“Fluxo” mostra a força orgânica e colaborativa do som instrumental jazzístico de Zé Bigode

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Zé Bigode
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“Fluxo”, novo trabalho da banda Zé Bigode, é uma divertida e orgânica junção de jazz com música brasileira pelas mãos de diversos músicos comandados pelo compositor e instrumentista José Roberto Rocha, guitarrista e mentor do projeto. Além dele, a formação atual da big band conta com Daniel Bento (baixo), Thiago DaGotta (bateria), Victor Hugo (percussão), Rodrigo Maré (percussão), Victor Lemos  (saxofone), Thiago Garcia (trompete), Tiago Torres (trombone), Ingra da Rosa (poesia e spoken word), Pedro Guinu (teclados) e Jayan Vitor (guitarra). Ufa!

O disco foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana ao vivo, para capturar toda a essência da banda, que é o trabalho musical em grupo, utilizando a cooperação entre os membros e seus instrumentos se entrelaçando de forma fluida. “O nome do álbum veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo”, explica José. Conversei com ele sobre o trabalho, a carreira da banda, a cena musical hoje em dia e muito mais:

– Me contem um pouco mais sobre “Fluxo”, que vocês lançaram este ano!

José Roberto: “Fluxo” foi o marco inicial da banda, o primeiro trabalho já com a formação que dura até hoje. O nome dele veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo.

– Como foi a gravação desse trabalho?

José Roberto: Foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana. Pegamos duas sessões de 6 horas e gravamos as músicas. Foi tudo ao vivo, pra captar melhor a energia das musicas ao vivo, no nosso caso música instrumental mais voltada ao jazz e raízes populares. A energia está muito concentrada na troca de se tocar junto e isso influencia muito o som final, então era inviável fazer do jeito que a indústria tem feito nos últimos anos, que é um grava de cada vez depois junta tudo e está pronta a música.

– E como foi a criação das músicas que estão no disco?

Victor: O Zé chegava nos ensaios e nos apresentava a ideia inicial da composição, o esqueleto dela e então nós juntos trabalhávamos nela, no arranjo. Acho que todas elas foram feitas mais ou menos dessa maneira. E além disso tem os improvisos que saíram na hora da gravação mesmo.

– E como estão sendo os shows?

Victor: Tão sendo bem maneiros. O repertório é basicamente as músicas do “Fluxo”, quase todas, e algumas novas!

José Roberto: Os shows tem como base de repertório o disco “Fluxo”, porém tem rolado algumas musicas novas que sairão no formado de single no ano que vem. Ao vivo contamos também com a Ingra da Rosa que faz intervenções poéticas.

– Me contem como a banda começou.

José Roberto: A ideia do projeto veio comigo, no final de 2015 numa viagem a Recife, quando senti que era hora de fazer um trabalho que fosse mais na onda das coisas que eu vinha ouvindo e não tentar entrar em uma outra gig ou coisa do tipo. Assim que cheguei no Rio comecei a trabalhar em algumas músicas e gravei um EP chamado “Zé Bigode”, que foi basicamente feito todo por mim e contou com algumas participações como o Lucas Barata, o Rodrigo Maré e o Victor Caldas. Não sabia como o EP ia ser aceito, então deixei pra montar a banda depois do lançamento, e aí fui chamando os amigos dos quais tinha afinidade e vontade de trabalhar. As coisas foram acontecendo, mais gente foi chegando pra somar, até que a banda se formou.

– E como é a dinâmica em uma banda que tem tantos integrantes?

José Roberto: De uma forma geral é tranquila. Nós temos as coisas bem definidas, como dia e hora de ensaio. A grande maioria é parceira de sair pra beber e essas coisas, e todos tem interesses similares em relação ao que a música representa. De um tempo pra cá tem rolado uma formação reduzida pra alguns eventos que se constitui em um quinteto, mas é só quando o local em que vamos tocar não comporta todos da banda, ou caso role alguma viagem que seja mais na correria e dependa de um esforço financeiro maior dos músicos. O famoso “tirar do bolso” (risos).

– Hoje em dia vemos que existe um crescimento das bandas instrumentais no meio independente. Como esse formato foi redescoberto?

José Roberto: É, não sei se redescoberto é a palavra certa, porque sempre rolou som instrumental, só que agora a galera tem investido mais em outras coisas além da música, numa arte legal, num conceito, em como fazer a musica instrumental ser algo rentável… Muita gente tem na cabeça que música sem voz é apenas pra músico, o que às vezes tem um certo fundo de verdade. Muito músico se preocupa apenas em ser um bom músico tecnicamente e afins, e esquece que a música instrumental é também uma forma de expressão. Dá pra você fazer um som instrumental e estar inserido no contexto, afinal é tudo música. Quem vem com esse papo aí de separar as coisas por etiqueta é o mercado, né…

– Quais as principais influências da banda?

José Roberto: Acredito que não tem uma influência soberana, todos procuram escutar bastante música e coisas novas, então as referências estão sempre mudando. Mas rolam os pontos em comum, que é o lance de cultura popular como Maracatu, o Fela Kuti, Miles Davis, Rumpilezz, Moacir Santos, Lauryn Hill, e essa galera que tem feito o som contemporâneo, Abayomi, Nômade Orquestra, Bixiga 70

– Como vocês veem o mundo da música hoje em dia, especialmente no meio independente?

José Roberto: Tem muita coisa rolando, muita coisa boa, o que é ótimo. Hoje qualquer pessoa pode gravar suas musicas, não precisa de uma gravadora nem nada. Democratizou nesse sentido, mas o que acaba rolando é que o fluxo de novos artistas é tão intenso que muitos passam batido e acabam não sendo “visualizados”. Aí volta um pouco a antiga lógica: quem tem grana pra investir é quem aparece mais, ou quem tem os contatos. Se todo dia tem uma pá de disco novo, como é que tu vai aparecer? Claro que a musica é fundamental nesse processo, o independente é mais sincero nesse sentido, mas ainda vale um pouco daquela lógica quem tem grana sai uns passos na frente de quem não tem.

– Ou seja: mesmo sem as gravadoras, ainda continua do mesmo jeito. Quem tem o bom e velho apoio de alguém grande segue uns degraus acima.

José Roberto: Sim, sem contar os filhos de fulano e beltrano que automaticamente já elevam o status a algo que vale a pena, sendo que muitas vezes a pessoa nem tem um trabalho pronto. É complicado, mas acho que faz parte, né? É nesse sistema que nós vivemos, mas da galera que eu tenho visto aí circulando a grande maioria tem uma boa música e uma boa mensagem pra passar. Então, a balança equilibra, coisa que no mainstream é raro encontrar.

– Quais os próximos passos da banda?

José Roberto: Estamos finalizando as datas de show aqui no Rio, iremos participar de uma coletânea em homenagem ao Guilherme Arantes no inicio de 2018, e irão vir uns 2 singles com clipe um no primeiro semestre e outro no segundo semestre e tocar fora do Rio. Alô Recife, alô Nordeste: chama nóis! (risos)

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

José Roberto: Tem o pessoal do O Quadro da Bahia, IFÁ, da Bahia também, Orquestra Contemporânea de Olinda em Pernambuco… Aqui no Rio tem a Foli Griô Orquestra, Relogio de Dali, Amplexos… Em Sampa tem a Nômade Orquestra, a Xenia França, Luedji Luna, Rincon Sapiência, em BH o pessoal do Zimun… Como eu disse, muita coisa rolando.

https://open.spotify.com/album/1ksBypufTDA6n88DP9ZT3U

Construindo Arnaldo Tifu: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o seu som

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o rapper Arnaldo Tifu, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Pepeu“Nome de Meninas”
Foi um dos primeiros rap que escutei na vida, e pelo fato das rimas serem genuínas é simples incentivou a brincar de fazer rima e estimulou, uma grande referência.

Racionais MCs“Fim de Semana no Parque”
Esse som veio como as vozes das periferias, narrando características fortes do cotidiano. Quando eu escutava essa música e olhava pro bairro, eu via tudo que a música falava: a descrição, a base e a poesia forte, representatividade.

Consciência Humana“Tá na Hora”
Esse rap me ensinou que eu poderia falar do meu bairro, foi uma referência que incentivou fazer rap também, me influenciou a escrever meus primeiros versos.

MC Cidinho e Doca – “Rap da Felicidade”
Esse funk, além da batida miami bass que parece um sampler do Afrika Bambaata da música “Planet Rock”, tem a voz forte que clamava por paz nas favelas. Na época em que foi lançado a linguagem simples e batida dançante contagiou a juventude das favelas do Brasil, e pra nós não poderia ser diferente.

Kool Moe Dee“Go See the Doctor”
Lembro das festinhas de garagem, da casa de máquina do Dudu tocando os flashback e os flash raps que bombavam… O Dudu me deixava limpar os discos em troca de uma ficha e uma Tubaína e ficava me falando como eram os bailes do Clube House e ensinando como eles dançavam em passinhos.

Tim Maia“Ela Partiu”
Música que me ensinou o que era o sampler, por que a primeira vez que ouvi os arranjos desse som foi na música “Homem na Estrada” dos Racionais. Depois que eu escutei Tim Maia entendi como podia se fazer rap através do sample e a importância que o rap tem em resgatar músicas através da arte de samplear.

Raul Seixas“Maluco Beleza”
Meu pai curtia bastante as músicas do Raul, ele tinha várias fitas K7 e sempre colocava essa música em alto e bom som pra gente escutar e cantar, e depois usei as fitinhas tudo pra gravar rap (risos).

Fundo de Quintal“Amor dos Deuses”
Vim do berço do samba e essa música a gente já tocava desde pivetinho nas rodas de samba com meus primos e lideradas pelo meu tio avô, o Tio Cido, que já fazia a gente empunhar um balde, um prato ou uma frigideira pá tocar um samba. Já naquela época a gente ficava encantado com a poesia desse samba.

Facção Central“Artista ou Não?”
Rap de mensagem forte me ensinou desde a primeira vez que eu escutei a identificar o rap como arte.

Rage Against the Machine“Killing In The Name”
Vixi! Essa música marcou meus circuitos de skate, quando tava na febre e ia correr os campeonatinho, já pedia pro DJ tocar essa. Já até me aventurei em cantar numa banda cover do Rage e Beastie Boys (risos).

Planet Hemp“Mantenha o Respeito”
Teve uma época que o hardcore ficou bem forte na minha vida, principalmente com o surgimento de bandas nacionais com a pegada do rap e do rock. O Planet foi muito significante nesta época, foi a época que comecei a ficar mais cabeção no skate e sair mais do bairro pra curtir com outras quebradas e dialogar com diferentes tribos.

Fugees“Killing Me Softly”
A voz feminina do rap/R&B forte e representativa demais, marcou minha vida apaixonado em escutar as música dessa mulher.

Wu Tang Clan“Triumph”
Abriu minha mente pra prestar atenção nos diversos modos de se versar num rap, cada um rimando nessa banca com suas peculiaridades e o boom que foi quando surgiu o Wu Tang, nós curtimos muito.

Criolo“Ainda Há Tempo”
Ainda quando o Criolo era doido, vi um show dele e quando ele cantou essa música ele se emocionou e comoveu o público que estava presente no evento, cerca de umas 70 pessoas. Mas o sentimento e a verdade versados nessa música foi impactante, foi um hino pra minha vida.

Cassiano“Onda”
Música que hipnotiza, mais instrumental e realmente parece que a música é o oceano em movimento, uma das música que me trazem paz.

Herbie Hancock“Chameleon”
Original funk, este groove me inspirou a criar vários versos, levadas e flows, pra mim uma aula. É inspiração e toda vez que escuto fico com vontade de criar.

Arnaldo Tifu“Simplicidade”
Essa música minha é uma obra pela qual eu tenho muito carinho, acho que eu consegui transmitir a simplicidade que vivo no meu cotidiano e que eu almejo para as pessoas do mundo.

Thaíde e DJ Hum“Afro Brasileiro”
Tá aí uma música que me ensinou sobre a minha descendência, orgulho, alto estima e luta.

John Coltrane“Blue Train”
Essa música é sensacional, tipo um teletransporte. Me inspirou a criar alguns personagens, uma nova maneira de explorar a música e introduzir isto no meu universo criativo.

Emicida“Triunfo”
Esse som foi as vozes das ruas da minha geração no rap. Quando Emicida lançou e estourou com este som, me mostrou a possibilidade de fazer a parada acontecer de verdade, pela vitória e pelo triunfo. E como vivíamos todos bem próximos nas rodas de rima de freestyle, esse som foi um hino pra nós. Emicida provou que é possível. E essa música marcou!

“Cowboy Bebop” (1998): um anime futurista e cheio de jazz

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Cowboy Bebop
Cowboy Bebop

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Cowboy Bebop
Lançamento: 1998
Direção: Shinichiro Watanabe
Elenco Principal: Steven Blum, Beau Billingslea e Koichi Yamadera


“Cowboy Bebop” se passa em 2068, um futuro muito loko com portais intergalácticos que permitem viagens em minutos e numa estilera Blade Runner, cheio de jazz e meio blazè gostosão, Spike, um caçador de recompensas, vive junto do amigo/sócio no que parece uma espécie de trailer espacial. Com um cigarro na boca e um cabelo muito style, o personagem anda sempre atormentado pelo seu passado, que vai se revelando de modo meio misterioso a cada encontro que acontece, seja com quem vai ficar pro resto da história, seja com quem aparece só em flashbacks… (Meio clichê, mas da hora pacarai!)

Perfeito pra quem tá a fim de assistir uma coisa de boa e que não exija muito da cabeça, o anime de 98, apesar de se apropriar duma série de elementos e soluções de roteiro bastante mainstream, é com certeza uma delícia, e se não impressiona pela originalidade da estrutura, a trilha deixa qualquer um que assista boquiaberto.

O adjetivo escolhido pra caracterizar o cowboy no título da série é o que leva os fãs do beat Thelonious Monk a clicar no play. Com um jazz bebop fantástico, às vezes intercalado com algum delta blues, a série japonesa ataca com aquele climinha smooth que dá sempre uma ótima sensação.

Devo dizer, contudo, que a minha música favorita da trilha é uma valsinha no melhor estilo valsa-jazz, tipo “Waltz for Debbie” do Bill Evans: “Waltz for Zizi”, música que toca várias vezes ao longo da série, acompanhando as cenas de reflexões nostálgicas e lhes empresta um lindo caráter felizinho good vibes.

Além disso, a música também está presente no título dos episódios, muitas vezes referentes à icônicas faixas do jazz, do blues e do rock, como no episódio “Honky Tonk Women”, que leva o nome do som dos Stones.

Foi feita em 2014 pelo Adult Swim uma série chamada Space Dandy, uma referência/plágio/homenagem ao anime noventista, porém sem a trilha jazz bebop que enfeita a série do Cowboy.

Em cima: Bebop; embaixo: Dandy.

Segue em link o primeiro episódio legendado e a trilha sonora completa.

Ep.1: http://mais.uol.com.br/view/tyccl3p7nhf5/cowboy-bebop-01-04024C99376AE0A14326?types=A&

Trilha completa:

O Século XX animado e musicado na animação “American Pop” (1981)

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American Pop

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

American Pop (American Pop)
Lançamento: 1981
Diretor: Ralph Bakshi
Roteiro: Roni Kern
Elenco Principal: Mews Small, Ron Thompson, Jerry Holand

O bisneto no fundo; o bisavô na frente.

Fugindo do Pogron russo de 1903, uma mãe e seu filho chegam nos EUA sem nada e começam a trabalhar: a mãe com costura e o filho distribuindo panfletos num bar. Ela morre e a criança passa a viver com o homem que o contratara. A partir disso, o órfão começa a frequentar os palcos do bar, sempre na cochia, até que por convívio com o universo dos shows começa a se apresentar. Vai pra primeira guerra, volta vivo, continua a cantar, se envolve com a máfia (seu “tutor” era parte dessa), se casa e tem filhos.

Seus filhos tem filhos e esses também tem. É por esse fio genealógico que corre o filme, contando a história americana do século XX (até a década de 80, quando o filme foi feito), através de hits da música pop de cada época, sempre se encaixando na vida do protagonista da vez (o filme conta com um protagonista para cada uma das quatro gerações), misturando o som com as situações vivenciadas por cada um, que de modo geral representam as vivenciadas pelos jovens da geração representada.

Desde um jazz que antecede (e muito) o be-bob do Thelonious Monk até uma proto new-wave, o filme passa por músicas famosas (afinal, foram hits), de conhecimento mais que popular, como “Sing, Sing Sing”, de Benny Goodman, “Somebody to Love” de Jefferson Airplane, “This Train” de Peter, Paul and Mary, “Take Five” de David Brubeck Quartet, “Turn Me Loose” de Fabian e “Don’t Think Twice” de Bob Dylan, dentre várias outras, sempre compondo junto a ilustração fantástica dos filmes de Ralph Bakshi (que faz uma ponta no filme, como o pianista que diz à mulher do órfão que seu som será um hit), cenas psicodélicas e absurdamente lindas. Contudo, é interessante dizer que nos créditos, a autoria das músicas é dada a personagens ficcionais!

Os filhos e netos, porém, apesar de sua sempre muito forte relação com as notas (de qualquer instrumento que fosse), nunca conseguem alcançar a fama e passam a vida nos bastidores, por motivos diversos, relacionados à guerras, abuso de drogas, máfia e etc. (Vale dizer, os mesmos que os levam ao universo musical). Cabe ao bisneto tentar virar o jogo…

Segue o link para o filme completo (numa versão meio bosta, mas tá aí…):

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Mirella Fonzar, editora do Universo Retrô

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Mirella Fonzar, do Universo Retrô
Mirella Fonzar, do Universo Retrô

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Mirella Fonzar, editora do Universo Retrô! “PS: Todos os sons são retrô, porém atuais”, frisou ela.

Pokey Lafarge“Close The Door”

Gênero: Country Blues e Western Swing

“Conheci Pokey Lafarge por acaso, vendo o line-up de um festival que eu tinha interesse em ir nos Estados Unidos. Então, tive a oportunidade de vê-los ao vivo no Muddy Roots 2014 e confesso que viciei. Adoro essa roupagem de jazz/swing dos anos 20, com letras ácidas super contemporâneas, e uns toques de blues/hillbilly. Atualmente, a banda pertence à gravadora Third Man Records, de Jack White, e anda fazendo bastante sucesso nos EUA, mas ainda não chegou aqui no Brasil. Vale a pena conferir “Close The Door”, uma crítica super interessante sobre o sistema de saúde americano!”

Omar Romero “Have A Ball”

Gênero: Rockabilly

“Há quem chame o Omar Romero de Elvis Presley latino. Não sei se dá pra comparar, pois acredito que os dois, apesar de fazerem rockabilly, têm pegadas bem diferentes. O Omar faz parte atualmente da gravadora Wild Records, especializada em Rockabilly e Rock ‘n Roll 50’s, e como a maioria dos contratados, ele é descendente de mexicanos e vive em Los Angeles. Ele é um dos responsáveis atualmente por ressaltar a presença latina nesse gênero que nasceu com os brancos americanos, porém dando aquela apimentada que eu, particularmente, adoro. É um som mais rápido e diria até mais selvagem que o rockabilly tradicional. Dá vontade de sair dançando!”

Jai Malano“Shuck’n’Jive”

Gênero: Rhythm and Blues

“Conheci a Jai também bem por acaso. Rolou um show dela no The Orleans, aqui em São Paulo, e uns amigos meus me chamaram para ir, pois sabiam que ela faz sucesso entre o pessoal do retrô. Ela é americana, negra e tem aquela voz poderosa que te arrepia a alma e te faz querer sair pulando. Ela canta Rhythm and Blues tradicional dos anos 50 e até hoje eu não consigo entender por que tem tão pouco material disponível pra se ouvir online, tanto no youtube quanto em plataformas de streaming musical. Foi um show inesquecível; ela é uma artista que eu realmente gostaria que tivesse mais visibilidade do que tem hoje. Portanto, mundo, ouça Jai, agora!”

Lance Lipinsky & The Lovers“So Real”

Gênero: 50’s & 60’s inpired

“Sabe aquelas bandas que são amor à primeira vista? Pois foi isso que aconteceu com Lance Lipinsky & the Lovers. Eles me seguiam no Instagram e costumavam curtir minhas postagens, já que compartilhamos o amor pelo retrô. Então, resolvi stalkear a banda. O som deles é tão variado que fica difícil colocar um rótulo de gênero. Esse som, por exemplo, que escolhi abaixo – “So Real” – te transporta pra uma Era em que reinavam Elvis Presley e Roy Orbison com suas “love songs” ricas em detalhes e super trabalhadas; são vários instrumentos clássicos, como arpa e violino, backing vocals femininos maravilhosos, além do piano, voz e toda produção impecável de Lance. Vale ressaltar que ele fez o Jerry Lee Lewis no musical “Million Dollar Quartet””.

Kitty, Daisy and Lewis“I’m Coming Home”

Gênero: Música retrô de modo geral

“Tá aí a verdadeira família Dó-Ré-Mi. Os irmãos britânicos Kitty, Daisy & Lewis, que cantam e tocam instrumentos variados (muito bem, por sinal), montaram uma banda nos anos 2000 com seus pais Graeme Durham (guitarra) e Ingrid Weiss (baixo). Eles são realmente incríveis, principalmente pra quem não curte rotular a música e gosta de experimentações. Eles tocam de blues, folk e rockabilly a funk, swing, ska e soul. Mas, infelizmente, apesar da banda já ter mais de 15 anos, ainda são pouco conhecidos na América do Sul. Quem sabe se a gente divulgar mais eles não venham se apresentar no Brasil? #Sonho!”

Bônus

Nick Curran “Kill My Baby”

Gênero: Rock ‘n Roll e Rhythm and Blues

“Como eu não ser brincar de ser concisa, tive que trazer a cereja do bolo pra finalizar: Nick Curran. Infelizmente ele faleceu em 2012 (super jovem), mas deixou uma obra incrível pra quem curte Rock ‘n Roll. Ao ouvir pela primeira vez, parece que você volta nos tempos áureos de Little Richard e os poderosos vocais de Rhythm and Blues (apesar de ser branco), mas com um som forte e moderno que não deixaria uma pista de dança parada nunca. Se você curte a garageira do Sonics e sons dos anos 40 e 50, com certeza vai amar Nick Curran”.

Zé Bigode trabalha sem parar em seu jazz alternativo com influências de ritmos nordestinos, americanos e até marroquinos

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Zé Bigode

José Roberto Rocha é um quase nômade entre a boemia desvairada da Vila Isabel e do esfumaçado Grajaú. Estes dois locais foram apenas algumas das inspirações para que o músico e compositor idealizasse o projeto Zé Bigode, que conta com repertório de música instrumental que passeia entre diversos estilos, indo do afrobeat ao jazz, passando por ritmos brasileiros como maracatu e baião. “É um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!”, tenta definir.

Em 2016, a banda lançou seu primeiro EP, auto-intitulado, que se desenrolou no primeiro disco da banda, “Fluxo”, lançado este ano. No disco, José Roberto toca guitarra acompanhado por Daniel Bento (baixo), Eric Brandão (bateria), Jayant Victor (guitarra), Victor Lemos (sax alto e tenor), Thiago Garcia (trompete), Rodrigo Maré (timbal, percussão), Bruno Durans (bongas) e Pedro Guinu (Rhodes, piano, clavinete, moog, orgão). O álbum também conta com a participação de Belle Nascimento, Alexandre Berreldi, Eduardo Rezende, Reubem Neto, Ingra da Rosa e Victor Hugo e foi gravado no Estúdio Cia dos Técnicos, no Rio de Janeiro. O prolífico grupo já está trabalhando em novas faixas, que devem sair em breve.

Conversei com o líder do Zé Bigode sobre a banda, a cena instrumental, a dificuldade em definir um gênero para sua música e o disco “Fluxo”:

– Como a banda começou?

Surgiu no final de 2015, eu estava cansado de sempre entrar em projetos e eles não irem pra frente por motivos diversos… Mas sempre esbarrando naquele problema de que não rolava concordância entre as partes e as coisas não andavam. Me cansei disso e resolvi montar um projeto “solo” em que eu fosse a principal cabeça. Aí fui reunindo uns amigos e gravamos um EP, lançado em maio de 2016.

– Me fala mais desse EP. Como ele foi composto e criado?

Algumas idéias eu já tinha pra esse EP, de temas que havia escrito, como de “7 Caminhos”, que deve ser o tema mais antigo que tenho. O conceito desse EP foi mais de apresentar o projeto ao mundo, ter algum material pra poder dialogar com as pessoas, foi algo mais “solitário” e menos coletivo que o Fluxo”. No EP não era uma banda fixa, e sim convidados, rolou até uma galera boa na gravação como o Carlos Malta, Leandro Joaquim, que tocava na Abayomy e o Pedro Selector, que toca com o Bnegão.

  • – Como rolou o disco “Fluxo”?
  • Assim que lancei o EP no ano passado formei a banda e começamos a ensaiar e fazer shows, fui adicionando temas novos ao repertório. No fim de 2016 decidi que era uma boa hora de registrar esses temas e fomos para o Cia Dos Técnicos em Copacabana no RJ. Minha ideia foi de fazer algo mais próximo da experiência ao vivo, então basicamente 80% do disco foi gravado ao vivo. Como este estúdio é grande, rolou de conseguir botar cada musico em uma sala e gravar ao vivo, mas sem vazamento. O nome “Fluxo” vem basicamente desse contexto, de deixar fluir as coisas. Vejo que as gravações atualmente estão cada vez mais frias, e música é feita pra ser tocada em conjunto e ao vivo.

– E porque investir em música instrumental?

A forma que me expresso melhor é com a guitarra, some a isso o fator que canto terrivelmente mal (risos). Mas acho que a música instrumental virou algo elitista ou técnica demais, música pra músico, música gourmet, e isso é coisa do mercado. O mercado inventou isso e acabou ficando… Mas eu discordo: música instrumental é música, pode entrar na cabeça do ouvinte tão facilmente quanto uma canção.

– Nos últimos tempos muitas bandas independentes instrumentais têm aparecido e feito barulho, como o Mescalines, por exemplo. Essa é uma tendência que deve crescer?

Acredito que sim, o publico tem se mostrado afim de curtir música instrumental, vendo que nem sempre música com letra tem algo a dizer e que é possível passar uma mensagem com o instrumental. E essa turma nova tem uma linguagem mais democrática, não repete os clichês nem quer fazer música só pra músico.

Zé Bigode

– Mas porque esse tipo de música não chega ao mainstream, na sua opinião? Porque o instrumental é praticamente ignorado, salvo casos como “Misrlou” do Dick Dale, que estourou graças à Pulp Fiction?

Indústria, musica instrumental já foi mainstream, vide o jazz, o bebop… Mas acredito que um dos motivos é o padrão radiofônico que foi inventado de música de curta duração, 3 minutos e meio em média, e a música instrumental foi cada vez mais ficando complexa e com longa duração… Mas o instrumental sempre esteve aí, Pink Floyd apesar de ter voz tem mais instrumental que canto (risos). “Weather Report”… Claro que não na mesma proporção, mas se garimpar ela esteve presente.

– Esse projeto você considera como solo ou tem membros fixos na banda?

Um pouco dos dois, os membros são fixos mas como tem meu nome e eu que escrevo os temas, acaba tendo mais a minha cara. Mas rola uma democracia, pessoal opina também, e somos bem amigos, quase uma família, numerosa e barulhenta por sinal (risos)!

– Como você definiria o som da banda para quem ainda não conhece?

Vixe… Um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!

– World music?

Isso é que os gringos inventaram, né (risos). Jazz alternativo?

– Quais suas principais influências musicais para esse projeto?

Nação Zumbi, Wayne Shorter, Miles Davis, Daymé Arocena, Heraldo Do Monte, Criolo, Fela Kuti, Kamasi Washington, Elza Soares, bastante coisa que as vezes nem esta diretamente no som…

Zé Bigode

– Já estão trabalhando em novos sons?

Sim, lançamos o “Fluxo” agora em maio, mas já estamos com novos temas. A produção não para (risos)!

– Dá pra adiantar alguma coisa?

Em breve uma das musicas novas vai entrar no set do show, uma rumba com influências de jazz modal.

– Quais os próximos passos da banda?

Iremos prensar o disco em CD, e iremos circular por ai com o disco.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Hmm… Tem o Bixiga 70, Nômade Orquestra, Metá Metá, Mahmed, Negro Leo… Tem uma galera boa aqui do Rio também: Os Camelos, Foli Griô Orquestra, Kosmo Coletivo UrbanoRelógio de Dali

Cantarolando: o quase jazz de “Your Last Affront”, do Black Flag (1985)

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Cantarolando, por Elisa Oieno

Há um tempo peguei para ouvir o disco “The Inner Mounting Flame” (1971), do Mahavishnu Orchestra. Estava ouvindo essa banda com um som meio progressivo, meio jazz fusion, com todo o pacote de ritmos quebrados, acordes dissonantes, uma liberdade fluida e um balanço, e a guitarra do John McLaughlin fazendo intervenções que, apesar de absurdamente habilidosas, nada têm de firulas e de ‘punhetagem’. Que beleza. Conhecido por tocar na banda da “fase elétrica” do Miles DavisTony Willians Lifetime -, sua guitarra tem um fraseado de fuzz intenso, rasgado e criativo que lembra… Black Flag?

Segui ouvindo o disco até que, então, a suspeita se confirma com a faixa “You Know You Know”: as notas são idênticas ao começo da “Life of Pain” do Black Flag.

De fato, Greg Ginn se declara fã assumido de Mahavishnu Orchestra, tendo o John McLaughlin como uma de suas maiores referências na guitarra. Sua banda preferida é o Grateful Dead, tipicamente improvisacional e livre em estrutura. Fazer um som que lembra jazz e querer fazer improvisos ‘psicodélicos’ não combinava com a cena de hardcore punk do início dos anos 80. 

Tanto que, no início da cena punk, Greg Ginn era desencorajado a fazer longos ensaios com a banda e não havia espaço para improvisos nas músicas, que deviam ser simples e diretas, já que o punk e o hardcore tinham como parte de suas afirmações musicais justamente a contraposição às composições complexas e virtuosas que imperaram no rock da década anterior.
Porém, ao longo da carreira do Black Flag, ele conseguiu introduzir a referência aos colegas de banda, principalmente na época de Kira Roessler no baixo e Bill Stevenson na bateria, que acabaram abraçando elementos do Mahavishnu Orchestra e King Crimson. Principalmente nos discos Family Man” (1984) e The Process of Weeding Out” (1985), em que está a canção homenageada de hoje.

A faixa “Your Last Affront” abre o disco (na verdade, um EP) e já deixa clara a intenção: muito mais experimental e improvisada do que o hardcore, mas sem deixar de ser direto e pungente.

Breaking News: 12 clipes independentes lançados nesta semana que você precisa conhecer

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Camila Garófalo
Camila Garófalo

Camila Garófalo“Camarim”

Dirigido pelos Irmãos Guerra e com a participação de Luiza Lian, Nina Oliveira, Laya, Lara Aufranc e Tika, o clipe de “Camarim” foca na visibilidade lésbica. “Não acho que ser lésbica ou bissexual é algo que vai precisar ser declarado daqui um tempo. Mas agora é preciso. Não tem a ver com rótulos, tem a ver com fortalecer a causa. Eu apenas posso falar sobre coisas que me dizem respeito por isso defendo as causa do movimento LGBT e feminista. Sempre vou defender” disse a cantora ao site Vírgula.

Skating Polly“Across The Caves”

O novo clipe das irmãs Kelli e Peyton mostra uma singela conversa com um telefone de latinha e também um pouco do lado menos agressivo do duo. O vídeo para a faixa do disco “The Big Fit” foi dirigido por Sofia Due Rosenzweig.

Goat“Union of Mind and Soul”

Retrô, hipster, Instagrâmico… chame como quiser. O clipe para “Union of Mind and Soul”, faixa que fará
parte do disco “Requiem”, a ser lançado amanhã, combina direitinho com a música.

Violent Soho“No Shade”

Um clipe road movie com aquelas famosas kombis americanas despedaçadas mostrando um pouco da vida de banda independente na estrada. A faixa faz parte do disco “WACO” e a direção do vídeo é de Dan Graetz.

Lia Pamina“Walking Away”

Uma prévia do disco “Love Is Enough”, a ser lançado em novembro. A faixa é provavelmente uma das mais belas e românticas do disco. A cantora coleciona influências de Astrud Gilberto, Nancy Sinatra e Claudine Longet.

Terno Rei“Criança”

Recém lançado pela Balaclava Records, o clipe dirigido por Bruno Alves conta com os atores Samantha Francisco e Jorge Neto e seus encontros em desencontros em um vídeo e música que não devem nada para o rock alternativo internacional.

Izzy True “Sex Ghost”

Faixa do disco “Nope”, lançado pela fugerenga Don Giovanni Records. A direção é de Patrick JF Smith e o tal “Sex Ghost” do nome da faixa aparece.

Fake Palms“Holiday”

Um clipe doce (e derretido, e sujo) dirigido por Allison Johnston. Prepare as papilas gustativas.

The Dancing Morons“Demilitarized Zone”

O ska punk vive na Bélgica. O clipe, divertido e cheio de noventice, é a primeira música a ser divulgada do próximo álbum do grupo belga.

Xenia Rubinos“See Them”

Em tempos de discussão sobre ciclovias (o blog é a favor da mobilidade urbana), acompanhe Xenia Rubinos em um passeio de bike (e muitos outros) em 360º no clipe de “See Them”, faixa do disco “Black Terry Cat”, dirigido por Armando Croda.

Lovely Bad Things“Teenage Grownups”

Sinta-se assistindo o “Lado B” da Mtv em 1993 com “Teenage Grownups”, faixa do disco dos Lovely Bad Things a ser lançado ano que vem pela Burger Records. A direção é de Allyson Hernandez.

Hannah Williams and the Affirmations“Tame in the Water”

O clipe de “Tame In The Water” foi gravado em um dia em Bristol, Inglaterra, terra natal da banda, que interpreta todos os personagens do clipe, que conta com um grande coelhão amarelo. Sim, é isso mesmo.

“Paradas de sucesso são um pensamento retrógrado”, brada Pedroluts

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Pedroluts
Pedroluts

Passando longe de qualquer pretensão de atingir os ultrapassados hit parades das rádios FM, a voz gutural de Pedroluts, que remete à Tom Waits e ao Bob Dylan dos últimos tempos, chegou a receber elogios da Ilustrada durante uma apresentação com sua antiga banda Hooker’s Mighty Kick durante a Virada Cultural (em uma sacada de um apartamento próximo ao palco do Arouche). A influência da dupla é inegável também no som do projeto musical, que bebe do folk, blues, rock e soul, tudo regado a Jack Daniels com algumas pedras de improviso aqui e ali.

Com um EP no Soundcloud (“The Chair”) e várias músicas soltas pela internet, Pedroluts ainda não tem planos para o futuro de seu projeto. “Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo”. Por enquanto, ele participou do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”, organizado pelo Crush em Hi-Fi em parceria com o Hits Perdidos, mandando uma versão matadora e elogiada de “Não Vou Me Adaptar”, e fará parte da banda que promete uma jam com versões de clássicos da banda no lançamento do tributo neste domingo na Associação Cultural Cecília.

Conversei com Pedro sobre sua carreira, os projetos por onde já passou, influências e sua versão para “Não Vou Me Adaptar”.

– Como você começou seu trampo musical?

Meu trampo musical como Pedroluts? É uma descoberta e garimpo que já dura uns 15 anos. Acho que o Pedroluts ainda está em formação, mas agora tenho uma noção melhor do que quero e do que não quero… É um processo divertido de ressignificar a si mesmo e encontrar as brechas a serem exploradas, mesmo que dentro do mesmo contexto (atualmente, mais pro folk e blues).

– Você falou que tá “mutando” o projeto Pedroluts há cerca de 15 anos. Como foi essa metamorfose e por quais fases o projeto passou?

Poutz… Nem eu sei ao certo. Acho que é só uma confluência das coisas que fiz ao longo dos anos e dos quais quero ter uma relação mais pessoal. Já toquei em bandas de thrash metal (o que voltarei em breve) e acho isso muito foda, mas não vejo isso atrelado diretamente ao que quero fazer como Pedroluts.

– Quais são as principais influências musicais que você vê refletidas (ou já viu) no trabalho deste projeto? Mesmo que não sejam explícitas no som.

Isso muda de tempos em tempos, mas hoje é basicamente: Bob Dylan, Tom Waits, Ray Bonneville, Sean Rowe, Raul Seixas, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Titãs… Acho que é isso. Mas mais do que as influências de estilo, vejo também influência de perfil… Quase todos esses caras trilharam seu caminho de maneira intuitiva e pessoal. Tem outros que me influenciaram, mas que não estão aí. Glenn Gould é um ótimo exemplo. Ele é um pianista canadense de música erudita, mas cuja abordagem à arte diz muito pra mim.

– Falando em Titãs, como foi a sua participação no tributo “O Pulso Ainda Pulsa”? Como foi a escolha do som e a transformação que você fez nele?

Primeiro, foi uma honra ter participado. O Titãs tem um protagonismo nas minhas escolhas musicais – foi uma das primeiras bandas de rock que eu comecei a ouvir. E o disco “Go Back” foi meu primeiro contato com a banda. Então, apesar de gostar muita coisa dos Titãs, principalmente as mais recentes, sabia que minha escolha tinha que ser algo deste disco. Daí veio “Não Vou Me Adaptar”. Minha versão foi uma humilde releitura da canção. Para mim, ela sempre foi uma visão sobre a adolescência e suas mudanças, mas achei que ela poderia ganhar uma versão mais velha, com ares carrancudos e ranzinzas. Tentei algumas versões até que encontrei a mudança que seria o foco da minha: mudar o tom maior para tom menor. Isto mudou consideravelmente a música e me deu liberdade para dar a abordagem que eu queria. O resto foi consequência de improvisos e experimentações, com esse arranjo “a la polka”, digamos assim.

Pedroluts

– E você vai participar da banda que vai fazer a jam no evento do lançamento, no dia 28. Como vai ser?

Pelos ensaios vejo que vai ser algo bem divertido. Muito mais do que um tributo ou homenagem, é uma celebração a uma banda essencial para a música brasileira. Não será uma continuação do tributo lançado, mas uma extensão… um complemento em carne e osso.

Saiba mais e confirme presença no evento, que acontece dia 28 (domingo) aqui:

O Pulso Ainda Pulsa flyer

– Fale um pouco do material que você lançou até agora.

O pouco material que lancei é fruto de uma série de coisas: músicas que fiz anos atrás, canções recentes, covers… vejo cada música como uma pessoa – com sentimentos e humores. Então minha ideia é tentar interpretá-la conforme seu momento e minhas intenções.

– Você acha que a internet ajuda ou atrapalha o artista independente?

Os dois. Por um lado é uma maneira única de se conectar com diferentes pessoas – o próprio Tributo aos Titãs é uma prova positiva deste potencial. Aliada à internet, a facilidade em gravar vídeos, sons e afins auxilia na divulgação e na disseminação de algo que seria local e para poucos. Por outro lado, esta coisa sob demanda e individual – ouvindo músicas no fone de ouvido ou assistindo clipes/shows no seu computador ou tablet – torna a experiência menos coletiva. É uma tendência ao carregar seu mundinho dentro do seu celular, mas se paga um preço por esta praticidade, como não se deparar com o inusitado ou curtir o momento de um show – ao invés de apenas querer registrá-lo. Acho que atualmente menos pessoas estão dispostas a ver coisas novas ao vivo, justamente pelo fato de não poderem “zapear” com a mesma rapidez que podem garimpar na internet e no conforto do lar, por exemplo.

Pedroluts

– Qual a melhor e pior parte de ser um artista independente hoje em dia?

Não sei como é não ser, mas ser independente é bom e ruim pelo mesmo motivo: você é seu próprio chefe. Você tem a liberdade de levar sua arte para qual caminho quiser, mas também é preciso ser a pessoa chata a se cobrar para ter algo relevante, sem ter uma equipe ou uma estrutura de produtora por trás.

– Você acredita numa retomada do rock às paradas de sucesso no Brasil?

Eu não acredito mais nas paradas de sucesso. É um pensamento retrógrado.

– O que falta para fortalecer a cena independente brasileira, como já aconteceu nos anos 90 e 2000?

Acho que falta uma mobilidade maior de todos. Atualmente São Paulo está recebendo algumas iniciativas bem legais, com casas que abrem as portas para bandas novas e, principalmente, autorais. Sinto que aquela tendência de bandas covers está diminuindo. Espero, pelo menos, que isto aconteça. Uma coisa é celebrar a música, como fizemos no tributo, outra coisa é se apoiar no sucesso do passado para se assumir como uma comida requentada no microondas – sem gosto ou essência. Com a abertura destes espaços, as pessoas vão começar a mudar o modo de consumir a música – diminuindo as relações com o passado (como é o caso das bandas covers) e ampliando a tendência de assimilar coisas novas.

– Quais os próximos passos do Pedroluts em 2016?

Não sei ainda. Preciso me reunir com meu chefe para isso, mas nossas agendas nunca batem (risos).
Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é uma pergunta muito injusta porque sempre me esqueço de incluir um ou outro. Mas alguns sons que tenho ouvido são: O Terno (cujos clipes são fodaralhásticos), Céu, Elza Soares, Sean Rowe (que lançou um EP pelo Kickstarter recentemente), Cerveblues Band (toda quinta no Cervejazul… mais que necessário para quem está em SP), Nasi, Wander Wildner… acho que é isto que me vem na cabeça agora.

Muito além do 5 contra 1: As trilhas sonoras icônicas dos filmes pornôs 🌚

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Ron Jeremy
Ron Jeremy

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O pornô é uma das indústrias mais rentáveis do planeta. Seu alcance e interesse é absurdo. Um mercado que movimenta todo ano trilhões de dólares e se reinventa a cada minuto. Altamente explorado, ele tem seus altos e baixos mostrados em documentários que você pode ver no Netflix ou na TV a cabo.

Não é incomum ver comentários “aleatórios” nos vídeos na internet. Aliás, hoje em dia é onde seu mercado mais é consumido através de filmes, cam girls e até via Oculus Rift. Pois é, agora a moda é ver tudo em 4D como se você mesmo estivesse interagindo com a cena – coisa de louco e só possível imaginar para alguém que viveu os anos 80 via filmes Sci-Fi.

4d

Mas o nosso foco aqui é a música! Quase sempre me esqueço com tantos detalhes e informações interessantes ao redor para estender a pauta… E olha que música em filmes pornôs desde as fitinhas VHS dá o que falar, meu amigo! Fique tranquilo, não vou comentar sobre aquele blues “frouxo” que estrela vários quadros do Sexytime do Multishow, mas de música boa – numa hora que em teoria a música é o que menos importa.

E porque não começar por um clássico do pornô? É – quase – impossível fazer uma lista de filmes pornôs sem falar sobre um dos maiores sucessos tanto de vendas como de ~polêmicas~: Garganta Profunda” (“Deep Throat” – 1972).

O filme sobre o caso do delator do Watergate teve o custo de 25 mil dólares e após se tornar Cult gerou algo em torno de 20 milhões. Aliás, a grande estrela Linda Lovelace tem uma história de vida bem triste e que vale pesquisar depois.

Em seu livro, ela alega que nunca recebeu um tostão por “Garganta Profunda” e o seu ex-marido teria sido pago com apenas 1250 dólares, embora o filme tivesse rendido aos seus produtores 600 milhões de dólares. Sua carreira após este filme começou a ir para filmes mais “hardcore”. Depois disso veio a decadência e teve seu fim abreviado.

Mas para os admiradores do funk/R&B temos uma tremenda pérola em sua soundtrack logo na música tema, “She’s Gotta Have It”, um single de T.J. Stone lançado no ano de 1974 como single após o sucesso do filme – quem sabe tentando ganhar mais uns trocados com o sucesso comercial da trama.

Fato que a canção tem uma estrutura que mescla aquela groove do Funk que flerta com a soul music. Logo de cara percebemos a composição como forte, já no encaixe dos instrumentos de sopro indo de encontro com o piano que chora e narra sensualmente a proposição.

Após perceber um padrão no funk/blues/R&B nos filmes pornôs dos anos 70, o ~destemido e ousado~ Don Argott decidiu prestar sua homenagem ao pornô. Uma lenda urbana diz que ele e Ron Jeremy se conheceram em 71 e gravaram uma porção de faixas que ficaram perdidas no tempo e espaço até serem achadas no fim dos anos 90. Utilizando suas próprias mãos (calma, não pense besteira) e criando em parceria com outros músicos um álbum chamado “Pornosonic – Unreleased 70’s Porno Music (1999)”.

ron

Sim, são trilhas sonoras para filmes que JAMAIS viram a luz do dia. Ao invés de tentar fazer releituras, ele traz um funk moderno com ambientações que poderiam muito bem conduzir cenas mais calientes e pegajosas. Para deixar tudo ainda mais no – esquema – ele foi logo chamar o astro do cinema pornô Ron Jeremy para fazer a locução entre as faixas, o que resultou hilário e totalmente imersivo.

E eles não pararam por aí, e em 2000 saía a trilha “perdida” de outro clássico do “sobe e desce”: “Cream Streets”, que brinca com funk, música latina, tribal, Jazz, groove e muita intensidade. Afinal de contas, tentar reeditar os hits da Motown não é um desafio muito fácil de ser alcançado. Tem que ter muito exercício, abusar das preliminares e se jogar de cabeça. As canções são jocosas, o swing e o malemolência se dão a cada beat que ecoa da percussão e do chorar dos instrumentos.

A franquia pornô “The Devil In Miss Jones” começou no ano de 1973 e foi dirigido por Gerard Damiano. A grande estrela do filme é Georgina Spelvin, talvez uma das mais renomadas atrizes pornôs da era do “Pornô Chic” – o rótulo que o pornô clássico ganhou ao longo dos anos entre uma “pornochanchada” aqui e outra acolá.

E para combinar com o clássico, porque não uma música elegante a base de voz e piano? Quem ouve pensa que se trata de um filme de sofrimento/melodramático, mas a canção quase que de igreja emendava com o swing da sétima arte do pornô. A canção mais marcante do filme é a tema “I’m Comin Home” da Linda November.

Já no outro extremo da indústria do pornô no “Softcore” temos a saga de Emmanuelle de Just Jaeckin. O primeiro filme foi gravado na França em 1974, mas a lolita atravessou as décadas sendo a musa do gênero.

Emmanuelle já foi loira, ruiva, morena, foi ao deserto, ao espaço, a diversos lugares mas todas que a interpretaram sempre honraram o nome. Aliás, se Emmanuelle tivesse estrelado alguma capa de algum disco do É o Tchan, eu não ia estranhar. Já que nos anos 90/00 podia quase tudo.

Quem lê pensa que a franquia foi um sucesso. Porém, no segundo filme de 1975, após diversas críticas, seu criador original largou o barco. Mas foi o suficiente para imortalizar seu tema “clássico” do cinco contra um.

A canção de Pierre Bachelet foi um dos seus maiores hits da carreira. Ele que era meio que um Roberto Carlos/Julio Iglesias francês e estrelou a trilha de outros filmes através de suas canções apaixonadas. 

Mas não se vive apenas de pornô gringo quando aqui tivemos as embriagadas e saudosas pornochanchadas, que nosso querido Canal Brasil sempre lembra com a frase “Como Era Gostoso”.

Vera Fisher era uma das estrelas das pornochanchadas
Vera Fisher era uma das estrelas das Pornochanchadas

Eis que em 2004 tivemos uma grande homenagem à essas musas. Che decidiu fazer um grande tributo cheio de diálogos e brasilidades para embalar essas noites que ficavam ainda mais gostosas após uma sessão de chanchada. O disco foi lançado pela YB Music e distribuído pela Tratore.

“‘Sexy 70’ é o tributo musical do terceiro milênio aos fãs da pornochanchada brasileira clássica. Bossa-funk-lounge-soul-samba-bolero tocados com o verdadeiro espírito desleixado e elegante das grandes trilhas sonoras do gênero. Ideia e competência do Che (ex-Professor Antena) com participação charmosíssima da musa Helena Ramos e do gênio Paulo Cesar Pereio. Serve para festas, jantares elegantes e para clima de sedução. Mil e uma utilidades!”

Para passar a régua e deixar o clima em órbita temos direto dos anais do ano de 1999, um pornô estrelado por ninguém mais ninguém menos que Silvia Saint. E para essa viagem intergalática foi convocado uma das maiores lendas da e-music mundial: O Prodigy.

O “The Uranus Experiment” teve a ousada – e de outro planeta – missão de fazer o primeiro pornô além dos limites da gravidade, ou seja gravidade Zero. O cérebro do Prodigy Liam Howlett foi o responsável por fazer o som para explorar os orgasmos nas “alturas”.