“Sou e continuarei sendo resistência no rap e na música, campo minado de machista”, brada a rapper BrisaFlow

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BrisaFlow
BrisaFlow

Filha de chilenos e nascida em Belo Horizonte, Brisa De La Cordillera é conhecida como Brisa Flow e apesar de se focar no hip hop, tem uma musicalidade livre, misturando em seu caldeirão sonoro música latinoamericana, rap, reggae, eletrônica e até pitadas de punk rock. Sua carreira começou em 2010, participando da cena cultural mineira, mudando-se em 2012 para São Paulo, onde participou de diversos projetos e eventos relacionados a música e aos direitos das mulheres. Sua música “As de Cem” ficou entre as virais do Spotify em 2015 e ela recebeu o prêmio Olga “Mulheres Inspiradoras”.

Em 2016 lançou seu primeiro disco completo, “Newen”, de forma independente. O trabalho, com direção musical de Dia Chocolate Studio, mixagem de Givnt e masterização de Luis, da Flapc4, apareceu nas listas de melhores discos do ano do Estadão, Brasileiríssimos e Noticiário Periférico. Agora, Brisa prepara um novo projeto para os próximos meses. “Quero misturar os instrumentos que toco com meu som e mais uns parceiros”, conta. “Quero usar o que estou aprendendo na facul pra mesclar com o rap”.

Conversei com ela sobre a mulher no universo do hip hop, o disco “Newen”, o rap no topo das paradas e mais:

– Como você começou sua carreira?

Comecei cantar pequena como diversão, transformava umas músicas em rap e gostava de pegar os rap e cantarolar. Aos 13 me envolvi com a cena underground de BH, punk e rap. Tive uma banda, fiz parte de grupo e coletivo. Comecei a cantar rap sozinha aos 19. Passei por várias quebradas pelo Brasil e aos poucos minha carreira solo criou asas.

– Quais as suas principais influências musicais?

Minhas influências são diversas e mutantes. Escuto muita música latinoamericana de protesto: fui criada ouvindo Mercedes Sosa, Silvio Rodriguez, Violeta Parra, Victor Jara, Bob Marley, The Doors, Janis Joplin. Lauryn Hill, Badu e Sade fizeram minha cabeça e ainda fazem desde a adolescência. Atualmente tô viajando ouvindo o novo do Kendrick, o disco “Djonga”, a Sza, psicodelia e uns discos de jazz. Amo muito a Alice Coltrane, ela pra mim é uma grande inspiração, compositora braba e infelizmente pouco conhecida por ter sido casada com o Coltrane. Recomendo o “Journey to Satchidananda”, discaço!

– Me fala mais sobre o trampo que você já lançou.

Ano passado lancei o “Newen”, disco com referências ameríndias e bases que misturam boom bap trap e música eletrônica. O Dia Chocolatee Studio foi o diretor musical, o Givnt fez a mix e o Luis da Flapc4 a master. Eu tentei juntar beatmakers que eu curtia espalhados pelo Brasil e minhas letras sobre a liberdade de poder ser quem somos, sendo mulheres e sendo plurais. O disco está disponível para download gratuito no site do One Rpm e pra ouvir em todas plataformas digitais.

– A internet hoje em dia é uma grande força para MCs e rappers independentes. Como você vê isso?

Acredito que com a internet podemos divulgar melhor nosso trabalho e nossa luta não é tão censurada e barrada por macho como antigamente, quando não tínhamos internet.

BrisaFlow

– Tenho visto um levante feminino no rap, um estilo que, como muitos outros, é conhecido por ter uma grande carga de machismo. Como é isso pra você?

Fui, sou e continuarei sendo resistência no rap e na música em geral, campo minado de machista!

– Como é seu processo de composição?

Depende do tipo de composição. Quando tô com a energia em baixa e sinto que preciso escrever, me fecho um pouco na minha casa, passo o dia na quebrada, ligo uns beats, instrumentos, briso na brisa. Tem dia que a música já vem com a bala na agulha, é só começar escrever que sai umas letras loucas, às vezes a beat no meio da rua ou no metrô/busão…

– Porque as letras mais politizadas e com posição não chegam tanto ao mainstream?

Letras politizadas fazem as pessoas refletirem. Imagina a rádio e a TV propagando discurso de desconstrução contra algo que eles mesmos construíram. Revolução pero no mucho. Porque será que eles não tão afim que essa mensagem chegue muito?

– Como você vê o rap voltando ao topo das paradas nos últimos anos?

Rap merece o topo. Música completa pelo tráfico de informação, fácil comunicação, cultura ao mesclar samples de outros estilos musicais e por aí vai. Fico feliz, a cultura hip hop tem muito a conquistar.

BrisaFlow

– Quais seus próximos passos?

Músicas novas estão pra sair logo mais no Spotify e tô com um projeto de misturar os instrumentos que toco com meu som e mais uns parceiros. Logo mais, novidades! Quero usar o que estou aprendendo na facul pra mesclar com o rap. Sigam o Instagram que lá rola vários livros desse projeto no embrião!

– Recomende artistas e bandas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Gosto de manas atuais da nossa cena que estão fazendo um lindo trabalho: Anna Trea e Tati Botelho!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Ulisses Freitas, vocalista do Choldra

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Ulisses Freitas, do Choldra
Ulisses Freitas, do Choldra

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Ulisses Freitas, vocalista da banda Choldra. “Pra quem é completamente entregue à música, escolher essas 5 músicas foi uma tarefa bastante prazerosa na realidade. Claro que gostaria de fazer isso com uns 30 sons, mas creio que a brincadeira fica legal devido à pequena quantidade”, disse.

Ana Tijoux“Somos Sur” (feat. Shadia Mansour)

“Uma música que apenas pela levada, batida e flow já é viciante. Mas muito além disso, trata-se de Ana Tijoux, rapper chilena renomada em seus país e muito respeitada em vários países. Pouco conhecida por aqui, mas já fez alguns no Brasil onde tive a oportunidade vê-la duas vezes, uma em Sampa outra no Rio. Assim como Criolo, ela tem a verdade no olhar. Em tempos onde o feminismo está ganhando cada vez mais força, Anitta é sem dúvida uma grande representante do movimento. Nesse som, que questiona a opressão sentida pelos países do hemisfério sul, ela canta com Shadia Mansour, outra MC incrível, de Londres, filha de Palestinos, e que rima em árabe num flow inacreditável! Tenho amor por essa track”.

Supervielle – “Adonde Van Los Pájaros”

“Pois é, gosto muito da música latina pop como Café Tacvba, Aterciopelados, Jorge Drexler, Julieta Venegas, Zaz etc. Supervielle é dessa laia, uruguaio porém nascido na França, transitou pelo rap e até pelo coletivo Bajofondo, faz uma música pop requintada que vai do eletrônico, ao instrumental e acústico. Essa música me inspira demais. Naqueles rolês de bike por Sao Paulo, domingo a tarde, cidade vazia, vento de outono, é como se me transportasse pro lado bom da vida, onde há esperança e venceremos!”

Doves“Here It Comes”

Doves. Essa banda me faz falta. Sou viciado nos discos deles, principalmente no ‘Lost Souls’ que tem essa música. Daqueles discos que são lindos de cabo à rabo. Escolhi essa por ter feito parte da trilha sonora da primeira viagem que fiz pela Europa. Não me canso nunca dela, faz todo sentido pra mim”.

dEUS“Ghost”

“Eu brinco que dEUS é “a banda que só eu gosto”, rs. Acho bem legal seus últimos 3 discos, apesar do clássico ser o “Worst Case Scenario” de 1994. Esse som que escolhi faz parte do penúltimo disco, é bem easy listening e ouço sempre quando não quero pensar em nada, tirar onda, e o vídeo ainda tem esse Jesus sangue bom demais! Esses belgas tocaram no Sesc Pompeia em 2015 e eu não consegui ir devido a uma viagem de trabalho inoportuna”.

Garage Fuzz“Cortex”

“Do disco ‘Fast Relief’, essa faixa deveria ser hit mundial. Tem tudo aqui, um trampo de guitarras que poucas bandas no estilo conseguem elaborar, baixo e bateria concisos e o Sesper mais afinado do que nunca. Uma das bandas mais legais da cena independente/underground do Brasil. Esses santistas traduzem muito bem as mentes que respiram juventude, da cultura de rua, hardcore, surf, skate, Santos e daquela vontade de viver esperançosa”.

15 discos de mashups que são verdadeiras obras-primas musicais

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Um mashup, também conhecido como mesh, mash up, mash-up, blend, bootleg e bastard pop, é uma música criada a partir da mistura de duas ou mais canções já existentes, normalmente usando o vocal de uma em cima do instrumental de outra, para que se combinem e criem algo novo. Esse tipo de criação ficou famosa no começo dos anos 2000, com a mistura de Christina Aguilera e The Strokes “A Stroke Of Genius”, que unia “Genie In A Bottle” e “Hard To Explain” e trazia à luz algo totalmente novo, unindo o rock garageiro com o pop plastificado. A partir daí os mashups tomaram o mundo, chegando até à grande mídia com discos como “Collision Course”, que unia Jay Z e Linkin Park, e o espetáculo “Love”, do Cirque du Soleil, com um grande mashup da obra dos Beatles.

Existem diversos discos completos usando o mashup como base, e alguns são verdadeiras obras-primas. Selecionei 15 deles:

Team Teamwork“Ocarina of Rhyme”

Misturar Dr. Dre, Mike Jones, Jay Z, Clipse e outros rappers renomados com a trilha sonora de Zelda é algo que só uma mente genial e divertida conseguiria fazer. Lançado em 2009, o disco é ótimo mesmo para quem não é fã da saga de Link.

DJ Danger Mouse“The Grey Album”

Hoje em dia o Danger Mouse é um reconhecido produtor e fez trabalhos como o último disco dos Red Hot Chili Peppers, “The Getaway”, do ano passado. Em 2004, no auge dos mashups, ele caía de boca unindo o disco “The Black Album” do Jay Z com o clássico “The White Album” dos Beatles, resultando no premiado “The Grey Album”. A junção de faixas como “What More Can I Say” com “While My Guitar Gently Weeps” são impecáveis.

Alex Hodowanec“Yeezer”

O estudante da Universidade de Ohio Alex Hodowanec se inspirou no “Grey Album” pra criar “Yeezer”, com 10 faixa que unem Kanye West com Weezer de uma forma nunca antes imaginada. “A primeira música que trabalhei foi misturando ‘Through The Wire’ do Kanye com ‘Beverly Hills’. Assim que essa fechou, eu pensei ‘já que fiz esse, melhor fazer mais nove, certo?'” Hoje em dia é incrivelmente difícil de achar para baixar ou assistir mesmo no Youtube.

Wugazi“13 Chambers”

Inacreditavelmente, este disco de 2011 consegue unir com perfeição os raps do Wu Tang Clan com o hardcore do Fugazi. Faixas como “Sleep Rules Everyything Around Me” são sensacionais.

Dean Gray “American Edit”

Em novembro de 2005 o Dean Gray (uma piadinha com um anagrama de Green Day) foi lançado, misturando o disco de 2003 que levou o trio de punk rock de volta aos topos das paradas com tudo o que você pode imaginar. Lógico que deu rolo com a gravadora, que fez questão de tirar do ar o disco. A faixa “Boulevard Of Broken Songs”, misturando Green Day com Oasis, chegou a ser um semi-hit.

The Kleptones“A Night At The Hip Hopera”

Misturando a música do Queen com rap e muitos trechos de filmes como “Curtindo A Vida Adoidado”, “A Night At The Hip Hopera”, de 2004, foi banido pela Hollywood Records, é claro, pelo uso de seus samples. Dá pra ouvir no Soundcloud:

Fela Soul“Amerigo Gazaway”

“Fela Soul” é, além de um ótimo trocadilho, uma união incrível. Fela Kuti com certeza é uma influência no De La Soul, então fazer essa mistura era praticamente algo natural. Ainda bem que aconteceu.

Otaku Gang“Life After Death Star”

Criado pelo rapper Richie Branson e o produtor Solar Slim, o disco reune as clássicas músicas de John Williams para a saga Star Wars com os versos pesados do Notorious B.I.G.

DJ BC“The Beastles”

Quem diria que o quarteto de Liverpool soaria tão bem quando misturado com o trio de Nova Iorque, hein? O “The Beastles” criado pelo DJ BC já tem três discos completos que misturam Beastie Boys com Beatles de forma maestral.

The Kleptones“Yoshimi Battle the Hip Hop Robots”

Uma improvável colisão entre o Flaming Lips com vários rappers e o resultado é “Yoshimi Battle The Hip Hop Robots”. Aliás, improvável na época, já que hoje em dia uma das maiores colaboradoras da banda é a super improvável Miley Cyrus.

DJ Max Tannone“Jaydiohead”

Radiohead e Jay-Z unidos pelo DJ Max Tannone, de Nova Iorque, também conhecido pelo seu antigo nome de guerra Minty Fresh Beats. Surpreendentemente bom.

Seanh2k11“Sadevillian”

O disco pega os raps pesados e inusitados de MF DOOM e traz toda a sensualidade da rainha do R&B Sade para dar o clima. Funciona perfeitamente bem. Confira nas sete faixas do álbum:

Coins“Daft Science”

O DJ e produtor de Toronto Coins ficou dois anos preparando o disco que mistura as rimas certeiras dos Beastie Boys com samples de tudo que o Daft Punk já fez. “Daft Science” foi lançado em 2016 e pode ser ouvido no Bandcamp:

Wait What“Notorious XX”

O par The XX e Notorious B.I.G. pode parecer fora do comum, mas o produtor de São Francisco Wait What conseguiu fazer com que a união parecesse feita para acontecer. Lançado em 2010, “The Notorious XX” teve mais de um milhão de downloads e ganhou do The Guardian o título de “melhor disco de mashup de 2010”.

João Brasil“Big Forbidden Dance”

O DJ brasileiro que tocou até nas Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016 pega um monte de funk carioca e mistura perfeitamente com Madonna, Raimundos, The Strokes, Iron Maiden, The Offspring e muito mais. Inacreditável de tão bacana. Hoje em dia tá difícil de achar pra baixar.

Yannick se inspira em anime e mangá em EP “Também Conhecido Como Afro Samurai”

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Yannick Hara

No melhor estilo punk rock, Yannick Hara começou sua carreira no hip hop lançando seus singles no formato “faça você mesmo”, com produção caseira e muita alma. Gravados em home studio, estes sons foram o embrião para seu primeiro EP, “Também Conhecido Como Afro Samurai”, lançado no ano passado e inspirado pelo mangá e anime Afro Samurai, criado por Takashi Okazaki e publicado inicialmente na revista Nou Nou Hau. Influenciado pela soul music e blaxploitation, o autor conta a história de um samurai negro em um Japão feudal pós-apocalíptico.

“Com a ajuda de Rodrigo Furlani e Norberto Filho, donos da Live Station, consegui reorganizar o EP, realinhar produção das músicas com os beatmakers Paulo Junior e Everton Beatmaker. Convidei outros artistas como a Paula Malvar do Vó Tereza, Zorack e Venom do Ascendência Mista. Petrus (ODB) e Dieguito da Vivendo do Ócio e tudo foi fluindo”, explica o rapper.

Conversei com ele sobre sua carreira, a cena independente, sua proximidade com o rock, a inspiração em anime, mangá e cinema e muito mais:

– Como você começou sua carreira?

Comecei em 2010, lançando singles no melhor estilo “faça você mesmo” e “com aquilo que se tem”. Foram singles com uma produção bem precária, eram músicas falando sobre o que eu passava naquele momento.

– E quais foram esses singles? Gravou em casa mesmo?

Gravei em um home studio de um amigo, gravei as músicas “Quem é Você Me Responda Quem Sou Eu”, “Me Chame de Yannick”, “Kaya” e “Por Que Tão Sério”, entre outras.

– Quais as suas maiores influências pro seu trabalho musical?

Meus amigos são as minhas maiores influências. Gosto muito de Medulla, Vivendo do Ócio, Vó Tereza, Ascendência Mista, Kamau, Rincon Sapiência, Molodoys. Mas também gosto muito de Tricky, Benjamin Constantine, Seal, entre outros. Me influencio muito, com muitas vertentes musicais.

– E como rolou o primeiro disco, “Também Conhecido como Afro Samurai”?

Desde 2010 eu tenho esse projeto em mente, porém procrastinei tanto que quase desisti. Quando conheci o Raony e o Keops do Medulla em 2015, conversamos muito sobre esse conceito anime. Eles me apoiaram muito a fazer esse disco, mesmo porque eu já tinha soltado duas faixas desse EP no Soundcloud. A partir daí coloquei ação no plano, e com a ajuda de Rodrigo Furlani e Norberto Filho, donos da Live Station, consegui reorganizar o EP, realinhar produção das músicas com os beatmakers Paulo Junior e Everton Beatmaker. Convidei outros artistas como a Paula Malvar do Vó Tereza, Zorack e Venom do Ascendência Mista. Petrus (ODB) e Dieguito da Vivendo do Ócio e tudo foi fluindo. E em 2016 consegui gravar e lançar esse EP. Planejamos a data que foi 3 de setembro, aniversário da minha irmã, e realizamos anteriormente em agosto o pré-lançamento do EP e até o momento fizemos 15 apresentações.

– Você falou que se inspirou por animes. O que mais de filmes, desenhos e séries te inspira?

Busco muita inspirações em filmes e desenhos, séries eu gosto de assistir, porém não busco inspirações neles. Os filmes dos anos 80 e 90 são muito visionários, estou planejando para o final de 2017 um EP com duas músicas baseadas no Blade Runner.

Yannick Hara

– Então você tem um pouco dessa pegada ópera-rock, ou no caso, ópera-rap.

Sim, gosto muito dessa atmosfera do canto lírico, da ópera, das trilhas de filmes, isso realmente me inspira e é daí que tiro as ideias para enviá-las aos beatmakers e montar as músicas que quero.

– Você tem muita parceria também com o mundo do rock, tanto nas participações no disco quanto nos shows, chegando a trabalhar em eventos junto de bandas de rock. O que você acha da relação do rock e do rap e do rap tomando o lugar do rock nas paradas jovens hoje em dia?

Eu amo o rock, comecei ouvindo rock dos anos 90 com o meu irmão e ouço até hoje. Ambos os gêneros já caminham juntos há muito tempo e essa separação e disputa pelo público que se criou só prejudicou a música, qual é o problema em curtir os dois? Em ir em shows de rock e ir em shows de rap, pra mim não tem problema nenhum, a energia é a mesma, a emoção é a mesma pra mim. Sinceramente, essa disputa pelo público jovem só aliena o próprio jovem que um dia deixará de ser jovem, será adulto e irá lembrar desse momento musical como todos lembram quando gostavam de músicas que eram considerados “moda”. Acredito muito na união musical, quem ganha é a música.

– Qual a sua opinião sobre a cena independente brasileira hoje em dia?

A cena independente está no seu melhor momento. As bandas entenderam que elas têm que estudar a fundo todo o processo do mercado que antes ficava nas mãos das gravadoras, o artista só precisava criar, o resto quem cuidava era a gravadora. Hoje não, o artista tem que ter uma visão empreendedora, tem que estudar o mercado, conhecer de marketing, ter uma noção de assessoria de imprensa, networking, entre outras inúmeras funções. Porém, o artista precisa de uma equipe para auxiliá-lo, porque não dá pra fazer isso tudo sozinho, o poder de ação só trocou de mão, mas o processo é o mesmo.

– Como é seu processo de composição?

No caso do EP “Também Conhecido Como Afro Samurai”, eu entrei a fundo no anime, assisti mais de cem vezes toda a primeira temporada e o filme de Afro Samurai. Ouvi diversas vezes a trilha sonora gravada pelo RZA do Wu-Tang Clan e li o mangá umas 50 vezes. Sinceramente eu incorporei o personagem na forma do protagonista. Reuni os principais temas, conversei com os beatmakers e os convenci que era preciso eles também assistir ao anime e ouvir a trilha e eles assim o fizeram. Utilizei de muitas falas do anime e do mangá para escrever as letras porque eu queria que fosse fiel à obra do escritor Takashi Okazaki e, modéstia à parte, sinto muito orgulho do resultado.

– Você chegou a se apresentar de graça para moradores de rua na Praça 14 Bis, que foram retirados do local pela nova prefeitura. Qual a sua relação com a rua?

Hoje minha relação com a rua é de apenas levar a mensagem que o EP fala, que a vingança destrói o vingador, que a maldição do poder gera a cobiça, que o ódio só traz dor, que o sofrimento só gera mais sofrimento. Porém, eu falo sobre esperança, em acreditar em si mesmo, em lutar por si mesmo e falo também que o não vira sim. Estar e viver na rua não é benéfico para ninguém e só quem vive ou viveu sabe como é, é terrível.

Yannick Hara

– Quais os seus planos para 2017?

Tocar muito o EP “Também Conhecido Como Afro Samurai” e nada mais! (risos)

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Recomendo as bandas NLM Alegórica com o disco “Supersomos”, Molodoys com o disco “Tropicaos”, Vivendo do Ócio com o disco “Selva Mundo”, a banda Vó Tereza que está preparando um disco novo, ouçam a música “Se Você Vier”, Medulla com o disco “Deus e o Átomo”, os meus professores do rap Zorack, Venom e Munhoz do grupo Ascendência Mista com o disco “Produto Mentalfaturado” e o meu mano Petrus, ouçam a música “Moda”.

Reunimos uma porrada de gente pra eleger as melhores músicas nacionais e internacionais de 2016

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Melhores de 2016

Chegou aquele momento do ano em que todo mundo faz suas listas, retrospectivas e tentamos eleger o que aconteceu de melhor nos últimos 365 dias. Aqui no Crush em Hi-Fi eu preferi deixar a tarefa de escolher os grandes sons de 2016 com os próprios músicos, jornalistas, produtores e apaixonados por música. São mais de 50 pessoas que nos contaram quais foram os grandes sons nacionais e internacionais deste conturbado ano.

Na música nacional, Carne Doce, O Terno e Jonnata Doll e os Garotos Solventes foram os mais lembrados pelos entrevistados, enquanto David Bowie, Angel Olsen e Descendents foram os artistas estrangeiros que mais mexeram com o coração das mais de 50 pessoas consultadas. Confira as escolhas e sigam as playlists dos Melhores do Ano 2016 no Spotify do Crush em Hi-Fi!

Gustavo Cruz (Minuto Indie)

Quarto Negro “Filhos do Frio”
Conheci essa banda no projeto Orange Sessions e simplesmente me apaixonei. Respeito o trabalho deles e garanto que se você ainda não conhece, vai viciar.

Lorn“Acid Rain”
Não sei se são independentes, mas conheci recentemente e não consigo parar de ouvir. É a banda que resume o que gosto de encontrar sonoramente. Boa pra vários tipos de vibes.

Jaison Sampedro (RockALT)

Mustache & os Apaches“Time Is Monkey”
Embora eu esteja quebrando um pouco o protocolo, vou me aproveitar de uma falha técnica e falar de um álbum que foi lançado no final de dezembro do ano passado. E embora seja uma banda um tanto conhecida (isso se você dá uns rolês na Av. Paulista) acho que vale muito a pena dar uma conferida no Mustache & os Apaches. A saída do estilo acústico fez muito bem ao grupo paulistano formado em 2011. Com um estilo meio
bluegrass e folk rock, o seu mais recente álbum “Time Is Monkey” tem um som muito divertido, agradável e
descompromissado de se ouvir, algo que na minha opinião ganha uma pontuação elevado em meio a um monte de bandas que se levam a serio de mais e são um tédio completo quando se escuta. Por isso escolho essa banda, em um ano tão desgraçado como o de 2016, nada melhor do que uma banda festiva, alegre e descompromissada.

Sheer Mag“Can’t Stop Fighting”
Acredite em mim, Sheer Mag é do caralho! E sabe por que eu digo isso? Porque essa banda é a mais perfeita combinação do rock dos anos 70 com o estilo e a atitute punk. Formada na Philadelphia no ano de 2014 o grupo lançou até agora três EPs com 4 musicas cada, e não seria exagero dizer que todas, sim eu disse TODAS são muito boas. Vou focar no EP de 2016 o EP “III 7” já que o texto se trata das melhores do macabro ano de 2016, a musica “Can’t Stop Fighting” trata de violência contra mulheres na cidade de Juarez e a exploração econômica e trabalhista da região, é ai que entra atitude punk, as criticas são certeiras e o som é um power pop repleto de riffs que imediatamente te fazer lembrar Thin Lizzy. Outra musica que vale a pena conferir é “Nobody’s Baby”, a ultima canção do álbum, que mostra um pouco da realidade da vocalista Christina Halladay, descrevendo as suas desilusões, decepções e exclusão social em sua adolescência. Por mais que esses temas pareçam sérios, Sheer Mag é uma banda extremamente dançante e quando você escuta pela primeira vez não vai conseguir tirar da cabeça.

Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream)

Vitreaux“Eu Vi Um Beatle Outro Dia”
A também estréia da banda paulista Vitreaux, que é formada por Lucas Oliveira, Guib Silva, João Rocchetti e Ivo Liberato. ‘Pra Gente Poder Passear’ foi lançado em Maio e é um álbum belo que traz notas dosadas de romance, humor e psicodelia. E já que eu não perco oportunidade de fazer uma referenciazinha à Beatles em quase tudo que eu escrevo / falo / penso / respiro, indico a faixa ‘Eu Vi Um Beatle Outro Dia’ para quem quiser conhecer a face mais beatlesca e divertida da Vitreaux.

The Claypool Lennon Delirium“Captain Lariat”
O álbum de estréia da dupla The Claypool Lennon Delirium, formada por Les Claypool e Sean Lennon. ‘Monolith of Phobos’ foi lançado em Junho desse ano e oferece 11 faixas que unem o melhor dos mundos dos 2 músicos: a pegada teatral e o característico baixo de Claypool com a lisergia de Lennon. A faixa ‘Captain Lariat’ é uma de minhas favoritas e resume bem a vibe do álbum.

Marky Wildstone (Wildstone Productions)

Marco Butcher“The Needle”
Primeiro single do álbum solo do Marco Butcher, essa música prova a maturidade que este cantor, guitarrista e compositor atingiu e para onde o garage rock de outras épocas o levou. Com a promessa de uma turnê pelo Brasil em 2017 aguardo ansiosamente para vivencia-la ao vivo, em shows.

The Dirty Coal Train“Heat Spike Sputterin”
Sou suspeito para falar desta banda, já que produzi e toquei com eles na Europa e no Brasil neste ano, mas essa faixa do álbum “Super Scum”, lançado em Março pela Groovie Records de Portugal é simplesmente incendiária, tanto em seu registro de estúdio quanto na performance visceral que a Beatriz apresenta-a em apresentações ao vivo.

Zé Menezes (Thrills and The Chase)

Sabotage“Superar”
Coloca o fone, sai andando e dá o play. Vai estar respondido.

Motosierra“Buzo Nuevo”
Motosierra pesado, sujo e dançante, sim.

Ariel Machado (Incesto Andar)

Raça“Garras”
Pra mim o “Saboroso” é o disco do ano absoluto em escala nacional. Todas suas músicas são hinos, acabei elegendo “Garras” entre todas elas levando o ao vivo como critério. Um dos melhores shows que vi no cenário independente nos últimos tempos. Menos de dois minutos de música conseguem representar toda intensidade e pessoalidade desse segundo álbum. Os novos teclados, sintetizadores e outros elementos adotados enfatizam a mudança desde os registros anteriores. Raça é a maior banda de ‘dream emo’ desse país.

DIIV“Mire (Grant’s Song)”
Umas das muitas favoritas do “Is This The Are”, segundo disco da banda lançado em fevereiro. Sou fã desde o “Oshin” (2012), mas fui pescado de vez pelas melodias desse último álbum. A banda de fora que mais ouvi durante o ano. Por baixo dos riffs e coros de microfonia, Mire é guiada pela voz murmurada do Zachary Cole. Como se o Sonic Youth flertasse com o My Bloody Valentine.

Dija Dijones (Loyal Gun, Chabad, Penhasco, O ApátridaSchwarzenbach)

Jonathan Tadeu – “Ninguém Se Importa”
Essa foi difícil. Comecei a acompanhar com mais afinco algumas coisas de música brasileira e rap e muita coisa formidável foi lançada. Howlin’, Sinewave, TranstorninhoDinamite, Bichano e muitos outros selos lançaram muita, mas muita música acima da média. Me vi em inúmeros dilemas na hora de escolher uma única música e, no fim, acabei optando por não ser nepotista ao escolher uma canção de alguma banda da Howlin’ (selo do qual faço parte, mas ainda sim, recomendo os trabalhos que Gomalakka, Chalk Outlines, Blear, Bufalo, Poltergat e In Venus lançaram neste ano) e nem bairrista, escolhendo algo paulista, e “Ninguém Se Importa”, de Jonathan Tadeu acabou sendo a minha escolha. O disco, “Queda Livre”, deveria ser figurinha fácil em qualquer lista de melhores do ano em âmbito independente. As melodias são belíssimas, os arranjos de muito bom gosto e as letras de dilacerar os corações incautos e “Ninguém Se Importa” é dos grandes cartões de visita do rapaz. Jonathan Tadeu é o Lô Borges da nossa geração.

The Hotelier“Goodness Pt. 2”
“Home Is Like Noplace is There”, do The Hotelier, é um dos meus discos favoritos lançados nesta década. “Goodness”, o sucessor dele lançado neste ano, ao meu ver e ouvir, não o iguala em qualidade, mas trouxe essa canção primorosa: “Goodness Pt. 2”. Essa canção deve ter sido a canção internacional que eu mais ouvi neste ano. O que mais fascina nesta composição é sua estrutura: a bateria inicia os trabalhos com ritmo firme e serve de suporte para uma linha vocal que parece uma súplica; logo, uma guitarra, aparentemente dissonante, faz contraponto até que a segunda guitarra e o baixo dão forma à harmonia e, a seguir, a banda vai apresentando variações disso, até voltar para a bateria
pulsante do início. Fico extasiado quando a história de uma música é contada também no arranjo, não apenas na letra. E “Goodness Part. 2” é um excelente exemplar desta ideia de composição.

Raf F. Guimarães (músico, compositor)

Raf F. Guimarães e Amigas de Plástico“A Última Crisálida do Outono Estará Presa em uma Estrela”
Megalomania? ÓBVIO, mas pelo menos eu sou honesto… Acredito que dentro trabalho que eu estou desenvolvendo, esta música tenha tudo para ser um ótimo cartão de visitas, apesar de estar o mais longe possível do conceito de “single”. A dinãmica dela evolui de forma incrível e eu mesmo me espanto
com o que eu consegui fazer em termos de “dinâmica vs. orquestração”…É absurdo o número de pessoas que me abordam dizendo como que foram pegos com um frio no estômago com uma letra tão especificamente particular a mim…enfim, acho que em termos de composição essa canção é uma daquelas que você
escuta e pensa “putaqueopariu, isso está em OUTRO nível de realidade.

Wolvserpent“Aporia:Kãla:Ananta”
Atualmente, o Wolvserpent é uma das poucas bandas que me fazem ainda entender entender música como Arte. Para quem acompanha o trabalho do duo é mais que claro que eles conseguiram ir além do limite que já tinham alcançado. Para mim, este trabalho vai além de qualquer definição de sub-gêneros na música em que o projeto já foi “rotulado”: ele vai além do drone, do doom, do ambient e do extreme metal. Ele me remete diretamente à mesma ruptura que Strauss e vários outros compositores da 2a Escola de Viena estavam
interessados…

Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Pollux & Castor“Bruxa do Mar”
Um ano um tanto quanto apocalíptico e cheio de acontecimentos que levaram muitos a perder um pouco da esperança na humanidade: precisava de uma trilha sonora a altura. “Bruxa do Mar” tem uma atmosfera que te remete ao bandas como The XX e Real Estate mas sem esquecer do pós-rock de grupos como Mogwai e Sigúr Ros. As guitarras te levam para outra atmosfera, talvez para as profundezas do mar onde a bruxa se abriga. E ela vem para te buscar com a força da correnteza. O post-hardcore também mostra a força e a fúria do contraste entre o instrumental quase ambient indo de encontro com as guitarradas violentas e viscerais. É o transbordar do copo cheio… A ambição acaba se tornando uma forte ressaca da tormenta proveniente da desilusão.

The White Lung“Death Weight”
Não é difícil ver o White Lung nas principais listas de fim de ano. Mas eu creio que também pelo discurso firme de empoderamento feminino. Se as Coathangers são uma banda que tem subido em qualidade, eu acredito que a White Lung já chegou lá. Prova disso que a Domino Records ao perceber isto em 2014 integrou elas ao casting. E os temas são diversos, desde brigas dentro do lar com seu parceiro a distúrbios alimentares. É um papo reto de mina para mina. Achei foda.

Amanda Mont’alvão (Sounds Like Us)

Huey“Adeus Flor Morta”
Não vou negar minha parcialidade na escolha de uma música do Huey (risos), mas é que “Adeus Flor Morta” sintetiza, sonoramente, os humores de 2016. Que tempos conturbados, sufocantes e que demandam urgência! Mas a resposta não é a velocidade, mas sim, a possibilidade de pausa e contemplação. E o metal instrumental de “Adeus Flor Morta” tem tudo isso, mostrando como a música tantas vezes representa aquilo que tá engasgado na garganta.

Child Bite“Heretic Generation”
O Child Bite é uma banda de Detroit que conheci pela gravadora americana Joyful Noise, em 2013. “Heretic
Generation”, tirada de um dos melhores álbuns do ano, o “Negative Noise”, traz o desespero servido em doses espalhadas, mas não menos incisivas. Tem peso melódico e percussivo criativamente balanceados, e o disco, como um todo, me remete a um dos discos da vida, o “My War”, do Black Flag.

Vina (Sounds Like Us)

The Pessimists“Podridão Invisível”
O The Pessismists passa a impressão de que eles pegaram os instrumentos como quem pega em armas e despejaram um arsenal de músicas diretas e objetivas com base no punk e pós-punk. “Podridão Invisível” é uma das duas músicas em português do disco e também a que mais se destaca pra mim. Grande música!

Neurosis“Reach”
No mundo foi um ano de muita música boa, mas o Neurosis fez o melhor disco e dentro dele, a música mais incrível de 2016: “Reach”. É uma música que me lembra a vibe do “Eye of the Every Storm” e o “Given to the Rising” que são dois discos que eu gosto muito. Peso, melodia e uma opressão, e pressão, sonora absurdamente linda.

Bruno Agnoletti (Dum Brothers)

Muddy Brothers“Sweet Lover”
Pra mim o “Facing The Sky” é o melhor álbum do ano.

Red Hot Chili Peppers“Dark Necessities”
Os caras vieram com tudo nessa musica e mostraram que ainda são muito bons no que fazem.

Bruno Palma (Chalk Outlines)

Mudhill“Not About Survival”
Já tem um bom tempo que conheço o Zeek. Já admirava e acompanhava o cara desde a época do Shed. E o Mudhill é uma baita banda. “Not About Survival” foi um primeiro aperitivo do álbum de estreia da banda, “Expectations”, e veio com características que sempre me pegam: basicamente bastante guitarra e um refrão pra cantar junto. De quebra, a letra é muito do que a gente passa tocando em banda independente, no
underground. I’ts only about feeling alive. É um verdadeiro hino.

Anohni“Drone Bomb Me”
Anohni é a cantora trans que cantava à frente do Anthony and the Johnsons quando ainda se identificava como Anthony Hegarty. “Drone Bomb Me” traz aquela carga de drama pesadíssima já esperada de Anohni, envolta em camadas e camadas de sintetizadores, que dão um ar de mistério e melancolia à faixa. É uma canção fortíssima.

Bruno Carnovale (Black Cold Bottles)

Abacates Valvulados“O Canto Colapso”
Eu escolhi essa música porque ela foi um ponto de surpresa pra mim esse ano. Depois de um pequeno período de reestruturação, o agora trio são-bernardense mostrou que também sabem equilibrar bem o dinamismo de uma melodia com o peso do efeitos que estão à sua disposição. A parte lírica também orna muito bem com a melodia, e eu acho que isso fez com que eu considerasse essa música a melhor do ano na minha humilde opinião (não foi nem um pouco fácil).

Turtle Giant“Orange Grape”
Essa banda que, originalmente é de São Paulo mas que hoje está baseada em Macau (na China) fez o disco que, de longe, foi o que eu mais ouvi no ano. Um disco quase impecável, com uma delicadeza ímpar e arranjos excepcionais. E desse disco incrível, a minha favorita é “Orange Grape”, que é sublime em sua execução. Desde as notas oitavadas no piano até a bateria extremamente bem executada ganham os ouvidos pela excelência, e com certeza é a minha faixa favorita do ano no que se refere à músicas internacionais (e particularmente, é um orgulho poder escolher uma banda brasileira que se destaca mundialmente falando, não é?)

Claudio Cox (Giallos)

Zefa Véia“Sentimento Carpete”
Sou muito fã desses caras, eles conseguem fazer rock sem nenhuma preocupação estética, saca? Punk, garage, surf, aquela coisa toda! o Felipe é um cronista fudido, melhor banda!

MIA“Borders”
Essa mina é foda, trata de assuntos delicados no meio da mesmice da música pop, só por isso já tem minha audiência, mas vai além… Piro no flow dela, batidão pesado, famoso ranca tampa!

Pedro Gesualdi (Danger City)

FingerFingerrr“Quem te Convidou?”
As bandas de rock mais influentes dos anos 2000 não foram Strokes e Interpol; foram o White Stripes e o Death From Above. Resultado: hoje em dia, tem várias duplas afiadas que botam muita big band no bolso. O melhor exemplo aqui no Brasil é o FingerFingerrr, que em 2016 lançou um puta disco maduro, moderno, bem produzido e cheio de referências perspicazes. ‘Quem te Convidou?’ é minha favorita do álbum porque, mesmo talvez sem perceber, descreve tim-tim por tim-tim estes últimos tempos, quando tantas portas se fecharam e
tantas credenciais foram pedidas.

David Bowie“Blackstar”
A história toda dessa faixa e desse disco é puro 2016. Dramática, épica e cheia de expectativa, precedendo uma profunda sensação de perda. A gente fala brincando, mas pensando bem, não pode ser mera coincidência que este ano tenha começado com a morte de David Bowie. No mínimo, um tremendo agouro. Mas “Blackstar” também traz beleza na serenidade de um homem confortável com a mudança – em última instância, com a morte. Que em 2017 a gente tenha a mesma coragem do Bowie.

Cristina Martins (Abacates Valvulados)

Metá Metá“Três Amigos”
Metá Metá foi uma das grandes descobertas pra mim este ano. Esta música é uma das melhores do último álbum, lançado este ano. A voz da incrível Juçara Marçal me levou a uma viagem que eu ainda não tinha provado. Inspirador.

Dead Pirates – “Mel”
Este é um dos projetos músicas de um dos meus ilustradores favoritos, o Mcbess. Com influência de stoner, as guitarras levam a uma nova experiência mesmo despertando aquela nostalgia, como se a gente já conhecesse aqueles riffs. Mesmo assim surpreendente.

Gabriel Serapicos (Serapicos)

Tatá Aeroplano“Step Psicodélico”
Canção muito divertida. É uma imagem bonita da cena musical paulista. Hit da cena independente.

Radiohead“Burn The Witch”
Volta triunfal de Thom, Johnny e companhia. A letra tem um clima de linchamento que ilustra bem os tempos atuais. Por tempos atuais, quero dizer os últimos 10 mil anos.

Júlia Abrão (Bloodbuzz)

Miami Tiger“Amblose”
Gostei demais do EP do Miami Tiger. As músicas são pesadas e misturam bem demais com a voz doce e brava da Carox. Minha predileta do EP é “Amblose”, que dá nome ao EP. Posso dar uma puxada de sardinha pra mim também? Curti demais o single “Dead People”, da minha banda Bloodbuzz.

Juliette Lewis“Any Way You Want”
Ela é a rainha de lançar coisa sem divulgar direito, fazer show sem avisar, prometer coisa e não lançar… E aí no dia do meu aniversário (11/11) a Juliette Lewis soltou um EP que soa mais como os antigos Licks do que dos seus últimos trampos solo. Future Deep” tem 7 músicas, e minha predileta é a que abre o EP: “Any Way You Want”. Gostinho de “You’re Speaking My Language”.

Ana Malta (Porta Maldita)

O Terno“O Orgulho e o Perdão”
É foda mas os caras realmente surpreendem e quase nunca deixam a desejar. De longe, para mim, esse foi o melhor albúm d’ O Terno. Conta a história de uma vida inteira, passado, presente, futuro. Amores, desamores e sonhos. Foi difícil escolher uma música só, porque realmente me identifico com quase todas. O critério que usei para desempatar foi a inovação. Por isso acho que fico com “O Orgulho e O Perdão”. Porque os meninos se arriscam. Fizeram um samba à lá rock psicodélico que deu muitíssimo certo, o resultado ficou fino demais.

Jeff the Brotherhood“Portugal”
Sou fãzona de Jeff the Brotherhood. Os cara estão no corre da cena desde 2005 mas ficaram mais conhecidinhos de uns 3 anos pra cá. Porque essa música? Porque além dos irmãos Orral fazerem um som punk/psicodélico/rock da pesada, que apesar de ser na maior parte das vezes uma cacetada, eles conseguem
trazer também profundidade, originalidade e uma densidade muito característica. Soa bem aos ouvidos mas bate igualmente forte no peito. Acho que nesse álbum, essa música representa bem essa faceta. A faixa “Ox”, 7 do albúm, é uma das preferidas também. Pois é carregada de sentimentos e com certeza é a aposta sonora mais diferente e tranquila que a banda já fez.

Gil Luiz Mendes (FreakMarket)

Dorival“Academia da Berlinda”
Música do último disco da banda pernambucana de ritmos latinos. A canção que conta da relação de um pescador com a mulher que quer que ele deixe o trabalho no mar, foi uma homenagem aos 100 anos de Dorival Caymmi, comemorado em 2015. A faixa ainda conta com a participação de Lula Louise, filha de Chico Science.

Lake Street Dive – “Mistakes”
Além de ter a melhor cantora da atualidade, a banda lançou esse ano um álbum sensacional que une R&B, Disco, Jazz, Pop… Essa faixa é uma das mais melancólicas e graciosas do disco. Climinha intimista clássico.

Flavio Juliano (FingerFingerrr)

André Whoong“12 Milhões”
O André lançou seu segundo disco, ‘Justo Agora’, em dezembro, nos finalmentes do ano, e a música ’12 Milhões’ e seu riff não saem da minha cabeça. Sabe nas horas vagas do pensamento? Então, ela tá lá. Sinal de que é uma puta música e em 2017 vai ser “12 Bilhões”.

DJ Shadow ft. Run The Jewels“Nobody Speak”
Tirando as do disco do Kanye, a música que mais ouvi esse ano talvez tenha sido ‘Nobody Speak’, do DJ Shadow com Run the Jewels. Pelo menos ela tá sempre nos ícones da primiera fila toda vez que abro o YouTube. É um sinal então. Acho que ela deu um chute na bunda do rap mainstream, que precisa de vez
em quando, e acertou umas contas.

Bijou Monteiro (jornalista/produtora)

Guaiamum“Convenience”
A justificativa é a seguinte: o disco homônimo de Guaiamum levou dez anos inteiros para ser concebido e esse preciosismo aparece de cara nas canções. Encorpadas pelas raízes de Daniel Ribeiro no post-rock, as faixas têm baterias caudalosas por terem sido pensadas por um guitarrista e isso faz muita, muita diferença nos palcos. A proposta dele é de um folk personalíssimo, em que as fusões estilísticas (post-rock, prog por aí vai) criam o requinte sonoro do disco.

D’Alva“Mas Só Se Quiseres”
Sabe música com som de maresia, sorriso, gente feliz, frescobol e uma nostalgia boa? Pois bem. Assim é o duo
português D’alva. Conheci o som deles em 2013 (álbum autoral que recomendo muitíssimo) e esse ano os meninos voltaram com um single divertido e despretensioso. Leve, gostoso de ouvir e de dançar. Nostálgico porque escutar D’alva é meio que se ver nos anos 80, com polainas, meias de lurex e walkman Aiwa
no ouvido. É ver mil referências dançantes do passado honradas em um pós-moderno tranquilo. Que não quer ser nada além de ele mesmo. E é justamente por isso que a hashtag do duo é #somosdalva

Lucas Baranyi (GQ Brasil)

Emicida“Mandume”
A letra é incrível, a produção é gigante e tudo isso foi coroado com um clipe fantástico lançado ainda nesta semana, mas o que realmente chama a atenção é o time que o Emicida levou pra gravar com ele. Não só pelo talento de todo mundo, mas por deixar bem claro que o rap é miscigenado, tem espaço pra branco, pra negro, pra mulher e pra gay. “Mandume”, pra mim, coroa ele como o melhor rapper brasileiro da atualidade.

Chance The Rapper“No Problem”
O Chance the Rapper que é, pra mim, o maior destaque internacional de 2016. Ele finalmente explodiu pro mundo com essa mixtape (“Coloring Book”) e assumiu uma posição de extremo destaque neste ano. Se Kanye West tá surtando e o Kendrick Lamar já está com a coroa de atual rei do hip hop gringo, o Chance é o filho pródigo do gênero – e todo mundo está esperando por mais coisas brilhantes dele.

Elson Barbosa (Herod)

Macaco Bong“Baião de Stoner”
Tenho uma historinha particular com essa música: assisti ao show do Macaco Bong no Z Carniceria quando eles tocaram o novo disco na íntegra, antes mesmo de ser gravado. Nenhuma música tinha título ainda. Essa foi uma das que mais me chamaram a atenção, justamente por ser uma mistura inusitada de influências regionais com stoner rock. No dia seguinte, comentando no Facebook sobre o show, falei que a minha
favorita era uma espécie de “baião com stoner”. A banda leu o post, e batizou a música dessa forma. Maior honra ter feito parte dessa história.

Swans“The Glowing Man”
Quase 30 minutos de caos. “The Glowing Man” é a faixa-título do novo álbum do Swans – o último da formação atual da banda. Tive o privilégio de vê-los ao vivo ano passado tocando faixas desse disco em primeira mão, e fecharam o show com esse monumento à cacofonia e à catarse. Não se sabe qual vai ser o próximo capítulo da banda, mas estão encerrando o atual de forma monstruosa.

Fernanda Gamarano (Der Baum)

Jonnata Doll e Os Garotos Solventes“Swing de Fogo”
Eu escolhi essa como melhor nacional porque tive o prazer de conhecê-los e tocar por um dia com eles esse som! Tem participação do Dado Villa Lobos do Legião Urbana, e tem uma sonoridade que remete os anos 80-90 mas sem soar clichê! Os caras são muito bons! Recomendo!

White Lies“Big TV”
Conheci essa banda esse ano pelo Cesar Neves, tem um clima anos 80 a la Tears for Fears, banda nova muito boa e essa faixa é minha favorita!

Raphael Fernandes (Editora Draco)

Jonnata Doll e os Garotos Solventes“Crocodilo”
Quem viu ao vivo, sabe que o Doll e seus Solventes são uma banda explosiva. De todo seu repertório atual, minha favorita é essa maluquice que rima Nilo com crocodilo e mamilo. Certamente, a banda mais punk da cena atual!

Truckfighters“Desert Cruise (Live)”
A música não é deste ano, mas o Truckfighters lançou um verdadeiro trator em forma de disco ao vivo com “Live in London”. Essa porrada sonora tem que acertar o máximo de orelhas que puder. A música nasceu de novo com essa versão!

Valciãn Calixto (Cantor e compositor)

Céu“A Nave Vai”
Não curto tanto os trabalhos anteriores da Céu, todavia durante muitas noites esse ano eu me vi ouvindo essa música antes de dormir. De alguma forma ela me deixa bem sereno. Vale acrescentar que esse disco todo da Céu é muito bem produzido, os timbres foram bem escolhidos e usados, nada sobra ou falta nos arranjos e nessa música em especial, sintetizadores e guitarras conversam muito bem. Claro que o disco dela é dos melhores de 2016, do disco eu fico com essa música.

Lady Gaga“Dancin’ In Circles”
Vou colocar essa aqui porque vindo de mim seria muito improvável. O fato é que tem pouco tempo comecei a me ligar mais nas artistas pop e nesse sentido poderia ter colocado a Rihanna aqui também, mas vou ficar com essa da Gaga porque sinto na música uma coisa bem latina no ritmo, tem um pouco do ragga, eu acho, até mesmo na harmonia. A batida tá bem na cara também junto com a voz, essa proximidade com a música latina foi o que me despertou os ouvidos assim que a canção tocou para mim na primeira vez. Esse ano fui até num evento que só rolou especial Lady Gaga a noite toda aqui em Teresina. Foi loucura!

Milton Rock (Drenna)

Drenna“Desconectar”
Além de ter uma ótima gravação toda feita no estúdio Toca do Bandido e mixado em Nova York por Aaron Bastineli, potencializando o som da faixa e deixando lado a lado de bandas do mainstream nacional no quesito técnico, a música aborda um tema super atual que é o fato de todos estarem conectados 24 por dia e quanto isso vale realmente. Quanto isso nos faz perder momentos únicos que vão ficar registrados em celulares mas não mais em nossas memorias? A questão da música fica ao redor de quanto custa desconectar.

Eruca Sativa“Antes Que Vuelva a Caer”
Essa música é foda, conta uma historia real, tem um puta peso e consegue ser pop com um refrãozão lindo. Mix e master tudo no lugar. Acho que é uma das grandes bandas de nossa epoca, pouco reconhecida aqui no Brasil.

Jairo Fajer (Autoramas)

Emicaeli“Varanda Gorfê”
Experimental, foda, minha banda preferida, tem 20 anos e pouca gente conhece. Original e feito como punk deve ser, pelos próprios braços.

The Twist Connection“Nite Shift”
Conheci em prtugal na tour com Autoramas, demais! Banda novissima.

Bruna Dourado (Hey, Take a Listen)

O Terno“Culpa”
É a minha música preferida de 2016. A melodia é sensacional e sai do lugar comum do rock alternativo nacional. A letra não poderia expressar melhor um sentimento que todos temos hora ou outra. A banda é um dos destaques do estilo e mostra que ainda podemos esperar muita coisa boa vinda de terras brasileiras.

Garbage“Blackout”
A faixa está no segundo disco em 10 anos da banda e mostra que eles estão em forma, voltando às origens sem deixar de lado a novidade. A música é incisiva e forte, mas carrega a doçura que a vocalista Shirley Manson consegue imprimir, apesar da imagem imponente.

Matheus Pinheiro (Cigana)

Carne Doce“Artemísia”
Essa música é muito forte em todos os sentidos…a sua letra e sua importância e relevância para tantas questões do “nosso hoje”, seu instrumental, dinâmico, delicado e inspiradíssimo… Essa é uma daquelas raras músicas que te conquistam, te agarram e fazem pensar muito logo na primeira ouvida…

Bones“FAT”
Descobri a Bones pelo disco novo do Jeff Beck, “Loud Hailer”, que pra mim é um dos melhores do ano. A Bones é uma dupla britânica, formada por uma baita de uma guitarrista (Carmen Vanderberg) e uma vocalista muito foda (Rosie Bones). Elas são a banda (e a voz) durante todo esse álbum do Jeff Beck, e escreveram todo o material junto com ele. Fui pesquisar mais sobre elas e descobri suas músicas, que apesar de poucas, são simplesmente animais, com uma pegada incrível.

Punk Mello (King Chong)

Tássia Reis“Ouça-Me”
Para mim o som nacional mais foda de 2016, foi a segunda faixa do CD “Outra Espera” da Tássia Reis a música “Ouça-me Remix” com produção de Dia & Grou, esse som é muito potente, vem para escancarar as portas, em um tom bem agressivo a Tássia da voz e visibilidade as minas negras que fazem um rap foda, e muitas vezes não conseguem atingir sua potencia máxima por conta do machismo, racismo e outros tipos de preconceito que o mundo da musica carrega em si! A música é inspiração total e uma overdose de animo para qualquer pessoa, quando ela começa a cantar e põe os pingos nos ‘i’ parece que a mensagem vai entrando na nossa cabeça de uma maneira bem positiva, faz a gente pensar em como consumimos a musica feita por mulheres por exemplo e como é importante um rap como esse tá circulando bastante por ai! Máximo respeito à Tássia Reis e sua banca que vem quebrando a banca de muito MC de plástico que temos por ai!

Noga Erez“Dance White You Shoot”
Para mim a melhor música do ano foi a “Dance While You Shoot”, da cantora e produtora Noga Erez, uma israelense muito talentosa que vem roubando a cena com seu som eletrônico, psicadélico, o som é animal , o beat é envolvente e bem produzido, tive o prazer de ver seu show de perto aqui no interior de São Paulo e sua performance ao vivo é muito boa, ela tá chegando com tudo, já participou de vários festivais fodas, inclusive do Primavera Sound, e aqui no Brasil participou do Boulevard Olímpico. Ela está atingindo um nível muito alto em suas produções. O clipe dessa musica é animal, mostra toda sua potência e o que me chama mais atenção nela é que ela já está circulando bastante e ainda não lançou nenhum álbum tem várias musicas ‘perdidas’ pelo net só, o que faz eu achar ela ainda mais foda!

Renato AC (Produtor, Diretor e Arroz-da-Balada 019)

Motor City Madness“Gravediggers”
Essa rapaziada do sul fez o melhor show ao vivo de 2016, além do clipe dessa música, com uma pegada doida de filme B de zumbi podre. Paulada na orelha !

Skating Polly“Pretective Boy”
Foi a banda nova que me fez pirar! São duas irmãs de Oklahoma que misturam todas as melhores influencias musicais de estéticas e atitude 90´s, sem ser só mais uma bandinha de internet. O clipe dessa música é muito bem produzido, e se inicia com melodias dançantes e vocais suaves da jovem vocalista, que gradativamente se torna em distorção e gritaria.

Gabriel Muchon (Poltergat)

Mudhill“Not About Survival”
Nem é o tipo de som que ouço mais, mas esse disco novo deles tá um primor. Muito bem gravado, mixado, masterizado… Enfim. Melhor disco de 2016 (by far), com a melhor música de 2016 na minha opinião!

Cabbage“Uber Capitalist Death Trade”
Vou na musica que mais me marcou nas ultimas semanas. Pra variar, banda de Manchester.

Jimmy Olden (Blind Beggars)

Molodoys“Quebra Arcos”
Eu sou louco por rock setentista e progressivo, essa música instrumental tem todos os elementos necessários: solo pirado de sintetizador, guitarras psicodélicas, baixo marchando e bateria jazzística.

Marillion“The Leavers”
Eu estava esperando algo novo dessa banda há muito tempo, o último lançamento foi o “Sounds That Can’t Be Made” de 2012 e é incrível como eles mexem nas entranhas dos sentimentos com as suítes deles. Eu sou louco por essa banda.

Leo Fazio (Molodoys)

Pedro Pastoriz“Revelações”
Vou escolher a música “Revelações”, quarta faixa do disco novo do Pedro Pastoriz, “Projeções”, inovador em vários aspectos e com composições muito boas e bem trabalhadas, é um dos melhores disco do ano pra mim. Sobre a faixa, escolhi a Revelações porque foi uma das que eu menos dei atenção na primeira ouvida, mas depois ela me pegou de jeito, gosto muito do peso que ela carrega em algumas partes, sem falar que as nuances e as melodias são muito bonitas.

Blank Banshee“My Machine”
Internacional eu escolho a “My Machine”, segunda faixa do terceiro disco do Blank Banshee, “MEGA”. Senti uma estranheza enorme (mas no bom sentido) quando ouvi ela da primeira vez, me passou um sentimento enorme de catarse e euforia. Acho o Blank Banshee um dos melhores projetos na ativa atualmente, recomendo demais.

Thiago Ones (Wiseman)

Sabotage “País da Fome, Humanos Animais”
É díficil (pra mim) conseguir lembrar de algum artista falecido que tenha deixado material póstumo tão relevante
quanto o que ele tenha lançado em vida. Normalmente são sobras de estúdio, gravações pessoais e coisas do tipo. Pois é, O mano Sabota conseguiu. Óbvio que o play contou com uma galera da pesada na produção, mas isso não diminui em nada o brilho e genialidade do saudoso Maurinho. “País da Fome (Humanos Animais)” começa com uma locução de rádio/TB Contando a morte do protagonista. A letra é simples: O dia-a-dia de quem viveu todas as dificuldades da pobreza extrema. É o cotidiano da miséria que gera conflitos, sofrimentos e
que acaba mostrando o caminho do crime. É a narração genuína de uma pessoa que VIVEU isso e não de alguém que tenta “pagar de favela” pra ser “COOL” malandrão! Como diz o som: “Boatos são boatos, Quem vive é guerreiro”!

Descendents“Without Love”
A música começa com “Long years waiting for it/Longos anos esperando por isso”, e foram longos anos esperando pelo show deles, né? Talvez esta nem seja a “melhor música de 2016” pra mim, mas é uma das melhores do play novo dos veteranos e foram longos anos esperando a chance de vê-los ao vivo. Esse
som é daqueles com refrão que você sai assoviando por aí, é punk rock, pop punk, hardcore melódico, chame como quiser. Descendents é clássico e ponto.

Helder Sampedro (RockALT)

Second Come“Oppenheimer Regret”
Mais de 22 anos após seu último trabalho, uma das bandas mais influentes do underground brasileiro voltou à ativa com o single “Oppenheimer Regret”. Os riffs que embalaram a geração grunge brasileira dos anos 90, a sonoridade que remete a grandes nomes da cena gringa tudo volta em grande estilo no novo trabalho dos, agora veteranos, músicos do Second Come. A música mostra porque a banda ganhou um ar mítico na cena
brasileira e nos deixa ansiosos por mais trabalhos, esperamos que Francisco Kraus e companhia sigam essa linha em um futuro e esperadíssimo álbum.

Iggy Pop“Sunday”
Se teve uma música que eu ouvi sem parar nesse ano certamente foi “Sunday”. O triunfo desse single do álbum mais recente de uma das últimas lendas vivas do autêntico rock alternativo é ser ao mesmo tempo chiclete e um “anti-single” que foge de qualquer clichê que uma canção feita pra “estourar” nas rádios teria. O hit coringa meio que se encaixa bem em qualquer hora do dia, refletindo o humor de quem ouve, dá pra bater o pezinho, dá pra arriscar uns passos de dança, ou apenas curtir as sacadas da letra que retratam um certo marasmo ou cansaço da repetição da vida cotidiana. Uma das melhores músicas de um ano que teve belos trabalhos de artistas consagrados, uma excelente maneira de curtir e celebrar a carreira daqueles que ainda estão com a gente
nessa histeria coletiva que a vida se tornou.

Emmily Barreto (Far From Alaska)

Inky“Skinned Alive”
O Inky é tão bom que a pessoa acha que não pode melhorar, aí eles lançam um álbum novo e o queixo cai do rosto de tão maravilhoso. Essa música me faz sentir uma sensação muito boa todas as vezes que eu ouço, não importa quantas vezes. O sintetizador é tipo uma luz que abduz a gente (risos).

Warpaint“Whiteout”
Não tenho como explicar o porque dessa, sério, só ouvindo e sentindo. Essas minas são surreais e as melodias nas vozes são muito muito muito muito boas. Eu trocaria o FFA pra tocar no Warpaint (risos)

Camilla Merlot (Molodoys)

Murilo Sá e Grande Elenco“Mundo Impressionista”
Nacional é a “Mundo Impressionista” do Murilo Sá e Grande Elenco, que é uma baita musica, cheia de arranjos doidos e frenéticos. Gosto muito das nuances eletrônicas dessa musica e dos arranjos de sax.

La Femme“Sphynx”
Internacional do La Femme, uma banda francesa bem grandinha até que lançou o disco 1 dia depois da Molodoys, a pegada deles é mais eletrônica, mas também é cheio de nuances e arranjos fodas, todas as musicas do disco novo são incríveis, mas escolhi a “Sphynx” que é a faixa de abertura, porque ela traz um bom equilíbrio entre o eletrônico e o orgânico, que eu senti muita falta em outras bandas nesses últimos tempos e pela melodia do vocal, que eu morro de amores!

Amanda Ramalho (Chá das 4 e 20 Músicas)

Medulla “Fim da Estrada”
Porque passa uma coisa maravilhosa. Eles imitam criancas no coro. A letra é simples e adorável.

Alicia Keys“Work On It”
Delícia de disco. Eu gostei dessa repaginada dela porque ela se desenfeitou fisicamente e deixou a música dela mais próxima da música que eu gosto. Leve, fluida as vezes pesada, mas essa música passa o mesmo que a anterior do Medulla.

Ian (Der Baum)

Jonnata Dolls e Os Garotos Solventes“Swing de Fogo”
A faixa que abre o álbum “Crocodilo” lançado esse ano e tem participação de Dado Villa-Lobos. Curto muito a pegada oitentista e obvio os climas de new wave dos teclados. Para mim uma das revelações desse ano no cenário nacional vale a pena conhecer todo o trabalho da banda de Fortaleza.

White Lies“Take It Out On Me”
A banda Inglesa que é de 2007 e eu acabei conhecendo tardiamente mas pude acompanhar o lançamento do quarto álbum chamado “Friends”. Curto muito a pegada das guitarras no fundo e os climinhas de teclado e lógico a batera com pegada de som de sessão da tarde.

Millena Kreutzfeld (Os Garotos de Liverpool)

FingerFingerrr“X”
Os paulistanos lançaram o primeiro CD este ano, chamado “MAR”. Não tinha dúvidas que o CD seria uma grata surpresa, mas mesmo assim fiquei assustada com a qualidade. A escolhida é “X”, que segundo Cifas (baterista), foi criada espontaneamente na gravação. Gosto como a letra conta uma história, a sensação de robôs cantando graças aos sintetizadores e como a voz da Luiza Lian explode, dando o toque feminino na música fazendo total diferença. Com certeza é uma das favoritas do play do ano.

Hanni El Khatib “Gonna Die Alone”
A escolha internacional são os queridos de Los Angeles, Hanni El Khatib. Os conheci através de Bass Drum Of Death, já que o selo deles é o mesmo. O projeto da banda esse ano foi lançar 5 EP’s chamados “Savage TImes Vol. 1”, “2”, “3” e assim respectivamente. De todas músicas, “Gonna Die Alone”, presente no primeiro EP é a minha favorita. Gosto como eles brincaram com o próprio estilo deles – que difere um pouco do dois primeiros CDs. Além disso, o ritmo otimista é o contraste perfeito com a letra que conta com um destino fatal. “I’m gonna die alone, really alone. If the ones that hate me don’t kill me first, the ones that love me gonna harm me worse.”

Yannick ou AfroSamurai (rapper)

Vivendo do Ócio“Batalha do Sono”
É uma musica que fala sobre as inspirações noturnas. Cheia de metáforas sobre a vida, sobre o amor, sonhos e as sensações da noite.

Ho99o9“Da Blue Nigga from Hell Boy”
Gosto de músicas estranhas que me chocam e que perturbam minha mente.

Mariana Ceriani (Dead Parrot)

Carne Doce“Artemísia”
“Artemísia” fala de um tema que voltou a ser palco de discussão recentemente: o aborto. Falar desse tema em uma música não é tarefa fácil, então só por isso já é louvável. A letra direta, o arranjo emocional das cordas e a voz da excelente cantora Salma Jô, que começa mansa, mas vai crescendo e tomando força, como se quisesse falar para o mundo de peito aberto sua escolha, se complementam nessa baita música. É o tipo de música que mexe com o emocional.

David Bowie“Lazarus”
Não poderia deixar de escolher uma música do melhor CD do ano, “Black Star”, em minha opinião. A música ”Lazarus” foi o último single de Bowie antes de morrer. Todo contexto é fascinante, como se fosse o grand finale da carreira e da vida dele. Na música, Bowie relembra alguns momentos da sua vida e sua voz transmite o pesar de ter que ir embora, mas, no final, abraça o alívio de ir e, finalmente, ser livre. A atmosfera melancólica, introduzida com graves bem definidos, o tom ‘jazzístico” e a guitarra ‘indie’ da introdução transmitem o que foi esse grande ídolo da música e da cultura pop: um músico que quebrou paradigmas, misturou estilos e nunca teve medo de ousar.

Dudx Babaloo (A Coisa Toda)

Davis feat. Cameo Culture“Blind”
Davis é um dos produtores mais refinados que o Brasil tem atualmente. À frente da festa ODD e do selo In Their Feelings, ele conseguiu criar um público específico juntamente com seus parceiros de selo e festa, esse ano ele lançou “Blind” e cativou mais ainda esse público com uma proposta sonora sofisticada e leve. Lançado pela Innervision, um dos mais respeitados selos de música eletrônica, ‘Blind’ é um single que nos fez ver o quanto o país tem a oferecer para o mercado da música.

Metronomy“Night Owl”
Após um festival de emoções que foi ‘Love Letters’, Metronomy retornou um pouco mais sóbrio e também melancólico em 2016. A banda sempre manteve esse equilíbrio entre um som animado mas que sempre toca na nossa tristeza interior, algo difícil de atingir. Esse sentimento dúbio, que está nas entrelinhas, faz com que a gente sinta e se comunique com a banda de maneira especial. É como nesse video, um passeio com a morte,
sem ter medo dela.

Priscila de Castro Faria (Winteryard)

BRVNKS“Freedom Is Just A Name”
Descobri há pouco o Brvnks e gostei. Me soou despretensioso, bem feito e me remeteu aquela brisa boa de bandas ensolaradas tipo Alvvays e Best Coast, só que um pouco mais “roqueiro”. Do EP acho que “Freedom is just a name” realmente ganha destaque. Ela me fez querer ouvir mais e , principalmente, ir em um show, ouvir ao vivo, dar uma dançada…

Angel Olsen“Sister”
Já era uma grande fã da Angel Olsen desde o álbum anterior (“Burn Your Fire for No Witness”) e então, quando ela lançou o “My Woman” ,fui bem empolgada ouvir o novo material. E ele realmente superou minhas expectativas. É um álbum bem revigorante, direto, onde conheci um outro lado da cantora mas também a reconheci em vários momentos. Minha música favorita é “Sister”, talvez por eu ter uma certa tendência a
gostar de músicas mais melódicas e sonoramente tristes (risos), mas certamente também é pelos maravilhosos últimos minutos onde se desenrola um desajeitado e barulhento solo de guitarra, que nos fazem relembrar o que há de mais sincero no espirito do indie/grunge.

Artie Oliveira (Don Ramón)

Huaska“Pode”
Tem uma pá de banda que lançou material novo este ano (eu me incluo nessa com o Don Ramón), mas se é pra escolher alguma que realmente me causou impacto, eu fico com a primeira música do disco novo do Huaska. Por quê? Porque eu achei extremamente válido da parte deles, que ganharam notoriedade de fundir Bossa Nova ao Nu Metal, gravar uma faixa que não tem nenhum elemento que caracterizou o disco anterior e ao mesmo tempo, retoma o tipo de som que se fazia no começo da banda, no caso, do EP “Mimosa Hostilis”.

Descendents “Without Love”
É mais pela questão emocional mesmo. Todo mundo tava esperando esse disco sair depois de um intervalo de doze anos do “Cool to be You” e ainda mais, pelos shows (maravilhosos) que rolaram no começo do mês. Eu estava lá e garanto: foi uma das raras vezes que uma banda das antigas tocou material novo e as músicas estavam na ponta da língua da galera MESMO! Fora que, é um dos melhores refrões do Descendents até hoje e ver os quatro ao vivo depois de anos de espera, vale a pena pra caralho!

Fernando Tucori (R7)

Mescalines“Serpente de Bronze”
O disco homônimo lançado pelo duo Mescalines em 2016 foi a melhor coisa que arrumei para andar na rua, para escrever sem freio e para botar pensamentos pra rolar. Parece nada, mas é absolutamente tudo. O destaque, apenas por primeiro impacto, vai para a faixa de abertura, “Serpente de Bronze”.

AJJ“Junkie Church”
Definitivamente rebatizados como AJJ, o Andrew Jackson Jihad reescreveu a Bíblia em 2016 e, se tem um disco que resume o refluxo azedo que voltou queimando a garganta neste ano, é este. Sean Bonnette, vocalista e letrista, amadureceu de um punk que odiava o mundo pra um cara que tenta entender a própria cabeça. Fico com “Junkie Church”, que é daquelas músicas que têm o poder de mudar teu dia se te pegar do jeito certo, no lugar certo e com o tipo divagante de raciocínio.

Victória Zav (Serapicos)

Marina Melo“Laura”
Nacional eu acredito que seja a música Laura, da Marina Melo, porque fala sobre os abusos que as mulheres sofrem e claramente 2016 teve muita discussão sobre isso e muitos avanços e retrocessos ao mesmo tempo no que diz respeito a igualdade de gênero, só movimento feminista.

Alev Lenz“Fall Into Me”
Internacional eu diria que foi a música “Fall Into Me”, da Alev Lenz, porque essa composição dela é simples mas ao mesmo tempo engenhosa e bem produzidaça, além de que ela conseguiu ir pra trilha sonora de Black Mirror, no último episódio da terceira temporada, o dias abelhas.

Mariô Onofre (Mescalines)

Jonnata Doll e os Garotos Solventes“Crocodilo”
Jonnata Doll é um multi artista e essa junção com os Garotos Solventes é incrível guitarras frenéticas, palhetadas e riffs que não ouvia faz tempo nessa onda bunda mole que está por aí, não sei se bunda mole é a palavra certa, bom que se foda. Os shows ao vivos do Jonnata Doll e Os Garotos Solventes é pura energia realmente é contagiante todo mundo que assiste ou fica chocado ou entra na onda. Recentemente eles lançaram o álbum “Crocodilo” ao qual estou escutando agora. Façam o mesmo:

Cavernoso Viñon“Ouvre la Gorge”
A banda Independe Internacional eu escolhi o Cavernoso Viñon onde a vocalista é uma paraguaia que canta em francês e seus músicos brasileiros da cidade de Curitiba, a noticia da volta deles recentemente foi uma grande surpresa pra mim e espero que a banda não acabe tão cedo, anseio por disco novo em 2017.

Amanda Abreu (Seis Músicas)

LAY“Chapei”
Na real, é muito recente essa minha decisão. Vi uma série de reportagens da ID MAGAZINE com a Grace Neutral e ela foi entrevistar a Lay, eu ainda não conhecia a Lay e fui pesquisar, achei foda e achei no spotify, que entrou recentemente. Então, uma artista independente pra mim, a melhor música é essa.

Tinashe “Cold Water”
A Tinashe tem uma música chamada “Cold Water” que eu acho foda. E ela foi uma que eu escutei muito em 2016, ela em si é uma mina muito forte, que tá começando e estourando o R&B vibes sexys e eu gosto muito. Esse álbum dela é sexy, e eu escuto sempre que posso pra me sentir assim também, então escolho essas pra internacional.

Mariana Cantini (Don’t Mind The Fuzz)

Fernando Maranho“Jodorowsky”
Sou meio suspeita pra falar, como grande fã de Cérebro Eletrônico… Esse é projeto solo do Fernando Maranho (voz e guitarra), acompanhado pelo Renato Cortez no baixo e Gustavo Souza na bateria. O show é uma experiência alucinante, cósmica e que me deixou com um sorriso quase infantil no rosto por mais umas 2 horas depois do show terminar. Super recomendo!

Ty Segall“Candy Sam”
É foda acompanhar os mil projetos dessa maquininha, mas acho que esse é o meu favorito. A performance ao vivo no KEXP é incrível e o Ty Segall como front man bebê babão é maravilhosa!

Jéssica Liar (Youtuber)

Quatro Negro“Benedito, 682”
Eu não gosto de musicas melancólicas mas me pego ouvindo essa música do Quarto Negro durante horas seguidas e acredito que seja porque me trazem memórias que eu nunca construí. A letra consegue transportar você pra a aquela situação, é quase que viver um clipe só ouvindo e nem é preciso estar triste para prestar atenção. É surreal como essa música entra no cérebro e deixa pensativa. Não recomendo ouvir pra dormir porque é insônia na certa, mas devo dizer que to escrevendo sobre ela enquanto deitada na cama tentando dormir pois vale a insônia. Música foda é aquela que mexe com os seus sentimentos até esquecidos!

Stephen“Fly Down”
Piano, bateria, guitarra, sintetizador, teclado, voz , ritmos lentos e mais agitados e conseguir uma música foda? Stephen faz isso em praticamente todas as suas músicas do álbum “Sincerely”. A música “Fly Down” eu acho que passei pelo menos uma semana ouvindo só ela, e mais nada. Depois eu voltei pro álbum inteiro do Stephen. Música come pelas beiradas e vai dominando sua atenção, se transforma em algo que você menos
espera a cada minuto que passa e te surpreende. É boa pra ouvir em qualquer momento, em casa tomando vinho, andar de skate, uma road trip e até pra transar.

Bá Monteiro (cantora e compositora)

Atlântico Lunar“Bilhão”
A dupla carioca Felipe Vellozo e Gabriel Luz fez um dos discos mais bonitos que eu já ouvi na vida. Eles tocam na banda da Mahmundi também (que é MARA). Quando ouvi esse disco pela primeira vez, fiquei tão surpresa que parei tudo que estava fazendo para prestar atenção na música. Ela me acalma e me deixa feliz. É lindo demais. O disco inteiro é maravilhoso, letras boas, instrumental rico. Mas a faixa de abertura é minha preferida e já te faz mergulhar nessa onda de good vibes e tranquilidade. Como passar uma tarde relaxante na praia no Rio de Janeiro, mas sem a breguice hippie de aplaudir o pôr do sol. É bonito e classudo. A música mais gostosa do ano! E uma das melhores surpresas que eu tive com música esse ano, também. Vi os caras ao vivo recentemente e o show não decepciona. Eles são felizões no palco, parecem super gente boa, empolgados e relaxados, bem na pegada solar da música. Merecem muito estar em uma lista de melhores do ano.

Jamie T “Tescoland”
O Clash é minha banda preferida da vida e “Tescoland”, do também londrino Jamie T, é a música que mais me lembra o Clash que eu já ouvi! Nenhum outro artista trouxe o som da Only Band That Matters de volta à vida de forma tão forte quanto ele. Joe Strummer ficaria orgulhoso. Essa faixa é muito semelhante sonoramente e também tem uma letra de crítica social com sotaque forte inglês que lembra muito o quarteto punk – e, principalmente, Joe Strummer. A letra fala de suicídio, desilusão amorosa, desesperança, crise econômica, aquela sensação de ansiedade, pânico e depressão de se sentir desajustado em uma sociedade cada vez mais
maluca e em um mundo que parece cada vez menor. Tesco é a maior rede de supermercados do Reino Unido, aliás. Daí o nome “Tescolândia”. Atualmente o Jamie T não é mais tão independente, ele assinou com a Virgin, mas possui um selo próprio e tem um som bem alternativo e ainda não vi ninguém no Brasil falando dele – apesar de ele já ter quase 10 anos de carreira, já estar relativamente famoso no Reino Unido e da BBC tocar suas músicas sem parar. Essa música é boa demais e merece ser divulgada por aqui. “OUVÃO!”

Victor José (Antiprisma)

Alambradas“Mapa dos Arredores”
Essa faixa do EP “Clíclica” já me chamou atenção antes de ser gravada. Nicole já havia lançado uma session tocando essa, só com piano. Mas na versão definitiva me chamou atenção a levadinha, que por algum motivo me lembrou logo de cara aquelas canções do Beach Boys. Sem contar a letra, que é muito honesta, verdadeira. Ouço frequentemente. Vale também destacar a participação do Victor e do Lucas do Bratislava no baixo e na bateria, respectivamente. Ficou uma vibe bem pop, mas um pop redondo e que não enjoa.

Charles Bradley“Nobody But You”
Poderia escolher qualquer uma do álbum “Changes” que ainda assim seria mais que justo. O que falar de uma voz como aquela? É um tipo de som que não tem erro. Pra quem gosta de soul das antigas então, nem se fala. Mas no caso dessa música, além do feeling de Bradley, o arranjo é uma maravilha. Aquela guitarrinha com tremolo, o naipe de metais… Tudo muito bom.

Elisa Oieno (Antiprisma)

Ale Sater“Filha do Dino”
Difícil escolher uma faixa do EP “Japão”, do Ale Sater. Escolhi a “Filha do Dino” e sua viola caipira. A melodia e letra lembram aquele som de raíz brasileira nordestina e sertaneja, e a guitarra ‘etérea’, que permeia por todo o EP, dando aquela ‘vibe’ meio melancólica. “Bão” demais.

Slowcoaches“54”

Eu conheci esta banda recentemente, e me pegou logo de cara. Slowcoaches é um trio de Londres com um som diretão e alto de pegada punk tradicional, ‘garageira’. Eles acertam na mosca em melodias junto com timbres e pesados e barulhentos, como nessa música ‘54’, um belo exemplo de noise pop. Essa faixa
está no EP “Nothing Gives”, que foi lançado este mês.

Roberta Artiolli (SETI)

Tagore“Mudo”
Gosto dos synths, dos timbres e da produção foda! Acho a canção uma bela representante do psicodélico Brazuca, alto nível.

Phoebe Sinclair “This Isn’t Love”
A música da inglesa que conheci esse ano é um mix de belezas. Melodia poderosa, atmosfera envolvente, levados por uma voz deliciosa. Adoro a dinâmica da música. Ah, e o clipe também me hipnotiza. Fuck yeah, Phoebe!

General Sade (Porno Massacre)

Blues Drive Monster“Negação”
Mas vamos lá, aqui na terra da aposentadoria post-mortem eu elejo a música “Negação”, do Blues Drive Monster. Porra! Que som! Pra começar ela tem umas quebradas no ritmo tão abissais, que parece que cê levou uma paulada e até reagir, ela já mudou de novo. Acho muito louco quando a quebra vem assim, tipo uma curva da Mogi Bertioga. E com o passar do tempo ela vai ficando mais caótica. Pô, se é divertido assim ouvir, imagino tocar essa música, com essa caoticidade toda, principalmente no final, Achei show. Outro ponto é a voz, que está colocada de uma forma que sempre me tira um sorriso, tem uns picos agudos no meio que acho geniais, depois uns guturais lá pelo meio.

Motorpsycho“Lacuna/Sunrise”
Já na gringa, eu gostei muito (acho que a faixa de 2016 que eu mais ouvi), “Lacuna/Sunrise” do Motorpsycho que tem um riff delicioso e maldito, porque é um chiclete desgraçado e você não consegue se livrar daquilo nunca mais durante o dia. Fora que ela é enorme, dá pra deixar tocando e esquecer, só deixar rolar. Mas é uma puta música pra, sei lá, ficar chapado no alto de algum lugar alto (com toda essa redundância possível mesmo)…

Dani Buarque (BBGG)

Overfuzz – “Evil Desires”
Overfuzz é uma das minhas bandas favoritas da cena. Eu escuto o álbum deles pelo menos 1x por semana. Essa faixa segue o mesmo que sinto quando escuto o álbum “Bastard Sons of Rock n Roll”, aqueles timbres lindos nas guitas, a cozinha maravilhosa e os vocais melódicos e rasgados do Brunno. Pra mim, a melhor música de 2016.

Reignwolf“Hardcore”
Eu sou APAIXONADA pelo som deles mas só tem umas 3 músicas de estúdio na internet, o resto vc só ouve nos shows. O Jordan Cook é inacreditavel na guitarra, o show é bem blues rock n roll e ele é um puta front man. Esse som é um pouco menos “guitar hero” que os outros mas eu curti bastante os efeitos da guita e o vocal dele sexy-agressive (risos), só deixou a galera mais ansiosa pelo álbum completo que tá de rosca pra sair.

Lucas Lerina (Der Baum)

Dingo Bells“Dinossauros”
“Dinossauros” do Dingo Bells, foi uma música que me gerou um sentimento de nostalgia e amor à primeira audição.

Kanye West“Ultralight Beam”
Também rolou uma coisa sentimental, pela ambiência e a letra, apesar do Kanye não ser flor que se cheire, o disco é muito bom!

Ciça Bracale (Gomalakka)

Raça“Dez”
Não sei se é a melhor, porque teve muita coisa boa mesmo, ouvi muito Carne Doce, Gorduratrans, Jonathan Tadeu, etc etc Mas marcou, porque tava no setlist preparado e ouvido no caminho do parto da Flora, nossa primeira filha.

Angel Olsen“Woman”
Foi um disco que toquei muito pq ti estudandonesse tipo de sonoridade pro meu projeto solo, além de curtir muito o ar jukebox das músicas dela com essa voz nostálgica, curto muito a poética, as letras, e essa é uma música extensa, mas nada cansativa, bem lírica que não canso de ouvir.

Boqa Santana (Penhasco)

Jonathan Tadeu (feat Sentidor) – “Sorriso Besta”
É importante que levar em conta quatro fatores: 1. Jonathan Tadeu é um gênio. 2. Essa música é foda, mas o disco todo te eleva espiritualmente se você realmente gosta de música! 3. “Queda Livre” é um dos melhores discos lançados nessa porra de década do roque independente. 4. Pelo amor de deus, Jonathan Tadeu!

Kevin Abstract“ECHO”
Eu conheci o “garoto do capacete” nesse ano. Ele faz um rap bem fora da curva, e uma das provas cabais é a canção “Echo”, uma balada sobre problemas familiares, depressão e fuga de casa. A faixa integra o disco “American Boyfriend: A Suburban Love Story”, um dos melhores do ano na minha opinião.

Debbie Hell (Música de Menina/Ouvindo Antes de Morrer/Debbie Records)

Cabin Fever Club“April”
Essa música é do álbum de estréia de Johann Vernizzi, lançado em julho de 2016 com 10 músicas junto com um 7′ de acetato de tiragem limitadíssima (só 20 cópias). Você pediu só uma música mas vale a pena ouvir o disco todo. É um som bem lo-fi, intimista, extremamente pessoal e despretensioso, que o Johann gravou em seu quarto, sozinho. Em algumas músicas ele chegou a usar o fone do iphone para captação de voz. O resultado é impressionante: se perdendo em todas as camadas da música, letra, melodia, clipe (tudo no DIY), é impossível ignorar o talento do garoto e a preciosidade do som.

Sheer Mag“Nobody’s Baby”
De novo estou só escolhendo uma música de um todo incrível. O Sheer Mag é uma banda da Filadelfia que lançou seu terceiro EP em Março deste ano. O som junta elementos de garage e power pop e a vocalista desafia os padrões da indústria não só com sua sonoridade, como com sua imagem fantástica e super inspiradora.

Fernando Sanches (CPM 22 / O Inimigo / El Rocha / Againe)

Hurtmold“7:30”
Olha o Queijo: Baixo meio Cólera, Bateria Free Jazz, Guitarras Minutemen Cracudo e de quebra Paulo Santos fodendo a porra toda.

Descendents“Spineless and Scarlet Red”
Bill Stevenson, meu compositor favorito em grande forma.

Alf Sá (ex-Rumbora, Supergalo, Raimundos)

Mahmundi“O Calor do Amor”
Canção pop das boas com uso de sintetizadores indiscriminado, sem perder a classe e letra em português. A Mahmundi além de compor bem é excelente produtora. O álbum todo é massa.

Michael Kiwanuka – “Cold Little Heart”
A introdução com ar cinematográfico já fisga a atenção de cara. Depois vem um clima Floydiano que emenda num soul rasgado de emocionar o mais duro dos seres humanos. Grande descoberta. Acho foda.

Amanda Rocha (La Burca)

Rakta“Filhas do Fogo/Conjuração do Espelho”
Então, eu tenho escutado pouca coisa nova gringa – fico meio nos 80´s / 90´s (risos), mas gosto de Thee Oh Sees, tem o novo dos medalhões Leonard Cohen, Nick Cave, Bowie…mas o que me pegou mesmo foram os nacionais. Me toca muito esse som, uma mistura intensa-cabrera-e-linda de raízes tribais post punk com um xamanismo empoderador. Essas minas são foda, uma das melhores bandas do Brasa.

Quarto Negro – “Obsessivo”
Esse som é demais, obsessão e imprevisibilidades sobre o relacionar, difícil ficar indiferente. Fiquei por um tempo escutando no repeat quando foi lançado e ainda ouço. Comecei a prestar atenção na banda por este som.

Quarta edição da Semana Internacional de Música de São Paulo ocorre entre 7 e 11 de dezembro

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SIM São Paulo

A Quarta edição da SIM – Semana Internacional de Música de São Paulo ocorre entre 7 e 11 de dezembro, contando com uma ampla programação de shows e palestras. O evento vai ocorrer no Centro Cultural São Paulo com conferências, meet-ups e showcases, além de diversas apresentações em casas de show da cidade. Nesse ano, a SIM tem uma nova regra: metade da programação de showscases e palestrantes terá de ser com mulheres para reforçar seu espaço no meio artístico e no mercado de trabalho.

Durante o SIM haverá diversos shows, entre eles Allie X (Canadá), The Baggios (BR), As Bahias e a Cozinha Mineira (BR), Bareto (Peru), Deb And The Mentals (BR), Ezequiel Borra (Argentina), FingerFingerr (BR), Iara Rennó (BR), Jéf (BR), La Dame Blanche (França/Cuba), Jack Nkanga (Angola), Maglore (BR), Ogi (BR), Random Recipe (Canadá), Molina y los Cósmicos (Uruguai), Ventre (BR), Céu (BR), INKY (BR) e muitos outros. Confira a programação completa aqui.

Serviço geral:
SIM SÃO PAULO 2016
Data: 7 a 11 de dezembro
Venda no site oficial: http://www.simsaopaulo.com/pb/inscricoes-abertas/

Conversei um pouco sobre  o evento com Fabiana Batistela, diretora da SIM São Paulo:

– Conta um pouco de como será o SIM deste ano.

Estamos chegando na quarta edição da SIM São Paulo em um formato muito maior. É um crescimento não somente físico, mas também conceitual. O mercado da música se desenvolve muito de um ano para o outro e a SIM é um reflexo disso. Neste ano, mais uma vez, o evento tem como base o Centro Cultural São Paulo, que abriga a parte de showcases diurnos e também as palestras, workshops e rodadas de negócios. Já a programação noturna se espalha pelas casas de shows da cidade.

– Qual é o propósito do evento?

A SIM São Paulo é um evento para o mercado da música. O foco do evento é conectar pessoas de vários estados e países que trabalham na cadeia produtiva e criativa da música. Para isso, trabalhamos com três pilares: 1) SIM Live, que é a exposição de tendências musicais do Brasil e de outros lugares do mundo; 2) Convention: é a parte de conferência, que focada em informação, capacitação e profissionalização do mercado por meio de palestras, workshops e debates; 3) Network & Business: são atividades geradas para incentivar a conexão entre pessoas e artistas, além de incentivar novas parcerias e negócios.

– Você acha que faltam eventos como este, que enaltecem a música autoral brasileira?

Acho mais do que enaltecer o mercado de música autoral, a SIM São Paulo fortalece a música autoral brasileira. A SIM foi o primeiro evento neste formato em São Paulo. Eu frequentava vários eventos nos mesmos moldes em outros lugares do mundo e não via o porquê não ter um na minha cidade. A SIM pretende colocar a música brasileira em outro patamar, já que um dos nossos focos é a exportação da música brasileira. Sempre trazemos profissionais de fora, de jornalistas a produtores, selos, distribuidores. Só neste ano, serão mais de 60 profissionais de outros países.

– O que você acha da cena independente brasileira hoje em dia? A SIM tem olhos para a música autoral independente?

A gente fala com toda a cadeia da música, não há restrição de estilo musical. A gente trabalha com música autoral, geralmente independente, e abraça tudo que tiver afim de ser abraçado. A velocidade com que a SIM cresceu nos últimos quatro anos é um reflexo de como o mercado independente vem se desenvolvendo rapidamente também. Um, dois anos é muita coisa no mercado da música. Hoje, vemos eventos inspirados na SIM pipocando pelo Brasil, além de novas bandas, coletivos, enfim… Tá todo mundo focado em se organizar e fazer o mercado evoluir.

– Qual a sua opinião sobre as paradas musicais brasileiras hoje em dia?

Eu nem sei quais são as paradas musicais atualmente. É um grande erro pensar em mercado e sucesso hoje em dia tendo top 10 e parada de sucesso como parâmetro. Atualmente, o conceito de sucesso na música é poder fazer o que você quer para um público específico, que pode ser de 200 pessoas ou 200 mil pessoas. O sucesso é alcançar o que você quer. Tem banda que se mantém no mercado há anos com um público fiel sem nunca ter entrado numa parada de sucesso ou ter uma nota publicada em um veículo de grande circulação.

– Pra finalizar, uma dúvida mais existencial: a música pode mudar o mundo?

Pensa no seguinte cenário: deleta música do mundo e imagina como ele seria. Dá pra viver sem isso? Não consigo enxergar um mundo sem música.

Ouça esta playlist que fizemos especialmente para o SIM São Paulo 2016, com os artistas que você poderá ouvir no evento:

A voz dos pequenos: 12 músicas que utilizam corais de crianças e adolescentes

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Nem só de Balão Mágico, Galinha Pintadinha e Xuxa vivem as vozes infantis na música. Muitas vezes elas podem transformar completamente uma canção, dando uma nova atmosfera a versos e refrões, ainda mais quando juntam um belo coral de vozes angelicais formado apenas por crianças.

Elencamos aqui 12 exemplos de músicas em que o coral infantil (ou adolescente) foi usado com maestria. Tente imaginar estes sons sem as vozes dos pequenos e perceba como eles são uma força latente nas músicas:

Sia“Cheap Thrills”

O megahit da misteriosa (e talentosa) Sia conta com um batalhão de crianças para ajudá-la no refrão com o mote “I love cheap thrills”, o que dá ainda mais força para a música.

Gorillaz“Dirty Harry”

Imagine só você um monte de criancinhas falando algo como “eu preciso de uma arma para me proteger do mal”? Pois é o que a trupe animada de Damon Albarn faz em “Dirty Harry”, uma das melhores faixas do disco “Demon Days”.

Emicida“Casa”

A faixa do disco “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”, de 2015, tem forte influência da África, para onde o Emicida viajou durante a produção do álbum. Nesta faixa, as crianças são responsáveis pelo refrão “O céu é meu pai / A terra, mamãe / E o mundo inteiro é tipo a minha casa”.

Red Hot Chili Peppers“Aeroplane”

O maior hit do ponto fora da curva “One Hot Minute” conta com o refrão de “It’s my aeroplane” em um outro cantado por Clara Balzary (filha do baixista Flea) e suas colegas. Ela também aparece no clipe vestida de aviãozinho.

Nas & Damian Marley“My Generation (Feat. Lil Wayne & Joss Stone)”

Essa já começa com “My generation will make the change” sendo cantado entre palmas por um grande coral infantil e Joss Stone acompanhando. Não preciso nem falar mais nada!

Passion Pit“Little Secrets”

Esse aqui tem até “Behind The Scenes” das crianças gravando o coral! A música faz parte do disco “Manners”, de 2009. Higher and higher and higher!

Justice“D.A.N.C.E.”

O refrão cantando por crianças do hit gigantesco do Justice traz uma coisa meio “Jackson 5” para a música e é um dos fatores que fez o som estourar e tocar em tudo que é lugar.

Pink Floyd“Another Brick in the Wall Part II”

A clássica voz infantil cantando “We don’t need no education” é algo que até seus pais devem lembrar direitinho. Na época foi mega chocante e até hoje é usada como protesto.

M.I.A.“Paper Planes”

Aqui, o refrão “All I wanna do is (som de tiros) and take your money” dá ainda mais força à canção de M.I.A. com sample de “Straight To Hell” do Clash.

Martika“Toy Soldiers”

Acho que o que eu mais gosto nessa música é a tal parte em que as crianças cantam. E o refrão. Pra mim essa música tinha que ser só refrão.

Faith No More“Be Aggressive”

A coisa meio “cheerleader” em um quase spelling bee de “Be Aggressive” foi até chupado por Marilyn Manson em “mObscene”. É claro que o FNM fez muito melhor.

The Carpenters“Sing (Sing a Song)”

A coletânea que seus pais compraram assim que puderam pra tocar sem parar no rádio do carro. As crianças cantam no final do single mais fofucho e good vibes do duo.

Jay-Z“Hard Knock Life”

O refrão de “Hard Knock Life” é uma adaptação de uma música do musical “Annie” no teatro com a letra transformada em algo mais big pimpin’. E com vocal de crianças, claro.

Lógico que não pára por aí. Fiz uma playlist no Spotify mostrando esses e mais alguns momentos em que a criançada invade o microfone. Faltou alguma? Conta aqui nos comentários!

Terceira edição do Maria Bonita Fest faz barulho pela resistência da mulher negra

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No Dia de Finados, 2 de novembro, acontece o Maria Bonita Festival, no Baderna (Rua Oscar Freire, 2529). O festival, que está em sua terceira edição, surgiu da ideia de pedir mais espaço para mulheres do punk/hardcore/riot grrrl. Desde sua criação até a produção musical do evento, tudo é 100% gerido por mulheres. “A gente não visa lucro, portanto as entradas são gratuitas. A gente passa o chapéu pra ajudar as manas das bandas que tocam e tal”, explica Cint Murphy, uma das organizadoras. “Fizemos o primeiro Maria Bonita na Casa Goiaba, que fica na Barra Funda, tivemos média de 100 pessoas circulando durante o festival. O segundo que fizemos foi na Associação Cultural Cecília, quando trouxemos a banda Mantilla da Dinamarca”.

A terceira edição tem o tema “Solidão e Resistência das Mulheres Negras” e as bandas tem no mínimo uma integrante negra. As outras atrações, como flash tattoo, comidinhas, roda de conversa e manicure serão conduzidas também apenas por mulheres negras. No palco, Jenny Zion (Campinas), Gabi Nyarai (São Paulo), Noites Violentas (São Paulo), Obinrin Trio (São Paulo) e Liar, cover do Bikini Kill (São Paulo). As Flash Tattoos ficam por conta de Candylust ThamuMariana Silva, pra comer a culinária vegetariana da Casa da GovindaWhat the Cake?, manicure e pedicure com Simonekelly e uma roda de conversa com Mãe Lésbica Negra.

“O machismo ainda é forte na música de modo geral, no cenário independente não é diferente, fica nas entrelinhas. Os organizadores de festas e festivais chamam bandas com mulheres para cumprir cota. Dificilmente se é visto um festival misto de verdade, por isso resolvemos fazer um com as nossas próprias mãos e de maneira colaborativa, sempre pensando nas mulheres e dando oportunidades pra bandas novas mostrarem seus trabalhos”, explica Cint.

A cena independente não fica fora das críticas, apesar de ter uma certa melhoria. “A cena tá melhorando mais por que tem muita mina empenhada em fazer acontecer do que contar com os organizadores que já estão jurássicos né. Não esperamos que eles mudem, estamos tomando nosso espaço de volta, seja ocupando os shows, seja produzindo, seja criando… Os homens da cena não querem abrir mão de seus privilégios, por isso são relutantes ainda mesmo em meios libertários. A mudança vem de nós por nós. A mudança é bem simples: começar a enxergar o cenário feminino não como cotas, mas como parte integrante da cena. Incentivar mesmo a inclusão das minas, a gente já perde desde criança por que quase nunca somos incentivadas a aprender um instrumento, montar um palco, fazer a técnica de som, participar da organização de festivais como um todo… Isso sempre fica na mão dos caras e raramente eles abrem mão pra uma mina representar, gerir e criar. O trabalho que fazemos é exatamente esse: mostrar pras minas que elas podem tudo! E é ai que tá a mudança”.

Para finalizar, a organizadora deixa um recado para todas as mulheres, sejam elas da cena artística independente ou não. “Mulheres: não desistam! Esse espaço também é nosso! A gente enfrenta um monte de empecilhos no meio do caminho que tenta nos impedir de sermos o que sonhamos, mas estamos aqui umas pelas outras, pra nos darmos suporte. A gente pode se sentir fraca quando nos vemos sozinhas, mas juntas temos um poder imensurável nas mãos!”

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo humorista Daniel Duncan

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Daniel Duncan
Daniel Duncan

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é o humorista e roteirista Daniel Duncan.

Vince Staples “Smile”

“Minha primeira dica é a canção “Smile” do Vince Staples. Ela faz parte do novo EP lançado por ele, “Prima Donna”. Gosto muito dessa música e do álbum como um todo. Tecendo através de rimas sólidas e instrumentais bem criativos, o Vince traz um olhar honesto e cru sobre desesperança e a vontade de desistir. Vale a pena também conferir o curta metragem que foi lançado junto com o novo EP“.

Jordan Max – “Hell”

“Essa música tem uma vibe meio “cristã”, mas não é dogmática, relaxem. Na verdade, ela diz que o primeiro passo para se lutar por um mundo melhor é se libertando da indiferença. Gosto muito dessa mensagem. Sei pouco sobre o músico, ele é novo na praça, mas sei que a música foi gravada no quarto do Max e é muito intensa e poderosa, mas que, infelizmente, passou despercebida por muitos”.

Don L“Verso Livre Nº. 1 (Giramundo)”

“O Don L é um dos rappers brasileiros mais interessantes na minha opinião. A mixtape “Caro Vapor / Vida e Veneno de Don L” é um dos melhores trabalhos do gênero lançado nos últimos anos. Vale muito a pena conferir. Em “Verso Livre”, com um clipe gravado em uma ocupação em São Paulo, Don fala um pouco da sua saída do Ceará até São Paulo e os obstáculos que precisou vencer para chegar ao topo. Gosto muito da metáfora do clipe, ele subindo de degrau em degrau até alcançar os céus”.

Lay“Ressalva”

“O EP da Lay, “129129”, é uma das maiores surpresas desse ano. É uma mistura de feminismo, punk, moda e rap de muita qualidade. Em tempos onde o feminismo ganha ainda mais força, a música da Lay torne-se um grito de guerra em mundo onde o machismo ainda reina”.

Isaiah Rashad“Tranquility”

“Certamente você já ouviu falar da Top Dawg Entertainment, a gravadora formada pelos membros do Black Hippy (Kendrick Lamar, ScHoolboy Q, Jay Rock e Ab-Soul). Mas existem artistas maravilhosos dentro desse selo que ainda não alcançaram os olhos de todos. Um deles é o Isaiah Rashad. Rashad é um rapper bastante versátil que explora tópicos como depressão e relacionamentos de uma maneira muito honesta e sincera, que são características que aprecio em um artista. Diria que depois do Kendrick, ele é o melhor do selo. Portanto, gostaria de recomendar uma música dele: “Tranquility”. Na verdade, todo o álbum “Cilvia Demo” é excelente! Uma montanha russa de sentimentos e emoções, que merece ser apreciado”.

Serapicos chega com letras sarcásticas e ácidas nos 120 minutos de “17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”

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Serapicos
Foto de André Fontes

O primeiro disco da banda Serapicos“17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”, foi escrito e produzido pelo cantor e compositor Gabriel Serapicos e mistura, segundo eles, “letras filosóficas, sarcásticas, niilistas, eróticas, cinematográficas e messiânicas com blues cigano, samba boêmio, jazz swing, rock anos-60 e harmonias de voz”. Além disso, o álbum dos paulistanos foge das obras curtas e EPs que estão em alta, contando com 26 música em aproximadamente 120 minutos de música em português. Gabriel explica: “17 foi o primeiro esboço do disco e é um número primo indivisível. Conforme o processo de gravação avançou, mais músicas surgiram, porém, já estávamos apegados ao nome”. O trabalho foi produzido ao longo de 2 anos, mixado por Zeca Leme e masterizado por Arthur Joly.

Além de Gabriel Serapicos e Victória Vaz nas vozes, o Serapicos é também formado por Pedro Serapicos no baixo (“e aconselhamentos espirituais”), Matheus Souza na bateria e Caio Nazaro nas guitarras. Com influências de nomes esquizos e geniais da música brasileira como Júpiter Maçã, Rogério Skylab e André Abujamra, a banda mostra toda sua força em “Buscopan”, um dos pontos altos do disco, com uma visão sombria e dançante do universo dos jingles farmacêuticos, “Eu Escolhi Esperar”, com uma pegada oitentista, que fala sobre abstinência sexual pré-matrimônio, e “Mulher-Bomba”, um trip-hop com participação de Luiza Pereira, da Inky, na voz principal.

 

Conversei com Gabriel sobre a banda, o disco e suas letras em português, discos longos e o papel das redes sociais na vida de um artista independente nos últimos tempos:

– Como este projeto começou?

O projeto começou com eu gravando minhas músicas num gravador de fita cassete em 2004. Desde então, fiquei meio obcecado por esse lance de compor, escrever letra e gravar. O Pedro Serapicos, então bebê, acompanhou todo esse processo de perto. A experiência de tocar ao vivo veio mais tarde, lançando o primeiro disco, Serapicos is a town. Nesse recrutamento para formar a banda no palco conhecemos o Matheus, mais tarde a Victória e o Caio.

– De onde surgiu o nome Serapicos?

Serapicos é um nome grego de um vilarejo em Portugal. Provavelmente, alguma família grega recém-convertida fugiu de alguma perseguição religiosa para terras portuguesas em tempos medievais. Mas como disse Bruce Willis em “Pulp Fiction”: nomes não significam nada na América.

– Me conte um pouco mais sobre “17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”. De onde surgiu a ideia de criar um disco com tantas faixas em um momento em que o single e o EP são mais valorizados que uma obra extensa?

Esse álbum é uma coleção de canções que escrevi entre o fim de 2013 e 2014. Foi o período que decidi de uma vez mudar as letras do inglês para o português. Escrevi quase todas essas músicas numa leva, embora muitas melodias já habitassem meu inconsciente ou a memória do meu celular há algum tempo. O número de músicas tomou proporções bíblicas durante o processo e resolvi lançar um álbum com 26 músicas mesmo. Não é um disco para ouvir-se numa sentada. É pra ouvir em duas sentadas. Tipo os filmes clássicos como “E O Vento Levou” e “Lawrance das Arábias” que tinham 4, 5 horas e rolava um interlúdio no intervalo. As pessoas saíam para conversar e uma banda tocava no hall. O disco é uma viagem pelos mundos personagens que habitam a minha cabeça, coloridos pelas lindas intervenções musicais da Victória, Pedro, Matheus e Caio. É um álbum cheio de assunto, de referências e provocações.

Serapicos

– Quais as suas principais influências musicais?

Cresci ouvindo bandas de punk rock, como Green Day e The Clash. Aos poucos fui sofisticando meu gosto para canções ouvindo The Beatles e assistindo Noviça Rebelde”. Gosto muito de uma banda chamada The Magnetic Fields, que tem letras fenomenais. Ouvir música clássica e jazz também ampliou muito minha concepção de harmonia e forma musical. Resumindo: Tento me influenciar por tudo que ouço, pode ser a música de um comercial de absorvente ou o hino nacional da Eslováquia, pois existe beleza em tudo, já que o feio também é bonito.

– Qual a sua opinião sobre a cena independente brasileira hoje em dia?

Só consigo falar sobre a cena independente de hoje em dia já que sou bem jovem, digo não sou velho. Tenho 26 anos e isso não é velho. A cena é muito legal, tem muita gente criativa se auto-lançando e é bem interessante acompanhar o desenvolvimento de artistas que você acaba se tornando amigo.

– A internet, as redes sociais e os serviços de streaming são heróis ou vilões para a música independente?

Nem heróis, nem violões. É o que temos para hoje. Tornou-se muito mais fácil lançar-se como artista independente mas a porcentagem de grana paga por um play online é muito menor do que o que era paga pela venda de um CD.

– Porque fazer letras em português é importante?

Acho que sua língua materna sempre vem de um lugar mais primitivo, carnal, intestinal do que uma língua que você desenvolve posteriormente. Falar palavrão numa outra língua não tem o mesmo efeito emocional. E minhas letras tratam de personagens em estados muito confessionais, dizendo coisas muito intimas. As letras soam mais fortes e mais reais em português.

Serapicos

– Quais os próximos passos da Serapicos?

Queremos entrar no Disk MTV. Ainda rola isso? (risos). Vamos promover o álbum, fazer mais shows, lançar várias músicas ao vivo e um ou outro clipe. Já tenho dois outros discos engatilhados.

– Recomendem bandas e artistas independentes que você ouviu nos últimos tempos e chamaram sua atenção.

André Whoong é um ótimo compositor que está lançando um trabalho bem interessante. E Renato Pegasus. Guardem esse nome.