5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo rapper Kamau

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foto: Ênio César

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é o rapper Kamau, que lançou recentemente o single “Tudo Uma Questão De…”.

Dinosaur Jr. “Just Like Heaven”
Eu ando de skate há quase 30 anos e muito da minha formação musical vem dos vídeos de skate.
Quando eu vi o vídeo da (marca) Blind chamado “Video Days” (dirigido por Spike Jonze), gostei muito da parte de um skatista chamado Rudy Johnson. Ali conheci a música do Dinosaur Jr. e chapei! Depois desse vídeo eu sempre trocava ideias sobre a banda com o maior fã de Dinosaur que conheço: meu amigo Eugênio Geninho. Só bem depois fui saber que essa era uma versão de uma música do The Cure, banda que eu já conhecia. Mas a versão de J. Mascis e companhia sempre será minha preferida.

Daryl Hall & John Oates“Say It Isn’t So”
Um dia eu acordei com essa música na cabeça ali pro final de 2014, começo de 2015. E ficava cantarolando esse refrão sem saber o porquê. Eu cresci nos anos 80 e ouvi a música na época em que tocava em rádios e alguns programas de TV. Mas não sou o maior fã da sonoridade dessa época. Algumas músicas voltam pra mente apenas por memória afetiva, mesmo não tendo marcado nenhum momento específico da vida. E essa virou uma preferida aleatória dessas. Tanto que eu sampleei pra uma batida que fiz pro meu EP “Licença Poética”. Mas não vou revelar qual pra deixar esse “gostinho de mistério” no ar.

Instituto“#1”
Fui convidado por Daniel Ganjaman pra ser o MC do formato “show” do coletivo Instituto nos palcos em 2003. Aprendi muito musicalmente desde então. E uma das canções integrantes do disco “Coleção Nacional” se tornou uma das minhas preferidas da vida. Fico feliz em conhecer pessoalmente os autores de uma música tão bonita. Eu sempre pedia pra que ela fizesse parte do nosso repertório só pra ouvir ali do palco mesmo, antes do meu momento de rimar sobre ela e sair de cena pra ouvir mais um pouco. Obrigado, Maurício Takara e Daniel Ganjaman, por essa em especial, mas por todas as músicas que já fizeram ou contribuíram no nosso universo musical.

Tulipa Ruiz“Só Sei Dançar Com Você”
Conheci essa música da Tulipa num show organizado pelo Ganjaman em meados de 2011 em que o Criolo dividiu essa canção com ela no palco. Desde então, ela sempre volta de alguma forma ao meu cotidiano. Esse som me fez convidá-la pra participar do meu EP de 2012, “… entre…”, na música “Lágrimas do Palhaço”. Tinha até pedido autorização dela pra samplear essa música mas não consegui pensar num jeito que fizesse jus à essa obra. Vai ficar de trilha pra vida.

The Free Design“Never Tell the World”
Eu e o DJ Nyack colocamos como hábito em nossas vidas comprar ao menos um vinil por semana. Claro que nunca conseguimos comprar um só. Mas eu mantenho essa prática de ir até a loja e comprar pra samplear, pra pesquisar ou simplesmente ouvir alguns achados. Numa dessas idas às compras, achei o vinil “Kites Are Fun”, da banda The Free Design que era rotulada como “sunshine pop” e havia sido sampleada na canção “Zone Out”, do rapper Big Pooh (integrante do Little Brother). Virou vício imediato e de tempos em tempos eu volto a ouvir esse disco todo e ainda vou encontrar uma maneira de sampleá-lo bem. Mas essa canção em específico tem uma letra com a qual me identifico muito. Não gosto de gritar aos quatro ventos o que estou fazendo pra que não dê errado. Daí também vem a justificativa do significado de Kamau: Guerreiro Silencioso. E isso se aplica a muitos aspectos da minha vida. E pretendo continuar agindo assim pra que não cresçam o olho no pouco que tenho.

Construindo Yannick Aka Afro Samurai: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do rapper

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foto por Luís França

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o rapper paulistano Yannick Aka Afro Samurai, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Beatles“I Want You” (She So Heavy)
Essa música eu ouvi por anos na minha infância. Minha mãe é fã de Beatles e quando meus irmãos e eu estávamos fazendo a lição de casa, ouvíamos “Abbey Road” sempre. Esse disco eu conheço de cor.

Jethro Tull“Aqualung”
Na minha adolescência aos domingos pela manhã, meu pai gostava de nos acordar com uma música, ele aumentava no último volume se dirigia ao meu quarto, levantava a persiana e chegava gritando “borá acordar!”. “Aqualung” era uma de suas preferidas, no início peguei “bode” desse som, mas depois passei a ouvir e gostar de Jethro Tull.

Wu-Tang Clan“Wu-Tang Clan Ain’t Nuthing Ta Fuck Wit”
Uma das primeiras paixões musicais, quando eu ouvi Wu-Tang Clan pela primeira vez senti que era isso que eu queria fazer da vida, cantar rap. Pelo fato de ser filho de pai negro e mãe japonesa, ver homens negros cantando rap sob a influência da cultural oriental, me senti representado.

Racionais MC’s“Mano na Porta do Bar
A primeira referência de rap nacional foi Racionais MC’s, o disco “Holocausto Urbano” foi um choque pra mim, e o seguinte, “Raio X do Brasil”, foi algo surreal. Decorei todas as músicas e a partir dai incorporei o rap na minha vida. Lembro que um amigo tinha esse vinil e eu ficava ouvindo em casa, meus pais devem ter pensado “o Yannick vai ser maloqueiro” (risos). Pois é, sou (risos).

Body Count“Body Count In The House”
Musicalmente falando eu comecei a ouvir rock, meu irmão é roqueiro nato, conhece muita banda e claro por influência dele eu conheci essa banda fenomenal, que unia o melhor do rap com o melhor do rock.

Rage Againt the Machine“Killing In The Name”
Outra grande influência do meu irmão, eu queria ser o Zack de la Rocha, pois já gostava de rap e de rock e ele unia toda a levada do rap e a fúria do rock, monstro! Quando fui no SWU e vi esses caras ao vivo eu pensei “Agora posso morrer, pois já vi e senti de tudo”.

Bobby McFerrin“The Voice”
Esse álbum “The Voice” do Bobby McFerrin fez muita diferença na minha infância. Teve um dia em que estava no meu quarto e meu pai, minha mãe e meus irmãos estavam na sala assistindo TV. Eu peguei essa fita K7 coloquei no walkman do meu irmão, coloquei o fone e fiquei pirando e cantando as músicas desse disco que são todas performadas através apenas da voz do cantor. Eu pirei tanto e cantei tão alto que meu pai e meu irmão vieram ao meu quarto e ficaram me olhando por um bom tempo, dando muita risada pois eu estava de olhos fechados cantando “I Feel Good”, tomei um baita susto quando eu abri os olhos e lá estavam eles rindo de mim, foi muito engraçado (risos).

Seal“Kiss From The Rose”
Essa canção é linda, outra grande influência do meu pai. O meu pai é muito fã de Seal e desde a canção “Crazy” eu virei fã também. Mas quando saiu o disco “Seal 1991” e meu pai o comprou eu devo ter ouvindo umas mil vezes. Ouvir Seal me fez enxergar o quão eu era e ainda sou sensível em relação a vozes até hoje eu choro quando o ouço, ele é um grande artista.

Stone Temple Pilots“Plush”
Outra canção da adolescência roqueira que tive, lembro que quando passava esse clipe na MTV eu tentava imitar o timbre do Scott Weiland.

Alice In Chains“Would”
Mano, esse som é de arrepiar! Lembro que quando eu ouvia o baixo eu corria pra frente da TV ou do radio porque a minha vontade era ser o Layne Staley. Às vezes tinha medo dessa música, parecia um invocação do mal (risos)!

M.R.N“Noite de Insônia”
Grande época da radio comunitária Bela Vista FM, ouvi muito esse som, comprei o CD e tudo. Um salve ao Movimento Ritmo Negro! “Charley Baby Brown” era um outro som pesado do grupo.

U2“Kiss Me Thrill Me Hold Me Kill Me”
Antes de entrar na trilha do filme “Batman Forever”, o meu irmão já tinha esse disco, quando eu ouvi falei “U2 é muito foda!”. Essa música é daquelas pra transar com a namorada e ela nunca mais te esquecer (risos).

Boot Camp Clik“And So”
Um dos grupos de rap underground mais fodas do mundo, antes desse som eles já faziam clássicos enquanto muitos no rap queriam fazer hits. Pra mim é uma grande inspiração, gosto e bebo dessa fonte.

Def Squad“Full Cooperation”
Um dos grupos mais fodas do rap, Keith Murray, Redman e Erick Sermon e claro, eu tenho ate hoje esse cd, “obrigaaah” (risos)

Canibus“I Honor U”
Cara, esse é um tipo de som que sempre quis fazer, colocar uma linda voz feminina no refrão e vim arregaçando nas rimas. A “Luto Por Você” do EP “Também Conhecido Como Afro Samurai” é também inspirada nela.

Sean Paul“Gimme The Light”
Teve uma época que mergulhei no ragga através de um amigo, o Guilherme “Presa”, skatista e vídeomaker conceituado. Ele me apresentou esse mundo do reggae roots e do raggamuffin, lembro que quando o Sean Paul veio ao Brasil fomos no show dele e ficamos na primeira fila.

Kamau“Só”
Sempre que preciso entender a seguinte frase “A solidão é a dádiva dos seres excepcionais” eu ouço essa música. Kamau é um desses seres excepcionais. Valeu mestre.

U2 e Pavarotti “Miss Saravejo”
Mano choro sempre que ouço essa música. Lembro que quando a ouvi na adolescência aflorou uma paixão pela ópera e música clássica, porque quando o Pavarotti começa a cantar não tem como não se emocionar.

Tricky“She Makes Me Wanna Die”
Quando a Martina Topley Bird veio a São Paulo e eu perdi esse show, eu literalmente chorei. Lembro perfeitamente ter passado na frente do antigo Studio SP na Rua Augusta, trombei um conhecido e o perguntei o que ia rolar e ele me disse “ah, vai rolar um trip hop”. Não entrei de vacilão que fui, e no dia seguinte li no jornal que esse “trip hop” era a Martina e ela cantou essa canção. Fiquei puto. Anos depois o Tricky veio e eu não podia perder esse show por nada desse mundo. Fiquei 2 horas antes da bilheteria do SESC abrir e comprei o ingresso dos 2 dias. No dia do show eu levei o CD que contém essa música e tive a puta sorte de encontrá-lo, trocamos ideia, ele autografou o meu CD, tiramos uma foto e mano, o cara é muito sangue bom a ponto de me levar ao camarim dele, nunca esquecerei esse dia. Fora os dois shows que foram surreais, botaram o SESC Pompeia abaixo.

Joe Cocker“With A Little Help From My Friends”
Cara eu tenho 33 anos, assisti ao seriado “Anos Incríveis” na TV Cultura, então quem é dessa época, vai entender o porque. Esse som maravilhoso.

Construindo Arnaldo Tifu: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o seu som

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o rapper Arnaldo Tifu, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Pepeu“Nome de Meninas”
Foi um dos primeiros rap que escutei na vida, e pelo fato das rimas serem genuínas é simples incentivou a brincar de fazer rima e estimulou, uma grande referência.

Racionais MCs“Fim de Semana no Parque”
Esse som veio como as vozes das periferias, narrando características fortes do cotidiano. Quando eu escutava essa música e olhava pro bairro, eu via tudo que a música falava: a descrição, a base e a poesia forte, representatividade.

Consciência Humana“Tá na Hora”
Esse rap me ensinou que eu poderia falar do meu bairro, foi uma referência que incentivou fazer rap também, me influenciou a escrever meus primeiros versos.

MC Cidinho e Doca – “Rap da Felicidade”
Esse funk, além da batida miami bass que parece um sampler do Afrika Bambaata da música “Planet Rock”, tem a voz forte que clamava por paz nas favelas. Na época em que foi lançado a linguagem simples e batida dançante contagiou a juventude das favelas do Brasil, e pra nós não poderia ser diferente.

Kool Moe Dee“Go See the Doctor”
Lembro das festinhas de garagem, da casa de máquina do Dudu tocando os flashback e os flash raps que bombavam… O Dudu me deixava limpar os discos em troca de uma ficha e uma Tubaína e ficava me falando como eram os bailes do Clube House e ensinando como eles dançavam em passinhos.

Tim Maia“Ela Partiu”
Música que me ensinou o que era o sampler, por que a primeira vez que ouvi os arranjos desse som foi na música “Homem na Estrada” dos Racionais. Depois que eu escutei Tim Maia entendi como podia se fazer rap através do sample e a importância que o rap tem em resgatar músicas através da arte de samplear.

Raul Seixas“Maluco Beleza”
Meu pai curtia bastante as músicas do Raul, ele tinha várias fitas K7 e sempre colocava essa música em alto e bom som pra gente escutar e cantar, e depois usei as fitinhas tudo pra gravar rap (risos).

Fundo de Quintal“Amor dos Deuses”
Vim do berço do samba e essa música a gente já tocava desde pivetinho nas rodas de samba com meus primos e lideradas pelo meu tio avô, o Tio Cido, que já fazia a gente empunhar um balde, um prato ou uma frigideira pá tocar um samba. Já naquela época a gente ficava encantado com a poesia desse samba.

Facção Central“Artista ou Não?”
Rap de mensagem forte me ensinou desde a primeira vez que eu escutei a identificar o rap como arte.

Rage Against the Machine“Killing In The Name”
Vixi! Essa música marcou meus circuitos de skate, quando tava na febre e ia correr os campeonatinho, já pedia pro DJ tocar essa. Já até me aventurei em cantar numa banda cover do Rage e Beastie Boys (risos).

Planet Hemp“Mantenha o Respeito”
Teve uma época que o hardcore ficou bem forte na minha vida, principalmente com o surgimento de bandas nacionais com a pegada do rap e do rock. O Planet foi muito significante nesta época, foi a época que comecei a ficar mais cabeção no skate e sair mais do bairro pra curtir com outras quebradas e dialogar com diferentes tribos.

Fugees“Killing Me Softly”
A voz feminina do rap/R&B forte e representativa demais, marcou minha vida apaixonado em escutar as música dessa mulher.

Wu Tang Clan“Triumph”
Abriu minha mente pra prestar atenção nos diversos modos de se versar num rap, cada um rimando nessa banca com suas peculiaridades e o boom que foi quando surgiu o Wu Tang, nós curtimos muito.

Criolo“Ainda Há Tempo”
Ainda quando o Criolo era doido, vi um show dele e quando ele cantou essa música ele se emocionou e comoveu o público que estava presente no evento, cerca de umas 70 pessoas. Mas o sentimento e a verdade versados nessa música foi impactante, foi um hino pra minha vida.

Cassiano“Onda”
Música que hipnotiza, mais instrumental e realmente parece que a música é o oceano em movimento, uma das música que me trazem paz.

Herbie Hancock“Chameleon”
Original funk, este groove me inspirou a criar vários versos, levadas e flows, pra mim uma aula. É inspiração e toda vez que escuto fico com vontade de criar.

Arnaldo Tifu“Simplicidade”
Essa música minha é uma obra pela qual eu tenho muito carinho, acho que eu consegui transmitir a simplicidade que vivo no meu cotidiano e que eu almejo para as pessoas do mundo.

Thaíde e DJ Hum“Afro Brasileiro”
Tá aí uma música que me ensinou sobre a minha descendência, orgulho, alto estima e luta.

John Coltrane“Blue Train”
Essa música é sensacional, tipo um teletransporte. Me inspirou a criar alguns personagens, uma nova maneira de explorar a música e introduzir isto no meu universo criativo.

Emicida“Triunfo”
Esse som foi as vozes das ruas da minha geração no rap. Quando Emicida lançou e estourou com este som, me mostrou a possibilidade de fazer a parada acontecer de verdade, pela vitória e pelo triunfo. E como vivíamos todos bem próximos nas rodas de rima de freestyle, esse som foi um hino pra nós. Emicida provou que é possível. E essa música marcou!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Dani Buarque, do BBGG

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Dani Buarque BBGG

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Dani Buarque, guitarrista e vocalista da banda BBGG.

Reignwolf“Are You Satisfied”
Eu falo pra todo mundo OUÇAM ESSE CARA PELOAMORDEDEUS. Comece vendo esse vídeo.  Não preciso dizer mais nada se você for no youtube e dar play agora. DE NADA.

Mugison“I Want You”
Mugison é um cara da Islândia. Tanto ele quanto o Noisettes eu descobri lá em 2005, 2006 com o melhor algoritmo já inventado (LastFM). Ele tem uns sons bem doidos. Eu curto muito mostrar ele para as pessoas a partir dessa que é a mais “pop”. A voz dele é maravilhosa e os arranjos incríveis. Vale ouvir essa e se gostar dar uma navegada nos álbuns dele.

Noisettes “IWE”
Essa banda muita gente conhece mas acho que a maioria conhece a partir do album que pra mim já não é mais massa. Eles tem um álbum INCRÍVEL do começo ao final que se chama “What’s The Time Mr Wolf”. É difícil escolher a melhor musica do album mas essa toca fundo. A vocalista dessa banda alem de tocar e cantar muito tem uma coisa que acho o maior diferencial: interpretação. Nesse som é o que mais se destaca. Quando eu ouço essa música eu ouço pelo menos umas 3x.

Peach King“Mojo Thunder”
Essa banda conheci muito por acaso. Alguém escreveu pra página da BBGG que deveríamos fazer um som cover dessa banda (????) (risos) Super aleatório. A gente nem curte tocar cover mas acho que a Gringa (toca comigo na BBGG) ouviu e falou que era massa. Dei uma chance e amei. Eu gosto também porque lembro dela, a gente sempre ficava bêbada cantarolando ela por aí ❤.

Rizzle Kicks“Wind Up”
Saindo um pouco do rock: o álbum “Roaring 20s” pra mim é um dos melhores álbuns que ouvi em 2013. É um rap/funk com metais, sei lá definir. Eu amo e no meu Spotify e é a segunda banda que mais ouvi depois de Faith no More (risos) de tanto que ouvi esse álbum. Tentei ouvir outros sons deles mas não curti. Mas enfim essa música é uma das melhores do álbum bem dançante e animado.

Bonus Track:

Faltou o Har Mar Superstar. Não sei se ninguém conhece mesmo mas sempre que ponho em festas as pessoas dizem nunca ter ouvido falar. “Lady You Shot Me” é um musicão. Ouça os 5 primeiros segundos dela e se apaixone. É aquele tipo de música que te dá um mix de sensações tem parte pop, parte com metais, parte triste. Ele também só tem um álbum que eu acho foda que é o “Bye Bye 17”.

“La Haine (O Ódio)” (1995): Bob Marley e hip hop nos conflitos entre a polícia e a população em Paris

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La Haine (O Ódio)
Lançamento: 1995
Direção e Roteiro: Mathieu Kassowitz
Elenco Principal: Vincent Cassel, Hubert Koundé e Saïd Taghmaoui

Paris, a cidade luz, a capital do glamour, dos vinhos chiques e de mais uma porrada de coisa, é também, fora do centro e da torre Eifel, uma cidade violenta, onde o “conflito” entre a polícia e a população imigrante pobre manda na ordem dos dias. No filme de Mathieu Kassovitz (que havia de fato, perdido um amigo que morreu sob custódia da polícia), os amigos Vinz (Vincent Cassel), Hubert (Hubert Koundé) e Saïd (Saïd Taghmaoui), depois da noite dum protesto violento contra a ação policial na região que tinha matado um garoto, se encontram, fumam um beck, trocam uma ideia falando sobre a noite passada e inventando história pra contar vantagem, tretam, contam piadas, vão pro centro da cidade encontrar um cara que tava devendo uma grana pro Saïd, perdem o metrô pra voltar, ficam rondando Paris de madrugada e mais uma série de coisas, sempre botando a relação entre ele e suas reflexões de gente chapada, em contradição com uma realidade brutal que é o jogo de classes, na França e em todo o mundo.

Beeem chapados..

Inteiro em PB, o longa de 1995 que conta com dois cenários (o conjunto habitacional na periferia da cidade e o centro de Paris) e também com uma trilha muito loka. A cultura do hip hop que na época bombava no mundo bombava também em Paris, com representantes como os rappers Cut Killer e Passi e a banda Assassin, e no filme isso não fica escondido. A cena provavelmente mais massa é quando tá toda uma galera numa praça e um DJ do bairro em um prédio bota umas caixas de som na janela e faz um som misturando o rap “Assassin de La Police” com “Non Rien De Rien” da Edith Piaf.

O DJ que aparece no vídeo é o próprio Cut Killer, autor do som “Assassin de La Police“.

Além dos raps franceses, o filme também conta com um “Burnin’ and Lootin’” do The Wailers, um “Say It” do Jonh Coltrane, a dançante “More Bounce to The Ounce” do Zapp, “That Loving Feeling” do Isaac Hayes e mais uma porrada de coisas entre jazes, reggaes, raps e etc.

Trailer:

Quem sampleou os Beatles? Dica: vai de Frank Ocean a Pink Floyd!

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Beatles

Você pode ou não gostar de Beatles, mas uma coisa não dá pra negar: eles mudaram a música popular pra sempre. Apesar de existirem conspirações que dizem que, se uma pessoa não fizer nada, outra faz, na realidade em que vivemos, no universo em que nos encontramos, na realidade à qual pertencemos, John, Paul, Ringo e George fizeram história. Então, em comemoração ao 54º aniversário do EP “The Beatles (No. 1)” resolvemos listar alguns dos samples mais populares do quarteto inglês, de acordo com o site WhoSampled. Alguns pela sua popularidade, outros pela sua peculiaridade.

1) Frank Ocean – “White Ferrari” (2017)

A baladinha, lançada em junho deste ano pelo cantor, possui sample da música Here, There and Everywhere“. Ocean já havia sampleado Beatles anteriormente na música “Seigfried”. O sample em “White Ferrari” começa exatamente aos 1:25 do vídeo abaixo:

2) Gary Clark Jr. – “Numb” (2013)

Este caso não é apenas de um sample, mas sim é usado apenas o baixo de Come Together com a guitarra por cima cima. O resultado pode ser percebido, com o som do baixo limpinho de Paul McCartney acompanhado de uma guitarra suja com um timbre meio Black Keys.

3) Pink Floyd – “Let There Be More Light” (1968)

Essa é um dos samples que mais me chamou atenção. Primeiro, como falo desde me conheço por gente, o Placebo plagiou essa música do Pink Floyd na sua Taste In Men, isso é algo que ninguém me tira da cabeça. Segundo, eu escuto essa música desde sempre e nunca tinha percebido que existia um sample de “Lucy in the Sky with Diamonds” exatamente aos 2:51. Clique abaixo e ouça com seus próprios ouvidos.

4) Wu-Tang Clan + Erykah Badu, Dhani Harrison e John Frusciante – “The Heart Gently Weeps” (2007)

O nome já entrega que a música sampleada é While My Guitar Gently Weeps, do famoso Álbum Branco lançado em 1968. O curioso é que, assim como a faixa do Gary Clark Jr. citada acima, aqui foram usados elementos apenas das vozes da música original e a batida que marca a entrada do rappers.

5) The Beatles – “I Saw Her Standing There” (1963)

Pra ficar uma parada mais justa, vai rolar uma inversão no quinto lugar. Os Beatles, em 1963, lançaram seu primeiro álbum, “Please Please Me”, com músicas originais e covers. Uma das originais é “I Saw Her Standing There”, que abre o disco. Se você ouvir esta música e depois I’m Talking About You, de Chuck Berry, vai perceber que a linha de baixo é… idêntica! Sample ou Paul McCarntey encarnou Reggie Boyd?

A trilha sonora perfeita para um Halloween sangrento

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Chegou o natal dos trevosos e queremos comemorar! Não importa se você mora em terras tupiniquins e queira chamar de “Dia do Saci”, o importante é colocar sua fantasia, pegar um copo de vinho barato e aproveitar as festinhas com a melhor (e mais mórbida) playlist.
Conversamos com alguns amigos do underground nacional para saber o que escutariam em uma noite de Halloween. O resultado foi assustadoramente bom.

Mesmo com algumas mudanças e intervenções comerciais no decorrer do tempo, a história do Halloween desafia as festas cristãs tradicionais por ter uma origem pagã que não perde suas raízes. Manter viva uma comemoração que fala sobre a morte e exalta figuras demonizadas pela sociedade tem lá sua importância. É no ode ao bizarro e no confronto social sobre o que é considerado “aceitável” que o rock encontra o Halloween. Muitas bandas e artistas homenageiam a data, seja nas composições ou na estética “creepy”. Impossível não mencionar alguns ícones: Alice Cooper com suas apresentações chocantes que influenciaram toda uma geração, Black Sabbath que construiu o conceito da banda inspirado em contos de terror, Misfits que deu origem ao Horror Punk, Rob Zombie que até dirigiu o remake do filme Halloween e King Diamond com seu microfone feito de ossos humanos. Claro que a lista de artistas que bebem dessa fonte é muito maior e, inclusive, merecem uma matéria futuramente.

No Brasil, terra de Zé do Caixão, Mula Sem Cabeça, Toninho do Diabo, Michel Temer e Saci Pererê, temos nossas bandas terrivelmente boas. A coletânea Isto é Horror Punk Brasil reúne bandas brasileiras que falam sem misericórdia sobre cadáveres, sangue e satanás. As bandas de punk rock brazuca tem um sarcasmo único nas composições, coisa que só sabe fazer quem cresceu com medo do homem do saco, no meio da tensão da favela, com presidente vampiro sugando o povo e correndo de bandido portador de peixeira. Rir da desgraça é coisa que brasileiro faz melhor do que ninguém.


E falando em rir da morte e se divertir com a decadência, vamos às indicações de músicas para embalar o Halloween com muito sangue de groselha:

Zumbis do Espaço – “O Mal Imortal” // Amanda Magnino
Começando pela minha indicação, claro! Zumbis do Espaço é punk rock do Brasil e o clipe dessa música tem participação do grande mestre José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Zumbis do Espaço não tem medo de chocar ninguém, fala do capeta, violência e cemitério. Por algum motivo muito bizarro, sempre que eu escuto a banda eu fico de bom humor, então, pra mim, é a trilha sonora ideal pra uma noite de celebração degenerada.

Misfits – “London Dungeon” // Alexandre Cacciatore – O Inimigo

Nekrotério – “Jason” // Joe Porto – Lava Divers
O Joe considera Nekrotério o Misfits do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. E cá pra nós, se alguém sobrevive às loucuras do cerrado, sobrevive a qualquer noite de terror.

Bauhaus “Bela Lugosi’s Dead” // Victor José – Antiprisma
“Classicão. Não vejo nenhuma outra música com apelo tão soturno a ponto de me fazer lembrar sangue, vampiro, lápide, cadáver, caixão, cemitério e noite apenas com poucos compassos de bateria. E o mais estranho é que, se você reparar bem, aquilo é uma bossa nova! Ela é tétrica por inteiro. Aquele riff repetitivo do baixo, a guitarra levemente noise e o vocal afetado dão um ar de hipnose nos quase dez minutos de duração. E mesmo esquecendo dessa coisa dark, dá pra perceber que ali tem uma noção estética absurda. Parabéns aos envolvidos. Além disso “Bela Lugosi’s Dead” é meio que pioneira nessa pegada, tanto que muita gente a considera como “a inauguração do rock gótico”, o que fez com que o Bauhaus se incomodasse um pouco (e com razão). Poxa, Bauhaus é uma banda incrível, vai muito além disso. Enfim, não dá pra pensar em fazer uma festa de Halloween sem essa.”

Carbona – “Eu Acredito em Monstros” // Andrei Martinez – Francisco, El Hombre

Alice In Chains – “Grind” // André Luis Santos “Murça” – Desventura
De acordo com meu querido amigo Murça, o clipe dessa música é o mais mórbido possível.

Itamar Assumpção – “Noite de Terror, Oh Maldição” // Moita Mattos – Porcas Borboletas
Nessa versão o Itamar mistura “Noite de Terror” do Roberto Carlos“Oh Maldição” de Arrigo e Paulo Barnabé. Obviamente a mistura ficou bem bizarra, ou seja, perfeita para uma noite sinistra.

Ministry – “Everyday Is Halloween” / Rafael Lamin – Enema Noise
Não precisa nem falar nada, né?

O Lendário Chucrobillyman – “Macumba For You” // Mauro Fontoura – Muñoz

Sopor Aeternus – “A Strange Thing To Say” // Vitor Marsula – Molodoys
“A escolha já começa com a própria artista, que é, basicamente, uma pessoa que ninguém tem certeza de onde vem, o que é e como é e, pela banda de apoio, que é alegadamente uma hoste de espíritos que ajudam Anna Varney Catandea, a única integrante viva da banda a compor, e do fato da banda só performar para a alma dos mortos. Juntando à temática da música, que é a relação do personagem com o seu único amigo, um assassino da mais alta qualidade e a ponderação e até felicidade em pensar que o mesmo poderia ser quem tiraria sua vida num futuro, tornam ela, para mim, uma ótima música para essa época. Isso sem contar a música em si, que tem uma pegada que vai desde a música barroca até uma sonoridade bem agressiva de forma linda e que te cativa muito. E o clipe da música merece uma atenção também por ser bem creepy e reconfortante, como é essa época do ano.”

The Cramps – “Bikini Girls With Machine Guns” // Marco Paulo Henriques – Uganga
Não podia faltar The Cramps nessa lista, obrigada Marco Paulo!

John Carpenter

– “Escape From New York” // Gabriel Muchon – Poltergat
“Não tem como não falar de John Carpenter quando o assunto é Halloween e música. O cara não só escreveu e dirigiu o primeiro filme da lendária franquia de Michael Myers, mas também criou e produziu a icônica trilha sonora. Recentemente ele lançou um disco “Anthology: Movie Themes 1974-1998″ e conta com vários clássicos, como o “Escape from New York’.”

Drákula – “Cidade Assassina” // Gordon Rise – Light Strucks
Mais uma do horror punk nacional pra nossa lista.

Soundgarden – “Beyond The Wheel” // Lúcia Vulcano – Pata
‘Beyond the Wheel’ é a quarta música do ‘Ultramega Ok’
do Soundgarden e fica entre as músicas 665 e 667. Ou seja… A sonoridade remete a um clima tenso, com um andamento lento e riff bem pesado. A letra fala de uma dinâmica familiar patriarcal, baseada em guerra e lucro. Bem, não há coisa entre o céu e a terra mais assustadora do que isso, certo?”

Marilyn Manson – “The KKK Took My Baby Away” / Amanda Ramalho – Chá das 4 e 20 Músicas / Jovem Pan FM
“Eu ganhei um tributo aos Ramones de uma amiga gótica na minha adolescência, cheia de bandas famosas fazendo versões dos caras, mas essa sempre me impressionou mais. O clima é totalmente macabro. Quando eu penso nessa musica eu canto na versão do Manson, não na dos Ramones. Pra mim ela faz muito mais sentido com ele.”

The Gothic Archies – “Smile! No One Cares How You Feel” // Pedro Serapicos – Serapicos
Stephen Merritt é um dos meus cantores preferidos e um compositor absurdamente prolífico, lúdico e diverso. Mais conhecido por seu trabalho com o The Magnetic Fields (especialmente pelo épico album triplo de 1999 ’69 Love Songs’), Merritt também dá as caras em diversos outros projetos, como o Gothic Archies, definido pelo compositor como um projeto de ‘goth-bubblegum’. As músicas desse projeto tem todas um ‘quê’ fantasmagórico e abordam, com humor ácido, mórbido e inteligente, um lado mais melancólico, dark, visceral e pessimista da existência. Destaque pra canção ‘Smile! No one cares how you feel’; com poesia arrebatadora que aborda a vaidade, egoísmo e dissimulação.”

Black Sabbath – “Black Sabbath” // Mariana Ceriani – Dead Parrot
“Você não precisa entender a letra e nem o próprio título da música pra saber que está falando de algo macabro. Dá pra imaginar toda uma história de terror pelo arranjo inteiro, mas principalmente pelo riff de guitarra principal por si só (habemus Tony Yommi). Não é à toa que é a faixa que tem o mesmo nome do álbum e com a capa mais assustadora das capas.”

Eminem – “3 A.M.” // João Pedro Ramos – Crush em Hi-Fi
“Nessa música do discoRelapse” o rapper fala da perspectiva de um serial killer que questiona sua sanidade. O som tem até referências à “Silêncio dos Inocentes’

White Zombie – “I’m Your Boogieman” // Chris Lopo
“A música é original do KC & The Sunshine Band, mas foi em 1996 que o White Zombie levou o título ao pé da letra e fez um dos clipes mais legais da curta vida da banda. Gravado para a trilha sonora do filmeO Corvo: Cidade dos Anjos”, a música ganhou um vídeo que parece ter saído diretamente de um capítulo da série Os Monstros”. Nele, temos uma banda de monstros tocando pra uma plateia de monstrinhos hiper-empolgados. Os takes com Rob Zombie cantando já se passam na atualidade, com zumbis estilo The Walking Dead” vagando, ao seu redor, dentro de uma jaula, decorada igualzinho àquela melhor festa de Halloween que vai aparecer só pra quem sonhar com o clipe.”

Spidrax – Lenda Urbana // Helder Sampedro – RockALT e Crush em Hi-Fi
A letra macabra da música junto aos riffs


Depois de tantas sugestões discrepantes e sensacionais, montamos uma playlist no Spotify da Crush em Hi-Fi com todas essas indicações e mais algumas outras que colocamos para vocês saírem na rua pedindo doces, com maquiagem duvidosa e fantasia improvisada.

Dê o play e lembre-se sempre de não morder o coleguinha sem autorização, ok?

 

Já escolheu o look do dia?

 

Empoderamento feminino, cultura negra e os cenários capixabas no rap das Melanina MCs

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Melanina MCs
Melanina MCs

“Somos mulheres negras, nascidas e criadas em periferia, que fomos entender o feminismo na correria do dia a dia depois de bater muita cabeça”, conta a MC Mary Jane. E foi assim que se formou o grupo Melanina MCs, em 2013, buscando transmitir sua mensagem de empoderamento feminino, respeito à cultura negra e todas as coisas que devem ser valorizadas ou combatidas em sua área, a cidade de Vitória, no Espírito Santo.

Formada por Mary Jane, Lola, Geeh e Afari, a banda acaba de lançar o single “Cenários”, que ganhou clipe dirigido por Juane Vaillant. A música fará parte de “Sistema Feminino”, sucessor do EP “Tesouro Escondido”, lançado no ano passado. O disco de estreia do quarteto tem previsão de lançamento para este mês. “A gente se apresenta no disco, colocamos toda nossa essência nesse projeto e tentamos fazer com que fosse o mais plural possível. As músicas são sensíveis, mas ao mesmo tempo vem um tapa atrás do outro, porque é isso mesmo, sabe? O sistema feminino é uma rede e esperamos que cresça cada vez mais”, explica Geeh.

– Como a banda começou?

Lola: Duas de nós, eu e Mary Jane, através do convívio, descobrimos a cena cultural do rap no estado. Com o tempo formamos um grupo em 2013, a Geeh ja tinha envolvimento na cena, batalhava, somou no grupo e a Afari veio depois pra fechar o bonde (risos).

– Quais as principais influências do grupo?

Mary Jane: Desde que percebemos a importância de reconhecermos nossa identidade na música e ideológica ampliamos muito nossas influências. Somos mulheres negras, nascidas e criadas em periferia, que fomos entender o feminismo na correria do dia a dia depois de bater muita cabeça. Então hoje a gente tem como referência uma diversidade de nomes da música brasileira e internacional, ritmos pra além do rap e bandas da cena independente que conhecemos, mas que sobretudo dialogam com o que somos, gostamos de fazer e acreditamos. Bora citar uns nomes: diva Elza Soares, Flora Matos, Psalm One, Oshun, Ventre, Baco Exu do Blues, RZO.

– Vocês acabam de lançar o single “Cenários”. Podem me falar um pouco mais sobre o que esta música significa para vocês?

Afari: Essa foi uma das músicas mais marcantes pra nós, com certeza! Ali foi o momento de expor nosso cotidiano, o que pensamos, onde moramos e principalmente, nossa opinião mais sincera sobre todas as coisas que devem ser valorizadas e mudadas lá. Rotina mesmo sabe? Convidamos mais mulheres negras da Grande Vitória que são artistas e também vivem a correria de garantir o pouco de cada dia. Tivemos com a gente: dançarina, DJ, estilista, outras minas da música e por aí vai. E também não podemos deixar de citar o trabalho de todas as pessoas maravilhosas que fortaleceram a gente pra o som e o videoclipe. A participação da Anna Tréa, da Thaysa Pizzolato, Jone BL e do Henrique Paoli na faixa do single, além do trabalho do Rodolfo Simor, deram vida ao instrumental da música. O videoclipe nem se fala, né? Produção e equipe de audiovisual pesadona!

– Vocês são um grupo de rap, mas transitam por outros estilos. Quais estilos compõe o som da Melanina MCs?

Mary Jane: Nesse último projeto decidimos partir para músicas com composições mais orgânicas, tanto nos instrumentais, como nas letras. Todos esses detalhes têm influência do funk, do reggae e do rock, soul, músicas de raiz negra.

Melanina MCs

– O que podemos esperar do próximo disco, “Sistema Feminino”? Me falem como tá sendo a produção dele.

Geeh: O projeto desse disco foi muito especial. O disco é voltado pras mulheres, pra cultura negra, fala do cotidiano, o que vemos nele. Até por isso o processo das composições foi muito inspirador, fizemos nossas rimas pensando que poderiam ser de todas as mulheres. Mudou alguns conceitos, a estrutura das musicas, a naturalidade com que são transmitidas, e a pegada é bem mais orgânica do que de costume, isso deu uma nova identidade ao grupo. A gravação foi uma experiência nova, entendemos nesse processo o que era o sistema feminino na busca por autonomia e dia após dia fomos vendo o conceito do disco se materializar na produção, na equipe e entre nós. O que as pessoas podem esperar disso? A gente se apresenta no disco, colocamos toda nossa essência nesse projeto e tentamos fazer com que fosse o mais plural possível. As músicas são sensíveis, mas ao mesmo tempo vem um tapa atrás do outro, porque é isso mesmo, sabe? O sistema feminino é uma rede e esperamos que cresça cada vez mais.

– Podem me contar um pouco mais sobre “Tesouro Escondido”, do ano passado?

Lola: Tesouro Escondido foi nosso primeiro projeto divulgado. Foi ali que entendemos muito sobre nossa vontade de fortalecer nosso trabalho e viver dele. O lançamento foi exclusivamente virtual, mas chamou a atenção de muitas pessoas. Um grande passo pra nós do grupo, por ter marcado o fim de um ciclo, e o início de outro ainda melhor. Chegamos no “Sistema Feminino” através desse EP.

– Vocês são de Vitória, no Espírito Santo. Como é a cena do rap por aí?

Afari: A cena local é bem abrangente, mas é claro que poderia contar com mais investimento e políticas públicas pra fortalecer o rolê. Batalhas de MCs, apresentação de grupos de música, dança de rua, DJs, tudo isso tem enorme importância aqui e a galera reconhece. O público é fiel e comparece em todos os eventos, mobilizações e ações culturais. A cena do rap feminino ta crescendo agora, minas batalhando e se envolvendo cada vez mais, inclusive como grafiteiras e bgirls. Sentimos faltas de minas DJs, mas já temos visto várias botando a cara e aí ninguém vai segurar o bonde.

– Vocês tem uma proximidade com artistas da cena independente que inclusive não são do rap, como Anna Tréa, Larissa Conforto (Ventre), Carol Navarro (Supercombo), Gabriela Deptulski (My Magical Glowing Lens), Henrique Paoli (My Magical Glowing Lens/ André Prando) e Fepaschoal, que participam da gravação do disco. Como é hoje em dia essa miscigenação maior de estilos?

Lola: Durante a produção surgiram muitas influências, fomos da Dinna Di ao Baiana System, muitas referências novas mas sem perder a linha underground do rap. Então o disco passa pelo rap, o trap, o R&B, o soul e ritmos latinos. Nossa parceria com o Paoli vem desde o EP. Além disso, participamos de festivais que não eram da cena hihop e acabamos ficando próximas de minas e bandas de tudo quanto é tipo de música. Foi natural trazer essa galera e influências pro disco. Fizemos o pré-lançamento no SESC Glória aqui em Vitória e fomos acompanhadas por uma banda maravilhosa, a Thaysa Pizzolato nos teclados, a Maria Oliveira na guitarra, a Natalia Arrivabene na bateria e o DJ Jone BL, o único da cena do rap. A real é que essa diversidade somou muito e entendemos isso, então enquanto o Sistema Feminino rodar, nós vamos juntas nessa porrada de sons.

Melanina MCs

– Quais os próximos passos da Melanina MCs?

Geeh: Bom, estamos planejando um lançamento pra logo! O disco ta no processo final, estamos só a ansiedade pra iniciar a circulação e mostrar o que saiu dessa roda de conversa. Estamos estudando alternativas pra apresentar o trabalho em outros estados, começando por São Paulo.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Todas: É muita gente, vamos lembrar de alguns: Rincon Sapiência, Flora Matos, Thassia Reis, Baco Exu do Blues, e tem o trampo novo do Fabriccio aí, sonzera demais!

A Tribe Called Quest convocou Lou Reed em “Can I Kick It?” (1990)

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A Tribe Called Quest
A Tribe Called Quest

Esta semana faz 4 anos que Lou Reed nos deixou. Um dos rockstars mais controversos, em 1975 lançou o primeiro disco de heavy metal “de verdade” da história, chamado “Metal Machine Music”. O álbum duplo tinha, em seus 4 lados, o mais puro barulho de metal sendo raspado, e vendeu 100 mil cópias nas primeiras semanas. Devido ao alto número de devoluções, porque as pessoas achavam que o disco estava com problema, ele foi tirado das lojas após 3 semanas. Até este ponto da carreira, ele já tinha uma das músicas mais conhecidas da sua carreira chamada “Walk on the Wild Side”. A música, inspirada pelo livro homônimo do escritor americano Nelson Algren, foi sampleada por muitos artistas. Um deles foi o grupo pioneiro do hip-hop alternativo A Tribe Called Quest.

Formado em 1985 por Q-Tip, Ali Shaheed Muhammad e Phife Dawg, o grupo tem, entre suas maiores músicas, “Jazz (We’ve Got)”, “Check The Rhyme”, “Eletric Relaxation” e “Can I Kick It?”

“Can I Kick It?” está presente no álbum “People’s Instinctive Travels and the Paths of Rhythm”, foi seu terceiro single, e é composta de elementos de 3 músicas diferentes. A batida veio de “Spinning Wheel”, do jazzista Lonnie Smith. O slide de guitarra foi pego do álbum de estréia do Dr. Buzzard’s Original Savannah Band.

Porém, o que realmente marca é o baixo de “Walk on the Wild Side”. Aparecendo logo após o slide, o baixo fica repetindo enquanto Q-Tip e companhia rimam love com above, shove, glove, love, dove…

“Walk on the Wild Side” também foi sampleada por Marky Mark and the Funky Bunch em “Wildside” (1991). Caso você não saiba, Marky Mark é conhecido hoje como Mark Wahlberg, famoso ator que participou de filmes como “Os Infiltrados”, “Três Reis” e “Uma Saída de Mestre”.

A construção de “Sure Shot” (1994), dos Beastie Boys

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Beastie Boys

O Beastie Boys nasceu no Brooklyn, em 1981, como uma banda punk hardcore, e entrou pra história como uma das maiores bandas de hip-hop do planeta. Ela se consagrou com Mike D, Ad-Rock e MCA, este último falecido em 2012, vítima de complicações decorrentes de um câncer. Esse também foi o ano em que o fim da banda foi decretado, e que seus membros foram induzidos ao Rock and Roll Hall of Fame, sendo o terceiro grupo de hip-hop a receber tal honra, após Run-DMC e Grandmaster Flash.

“Ill Communication”, lançado em 1994, foi o segundo disco da banda a alcançar o primeiro lugar na parada americana da Billboard, e já começava com uma grande música, “Sure Shot”. Com uma letra quilométrica, que cita desde coisas do cotidiano, apoio às mulheres, a uma declaração de amor ao vinil, a música é composta de 6 samples, e conheceremos alguns deles agora.

O primeiro sample é “Howling for Judi”, do flautista de jazz nova iorquino Jeremy Steig, lançada em 1970. Ele começa nos 20 primeiros segundos do vídeo e é, curiosamente, também a base da música de Steig. Durante seus 4 minutos e 38 segundos, a faixa vai repetindo as mesmas notas, que recebem uma camada extra de flautas virtuosas.

O sample de bateria é um trecho curtíssimo da música “ESG”, do UFO. Tida como uma das mais influentes bandas de rock de todos os tempos, os ingleses permanecem na ativa. A faixa original foi produzida por Martin Hannett, conhecido como o criador do som de Manchester, e também é um dos principais nomes por trás do lendário Joy Division.

Outro sample que compõe a faixa, mas que aparentemente não está disponível para o Brasil em plataforma alguma, é do disco “The Funny Sides”, da comediante Jackie “Moms” Mabley. Na música a citação aparece em um scratch aos 1:48. Moms nasceu na Carolina do Norte em 1894, ou seja, 100 anos antes do lançamento da música dos Beastie Boys.

Vale a pena citar também “Rock the House”, do Run-DMC. Ela aparece na última parte de “Sure Shot”, iniciando aos 2:58. O trio iniciou suas atividades também em 1981, e entrou para o estrelato pop ao ajudar o Aerosmith a voltar para os holofotes em 1985, quando resolveram adicionar uma nova batida a “Walk This Way”, lançada originalmente em 1975. A mistureba deu tão certo que levou o Run-DMC ao quinto lugar do Billboard Hot 100, um feito inédito pra um grupo de hip-hop.

O resultado de “Sure Shot” você confere no vídeo abaixo.