5 playlists incríveis no Spotify para fazer a trilha sonora de sua quinta-feira

Read More
Spotify1

Um dia desses aí o Spotify me convidou pra ir lá em sua residência brasileira. É lógico que eu topei na hora, já que hoje em dia ele é um companheiro de todas as horas e tá cheio de músicas, discos e artistas pra fazer a trilha sonora sempre que necessário (ou seja, sempre).

Mas uma coisa que falaram lá realmente tocou meu coração: precisamos fazer mais playlists. Lembram das mixtapes feitas em fita K7 que ajudavam todo mundo a conhecer novas músicas e artistas? Lembram das seleções gravadas com CD-R que eram copiadas a torto e a direito entre seus amigos quando rolava uma playlist incrível? Pois é, isso agora está muito mais fácil e ao alcance de todos lá no Spotify (mesmo os que não pagam assinatura Premium e usam o aplicativo de graça, viu?)!

Escolhi 5 belas playlists feitas no Spotify para acompanhar a sua quinta-feira e, porque não, seu final de semana.

P.S. – Aliás, se você tiver feito alguma playlist sensacional ou acabou trombando com uma playlist incrível por lá, manda aqui nos comentários!

1. The New Retro

Esta playlist do Spotify mostra novidades com sabor de pérola antiga. Músicas cheias de inspiração em soul, blues, folk, funk e por aí vai. Entre as bandas e artistas, The Cactus Blossoms, Benjamin Booker, Lake Street Dive e Foy Vance.

2. Beastie Boys Samples

Mike D, MCA e Adrock sempre foram conhecidos pela criatividade tremenda de onde buscavam os samples para suas músicas, especialmente em seu segundo disco, “Paul’s Boutique”. Pois é, o Danilo Cabral compilou mais de 170 músicas que foram sampleadas pelo trio em suas músicas, em ordem:

3. I FEEL GOOD

Beto Chuquer mostra o melhor das playlists que rolam na festa I FEEL GOOD. Muito funk, soul e suíngue. Prepare os quadris e rebole ao som de Aretha Franklin, De La Soul, Al Green, Stevie Wonder e Snoop Dogg.

4. Mulheres na Música

A Debbie Hell, dos blogs Ouvindo Antes de Morrer e Música de Menina e das festas Gimme Danger (Squat) e No FUN (Clube Outs), além de mentora do programa Debbie Records na Brasil 2000 e mil e um outros projetos criou essa playlist de mulheres extraordinárias no mundo da música. Do soul ao funk, do rap ao rock, de Joan Jett a Tati Quebra Barraco, a Debbie compilou tudo:

5. The Funky Crimes of the RHCP

Quem me conhece sabe que minha banda preferida é Red Hot Chili Peppers, e apesar de também curtir as baladas e as influências punk da banda, o lado preferido do grupo de Anthony Kiedis e Flea é a veia funk que nunca deixou a banda. Fiz uma playlist com as músicas mais funky do quarteto de Los Angeles, indo do primeiro disco, de 1983, até o mais atual, “I’m With You”, de 2011:

O funk dos anos 90 deve muito a Léo Canhoto e Robertinho e suas faixas de bangue bangue

Read More
Léo Canhoto e Robertinho

Léo Canhoto e Robertinho foram muito importantes para a história da música sertaneja brasileira. A dupla, formada em 1968 em Goiânia, foi uma das primeiras a adotar o agora quase obrigatório visual extravagante com jóias, cabelos compridos, óculos escuros e etc. Foram também a primeira dupla caipira a ganhar um disco de ouro pela vendagem de seu primeiro LP, em 1969.

Um grande diferencial da dupla eram as faixas (ou vinhetas) de diálogo canhestro de filmes imaginários de bangue bangue, com bandidos como Jack, o Matador, Roque Bravo e o “Homem Mau” (a inspiração tinha ido embora, aparentemente) que chegam à cidade e saem matando todo mundo, sempre com uma tirada na ponta da língua e um efeito sonoro de tiro dos mais clássicos.

Mal sabiam eles que seriam a base para muitos sucessos do funk carioca no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Essas faixas foram encontradas nas grandes peregrinações por samples de DJs como DJ Cuca, que produziu a “Melô do Valentão”, com samples de Léo Canhoto e Robertinho e suas frases memoráveis. A partir daí, muitos DJs saíram correndo atrás dos discos da dupla, que sempre continham pérolas praticamente prontas para a produção de funks divertidíssimos.

E foi daí que surgiram hits como “Melô da Lagartixa” e “De Quem É Essa Mulher”, de Ndee Naldinho, “Montagem do Gaiteiro”, de Adriano DJ, “Jack Matador” e “Jack Não Morreu”, de Pipo’s, “Montagem Botequeiro”, de Big Roggy DJ e a popular “Montagem Roque Bravo”.

MC Gorila, ex-Gorila e Preto: “Os outros dizem que eu sou engraçado, mas eu sou é neurótico”

Read More
MC Gorila

Depois de 20 anos integrando Gorila e Preto, uma das dupla mais irreverentes do funk carioca, MC Gorila resolveu que era hora de seguir em carreira solo e buscar novos objetivos. Lógico que ele não largou a veia cômica que foi sempre o pilar de seu trabalho: músicas como “Mamãe Passou Petróleo Em Mim”, “Banhadão da Ostentação” e “Boneco de Olinda” continuam em seu show, assim como o mega hit dos abraços enlouquecidos “Agarra”.

Agora, Gorila ataca com as novas músicas “Garçom”, “Os Novinhos Estão Sensacionais” (feita para o público gay) e “Cheio de Sal”, versão sobre ~odores corporais~ para “Safe and Sound”, do Capital Cities que ganhou um clipe e viralizou no Facebook. Gorila sempre foi adepto das versões, mesmo que elas não sejam de funk. Beyoncé, Sean Kingston, Bragaboys, Shaggy e até transformou “We No Speak Americano”, do Yolanda Be Cool (aquela do ~Pa-panamericano~), em “Pa-Paraibano”.

Conversei com Gorila sobre sua carreira solo, a indústria do funk na mídia, suas versões para músicas famosas e a participação no quadro “Palhaço Gozo” de Hermes e Renato:

– Como está sendo a recepção de “Cheio de Sal”?

Como se diz aqui no Rio, tá estouradaça! É o carro chefe do meu show!

– Como rolou essa versão de “Safe and Sound”? Vocês sempre fizeram versões de músicas de fora do funk, como Beyoncé, por exemplo, né?

Eu tenho essa facilidade de fazer versões das músicas famosas, entendeu? E no funk eu tive quatro versões estouradas, que foram “Te Amo Mas Tu Me Fudeu” (versão de “Beautiful Girls”, de Sean Kingston), uma de “Boombastic”, do Shaggy, “O Movimento É Sem Sal” (de “Bomba”, dos Bragaboys) e essa, “Cheio de Sal”. E ficou maneiro, eu fiz brincando e acabou estourando!

– O seu funk sempre foi para o lado mais engraçado, da comédia. Você se considera um artista de humor?

É um lado engraçado, um mercado que está muito fraco e está crescendo no funk. O funk é classificado de várias formas: funk neurótico, consciente, funk melody… E tem essa ostentação aí também, né, mermão? Tem sacanagem, putaria… tem de tudo no funk, irmão. E esse lado cômico, que é o lado que eu trabalho há 20 anos. Mas eu sou um cara neuróticão. Me considero um cara muito neurótico. Eles que me acham engraçado, mas eu não sou de humor não.

– São 20 anos de carreira. Como você começou?

Foi a “Dança do Gorila”, em 1995, na Furacão 2000, na antiga Filco em São Conrado. Foi a primeira oportunidade. Ia ser Gorila e Preto, mas o Preto preferiu trabalhar e eu me arriscar na carreira. Nós dois trabalhávamos na mesma firma, Papel Principal. Chegando o mês de dezembro, precisavam de ajudante e o Preto era office boy. E ele era um bom office boy, e eu que chamei ele pra esse mundo. (Neste momento, Gorila cantou um trecho de “Dança do Gorila”)

– Por falar no Preto, depois de tanto tempo de carreira, vocês decidiram seguir caminhos separados. O que rolou?

Eu queria partir pra minha carreira solo um dia, e consegui, e tô trabalhando pra isso. Foi 20 anos e eu queria uma coisa nova. 20 anos não é 5 dias, um mês, 2 anos. 20 anos é 20 anos. Cada um seguiu seu caminho e legal. Cada um seguiu seu objetivo, já que nenhum de nós ainda conseguimos nossos objetivos. Aí eu segui por um caminho e ele por outro, entendeu? E assim vai, a amizade continua e tudo OK. Ele continua a carreira dele, eu continuo a minha e vamos que vamos.

MC Gorila

– Você acha que o funk é visto com preconceito?

Antes era mais, agora ainda rola um pouco…

– Vocês participaram algumas vezes do programa Hermes e Renato. Como rolou isso?

Os caras são cria lá de Petrópolis, então eram fãs da gente. Aí eles sempre assistiam nossos shows lá no Petropolitano e iam falar com a gente. Então eles viram um videoclipe e entraram em contato com a gente pra gravar com eles. Numa boa, tranquilão, aí fomos fazer uns eventos, curtimos umas noites lá e aproveitamos e já fizemos uns programas com eles. Um deles até me roubou, roubaram minha camisa!

– Roubaram sua camisa?

Roubaram uma camisa minha dos Simpsons que eu amava (e que eu amo) da Cavalera. Roubaram minha camisa da Cavalera. Mas não tem problema: quando eu voltar lá eu roubo eles. Tranquilidade!

– A mídia abraçou o funk?

Pô, então, agora eu acho que a mídia tá com o funk e muito! Só que pra alguns ainda tá faltando oportunidade…

– Que sons você curte ouvir fora do funk?

O que tá me inspirando agora, que eu demorei a me adaptar e os moleques de São Paulo já estavam vendo faz muito tempo atrás e eu não consegui reparar, porque eu tava muito cego: a nova geração do hip hop americano chegou pra dar um drible de novo aqui no Rio de Janeiro. Não só no Rio de Janeiro, né,  já que o funk não é mais só no Rio, é em todo o Brasil… O hip hop americano tá botando pra foder. É isso aí mermo. Tá mostrando como se faz: chega de rostinho bonito na televisão. Mais vale ser um cara bom com talento no palco, algo que tá faltando no mercado brasileiro: talento. Porque, porra, um rostinho bonito e sem talento tá estragando tudo. É o que tá acontecendo: tá fazendo o funk clássico voltar de novo. Essa nova geração de funk do Rio de Janeiro só é bom de rádio, mas quando vai ver ao vivo não é aquilo, e é por isso que o funk antigo tá voltando. Por isso que os MCs da antiga estão voltando de novo: as pessoas pensam que o que vão ouvir na rádio é a mesma coisa que vai rolar no show e não é o que acontece. O povo quer ver talento, sentimento, quer ver o show. E assim complica.

– O que você acha de artistas de funk que mudam de estilo assim que fazem sucesso, como por exemplo Naldo e Anitta?

Perde a essência, perde a raiz, né, cara. O Naldo nem tanto, mas já não é funk. E não consegue voltar pra origem: esses MCs que mudam o estilo e viram global não conseguem voltar e acompanhar o funk, que muda direto. Esses que mudam de estilo não conseguem voltar de novo.

– Qual a principal diferença do funk do Rio pro de SP?

O dinheiro! Os caras são mais profissionais em São Paulo.