5 playlists incríveis no Spotify para fazer a trilha sonora de sua quinta-feira

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Um dia desses aí o Spotify me convidou pra ir lá em sua residência brasileira. É lógico que eu topei na hora, já que hoje em dia ele é um companheiro de todas as horas e tá cheio de músicas, discos e artistas pra fazer a trilha sonora sempre que necessário (ou seja, sempre).

Mas uma coisa que falaram lá realmente tocou meu coração: precisamos fazer mais playlists. Lembram das mixtapes feitas em fita K7 que ajudavam todo mundo a conhecer novas músicas e artistas? Lembram das seleções gravadas com CD-R que eram copiadas a torto e a direito entre seus amigos quando rolava uma playlist incrível? Pois é, isso agora está muito mais fácil e ao alcance de todos lá no Spotify (mesmo os que não pagam assinatura Premium e usam o aplicativo de graça, viu?)!

Escolhi 5 belas playlists feitas no Spotify para acompanhar a sua quinta-feira e, porque não, seu final de semana.

P.S. – Aliás, se você tiver feito alguma playlist sensacional ou acabou trombando com uma playlist incrível por lá, manda aqui nos comentários!

1. The New Retro

Esta playlist do Spotify mostra novidades com sabor de pérola antiga. Músicas cheias de inspiração em soul, blues, folk, funk e por aí vai. Entre as bandas e artistas, The Cactus Blossoms, Benjamin Booker, Lake Street Dive e Foy Vance.

2. Beastie Boys Samples

Mike D, MCA e Adrock sempre foram conhecidos pela criatividade tremenda de onde buscavam os samples para suas músicas, especialmente em seu segundo disco, “Paul’s Boutique”. Pois é, o Danilo Cabral compilou mais de 170 músicas que foram sampleadas pelo trio em suas músicas, em ordem:

3. I FEEL GOOD

Beto Chuquer mostra o melhor das playlists que rolam na festa I FEEL GOOD. Muito funk, soul e suíngue. Prepare os quadris e rebole ao som de Aretha Franklin, De La Soul, Al Green, Stevie Wonder e Snoop Dogg.

4. Mulheres na Música

A Debbie Hell, dos blogs Ouvindo Antes de Morrer e Música de Menina e das festas Gimme Danger (Squat) e No FUN (Clube Outs), além de mentora do programa Debbie Records na Brasil 2000 e mil e um outros projetos criou essa playlist de mulheres extraordinárias no mundo da música. Do soul ao funk, do rap ao rock, de Joan Jett a Tati Quebra Barraco, a Debbie compilou tudo:

5. The Funky Crimes of the RHCP

Quem me conhece sabe que minha banda preferida é Red Hot Chili Peppers, e apesar de também curtir as baladas e as influências punk da banda, o lado preferido do grupo de Anthony Kiedis e Flea é a veia funk que nunca deixou a banda. Fiz uma playlist com as músicas mais funky do quarteto de Los Angeles, indo do primeiro disco, de 1983, até o mais atual, “I’m With You”, de 2011:

Sim, é uma lista com MAIS 10 casas de São Paulo que também apostam em bandas autorais!

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Travelling Wave ao vivo no 74Club
foto: Fernanda Carrilho Gamarano

A cada dia, novas músicas são compostas, novas bandas são formadas e novas letras são escritas. E mesmo que as bandas covers sejam uma aposta fácil para as casas noturnas que querem atrair público que quer apenas curtir os sons que já fazem sua cabeça, muitos locais ainda apostam em bandas e artistas autorais, fortalecendo a cena da nova música que sempre está efervescendo em todos os cantos do Brasil.

O post com 10 locais de São Paulo que apostam em bandas autorais foi um dos maiores sucessos do Crush em Hi-Fi até hoje. Aí fizemos o segundo pra quem achou pouco, e novamente foi um sucesso. E como muita gente sugeriu ainda mais lugares que tentam bravamente resistir à epidemia de covers, uma Parte 3 do post se fez necessária!

Seja você uma banda, artista ou um amante de música, confira mais 10 lugares que investem em bandas autorais:

Casamarela – R. Alberto da Silva, 386, Santa Teresinha, São Bernardo do Campo

Quem já tocou por lá: Giallos, La Carne, Statues On Fire, Garage Fuzz, Dobro, Tio Che

A Casamarela é uma casa abandonada em São Bernardo do Campo. Lá, além de shows de bandas autorais, rolam também exposições, bazar e etc. “Graças a falta de espaço em nossa cidade decidi fazer eu mesmo”, explica a descrição na página do local no Facebook. Os estilos que tocam por lá são os mais variados, indo do reggae ao hardcore. Tudo depende do evento do dia!

74 Club – Rua Itobí 325 – Santo André

Quem já tocou por lá: Sky Down, Status On Fire, Penhasco, Bufalo, Attöm Dë, Color For Shane, Olho Seco, Der Baum

A casa de Santo André investe no rock alternativo e no punk. Um dos motes do lugar é a igualdade, fugindo de preconceitos e brigas que às vezes rolam em locais mais underground. “If you are, racist, sexist, homophobic or an asshole… Don’t come in!”, dizem logo na entrada. Por lá, os shows rolam no volume máximo no porão do clube.

Centro Cultural Zapata – Rua Riachuelo, 328

Quem já tocou por lá: Malvina (RJ), CHCL, Penhasco, Gomalakka, Chabad, Vapor, Poltergat, Bufalo, Blues Drive Monster

O Centro Cultural Zapata busca ajudar na renovação do centro de são paulo com dedicação total à diversidade artística e à cultura underground. Independente e punk, o local abre espaço para artistas que encontram resistência para mostrar seus trabalhos em outros lugares. Bandas de qualquer estilo – do punk ao indie, do grindcore ao eletrônico, segundo eles. Além disso, também aceitam companhias de teatro interessadas em montar peças, fotógrafos e artistas plásticos em busca de espaço para expor sua arte.

Centro Cultural Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 119

Quem já tocou por lá: Twinpine(s), The Soundscapes, Carne Doce, Boogarins, Síntese, Projeto Nave, Rapadura Xique Chico, O Surto

Em uma ruazinha escondida nos arredores da Vila Madalena fica o grande Centro Cultural Rio Verde, que recebe shows de bandas dos mais diversos estilos, além de palestras, peças de teatro e festas. O palco é amplo e a acústica ótima, perfeito para grandes shows e eventos. Vale a pena conhecer o lugar!

CECAC (Centro de Cultura Caipira) – Rua Barão de Rio Branco, Serrana

Quem já tocou por lá: Leso, Pitoresco, Dead Fish, Dias Mortos

O CECAC (Centro de Cultura e Ativismo Caipira) é um espaço autônomo inaugurado em 2005 que busca criar um centro artístico, além de receber shows de bandas autorais de todos os estilos. Por lá tem atividades de formação gratuitas durante todo o ano, como iniciação de teoria musical, aulas de baterias, guitarra, cooperativa de bandas, oficina de reciclagem, viola caipira e artesanato, entre outras.

Casa de Francisca – Rua José Maria Lisboa, 190

Quem já tocou por lá: Blubell, Lurdez da Luz, Criolo, Maurício Pereira, Metá Metá, Siba, O Terno

“A Casa de Francisca é considerada pela classe artística e pelo público especializado um dos espaços mais significativos de música em São Paulo. Trata-se da menor casa de shows da cidade voltada exclusivamente para projetos musicais de relevante comprometimento artístico”, dizem eles no site oficial. Preciso descrever mais?

Bolovo – Rua Fradique Coutinho, 2217

Quem já tocou por lá: Lupe de Lupe, Hala

Como descrever a Bolovo? Difícil. Bom, na real é uma marca. Melhor deixar para eles: “Bolovo é uma marca de espírito livre comprometida em fugir do tédio para experimentar idéias originais. Nosso background vem da estrada, das risadas, das amizades e de viver o presente. “Go Out Make Some Memories” é a bandeira que nos mantém em movimento, que nos tira da zona de conforto e que naturalmente nos aproxima das pessoas que se conectam com esse mesmo ideal, seja a audiência, clientes, equipe ou amigos”. Por lá, às vezes rolam shows de diversos estilos, desde que tenham a ver com a ideologia da marca!

Locomotiva Festival – Engenho Central de Piracicaba

Quem já tocou por lá: Far From Alaska, Odradek, Francisco El Hombre, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, The Baggios, Hellbenders

O primeiro Locomotiva Festival rolou em 2015 em setembro no Engenho Central de Piracicaba, reunindo muita música e arte, além de esporte e gastronomia, em um ponto um pouco fora do comum. O Enganho é um local muito interessante e remete à festivais internacionais. Será que rola uma edição em 2016? Esperamos que sim!

Penha Rock @ Centro Cultural da Penha: Largo do Rosário, 20 – Penha

Quem já tocou por lá: Sky Down, Chabad e Color For Shane

Quem disse que a Zona Leste paulistana não teria rock? Pois tem, e dos bons. O Penha Rock está em atividade desde 2012. Projeto do produtor artístico e cultural Adriano Pacianotto, o negócio é realizado de forma independente e sem fins lucrativos, produzindo eventos de rock gratuitamente em espaços públicos da Penha. O projeto tem parceria com a Subprefeitura Penha e com o Centro Cultural da Penha e os eventos acontecem periodicamente, aos domingos, no Parque Tiquatira e no Centro Cultural. O contato com as bandas e com o público é mantido por meio de um blog (penharock.blogspot.com.br) e pelo Facebook!

Festa Crush em Hi-Fi @ Morfeus Club – Rua Ana Cintra, 110 – Santa Cecília

Quem já tocou por lá: Horror Deluxe, Aletrix

Pra finalizar, é claro que vou fazer um jabazinho da festa que se originou deste blog. A festa Crush em Hi-Fi acontece no Morfeus Club, ali do lado do metrô Santa Cecília. Na estreia, tivemos um puta show do duo Horror Deluxe e amanhã (sim, AMANHÃ, 11/03!) rola a segunda edição, com show do Aletrix, discotecagens fora do padrão hit manjado que a noite paulistana está acostumada, venda e troca de discos… Ah, e o editor do blog (eu) estarei recebendo material de bandas autorais para possíveis apresentações nas próximas edições da festa. Apareça lá! É a partir das 20h, no Morfeus Club. Confirme presença no evento, convide os amigos: https://www.facebook.com/events/533111233536596/

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Daniel ETE, baixista dos Muzzarelas e vocalista do Drákula

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Daniel Ete

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Daniel Ete, baixista dos Muzzarelas, vocalista e guitarrista do Drákula, líder do Desenmascarado e um dos grandes responsáveis pela cena rock de Campinas continuar viva, entumescida, veiuda e pulsante. Confere aí:

The Gipsys“Malala”

“Lado B do compacto “I Hear You Knocking”, lançado em 1971 na Argentina, balanço e psicodelia numa jam session colossal, faz até estatua rebolar. Vale lembrar que esse compacto, apesar de valer uma nota , ainda é encontrado em sua versão nacional em alguns sebos por ai, então se você achar um desses não titubeie e caia de boca”.

The Child Molesters“I’m Gonna Punch You In The Face”

“Sim, o nome da banda é bem escroto, mas assim como nem todo fã do Slayer sai por ai matando as pessoas, acredito que nem todo fã dos Child Molesters abusa de crianças. Isso era mais para chocar do que outra coisa, daqueles tempos do punk “quanto pior melhor”, curioso período em que jovens, entre eles alguns negros e judeus, usavam suásticas penduradas no pescoço como se não houvesse nada de mais nisso, vai entender, né? Mas o fato é que esse pedacinho maravilhoso de tosqueira imunda possui um dos melhores solos de guitarra mal feitos do planeta (tão lindo quanto o de “Punk Rock Girl” do Dead Milkmen) e um refrão espetacular de grudento, fora a voz de Muppet do mano que canta”.

Sloppy Seconds“You Got a Great Body, But Your Record Collection Sucks”

“Não consigo pensar num nome de música melhor que esse, diz muito sobre o mundo de hoje”.

Hallows Eve“Plunging To Megadeath”

“Metal, metal para caralho, bem foda, apareceram logo no começo do thrash metal e nunca tiveram um reconhecimento que chegasse a altura do seu som foderoso. Quem não conhece deveria conhecer e quem não curte deveria se matar. Rola uma forte influência de HC e NWOBHM como em todas bandas legais da época, vocalzão rasgado, baixo galopante, bateria avassaladora e guitarra matadora… A porra do pacote completo”.

Village People“Food Fight”

“Se alguém te contasse que o Village People já gravou um punk rock, o que você diria? Tudo bem que é um punk rock bem puxado para a new wave, mas em alguns momentos me lembra The Dickies, e realmente é mais legal que muito punk rock de verdade que a gente vê por ai. Dessa vez Jaques Moralli e o povo da vila não estavam para brincadeira não. Se algum editor de vídeo ou qualquer porra dessas estiver lendo essa parada, por favor atenda meu pedido: pegue a cena da guerra de rango protagonizada pelo John Belushi em “O Clube dos Cafajestes”, coloque esse som e poste no Youtube. A Casa Delta agradece”.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Franco Fanti, do Hermes e Renato

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Franco Fanti, do Hermes e Renato
Franco Fanti, do Hermes e Renato

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Franco Fanti, roteirista e membro dos sacanageiros Hermes e Renato, que estão no ar às quintas-feiras, às 22h, no Canal FX, e no Youtube em seu Canal Oficial.

Van Morrison“Madame George”

“Muita gente conhece a música “Brown Eyed Girl” dessa fera, mas tanto essa música como esse álbum inteiro (“Astral Weeks”) é bem fodalhão, e parece que não fez nenhum sucesso comercial na época. Essa música me dá saudade… E nem sei do que. Acho isso foda”.

Air“Talisman”

“Não sei muito dessa banda, sei que são franceses e que essa música e todas as outras desse álbum me dão uma puuuta de uma vontade de andar de bike por essa Paulicéia paulistana paulistada, meu”.

Rocket Juice & The Moon“Poison”

“Não me interessam muito nomes e formações de bandas. Não por despeito ou por não valorizar os artistas, somente por preguiça, meu HD já tá cheio de informação e porque antes de nomes de músicos, datas de álbums e formações, me interessa se a música que me toca. Essa me tocou. Eu achei o baixo muito foda, a voz me parecia familiar e a letra achei fuderenta. Não por coincidência. Não tinha como dar errado. Sendo contraditório, mas formação é o Damon Albarn do Blur e Gorillaz, o Flea (!!) do Red Hot Chili Peppers e um cara que esqueci o nome, mas que é do Fela Kuti“.

Funkadelic“Maggot Brain”

“Já ouviu alguém esmerilhando uma guitarra por dez minutos? Ouça e chore. Essa música e “Little Wing” me fizeram sentir que era uma obrigação começar a aprender a tocar guitarra”.

Los Sebozos Postizos “Vou Andando”

“Outra combinação que seria difícil de dar errado. Jorge Ben Jor + Nação Zumbi. Esse é um projeto paralelo de músicos da Nação Zumbi, e eles esculacham ao vivo também, já fui a 3 shows. Pra melhorar os caras escolheram evitar os hits mais manjados e deram um jeito louco, mas que ficou muito foda, de imprimir a personalidade deles sem perder a essência do Jorjão”.

Garimpo Sonoro #7 – Mete o dedo nesse órgão: 5 sons fodásticos de Hammond

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Booker T Hammond

John Medeski considera o órgão elétrico como “a big band do pobre”. Criado por Laurens Hammond e John M. Hanert nos anos 30, o órgão Hammond tinha como público-alvo igrejas que precisavam de um órgão mais barato do que os gigantes usuais. Nos anos 50, porém, o instrumento ganhou espaço no jazz, sendo depois difundido para outros estilos.

O instrumento hoje ganhou releituras tal qual guitarras, com inserção de efeitos e distorções. Um aliado do Hammond com tanta fama quanto o próprio é a caixa Leslie, com falantes rotativos que criam um som trêmulo muito louco.

Listo aqui 5 músicos fodões que vieram a minha cabeça como referência do Hammond:

1) Jimmy Smith: juntando o jazz com o groove do funk, Jimmy Smith trouxe não só uma nova sonoridade, mas também uma malandragem muito interessante para o jazz. Saca só:

2) Booker T Jones: outra referência fodástica do Hammond. Aqui, temos um Booker T solitário, sem seus MG’s, mostrando boa parte do potencial do Hammond a partir do seu talento. Outra parte foda do vídeo abaixo é ver o instrumento despido, só, e em ótima resolução tanto de som quanto imagem.

3) Não um, mas dois! Orgel Vreten é o mais recente que conheci. Como são alemães, não sei se são um duo ou uma banda completa, mas o resultado sonoro é uma porrada instrumental com groove, peso e malandragem, espalhados em dois órgãos, baixo, bateria e até trombone.

4) Ari Borger: a parcela brazuca é muito bem representada por Ari Borger e seu quarteto, que misturam jazz, samba e soul para fazer um instrumental fodástico, mesmo que sem usar um Hammond original.

5) Medeski, Martin & Wood é um trio que experimenta sons, ritmos e riffs a partir de um groove sem igual. Eles já se juntaram com o guitarrista John Scofield, produzindo algo tão bom quanto quando são trio.

Tem alguma dica de “organeiros” bons? Manda pra cá!

“Good Times”, a linha de baixo do Chic que praticamente TODO MUNDO já sampleou

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“Good Times” é uma das músicas mais perfeitas para o sample. O groove do baixo da canção do Chic era usada desde os tempos mais primórdios nas turntables, servindo como uma base incrível para rappers despejarem sua verborragia. A música foi lançada em 1979, na efervescência das “block parties” de Nova York que ajudaram a pavimentar o caminho do rap como estilo musical.

Quantas músicas samplearam a linha de baixo incrível de Bernard Edwards? Por volta de 150, mas não dá pra saber exatamente. O mais famoso som que usou o sample foi, sem dúvida, “Rappers Delight”, da Sugarhill Gang, lançado no mesmo ano. No começo, Nile Rodgers foi contra o sample, e a Sugarhill Gang, em vez de brigar, preferiu se acertar: deram total crédito aos caras, e Rodgers e Edwards aparecem nos créditos como autores da música. Foi um dos primeiros raps a estourarem nas paradas e até hoje rola muito bem em festas.

Aqui no Brasil, uma das mais populares músicas que usam o baixo do grupo de Nile Rodgers é “2345meia78”, sucesso de Gabriel, o Pensador no disco “Quebra-Cabeça”, de 1997. Gabriel escreveu a música “meio na brincadeira” em 1996 e ela se tornou um hit, ficando em 17º lugar entre as músicas mais tocadas de 1997. Telefones com o número do título (234-5678) acabaram sendo vítimas de inúmeros trotes depois de seu lançamento:

Ah, e lógico que rolou o dito “primeiro rap do Brasil”, o clássico “Melô do Tagarela”, cantado por ninguém menos que Miéle. O som saiu em um compacto simples em 1980, e na verdade é uma versão de “Rappers Delight”.

Alguns dizem que o Queen “se inspirou” (ou chupinhou mesmo) o Chic com “Another One Bites The Dust”. Não dá pra negar que sim, é parecido… Bernard Edwards falou para a NME: “Bom, aquela música do Queen aconteceu porque o baixista (John Deacon) passou algum tempo com a gente em nosso estúdio. Mas tudo bem. O que não está tudo bem é que a imprensa começou a falar que a gente plagiou eles! Dá pra acreditar? ‘Good Times’ saiu mais de um ano antes, mas era inconcebível para esse pessoal que músicos negros podiam inovar desse jeito”.

Bom, não parou por aí. Vamos a alguns dos sons que também usaram “Good Times” como base:

“Kabaluerê”, a música que trouxe toda a ginga samba rock funky de “Qual É”, de Marcelo D2

Quando Marcelo D2 lançou “Qual É”, estava carimbada sua passagem para o mundo do pop (mesmo ele se auto-referenciando como “Pesadelo do Pop”) e a consequente queda do Planet Hemp. Muitos samples brasileiros, um balanço que até então o rap brasileiro ainda não havia explorado com força e as letras malandras e cheias de referências à maconha (se bem que mais comedidas do que no Planet) reforçaram o sucesso com público e crítica.

Em “Qual É”, D2 já começa utilizando uma frase inteira de “Voz Ativa”, dos Racionais MC’s (“Eu tenho algo a dizer / Explicar pra você / Mas não garanto, porém / Que engraçado eu serei dessa vez”), algo que é comum no rap lá de fora, mas aqui causou um certo mal-estar entre o grupo de Mano Brown e o rapper carioca.

Porém, o sample que dá todo o balanço e “dançabilidade” da música vem de Antonio Carlos e Jocafi, com “Kabaluerê”. A música vem do disco “Mudei de Idéia”, de 1971. A dupla, nascida na Bahia, começou a carreira em 1969, no Festival Internacional da canção. Muitas de suas músicas fizeram parte de trilhas sonoras de telenovelas. Entre os outros sucessos estão “Você Abusou”, que ficou conhecida na voz de Maria Creuza.

“Kabaluerê” também foi sampleada em “Comin Thru” por Charli 2na, rapper americano que fez parte dos grupos Jurassic 5 e Ozomatti. Ficou diferente do que D2 fez com a música e usa bem o refrão e título da música.

O “Robot Rock” do Daft Punk veio diretamente do funk da Philadelphia no fim dos anos 70

Uma das grandes músicas do disco “Human After All” do Daft Punk, lançado em 2005, “Robot Rock” tem um riff que gruda na cabeça mais rápido do que você pode dizer “cucamonga”. É ouvir uma vez e sair cantarolando o riff feito pela dupla francesa o resto do dia.

Um vocoder com os dizeres “robot rock” permeiam a música, enquanto Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo tocam como um power duo no clipe:

A música é praticamente toda derivada de “Release The Beast”, da banda Breakwater. A banda de funk e soul veio da Philadelphia e foi formada em 1971, formada por Gene Robinson, James Gee Jones, Linc ‘Love’ Gilmore, Steve Green, Vince Garnell, Greg Scott, John ‘Dutch’ Braddock, e Kae Williams, Jr. “Release The Beast” está no segundo disco do grupo, “Splashdown”, de 1980. Afaste os móveis e dance aí!

O incrível sample funky que criou o hit “My Name Is”, do Eminem

Não vou entrar no mérito das besteiras que Eminem fala o tempo todo. Afinal, a carreira de Marshal Matters foi sempre pautada pelas pancadas (algumas boas, outras horríveis) que ele desfere em tudo e em todos com seu codinome Slim Shady.

A ideia aqui é falar do incrível sample que ele (na verdade, o produtor do disco) escolheu para o single que fez ele estourar em todo o mundo “My Name Is”. A música ~engraçadinha~ do rapper de cabelo descolorido saiu em 1999 e mostrou ao mundo a verborragia de Slim Shady enquanto ele proclamava seu nome.

A cadenciada base da canção veio de Labi Siffre, com “I Got The…”. Aos 2:31 da música, o ritmo muda e o funk entra em cena com uma batida que foi feita sob medida para ser sampleada.

Aliás, a batida é tão prontinha pro sample que já foi usada também por Primal Scream (“Kill All Hippies”), Jay Z (“Streets Iz Watching”), Wu Tang Clan (“Can It Be All So Simple”) e muitos outros.

Músicas para embalar os seus domingos e esquecer das segundas

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Domingo. Um dos dias mais odiados da semana. Não pelo domingo em si, mas por preceder o primeiro dia útil, ele é até mais triste que a inevitável segunda. E por este motivo, é um dos dias com grandes músicas dedicadas a ele. E já que os sentimentos destinados ao primeiro dia da semana não são dos melhores, o mesmo não se pode dizer das canções.

E se seu domingo está sem graça e precisando de uma trilha sonora, deixa comigo.


Faith No More – Easy

Sim, a versão original dos Commodores é incrível, mas a trupe de Mike Patton fez uma versão que me diz muito mais e passa melhor aquele sensação “dominical” que é a intenção aqui. Segundo Lionel Richie, que escreveu a música, ela “se aplica a qualquer pessoa que vive em uma pequena cidade do Sul dos EUA. Pequenas cidades do sul ficam mortas à partir das 23:30 de sábado. Então eu meio que tive que pensar em minhas próprias experiências – de Lionel Richie de Tuskegee, Alabama, onde não há coisas como festas que vão até às 4 da manhã.


 Titãs – Domingo

Acho que, pra mim, esta é a música que mais simboliza este dia tão preguicento. Paulo Miklos fala sobre tradições do domingo brasileiro, como a presença inevitável de Sílvio Santos com sua risada característica na TV (o que acabou atrapalhando sua veiculação via Rede Globo, que não queria citações ao rival) e quase tudo fechado. A música deu nome ao oitavo disco dos Titãs, lançado em 1995.


Queen – Lazy On A Sunday Afternoon

Esta ode à preguiça saiu no disco “A Night At The Opera”, de 1975, e fala basicamente de como o interlocutor ama a preguiça de um domingo à tarde. Curtinha.


David Bowie – Sunday

A faixa que abre o disco “Heathen”, de 2002, marca o retorno de Tony Visconti, que produziu muitos dos discos clássicos dos anos 70. Como o Bowie nunca tentou explicar esta letra, fica difícil querer definí-la. Dê uma ouvida e tente descobrir o que o camaleão quis dizer.


Sonic Youth – Sunday

O primeiro e único single do disco “A Thousand Leaves” trazia Macaulay Culkin em seu clipe. O ator andava meio sumido depois do sucesso de “Esqueceram de Mim”. Segundo o próprio Thurston Moore, o riff principal foi “emprestado” da música “Skeleton” da banda Helium, uma de suas preferidas.


Stone Temple Pilots – Naked Sunday

Sim, domingo é um bom dia pra ficar peladão em casa, porém a música não fala sobre isso. A faixa do disco “Core” fala sobre fé e espiritualidade, perguntando a Deus porque deveríamos confiar nele quando o fim chegar depois de tudo que passamos aqui na Terra. É, uma bad trip pesada do Scott Weiland.


Velvet Underground – Sunday Morning

Esta foi escrita por Lou Reed num domingão por volta das 6 horas da matina. Andy Warhol sugeriu que ele escrevesse sobre a sensação que rola quando o efeito do coquetel de drogas que o rapaz tomava estava passando. Reed não deixou que Nico cantasse essa: ele mesmo cantou, imitando ela.


Oasis – Sunday Morning Call

A primeira música com Noel Gallagher nos vocais desde “Don’t Look Back In Anger” saiu no disco “Standing In The Shoulder Of Giants” e é, novamente, uma balada. A música é sobre pessoas (que Noel não quis citar, mas se desconfia que ele fala de Kate Moss) que apareciam em sua porta de manhã, bem loucas. O clipe é inspirado no filme “Um Estranho No Ninho”.


Jefferson Airplane – Young Girl Sunday Blues

Do terceiro disco do Jefferson Airplane, “After Bathing at Baxter’s”, saiu esta pérola psicodélica dançante. Uma música um pouco mais alegrinha para o seu domingo.


Video Hits – Silvia 20 Horas Domingo

A versão da banda gaúcha Video Hits para a música da fase psicodélica de Ronnie Von é incrível. Diego Medina e sua trupe imprimem uma felicidade próxima à do B-52’s à canção, deixando-a com cara de domingão feliz. Tio Ronnie deve ter ficado orgulhoso dos pupilos. Pena que a banda durou tão pouco…


Tim Maia – Um Dia de Domingo

O vozeirão do rei do soul brasileiro vai bem com qualquer domingo. Faz de conta que ainda é cedo.


Ângelo Máximo – Domingo Feliz

Uma pérola do brega que eu adoro. Essa é pra deixar qualquer domingo feliz. Deixe o preconceito de lado e cante com o Ângelo Máximo que hoje é, sim, o seu dia.