é agressivo e bem anti-heroi, algo que Hollywood não costuma premiar. Prefere dar prêmios para os bons “moços”, vai entender, né?

Ao menos eu não engoli até hoje terem dado Oscar para o vazio – metido a intelectual mas comum – Her” e deixarem esse tremendo drama/comédia biográfica que foi “O Lobo de Wall Street” (2013). O filme é baseado no livro The Wolf Of Wall Street”, uma autobiografia escrita por Jordan Belford, lançada em 2007.

Leonardo DiCaprio is Jordan Belfort in the movie THE WOLF OF WALL STREET, from Paramount Pictures and Red Granite Pictures. TWOWS-FF-002R

Para não me alongar muito em descrever o roteiro do filme e dar maior atenção para a trilha, segue a sinopse redigida pelo pessoal do excelente AdoroCinema:

“Durante seis meses, Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) trabalhou duro em uma corretora de Wall Street, seguindo os ensinamentos de seu mentor Mark Hanna (Matthew McConaughey). Quando finalmente consegue ser contratado como corretor da firma, acontece o Black Monday, que faz com que as bolsas de vários países caiam repentinamente. Sem emprego e bastante ambicioso, ele acaba trabalhando para uma empresa de fundo de quintal que lida com papéis de baixo valor, que não estão na bolsa de valores.

É lá que Belfort tem a ideia de montar uma empresa focada neste tipo de negócio, cujas vendas são de valores mais baixos mas, em compensação, o retorno para o corretor é bem mais vantajoso. Ao lado de Donnie (Jonah Hill) e outros amigos dos velhos tempos, ele cria a Stratton Oakmont, uma empresa que faz com que todos enriqueçam rapidamente e, também, levem uma vida dedicada ao prazer.”

A montagem, a escolha de elenco, a trama, a narrativa dos altos e baixos e a energia de instantâneo Blockbuster já deveria ser aplaudida. Além de claro, sua trilha. Aliás trilha sonora é a praia de seu diretor, Martin Scorsese. Não é de se surpreender que ele neste ano tenha se envolvido com Mick Jagger para o audacioso e ferroz “Vinyl”, série transmitida pelo HBO.

A trilha sonora do filme conta com 54 canções ao longo das mais de 3 horas de trama. Destas 54, 16 foram selecionadas para estrelar a versão física do disco que foi lançado em dezembro de 2013 via Virgin. Logo, antes de adentrar ao seleto grupo das 16 que contemplam o disquinho, falarei por alto das que não entraram no álbum, porém estão no filme.

Temos a clássica “Dust My Broom” e “Dust My Blues” de um dos reis da guitarra, Elmore James, “Hit Me with Your Rhythm Stick” do astro do punk Ian Dury e seus Blockheads e “Movin’ Out (Anthony’s Song)” do clássico The Stranger” (1977)  de Billy JoelMalcolm McLaren, um dos maiores ícones da música mundial – empresário dos Sex Pistols e de uma vasta legião de bandas – em 1983 lançou Duck Rock” este que continha a canção “Double Dutch”, que Scorsese escolheu para a trilha do filme.

A refinada “No Greater Love” (1958), do pianista de jazz Ahmad Jamal Trio, também figura na trilha, assim como John Lee Hooker com o clássico do blues “Boom”, uma das 500 músicas da lista da fama da revista Rolling Stone. Johnn Lee inclusive ganhou 2 Grammys como melhor álbum de blues tradicional pelos trabalhos I’m in the Mood” (1990) com Bonnie Raitt e Don’t Look Back” (1998). Teve a sorte de ter seu trabalho reconhecido em vida. Faleceu em 2001.

“Mongoloid” dos nerds mais cools do rock, o DEVO, e seus sintetizadores e epifanias preenchem uma das cenas mais malucas do filme. Me First And The Gimme Gimmes aparecem na trilha fazendo cover de Beach Boys, Mais precisamente da canção “Sloop John B”, escrita pelo lengendário Brian Wilson. O filme se passa em Nova Iorque e seria uma tremenda bola fora deixar a galera do rap fora dessa. Então vamos de clássico! Scorsese escolheu “Hip Hop Hooray” do grupo Naughty By Nature para deixar tudo nos conformes. Outro grande pianista do jazz também entra na trilha, Charles Mingus, com sua envolvente “Wednesday Night Player Meeting”.

O hit do italiano Umberto Tozzi, “Gloria” de 1979, também faz parte. Duvido que nunca escutou a canção do músico na Antena 1. Mas temos new wave também, sim, por favor! Com o grupo francês Plastic Bertrand e “Ça Plane Pour Moi” (1978), um hit de discoteca que tem versões interessantes de grupos como Sonic Youth, Nouvelle Vague The Presidents Of The United States Of America. Uma curiosidade é que poucos meses antes dos vocais da canção serem gravados, a gravadora usou a mesma trilha com os mesmos músicos para lançar “Jet Boy, Jet Girl”. Os vocais da versão em inglês são de Alan Ward, que para quem não sabe é o vocalista do Elton Motello.Uma curiosidade é que poucos meses antes dos vocais da canção serem gravados, a gravadora usou a mesma trilha com os mesmos músicos para lançar “Jet Boy, Jet Girl”. Os vocais da versão em inglês são de Alan Ward, que para quem não sabe é o vocalista do Elton Motello

Uma das curiosidades da trilha foi essa participação do ator Matthew McConaughey na faixa “The Money Chant” composta por ele em parceria com Robbie Robertson, um dos fundadores do The Band. Saiba mais aqui.

A dupla de eletrônica Dimitri Vegas & Like Mike inclusive fez uma versão insana e a apresentou no Tomorrowland de 2014.

Caso queira saber mais sobre a trilha completa, basta uma rápida pesquisa na rede social, IMDB. Então, finalmente vamos chegar ao seleto grupo das 16 faixas do disco da Virgin.

Lançado logo após o filme, no dia 17 de Dezembro de 2013, é em geral uma coletânea bastante eclética, assim como as anteriores que falamos por aqui. O que só deixa ela ainda mais interessante.

“Mercy, Mercy, Mercy” do Cannonball Adderley Quintet, liderado por Julian Edwin “Cannonball” Adderley, um jazzísta e mestre do saxophone da hard bop era (50’s, 60’s). Inclusive este é o single que mais o tornou conhecido, além, claro, de seu trabalho ao lado de Miles Davis – ele fez parte do lendário álbum Kind Of Blue” (1959) do astro do jazz. A canção conta na banda com seu irmão na corneta, Nat Adderley, e foi lançada no formato de quinteto no ano de 1966, gravada no Capitol Studios de Los Angeles. É um jazz classudo e visceral, um clássico.

Em seguida temos Elmore James com a canção que já falamos acima, a belíssima “Dust My Bloom”. A próxima é “Bang, Bang” de Joe Cuba, um americano descendente de porto riquenho que com sua ginga fez a América dançar com sua envolvente salsa!

“Movin’ Out (Anthony’s Song)”, de Billy Joel, é a seguinte na trilha, e na sequência temos a maravilhosa canção burlesca que flerta com jazz “C’est Si Bon” da americana Eartha Mae Keith. Uma voz delicada e autêntica, ela tem origens do teatro e era cantora de musicais, comediante de stand-up, ativista e dançarina. Ufa, alguém com muito a nos acrescentar e de quem vale a pena conhecer a história. A canção em francês foi lançada no ano de 1953.

“Goldfinger” é um cover, originalmente estrelada por Shirley Bassey na trilha de 007, tema do filme de mesmo nome. Porém, a versão que captou o coração de Scorsese feito uma flecha foi a performada por Sharon Jones & the Dap-Kings, um grupo de funk/soul do bairro do Brooklyn, com influência do melhor do gênero nos anos 70. Um ano após o lançamento da trilha, o grupo foi nomeado para o Grammy.

Sou suspeito demais para falar sobre a próxima faixa, pois envolve um dos meus músicos favoritos de todos os templos, o mestre Bo Diddley. A canção do bluseiro escolhida pelo diretor foi “Pretty Thing”, de 1955. Curiosidade: Foi seu primeiro single a emplacar nas paradas do UK.

O pianista de jazz Ahmad Jamal emplacou mais uma faixa na trilha, Moonlight In Vermont”, uma densa faixa trabalhada no piano e com potencial de te levar para outro plano. É calma, cadenciada, ao mesmo tempo em que é criativa.

A próxima faixa é uma tremenda covardia com as demais, um senhor hit do melhor do blues já feito em Chicago: Smokestack Lightning”, performada por uma das vozes mais marcantes daquela geração, Howlin’ Wolf. A canção está presente no álbum do músico From Moanin’ In The Moonlight” (1959).

Se a próxima música não te colocar para dançar, nenhuma outra o fará. Quem vem com seu funk/disco energético direto do túnel do tempo dos anos 60 quebrar tudo é o saxofonista Jimmy Castor Bunch com “Hey Leroy, Your Mama’s Calling You”, do ábum Leroy” (1968).

Em seguida temos a já comentada “Double Dutch” de Michael McLaren. Logo depois temos mais uma canção new wave/post punker: “Never Say Never”do Romeo Void de 1981. Vocal feminino, beats dançantes e muita fúria degenerativa direto dos criativos anos 80. Voltamos para os dias de hoje com a ultrajante, american rock & blues, caipirona e competente banda 7horse. Recomendo ouvir Meth Lab Zoso Sticker” bebendo um drink com Jack Daniels – ou depois de uma maratona de Breaking Bad. A vibe se transforma no meio do caos hibilly. O primeiro álbum do grupo, Let the 7Horse Run”, veio ao mundo no ano de 2011 e te convida a balançar os quadris.

Eu vou até vou dispensar comentários sobre “Road Runner” de Bo Diddley, pois acredito que um clássico fala por si só.

“Mrs. Robinson” é uma canção originalmente composta pelo duo Simon & Garfunkel em 1968 – e teve seu álbum altamente premiado. Porém, a versão que marcou a geração dos anos 90 foi a dos The Lemonheads, e esta foi escolhida pelo time de Scorsese para o filme. Já para quem é mais velho, deve lembrar da belíssima versão que Frank Sinatra fez em My Way” (1969). Os estranhos do folk/punk Andrew Jackson Jihad também tem uma versão digna. Já os hard rockers do Bon Jovi vira e mexe em shows costumam tocá-la.

Para fechar a trilha com dignidade, calmaria e classe temos Allen Toussaint, um mestre da soul music/R&B/funk/blues/jazz da cidade da música, New Orleans. “Cast Your Fate To The Wind” (1962) do astro do jazz Vince Guaraldi e seu Trio. Através dela mostram o poder da música em expressar sentimentos através de suas notas. 

wolf

A trilha merece ser ouvida e reouvida com certa periodicidade para que assim seja possível extrair seu melhor. Ela é difícil para pessoas que não estão acostumadas com o encanto do jazz, do blues e da soul music, porém ela é urgente. Não deixe de também usar esse texto como abertura para se aventurar pelo jazz. Em São Paulo, por exemplo, temos O JazzB (Vila Buarque) e o Bourbon Street (Moema), onde podemos desfrutar do estilo. No sábado (18), no Dia da Música, o Parque Villa Lobos receberá a segunda edição do festival BB Seguridade de Blues e Jazz, mais uma dica para quem quer aproveitar a cultura da cidade com entrada 0800. E agora o que nos resta é saber qual vai ser a próxima epopeia musical de Martin Scorcese

Precisamos falar sobre a Augusta: especulação imobiliária e vida noturna batem de frente em SP

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Imagem: Folha de S. Paulo

Quando se fala em Rua Augusta, provavelmente você lembrará de coisas como prostíbulos, bares, casas de shows e baladas. Pois bem: nos últimos tempos, o velho Baixo Augusta começou a contar com mais prédios em construção e o fechamento da muitos “inferninhos” que ali estavam. A especulação imobiliária e os novos moradores trouxeram também uma nova presença: o Psiu. Vira e mexe a PM e fiscais vão às baladas e bares para medir o barulho que está sendo feito e até interditar o local, se for o caso, graças à reclamações do pessoal que se mudou pra lá.

Neste final de semana, não só o Psiu passou pela Augusta como saiu multando e fechando diversas casas na Augusta e arredores, tendo inclusive fechado o Espaço Parlapatões, um dos grandes centros culturais de São Paulo, localizado na Praça Roosevelt. Foi também o caso da Blitz Haus, por exemplo, que ficou duas semanas fechada após uma visita dos fiscais.

“Parte das reclamações não é dos moradores, e sim das construtoras que estão com o prédio quase pronto e ainda não tem 80% dos apês vendidos, pois a galera sabe que o prédio está ao lado de uma balada”, diz Raphinha Lucchesi, produtor e DJ. “A reclamação do Blitz é um exemplo, ele tá cercado por um bar e uma obra, meio difícil o som atrapalhar alguém. O Lab que tem de fato um prédio como vizinho tenta de todas as formas se entender com os moradores, tarefa relativamente mais fácil pois são moradores antigos da rua, prédio antigo. Existem reclamações mas raramente o psiu é envolvido. A verdade é que no final de semana o barulho das casas é o de menos, a rua tem um movimento tão grande que boa parte do barulho está na rua mesmo”, diz Pedro Henrique Fernandes, do Lab Club. “Sempre achei que isso causaria desconforto. Obviamente os imóveis são vendidos como sendo o local de descanso ideal, vendem a região como um bairro familiar e é algo que ela não é. Infelizmente quem compra um imóvel na Augusta esperando sossego tem muito do que se arrepender. As casas vão sobreviver a esta idade das trevas, mas não será fácil”, diz Hernani Silva, repórter e redator.

Imagem: André Pomba
Imagem: André Pomba

A chegada de diversos prédios à região (muitos com kitnets onde mal cabe uma cama sendo vendidos como algo “cool”) trouxe também as visitas mais frequentes do Psiu. A Augusta, aos poucos, está sendo transformada de centro cultural e ícone da noite paulistana em um bairro residencial e “pacato” (ou pelo menos é o que os corretores vendem). “Tentam acabar com a boemia para priorizar o residencial.  Uma balada no meu bairro teria reclamações mesmo se a acústica dela fosse totalmente foda. A galera ia se incomodar por causa dos bêbados na rua, das filas, entre outros motivos. Isso tá acontecendo na Augusta. Não faz muito sentido isso acontecer lá. Gourmetizaram a Augusta. O estilo dos prédios novos que tem lá, leva pessoas que não frequentavam a Augusta, a galera que vai morar lá não vai frequentar as baladas. Os antigos prédios, redutos dos artistas/pessoas da Augusta, estão com alugueis caros, uma parada que dificulta a vida de pessoas “fora do padrão” e faz com que eles saiam da região. Eu acho que a Augusta não deveria ser local para residências e acho bizarro os caras que se mudaram para lá reclamarem, não foi uma balada que foi construída do lado do seu prédio, foi seu prédio construído do lado da balada! Não é como se abríssemos um centro de diversões na Bela Cintra, perto de todos aqueles prédios”, diz Marcos Paiola, produtor e DJ.

Segundo Debbie Hell, DJ e jornalista, “a Augusta já não era a mesma desde a época em que começaram a fechar os lugares para demolição (até mesmo em termos de público, proposta). Testemunhar os prédios serem erguidos era ver o ‘accident waiting to happen’. Tem que ser muito burro se mudar pra lá e depois chiar da ferveção da noite. E mesmo assim, a gente já previa isso”, explica. “Apesar de acreditar em ciclos, acho difícil (triste, pra ser sincera) decretar o fim da Augusta, ainda mais por um motivo escroto. Mas se as casas começarem a serem fechadas massivamente, provavelmente acredito que surja um novo núcleo de casas com o mesmo burburinho organicamente. Outra tendência talvez é que os rolês sejam mais cedo (já que os sábados e domingos também são cheios) com casas abrigando DJs e bandas em novos formatos. Mas uma nova Augusta, aquela que a gente está acostumado a descer a pé tarde da noite com os amigos, fazer tantos outros em situações absurdas, e virar a noite com a rua tomada de gente, infelizmente, acredito ser irreconstruível”

Assim como Debbie, alguns não acreditam na sobrevida da Augusta como um dia já foi e pensam que a solução é debandar da velha rua boêmia e tentar instaurar um epicentro de festas e música em outro local. “Há uns anos, algumas casas da Barra Funda acreditavam e trabalhavam na construção de uma “nova Augusta”, acreditando que isso aconteceria em quatro, cinco anos. Não vingou. Talvez uma das soluções seja voltar pro centro velho, investir em um lugar abandonado, ou até algumas bocadas mesmo (essas Ruas Timbiras da vida) e reconstruir. A Augusta que conhecemos está próxima do fim”, lamenta Raul Ramone, DJ, produtor de eventos e blogueiro.

Imagem> Catraca Livre
Imagem> Catraca Livre

André Pomba, produtor, DJ e coordenador de núcleo no Partido Verde, está pensando em como resolver o impasse que se instaurou. “Eu tenho participado de reuniões da lei de zoneamento, plano diretor, associação de moradores, tenho feito denúncias de fiscais na corregedoria e emparedando a sub-prefeitura de Sé em relação ao que tem sido feito na Rua Augusta e no parque Augusta. A administração atual do Haddad começou bem, mas agora entrou no jogo da máfia dos fiscais e construtoras. Todo mês tem blitz, todo mês tem fechamentos arbitrários. A salvação da Rua Augusta passa por mudarmos a lei de zoneamento, impedindo a construção de novos prédios residenciais, como já é no Alto Augusta (Jardins). A lei já chega na Câmara e vamos atuar com os vereadores para alterá-la. Só que sem pressão não vai. Daí conto com o apoio de todos nessa campanha. PS. O Psiu é uma lei necessária, mas cheia de erros, subjetiva, arbitrária e precisa adaptá-la a realidade sem depender da participação de fiscais que medem o som, sem participação das partes (ou seja colocam o que quiserem)”.

Já os moradores da região se dividem. Paula Boracini, jornalista, diz não se incomodar. “Decidi morar na região justamente por causa do movimento. Me sinto segura para andar na rua de madrugada e por causa de todas as facilidades da região, não sinto falta de carro. E nem preciso de táxi após beber no bar ou balada… Só descer a pé mesmo. Logo que mudei, o barulho incomodava um pouquinho sim, não posso negar. Mas depois de uns três meses, passei a não perceber mais. Acho que quem escolhe morar na região já deveria estar ciente do barulho, né? Não se compra ou alugar um apto esperando que a região mude…” Já Júlia Abrão, vocalista da banda Bloodbuzz e ex-moradora, diz que não são bares e baladas que incomodam. “Como ex-moradora da Augusta digo que: o que mais me fodia a vida e me fazia chorar ao tentar dormir era o barulho da obra do conjunto de prédios que estava subindo ao lado do meu. Reclamei no Psiu diversas vezes e um dia me falaram que eles preferiam pagar multa do que atrasar obra. Eu adoraria continuar morando por lá, o que me fez ir embora foi o preço que subiu muito, e o barulho das obras. O barulho da rua pra mim era o de menos, é como muita gente disse aqui: quem vai morar lá tem que ir esperando isso. É como morar de frente para um viaduto e não querer barulho de carro. As baladas e barzinhos eram a minha certeza de poder chegar em casa a hora que fosse e andar a pé tranquila. Uma pena que isso está morrendo”.

Há quem concorde com o Psiu. É o caso do publicitário André Pontual, morador da Praça Roosevelt. “Falamos do Psiu como se isso fosse ruim, como se as pessoas não tivessem o direito pelo que está determinado em lei, e depois zombamos de nossos políticos que, tal qual os donos dos supracitados barzinhos, “flexibilizam” a lei em prol da comodidade. Acho que antes de entrar no ‘hype’ de falar mal da nova ‘ocupação’ da Augusta, precisamos entender o que é direito e o que é dever. Sou morador da Roosevelt há pelo menos 5 anos e acompanhei desde a velha praça, à reforma (situação na qual fui assaltado mais de uma vez devido à baixíssima iluminação, cuidado e/ou presença de policiamento) até a nova Roosevelt. Vi o publico mudar de travestis, homossexuais e prostitutas (com alguns alternativos, músicos, atores famosos e etc) e ambiente praticamente seguro apesar de ser um bairro “sombrio” para um bairro “claro”, com bares e café aos redor, publico hypado, barulhento, que não respeita moradores, transeuntes ou qualquer lei além de assaltos e outros problema gerais com a lei. Convivo diariamente com a Roosevelt e sei bem pelo que ela passou, mais do que isso, sei bem o que os moradores tem passado, com cantorias até alta madrugada nas terças e quartas até os domingos e uma total falta de respeito com o patrimônio privado, com gente se aglomerando nas portas dos prédios, aproveitando as entradas (aonde ficam as portas dos prédios) para se esconder de policiais e seguranças , seja cheirando pó, baforando lança ou fumando maconha trazendo o cheiro para dentro das portarias, escadas e a alguns andares mais baixos (nos quais, normalmente, pela idade dos imóveis, moram senhores e senhoras de idade), quebrando luz, vaso de planta, incomodando porteiros, impedindo a passagem de moradores e eliminando completamente a nossa sensação de segurança aos finais de semana”, reclama.

“Quando se fala em Psiu acredita-se, de forma errada, que ele é chamado pelo barulho. Mas te digo que não é só por isso. A lei determina que a partir das 22h os barulho deve ser reduzido, é lei. Cabe aos bares, restaurantes, baladas e etc a se adaptarem e isso custa dinheiro. Quando defendemos o bar X ou Y porque o psiu foi la multá-lo, estamos protegendo o fato do dono do bar ter flexibilizado a lei, de ele estar contando com a impunidade ao invés de se adaptar ao que a Lei determinada há anos. Mas, ao defendê-los, esquecemos que o bar deles estar “fazendo barulho” não é o único problema. Enquanto ele está lá, fazendo “barulho” e desrespeitando a lei, existe uma aglomeração de pessoas na região que faz tudo que comentei acima e esta aglomeração (que não cabe nem tem interesse em estar dentro dos bares da região) atrapalha a vida de todos os moradores, inclusive a minha. E uma coisa é minha por direito e não aceito que me tirem: o respeito. Concordo que esta aglomeração passa a sensação de segurança, mas afirmo, com conhecimento de causa, que o bairro não está mais seguro, pelo contrário, os furtos e roubos estão tão comuns que já não desço mais com celular e quando vou ao mercado levo o dinheiro contado ou apenas um cartão. Já fizemos diversas reuniões com os donos dos bares (existe uma associação). O que acontece hoje é que o Psiu comparece e fiscaliza, o que há 3 ou 4 anos seria uma ilusão imaginar que aconteceria. Eles sempre foram chamados (os porteiros são instruídos a tal), mas agora eles estão mais rígidos”, completa.