Um ode ao rock triste em tempos de pós-psicodelia

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Fotografia de @ciaospiriti

Vivemos na geração da pós-psicodelia, com muitas cores, brilhos, canções felizes e lisérgicas. Falamos muito sobre uma liberdade em tons de Woodstock, onde questões sociais são abordadas superficialmente para não estragar a boa onda, os conflitos internos se resolvem momentaneamente com um drink bacana e todos os problemas aparentemente se resolvem com um discurso alto astral. Encarar a própria humanidade fica cada vez mais impossível.

Em meio à composições que falam de uma realidade quase distópica e carregadas de uma positividade inalcançável, ainda existe quem canta tudo que ninguém quer ouvir, existe quem fala dos desconfortos e conflitos insuportáveis da existência. Essa ascendência de bandas com temática crua e realista, em paralelo à onda tropical e colorida, mostra que falar sobre tristeza é um ato de resistência, um grito de quem não aguenta mais uma realidade florida que não pertence.

Estamos sufocados na obrigatoriedade de sermos felizes o tempo todo, cercados de feeds simétricos com pessoas festivas em fotos descoladas, os eventos têm cada vez mais glitter e nem sempre isso representa nosso estado de espírito. Nos sentimos desconfortáveis ao falar sobre nossas angústias por medo de ser taxados de “onda negra” ou “pessoa tóxica”. No meio dessa demanda por perfeição, sentir tristeza, dor, ou qualquer tipo de sentimento negativo soa completamente errado, mas a realidade é que todos sentimos as piores angústias e, encará-las frente é a melhor forma de enfrentá-las, encarar com música, é parte de uma cura.

Na geração em que vivemos, existe tanta alusão à uma positividade utópica na música, que as vezes tenho dúvidas sobre o quanto as pessoas estão dispostas a escrever com profundidade, a encarar suas dificuldades de forma realista e se curar através do auto-conhecimento. Parece que todo mundo quer se anestesiar de maneira psicodélica em uma ilusão de realidade que não faz parte. Mas isso não é um problema, fugir do mundo real é necessário para sobreviver, mas em que ponto essa fuga virou uma constante?

Quando eu estava saindo da adolescência, conheci Violins. Estava me reconhecendo ideologicamente, com uma depressão que mal entendia e conflituosa com todas as minhas crenças pessoais, escutei o álbum Redenção dos Corpos” e chorei bastante, aquilo traduzia tudo que eu sentia e não conseguia expressar, todo meu sufoco ficou mais poético e menos insuportável. Eu lia as letras da banda por horas como se fosse um livro, isso me ajudou a entender que eu não era anormal, que se aqueles caras conseguiram transformar aqueles conflitos em algo tão bonito, eu também poderia.

Violins, em 2005

Para quem teve o punk como escola, falar de ódio, tristeza e decadência social não é novidade. O punk ensina como peneirar todo o “caos mental geral”, transformar a “rebeldia contida” em luta e fazer uma “canção para esquecer”.

Bandas gringas com ar de tristeza sempre foram mais populares, a MTV trouxe o shoegaze à tona no Brasil e o grunge explodiu nos anos 90, mas nem todo mundo tem o privilégio ser ser bilíngue. Nos anos 2000, o idioma morto, ou o bom português do Ludovic, trouxe composições mergulhadas em conflitos e melancolia, somado à essência do punk. Cada música do Ludovic é um expurgo. As letras de Jair Naves falam de uma forma tão crua sobre sentimentos e decadências que, nos ouvidos de quem não está acostumado a encarar as próprias fragilidades, pode soar incômodo. As performances ao vivo da banda são um momento de alívio para quem se sente deslocado em meio às demandas sociais de perfeição, muitos desses deslocados são os que, hoje, deram continuidade à toda essa chama depois de quase uma década da última ascensão do rock triste no Brasil.

Ludovic, em 2005

Bandas como Gorduratrans, Lupe de Lupe, El Toro Fuerte, Enema Noise e Raça trazem novamente essa temática na contramão da onda “good vibes” que assola a cena musical. Selos e coletivos como Geração Perdida e Bichano Records ajudaram a dar espaço e visibilidade para esses artistas que ainda são controversos para muitos.
Talvez, todo esse renascimento de bandas e músicos aparentemente “tristes” no Brasil, reflete que o superficial não fala mais por nós, que estamos cansados de esconder nosso lado mais obscuro por medo das reações sociais, que a trivialidade musical já não preenche. Não é porque somos o país do carnaval que precisamos estar sempre em festa e conformismo. Mergulhar a fundo e sem medo em composições que falam do ser humano com genuinidade, sem máscaras e sem glamour, pode significar uma nova etapa para a música brasileira.
Aos poucos, estamos aprendendo a lidar com nossos demônios de forma poética. Assumir as próprias fraquezas é resistir.

Fiz uma playlist para o Spotify do Crush Em Hi-Fi para embalar a melhor bad vibe possível, só com bandas nacionais do tal “rock triste”. Segue a playlist e o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify, pegue a sua bebida, cigarros, cartelas de remédios ou água com gás e dá o play.

Porque todo mundo vai correndo ouvir a obra de um artista que acaba de morrer?

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“Ah, agora todo mundo vai baixar toda a discografia!”

Você já deve ter ouvido uma bobagem dessas logo depois que algum músico morre. Os “sommeliers de luto” adoram ficar no pé de quem fica triste pela perda de um artista querido, e proclamam “ah, agora todo mundo vai virar fã”. Esses dias me peguei ouvindo Linkin Park com uma frequência que eu não ouvia desde 2004, mais ou menos, e notei que com certeza isso tinha relação com o triste suicídio de Chester Bennington. Foi aí que reparei que, sem perceber, aparentemente sempre faço isso. Ouvi Soundgarden e Audioslave em maio com a morte de Chris Cornell. Coloquei “Dois Na Bossa” no repeat quando Jair Rodrigues se foi. Voltei à adolescência e ouvi Charlie Brown Jr. com gosto quando Chorão e Champignon morreram. Mas porque será que a morte de um artista faz com que a gente às vezes sem querer vá revisitar a obra dele?

“Quando alguém morre tem uma força de mídia grande, isso ajuda bastante”, explica o psicoterapeuta da Claritas Clínica Pedro Del Picchia. “Fora que em casos assim tem uma memoria, uma saudade que bate e as pessoas querem lembrar. E quem não conhecia quer também fazer parte da onda do que tá acontecendo”.

Mas será isso algo meio inconsciente? Segundo o psicólogo, provavelmente não. “Acho que vamos atrás da obra do artista porque ele morreu, mas agora as coisas ganham um novo significado também. Mais final, mais definitivo”, conta. “‘I’ve become so numb’, por exemplo, fica mais forte ainda quando você pensa que ele tinha sim depressão e isso era um aviso. Não que com todos que morrem seja assim, pois nem todos são depressivos”.

Além disso, ouvir a obra (que agora estaria “completa”) de um artista que nos deixou é uma forma de “velório musical”, ou “luto auditivo”.

“Isso pode ter mais de um motivo”, diz o filósofo Matheus Queirozo, “Vejo por enquanto dois: sabe aquele ditado popular, ‘as pessoas são dão valor quando perdem?’Essa é uma verdade popular incontestável. Às vezes a gente tem amigos que a vida e tempo distanciaram, por conta dos afazeres e responsabilidades da vida mesmo, a gente mantém uma vez ou outra contato, pergunta como vai… Mas se tornou uma pessoa distante, um amigo que fez parte da nossa adolescência, que teve experiências boas com a gente, a cada dia que passa a gente mantém menos contato com ele. Certo dia esse cara falece, tu sabe disso, e ele se torna o teu melhor amigo. Só descobre depois que ele morreu”, conta. “O caso do Chorão, por exemplo: uma galera não ouvia tanto Charlie Brown quanto na adolescência, mas quando ele faleceu, por um mês só se ouvia Charlie Brown”.

Sérgio Buarque de Hollanda, o pai do Chico Buarque, tem um conceito interessante”, conta Queirozo. “Naquele livro dele, Raízes do Brasil, ele diz que o homem é cordial, diz que quando o português chegou nas terras tropicais, os índios receberam eles com a maior cordialidade. Isso me faz pensar num segundo motivo: a gente se compadece com a morte alheia, com a morte de astros que nem sabiam que a gente existe”. Aí o que acontece é que vamos atrás das músicas dos artistas falecidos para prestarmos uma homenagem, celebrar a vida dos que já se foram. “Um tributo breve, de criar até playlist e ficar uma semana ouvindo as músicas dele. Depois passa”, conclui.

“O terceiro motivo é aquela coisa de querer fazer parte da tribo, da massa, da galera”, diz. “Por exemplo, Michael Jackson. Quando ele faleceu, veio nego do inferno dizer que gostava e tal. Mas isso é uma necessidade que as pessoas têm de fazer parte de grupos, tribos. As pessoas têm uma necessidade de afirmar uma identidade, de pertencer a algo. Quando Michael Jackson faleceu, uma galera vendeu discos, uma galera comprou DVD, porque era o que todo mundo fazia e quem não fizesse a mesma coisa, seria o excluído do rolêzinho. Ninguém quer ser excluído do grupo”, conclui.

Concorda com alguma dessas teorias? Façam sentido para você ou não, todas são válidas. E como o Pato Fu já dizia na abertura de seu disco “Televisão de Cachorro”, a “necrofilia da arte” continuará existindo sempre que, infelizmente, algum artista nos deixar. A obra permanece viva eternamente e ela será visitada com muito gosto (e luto).

A necrofilia da arte
Tem adeptos em toda parte
A necrofilia da arte
Traz barato artigos de morte

Se o Lennon morreu, eu amo ele
Se o Marley se foi, eu me flagelo
Elvis não morreu, mas não vivo sem ele
Kurt Cobain se foi, e eu o venero

Francisco El Hombre e Cuatro Pesos de Propina se juntam para turnê pela América do Sul

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Francisco El Hombre - Foto: Rodrigo Gianesi

Quem conseguiu comprar ingressos para ver o show da Francisco el Hombre junto com a Cuatro Pesos de Propina nesta sexta-feira (21), no Sesc Belenzinho, vai ver uma big band com dezesseis músicos no palco, numa junção de ritmos latinos e punk rock. Esse encontro entre brasileiros e uruguaios será o primeiro da turnê “Rompe Frontera”, que vai passar por 18 cidades e três países em apenas 30 dias.

As bandas se conheceram de forma inusitada. Na época a Francisco El Hombre ainda era uma banda de estradeiros que faziam apresentações nas ruas da América Latina. Certo dia, em uma cidade do litoral uruguaio, a apresentação dos brasileiros teve que ser interrompida por uma razão não convencional. “Tivemos que parar de tocar por conta de um barulhão que vinha de uma quadra de futebol próxima dali. Corremos para lá e vimos um palco enorme, com cinco mil pessoas cantando e foi ali o nosso primeiro contato com eles”, conta Mateo Piracés- Ugarte, violonista da FEH.

Depois desse encontro inicial as duas bandas estreitaram relações e fizeram alguns trabalhos juntos. Sempre uma convidando a outra para tocar em seu país. Foi assim quando a Cuatro Pesos de Propina veio tocar em Porto Alegre e a FEH em Montevidéu. “Nossos públicos se casam. Nesses shows sempre rola uma energia incrível”, comenta Mateo.


(Cuatro Pesos de Propina – Foto: Yenifer Piaza)

Inicialmente, a impressão é que musicalmente as bandas não tenham muito a ver. A Francisco El Hombre faz um som mais gipsy-folk, enquanto os uruguaios têm uma pegada mais de ska e punk rock. Mas segunda Mateo, há similaridade nos discursos que ambas as bandas fazem. “Todos nós da Francisco somos da escola do hardcore e nossa proposta tem muito de transmissão de mensagem através da música e se você ouve o CPP percebe logo isso também em suas letras”.

Unir quase duas dezenas de pessoas em cima de um palco não é tarefa fácil. Os dois grupos há um tempo vêm se inteirando do repertório do outro, mas para o violonista da Francisco El Hombre a sintonia e a parte orgânica vem falando mais forte nos ensaios. “Está rolando tudo com o coração e com paciência. Trabalhar com banda é aprender a construir coisas juntos. As duas bandas se admiram e confiam muito uma na outra e isso está fazendo brotar coisas incríveis”.

Como registro dessa parceria a Francisco El Hombre e Cuatro Pesos de Propina lançaram esta semana um EP com o mesmo nome da turnê onde uma banda escolheu uma música da outra para fazer um cover. O resultado você confere nos vídeos abaixo.

Exclusivo: Meu Nome Não é Portugas lança single “Sob Custódia da Distância”

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Meu Nome Não É Portugas
foto: Kalaf Lopes

Rubens Adati é um dos nomes mais ativos desta nossa nova geração de músicos independentes, ele surgiu no cenário com sua banda de morph rock, a Vladvostock, e em pouco tempo foi tocar ao lado de nomes importantes do independente/alternativo, dentre eles Ale Sater e Giovani Cidreira. Além disso, desempenha um trabalho muito interessante no Inhamestúdio, por lá ele despontou o projeto “Inhame Sessions” e já gravou com Felipe Neiva, Papisa, Ventre e muitos outros.

Meu Nome Não é Portugas é o nome de seu projeto solo, o primeiro lançamento deste trabalho saiu (timidamente) em fevereiro. “e n d o p a s s o s” (Banana Records) é um registro completamente DIY, o músico toma a frente da produção, mixagem e masterização, de quebra ainda toca todos os instrumentos.

Passados cinco meses, Meu Nome Não é Portugas retorna para anunciar o lançamento de seu primeiro disco cheio, “Sob Custódia da Distância”. Como gostinho do que está por vir, Rubens Adati apresenta uma canção inédita, a faixa, que da nome ao disco, ganhou um videoclipe cheio de texturas, elas conversam com a densidade sonora dessa canção instrumental e dão o tom do trabalho que está por vir.

Assista ao videoclipe de “Sob Custódia da Distância”:

Meu Nome Não é Portugas ganhou também uma formação para apresentações ao vivo. Acompanhado de Max Huzsar (Dr. Carneiro), Zelino Lanfranchi (ex-Parati e Cabana Café), e Rafael Carozzi (Kid Foguete, Readymades). Rubens promete um show repleto de nuances, dinâmicas e profundidade.

A primeira apresentação acontece hoje no Breve, ao lado da banda carioca Morena Morena.

Serviço:
Data: Sexta-feira (21/07);
Local: Breve, Rua Clélia 470, Pompéia;
Entrada: 15 reais;
Horário: 19h.
Evento: https://www.facebook.com/events/806565622857865/

O Crush em Hi-Fi agora também está no Youtube!

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Hoje em dia, estar no Youtube é quase questão de sobrevivência para quem cria conteúdo, não é verdade? Afinal, poucos têm paciência de ler um texto, artigo ou mesmo um parágrafo, e a TV anda tão ruim que até as piores fases da Mtv Brasil nos dão uma saudade danada.

Pois bem, então o Crush em Hi-Fi agora também está no Youtube, com conteúdo exclusivo falando daquilo que sempre falamos: Música! Inscreva-se, curta, compartilhe, comente, sugira novos vídeos… Estamos esperando por vocês!

Confira a estreia do canal, com o Listorama:

Tributo ao Pato Fu “O Mundo Ainda Não Está Pronto” traz 30 versões de bandas independentes

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Em 2017 a banda mineira Pato Fu completa 25 anos trazendo na bagagem 10 discos de estúdio, 2 discos ao vivo, 5 DVDS e 34 singles. Pensando nisso, João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi) e Rafael Chioccarello (Hits Perdidos) decidiram criar seu segundo tributo em parceria, “O Mundo Ainda Não Está Pronto”, homenageando a criativa e divertida banda mineira. Nada como seguir o exemplo dos Patos e criar versões desconstruídas e inovadoras, assim como fizeram em repaginações de hits como “Eu Sei” do Legião Urbana, “Qualquer Bobagem” dos Mutantes e “Eu”, da Graforréia Xilarmônica. O disco duplo pode ser ouvido no www.omundoaindanaoestapronto.com.br

Em 1992, Fernanda Takai (vocal e guitarra) frequentava uma loja de instrumentos musicais e lá fez amizade com dois funcionários, John Ulhoa (vocal e guitarras) e Ricardo Koctus (vocal e baixo). Surgia o Pato Fu, trio que abusava do experimentalismo pop com influências que iam da psicodelia ao punk rock, passando pela new wave, bossa nova e rock and roll. “Fazemos muitos sons diferentes, mas, no fim, podemos dizer que somos uma banda do universo pop, que vai de Beatles a Sepultura. Tudo isso vale”, explicou John Ulhoa. Desde então, a banda só cresceu, lançando os discos “Rotomusic de Liquidificapum” (1993), “Gol de Quem?” (1995), “Tem Mas Acabou” (1996), “Televisão de Cachorro” (1998), “Isopor” (1999), “Ruído Rosa” (2001), “Toda Cura Para Todo Mal” (2005), “Daqui Pro Futuro” (2007), “Música de Brinquedo” (2010) e “Não Pare Pra Pensar” (2014) e colecionando hits como “Sobre O Tempo”, “Perdendo Dentes”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Pinga” e muitas outras. Hoje, a banda conta também em sua formação com Glauco Mendes na bateria e Richards Neves nos teclados.

A coletânea reúne diversos artistas do cenário independente nacional dando seu toque em versões para as canções do Pato Fu, as recriando em passeios por estilos como rock, tecnobrega, forró, rap, MPB, folk, stoner rock, psicodelia, experimentalismo…

Participam do tributo Antiprisma (São Paulo/SP), Berg Menezes (Recife/PE), Capotes Pretos na Terra Marfim (Fortaleza/CE), Der Baum (Santo André/SP) , Djamblê (Limeira/SP), Eden (Salvador/BA), Dum Brothers (São Paulo/SP), Estranhos Românticos (Rio de Janeiro/RJ), FELAPPI e Marcelo Callado (Rio de Janeiro/RJ), Floreosso (São Paulo/SP), Gabriel Coelho e Renan Devoll (São Bernardo do Campo/SP), Gilber T e os Latinos Dançantes (Rio de Janeiro/RJ), Horror Deluxe (Pouso Alegre/MG), João Perreka e os Alambiques (Guarulhos/SP), Lucas Adon (São Paulo/SP), Lerina (Santo André/SP), Mel Azul (São Paulo/SP), Molodoys (São Paulo/SP), Paula Cavalciuk (Sorocaba/SP), Pedroluts (São Paulo/SP), Serapicos (São Paulo/SP), Silvia Sant’anna (São Paulo/SP), Subcelebs (Fortaleza/CE), The Cabin Fever Club (São Paulo/SP), The Outs (Rio de Janeiro/RJ), Theuzitz (Jandira/SP), TucA e Thaís Sanchez (Campina Grande/PB), Valciãn Calixto (Teresina/PI), Venus Café (Volta Redonda/RJ) e Yannick com Camila Brumatti (São Paulo/SP).

A arte da capa, inspirada nos robôs gigantes do clipe de “Made In Japan”, foi feita pelo designer Pedro Gesualdi, que também é músico e atualmente toca nas bandas DERCY, Japanese Bondage e Danger City.

Boogarins faz mistério sobre a língua de seu próximo disco

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Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

Ainda estamos no primeiro semestre de 2017 e a Boogarins já se prepara para a sua segunda turnê internacional deste ano. Não está errado em dizer que hoje eles são a banda independente brasileira com maior notabilidade no mercado internacional. Além de terem contrato com a gravadora norte-americana Other Music, os goianos já tem no currículo participação em grandes festivais como Primavera Sound e Rock in Rio Lisboa.

E internacionalização da banda parece um caminho sem volta. Prova disso é o single “A Pattern Repeated On” lançado na semana passada e que conta com a participação de John Schmersal, do Brainiac, nos vocais. Por ser a primeira vez que lançam uma música autoral em outra língua, cresce a expectativa para saber se o disco que vai suceder o aclamado “Manual” terá composições em inglês.

Em uma conversa minutos antes da banda subir ao palco da 19ª edição do Festival Bananada, o baterista Ynaiã Benthroldo fez mistério sobre como será esse novo disco do Boogarins. Na entrevista ele também fala que os shows dessa nova turnê servirão como teste para as novas músicas e da relação da banda com a cena fora do país.

– O lançamento do single “A Pattern Repeated On” é um sinal que o próximo disco da banda terá canções em inglês?

A gente vem experimentando novas coisas. Se eu responder essa pergunta vou acabar falando tudo de como será o próximo disco. É bom deixar uma curiosidade.

– Como está a carreira internacional da Boogarins?

A melhor coisa é essa relação que a gente faz com outras pessoas, de outros lugares. Já fizemos muitas parceiras aqui no Brasil com outras bandas e estamos fazendo isso também com gente lá de fora e criando essa relação.

  • – Como será essa nova turnê gringa que começa no próximo mês?

Banda meio que nasceu de verdade depois de gravar o primeiro disco e ele ser lançado por uma gravadora dos EUA. A partir daí que tivemos uma agenda de show e uma postura mais profissional. Já passamos dois meses nos EUA esse ano, fazendo alguns festivais e agora estamos voltando para tocar durante o verão e fazer toda Costa Oeste, parte da Leste e pode voltar ao Texas onde a gente adora tocar. Depois vamos direto para Portugal e Espanha onde estamos criando uma relação boa.

  • – O show do Bananada vai ser o mesmo desta turnê?

Não. A gente já toca esse single que lançamos a pouco, mas estamos encerrando esse ciclo do disco “Manual”. A gente já gravou muita coisa e quer experimentar isso no palco agora com outros elementos e um outro set de instrumentos.

Components e a clássica história de rock’n’roll no Festival Bananada 2017

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Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

A história é até bem conhecida. Ter amigos de infância, compartilhar com eles os mesmos gostos e influências de diferentes coisas, e ali pela adolescência despretensiosamente juntar parte da turma e montar uma banda de rock para passar o tempo. Esse roteiro deve ter se repetido em vários lugares do mundo e não seria diferente em Goiânia, onde nasceu a Components.

Os quatro garotos cabeludos fazem um som de gente grande, mesmo que ao olhar para eles tenha-se a sensação que acabaram de sair de uma aula do cursinho pré-vestibular. Com a formação atual tocando desde 2013 a banda tem dois singles lançados e está acertando os últimos detalhes para lançar seu primeiro disco, previsto para sair ainda no segundo semestre deste ano.

Conversamos com eles, no Cafofo Estúdio, pouco depois do show que fizeram na segunda noite do Bananada 2017. Gabriel Santana (Guitarra e Backing Vocals), Hugo Bittencourt (Bateria), Matheus Azevedo (Vocais), Miguel Rojas (Baixo e Backing Vocals). falaram sobre a cena goiana, referências, videoclipes e uma possível turnê junto com o disco de estreia.

Começo

Nos conhecemos desde crianças. As mães do Miguel e do Hugo se conhecem desde antes deles nascerem. São quase vinte anos de convivência. No início tocávamos músicas e inglês e a primeira formação não tinha o Matheus, que entrou na banda para substituir o Miguel quando ele foi fazer intercâmbio. A partir de 2015 passamos a fazer músicas e português porque fazia mais sentido pra gente e para o nosso público e assim passávamos melhor a nossa mensagem.

Referências

Sempre é complicado falar sobre referência, mas se tem uma banda que a gente se identifica e gosta muito é a Violins, aqui de Goiânia. Tanto que o Beto Cupertino faz uma participação no nosso disco. E como esse disco vem sendo feito há, pelo menos, dois anos pegou várias fases nossas em que ouvimos várias coisas diferentes. No ínício ouvíamos muito Foo Figthers, hoje não escutamos tanto. As primeiras músicas que fizemos pro disco são muito mais pesadas do que as que fizemos no final.

Cena Goiana
É uma das mais legal do Brasil. O Bananada é uma prova disso. Estamos tocando pela terceira vez no festival. Mas ainda não é uma cena sustentável, como nenhuma é no Brasil se for comparar com as lá de fora onde existe um mercado para a música alternativa. Mas os várias festivais que existem na cidade mostra que temos uma cena forte.

Tocar fora
Já fizemos dois shows, com o festival Vaca Amarela, no Rio e no Móveis Convida, em Brasília. Mas temos a intenção que quando o disco sair a gente entre num carro e caia na estrada para um turnê rodando cidades entre Minas Gerais e São Paulo.

Clipes
A culpado por fazer nossos clipes é o Hugo. É incrível que com apenas duas músicas lançadas e dois clipes a gente tenha alcançado um público que ultrapassa as fronteiras de Goiás. Tudo isso se deve a internet. Tem gente de locais muito distantes como Guanabi, na Bahia, e São Luis, no Maranhão.

Da internet para os palcos: Chell é a prova que os tempos mudaram e as coisas acontecem primeiro na web

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foto: Gil Luiz Mendes

Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

foto: Gil Luiz Mendes

Sou de uma época que conheceu a internet no meio da adolescência. O contato com a música vinha um pouco antes desse período. Quem queria ter uma banda se virava como dava para aprender a tocar e depois juntava uns camaradas para ensaiar em qualquer garagem ou estúdio improvisado. Não precisa ser nenhum gênio para notar que os tempos mudaram.

Hoje se acessa a internet para depois ouvir música, ou se acessa a internet para ouvir música. E na rede também se aprende música e se aprende sobre música. Ela ainda pode ser usada para fazer música. Enfim, as possibilidades de coisas que se pode fazer juntando música e internet são infinitas e cada uma usa e tira proveito da maneira que mais lhe convir.

No caso da gaúcha residente em Goiânia Chell, a internet a levou à música. Aprendeu a tocara violão vendo cifras em sites e primeira vez que mostrou publicamente uma canção composta por ela foi no canal que mantém junto com a namorada para discutir assuntos do universo LGBT. São quase 100 mil inscritos e com a repercussão dessa audiência, ela viu que tinha espaço para se dedicar à música.

foto: Gil Luiz Mendes

Poucos meses depois de publicar o vídeo com sua música, entrou em estúdio e de lá saiu com cinco faixas que fazem parte do seu primeiro EP, lançado nas plataformas digitais em fevereiro desse ano. Com um pop/folk simples e direto, com letras minimalistas sobre o universo amoroso de alguém recém-chegado aos 20 anos, confessadamente influenciada por Mallu Magalhães, o som de Chell atinge em cheio o seu público da internet.

“Muita gente acha que todas as minhas músicas foram feitas para minha namorada, mas não é bem assim. Tem umas músicas meio triste que fala de alguém que foi abandonada e não tem nada a ver com a nossa história. São apenas coisas que eu imagino”, explica.

Mesmo tendo um público muito fiel na web, Chell ainda está começando nos palcos. O seu segundo show oficial ocorreu na primeira noite dos showcases do Festival Bananda. Mesmo em Goiânia, poucas pessoas conhecem seu trabalho, diferentemente do que acontece nas redes sociais. “Tenho um público bem maior fora de Goiás. Por isso nossa ideia é trabalhar bem esse EP em outras cidades antes de voltarmos para gravarmos o primeiro álbum”.

Um panorama in loco da SIM São Paulo – Semana Internacional da Música 2016

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SIM São Paulo 2016
A entrada da SIM São Paulo 2016
por Lucas Lerina

Rolou na ultima semana em São Paulo a SIM – Semana internacional da Música e eu, Lerina, baixista da Der Baum (e às vezes bacana), fui dar uma conferida no que rolou por lá para o Crush em Hi-Fi e trazer um pouco da minha experiência no olho do furacão!

No primeiro dia de palestras caí direto em uma fila animada com muitos rostos conhecidos e logo depois do credenciamento, parti para o meu primeiro painel, que tratava da “Música na Televisão Brasileira”. A mesa contava com produtores de programas de televisão (Rodrigo LariúPlay Tv; Caio CorsaletteMTV, VH1; Cris Lobo e Mariana AmarisAltas Horas).

SIM - A Música na TV Brasileira
e o povo não parava de entrar e sair.

Nessa mesa notei, logo de cara, uma das coisas que mais me incomodou nos três dias em que eu participei dos paineis: A quantidade de pessoas entrando e saindo o tempo todo. Sei que às vezes é difícil por ser tanta coisa ao mesmo tempo, e muitos jornalistas estavam tentando cobrir o máximo possível, mas era horrível a cara dos palestrantes quando alguém no meio da platéia levantava (daquelas cadeiras pouco barulhentas, diga-se de passagem) pra sair.

Maaaas, tirando isso, Rodrigo Lariú, produtor de conteúdo da Play TV, deu a letra sobre a Lei de Conteúdo Brasileiro (que determina que um determinado numero de conteúdo transmitido na rede fechada seja de produção nacional) dizendo que ela também vale para videoclipes, ou seja, se você tem uma banda e a empresa ou a pessoa que fez o videoclipe pra você regularizar este vídeo pelo certificado da ANCINE, o seu vídeo vira um produto muito mais fácil de ter um espaço a mídia. (Lembrando que para passar em outros programas, este mesmo requisito é necessário para poder receber em cima) #FICAADICA

O próprio Rodrigo elaborou um manual de como regularizar tudo, e deixou claro que quem quiser ter mais informações pode mandar um email pra ele: [email protected]

Em meio a isso, rolaram muitas outras mesas ao mesmo tempo e foi uma das coisas que no sabádo rolou bem melhor, com menos palestras, deixando espaço pra acompanhar melhor até os showcases. Acho que a quantidade de mesas ao mesmo tempo na quinta e na sexta se fez necessária pela agenda dos palestrantes, o que é uma pena.

Mas lá fui eu correndo pra mais um assunto que me interessava,”Minha Música na Novela”. Muitas pessoas perguntaram qual o segredo para se ter uma música na novela, e Marcel Klemm falou muito sobre a canção combinar com a narrativa, maaaas, fica pra você amigo leitor, decidir o que você acha. Eu tenho minhas dúvidas, mas se vocês quiserem tentar a sorte, o cara falou que ouve tudo com uma equipe de pessoas qualificadas e liberou esse email pra quem quiser entrar em contato com material: [email protected] (lembrando que a fila dos CDs entregues na SIM foram pra pilha de janeiro do cara, então pode esperar tranquilo.)

Ufa. Momento para respirar e desanuviar. Circulando pelos estandes conheci um pouco mais sobre os trabalhos da Tratore, Kiwi, CdBaby, Altafonte, Playax, UBC, Hearts Bleed Blue, Ponto4, entre outros. Vou só deixar o registrar para quem tiver interesse em conhecer um pouco mais dessas empresas. E segue o baile: Fingerfingerrr!

Apesar da Sala Adoniran Barbosa estar começando a esquentar ainda com pessoas meio que sem entender o que estava acontecendo, os caras da Fingerfingerrr mandaram ver no set de 20 minutos (infelizmente curto, mas que possibilitou a quantidade grande de bandas no showcase). Os caras estavam elegantérrimos, e não pararam um segundo. A Fernanda e o Ian (Der Baum) e o Jairo (Autoramas) estavam lá e não me deixam mentir. Em seguida, metendo o pé na porta, Deb and the Mentals. Caralho, recuperei as forças e me fui de novo para as mesas.

Show SIM São Paulo
Showcases curtos, mas imperdíveis.

“Prepare-se para conectar-se com a Argentina em 2017”, era o que dizia o titulo da mesa, mas o que eu senti é que os nossos hermanos querem muito mais vir pra cá do que realmente levar alguém. Inclusive o que se mostrou foi a criação do fundo argentino, que ajuda o músico (argentino) a comprar um instrumento, alugar um ônibus e partir para uma “gira”, o que deixou o recado: – “Galera, me convida que eu quero tocar.”. Soube de fontes seguras que o Uruguai é mais rock’n’roll, mas que a Argentina circula bem pelo centro também. Mais uma dica recomendada, é de que quem tiver interesse ou conhecer bandas para fazer esse intercâmbio, o consulado da Argentina no Brasil da todo o apoio, e o Marcus do Departamento de Cultura está a disposição.

Pra encerrar meu dia, parti para o meu território. “A Nova Força do Mercado Musical no RS”. O produtor Marcelo Fruet apresentou um pouco sua empresa, a Fruet Music, junto com som o pessoal da Marquise 51, mostrando que o RS está olhando pra frente nas questões musicas e saindo do mercado fechado que vinha mantendo a longa data. Também apresentaram uma parceria que estão desenvolvendo com o SEBRAE de um modelo de negócios baseado em economia criativa. A representante do SEBRAE disse que este modelo que busca o capital intelectual ainda está em fase de testes, mas que logo se expandirá para as demais regiões.

Fuet Music

Segundo dia de SIM, muitas palestras, muitas coisas para ver, mas logo de cara sou recebido pela galera do Pedro Pastoriz montando tudo pra tocar. “Óbvio que eu vou ver isso!”. Confesso que nunca tinha visto a banda, e tinha escutado só duas músicas, mas juro que tô até agora cantando “Restaurante Lotus”! Pra mim, um clássico instantâneo!

Sai meio desnorteado dessa apresentação, mas, Vamos à luta. Aproveitei o tempo, já que as palestras estavam rolando e fui fazer um “connect” na área de Networking e Business. Fiz o meu merch também, é claro!
Teve um determinado momento em que eu acabei ficando meio confuso, não sabia ao certo que palestra estava acontecendo em qual lugar, deixo a dica de mais telas para visualização do cronograma, já que estamos lá por estas palestras, e então acabei caindo na palestra sobre “Incubadoras e Aceleradoras de Música”.

Daniel Domingues começou explicando sobre o aplicativo lançado no RJ que funciona como um LinkedIn, mas que reúne músicos, garçons e prestadores de serviços de casas noturnas, operador de mesa de som, e com um mapa mostrando produtoras e casas noturnas. Achei genial; Anderson Foca contou um pouco de como foi a experiência de criar uma cena em Natal e hoje ser responsável por um dos maiores festivais da música no Brasil, explicando a força do lúdico que ajuda muito a continuar o festival; Luciano Balem ensinou que trabalha com música das 8h ás 19h, concentrado em editais, criação de projetos, e desenvolvendo linhas de contato com bandas e empresas para desenvolver seus festivais em Caxias do Sul; Fábio Predroza, ex-baixista do Móveis Coloniais de Acaju, trabalha na Circula e contou que esse projeto foi baseado nas reuniões de “Ajuda de Bandas” promovidas em DF quando estavam todos perdidos do que fazer, e notaram que as bandas não tinham o minimo pra poder seguir tralhando como fotos descentes e release; e por ultimo mas não menos importante, Thiago Lobão da empresa Acelerarte, que eu recomendo muito que vocês que têm interesse como banda de conseguir gerar uma renda, a procurar saber mais sobre, senão vou me estender muito.

SIM São Paulo

Depois de muito business, precisei de um pouco de carinho, e fui num encontro de amantes, os amantes do vinil! Queria deixar registrado que eu queria ter visto Yangos, e infelizmente não vi, mas quem tiver interesse manda um Google neles!

Por último nesse dia fui dar uma conferida na comitiva canadense pra saber o que eles tinha a nos dizer. Basicamente disseram: “Se você não tem dinheiro para fazer duas viagens, não vá a primeira vez”; “Se você fizer sucesso em Quebec, não fará no resto do Canadá, se você for tentar o resto do Canadá, não vá para Quebec” e por ultimo e não menos importante “No México eles são muito mais receptivos”.

“EU SOU MARIA BETHÂNIA, VALEU!” – Rodrigo Damati (Maglore) – E assim se foi mais um dia de SIM…

Depois de pirar na noite, sábado voltei já batendo cabelo na mesa de “Liberdade de Gênero na Música”. E cara, foi uma aula. Essas mina sabem o que fazem. Liniker, em certo momento, quando questionada da dificuldade de espaço na música no Brasil, falou “(…) Tem que segurar a onda pra não morrer no começo, música é um negócio muito estratégico”. Raquel Virginia completou: – “Rola muito o medo de me boicotarem, não deixo passar muita coisa, mas isso faz com que eu passe de arrogante e é uma dinâmica difícil…Quanto mais você quer que as coias funcionem do seu jeito, mais difícil fica”. E Jaloo encerrou o assunto dizendo: “Se um dia eu perder a mídia, vou continuar ligando meu computador, gravando minhas musiquinhas e pondo no soundcloud, quem quer que escute, BEIJOS!”.

SIM São Paulo

Sábado consegui lidar bem melhor com as palestras e os showcases, como já tinha comentado, e pude assistir shows do Tagore e do Ventre, que estavam lindos demais! Vou deixar aqui registrado que adoro Tagore!
Acabei encerrando minhas atividades na SIM aprendendo um pouco sobre composição com Frank Jorge e Tatá Aeroplano! Muito tranquilos e calorosos, os dois falavam tranquilamente com uma platéia de poucos sortudos, e ao final desta mesa agradeci muito ao Frank, pois sem ele eu não teria aprendido a tocar contrabaixo (e não estaria aqui e tals). #CHORAMOSABRAÇADOS

Tatá Aeroplano e Frank Jorge <3
Tatá Aeroplano e Frank Jorge <3

Pois bem, o que eu pude acompanhar nesses dias foi uma quantidade muito pequena das diversas classes de músicos representadas. Muito se falou da aproximação do músico independente com as plataformas mais acessíveis, mas pra quem é essa acessibilidade? A abertura desse evento devia ser muito maior, já que em todas as mesas foi debatido a dificuldade do músico de ter uma renda, provavelmente essas mesas seriam de excelente ajuda a muitos músicos que não tem condições de participar de eventos desse valor. Outra coisa que me pegou foi a coisa de achar que um fundo público é necessário para incentivar o artista (debatido na mesa “Minha Carreira no Exterior”) , mas eu, do fundo do meu coração, acredito que a cultura da população tem que mudar, e principalmente a visão em relação ao músico, começar a ser visto como trabalho. “O Brasil sofre da cultura de uma face” como Marcel Klemm citou, e isso ajuda a desestabilizar todo o resto. Outra coisa bastante comentada foi o CD físico em relação ao streaming e eu vou usar as palavras do Fábio Pedroza, que eu acho que foram bem assertivas sobre o assunto: – “(…) A nossa venda digital nunca foi maior do que a venda de discos, e em todos esses anos a gente fez mais dinheiro no fim do show, com discos físicos e camisetas, então streaming é realidade pra quem?”

No mais, espero que essa SIM  tenha sido a primeira de muitas pra mim, pois aprendi muita cosa realmente valiosa lá, e encontrei várias pessoas que eu adoro pelos corredores do CCSP!